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Victória David Brito 5° Período Medicina ANAMNESE 1. QUEIXA/HDA • O sintoma surgiu abruptamente ou evoluiu de forma progressiva ou foi assintomático - por exemplo, a visão embaçada em um olho não foi descoberta até que o outro olho foi inadvertidamente ocluído? • A duração foi breve ou o sintoma continua até a presente consulta? • O sintoma era intermitente? Qual era a frequência? • A localização é focal ou difusa, e o envolvimento é unilateral ou bilateral? • Por fim, o paciente caracteriza o grau como leve, moderado ou grave? • Quais medidas terapêuticas foram tentadas, e até que ponto elas têm ajudado? • O paciente identificou fatores que desencadeiam ou pioram o sintoma? • Ocorreram casos semelhantes anteriormente e há outros sintomas associados? • Os sintomas são uni ou bilaterais? • Há história de trauma ocular, alergias e manifestações extraoculares associadas, como cefaleia, vômitos, paralisias, entre outras? • Há casos semelhantes entre familiares ou contato? 2.ANTECEDENTES PESSOAIS • Tratamentos oculares anteriores: • Óculos • LC • Colírios - O colírio usado antes do exame oftalmológico é a tropicamida. Ela tem a função de fazer cicloplegia, ou seja, paralisar os músculos ciliares, impedindo a acomodação visual. Ele também faz um pouco de midríase e dura de 3 a 5 horas. O colírio mais potente para dilatação e cicloplegia é a atropina, que tem efeito de 10 a 12 dias. Antigamente só se usava atropina para os exames oftalmológicos. Cirurgias o Laser Doenças sistêmicas: • HAS, DM - As mais importantes são HAS e DM pela sua prevalência • Cardiopatias - As cardiopatias se destacam também porque algumas drogas pra arritmias podem tem repercussão ocular. • Doenças reumáticas e infecciosas • Neoplasias - Comum metástase de coróide • Etilismo, tabagismo - Relação com a desnutrição Obs.: Motoristas que dirigem a noite devem usar um colírio lubrificante para evitar o ressecamento do globo ocular e o cansaço na vista. 3. ANTECEDENTES FAMILIARES • Estrabismo • Glaucoma — Hoje muitas pessoas tem o diagnóstico errôneo de glaucoma e usam colírios para essas doenças. • Descolamento de Retina (DR) • Cegueira SINAIS E SINTOMAS • SENSAÇÃO DE CORPO ESTRANHO - É desagradável, quase sempre acompanhada de dor, cujas causas são corpo estranho na córnea, na conjuntiva bulbar ou na conjuntiva palpebral, cílios virados para dentro, roçando a córnea, inflamação corneana superficial, abrasão corneana e conjuntivite. • QUEIMAÇÃO OU ARDÊNCIA - É uma sensação de desconforto que, quando ocorre, faz o paciente lavar os olhos para aliviar o sintoma. • PRURIDO - Quando o prurido é muito acentuado, quase sempre é sinal de alergia, mas também pode ser causado por vício de refração não corrigido. • SENSAÇÃO DE OLHO SECO - Síndrome de Sjögren, na conjuntivite crônica, na exposição da conjuntiva por mau posicionamento da pálpebra e quando há dificuldade para fechar a pálpebra corretamente (paralisia facial). • LACRIMEJAMENTO OU EPÍFORA - Excesso de secreção de lágrimas ou por defeito no mecanismo de drenagem. Obs.: O estímulo aferente - ramo oftálmico do nervo trigêmeo; - Resposta eferente (secretora) é dada pelo nervo facial. • DOR OCULAR - Quando ocorre em afecção do globo ocular, é do tipo visceral, ou seja, o paciente não consegue localiza-la muito bem. Porém, quando sua origem é na pálpebra, ele é capaz de apontar com o dedo o local exato da dor. Pode ser determinada por inflamação da pálpebra, dacrioadenite, celulite orbitária, abscesso, periostite, conjuntivite aguda, esclerite, episclerite, corpo estranho corneano, uveíte anterior (irite e iridociclite) e sinusite. •FOTOFOBIA - Devida a inflamação corneana, afacia (ausência de cristalino), irite e albinismo ocular. • CEFALEIA DE ORIGEM OCULAR - Dor de cabeça mais frontal, no fim do dia, associada a vícios de refração não corrigidos. Pode aparecer também nos processos inflamatórios dos olhos e anexos e no glaucoma crônico simples. • HEMERALOPIA OU "cegueira diurna" - Função deficiente dos cones (C de cores que lembra o dia). • NICTALOPIA OU "cegueira noturna" - Mais comum e relaciona-se com uma deficiente função dos bastonetes. Ex.: retinopatia pigmentar, miopia maligna, degenerações retinianas, glaucoma tardio. • XANTOPSIA - É a visão amarelada; - Ocorre em intoxicações medicamentosas, icterícia muito intensa. • IANTOPSIA (VISÃO VIOLETA) E CLOROPSIA (VISÃO VERDE) - São muito menos frequentes e também sintomas de intoxicações medicamentosas (digitálicos, barbitúricos). • ALUCINAÇÕES VISUAIS - Geralmente doença do lobo occipital, origem psiquiátrica ou por intoxicação exógena (cocaína, ópio, etilismo). Victória David Brito 5° Período Medicina • DIPLOPIA - É importante conhecer o momento do aparecimento da diplopia, se constante ou intermitente, se ocorre em certas posições do olhar ou a determinadas distâncias, e se os dois objetos vistos são horizontais ou verticais. - Esotropia (estrabismo convergente). - Exotropia (estrabismo divergente). - O paciente pode descrever o fato como visão embaçada que desaparece quando apenas um dos olhos está aberto. - A diplopia pode ser monocular ou binocular. • ESCOTOMA - Área de cegueira parcial ou completa, dentro de um campo visual normal. - Podem ser unilaterais ou bilaterais e devem ser investigados quanto à posição, forma, tamanho, intensidade, uniformidade, início e evolução. • NISTAGMO - Movimentos repetitivos rítmicos dos olhos. › Frequência: rápido ou lento; › Amplitude: amplo ou estreito; › Direção: horizontal, vertical, rotacional; - Avaliar se o movimento é pendular; estrabismos, catarata, coriorretinite ou por disfunções neurológicas. - A principal causa de nistagmo ou é uma alteração a nível cortical (AVC) ou uma alteração vestibulococlear OBS: o nistagmo geralmente é acompanhado de grande redução da acuidade visual. • DISMETRIA OCULAR - É uma série de movimentos conjugados pendulares, de amplitude decrescente, que ocorrem durante a mudança de fixação. Os olhos executam um movimento exagerado, ultrapassando o objeto de fixação (hipermetria ou hipometria) • FLUTTER OCULAR' - Movimento ocular conjugado, involuntário, em salvas intercaladas por períodos de imobilidade. • OPSOCLONUS - Manifestação clínica bem característica, observada nas encefalites que atingem o tronco cerebral e são acompanhadas de mioclonias. • BOBBING OCULAR - É uma alteração oculomotora rara. Trata-se de movimentos conjugados verticais de vaivém, que aparecem bruscamente em indivíduos comatosos com lesão extensa da ponte, apresentando uma paralisia do olhar horizontal. EXAME FÍSICO OCULAR • Exame ocular externo: Consiste na inspeção ocular. Mesmo sem recursos específicos é possível realizar um bom exame ocular com auxílio apenas de foco luminoso. Devemos analisar posição globo ocular, da fenda inter palpebral, bordas palpebrais, pele palpebral, cílios, conjuntiva bulbar, carúncula, conjuntiva tarsal, limbo esclero-corneal, córnea, câmara anterior, íris e pupila. A palpação deve ser realizada se sinais de inflamação ou edema de pálpebras e região lacrimal, ou suspeita de glaucoma agudo (aumento da consistência ocular a digito-pressão através da pálpebra), sempre com cuidado. • Exame das pupilas: observar tamanho, simetria, (mesmo tamanho - isocoria, diferentes - anisocoria), forma e posição. Caso seja possível ver algo através dela, como lecocoria (sinal sugestivo retinoblastoma). Verificar resposta pupila a luz direta e consensual (contração da pupila contralateral quando se emite estímulo luminoso direto), acomodação visual (contração pupila com aproximação de um objeto ou dedo do examinador). • Swinging teste: quandouma luz é emitida sobre um olho normal, há contração. Quando a luz é levada até outro olho, pela perda do estimulo luminoso direto, há uma dilatação. E, por fim, quando a luz chega ao olho contralateral, há novamente contração. Essa alternância é o que chamamos de swinging test. Quando examinamos um olho cego, há uma menor contração pupilar quando luz incide no olho doente - alterado principalmente em defeitos aferentes do nervo óptico e lesões de retina). • Motilidade ocular extrínseca: Nesse momento é testado o funcionamento dos seis músculos extraoculares. Para interpretação correta das alterações devemos lembrar as suas inervações pelos pares cranianos: Nervo oculomotor (III): m. reto superior; reto inferior; reto medial; oblíquo inferior. Nervo abducente (VI): m. retolateral Nervo troclear (IV): m. oblíquo superior Na análise da movimentação, solicitamos que paciente siga com olhar dedo do examinador que fará um movimento similar a um H, posicionado próximo do paciente, que deverá seguir com o olhar o movimento sem mexer a cabeça. Dessa forma, conseguimos analisar todos os movimentos dos músculos extrínsecos oculares e suas inervações. • Teste da cobertura: Solicitamos que paciente foque em um ponto a 30 m do olho. Quando cobrimos um dos olhos de um indivíduo sem alteração, o outro olho continua focando na mira, sem necessitar ajustar posição. No entanto, um paciente heteroforia (endo ou exoforia) quando olhos forem ocluídos alternadamente, o olho descoberto realiza um Victória David Brito 5° Período Medicina pequeno movimento para focar. Já nos estrábicos, a oclusão será seguida de um movimento do outro do outro, para fora ou ora dentro. • Avaliação acuidade visual: Acuidade visual é a capacidade do olho e distinguir detalhes. Por definição, é o inverso do ângulo visual limiar em minutos de arco (a), ou seja, ângulo subentendido pelo menor detalhe discriminado. Arbitrariamente, o ângulo visual de 1' (lê-se um minuto de arco) foi determinado como acuidade visual padrão. Esse é, na verdade, o principal propósito de visitas ao oftalmologista, ou seja, precisa ou não de óculos. • Acuidade visual para longe: Com paciente posicionado a uma distância preestabelecida, geralmente 5-6 metros, a acuidade visual é verificada em cada olho separadamente. Diferentes testes/ tabelas podem ser utilizadas, sendo a mais comum de Snellen. Quando o maior item (chamado optotipo) da tabela não for enxergado, pode-se reduzir a distância até quando enxergar. Se mesmo assim não for identificado realizados prosseguimos o exame para: o "Conta dedos": paciente contar os dedos mostrados pelo examinador. Caso não consiga há 5 metros, reduzir até onde for necessário para contagem. o Detecta movimento de mão: o examinador movimenta sua mão há uma distância de 30 cm do paciente e questiona se paciente percebe ou não movimento. Pode estar reduzido no glaucoma avançado. o Identifica localização foco luminoso: colocar foco luminoso e questionar se está aceso ou apagado. Para verificar se a visão teria melhoria com uso de lentes, realiza-se a medida com orifício estenopeico (colocação de placa com pequeno orifício que seleciona os raios "paralelos" para centro da córnea). Caso não melhore deve-se suspeitas de problemas de retina, opacificações, alterações nervosas. A medida é expressa em fração, exemplo 20/200, que significa que o paciente leu a imagens a uma distância de 20 pés, enquanto indivíduo emétrope (acuidade visual preservada), lê em 200 pés. O normal seria 20/20. Após a medida da acuidade visual, é realizado o ajuste pela refração, que mede a adequação óptica da retina em relação ao comprimento axial do olho, fornecendo a acuidade visual corrigida. • Causas de redução: As causas mais comuns são as ametropias (miopia, hipermetropia, astigmatismo). Outras causas possíveis são ceratites, astenopia, catarata, descolamento retina, hemorragia vítrea e neurites. • Acuidade visual para perto: É medida através de tabelas próprias, a mais comum tabela de Nieden, uma folha com uma serie de letras em ordem decrescente de tamanho, colocada cerca de 30 cm do olho examinado. • Campo visual: Quando há suspeita de alteração de campo visual deve-se realizar uma estimativa do campo visual. O examinador confronta o paciente, ambos ocluem um dos olhos. O examinador coloca dedo na metade distância entre os dois e pergunta ao paciente quando dedos há ou se dedo movimenta ou não, testando ao menos os 4 quadrantes. Caso haja alteração no teste, há indicação de realizar perimetria. A cegueira, do ponto de vista oftalmológico, é determinada quando a acuidade visual no melhor olho com a melhor correção óptica é inferior a 0,05 ou200/400, que corresponde a aproximadamente contar dedo a luz do dia a 3 metros. PROPEDÊUTICA 1.Oftalmoscopia Quando solicitar? • Suspeita de doenças retinianas (ex.: retinopatia diabética, degeneração macular). • Avaliação de alterações no nervo óptico (ex.: glaucoma, neurite óptica). • Pacientes com hipertensão arterial, diabetes mellitus ou outras doenças sistêmicas que afetam a retina. • Queixas de baixa acuidade visual sem causa aparente. Para que serve? • Examina a retina, o nervo óptico, a mácula e os vasos sanguíneos oculares. • Detecta sinais precoces de doenças sistêmicas que afetam o olho. 2. Retinoscopia Quando solicitar? • Pacientes com erro refracional suspeito (miopia, hipermetropia, astigmatismo). • Crianças pequenas ou pacientes não colaborativos que não conseguem realizar exame subjetivo de refração. • Avaliação prévia à prescrição de óculos ou lentes de contato. Para que serve? • Determina objetivamente o grau de refração do olho. • Auxilia no diagnóstico de ametropias e na adaptação de lentes corretivas. 3. Tonometria Quando solicitar? • Rastreamento e acompanhamento do glaucoma. •Pacientes com histórico familiar de glaucoma. • Suspeita de hipertensão ocular. Victória David Brito 5° Período Medicina • Queixas de dor ocular e visão turva, sugerindo aumento da pressão intraocular. Para que serve? • Mede a pressão intraocular (PIO). • Essencial para diagnóstico e controle do glaucoma. 4. Biomicroscopia (Lâmpada de Fenda) Quando solicitar? • Avaliação de estruturas anteriores do olho (córnea, conjuntiva, íris, cristalino). • Diagnóstico de ceratites, conjuntivites, catarata, uveítes. - Exame de rotina para pacientes com queixas oculares. • Monitoramento de lentes de contato. Para que serve? • Permite visualizar em detalhes a anatomia do segmento anterior do olho. • Diagnostica inflamações, infecções e alterações estruturais. ALTERAÇÕES OCULARES O Aqui estão as 10 principais queixas oftalmológicas na atenção básica, com quadro clínico, exame físico, conduta e exames complementares: 1. Diminuição da acuidade visual Quadro clínico: Visão borrada, dificuldade para enxergar de longe ou perto, progressiva ou súbita. Exame físico: • Acuidade visual (tabela de Snellen/Jaeger) • Fundoscopia • Reflexo pupilar Conduta: • Suspeita de erro refrativo → Encaminhar para refração • Catarata → Encaminhar para avaliação oftalmológica • Doença retiniana → Encaminhar oftalmologista Exames complementares: • Retinoscopia (erros refrativos) • Fundoscopia (retinopatia diabética, degeneração macular) 2. Olho vermelho Quadro clínico: Pode ser acompanhado de dor, secreção, prurido ou fotofobia. Exame físico: • Inspeção ocular (secreção, hiperemia) • Teste com fluoresceína (úlceras, corpo estranho) • Biomicroscopia (se disponível) Conduta: • Conjuntivite viral → Medidas de higiene e sintomáticos • Conjuntivite bacteriana → Colírio antibiótico (ex.: moxifloxacino) • Ceratite/úlcera → Encaminhar ao oftalmologista Exames complementares: • Teste com fluoresceína(ceratites, úlceras) 3. Dor ocular Quadro clínico: Pode ser leve a intensa, associada a olho vermelho ou não. Exame físico: • Biomicroscopia (se disponível) • Teste de fluoresceína (corpo estranho, úlcera) • Tonometria (se suspeita de glaucoma) Conduta: • Corpo estranho → Remoção e colírio antibiótico • Glaucoma agudo → Encaminhamento urgente • Uveíte → Encaminhamento oftalmológico Exames complementares: • Tonometria (se suspeita de glaucoma) • Biomicroscopia com lâmpada de fenda 4. Secreção ocular Quadro clínico: Secreção purulenta (bacteriana), aquosa (viral), mucoide (alérgica). Exame físico: • Avaliação da secreção • Inspeção ocular e palpebral Conduta: • Bacteriana → Colírio antibiótico • Viral → Sintomáticos e higiene • Alérgica → Anti-histamínico tópico Exames complementares: • Cultura da secreção (se recorrente ou grave) 5. Lacrimejamento excessivo (epífora) Quadro clínico: Pode estar associado a obstrução lacrimal, olho seco reflexo ou conjuntivites. Exame físico: • Compressão do saco lacrimal (teste de regurgitação) • Teste de fluoresceína (para olho seco) Conduta: • Obstrução → Encaminhamento oftalmológico • Olho seco → Lágrimas artificiais Exames complementares: • Teste de Schirmer (produção lacrimal) 6. Fotofobia Quadro clínico: Sensibilidade à luz, pode estar associada a inflamação ocular. Exame físico: • Reflexo pupilar • Biomicroscopia (se disponível) Conduta: • Uveíte → Encaminhamento urgente • Olho seco → Lágrimas artificiais Exames complementares: • Teste de fluoresceína (ceratite) 7. Moscas volantes e flashes de luz Quadro clínico: Manchas móveis ou clarões no campo visual, podendo indicar descolamento de retina. Exame físico: • Fundoscopia Conduta: • Se suspeita de descolamento → Encaminhamento urgente Exames complementares: • Ultrassonografia ocular (se fundoscopia inconclusiva) 8. Visão dupla (diplopia) Quadro clínico: Pode ser monocular (erro refrativo) ou binocular (neurológico). Exame físico: • Teste de cobertura (estrabismo) • Avaliação de motilidade ocular Conduta: • Monocular → Encaminhar para refração • Binocular → Investigação neurológica Exames complementares: Victória David Brito 5° Período Medicina • Ressonância magnética (se suspeita de causa neurológica) 9. Halos ao redor das luzes Quadro clínico: Visão de círculos coloridos ao redor de luzes, pode indicar glaucoma. Exame físico: • Tonometria • Fundoscopia (cavidade do nervo óptico) Conduta: • Suspeita de glaucoma → Encaminhamento urgente Exames complementares: • Campimetria (campo visual) 10. Prurido ocular Quadro clínico: Coceira intensa, geralmente bilateral. Exame físico: • Avaliação da conjuntiva e pálpebras Conduta: • Conjuntivite alérgica → Anti-histamínicos tópicos Exames complementares: • Teste alérgico (se recorrente) 10. Conjuntivite 1.Quadro Clínico A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva e pode ter diferentes causas: Conjuntivite viral (mais comum) • Início unilateral, tornando-se bilateral em poucos dias • Secreção aquosa • Hiperemia conjuntival difusa • Prurido e sensação de corpo estranho • História de sintomas gripais ou contato com pessoas infectadas Conjuntivite bacteriana • Secreção purulenta abundante • Pálpebras grudadas ao acordar • Início geralmente unilateral, podendo tornar-se bilateral • Hiperemia conjuntival • Pode haver edema palpebral Conjuntivite alérgica • Prurido intenso • Secreção mucoide • Hiperemia leve a moderada • Edema palpebral e quemoses (edema conjuntival) • História de alergias prévias (rinite, asma, dermatite atópica) 2. Exame Físico Inspeção ocular • Avaliação da hiperemia conjuntival (difusa e bilateral na conjuntivite) • Presença e características da secreção • Edema palpebral e quemoses Eversão palpebral • Avaliar presença de folículos (mais comuns em conjuntivite viral) ou papilas (mais comuns em conjuntivite alérgica) Teste de acuidade visual • Para descartar comprometimento ocular mais grave Reflexos pupilares • Se alterados, considerar outras causas (ex.: uveíte) 3. Conduta na Atenção Básica Conjuntivite viral • Compressas frias • Lubrificantes oculares (lágrimas artificiais) • Higiene ocular (limpeza com soro fisiológico) • Evitar contato direto para reduzir transmissão • Orientação sobre curso autolimitado (7 a 14 dias) Conjuntivite bacteriana • Colírio antibiótico (moxifloxacino ou tobramicina 4x/dia por 7 dias) • Higiene ocular com soro fisiológico • Evitar uso de lentes de contato até melhora completa Conjuntivite alérgica • Anti-histamínicos tópicos (olopatadina, cetotifeno) • Corticosteroides tópicos (somente se prescrito pelo oftalmologista) • Compressas frias • Evitar contato com alérgenos conhecidos Encaminhamento para o oftalmologista se houver: • Dor intensa e fotofobia (suspeita de ceratite ou uveíte) • Falta de melhora com tratamento • Secreção muito espessa e densa (suspeita de gonococo) • Comprometimento visual significativo 4. Exames a Solicitar na Atenção Básica A conjuntivite geralmente é diagnosticada clinicamente, mas em casos atípicos ou graves podem ser solicitados: • Cultura da secreção ocular → Se não houver melhora com antibióticos ou se houver suspeita de infecção gonocócica • Teste alérgico → Em conjuntivite alérgica recorrente 11. Glaucoma 1. Quadro Clínico Glaucoma Crônico de Ângulo Aberto (mais comum – assintomático no início) • Perda progressiva da visão periférica (tardia e irreversível). • Pode evoluir para visão tubular nos estágios avançados. • Sem dor ou vermelhidão ocular. • História familiar positiva é um fator de risco importante. Glaucoma Agudo de Ângulo Fechado (emergência oftalmológica) • Dor ocular intensa e súbita. • Visão embaçada com halos ao redor das luzes. • Náuseas e vômitos. • Olho vermelho e pupila midriática não responsiva 2. Avaliação na Atenção Básica Exame Físico • Acuidade visual (reduzida nos casos avançados). • Avaliação do reflexo pupilar (em glaucomas avançados pode haver defeito pupilar aferente). • Fundoscopia: • Escavação aumentada do disco óptico (>0,5). • Assimetria entre os olhos. • Palidez do nervo óptico. • Tonometria (se disponível): PIO > 21 mmHg sugere glaucoma. Diagnóstico Diferencial Victória David Brito 5° Período Medicina • Neurite óptica (dor ao mover os olhos, perda visual súbita). • Catarata avançada (redução da visão, mas sem escavação do disco óptico). 3. Conduta na Atenção Básica Glaucoma Crônico de Ângulo Aberto • Encaminhamento para o oftalmologista para confirmação diagnóstica e início do tratamento com colírios hipotensores (ex.: latanoprosta, timolol). • Controle da pressão arterial e glicemia, pois hipertensão e diabetes são fatores de risco. • Acompanhamento regular para avaliação da progressão da doença. Glaucoma Agudo de Ângulo Fechado (Emergência!) • Encaminhamento imediato ao oftalmologista. • Se possível iniciar medidas para redução da PIO antes da transferência: • Acetazolamida 500 mg VO ou IV (reduz a produção de humor aquoso). • Manitol IV 20% (se disponível, para redução rápida da PIO). • Colírios hipotensores (timolol e apraclonidina, se disponíveis). 4. Exames a Solicitar Na atenção básica, o diagnóstico definitivo não é possível, mas alguns exames podem ser úteis para triagem: • Tonometria (se disponível) → PIO elevada (>21 mmHg) sugere glaucoma. • Fundoscopia → Avaliação do nervo óptico (escavação aumentada). • Campimetria (campo visual) → Feita no nível especializado para avaliar a perda do campo visual. Encaminhamento ao oftalmologista é essencial para confirmação diagnóstica e tratamento adequado,pois a maioria dos casos é assintomática até fases avançadas. 12. Anisocoria Anisocoria é quando as pupilas possuem tamanhos diferentes, existindo uma mais dilatada que a outra, podendo ser fisiológico ou patológico. • Causas: trauma, enxaqueca, AVC, tumor cerebral, inflamação do nervo ótico, meningite, uso de medicamentos, glaucoma. • Tratamento: O tratamento para anisocoria depende da causa subjacente da condição, e apenas um médico especializado é capaz de definir o melhor caminho terapêutico para seu paciente. Em alguns casos, especialmente quando a anisocoria é considerada benigna e não apresenta sintomas preocupantes, não é necessário instituir tratamento específico, mas se a condição for causada por uma lesão de um nervo craniano ou outro problema neurológico, por exemplo, é necessário investigar e intervir junto à causa base. HÁBITOS DE CUIDADO E PREVENÇÃO – GERAL • Cuidado com o sol: usar óculos de sol reduz a exposição dos olhos aos efeitos nocivos da radiação ultravioleta; • Cuidado com a exposição excessiva às telas de TV, computador e smartphone: ficar muito tempo em frente às telas pode causar ressecamento dos olhos, cansaço visual e distúrbios do sono; • Evite coçar os olhos: pode causar irritações, lesões oculares ou até problema na córnea. Em clima seco, hidrate os olhos com colírios lubrificantes; • Cuidado com o uso excessivo de colírios: automedicação deve ser evitada. Corticóides são particularmente preocupantes pelo risco de induzirem ao glaucoma e à catarata; • Durma no mínimo 8 horas por dia: dormir pouco pode causar irritação nos olhos e cansaço visual; • Tenha uma alimentação balanceada: uma alimentação rica e diversificada, incluindo vegetais verdes escuros e legumes, peixes e sementes, fornece vitaminas benéficas para o funcionamento da retina; • Procure ajuda médica caso perceba anormalidade na visão: o diagnóstico precoce evita complicações. Realize consultas regulares para avaliar a qualidade da visão e atualizar o grau dos óculos, se necessário; • Cuidado com produtos muito próximos aos olhos: produtos químicos, maquiagens e tinturas podem causar irritação e alergias nos olhos e nas pálpebras. Sempre retire a maquiagem dos olhos antes de dormir.