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LÍ
N
G
UA
 IN
G
LE
SA
Essa integração com a segunda língua é necessária 
para que o aluno se sinta à vontade ao praticá-la, sem que, 
para isso, ele precise decorar regras. Assim, de maneira 
espontânea, é possível desenvolver um trabalho que, ao 
mesmo tempo em que se concentra na aprendizagem de 
uma segunda língua na escola, também abra possibilidade 
para que o sujeito origine uma fala e, a partir dela, constitua-
se autor. Não se quer, nesse sentido, dizer que as regras 
não devam ser ensinadas, mas suprimir, conforme Doninni 
(2010), “a noção de que primeiro é preciso aprender a 
língua para depois aprender a usar a língua” (2010, p. 37). 
Entendemos que o processo de ensino e de aprendizagem 
de LI deva acontecer por meio da vivência do idioma, sem 
obedecer a uma cronologia que dita o que vem primeiro 
e o que vem depois, neste caso, inicialmente as regras e, 
consecutivamente, a prática da língua-alvo. 
É preciso, pois, que pensemos outra posição do 
aluno em relação à língua e, com isso, partamos para 
uma aprendizagem de LI que não segregue o que é da 
fala, o que é da escrita e o que é da comunicação, como 
se a vivência da língua acontecesse separadamente, 
desassociada, isolada dos elementos que são próprios de 
sua organização. 
Nesse sentido, ao elencarmos tais elementos – fala, 
escrita, comunicação, etc. –, podemos harmonizar práticas 
que deem conta de trabalhá-los simultaneamente no 
contexto da sala de aula. Assim, torna-se possível visualizar 
um ensino de segunda língua que não aconteça de modo 
ramificado, fragmentado, estanque, conforme pressupõe a 
escola, mas que, a partir de práticas de atividades como a 
que aqui construímos, possa autorizar o aluno a fabricar 
ou restaurar sentidos e reconhecer-se, identificar-se como 
autor de suas produções. 
 
Proposta de ensino de Língua Inglesa num viés discursivo 
A partir das discussões realizadas, ousamos, aqui, 
apresentar uma proposta para o ensino de LI nas escolas, 
descritas a partir de experiências da autora, e que apontam 
para a formação do aluno-autor. 
 
Proposta: Vídeos – Música e Imagem 
 
Procedimentos: 
 
1. Escolher uma letra de música em inglês; 
2. Entregar a letra (inglês e português) até o dia esta-
belecido; 
3. Não escolher músicas com temas inapropriados; 
4. Para cada verso da música, escolher uma imagem que 
o represente; 
5. As imagens podem ser retiradas da internet, filmes 
em geral; 
6. Juntamente com as imagens, a música deverá ter le-
genda (Ing/Port); 
7. O trabalho deverá ser entregue em CD ou DVD devi-
damente identificado; 
8. Entregar uma cópia da música para a turma, apenas 
com a versão em inglês; 
9. A cópia deverá conter 5 questões de interpretação e 
5 de gramática; 
10. Dominar a letra em inglês para cantá-la com a turma 
no dia da apresentação. 
 
Os vídeos têm basicamente feito parte da vida das 
pessoas, que buscam registrar momentos, guardar 
memórias, bem como exibi-los em programas de TV, 
internet ou até mesmo tentar ganhar dinheiro com isso. 
A música, da mesma forma, desempenha um papel 
importante na vida das pessoas, pois tem o poder de mudar 
sua maneira de pensar, fazê-las chorar ou sorrir, resgatar 
lembranças, recordações, lugares, sentimentos e, por isso, 
elas se identificam com a letra ou a melodia, capaz de 
elevar sua autoestima e/ou causar desconforto, angústia, 
melancolia. A imagem – fotos, retratos, pinturas – também 
esboça emoções únicas, seja de pessoas, paisagens, etc. 
A proposta em questão remete a uma aprendizagem 
de língua que, a partir das filiações do aluno, faça-o pensar 
sobre a música, compreendendo por que gosta da letra, 
por que se identifica com a melodia, e de que forma isso 
interfere na posição que ocupa em sala de aula. Nesse 
sentido, essa proposta, a partir da música que os próprios 
alunos selecionaram, convida-os a produzir um vídeo 
reunindo imagens que desenham a parte acústica, de 
modo que eles possam expressar os versos da letra por 
meio de representações que, aos olhos do aluno, referem-
se ao que a música supõe, presume, exprime e/ou significa. 
Esse trabalho é bastante significativo, pois o aluno 
envolve-se com a música e atribui a ela significados 
distintos, sentidos que, por sua vez, são construídos nesta 
interação existente entre o sujeito e a linguagem. Pode-
se dizer, assim, que por meio da letra da música, o aluno 
constrói e direciona os sentidos que busca alcançar a partir 
das imagens (textos), estabelecendo um diálogo entre a 
representação visual e a parte escrita do texto. 
 Entendemos, desta forma, que há um leque de 
interpretações possíveis, que vêm à tona mobilizando 
diferentes opiniões, pois no ponto de vista de um aluno, 
por exemplo, “Don’t you worry, don’t you worry child, see 
heaven’s got a plan for you” (Não se preocupe, não se 
preocupe criança, os céus têm um plano pra você) pode 
significar que alguém está passando por alguma dificuldade 
de cunho social, econômico, já outro aluno pode interpretar 
que alguém sofreu uma desilusão amorosa ou foi vítima de 
acidente, etc. 
 Sob essa perspectiva de diferentes interpretações, 
é possível, ainda, que um aluno, ao ouvir a música pela 
primeira vez, faça uma leitura distinta da segunda ou 
terceira vez que escutá-la. Essa interpretação, no caso, pode 
ser determinada pelo lugar em que ele está, o momento 
que está vivendo, as pessoas que estão ao seu redor, 
enfim, há inúmeras possibilidades que podem determinar 
que o sentido pode ser um ou outro, pois os sentidos são 
constituídos nesse processo parafrástico e polissêmico da 
língua, que temos tratado na AD. 
Ainda, essa proposta de ensino inclui cinco questões 
de interpretação e cinco questões de gramática, porque 
quando os alunos, em grupo, elaborarem as questões de 
interpretação terão que visualizar na música personagens, 
momentos, história, enfim fazer uma leitura e, então,

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