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2025/1
DIREITO
MATERIAL ALUNO
ALUNO(A): ____________________________
MATERIAL INSTRUCIONAL DE APOIO
CURSO DE DIREITO
MÓDULO 1: COMUNICAÇÃO JURÍDICA: CONCEITOS BÁSICOS E TIPOS TEXTUAIS
CONCEITO GERAL:
1 - Comunicação e Linguagem:
A comunicação, palavra derivada do latim communicare tem como significado “tornar comum” ou a 
“ação de participar”. É a base da sociedade e o que nos permite tal configuração, tendo em vista que o 
homem, para agrupar-se em sociedade, compartilha, ou melhor dizer, insere informações como um bem 
comum no meio em que vive, o que permite a interação social.
A linguagem, sendo uma ferramenta da comunicação, é o meio que possibilita ao homem expressar seus
sentimentos, opiniões, trocar informações, transmitir conhecimento, descortinar o mundo. Temos como
conceituação de linguagem, de acordo com Petri (2012) como “um sistema de sinais empregados pelo
homem para exprimir e transmitir suas ideias e pensamentos”.
A linguagem está em constante transformação, tendo em vista ser parte inerente à sociedade e, portanto, 
acompanha as mudanças sociais, seja ela nas linguagens formais, informais e até mesmo técnicas, tendo 
em vista as evoluções científicas e culturais.
A comunicação, seja ela construída de forma verbal ou não verbal, é a materialidade de um discurso que
se constrói por diferentes fontes, sob a influência de diferentes memórias, na elaboração de um discurso
que, na verdade, é o efeito de sentidos que se instaura entre interlocutores. Tanto o locutor (aquele
constrói a mensagem) como o interlocutor (aquele que recebe a mensagem), vão acionar os seus
conhecimentos prévios para a realização de tal comunicação. Para isso, haverá a ativação de suas
memórias, também chamadas de FORMAÇÕES IMAGINÁRIAS, podendo ser elas:
 
A - MEMÓRIA COLETIVA: é a memória ancestral da humanidade. É o fenômeno existente em função 
da interação social. Significa que o conhecimento adquirido através dos tempos, seja de geração para 
geração, ou até mesmo aquela compartilhada em família, ou qualquer outro grupo social. Nela está 
registrado todo o passado da sociedade que acaba por constituir todos os homens. Essa memória não é 
disponível ao homem, ou seja, não lhe é dada a condição de saber de que modo as imagens se misturam e 
acabam por nortear seu dizer e seu gesto de interpretação. Temos como exemplo, aqueles que nasceram na 
década de 70 provavelmente tem na memória acontecimentos coletivos que remetem para Ddécadas 
posteriores, e que compõe a sua memória, como a implantação do plano cruzado (1986), a promulgação 
da Constituição Federal (1988) e a primeira eleição direta para Presidente (1989).
No entanto, há que se considerar que a memória coletiva armazena muito mais que eventos 
previsíveis: ela se acumula de forma desorganizada e engloba eventos que ocorreram na história de toda 
humanidade. Daí a ser definida como memória ancestral da humanidade.
 
B - MEMÓRIA DISCURSIVA: é a memória linguística que se acumula desde a concepção e que se 
alonga por toda vida da pessoa. Nela temos registros de falas, regras, aprendizado, narrativas que fazem e 
dão sentido ao que interpretamos. Mas todos os registros que se acumulam funcionam nos limites 
da nossa condição de produzir e interpretar o sentido. Temos como exemplo deste tipo de memória, as 
regras que aprendemos nas aulas de Português da escola, ou até mesmo a linguagem utilizada no 
ambiente de trabalho.
Forma-se na vida intrauterina e nos acompanha ao longo de toda nossa vida.
Fonte: Mike Keefe 
 
C - MEMÓRIA HISTÓRICA: é a memória dos fatos vividos, daqueles que nos chegam a partir de 
versões de diferentes narrativas, ou dos fatos que marcaram a história, que nos chegam pelos livros de 
História e pelas aulas que nos expõem aos fatos que ficam registrados e marcam um sítio de sentido, 
influenciando também a nossa condição de lidar com o sentido. Temos como exemplo a chegada de 
Cabral em 1500 no Brasil, em que aprendemos nas aulas de História, a queda do Império Romano, o 
assassinato de Júlio César no Senado de Roma.
A memória histórica também tem início da vida intrauterina e reúne experiências, fatos de toda ordem 
que se acumular por toda a nossa vida.
 
2 – Diferentes formas de linguagem:
Para que a comunicação seja eficiente, deve-se observar e aplicar, de forma correta, os diferentes tipos de 
linguagem, podendo ser: oral, escrito, formal, informal.
 
A – Linguagem Oral e escrita:
Temos como conceito de linguagem oral aquela que tem a transmissão oral dos conhecimentos 
armazenados na memória humana. Antes do surgimento da escrita, todos os conhecimentos eram 
transmitidos oralmente, sendo denominados povos Ágrafos, ou seja, aquele que não dominava a escrita. 
Importante ressaltar que para os póvos ágrafos já existiam regras sociais que estabeleciam a convivência 
entre os homens em pequenos grupos sociais.
Já a linguagem escrita, sendo vista como uma grande evolução da humanidade, pode ser denominada 
como a utilização de sinais (símbolos) para exprimir as ideias humanas. A grafia é uma tecnologia de 
comunicação, historicamente criada e desenvolvida na sociedade humana, e basicamente consiste em 
registrar marcas em um suporte.
Importante se faz observar as diferenças dessas duas formas de comunicação, que apesar de utilizarem o 
mesmo signo linguístico (código), apresentam-se com peculiaridades diversa
1. Contextualizada.2. Não- 1. Descontextualizada.2. Planejada.3. Condensada.
planejada.3. Redundante.4. Fragmentada.5. Incom 4. Não-
pleta.6. Pouco elaborada.7. Predominância de
frases curtas, simples ou coordenadas.8. Pouca
densidade informacional.9. Poucas 
nominalizações.10. Menor densidade lexical.
fragmentada.5. Completa.6. Elaborada.7. Predomi
nância de frases complexas, com subordinação
abundante.8. Densidade 
informacional.9. Abundância de 
nominalizações.10. Maior densidade lexical.
É possível observar no quadro acima, como exemplificação, quando realizamos uma comunicação oral,
ainda que seja sabido seu roteiro, não é possível se repetir o mesmo discurso de forma planejada ( a não ser
que seja “decorado”, o que não se torna interessante para técnicas do orador), como seria possível na forma
escrita. Quando produzimos um texto escrito é possível um planejamento estratégico, utilizando elementos
suficientes para uma introdução, um desenvolvimento e a conclusão das ideias. Ainda como um segundo
exemplo, quando estamos produzindo a comunicação de forma oral, é possível a ocorrência de 
Fala Escrita
Fonte: Material EAD UNIP – disciplina Comunicação e Expressão.
 
repetição de palavras, o que é possível evitar na forma escrita,  já que podemos,  por meio do
planejamento, optar pela utilização de sinônimos e construção coesa e coerente das sentenças.
Portanto, não é possível a utilização dos mesmos recursos textuais para as duas formas de linguagem. 
Para tanto, é possível ilustrar a importância da aplicação correta através do texto abaixo:
“Pois é. U purtuguêis é muito fáciu di aprender, purqui é uma língua qui  a genti iscrevi ixatamenti cumu 
si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas 
palavras. Im portuguêis, é só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada 
cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muito diferenti. Qui bom qui a minha lingua é u 
purtuguêis. Quem soubé falá, sabi iscrevê.”
Jô Soares, revista veja, 28 de novembro de 1990
 
B – Linguagem formal (coloquial) e informal:
A eficiência na comunicação produzida vai depender principalmente do uso adequado da linguagem 
formal e informal.
Com a família e os amigos usamos uma linguagem mais descontraída, ou seja, uma linguagem informal. 
Com superiores hierárquicos usamos uma linguagem mais elaborada, ou seja, uma linguagem formal. 
Assim, podemos concluir que diferentes contextos sociais e comunicativos exigem diferentes linguagens.
É essencial que o falante saiba ajustar o seu discurso aos diferentes contextos comunicativos,principalmente, para garantir uma adequação linguística em contextos profissionais e acadêmicos.
Os níveis de linguagem formal e informal são determinados pelos lugares de enunciação e pelo lugar social 
dos nossos interlocutores. Quando nos encontramos em um lugar de enunciação informal, não 
necessariamente podemos usar a linguagem informal com todas as pessoas. O lugar físico não supera a 
formalidade das relações de poder entre as pessoais.
A Linguagem formal ou linguagem coloquial apresenta as seguintes características:
 
Linguagem formal ou coloquial: A linguagem formal pode ser nomeada também de registro formal. É 
usada quando não há familiaridade entre os interlocutores da comunicação ou em situações que requerem 
uma maior seriedade.
 
Características principais: Pronúncia clara e correta das palavras; Utilização de vocabulário rico e 
diversificado; Registro complexo e erudito; Orações mais encadeadas por subordinação; Ausência de 
neologismos, gírias, palavrões; Ausência de orações inacabadas.
 
Exemplo:
Prezado Sr. Gomes:
O cliente do Estado de Mato Grosso encaminhou um pedido de forma escrita solicitando a compra de 400 
peças. Requer, então, que o departamento financeiro e de distribuição providencie o material solicitado.
Cordialmente,
Nilson da Silva
Departamento de Vendas
Linguagem informal:  A linguagem informal pode ser nomeada também de registro informal. É usada
quando há familiaridade entre os interlocutores da comunicação ou em situações descontraídas.
Características principais: Despreocupação relativa ao uso de normas gramaticais; Utilização de 
vocabulário simples, expressões populares e coloquialismos; Utilização de gírias, neologismos, 
onomatopeias, gestos; Uso de palavras abreviadas ou contraídas: cê, pra, tá dentre outros; Sujeita a 
variações regionais, culturais e sociais; Registro espontâneo e pouco prestigiado, por vezes incorreto e 
desleixado.
Exemplo 1:
O fax de Nirso
O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores:
"Seo Gomis, o criente de belzonte pidiu mais cuatrucenta pessa. Faz favor toma as providenssa. Abrasso, 
Nirso."
Aproximadamente uma hora depois recebeu outro:
"Seo Gomis, os relatorio di venda vai xega atrazado proque to fexando umas venda. Temo que manda 
treiz miu pessa. Amanha to xegando. Abrasso, Nirso."
No dia seguinte:
"Seo Gomis, num xeguei pucausa de que vendi maiz deis miu em Beraba. To indo pra Brazilha."
No outro:
"Seo Gomis, Brazilha fexo 20 miu. Vo pra Frolinoplis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora."
E assim foi o mês inteiro. O gerente, muito preocupado com a imagem da empresa, levou ao presidente as 
mensagens que recebeu do vendedor. O presidente, um homem muito preocupado com o desenvolvimento 
da empresa e com a cultura dos funcionários, escutou atentamente o gerente e disse:
-- Deixa comigo que eu tomarei as providências necessárias.
E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso que afixou no mural da empresa, juntamente com os faxes 
do vendedor:
"A parti de oje nois tudo vamo fazê feito o Nirso. Si preocupá menos em iscrevê serto mod a vendê maiz. 
Acinado, o Prizidenti".
(Autor Desconhecido)
Exemplo 2:
Fonte: Folha de S. Paulo – 18 de janeiro de 2013
3 – Tipos Textuais:
Para a composição da comunicação, o produtor da mensagem deverá observar o tipo textual que deverá 
ser utilizado, sendo eles: a narração, a descrição e a dissertação.
 A – Narração:
O texto narrativo é caracterizado por narrar uma história, ou seja, contar uma história por meio de uma 
sequência de várias ações reais ou imaginárias. Essa sucessão de acontecimentos é contada por um 
narrador e está estruturada em introdução, desenvolvimento e conclusão. Ao longo dessa estrutura 
narrativa são apresentados os principais elementos da narração: espaço, tempo, personagem, enredo e 
narrador.
 
Os principais elementos da narração são:
Espaço: o espaço se refere ao local onde se desenrola a ação. Pode ser físico (no colégio, no Brasil, na 
praça etc.), social (características do ambiente social) e psicológico (vivências, pensamento e 
sentimentos do sujeito etc.).
Tempo: o tempo se refere à duração da ação e ao desenrolar dos acontecimentos. O tempo 
cronológico indica a sucessão cronológica dos fatos, pelas horas, dias e até por anos. O tempo 
psicológico se refere às lembranças e vivências das personagens, sendo subjetivo e influenciado pelo 
estado de espírito das personagens em cada momento.
Personagens: são caracterizadas por intermédio de qualidades físicas e psicológicas, podendo essa 
caracterização ser feita de modo direto (explicitada pelo narrador ou por outras personagens, por 
meio de auto caracterização ou hetero-caracterização) ou de modo indireto (feita com base nas 
atitudes e comportamento das personagens). As personagens possuem diferentes importâncias na 
narração, havendo personagens principais e personagens secundárias. As personagens principais 
desempenham papéis essenciais no enredo, podendo ser protagonistas (que deseja, tenta, consegue) 
ou antagonistas (que dificulta, atrapalha, impede). As personagens secundárias desempenham papéis 
menores e podem ser coadjuvantes (ajudam as personagens principais em ações secundárias) ou 
figurantes (ajudam na caracterização de um espaço social). Podem ser dinâmicas, apresentando 
diferentes comportamentos ao longo da narração (personagem modelada ou redonda), bem como 
estáticas, não se modificando no decorrer da ação (personagem plana). Há ainda personagens que 
representam um grupo específico (personagem-tipo).
Enredo: também chamado de intriga, trama ou ação, o enredo é composto pelos acontecimentos que 
ocorrem num determinado tempo e espaço e são vivenciados pelas personagens. A ações seguem-se 
umas às outras por encadeamento, encaixe e alternância. Existem ações principais e ações 
secundárias, mediante a importância que apresentam na narração. Além disso, o enredo pode estar 
fechado, estando definido e conhecido o final da história, ou aberto, não havendo um final definitivo e 
conhecido para a narrativa.
Narrador: o narrador é o responsável pela narração, ou seja, é quem conta a história. Existem vários 
tipos de narrador:
Narrador onisciente e onipresente: conhece intimamente as personagens e a totalidade do enredo, de 
forma pormenorizada. Utiliza maioritariamente a narração na 3.ª pessoa, mas pode narrar na 1.ª 
pessoa, em discurso indireto livre, tendo sua voz confundida com a voz das personagens, tal é o seu 
conhecimento e intimidade com a narrativa.
Narrador personagem, participante ou presente: conta a história na 1.ª pessoa, do ponto de vista da 
personagem que é. Apenas conhece seus próprios pensamentos e as ações que se vão desenrolando, 
nas quais também participa. Tem conhecimentos limitados sobre as restantes personagens e sobre a 
totalidade do enredo. Este tipo de narração é mais subjetivo, transmitindo o ponto de vista e as 
emoções do narrador.
Narrador observador, não participante ou ausente: Limita-se a contar a história, sem se envolver nela. 
Embora tenha conhecimento das ações, não conhece o íntimo das personagens, mantendo uma 
narrativa imparcial e objetiva. Utiliza a narração na 3.ª pessoa.
 
Exemplo de texto narrativo:
 
“Talvez a nordestina já tivesse chegado à conclusão de que a vida incomoda bastante, alma que não cabe
bem no corpo, mesmo alma rala como a sua. Imaginavazinha, toda supersticiosa, que se por acaso viesse
alguma vez a sentir um gosto bem bom de viver – se desencantaria de súbito de princesa que era e se
transformaria em bicho rasteiro. Porque, por pior que fosse sua situação, não queria ser privada de si, ela
queria ser ela mesma. Achava que cairia em grave castigo e até risco de morrer se tivesse gosto. Então
defendia-se da morte por intermédio de um viver de menos, gastando pouco de sua vida para esta não
acabar. Essa economia lhe dava alguma segurança pois, quem cai, do chão não passa. Teria ela a sensação
de que vivia para nada? Nem posso saber, mas acho que não. Sóuma vez se fez uma trágica pergunta:
Quem sou eu? Assustou-se tanto que parou completamente de pensar.” – A Hora da Estrela – Clarice
Lispector.
 
B – Descrição:
Descrever é realizar o retrato verbal de pessoas, objetos, paisagens e até mesmo de sentimentos e das 
características pessoais das pessoas. É muito comum se deparar com a descrição em meio ao texto 
narrativo.
Descrição objetiva: é a descrição exata daquilo que é. Não há interpretação diversa, como por exemplo, 
descrever que as cores das roupas de um personagem, ou as formas de um objeto.
Descrição subjetiva: é a descrição daquilo que temos como percepção, ou seja, é uma descrição de cunho 
pessoal, na qual cada indivíduo terá uma percepção distinta, como por exemplo, descrevermos as 
qualidades de personalidade de uma pessoa.
 
Exemplo de texto descritivo:
“Ficara sentada à mesa a ler o Diário de Notícias, no seu roupão de manhã de fazenda preta, bordado a 
sutache, com largos botões de madrepérola; o cabelo louro um pouco desmanchado, com um tom seco do 
calor do travesseiro, enrolava-se, torcido no alto da cabeça pequenina, de perfil bonito; a sua pele tinha a 
brancura tenra e láctea das louras; com o cotovelo encostado à mesa acariciava a orelha, e, no movimento 
lento e suave dos seus dedos, dois anéis de rubis miudinhos davam cintilações escarlates.” (O Primo 
Basílio, Eça de Queiroz)
 
C – Dissertação:
O texto dissertativo-argumentativo tem como objetivo persuadir e convencer, ou seja, levar o leitor a 
concordar com a tese defendida. É expressa uma opinião crítica acerca de um assunto, sendo defendida 
uma tese sobre esse assunto através de uma argumentação clara e objetiva, fundamentada em fatos 
verídicos e dados concretos.
 
Texto dissertativo expositivo: a apresentação de uma tese, conceitos, bases científicas, na qual o foco 
precípuo é a exposição de tais conceitos e não necessariamente o convencimento.
 
Texto dissertativo argumentativo: a intenção do produtor da mensagem é persuadir o receptor da 
mensagem, utilizando técnicas de convencimentos.
 
Exemplo de texto dissertativo:
(...) Na atualidade, é grande o número de educadores, filólogos e linguistas de reconhecido saber que 
negam a relação entre o estudo intencional da gramática e a melhora do desempenho linguístico do 
MÓDULO 2 
usuário. Entre esses especialistas, deve-se mencionar o nome do Prof. Celso Pedro Luft com sua obra
"Língua e liberdade: por uma nova concepção de língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995). Com efeito, o
velho pesquisar apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação
linguística, reúne numa mesma obra convincente fundamentação para seu combate veemente contra o
ensino da gramática em sala de aula. Por oportuno, uma citação apenas: "Quem sabe, lendo este livro
muitos professores talvez abandonem a superstição da teoria gramatical, desistindo de querer ensinar a
língua por definições, classificações, análises inconsistentes e precárias hauridas em gramáticas. Já seria um
grande benefício". Gilberto Scarton - (p. 99)
 
4 – Linguagem Jurídica – Introdução:
Conforme já explanado anteriormente, a principal ferramenta do operador do Direito (em qualquer ramo 
e profissão legal) é a comunicação, com a aplicação de peculiaridades linguísticas. Importante ressaltar 
que todos os tipos textuais são utilizados na redação jurídica, como por exemplo temos a descrição dentro 
da narração quando é necessário detalhar ou descrever determinado indivíduo, ou até mesmo uma cena 
de crime. Temos ainda a narração, onde o operador do direito irá materializar em linguagem específica, os 
fatos que compõe determinada lide (conflito). E tem-se ainda como principal tipo textual utilizado, a 
dissertação – argumentação, já que o Direito diz respeito a ciência humana, onde a interpretação é sempre 
aplicada, além de que o Direito tem como função principal regulamentar as relações sociais e decidir 
determinada lide, portanto, ocorrerá através do operador do Direito o convencimento das razões 
apresentadas.
 Prezado aluno, nos próximos módulos serão explanadas as peculiaridades da linguagem jurídica e assim 
preparar e aprofundar os conhecimentos de vocês, futuros operadores do Direito.
COMUNICAÇÃO JURÍDICA – ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO E FUNÇÕES DA
LINGUAGEM
Os elementos que compõem a comunicação são:
A) Emissor: podendo ser denominado como falante ou locutor, o emissor é aquele que transmite a 
mensagem para um ou mais receptores, como para uma pessoa, um grupo de indivíduos, dentre outros.
B) Receptor: também chamado de interlocutor ou ouvinte, o receptor é quem recebe a mensagem emitida 
pelo emissor.
1 - Elementos da Comunicação:
A palavra comunicação derivada do latim, que significa “partilhar, participar de algo, tornar comum”, 
sendo um elemento essencial da interação social humana. A comunicação está conexa com à linguagem e 
interação, representando a transmissão de mensagens entre um emissor e um receptor.
É importante destacar que a comunicação só é possível quando existem dois ou mais sujeitos, não
podendo ocorrer de forma unilateral, ou seja, sempre haverá o emissor e o receptor, além dos demais
elementos para a composição desta comunicação.
Para realizar a adequada comunicação, é essencial que todos os seus elementos funcionem 
adequadamente, pois caso contrário, ocorrerá o fenômeno denominado como “ruído”, sendo que este 
poderá “quebrar” o circuito comunicatório. Temos como exemplo, conforme cita DAMIÃO (2015):
“Numa sessão do júri: se o juiz não conhecer o código do acusado e o intérprete estiver ausente, 
suspender-se-á a sessão, pois há ruído impedindo a comunicação. O mesmo ocorrerá se houver quebra de 
sigilo entre os jurados. Há interferência negativa no sistema de comunicação”.
De acordo com [1]DAMIÃO (2015) “estabelecido que o texto jurídico é uma forma de comunicação, nele
ocorrem os elementos envolvidos no ato comunicatório; deve haver, então, um objeto de
comunicação (mensagem) com um conteúdo (referente), transmitido ao receptor por um emissor, por meio
de um canal, com seu próprio código”.
Fonte: https://www.portuguesdigital.com.br/as-funcoes-da-linguagem/
https://adm.online.unip.br/frmConsultaConteudo.aspx
2 – Funções da Linguagem:
A linguagem apresenta peculiaridades e multiplicidades, tendo em vista a intenção do falante ao produzir 
tal comunicação. Ainda, dar ênfase à mensagem emitida. O produtor da mensagem poderá destacar 
determinado elemento da comunicação a depender do seu objetivo. Por ser múltipla e apresentar 
peculiaridades, divide-se em seis funções:
A) Função referencial ou denotativa:
*Elemento da comunicação: referente.
Essa função serve para informar, transmitir uma mensagem de forma objetiva, sem comentários ou 
avaliações. É utilizada normalmente na terceira pessoa do singular ou plural, e assim transmite 
impessoalidade exigida em determinados gêneros textuais. É classificada como denotativa, ou seja, não há 
C) Mensagem: É a informação transmitida. É o objeto utilizado na comunicação, de forma que representa
o conteúdo, o conjunto de informações transmitidas pelo locutor.
D) Código: representa o sistema de signos ou sinais que serão utilizados na mensagem.
E) Canal de Comunicação: corresponde ao local (meio) onde a mensagem será transmitida, por exemplo, 
jornal, livro, revista, televisão, telefone, dentre outros.
F) Contexto: Também chamado de referente, é a situação comunicativa em que estão inseridos o emissor e 
receptor.
Fonte: autor desconhecido.
diversidade de interpretações além da que está exposta. É possível a utilização desta função em textos
jornalísticos, técnicos, científicos, dentre outros.
Exemplo 2:
“(...) O ano de 2019 fechou com um aumento de 30% no número de queimadas registradas na Amazônia, 
em comparação a 2018, segundo dados finais do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Foram 
registrados 89.178 focos no bioma, contra 68.345 no período anterior. Na década, 2019 foi o terceiro ano 
como maior númerode focos de queimadas registrados, atrás de 2017 (107.439) e 2015 (106.438) (...)”
Fonte:https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2020/01/08/amazonia-fecha-
2019-com-89-mil-focos-de-queimadas-30-a-mais-que-2018.htm – acesso em 23/03/2020.
Exemplo 1:
“Uma tentativa de assalto a um ônibus intermunicipal terminou em tiroteio e na morte de um policial 
militar e de um suspeito no Jabaquara, bairro da zona sul da capital paulista, no meio da tarde desta 
quinta-feira, 19. Três homens armados iniciaram um arrastão no veículo, roubando pertences de todos os 
passageiros, quando se depararam com o agente de folga, à paisana, que reagiu. Outras cinco pessoas 
ficaram feridas, segundo informou a PM.”
Fonte:https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,suspeito-e-morto-em-tentativa-de-assalto-a-onibus-
na-zona-sul,70002275814 – acesso em 15/04/2019.
B) Função emotiva:
*Elemento da comunicação: emissor.
Esta função tem como objetivo principal transmitir sentimentos, emoções de forma subjetiva, 
apresentando assim sua opinião, sua avaliação. É a realidade que o emissor transmite ao receptor, sob o 
seu pondo de vista, suas percepções.
Também denominada como função expressiva, a função emotiva é construída na primeira pessoa e está 
voltada para o emissor, uma vez que possui um caráter pessoal. Tem como característica o uso de 
pontuação para enfatizar suas emoções (exclamação, reticencias etc.). Podemos constatar o uso da função 
emotiva principalmente em poemas, diários e narrativas diversas.
Exemplo 1:
Fernando Pessoa
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Exemplo 2:
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor_
(Fonte: Tribalistas – 2012)
C) Função poética:
*Elemento da comunicação: mensagem
A própria mensagem é o seu objeto. Tem como foco a estética do texto, a sua forma de construção. É 
utilizado métrica, rima, ritmo, sonoridade, dentre outros.
Exemplo:
D) Função apelativa ou conotativa:
*Elemento da comunicação: receptor
Exemplos 1:
Não perca esta promoção! Somente hoje!
Vote em mim!
Não viva dos pecados!
Tem como objetivo principal o convencimento do receptor. É caracterizada por forte persuasão. Se
apresenta geralmente na segunda ou terceira pessoa e a utilização de verbos imperativos e o uso do
vocativo.
É utilizada principalmente em textos publicitários, políticos e religiosos.
Exemplo 2:
E) Função fática:
*Elemento da comunicação: canal
Exemplo 3:
“Eia, senhores! Mocidade viril! Inteligência brasileira! Nobre nação explorada! Brasil de ontem e amanhã! 
Dai-nos o de hoje, que nos falta. Mãos à obra da reivindicação de nossa perdida autonomia; mãos à obra 
da nossa reconstituição interior; mãos à obra de reconciliarmos a vida nacional com as instituições 
nacionais; mãos à obra de substituir pela verdade o simulacro político da nossa existência entre as nações. 
Trabalhai por essa que há de ser a salvação nossa. Mas não buscando salvadores. Ainda vos poderei salvar 
a vós mesmos. Não são sonhos meus amigos: bem sinto eu, nas pulsações do sangue, essa ressurreição 
ansiada. Oxalá não se me fechem os olhos, antes de lhe ver os primeiros indícios no horizonte. Assim o 
queira Deus.”
Fonte: Oração dos moços – Rui Barbosa.
Exemplo 2:
Exemplo 1:
Você me entende?
Né?
Exemplo 3:
"Ele se aproximou e com a voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:
– E se me desculpe, senhorita, posso convidar a passear?
– Sim, respondeu atabalhoadamente com a pressa antes que ele mudasse de ideia.
– E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?
– Macabéa.
– Maca — o quê?
– Bea, foi ela obrigada a completar.
– Me desculpe mas até parece doença, doença de pele".
Tem como objetivo principal estabelecer uma interação com o emissor, um contato para verificar se a
mensagem está sendo transmitida, para obter um retorno.
Esse tipo de função é muito utilizado nos diálogos, por exemplo, nas expressões de cumprimento, 
saudações, discursos ao telefone etc.
F) Função metalinguística:
*Elemento da comunicação: código
Fonte: Clarice Lispectos – A Hora da Estrela.
Exemplo: Programas de humor, produções artísticas etc.
Exemplo 2:
[1] Damião, Regina Toledo. Curso de Português Jurídico 1Regina Toledo Damião, Antonio Henriques. –
12°. ed. - São Paulo: Atlas, 2015.
É a relação da linguagem com ela mesma, onde o emissor explica um código utilizando o próprio código.
É a comunicação falando da própria comunicação ou qualquer outra.
https://adm.online.unip.br/frmConsultaConteudo.aspx
https://adm.online.unip.br/frmConsultaConteudo.aspx

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