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Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia 
tranquilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com 
os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família 
era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. 
Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava 
nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao 
teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia 
ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, 
a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não 
respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. 
Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo 
em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada 
do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Con-
ceição padecera, a princípio, com a existência da comborça*; 
mas afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando 
que era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao títu-
lo, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em 
verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, 
nem grandes lágrimas, nem grandes risos. Tudo nela era ate-
nuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito 
nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não 
dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode 
ser até que não soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos 
anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em 
férias; mas fiquei até o Natal para ver “a missa do galo na 
Corte”. A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me 
na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor 
da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a 
porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira 
ficava em casa.
− Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? per-
guntou-me a mãe de Conceição.
− Leio, D. Inácia.
Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha 
tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que 
havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de quero-
sene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cava-
lo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Os minutos 
voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de 
espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um 
acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio 
acordar-me da leitura.
(Adaptado de: ASSIS, M. de. Contos: uma antologia. São Paulo: Companhia 
das Letras, 1988)
*comborça: qualificação humilhante da amante de homem 
casado
Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao 
Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo.
No trecho acima, indica uma ação anterior a outra ocorrida no 
passado a seguinte forma verbal:
a) “pedi”.
b) “ouvindo dizer”.
c) “ia”.
d) “tinha ido”.
e) “levasse”.
19. (FCC – 2022) Para responder à questão, baseie-se no texto 
abaixo.
Por que não aprendi a tocar violão? Sempre me constituiu 
motivo de tristeza e humilhação esta precária musicalidade. Uns 
tocam piano, existe até quem toque harpa. Eu, nem ao violão 
me afiz. E não se diga que era pouco o esforço de D. Chiquinha, 
minha mestra. Afinava, afinava, apertava as cravelhas, dava um 
dó agudíssimo na prima, depois outro dó grave no bordão...
Eu pegava no violão de luxo que minha madrinha de cris-
ma mandara do Pará, ajeitava-o mal e mal no colo, começava 
de boa vontade: dum, dum, dum...
— Não! Valha-me Santa Cecília! Segunda! Mude!
E eu: dum, dum, dum...
Ai, música, divina música. D. Chiquinha carpia-se. Tanto 
sentimento de que ela dava exemplo, tanta devoção empre-
gada à toa. Eu recomeçava, dócil: primeira, segunda...
— D. Chiquinha, fiquei com uma bolha no dedo.
Já não sei como a descobrimos: decerto andava nas suas 
idas e vindas de casa em casa de aluno. Cobrava dez mil-réis 
por mês e mais o dinheiro do bonde. Duas aulas por semana.
Professora de violão, o seu sonho secreto fora sempre o 
violino, entretanto. Nas prateleiras da sua sala, guardava ela o 
seu estradivário – uma rabeca de cego, fanhosa, inválida, meti-
da numa remendada mortalha de veludo azul. Em certos dias 
de bom humor e segredo, ela pegava comovida o arco e exe-
cutava ao violino a valsa dos Sinos de Corneville.
Fora desfeita da sorte aquele meu fracasso, porque eu me 
supunha dotada e alimentava ambições. Chegara até a pensar, 
não digo em concertos, mas num brilhante recital de caridade 
em que aparecesse de vestido comprido (teria então uns doze 
anos) e, num belo contralto, cantasse ao violão certo tango 
argentino da minha preferência. Mas tudo neste mundo são 
vaidades: jamais atingi o tango argentino.
Voltando a D. Chiquinha: o instrumento plebeu que ensi-
nava constituía para minha mestra uma fonte de dissabores. 
A começar pelo apelido que lhe davam: D. Chiquinha do 
Violão. Quando alguém o repetia em sua frente, ela corrigia 
logo, irritada: – Chiquinha do Violão, não senhor. Francisca 
dos Santos. Violão não é meu dono.
Por música clássica não tinha interesse, ou antes, a ignorava. 
Para D. Chiquinha, a mais requintada manifestação de arte era 
a serenata. E dentro desse critério me ensinava visando talvez 
fazer de mim o que ela já fora em moça – a musa de todos os 
seresteiros da cidade. Sim, não só objeto passivo de canções e 
arpejos noturnos mas musa ativa e colaborante. O seresteiro 
dizia da calçada a sua trova, e lá da penumbra da alcova a don-
zela tomava do violão e na mesma toada respondia. Eram essas 
as suas lembranças mais queridas, aqueles duelos musicais, 
canta tu de lá, canto eu de cá – e entre os dois o grupo desvane-
cido dos comparsas que ajudavam no acompanhamento.
Nos acompanhamentos, a nossa favorita era a modinha “A 
mais gentil das praieiras”. Dessa eu gostava muito. Porém a 
mão rebelde não me acompanhava o entusiasmo.
(Adaptado de: QUEIROZ, R. “A mais gentil das praieiras”. Melhores 
crônicas. São Paulo: Global Editora, 2012, 1a edição digital)
Chegara até a pensar, não digo em concertos, mas num brilhan-
te recital de caridade em que aparecesse de vestido comprido 
(teria então uns doze anos) e, num belo contralto, cantasse ao 
violão certo tango argentino da minha preferência. Considera-
das as relações de sentido estabelecidas pelo contexto, substi-
tuindo “Chegara” por “Cheguei”, os verbos destacados assumirão 
as seguintes formas:
a) apareceria – cantaria
b) aparecera – cantarei
c) apareci – cante
d) apareço – cantara
e) aparecerei – canto
20. (FCC – 2022)
As redes sociais se apresentam como uma espécie de “pra-
ça pública virtual”, na qual indivíduos interagem e empresas 
anunciam seus produtos. Entretanto, ao contrário do espaço 
público tradicional (físico), plataformas de redes sociais mol-
dam quem e o que encontraremos durante a conexão. A lógi-
ca por trás disso é que tenhamos um espaço customizado, no 
qual nos deparemos com aqueles que conosco se assemelham 
e com produtos que almejamos. Conectar-se de forma sadia 
às redes sociais demanda alguns cuidados. O primeiro deles, 
é saber como a maior parte das redes sociais funciona. Não 
ignorar que cada um de nós é o verdadeiro produto pode nos 
garantir experiência saudável nesse ambiente. Desconsiderar 
esse ponto é o atalho para vivenciar aquilo que se pode definir 
como conectividade tóxica.

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