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SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 1 Tutoria FASES DE CONTROLE NEURAL E HORMONAL: • Fase cefálica: Conceito: estímulos olfatórios, visuais e pensamentos sobre consumo de comida, que causam aumento do fluxo parassimpático excitatório neural para todo o trato gastrointestinal Esse fluxo parassimpático causa um aumento das secreções salivares, de ácido gástrico, enzimático e pancreático – as respostas aos estímulos prévios melhoram a capacidade do TGI de receber e digerir o alimento que virá. Digestão mecânica e química na boca: quando o alimento chega na boca, se encontra com a saliva que possui as funções de amolecer e lubrificar o alimento tornando-o mais fácil de deglutir. Possui amilase salivar (ptialina) e lipase lingual, função gustativa e função de defesa, pois possui a lisozima, que possui ação bacteriana e imunoglobulinas incapacitando bactérias e vírus. A digestão mecânica ocorre pelos dentes, língua e lábios – esses estímulos mecânicos e químicos (gustação), causam resposta parassimpática, pela presença do alimento na boca. Controle neural: a regulação da secreção salivar é exclusivamente neural – é estimulada tanto pela divisão simpática como pela parassimpática do SNA, porém o controle fisiológico primário das glândulas é feito pelo sistema parassimpático. Deglutição: o reflexo da deglutição inicia-se voluntariamente e depende dos receptores de estiramento na abertura da faringe. Impulsos desses receptores são recebidos por uma área no bulbo denominada centro da deglutição. A deglutição tem início quando se empurra a língua contra o palato duro, movendo o bolo alimentar em direção à faringe – dessa forma, receptores mecânicos são ativados e começa o reflexo da deglutição. 1. língua empurra o bolo alimentar contra o palato duro e a parte posterior da boca, gerando o reflexo de deglutição (nervo glossofaríngeo - IX- comunicando-se com o bulbo). 2. palato mole se eleva fechando a nasofaringe e o esfíncter esofágico superior se encontra contraído. 3. respiração é inibida para a passagem do bolo alimentar, epiglote se dobra para baixo e o esfíncter esofágico superior relaxa. 4. o bolo alimentar é transportado até o estômago pelos movimentos peristálticos e gravidade. • Fase gástrica Controle neural: estímulos mecânicos (distensão da parede) e químicos regulam a função motora gástrica por meio de vias neurais através dos reflexos vagovagais. A distensão da parede gástrica resulta na inibição da musculatura lisa na porção proximal do estômago e o subsequente reflexo de acomodação - entrada e o armazenamento do alimento com aumento da pressão intragástrica. A frequência das contrações fásicas do antro é determinada pelo marcapasso gástrico (células intersticiais de Cajal); no entanto a amplitude das contrações é regulada pela liberação de neurotransmissores pelos neurônios entéricos (reflexos), substância P e acetilcolina, que aumentam a despolarização da musculatura lisa. A maior força das contrações antrais durante a fase gástrica tentará empurrar o conteúdo gástrico em direção ao piloro, sendo que este passa mais tempo contraído e impede a saída do conteúdo, o que resulta na sua mistura e posterior liberação. SISTEMA NERVOSO ENTÉRICO SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 2 Digestão: no estômago, a amilase é desnaturada devido ao pH ácido – há secreção de ácido clorídrico pelas células parietais, o que ativa enzimas importantes e elimina bactérias. O pepsinogênio é convertido em pepsina em pH ácido, iniciando a digestão das proteínas no bolo alimentar em peptídeos – nesse estágio, o peristaltismo é ativado pelo SNA. • Fase intestinal: Passagem do quimo em frações controladas para o intestino delgado. O quimo (bolo alimentar ácido) passa para o duodeno. As células S presentes liberam secretina, um hormônio que atua no pâncreas para liberar bicarbonato e neutralizar a acidez do quimo proveniente do estômago. Na segunda porção do duodeno, substâncias biliares e pancreáticas contribuem para a digestão. A bile realiza a digestão dos lipídios por emulsificação, enquanto o pâncreas libera enzimas no suco pancreático para atuar em carboidratos, lipídios e proteínas – a secreção da bile é controlada principalmente pelo hormônio colecistoquinina (CCK), que é liberado em resposta à presença de alimentos no intestino delgado, especialmente quando alimentos ricos em gordura são detectados. A motilidade intestinal é estimulada pela inervação parassimpática, CCK (colecistoquinina) e pela gastrina – a absorção dos nutrientes ocorre nas vilosidades enquanto a secreção de fluidos e hormônios ocorre nas criptas. A maioria dos nutrientes absorvidos vai para os capilares sanguíneos conectados com o intestino enquanto as gorduras geralmente são transportadas pelo sistema linfático O sangue drenado do TGI vai para o fígado pelo sistema porta-hepático para ser filtrado pelos hepatócitos, que possuem isoenzimas e citocromo p450 que metabolizam os fármacos e os xenobióticos antes desses alcançarem a circulação sistêmica. Hormônios importantes: • Gastrina (secretada pelas células G) – em resposta da ingestão ou extensão do estômago, estimulando a secreção gástrica de ácido e o crescimento da mucosa gástrica. • CCK (secretada pelas células I) – em resposta aos produtos da digestão de gordura, ácidos graxos e monoglicerídeos, contrai vesícula biliar, expelindo bile para o intestino delgado e inibe a contração do estômago e também inibe o apetite. • Secretina (secretada pelas células S) - em resposta ao conteúdo gástrico ácido que é transferido do estômago ao duodeno pelo piloro, tem pequeno efeito na motilidade do trato gastrointestinal e promove a secreção pancreática de bicarbonato. Intestino grosso: reabsorve fluidos remanescentes e armazena produtos da digestão para posterior eliminação. O quimo entra para o intestino grosso através do óstio ileal (válvula ileocecal), região entre o íleo e o ceco. A papila ileal relaxa a cada onda peristáltica; no final do íleo apenas 1,5L de quimo não foi absorvido, o colo faz a maior parte da absorção, mais ou menos 0,1L de água é perdido com as fezes. Quando o quimo entra no colo, ele é misturado pelas contrações segmentares, e empurrado para a frente por uma onda de contração que diminui o diâmetro do colo e faz uma movimentação de massa – ela é responsável pela distensão súbita do reto, desencadeando a defecação. Reflexo da defecação: é desencadeado pelo movimento do material fecal para o reto que costuma estar vazio, a musculatura do esfíncter interno (involuntário) do ânus relaxa e as contrações peristálticas do reto empurram o bolo fecal ao ânus – em uma resposta voluntária, o esfíncter externo (voluntário) do ânus é relaxado e ocorre a defecação. SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 3 A flora bacteriana do intestino grosso produz vitamina K e auxilia na degradação de carboidratos complexos e proteínas por meio da fermentação, gerando resíduos como o lactato e os ácidos graxos de cadeia curta que podem ser absorvidos por difusão simples. Carboidratos: a quebra dos carboidratos inicia-se na boca pela ação da amilase salivar – temos a quebra dos dissacarídeos maltose, sacarose e lactose em monossacarídeos, substâncias com capacidade de serem absorvidas pelo TGI, como a glicose, galactose e frutose. • Absorção de glicose no lúmen do intestino: entra com o Na pelo transportador SGLT e sai com o transportador GLUT2. • Absorção de frutose no lúmen intestinal: entra pelo transportador GLUT5 e saí da célula pelo GLUT2. Gorduras: devido a natureza aquosa do intestino, há uma emulsificação das gorduras por parte dos sais biliares formando micelas (formadas por ácidos graxos,mono e diacilgliceróis, colesterol e fosfolipídeos) – a lipase e a colipase secretadas pelo pâncreas quebram os triacilgliceróis. • Absorção: os monoacilgliceróis e os ácidos graxos entram na célula por difusão assim como o colesterol, estes se combinam dentro das células formando quilomícrons que alcançam a corrente sanguíneas Proteínas: são cadeias de aminoácidos que são quebradas pela pepsina no estômago e pela quimotripsina e tripsina no intestino delgado – as exopeptidases quebram essas cadeias proteicas menores em aminoácidos que podem ser absorvidos pelas células. • Os aminoácidos são absorvidos livres pelas células, pode haver a absorção de di ou tripeptídeos, isso ocorre com o transportador células PepT1. Sistema parassimpático e TG: Ele é excitatório, aumenta a motilidade, as secreções e o fluxo sanguíneo no SGI. Possui o nervo vago e nervo pélvico. • 75% fibras aferentes • 25% fibras eferentes (longas) e emergem da região crânio sacral • Fazem sinapse com plexos intramurais SNE (submucoso e mioentérico) • Fibras colinérgicas (acetilcolina) Sistema simpático e TG: Ele causa diminuição da motilidade, das secreções e do fluxo sanguíneo do SGI. Fibras eferentes (50%) são curtas e emergem da medula tóraco-lombar. Atravessam a cadeia ganglionar paravertebral e lançam fibras pós-sinápticas. • Neurotransmissor: noradrenalina Sistema nervoso entérico e TG: É o sistema nervoso próprio do TG. Fica localizado na parede intestinal do esôfago ao ânus. Tem importância para o controle de secreção e movimentos intestinais. Composto por dois plexos: • Plexo miontérico: controla quase todos os movimentos do TG – localizado na camada muscular da mucosa (longitudinal e circular). • Plexo submucoso: controla secreção gastrointestinal e fluxo sanguíneo local – localizado na submucosa. Reflexos curtos integrados no SNE: são os reflexos que são iniciados, integrados e finalizados inteiramente no TGI, sem a participação de sinais externos. Assim, os plexos nervosos entéricos da parede intestinal atuam como “pequenos cérebros” ao permitir que neurônios sensoriais recebam sinais do lúmen, integrem a informação no SNE e iniciem a resposta, como o estímulo secretor (pelo plexo submucoso) e de motilidade (pelo plexo mioentérico). Reflexos longos são integrados no SNC: são os reflexos que são iniciados pela estimulação de dentro ou de fora do TGI e envolvem o SNC e nervos vegetativos extrínsecos. Nesse caso, os músculos lisos e as DIGESTÃO DE DIFERENTES TIPOS DE MACROMOLÉCULAS SISTEMA NERVOSO E TG SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 4 glândulas do TGI estão sob controle autonômico, sendo a divisão parassimpática excitatória e a simpática inibitória das funções gastrointestinais. Reflexos cefálicos são reflexos longos originados completamente fora do sistema digestório, tendo o encéfalo como origem e envolvem reflexos antecipatórios e emocionais (fase cefálica) – além disso, as respostas emocionais, podem repercutir no TGI. Neurotransmissores neurônios entéricos: • Acetilcolina (excita atividade gastrointestinal) • Norepinefrina (quase sempre inibe atividade gastrointestinal, e a Epinefrina também) • Serotonina (Muito relacionado com motilidade) • Dopamina, e outros. Faz a motilidade, transportam o alimento por todo o TGI, mistura e quebra-o mecanicamente para maximizar a absorção dos nutrientes com o aumento da área de contato. O musculo liso é caracterizado por feixes ou folhetos de células fusiformes alongadas com extremidades afiladas, curtas, alongadas, com núcleo central e único, sendo encontrados nas paredes das vísceras. Elas se contraem juntas, já que são ligadas por muitas junções comunicantes, das quais os íons fluem livremente de uma célula para outra, de forma que os potenciais de ação, ou o simples fluxo de íons, podem passar de uma fibra para a seguinte e fazer com que se contraiam em conjunto. A sua contração se dá por despolarização e repolarização, denominados de potenciais de ondas lentas, originadas nas células inters:ciais de cajal (envolvido na transmissão da informação dos neurônios do SNE para a musculatura lisa), localizadas entre as camadas de músculos e plexos nervosos. As ondas lentas não necessariamente a:ngem o limiar a cada ciclo a contração muscular apenas acontece se a onda for supralimiar. Os músculos circulares contraem o segmento apical a um bolo de alimento – empurra o bolo para a frente até um segmento receptor – músculos circulares estão relaxados – segmento receptor contrai – continua o movimento para a frente. Tipos de contração: • Contrações tônicas: mantidas por minutos ou horas em alguns esfíncteres de músculo liso na porção apical do estômago • Contrações fáceis: ciclos de contração e relaxamento mantidos por alguns segundos apenas, ocorre na região distal do estômago e no intestino delgado • Complexo motor migratório: ocorre entre as refeições com o TGI vazio, esse varre os restos de bolo alimentar e bactérias para o intestino grosso. • Peristaltismo: ondas progressivas de contração muscular que empurram o bolo alimentar de uma seção para a outra no TGI • Contrações segmentares: servem para agitar o conteúdo intestinal e mantê-lo em contato constante com o epitélio absortivo. O músculo circular contrai enquanto o longitudinal relaxa, se alternando constantemente. Ruídos intestinais: são sons normais dos intestinos que se apresentam como borbulhamentos e cliques, ocorrendo pela presença de ar que se movimenta nas alças intestinais por intermédio dos movimentos peristálticos. MUSCULATURA LISA E TG SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 5 O equilíbrio hidroeletrolítico se refere manutenção de um correto estado de hidratação e abastecimento de minerais. Um defeito em um desses dois componentes pode causar efeitos prejudiciais ao corpo. Ele vai ser determinado pela quantidade de água e íons ingeridos e excretados pelo nosso corpo. O sistema digestório atuará nesse sistema de equilíbrio através absorção de água e eletrólitos. A absorção de água pelo sistema digestório envolve a osmolaridade e a difusão facilitada. E é absorvida no intestino delgado e uma parte (0,5 L) no cólon. Processo de absorção no intestino delgado: Quando os nutrientes e os eletrólitos são absorvidos pelas células do revestimento intestinal, eles criam uma diferença de concentração (gradiente osmótico) entre o interior das células e a luz intestinal. Essa diferença de concentração faz com que a água flua das áreas de menor concentração (intestino) para as áreas de maior concentração (células intestinais), passando pelas membranas celulares, sendo absorvida junto com os eletrólitos. • Ingestão excessiva de água (osmolaridade do LEC diminui): a água move-se para o interior das células e elas incham. • Ingestão de sal (osmolaridade do LEC aumenta): a água se move para fora das células e elas encolhem. Esse líquido precisa ser absorvido pelo epitélio intestinal que possui canais e proteínas para o transporte de solutos e água, se isso não ocorrer o corpo irá se encontrar extremamente desidratado. É o movimento rápido do material fecal pelo intestino grosso. Ela ocorre quando há desequilíbrio entre absorção e secreção de fluidos pelo intestino devido a uma enterotoxina ou lesão que acarrete uma diminuição da absorção, mediada por agressão direta por microorganismos ou citotoxina. Diarreias agudas tem a duração de menos de 2 semanas, geralmente são causadas por gastroenterites virais. quando possuir duração maior que duas semanas é classificada como persistente e se passar de 4 semanas é chamada de diarreia crônica e geralmente estão associadas com parasitoses não tratadas. Tiposde diarreia: • Osmótica: presença de solutos osmoticamente ativos que não absorvíveis pelo intestino, o que causa um acúmulo de líquidos e diarreia. Exemplos: lactulose, manitol, induzida por magnésio, disabsorção de carboidratos e uso de antibióticos. • Secretória: geralmente causado por toxina, drogas ou patologia intestinal e ocorre com um distúrbio do transporte hidroeletrolítico (ex: cólera e salmonela). • Inflamatória: alteração na absorção da mucosa por alteração inflamatória, que lesiona e leva a morte dos enterócitos, e não consegue absorver ou transportar açúcares, aminoácidos ou eletrólitos, ocorre a diarreia. (ex: Colites, tuberculose, doença inflamatória intestinal). • Esteatorreia: desabsorção secundária de lipídios, má absorção ou digestão (ex: insuficiência exócrina do pâncreas) • Psicogênica: quando vem junto de período de tensão nervosa. Tem estimulação do sistema nervoso parassimpático com a libração de adrenalina (estresse) que excita a motilidade e excesso de secreção de muco. É um reflexo protetor do TGI onde ocorre a expulsão forçada do conteúdo gástrico e duodenal pela boca, para impedir que elementos tóxicos sejam absorvidos. É coordenado pelo centro de vômito no bulbo que recebe estímulo através do nervo vago e vias aferentes e surge após algum estímulo sensorial, como equilíbrio perturbado, substância química no sangue ou pela estimulação da parede posterior da faringe, podendo ser acompanhado de náusea ou não. O vômito excessivo pode gerar alcalose metabólica. Os estímulos psíquicos, podem estimulá-lo (libera adrenalina e cortisol, fazendo com que o corpo produza ácido do suco gástrico em excesso, alta acidez deixa todo o sistema digestivo irritado – tóxico – vômito). Sinais aferentes do centro do vômito promovem uma onda peristáltica retrógrada par:ndo do intestino que combinado com contrações abdominais que geram um aumento da pressão intra-abdominal, fazendo com que o conteúdo gástrico volte pela cavidade oral. TG E O CONTROLE HIDROELETROLÍTICO/ ÁCIDO BÁSICO DIARREIA VÔMITO (EMESE) SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 6 ATO: (1) respiração profunda; (2) elevação do osso hióide e da laringe para a abertura do espncter esofágico superior; (3) fechamento da glote para impedir o fluxo de vômito para os pulmões; (4) elevação do palato mole para fechar as narinas posteriores. (5) forte contração do diafragma e contração simultânea dos músculos da parede abdominal, comprimindo o estômago entre o diafragma e os músculos abdominais, elevando a pressão intragástrica. As fibras solúveis (forma gel), estão relacionadas com a prevenção e controle da diarreia por serem altamente fermentáveis pelas bactérias anaeróbicas, formando maior quantidade de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). Esses AGCC são essenciais para fornecer energia às células do cólon, regular as funções do intestino, promover a absorção de água e eletrólitos (como sódio), diminuir o crescimento de bactérias patogênicas intestinais e, consequentemente, contribuir para a melhora da diarreia. Exemplos desses tipos de fibras são: goma guar parcialmente hidrolisada e frutooligossacarídeos (FOS). As fibras insolúveis (não forma gel) têm como principal benefício melhorar o trânsito intestinal e combater a prisão de ventre, pois elas aumentam o volume das fezes e estimulam os movimentos peristálticos, fazendo com que a comida passe mais rapidamente e com maior facilidade pelo intestino. Ao contrário das fibras solúveis, as insolúveis não absorvem água, e passam pelo estômago sem sofrer alterações. Elas estão presentes principalmente em alimentos como farelo de trigo, arroz integral, feijão e cereais matinais integrais. Usado no tratamento de úlceras gástricas, duodenais, esofagite de refluxo, síndromes e outros. Ele é um antiácido que suprime a secreção do acido gástrico que possui HCL por meio da sua ligação à enzima ATPase trocadora de H+/K+ (bomba de prótons) nas células parietais gástricas promovendo a supressão da secreção de ácido tanto basal quanto estimulada. As principais contraindicações são pessoas com hipersensibilidade, gestantes e lactantes pois podem ter os efeitos colaterais de náuseas, dores abdominais e diarreia. TBL SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO: Parte do SN responsável pelas atividades autonômicas (involuntárias) e que controla a maioria das funções viscerais • Pressão arterial • Frequência respiratória • Motilidade e secreção gastrointestinal • Esvaziamento da bexiga… Parte somática (voluntária): relaciona o ser com o meio externo. As alterações do ambiente estimulam a parte somática do sistema nervoso, que por uma cadeia de neurônios leva as informações até centros superiores (via aferente). Após o processamento das informações, os centros superiores influenciam órgãos alvos (os músculos estriados esqueléticos – via eferente). DIGESTÃO DE DIFERENTES TIPOS DE ALIMENTOS MECANISMO DE AÇÃO – OMEPRAZOL VIAS AUTONÔMICAS: DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO (SNA) SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 7 Parte visceral (involuntária): informações provenientes das vísceras são transmitidas aos centros superiores (via aferente). Após o processamento das informações estímulos eferentes são levados para os músculos lisos, músculo estriado cardíaco ou glândulas (via eferente). SNA SIMPÁTICO: Modula atividades de órgãos e tecidos em situações de estresse, gerando respostas que visam manter a integridade dos diferentes sistemas. Temos a capacidade de promover a liberação de adrenalina a partir das glândulas adrenais, também conhecidas como glândulas suprarrenais, e isso acontece mediante a atividade dessas células por neurônios pré-ganglionares simpáticos. As fibras nervosas se originam na medula espinhal junto com os nervos espinhais entre os segmentos T1 e L2, projetando-se para a cadeia simpática e daí para os tecidos e órgãos. • Estresse → SN → SNA → resposta de luta/fuga • Pré curto e pós longo (+ próximo do tecido alvo) • Pré-ganglionar: acetilcolina • Pós-ganglionar: noradrenalina Possui uma grande variedade de receptores adrenérgicos alfa e beta. Essa variedade faz com que a adrenalina e noradrenalina produzam efeitos diferentes em diferentes órgãos efetores: Receptor alfa: possui dois tipos, alfa 1 e 2. Possuem grande afinidade com a noradrenalina e pouca com a adrenalina. Receptor beta: possui 3 tipos diferentes de afinidade, beta 1, 2 e 3. • Beta 1: afinidade maior com adrenalina e noradrenalina. • Beta 2: afinidade maior com adrenalina. • Beta 3: afinidade maior com noradrenalina. SNA PARASSIMPÁTICO: Modula as atividades dos diferentes órgãos e tecidos em situações de repouso. As fibras nervosas parassimpáticas deixam o SNC: - Tronco encefálico (nervos cranianos): destaque para o nervo vago - Região sacral (nervos espinais): sacrais • Pré-ganglionar: noradrenalina • Pós-ganglionar: acetilcolina DIFERENÇA SNC E SNA: • SNC - 1 neurônio motor (vai chegar direto no tecido alvo) • SNA - 2 neurônios motores (tem neurônio pré ganglionar + pós ganglionar) QUESTÕES CORRIGIDAS: 1) Analise as afirmações abaixo sobre o Sistema Nervoso autônomo: I - O hipotálamo é o responsável pela homeostase e os neurônios desta região modulam a atividade dos neurônios pré-ganglionares simpáticos e parassimpáticos. II - Os neurônios do sistema nervoso simpático SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 8 modulam as funções viscerais durante as situações de estresse. É correto o que se afirma em: a) Apenas em I b) Apenas em II c) Nas duas afirmações d) Em nenhuma afirmação 2) Analise as afirmações abaixo sobre a organização do Sistema Nervoso Autônomo: I - Os axônios dos neurônios pré-ganglionares simpáticosdeixam o Sistema Nervoso Central pelos níveis torácicos e lombares da medula espinal. II - Os axônios dos neurônios pré-ganglionares parassimpáticos deixam o Sistema Nervoso Central apenas pelos níveis sacrais da medula espinal. (região sacral e tronco encefálico – crânio sacral) É correto o que se afirma em: a) Apenas em I b) Apenas em II c) Nas duas afirmações d) Em nenhuma afirmação 3) Analise as afirmações abaixo: I - O neurônio pré-ganglionar simpático libera noradrenalina no gânglio simpático. (PRÉ - ACETILCOLINA; PÓS - NORADRENALINA) II - A cadeia de gânglios simpáticos está localizada próximo à medula espinal. III - O neurônio pós-ganglionar parassimpático libera acetilcolina nos tecidos alvos. É correto o que se afirma em: a) I e II b) II e III c) I e III d) I, II e III 4) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta: I - O Sistema nervoso simpático consiste em um conjunto dos neurônios que modulam as atividades dos diferentes órgãos e tecidos mediante as situações de repouso. (ESTRESSE) II - As vertentes simpática e parassimpática do SNA trabalham por controle antagonista em todos os alvos. (exceção para as glândulas sudoríparas e o músculo liso dos vasos) a) As duas afirmações são corretas. b) Apenas a afirmação I é correta. c) Apenas a afirmação II é correta. d) As duas afirmações são incorretas. CASO DE APLICAÇÃO: Um adolescente passeava livremente em um parque quando se deparou com uma serpente. Imediatamente a frequência cardíaca e frequência respiratória do jovem se elevou. Como é possível explicar esta alteração repentina de controle parassimpático para controle simpático, além da liberação de adrenalina pelos neurônios pós-ganglionares simpáticos? R= Natureza especial das terminações nervosas simpáticas na medula adrenal. LIBERAÇÃO DE ADRENALINA NA CORRENTE SANGUÍNEA, GERANDO EFEITO SISTÊMICO AMPLIFICADO COM aumento da FC, FR e resposta de fuga Laboratório Morfofuncional SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO: A homeostase é um equilíbrio dinâmico entre as subdivisões autonômicas • descanso/sugestão = parassimpático ↑ • luta/fuga = simpática ↑ SISTEMA NERVOSO ENTÉRICO SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 9 Estruturas simpático e parassimpático: MEDULA ESPINAL: Componentes do nervo espinal: • Tronco simpático • Gânglios para- vertebrais e pré- vertebrais (celíacos aorticosrrenais, mesentéricos superiores e inferiores) (tronco + gânglio = cadeia) • Ramos comunicantes branco e cinzento • Nervos esplâncnicos (nervos relativos às vísceras) • NERVO VAGO INERVAÇÃO SOMÁTICA E VISCERAL: PLEXOS ABDOMINAIS E OS NERVOS ESPLÂNCNICOS (vão para as vísceras) SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 10 INERVAÇÃO SOMÁTICA E VISCERAL: GÂNGLIOS SIMPÁTICOS: TRAJETO DAS FIBRAS MOTORAS SIMPÁTICAS: SISTEMA NERVOSO ENTÉRICO: Plexos submucosos e mioentéricos fazem parte do conjunto de neurônios do trato gastrointestinal, que se estendem desde o esôfago até o intestino, se organizando em dois plexos: 1. Plexo submucoso: • Encontrado na submucosa; • Seus neurônios motores comandam as células secretoras do epitélio da túnica mucosa; • Estimulam o processo de secreção na mucosa da parede do trato gastrointestinal. 2. Plexo mioentérico: • Localizado entre as fibras circulares e longitudinais; • Seus neurônios motores comandam as camadas musculares lisas longitudinais e circulares da túnica muscular; SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 11 • Garantem que as células possam fazer processos de frequência e força de contração, promovendo a motilidade. Tanto o SN simpático quanto o parassimpático conseguem modular a atividade do sistema digestório por meio desses plexos. • Parassimpático: induzirá a atividade digestiva - Induz o plexo submucoso a aumentar os processos de secreção. - Induz o plexo miontérico ao aumento de motilidade. - Neurônio pré ganglionar (crânio sacral). • Simpático: tende a diminuir as atividades digestivas - Induz o plexo submucoso na diminuição do processo de secreção. - Induz o plexo mioentérico na diminuição dos processos de motilidade. - Neurônio pré ganglionar (toracolombar). * Nervo vago: é o nervo craniano que fornece fibras parassimpáticas à maioria das partes do canal alimentar ESTÔMAGO: Termina no óstio pilórico, nele existe um músculo esfíncter, que contrai permitindo ou não a passagem do alimento. QUESTÕES DE APRENDIZAGEM: 1. Julgue os itens a seguir: I. No sistema nervoso simpático, os neurônios pré- ganglionares localizam-se no tronco encefálico e na parte sacral da medula espinal. (toracolombar) II. Os neurônios pré-ganglionares do sistema nervoso parassimpático localizam-se nas partes torácica e lombar da medula espinal (cranio sacral) III. No sistema nervoso simpático, a fibra pré- ganglionar é curta e a pós-ganglionar é longa; já no sistema nervoso parassimpático, temos o contrário. Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I, II e III. 2. Avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. A parte simpática do sistema nervoso autônomo é geralmente chamada de “parte de luta” ou “parte de fuga”. PORQUE II. As atividades simpáticas causam um aumento da atenção e das atividades metabólicas que preparam o corpo para uma emergência. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 12 d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. 3. Analise as afirmações: I. Os neurônios motores do plexo mioentérico controlam a motilidade do canal alimentar. II. Os neurônios motores do plexo submucoso controlam as secreções dos órgãos do canal alimentar. III. Os neurônios sensitivos do sistema nervoso entérico têm receptores que detectam estímulos no lúmen do canal alimentar. a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I, II e III. 4. Qual nervo craniano fornece fibras parassimpáticas à maioria das partes do canal alimentar? a) Nervo vago. b) Nervo acessório. c) Nervo hipoglosso. d) Nervo troclear. 5. Quais são os neurotransmissores da divisão autônoma do sistema nervoso? a) Acetilcolina e glutamato. b) Acetilcolina e norepinefrina. c) Norepinefrina e glutamato. d) Norepinefrina e GABA Medicina Laboratorial ENZIMAS: São catalisadoras biológicas de alta especificidade (para cada enzima existe um substrato). Aceleram as reações químicas e diminuem a energia de ativação, transformando substrato em produto. Catalisar uma reação é alterar a sua velocidade, ou seja, a quantidade de massa de reagente transformada na unidade de tempo. Tem-se dois tipos: • Biológicas: produzidas pelo corpo • Alta especificidade: para cada enzima há um substrato específico Substrato: substância que sofre a transformação Produto: resultado da transformação do substrato v = reagentes transformados tempo ESTRUTURA DAS ENZIMAS: A maioria das enzimas são proteicas (holoenzima) mas algumas são produzidas por RNA (ribozimas). • Holoenzima: formada por parte proteica (apoproteína) e associada a um cofator (pode ser íon inorgânico ou molécula orgânica). Quando o cofator for orgânico passa a ser chamada de CoEnzima. A maioria das coenzimas derivam de vitaminas lipossolúveis. Os grupos prostéticos são um subgrupo de cofatores; ao contrário das coenzimas, encontram-seligados de forma permanente à proteína. FATORES QUE INFLUENCIAM NA ATIVIDADE ENZIMÁTICA: • Temperatura: as enzimas trabalham em uma temperatura ideal de 35°, ao aumentá-la ou diminui-la a velocidade de reação também irá diminuir, causando uma desnaturação (perda de forma e função). Quanto ↑temperatura, ↑atividade enzimática, até chegar na temperatura ótima (se passar disso começa a desnaturar). • pH: cada enzima específica possui um pH ideal, se o aumentar ou o diminuir a velocidade de reação também irá diminuir, causando uma desnaturação e mudança do estado de ionização dos aminoácidos da enzima (grupos ionizáveis em diferentes estados de ionização). FATORES QUE INFLUENCIAM A ATIVIDADE ENZIMÁTICA SP 1.2 – “Voltando das férias...” Rebecca Castro e Vitória Freiberger 13 • Concentração das enzimas: a velocidade de reação irá crescer proporcionalmente a quantidade de enzima utilizada. (↑enzimas = ↑velocidade de reação) • Concentração de substratos: (↑substrato = ↑velocidade de reação) Substrato = velocidade de reação → formação de um platô, transformando substrato em produto. • Presença de inibidores: qualquer substância que reduz a atividade enzimática. Eles podem ser: reversíveis e irreversíveis. ENZIMAS DIGESTIVAS: • Amilase salivar: (±7) → produzida nas glândulas salivares. Quebra as ligações glicosídicas do amido até chegar em maltose. • Pepsina: (±3) → age no estômago sobre as proteínas • Lipase: (±6) → quebra o lipídio. • Tripsina: (±8) → produzida no pâncreas. Quebra a proteína no intestino.