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FRATURAS DE MANDÍBULA 
A etiologia das fraturas de mandíbula, em sua 
grande maioria, vem do trauma, mas algumas 
outras causas podem ser encontradas. Uma 
delas são as fraturas patológicas (cisto, tumor 
ou necrose óssea – radiação/bisfosfonatos) 
em que pela ação da musculatura, o osso fragi-
lizado pela patologia fratura na área afetada. 
Fraturas de mandíbula geradas pelo profissio-
nal (iatrogênicas) também são frequentes. 
CLASSIFICAÇÃO 
Classificadas de forma geral de acordo com o 
traço de fratura, deslocamento, comunicação 
com microorganismos e todas aquelas outras, 
mas especificamente da mandíbula, podemos 
classificar de acordo com: 
- Localização: coronoide (0,2%), côndilo (15%), 
ramo (1,3%), ângulo (11%), corpo (13%), sínfi-
se e parassínfise (13%), alveolodentárias. 
 
Essa epidemiologia da frequência da localiza-
ção da fratura é baseada em alguns aspectos: 
(1) o tamanho da área anatômica (corpo é 
maior então vai sofrer mais fratura); (2) áreas 
mais expostas e menos protegidos ao trauma 
(mento é mais exposto e menos protegido por 
estruturas anatômicas que a coronoide, que só 
fratura em traumas diretamente nela ou 
traumas muito violentos); e (3) áreas de 
fratura indireta (côndilo). 
- Direta ou Indireta: fraturas diretas são aquelas 
que ocorrem no local do impacto e fraturas 
indiretas que ocorre pela resultante final das 
forças do trauma que percorre a base óssea 
sendo anulada através dos pilares de 
sustentação da face e vai finalizar em um local 
final (comum trauma em mento fraturar 
côndilo ou base do crânio – sinal de Battle = 
otorragia e equimose retroauricular indicam 
fratura na base do crânio). 
AVALIAÇÃO 
A anamnese será importante para saber: 
- História do trauma: quando, como, onde 
- Direção do impacto: importante para 
investigar a localização da fratura e se houve 
uma fratura indireta. Um trauma na lateral da 
mandíbula (região de canino, comissura) pode 
fraturar a parassínfise no lado do trauma e o 
côndilo do lado oposto. Um trauma no meio do 
mento pode fraturar na região e ainda o 
côndilo bilateralmente (comum em criança). 
- Oclusão prévia: saber se tinha maloclusão, 
porque na hora da redução precisa ocluir e 
bloquear na posição dentária e oclusal correta 
para só depois imobilizar o osso. Na maioria 
dos casos há desoclusões prévias e ela precisa 
ser reconstruída na cirurgia. O oclusão é o 
início, o meio e o fim (objetivo: oclusão 
satisfatória) da cirurgia. 
- História de DTM: saber se tinha DTM antes 
para saber se havia má posição das estruturas 
articulares ou se isso foi resultado da cirurgia. 
- Sinais e sintomas: dor (pode não ocorrer por 
conta da lesão aos nervos), edema, laceração, 
escoriação, abrasão, degrau, crepitação, alte-
ração de oclusão, mobilidade dental, disfagia, 
parestesia, equimose sublingual, laceração 
gengival, limitação da abertura de boca 
(ocorre no primeiro momento por conta de 
dor, no segundo momento por conta do 
edema e em um terceiro momento por miosite 
– inflamação do músculos; e ainda em um 
quarto momento pode ser devido a um 
bloqueio mecânico causada pelo trauma) e 
desvio em abertura bucal (típico na fratura de 
côndilo – em crianças). 
Esses sinais e sintomas não são patognomô-
nicos (definidor de lesão) para fratura de 
mandíbula, mas frequentemente são associa-
das à fraturas e são importantes para chegar a 
um diagnóstico. 
O exame físico geral e local também são 
importantes. Fazer o ATLS (frequência cardíaca 
aumenta, frequência respiratória aumenta, 
pressão arterial diminui, temperatura dimi-
nui). Após isso inspecionar toda a face, couro 
cabeludo e região cervical em busca de edema, 
abrasões, escoriações, lacerações, equimose, 
hematoma e otorragia. Avaliar a abertura 
bucal, limitação de abertura bucal, desvio de 
abertura (alguns tipos de fratura unilaterais 
tendem a desviar a mandíbula para o mesmo 
lado fraturado), assimetria de mandíbula 
(impacto na infância pode alterar o centro de 
crescimento de um lado da mandíbula e se 
manifestar como assimetria na adolescência). 
Se atentar para lesões em um só lado e não 
alisar o lado oposto, sempre analisar tudo 
bilateralmente. Pacientes com edema de face 
generalizado são mais difíceis de realizar o 
exame físico corretamente. 
Fazer movimentos de lateralidade e observar 
desvios. Em uma fratura unilateral ou bilateral 
pode haver limitação no movimento de 
lateralidade no lado de trabalho de forma 
unilateral ou bilateral. Fazer todos os 
movimentos excursivos da mandíbula se 
forem possíveis de serem feitos. 
A palpação da mandíbula é feita de frente ou 
atrás do paciente, colocando o polegar na 
oclusal dos dentes inferiores e os outros dedos 
percorrem a base da mandíbula extraoral. 
Fazer o exame de forma delicada, sem 
movimentar fragmentos ósseos. 
 
Exames de imagem vão auxiliar no diagnóstico 
e para fraturas de mandíbula algumas técnicas 
podem ser utilizadas. 
- Periapical: não é boa para identificar fratura, 
pois há dificuldade de colocar dentro da boca 
(menor abertura e dor), além de restringir 
muito o campo visual. Não é boa para o 
diagnóstico para fraturas de mandíbula, mas 
são ótimas para fraturas alveolodentárias. 
- Oclusal inferior: pode ser usada para 
identificar fraturas de mandíbula com uma 
visão axial do corpo e mento (impossível ver 
outras localizações). Também é ruim para 
traumatizados porque é intrabucal e tem que 
hiperestender o pescoço. 
- Panorâmica: excelente para qualquer fratura 
de mandíbula, dando uma visão global, mas o 
problema é a dificuldade de encontrar um 
aparelho de panorâmica no hospital. Restrin-
ge também porque é um exame que tem que 
ser feito de pé. 
- PA de mandíbula: tradicional feita dentro do 
hospital para ver toda a mandíbula, mas há 
limitação para ver o côndilo (sobreposto no 
processo mastoide) e região anterior (sobre-
posta à coluna cervical). 
- AP de mandíbula: pega a mandíbula, mas há 
muita sobreposição. 
- Lateral oblíqua: importante para fraturas 
mais posteriores e para adquirir uma visão 
mais tridimensional da fratura e para saber de 
qual lado da mandíbula houve a fratura. 
- Towne: visão de côndilo 
- Perfil da face: visão geral, mas muita 
sobreposição laterolateral 
Erros de interpretação de imagem são muito 
comuns e devem ser evitados. 
É importante realizar técnicas radiográficas 
perpendiculares entre si para avaliar o deslo-
camento dos fragmentos ósseos de forma 
tridimensional. Uma outra alternativa que 
elimina a realização de dois exames e traz um 
diagnóstico nas três dimensões mais preciso: 
- Tomografia computadorizada: mais pedida 
frequentemente, devido à visão tridimensional 
(frontal, axial e sagital, além da reconstrução 
em 3D = cortes axiais empilhados) e de tecidos 
moles, além da possibilidade de utilizar com-
trastes para identificar infecções. Paciente fica 
deitado, muitas vezes anestesiado (principal-
mente crianças). É perfeita para ver qualquer 
tipo de fratura de mandíbula, mas na 
tomografia é impossível de ver espaço do 
ligamento e deslocamento de dentes, por isso 
se há necessidade desse tipo de investigação, 
uma periapical faz melhor o trabalho. 
 
FRATURAS DE MENTO: 
SINFISÁRIA E PARASSINFISÁRIA 
 
Fraturas exatamente na sínfise não são muito 
comuns, pois estão sobre uma estrutura óssea 
robusta que dificilmente vai fraturar. Porém é 
bem comum a fratura na região mentoniana 
próxima à sínfise, do canino de um lado até o 
canino do outro lado. 
Etiologia 
Geralmente são impactos frontais, podendo 
ser debaixo para cima, resultante de agressão 
física, acidentes automobilísticos/ciclísticos. 
Quase sempre são traumas diretos (fraturam 
no local do impacto). 
Avaliação clínica 
Geralmente o fragmento proximal se desloca 
para posterior, inferior e medial (para dentro), 
cruzando o fragmento distal por lingual. Isso 
acontece por conta de (1) força do impacto 
(aumenta o deslocamento dos fragmentos) 
e/ou (2) ação muscular dos músculos inseridos 
na mandíbula como digástrico(ventre ante-
rior), genihioideo e milohioideo. 
Sinais e sintomas: edema, hematoma e 
equimose em região mentoniana, submento-
niana e lábio inferior, podendo estar presentes 
abrasões, laceração e escoriação no tecido 
mole na região do trauma. Pode resultar em 
maloclusão (por deslocamento de fragmentos 
– existem traços de fratura favoráveis ao 
deslocamento e as inserções musculares 
deslocam os fragmentos), edema, hematoma 
e equimose em assoalho bucal e fundo de 
vestíbulo, degrau e crepitação à manipulação 
e dificuldade de fala e deglutição. 
 
Comum diminuir o perímetro da mandíbula 
devido à sobreposição dos fragmentos por 
lingual, caracterizando uma Síndrome de 
Brodie (mordida cruzada vestibular = mandí-
bula está dentro da maxila). 
Lembrando que é comum haver fraturas 
indiretas no côndilo do lado oposto ao trauma 
no mento. Em casos dessas, reduz primeiro o 
côndilo e depois na região mais anterior. 
Considerações anatômicas: 
Fraturas favoráveis ao deslocamento são 
desfavoráveis à redução e vice-versa, sempre. 
Mordida aberta unilateral é comum em 
fraturas parassinfisárias favoráveis ao desloca-
mento, como mostra a imagem clínica anterior 
(ocorre por conta do digástrico e outros 
músculos supra-hioideos que deslizam a 
mandíbula para baixo e para trás), porém é 
possível verificar que houve também uma 
fratura de côndilo ou ângulo, porque a oclusal 
dos molares se tocam, mostrando que a parte 
mais posterior da mandíbula foi para cima 
(pela ação do músculo masseter e outros da 
mastigação). É interessante perceber isso para 
entender o deslocamento das fraturas: 
 
Na imagem A, a fratura é favorável ao 
deslocamento e desfavorável à redução, 
porque a ação muscular tem sua resultante de 
forças de forma a deslocar os fragmentos. Ao 
contrário vemos B, desfavorável ao desloca-
mento e favorável à redução. O que desloca o 
fragmento: direção do traço de fratura, força e 
tipo de impacto e ação muscular. 
Exames de imagem 
Podemos lançar mão de periapical, oclusal 
inferior, panorâmica, PA de mandíbula, lateral 
oblíqua da mandíbula e TC. Sempre pensando 
em tomadas radiográficas perpendiculares 
entre si. 
Em crianças, é importante não confundir na 
radiografia, a união da sínfise mandibular (que 
se apresenta como uma traço radiolúcido) com 
uma fratura de sínfise. 
Sequência de tratamento: montar a odontos-
síntese (fio de aço ou barra de Erich), acesso 
cirúrgico (abre a fratura), colocar paciente em 
oclusão (BMM rígido com fio de aço), reduz a 
fratura óssea, contenção e imobilização. 
 
Acessos cirúrgicos 
O acesso pode ser intrabucal ou extrabucal, 
que apresentam vantagens e desvantagens. 
- Extrabucal: mais fácil de realizar a redução e 
contenção (porque a manipulação dos tecidos 
e instrumentais é facilitada) e é possível 
visualizar o lado vestibular e lingual 
(capacidade de conferir se o lado lingual está 
reduzido após a contenção do vestibular – 
comum juntar a vestibular e abrir por lingual). 
Ou seja, é mais fácil de reduzir e conferir essa 
redução com acesso extrabucal, mas pensando 
na estética o intrabucal é melhor. 
- Intrabucal: não gera cicatriz exposta, mas 
tem redução e conferência da redução 
dificultada, além de ter que manipular (quase 
sempre) o nervo mentoniano (avisar ao 
paciente de possível neuropraxia). 
 
Métodos de fixação 
Após o BMM e a redução da fratura, devemos 
fixar os fragmentos, com placas e parafusos ou 
com fios de aço. 
Precisamos considerar as forças de tensão, 
compressão e torsão que ocorrem nos 
fragmentos ósseos que determinam, muitas 
vezes, a posição das placas ou se vamos 
precisar deixar o paciente bloqueado ou não 
no pós-operatório. 
Nessas fraturas, quase sempre, será necessária 
uma dupla contenção, pois próximo a basilar 
na mandíbula se concentram forças de com-
pressão que tendem a juntar os fragmentos e 
próximo aos dentes se concentram forças de 
tensão que tendem a separar os fragmentos e 
uma boa estabilização dessas forças deve ser 
realizada na imobilização da fratura. 
Por isso, os tratamentos mais atuais (que não 
envolvem fios de aço e odontossíntese) são: 
1. Uma mini-placa 2.0mm na zona de tensão e 
uma placa 2.4mm na zona de compressão: é o 
método mais tradicional 
2. Duas mini-placas 2.0mm nas zonas de 
tensão e compressão. Considerando deixar o 
paciente bloqueado por um tempo. 
3. Dois parafusos lag-screw 
 
A placa na zona de tensão não pode acertar as 
raízes dos dentes, então além de se atentar a 
localização (osso de pelo menos 4 a 5mm), usa-
se parafusos monocorticais. Se não tiver essa 
distância, tem que descer essa placa. 
Podemos usar somente uma mini-placa 2.0, 
porém devemos associar ao BMM pós-op, 
exceto quando o paciente faz bruxismo. Em 
fraturas favoráveis a redução, é também uma 
opção deixar somente o BMM por 45 dias, 
considerando a escolha do paciente e o tipo de 
paciente que estamos falando (vantagem de 
não abrir é não lesar o mentoniano). 
 
FRATURA DE CORPO MANDIBULAR 
 
É uma fratura bastante prevalente pelo fato do 
corpo ser uma grande região e bilateral. 
Etiologia 
Geralmente é decorrente de um trauma direto 
na região, vindo de uma agressão física, 
acidentes automobilísticos, ciclísticos. 
Avaliação clínica 
Sinais e sintomas: edema, hematoma e 
equimose em região submandibular, abrasão, 
escoriação, laceração na região do trauma, 
edema, hematoma e equimose em assoalho 
bucal, laceração gengival, dor, parestesia ou 
hipoestesia do nervo alveolar inferior. Pode 
gerar má-oclusão (toque prematuro no lado 
fraturado), degrau e crepitação à manipulação 
e dificuldade de fala e deglutição. Podem ser 
favoráveis ou desfavoráveis a redução. 
 
Nessas fraturas de impacto lateral, é possível 
ainda de encontrar fratura na região do corpo 
atingido e no côndilo contralateral. 
 
Exames de imagem 
Periapical, oclusal inferior, panorâmica, PA de 
mandíbula, lateral oblíqua da mandíbula e TC. 
Imagens perpendiculares sempre. 
 
Acessos cirúrgicos 
Quanto mais para posterior, mais difícil é o 
acesso cirúrgico, seja intrabucal ou submandi-
bular, e também vai chegando mais próximo 
das estruturas nobres (principalmente nervos) 
Fica cada vez mais difícil de fazer acesso 
intrabucal e mais fácil de lesar estruturas. 
O acesso extrabucal tem que ter um cuidado 
maior com o ramo marginal do nervo facial 
(felizmente ele recupera bem à neuropraxia). 
 
 
Métodos de fixação 
Também precisamos considerar as forças de 
tensão e compressão nessa região: 
 
1. Uma mini-placa 2.0mm na zona de tensão e 
uma placa 2.4mm na zona de compressão: é o 
método mais tradicional 
2. Duas mini-placas 2.0mm nas zonas de 
tensão e compressão. Considerando deixar o 
paciente bloqueado por um tempo. 
3. Uma mini-placa 2.0mm na zona de tensão 
associado ou não ao BMM pós-operatório. 
 
Dependendo da região da fratura é preciso se 
atentar à altura do canal mandibular para não 
colcoar a placa sobre ele e lesar suas 
estruturas ao parafusar. 
Essas são técnicas de LOAD SHARING (carga 
compartilhada) usadas em fraturas mais 
simples. Porém, em fraturas cominutivas, além 
da placa de reconstrução (LOAD BEARING, 
usadas também em mandíbula atrófica), é 
preciso simplificar essas fraturas utilizando 
placas menores a fim de tentar proporcionar 
uma redução mais anatômica. Fraturas com 
perda de segmento precisam de reconstrução 
desses defeitos mandibulares. 
 
 
FRATURA DE ÂNGULO MANDIBULAR 
 
Avaliação clínica 
Sinais e sintomas: assimetria facial, limitação 
de movimentos mandibulares, crepitação, dor, 
limitação de abertura bucal, trismo, má-
oclusão (não ocorre se a fratura foi 
distalmente ao último dente) e parestesia de 
lábio inferior e mento. Pode ter fraturas de 
côndilo no lado oposto. 
 
 
Exames de imagem 
Panorâmica, PA de mandíbula, lateral oblíqua 
da mandíbula e TC. Imagens perpendiculares. 
 
Acessos cirúrgicos 
Pode-se optar pelo acesso intrabucal, porém 
há limitação de instalação de placas, 
precisando optarpelo método minimamente 
invasivo (ótimo para a técnica tradicional de 
Champy). No acesso extrabucal, pode ser 
instaladas mais placas mais facilmente. 
 
Considerações sobre 3° molar no traço de fratura 
Em 85% das fraturas de ângulo tem o terceiro 
molar presente no traço da fratura e surgem 
dúvidas se deve extrair ou não o dente no 
momento da redução da fratura. 
Manter: (1) dentes intactos que mantém 
fragmentos ósseos; (2) dentes que evitam o 
deslocamento superior do BMM (tocam na 
oclusal do superior). Se decidir manter, só vai 
poder extrair 6 a 8 meses depois da redução da 
fratura (e tem que ser atraumática). 
Extrair: (1) dentes com prognóstico duvidoso 
que podem comprometer o processo de 
reparação da fratura (ápice exposto na linha 
de fratura, dentes parcialmente erupcionados 
– risco de infecção por pericoronarite); (2) 
dentes que não podem ser recuperados 
(fraturados ou que sabe que vai necrosar). 
A presença do siso aumenta o risco de 
infecção, porém a extração do dente leva a 
perda óssea e menor possibilidade de redução 
anatômica, além da extração aumentar o risco 
de deslocamento da fratura e lesão do nervo. 
 
Tratamentos 
Redução fechada 
- Fratura simples: proservar em casos de 
fraturas não deslocadas, fraturas sem 
mobilidade e pacientes com oclusão mantida. 
Só pode fazer em fraturas pouco deslocadas, 
favoráveis à redução: mantem a oclusão, 
bloqueia e isso cicatriza. Indicada também 
para pacientes que não aceitam tratamento 
cirúrgico ou quando este é contraindicado 
(doença sistêmica). Nesses casos, o dente no 
traço de fratura possa ser mantido. 
- Fraturas complexas: não é indicado 
 
Redução aberta 
- Fraturas simples: pode usar (1) uma mini-
placa quando é uma fratura isolada ou quando 
outras fraturas já foram tratadas com fixação 
interna rígida. Uma das técnicas é a tradicional 
de Champy (acesso intrabucal e uma mini-
placa na linha oblíqua externa). (2) duas mini-
placas em casos de fraturas bilaterais, fraturas 
deslocadas e em casos de fraturas de maxila 
associadas. Essa segunda placa não dá para ser 
intrabucal, tem que fazer acesso extrabucal. 
 
- Fraturas complexas: (1) duas placas em casos 
que requerem fixação e estabilidade de 
segmento triangular (basal triangle) e precisa 
de acesso extra-oral ou (2) utiliza uma placa 
universal para a mesma situação, sendo essa 
mais usual e ambas “Load Sharing”. (3) casos 
de fraturas cominutivas com segmento 
intermediário utiliza as placas de reconstrução 
com 3 a 4 parafusos de cada lado da fratura 
podendo associar com outras placas, sendo o 
método “Load Bearing”. 
 
 
FRATURA DE RAMO MANDIBULAR 
 
Pouco comum de serem vistas, pois embora 
seja uma área grande e bilateral, o ramo está 
protegido pelo pterigoideo medial e masseter. 
Etiologia 
Geralmente são traumas diretos por impactos 
laterais e comumente não há deslocamento 
pela ação muscular, somente ocorre pela força 
e direção do impacto. 
Podem ser divididas em fraturas sagitais ou 
verticais (em relação ao traço de fratura), mas 
o tratamento é o mesmo. 
Avaliação clínica 
Sinais e sintomas: assimetria facial, crepita-
ção, dor, limitação de movimentos mandibula-
res e abertura bucal (por dor, hematoma e 
processos inflamatórios nas estruturas 
musculares – esse último pode levar meses 
para desaparecer, mesmo com fisioterapia), 
trismo, má-oclusão (às vezes) e parestesia do 
lábio inferior e mento (se atingir a altura da 
língula da mandíbula). 
Exames de imagem 
Panorâmica, lateral oblíqua da mandíbula e TC 
Tratamento 
Na maioria das vezes, vai ser optado pela 
redução fechada, uma vez que a maioria dos 
casos é desfavorável ao deslocamento 
(favorável à redução). 
 
FRATURA DE CORONOIDE 
 
A função do processo coronoide é a inserção 
do músculo temporal e quando fratura 
frequentemente ocorre um desvio da 
mandíbula para o lado fraturado. 
Etiologia 
Não é tão comum, geralmente traumas diretos 
por impactos laterais (mais violentos). 
Avaliação clínica 
Sinais e sintomas: não altera a oclusão do 
paciente (não há perda de RC e oclusão), não 
há dormência de lábio inferior, dor, limitação 
da abertura de boca (fecha a boca primeiro do 
lado fraturado), limitação de movimentos 
mandibulares, trismo e edema parotídeo. 
Há a tendência do deslocamento do fragmento 
da coronoide para superior (ação do temporal) 
se aproximando da face medial do arco 
zigomático (que também pode ter fraturado) e 
se os dois quebram e se encontram, podem 
fusionar (união da coronoide quebrada e o 
arco – paciente depois de meses se queixa da 
limitação da abertura de boca ou diminuição 
da força de mastigação do lado fraturado 
novamente). 
 
Exames de imagem 
Panorâmica, lateral oblíqua da mandíbula e TC 
Tratamento 
Deve-se decidir entre o tratamento conser-
vador (fechado) e cirúrgico (aberto). 
Conservador: não fazer nada em relação à 
coronoide, mesmo abrindo para reduzir uma 
fratura de arco zigomático associada (o que já 
reduz o risco da união com a coronoide). 
Sempre acompanhar por 3 a 4 anos. Riscos: 
trismo, limitação da abertura, anquilose do 
fragmento (no arco zigomático), formação de 
união fibrosa entre o ramo e o fragmento da 
coronoide e há difícil acesso. 
Cirúrgico: pode ser feita a abertura para 
redução e fixação do fragmento com placa e 
parafuso, sendo o acesso cirúrgico extraoral 
submandibular (de Risdom) ou intraoral. Ou 
então é feita a abertura para a coronoidecto-
mia, o que resulta na manutenção do desvio da 
mandíbula para o lado fraturado e uma 
abertura de boca de no máximo 19 a 20mm. 
 
FRATURA DE CÔNDILO 
 
Etiologia 
Geralmente ocorre por traumas indiretos 
através de impactos frontais (na sínfise, 
podendo fraturar o côndilo bilateral) ou 
laterais (parassínfise, corpo e ângulo 
contralateral ao côndilo fraturado). Pode ser 
por traumas diretos e mais graves. 
Classificação 
(1) Fratura intracapsular: alta, da cabeça; (2) 
Fratura subcondilar alta: no limite da cápsula; 
(3) Fratura subcondilar baixa: já saiu do limite 
da cápsula; (4) Fratura da base condilar: na 
altura da sigmoide 
A nível de tratamento, basicamente as fraturas 
de côndilo são divididas somente como alta 
(intracapsular) e baixa (subcondilar). 
Avaliação clínica 
O pterigoideo lateral está inserido na cabeça 
do côndilo e quando fratura a tendência é ir 
para anterior e medial. E geralmente os sinais 
e sintomas comuns são dor, edema pré-
auricular, má-oclusão e trismo. 
 
Sinais e sintomas da fratura unilateral: assi-
metria facial, toque prematuro nos dentes do 
lado fraturado e mordida aberta do lado 
contrário, desvio do mento pro lado fraturado, 
rotação da mandíbula deixando classe II do 
lado fraturado e classe III do lado contrário e 
restrição de movimentos de lateralidade para 
o lado OPOSTO ao da fratura e abertura, 
fechamento e guia protrusiva desviando para 
o lado FRATURADO. 
Ou seja, se fratura do lado esquerdo, ao abrir 
e fechar a boca e na guia protrusiva, há desvio 
para o lado esquerdo. E na lateralidade, não 
consegue fazer para o lado direito e o 
esquerdo acontece normalmente. 
 
Sinais e sintomas da fratura bilateral: toque 
prematuro posterior bilateral e mordida 
aberta anterior, rotação da mandíbula no 
sentido horário (mento desviado para 
posterior), deficiência de projeção do mento, 
perfil convexo, classe II bilateral, limitação de 
abertura de boca sem desvio e limitação dos 
movimentos de lateralidade dos dois lado e da 
guia protrusiva (não consegue fazer). 
 
Importante lembrar que o Sinal de Battle 
caracteriza fratura indireta da base do crânio 
pelo impacto condilar, mas não necessaria-
mente há fratura condilar. 
Exames de imagem 
Panorâmica, PA de mandíbula (há sobreposi-
ção), Towne (para subcondilares, ao abrir a 
boca, a sobreposição do côndilo no processo 
mastoideo acaba) e TC. A transfacial de 
Schuller e transorbitária de Zimmer eram 
feitas antigamente para intracapsulares (inci-
dências perpendiculares entre si, mas dava 
muitasobreposição e irradiação ao cristalino 
do paciente – tomadas difíceis). 
Tratamento 
Indicações: evidência física e radiográfica de 
fratura, má oclusão, disfunção mandibular, 
deformidade facial, presença de corpo 
estranho, laceração ou hemorragia do canal 
acústico externo, hemotimpanismo, otorreia e 
hemartrose. 
O tratamento pode ser conservador ou 
cirúrgico dependendo de alguns fatores, 
principalmente se a fratura foi alta 
(intracapsular – não tem como colocar placa) 
ou baixa (tem espaço para colocar placa) e se 
a fratura foi em uma criança (até 12 anos) ou 
adulto. O tratamento cirúrgico também é 
questionado quando o paciente apresenta 
alguma morbidade ou risco ao ato anestésico. 
FRATURAS ALTAS EM ADULTOS 
Não tem como colocar placa em fraturas 
intracapsulares, então o tratamento é 
conservador: BMM rígido (com fios de aço) por 
3 a 4 semanas (colocando em oclusão) e depois 
com elásticos de “latero-desvio” para não 
deixar a mandíbu-la desviar para o lado 
fraturado. Além disso restringir a dieta 
(líquido-pastosa), fisioterapia para prevenção 
de anquilose e acompanhar. 
Riscos: assimetria facial, dor crônica, anquilose 
da articulação, limitação e função, má-oclusão, 
DTM e desvio mandibular. O fragmento fratu-
rado pode ser reabsorvido e trazer prejuízos 
ou não (varia muito). 
Benefícios: ausência de cicatriz e ausência de 
paralisia facial. 
Sucesso do tratamento: é atingido quando há 
restabelecimento da oclusão prévia ao 
trauma, abertura bucal maior ou igual a 40mm 
e ausência de dor em ATM. 
Uma outra opção nesses casos é a prótese de 
ATM, indicado em casos de reabsorção. É 
complexo e tem suas complicações. 
FRATURAS BAIXAS EM ADULTOS 
Tratamento cirúrgico já que há espaço para 
colocação de placas e é a melhor escolha. 
Utiliza-se geralmente duas placas 2.0 (uma 
mais lateral e outra mais anterior – que impe-
dem a ação muscular de deslocar a 
fratura) ou parafusos bicorticais. O 
acesso é intrabucal, pré-auricular, 
submandibular ou retromandi-bular 
(retroparotídeo ou transparotídeo). 
Riscos: paralisia facial, cicatriz, hemorragia, 
dificuldade de redução e difícil visibilidade. 
Além das desvantagens: custo, aumento do 
tempo cirúrgico (se outras fraturas associadas) 
e morbidade cirúrgica. 
Benefícios: redução e fixação, ausência de 
BMM, oclusão satisfatória e restabelecimento 
anatômico do côndilo. 
Complicações pós-operatórias: assimetria e 
alteração oclusal / reabsorção condilar que são 
tratadas como assimetria e corrigidas através 
de ortognática e ortodontia. 
FRATURAS ALTAS EM CRIANÇAS 
Fraturas inacessíveis para colocação de placas 
e ainda existe um centro de crescimento 
justamente na região do côndilo que não pode 
ser alterado. O BMM é impossibilitado por 
conta do alto risco à broncoaspiração, dificul-
dade de realizar de forma passiva em dentição 
mista e quanto maior o tempo de imobilização 
maior o potencial de anquilose de ATM. O 
potencial osteogênico e de reparação óssea da 
criança é maior, possibilitando menor tempo 
de imobilização (que pode ser feita com 
elásticos se a criança for um pouco mais velha) 
e o tratamento conservador somente com 
dieta líquida e pastosa e acompanhamento por 
no mínimo 6 meses (mas sempre é mais). 
Muitas crianças têm reabsorção do fragmento 
fraturado e pode ocorrer até a formação de 
um segundo côndilo. 
Complicações: o centro de crescimento pode 
ter sido afetado pelo trauma e as consequên-
cias disso só aparecem no estirão do cresci-
mento, se manifestando como assimetria 
facial causada pela hipoplasia condilar e essa 
criança vai precisar de ortognática no futuro. 
FRATURAS BAIXAS EM CRIANÇAS 
Dependendo da idade, o tratamento pode ser 
conservador ou cirúrgico. Quanto maior a 
idade, mais indicada o tratamento cirúrgico 
(podendo ser indicada placas reabsorvíveis), 
mas se for uma idade mais baixa, tem que ser 
o conservador mesmo. 
 
 Alta Baixa 
Crianças Conservador Depende idade 
Adultos Conservador Cirúrgica 
 
Anquilose de ATM 
As principais complicações de fratura de 
côndilo são: lesão no centro de crescimento 
(em crianças) e anquilose de ATM (em adultos 
e crianças, que pode ser causada em casos de 
hemartrose – rompimento da cápsula). 
A prevenção à anquilose é importante e 
efetiva e é através da fisioterapia, que é 
indicada para todos os pacientes, principal-
mente os tratados de forma conservadora. 
Complicações da anquilose de ATM: 
diminuição da abertura bucal, dor na função 
muscular, deficiência fonética, deficiência 
nutricional, assimetria, perfil classe II e 
deficiência em vias aéreas. 
O tratamento é cirúrgico através da artroplas-
tia e reconstrução da ATM, ou prótese de ATM. 
 
A cirurgia vídeo assistida através de um 
artroscópio pode ser utilizada para redução e 
fixação de fraturas condilares.