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5 LÍ N G UA IN G LE SA Essa integração com a segunda língua é necessária para que o aluno se sinta à vontade ao praticá-la, sem que, para isso, ele precise decorar regras. Assim, de maneira espontânea, é possível desenvolver um trabalho que, ao mesmo tempo em que se concentra na aprendizagem de uma segunda língua na escola, também abra possibilidade para que o sujeito origine uma fala e, a partir dela, constitua- se autor. Não se quer, nesse sentido, dizer que as regras não devam ser ensinadas, mas suprimir, conforme Doninni (2010), “a noção de que primeiro é preciso aprender a língua para depois aprender a usar a língua” (2010, p. 37). Entendemos que o processo de ensino e de aprendizagem de LI deva acontecer por meio da vivência do idioma, sem obedecer a uma cronologia que dita o que vem primeiro e o que vem depois, neste caso, inicialmente as regras e, consecutivamente, a prática da língua-alvo. É preciso, pois, que pensemos outra posição do aluno em relação à língua e, com isso, partamos para uma aprendizagem de LI que não segregue o que é da fala, o que é da escrita e o que é da comunicação, como se a vivência da língua acontecesse separadamente, desassociada, isolada dos elementos que são próprios de sua organização. Nesse sentido, ao elencarmos tais elementos – fala, escrita, comunicação, etc. –, podemos harmonizar práticas que deem conta de trabalhá-los simultaneamente no contexto da sala de aula. Assim, torna-se possível visualizar um ensino de segunda língua que não aconteça de modo ramificado, fragmentado, estanque, conforme pressupõe a escola, mas que, a partir de práticas de atividades como a que aqui construímos, possa autorizar o aluno a fabricar ou restaurar sentidos e reconhecer-se, identificar-se como autor de suas produções. Proposta de ensino de Língua Inglesa num viés discursivo A partir das discussões realizadas, ousamos, aqui, apresentar uma proposta para o ensino de LI nas escolas, descritas a partir de experiências da autora, e que apontam para a formação do aluno-autor. Proposta: Vídeos – Música e Imagem Procedimentos: 1. Escolher uma letra de música em inglês; 2. Entregar a letra (inglês e português) até o dia esta- belecido; 3. Não escolher músicas com temas inapropriados; 4. Para cada verso da música, escolher uma imagem que o represente; 5. As imagens podem ser retiradas da internet, filmes em geral; 6. Juntamente com as imagens, a música deverá ter le- genda (Ing/Port); 7. O trabalho deverá ser entregue em CD ou DVD devi- damente identificado; 8. Entregar uma cópia da música para a turma, apenas com a versão em inglês; 9. A cópia deverá conter 5 questões de interpretação e 5 de gramática; 10. Dominar a letra em inglês para cantá-la com a turma no dia da apresentação. Os vídeos têm basicamente feito parte da vida das pessoas, que buscam registrar momentos, guardar memórias, bem como exibi-los em programas de TV, internet ou até mesmo tentar ganhar dinheiro com isso. A música, da mesma forma, desempenha um papel importante na vida das pessoas, pois tem o poder de mudar sua maneira de pensar, fazê-las chorar ou sorrir, resgatar lembranças, recordações, lugares, sentimentos e, por isso, elas se identificam com a letra ou a melodia, capaz de elevar sua autoestima e/ou causar desconforto, angústia, melancolia. A imagem – fotos, retratos, pinturas – também esboça emoções únicas, seja de pessoas, paisagens, etc. A proposta em questão remete a uma aprendizagem de língua que, a partir das filiações do aluno, faça-o pensar sobre a música, compreendendo por que gosta da letra, por que se identifica com a melodia, e de que forma isso interfere na posição que ocupa em sala de aula. Nesse sentido, essa proposta, a partir da música que os próprios alunos selecionaram, convida-os a produzir um vídeo reunindo imagens que desenham a parte acústica, de modo que eles possam expressar os versos da letra por meio de representações que, aos olhos do aluno, referem- se ao que a música supõe, presume, exprime e/ou significa. Esse trabalho é bastante significativo, pois o aluno envolve-se com a música e atribui a ela significados distintos, sentidos que, por sua vez, são construídos nesta interação existente entre o sujeito e a linguagem. Pode- se dizer, assim, que por meio da letra da música, o aluno constrói e direciona os sentidos que busca alcançar a partir das imagens (textos), estabelecendo um diálogo entre a representação visual e a parte escrita do texto. Entendemos, desta forma, que há um leque de interpretações possíveis, que vêm à tona mobilizando diferentes opiniões, pois no ponto de vista de um aluno, por exemplo, “Don’t you worry, don’t you worry child, see heaven’s got a plan for you” (Não se preocupe, não se preocupe criança, os céus têm um plano pra você) pode significar que alguém está passando por alguma dificuldade de cunho social, econômico, já outro aluno pode interpretar que alguém sofreu uma desilusão amorosa ou foi vítima de acidente, etc. Sob essa perspectiva de diferentes interpretações, é possível, ainda, que um aluno, ao ouvir a música pela primeira vez, faça uma leitura distinta da segunda ou terceira vez que escutá-la. Essa interpretação, no caso, pode ser determinada pelo lugar em que ele está, o momento que está vivendo, as pessoas que estão ao seu redor, enfim, há inúmeras possibilidades que podem determinar que o sentido pode ser um ou outro, pois os sentidos são constituídos nesse processo parafrástico e polissêmico da língua, que temos tratado na AD. Ainda, essa proposta de ensino inclui cinco questões de interpretação e cinco questões de gramática, porque quando os alunos, em grupo, elaborarem as questões de interpretação terão que visualizar na música personagens, momentos, história, enfim fazer uma leitura e, então,