Prévia do material em texto
SEÇÃO 7 TÉCNICAS ESPECIAIS EM CIRURGIA A anestesia local é utilizada com frequência em procedimentos cirúrgicos de pequeno porte ou ambulatoriais. A molécula de cocaína, isolada em 1855, foi o primeiro anestésico local utilizado, principalmente em cirurgias oftalmológicas, e a partir de seu uso foram descobertas outras substâncias mais seguras e efetivas. Do ponto de vista conceitual, anestésico local é uma droga que pode bloquear de forma reversível a transmissão do estímulo nervoso no local onde for aplicado, sem ocasionar alterações no nível de consciência. O anestésico ideal é aquele que causa baixa irritação local, mínimo dano tecidual e toxicidade sistêmica, período de latência curto, duração prolongada e sem reação alérgica. Infelizmente, não existe o anestésico ideal em nosso meio, devendo-se pesar riscos e benefícios de cada um. O mecanismo de ação desses fármacos é sobre os canais de sódio (Na⁺), bloqueando a entrada desse íon na célula durante a despolarização. Dessa forma, não há propagação do potencial de ação, não deflagrando estímulos de dor, por exemplo. Anestésicos locais (AL) são bases fracas com uma estrutura química em comum: anel aromático lipofílico, cadeia intermediária e grupo amina hidrofílico. Têm-se duas classes principais: as amidas (lidocaína, prilocaína, bupivacaína, etidocaína, ropivacaína) e os ésteres (cocaína, procaína, cloroprocaína e tetracaína). As características de cada anestésico, como início de ação e duração, dependem de algumas propriedades químicas. O início de ação está diretamente relacionado com a concentração da droga no estado não ionizado, que por sua vez depende da dose inicial aplicada, do pH do tecido e do pKa (pH Capítulo 28 ANESTESIA LOCAL Gabriel Andrade Diniz Paulo Roberto Rodrigues Bicalho Romeo Lages Simões Highlight Highlight Highlight no qual formas ionizadas e não ionizadas da droga estão em equilíbrio). Como os AL são bases fracas, o pKa costuma estar acima do pH fisiológico do corpo humano, predominando as formas ionizadas (menor penetração tecidual). Isso explica, por exemplo, porque não se deve administrar ALs em abscessos: por serem regiões com pH menor e se distanciar mais ainda do pKa dos AL, a concentração da forma não ionizada é baixa. Por isso, AL com pKa menor têm melhor penetração tecidual e início de ação mais rápido (maior proximidade do pH fisiológico, com maior concentração das formas não ionizadas), tendo menor latência de efeito. Outra conclusão da relação pKa-latência é a efetividade de misturar bicarbonato de sódio as soluções injetadas. O bicarbonato deixa o meio mais alcalino, aproximando-se do pKa dos AL, o que torna o início de ação mais rápido. Mesmo que seja fundamental para a latência, o pKa não é mais importante que a dose administrada. Outra característica química que interfere é a lipossolubilidade de cada droga, que depende da estrutura do anel aromático, do tamanho da cadeia de hidrocarbonetos e de seu grau de ionização. Como grande parte da penetração das substâncias é por meio de uma membrana lipídica, quanto maior a lipossolubilidade do anestésico, maior é sua potência. Veja a Tabela 7.28.1: Tabela 7.28.1 – Relação entre AL, potência e lipossolubilidade Fonte: Sociedade Brasileira de Anestesiologia (2016) Algumas soluções de anestésicos locais contêm vasoconstritores (adrenalina ou fenilefrina), que diminuem o pico plasmático, aumentam a duração da anestesia e diminuem o sangramento. Além disso, permitem o uso de uma maior dose do anestésico, pois há menor absorção desse. As doses recomendadas ou doses máximas para os anestésicos locais são de até 5ml/kg de lidocaína a 1% e de até 7mg/kg de lidocaína a 1% com vasoconstritor. Highlight Highlight Highlight É importante estar atento, pois os AL não são isentos de perigos. Intoxicações por essas drogas podem causar até coma e morte. Os sintomas iniciais são de tontura, zumbido e desorientação. Podem ser seguidos de tremores, contrações musculares involuntárias, tremores e até convulsão. Há relatos de efeitos depressores sobre o SNC levando ao coma e parada respiratória. A Tabela 7.28.2 exibe os efeitos de intoxicação do SNC conforme a dose aplicada. Tabela 7.28.2 – Efeitos dos AL de acordo com a concentração plasmática (Lidocaína em mcg/mL). 0 2 4 6 8 10 12 20 26 Formigamento de língua e lábios Zumbidos Distúrbios visuais Abalos musculares Convulsões Inconsciência Coma Parada respiratória Depressão cardiovascular Fonte: Sociedade Brasileira de Anestesiologia (2016) Em casos de intoxicação, o tratamento é de suporte, basicamente. Deve-se suspender imediatamente a administração do anestésico e iniciar a reanimação cardiopulmonar se não houver pulso. Ventilar com oxigênio a 100% e intubar, se necessário. Em casos de crises convulsivas, benzodiazepínicos são boas opções (midazolam ou diazepam, por exemplo). A bradicardia deve ser tratada com atropina 0,5 a 1mg em bolus. 28.1 O procedimento: Passo 1: Higienizar a pele com solução de iodopovidona ou clorexidina. Passo 2: Substituir a agulha utilizada para retirar o anestésico do frasco por uma de menor calibre, antes da injeção de anestésico no paciente. Passo 3: Esticar a pele antes de inserir a agulha. Essa medida auxilia na redução da dor durante a aplicação do anestésico. Passo 4: Avisar ao paciente que irá iniciar o procedimento. Inserir a agulha na pele em um ângulo de 15 a 30 graus, medida que auxilia no controle da profundidade da aplicação. No caso de feridas laceradas, a agulha deve ser inserida nas bordas da ferida e não na pele intacta, modo que ameniza a dor do paciente. Passo 5: Puxar o êmbolo da seringa com o intuito de verificar se a agulha não se encontra no leito intravascular. Caso esteja com retorno de sangue, a seringa deve ser reposicionada. Passo 6: Aplicar o anestésico, quando a agulha não se encontrar em leito vascular, no ponto mais profundo retirando a agulha simultaneamente à aplicação. 28.2 Considerações: É preferível que se inicie a anestesia pelos vértices da ferida, anestesiando de um lado e do outro, sem retirar a agulha, para reduzir a dor do paciente. Após a formação do botão anestésico (elevação na pele que indiretamente indica a região já anestesiada), deve-se introduzir a agulha pela borda de cada botão, pois nesse local o paciente sentirá menos dor. Em feridas extensas, para conseguir anestesiar toda a ferida sem risco de intoxicação, é possível diluir o anestésico com água bidestilada (ABD) sem perda do bloqueio da dor, desde que a concentração da droga não seja menor que 0,5%. Imagem 7.28.1 – Aplicando a anestesia local Fonte: Alguém, Adaptado pelo autor (2020) Highlight O cateterismo intravascular é frequentemente visualizado em ambientes de terapia intensiva, apresentando diversas finalidades, dentre elas a monitorização hemodinâmica, a hemodiálise, a disponibilização de uma via de infusão de medicações, dentre outras. Em virtude de diversas complicações possíveis resultantes da cateterização é importante que o procedimento seja indicado somente quando necessário, que as técnicas de assepsia e antissepsia sejam realizadas e que as medidas de obtenção do acesso ao vaso sejam devidamente estudadas e planejadas antes do cateterismo. O acesso vascular pode ser obtido através da punção percutânea ou da dissecção cirúrgica. Falaremos sobre a primeira, tendo em vista seu maior uso em ambiente de terapia intensiva. 29.1 Acessos venosos centrais 29.1.1 Definição Capítulo 29 PUNÇÃO E CATETERISMOS VENOSOS E ARTERIAIS Alana Zanolli Spadetto Alice Marge de Aquino Guedes André de Tassis Cabral Fernandes Cássio Grigorio Vargas Paulo Roberto Rodrigues Bicalho Romeo Lages Simões Victoria Coelho Mathis São os acessos que inserem um dispositivo cuja extremidade atinge a veia cava superior ou a veia cava inferior. 29.1.2 Principais indicações As principais indicações para a realização dosacessos venosos centrais são a monitorização hemodinâmica de modo invasivo, o acesso para infusão de soluções irritantes ou cáusticas, a hemofiltração ou hemodiálise, o acesso para nutrição ou quimioterapia, a reposição de fluidos ou sangue, a estimulação cardíaca temporária de modo artificial e o acesso venoso em casos de veias periféricas com difícil acesso. 29.1.3 Dispositivos e suas respectivas técnicas A seguir, serão ilustrados na Imagem 7.29.1 alguns dispositivos utilizados para o acesso venoso central e suas respectivas técnicas de aplicação. Imagem 7.29.1 – Introdução do cateter venoso central. Fonte: ARAÚJO, Sebastião (2003) 29.1.4 Local de inserção: A escolha do local onde o acesso será feito é baseada na condição clínica em que o paciente se encontra, na experiência do médico e na causa que motivou a inserção. Caso opte- se pela veia jugular interna ou pela veia subclávia, prefere-se o lado direito, pois a anatomia favorece a redução do risco de pneumotórax e quilotórax, além de favorecer o posicionamento do cateter devido ao trajeto mais retilíneo até o átrio direito. Considerando-se fatores como a facilidade de inserção e o menor risco de complicações, as vias preferenciais para o acesso venoso central são: veia jugular interna, veia subclávia, veia femoral, veia jugular externa e veia antecubital. a) Veia Jugular Interna: Possui como referencias anatomias o ilustrado na Imagem 7.29.2 e descrito a seguir: 1. Localizar a linha que vai do processo mastoide até a inserção esternal do músculo esternocleidomastoideo (SCM); 2. Identificar o ápice do triângulo formado pelas duas cabeças do SCM, tendo a clavícula como base; 3. Palpação da artéria carótida (medial ao bordo interno do SCM); 4. Identificar visualmente, ou por palpação, a posição da veia jugular externa, para evitar sua punção acidental. Imagem 7.29.2 – Anatomia das veias jugulares interna e externa Fonte: ARAÚJO, Sebastião (2003) A partir dessas referências anatômicas, posicione a agulha o mais próximo possível do ápice do triângulo, distanciando-se da clavícula para evitar lesão pleural. O procedimento para a inserção possui 11 etapas descritas a seguir e ilustrado na Imagem 7.29.3. 1- Antissepsia da pele e colocação de campos cirúrgicos. 2- Posicionar o paciente em Trendelenburg, com o rosto voltado para o lado contralateral à punção. 3- Infiltração da pele com solução anestésica. 4- Localizar a carótida por palpação e introduzir a agulha lateral à mesma num ângulo inclinado de 30º em relação à pele, apontando-a para o mamilo ipsilateral. 5- Remover a agulha fina, e, com uma agulha 18G adaptada à seringa, puncionar a veia obedecendo sempre aos mesmos ângulo e direção utilizados para localizá-la. O sangue deve fluir facilmente para dentro da seringa. 6- Reduzir a inclinação da agulha em relação à pele para melhor alinhá-la em relação a veia. Desconectar a seringa. Diferenciar o fluxo entre arterial (pulsátil) e venoso. Ocluir o orifício externo da agulha com o dedo para evitar embolia aérea. 7- Inserir o fio-guia e retirar a agulha. 8- Na presença do fio-guia realizar pequena incisão (± 3mm de extensão) com lâmina de bisturi junto à sua entrada na pele, visando facilitar a passagem do dilatador venoso. 9- Vestir o fio-guia com o dilatador. Remover o dilatador, mantendo o fio-guia em posição. 10- Vestir o fio-guia com o cateter e retirar o fio guia. 11- Realizar o teste do refluxo de sangue através dos lúmens do cateter, fixá-lo à pele e aplicar o curativo apropriado. Imagem 7.29.3 – Punção da veia jugular. Fonte: ARAÚJO, Sebastião (2003) b) Subclávia: Possui como referencias anatomias o ilustrado na Imagem 7.29.4 e descrito a seguir: 1. Demarcar a linha que vai da borda superior da cabeça medial da clavícula à borda inferior do processo coracóide. 2. Demarcar a linha infraclavicular. 3. Identificar o ponto de junção entre as linhas (usualmente, na região médio- clavicular), e marcar outro ponto cerca de 1,5cm (equivalente a uma polpa digital) para fora do cruzamento das linhas. A veia subclávia corre paralelamente à linha coraco-clavicular, por baixo da clavícula, medialmente ao ponto hemiclavicular. 4. Correndo um dedo pelo sulco subclávio identificando-se o triângulo deltopeitoral também constitui uma maneira adequada de localizar a região apropriada para punção da VSC, como descrito por Moran & Peoples. Imagem 7.29.4 – Anatomia da veia subclávia. Fonte: ARAÚJO, Sebastião (2003) O procedimento para a inserção possui 10 etapas descritas a seguir e ilustrado na Imagem 7.29.5. 1- Anti-sepsia da pele e colocação de campos cirúrgicos. 2- Paciente em Trendelenburg, com a face ligeiramente voltada para o lado oposto ao da punção. 3- Infiltração com solução anestésica no local a ser puncionado. 4. Introduzir uma agulha adaptada a uma seringa preenchida com solução salina, frente à borda inferior da clavícula, direcionando-a para a fúrcula esternal. 5- Desconectar a seringa da agulha, observar se há fluxo pulsátil e manter o orifício externo da agulha ocluído. 6- Inserir o fio-guia e retirar a agulha. 7- Com o fio-guia posicionado, realizar uma pequena incisão (± 3mm de extensão), com lâmina de bisturi, junto à sua entrada na pele, facilitando a passagem do dilatador venoso. 8- Vestir o fio-guia com o dilatador. Remover o dilatador, mantendo o fio-guia em posição. 9- Vestir o fio-guia com o cateter introduzindo o conjunto para o interior do vaso. Retirar cuidadosamente o fio-guia. 10- Realizar o teste do refluxo de sangue através dos lúmens do cateter, fixá-lo à pele e fazer o curativo. Imagem 7.29.5 – Punção da veia subclávia. Fonte: ARAÚJO, Sebastião (2003) 29.1 Acessos arteriais 29.1.1 Principais indicações: As principais indicações para a obtenção de um acesso arterial são o desejo de monitorização contínua da pressão arterial, evitar o desconforto da punção arterial frequente, coletar amostras sanguíneas sem causar distúrbios do estado de base e posicionar de modo percutâneo um balão de contra-pulsação intra-aórtico. 29.1.2 Local de inserção: A linha arterial pode ser acessada através da dissecção do vaso ou através da punção percutânea, a preferida. A punção é realizada com dispositivos ‘’plástico sobre agulha’’ 18G ou 20G, devendo-se manter as regras de assepsia e antissepsia preconizadas por outras técnicas invasivas. Em relação à escolha do local de punção, qualquer artéria localizada na periferia pode ser puncionada, no entanto, a sequência de preferências mais utilizada é a artéria radial, a pediosa e, por fim, a femoral. Antes da punção da artéria radial, é indicada a realização do teste de Allen, que visa analisar se existe trombose na artéria ulnar e se a punção da artéria radial poderia resultar em trombose e consequente isquemia das mãos. O teste de Allen é realizado através da compressão manual das artérias radial e ulnar e, quando a mão se torna pálida, libera-se a compressão sobre a artéria ulnar e espera-se o retorno da coloração habitual das mãos. No entanto, o melhor exame para detectar anormalidades de fluxo sanguíneo é o ultrassom Doppler. a) Radial: O procedimento para a inserção possui 10 etapas descritas a seguir e ilustrado na Imagem 7.29.6. 1- Encontrar a artéria radial, de preferência do lado corporal não dominante. 2- Explicar o procedimento para os pacientes conscientes, auxiliando na colaboração para o procedimento. 3- Realizar o teste de Allen por precaução. 4- Realizar a dorsiflexão do pulso, com intuito de melhorar a visualização do vaso. 5- Palpar a artéria e se necessário marcar seu trajeto com o auxílio de uma caneta adequada. 6- Realizar antissepsia e colocação de campo fenestrado estéril na região que será puncionada. 7- Injetar anestésico tópico intradérmico no local onde vai ser puncionado. 8- Perfurar a pele com uma agulha 19G, para facilitar a passagem do cateter. 9- Com um ângulo de30 graus em relação à pele, puncionar a artéria, através de um dispositivo “plástico sobre a agulha”, 20G (para adultos), adaptado ou não a uma seringa de 2ml. 10- Quando houver retorno de sangue, o ângulo deve ser reduzido para cerca de 10º, a agulha deve ser inserida mais um pouco e o cateter plástico deve ser avançado para dentro da artéria através de movimentos de rotação. Imagem 7.29.6 – Anatomia e punção da veia radial. Fonte: ARAÚJO, Sebastião (2003) Curativo é definido como um meio terapêutico que consiste na limpeza e aplicação de material sobre uma ferida para sua proteção, absorção e drenagem de exsudatos, com intuito de melhorar as condições do leito dessa ferida (SMANIOTTO, 2010). Os curativos possuem um papel importante tanto na adjuvância do processo cicatricial pós operatório quanto atuando isoladamente como tratamento definitivo de feridas. Existem diversos tipos de curativos disponíveis, cabendo ao médico o dever da escolha adequada visando diversas características, como material, presença de exsudato, processo infeccioso em curso, tipo de ferida, tempo de uso, entre outros. Vale ressaltar ainda, que os curativos atuam por diversos mecanismos de ação em uma ferida, podendo ser usados para higienização, controle de microrganismos presentes na ferida, controle de exsudato, manutenção de meio úmido e até mesmo realizando desbridamento. Tabela 7.30.1 – Tipos de curativos e suas principais características. COMPOSIÇÃO MECANISMO DE AÇÃO INDICAÇÕES DESVANTAGEN S Curativo Tela de acetato de Promover meio Queimaduras Não deve ser usado Capítulo 30 CURATIVOS Alana Zanolli Spadetto Alice Marge de Aquino Guedes André de Tassis Cabral Fernandes Cássio Grigorio Vargas Paulo Roberto Rodrigues Bicalho Romeo Lages Simões Victoria Coelho Mathis Não Aderente celulose e/ou tela de raiom com emulsão de petrolato úmido parciais, áreas doadoras e receptoras de enxertos e lacerações na presença de infecção e exsudato; necessita de trocas frequentes Curativo Não Aderente com silicone Tela de poliamida com silicone Livre de fluxo de exsudato e remoção atraumática; proporciona meio úmido; possibilita menor número de trocas de curativo Queimaduras parciais, áreas doadoras e receptoras de enxertos e lacerações Não deve ser usado na presença de infecção e de grande quantidade de exsudato Filme Transparent e Polímero de poliuretano, com uma das faces de adesivo de acrílico Cobertura impermeável à água e microrganismos; manutenção do leito úmido; possibilita menor número de trocas de curativo Visibilização do leito, feridas superficiais sem exsudato, áreas doadoras de enxerto Não deve ser usado na presença de infecção e de grande quantidade de exsudato Espuma polimérica com ou sem prata Matriz de poliuretano e silicone com ou sem prata Absorção com isolamento térmico; ação bacteriostática da prata; possibilita trocas menos frequentes Feridas exsudativas, profundas, úlceras residuais om colonização bacteriana crônica pós- enxertia de pele Não deve ser usada em feridas simples e secas Hidrocoloid e Polímero de poliuretano semipermeável (face externa) e carboximetilcelulose , gelatina e pectina (face interna) Absorve pequeno volume de exsudato; mantém o meio úmido Proteção de proeminência óssea e feridas com lesão parcial de pele Não deve ser usado na presença de infecção e de grande quantidade de exsudato; necessita de trocas frequentes Hidrogel Polímero de álcool de polivinil, poliacrilamidas e polivinil Mantém ambiente úmido, possibilitando liquifação de materiais necróticos (desbridamento autolítico) Queimaduras e feridas com tecidos desvitalizados (esfacelos e necrose úmida) Não deve ser usado na presença de infecção e exsudato Alginato de cálcio Fibras de algas marinhas impregnadas com cálcio O cálcio induz hemostasia; capacidade de absorver exsudatos; desbridamento autolítico Feridas abertas exsudativas, cavitárias e sangrentas Não deve ser usado em feridas simples e secas Carvão ativado com prata Fibras de carvão ativado impregnado com prata 0,15% O carvão ativado absorve o exsudato e Feridas fétidas, exsudativas e infectadas Não deve ser usado em feridas simples e secas diminui o odor; a prata exerce função bacteriostática Malha com prata Malha com sais de prata Prata iônica causa precipitação de proteínas, agindo na membrana citoplasmática da bactéria (bacteriostática) Feridas com infecção; queimaduras profundas e extensas Não deve ser usada em pacientes com hipersensibilidade a prata Fonte: SMANIOTTO, P. H. S. et al. (2012) Bibliografia ARAÚJO, S. Acessos venosos centrais e arteriais periféricos – aspectos técnicos e práticos. Revista brasileira de terapia intensiva, Campinas, v. 15, n. 2, p. 70-82, 2003. Disponível em: http://www.amib.com.br/rbti/download/artigo_2010629165427.pdf. Acesso em: 29 fev. 2020. FRANCO, D.; GONÇALVES, L. F. Feridas cutâneas: a escolha do curativo adequado. Revista do colégio brasileiro de cirurgia, São Paulo, v. 35, n. 3, p. 203-206, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100- 69912008000300013&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em 01 abr. 2020. MANICA, J. et al. Anestesiologia, Princípios e Técnicas. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. E-book. SMANIOTTO, P. H. de S. et. al. Sistematização de curativos para o tratamento clínico das feridas. Revista brasileira de cirurgia plástica, São Paulo, v. 27, n. 4, p. 623-626, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1983- 51752012000400026&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 08 abr. 2020. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANESTESIOLOGIA. Bases do Ensino da Anestesiologia. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Anestesiologia/SBA, 2016, p 285-97. TOWNSEND C. M. et al. Sabiston Tratado de Cirurgia: A Base do Biológica da Prática Cirúrgica Moderna. 19. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda, 2015. E-book. http://www.amib.com.br/rbti/download/artigo_2010629165427.pdf