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FRATURAS DE MANDÍBULA A etiologia das fraturas de mandíbula, em sua grande maioria, vem do trauma, mas algumas outras causas podem ser encontradas. Uma delas são as fraturas patológicas (cisto, tumor ou necrose óssea – radiação/bisfosfonatos) em que pela ação da musculatura, o osso fragi- lizado pela patologia fratura na área afetada. Fraturas de mandíbula geradas pelo profissio- nal (iatrogênicas) também são frequentes. CLASSIFICAÇÃO Classificadas de forma geral de acordo com o traço de fratura, deslocamento, comunicação com microorganismos e todas aquelas outras, mas especificamente da mandíbula, podemos classificar de acordo com: - Localização: coronoide (0,2%), côndilo (15%), ramo (1,3%), ângulo (11%), corpo (13%), sínfi- se e parassínfise (13%), alveolodentárias. Essa epidemiologia da frequência da localiza- ção da fratura é baseada em alguns aspectos: (1) o tamanho da área anatômica (corpo é maior então vai sofrer mais fratura); (2) áreas mais expostas e menos protegidos ao trauma (mento é mais exposto e menos protegido por estruturas anatômicas que a coronoide, que só fratura em traumas diretamente nela ou traumas muito violentos); e (3) áreas de fratura indireta (côndilo). - Direta ou Indireta: fraturas diretas são aquelas que ocorrem no local do impacto e fraturas indiretas que ocorre pela resultante final das forças do trauma que percorre a base óssea sendo anulada através dos pilares de sustentação da face e vai finalizar em um local final (comum trauma em mento fraturar côndilo ou base do crânio – sinal de Battle = otorragia e equimose retroauricular indicam fratura na base do crânio). AVALIAÇÃO A anamnese será importante para saber: - História do trauma: quando, como, onde - Direção do impacto: importante para investigar a localização da fratura e se houve uma fratura indireta. Um trauma na lateral da mandíbula (região de canino, comissura) pode fraturar a parassínfise no lado do trauma e o côndilo do lado oposto. Um trauma no meio do mento pode fraturar na região e ainda o côndilo bilateralmente (comum em criança). - Oclusão prévia: saber se tinha maloclusão, porque na hora da redução precisa ocluir e bloquear na posição dentária e oclusal correta para só depois imobilizar o osso. Na maioria dos casos há desoclusões prévias e ela precisa ser reconstruída na cirurgia. O oclusão é o início, o meio e o fim (objetivo: oclusão satisfatória) da cirurgia. - História de DTM: saber se tinha DTM antes para saber se havia má posição das estruturas articulares ou se isso foi resultado da cirurgia. - Sinais e sintomas: dor (pode não ocorrer por conta da lesão aos nervos), edema, laceração, escoriação, abrasão, degrau, crepitação, alte- ração de oclusão, mobilidade dental, disfagia, parestesia, equimose sublingual, laceração gengival, limitação da abertura de boca (ocorre no primeiro momento por conta de dor, no segundo momento por conta do edema e em um terceiro momento por miosite – inflamação do músculos; e ainda em um quarto momento pode ser devido a um bloqueio mecânico causada pelo trauma) e desvio em abertura bucal (típico na fratura de côndilo – em crianças). Esses sinais e sintomas não são patognomô- nicos (definidor de lesão) para fratura de mandíbula, mas frequentemente são associa- das à fraturas e são importantes para chegar a um diagnóstico. O exame físico geral e local também são importantes. Fazer o ATLS (frequência cardíaca aumenta, frequência respiratória aumenta, pressão arterial diminui, temperatura dimi- nui). Após isso inspecionar toda a face, couro cabeludo e região cervical em busca de edema, abrasões, escoriações, lacerações, equimose, hematoma e otorragia. Avaliar a abertura bucal, limitação de abertura bucal, desvio de abertura (alguns tipos de fratura unilaterais tendem a desviar a mandíbula para o mesmo lado fraturado), assimetria de mandíbula (impacto na infância pode alterar o centro de crescimento de um lado da mandíbula e se manifestar como assimetria na adolescência). Se atentar para lesões em um só lado e não alisar o lado oposto, sempre analisar tudo bilateralmente. Pacientes com edema de face generalizado são mais difíceis de realizar o exame físico corretamente. Fazer movimentos de lateralidade e observar desvios. Em uma fratura unilateral ou bilateral pode haver limitação no movimento de lateralidade no lado de trabalho de forma unilateral ou bilateral. Fazer todos os movimentos excursivos da mandíbula se forem possíveis de serem feitos. A palpação da mandíbula é feita de frente ou atrás do paciente, colocando o polegar na oclusal dos dentes inferiores e os outros dedos percorrem a base da mandíbula extraoral. Fazer o exame de forma delicada, sem movimentar fragmentos ósseos. Exames de imagem vão auxiliar no diagnóstico e para fraturas de mandíbula algumas técnicas podem ser utilizadas. - Periapical: não é boa para identificar fratura, pois há dificuldade de colocar dentro da boca (menor abertura e dor), além de restringir muito o campo visual. Não é boa para o diagnóstico para fraturas de mandíbula, mas são ótimas para fraturas alveolodentárias. - Oclusal inferior: pode ser usada para identificar fraturas de mandíbula com uma visão axial do corpo e mento (impossível ver outras localizações). Também é ruim para traumatizados porque é intrabucal e tem que hiperestender o pescoço. - Panorâmica: excelente para qualquer fratura de mandíbula, dando uma visão global, mas o problema é a dificuldade de encontrar um aparelho de panorâmica no hospital. Restrin- ge também porque é um exame que tem que ser feito de pé. - PA de mandíbula: tradicional feita dentro do hospital para ver toda a mandíbula, mas há limitação para ver o côndilo (sobreposto no processo mastoide) e região anterior (sobre- posta à coluna cervical). - AP de mandíbula: pega a mandíbula, mas há muita sobreposição. - Lateral oblíqua: importante para fraturas mais posteriores e para adquirir uma visão mais tridimensional da fratura e para saber de qual lado da mandíbula houve a fratura. - Towne: visão de côndilo - Perfil da face: visão geral, mas muita sobreposição laterolateral Erros de interpretação de imagem são muito comuns e devem ser evitados. É importante realizar técnicas radiográficas perpendiculares entre si para avaliar o deslo- camento dos fragmentos ósseos de forma tridimensional. Uma outra alternativa que elimina a realização de dois exames e traz um diagnóstico nas três dimensões mais preciso: - Tomografia computadorizada: mais pedida frequentemente, devido à visão tridimensional (frontal, axial e sagital, além da reconstrução em 3D = cortes axiais empilhados) e de tecidos moles, além da possibilidade de utilizar com- trastes para identificar infecções. Paciente fica deitado, muitas vezes anestesiado (principal- mente crianças). É perfeita para ver qualquer tipo de fratura de mandíbula, mas na tomografia é impossível de ver espaço do ligamento e deslocamento de dentes, por isso se há necessidade desse tipo de investigação, uma periapical faz melhor o trabalho. FRATURAS DE MENTO: SINFISÁRIA E PARASSINFISÁRIA Fraturas exatamente na sínfise não são muito comuns, pois estão sobre uma estrutura óssea robusta que dificilmente vai fraturar. Porém é bem comum a fratura na região mentoniana próxima à sínfise, do canino de um lado até o canino do outro lado. Etiologia Geralmente são impactos frontais, podendo ser debaixo para cima, resultante de agressão física, acidentes automobilísticos/ciclísticos. Quase sempre são traumas diretos (fraturam no local do impacto). Avaliação clínica Geralmente o fragmento proximal se desloca para posterior, inferior e medial (para dentro), cruzando o fragmento distal por lingual. Isso acontece por conta de (1) força do impacto (aumenta o deslocamento dos fragmentos) e/ou (2) ação muscular dos músculos inseridos na mandíbula como digástrico(ventre ante- rior), genihioideo e milohioideo. Sinais e sintomas: edema, hematoma e equimose em região mentoniana, submento- niana e lábio inferior, podendo estar presentes abrasões, laceração e escoriação no tecido mole na região do trauma. Pode resultar em maloclusão (por deslocamento de fragmentos – existem traços de fratura favoráveis ao deslocamento e as inserções musculares deslocam os fragmentos), edema, hematoma e equimose em assoalho bucal e fundo de vestíbulo, degrau e crepitação à manipulação e dificuldade de fala e deglutição. Comum diminuir o perímetro da mandíbula devido à sobreposição dos fragmentos por lingual, caracterizando uma Síndrome de Brodie (mordida cruzada vestibular = mandí- bula está dentro da maxila). Lembrando que é comum haver fraturas indiretas no côndilo do lado oposto ao trauma no mento. Em casos dessas, reduz primeiro o côndilo e depois na região mais anterior. Considerações anatômicas: Fraturas favoráveis ao deslocamento são desfavoráveis à redução e vice-versa, sempre. Mordida aberta unilateral é comum em fraturas parassinfisárias favoráveis ao desloca- mento, como mostra a imagem clínica anterior (ocorre por conta do digástrico e outros músculos supra-hioideos que deslizam a mandíbula para baixo e para trás), porém é possível verificar que houve também uma fratura de côndilo ou ângulo, porque a oclusal dos molares se tocam, mostrando que a parte mais posterior da mandíbula foi para cima (pela ação do músculo masseter e outros da mastigação). É interessante perceber isso para entender o deslocamento das fraturas: Na imagem A, a fratura é favorável ao deslocamento e desfavorável à redução, porque a ação muscular tem sua resultante de forças de forma a deslocar os fragmentos. Ao contrário vemos B, desfavorável ao desloca- mento e favorável à redução. O que desloca o fragmento: direção do traço de fratura, força e tipo de impacto e ação muscular. Exames de imagem Podemos lançar mão de periapical, oclusal inferior, panorâmica, PA de mandíbula, lateral oblíqua da mandíbula e TC. Sempre pensando em tomadas radiográficas perpendiculares entre si. Em crianças, é importante não confundir na radiografia, a união da sínfise mandibular (que se apresenta como uma traço radiolúcido) com uma fratura de sínfise. Sequência de tratamento: montar a odontos- síntese (fio de aço ou barra de Erich), acesso cirúrgico (abre a fratura), colocar paciente em oclusão (BMM rígido com fio de aço), reduz a fratura óssea, contenção e imobilização. Acessos cirúrgicos O acesso pode ser intrabucal ou extrabucal, que apresentam vantagens e desvantagens. - Extrabucal: mais fácil de realizar a redução e contenção (porque a manipulação dos tecidos e instrumentais é facilitada) e é possível visualizar o lado vestibular e lingual (capacidade de conferir se o lado lingual está reduzido após a contenção do vestibular – comum juntar a vestibular e abrir por lingual). Ou seja, é mais fácil de reduzir e conferir essa redução com acesso extrabucal, mas pensando na estética o intrabucal é melhor. - Intrabucal: não gera cicatriz exposta, mas tem redução e conferência da redução dificultada, além de ter que manipular (quase sempre) o nervo mentoniano (avisar ao paciente de possível neuropraxia). Métodos de fixação Após o BMM e a redução da fratura, devemos fixar os fragmentos, com placas e parafusos ou com fios de aço. Precisamos considerar as forças de tensão, compressão e torsão que ocorrem nos fragmentos ósseos que determinam, muitas vezes, a posição das placas ou se vamos precisar deixar o paciente bloqueado ou não no pós-operatório. Nessas fraturas, quase sempre, será necessária uma dupla contenção, pois próximo a basilar na mandíbula se concentram forças de com- pressão que tendem a juntar os fragmentos e próximo aos dentes se concentram forças de tensão que tendem a separar os fragmentos e uma boa estabilização dessas forças deve ser realizada na imobilização da fratura. Por isso, os tratamentos mais atuais (que não envolvem fios de aço e odontossíntese) são: 1. Uma mini-placa 2.0mm na zona de tensão e uma placa 2.4mm na zona de compressão: é o método mais tradicional 2. Duas mini-placas 2.0mm nas zonas de tensão e compressão. Considerando deixar o paciente bloqueado por um tempo. 3. Dois parafusos lag-screw A placa na zona de tensão não pode acertar as raízes dos dentes, então além de se atentar a localização (osso de pelo menos 4 a 5mm), usa- se parafusos monocorticais. Se não tiver essa distância, tem que descer essa placa. Podemos usar somente uma mini-placa 2.0, porém devemos associar ao BMM pós-op, exceto quando o paciente faz bruxismo. Em fraturas favoráveis a redução, é também uma opção deixar somente o BMM por 45 dias, considerando a escolha do paciente e o tipo de paciente que estamos falando (vantagem de não abrir é não lesar o mentoniano). FRATURA DE CORPO MANDIBULAR É uma fratura bastante prevalente pelo fato do corpo ser uma grande região e bilateral. Etiologia Geralmente é decorrente de um trauma direto na região, vindo de uma agressão física, acidentes automobilísticos, ciclísticos. Avaliação clínica Sinais e sintomas: edema, hematoma e equimose em região submandibular, abrasão, escoriação, laceração na região do trauma, edema, hematoma e equimose em assoalho bucal, laceração gengival, dor, parestesia ou hipoestesia do nervo alveolar inferior. Pode gerar má-oclusão (toque prematuro no lado fraturado), degrau e crepitação à manipulação e dificuldade de fala e deglutição. Podem ser favoráveis ou desfavoráveis a redução. Nessas fraturas de impacto lateral, é possível ainda de encontrar fratura na região do corpo atingido e no côndilo contralateral. Exames de imagem Periapical, oclusal inferior, panorâmica, PA de mandíbula, lateral oblíqua da mandíbula e TC. Imagens perpendiculares sempre. Acessos cirúrgicos Quanto mais para posterior, mais difícil é o acesso cirúrgico, seja intrabucal ou submandi- bular, e também vai chegando mais próximo das estruturas nobres (principalmente nervos) Fica cada vez mais difícil de fazer acesso intrabucal e mais fácil de lesar estruturas. O acesso extrabucal tem que ter um cuidado maior com o ramo marginal do nervo facial (felizmente ele recupera bem à neuropraxia). Métodos de fixação Também precisamos considerar as forças de tensão e compressão nessa região: 1. Uma mini-placa 2.0mm na zona de tensão e uma placa 2.4mm na zona de compressão: é o método mais tradicional 2. Duas mini-placas 2.0mm nas zonas de tensão e compressão. Considerando deixar o paciente bloqueado por um tempo. 3. Uma mini-placa 2.0mm na zona de tensão associado ou não ao BMM pós-operatório. Dependendo da região da fratura é preciso se atentar à altura do canal mandibular para não colcoar a placa sobre ele e lesar suas estruturas ao parafusar. Essas são técnicas de LOAD SHARING (carga compartilhada) usadas em fraturas mais simples. Porém, em fraturas cominutivas, além da placa de reconstrução (LOAD BEARING, usadas também em mandíbula atrófica), é preciso simplificar essas fraturas utilizando placas menores a fim de tentar proporcionar uma redução mais anatômica. Fraturas com perda de segmento precisam de reconstrução desses defeitos mandibulares. FRATURA DE ÂNGULO MANDIBULAR Avaliação clínica Sinais e sintomas: assimetria facial, limitação de movimentos mandibulares, crepitação, dor, limitação de abertura bucal, trismo, má- oclusão (não ocorre se a fratura foi distalmente ao último dente) e parestesia de lábio inferior e mento. Pode ter fraturas de côndilo no lado oposto. Exames de imagem Panorâmica, PA de mandíbula, lateral oblíqua da mandíbula e TC. Imagens perpendiculares. Acessos cirúrgicos Pode-se optar pelo acesso intrabucal, porém há limitação de instalação de placas, precisando optarpelo método minimamente invasivo (ótimo para a técnica tradicional de Champy). No acesso extrabucal, pode ser instaladas mais placas mais facilmente. Considerações sobre 3° molar no traço de fratura Em 85% das fraturas de ângulo tem o terceiro molar presente no traço da fratura e surgem dúvidas se deve extrair ou não o dente no momento da redução da fratura. Manter: (1) dentes intactos que mantém fragmentos ósseos; (2) dentes que evitam o deslocamento superior do BMM (tocam na oclusal do superior). Se decidir manter, só vai poder extrair 6 a 8 meses depois da redução da fratura (e tem que ser atraumática). Extrair: (1) dentes com prognóstico duvidoso que podem comprometer o processo de reparação da fratura (ápice exposto na linha de fratura, dentes parcialmente erupcionados – risco de infecção por pericoronarite); (2) dentes que não podem ser recuperados (fraturados ou que sabe que vai necrosar). A presença do siso aumenta o risco de infecção, porém a extração do dente leva a perda óssea e menor possibilidade de redução anatômica, além da extração aumentar o risco de deslocamento da fratura e lesão do nervo. Tratamentos Redução fechada - Fratura simples: proservar em casos de fraturas não deslocadas, fraturas sem mobilidade e pacientes com oclusão mantida. Só pode fazer em fraturas pouco deslocadas, favoráveis à redução: mantem a oclusão, bloqueia e isso cicatriza. Indicada também para pacientes que não aceitam tratamento cirúrgico ou quando este é contraindicado (doença sistêmica). Nesses casos, o dente no traço de fratura possa ser mantido. - Fraturas complexas: não é indicado Redução aberta - Fraturas simples: pode usar (1) uma mini- placa quando é uma fratura isolada ou quando outras fraturas já foram tratadas com fixação interna rígida. Uma das técnicas é a tradicional de Champy (acesso intrabucal e uma mini- placa na linha oblíqua externa). (2) duas mini- placas em casos de fraturas bilaterais, fraturas deslocadas e em casos de fraturas de maxila associadas. Essa segunda placa não dá para ser intrabucal, tem que fazer acesso extrabucal. - Fraturas complexas: (1) duas placas em casos que requerem fixação e estabilidade de segmento triangular (basal triangle) e precisa de acesso extra-oral ou (2) utiliza uma placa universal para a mesma situação, sendo essa mais usual e ambas “Load Sharing”. (3) casos de fraturas cominutivas com segmento intermediário utiliza as placas de reconstrução com 3 a 4 parafusos de cada lado da fratura podendo associar com outras placas, sendo o método “Load Bearing”. FRATURA DE RAMO MANDIBULAR Pouco comum de serem vistas, pois embora seja uma área grande e bilateral, o ramo está protegido pelo pterigoideo medial e masseter. Etiologia Geralmente são traumas diretos por impactos laterais e comumente não há deslocamento pela ação muscular, somente ocorre pela força e direção do impacto. Podem ser divididas em fraturas sagitais ou verticais (em relação ao traço de fratura), mas o tratamento é o mesmo. Avaliação clínica Sinais e sintomas: assimetria facial, crepita- ção, dor, limitação de movimentos mandibula- res e abertura bucal (por dor, hematoma e processos inflamatórios nas estruturas musculares – esse último pode levar meses para desaparecer, mesmo com fisioterapia), trismo, má-oclusão (às vezes) e parestesia do lábio inferior e mento (se atingir a altura da língula da mandíbula). Exames de imagem Panorâmica, lateral oblíqua da mandíbula e TC Tratamento Na maioria das vezes, vai ser optado pela redução fechada, uma vez que a maioria dos casos é desfavorável ao deslocamento (favorável à redução). FRATURA DE CORONOIDE A função do processo coronoide é a inserção do músculo temporal e quando fratura frequentemente ocorre um desvio da mandíbula para o lado fraturado. Etiologia Não é tão comum, geralmente traumas diretos por impactos laterais (mais violentos). Avaliação clínica Sinais e sintomas: não altera a oclusão do paciente (não há perda de RC e oclusão), não há dormência de lábio inferior, dor, limitação da abertura de boca (fecha a boca primeiro do lado fraturado), limitação de movimentos mandibulares, trismo e edema parotídeo. Há a tendência do deslocamento do fragmento da coronoide para superior (ação do temporal) se aproximando da face medial do arco zigomático (que também pode ter fraturado) e se os dois quebram e se encontram, podem fusionar (união da coronoide quebrada e o arco – paciente depois de meses se queixa da limitação da abertura de boca ou diminuição da força de mastigação do lado fraturado novamente). Exames de imagem Panorâmica, lateral oblíqua da mandíbula e TC Tratamento Deve-se decidir entre o tratamento conser- vador (fechado) e cirúrgico (aberto). Conservador: não fazer nada em relação à coronoide, mesmo abrindo para reduzir uma fratura de arco zigomático associada (o que já reduz o risco da união com a coronoide). Sempre acompanhar por 3 a 4 anos. Riscos: trismo, limitação da abertura, anquilose do fragmento (no arco zigomático), formação de união fibrosa entre o ramo e o fragmento da coronoide e há difícil acesso. Cirúrgico: pode ser feita a abertura para redução e fixação do fragmento com placa e parafuso, sendo o acesso cirúrgico extraoral submandibular (de Risdom) ou intraoral. Ou então é feita a abertura para a coronoidecto- mia, o que resulta na manutenção do desvio da mandíbula para o lado fraturado e uma abertura de boca de no máximo 19 a 20mm. FRATURA DE CÔNDILO Etiologia Geralmente ocorre por traumas indiretos através de impactos frontais (na sínfise, podendo fraturar o côndilo bilateral) ou laterais (parassínfise, corpo e ângulo contralateral ao côndilo fraturado). Pode ser por traumas diretos e mais graves. Classificação (1) Fratura intracapsular: alta, da cabeça; (2) Fratura subcondilar alta: no limite da cápsula; (3) Fratura subcondilar baixa: já saiu do limite da cápsula; (4) Fratura da base condilar: na altura da sigmoide A nível de tratamento, basicamente as fraturas de côndilo são divididas somente como alta (intracapsular) e baixa (subcondilar). Avaliação clínica O pterigoideo lateral está inserido na cabeça do côndilo e quando fratura a tendência é ir para anterior e medial. E geralmente os sinais e sintomas comuns são dor, edema pré- auricular, má-oclusão e trismo. Sinais e sintomas da fratura unilateral: assi- metria facial, toque prematuro nos dentes do lado fraturado e mordida aberta do lado contrário, desvio do mento pro lado fraturado, rotação da mandíbula deixando classe II do lado fraturado e classe III do lado contrário e restrição de movimentos de lateralidade para o lado OPOSTO ao da fratura e abertura, fechamento e guia protrusiva desviando para o lado FRATURADO. Ou seja, se fratura do lado esquerdo, ao abrir e fechar a boca e na guia protrusiva, há desvio para o lado esquerdo. E na lateralidade, não consegue fazer para o lado direito e o esquerdo acontece normalmente. Sinais e sintomas da fratura bilateral: toque prematuro posterior bilateral e mordida aberta anterior, rotação da mandíbula no sentido horário (mento desviado para posterior), deficiência de projeção do mento, perfil convexo, classe II bilateral, limitação de abertura de boca sem desvio e limitação dos movimentos de lateralidade dos dois lado e da guia protrusiva (não consegue fazer). Importante lembrar que o Sinal de Battle caracteriza fratura indireta da base do crânio pelo impacto condilar, mas não necessaria- mente há fratura condilar. Exames de imagem Panorâmica, PA de mandíbula (há sobreposi- ção), Towne (para subcondilares, ao abrir a boca, a sobreposição do côndilo no processo mastoideo acaba) e TC. A transfacial de Schuller e transorbitária de Zimmer eram feitas antigamente para intracapsulares (inci- dências perpendiculares entre si, mas dava muitasobreposição e irradiação ao cristalino do paciente – tomadas difíceis). Tratamento Indicações: evidência física e radiográfica de fratura, má oclusão, disfunção mandibular, deformidade facial, presença de corpo estranho, laceração ou hemorragia do canal acústico externo, hemotimpanismo, otorreia e hemartrose. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico dependendo de alguns fatores, principalmente se a fratura foi alta (intracapsular – não tem como colocar placa) ou baixa (tem espaço para colocar placa) e se a fratura foi em uma criança (até 12 anos) ou adulto. O tratamento cirúrgico também é questionado quando o paciente apresenta alguma morbidade ou risco ao ato anestésico. FRATURAS ALTAS EM ADULTOS Não tem como colocar placa em fraturas intracapsulares, então o tratamento é conservador: BMM rígido (com fios de aço) por 3 a 4 semanas (colocando em oclusão) e depois com elásticos de “latero-desvio” para não deixar a mandíbu-la desviar para o lado fraturado. Além disso restringir a dieta (líquido-pastosa), fisioterapia para prevenção de anquilose e acompanhar. Riscos: assimetria facial, dor crônica, anquilose da articulação, limitação e função, má-oclusão, DTM e desvio mandibular. O fragmento fratu- rado pode ser reabsorvido e trazer prejuízos ou não (varia muito). Benefícios: ausência de cicatriz e ausência de paralisia facial. Sucesso do tratamento: é atingido quando há restabelecimento da oclusão prévia ao trauma, abertura bucal maior ou igual a 40mm e ausência de dor em ATM. Uma outra opção nesses casos é a prótese de ATM, indicado em casos de reabsorção. É complexo e tem suas complicações. FRATURAS BAIXAS EM ADULTOS Tratamento cirúrgico já que há espaço para colocação de placas e é a melhor escolha. Utiliza-se geralmente duas placas 2.0 (uma mais lateral e outra mais anterior – que impe- dem a ação muscular de deslocar a fratura) ou parafusos bicorticais. O acesso é intrabucal, pré-auricular, submandibular ou retromandi-bular (retroparotídeo ou transparotídeo). Riscos: paralisia facial, cicatriz, hemorragia, dificuldade de redução e difícil visibilidade. Além das desvantagens: custo, aumento do tempo cirúrgico (se outras fraturas associadas) e morbidade cirúrgica. Benefícios: redução e fixação, ausência de BMM, oclusão satisfatória e restabelecimento anatômico do côndilo. Complicações pós-operatórias: assimetria e alteração oclusal / reabsorção condilar que são tratadas como assimetria e corrigidas através de ortognática e ortodontia. FRATURAS ALTAS EM CRIANÇAS Fraturas inacessíveis para colocação de placas e ainda existe um centro de crescimento justamente na região do côndilo que não pode ser alterado. O BMM é impossibilitado por conta do alto risco à broncoaspiração, dificul- dade de realizar de forma passiva em dentição mista e quanto maior o tempo de imobilização maior o potencial de anquilose de ATM. O potencial osteogênico e de reparação óssea da criança é maior, possibilitando menor tempo de imobilização (que pode ser feita com elásticos se a criança for um pouco mais velha) e o tratamento conservador somente com dieta líquida e pastosa e acompanhamento por no mínimo 6 meses (mas sempre é mais). Muitas crianças têm reabsorção do fragmento fraturado e pode ocorrer até a formação de um segundo côndilo. Complicações: o centro de crescimento pode ter sido afetado pelo trauma e as consequên- cias disso só aparecem no estirão do cresci- mento, se manifestando como assimetria facial causada pela hipoplasia condilar e essa criança vai precisar de ortognática no futuro. FRATURAS BAIXAS EM CRIANÇAS Dependendo da idade, o tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Quanto maior a idade, mais indicada o tratamento cirúrgico (podendo ser indicada placas reabsorvíveis), mas se for uma idade mais baixa, tem que ser o conservador mesmo. Alta Baixa Crianças Conservador Depende idade Adultos Conservador Cirúrgica Anquilose de ATM As principais complicações de fratura de côndilo são: lesão no centro de crescimento (em crianças) e anquilose de ATM (em adultos e crianças, que pode ser causada em casos de hemartrose – rompimento da cápsula). A prevenção à anquilose é importante e efetiva e é através da fisioterapia, que é indicada para todos os pacientes, principal- mente os tratados de forma conservadora. Complicações da anquilose de ATM: diminuição da abertura bucal, dor na função muscular, deficiência fonética, deficiência nutricional, assimetria, perfil classe II e deficiência em vias aéreas. O tratamento é cirúrgico através da artroplas- tia e reconstrução da ATM, ou prótese de ATM. A cirurgia vídeo assistida através de um artroscópio pode ser utilizada para redução e fixação de fraturas condilares.