Prévia do material em texto
DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 1 AGENTES PÚBLICOS 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 2 Sumário DIREITO ADMINISTRATIVO: AGENTES PÚBLICOS ............................................................................................. 5 1. AGENTES PÚBLICOS ...................................................................................................................................... 5 2. CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS .................................................................................................... 6 3. AGENTES POLÍTICOS ..................................................................................................................................... 7 4. AGENTES ADMINISTRATIVOS ....................................................................................................................... 7 5. AGENTES HONORÍFICOS ............................................................................................................................. 10 6. AGENTES DELEGADOS ................................................................................................................................ 10 7. AGENTES CREDENCIADOS ........................................................................................................................... 11 8. MILITARES ................................................................................................................................................... 11 9. GESTORES DE NEGÓCIOS ............................................................................................................................ 12 10. REGIME JURÍDICO DO SERVIDOR .............................................................................................................. 12 11. REGIME ESTATUTÁRIO FEDERAL (LEI N. 8.112/90) .................................................................................. 13 12. CARGO PÚBLICO ....................................................................................................................................... 13 12.1 Criação, Transformação e Extinção De Cargos, Empregos e Funções Públicas .................................. 15 12.2 Conceitos De Servidor Público E Provimento ..................................................................................... 16 12.1.1 Nomeação .................................................................................................................................... 18 12.1.2 Promoção .................................................................................................................................... 19 12.1.3 Readaptação ................................................................................................................................ 19 12.1.4 Reversão ...................................................................................................................................... 19 12.1.5 Aproveitamento .......................................................................................................................... 21 12.1.6 Reintegração ................................................................................................................................ 21 12.1.7 Recondução ................................................................................................................................. 22 12.3 Posse ................................................................................................................................................... 23 12.4 Exercício .............................................................................................................................................. 28 12.5 Estágio Probatório .............................................................................................................................. 28 12.6 Confirmação ....................................................................................................................................... 30 12.7 Estabilidade ........................................................................................................................................ 30 12.7.1 Tipos De Estabilidade (Art. 19 Do ADCT) ..................................................................................... 32 12.8 Disponibilidade ................................................................................................................................... 32 12.9 Saída Do Cargo .................................................................................................................................... 33 12.10 Vacância ............................................................................................................................................ 33 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 3 12.11 Remoção ........................................................................................................................................... 34 12.12 Redistribuição ................................................................................................................................... 34 13. DIREITOS E VANTAGENS DO SERVIDOR .................................................................................................... 35 13.1 Vencimento E Remuneração .............................................................................................................. 35 13.1.1 Regime De Subsídios .................................................................................................................... 36 13.1.2 Exigência De Lei Para Fixar Ou Alterar Remuneração De Servidores Públicos ............................ 37 13.2 Indenizações ....................................................................................................................................... 37 13.3 Retribuições, Gratificações E Adicionais ............................................................................................. 38 13.4 Adicionais ............................................................................................................................................ 39 13.6 Férias .................................................................................................................................................. 40 13.7 Licenças ............................................................................................................................................... 40 13.8 Afastamentos e Concessões ............................................................................................................... 41 13.9 Direito De Petição ............................................................................................................................... 42 13.10 Direito de greve ................................................................................................................................ 42 14. TETOS REMUNERATÓRIOS ........................................................................................................................ 45 14.1 Exceção Ao Teto Remuneratório ........................................................................................................ 47 15. PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES ............................................................................................................... 48 16. SUBSTITUIÇÃO .......................................................................................................................................... 51 17. REGIME DISCIPLINAR ................................................................................................................................ 51 18. DEVERES E PROIBIÇÕES ............................................................................................................................de ingresso, estas regras devem ser estipuladas por meio de lei, não sendo suficiente a disposição no edital Fonte: Dizer o direito. 12.4 Exercício Após a realização de concurso público, a aprovação, o provimento e a posse, o servidor entra em exercício. Exercício é o início efetivo do desempenho das atribuições do cargo ou da função de confiança. O servidor empossado tem o prazo de quinze dias para entrar em exercício (art. 15, § 1º, da Lei n. 8.112/90), contados da data da posse, sob pena de ser exonerado do cargo ou de tornar- se sem efeito sua designação para função de confiança. Na hipótese de servidor que deva ter exercício em outro Município em razão de ter sido removido, redistribuído, requisitado, cedido ou posto em exercício provisório terá, no mínimo, dez e, no máximo, trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a retomada do efetivo desempenho das atribuições do cargo, incluído nesse prazo o tempo necessário para o deslocamento à nova sede (art. 18 da Lei n. 8.112/90). 12.5 Estágio Probatório No exato momento em que entra em exercício, o servidor ocupante de cargo efetivo ou vitalício inicia o estágio probatório, um período de avaliação durante o qual deverá demonstrar aptidão e capacidade para o exercício do cargo, observados os fatores: a) assiduidade; 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 29 b) disciplina; c) capacidade de iniciativa; d) produtividade; e) responsabilidade. Durante o período de estágio probatório, o servidor poderá exercer quaisquer cargos de provimento em comissão ou função de direção, chefia ou assessoramento, desde que no mesmo órgão ou entidade. No caso dos três únicos cargos públicos vitalícios existentes no Brasil – magistrados, membro do Ministério Público e membros dos Tribunais de Contas –, o estágio probatório tem duração de dois anos, após os quais o servidor adquire vitaliciedade, só podendo perder o cargo por sentença judicial transitada em julgado. Quanto aos cargos efetivos, a duração do estágio probatório envolve importante controvérsia. O texto original do art. 41 da Constituição de 1988 afirmava: “São estáveis, após dois anos de efetivo exercício, os servidores nomeados em virtude de concurso público”. Na esteira do texto constitucional, foi promulgada em 1990 a Lei n. 8.112, cujo art. 20 prescreve: “Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses”. A Constituição mencionava o prazo de dois anos “para estabilidade”, enquanto o Estatuto fazia referência ao prazo de vinte e quatro meses “de estágio probatório”. Como os prazos eram idênticos, embora um contado em anos e outro, em meses, não havia dúvida quanto a isto: o servidor passava por estágio probatório por dois anos (ou vinte e quatro meses, na linguagem do Estatuto), após o qual, confirmado na carreira, adquiriria estabilidade imediatamente. A duração do estágio probatório coincidia com o período de estabilidade porque, evidentemente, uma coisa está vinculada à outra. Ocorre que, no ano de 1998, foi promulgada a Emenda Constitucional n. 19 que, entre outras novidades, modificou a redação do art. 41 da Constituição, ampliando para três anos o período para o servidor adquirir estabilidade. A melhor doutrina sempre considerou que o novo prazo trienal implicava imediata ampliação, também para três anos, na duração do estágio probatório, derrogando o disposto no art. 20 da Lei n. 8.112/90. A corrente majoritária sustenta que a duração atual do estágio probatório é de três anos, ou trinta e seis meses, mesmo período exigido para o servidor ocupante de cargo efetivo adquirir estabilidade. Exceção feita aos cargos vitalícios, cujo estágio probatório sempre foi indubitavelmente de dois anos. Para a melhor doutrina, desde a promulgação da Emenda n. 19, em 4-6-1998, a duração do estágio probatório e o período para aquisição de estabilidade foram simultaneamente ampliados de dois para três anos. Outra coisa. Durante o estágio probatório, o servidor somente terá direito a licenças e afastamentos nas seguintes hipóteses (art. 20, § 4º, da Lei n. 8.112/90): 1) licença por motivo de doença em pessoa da família; 2) licença por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro; 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 30 3) licença para o serviço militar; 4) licença para atividade política; 5) afastamento para Exercício de Mandato Eletivo; 6) afastamento para Estudo ou Missão no Exterior; 7) afastamento para servir em organismo internacional de que o Brasil participe ou com o qual coopere; 8) afastamento para participar de curso de formação decorrente de aprovação em concurso para outro cargo na Administração Pública Federal. É nula a dispensa de servidor em estágio probatório sem o devido processo administrativo com garantia de contraditório e ampla defesa. Havendo extinção do cargo durante o estágio probatório, o servidor será exonerado de ofício porque ainda não goza de estabilidade. 12.6 Confirmação Cada órgão ou entidade pública deverá formar uma comissão instituída especificamente com a finalidade de realizar a avaliação especial de desempenho dos servidores em estágio probatório, nos termos do que dispuser a lei ou o regulamento da respectiva carreira ou cargo (art. 41, § 4º, da CF). Quatro meses antes de encerrado o período de estágio probatório, a avaliação será remetida à autoridade competente para homologação. Sendo a decisão favorável ao servidor, este é confirmado na carreira. O servidor não aprovado em estágio probatório será exonerado. Entretanto, se o servidor já tiver estabilidade garantida em outro cargo, o art. 20, § 2º, da Lei n. 8.112/90 afirma que o servidor será reconduzido ao cargo anteriormente ocupado. Por força dessa regra, evita-se que o servidor estável deixe de tomar posse em cargo melhor por receio de não ser confirmado no estágio probatório . Por isso, se não for aprovado no estágio probatório do cargo novo, pode regressar ao seu cargo estável anterior. STF: Reconheceu a estabilidade de determinado servidor que exerceu as suas funções por mais de três anos, mas não foi submetido à avaliação especial de desempenho. 12.7 Estabilidade Com o encerramento do estágio probatório, e sendo confirmado na carreira, o servidor público adquire direito à permanência no cargo, ficando protegido contra exoneração ad nutum. A esse direito à permanência no cargo dá-se o nome de estabilidade. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de: 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 31 a) sentença judicial transitada em julgado; b) processo administrativo disciplinar com garantia de ampla defesa; c) procedimento de avaliação periódica de desempenho, assegurada ampla defesa (art. 41, § 1º, III, da CF); d) redução de despesas (art. 169, § 4º, da CF). A possibilidade de perda do cargo para redução de receitas está prevista no art. 169, § 4º, da Constituição Federal, com redação dada pela Emenda Constitucional n. 19/98, medida posteriormente regulamentada pela Lei Complementar n. 101/2000 – a Lei de Responsabilidade Fiscal. O objetivo dessas novas regras foi estabelecer mecanismos para diminuir as despesas públicas com o funcionalismo. Essa novidade, de constitucionalidade bastante discutida, acrescentada pela Emenda n. 19/98, criou mais uma hipótese de perda do cargo, mas, de modo algum, significa o fim da estabilidade do servidor estatutário, como alguns chegaram a afirmar após a promulgação da emenda. A Emenda n. 19/98 estabeleceu uma regra segundo a qual a despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federale dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei (art. 169 da CF). Nos termos do art. 19 da Lei Complementar n. 101/2000, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados: I – União: 50% (cinquenta por cento); II – Estados: 60% (sessenta por cento); III – Municípios: 60% (sessenta por cento). Ultrapassados esses limites, torna-se obrigatória a adoção de uma série de providências, sendo que a última delas é a exoneração de servidores estáveis. Assim, para ser possível, nos termos da disciplina introduzida pela Emenda n. 19/98 e pela Lei Complementar n. 101/2000, a exoneração de servidores estáveis, com o objetivo de reduzir despesas, devem ser adotadas algumas medidas prévias: 1) suspensão de todos os repasses federais ou estaduais aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; 2) redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções de confiança; 3) exoneração dos servidores não estáveis. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 32 Se as medidas adotadas não forem suficientes para assegurar a recondução dos gastos aos patamares acima indicados, o servidor estável poderá perder o cargo, desde que o ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal. O servidor exonerado para redução de despesas fará jus à indenização correspondente a um mês de remuneração por ano de serviço, sendo o cargo objeto da redução considerado extinto (art. 169, §§ 5º e 6º, da CF). 12.7.1 Tipos De Estabilidade (Art. 19 Do ADCT) Além da estabilidade dos servidores estatutários, é importante fazer referência também à estabilidade especial conferida pelo art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Segundo tal dispositivo, os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação do Texto de 1988, há pelo menos cinco anos continuados, admitidos sem concurso, são considerados estáveis no serviço público. A regra não se aplica aos ocupantes de cargos, funções e empregos de confiança ou em comissão, nem aos que a lei declare de livre exoneração (art. 19, § 2º, do ADCT). 12.8 Disponibilidade A disponibilidade é o direito exclusivo de servidores estáveis (já confirmados na carreira) a permanecer temporariamente sem exercer suas funções, garantida remuneração proporcional ao tempo de serviço, nas seguintes hipóteses: a) extinção do cargo ou declaração de sua desnecessidade, até seu adequado aproveitamento em outro cargo (art. 41, § 3º, da CF); b) reintegração do servidor que anteriormente ocupava o cargo (art. 28, § 2º, da Lei n. 8.112/90). O instituto da disponibilidade é uma decorrência do direito à estabilidade dos servidores estatutários, garantindo a manutenção de seus vencimentos diante de circunstância excepcional que impossibilite temporariamente o exercício regular da função pública. Já nos casos dos servidores em estágio probatório, semelhante proteção não existe. Sendo extinto o cargo, cabe exoneração de ofício (Súmula 22 do STF). Importante lembrar que a disponibilidade nunca pode ser utilizada como medida sancionatória, ou seja, como um meio de desligar temporariamente o servidor de suas funções visando aplicar uma punição. A disponibilidade com fins punitivos, ou empregada fora das duas hipóteses legais acima mencionadas, 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 33 caracteriza desvio de finalidade ensejador de nulidade do ato e da caracterização de improbidade administrativa (art. 11, I, da Lei n. 8.429/92). 12.9 Saída Do Cargo Basicamente, pode-se falar em três formas pelas quais o servidor público pode sair do cargo: exoneração, demissão e aposentadoria. Exoneração é a saída não punitiva do servidor que deixa o cargo público. Pode ser voluntária, na hipótese de pedido formulado pelo próprio servidor, ou involuntária, quando o servidor não é confirmado ao final do estágio probatório. Nos termos do art. 34 da Lei n. 8.112/90, a exoneração de cargo efetivo poderá dar-se a pedido do servidor ou de ofício. A exoneração de ofício ocorre: a) quando não satisfeitas as condições do estágio probatório; b) quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido. No caso da exoneração de cargo em comissão, a dispensa de função de confiança dar-se-á: a) a juízo da autoridade competente; b) a pedido do próprio servidor (art. 35 da Lei n. 8.112/90). Já o termo demissão é utilizado pela legislação para designar a saída punitiva compulsória decorrente de uma decisão administrativa ou judicial, fundada em alguma infração funcional cometida pelo servidor. A prova de Técnico do TRT da Paraíba elaborada pela FCC considerou CORRETA a assertiva: “A demissão caracteriza-se como medida punitiva que proporciona o desligamento do servidor do quadro de pessoal da entidade a que se vincula”. A prova da OAB Nacional 2007.1 elaborada pelo Cespe considerou CORRETA a assertiva: “A demissão de servidor público tem natureza punitiva, enquanto a exoneração não tem esse caráter”. Existe ainda a possibilidade de a saída ser devido à aposentadoria do servidor. Convém lembrar que a aposentadoria compulsória dos servidores públicos ocorre aos 75 anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição (art. 40, § 1º, II, da CF). As demais hipóteses de aposentadoria serão estudadas adiante. Importante destacar que, para o Supremo Tribunal Federal, a aposentadoria compulsória não se aplica aos titulares de cartórios e notários (RE 647.827 e ADIn 2.902, j. 29 11 2005). No julgamento do RE 647.827, o STF aprovou a seguinte tese: “Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, parágrafo 1º, inciso II, da Constituição Federal aos titulares de serventias judiciais não estatizadas, desde que não sejam ocupantes de cargo público efetivo e não recebam remuneração proveniente dos cofres públicos”. 12.10 Vacância O art. 33 da Lei n. 8.112/90 faz referência às hipóteses em que ocorre a vacância de cargo público: a) exoneração; 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 34 b) demissão; c) promoção; d) readaptação; e) aposentadoria; f) posse em outro cargo inacumulável; g) falecimento. 12.11 Remoção Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede. A remoção pode ser: a) de ofício: no interesse da Administração; b) a pedido, a critério da Administração ou, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração. A prova de Delegado de Polícia/SC considerou CORRETA a assertiva: “A investidura derivada depende de vinculação anterior ao serviço público, tendo por exemplo a remoção”. Pode ocorrer remoção a pedido, para outra localidade, nas seguintes hipóteses (art. 36, III, da Lei n. 8.112/90): a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado no interesse da Administração; b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta médica oficial; c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados for superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em que aquelesestejam lotados. Segundo entendimento da 1ª Turma do STJ, o servidor público federal somente tem direito à remoção prevista no art. 36, parágrafo único, III, a, da Lei n. 8.112/90, na hipótese em que o cônjuge ou companheiro, também servidor, tenha sido deslocado de ofício, para atender ao interesse da Administração (nos moldes do inciso I do mesmo dispositivo legal) (STJ. 1ª Seção. EREsp 1.247.360-RJ, rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 22-11-2017 – Informativo n. 617). 12.12 Redistribuição Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo para outro órgão ou entidade do mesmo Poder, observados os preceitos de: I – Interesse da administração; 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 35 II – Equivalência de vencimentos; III – manutenção da essência das atribuições do cargo; IV – Vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades; V – Mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional; VI – Compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão ou entidade. 13. DIREITOS E VANTAGENS DO SERVIDOR A Lei n. 8.112/90 elenca diversos direitos e vantagens do servidor público, incluindo: a) vencimento; b) indenizações; c) gratificações; d) diárias; e) adicionais; f) férias; g) licenças; h) concessões; e i) direito de petição. Convém analisar o resumo da disciplina normativa de cada uma dessas categorias. 13.1 Vencimento E Remuneração Os arts. 40 e 41 do Estatuto do Servidor Público diferenciam vencimento e remuneração. Vencimento é um conceito mais restrito, pois consiste na retribuição pecuniária pelo exercício do cargo público, com valor fixado em lei. Já a remuneração, noção de alcance mais abrangente, é o vencimento do cargo, somado às vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei. Assim, temos que: O direito ao vencimento é inerente ao regime dos servidores estatutários como decorrência da proibição de enriquecimento sem causa por parte do Estado. Além disso, é expressamente proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo nos casos previstos em lei (art. 4º da Lei n. 8.112/90). Importantíssimo destacar que o menor valor pago ao agente público, independentemente do tipo de vinculação com o Estado, é o salário mínimo (art. 39, § 3º, da CF). Cumpre destacar, no entanto, que, nos termos da Súmula Vinculante 6 do Supremo Tribunal Federal, foi reconhecida importante exceção ao mínimo remuneratório: “Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial”. “Praças” são os indivíduos recém incorporados ao serviço militar, única hipótese em que o ordenamento jurídico pátrio admite remuneração inferior ao salário mínimo. O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de caráter permanente, é irredutível, sendo vedado o recebimento de remuneração inferior ao salário mínimo (art. 41, § 5º, do Estatuto). Entretanto, o princípio da irredutibilidade de vencimentos não é absoluto, podendo haver redução de remuneração nos casos de adaptação de valores ao teto constitucional ou sistema de pagamento por subsídios (art. 37, XV, da CF). 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 36 Pela mesma razão, se o servidor vem recebendo remuneração ilegal ou inconstitucional, o princípio da irredutibilidade não representa obstáculo ao corte dos acréscimos indevidos, desde que observadas as garantias constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Na verdade, o princípio da irredutibilidade de vencimentos protege contra a revogação de vantagens remuneratórias, mas não contra sua anulação. Outra importante consideração deve ser feita quanto ao prazo para a Administração anular vantagens indevidamente concedidas ao servidor. Como regra geral, em nome da segurança jurídica, a Administração tem 5 anos decadenciais para anular seus atos quando eivados de vícios (art. 54 da Lei n. 9.784/99). Tal prazo é aplicável para o âmbito federal, assim como no caso de entidades federativas sem lei própria de processo administrativo, desde que o beneficiário esteja de boa-fé. Por óbvio, se o ordenamento impede a anulação pela via administrativa, também tranca o acesso para a invalidação do ato na esfera judicial. Desse modo, ocorrendo a decadência, consuma-se, ao mesmo tempo, a prescrição. O vencimento, a remuneração e o provento não serão objetos de arresto, sequestro ou penhora, salvo no caso de prestação de alimentos resultante de determinação judicial. Do valor do vencimento devem ser descontadas a remuneração do dia em que faltar sem motivo justificado e a parcela de remuneração diária proporcional aos atrasos ou ausências justificadas, salvo na hipótese de compensação de horários até o mês subsequente ao da ocorrência. Sendo condenado a realizar reposições ou pagar indenizações ao erário, o servidor ativo, aposentado ou pensionista será previamente notificado para pagamento no prazo máximo de trinta dias, podendo o valor ser parcelado a pedido do interessado. Nesse caso, o valor de cada parcela não poderá ser inferior a 10% cento da remuneração, provento ou pensão. Se o servidor for demitido, exonerado ou tiver sua aposentadoria cassada, o prazo para quitação do débito será de sessenta dias. 13.1.1 Regime De Subsídios Com o objetivo de coibir os “supersalários”, comuns no serviço público brasileiro especialmente antes da Constituição de 1988, a Emenda Constitucional n. 19/98 alterou a redação do art. 39, § 4º, da Constituição Federal, criando a remuneração em parcela única denominada subsídio, válida para algumas categorias de agentes públicos. Estabelece o referido dispositivo: “O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI”. O pagamento mediante subsídio é aplicável somente aos seguintes agentes públicos: a) chefes do Executivo (Presidente, Governadores e Prefeitos); b) parlamentares; 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 37 c) magistrados; d) ministros de Estado; e) secretários estaduais, distritais e municipais; f) membros do Ministério Público; g) integrantes da Defensoria Pública; h) membros da Advocacia Pública (advogados da União, procuradores federais, procuradores autárquicos, procuradores distritais e procuradores estaduais); i) integrantes das polícias federal, rodoviária federal, ferroviária federal e polícias civis. Facultativamente, a remuneração dos servidores públicos organizados em carreira também poderá ser fixada no sistema de subsídios (art. 39, § 8º, da CF). Como se vê, a ideia do sistema de subsídio é pagar a remuneração em parcela única sobre a qual não possa incidir qualquer outro acréscimo ou adicional. 13.1.2 Exigência De Lei Para Fixar Ou Alterar Remuneração De Servidores Públicos O art. 37, X, da Constituição Federal é claro ao prescrever que somente por lei pode-se fixar ou alterar a remuneração de servidores públicos, reservando ao parlamento a criação ou majoração de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória. É flagrantemente inconstitucional a edição de atos administrativos versando sobre remuneração de servidores públicos. No entanto, no caso de agentes públicos submetidos ao regime de subsídios, nem por meio de lei pode ser criada gratificação, adicional, abono, prêmio, verba derepresentação ou outra espécie remuneratória na medida em que o pagamento deve ser feito mediante parcela única, vedado qualquer acréscimo (art. 39, § 4º, da CF). 13.2 Indenizações Além do vencimento, poderão ser pagos ao servidor indenizações, gratificações e adicionais (art. 49 da Lei n. 8.112/90). As indenizações não se incorporam ao vencimento ou provento, mas as gratificações e os adicionais são incorporados nos termos previstos na legislação. O Estatuto prevê as seguintes espécies de indenizações: a) ajuda de custo por mudança (art. 53): destinada a compensar as despesas de instalação do servidor que, no interesse do serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio em caráter permanente, não podendo seu valor superar o montante equivalente a três meses da remuneração do servidor; 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 38 b) ajuda de custo por falecimento (art. 53, § 2º): à família do servidor que falecer na nova sede, é assegurada ajuda de custo e transporte para a localidade de origem, dentro do prazo de um ano, contado do óbito; c) diárias por deslocamento (art. 58): devidas ao servidor que, a serviço, se afastar da sede em caráter eventual ou transitório para outro ponto do território nacional ou para o exterior, tendo direito a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinárias com pousada, alimentação e locomoção urbana, exceto se o deslocamento da sede constituir exigência permanente do cargo; d) indenização de transporte (art. 60): devida ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo; e) auxílio-moradia (art. 60): é o ressarcimento das despesas comprovadamente realizadas pelo servidor com aluguel de moradia ou com meio de hospedagem administrado por empresa hoteleira, no prazo de um mês após a comprovação da despesa pelo servidor. A concessão do auxílio-moradia tem como requisitos que: I – não exista imóvel funcional disponível para uso pelo servidor; II – o cônjuge ou companheiro do servidor não ocupe imóvel funcional; III – o servidor ou seu cônjuge ou companheiro não seja ou tenha sido proprietário, promitente-comprador, cessionário ou promitente cessionário de imóvel no Município aonde for exercer o cargo, incluída a hipótese de lote edificado sem averbação de construção, nos doze meses que antecederem a sua nomeação; IV – nenhuma outra pessoa que resida com o servidor receba auxílio moradia; V – o servidor tenha se mudado do local de residência para ocupar cargo em comissão ou função de confiança do tipo DAS 4, 5 ou 6; VI – o Município no qual assuma o cargo em comissão ou função de confiança não pertença à mesma região metropolitana em relação ao local de residência ou domicílio do servidor; VII – o servidor não tenha sido domiciliado ou tenha residido no Município, nos últimos doze meses, aonde for exercer o cargo em comissão ou função de confiança, desconsiderando-se prazo inferior a sessenta dias dentro desse período; VIII – o deslocamento não tenha sido por força de alteração de lotação ou nomeação para cargo efetivo; IX – o deslocamento tenha ocorrido após 30 de junho de 2006. O auxílio-moradia não será concedido por prazo superior a oito anos dentro de cada período de doze anos, sendo que seu valor mensal fica limitado a 25% do valor da remuneração do servidor. 13.3 Retribuições, Gratificações E Adicionais Além dos vencimentos e das vantagens, o servidor público tem direito ainda às seguintes retribuições, gratificações e adicionais (art. 61 do Estatuto): 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 39 I – retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento; II – gratificação natalina, no valor de 1/12 da remuneração correspondente ao mês de dezembro por mês de exercício no ano corrente; III – adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou penosas; IV – adicional pela prestação de serviço extraordinário, remunerado com acréscimo de 50% em relação à hora normal trabalhada; V – adicional noturno, referente a serviços prestados entre as 22 horas de um dia e 5 horas do dia seguinte, sendo o valor-hora acrescido de 25%, computando-se cada hora como cinquenta e dois minutos e trinta segundos; VI – adicional de férias, no valor de 1/3 da remuneração do período de férias; VII – outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho; VIII – gratificação por encargo de curso ou concurso. 13.4 Adicionais a) Adicional de insalubridade, periculosidade e penosidade (art. 68 da Lei n. 8.112/90). Os servidores que trabalhem com habitualidade em locais insalubres ou em contato permanente com substâncias tóxicas, radioativas ou com risco de vida, fazem jus a um adicional sobre o vencimento do cargo efetivo. Insalubre é o serviço prejudicial à saúde. Perigoso é o serviço que cria risco à vida do agente. Se o servidor fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosidade, deverá optar por um deles. b) Adicional de serviço extraordinário (art. 73 da Lei n. 8.112/90). O serviço extraordinário será remunerado com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) em relação à hora normal de trabalho. E somente será permitido serviço extraordinário para atender a situações excepcionais e temporárias, respeitado o limite máximo de 2 (duas) horas por jornada. c) Adicional por serviço noturno (art. 75 da Lei n. 8.112/90). O serviço noturno, prestado em horário compreendido entre 22 (vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco) horas do dia seguinte, terá o valor-hora acrescido de 25% (vinte e cinco por cento), computando-se cada hora como cinquenta e dois minutos e trinta segundos. d) Adicional de férias (art. 76 da Lei n. 8.112/90). Independentemente de solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das férias, um adicional correspondente a 1/3 (um terço) da remuneração do período das férias. Na jurisprudência dos Tribunais Superiores: É constitucional o regime de subsídios da carreira de policial rodoviário federal (Lei nº 11.358/2006) na parte em que veda o pagamento de adicional noturno e quaisquer outras gratificações ou adicionais, mas garante o direito à gratificação natalina, ao adicional de férias e ao abono de permanência. Contudo, deve ser afastada interpretação que impeça a remuneração desses policiais pelo 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 40 desempenho de serviço extraordinário (horas extras) que não esteja compreendida no subsídio. Tese fixada pelo STF: O regime de subsídio não é compatível com a percepção de outras parcelas inerentes ao exercício do cargo, mas não afasta o direito à retribuição pelas horas extras realizadas que ultrapassem a quantidade remunerada pela parcela única. STF. Plenário. ADI 5404/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/3/2023. 13.6 Férias Durante o ano, o servidor tem direito a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas, até o máximo de dois períodos, no caso de necessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em que haja legislação específica. Para ter direito à fruição de férias, no primeiro período aquisitivo, serão exigidos doze meses de exercício (art. 77 da Lei n. 8.112/90). O pagamento da remuneração das férias, com o respectivo adicional, será efetuado em até dois dias antes do início do respectivo período. 13.7 Licenças O Estatuto prevê a existência de sete tipos diferentes de licenças: a) por motivo de doença em pessoa da família (art. 83): concedida, sem prejuízo dos vencimentos, por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente queviva às suas expensas. O servidor, nesse caso de doença familiar, tem direito à licença, sendo o seu deferimento uma decisão vinculada da Administração Pública; b) por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro (art. 84): concedida por prazo indeterminado e sem remuneração para o servidor acompanhar cônjuge ou companheiro que foi deslocado para outro ponto do território nacional, para o exterior ou para exercício de mandato eletivo; c) para o serviço militar (art. 85): outorgada com remuneração ao servidor público convocado para o serviço militar. Concluído o serviço militar, o servidor tem trinta dias sem remuneração para reassumir o exercício do cargo; d) para atividade política (art. 86): concedida sem remuneração para o servidor público candidato a cargo eletivo, sendo válida durante o período que mediar entre a sua escolha em convenção partidária e a véspera do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral, até o décimo dia seguinte ao do pleito; e) para capacitação profissional (art. 87): após cada quinquênio de efetivo exercício, o servidor poderá, no interesse da Administração, afastar-se do exercício do cargo efetivo, sem prejuízo da remuneração, por até três meses, para participar de curso de capacitação profissional; f) para tratar de interesses particulares (art. 91): pode ser concedida, a critério da Administração, para ocupante de cargo efetivo, desde que não esteja em estágio probatório, pelo prazo de três anos consecutivos, sem remuneração; 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 41 g) para desempenho de mandato classista (art. 92): é concedida sem remuneração para desempenho de mandato em confederação, federação, associação de classe, sindicato representativo de categoria profissional, entidade fiscalizadora de classe ou para participar de gerência de cooperativa de servidores públicos. Na jurisprudência: É constitucional norma estadual que, ao regulamentar o afastamento de servidor público estável para o exercício de mandato sindical, assegura-lhe o direito de licença sem remuneração. STF. Plenário. ADI 7.242/GO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/4/2023. É prescindível a exigência de avaliação de desempenho para a ascensão funcional de servidores no período em que estiverem afastados do cargo para exercício de mandato eletivo federal. STJ. 1ª Turma.REsp 1.979.141-AC, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgado em 6/6/2023. 13.8 Afastamentos e Concessões Além das licenças acima mencionadas, a Lei n. 8.112/90 prevê quatro tipos diferentes de afastamento, a saber: a) para servir a outro órgão ou entidade (art. 93); b) para exercício de mandato eletivo (art. 94); c) para estudo ou missão no exterior (art. 95); d) para participação em programa de pós-graduação stricto sensu no País (art. 96- A). Há previsão também de concessão ao servidor do direito de ausentar - se sem prejuízo da remuneração: I – por um dia, para doação de sangue; II – por dois dias, para se alistar como eleitor; III – por oito dias consecutivos em razão de: a) casamento; ou b) falecimento do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto, filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 42 13.9 Direito De Petição O Capítulo VIII da Lei n. 8.112/90, nos arts. 104 a 115, é todo dedicado ao direito de petição, assegurando ao servidor público o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa de direito ou interesse legítimo. Trata-se de uma extensão do direito constitucional de petição a ser exercido por qualquer pessoa em defesa de direitos ou contra ilegalidade e abuso de poder (art. 5º, XXXIV, da CF). Ao servidor público é permitido formular requerimento à autoridade competente a ser encaminhado por intermédio da autoridade a que estiver imediatamente subordinado o requerente, sem prejuízo do pedido de reconsideração que pode ser endereçado à autoridade responsável pela expedição do ato. Nos dois casos, o pedido deverá ser despachado em cinco dias e decidido dentro de trinta dias. Caberá recurso contra o indeferimento do pedido de reconsideração, ou contra as decisões sobre os recursos sucessivamente interpostos, no prazo de trinta dias a contar da publicação do ato ou da ciência da decisão recorrida. Como regra, o direito de requerer prescreve em cinco anos, contados da data da publicação do ato impugnado ou da data da ciência pelo interessado quando o ato não for publicado. 13.10 Direito de greve Policiais não podem fazer greve. O art. 37, VII, da Constituição Federal assegura aos servidores públicos o direito de greve a ser exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Como ainda não foi promulgada tal lei, considera-se que a referida norma é de eficácia limitada, podendo ser futuramente restringido o alcance do dispositivo pelo legislador infraconstitucional. Enquanto não houver a referida lei, aplicam-se as disposições concernentes ao direito de greve na iniciativa privada, nos termos da Lei n. 7.783/89. Para o STF, servidores podem fazer greve com base na Lei n. 7.783/89. Admite-se desconto dos dias paralisados, exceto se a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público (RE 693.456/RJ). Porém, policiais militares ou civis ou federais, bem como servidores que atuem diretamente na área de segurança pública, não podem fazer greve (STF ARE 654.432). Trata-se de carreira de Estado, essencial para a segurança pública. Como alternativa para que a categoria possa vocalizar suas reivindicações, os respectivos sindicatos de policiais podem acionar o Judiciário para mediação junto ao Poder Público, nos termos do art. 165 do CPC (STF ARE 654.432). 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 43 JÁ CAIU EM PROVA: IDECAN - 2022 - FGV - 2021 - PM-PB - Aspirante da Polícia Militar Um grupo de policiais militares do Estado Gama, aprovados no último concurso, insatisfeitos com o que consideram condições inadequadas de trabalho, desejam se organizar para criar um sindicato dos policiais militares estaduais e, após deliberação de seus futuros membros, decidirem se irão entrar em greve. De acordo com as normas de regência, a doutrina e a jurisprudência, a iniciativa da: A) sindicalização e da greve não merece prosperar, diante da expressa proibição constitucional; B) sindicalização e da greve é possível, diante da inexistência de vedação constitucional e do direito à livre associação; C) sindicalização é possível, por expressa permissão constitucional, mas a greve é vedada por analogia à proibição para os militares das forças armadas; D) greve deve respeitar a continuidade do serviço público, para manter o mínimo indispensável de agentes de segurança pública em exercício, e a sindicalização é possível, por expressa permissão constitucional; E) greve deve respeitar a continuidade do serviço público, para manter o mínimo indispensável de agentes de segurança pública em exercício, mas a sindicalização é inviável, por expressa vedação constitucional. Gabarito: A Na Jurisprudência Dos Tribunais Superiores: DESCONTO OBRIGATÓRIO DOS DIAS DE PARALISAÇÃO (TEMA 531 DE REPERCUSSÃO GERAL): - Tese de Repercussão Geral: A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre, permitida a compensação em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público. - Não há necessidade de processo administrativo prévio para realizar descontos na remuneração do servidor, em razão de diasparados decorrentes de greve. - Caso não haja o desconto dos dias paralisados, isso representará: enriquecimento sem causa dos servidores que não trabalharam; violação ao princípio da indisponibilidade do interesse público; e violação ao princípio da legalidade. - É possível a realização de um acordo para a compensação dos dias paralisados para que não haja desconto na remuneração. Esse acordo deve ser firmado com base no juízo de conveniência e oportunidade da Administração Pública, não sendo um direito dos servidores grevistas. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 44 - STJ (RMS 49399): Não se mostra razoável a possibilidade de desconto em parcela única sobre a remuneração do servidor público dos dias parados e não compensados provenientes do exercício do direito de greve. Deve-se destacar que a remuneração possui natureza alimentar e o referido desconto em parcela única causaria, nessa hipótese, um dano desarrazoado ao servidor. A impossibilidade de obtenção dos registros acerca dos dias não trabalhados ou das horas compensadas não pode tornar-se um óbice para reconhecer o direito da parte autora em descontar os dias não trabalhados pelos servidores públicos, em decorrência da suspensão temporária do contrato de trabalho. Até porque o referido desconto somente será implantado após prévio procedimento administrativo (neste caso, necessário o prévio procedimento administrativo, diante da impossibilidade de obtenção dos registros dos dias não trabalhados ou das horas compensadas) em que será assegurado ao servidor o exercício do contraditório e da ampla defesa. STJ. 1ª Seção. Pet 12.329-DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 27/9/2023 (Info 789). INCONSTITUCIONALIDADE DA GREVE DE POLICIAIS (TEMA 541 DE REPERCUSSÃO GERAL: - Tese de Repercussão Geral: I- O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. II- É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. - O STF afirmou expressamente que, ao decidir que os policiais civis não possuem direito de greve, não estava aplicando o art. 142, § 3º, IV, da CF/88 por analogia a eles. A greve é proibida por força dos princípios constitucionais que regem os órgãos de segurança pública. - A carreira policial, disciplinada pelo art. 144 da CF/88, tem como função exercer a segurança pública, garantindo a “preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Diante da relevância de suas funções e considerando que se trata de uma atividade que não pode ser exercida pela iniciativa privada, considera-se que a atividade policial é uma "carreira de Estado". 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 45 - A greve não é um direito absoluto e, neste caso, deverá ser feito um balanceamento entre o direito de greve e o direito de toda a sociedade à segurança pública e à manutenção da ordem pública e paz social. Neste caso, há a prevalência do interesse público e do interesse social sobre o interesse individual de uma categoria. Por essa razão, em nome da segurança pública, os policiais não podem fazer greve. Importante destacar que a ponderação de interesses aqui não envolve direito de greve X continuidade do serviço público. A greve dos policiais é proibida não por causa do princípio da continuidade do serviço público (o que seria muito pouco), mas sim por conta do direito de toda a sociedade à garantia da segurança pública, à garantia da ordem pública e da paz social (art. 5º, caput). - O STF estabeleceu, como alternativa, a possibilidade de o sindicato dos policiais acionar o Poder Judiciário para que seja feita mediação com o Poder Público, nos termos do art. 165 do CPC. Nesse caso, é obrigatória a participação do Poder Público na mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, para vocalização dos interesses da categoria. 14. TETOS REMUNERATÓRIOS A Constituição Federal de 1988, inovando em relação aos textos constitucionais anteriores, definiu um limite máximo para a remuneração de quaisquer agentes públicos. Tal limite tem sido chamado de teto remuneratório. Após diversas alterações promovidas da redação original, o teto remuneratório atual está previsto no art. 37, XI, da Constituição Federal, com redação dada pela Emenda Constitucional n. 41/2003: “a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento (90,25%) do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos”. Assim, o teto remuneratório geral aplicável a todas as esferas federativas é a remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal. O valor atualizado do subsídio pago aos ministros do Supremo é de R$ 39.293,32 (trinta e nove mil, duzentos e noventa e três reais e trinta e dois centavos). Desse modo, tal 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 46 valor é o limite máximo que pode atualmente ser pago aos agentes públicos no Brasil, independentemente da espécie de vínculo entre o agente e o Estado: temporário, comissionado, político, estatutário ou celetista. Como se pode notar da leitura da norma constitucional anteriormente transcrita, além do teto geral, a Constituição Federal fixou tetos parciais, ou subtetos, aplicáveis às demais esferas federativas. No âmbito dos Estados e do Distrito Federal, o teto no Poder Executivo é o subsídio do Governador; no Poder Legislativo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais; e no Judiciário, o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado este a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal. O teto do Poder Judiciário, inclusive com o limite de 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo, é extensivo também aos membros do Ministério Público, das Procuradorias e das Defensorias. Como tal extensão somente é aplicável aos “membros” do Ministério Público, das Procuradorias e das Defensorias, deve-se entender que o quadro geral do funcionalismo de tais órgãos (os agentes que não são membros) submete-se ao limite aplicável ao Poder Executivo, e não ao Judiciário. Na esfera dos Municípios, o limite máximo de remuneração é o subsídio do Prefeito. Na Jurisprudência dos Tribunais Superiores: É inconstitucional a vinculação ou equiparação entre agentes públicos de entes federativos distintos para obtenção de efeitos remuneratórios. Essa vinculação viola o art. 37, XIII, da CF/88, a autonomia federativa (art. 39, § 1º, CF/88) e a exigência de lei específica para reajustes.STF. Plenário. ADI 7264/TO, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 22/05/2023 JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA INCORRETA: Prova: PM-SC - Aspirante da Polícia Militar É facultada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público. Teto remuneratório de Procuradores Municipais é o subsídio de Desembargador de TJ. A expressão "Procuradores", contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, compreende os procuradores municipais, uma vez que estes se inserem nas funções essenciais à Justiça, estando, portanto, submetidos ao teto de 90,25% (noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros do STF. STF. Plenário. RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932). Os substitutos interinos dos cartórios extrajudiciais devem receber limitado ao teto do funcionalismo público (art. 37, XI, da CF/88). 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 47 Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS 29039/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923). Fonte: Dizer o Direito. 14.1 Exceção Ao Teto Remuneratório A doutrina e a jurisprudência vêm excluindo do teto remuneratório, com fundamento em diversos dispositivos legais, certos valores pagos ao agente público. Assim, são exceções ao teto remuneratório: a) verbas indenizatórias (art. 37, § 11, da CF); b) remuneração decorrente de cargos públicos de magistério constitucionalmente acumuláveis; c)benefícios previdenciários; d) atuação como requisitado de serviço pela Justiça Eleitoral; e) exercício temporário de função cumulativa; f) empresas estatais não dependentes (art. 37, § 9º); g) acumulação autorizada de cargos (STF: REs 612.975 e 602.043). Quanto às duas últimas hipóteses, cabem algumas explicações. De acordo com o disposto no art. 37, § 9º, da Constituição Federal, empresas públicas, sociedades de economia mista e subsidiárias estão submetidas ao teto remuneratório quando receberem recursos da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio geral. O referido dispositivo admite uma hipótese de inaplicabilidade do teto remuneratório no caso de empresas estatais não dependentes, ou seja, que não recebam recursos da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios para custeio de despesas de pessoal ou de custeio geral. São estatais autossustentáveis e que, por isso, não precisam de dinheiro proveniente dos cofres públicos. Por fim, segundo jurisprudência consolidada do STF, não incide o teto remuneratório na hipótese de acumulação de cargos autorizada pela CF/88 sobre a somatória dos dois vencimentos. Aplica-se o limite a cada um dos vínculos separadamente ( REs 612.975 e 602.043). MEMORIZANDO NÃO SE SUBMETEM AO TETO REMUNERATÓRIO: 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 48 a) Verbas de natureza indenizatória: NÃO possuem natureza de acréscimo patrimonial, mas de reparação ou devolução de valores gastos pelo servidor. ex: valores de diárias. b) Direitos Sociais: Ex: férias, 13º salário, adicional noturno, etc. c) Abono de Permanência: destina-se ao servidor que tenha completado as exigências para aposentadoria voluntária integral. d) Remuneração da atividade de magistério: É orientação jurisprudencial e doutrinária . O abono de permanência é uma vantagem de caráter permanente, incorporando-se ao patrimônio jurídico do servidor de forma irreversível, e insere-se no conceito de remuneração do cargo efetivo. Dessa forma, o abono de permanência pode ser incluído na base de cálculo do terço constitucional de férias e da gratificação natalina (13º salário), por incidirem tais rubricas sobre a remuneração dos servidores. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1.971.130-RN, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 4/9/2023. 15. PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES Os servidores públicos estatutários têm direito a regime de previdência social de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas (art. 40 da CF). Esse regime especial de previdência não se aplica aos empregados públicos, aos contratados temporários e aos ocupantes de cargos em comissão, uma vez que empregados, temporários e comissionados estão sujeitos ao regime geral de previdência (art. 40 da CF). Assim, o direito à aposentadoria fica sempre condicionado ao pagamento de contribuição, sendo certo que o tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de aposentadoria, e o tempo de serviço correspondente para efeito de disponibilidade, estendendo -se tal regra também ao tempo de contribuição na atividade privada (art. 201, § 9º, da CF). Importante destacar que o teto remuneratório para o valor das aposentadorias no serviço público sofreu profunda alteração com a promulgação da Emenda n. 41/2003. Servidores estatutários que ingressaram nas funções antes da Emenda n. 41/2003 recebiam aposentadoria integral com montante submetido aos tetos remuneratórios definidos no art. 37, XI, da Constituição Federal. Após a Emenda n. 41/2003, o teto do valor das aposentadorias de servidores públicos passou a ser o montante máximo de benefício no regime geral da Previdência, isto é, R$ 4.390,24 mensais. O texto constitucional prevê as seguintes modalidades de aposentadoria: 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 49 a) aposentadoria por invalidez: com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente de serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei; b) aposentadoria compulsória: compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar; c) aposentadoria voluntária: em relação aos servidores que cumpriram todos os requisitos até a data de promulgação da Emenda n. 41/2003, a aposentadoria será calculada, integral ou proporcionalmente, de acordo com a legislação vigente antes da emenda. Entretanto, quanto aos servidores que ingressaram no serviço público após a EC n. 41/2003 e depois da vigência do Plano de Previdência Complementar Para os Servidores Efetivos, não há mais possibilidade de aposentadoria com proventos integrais, passando seu valor a sujeitar -se aos patamares do regime geral de previdência. O art. 40, § 5º, da Constituição Federal disciplina a aposentadoria especial dos professores, cujos requisitos de idade e tempo de serviço serão reduzidos em cinco anos, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio. O desempenho de função administrativa, estranha ao magistério, não pode ser considerado para fins da referida aposentadoria especial (Súmula 726 do STF: “Para efeito de aposentadoria especial de professores, não se computa o tempo de serviço prestado fora da sala de aula”). Importante esclarecer que, nos termos do art. 67, § 2º, da Lei n. 9.394/96: “Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e no § 8º do art. 201 da Constituição Federal, são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico”.Na jurisprudência do STF: É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que estende a aposentadoria especial de professores para atividades administrativas, técnico- pedagógicas e outras que não propriamente a de professor, inclusive a de representação associativa ou sindical. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 50 Essa lei é formalmente inconstitucional porque invade a iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo (art. 61, II, “c” e “e”) e a competência privativa da União legislar sobre seguridade social e sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22, XXIII e XXIV). Além disso, é materialmente inconstitucional por violar o núcleo da norma que restringe a aposentadoria especial a funções de magistério (art. 40, § 5º). STF. Plenário. ADI 856/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 04/09/2023. São incompatíveis com a Constituição Federal de 1988 a concessão e, ainda, a continuidade do pagamento de pensões mensais vitalícias não decorrentes do RGPS a dependentes de prefeitos e vice-prefeitos, em razão do mero exercício do mandato eletivo. STF. Plenário. ADPF 783/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2023. No mesmo sentido: É inconstitucional, por violação aos princípios republicano, democrático, da moralidade, da impessoalidade e da igualdade, lei municipal que concede pensão especial mensal e vitalícia a viúvas de ex-prefeitos. STF. Plenário. ADPF 975/CE, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 7/10/2022. A concessão de quaisquer benefícios remuneratórios a trabalhadores rurais e urbanos, ou a servidores públicos, deve estar vinculada ao desempenho funcional, de modo que qualquer adicional que seja pago apenas em virtude de seu estado civil viola a Constituição Federal, por constituir desequiparação ilegítima em relação aos demais. STF. Plenário. ADPF 860/SP e ADPF 879/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 7/2/2023. Viola o art. 40, caput e § 13, da Constituição Federal, a instituição, por meio de lei estadual, de um regime previdenciário específico para os agentes públicos não titulares de cargos efetivos. É competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito legislar sobre previdência social, nos termos do art. 24, XII, CF. Aos Estados e ao Distrito Federal compete legislar sobre previdência social dos seus respectivos servidores, no âmbito de suas respectivas competências e especificamente para os servidores titulares de cargo efetivo, sempre em observância às normas gerais editadas pela União. O regime próprio de previdência social aplica-se aos servidores titulares de cargos efetivos (art. 40, caput, CF/88). Aos agentes públicos não titulares de cargos efetivos, por sua vez, aplica-se o regime geral de previdência social (art. 40, §13, CF/88). STF. Plenário. ADI 7198/PA, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/10/2022. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 51 16. SUBSTITUIÇÃO Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes de cargo de natureza especial terão substitutos indicados no regimento interno do respectivo órgão ou entidade. No caso de o regimento ser omisso, os substitutos serão previamente designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade (art. 38). Essa exigência de previsão ou designação de substitutos aplica-se também aos titulares de unidades administrativas organizadas em nível de assessoria (art. 39). Os §§ 1º e 2º do art. 38 da Lei 8.112/1990, com a redação dada pela Lei 9.527/1997, trazem regras um tanto confusas acerca da acumulação do exercício do cargo substituído com o do cargo efetivo do substituto e da remuneração a que ele fará jus. A própria administração pública federal conferiu a esses dispositivos uma interpretação mais favorável ao servidor substituto do que aquela que, segundo pensamos, decorreria da literalidade da lei, conforme será exposto adiante. Inicialmente, mister é transcrever os §§ 1º e 2º do art. 38 da Lei 8.112/1990, em sua redação atual: § 1º O substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuízo do cargo que ocupa, o exercício do cargo ou função de direção ou chefia e os de Natureza Especial, nos afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares do titular e na vacância do cargo, hipóteses em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o respectivo período. § 2º O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou função de direção ou chefia ou de cargo de Natureza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedimentos legais do titular, superiores a trinta dias consecutivos, paga na proporção dos dias de efetiva substituição, que excederem o referido período 17. REGIME DISCIPLINAR O regime disciplinar a que estão submetidos os servidores estatutários federais é tratado nos arts. 116 a 142 da Lei 8.112/1990. Esses artigos versam sobre os deveres, as proibições, as penalidades e as responsabilidades dos servidores públicos decorrentes do exercício de seus cargos, conforme será exposto nos subitens a seguir. Serão apresentadas, também, em tópico próprio, disposições aplicáveis a esses servidores relativos a conflito de interesses, vazadas na Lei 12.813/2013. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 52 18. DEVERES E PROIBIÇÕES 18.1 Deveres Os deveres dos servidores públicos federais, sem prejuízo de outros que estejam previstos em outras leis e mesmo em atos regulamentares, encontram-se enumerados no art. 116 da Lei 8.112/1990, abaixo transcrito: Art. 116. São deveres do servidor: I - Exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; II - Ser leal às instituições a que servir; III - observar as normas legais e regulamentares; IV - Cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais; V - Atender com presteza: a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas às protegidas por sigilo; b) a expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal; c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública. VI - Levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para apuração; VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público; VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição; IX - Manter conduta compatível com a moralidade administrativa; X - Ser assíduo e pontual ao serviço; XI - tratar com urbanidade as pessoas; XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder. Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior aquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa. Merece comentário o dever de obediência. Como a administração pública é estruturada hierarquicamente, os servidores têm o dever de cumprir as ordens emanadas de seus superiores. Tal dever é decorrência da Ética do Poder Executivo Federal”; o Decreto 9.895/2019, que “dispõe sobre a Comissão de Ética dos Agentes Públicos da Presidência e 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 53 da Vice-presidência da República”; e o sítio da Comissão de Ética Pública na internet (etica.planalto.gov.br). natural do poder hierárquico. Entretanto, a Lei 8.112/1990 estabelece importante ressalva: a hipótese de a ordem ser manifestamente ilegal. No caso de receber uma ordem manifestamente ilegal, ou seja, uma ordem cuja ilegalidade seja flagrante, o servidor tem que seabster de cumpri-la. Mas não é só isso. Ao mesmo tempo, surge para o servidor o dever de representar contra o seu superior que emitiu a ordem manifestamente ilegal. Por outras palavras, não pode o servidor simplesmente deixar de cumprir a ordem manifestamente ilegal e nada mais fazer; ao deixar de cumprir a ordem, o servidor tem, simultaneamente, o dever de representar contra quem a emitiu. O dever de representação deve ser exercido sempre que o servidor se deparar com situações de ilegalidade. Conquanto o inciso XII, acima transcrito, fale em “ilegalidade, omissão ou abuso de poder”, as duas últimas nada mais são do que variantes especificas de ilegalidade (claro esta que a omissão a que se refere a lei deve ser uma omissão ilegal, ou seja, alguém deixar de agir quando a atuação fosse obrigatória). É mister observar que o antes reproduzido inciso VI do art. 116, com a redação que lhe deu a Lei 12.527/2011, impõe ao servidor o dever de levar quaisquer irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior, porém, logo em seguida, ressalva a situação em que exatamente essa autoridade superior seja suspeita de envolvimento na irregularidade que lhe seria reportada. Se isso ocorrer, a situação irregular deve ser levada ao conhecimento de outra autoridade competente para a apuração. Pois bem, muito embora a Lei 12.527/2011 não tenha alterado textualmente o parágrafo único do art. 116, entendemos que, implicitamente, foi ele alcançado pela ressalva em questão. Com efeito, o referido dispositivo assevera que a representação contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder “será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada”. Isso significa que o servidor que tenha conhecimento de uma situação de ilegalidade deve apresentar a representação ao seu superior hierárquico imediato, o qual, por sua vez, encaminhará ao seu superior hierárquico imediato, e assim por diante - até que se chegue à autoridade superior àquela contra a qual a representação e formulada, que deverá apreciá-la, assegurando ampla defesa ao acusado. Apesar de não estar prevista exceção alguma no texto do parágrafo único do art. 116, pensamos que, em razão da modificação trazida ao inciso VI desse artigo pela Lei 12.527/2011, a representação não deve ser apresentada pelo servidor ao seu superior imediato na hipótese específica de haver suspeita de que justamente este tenha envolvimento na ilegalidade versada na representação. Se isso ocorrer, a representação deverá ser apresentada a outra autoridade que possa promover a apuração, ainda que fora da via hierárquica. Aliás, vem a propósito pontuar que também a Lei 12.527/2011 acrescentou ao capítulo da Lei 8.112/1990 relativo às responsabilidades dos servidores por ela regidos, o art. 126-A, com a seguinte redação: 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 54 Art. 126-A. Nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente por dar ciência a autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra autoridade competente para apuração de informação concernente a prática de crimes ou improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou função pública. A ideia subjacente é proteger o servidor que denuncie, pela prática de ilícitos, autoridades a ele superiores. Afinal, quase sempre que ilícitos de uma autoridade de hierarquia elevada são denunciados, a primeira coisa que ela costuma fazer, por mais óbvia que seja a sua culpa, e alardear na imprensa que ajuizará (ou que já ajuizou) ações várias contra o denunciante, pedindo a condenação dele por crimes de calúnia e difamação, por danos morais e materiais - e por quantas mais imputações diversionistas a desfaçatez daquela autoridade comportar. A inobservância dos deveres legais constitui infração funcional e acarreta para o servidor sanções disciplinares. A Lei 8.112/1990, todavia, não relaciona uma penalidade específica para o descumprimento de cada um dos deveres arrolados no art. 116. Genericamente, ela estatui, no seu art. 129, que será aplicada a advertência no caso de “inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave”. Pode-se, portanto, afirmar que o descumprimento dos deveres arrolados no art. 116 da Lei 8.112/1990 (e de outros deveres funcionais previstos em leis e atos infralegais) implica, em regra, a imposição da penalidade de advertência. Mas impende frisar que se trata de mera regra geral. De fato, o próprio art. 129, desde logo, faz a ressalva - “que não justifique imposição de penalidade mais grave”. Já o art. 130 preceitua que a reincidência das faltas punidas com advertência enseja a aplicação da pena de suspensão. Ademais, deve-se ter em mente o disposto no art. 128 da Lei 8.112/1990, segundo que “na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais”. Logo, pode acontecer, por exemplo, que, mesmo sendo a primeira infringência de um simples dever funcional pelo servidor, tenham sido grandes os danos decorrentes para o serviço, ou que estejam presentes importantes circunstâncias agravantes, de sorte que, no caso concreto, lhe seja aplicada a sanção de suspensão, em vez de advertência. Obviamente assegurados, em qualquer caso, sem exceção alguma, o contraditório e a ampla defesa. 18.2 Proibições 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 55 As proibições estão enumeradas no art. 117 da Lei 8.112/1990. Diferentemente dos deveres, que possuem um caráter genérico, as proibições são vedações específicas a cuja infringência a lei comina penalidades disciplinares determinadas. As proibições enumeradas no art. 117 da Lei 8.112/1990 estão abaixo sistematizadas conforme a penalidade atribuída ao respectivo descumprimento. 1) Proibições cuja infração acarreta a penalidade de advertência (exceto se o servidor for reincidente, hipótese em que a lei comina a penalidade de suspensão - Art. 130): a) ausentar-se do serviço durante o expediente, sem previa autorização do chefe imediato; b) retirar, sem previa anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da repartição; c) recusar fé a documentos públicos; d) opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço; e) promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição; f) cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado; g) coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a partido político; h) manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil; i) recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado. 2)Proibições cuja infração acarreta a penalidade de suspensão (além da hipótese de reincidência nas infrações do grupo anterior): a) cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias; b) exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o horário de trabalho. 3)Proibições cuja infração acarreta a penalidade de demissão: a) receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVOAGENTES PÚBLICOS 56 razão de suas atribuições; b) aceitar comissão, emprego ou pensão de Estado estrangeiro; c)praticar usura sob qualquer de suas formas; d)proceder de forma desidiosa; e) utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares; f) participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário. Essa última proibição não se aplica nos casos de: (A) participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; (B) gozo de licença para o trato de interesses particulares, observada a legislação sobre conflito de interesses. 4) Proibições cuja infração acarreta a penalidade de demissão e, nos termos do art. 137, caput, incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura em cargo público federal, pelo prazo de cinco anos: a) valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública; b) atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro. 19. CONFLITO DE INTERESSES (LEI 12.813/2013) A Lei 12.813/2013 estabelece normas “sobre o conflito de interesses no exercício de cargo ou emprego do Poder Executivo federal e impedimentos posteriores ao exercício do cargo ou emprego”. Boa parte das disposições dessa lei tem como destinatários tão somente: (a) agentes políticos e autoridades da assim chamada “alta administração pública federal” (por exemplo. Ministros de Estado, ocupantes de cargos de natureza especial e presidentes, vice-presidentes e diretores, ou equivalentes, de entidades da administração indireta); e (b) servidores “ocupantes de cargos ou empregos cujo exercício proporcione acesso a informação privilegiada” (a lei define “informação privilegiada” como; “a que diz respeito a assuntos sigilosos ou aquela relevante ao processo de decisão no âmbito do Poder Executivo federal que tenha repercussão econômica ou financeira e que não seja de amplo conhecimento público”). 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 57 Só com isso já estaria abrangida uma grande quantidade de agentes públicos. Ocorre que, em seu art. 10, a Lei 12.813/2013 estatui que alguns de seus preceitos - Que sem dúvida estão entre os mais importantes que ela contém - “estendem-se a todos os agentes públicos no âmbito do Poder Executivo federal” (note-se que a norma é extremamente ampla; ela não se restringe aos servidores estatutários). São esses os preceitos que exporemos a seguir. O primeiro deles simplesmente determina que o ocupante de cargo ou emprego no Poder Executivo federal atue de modo a prevenir ou a impedir possível conflito de interesses e a resguardar informação privilegiada (art. 4. °, caput). Conflito de interesses é conceituado no inciso I do art. 3. °, como “a situação gerada pelo confronto entre interesses públicos e privados, que possa comprometer o interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública”. Além dessa definição genérica, a Lei 12.813/2013, nos incisos de seu art.5º. Também aplicável a todos os agentes públicos do Poder Executivo federal -, enumera diversas situações que configuram conflito de interesses no exercício de cargo ou emprego, a saber: I - Divulgar ou fazer uso de informação privilegiada, em proveito próprio ou de terceiros, obtida em razão das atividades exercidas; II - Exercer atividade que implique a prestação de serviços ou a manutenção de relação de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão do agente público ou de colegiado do qual este participe; III - exercer, direta ou indiretamente, atividade que em razão da sua natureza seja incompatível com as atribuições do cargo ou emprego, considerando-se como tal, inclusive, a atividade desenvolvida em áreas ou matérias correlatas; IV - Atuar, ainda que informalmente, como procurador, consultor, assessor ou intermediário de interesses privados nos órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; V - Praticar ato em benefício de interesse de pessoa jurídica de que participe o agente público, seu cônjuge, companheiro ou parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, e que possa ser por ele beneficiada ou influir em seus atos de gestão; VI - Receber presente de quem tenha interesse em decisão do agente público ou de colegiado do qual este participe fora dos limites e condições estabelecidas em regulamento; e VII - prestar serviços, ainda que eventuais, a empresa cuja atividade seja controlada, fiscalizada ou regulada pelo ente ao qual o agente público está vinculado. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 58 Todas essas condutas implicam conflito de interesses ainda que o agente público esteja em gozo de licença ou em período de afastamento. A ocorrência de conflito de interesses independe da existência de lesão ao patrimônio público, bem como do recebimento de qualquer vantagem ou ganho pelo agente público ou por terceiro (art. 4. °, § 2. °). Havendo dúvida sobre como prevenir ou impedir situações que configurem conflito de interesses, deverá ser consultada a Comissão de Ética Pública, no caso das autoridades da alta administração federal, ou, para os demais agentes públicos, a Controladoria-Geral da União (art. 4. “, § 1.R). O último dos preceitos que o art. 10 da Lei 12.813/2013 estendeu a todos no âmbito do Poder Executivo federal encontra-se no inciso I do seu art. 6. °, que alcança pessoas que não mais estão no exercício de cargo ou emprego público. Nos termos desse dispositivo, configura conflito de interesses após o exercício de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal; divulgar ou fazer uso, a qualquer tempo, de informação privilegiada obtida em razão das atividades exercidas. A norma se aplica, por exemplo, a alguém que tenha passado a condição de ex-servidor porque foi exonerado, de ofício ou a pedido, ou a situação de inativo em razão de aposentadoria. O agente público que praticar os atos que configuram conflito de interesses aqui descritos será enquadrado na Lei 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa). O ato por ele praticado será considerado “ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública”, nos termos do art. 11 da Lei 8.429/1992 - Isso se não caracterizar qualquer das condutas (mais graves) descritas nas artes. 9. ° ou 10 (os quais enumeram, respectivamente, os atos de improbidade administrativa que acarretam enriquecimento ilícito e os atos de improbidade administrativa que causam lesão ao erário). Sem prejuízo desse enquadramento e da imposição de outras sanções cabíveis, fica o agente púbico que se encontrar em situação de conflito de interesses sujeito a penalidade disciplinar de demissão, prevista no inciso III do art. 127 e no art. 132 da Lei 8.112/1990, ou medida equivalente. Aliás, a Lei 12.813/2013 faz questão de explicitar - em evidente excesso de precaução - que as suas disposições não afastam a aplicação da Lei 8.112/1990. 20. PENALIDADES As penalidades disciplinares aplicáveis no âmbito federal aos servidores públicos estão enumeradas no art. 127 da Lei 8.112/1990. São elas: a) advertência; b) suspensão; c) demissão; d) cassação de aposentadoria ou disponibilidade;52 18.1 Deveres ............................................................................................................................................... 52 18.2 Proibições ........................................................................................................................................... 54 19. CONFLITO DE INTERESSES (LEI 12.813/2013) .......................................................................................... 56 20. PENALIDADES ........................................................................................................................................... 58 21. PRESCRIÇÃO .............................................................................................................................................. 64 22. SINDICÂNCIA E PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR (PAD) ........................................................... 66 22.1 Sindicância .......................................................................................................................................... 67 23. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR .............................................................................................. 68 23.1 Instauração ......................................................................................................................................... 68 23.2 Afastamento Temporário ................................................................................................................... 69 23.3 Inquérito Administrativo .................................................................................................................... 69 23.4 Instrução ............................................................................................................................................. 69 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 4 23.5 Defesa ................................................................................................................................................. 71 23.6 Relatório ............................................................................................................................................. 72 23.7 Julgamento ......................................................................................................................................... 73 23.8 Rito Sumário (Acumulação, Abandono De Cargo, Inassiduidade Habitual) ....................................... 75 23.9 Revisão do PAD ................................................................................................................................... 77 QUESTÕES PROPOSTAS .................................................................................................................................. 80 Questões Comentadas ................................................................................................................................ 80 Outras Questões Propostas ........................................................................................................................ 83 Comentários ............................................................................................................................................... 88 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 5 DIREITO ADMINISTRATIVO: AGENTES PÚBLICOS Amigo(a)s concurseiro(a)s policiais, este resumo veicula os conhecimentos básicos acerca dos conceitos e classificações. Visando, também, a otimização do desempenho nas provas discursivas. As especificações legais dar-se-ão com o estudo da legislação disponibilizada. Vamos em frente! 1. AGENTES PÚBLICOS Considera-se agente público toda pessoa física que exerça, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função pública. Conforme se constata, a expressão “agente público” tem sentido amplo, englobando todos os indivíduos que, a qualquer título, exercem uma função pública, remunerada ou gratuita, permanente ou transitória, política ou meramente administrativa, como prepostos do Estado. O agente público é a pessoa natural mediante a qual o Estado se faz presente. O agente manifesta uma vontade que, afinal, é imputada ao próprio Estado. Agentes públicos são, portanto, todas as pessoas físicas que externam, por algum tipo de vínculo, a vontade do Estado, nas três esferas da Federação (União, estados. Distrito Federal e municípios), nos três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário). São agentes do Estado, desde as mais altas autoridades da República, como os Chefes do Executivo e os membros do Legislativo e do Judiciário, até os servidores públicos que exercem funções subalternas. A expressão “agente público” é utilizada em sentido amplo e genérico. Engloba, como vimos, todos aqueles que possuem atribuição de manifestar parcela da vontade do Estado, sendo a ele ligados por variados vínculos jurídicos. Dentre todos os integrantes do gênero “agentes públicos”, duas espécies são mais estudadas, no âmbito do direito administrativo, a saber: “servidor público” e “empregado público”. Outro conceito, não mais utilizado no direito administrativo, mas sim no direito penal, é o de “funcionário público”, conforme veremos adiante. Servidor público, em seu sentido estrito, e expressão utilizada para identificar aqueles agentes que mantêm relação funcional com o Estado em regime estatutário (legal). São titulares de cargos públicos, efetivos ou em comissão, sempre sujeitos a regime jurídico de direito público. A expressão empregado público designa os agentes públicos que, sob regime contratual trabalhista (celetista), mantém vínculo funcional permanente com a administração pública. São os ocupantes de empregos públicos, sujeitos, predominantemente, a regime jurídico de direito privado. A Constituição vigente abandonou a antes consagrada expressão funcionário público. Na seara do direito penal, todavia, ela ainda é empregada, abarcando todos os agentes que, embora transitoriamente ou sem remuneração, pratiquem crime contra a administração pública, no exercício de cargo, emprego ou função públicos (CP, art. 327). Como se vê, para fins penais, a abrangência do conceito de funcionário público 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 6 é a mais ampla possível, correspondendo a da expressão “agente público”, consagrada no âmbito do direito administrativo. O agente público, pessoa natural, não deve ser confundido com a figura do órgão público, centro de competências despersonalizado. O agente desempenha as suas atribuições num determinado órgão, ocupando um cargo público, ou mesmo exercendo uma função pública não vinculada a um cargo. O agente exerce as competências do órgão e a sua atuação é imputada à pessoa jurídica cuja estrutura o órgão integra. Agente e órgão são figuras distintas, tanto assim que o eventual desaparecimento daquele (por falecimento, exoneração, aposentadoria, dentre outras hipóteses), nenhuma interferência terá na existência do órgão - tampouco na do cargo que ele ocupava. 2. CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS Agentes Públicos de Fato x Agentes Públicos de Direito ▪ Agentes Públicos de Direito – É aquele que exerce a função pública com vínculo formal, jurídico, válido com o Estado. Há investidura regular nos cargos, empregos e funções públicas. ▪ Agentes Públicos de Fato – É aquele que exerce a função pública sem vínculo jurídico, formal, válido estabelecido com o Estado, buscando atender o interesse público. Inexiste investidura prévia em cargo, emprego ou função pública. OBS - Agente público de fato não se confunde com Usurpadore) destituição de cargo em comissão; f) destituição de função comissionada. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 59 Previamente a aplicação de qualquer penalidade deve ser sempre, sem exceção, assegurados ao servidor o contraditório e a ampla defesa (CF, art. 5. °, LV). A doutrina administrativista, tradicionalmente, aponta como característica do poder disciplinar a discricionariedade. E o art. 128 da Lei 8.112/1990 determina que, na aplicação das penalidades nessa lei previstas (sem ressalvar qualquer delas), a autoridade competente leve em consideração: (a) a natureza e a gravidade da infração cometida; (b) os danos que decorreram da infração para o serviço público; (c) as circunstâncias agravantes ou atenuantes; e (d) os antecedentes funcionais do infrator. É relevante enfatizar que, embora a Lei 8.112/1990 atribua alguma discricionariedade a gradação da sanção disciplinar a ser aplicada - conforme o juízo administrativo de valoração que seja feito, no caso concreto, acerca da gravidade da infração, da magnitude dos danos dela oriundos, dos antecedentes do agente infrator etc.-, nenhuma liberdade existe quanto ao dever de punir o servidor, quando provado que ele incorreu em falta funcional. Por outras palavras, se a administração constata que um servidor público federal praticou uma infração disciplinar, ela é obrigada a lhe aplicar alguma das sanções previstas no art. 127 da Lei 8.112/1990, observados os critérios nessa lei estabelecidos; não há discricionariedade quanto a punir ou deixar de punir quem, comprovadamente, tenha praticado uma infração administrativa. Estatui o art. 129 da Lei 8.112/1990 que a penalidade de advertência é aplicada por escrito na hipótese de violação das proibições enumeradas no primeiro grupo dá sistematização que fizemos no tópico precedente e no caso de inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamento ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave. A penalidade de advertência terá seu registro nos assentamentos funcionais do servidor cancelado após o decurso de três anos de efetivo exercício, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar. A suspensão é aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão. O prazo máximo de suspensão é de 90 dias (art. 130). O servidor, evidentemente, não recebe remuneração durante o período de suspensão, e o tempo de suspensão não é computado como tempo de serviço para qualquer efeito. A Lei 8.112/1990 estabelece, ainda, uma hipótese específica de aplicação de suspensão por até 15 dias para o servidor que, injustificadamente, recusar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando os efeitos da inspeção uma vez cumprida a determinação (art. 130, § l.°). Existe a possibilidade - e aqui se trata de decisão francamente discricionária - de a administração, quando houver conveniência para o serviço, converter a penalidade de suspensão em multa (art. 130, § 2. °). Essa multa será de 50% por dia de vencimento ou remuneração, ou seja, o servidor receberá somente 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 60 metade de sua remuneração diária durante os dias em que deveria estar suspenso, ficando obrigado a permanecer em serviço. Deve-se tomar cuidado para não se afirmar que a multa seja uma penalidade disciplinar autônoma. Não existe aplicação direta de multa por infração disciplinar cometida por servidor. A penalidade aplicada é de suspensão, por até 90 dias. Após a aplicação da suspensão e que poderá a suspensão ser convertida em multa, nos termos acima explicados, mas a multa, repita-se, não é uma penalidade disciplinar autônoma ou independente (pois resulta sempre da conversão da penalidade de suspensão, esta sim autônoma). A penalidade de suspensão terá seu registro nos assentamentos funcionais do servidor cancelado após o decurso de cinco anos de efetivo exercício, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar. O cancelamento dos registros das penalidades de advertência ou de suspensão não tem efeitos retroativos (art. 131, parágrafo único). A ausência de efeitos retroativos impede, por exemplo, que o servidor, depois do cancelamento, pretenda receber a remuneração que deixou de receber porque estava suspenso. Ou, por exemplo, que ele pleiteie uma promoção por merecimento retroativa, porque, na época, não obteve essa promoção em razão de sua advertência. Quanto a demissão, está no art. 132 da Lei 8.112/1990 a lista de infrações que ensejam a imposição dessa penalidade. Como esse dispositivo legal estatui que a demissão será aplicada nos casos nele enumerados, é muito comum – principalmente no seio da própria administração pública, ou em questões de concursos públicos - nos depararmos com a afirmação de que o ato de demissão e vinculado, vale dizer, muito frequentemente se considera que, uma vez caracterizada alguma das infrações descritas no art. 132 da Lei 8.112/1990, a aplicação da demissão e obrigatória, sem qualquer possibilidade de atenuação por parte da autoridade julgadora. É fácil constatar que a observância dessa orientação implica tornar completamente inútil o art. 128 da Lei 8.112/1990 toda vez que, no caso concreto, restar tipificada uma das infrações arroladas no art. 132 da mesma lei. Vale lembrar que o referido art. 128 determina que “na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais”. Pois bem, duas ressalvas devem ainda ser apontadas. A primeira e que, indiscutivelmente, alguns dos incisos do art. 132 contém conceitos jurídicos indeterminados na descrição da respectiva infração, o que possibilita, dependendo do caso concreto, a existência de algum grau de discricionariedade, hipótese em que terá aplicação, embora um tanto limitada, o disposto no art. 128 da Lei 8.112/1990. A segunda ressalva - extremamente importante - e que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entende essa Corte Superior que o art. 128 da Lei 8.112/1990 “reflete, no plano legal, os princípios da individualização da pena, da proporcionalidade e da razoabilidade”. Dessa forma, o STJ considera ilegal a orientação administrativa que pretenda afastar por completo a aplicação do art. 128 da Lei 8.112/1990 nos casos em que fique caracterizada a ocorrência de infração disciplinar descrita no seu art. 132, “porque, para efeito de cumprimento de tal orientação, pouco 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 61 importara o ilícito, o dano ao erário, a culpabilidade do servidor público, seus antecedentes funcionais, os agravantes e as atenuantes, tendo em vista que a demissão se apresentara obrigatória”. Merece transcrição o trecho abaixo, extraído da ementa de um dos julgados em que o STJ firmou a posição ora em apreço: “São ilegais os Pareceres GQ-177 e GQ-183, da Advocacia Geral da União, segundo os quais, caracterizada uma das infrações disciplinares previstas no art. 132 da Lei 8.112/90, se torna compulsória a aplicação da pena de demissão, porquanto contrariam o disposto no art. 128 da Lei 8.112/90, que reflete, no plano legal, os princípios da individualização da pena, da proporcionalidade e da razoabilidade”. Expostos esses pontos, cumpre transcrever o art. 132 da Lei 8.112/1990: Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos: I - Crime contra a administração pública; II - Abandono de cargo; III -inassiduidade habitual; IV - Improbidade administrativa; V - Incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; VI - Insubordinação grave em serviço; VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de outrem; VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos; IX - Revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo; X - Lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional; XI - corrupção; XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas; XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117. NA JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS SUPERIORES: É inconstitucional — por criar sanção de caráter perpétuo — norma que, sem estipular prazo para o término da proibição, impede militares estaduais afastados pela prática de falta grave de prestarem concurso público para provimento de cargo, emprego ou função na Administração Pública direta ou indireta local. STF. Plenário. ADI 2.893/PE, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 17/06/2024 O art. 132, V, da Lei nº 8.112/90 prevê que: Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos: (...) V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; A “incontinência pública” não se confunde com “conduta escandalosa, na repartição”. A incontinência pública é comportamento de natureza grave, tido como indecente, que ocorre de forma habitual, ostensiva e em público. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 62 A conduta escandalosa, por sua vez, pode ocorrer de forma pública ou às ocultas, reservadamente, sendo que, em momento posterior, chega ao conhecimento da Administração. A conduta escandalosa possui natureza autônoma, ostentando, via de consequência, requisitos próprios. Nesse contexto, a conduta praticada pelo ex-servidor - que “filmava, por meio de câmera escondida, alunas, servidoras e funcionárias terceirizadas”, caracteriza conduta escandalosa, prevista no art. 132, V, parte final, da Lei nº 8.112/90, o que atrai a pena de demissão do servidor público. STJ. 1ª Turma. REsp 2006738-PE, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14/2/2023. É possível a acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal ultrapasse 60h: A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se sujeita ao limite de 60 horas semanais previsto em norma infraconstitucional, pois inexiste tal requisito na Constituição Federal. O único requisito estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no exercício das funções, cujo cumprimento deverá ser aferido pela administração pública. STF. Plenário. ARE 1246685, Rel. Min. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/03/2020. (Tema 1081 Repercussão Geral) STJ. 1ª Seção. REsp 1767955/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 27/03/2019 (Info 646). É interessante comentar que a Lei 8.112/1990 estabelece como causa de demissão a prática de “improbidade administrativa”, sem que o legislador tenha se preocupado em estabelecer qualquer definição ou exemplificação de condutas, comissivas e omissivas, que devam ser assim consideradas. E a Lei 8.112/1990 e anterior a Lei 8.429/1992 - Lei de caráter nacional que, regulamentando o § 4. ° do art. 37 da Constituição, tipifica e sanciona os “atos de improbidade administrativa”. Conforme a jurisprudência do STF e do STJ, a penalidade disciplinar de demissão por improbidade administrativa, fundada no inciso IV do art. 132 da Lei 8.112/1990, pode ser aplicada pela administração pública, como resultado de um processo administrativo disciplinar (PAD) em que tenha sido assegurada a ampla defesa ao servidor, independentemente da eventual existência de uma ação civil de improbidade administrativa ajuizada com base na Lei 8.429/1992, ainda que motivada pelos mesmos fatos apurados no PAD. Aliás, a Lei 8.429/1992 explicitamente assevera que as penalidades nela cominadas são aplicadas independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica (art. 12). Frise-se que a administração pública não aplica nenhuma das sanções que a Lei 8.429/1992 comina para a prática dos atos de improbidade administrativa nela delineados. A imposição de tais penalidades - entre as quais se incluem a perda da função pública - é competência exclusiva do Poder Judiciário. Mas a 51944 51944 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d18c255f89434eab3211813c0e765c6b?categoria=2&subcategoria=22&assunto=90 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 63 administração, para caracterizar, no âmbito de um PAD, a ocorrência de infração disciplinar que configure improbidade administrativa, pode valer-se das descrições de atos de improbidade vazadas na Lei 8.429/1992. Pode, também, afirmar a ocorrência de improbidade administrativa, no âmbito de um PAD, sem fazer qualquer referência aos atos de improbidade listados na Lei 8.429/1992. E, em qualquer caso, se a administração federal impuser a um servidor a penalidade de demissão por improbidade administrativa - o que só poderá ocorrer como resultado de um PAD -, aplicará o art. 132, IV, da Lei 8.112/1990, e não a Lei 8.429/1992. Vale abrir um parêntese para registrar que, além de dispor sobre os atos de improbidade administrativa e as sanções aplicáveis a quem os perpetra, a Lei 8.429/1992 - Em um dispositivo relativamente apartado dos demais (art. 13) – instituiu para os agentes públicos em geral, como condição para a posse e o exercício, a obrigação de apresentarem declaração dos bens e valores que compõem o seu patrimônio. A declaração deverá ser atualizada anualmente - e na data em que o agente deixar o cargo (ou emprego ou função). Se ele se recusar, ou prestar declaração falsa, “será punido com a pena de demissão” (art. 13, § 3. °). Essa conduta do agente não está - pelo menos não explicitamente - arrolada entre os atos de improbidade administrativa descritos nas listas próprias da Lei 8.429/1992 (arts. 9. °, 10, 10-A e 11) A demissão decorrente não é aplicada por meio de uma ação judicial de improbidade administrativa, e sim mediante um PAD. Fecha-se o parêntese. Configuradas as hipóteses dos incisos IV, VIII, X e XI, a demissão (bem como a destituição de cargo em comissão) implica a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação penal cabível (art. 136). Está expresso no tópico concernente às proibições, que, nos termos do caput do 137 da Lei 8.112/1990, as hipóteses previstas nos incisos IX e XI do seu art 117. - “valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública” e “atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro” – acarretam a demissão do servidor e impedem nova investidura em cargo público federal, pelo prazo de cinco anos. Já o parágrafo único do aludido art. 137 contém uma norma que, indisfarçavelmente, consubstancia penalidade de caráter perpétuo, o que é vedado pelo art. 5. °, inciso XLVII, alínea “b”, da Constituição da República. Deveras, nos literais termos do parágrafo único do art. 137 da Lei 8.112/1990, “não poderá retornar ao serviço público federal o servidor que for demitido ou destituído do cargo em comissão por infringência do art. 132, incisos I, IV, VIII, X e XI”. Esse preceito flagrantemente inconstitucional vigeu, incólume, por três décadas, até que, finalmente, em decisão muito importante, nossa Corte Suprema declarou a sua invalidade. Vale destacar: o Supremo Tribunal Federal, apreciando a ADI 2.975/DF, “julgou procedente o pedido formulado na ação direta para declarar a inconstitucionalidade do parágrafo únicodo artigo 137 da Lei 8.112/1990 e determinou a comunicação do teor desta decisão ao Congresso Nacional, para que delibere, 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 64 se assim entender pertinente, sobre o prazo de proibição de retorno ao serviço público nas hipóteses do art. 132, I, IV, VIII, X e XI, da Lei 8.112/1990”. ≫*’ O abandono de cargo (inciso II) é configurado com a ausência intencional do servidor ao serviço por mais de trinta dias consecutivos (art. 138). Caracteriza inassiduidade habitual (inciso III) a falta ao serviço, sem causa justificada, por sessenta dias, interpoladamente, durante o período de doze meses (art. 139). As proibições cuja violação acarreta demissão, correspondentes aos incisos IX ao XVI do art. 117, foram enumeradas nos terceiro e quarto grupos da sistematização que fizemos anteriormente, no tópico relativo às proibições. A cassação de aposentadoria e a cassação de disponibilidade são penalidades disciplinares que devem ser aplicadas ao inativo que tenha praticado, quando estava na atividade, uma infração punível com a demissão (art. 134). Cabe registrar que o Supremo Tribunal Federal, em diversas oportunidades, confirmou a constitucionalidade da sanção disciplinar de cassação de aposentadoria, a despeito da inexistência de previsão da referida penalidade no Texto Magno, e não obstante o caráter contributivo que esse benefício previdenciário dos servidores públicos atualmente reveste, refutando, ainda, a alegação de ofensa ao ato jurídico perfeito. A destituição de cargo em comissão e sanção disciplinar que deve ser aplicada, quando se tratar de servidor que não seja titular de cargo efetivo, nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão (art. 135). A Lei 8.112/1990 nada dispõe acerca da destituição de cargo em comissão do servidor que seja, também, titular de cargo efetivo, tampouco acerca da penalidade de “destituição de função comissionada” (art. 127, VI). 21. PRESCRIÇÃO A prescrição da ação disciplinar ocorre, a partir da data em que o fato se tornou conhecido, em (art. 142): a) 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão; b) 2 (dois) anos, quanto a suspensão; c) 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência. Se a infração disciplinar for, também, tipificada pela lei penal como crime ou contravenção, o prazo prescricional será o da lei penal, não se aplicando os da Lei 8.112/1990 (art. 142, § 2. °). Com a prescrição da ação disciplinar, a administração não mais poderá aplicar ao servidor a correspondente penalidade. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 65 O § 3. ° do art. 142 da Lei 8.112/1990 estatui que “a abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade competente”. Com a interrupção do prazo prescricional desconsidera-se todo o período já transcorrido até a data da interrupção, isto é, quando cessar a causa de interrupção - Se isso acontecer -, haverá uma nova contagem daquele prazo prescricional por inteiro, reiniciada a partir do zero. O § 4. ° do art. 142 da Lei 8.112/1990, com uma redação aparentemente inócua, afirma que, “interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em que cessar a interrupção”. A partir da interpretação conjunta desses dois dispositivos (§§ 3. ° e 4. ° do art. 142), o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que a prescrição interrompida pela instauração de processo administrativo disciplinar (PAD) recomeça a fluir, por inteiro, imediatamente depois do término do prazo que a lei estabelece para que seja proferida a decisão no processo - caso ela não o seja dentro desse prazo, evidentemente. Assim, esgotado o prazo legal para que seja exarada a decisão no processo disciplinar, e não sendo essa decisão proferida, é reiniciada, na íntegra, a contagem do prazo de prescrição da punição. São exemplos de julgados em que o STF adotou essa orientação o MS 23.299/SP, rei. Min. Sepúlveda Pertence, de 06.03.2002, e o RMS 23.436/DF, rei. Min. Marco Aurelio, de 24.08.1999. Deste último, transcrevemos a ementa: ``A interrupção prevista no § 3. ° do artigo 142 da Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, cessa uma vez ultrapassado o período de 140 dias alusivo à conclusão do processo disciplinar e a imposição de pena - artigos 152 e 167 da referida Lei - voltando a ter curso, na integralidade, o prazo prescricional. ´´ Abrimos um parêntese para observar que, na visão da nossa Corte Suprema, o prazo de 60 dias, prorrogável por mais 60, estabelecido na Lei 8.112/1990 para a “conclusão do processo disciplinar” (art. 152) não inclui o prazo de 20 dias assinalado para a autoridade julgadora proferir a sua decisão (art. 167) - ou seja, o STF considera que a fase de julgamento acontece depois da “conclusão do processo disciplinar”. Por essa razão, consagrou-se na sua jurisprudência a orientação de que o prazo de prescrição interrompido pela instauração do processo disciplinar tem a sua contagem reiniciada ao término do “prazo legal de 140 dias” (120 dias para a “conclusão do processo disciplinar”, acrescidos de 20 dias para a prolação da decisão pela autoridade julgadora). Parte da doutrina indica que esse entendimento destoa do texto da Lei 8.112/1990, especialmente das suas artes. 151 e 152. Contudo, vale repetir, e está a orientação existente no âmbito do Supremo Tribunal Federal: a instauração do PAD federal interrompe a prescrição, a qual recomeça a fluir, por inteiro, depois de transcorrido o prazo de 140 dias, contado da referida instauração. Fecha-se o parêntese. O art. 170 da Lei 8.112/1990 preceitua, literalmente: Art. 170. Extinta a punibilidade pela prescrição, a autoridade julgadora determinará o registro do fato nos assentamentos individuais do servidor. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 66 Portanto, segundo a norma vazada nesse artigo, uma vez extinta pela prescrição a possibilidade de ser aplicada sanção disciplinar ao servidor, deveria a administração pública anotar nos assentamentos individuais dele algo nesta linha; “na data XXX, a autoridade XX tomou conhecimento dos fatos XX, passíveis, em tese, de ser enquadrados como a infração disciplinar prevista no art. XX, inciso XX, da Lei 8.112/1990, e instaurou o PAD destinado à respectiva apuração. Na fase de inquérito administrativo, reuniram-se indícios que levaram a imputar ao servidor XX a prática da referida infração. Finalizado o inquérito, foi encaminhado a autoridade julgadora o processo, contendo o relatório elaborado pela comissão, que concluiu pela responsabilização do servidor. “A autoridade julgadora, porém, constatou a ocorrência da prescrição e, por essa razão, extinguiu o processo, sem aplicação de penalidade disciplinar ao servidor XX”. Pois bem, não há dúvida de que uma anotação como essa teria potencial para acarretar prejuízos muito significativos à carreira do servidor, sem que tenha efetivamente havido deliberação acerca da sua culpa. Reconhecendo essa aberração, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 170 da Lei 8.112/1990, sob o fundamento principal de que ele afronta o princípio da presunção da inocência, insculpido no inciso LVII do art. 5. ° da Carta da República.” 22. SINDICÂNCIA E PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR (PAD) No âmbito da administração no pública federal, os instrumentos de apuração da responsabilidade dos servidores públicos por infrações praticadas no exercício de suas atribuições, ou que tenham relação com as atribuições do seu cargo,são a sindicância e o processo administrativo disciplinar (PAD), regulados nos art. 143 a 182 da Lei 8.112/1990. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua imediata apuração, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar (art. 143). As denúncias sobre irregularidades - desde que contenham a identificação e o endereço do denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada a autenticidade -serão objeto de apuração (art. 144). Entretanto, se o fato descrito na denúncia não configurar evidente infração disciplinar ou ilícito penal, a denúncia será arquivada, por falta de objeto (art. 144, parágrafo único). O PAD é o meio legal utilizado pela administração para a aplicação de penalidade por infrações graves cometidas por seus servidores. A instauração de PAD será sempre necessária para a aplicação das penalidades de suspensão por mais de trinta dias, de demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão (art. 146). Para as demais penalidades - ou seja, para aplicação da advertência e da suspensão por até 30 dias - basta a sindicância. Não é demais lembrar que em qualquer caso de aplicação de penalidade devem ser assegurados, sem exceção alguma, o contraditório e a ampla defesa prévios (CF, art. 5. °, LV). 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 67 22.1 Sindicância A sindicância é um meio mais célere de apurar irregularidades praticadas pelos servidores. Da conclusão de uma sindicância pode resultar uma das seguintes hipóteses (art. 145): a) arquivamento do processo; b) aplicação das penalidades de advertência ou de suspensão por até trinta dias; ou c) instauração de PAD, se for verificado tratar-se de caso que enseje aplicação de penalidade mais grave. Na hipótese de a sindicância concluir pela necessidade de instauração de PAD, os autos da sindicância integrarão o processo disciplinar, como peça informativa da instrução (art. 154). O prazo para conclusão da sindicância não excederá trinta dias, podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior (art. 145, parágrafo único). Em alguns casos, a sindicância, pelo menos até determinado momento, constitui um procedimento meramente investigatório, sem a formalização de acusação a qualquer servidor. Nessa situação, não se cogita observância de contraditório e ampla defesa. Por outras palavras, enquanto a sindicância tem caráter meramente investigativo (inquisitório), sem que exista acusação formal a um servidor, ou alguma imputação que possa ser contraditada, não cabe exigir contraditório e ampla defesa no procedimento. Diferentemente, sempre que a administração pretender aplicar ao servidor uma penalidade disciplinar com base apenas em procedimento de sindicância – situação que pode ocorrer quando a penalidade a ser aplicada for a advertência ou a suspensão por até trinta dias -, deverá, obrigatoriamente, assegurar ao servidor o contraditório e a ampla defesa prévios. Nessa hipótese, a sindicância não possui caráter meramente inquisitório, isto é, deixa de possuir natureza de simples procedimento de investigação e passa a configurar um verdadeiro (embora simplificado) processo administrativo sancionatório, sujeito, portanto, a impreterível observância de contraditório e ampla defesa. Convém anotar, por último, que a sindicância não é etapa do PAD, nem deve, necessariamente, precedê-lo, vale dizer, pode-se iniciar a apuração de determinada infração - qualquer uma - diretamente pela instauração de um PAD. Vale repetir, entretanto, que, se for aberta uma sindicância e os fatos nela apurados ensejarem aplicação de penalidade mais grave do que suspensão de até trinta dias, os autos da sindicância integrarão o processo disciplinar, como peça informativa da instrução. Nesses casos, embora não integre o PAD como uma etapa do respectivo procedimento, a sindicância previamente a ele realizada terá configurado uma medida preparatória (mas não necessária) a instauração do processo disciplinar. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 68 23. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 23.1 Instauração Dá-se a instauração do processo administrativo disciplinar (PAD) pela publicação da portaria de designação da comissão encarregada de proceder aos trabalhos de investigação e apresentar um relatório final conclusivo sobre a procedência ou não das acusações levantadas, o qual será acatado pela autoridade julgadora, salvo se contrário às provas dos autos. A comissão investigadora será composta de três servidores estáveis designados pela autoridade competente. Esta indicará, dentre os três, o presidente da comissão, o qual deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do acusado (art. 149). Consoante a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nada impede que, para a composição da comissão, sejam designados servidores lotados em unidades da Federação diversas daquela em que atua o servidor investigado, uma vez que a Lei 8.112/1990 não faz restrição quanto a lotação dos membros da comissão. O servidor que estiver respondendo a um PAD só poderá ser exonerado a pedido ou aposentado voluntariamente após a conclusão do processo e, se for aplicada penalidade (que não seja de demissão, obviamente), depois do cumprimento desta (art. 172). O prazo para a conclusão do PAD não excederá sessenta dias, contados da data de publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por igual prazo, a critério da autoridade instauradora, quando as circunstâncias o exigirem (art. 152). Conforme anteriormente mencionado, o Supremo Tribunal Federal entende que esse prazo de sessenta dias, prorrogáveis por mais sessenta, “para a conclusão do processo disciplinar” não inclui o prazo de vinte dias estipulado para a autoridade julgadora proferir a sua decisão (art. 167), ou seja, o STF considera que a fase de julgamento acontece depois da conclusão do processo disciplinar”. Como resultado dessa orientação, nossa Corte Suprema entende que o prazo total legalmente estabelecido para que seja proferida a decisão final no PAD federal e de 140 dias, contados da respectiva instauração.”’ A nosso ver, esse entendimento discrepa do texto da Lei 8.112/1990, especialmente do seu art. 151 - segundo o qual o processo disciplinar se desenvolve nas fases de instauração, inquérito administrativo e julgamento - e do seu art. 152 - que afirma ser de sessenta dias, prorrogáveis por mais sessenta, o prazo “para a conclusão do processo disciplinar”. Contudo, e a orientação existente no âmbito do nosso Pretório Excelso. Por fim, deve-se frisar que, em razão da regra geral de que as esferas de responsabilização administrativa, cível e penal são autônomas, a administração pública não depende da propositura de qualquer ação judicial para estar apta, ela própria, a instaurar o processo administrativo disciplinar (PAD) destinado a apurar os fatos imputados a determinado servidor seu - ainda que esses fatos possam, em tese, também configurar crime. Além disso, por si só, o ajuizamento de ação penal (ou cível), antes ou depois do 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 69 PAD, não influencia o andamento dele - o PAD pode encerrar-se e, com base em suas conclusões, ser aplicada ao servidor, por exemplo, a penalidade de demissão, mesmo que exista ação criminal em tramitação para apuração da sua responsabilidade pelo mesmo fato. Enfim, o PAD não depende de qualquer ação judicial para poder ser instaurado, nem tem o seu andamento suspenso, ou afetado, pelo curso simultâneo de ação judicialrelativa aos mesmos fatos (a menos que seja expedido algum provimento judicial explícito determinando, não importa sob qual fundamento, a não instauração de PAD, ou a sua paralisação, se já instaurado). Claro que, na hipótese de, terminado o PAD e aplicada a sanção disciplinar que nele tiver sido considerada cabível, sobrevir sentença penal que, em razão de seus fundamentos, interfira na esfera administrativa de responsabilização - por exemplo, uma sentença penal absolutória fundada na inexistência do fato imputado ao servidor, poderá mostrar-se necessário, conforme o caso, desconstituir a decisão firmada no PAD, a fim de que se observe o que ficou definitivamente estabelecido na órbita penal. 23.2 Afastamento Temporário A faculdade de afastar temporariamente o servidor investigado está prevista no art. 147 da Lei 8.112/1990 e conferida a administração a fim de que se evite que o servidor interfira no andamento do processo, prejudicando esse andamento. O afastamento, se for decretado, será pela autoridade instauradora do processo e será determinado juntamente com a instauração. Devemos notar que não se trata de penalidade e sim de medida de precaução (medida cautelar) da administração, para garantir a lisura do processo. O servidor, nessa fase, ainda é apenas um acusado e, como não pode estar sujeito ainda a penalidade, o afastamento é feito sem prejuízo da remuneração do servidor. Se, após as investigações iniciais, verificar-se que o processo deve ser arquivado - não deve ser levado adiante -, o servidor retornará a suas regulares funções como se nada tivesse ocorrido. O período máximo de afastamento e peremptório: o servidor pode ser afastado pelo prazo de até sessenta dias, prorrogável por igual período, findo o qual cessarão os seus efeitos, ainda que não concluído o processo (art. 147, parágrafo único). 23.3 Inquérito Administrativo A fase de inquérito compõe-se de três subfases: instrução, defesa e relatório. 23.4 Instrução A instrução é a principal fase investigatória do PAD. É durante a instrução que a comissão procurará levantar o maior número possível de fatos, evidências, depoimentos, enfim, todos os elementos capazes de confirmar ou refutar as acusações que pesam sobre o servidor. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 70 Caso tenha havido uma sindicância prévia à instauração do PAD, os autos dela o integrarão como peça informativa. Significa isso que a conclusão a que tenha chegado a sindicância não vincula a comissão, podendo esta, fundamentadamente, chegar a conclusão diferente. Apesar disso, caso o relatório da sindicância tenha concluído que a infração está capitulada como ilícito penal, cópia de seus autos deverá ser encaminhada ao Ministério Público, para que este instaure processo criminal contra o servidor, independentemente da imediata instauração do processo disciplinar. Durante a instrução, a comissão realizará diligências, tomará depoimentos, fará acareações e investigações em geral, visando a coleta de provas. Se necessário, serão solicitados laudos a técnicos e peritos, de modo a permitir a completa elucidação dos fatos (art. 155). O pedido de perícia, entretanto, somente será deferido, pelo presidente da comissão, se o fato a ser provado depender de conhecimento técnico especializado (art. 156, § 2. °). É assegurado ao servidor o direito de acompanhar o processo pessoalmente ou por intermédio de procurador (art. 156, caput). Não é obrigatório o acompanhamento do processo por advogado; trata-se de mera faculdade do servidor. O Supremo Tribunal Federal excitou esse entendimento por meio da Súmula Vinculante 5, abaixo transcrita: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição. Durante a coleta de provas, e como parte dela, a comissão poderá ouvir testemunhas arroladas pelo acusado, por ela própria ou por terceiros (princípio da verdade material). As testemunhas não podem levar seu depoimento por escrito. Este deverá ser prestado oralmente e reduzido a termo (passado a escrito). As testemunhas serão ouvidas separadamente e, havendo contradição entre os depoimentos, será feita acareação - ou seja, as testemunhas cujos depoimentos conflitaram serão novamente ouvidas, postas frente a frente, cara a cara (daí “acareação”), para que se procure identificar qual delas diz a verdade. O Supremo Tribunal Federal admite o uso da assim chamada “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar. Isso significa que provas obtidas em outros processos podem ser trazidas ao PAD e nele empregadas, seja contra o servidor, seja em seu favor. A prova utilizada por empréstimo no PAD pode ter sido produzida em processos de qualquer natureza, inclusive criminal - e mesmo em processos que não tenham por alvo o servidor investigado no PAD. Apenas é necessário, evidentemente, que a prova a ser emprestada tenha sido, desde a sua origem, obtida licitamente. A esse respeito, e bastante esclarecedor este trecho, extraído de decisão proferida pelo Plenário de nossa Corte Constitucional: Dados obtidos em interceptação de comunicações telefônicas, judicialmente autorizadas para produção de prova em investigação criminal ou em instrução processual penal, bem como documentos colhidos na mesma investigação, podem ser usados em procedimento administrativo disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais foram colhidos, ou contra outros servidores cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita dessas provas. Após a coleta de provas e a inquirição das testemunhas, será ouvido o acusado (até aqui, o servidor ainda é apenas acusado). As mesmas regras pertinentes às testemunhas valem para o depoimento do 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 71 acusado, inclusive quanto a inquirição separada e a acareação em caso de contradição, se houver mais de um acusado. Concluídos todos esses procedimentos, a comissão, de posse de uma série de elementos de prova, decidirá, com base nesses elementos, se o servidor deverá ou não ser indiciado. Se a comissão entender que não há provas, ou que os fatos não caracterizam infração, o processo será arquivado. Se, diferentemente, a comissão entender que há tipificação de infração disciplinar, formulada a indiciação do servidor (este, agora, passa de mero acusado a indiciado). Da indiciação constarão os fatos imputados ao indiciado e as provas produzidas. A partir do indiciamento, deverá ser providenciada a citação do indiciado, que é o chamamento formal do servidor ao processo para que ele, em vista de todos os elementos constantes do processo, apresente sua defesa escrita. Aqui cabe uma observação interessante. Vemos que no PAD ocorre uma inversão da ordem dos procedimentos se o compararmos ao processo judicial cível ordinário. Neste, logo após o ajuizamento da inicial pelo autor, o réu é citado para apresentar sua defesa escrita (contestação) e indicar as provas que possui e as que pretende produzir. Só então, no processo judicial, tem início a instrução. No PAD, como acabamos de ver, a instrução precede a citação e a defesa escrita (que, aqui, não recebe o nome de contestação). O indiciado foi citado por mandado expedido pelo presidente da comissão para apresentar defesa escrita, sendo assegurada a ele vista do processo na repartição. Se houver só um indiciado, o prazo para apresentação da defesa e de dez dias, contados da data de aposição da ciência na cópia da citação a ele entregue, ou, caso ele se recuse a assinar, contados da data declarada, em termo próprio, pelo membro da comissão que fez a citação, com a assinatura de duas testemunhas. Se houver mais de um indiciado (não importa quantos), o prazo será comum para todos, de vinte dias, contadoda data de ciência do último citado. O prazo para apresentação da defesa pode ser prorrogado pelo dobro, pelo presidente da comissão, caso sejam indispensáveis diligências para a preparação da defesa. Caso o indiciado se encontre em local desconhecido, a citação será feita por edital publicado no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação na localidade do último domicílio conhecido do servidor. Nessa hipótese, o prazo para a defesa será de quinze dias, contados da data da última publicação do edital. A citação encerra a fase de instrução. A próxima é a fase de defesa. 23.5 Defesa Já foi observado que, em comparação com o processo judicial civil ordinário, no PAD ocorre uma inversão na ordem dos procedimentos, tendo lugar a defesa depois da instrução. Outra diferença muito importante - decorrente do princípio da verdade material- é que, no processo civil, caso o réu, tendo sido citado, não apresente contestação no prazo legal, será declarada a sua revelia, cujos efeitos, no processo civil, são nefastos para o réu: todas as alegações de fato contra ele aduzidas na 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 72 inicial serão, em princípio, consideradas verdadeiras, ou seja, à revelia equivale a uma confissão do réu no processo civil - porque neste vigora o princípio da verdade formal. No PAD, caso o indiciado não apresente sua defesa escrita no prazo estipulado, será também declarada sua revelia, mas os efeitos desta, em decorrência do princípio da verdade material, são completamente diversos. No PAD à revelia não faz surgir presunção legal alguma contra o servidor, vale dizer, o ônus probatório continua sendo da administração. Além disso, para defender o indiciado revel, a autoridade instauradora do processo designará um servidor como defensor dativo, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. Portanto, sempre existirá uma defesa escrita no PAD, mesmo que não seja feita pelo próprio indiciado ou seu procurador. Ademais, à revelia não possui efeito de confissão de coisa alguma. Apreciada a defesa pela comissão, passa-se a última fase do inquérito administrativo: a elaboração do relatório. 23.6 Relatório A fase de elaboração do relatório está resumida no art. 165 da Lei 8.112/1990. Deverá constar do relatório um resumo das peças principais dos autos e deverão ser mencionadas as provas em que a comissão se baseou para formar a sua convicção. A principal característica do relatório é que ele deverá sempre ser conclusivo, ou seja, sempre a comissão terá que manifestar sua opinião quanto à inocência ou a responsabilidade do servidor. Caso o relatório conclua pela responsabilidade do servidor, deverão ser indicados os dispositivos legais ou regulamentares transgredidos, bem como as circunstâncias agravantes ou atenuantes. Terminada a fase de elaboração do relatório, encerram-se os trabalhos da comissão. O processo disciplinar, com o relatório conclusivo, será então remetido à autoridade que determinou a sua instauração, para julgamento. A falta de intimação do servidor público, após a apresentação do relatório final pela comissão processante, em processo administrativo disciplinar, não configura ofensa às garantias do contraditório e da ampla defesa, ante a ausência de previsão legal. Em processo administrativo disciplinar, apenas se declara a nulidade de um ato processual quando houver efetiva demonstração de prejuízo à defesa, por força da aplicação do princípio pas de nullité sans grief, não havendo efetiva comprovação, pelo Impetrante, de prejuízos por ele suportados. STJ. 1ª Seção.MS 22.750-DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 9/8/2023. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 73 23.7 Julgamento A autoridade julgadora deve proferir sua decisão em vinte dias, contados do recebimento do processo (art. 167). É importante observar que se trata de um prazo impróprio, vale dizer, o julgamento fora do prazo legal não implica nulidade do processo (art. 169, § l.°). A consequência que pode advir da demora no julgamento é a prescrição da punição. Ocorrendo a prescrição, em decorrência da demora no julgamento administrativo, por motivo imputável à autoridade julgadora, será ela responsabilizada (art. 169, § 2. °). A regra geral é ser da própria autoridade instauradora do processo a competência para o seu julgamento. Entretanto, se a sanção a ser impingida exceder a alçada da autoridade instauradora do processo, ele será encaminhado à autoridade que tenha competência para aplicar a penalidade, a qual, a partir do recebimento do processo, terá um novo prazo (impróprio) de vinte dias para decidir. Havendo mais de um indiciado e diversidade de sanções, o julgamento caberá à autoridade competente para a imposição da pena mais grave (art. 167, §§ l.° e 2. °). A Lei 8.112/1990 estabelece uma série de competências relativas à aplicação de penalidades em seu art. 141. São elas: a) nas hipóteses de demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade, a penalidade, conforme o Poder, órgão, ou entidade a que se vincula o servidor, deverá ser aplicada pelo Presidente da República, pelos presidentes das casas do Poder Legislativo e dos tribunais federais e pelo Procurador-geral da República; b) na hipótese de suspensão superior a 30 dias, a penalidade deverá ser aplicada pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente inferior as descritas na letra “a”; c) as penalidades de advertência e suspensão de até 30 dias são aplicadas pelo chefe da repartição e outras autoridades, na forma dos respectivos regimentos ou regulamentos; d)a destituição de cargo em comissão será aplicada pela autoridade que houver feito a nomeação. Cabe registrar que o Supremo Tribunal Federal já deixou assente que a competência para aplicação da penalidade de demissão pode ser delegada pelo Presidente da República aos seus Ministros de Estado - simetricamente, pode ser delegada nos estados, pelo Governador aos secretários estaduais e, nos municípios, pelo Prefeito aos secretários municipais. Consoante a jurisprudência de nossa Corte Suprema, a competência para prover cargos públicos inclui a de desprovê-los; e essa competência, prevista na primeira parte do inciso XXV do art. 84 da Constituição Federal, é delegável, por expressa autorização do parágrafo único desse mesmo artigo. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 74 A autoridade julgadora não se encontra estritamente vinculada à conclusão do relatório da comissão. Existe, porém, uma vinculação relativa, uma vez que a lei assevera que o relatório deve ser acatado, salvo se a conclusão contrariar a prova dos autos. Neste caso, a autoridade julgadora, sempre motivadamente e o motivo será exatamente a contradição entre a conclusão do relatório e as provas dos autos, poderá agravar ou abrandar a penalidade proposta, ou isentar o servidor de penalidade. Se o relatório da comissão tiver concluído pela inocência do servidor, a própria autoridade instauradora do processo determinará o seu arquivamento, exceto quando a conclusão for flagrantemente contrária à prova dos autos (art. 167, § 4. °). Caso a infração esteja capitulada como crime, o processo disciplinar será remetido ao Ministério Público para instauração da ação penal, ficando trasladado na repartição (art. 171). Verificada a ocorrência de vício insanável em alguma etapa do processo, a autoridade que determinou sua instauração ou outra de hierarquia superior declarará a sua nulidade, total ou parcial - neste caso, a nulidade atingirá o ato viciado e todos os atos processuais posteriores que deletenham decorrido ou a ele estejam logicamente relacionados -, e ordenará, no mesmo ato, a constituição de outra comissão para instauração de novo processo (art. 169). É muito importante anotar que, uma vez efetuado o julgamento, o PAD estará encerrado. O julgamento possui um caráter de definitividade (relativa), que se manifesta pelo fato de só haver duas hipóteses em que ele poderá deixar de subsistir, a saber: a) no caso de vício insanável no PAD, com a consequente nulidade do processo e instauração de um novo (a partir do ato nulo); e b) na hipótese de revisão, quando se apresentarem fatos novos que justifiquem abrandar a penalidade aplicada, ou mesmo declarar a inocência do servidor que fora apenado. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é firme quanto a inadmissibilidade do assim chamado “rejulgamento” cuja finalidade seja agravar a penalidade já definida pela autoridade julgadora, mesmo que a pretexto de adequar a sanção a orientações normativas ou a própria cominação legal abstrata para aquela infração. Literalmente, assevera o STJ que é impossível o agravamento da penalidade imposta a servidor público após o encerramento do respectivo processo disciplinar, ainda que a sanção anteriormente aplicada não esteja em conformidade com a lei ou orientação normativa interna. É imprescindível frisar que o STJ não admite que se pretenda considerar “vício insanável” a mera aplicação de uma penalidade de suspensão, por exemplo, quando a Lei 8.112/1990 estabelecesse, em abstrato, para aquela infração caracterizada no PAD, a sanção de demissão. A base apontada pela própria Corte Superior para esse entendimento é a Súmula 19 do Supremo Tribunal Federal, nos termos da qual é inadmissível a segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo em que se fundou a primeira”. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 75 Para o STJ, é cabível que a administração pública anule determinado PAD em casos como os de inobservância de formalidade essencial, ou de violação ao devido processo legal, ou de incompetência da autoridade julgadora para a penalidade que aplicou, entre outras situações que possam ser enquadradas como “vício insanável”. Porém, certo é que, no entendimento pacificado deste Tribunal Superior, a mera alegação de que a penalidade aplicada está em desacordo com a sanção que a lei abstratamente comina para aquela infração não autoriza o “rejulgamento” geralmente precedido de uma “anulação parcial” ilegítima (porquanto inexistente vício que a justifique) para o fim de agravar a penalidade originalmente aplicada. Essa pretensão, conforme a posição sedimentada no âmbito do STJ, ofende o devido processo legal e esbarra na proibição de bis in ia em (dupla punição com base no mesmo fato), bem como na regra segundo a qual a revisão da pena aplicada no PAD só se pode dar para melhorar a situação do servidor (vedação a reformatio in pejus). Por fim, não se deve esquecer que a decisão proferida pela administração pública no julgamento de um PAD é um ato administrativo como outro qualquer e, assim, passível de controle de legalidade (incluído o controle de razoabilidade e proporcionalidade) pelo Poder Judiciário, o qual anulará qualquer decisão ilegal, desde que o interessado o provoque. Vale registrar, a esse respeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos termos da qual “é possível ao Judiciário examinar a motivação do ato que impõe pena disciplinar ao servidor, com o desiderato de averiguar se existem provas suficientes da prática da infração ou mesmo se ocorre flagrante ofensa ao princípio da proporcionalidade”' Frise-se que o Poder Judiciário não aplicará, ele mesmo, uma penalidade disciplinar ao servidor, substituindo-se a autoridade administrativa competente. Simplesmente, se constatar ilegalidade no PAD ou na decisão neste prolatada, o Poder Judiciário, uma vez provocado, anulará o processo ou a decisão, tal como pode ocorrer com todos os processos e decisões administrativos em nosso ordenamento jurídico. Súmula 672-STJ: A alteração da capitulação legal da conduta do servidor, por si só, não enseja a nulidade do processo administrativo disciplinar. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 11/9/2024, DJe de 16/9/2024 23.8 Rito Sumário (Acumulação, Abandono De Cargo, Inassiduidade Habitual) A Lei 8.112/1990 foi alterada pela Lei 9.527/1997, que entre inúmeras outras disposições, estabeleceu, para os casos de acumulação ilícita de cargos públicos e de abandono de cargo ou inassiduidade habitual, um rito especial de investigação e julgamento, denominado, pela própria lei, rito sumário. O prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar submetido ao rito sumário é de trinta dias, contados da data de publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por até quinze dias, quando as circunstâncias o exigirem. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 76 O PAD submetido a esse rito sumário segue a disciplina das arts. 133 e 140 da Lei 8.112/1990 e, subsidiariamente, as disposições pertinentes ao PAD ordinário. Quanto a acumulação ilegal, constatada está a qualquer tempo, o servidor deverá ser notificado para apresentar opção no prazo improrrogável de dez dias, contados da data da ciência da notificação. Caso o servidor não apresente a opção no prazo, será instaurado processo administrativo, sob procedimento sumário, visando à apuração e regularização da sua situação. O processo administrativo disciplinar sumário, nessa hipótese, terá as seguintes fases e prazos: 1)instauração: ocorre com a publicação do ato que constituir a comissão, a ser composta por dois servidores estáveis. O próprio ato de instauração deverá indicar a autoria e a materialidade da transgressão objeto da apuração (descrição dos cargos, empregos ou funções públicas em situação de acumulação ilegal, dos órgãos ou entidades de vinculação, das datas de ingresso, do horário de trabalho e do correspondente regime jurídico); 2)instrução sumária: compreende as subfases indiciação, defesa e relatório; julgamento. A comissão lavrará, até três dias após a publicação do ato que a constituiu, termo de indiciação e promoverá a citação pessoal do servidor indiciado, ou por intermédio de sua chefia imediata, para, no prazo de cinco dias, apresentar defesa escrita, sendo assegurada a ele vista do processo na repartição. A opção pelo servidor até o último dia de prazo para defesa configurará sua boa-fé, hipótese em que se converterá automaticamente em pedido de exoneração do outro cargo. Apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou a responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, opinará sobre a licitude da acumulação em exame, indicará o respectivo dispositivo legal e remeterá o processo a autoridade instauradora, para julgamento. No prazo de cinco dias, contados do recebimento do processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão. Caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-fé, aplicar-se-á a pena de demissão, destituição ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade em relação aos cargos, empregos ou funções públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese em que os órgãos ou entidades de vinculação serão comunicados. Conforme antes mencionado, na apuração de abandono de cargo ou inassiduidade habitual também será adotado o procedimento sumário, com as seguintes peculiaridades: a) a indicação da materialidade, na hipótese de abandono de cargo, consiste na indicação precisa do período de ausência intencional do servidor ao serviço superior a trinta dias; b) a indicação da materialidade, na hipótese de inassiduidade habitual, é feita pela 51944 51944http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 77 indicação dos dias de falta ao serviço sem causa justificada, por período igual ou superior a sessenta dias, interpoladamente, durante o período de doze meses. Após a apresentação da defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou a responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, indicará o respectivo dispositivo legal, opinará, na hipótese de abandono de cargo, sobre a intencionalidade da ausência ao serviço superior a trinta dias e remeterá o processo a autoridade instauradora para julgamento. 23.9 Revisão do PAD A revisão do processo administrativo disciplinar está regulada nos arts. 174 a 182 da Lei 8.112/1990. Conforme foi visto nos tópicos precedentes, o PAD federal ocorre em instância única. Não há uma segunda instância a qual o servidor possa, automaticamente, recorrer sempre que inconformado com a decisão. Aliás, um recurso hierárquico, em grande parte das situações, nem mesmo seria possível. Basta lembrar, por exemplo, que a penalidade de demissão, no Poder Executivo, é julgada e aplicada pelo próprio Presidente da República (embora essa competência admita delegação). A possibilidade de revisão do PAD não pode ser considerada uma segunda instância desse processo administrativo. Deveras, só se pode falar em revisão depois que o processo a ser revisto está concluído, terminado, encerrado. A rigor, a revisão é um novo processo administrativo, que corre em apenso ao processo originário (art. 178). A revisão somente é cabível quando se apresentarem fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do punido ou a inadequação da penalidade aplicada (art. 174). Frise-se este ponto: como não se trata de uma segunda instância a que o servidor tivesse direito subjetivo, a simples alegação de injustiça da penalidade não constitui fundamento para a revisão, a qual requer elementos novos, ainda não apreciados no processo originário (art. 176). A revisão poderá ocorrer de ofício (iniciativa da própria administração) ou a pedido do servidor. Em caso de falecimento, ausência ou desaparecimento do servidor, qualquer pessoa da família poderá requerer a revisão do processo (art. 174, § l°.). No caso de incapacidade mental do servidor, a revisão deve ser requerida pelo respectivo curador (art. 174, § 2. °). A revisão pode ocorrer a qualquer tempo, significa dizer, a possibilidade de revisão do PAD não é alcançada por prazo extintivo de espécie alguma. Caso seja deferida a revisão do processo - o juízo de admissibilidade compete ao Ministro de Estado ou autoridade equivalente, será constituída uma comissão de revisão, observadas as mesmas regras da comissão investigadora do PAD, a qual terá sessenta dias, improrrogáveis, para a conclusão dos seus trabalhos. O prazo (impróprio) para julgamento, que deve ser realizado pela mesma autoridade que aplicou a penalidade, é de vinte dias. Julgada procedente a revisão, será declarada sem efeito a penalidade aplicada, restabelecendo-se todos os direitos do servidor, exceto em relação à destituição de cargo em comissão, que será convertida em exoneração (art. 182). Por fim, duas importantes regras concernentes à revisão do PAD devem ser anotadas, a saber: 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 78 a) o ônus da prova, na revisão a pedido, cabe ao requerente. No PAD, o ônus da prova e da administração. Na revisão a pedido, inverte-se esse ônus; b) da revisão não pode resultar agravamento da penalidade, isto é, não se admite a denominada reformatio in pejus. Trata-se de uma relevante exceção ao princípio da verdade material, por força do qual a regra geral é a possibilidade da reformatio in pejus nos processos administrativos. JÁ CAIU EM PROVA - PM-BA - Aspirante da Polícia Militar Um agente fazendário, servidor público de carreira, foi acusado de ter recebido vantagens indevidas, valendo-se de seu cargo público, sendo denunciado à justiça criminal e tendo sido instaurado, no âmbito administrativo, processo administrativo disciplinar por ter infringido seu estatuto funcional pela mesma conduta. Ocorre que o servidor foi absolvido pelo Poder Judiciário em razão de ter ficado provada a inexistência do ato ilícito que lhe fora atribuído. Nessa situação, é correto afirmar: A) A punição, na instância administrativa, nunca poderá ser anulada, caso tenha sido aplicada. B) A decisão absolutória não influirá na decisão administrativa do processo administrativo disciplinar, por serem independentes. C) O servidor deve ser transferido de órgão, a fim de evitar maiores problemas com seus pares e constrangimento diante de superiores. D) A repercussão no âmbito do processo administrativo disciplinar será inconteste, não podendo a Administração Pública punir o servidor pelo fato decidido na esfera penal. E) A decisão penal, em nenhuma hipótese, surtirá efeito na esfera administrativa, mesmo que a conduta praticada pelo servidor seja prevista como ilícito penal e ilícito administrativo. Gabarito: D. Referências Bibliográficas: - Rafael Carvalho Resende Oliveira. Curso de Direito Administrativo - Matheus Carvalho: Manual de Direito Administrativo - Diogo de Figueiredo Moreira Neto. Curso de Direito Administrativo. - José dos Santos Carvalho Filho. Manual de Direito Administrativo. - Fernando F. Baltar Neto e Ronny C. Lopes de Torres - Sinopse Jurídica de Direito Administrativo - Vol. 9 - Juspodivm 2020. - Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino - Direito Administrativo Descomplicado - 29ª edição – 2021 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 79 - Alexandre Mazza – Manual de Direito Administrativo – 11ª Edição - 2021 - Licínia Rossi – Manual de Direito Administrativo – 6ª Edição - 2020 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 80 QUESTÕES PROPOSTAS Questões Comentadas 1- 2023 IDECAN SSP-SE IDECAN - 2023 - SSP-SE - Papiloscopista No âmbito da Administração Pública, o processo administrativo disciplinar precisa ser conduzido com atenção e totalmente alinhado com a legalidade, porém, não raras vezes, ocorrem violações a direitos dos servidores públicos, que acabam recorrendo ao Poder Judiciário. Sob essa perspectiva, assinale abaixo a única afirmativa que trata de entendimento vinculante do Supremo Tribunal Federal. A-A prescrição da pena de demissão ocorre no prazo de 03 (três) anos. B-Enquanto estiver afastado de suas funções, será mantida integralmente a remuneração do servidor público que responde ação disciplinar perante a Administração Pública. C-No processo administrativo disciplinar, a sindicância deve ser realizada por servidores públicos de carreira. D-A falta de defesa técnica, por advogado no processo administrativo disciplinar, não ofende a Constituição. E-Viola o devido processo legal, a oitiva do servidor público, no processo administrativo disciplinar, por videoconferência. 2 - 2023 IBADE SEJUS-ES IBADE - 2023 - SEJUS-ES - Inspetor Penitenciário Considerando as formas de provimento do servidor público, marque a opção em que o servidor passa a ocupar cargo ou função que lhe seja mais compatível, ou seja, diferente do que ocupava, sob o ponto de vista físico ou psíquico, verificada a inspeção médica. A-Promoção. B-Demissão. C-Reintegração. D-Readaptação. E-Reversão. 3 - 2023 CESPE / CEBRASPE PO-AL - CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Papiloscopista Julgue o próximo item, relativo a processo administrativo no âmbito da administração pública, atos administrativos, licitações e contratos administrativos, poder de polícia e processo administrativo disciplinar. No processo administrativo disciplinar,a falta de intimação do servidor público, após a apresentação do relatório final pela comissão processante, não configura ofensa às garantias do contraditório e da ampla defesa por ausência de previsão legal. Certo Errado 4 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Escrivão de Polícia 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 81 A Constituição Federal de 1988, ao tratar do direito do servidor à retribuição pecuniária, estabelece que a fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará, entre outros fatores, A-a formação do servidor. B-os requisitos para a investidura no cargo. C-a isonomia entre as carreiras. D-a importância da carreira para a coletividade. E-a igualdade material. 5 - 2022 - IBFC - PC-BA - IBFC - 2022 - PC-BA - Investigador de Polícia Civil Acerca das disposições constitucionais sobre agentes públicos, assinale a alternativa incorreta. A-É garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical B-A lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão C-A proibição de acumular cargos públicos estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e entidades do Terceiro Setor D-A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público E-É vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público 6 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia Um servidor público do estado da Paraíba foi demitido e, após transitar em julgado, sentença judicial invalidou a sua demissão. Nessa situação hipotética, se o cargo que ocupava não tiver sido extinto, o servidor deverá ser A-revertido. B-reconduzido. C-reintegrado. D-readaptado. E-posto em disponibilidade. 7 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia Direitos sociais, como o exercício do direito de greve, a sindicalização e a associação profissional, são garantias constitucionais, porém, para os servidores militares, integrantes da segurança pública, é vedado o direito de 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 82 A-greve para os policiais e bombeiros militares e militares das Forças Armadas, sendo-lhes permitida a sindicalização. B-greve para os policiais militares e civis e permitida a associação profissional. C-greve, sob qualquer forma ou modalidade, a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública, sendo-lhes permitida a sindicalização. D-sindicalização para os policiais militares e policiais rodoviários federais, sendo-lhes permitida a associação profissional. E-sindicalização para os bombeiros militares e bombeiros civis e permitida a associação profissional. 8 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB Provas: CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Técnico em Perícia - Área Geral Assinale a opção correta, no que se refere a agentes públicos. A-A sanção de perda de função pública será aplicada ao cargo que o agente público ou político detiver no momento da decisão. B-Exoneração é a saída punitiva compulsória em razão de decisão administrativa. C-As funções de chefia, direção e assessoramento destinam-se diretamente a agentes públicos empossados em cargos efetivos. D-É possível a associação sindical pelo servidor público civil sempre que autorizada pelo órgão a que estiver vinculado. E-É dever do agente público levar ao conhecimento de seu superior hierárquico as irregularidades de que tiver ciência, além de representar contra omissão ou abuso de poder. 9 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Investigador de Polícia Joaquim, policial civil, pretende concorrer ao cargo eletivo de Prefeito nas próximas eleições municipais, mas tem dúvidas a respeito das consequências de sua eleição em relação ao cargo de provimento efetivo que já ocupava. Ao consultar um profissional da área, foi-lhe informado corretamente que, caso eleito, Joaquim A-será demitido. B-será aposentado. C-passará para a reserva remunerada. D-ficará afastado do seu cargo durante o mandato eletivo. E-continuará no cargo caso haja compatibilidade de horários. 10 - 2022 - FGV - PC-RJ - FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe Joana é servidora pública e exerce função de confiança na Polícia Civil do Estado Alfa, sendo diretora do Departamento de Recursos Humanos. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 83 Observadas as disposições sobre o tema previstas na Constituição da República de 1988, é correto afirmar que Joana é necessariamente servidora: A-celetista; B-não concursada; C-contratada temporariamente; D-ocupante de cargo efetivo; E-ocupante de cargo em comissão. Outras Questões Propostas 11 - 2022 - FGV - PC-RJ - FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe Rodrigo é servidor público estável ocupante do cargo de investigador policial da Polícia Civil do Estado Alfa. De acordo com o texto da Constituição da República de 1988, Rodrigo apenas poderá perder o cargo em algumas hipóteses, como, por exemplo: Alternativas A-em virtude de sentença judicial confirmada em segunda instância, ainda que não transitada em julgado, assegurados o contraditório e a ampla defesa; B-mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada a ampla defesa; C-em virtude de sentença judicial, independentemente de confirmação pela segunda instância ou do trânsito em julgado; D-mediante sindicância administrativa disciplinar, iniciada por imputação feita pelo Ministério Público, assegurada a ampla defesa desempenhada pela Defensoria Pública ou advocacia privada; E-mediante processo administrativo disciplinar em que lhe seja assegurada a ampla defesa, sendo que a falta de defesa técnica por advogado ofende a Constituição da República de 1988 e gera nulidade absoluta e insanável. 12 - 2022 - FGV - PC-RJ - FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe O prefeito do Município Beta, sensível com a situação de Joana, pessoa extremamente competente e confiável, com elevado poder de liderança e que se encontrava desempregada, decidiu aproveitá-la em sua gestão. Para tanto, solicitou que sua assessoria lhe indicasse como isso poderia ser feito, sendo-lhe respondido, corretamente, que Joana poderia ser nomeada: A-para cargo de provimento efetivo, cargo em comissão ou função de confiança; B-apenas para cargo em comissão ou função de confiança; C-tão somente após a aprovação em concurso público; 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 84 D-apenas para uma função de confiança; E-apenas para cargo em comissão. 13 - 2021 - FGV - PC-RJ - FGV - 2021 - PC-RJ - Inspetor de Polícia Civil O Sindicato dos Policiais Civis do Estado Gama convocou assembleia extraordinária para discussão e deliberação sobre início de greve da categoria, diante da falta de recomposição salarial dos policiais. Iniciada a reunião, o presidente do sindicato informou aos policiais que a Constituição da República de 1988 assegura o direito de greve aos servidores públicos. O inspetor de polícia Jorge, líder nato da categoria e especialista em direitos dos servidores públicos, pediu a palavra e expôs a seus colegas que, no caso concreto, o Supremo Tribunal Federal tem jurisprudência nosentido de que o exercício de greve pela Polícia Civil é: A-lícito, diante da previsão constitucional, mas é imprescindível que ao menos 30% da categoria continue trabalhando, pelo princípio da continuidade do serviço público; B-lícito, mas a Administração deve proceder ao desconto dos dias de paralisação, salvo se tiver ocorrido conduta ilícita do poder público, permitida a compensação em caso de acordo; C-ilícito, pois a Constituição da República de 1988, apesar de prever genericamente o direito de greve aos servidores, expressamente veda tal direito aos policiais miliares e civis; D-ilícito, pois a Constituição da República de 1988 expressamente veda o direito de greve a todos os servidores públicos da área da segurança pública e da saúde, por serem serviços essenciais; E-ilícito, pois há prevalência do interesse público e social na manutenção da segurança interna, da ordem pública e da paz social sobre o interesse individual da categoria. 14 - 2021 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2021 - PC-MG - Escrivão de Polícia I “A expressão “agente público” é bastante ampla, para determinar, de forma específica, os sujeitos que exercem funções públicas. Assim, qualquer pessoa que age em nome do Estado é agente público, independentemente de vínculo jurídico, ainda que atue sem remuneração e transitoriamente.” (Matheus Carvalho in Manual de Direito Administrativo). Diante do texto, é INCORRETO afirmar: A-Agentes públicos que atuam no exercício da função política de Estado, que possuem cargos estruturais e inerentes à organização política do país, estão ali para exercer a vontade superior do Estado. B-Os empregados públicos e os servidores estatutários têm vínculo permanente com a Administração Pública, de natureza profissional, com prazo determinado, para execução de atividades permanentes de interesse do Estado. Tais agentes se vinculam ao poder público com a celebração de contrato de emprego, com vínculo decorrente diretamente do texto da lei, o que lhes confere mais garantias. C-Podem ser considerados agentes públicos aqueles que exercem função pública em virtude de relação trabalhista, em qualquer dos entes da Administração Pública Direta ou Indireta, seja este regime estatutário, mediante a nomeação de servidores que se submetem às regras definidas em estatuto próprio, seja em 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 85 regime de emprego, por meio de contratação de empregados, sob o regime da Consolidação das Leis Trabalhistas, para prestarem serviços, mediante regime de emprego público. D-Podem ser considerados agentes públicos aqueles que, mesmo não possuindo qualquer vínculo de natureza administrativa ou política com o ente estatal, atuam no exercício de funções públicas, como, por exemplo, o mesário no dia da eleição ou o jurado, no dia em que presta o serviço de atuação no júri popular, ou ainda, os agentes das concessionárias e permissionárias de serviços públicos e os titulares das serventias de cartório, autorizados, após aprovação em concurso, para execução de serviços notariais, mediante delegação. 15 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - PC-AL - CESPE / CEBRASPE - 2021 - PC-AL - Agente de Polícia - Prova Anulada No que se refere a agentes públicos, julgue o item a seguir. As funções públicas podem ser exercidas apenas por agentes públicos aprovados em concurso público. Certo Errado 16 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - PC-AL - CESPE / CEBRASPE - 2021 - PC-AL - Escrivão de Polícia - Prova Anulada João, ocupante de cargo comissionado, ao praticar ato na qualidade de agente público, causou dano a Maria. A respeito dessa situação hipotética, julgue o item subsequente. A investidura em cargo comissionado não depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. Certo Errado 17 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - PC-AL - CESPE / CEBRASPE - 2021 - PC-AL - Escrivão de Polícia - Prova Anulada Determinado delegado de polícia que está investigando um crime cometido no interior de uma empresa estatal estadual com personalidade jurídica de direito privado e capital integralmente público, determinou a um agente de polícia a realização de uma diligência, a qual não foi cumprida porque o agente alegou que a ordem não tinha respaldo legal. Ao tomar ciência do descumprimento da ordem, o chefe aplicou a penalidade de suspensão de trinta dias. Irresignado, o agente ajuizou mandado de segurança contra o ato sancionador. Considerando essa situação hipotética, julgue o item a seguir. Os agentes públicos subordinados não devem cumprir as ordens manifestamente ilegais de seus superiores. Certo Errado 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 86 18 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Investigador de Polícia / Papiloscopista Acerca do regime de apuração de responsabilidades do servidor público, assinale a alternativa correta. A-O servidor acusado no âmbito de processo administrativo disciplinar poderá ser afastado preventivamente de suas funções por prazo indeterminado, até que se concluam as diligências necessárias à elucidação dos fatos. B-O processo administrativo disciplinar deve ser conduzido por comissão composta de três servidores estáveis, os quais serão designados pela autoridade competente para o desempenho de tais funções. C-Caso se constate o cometimento de irregularidade grave, a sindicância será convertida em sindicância acusatória e poderá resultar na aplicação de pena de demissão, assegurada a ampla defesa e o contraditório ao acusado. D-O servidor deverá constituir advogado para defendê-lo, porquanto a falta de defesa técnica no processo administrativo disciplinar enseja nulidade dos atos praticados. E-A ação disciplinar, quanto às infrações puníveis com suspensão, prescreverá em dois anos contados da data do fato. 19 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Investigador de Polícia / Papiloscopista Tendo em conta os modos de provimento de cargos públicos, assinale a alternativa correta. A-Caso se encontre provido o cargo de origem, o servidor reconduzido deverá ser aproveitado em outro, de atribuições e vencimentos compatíveis com o cargo em que era estável. B-A readaptação de servidor em outro cargo é decisão discricionária da Administração, e tal decisão tem como pressuposto de fato o interesse do servidor em ser realocado em outra posição. C-A acessibilidade a cargos e empregos públicos no Brasil é privativa de brasileiros natos, sendo a aprovação em concurso público de provas, ou de provas e títulos, outra condição para ingresso em cargos de provimento efetivo. D-É possível a reversão de servidor público que tenha se aposentado voluntariamente e seja maior de setenta anos. E-Ocorrerá revogação do ato de nomeação quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido em lei. 20 - 2021 - IDECAN - PC-CE - IDECAN - 2021 - PC-CE - Inspetor de Polícia Civil A vedação à acumulação remunerada de cargos públicos se estende a A-dois cargos de professor. B-um cargo de professor com outro técnico ou científico. C-um cargo de vereador com outro com carga horária compatível. D-um cargo em autarquia com outro científico. E-um cargo de professor com o cargo de magistrado. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 87 Respostas1 1 1: D 2: D 3: C 4: B 5: C 6: C 7: B 8: E 9: D 10: D 11: B 12: E 13: E 14: B 15: E 16: C 17: C 18: B 19: A 20: D 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 88 Comentários 1- 2023 IDECAN SSP-SE IDECAN - 2023 - SSP-SE - Papiloscopista No âmbito da Administração Pública, o processo administrativode função Pública. Isso porque o usurpador exerce a função pública de má fé, inclusive incorrendo no crime de exercício irregular da função pública (art. 328, CP), ao passo que o agente público de fato exerce a função pública para satisfazer o interesse público. Os agentes públicos de fato podem se dividir em: (1) Agente de fato Putativo – É aquele que exerce a função pública numa situação de normalidade. Não percebe a proibição, e mesmo sem vínculo, exerce a função pública de boa-fé. → Ex.: Servidor que se aposenta, mas permanece exercendo a função pública. Um determinado dia aquela pessoa agride um particular na repartição. Seus atos seriam convalidados e o Estado responderia. (2) Agente de fato Necessário – Exercem função pública em situações excepcionais (ex.: emergências) em colaboração com o Poder Público, como se fossem agentes de direito. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 7 Será exposta abaixo a classificação proposta pelo Prof. Hely Lopes Meireles, a qual agrupa os agentes públicos em cinco categorias, a saber: agentes políticos, agentes administrativos, agentes honoríficos, agentes delegados e agentes credenciados. 3. AGENTES POLÍTICOS Os agentes políticos são os integrantes dos mais altos escalões do poder público, aos quais incumbem a elaboração das diretrizes de atuação governamental e as funções de direção, orientação e supervisão geral da administração pública. Tem como principais características: a) competências derivadas diretamente da própria Constituição; b) não sujeição as mesmas normas funcionais aplicáveis aos demais servidores públicos; c) a investidura em seus cargos ocorre, em regra, por meio de eleição, nomeação ou designação; d) ausência de subordinação hierárquica a outras autoridades (com exceção dos auxiliares imediatos dos chefes do Poder Executivo). São agentes políticos os chefes do Poder Executivo (Presidente da República, governadores e prefeitos), seus auxiliares imediatos (ministros, secretários estaduais e municipais) e os membros do Poder Legislativo (senadores, deputados e vereadores). Também se enquadram como agentes políticos os membros da magistratura (juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores), os membros do Ministério Público (promotores de justiça e procuradores da República) e os ministros ou conselheiros dos tribunais de contas e dos conselhos de contas. Os agentes políticos desfrutam de garantias e prerrogativas expressamente previstas no texto constitucional, que os distinguem dos demais agentes públicos. Não se tratam de privilégios pessoais, e sim de instrumentos destinados a assegurar condições adequadas ao regular exercício de suas relevantes funções. Sem isso, os agentes políticos não teriam plena liberdade para a tomada de suas decisões, em face do temor de serem responsabilizados segundo as regras comuns da culpa civil, aplicáveis aos demais agentes públicos. JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA INCORRETA: Prova: PM-SC - Aspirante da Polícia Militar - 2° Etapa Os agentes políticos estão sujeitos às mesmas normas aplicáveis aos demais servidores públicos. 4. AGENTES ADMINISTRATIVOS Os agentes administrativos são todos aqueles que exercem uma atividade pública de natureza profissional e remunerada, sujeitos a hierarquia funcional e ao regime jurídico estabelecido pelo ente 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 8 federado ao qual pertencem. São os ocupantes de cargos públicos, de empregos públicos e de funções públicas nas administrações direta e indireta das diversas unidades da Federação, nos três Poderes. Podem ser assim classificados: a) servidores públicos: são os agentes administrativos sujeitos a regime jurídico- -Administrativo, de caráter estatutário (isto é, de natureza legal, e não contratual); b) são os titulares de cargos públicos de provimento efetivo e de provimento em comissão; c) empregados públicos: são os ocupantes de empregos públicos, sujeitos a regime jurídico contratual trabalhista; tem contrato de trabalho em sentido próprio e sua relação funcional com a administração pública é regida, basicamente, pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) - são chamados, por isso, de “celetistas”; JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA INCORRETA: Prova: PM-SC - Aspirante da Polícia Militar - 2° Etapa Os servidores públicos celetistas são aqueles cuja relação de trabalho é regida pelo estatuto funcional da pessoa federativa da qual é integrante. Na Jurisprudência Dos Tribunais Superiores: A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados. STF. Plenário. RE 58998 ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919) Compete à Justiça comum processar e julgar controvérsias relacionadas à fase pré- contratual de seleção e de admissão de pessoal e eventual nulidade do certame em face da Administração Pública, direta e indireta, nas hipóteses em que adotado o regime celetista de contratação de pessoal. STF. Plenário. RE 960429/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4 e 5/3/2020 (repercussão geral – Tema 992) (Info 968). d) temporários: são os contratados por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público (CF, art. 37, IX); não tem cargo nem emprego público; exercem uma função pública remunerada temporária e o seu vínculo funcional com a administração pública e contratual, mas se trata de um contrato de direito público, e não de natureza trabalhista (eles não têm o “contrato de trabalho” previsto na CLT); em síntese, são agentes públicos que tem com a administração pública uma relação funcional de direito público, de natureza jurídico-administrativa (e não trabalhista). É relevante apontar que a expressão “servidores públicos” frequentemente é empregada em um sentido amplo, englobando os servidores públicos em sentido estrito (estatutários) e os empregados públicos (celetistas). Na Jurisprudência 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 9 Info. 869, STF - É constitucional a quarentena para recontratação de servidores temporários prevista no art. 9º, III, da Lei 8.745/93 No âmbito da administração pública federal, é vedada a contratação temporária do mesmo servidor antes de decorridos 24 meses do encerramento do contrato anterior. Tal regra está prevista no art. 9º, III, da Lei nº 8.745/93: Art. 9º O pessoal contratado nos termos desta Lei não poderá: III - ser novamente contratado, com fundamento nesta Lei, antes de decorridos 24 (vinte e quatro) meses do encerramento de seu contrato anterior, salvo nas hipóteses dos incisos I e IX do art. 2º desta Lei, mediante prévia autorização, conforme determina o art. 5º desta Lei. O STF, ao analisar um caso concreto envolvendo a contratação temporária de professores, decidiu que essa regra é constitucional e fixou a seguinte tese: “É compatível com a Constituição Federal a previsão legal que exija o transcurso de 24 (vinte e quatro) meses, contados do término do contrato, antes de nova admissão de professor temporário anteriormente contratado.” STF. Plenário. RE 635648/CE, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 14/6/2017 (repercussão geral) (Info 869). Info 829, STF - Lei que autoriza contratação temporária para projetos educacionais ordinários é inconstitucional A LC 22/2000, do Estado do Ceará, autoriza a contratação de professores, por tempo determinado, para atender necessidade temporária de excepcional interesse público nas escolas estaduais. O art. 3º da referida Lei prevê diversas hipóteses nas quais é possível a referida contratação. O STF afirmou que, em tese, é possível a contrataçãodisciplinar precisa ser conduzido com atenção e totalmente alinhado com a legalidade, porém, não raras vezes, ocorrem violações a direitos dos servidores públicos, que acabam recorrendo ao Poder Judiciário. Sob essa perspectiva, assinale abaixo a única afirmativa que trata de entendimento vinculante do Supremo Tribunal Federal. A-A prescrição da pena de demissão ocorre no prazo de 03 (três) anos. B-Enquanto estiver afastado de suas funções, será mantida integralmente a remuneração do servidor público que responde ação disciplinar perante a Administração Pública. C-No processo administrativo disciplinar, a sindicância deve ser realizada por servidores públicos de carreira. D-A falta de defesa técnica, por advogado no processo administrativo disciplinar, não ofende a Constituição. E-Viola o devido processo legal, a oitiva do servidor público, no processo administrativo disciplinar, por videoconferência. COMENTÁRIOS Resposta: D A - Errada - O prazo prescricional para a pena de demissão em processos administrativos disciplinares é de 5 anos, conforme disposto na Lei 8.112/1990 (Art. 142, I), e não de 3 anos. B - Errada - O servidor público afastado de suas funções pode ter sua remuneração reduzida, dependendo da natureza do afastamento. Em casos de afastamento cautelar, pode ser aplicada a suspensão parcial ou total dos vencimentos, conforme as normas aplicáveis. C - Errada - A sindicância, no processo administrativo disciplinar, não exige que seja realizada exclusivamente por servidores de carreira. Contudo, a comissão processante, no caso do PAD, deve ser composta por servidores estáveis (Lei 8.112/1990, Art. 149). D - Certa - O entendimento sumulado indica que a ausência de defesa técnica por advogado em processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição, conforme decisão vinculante do STF (Súmula Vinculante 5). E - Errada - A oitiva por videoconferência em processo administrativo disciplinar não viola, por si só, o devido processo legal, conforme entendimento do STF, desde que sejam respeitados os direitos de ampla defesa e contraditório. 2 - 2023 IBADE SEJUS-ES IBADE - 2023 - SEJUS-ES - Inspetor Penitenciário Considerando as formas de provimento do servidor público, marque a opção em que o servidor passa a ocupar cargo ou função que lhe seja mais compatível, ou seja, diferente do que ocupava, sob o ponto de vista físico ou psíquico, verificada a inspeção médica. A-Promoção. B-Demissão. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 89 C-Reintegração. D-Readaptação. E-Reversão. COMENTÁRIOS Resposta: D A - Errada - Promoção é a elevação do servidor a uma classe ou cargo superior dentro da mesma carreira, não envolvendo questões de capacidade física ou psíquica. B - Errada - Demissão é a penalidade aplicada ao servidor público em caso de infração grave, resultando em sua exoneração do cargo. C - Errada - Reintegração é o retorno do servidor ao cargo anteriormente ocupado, após invalidação de sua demissão, por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento dos direitos devidos. D - Certa - Readaptação é a investidura do servidor em um cargo com atribuições compatíveis com sua capacidade física ou mental, conforme estabelecido no Art. 24 da Lei 8.112/90. E - Errada - Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado, seja por invalidez, quando cessados os motivos da aposentadoria, ou por interesse da administração. 3 - 2023 CESPE / CEBRASPE PO-AL - CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Papiloscopista Julgue o próximo item, relativo a processo administrativo no âmbito da administração pública, atos administrativos, licitações e contratos administrativos, poder de polícia e processo administrativo disciplinar. No processo administrativo disciplinar, a falta de intimação do servidor público, após a apresentação do relatório final pela comissão processante, não configura ofensa às garantias do contraditório e da ampla defesa por ausência de previsão legal. Certo Errado COMENTÁRIOS Resposta: Certo A falta de intimação do servidor público após a apresentação do relatório final pela comissão processante não configura ofensa às garantias do contraditório e da ampla defesa, pois não há previsão legal de tal intimação na Lei nº 8.112/1990. O Supremo Tribunal Federal (STF) já firmou entendimento de que não é obrigatória a intimação do servidor para oferecer alegações finais após a conclusão do relatório final, conforme o julgado no RMS 28774/DF. 4 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Escrivão de Polícia 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 90 A Constituição Federal de 1988, ao tratar do direito do servidor à retribuição pecuniária, estabelece que a fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará, entre outros fatores, A-a formação do servidor. B-os requisitos para a investidura no cargo. C-a isonomia entre as carreiras. D-a importância da carreira para a coletividade. E-a igualdade material. COMENTÁRIOS Resposta: B A - Errada - A formação do servidor não está mencionada como critério no Art. 39, § 1º da Constituição Federal. B - Certa - Os requisitos para a investidura são um dos fatores mencionados no Art. 39, § 1º, II da Constituição Federal de 1988. C - Errada - A isonomia entre as carreiras não está expressamente prevista como critério no referido artigo. D - Errada - A importância da carreira para a coletividade não é mencionada como fator no Art. 39, § 1º. E - Errada - A igualdade material não é citada como critério específico no dispositivo constitucional mencionado. 5 - 2022 - IBFC - PC-BA - IBFC - 2022 - PC-BA - Investigador de Polícia Civil Acerca das disposições constitucionais sobre agentes públicos, assinale a alternativa incorreta. A-É garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical B-A lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão C-A proibição de acumular cargos públicos estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e entidades do Terceiro Setor D-A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público E-É vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público COMENTÁRIOS Resposta: C A - Certa - É garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical, conforme previsto no Art. 37, VI da Constituição Federal. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 91 B - Certa - A lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para pessoas com deficiência e definirá os critérios de admissão, conforme o Art. 37, VIII da Constituição Federal. C - Incorreta - A proibição de acumular cargos públicos estende-se a cargos, empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, mas não inclui entidades do Terceiro Setor, conforme o Art. 37, XVII da Constituição Federal. D - Certa - A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, conforme o Art. 37, IX da Constituição Federal. E - Certa - É vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para efeito de remuneração de pessoal do serviço público, conforme o Art. 37, XIII da Constituição Federal. 6 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de PolíciaUm servidor público do estado da Paraíba foi demitido e, após transitar em julgado, sentença judicial invalidou a sua demissão. Nessa situação hipotética, se o cargo que ocupava não tiver sido extinto, o servidor deverá ser A-revertido. B-reconduzido. C-reintegrado. D-readaptado. E-posto em disponibilidade. COMENTÁRIOS Resposta: C A - Errada - A reversão é o retorno de servidor aposentado à atividade, e não se aplica ao caso de reinvestidura após invalidada a demissão. B - Errada - A recondução ocorre quando o servidor é inabilitado em estágio probatório de outro cargo ou quando o anterior ocupante é reintegrado, e não após a anulação de uma demissão. C - Correta - A reintegração é o retorno do servidor ao cargo anteriormente ocupado após a invalidação de sua demissão por decisão judicial ou administrativa, com ressarcimento de todas as vantagens (Art. 28 da Lei 8.112/90). D - Errada - A readaptação envolve a mudança de cargo devido a limitações físicas ou mentais do servidor, não sendo o caso de reinvestidura após demissão invalidada. E - Errada - A disponibilidade ocorre quando o cargo é extinto ou declarado desnecessário, o que não se aplica aqui, já que o cargo não foi extinto. 7 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 92 Direitos sociais, como o exercício do direito de greve, a sindicalização e a associação profissional, são garantias constitucionais, porém, para os servidores militares, integrantes da segurança pública, é vedado o direito de A-greve para os policiais e bombeiros militares e militares das Forças Armadas, sendo-lhes permitida a sindicalização. B-greve para os policiais militares e civis e permitida a associação profissional. C-greve, sob qualquer forma ou modalidade, a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública, sendo-lhes permitida a sindicalização. D-sindicalização para os policiais militares e policiais rodoviários federais, sendo-lhes permitida a associação profissional. E-sindicalização para os bombeiros militares e bombeiros civis e permitida a associação profissional. COMENTÁRIOS Resposta: B A - Errada - O direito de greve é vedado tanto aos policiais e bombeiros militares quanto aos militares das Forças Armadas, e também é proibida a sindicalização (Art. 142, V da CF). B - Certa - O direito de greve é vedado para os policiais militares, e também aos policiais civis, porém, é permitida a associação profissional, conforme a Constituição e entendimento jurisprudencial. C - Errada - O direito de greve é vedado aos servidores da segurança pública, mas a sindicalização é permitida apenas aos servidores civis, e não a todos os servidores da área. D - Errada - O direito de sindicalização é vedado aos policiais militares, mas permitido aos policiais rodoviários federais, que são servidores civis, não se aplicando igualmente aos militares. E - Errada - O direito de sindicalização é vedado aos bombeiros militares, mas permitido aos bombeiros civis. A associação profissional é permitida, mas isso não implica sindicalização para militares. 8 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB Provas: CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Técnico em Perícia - Área Geral Assinale a opção correta, no que se refere a agentes públicos. A-A sanção de perda de função pública será aplicada ao cargo que o agente público ou político detiver no momento da decisão. B-Exoneração é a saída punitiva compulsória em razão de decisão administrativa. C-As funções de chefia, direção e assessoramento destinam-se diretamente a agentes públicos empossados em cargos efetivos. D-É possível a associação sindical pelo servidor público civil sempre que autorizada pelo órgão a que estiver vinculado. E-É dever do agente público levar ao conhecimento de seu superior hierárquico as irregularidades de que tiver ciência, além de representar contra omissão ou abuso de poder. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 93 COMENTÁRIOS Resposta: E A - Incorreta - A perda da função pública não necessariamente atinge o cargo que o agente público detiver no momento da decisão, mas sim o cargo que ele ocupava no momento do cometimento da infração, conforme alterações da Lei 8.429 pela Lei 14.230/21. B - Incorreta - A exoneração não é uma medida punitiva compulsória, diferente da demissão. A exoneração pode ocorrer a pedido ou por conveniência da administração, sem caráter punitivo. C - Incorreta - As funções de chefia, direção e assessoramento podem ser ocupadas por servidores em cargos comissionados, que não necessariamente são efetivos. Cargos de confiança podem ser ocupados por agentes públicos efetivos, mas nem todos os cargos de chefia, direção ou assessoramento são exclusivos de servidores efetivos. D - Incorreta - O direito de associação sindical dos servidores públicos civis é livre e garantido pela Constituição, sem necessidade de autorização pelo órgão a que estiver vinculado o servidor (Art. 37, VI, da CF). E - Correta - Conforme o Art. 116, VI da Lei 8.112/90, é dever do agente público comunicar a seu superior hierárquico irregularidades de que tenha ciência e representar contra omissão ou abuso de poder. 9 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Investigador de Polícia Joaquim, policial civil, pretende concorrer ao cargo eletivo de Prefeito nas próximas eleições municipais, mas tem dúvidas a respeito das consequências de sua eleição em relação ao cargo de provimento efetivo que já ocupava. Ao consultar um profissional da área, foi-lhe informado corretamente que, caso eleito, Joaquim A-será demitido. B-será aposentado. C-passará para a reserva remunerada. D-ficará afastado do seu cargo durante o mandato eletivo. E-continuará no cargo caso haja compatibilidade de horários. COMENTÁRIOS Resposta: D A - Errada - Joaquim não será demitido ao ser eleito Prefeito, pois o mandato eletivo não implica em demissão. B - Errada - A eleição de Joaquim para o cargo de Prefeito não resultará em aposentadoria. C - Errada - A passagem para a reserva remunerada se aplica a militares, não a servidores civis como Joaquim, que é policial civil. D - Certa - Joaquim será afastado do seu cargo efetivo durante o mandato eletivo de Prefeito, podendo optar entre a remuneração do cargo efetivo e a do cargo eletivo. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 94 E - Errada - A manutenção no cargo só seria possível caso Joaquim fosse eleito Vereador e houvesse compatibilidade de horários. Como ele pretende ser Prefeito, ele será afastado do cargo. 10 - 2022 - FGV - PC-RJ - FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe Joana é servidora pública e exerce função de confiança na Polícia Civil do Estado Alfa, sendo diretora do Departamento de Recursos Humanos. Observadas as disposições sobre o tema previstas na Constituição da República de 1988, é correto afirmar que Joana é necessariamente servidora: A-celetista; B-não concursada; C-contratada temporariamente; D-ocupante de cargo efetivo; E-ocupante de cargo em comissão. COMENTÁRIOS Resposta: D A - Errada - Joana não pode ser celetista, pois a função de confiança é destinada apenas a servidores ocupantes de cargo efetivo, não a empregados públicos regidos pela CLT. B - Errada - Joana não pode ser não concursada, pois as funções de confiança são exercidas exclusivamente por servidores concursados. C - Errada - Joana não é contratada temporariamente, pois a função de confiança só pode ser exercida por servidores efetivos. D - Certa - Joana, como exercente de função de confiança, é necessariamenteservidora ocupante de cargo efetivo, conforme o Art. 37, V, da Constituição Federal. E - Errada - Joana exerce uma função de confiança, que é diferente de um cargo em comissão. Funções de confiança só podem ser exercidas por servidores efetivos. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htmtemporária por excepcional interesse público (art. 37, IX, da CF/88) mesmo para atividades permanentes da Administração (como é o caso de professores). No entanto, o legislador tem o ônus de especificar, em cada circunstância, os traços de emergencialidade que a justificam. (...) A alínea "f" previa que poderia haver a contratação temporária para suprir "outros afastamentos que repercutam em carência de natureza temporária". O STF entendeu que esta situação é extremamente genérica, de forma que não cumpre o art. 37, IX, da CF/88. O parágrafo único do art. 3º autoriza a contratação temporária para que a Administração Pública pudesse implementar "projetos educacionais, com vista à erradicação do analfabetismo, correção do fluxo escolar e qualificação da população cearense". O STF entendeu que esta previsão também é inconstitucional porque estes são objetivos corriqueiros (normais, ordinários) da política educacional. Desse modo, esse tipo de ação não pode ser implementado por meio de contratos episódicos (temporários), já que não constitui contingência especial a ser atendida. STF. Plenário. ADI 3721/CE, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 9/6/2016 (Info 829). 51944 51944 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e140dbab44e01e699491a59c9978b924?categoria=2&subcategoria=22&assunto=94 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e140dbab44e01e699491a59c9978b924?categoria=2&subcategoria=22&assunto=94 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/fae0b27c451c728867a567e8c1bb4e53?categoria=2&subcategoria=22&assunto=94 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/fae0b27c451c728867a567e8c1bb4e53?categoria=2&subcategoria=22&assunto=94 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 10 JÁ CAIU EM PROVA PM-MG - 2020 - PM-MG - Aspirante da Polícia Militar Marque a alternativa INCORRETA, referente aos Agentes Públicos. A) Os servidores das empresas públicas e das sociedades de economia mista, que exercem atividades econômicas, seus vínculos são estabelecidos pelo regime estatutário. B) Agente público é toda pessoa física que presta serviços ao Estado e às pessoas jurídicas da Administração Indireta. C) Agentes Políticos, Servidores Públicos, Militares e Particulares em colaboração com o Poder Público são categorias de Agentes Públicos. D) São servidores públicos, em sentido amplo, as pessoas físicas que prestam serviços ao Estado e às entidades da Administração Indireta, com vínculo empregatício e mediante remuneração paga pelos cofres públicos. Gabarito: A 5. AGENTES HONORÍFICOS Os agentes honoríficos são cidadãos requisitados ou designados para, transitoriamente, colaborarem com o Estado mediante a prestação de serviços específicos, em razão de sua condição cívica, de sua honorabilidade, ou de sua notória capacidade profissional. Eles não têm qualquer vínculo profissional com a administração pública (são apenas considerados “funcionários públicos” para fins penais) e usualmente atuam sem remuneração. São os jurados, os mesários eleitorais, os membros dos Conselhos Tutelares criados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e outros dessa natureza. 6. AGENTES DELEGADOS Os agentes delegados são particulares que recebem a incumbência de exercer determinada atividade, obra ou serviço público e o fazem em nome próprio, por sua conta e risco, sob a permanente fiscalização do poder delegante. Colaboram com o poder público (descentralização por colaboração), mas não são servidores públicos, sua atuação não é imputada ao Estado (embora este, dependendo das circunstâncias, possa ser responsabilizado subsidiariamente por danos que eles venham a causar a terceiros). Tais agentes sujeitam-se, no exercício da atividade delegada, à responsabilidade civil objetiva (CF, art. 37, § 6. °) e ao mandado de segurança (CF, art. 5.°, LXIX). Enquadram- se como “funcionários públicos” para fins penais (CP, art. 327). São os concessionários e permissionários de serviços públicos, os leiloeiros, os tradutores públicos, entre outros. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 11 7. AGENTES CREDENCIADOS Os agentes credenciados, na definição do Prof. Hely Lopes Meirelles, “são os que recebem a incumbência da administração para representá-la em determinado ato ou praticar certa atividade específica, mediante remuneração do poder público credenciam-te”. Seria exemplo a atribuição a alguma pessoa da tarefa de representar o Brasil em determinado evento internacional (um artista consagrado que fosse incumbido de oficialmente representar o Brasil em um congresso internacional sobre proteção da propriedade intelectual). Também são considerados “funcionários públicos” para fins penais. JÁ CAIU EM PROVA IBADE - 2019 - PM-RJ - Aspirante da Polícia Militar Os agentes públicos de fato são aqueles que não ostentam vínculo jurídico válido com o Estado, mas ainda assim desempenham função pública com a intenção de satisfazer o interesse público. José M. Pinheiro Madeira, em sua obra Administração Pública, Tomo I, pág. 433, 12ª. Edição, Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2014. Dentre esses agentes, há aqueles que exercem a função em situação de calamidade ou de emergência, e podem ser chamados de agentes de fato: A) voluntários. B) efetivos. C) coagidos. D) putativos. E) necessários. Gabarito: E. 8. MILITARES Os militares são agentes públicos, mas a Constituição Federal de 1988, com redação dada pela EC n° 18, dispõe que o regime jurídico dos militares estará disciplinado em lei própria, retirando o tratamento jurídico de servidores públicos. É fato que os militares são agentes públicos e que não se enquadram na categoria de agentes políticos, mas o legislador constituinte optou por não os considerar servidores públicos; dessa forma, não são imediatamente extensíveis aos militares os direitos e as prerrogativas conferidas aos servidores públicos. O regime jurídico dos militares é erigido sob os pilares da hierarquia e da disciplina, mas a Carta Magna consagra aos militares os direitos ao décimo terceiro salário; ao salário família; ao gozo de férias anuais remuneradas, acrescidas de um terço; licença gestante, licença paternidade, além dos demais previstos em legislação específica. Aos militares é vedada a sindicalização, greve e filiação a partidos políticos. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 12 9. GESTORES DE NEGÓCIOS São as pessoas que assumem, de forma espontânea, o desempenho de funções públicas em situações de emergência como terremotos, inundações, epidemia, etc. Direito Administrativo – vol.9 - Fernando F. Baltar Neto e Ronny C. Lopes de Torres 10. REGIME JURÍDICO DO SERVIDOR A redação original da Constituição Federal de 1988 estabelecia o regime jurídico único, que significa a adoção de um único regime estatutário ou trabalhista para reger a relação do Estado com seus servidores. Com o advento da EC n° 19/98, foi abolida a exigência do regime jurídico único, podendo o Estado decidir livremente qual o regime jurídico que regeria as relações com seus servidores, criando cargos ou empregos públicos, ressalvadas as carreiras em que a própria Carta Magna previu a obrigatoriedade da adoção do regime estatutário para os seus integrantes, como nos casos dos membros da Magistratura, do Ministério Público, da Advocacia-Geral da União, dos Tribunais de Contas, das carreiras policiais e diplomáticas. Esse cenário foi novamente alterado com o julgamento pelo STF da cautelar, na ADI 2.135 (relator Ministro Néri da Silveira, julgamento em o2/o8/2oo7), que considerou inconstitucional a EC n° 19/98, no tocante à extinção da obrigatoriedade do regime jurídico único. O fundamento para taldecisão decorre da ausência da aprovação na Câmara dos Deputados, em dois turnos, do trecho da emenda, que foi alterada pelo Senado Federal, suprimindo a menção ao regime jurídico único. Segundo o art. 118, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, havia necessidade de nova votação, para cumprimento da exigência de aprovação por dois turnos em cada uma das Casas Legislativas do Congresso Nacional (art. 6o, § 2°, CF/88). Dessa forma, ficou, em sede cautelar, afastada a nova redação do caput do art. 39, retomando-se a redação original do texto constitucional, que estabelecia o regime jurídico único. O STF já entendeu que o servidor não tem direito adquirido a regime jurídico, podendo o Estado modificá-lo unilateralmente ou transformá-lo em celetista, entretanto, caso o vínculo seja contratual ou 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 13 celetista, o Estado não poderá obrigar o servidor a adotar o novo regime. Será uma questão de opção que ocorrerá sem solução de continuidade. Portanto, caso uma lei venha a transformar determinados empregos e cargos públicos, a mudança do regime jurídico trabalhista para o estatutário não será contado da data de publicação da lei, mas da data em o servidor expressamente optar pela mudança, que poderá ser demonstrada por meio da apresentação da opção constante da carteira de trabalho. Ocorre que, havendo a transposição do regime celetista para o estatutário, também não haverá direito adquirido às vantagens do regime anterior (STF - AgRg no RE 732.512 - Min Gilmar Mendes). JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA INCORRETA: Prova: PM-SC - Aspirante da Polícia Militar - 2° Etapa No regime estatutário, a relação jurídica entre o servidor e o Poder Público tem natureza contratual. 11. REGIME ESTATUTÁRIO FEDERAL (LEI N. 8.112/90) A Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990, institui o “regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas federais”, sendo conhecida como Estatuto do Servidor Público Federal. Trata-se de lei aplicável somente no âmbito federal, sujeitando especificamente os ocupantes de cargos públicos e cargos em comissão da União, bem como suas pessoas jurídicas de direito público, isto é, as autarquias, fundações públicas, agências reguladoras e associações públicas federais. Quanto aos ocupantes de cargos públicos estaduais, distritais e municipais, suas regras de atuação devem ser estabelecidas em leis próprias promulgadas em cada uma das esferas federativas. Em provas e concursos, as perguntas sobre a Lei n. 8.112/90 cobram essencialmente o conhecimento sobre a literalidade dos dispositivos previstos no Estatuto. Assim, o estudo feito nos itens subsequentes, em vários pontos, reduz-se a uma organização das diversas normas presentes na Lei n. 8.112/90. . 12. CARGO PÚBLICO Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor, sendo criado e extinto por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou em comissão (art. 3º da Lei n. 8.112/90). Cargo efetivo é aquele cujo provimento decorre de prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos. Função é a atribuição ou o conjunto de atribuições conferidas aos cargos isolados ou organizados em carreira ou, ainda, aos que desempenham função pública em caráter excepcional e transitório. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 14 As funções de confiança, da mesma forma que os cargos em comissão, só podem ser criadas por lei para desempenho das atribuições de direção, chefia e assessoramento. No entanto, diferenciam-se dos cargos em comissão pelo fato de que só podem ser desempenhadas por servidores de carreira, que são os efetivos. Cargo em comissão é aquele de livre provimento e exoneração. São os cargos em comissão que, segundo estabelece a Constituição, devem ser criados por lei apenas para desempenho das atribuições de direção, chefia e assessoramento. JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA CORRETA: Prova: PM-SC - Aspirante da Polícia Militar - 2° Etapa Com relação aos agentes públicos, assinale a alternativa correta. R.: É vedada nomeação para cargo em comissão de cônjuge de servidor investido em cargo de assessoramento na mesma pessoa jurídica. Seus ocupantes são intitulados, popularmente, detentores de “cargos de confiança”, exercem as atribuições de direção, chefia e assessoramento (conforme fixa o inciso V do art. 37 da CF), v.g., assessoria parlamentar e cargo de subprefeito. Trata-se de exceção constitucional ao concurso público (vide inciso II, in fine, do art. 37 da CF). A acessibilidade ao cargo público se dá sem concurso público – portanto, a nomeação e a exoneração são livres (ad nutum). Os cargos em comissão podem ser ocupados por servidores de carreira ou por estranhos ao serviço público, mas a lei deverá fixar um percentual mínimo destes cargos que devem ser ocupados por servidores de carreira. Na jurisprudência: Não há omissão legislativa nem inércia do legislador ordinário quanto à edição de lei nacional que discipline a matéria do inciso V do art. 37 da Constituição Federal, cabendo a cada ente federado definir as condições e percentuais mínimos para o preenchimento dos cargos em comissão para servidores de carreira, a depender de suas necessidades burocráticas. STF. Plenário. ADO 44/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/4/2023. ATENÇÃO: FUNÇÃO DE CONFIANÇA X CARGO EM COMISSÃO 1. Função de Confiança: É uma função sem cargo, função isolada dentro do serviço público, somente podendo ser exercida por quem já esteja investido em cargo efetivo; 2. Cargo em Comissão: É o cargo comissionado, também podendo ser exercido por servidores de cargo efetivo. - Cada entidade deverá estabelecer, por lei, um percentual mínimo de cargos em comissão que necessariamente serão preenchidos por servidores efetivos. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 15 É possível atribuir cargo em comissão ao servidor ocupante de outro cargo em comissão, desde que de forma interina, caso em que o sujeito receberá apenas a maior remuneração. Segundo o STF, para a criação de cargos em comissão, faz-se necessária a observância das seguintes condições: a) exercício de funções de direção, chefia e assessoramento, não se prestando ao desempenho de atividades burocráticas, técnicas ou operacionais; b) tal criação deve pressupor a necessária relação de confiança entre a autoridade nomeante e o servidor nomeado; c) O número de cargos comissionados criados deve guardar proporcionalidade com a necessidade que eles visam suprir e com o número de servidores ocupantes de cargos efetivos no ente federativo que os criar; d) as atribuições dos cargos em comissão devem estar descritas, de forma clara e objetiva, na própria lei que os instituir. Ao estabelecer tais balizas, o Pretório Excelso adequadamente restringe o poder do Chefe do Poder Executivo de enviar projetos de lei que criem cargos em comissão desviados de sua finalidade fixada constitucionalmente. 12.1 Criação, Transformação e Extinção De Cargos, Empregos e Funções Públicas De acordo com importante regra de Direito Financeiro somente ao Poder Legislativo compete a geração de despesa pública. Desse modo, a criação de cargo, emprego ou funções sempre depende de lei. Em consequência, aplicando-se o princípio da simetria das formas, cabe também à lei transformar ou extinguir cargos, empregos ou funções. É o que prescreve expressamente o art. 48, X, da Constituição Federal: “Cabe ao Congresso Nacional,com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: X – criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que estabelece o art. 84, VI, b”. Conforme ressalvado na parte final do dispositivo, estando vago, e somente nessa hipótese, poderá ser extinto o cargo ou a função, mediante decreto (art. 84, VI, b, da CF). Desse modo, excetuado unicamente o caso de cargos ou funções vagas, não se admite que ato administrativo crie, modifique ou extinga cargos, empregos ou função, pois se trata de matéria reservada à lei. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 16 Por óbvio, a necessidade de lei aplica-se aos cargos, empregos e funções tanto na Administração pública direta quanto na Administração autárquica e fundacional, observando-se inclusive a iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo na tramitação do projeto de lei (art. 61, § 1º, a, da CF). Por simetria, Estados, Distrito Federal e Municípios submetem-se às mesmas regras. Todavia, quanto às empresas estatais, vem predominando nos concursos públicos a orientação segundo a qual a criação de empregos públicos nas empresas públicas e sociedades de economia mista não depende de lei “porque as entidades de direito privado da administração indireta estão excluídas da dicção daquele dispositivo constitucional (art. 61, § 1º, a, da CF)”. É inconstitucional norma estadual que autoriza a transformação, mediante decreto ou outro ato normativo infralegal, de funções de confiança em cargos em comissão ou vice-versa. Essa norma ofende o princípio da reserva legal (art. 48, X, c/c o art. 61, § 1º, II, “a”, CF/88). Não se pode dizer que se trate de mera regulamentação para reorganização administrativa (art. 84, VI, “a” e “b”, CF/88). STF. Plenário. ADI 6.180/SE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2023. 12.2 Conceitos De Servidor Público E Provimento Servidor público, de acordo com o art. 2º da Lei n. 8.112/90, é a pessoa legalmente investida em cargo público. Para ocupar cargo público, o ordenamento jurídico exige que ocorra o provimento, isto é, que seja praticado um ato administrativo constitutivo hábil a promover o ingresso no cargo. Existem diversos tipos de provimento: a) quanto à durabilidade: o provimento pode ser: 1) de caráter efetivo, quando relacionado a cargo público permanente, que garanta estabilidade ou vitaliciedade ao seu titular; 2) em comissão, quando promova o ingresso em cargo público destituído de estabilidade, podendo o servidor ser exonerado ad nutum; b) quanto à preexistência de vínculo: o provimento pode ser: 1) originário: é o tipo de provimento que não depende de vinculação jurídica anterior com o Estado. Exemplo: nomeação em caráter efetivo; 2) derivado: constitui o provimento que pressupõe relação jurídica anterior com o Estado. Exemplos: promoção, remoção, readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração e recondução. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 17 O provimento dos cargos públicos é sempre realizado mediante ato da autoridade competente dentro do respectivo Poder. A investidura em cargo público ocorre com a posse. São requisitos básicos para investidura em cargo público: I – a nacionalidade brasileira; II – o gozo dos direitos políticos; III – a quitação com as obrigações militares e eleitorais; IV – o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo; V – a idade mínima de 18 anos; VI – aptidão física e mental. Na Jurisprudência Dos Tribunais Superiores: A suspensão dos direitos políticos prevista no artigo 15, III, da Constituição Federal (‘condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos’) não impede a nomeação e posse de candidato aprovado em concurso público, desde que não seja incompatível com a infração penal praticada, em respeito aos princípios da dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho (art. 1º, III e IV, CF/88) e do dever do Estado em proporcionar as condições necessárias para a harmônica integração social do condenado, objetivo principal da execução penal, nos termos do artigo 1º da LEP (Lei nº 7.210/84). O início do efetivo exercício do cargo ficará condicionado ao regime da pena ou à decisão judicial do juízo de execuções, que analisará a compatibilidade de horários. STF. Plenário. RE 1.282.553/RR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 4/10/2023 (Repercussão Geral – Tema 1190) A exigência de teste de aptidão física é legítima quando prevista em lei, guardar relação de pertinência com as atividades a serem desenvolvidas, estiver pautada em critérios objetivos e for passível de recurso. Em concurso público, o teste de capacidade física somente pode ser exigido se: a) houver previsão na lei que criou o cargo (não pode ser previsto apenas no edital do certame); b) tiver relação (razoabilidade) com as funções do cargo; c) estiver pautado em critérios objetivos; d) for passível de recurso. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 18 STJ. 1ª Turma. AgInt nos EDcl no RMS 56.200/PE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 07/08/2018. A candidata que esteja gestante no dia do teste físico possui o direito de fazer a prova em uma nova data no futuro. É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral). Constatada a ilegalidade do exame psicotécnico, o candidato deve ser submetido a nova avaliação, pautada por critérios objetivos e assegurada a ampla defesa. É válida a realização do exame psicotécnico em concursos públicos desde que cumpridos os seguintes requisitos: a) o exame precisa estar previsto em lei e no edital; b) deverão ser adotados critérios objetivos no teste; c) o resultado deve ser público com a possibilidade de o candidato prejudicado apresentar recurso. Se exame psicotécnico não adotou critérios objetivos ou não permitia a possibilidade de recurso, a providência correta não será a simples aprovação do candidato outrora reprovado, mas sim a realização de nova avaliação pautada por critérios objetivos e assegurada a ampla defesa. É incabível a providência de se determinar a posse do candidato no cargo, pois não se pode suplantar a fase do concurso relativa ao exame psicotécnico, para garantir judicialmente a nomeação do candidato. Nessa hipótese, deve ser realizado novo exame, compatível com as deficiências do candidato, bem como que atenda aos critérios de objetividade, cientificidade e possibilidade de recurso. STJ. 2ª Turma. AgInt no RMS 51809/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 01/03/2018. Fonte: Dizer o direito. O art. 8º da Lei n. 8.112/90 faz referência a sete formas de provimento: a) nomeação; b) promoção; c) readaptação; d) reversão; e) aproveitamento; f) reintegração; g) recondução. 12.1.1 Nomeação A nomeação em caráter efetivo é a única forma de provimento originário na medida em que não depende de prévia relação jurídica do servidor com o Estado, dependendo sempre de prévia habilitação em 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 19 concurso público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua validade. Nos termos do art. 9º da Lei n. 8.112/90, a nomeação poderá ser promovida: I – em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou decarreira; II – em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança vagos. Evidentemente, a nomeação para cargo em comissão também possui caráter originário, pois independe de vínculo anterior com o Estado. O Estatuto admite que servidor comissionado seja nomeado para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa, caso em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade. 12.1.2 Promoção A promoção é uma forma de provimento derivado, pois só pode favorecer os servidores públicos que já ocupam cargos públicos em caráter efetivo. Além da aprovação em concurso público, os demais requisitos para o ingresso e o desenvolvimento do servidor na carreira, mediante promoção, serão estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira na Administração Pública Federal e seus regulamentos (art. 10, parágrafo único, da Lei n. 8.112/90). 12.1.3 Readaptação A readaptação é uma espécie de provimento derivado, consistente na investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, verificada em inspeção médica (art. 24 do Estatuto). É o caso, por exemplo, do motorista de caminhão da prefeitura que, após acidente causador de deficiência visual parcial, é readaptado para a função de auxiliar de garagem. O reenquadramento do servidor readaptado será realizado em cargo de atribuições afins, respeitada a habilitação exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de cargo vago, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga. Na hipótese de o readaptado, diante da gravidade de sua limitação, ser julgado incapaz para o serviço público, ele será aposentado. 12.1.4 Reversão A reversão é uma espécie de provimento derivado decorrente do retorno à atividade de servidor aposentado por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou no interesse da Administração, desde que: a) tenha solicitado a reversão; b) a aposentadoria tenha sido 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 20 voluntária; c) estável quando na atividade; d) a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação; e) haja cargo vago (art. 25 do Estatuto). A Lei n. 8.112/90 tem uma disciplina bastante detalhada sobre a reversão, merecendo destaque as seguintes normas (arts. 25 a 27): 1) a reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua transformação; 2) o tempo em que o servidor estiver em exercício será considerado para concessão da aposentadoria; 3) declarados insubsistentes os motivos da aposentadoria por invalidez, encontrando-se provido o cargo, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga; 4) o servidor que retornar à atividade por interesse da administração perceberá, em substituição aos proventos da aposentadoria, a remuneração do cargo que voltar a exercer, inclusive com as vantagens de natureza pessoal que percebia anteriormente à aposentadoria; 5) o servidor de que trata o inciso II somente terá os proventos calculados com base nas regras atuais se permanecer pelo menos cinco anos no cargo; 6) não poderá reverter o aposentado que já tiver completado 75 anos de idade, na forma da lei complementar, conforme nova redação dada ao art. 40, II, da CF/88, pela EC n. 88. JÁ CAIU EM PROVA Órgão: PM-PE Prova: UPENET/IAUPE - 2014 - PM-PE - Aspirante da Polícia Militar Um aposentado por invalidez ao serviço público é examinado por junta médica oficial, e esta declara serem insubsistentes os motivos da aposentadoria. A esse fenômeno dá-se o nome de A) readaptação. B) reintegração. C) recondução. D) remoção. E) reversão. Gabarito: E. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 21 12.1.5 Aproveitamento O aproveitamento é um tipo de provimento derivado que consiste no retorno do servidor em disponibilidade, sendo obrigatório seu regresso em cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com os do anteriormente ocupado (art. 30 da Lei n. 8.112/90). O órgão Central do Sistema de Pessoal Civil determinará o imediato aproveitamento de servidor disponível em vaga que vier a ocorrer nos órgãos ou entidades da Administração Pública Federal. No caso de reorganização ou extinção de órgão ou entidade, havendo extinção do cargo ou declarada a desnecessidade do órgão ou entidade, o servidor posto em disponibilidade poderá ser mantido sob responsabilidade do SIPEC, até o seu adequado aproveitamento em outro órgão ou entidade. Será tornado sem efeito o aproveitamento e cassada a disponibilidade se o servidor não entrar em exercício no prazo legal, salvo doença comprovada por junta médica oficial (art. 32). 12.1.6 Reintegração A reintegração é uma modalidade de provimento derivado que ocorre pela reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens (art. 28 da Lei n. 8.112/90 c/c art. 41, § 2º, da CF). Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade, podendo haver seu aproveitamento em outro cargo, respeitadas as regras sobre aproveitamento indicadas no item anterior. Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização, ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade. Servidora pública que pede exoneração e fica inerte por mais de 3 anos até ingressar com ação judicial requerendo declaração de nulidade do ato administrativo e a consequente reintegração ao cargo, não tem direito à indenização de valores retroativos à exoneração, por configurar enriquecimento sem causa. STJ. 1ª Turma.REsp 2.005.114-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/8/2023. Obs: terá direito à reintegração, contudo, sem o pagamento dos salários referentes ao tempo em que não exerceu sua função pública. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 22 12.1.7 Recondução A recondução é a forma de provimento derivado, consistente no retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado, e decorrerá de inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo ou reintegração do anterior ocupante (art. 29 da Lei n. 8.112/90). Encontrando-se provido o cargo de origem, o servidor será aproveitado em outro, com atribuições e vencimentos equivalentes ao cargo que o servidor estável ocupava. Muito importante destacar que, se o cargo for extinto durante o estágio probatório do servidor, inexiste direito à recondução (Súmula 22 do STF). Tal hipótese é de exoneração (art. 41, § 3º, da Constituição Federal). Formas de provimento que são direitos constitucionais de qualquer servidor estatutário e formas de provimento que exigem previsão no respectivo estatuto. Algumas das formas de provimento enumeradas no art. 8º da Lei n. 8.112/90 constituem direitos assegurados a qualquer servidor estatutário pela CF/88. Assim, valem para todo servidor público estatutário, de qualquer esfera federativa, independentemente de previsão no respectivo estatuto. São eles: a) reintegração: ocorre quando o Judiciário anula a demissão administrativa de servidor público estável, determinando seu retorno ao cargo, com ressarcimento de todas as vantagens (art. 41, § 2º, da CF); b) recondução, aproveitamento ou disponibilidade: efetivada a reintegração de um servidor por ordem judicial, o eventual ocupante da vaga, setambém for servidor público estável, tem direito constitucional a ser reconduzido ao cargo que anteriormente ocupava, sem direito a indenização (recondução), ou aproveitado em outro cargo (aproveitamento) ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço (art. 41, § 2º, da CF); c) disponibilidade: além da hipótese mencionada no item anterior, o servidor público estável ficará em disponibilidade, sem trabalhar, mas com remuneração proporcional ao tempo de serviço, se for extinto o seu cargo ou declarada a sua desnecessidade, até seu adequado aproveitamento em outro cargo (art. 41, § 3º, da CF). Importante notar que as demais formas de provimento listadas no art. 8º da Lei n. 8.112/90, como readaptação e reversão, ou mesmo a recondução fora da hipótese acima mencionada (vide, por exemplo, o caso de recondução previsto no art. 29, I, da Lei n. 8.112/90), não são garantias constitucionais, mas benefícios conferidos pela lei somente aos servidores públicos civis da União, das autarquias e fundações públicas federais. Por essa razão, os servidores estatutários estaduais, distritais e municipais, assim como os servidores ligados às respectivas administrações indiretas farão jus a tais vantagens somente se houver expressa previsão nos respectivos estatutos. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 23 JÁ CAIU EM PROVA IADES - 2017 - PM-DF - Aspirante Assinale a alternativa que apresenta formas de provimentos estatutários no serviço público com previsão constitucional obrigatória aos entes, sem prejuízo de regulação em leis próprias. A Promoção e aproveitamento. B Nomeação e transferência. C Reintegração e substituição. D Aproveitamento e reversão. E Substituição e nomeação. Gabarito: A 12.3 Posse A posse no cargo público ocorre, nos termos do art. 13 da Lei n. 8.112/90, pela assinatura do termo de posse, no qual deverão constar as atribuições, deveres, responsabilidades e direitos inerentes ao cargo que não poderão ser unilateralmente alterados. O prazo para posse é de trinta dias contados da publicação do ato de provimento, podendo dar-se por procuração específica. Só poderá ser empossado aquele que for julgado, conforme prévia inspeção médica oficial, apto física e mentalmente. Teoria do Fato Consumado Doutrina e jurisprudência NÃO admitem a aplicação da TEORIA DO FATO CONSUMADO, sendo impossível convalidar procedimento irregular. Assim, o particular deverá ser afastado das suas funções e ser declarada a nulidade de nomeação baseado no concurso irregularmente conduzido. Em regra, não se aplica a teoria do fato consumado a candidato que assumiu o cargo por força de decisão precária posteriormente revertida. Na Jurisprudência Dos Tribunais Superiores: Não é compatível com o regime constitucional de acesso aos cargos públicos a manutenção no cargo, sob fundamento de fato consumado, de candidato não aprovado que nele tomou posse em decorrência de execução provisória de medida liminar ou outro provimento judicial de natureza precária, supervenientemente revogado ou modificado. Igualmente incabível, em casos tais, invocar o princípio da segurança jurídica ou o da proteção da confiança legítima. A posse ou o exercício em cargo público por força de decisão judicial de caráter provisório não implica a 51944 51944 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/766ebcd59621e305170616ba3d3dac32?categoria=2&subcategoria=21&assunto=83 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/766ebcd59621e305170616ba3d3dac32?categoria=2&subcategoria=21&assunto=83 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 24 manutenção, em definitivo, do candidato que não atende a exigência de prévia aprovação em concurso público (art. 37, II, da CF/88), valor constitucional que prepondera sobre o interesse individual do candidato, que não pode invocar, na hipótese, o princípio da proteção da confiança legítima, pois conhece a precariedade da medida judicial. Em suma, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram o cargo público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. STF. Plenário. Rel. Min. Teori Zavascki, 7/8/2014 (repercussão geral) No mesmo sentido: STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 474423/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 04/04/2017. Obs: a situação será diferente se o servidor se aposentou antes do fim do processo: STJ. 1ª Seção. MS 20.558-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 (Info 600). Em casos excepcionais, em que a restauração da estrita legalidade ocasionaria mais danos sociais que a manutenção da situação consolidada pelo decurso do tempo, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de admitir a aplicação da teoria do fato consumado. Em regra, o STJ acompanha o entendimento do STF e decide que é inaplicável a teoria do fato consumado aos concursos públicos, não sendo possível o aproveitamento do tempo de serviço prestado pelo servidor que tomou posse por força de decisão judicial precária, para efeito de estabilidade. Contudo, em alguns casos, o STJ afirma que há a solidificação de situações fáticas ocasionada em razão do excessivo decurso de tempo entre a liminar concedida e os dias atuais, de maneira que, a reversão desse quadro implicaria inexoravelmente em danos desnecessários e irreparáveis ao servidor. Em outras palavras, o STJ entende que existem situações excepcionais nas quais a solução padronizada ocasionaria mais danos sociais do que a manutenção da situação consolidada, impondo-se o distinguishing (distinção), e possibilitando a contagem do tempo de serviço prestado por força de decisão liminar, em necessária flexibilização da regra. Caso concreto: determinado indivíduo prestou concurso para o cargo de Policial Rodoviário Federal e foi aprovado nas provas teóricas, tendo sido, contudo, reprovado em um dos testes práticos. O candidato propôs mandado de segurança questionando esse teste. O juiz concedeu a liminar determinando a nomeação e posse, o que ocorreu em 1999. Em sentença, o magistrado confirmou a liminar e 51944 51944 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f8e6ba1db0f3c4054afec1684ba8fb26?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f8e6ba1db0f3c4054afec1684ba8fb26?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f8e6ba1db0f3c4054afec1684ba8fb26?categoria=2&subcategoria=21 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 25 julgou procedente o pedido do autor. Anos mais tarde, o TRF, ao julgar a apelação, entendeu que a exigência do teste prático realizado não continha nenhum vício. Em virtude disso, reformou a sentença. O servidor, contudo, continuou cautelarmente no cargo até 2020, quando houve o trânsito em julgado da decisão contrária ao seu pleito. O STJ assegurou a manutenção definitiva do impetrante no cargo. STJ. 1ª Turma. AREsp 883574-MS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 20/02/2020 (Info 666). STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1569719/SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 08/10/2019. JÁ CAIU EM PROVA: IDECAN - 2022 - PM-MS - Oficial Combatente do Quadro de Oficiais Policiais - Militares – QOPM Na administração pública direta, os servidores ocupam cargos públicos, exercendo legalmente um conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional. No entanto, para concretizar a investidura em cargo público, a pessoa física precisa ser: R.: nomeada e depois empossada. Jurisprudência Sobre Concurso Público: A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos realizados no âmbito da administraçãopública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. O art. 6º dessa lei previu que o sistema de cotas teria vigência pelo prazo de 10 anos, ou seja, ele terminaria dia 10 de junho de 2024. O Psol e a Rede Sustentabilidade ingressaram com ADI, no STF, pedindo a manutenção da política de cotas para candidatos negros em concursos públicos mesmo após esse prazo. De acordo com os partidos, não houve a efetiva inclusão social almejada pela política afirmativa. O STF, ao apreciar medida cautelar, deu interpretação conforme a Constituição ao art. 6º da Lei nº 12.990/2014, a fim de que o prazo nele constante seja entendido como marco temporal para avaliação da eficácia da ação afirmativa, determinação de prorrogação e/ou realinhamento e, caso atingido o objetivo da política, previsão de medidas para seu encerramento, ficando afastada a interpretação que extinga abruptamente as cotas raciais. Em outras palavras, tais cotas permanecerão sendo observadas até que se conclua o processo legislativo de competência do Congresso Nacional e, subsequentemente, do Poder Executivo. 51944 51944 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 26 STF. Plenário. ADI 7.654 MC-Ref/DF, Rel. Min. Flávio Dino, julgado em 17/06/2024 (Info 1141). Fonte: Dizer o Direito É inconstitucional dispositivo de Constituição estadual que permite transposição, absorção ou aproveitamento de empregado público no quadro estatutário da Administração Pública estadual sem prévia aprovação em concurso público, nos termos do art. 37, II, da Constituição Federal. STF. Plenário. RE 1232885/AP, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 13/4/2023 (Repercussão Geral – Tema 1.128). A equiparação de carreira de nível médio a outra de nível superior constitui forma de provimento derivado vedada pelo art. 37, II, da CF/88. É inconstitucional — por força da regra do concurso público (CF/1988, art. 37, II) — lei estadual que, ao reestruturar determinada carreira, permite a transposição de servidores para cargos com atribuições e requisitos de ingresso distintos daqueles exigidos na ocasião do provimento originário. STF. Plenário. ADI 5.510/PR, Rel. Min. Roberto Barroso, redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 6/6/2023. Info 965, STF – 2020: Não é legítima a cláusula de edital de concurso público que restrinja a participação de candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou a ação penal, salvo se essa restrição for instituída por lei e se mostrar constitucionalmente adequada Sem previsão constitucionalmente adequada e instituída por lei, não é legítima a cláusula de edital de concurso público que restrinja a participação de candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou a ação penal. STF. Plenário. RE 560900/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 5 e 6/2/2020 (repercussão geral – Tema 22) Info 666, STJ – 2019: Candidato só pode ser excluído de concurso público por não se enquadrar na cota para negros se houver contraditório e ampla defesa A exclusão do candidato, que concorre à vaga reservada em concurso público, pelo critério da heteroidentificação, seja pela constatação de fraude, seja pela aferição do fenótipo ou por qualquer outro fundamento, exige o franqueamento do 51944 51944 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d7f426ccbc6db7e235c57958c21c5dfa?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d7f426ccbc6db7e235c57958c21c5dfa?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d7f426ccbc6db7e235c57958c21c5dfa?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d7f426ccbc6db7e235c57958c21c5dfa?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d7f426ccbc6db7e235c57958c21c5dfa?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d7f426ccbc6db7e235c57958c21c5dfa?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0dbd53751c00e0784799008b44471a77?categoria=2&subcategoria=21 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0dbd53751c00e0784799008b44471a77?categoria=2&subcategoria=21 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 27 contraditório e da ampla defesa. STJ. 2ª Turma. RMS 62040-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17/12/2019 (Info 666). Info 932, STF – 2019: É inconstitucional dispositivo legal que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso tomar posse e entrar em exercício, de imediato, na classe final da carreira. É inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso público ingressar imediatamente no último padrão da classe mais elevada da carreira. Essa disposição afronta os princípios da igualdade e da impessoalidade, os quais regem o concurso público. Por essa razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei nº 8.691/93. STF. Plenário. ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/2/2019 (Info 932). É constitucional a remarcação de curso de formação para o cargo de agente penitenciário feminino de candidata que esteja lactante à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. RMS 52.622-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, por unanimidade, julgado em 26/03/2019, DJe 29/03/2019 A limitação de idade, sexo e altura para o ingresso na carreira militar é válida desde que haja previsão em lei específica e no edital do concurso público. É razoável, dada a natureza e as peculiaridades do cargo, exigir-se altura mínima para o ingresso em carreira militar, devendo esse requisito, contudo, encontrar previsão legal e não apenas editalícia. A jurisprudência dos Tribunais Superiores é pacífica no sentido de que é constitucional a exigência de altura mínima para o ingresso em carreiras militares, desde que haja previsão legal específica. Somente lei formal pode impor condições para o preenchimento de cargos, empregos ou funções públicas. STF. 2ª Turma. ARE 1073375 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/03/2018. STF - (RE 898450 – TEMA 838 DE REPERCUSSÃO GERAL): Editais de concurso público não podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo situações excepcionais em razão de conteúdo que viole valores constitucionais. Não fere direitos dos candidatos a disposição do edital do certame que prevê limites mínimo e máximo de idade para o ingresso na carreira militar, em razão da atividade peculiar nela exercida, desde que tal limitação esteja prevista em legislação específica. 51944 51944 http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?origemPesquisa=informativo&tipo=num_pro&valor=RMS52622 http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ADMINISTRATIVO AGENTES PÚBLICOS 28 STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 51864/SE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 21/03/2017. É possível cobrar questões sobre jurisprudência no concurso mesmo que o edital não preveja que irá exigir dos candidatos conhecimentos acerca dos entendimentos dos Tribunais Superiores. STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 50769/BA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 01/03/2018. STF: Veda a modificação editalícia que não seja embasada em alteração legislativa e, ainda assim, restringe a modificação do edital enquanto não concluído e homologado o certame (impossibilidade de alteração do edital no curso do processo de seleção). STF: Somente a lei pode estabelecer os limites e requisitos para acesso aos cargos públicos, não devendo ser substituída por mera regulamentação editalícia - Mesmo diante de situações que justifiquem restrições