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que arruínam as casas de um bairro, devido às for-
tes chuvas. Não se confunde com o caso fortuito, 
em que o dano decorre de ato humano, ou da pró-
pria Administração, como o desabamento de uma 
estrada. O caso fortuito enseja o dever de respon-
sabilidade somente se tal evento for causado pelo 
agente público.
 z Culpa de terceiro: é a hipótese em que o prejuí-
zo é atribuído a pessoa estranha aos quadros da 
Administração Pública. Dessa forma, não há como 
o Estado ser imputado responsável por atos pra-
ticados por pessoas que não fazem parte de sua 
composição.
Curioso é o caso dos danos causados pelas enchentes, 
sobretudo em cidades onde o escoamento das águas é 
precário, como ocorre em algumas regiões da cidade de 
São Paulo. Como regra geral, o Estado não se responsabi-
liza por prejuízos causados pelas enchentes. A 3º Câma-
ra de Direito Público do TJ/SP negou provimento à AC nº 
0170440220058260602 interposta por três proprietários 
de imóveis afetados pelas fortes chuvas do início do ano 
de 2012, que pleiteavam pedido de indenização pelos 
danos causados pelas chuvas, pois as galerias pluviais 
de seu bairro não eram suficientes para escoar toda a 
água, caracterizando-se em falta no serviço público. 
Segundo voto do relator, porém, não havia qualquer 
prova que defina a ocorrência de qualquer falta de ser-
viço que possa ser atribuída ao Município e que tenha 
sido causa concorrente para o evento.
Todo aquele que se sentir prejudicado por con-
duta comissiva ou omissiva de agente público pode 
pleitear, pela via administrativa ou judicial, a devi-
da reparação pelos danos causados. Na via adminis-
trativa, basta que o prejudicado formule o pedido 
a autoridade competente, que instaurará processo 
administrativo para apurar a responsabilidade e o 
pagamento de indenização.
Porém, é preferível que a vítima utilize a via judi-
cial, hipótese mais comum haja vista o direito de peti-
ção, que se caracteriza no dever do Poder Judiciário 
de atender todas as demandas feitas pelos cidadãos. 
O direito à indenização da vítima se instrumentaliza 
pela ação indenizatória. A ação indenizatória, dessa 
forma, é aquela proposta pela vítima contra a pessoa 
jurídica que o agente público causador do dano per-
tence. Conforme dispõe o art. 206, § 3º, V, do Código 
Civil, o prazo prescricional para a propositura de ação 
indenizatória é de três anos, contados da ocorrência 
do evento danoso. 
Lembrando também que sempre há a possibilida-
de de direito de regresso, por parte do ente público, 
contra o agente que, de fato, praticou a conduta dano-
sa. Óbvio, quando a culpa recair totalmente sobre um 
agente ou um pequeno grupo de agentes públicos, o 
Estado não pode ser o único a arcar com os prejuí-
zos da reparação, ele possui direito de regresso. Ain-
da que os agentes não indenizem a vítima, sobre eles 
podem recair a ação regressiva com essa finalidade 
específica. Significa dizer que os agentes públicos só 
podem responder de forma subjetiva, devendo inde-
nizar o Poder Público pela prática de seus atos. 
RESPONSABILIDADE DO ESTADO SEGUNDO 
REITERADAS DECISÕES DO SUPREMO TRIBUNAL 
FEDERAL (STF)
É bem comum que algumas questões exijam do 
candidato conhecimentos sobre a jurisprudência de 
determinada matéria. De fato, a teoria da responsa-
bilidade extracontratual do Estado abrange diversas 
casuísticas que podem gerar algumas dúvidas, sobre 
as quais a doutrina faz pouca menção.
Observe as seguintes ementas relacionadas com a 
referida matéria, todas extraídas do STF:
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUS-
SÃO GERAL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO 
POR MORTE DE DETENTO. ARTIGOS 5º, XLIX, E 37, § 
6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. A responsabilidade 
civil estatal, segundo a Constituição Federal de 1988, em 
seu artigo 37, § 6º, subsume-se à teoria do risco admi-
nistrativo, tanto para as condutas estatais comissivas 
quanto paras as omissivas, posto rejeitada a teoria do 
risco integral. 2. A omissão do Estado reclama nexo de 
causalidade em relação ao dano sofrido pela vítima nos 
casos em que o Poder Público ostenta o dever legal e a 
efetiva possibilidade de agir para impedir o resultado 
danoso. 3. É dever do Estado e direito subjetivo do pre-
so que a execução da pena se dê de forma humanizada, 
garantindo-se os direitos fundamentais do detento, e 
o de ter preservada a sua incolumidade física e moral 
(artigo 5º, inciso XLIX, da Constituição Federal). 4. O 
dever constitucional de proteção ao detento somente 
se considera violado quando possível a atuação estatal 
no sentido de garantir os seus direitos fundamentais, 
pressuposto inafastável para a configuração da respon-
sabilidade civil objetiva estatal, na forma do artigo 37, 
§ 6º, da Constituição Federal. 5. Ad impossibilia nemo 
tenetur, por isso que nos casos em que não é possível 
ao Estado agir para evitar a morte do detento (que 
ocorreria mesmo que o preso estivesse em liberdade), 
rompe-se o nexo de causalidade, afastando-se a res-
ponsabilidade do Poder Público, sob pena de adotar-
-se contra legem e a opinio doctorum a teoria do risco 
integral, ao arrepio do texto constitucional. 6. A morte 
do detento pode ocorrer por várias causas, como, v. g., 
homicídio, suicídio, acidente ou morte natural, sendo 
que nem sempre será possível ao Estado evitá-la, por 
mais que adote as precauções exigíveis. 7. A responsa-
bilidade civil estatal resta conjurada nas hipóteses em 
que o Poder Público comprova causa impeditiva da 
sua atuação protetiva do detento, rompendo o nexo de 
causalidade da sua omissão com o resultado danoso. 
8. Repercussão geral constitucional que assenta a tese 
de que: em caso de inobservância do seu dever especí-
fico de proteção previsto no artigo 5º, inciso XLIX, da 
Constituição Federal, o Estado é responsável pela mor-
te do detento. 9. In casu, o tribunal a quo assentou que 
inocorreu a comprovação do suicídio do detento, nem 
outra causa capaz de romper o nexo de causalidade da 
sua omissão com o óbito ocorrido, restando escorreita 
a decisão impositiva de responsabilidade civil estatal. 
10. Recurso extraordinário DESPROVIDO.
(RE 841526, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 
30/03/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - 
MÉRITO DJe-159 DIVULGAÇÃO 29-07-2016 PUBLICAÇÃO 01-08-
2016)
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Um tema que costuma cair bastante em questões 
de prova diz respeito à morte do preso. Segundo enten-
dimento do STF, o Estado tem o dever de garantir que 
a pessoa do detento cumpra sua pena com dignidade, 
respeitados os seus direitos humanos fundamentais. 
Assim, quando um detento morre dentro da prisão, 
demonstra-se uma omissão do Estado de atuar em 
garantir seus direitos. Até mesmo em casos de suicí-
dio é possível a responsabilização civil do Estado. 
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPER-
CUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DIREITO CONSTITUCIO-
NAL E ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL 
DO ESTADO POR OMISSÃO. ART. 37, § 6º, DA CONSTI-
TUIÇÃO FEDERAL. FISCALIZAÇÃO DO COMÉRCIO DE 
FOGOS DE ARTIFÍCIO. TEORIA DO RISCO ADMINIS-
TRATIVO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. NECESSI-
DADE DE VIOLAÇÃO DO DEVER JURÍDICO ESPECÍFICO 
DE AGIR. 1. A Constituição Federal, no art. 37, § 6º, 
consagra a responsabilidade civil objetiva das pessoas 
jurídicas de direito público e das pessoas de direito 
privado prestadoras de serviços públicos. Aplicação 
da teoria do risco administrativo. Precedentes da COR-
TE. 2. Para a caracterização da responsabilidade civil 
estatal, há a necessidade da observância de requisitos 
mínimos para aplicação da responsabilidade objeti-
va, quais sejam: a) existência de um dano; b) ação ou 
omissão administrativa; c) ocorrência de nexo causal 
entre o dano e a ação ou omissão administrativa; e 
d) ausência de causa excludente da responsabilidade 
estatal. 3. Na hipótese, o Tribunal de Justiça do Estado 
de São Paulo concluiu, pautado na doutrina da teoria 
do risco administrativo e com base na legislação local,que não poderia ser atribuída ao Município de São 
Paulo a responsabilidade civil pela explosão ocorri-
da em loja de fogos de artifício. Entendeu-se que não 
houve omissão estatal na fiscalização da atividade, 
uma vez que os proprietários do comércio desenvol-
viam a atividade de forma clandestina, pois ausente 
a autorização estatal para comercialização de fogos 
de artifício. 4. Fixada a seguinte tese de Repercussão 
Geral: “Para que fique caracterizada a responsabilida-
de civil do Estado por danos decorrentes do comércio 
de fogos de artifício, é necessário que exista a violação 
de um dever jurídico específico de agir, que ocorrerá 
quando for concedida a licença para funcionamen-
to sem as cautelas legais ou quando for de conheci-
mento do poder público eventuais irregularidades 
praticadas pelo particular”. 5. Recurso extraordinário 
desprovido.
(RE 136861, Relator(a): EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: 
ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 11/03/2020, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-201 
DIVULG 12-08-2020 PUBLIC 13-08-2020)
Fogos de artifício são produtos altamente perigosos 
e que podem causar danos a diversas vítimas, seja ela 
o adquirente do produto, ou ainda terceiros. Observe 
que, no caso mencionado, a vítima adquiriu fogos de 
artifícios de forma clandestina dos proprietários do 
comércio. Não houve, assim, a aquisição de licença 
para a venda desses produtos. Sendo assim, firmou-
-se entendimento de que só caberá responsabilida-
de civil do Estado quando restar comprovado que 
houve a violação de um dever jurídico específico 
de agir, como no caso de concessão de licença para 
pessoa incapaz ou sem os cuidados específicos. Assim, 
é hipótese de responsabilidade subjetiva. 
CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE DO ESTA-
DO. ART. 37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO. PESSOAS JURÍDI-
CAS DE DIREITO PRIVADO PRESTADORAS DE SERVIÇO 
PÚBLICO. CONCESSIONÁRIO OU PERMISSIONÁRIO 
DO SERVIÇO DE TRANSPORTE COLETIVO. RESPON-
SABILIDADE OBJETIVA EM RELAÇÃO A TERCEIROS 
NÃO-USUÁRIOS DO SERVIÇO. RECURSO DESPROVIDO.
I. A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de 
direito privado prestadoras de serviço público é 
objetiva relativamente a terceiros usuários e não-
-usuários do serviço, segundo decorre do art. 37, 
§ 6º, da Constituição Federal. 
II. A inequívoca presença do nexo de causalidade 
entre o ato administrativo e o dano causado ao 
terceiro não-usuário do serviço público, é condi-
ção suficiente para estabelecer a responsabilida-
de objetiva da pessoa jurídica de direito privado.
 III. Recurso extraordinário desprovido.
(RE 591874, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, 
julgado em 26/08/2009, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-237 
DIVULG 17-12-2009 PUBLIC 18-12-2009 EMENT VOL-02387-10 PP-
01820 RTJ VOL-00222-01 PP-00500)
Outro caso que é bastante comum e costuma cair 
em questões de prova diz respeito ao serviço públi-
co de transporte coletivo. Indaga-se como recairia a 
responsabilidade do Estado quando, por exemplo, um 
motorista de ônibus atropela um civil andando na 
rua, que é considerado um terceiro não-usuário do 
serviço. Segundo o entendimento do STF, as pessoas 
jurídicas concessionários do serviço de transporte 
possuem responsabilidade civil objetiva quando 
o dano for causado contra terceiros, sejam eles 
usuários do serviço ou não. A presença do nexo de 
casualidade é bastante evidente. 
 EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. (CESPE-CEBRASPE – 2019) No que diz respeito a des-
vio e excesso de poder e à responsabilidade civil do 
Estado, julgue o item subsecutivo.
 É possível responsabilizar a administração pública por 
ato omissivo do poder público, desde que seja inequí-
voco o requisito da causalidade, em linha direta e ime-
diata, ou seja, desde que exista o nexo de causalidade 
entre a ação omissiva atribuída ao poder público e o 
dano causado a terceiro.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
A doutrina costuma conceituar a  responsabilida-
de  extracontratual do Estado como a obrigação de 
reparar danos causados a terceiros em decorrência de 
comportamentos comissivos ou omissivos, materiais 
ou jurídicos, lícitos ou ilícitos, imputáveis aos agentes 
públicos. Ainda que seja por uma conduta omissiva, 
não há a necessidade de comprovar dolo ou culpa na 
conduta omissiva do agente público. Resposta: Certo.
2. (CESPE-CEBRASPE – 2019) Julgue o item a seguir, 
acerca das disposições constitucionais a respeito de 
direito administrativo.
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 Um município poderá ser condenado ao pagamen-
to de indenização por danos causados por conduta 
de agentes de sua guarda municipal, ainda que tais 
danos tenham decorrido de conduta amparada por 
causa excludente de ilicitude penal expressamente 
reconhecida em sentença transitada em julgado.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
A responsabilidade extracontratual do Estado bra-
sileiro é fundada na teoria do risco administrativo, o 
que significa que ela admite, excepcionalmente, causas 
de exclusão da responsabilidade. São três ao todo: 1- 
Culpa exclusiva da vítima; 2- Caso fortuito e 3- Força 
maior. Assim, a causa excludente de ilicitude penal não 
é suficiente para excluir a responsabilidade administra-
tiva. Vale lembrar que as esferas cível, penal e adminis-
trativa de responsabilização são independentes entre si 
e, em regra, não se comunicam. Resposta: Certo.
REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO
CONCEITO 
Hoje conheceremos o regime jurídico-adminis-
trativo aplicável à Administração Pública, sendo, no 
entanto, necessário termos uma breve noção da dife-
rença entre princípios e regras.
Princípios x Regras
Os princípios são a base de um ordenamento jurí-
dico, anteriores até mesmo à existência das normas, 
pois influenciam no próprio processo legislativo.
Podem constar expressamente ou não, tendo como 
característica terem enunciados genéricos, para apli-
cação num máximo possível de situações.
Os princípios possuem alto nível de abstração, 
outra característica que irá permitir a sua aplicabili-
dade a um grande número de situações.
Também poderão ser utilizados para análise da 
validade de normas constantes do ordenamento jurí-
dico, assim como a sua correta interpretação.
Não há hierarquia na aplicação dos princípios. 
Eles devem ser interpretados de forma harmônica. No 
entanto, isso não impede que um ou outro esteja mais 
presente quando da análise de uma situação concre-
ta. Nesse ponto, não falaremos de hierarquia, mas da 
mera aplicabilidade do princípio à situação concreta 
trazida à análise.
Vamos enumerar as características dos princípios 
colocadas até então:
 z Generalidade;
 z Abstração;
 z Ausência de hierarquia entre si;
 z Interpretação e validação de regras.
Vejamos agora sobre as regras. Elas serão menos 
genéricas e abstratas. Ainda que aplicáveis eventual-
mente a várias situações correlatas, elas já procuram 
se aproximar da realidade dos fatos, apresentando 
comandos mais claros e concretos.
No Brasil temos alguns critérios que podem ser uti-
lizados para a solução do conflito entre regras:
 z Hierárquico: prevalece a de maior hierarquia. Ex.: 
CF/88 sobre qualquer norma interna. 
 z Cronológico: prevalecerá a lei mais nova sobre o 
tema.
 z Especialidade: prevalecerá a lei mais específica 
sobre o tema.
REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO
O regime jurídico pode ser definido como conjunto 
de normas que irá orientar uma determinada relação 
jurídica. Vejamos dois exemplos para, desde já, seja 
possível ter em mente que esse conjunto de normas 
poderá variar de acordo com a situação.
O primeiro deles seria um desentendimento seu com 
seu vizinho em uma eventual construção irregular, que 
extrapola o direito de um e invade o direito do outro.
Num segundo momento, imagine que você foi fla-
grado por uma viatura policial ao avançar um sinal 
vermelho em alta velocidade.
Veja que, em que pese caber discussões de defesa 
de direitos em ambos os exemplos, as normas apli-
cáveis aos casos não são as mesmas. No primeiro 
exemplo háuma clara igualdade, o que não ocorre no 
segundo momento.
Para começar a entender o regime jurídico-admi-
nistrativo, ou seja, o regime jurídico ao qual se submete 
a Administração Pública quando da sua atuação, deve-
remos entender dois princípios, chamados pela doutri-
na em Direito Administrativo de supra princípios: 
 z Supremacia do interesse público;
 z Indisponibilidade do interesse público.
Com base na supremacia do interesse público serão 
criadas prerrogativas para proteger o interesse públi-
co diante do interesse particular. Exemplo: presunção 
de veracidade e legitimidade dos atos administrativos.
Já a indisponibilidade do interesse público irá 
impor restrições ao uso da coisa pública, também com 
intuito de proteção: inalienabilidade condicionada 
dos bens públicos.
Importante ressaltar que a Administração Pública 
nem sempre estará atuando sob este regime jurídi-
co-administrativo, apesar de esta ser a regra. Have-
rá situações em que a Administração Pública estará 
atuando de igual para igual com o particular, sujeita 
a um regime de direito privado. Portanto, dito isso, 
vamos organizar essa parte do raciocínio.
 z Regime jurídico de direito público: conceito restri-
to (regime jurídico-administrativo).
 z Regime jurídico de direito privado.
 EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. (CESPE-CEBRASPE – 2019) Com relação à origem e às 
fontes do direito administrativo, aos sistemas adminis-
trativos e à administração pública em geral, julgue o item 
que segue. 
 O conjunto das prerrogativas e restrições a que está sujeita 
a administração pública e que não se encontra nas relações 
entre particulares constitui o regime jurídico administrativo.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
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A atuação da Administração Pública, diferentemente 
da atuação entre pessoas privadas, em regra será regi-
da por um conjunto de normas próprias. Esse conjunto 
de normas a doutrina chama de regime jurídico-ad-
ministrativo. Ele tem como pilares os supra princípios 
supremacia do interesse público e indisponibilidade do 
interesse público, como vimos acima. Resposta: Certo.
2. (CESPE-CEBRASPE – 2018) Acerca da administração 
pública e de suas funções, julgue o item a seguir.
 A supremacia do interesse público sobre o particular pode 
ser verificada por meio tanto das prerrogativas associa-
das ao regime jurídico administrativo quanto da inexistên-
cia de restrições à atuação da administração pública.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
O regime jurídico administrativo tem como pilares 
os princípios da supremacia do interesse público e 
da indisponibilidade do interesse público. A supre-
macia do interesse público impõe uma relação de 
verticalidade do interesse público em relação ao 
interesse particular. No entanto, relação de supe-
rioridade se dará conforme haja previsão legal, não 
sendo uma inexistência total de restrições, confor-
me colocado pela questão. Resposta: Errado.
PRINCÍPIOS EXPRESSOS E IMPLÍCITOS DA 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Vamos começar a conhecer cada um dos princí-
pios. Conheceremos os princípios expressos da Cons-
tituição Federal. É importante que você saiba que há 
princípios expressos em várias outras normas que não 
são a CF/88. Conheceremos aqui apenas os constantes 
do caput do artigo 37. Vejamos a sua literalidade.
Art. 37 A administração pública direta e indireta 
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá 
aos princípios de legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência e, também, 
ao seguinte:
Veja que a aplicabilidade do caput é bastante 
ampla: todos os poderes, todas as esferas, administra-
ção direta e indireta.
Você deve decorar esses princípios, fazendo uso do 
famoso LIMPE, que traz a inicial de cada um dos prin-
cípios constantes do caput.
Legalidade
O princípio da legalidade tem sua origem no próprio 
estado de Direito. Vejamos o artigo 1º da Constituição.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada 
pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e 
do Distrito Federal, constitui-se em Estado Demo-
crático de Direito e tem como fundamentos:
Em um Estado de Direito, a vida das pessoas, assim 
como também do Estado, será pautada no que cons-
tar da lei. No entanto, a interpretação do princípio da 
legalidade terá abordagens diferentes quando olhar-
mos para o particular ou para o agente público.
Vejamos a legalidade aplicável ao particular, cons-
tante do artigo 5º da Carta Magna.
Art. 5º (...)
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de 
fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
Veja que o mandamento para o particular é permis-
sivo. Ele poderá fazer tudo que não estiver proibido em 
lei. Será obrigado a algo apenas quando da lei constar.
Essa não é a interpretação do princípio da legalidade 
para o agente público. Aqui já cabe falar em legalidade 
administrativa. Ao agente público será permitido tudo 
que a lei autorizar ou mandar. Ou seja, a relação é opos-
ta. Não é um mandamento permissivo, mas restritivo.
Impessoalidade
O princípio da impessoalidade, também conhecido 
como princípio da finalidade, tem como objetivo maxi-
mizar os resultados da Administração Pública para a 
sociedade como um todo. Ele irá impedir, por meio de 
cada uma de suas facetas, o direcionamento da atuação 
do Estado tanto para o interesse de um particular ou 
um grupo específico de particulares, como para o pró-
prio interesse do agente público tomador de decisão.
A partir disso temos algumas leituras possíveis 
para o princípio. Uma delas é a aplicação do princípio 
da impessoalidade por meio da ausência de qualquer 
tipo de promoção pessoal do agente público cometen-
te, buscando apenas o interesse público.
Outra leitura possível passará pelo tratamento iso-
nômico dos administrados. A isonomia permite o tra-
tamento diferenciado de acordo com diferenças entre 
os administrados. É o que você na reserva de vagas 
para idosos, por exemplo.
Portanto, temos dois tipos de isonomia, a saber:
 z Isonomia horizontal: pessoas em situações seme-
lhantes devem ser tratadas da mesma forma;
 z Isonomia vertical: pessoas em situações diferentes 
podem ter tratamentos distintos.
Moralidade
A moralidade administrativa estará intimamente 
ligada ao conceito de certo e errado, honesto e deso-
nesto, extrapolando a letra fria da lei. No entanto, não 
para desobedecê-la, mas para complementar com um 
conteúdo moral que muitas vezes não consta expres-
sa e claramente do texto legal, mas deve ser aplicado 
pelo agente público quando da sua atuação.
Importante citar que a moralidade se aplica tanto 
ao agente público, quanto ao particular que defende 
seu interesse diante da Administração Pública.
Há na Constituição outro mandamento que expõe 
a importância do princípio da moralidade, constante 
do artigo 5º. Vejamos.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção 
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei-
ros e aos estrangeiros residentes no País a inviola-
bilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, 
à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
(...) 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para 
propor ação popular que vise a anular ato lesi-
vo ao patrimônio público ou de entidade de que o 
Estado participe, à moralidade administrativa, ao 
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, 
ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de 
custas judiciais e do ônus da sucumbência;

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