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Victória David Brito 5° Período Medicina 
ANAMNESE 
 
1. QUEIXA/HDA 
• O sintoma surgiu abruptamente ou evoluiu de forma 
progressiva ou foi assintomático - por exemplo, a visão 
embaçada em um olho não foi descoberta até que o outro 
olho foi inadvertidamente ocluído? 
• A duração foi breve ou o sintoma continua até a presente 
consulta? 
• O sintoma era intermitente? Qual era a frequência? 
• A localização é focal ou difusa, e o envolvimento é 
unilateral ou bilateral? 
• Por fim, o paciente caracteriza o grau como leve, moderado 
ou grave? 
• Quais medidas terapêuticas foram tentadas, e até que 
ponto elas têm ajudado? 
• O paciente identificou fatores que desencadeiam ou pioram 
o sintoma? 
• Ocorreram casos semelhantes anteriormente e há outros 
sintomas associados? 
• Os sintomas são uni ou bilaterais? 
• Há história de trauma ocular, alergias e manifestações 
extraoculares associadas, como cefaleia, vômitos, paralisias, 
entre outras? 
• Há casos semelhantes entre familiares ou contato? 
 
2.ANTECEDENTES PESSOAIS 
• Tratamentos oculares anteriores: 
• Óculos 
• LC 
• Colírios - O colírio usado antes do exame oftalmológico é a 
tropicamida. Ela tem a função de fazer cicloplegia, ou seja, 
paralisar os músculos ciliares, impedindo a acomodação 
visual. Ele também faz um pouco de midríase e dura de 3 a 5 
horas. O colírio mais potente para dilatação e cicloplegia é a 
atropina, que tem efeito de 10 a 12 dias. Antigamente só se 
usava atropina para os exames oftalmológicos. 
Cirurgias o Laser 
 
Doenças sistêmicas: 
• HAS, DM - As mais importantes são HAS e DM pela sua 
prevalência 
• Cardiopatias - As cardiopatias se destacam também porque 
algumas drogas pra arritmias podem tem repercussão 
ocular. 
• Doenças reumáticas e infecciosas 
• Neoplasias - Comum metástase de coróide 
• Etilismo, tabagismo - Relação com a desnutrição 
Obs.: Motoristas que dirigem a noite devem usar um colírio 
lubrificante para evitar o ressecamento do globo ocular e o 
cansaço na vista. 
 
3. ANTECEDENTES FAMILIARES 
• Estrabismo 
• Glaucoma — Hoje muitas pessoas tem o diagnóstico 
errôneo de glaucoma e usam colírios para essas doenças. 
• Descolamento de Retina (DR) 
• Cegueira 
 
SINAIS E SINTOMAS 
 
• SENSAÇÃO DE CORPO ESTRANHO 
- É desagradável, quase sempre acompanhada de dor, cujas 
causas são corpo estranho na córnea, na conjuntiva bulbar 
ou na conjuntiva palpebral, cílios virados para dentro, 
roçando a córnea, inflamação corneana superficial, abrasão 
corneana e conjuntivite. 
 
• QUEIMAÇÃO OU ARDÊNCIA 
- É uma sensação de desconforto que, quando ocorre, faz o 
paciente lavar os olhos para aliviar o sintoma. 
 
• PRURIDO 
- Quando o prurido é muito acentuado, quase sempre é sinal 
de alergia, mas também pode ser causado por vício de 
refração não corrigido. 
 
• SENSAÇÃO DE OLHO SECO 
- Síndrome de Sjögren, na conjuntivite crônica, na 
exposição da conjuntiva por mau posicionamento da 
pálpebra e quando há dificuldade para fechar a pálpebra 
corretamente (paralisia facial). 
 
• LACRIMEJAMENTO OU EPÍFORA 
- Excesso de secreção de lágrimas ou por defeito no 
mecanismo de drenagem. 
Obs.: O estímulo aferente - ramo oftálmico do nervo 
trigêmeo; 
- Resposta eferente (secretora) é dada pelo nervo facial. 
 
• DOR OCULAR 
- Quando ocorre em afecção do globo ocular, é do tipo 
visceral, ou seja, o paciente não consegue localiza-la muito 
bem. Porém, quando sua origem é na pálpebra, ele é capaz 
de apontar com o dedo o local exato da dor. Pode ser 
determinada por inflamação da pálpebra, dacrioadenite, 
celulite orbitária, abscesso, periostite, conjuntivite aguda, 
esclerite, episclerite, corpo estranho corneano, uveíte 
anterior (irite e iridociclite) e sinusite. 
 
•FOTOFOBIA 
- Devida a inflamação corneana, afacia (ausência de 
cristalino), irite e albinismo ocular. 
 
• CEFALEIA DE ORIGEM OCULAR 
- Dor de cabeça mais frontal, no fim do dia, associada a 
vícios de refração não corrigidos. Pode aparecer também 
nos processos inflamatórios dos olhos e anexos e no 
glaucoma crônico simples. 
 
• HEMERALOPIA OU "cegueira diurna" 
- Função deficiente dos cones (C de cores que lembra o dia). 
 
• NICTALOPIA OU "cegueira noturna" 
- Mais comum e relaciona-se com uma deficiente função dos 
bastonetes. 
Ex.: retinopatia pigmentar, miopia maligna, degenerações 
retinianas, glaucoma tardio. 
 
• XANTOPSIA 
- É a visão amarelada; 
- Ocorre em intoxicações medicamentosas, icterícia muito 
intensa. 
 
• IANTOPSIA (VISÃO VIOLETA) E CLOROPSIA (VISÃO 
VERDE) 
- São muito menos frequentes e também sintomas de 
intoxicações medicamentosas (digitálicos, barbitúricos). 
 
• ALUCINAÇÕES VISUAIS 
- Geralmente doença do lobo occipital, origem psiquiátrica 
ou por intoxicação exógena (cocaína, ópio, etilismo). 
 
Victória David Brito 5° Período Medicina 
• DIPLOPIA 
- É importante conhecer o momento do aparecimento da 
diplopia, se constante ou intermitente, se ocorre em certas 
posições do olhar ou a determinadas distâncias, e se os dois 
objetos vistos são horizontais ou verticais. 
- Esotropia (estrabismo convergente). 
- Exotropia (estrabismo divergente). 
- O paciente pode descrever o fato como visão embaçada 
que desaparece quando apenas um dos olhos está aberto. 
- A diplopia pode ser monocular ou binocular. 
 
• ESCOTOMA 
- Área de cegueira parcial ou completa, dentro de um campo 
visual normal. 
- Podem ser unilaterais ou bilaterais e devem ser 
investigados quanto à posição, forma, tamanho, intensidade, 
uniformidade, início e evolução. 
 
• NISTAGMO 
- Movimentos repetitivos rítmicos dos olhos. 
› Frequência: rápido ou lento; 
› Amplitude: amplo ou estreito; 
› Direção: horizontal, vertical, rotacional; 
- Avaliar se o movimento é pendular; estrabismos, catarata, 
coriorretinite ou por disfunções neurológicas. 
- A principal causa de nistagmo ou é uma alteração a nível 
cortical (AVC) ou uma alteração vestibulococlear 
OBS: o nistagmo geralmente é acompanhado de grande 
redução da acuidade visual. 
 
• DISMETRIA OCULAR 
- É uma série de movimentos conjugados pendulares, de 
amplitude decrescente, que ocorrem durante a mudança de 
fixação. Os olhos executam um movimento exagerado, 
ultrapassando o objeto de fixação (hipermetria ou 
hipometria) 
 
• FLUTTER OCULAR' 
- Movimento ocular conjugado, involuntário, em salvas 
intercaladas por períodos de imobilidade. 
 
• OPSOCLONUS 
- Manifestação clínica bem característica, observada nas 
encefalites que atingem o tronco cerebral e são 
acompanhadas de mioclonias. 
 
• BOBBING OCULAR 
- É uma alteração oculomotora rara. Trata-se de movimentos 
conjugados verticais de vaivém, que aparecem bruscamente 
em indivíduos comatosos com lesão extensa da ponte, 
apresentando uma paralisia do olhar horizontal. 
 
EXAME FÍSICO OCULAR 
• Exame ocular externo: Consiste na inspeção ocular. Mesmo 
sem recursos específicos é possível realizar um bom exame 
ocular com auxílio apenas de foco luminoso. Devemos 
analisar posição globo ocular, da fenda inter palpebral, 
bordas palpebrais, pele palpebral, cílios, conjuntiva bulbar, 
carúncula, conjuntiva tarsal, limbo esclero-corneal, córnea, 
câmara anterior, íris e pupila. A palpação deve ser realizada 
se sinais de inflamação ou edema de pálpebras e região 
lacrimal, ou suspeita de glaucoma agudo (aumento da 
consistência ocular a digito-pressão através da pálpebra), 
sempre com cuidado. 
• Exame das pupilas: observar tamanho, simetria, (mesmo 
tamanho - isocoria, diferentes - anisocoria), forma e posição. 
Caso seja possível ver algo através dela, como lecocoria 
(sinal sugestivo retinoblastoma). Verificar resposta pupila a 
luz direta e consensual (contração da pupila contralateral 
quando se emite estímulo luminoso direto), acomodação 
visual (contração pupila com aproximação de um objeto ou 
dedo do examinador). 
• Swinging teste: quandouma luz é emitida sobre um olho 
normal, há contração. Quando a luz é levada até outro olho, 
pela perda do estimulo luminoso direto, há uma dilatação. E, 
por fim, quando a luz chega ao olho contralateral, há 
novamente contração. 
Essa alternância é o que chamamos de swinging test. 
Quando examinamos um olho cego, há uma menor 
contração pupilar quando luz incide no olho doente - 
alterado principalmente em defeitos aferentes do nervo 
óptico e lesões de retina). 
• Motilidade ocular extrínseca: Nesse momento é testado o 
funcionamento dos seis músculos extraoculares. Para 
interpretação correta das alterações devemos lembrar as 
suas inervações pelos pares cranianos: 
Nervo oculomotor (III): m. reto superior; reto inferior; reto 
medial; oblíquo inferior. 
Nervo abducente (VI): m. retolateral 
Nervo troclear (IV): m. oblíquo superior 
 
Na análise da movimentação, solicitamos que paciente siga 
com olhar dedo do examinador que fará um movimento 
similar a um H, posicionado próximo do paciente, que deverá 
seguir com o olhar o movimento sem mexer a cabeça. Dessa 
forma, conseguimos analisar todos os movimentos dos 
músculos extrínsecos oculares e suas inervações. 
• Teste da cobertura: Solicitamos que paciente foque em um 
ponto a 30 m do olho. Quando cobrimos um dos olhos de um 
indivíduo sem alteração, o outro olho continua focando na 
mira, sem necessitar ajustar posição. No entanto, um 
paciente heteroforia (endo ou exoforia) quando olhos forem 
ocluídos alternadamente, o olho descoberto realiza um 
Victória David Brito 5° Período Medicina 
pequeno movimento para focar. Já nos estrábicos, a oclusão 
será seguida de um movimento do outro do outro, para fora 
ou ora dentro. 
• Avaliação acuidade visual: Acuidade visual é a capacidade 
do olho e distinguir detalhes. Por definição, é o inverso do 
ângulo visual limiar em minutos de arco (a), ou seja, ângulo 
subentendido pelo menor detalhe discriminado. 
Arbitrariamente, o ângulo visual de 1' (lê-se um minuto de 
arco) foi determinado como acuidade visual padrão. Esse é, 
na verdade, o principal propósito de visitas ao oftalmologista, 
ou seja, precisa ou não de óculos. 
• Acuidade visual para longe: Com paciente posicionado a 
uma distância preestabelecida, geralmente 5-6 metros, a 
acuidade visual é verificada em cada olho separadamente. 
Diferentes testes/ tabelas podem ser utilizadas, sendo a mais 
comum de Snellen. Quando o maior item (chamado optotipo) 
da tabela não for enxergado, pode-se reduzir a distância até 
quando enxergar. 
 
Se mesmo assim não for identificado realizados 
prosseguimos o exame para: 
 
o "Conta dedos": paciente contar os dedos mostrados 
pelo examinador. Caso não consiga há 5 metros, 
reduzir até onde for necessário para contagem. 
o Detecta movimento de mão: o examinador 
movimenta sua mão há uma distância de 30 cm do 
paciente e questiona se paciente percebe ou não 
movimento. Pode estar reduzido no glaucoma 
avançado. 
o Identifica localização foco luminoso: colocar foco 
luminoso e questionar se está aceso ou apagado. 
 
Para verificar se a visão teria melhoria com uso de lentes, 
realiza-se a medida com orifício estenopeico (colocação de 
placa com pequeno orifício que seleciona os raios 
"paralelos" para centro da córnea). 
Caso não melhore deve-se suspeitas de problemas de 
retina, opacificações, alterações nervosas. 
A medida é expressa em fração, exemplo 20/200, que 
significa que o paciente leu a imagens a uma distância de 20 
pés, enquanto indivíduo emétrope (acuidade visual 
preservada), lê em 200 pés. O normal seria 20/20. 
Após a medida da acuidade visual, é realizado o ajuste pela 
refração, que mede a adequação óptica da retina em relação 
ao comprimento axial do olho, fornecendo a acuidade visual 
corrigida. 
 
• Causas de redução: As causas mais comuns são as 
ametropias (miopia, hipermetropia, astigmatismo). 
Outras causas possíveis são ceratites, astenopia, catarata, 
descolamento retina, hemorragia vítrea e neurites. 
 
• Acuidade visual para perto: É medida através de tabelas 
próprias, a mais comum tabela de Nieden, uma folha com 
uma serie de letras em ordem decrescente de tamanho, 
colocada cerca de 30 cm do olho examinado. 
• Campo visual: Quando há suspeita de alteração de campo 
visual deve-se realizar uma estimativa do campo visual. O 
examinador confronta o paciente, ambos ocluem um dos 
olhos. O examinador coloca dedo na metade distância entre 
os dois e pergunta ao paciente quando dedos há ou se dedo 
movimenta ou não, testando ao menos os 4 quadrantes. 
Caso haja alteração no teste, há indicação de realizar 
perimetria. 
A cegueira, do ponto de vista oftalmológico, é determinada 
quando a acuidade visual no melhor olho com a melhor 
correção óptica é inferior a 0,05 ou200/400, que 
corresponde a aproximadamente contar dedo a luz do dia a 
3 metros. 
 
PROPEDÊUTICA 
 
1.Oftalmoscopia 
 
Quando solicitar? 
• Suspeita de doenças retinianas (ex.: retinopatia diabética, 
degeneração macular). 
• Avaliação de alterações no nervo óptico (ex.: glaucoma, 
neurite óptica). 
• Pacientes com hipertensão arterial, diabetes mellitus ou 
outras doenças sistêmicas que afetam a retina. 
• Queixas de baixa acuidade visual sem causa aparente. 
 
Para que serve? 
• Examina a retina, o nervo óptico, a mácula e os vasos 
sanguíneos oculares. 
• Detecta sinais precoces de doenças sistêmicas que afetam 
o olho. 
 
2. Retinoscopia 
 
Quando solicitar? 
• Pacientes com erro refracional suspeito (miopia, 
hipermetropia, astigmatismo). 
• Crianças pequenas ou pacientes não colaborativos que não 
conseguem realizar exame subjetivo de refração. 
• Avaliação prévia à prescrição de óculos ou lentes de 
contato. 
 
Para que serve? 
• Determina objetivamente o grau de refração do olho. 
• Auxilia no diagnóstico de ametropias e na adaptação de 
lentes corretivas. 
 
3. Tonometria 
 
Quando solicitar? 
• Rastreamento e acompanhamento do glaucoma. 
•Pacientes com histórico familiar de glaucoma. 
• Suspeita de hipertensão ocular. 
Victória David Brito 5° Período Medicina 
• Queixas de dor ocular e visão turva, sugerindo aumento da 
pressão intraocular. 
 
Para que serve? 
• Mede a pressão intraocular (PIO). 
• Essencial para diagnóstico e controle do glaucoma. 
 
4. Biomicroscopia (Lâmpada de Fenda) 
 
Quando solicitar? 
• Avaliação de estruturas anteriores do olho (córnea, 
conjuntiva, íris, cristalino). 
• Diagnóstico de ceratites, conjuntivites, catarata, uveítes. 
- Exame de rotina para pacientes com queixas oculares. 
• Monitoramento de lentes de contato. 
 
Para que serve? 
• Permite visualizar em detalhes a anatomia do segmento 
anterior do olho. 
• Diagnostica inflamações, infecções e alterações estruturais. 
 
ALTERAÇÕES OCULARES 
 
O Aqui estão as 10 principais queixas oftalmológicas na 
atenção básica, com quadro clínico, exame físico, conduta e 
exames complementares: 
 
1. Diminuição da acuidade visual 
 
Quadro clínico: Visão borrada, dificuldade para enxergar de 
longe ou perto, progressiva ou súbita. 
Exame físico: 
• Acuidade visual (tabela de Snellen/Jaeger) 
• Fundoscopia 
• Reflexo pupilar 
Conduta: 
• Suspeita de erro refrativo → Encaminhar para refração 
• Catarata → Encaminhar para avaliação oftalmológica 
• Doença retiniana → Encaminhar oftalmologista 
Exames complementares: 
• Retinoscopia (erros refrativos) 
• Fundoscopia (retinopatia diabética, degeneração macular) 
 
2. Olho vermelho 
 
Quadro clínico: Pode ser acompanhado de dor, secreção, 
prurido ou fotofobia. 
Exame físico: 
• Inspeção ocular (secreção, hiperemia) 
• Teste com fluoresceína (úlceras, corpo estranho) 
• Biomicroscopia (se disponível) 
Conduta: 
• Conjuntivite viral → Medidas de higiene e sintomáticos 
• Conjuntivite bacteriana → Colírio antibiótico (ex.: 
moxifloxacino) 
• Ceratite/úlcera → Encaminhar ao oftalmologista 
Exames complementares: 
• Teste com fluoresceína(ceratites, úlceras) 
 
3. Dor ocular 
 
Quadro clínico: Pode ser leve a intensa, associada a olho 
vermelho ou não. 
Exame físico: 
• Biomicroscopia (se disponível) 
• Teste de fluoresceína (corpo estranho, úlcera) 
• Tonometria (se suspeita de glaucoma) 
Conduta: 
• Corpo estranho → Remoção e colírio antibiótico 
• Glaucoma agudo → Encaminhamento urgente 
• Uveíte → Encaminhamento oftalmológico 
Exames complementares: 
• Tonometria (se suspeita de glaucoma) 
• Biomicroscopia com lâmpada de fenda 
 
4. Secreção ocular 
 
Quadro clínico: Secreção purulenta (bacteriana), aquosa 
(viral), mucoide (alérgica). 
Exame físico: 
• Avaliação da secreção 
• Inspeção ocular e palpebral 
Conduta: 
• Bacteriana → Colírio antibiótico 
• Viral → Sintomáticos e higiene 
• Alérgica → Anti-histamínico tópico 
Exames complementares: 
• Cultura da secreção (se recorrente ou grave) 
 
5. Lacrimejamento excessivo (epífora) 
 
Quadro clínico: Pode estar associado a obstrução lacrimal, 
olho seco reflexo ou conjuntivites. 
Exame físico: 
• Compressão do saco lacrimal (teste de regurgitação) 
• Teste de fluoresceína (para olho seco) 
Conduta: 
• Obstrução → Encaminhamento oftalmológico 
• Olho seco → Lágrimas artificiais 
Exames complementares: 
• Teste de Schirmer (produção lacrimal) 
 
6. Fotofobia 
 
Quadro clínico: Sensibilidade à luz, pode estar associada a 
inflamação ocular. 
Exame físico: 
• Reflexo pupilar 
• Biomicroscopia (se disponível) 
Conduta: 
• Uveíte → Encaminhamento urgente 
• Olho seco → Lágrimas artificiais 
Exames complementares: 
• Teste de fluoresceína (ceratite) 
 
7. Moscas volantes e flashes de luz 
 
Quadro clínico: Manchas móveis ou clarões no campo visual, 
podendo indicar descolamento de retina. 
Exame físico: 
• Fundoscopia 
Conduta: 
• Se suspeita de descolamento → Encaminhamento urgente 
Exames complementares: 
• Ultrassonografia ocular (se fundoscopia inconclusiva) 
 
8. Visão dupla (diplopia) 
 
Quadro clínico: Pode ser monocular (erro refrativo) ou 
binocular (neurológico). 
Exame físico: 
• Teste de cobertura (estrabismo) 
• Avaliação de motilidade ocular 
Conduta: 
• Monocular → Encaminhar para refração 
• Binocular → Investigação neurológica 
Exames complementares: 
Victória David Brito 5° Período Medicina 
• Ressonância magnética (se suspeita de causa neurológica) 
 
9. Halos ao redor das luzes 
 
Quadro clínico: Visão de círculos coloridos ao redor de luzes, 
pode indicar glaucoma. 
Exame físico: 
• Tonometria 
• Fundoscopia (cavidade do nervo óptico) 
Conduta: 
• Suspeita de glaucoma → Encaminhamento urgente 
Exames complementares: 
• Campimetria (campo visual) 
10. Prurido ocular 
 
Quadro clínico: Coceira intensa, geralmente bilateral. 
Exame físico: 
• Avaliação da conjuntiva e pálpebras 
Conduta: 
• Conjuntivite alérgica → Anti-histamínicos tópicos 
Exames complementares: 
• Teste alérgico (se recorrente) 
 
10. Conjuntivite 
 
1.Quadro Clínico 
 
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva e pode ter 
diferentes causas: 
 
Conjuntivite viral (mais comum) 
• Início unilateral, tornando-se bilateral em poucos dias 
• Secreção aquosa 
• Hiperemia conjuntival difusa 
• Prurido e sensação de corpo estranho 
• História de sintomas gripais ou contato com pessoas 
infectadas 
 
Conjuntivite bacteriana 
• Secreção purulenta abundante 
• Pálpebras grudadas ao acordar 
• Início geralmente unilateral, podendo tornar-se bilateral 
• Hiperemia conjuntival 
• Pode haver edema palpebral 
 
Conjuntivite alérgica 
• Prurido intenso 
• Secreção mucoide 
• Hiperemia leve a moderada 
• Edema palpebral e quemoses (edema conjuntival) 
• História de alergias prévias (rinite, asma, dermatite atópica) 
 
2. Exame Físico 
 
Inspeção ocular 
• Avaliação da hiperemia conjuntival (difusa e bilateral na 
conjuntivite) 
• Presença e características da secreção 
• Edema palpebral e quemoses 
 
Eversão palpebral 
• Avaliar presença de folículos (mais comuns em conjuntivite 
viral) ou papilas (mais comuns em conjuntivite alérgica) 
 
Teste de acuidade visual 
• Para descartar comprometimento ocular mais grave 
 
Reflexos pupilares 
• Se alterados, considerar outras causas (ex.: uveíte) 
 
3. Conduta na Atenção Básica 
 
Conjuntivite viral 
• Compressas frias 
• Lubrificantes oculares (lágrimas artificiais) 
• Higiene ocular (limpeza com soro fisiológico) 
• Evitar contato direto para reduzir transmissão 
• Orientação sobre curso autolimitado (7 a 14 dias) 
 
Conjuntivite bacteriana 
• Colírio antibiótico (moxifloxacino ou tobramicina 4x/dia por 
7 dias) 
• Higiene ocular com soro fisiológico 
• Evitar uso de lentes de contato até melhora completa 
 
Conjuntivite alérgica 
• Anti-histamínicos tópicos (olopatadina, cetotifeno) 
• Corticosteroides tópicos (somente se prescrito pelo 
oftalmologista) 
• Compressas frias 
• Evitar contato com alérgenos conhecidos 
 
Encaminhamento para o oftalmologista se houver: 
• Dor intensa e fotofobia (suspeita de ceratite ou uveíte) 
• Falta de melhora com tratamento 
• Secreção muito espessa e densa (suspeita de gonococo) 
• Comprometimento visual significativo 
 
4. Exames a Solicitar na Atenção Básica 
 
A conjuntivite geralmente é diagnosticada clinicamente, mas 
em casos atípicos ou graves podem ser solicitados: 
• Cultura da secreção ocular → Se não houver melhora com 
antibióticos ou se houver suspeita de infecção gonocócica 
• Teste alérgico → Em conjuntivite alérgica recorrente 
 
11. Glaucoma 
 
1. Quadro Clínico 
 
Glaucoma Crônico de Ângulo Aberto (mais comum – 
assintomático no início) 
• Perda progressiva da visão periférica (tardia e irreversível). 
• Pode evoluir para visão tubular nos estágios avançados. 
• Sem dor ou vermelhidão ocular. 
• História familiar positiva é um fator de risco importante. 
 
Glaucoma Agudo de Ângulo Fechado (emergência 
oftalmológica) 
• Dor ocular intensa e súbita. 
• Visão embaçada com halos ao redor das luzes. 
• Náuseas e vômitos. 
• Olho vermelho e pupila midriática não responsiva 
 
2. Avaliação na Atenção Básica 
 
Exame Físico 
• Acuidade visual (reduzida nos casos avançados). 
• Avaliação do reflexo pupilar (em glaucomas avançados 
pode haver defeito pupilar aferente). 
• Fundoscopia: 
• Escavação aumentada do disco óptico (>0,5). 
• Assimetria entre os olhos. 
• Palidez do nervo óptico. 
• Tonometria (se disponível): PIO > 21 mmHg sugere 
glaucoma. 
 
 Diagnóstico Diferencial 
Victória David Brito 5° Período Medicina 
• Neurite óptica (dor ao mover os olhos, perda visual súbita). 
• Catarata avançada (redução da visão, mas sem escavação 
do disco óptico). 
 
3. Conduta na Atenção Básica 
 
Glaucoma Crônico de Ângulo Aberto 
• Encaminhamento para o oftalmologista para confirmação 
diagnóstica e início do tratamento com colírios hipotensores 
(ex.: latanoprosta, timolol). 
• Controle da pressão arterial e glicemia, pois hipertensão e 
diabetes são fatores de risco. 
• Acompanhamento regular para avaliação da progressão da 
doença. 
 
Glaucoma Agudo de Ângulo Fechado (Emergência!) 
• Encaminhamento imediato ao oftalmologista. 
• Se possível iniciar medidas para redução da PIO antes da 
transferência: 
• Acetazolamida 500 mg VO ou IV (reduz a produção de 
humor aquoso). 
• Manitol IV 20% (se disponível, para redução rápida da PIO). 
• Colírios hipotensores (timolol e apraclonidina, se 
disponíveis). 
 
4. Exames a Solicitar 
 
Na atenção básica, o diagnóstico definitivo não é possível, 
mas alguns exames podem ser úteis para triagem: 
• Tonometria (se disponível) → PIO elevada (>21 mmHg) 
sugere glaucoma. 
• Fundoscopia → Avaliação do nervo óptico (escavação 
aumentada). 
• Campimetria (campo visual) → Feita no nível especializado 
para avaliar a perda do campo visual. 
 
Encaminhamento ao oftalmologista é essencial para 
confirmação diagnóstica e tratamento adequado,pois a 
maioria dos casos é assintomática até fases avançadas. 
 
12. Anisocoria 
 
Anisocoria é quando as pupilas possuem tamanhos 
diferentes, existindo uma mais dilatada que a outra, podendo 
ser fisiológico ou patológico. 
 
• Causas: trauma, enxaqueca, AVC, tumor cerebral, 
inflamação do nervo ótico, meningite, uso de medicamentos, 
glaucoma. 
• Tratamento: O tratamento para anisocoria depende da 
causa subjacente da condição, e apenas um médico 
especializado é capaz de definir o melhor caminho 
terapêutico para seu paciente. Em alguns casos, 
especialmente quando a anisocoria é considerada benigna e 
não apresenta sintomas preocupantes, não é necessário 
instituir tratamento específico, mas se a condição for 
causada por uma lesão de um nervo craniano ou outro 
problema neurológico, por exemplo, é necessário investigar 
e intervir junto à causa base. 
 
 
 
HÁBITOS DE CUIDADO E PREVENÇÃO – 
GERAL 
 
• Cuidado com o sol: usar óculos de sol reduz a exposição 
dos olhos aos efeitos nocivos da radiação ultravioleta; 
• Cuidado com a exposição excessiva às telas de TV, 
computador e smartphone: ficar muito tempo em frente às 
telas pode causar ressecamento dos olhos, cansaço visual e 
distúrbios do sono; 
• Evite coçar os olhos: pode causar irritações, lesões 
oculares ou até problema na córnea. Em clima seco, hidrate 
os olhos com colírios lubrificantes; 
• Cuidado com o uso excessivo de colírios: automedicação 
deve ser evitada. Corticóides são particularmente 
preocupantes pelo risco de induzirem ao glaucoma e à 
catarata; 
• Durma no mínimo 8 horas por dia: dormir pouco pode 
causar irritação nos olhos e cansaço visual; 
• Tenha uma alimentação balanceada: uma alimentação rica 
e diversificada, incluindo vegetais verdes escuros e legumes, 
peixes e sementes, fornece vitaminas benéficas para o 
funcionamento da retina; 
• Procure ajuda médica caso perceba anormalidade na visão: 
o diagnóstico precoce evita complicações. Realize consultas 
regulares para avaliar a qualidade da visão e atualizar o grau 
dos óculos, se necessário; 
• Cuidado com produtos muito próximos aos olhos: produtos 
químicos, maquiagens e tinturas podem causar irritação e 
alergias nos olhos e nas pálpebras. Sempre retire a 
maquiagem dos olhos antes de dormir.

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