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N O Ç Õ ES D E D IR EI TO A D M IN IS TR AT IV O 251 que arruínam as casas de um bairro, devido às for- tes chuvas. Não se confunde com o caso fortuito, em que o dano decorre de ato humano, ou da pró- pria Administração, como o desabamento de uma estrada. O caso fortuito enseja o dever de respon- sabilidade somente se tal evento for causado pelo agente público. z Culpa de terceiro: é a hipótese em que o prejuí- zo é atribuído a pessoa estranha aos quadros da Administração Pública. Dessa forma, não há como o Estado ser imputado responsável por atos pra- ticados por pessoas que não fazem parte de sua composição. Curioso é o caso dos danos causados pelas enchentes, sobretudo em cidades onde o escoamento das águas é precário, como ocorre em algumas regiões da cidade de São Paulo. Como regra geral, o Estado não se responsabi- liza por prejuízos causados pelas enchentes. A 3º Câma- ra de Direito Público do TJ/SP negou provimento à AC nº 0170440220058260602 interposta por três proprietários de imóveis afetados pelas fortes chuvas do início do ano de 2012, que pleiteavam pedido de indenização pelos danos causados pelas chuvas, pois as galerias pluviais de seu bairro não eram suficientes para escoar toda a água, caracterizando-se em falta no serviço público. Segundo voto do relator, porém, não havia qualquer prova que defina a ocorrência de qualquer falta de ser- viço que possa ser atribuída ao Município e que tenha sido causa concorrente para o evento. Todo aquele que se sentir prejudicado por con- duta comissiva ou omissiva de agente público pode pleitear, pela via administrativa ou judicial, a devi- da reparação pelos danos causados. Na via adminis- trativa, basta que o prejudicado formule o pedido a autoridade competente, que instaurará processo administrativo para apurar a responsabilidade e o pagamento de indenização. Porém, é preferível que a vítima utilize a via judi- cial, hipótese mais comum haja vista o direito de peti- ção, que se caracteriza no dever do Poder Judiciário de atender todas as demandas feitas pelos cidadãos. O direito à indenização da vítima se instrumentaliza pela ação indenizatória. A ação indenizatória, dessa forma, é aquela proposta pela vítima contra a pessoa jurídica que o agente público causador do dano per- tence. Conforme dispõe o art. 206, § 3º, V, do Código Civil, o prazo prescricional para a propositura de ação indenizatória é de três anos, contados da ocorrência do evento danoso. Lembrando também que sempre há a possibilida- de de direito de regresso, por parte do ente público, contra o agente que, de fato, praticou a conduta dano- sa. Óbvio, quando a culpa recair totalmente sobre um agente ou um pequeno grupo de agentes públicos, o Estado não pode ser o único a arcar com os prejuí- zos da reparação, ele possui direito de regresso. Ain- da que os agentes não indenizem a vítima, sobre eles podem recair a ação regressiva com essa finalidade específica. Significa dizer que os agentes públicos só podem responder de forma subjetiva, devendo inde- nizar o Poder Público pela prática de seus atos. RESPONSABILIDADE DO ESTADO SEGUNDO REITERADAS DECISÕES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) É bem comum que algumas questões exijam do candidato conhecimentos sobre a jurisprudência de determinada matéria. De fato, a teoria da responsa- bilidade extracontratual do Estado abrange diversas casuísticas que podem gerar algumas dúvidas, sobre as quais a doutrina faz pouca menção. Observe as seguintes ementas relacionadas com a referida matéria, todas extraídas do STF: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUS- SÃO GERAL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO POR MORTE DE DETENTO. ARTIGOS 5º, XLIX, E 37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. A responsabilidade civil estatal, segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, § 6º, subsume-se à teoria do risco admi- nistrativo, tanto para as condutas estatais comissivas quanto paras as omissivas, posto rejeitada a teoria do risco integral. 2. A omissão do Estado reclama nexo de causalidade em relação ao dano sofrido pela vítima nos casos em que o Poder Público ostenta o dever legal e a efetiva possibilidade de agir para impedir o resultado danoso. 3. É dever do Estado e direito subjetivo do pre- so que a execução da pena se dê de forma humanizada, garantindo-se os direitos fundamentais do detento, e o de ter preservada a sua incolumidade física e moral (artigo 5º, inciso XLIX, da Constituição Federal). 4. O dever constitucional de proteção ao detento somente se considera violado quando possível a atuação estatal no sentido de garantir os seus direitos fundamentais, pressuposto inafastável para a configuração da respon- sabilidade civil objetiva estatal, na forma do artigo 37, § 6º, da Constituição Federal. 5. Ad impossibilia nemo tenetur, por isso que nos casos em que não é possível ao Estado agir para evitar a morte do detento (que ocorreria mesmo que o preso estivesse em liberdade), rompe-se o nexo de causalidade, afastando-se a res- ponsabilidade do Poder Público, sob pena de adotar- -se contra legem e a opinio doctorum a teoria do risco integral, ao arrepio do texto constitucional. 6. A morte do detento pode ocorrer por várias causas, como, v. g., homicídio, suicídio, acidente ou morte natural, sendo que nem sempre será possível ao Estado evitá-la, por mais que adote as precauções exigíveis. 7. A responsa- bilidade civil estatal resta conjurada nas hipóteses em que o Poder Público comprova causa impeditiva da sua atuação protetiva do detento, rompendo o nexo de causalidade da sua omissão com o resultado danoso. 8. Repercussão geral constitucional que assenta a tese de que: em caso de inobservância do seu dever especí- fico de proteção previsto no artigo 5º, inciso XLIX, da Constituição Federal, o Estado é responsável pela mor- te do detento. 9. In casu, o tribunal a quo assentou que inocorreu a comprovação do suicídio do detento, nem outra causa capaz de romper o nexo de causalidade da sua omissão com o óbito ocorrido, restando escorreita a decisão impositiva de responsabilidade civil estatal. 10. Recurso extraordinário DESPROVIDO. (RE 841526, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 30/03/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-159 DIVULGAÇÃO 29-07-2016 PUBLICAÇÃO 01-08- 2016) 252 Um tema que costuma cair bastante em questões de prova diz respeito à morte do preso. Segundo enten- dimento do STF, o Estado tem o dever de garantir que a pessoa do detento cumpra sua pena com dignidade, respeitados os seus direitos humanos fundamentais. Assim, quando um detento morre dentro da prisão, demonstra-se uma omissão do Estado de atuar em garantir seus direitos. Até mesmo em casos de suicí- dio é possível a responsabilização civil do Estado. Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPER- CUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DIREITO CONSTITUCIO- NAL E ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO POR OMISSÃO. ART. 37, § 6º, DA CONSTI- TUIÇÃO FEDERAL. FISCALIZAÇÃO DO COMÉRCIO DE FOGOS DE ARTIFÍCIO. TEORIA DO RISCO ADMINIS- TRATIVO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. NECESSI- DADE DE VIOLAÇÃO DO DEVER JURÍDICO ESPECÍFICO DE AGIR. 1. A Constituição Federal, no art. 37, § 6º, consagra a responsabilidade civil objetiva das pessoas jurídicas de direito público e das pessoas de direito privado prestadoras de serviços públicos. Aplicação da teoria do risco administrativo. Precedentes da COR- TE. 2. Para a caracterização da responsabilidade civil estatal, há a necessidade da observância de requisitos mínimos para aplicação da responsabilidade objeti- va, quais sejam: a) existência de um dano; b) ação ou omissão administrativa; c) ocorrência de nexo causal entre o dano e a ação ou omissão administrativa; e d) ausência de causa excludente da responsabilidade estatal. 3. Na hipótese, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo concluiu, pautado na doutrina da teoria do risco administrativo e com base na legislação local,que não poderia ser atribuída ao Município de São Paulo a responsabilidade civil pela explosão ocorri- da em loja de fogos de artifício. Entendeu-se que não houve omissão estatal na fiscalização da atividade, uma vez que os proprietários do comércio desenvol- viam a atividade de forma clandestina, pois ausente a autorização estatal para comercialização de fogos de artifício. 4. Fixada a seguinte tese de Repercussão Geral: “Para que fique caracterizada a responsabilida- de civil do Estado por danos decorrentes do comércio de fogos de artifício, é necessário que exista a violação de um dever jurídico específico de agir, que ocorrerá quando for concedida a licença para funcionamen- to sem as cautelas legais ou quando for de conheci- mento do poder público eventuais irregularidades praticadas pelo particular”. 5. Recurso extraordinário desprovido. (RE 136861, Relator(a): EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 11/03/2020, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-201 DIVULG 12-08-2020 PUBLIC 13-08-2020) Fogos de artifício são produtos altamente perigosos e que podem causar danos a diversas vítimas, seja ela o adquirente do produto, ou ainda terceiros. Observe que, no caso mencionado, a vítima adquiriu fogos de artifícios de forma clandestina dos proprietários do comércio. Não houve, assim, a aquisição de licença para a venda desses produtos. Sendo assim, firmou- -se entendimento de que só caberá responsabilida- de civil do Estado quando restar comprovado que houve a violação de um dever jurídico específico de agir, como no caso de concessão de licença para pessoa incapaz ou sem os cuidados específicos. Assim, é hipótese de responsabilidade subjetiva. CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE DO ESTA- DO. ART. 37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO. PESSOAS JURÍDI- CAS DE DIREITO PRIVADO PRESTADORAS DE SERVIÇO PÚBLICO. CONCESSIONÁRIO OU PERMISSIONÁRIO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE COLETIVO. RESPON- SABILIDADE OBJETIVA EM RELAÇÃO A TERCEIROS NÃO-USUÁRIOS DO SERVIÇO. RECURSO DESPROVIDO. I. A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público é objetiva relativamente a terceiros usuários e não- -usuários do serviço, segundo decorre do art. 37, § 6º, da Constituição Federal. II. A inequívoca presença do nexo de causalidade entre o ato administrativo e o dano causado ao terceiro não-usuário do serviço público, é condi- ção suficiente para estabelecer a responsabilida- de objetiva da pessoa jurídica de direito privado. III. Recurso extraordinário desprovido. (RE 591874, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 26/08/2009, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-237 DIVULG 17-12-2009 PUBLIC 18-12-2009 EMENT VOL-02387-10 PP- 01820 RTJ VOL-00222-01 PP-00500) Outro caso que é bastante comum e costuma cair em questões de prova diz respeito ao serviço públi- co de transporte coletivo. Indaga-se como recairia a responsabilidade do Estado quando, por exemplo, um motorista de ônibus atropela um civil andando na rua, que é considerado um terceiro não-usuário do serviço. Segundo o entendimento do STF, as pessoas jurídicas concessionários do serviço de transporte possuem responsabilidade civil objetiva quando o dano for causado contra terceiros, sejam eles usuários do serviço ou não. A presença do nexo de casualidade é bastante evidente. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2019) No que diz respeito a des- vio e excesso de poder e à responsabilidade civil do Estado, julgue o item subsecutivo. É possível responsabilizar a administração pública por ato omissivo do poder público, desde que seja inequí- voco o requisito da causalidade, em linha direta e ime- diata, ou seja, desde que exista o nexo de causalidade entre a ação omissiva atribuída ao poder público e o dano causado a terceiro. ( ) CERTO ( ) ERRADO A doutrina costuma conceituar a responsabilida- de extracontratual do Estado como a obrigação de reparar danos causados a terceiros em decorrência de comportamentos comissivos ou omissivos, materiais ou jurídicos, lícitos ou ilícitos, imputáveis aos agentes públicos. Ainda que seja por uma conduta omissiva, não há a necessidade de comprovar dolo ou culpa na conduta omissiva do agente público. Resposta: Certo. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2019) Julgue o item a seguir, acerca das disposições constitucionais a respeito de direito administrativo. N O Ç Õ ES D E D IR EI TO A D M IN IS TR AT IV O 253 Um município poderá ser condenado ao pagamen- to de indenização por danos causados por conduta de agentes de sua guarda municipal, ainda que tais danos tenham decorrido de conduta amparada por causa excludente de ilicitude penal expressamente reconhecida em sentença transitada em julgado. ( ) CERTO ( ) ERRADO A responsabilidade extracontratual do Estado bra- sileiro é fundada na teoria do risco administrativo, o que significa que ela admite, excepcionalmente, causas de exclusão da responsabilidade. São três ao todo: 1- Culpa exclusiva da vítima; 2- Caso fortuito e 3- Força maior. Assim, a causa excludente de ilicitude penal não é suficiente para excluir a responsabilidade administra- tiva. Vale lembrar que as esferas cível, penal e adminis- trativa de responsabilização são independentes entre si e, em regra, não se comunicam. Resposta: Certo. REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO CONCEITO Hoje conheceremos o regime jurídico-adminis- trativo aplicável à Administração Pública, sendo, no entanto, necessário termos uma breve noção da dife- rença entre princípios e regras. Princípios x Regras Os princípios são a base de um ordenamento jurí- dico, anteriores até mesmo à existência das normas, pois influenciam no próprio processo legislativo. Podem constar expressamente ou não, tendo como característica terem enunciados genéricos, para apli- cação num máximo possível de situações. Os princípios possuem alto nível de abstração, outra característica que irá permitir a sua aplicabili- dade a um grande número de situações. Também poderão ser utilizados para análise da validade de normas constantes do ordenamento jurí- dico, assim como a sua correta interpretação. Não há hierarquia na aplicação dos princípios. Eles devem ser interpretados de forma harmônica. No entanto, isso não impede que um ou outro esteja mais presente quando da análise de uma situação concre- ta. Nesse ponto, não falaremos de hierarquia, mas da mera aplicabilidade do princípio à situação concreta trazida à análise. Vamos enumerar as características dos princípios colocadas até então: z Generalidade; z Abstração; z Ausência de hierarquia entre si; z Interpretação e validação de regras. Vejamos agora sobre as regras. Elas serão menos genéricas e abstratas. Ainda que aplicáveis eventual- mente a várias situações correlatas, elas já procuram se aproximar da realidade dos fatos, apresentando comandos mais claros e concretos. No Brasil temos alguns critérios que podem ser uti- lizados para a solução do conflito entre regras: z Hierárquico: prevalece a de maior hierarquia. Ex.: CF/88 sobre qualquer norma interna. z Cronológico: prevalecerá a lei mais nova sobre o tema. z Especialidade: prevalecerá a lei mais específica sobre o tema. REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO O regime jurídico pode ser definido como conjunto de normas que irá orientar uma determinada relação jurídica. Vejamos dois exemplos para, desde já, seja possível ter em mente que esse conjunto de normas poderá variar de acordo com a situação. O primeiro deles seria um desentendimento seu com seu vizinho em uma eventual construção irregular, que extrapola o direito de um e invade o direito do outro. Num segundo momento, imagine que você foi fla- grado por uma viatura policial ao avançar um sinal vermelho em alta velocidade. Veja que, em que pese caber discussões de defesa de direitos em ambos os exemplos, as normas apli- cáveis aos casos não são as mesmas. No primeiro exemplo háuma clara igualdade, o que não ocorre no segundo momento. Para começar a entender o regime jurídico-admi- nistrativo, ou seja, o regime jurídico ao qual se submete a Administração Pública quando da sua atuação, deve- remos entender dois princípios, chamados pela doutri- na em Direito Administrativo de supra princípios: z Supremacia do interesse público; z Indisponibilidade do interesse público. Com base na supremacia do interesse público serão criadas prerrogativas para proteger o interesse públi- co diante do interesse particular. Exemplo: presunção de veracidade e legitimidade dos atos administrativos. Já a indisponibilidade do interesse público irá impor restrições ao uso da coisa pública, também com intuito de proteção: inalienabilidade condicionada dos bens públicos. Importante ressaltar que a Administração Pública nem sempre estará atuando sob este regime jurídi- co-administrativo, apesar de esta ser a regra. Have- rá situações em que a Administração Pública estará atuando de igual para igual com o particular, sujeita a um regime de direito privado. Portanto, dito isso, vamos organizar essa parte do raciocínio. z Regime jurídico de direito público: conceito restri- to (regime jurídico-administrativo). z Regime jurídico de direito privado. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (CESPE-CEBRASPE – 2019) Com relação à origem e às fontes do direito administrativo, aos sistemas adminis- trativos e à administração pública em geral, julgue o item que segue. O conjunto das prerrogativas e restrições a que está sujeita a administração pública e que não se encontra nas relações entre particulares constitui o regime jurídico administrativo. ( ) CERTO ( ) ERRADO 254 A atuação da Administração Pública, diferentemente da atuação entre pessoas privadas, em regra será regi- da por um conjunto de normas próprias. Esse conjunto de normas a doutrina chama de regime jurídico-ad- ministrativo. Ele tem como pilares os supra princípios supremacia do interesse público e indisponibilidade do interesse público, como vimos acima. Resposta: Certo. 2. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Acerca da administração pública e de suas funções, julgue o item a seguir. A supremacia do interesse público sobre o particular pode ser verificada por meio tanto das prerrogativas associa- das ao regime jurídico administrativo quanto da inexistên- cia de restrições à atuação da administração pública. ( ) CERTO ( ) ERRADO O regime jurídico administrativo tem como pilares os princípios da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do interesse público. A supre- macia do interesse público impõe uma relação de verticalidade do interesse público em relação ao interesse particular. No entanto, relação de supe- rioridade se dará conforme haja previsão legal, não sendo uma inexistência total de restrições, confor- me colocado pela questão. Resposta: Errado. PRINCÍPIOS EXPRESSOS E IMPLÍCITOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Vamos começar a conhecer cada um dos princí- pios. Conheceremos os princípios expressos da Cons- tituição Federal. É importante que você saiba que há princípios expressos em várias outras normas que não são a CF/88. Conheceremos aqui apenas os constantes do caput do artigo 37. Vejamos a sua literalidade. Art. 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: Veja que a aplicabilidade do caput é bastante ampla: todos os poderes, todas as esferas, administra- ção direta e indireta. Você deve decorar esses princípios, fazendo uso do famoso LIMPE, que traz a inicial de cada um dos prin- cípios constantes do caput. Legalidade O princípio da legalidade tem sua origem no próprio estado de Direito. Vejamos o artigo 1º da Constituição. Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Demo- crático de Direito e tem como fundamentos: Em um Estado de Direito, a vida das pessoas, assim como também do Estado, será pautada no que cons- tar da lei. No entanto, a interpretação do princípio da legalidade terá abordagens diferentes quando olhar- mos para o particular ou para o agente público. Vejamos a legalidade aplicável ao particular, cons- tante do artigo 5º da Carta Magna. Art. 5º (...) II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Veja que o mandamento para o particular é permis- sivo. Ele poderá fazer tudo que não estiver proibido em lei. Será obrigado a algo apenas quando da lei constar. Essa não é a interpretação do princípio da legalidade para o agente público. Aqui já cabe falar em legalidade administrativa. Ao agente público será permitido tudo que a lei autorizar ou mandar. Ou seja, a relação é opos- ta. Não é um mandamento permissivo, mas restritivo. Impessoalidade O princípio da impessoalidade, também conhecido como princípio da finalidade, tem como objetivo maxi- mizar os resultados da Administração Pública para a sociedade como um todo. Ele irá impedir, por meio de cada uma de suas facetas, o direcionamento da atuação do Estado tanto para o interesse de um particular ou um grupo específico de particulares, como para o pró- prio interesse do agente público tomador de decisão. A partir disso temos algumas leituras possíveis para o princípio. Uma delas é a aplicação do princípio da impessoalidade por meio da ausência de qualquer tipo de promoção pessoal do agente público cometen- te, buscando apenas o interesse público. Outra leitura possível passará pelo tratamento iso- nômico dos administrados. A isonomia permite o tra- tamento diferenciado de acordo com diferenças entre os administrados. É o que você na reserva de vagas para idosos, por exemplo. Portanto, temos dois tipos de isonomia, a saber: z Isonomia horizontal: pessoas em situações seme- lhantes devem ser tratadas da mesma forma; z Isonomia vertical: pessoas em situações diferentes podem ter tratamentos distintos. Moralidade A moralidade administrativa estará intimamente ligada ao conceito de certo e errado, honesto e deso- nesto, extrapolando a letra fria da lei. No entanto, não para desobedecê-la, mas para complementar com um conteúdo moral que muitas vezes não consta expres- sa e claramente do texto legal, mas deve ser aplicado pelo agente público quando da sua atuação. Importante citar que a moralidade se aplica tanto ao agente público, quanto ao particular que defende seu interesse diante da Administração Pública. Há na Constituição outro mandamento que expõe a importância do princípio da moralidade, constante do artigo 5º. Vejamos. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei- ros e aos estrangeiros residentes no País a inviola- bilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesi- vo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;