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Brasília-DF. 
Fisiopatologia e ClíniCa das 
alterações tireoidianas
Elaboração
Iracema Gomes de Araujo
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7
UNIDADE I
FISIOLOGIA TIREÓIDEA ........................................................................................................................... 9
CAPÍTULO 1
FISIOLOGIA TIREOIDIANA .......................................................................................................... 9
CAPÍTULO 2
EFEITOS FISIOLÓGICOS E FARMACOLÓGICOS DO HORMÔNIO DA TIREOIDE .......................... 21
CAPÍTULO 3
PREPARAÇÕES E DROGAS ANTITIREOIDIANAS ......................................................................... 25
UNIDADE II
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I ...................................................................................................................... 32
CAPÍTULO 1
HIPOTIREOIDISMO EM ANIMAIS JOVENS .................................................................................. 32
CAPÍTULO 2
HIPOTIREOIDISMO EM ANIMAIS ADULTOS ................................................................................. 37
UNIDADE III
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II ..................................................................................................................... 46
CAPÍTULO 1
HIPERTIREOIDISMO EM GATOS ................................................................................................ 46
CAPÍTULO 3
TUMORES TIREOIDIANOS E HIPERTIREOIDISMO EM CÃES .......................................................... 56
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 62
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém 
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a 
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para 
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
6
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Exercício de fixação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não 
há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, 
que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única 
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber 
se pode ou não receber a certificação.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
Introdução
O hipotireoidismo é a endocrinopatia mais comum em cães e é diagnosticada com 
alguma frequência em cavalos, mas o hipotireoidismo espontâneo é raro em gatos e 
outras espécies domésticas. O hipotireoidismo pode ser causado por deficiência de 
iodo e ingestão de substâncias goitrogênicas no ambiente ou na comida. Substâncias 
goitrogênicas são compostos que interferem na síntese dos hormônios da tireoide. 
Sintomas clínicos de hipotireoidismo comuns às espécies, geralmente refletem a 
redução da taxa de metabolismo basal no corpo e incluem letargia, depressão mental, 
fraqueza, dificuldade de treinar e/ou perda de cabelo não prurítica. 
O hipertireoidismo é atualmente a doença endócrina mais comum e é vista 
ocasionalmente em outras espécies domésticas. O hipertireoidismo ou tirotoxicidade é 
causado pela circulação excessiva dos hormônios da tireoide, tiroxina e triiodotironina, 
normalmente o resultado de um adenoma benigno hiperplástico da tireoide em gatos 
e adenocarcinoma em cães. O hipertireoidismo ocorre mais frequentemente em 
animais de meia idade a animais geriátricos, e a discussão dos agentes terapêuticos irá 
concentrar-se naqueles usados nessas espécies. Os sintomas mais comuns associados ao 
hipertireoidismo são perda de peso apesar de apetite intenso, hiperatividade, poliúria, 
diarreia, polidipsia, febre intermitente, vômito e sintomas de doenças cardiovasculares 
como taquicardia e dispneia. Frequentemente, gatos perdem grande quantidade de 
pelo e o couro pode ficar opaco. Raramente, o hipertireoidismo em gatos apresenta-se de 
maneira similar ao que se chama “hipertireoidismo apatético”; os gatos ficam letárgicos 
e muitas vezes anoréxicos, talvez representando o estágio final da doença.
Objetivos
 » Fornecer aos alunos uma sucinta e profunda revisão sobre o eixo 
hipotálamo-hipófise-tireoide e o metabolismo dos hormônios 
tireoidianos.
 » Estabelecer subsídios teóricos para um bom diagnóstico e manejo clínico 
de indivíduos com disfunções nos hormônios tireoidianos em medicina 
veterinária.
 » Analisar novas condutas terapêuticas para pacientes portadores dos mais 
diversos tipos de hipo e hipertireoidismo. 
8
9
UNIDADE IFISIOLOGIA TIREÓIDEA
CAPÍTULO 1
Fisiologia tireoidiana
Nos cães e gatos as glândulas tireoides são lobos separados localizados lateralmente à 
traqueia, a partirque a destruição autoimune progride, os folículos 
tireoidianos são substituídos por tecido fibroso e adiposo, e as células inflamatórias 
desaparecem, resultando em uma aparência histológica de atrofia não inflamatória. A 
ausência de inflamação parece ser resultado do desaparecimento de anticorpos a partir 
da circulação ao longo do tempo (GRAHAN et al., 2007).
38
UNIDADE II │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I
Os anticorpos contra a tireoglobulina formam um grupo heterogêneo direcionado a 
vários epítopos. Quando o epítopo inclui um sítio hormogênico, um anticorpo pode 
ser direcionado contra um fragmento que contenha T3 ou T4. Tais anticorpos contra 
a tireoglobulina interferem ocasionalmente com os imunoensaios utilizados para 
mensurar as concentrações plasmáticas dos hormônios tireoidianos, especialmente 
o T3. Dependendo do tipo de ensaio, o reconhecimento dos epítopos do hormônio 
tireoidiano pelos anticorpos pode causar resultados falso negativos ou positivos. Apesar 
de os anticorpos para hormônios tireoidianos não serem incomuns, deve-se levar em 
consideração que eles raramente afetam os resultados dos imunoensaios à medida que 
os limites de referência são excedidos, especialmente para o T4. (GRAHAN et al., 2007)
O prejuízo imunológico pode também envolver uma ou mais outras glândulas, o 
que leva a múltiplas deficiências endócrinas, conhecida como síndrome da falência 
poliglandular. A combinação de hipotireoidismo e hipoadrenocorticismo é conhecida 
como a síndrome de Schmidt (KOOISTRA et al., 1995; PIKULA et al., 2007). Em um 
grande estudo retrospectivo realizado com cães com hipoadrenocorticismo primário, 
cerca de 5% apresentavam falência endócrina concorrente, sendo o hipotireoidismo de 
elevada ocorrência, seguido pelo hipoparatireoidismo e diabetes mellitus (PETTERSON 
et al., 1996). 
O hipotireoidismo também pode ser iatrogênico, especialmente em gatos tratados para 
o hipertireoidismo, que ocorre frequentemente nesses animais. O hipotireoidismo pode 
ser um efeito colateral da terapia com iodo radioativo ou da tireoidectomia bilateral. O 
hipotireoidismo também foi reportado em cães após a radioterapia externa contra um 
carcinoma tireoidiano funcional (KRAMER et al., 1994).
Manifestações clínicas
A tireoidite geralmente não é notada, apesar dos raros sinais transientes de 
hipertireoidismo (principalmente caracterizado por poliúria) terem sido observados. 
Provavelmente, tal fato está relacionado com os elevados níveis de hormônio tireoidiano 
na circulação durante a fase aguda da tireoidite destrutiva. Eventualmente, a maioria 
dos cães com tireoidite provavelmente desenvolve sinais de deficiência de hormônios 
tireoidianos.
O hipotireoidismo adquirido primário é a principal condição encontrada nos cães 
jovens adultos e nos cães de meia idade. Apesar de cães de raças grandes poderem 
ser afetados mais frequentemente do que os de raça pequena, não há predisposição 
de raças pronunciada. A incidência é igualmente distribuída entre machos e fêmeas 
(DIXON et al., 1999). 
39
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I │ UNIDADE II
Os hormônios tireoidianos influenciam quase todos os tecidos do organismo e, 
dessa forma, o quadro clínico clássico de hipotireoidismo envolve manifestações de 
quase todos os sistemas. Pode haver efeitos concorrentes do excesso de hormônio do 
crescimento. Adicionalmente, o tempo necessário para distinguir os sinais clínicos 
difere consideravelmente: a letargia pode ser noticiada dentro de poucos meses, mas as 
alterações na pele podem demorar cerca de 1 ano. (CREDILLE et al., 2001)
A manifestação clínica central geralmente é um histórico de desaceleração das 
atividades físicas e mentais. A maioria dos cães hipotireóideos apresentam algum 
grau de embotamento mental, letargia, e resistência a exercícios. Tais sintomas são 
graduais no início, apesar de súbitos, e às vezes não reconhecidos pelo proprietário 
até que o tratamento seja iniciado. Dentre as alterações observadas na pelagem e na 
pele, encontram-se a alopecia (frequentemente com pigmentação), aumento (cerca 
de 2X) na espessura da pele, e uma aparência facial inchada. O espessamento e o 
inchaço são evidências de mucinose ou mixedema cutâneo, que consiste no acúmulo 
de glicosaminoglicanos e ácido hialurônico na derme, com um edema associado 
(DOLLIGER et al., 1995), podendo estar relacionado tanto com o hipotireoidismo 
quanto com o excesso de hormônio do crescimento (LEE et al., 2001). Ocasionalmente, 
o hipotireoidismo é associado com infecções secundárias na pele, incluindo infecções 
por malassézia. 
Dentre as manifestações clínicas do hipotireoidismo primário em cães adultos temos:
 » Metabolismo: ganho de peso, apetite inalterado ou reduzido, intolerância 
ao frio; menos frequentemente ocorre a redução da temperatura corpórea.
 » Pele e pelagem: pelagem grossa e escassa, alopecia no tronco sem 
prurido, mixedema; raramente observamos hiperpigmentação, pioderma 
secundário e seborreia.
 » Sistema cardiovascular: bradicardia, pulso periférico fraco; raramente 
ocorre uma redução na circulação periférica e resfriamento da pele.
 » Sistema reprodutivo e endócrino: anestro persistente, perda de libido e 
atrofia testicular; raramente observamos ginecomastia, galactorreia, e 
deficiência poliglandular (síndrome de Schmidit).
 » Sistema neuromuscular: letargia e sonolência, andar rígido; raramente 
podemos observar ataxia vestibular, inclinação da cabeça, paralisia do 
nervo facial e laminite.
 » Sistema gastrointestinal: diarreia.
40
UNIDADE II │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I
 » Sistema hematológico: anemia não regenerativa.
 » Parâmetros bioquímicos: hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, 
hiperglicemia mediana; raramente observamos aumento da creatinina 
quinase, hiponatremia e hipercalemia.
As alterações em um único sistema às vezes dominam de forma a obscurecer a 
doença causadora, podendo ocorrer com galactorreia persistente, doença vestibular, e 
distúrbios locomotores (CHASTAIN, 1992; JAGGY et al.; 1994; CORTESE et al., 1997; 
HIGGINS et al., 2006). Com relação aos distúrbios locomotores, problemas locomotores 
generalizados podem ser explicados pela redução severa da capacidade da Na+/K+-
ATPase dos músculos esqueléticos, enquanto que o hipotireoidismo também parece 
estar associado com a miopatia generalizada (BUDSBERG et al., 1993; DELAUCHE 
et al., 1998; SCHAASFMA et al., 2002). Raramente, o cão hipotireóideo chega a um 
estado de coma; adicionalmente, ambientes com baixas temperaturas podem causar 
decomposição do hipotireoidismo em coma mixedematoso com hipotermia severa 
(HENIK; DIXON, 2000; ATKINSON; ALBERT, 2004).
Os exames de rotina laboratoriais podem revelar anormalidades hematológicas e 
bioquímicas severas; possíveis consequências da hiperlipidemia severa incluem sinais 
neurológicos relacionados à arteriosclerose e eventos tromboembólicos (HESS et al., 
2003; VITALY; OLBI, 2007). 
Diagnóstico diferencial
Devido à grande variação dos sintomas apresentados pelo hipotireoidismo, uma 
armadilha comum ao diagnóstico é simplesmente negligenciar a possibilidade de os 
problemas apresentados estarem relacionados ao hipotireoidismo. Por exemplo, 
não é incomum cães com hipotireoidismo serem levados à atenção de especialistas 
cardiopulmonares (a letargia pode ser interpretada como intolerância ao exercício) 
ou a especialistas ortopédicos (distúrbios locomotores). A letargia, o sinal clínico 
mais comum do hipotireoidismo, pode ser confundido com doenças metabólicas 
(hepatoencefalopatia) ou cérebro-corticais (encefalites, hidrocefalia). A atrofia da pele e 
anexos deve ser levada em consideração para condições tais como excesso de estrógeno 
e hipercortisolismo.
Diagnóstico
Como mensuração da função tireoidiana, o T4 tem sido preferido em relação ao T3 
já que o primeiro é produzido exclusivamente pela glândula tireoide enquanto que, 
grande parte do T3, é sintetizado a partir da conversão periférica. Na maioria dos 
cães com hipotireoidismo primário, as concentraçõesplasmáticas de T4 (total e livre) 
41
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I │ UNIDADE II
estão abaixo do limite de referência. Entretanto, eles também podem ser reduzidos em 
cães sem distúrbios tireoidianos, devido a drogas ou outras doenças. O termo doença 
não tireoidiana ou síndrome da doença eutireoidiana tem sido empregado para 
tais perturbações da homeostase tireoidiana. A doença, nesse contexto, compreende 
virtualmente todas as doenças não tireoidianas, traumas cirúrgicos ou não cirúrgicos, e 
ingestão calórica inadequada. Consequentemente, o achado de uma baixa concentração 
basal de hormônios tireoidianos é de pequeno valor diagnóstico (DIXON; MOONEY, 
1999; KANTROWITZ et al., 2001). Por essa razão, os testes de estimulação utilizando 
TSH ou TRH têm sido defendidos. O teste de estimulação com TRH com a utilização 
das concentrações plasmáticas de T4 total não distingue com acurácia suficiente o 
hipotireoidismo das doenças não tireoidianas, em cães. (KANTROWITZ et al., 2001) 
Esperava-se que a introdução de um imunoensaio para mensurar as concentrações 
plasmáticas de TSH em cães simplificaria a investigação do eixo hipófise-tireoide 
por meio da mensuração pareada de T4 e TSH; uma única amostra de sangue seria 
suficiente para confirmar o diagnóstico do hipotireoidismo primário ao revelar baixas 
concentrações de T4 na presença de elevadas concentrações de TSH. Entretanto, 
utilizando o teste de estimulação com TSH como padrão, outro foi observado que 
em pelo menos um terço dos cães com hipotireoidismo primário não tinham as 
concentrações de TSH aumentadas (DIXON; MOONEY, 1999; KANTROWITZ et al., 
2001; BORETTI; REUSCH, 2001). A frustração com as limitações do ensaio para TSH 
canino endógeno disponível levou boa parte dos clínicos a optarem pelo teste com 
estimulação do TSH (FERGUSON, 2007), embora agora sendo geralmente utilizado o 
TSH humano recombinante (TSHhr) ao invés do TSH bovino, apesar de ainda assim, 
tal teste ser questionado (ESPIÑERA et al., 2007). 
Estratégias para a modificação do ensaio de TSH têm sido sugeridas para melhorar o valor 
diagnóstico das mensurações de TSH (FERGUSON, 2007). Entretanto, atualmente, há 
evidências experimentais de que podem não ser tanto o ensaio, mas sim, alterações na 
função hipofisária em função do tempo que poderia explicar os baixos valores de TSH 
encontrados em alguns cães com hipotireoidismo primário. 
A indução do hipotireoidismo primário causa um aumento inicial nas concentrações 
plasmáticas de TSH, mas isso é seguido por uma perda gradual da resposta de 
retroalimentação às baixas concentrações de T4. Tal fato é acompanhado pela 
hipersecreção de GH e hipossecreção de prolactina. O aumento associado da hipófise 
é caracterizado pela hiperplasia dos tireotrofos, células deficientes tireoidianas com 
grandes vacúolos, e células com dupla coloração, indicando uma transdiferenciação, 
que está associado com o desenvolvimento de células tireossomatotrópicas e uma 
responsividade paradoxal do GH à estimulação com TRH. O aumento da hipófise e 
42
UNIDADE II │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I
as alterações funcionais parecem ser reversíveis com a substituição com l-tiroxina 
(ESPIÑEIRA et al., 2007). Alterações similares são observadas em cães com 
hipotireoidismo espontâneo, com a omissão de hipoprolactinemia em machos e fêmeas 
intactas. Por outro lado, a concentração plasmática de prolactina pode estar elevada em 
fêmeas intactas que tenham entrado recentemente no ciclo estral e, o hipotireoidismo 
pode estar até associado com a galactorreia. (ENPIÑEIRA et al., 2009)
Os resultados de tais estudos sobre as alterações adenohipofisárias no hipotireoidismo 
primário fornece uma explicação para as baixas concentrações de TSH que foram 
observadas, porém, não resolvem o dilema do diagnóstico. Em cães com sinais clínicos 
de hipotireoidismo, a combinação entre os níveis baixos de T4 plasmático livre e uma 
elevada concentração de TSH plasmático fecharia o diagnóstico de hipotireoidismo 
primário. Quando os níveis de T4 total são baixos, enquanto que as concentrações de 
TSH estão dentro dos limites de referência, o teste de estimulação com TSH pode ser 
realizado, apesar de o resultado poder não ser conclusivo (ENPIÑEIRA et al., 2007). Caso 
não seja, outros métodos que não envolvam o acesso bioquímico ao eixo hipotálamo-
hipófise-tireoide (como a varredura com radionuclídeos ou mensuração da captação 
tireóidea com 99mTcO4
-, ultrassonografia de alta resolução ou mesmo uma biópsia da 
tireoide) parecem ser métodos mais confiáveis para o diagnóstico de hipotireoidismo 
primário em cães (ENPIÑEIRA et al., 2007; REESE et al., 2005). 
Em um estudo de captação com 99mTcO4
- em cães com hipotireoidismo primário e 
doença não tireoidiana, não houve sobreposição na captação tireoidiana entre 45 a 
120 minutos após a injeção (ENPIÑEIRA et al., 2007). Na ultrassonografia de alta 
resolução das glândulas tireóideas, a perda da ecogenicidade, homogeneidade e formato 
fusiforme são características particulares do hipotireoidismo primário (BROMEL et al., 
2005; 2006). A demonstração de anticorpos circulantes contra a tireoglobulina indica a 
presença de tireoidite, porém não fornece informações sobre a função tireóidea. Como 
indicado na seção de patogênese, a ausência de anticorpos contra a tireoglobulina não 
exclui o hipotireoidismo. Adicionalmente, cães com anticorpos contra tireoglobulina 
podem ter tireoidite que ainda não tenha resultado em hipotireoidismo.
Tratamento
Apesar de o T3 ser o hormônio tireoidiano metabolicamente ativo, ele não é o 
suplemento de escolha. Uma vantagem primária de fornecer o pró-hormônio T4 é que é 
dada a oportunidade ao corpo de regular a quantidade de T3 gerado pelos mecanismos 
fisiológicos normais. A terapia apropriada com T4 resulta em níveis plasmáticos 
normais tanto de T4 quanto de T3.
43
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I │ UNIDADE II
Tanto a taxa de produção de T4 quanto as doses de reposição parenteral com l-tiroxina 
requerida para manter o eutireoidismo giram em torno de 5 µg por kg de peso corporal 
por dia (KAPTEIN et al., 1993). Entretanto, quando o T4 é administrado oralmente a sua 
biodisponibilidade é baixa e variável, devido a incompleta e variável absorção intestinal. 
A suplementação oral mais comum com tabletes de l-tiroxina sintética é iniciada na 
dose de 10 µg/kg, duas vezes ao dia. As concentrações plasmáticas de T4 aumentam 
após a administração oral, sendo que os picos acontecem cerca de 4 a 6 horas depois e, 
logo em seguida, declina até a próxima dose ser administrada (NACHREINER et al., 
1993). Um exame de acompanhamento é realizado após 2 meses. Quando o sangue é 
coletado entre 10 a 12 horas após a última dose, as concentrações plasmáticas de T4 
devem estar acima do limite mínimo da faixa de referência para o tipo de cão, caso não 
esteja, a dose deverá ser ajustada. Devido à variação individual da absorção intestinal 
de T4, mais exames de acompanhamento e possíveis ajustes devem ser necessários.
Uma solução de l-tiroxima para administração oral possui uma elevada biodisponibilidade 
em comparação com as formulações em tabletes, especialmente quando tal formulação 
é administrada sem alimentos (LE TRAON et al., 2008). De acordo com os autores, as 
propriedades farmacocinéticas da solução de l-tiroxina líquida sustentam o uso da dose 
de 20 µg/kg, uma vez ao dia.
Prognóstico
O hipotireoidismo é uma das doenças mais gratificantes em relação ao seu tratamento, 
devido à facilidade e plenitude com que responde à terapia. Com o tratamento apropriado 
e exames de acompanhamento a cada 6 meses, todas as alterações associadas com o 
hipotireoidismo são frequentemente revertidas. Assim, o prognóstico a longo prazo é 
excelente.
Hipotireoidismo central
No hipotireoidismo central as glândulas tireoidianas não são afetadas primariamente, 
mas são privadas da estimulação pelo TSH. Investigações histológicas não revelam 
a perda de folículos, mas características de inatividade. A condição é rara quandocomparada com a falência tireoidiana primária. As causas espontâneas incluem tumor 
da hipófise ou regiões adjacentes e trauma craniano (MELLAMBY et al., 2005). O 
hipotireoidismo terciário foi documentado em um cão com um grande tumor hipofisário 
e obliteração do hipotálamo sobrejacente (SH et al.IEL, 2007). O hipotireoidismo 
central também pode ser resultado de remoção cirúrgica de tumor hipofisário. (MEIJ 
et al., 1997)
44
UNIDADE II │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I
Manifestações clínicas
O quadro clínico é similar ao do hipotireoidismo primário, apesar de geralmente menos 
pronunciado. Podem ocorrer sinais de letargia e alopecia, porém o espessamento da 
pele é menos pronunciado. Como descrito na seção anterior, o espessamento da pele 
que ocorre no hipotireoidismo primário é parcialmente uma consequência do excesso 
de hormônio do crescimento associado. No hipotireoidismo central a persistente 
retroalimentação negativa responsável pela secreção de TSH está ausente. Por outro 
lado, frequentemente há o prejuízo na secreção de outros hormônios hipofisários tais 
como o hormônio do crescimento e gonadotrofinas. 
Comumente, a lesão que reduz a secreção TSH é um tumor hormônio-secretante, como o 
adenoma corticotrófico, que é hipersecretor de ACTH. Os sinais e sintomas decorrentes 
de tal tumor hipofisário pode anteceder, acompanhar e até obscurecer as manifestações 
da falência hipofisária. Na presença do tumor secretor de ACTH, o hipotireoidismo 
central pode manifestar-se apenas após a reversão do hipercortisolismo associado. 
Diagnóstico
O diagnóstico do hipotireoidismo central deve ser baseado na demonstração de 
baixas concentrações de T4 e TSH plasmático. No hipotireoidismo secundário, as 
concentrações plasmáticas de T4 aumentam com o teste de estimulação por TSH, 
apesar de serem necessárias repetidas estimulações. O teste com estimulação por TRH 
pode ser utilizado caso haja alguma razão para a suspeita de hipotireoidismo terciário. 
Um pré-requisito para a interpretação correta desses testes é a certeza de que as baixas 
concentrações de T4 (e TSH) não são consequência de doença ou drogas.
Adicionalmente, o acesso ao diagnóstico deve incluir: 
 » a investigação de secreção de outros hormônios hipofisário, e
 » a morfologia da hipófise e das áreas adjacentes observadas por meio de 
diagnóstico por imagem.
Tratamento
O tratamento com l-tiroxina é o mesmo que no hipotireoidismo primário. A hipofunção 
de qualquer glândula endócrina resultante de uma deficiência dos hormônios 
hipofisários também deve ser corrigida. Na prática, tal fato é geralmente confinado 
ao tratamento contra uma coexistente deficiência de ACTH. Também é aconselhável 
investigar a função hipófise-adrenocortical e tratar uma eventual deficiência através de 
45
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I │ UNIDADE II
suplementação com cortisol antes do início da terapia com T4. Isso irá evitar o risco de 
acelerar uma crise relacionada à deficiência de glicocorticoide. 
Prognóstico
Nas formas espontâneas o prognóstico é completamente dependente do curso da 
lesão causadora na área hipotálamo-hipofisária. Na forma iatrogênica seguida de 
hipofisectomia, a suplementação com l-tiroxina (e glicocorticoides) permite ao animal 
viver de forma saudável por muitos anos. 
46
UNIDADE IIIDISFUNÇÃO TIREÓIDEA II
CAPÍTULO 1
Hipertireoidismo em gatos
O hipertireoidismo felino é uma doença relativamente comum em gatos de meia-idade 
e idosos, com média de idade entre 12 a 13 anos, não havendo prevalência por raça ou 
gênero. O excesso de hormônio tireóideo é produzido por uma hiperplasia adenomatosa 
ou adenoma tireoidiano, envolvendo um ou, mais frequentemente, ambos os lobos 
tireóideos. O carcinoma tireóideo, que é a causa principal do hipertireoidismo em cães, 
resume-se a apenas 3% dos casos de hipertireoidismo em gatos. (NAAN et al., 2006)
A patogênese da hiperplasia tireóidea adenomatosa em gatos ainda não está clara. Tal 
condição assemelha-se ao bócio tóxico nuclear em humanos. As glândulas tireoides dos 
gatos hipertireóideos contêm múltiplos nódulos hiperplásicos envolvidos por tecido 
folicular inativo. O transplante experimental de tecidos adenomatosos em camundongos 
demonstrou que tal crescimento não depende de estimulação humoral extratireoidiana 
(PETER et al., 1987). Em vez disso, anormalidades celulares intrínsecas devem ser 
responsáveis por essa função e crescimento não regulado (WARD et al., 2005). Os 
candidatos mais prováveis parecem ser a mutação do receptor para TSH ou mutação 
em suas proteínas G acopladas. (PEETERS et al., 2002) 
Manifestações clínicas
As glândulas adenomatosas não tendem a ser muito grandes, de forma que raramente 
os médicos veterinários são ajudados devido a uma massa detectada pelo proprietário. 
Assim, são os sinais e sintomas relacionados aos efeitos do excesso de hormônio 
tireoidiano nos sistemas orgânicos que levam ao exame pelo médico veterinário. A 
apresentação clássica do gato hipertireóideo é a de um gato magro, agitado e idoso 
com muito apetite e poliúria; o animal aparenta ser tenso ou ansioso, com pouca 
tolerância para qualquer tipo de estresse, como de restrição (THODAY; MOONEY, 
47
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II │ UNIDADE III
1992). Muitos órgãos sistêmicos podem ser afetados. Em um gato idoso, a perda de 
peso, frequentemente associada ao aumento no apetite, pode ser razão suficiente para 
a suspeita de hipertireoidismo.
Em cerca de 10% dos casos, o quadro clínico pode ser um pouco diferente: nesses casos 
a perda de peso permanece como uma importante característica, porém há letargia 
e anorexia, ao invés de hiperatividade e aumento no apetite. Tal forma, chamada de 
hipertireoidismo apático, pode representar um estágio final da doença e também deve 
ser associado às desordens cardíacas. Essa forma severa do hipertireoidismo felino 
também é conhecida como a “tempestade tireóidea”, termo utilizado para uma entidade 
clínica rara em humanos. A terapia com iodo radioativo, a cirurgia tireóidea, a palpação 
tireóidea vigorosa e o estresse podem causar um aumento agudo nas concentrações 
plasmáticas de hormônios tireóideos e têm sido implicados como possível fator 
desencadeante da “tempestade tireóidea” (WARD, 2007). Uma grande gama de 
características clínicas é associada com essa forma da doença, incluindo hipertensão 
arterial e miopatia hipocalêmica. Não está claro se possíveis condições coexistentes, 
como hiperaldosteronismo, podem ter algum papel.
Os efeitos multissistêmicos do excesso de hormônios tireóideos não levam apenas a 
uma variedade de alterações físicas, mas, também, podem gerar várias anormalidades 
bioquímicas. Grande parte de tais alterações bioquímicas são revertidas com o 
tratamento, incluindo o aumento nas concentrações plasmáticas das enzimas hepáticas 
e aumento na razão entre corticoides e creatinina urinária (MOONEY et al., 1992; DE 
LANDE et al., 2004). As alterações hemodinâmicas do hipertireoidismo são responsáveis 
pelo aumento marcado na taxa de filtração glomerular. A proteinúria moderada, 
frequentemente observada, é considerada um reflexo da hipertensão glomerular e 
hiperfiltração, e também é resolvida com o tratamento (SYME; ELLIOT, 2001). O mais 
preocupante é o aumento nas concentrações plasmáticas de creatinina após o tratamento 
contra o hipertireoidismo, apesar de ainda permanecer dentro do limite de referência. 
Apesar de ser considerada como uma doença renal crônica desmascarada, tal fato parece 
ter pouca significância clínica. A sobrevivência dos gatos hipertireóideos não parece 
ser afetada pela azotemia pós-tratamento (SYME, 2007). Estudos sobre a homeostase 
do cálcio no hipertireoidismo felino revelaram várias alterações (SCHENCK, 2007). 
Apesar de tais alterações não terem sido associadas com quaisquer sintomas ou sinais, 
há um relato de um gato hipertireóideos com hiperfosfatemia e calcificação de suas 
patas, que foi resolvido com o retorno ao seu estado eutireóideo (DECCLER; BATTY, 
2005). Adicionalmente, consistentecom os efeitos dos hormônios tireoidianos sobre a 
Na+/K+-ATPase, a hipocalemia pode ser encontrada, por meio da possibilidade de um 
hiperaldosteronismo pré-existente.
48
UNIDADE III │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II
Diagnóstico diferencial
Há pelo menos duas desordens não tireoidianas que podem simular certos aspectos da 
síndrome. Primeiramente, a perda de peso em combinação com o aumento do apetite e 
grande volume de fezes gordurosas pode ser confundida com insuficiência pancreática 
e, menos provavelmente, com linfoma gastrointestinal, já que no último caso haverá 
inapetência. A perda de peso, apesar do elevado apetite, juntamente com a poliúria 
também levanta a possibilidade de diabetes mellitus, mas a urinálise de rotina poderá 
resolver esta dúvida imediatamente.
Diagnóstico
Quando há suspeita de hipertireoidismo, o primeiro passo deve ser uma palpação 
cuidadosa do pescoço, deslizando suavemente o polegar e o indicador ao longo dos 
lados da traqueia. As glândulas tireoidianas estão frouxamente ligadas aos tecidos 
circundantes e, portanto, o seu aumento causa a descida ao longo da traqueia, às vezes 
até a entrada torácica. As glândulas tireoidianas são facilmente movidas ao longo da 
traqueia. O aumento de um ou ambos os lobos pode ser encontrado, por um examinador 
experiente, em cerca de 90% dos cães hipertireóideos. Entretanto, deve-se levar em 
consideração que ocasionalmente o aumento da tireoide é encontrado em casos que 
não sejam de hipertireoidismo. Em tais casos, a doença pode se desenvolver ao longo 
do tempo. Raramente o aumento da tireoide surge a partir de tecidos tireoidianos 
ectópicos (às vezes intratorácicos). 
O diagnóstico final deve assentar na mensuração direta da função tireoidiana. Pelas 
razões descritas anteriormente, a mensuração das concentrações plasmáticas de T4 é 
de maior valor diagnóstico em relação ao T3. Em cerca de 90% dos gatos apresentados 
com síndrome de hipertireoidismo, a concentração plasmática de T4 excede o limite 
máximo de referência. As concentrações plasmáticas de T4 flutuam ao longo do tempo 
e, em gatos com hipertireoidismo moderado, os valores de T4 devem estar entre a 
faixa normal e alta dos limites de referência. Adicionalmente, a doença não tireoidiana 
concomitante pode reduzir os valores para abaixo dos níveis mínimos de referência 
(PETERSON et al., 2001). Quando as concentrações plasmáticas de T4 reduzem dentro 
do limite de referência e o animal ainda apresenta suspeita de hipertireoidismo, a 
mensuração de T4 pode ser repetida dentro de duas a quatro semanas. 
Na maioria dos casos, a mensuração das concentrações de T4 livre por meio de 
diálise de equilíbrio adiciona pouca ou nenhuma informação ao diagnóstico. Doenças 
não tireoidianas podem ser associadas com resultados falso-positivos e, portanto, o 
49
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II │ UNIDADE III
hipertireoidismo felino não deve ser diagnosticado apenas com base nos achados de 
elevada concentração plasmática de T4 livre (PETERSON et al., 2001). Recentemente, foi 
descrito que gatos com hipertireoidismo apresentam concentrações plasmáticas de TSH 
abaixo do limite de quantificação, o que fornece ferramentas adicionais na abordagem 
diagnóstica para o hipertireoidismo felino. Concentrações não detectáveis ou baixas de 
TSH também foram descritas em gatos com evidência histológica de doença tireóidea 
nodular, isto é, hipertireoidismo moderado ou subclínico (WAKELING et al., 2007).
Também se pode considerar testar a supressibilidade das concentrações plasmáticas de 
T4 em um teste de supressão com T3. Após sete ou oito horas de administração de doses 
de T3 (15 a 25 µg, via oral), as concentrações de T4 em gatos saudáveis é suprimida a 
baixos valores. Devido ao caráter autônomo (TSH-independente) da hipersecreção de T4 
em gatos hipertireóideos, as concentrações de T4 permanecem praticamente inalteradas 
cerca de 2 a 4 horas após a última administração de T3 (WAKELING et al., 2007). 
Apesar de não disponível em todas as clínicas, os estudos de captação com iodo radioativo 
(131I ou 125I) pode contribuir para o diagnóstico. Em gatos hipertireóideos existe uma 
rápida captação do traçador, com valores maiores do que em relação aos gatos normais 
(SJOLLEMA et al., 1989). Adicionalmente, o 99mTcO4
- também é captado pela glândula 
tireoide mas não é organificado. Apesar disso, a mensuração pode ser valiosa por 
ser usualmente maior em cães saudáveis (NAP et al., 1994). A melhor correlação da 
captação do 99mTcO4
- com as concentrações plasmáticas de T4 foi encontrada pela razão 
glândula tireoide/salivar ao longo de 20 minutos, utilizando uma imagem mais intensa 
de ambos os lobos tireóideos. (DANIEL et al., 2002) 
A captação visualizada na cabeça do gato pela cintilografia tireóidea de rotina 
é em grande parte devido ao acúmulo de pertecnetato na glândula salivar molar e 
zigomática. A captação nas glândulas molares menores pode ser sobreposta pela 
captação do zigomático nas imagens planas ventrais de rotina (BARTHEZ et al., 
2006). Diferentes protocolos anestésicos sedativos influenciam a captação de 99mTcO4
- 
pelas glândulas tireoide e salivar, de diferentes formas (SCHAAFSMA et al., 2006). 
Outro fator complicador da interpretação da razão glândula tireoide/salivar pode ser 
a recente medicação antitireóidiana. O aumento na captação tireoidiana de 99mTcO4
- 
foi encontrada após a retirada, apesar de a razão glândula tireoide/salivar ter sido 
significativamente elevada apenas 4 horas após a injeção do traçador. (NIECKARZ; 
DANIEL, 2001) 
Em gatos hipertireóideos, a cintilografia com 99mTcO4
- revela o aumento na captação 
em tecidos tireóideos hiperplásicos e nenhuma captação em tecidos não afetados, 
devido a secreção de TSH ser suprimida pelo excesso de T4. A cintilografia tireóidea é 
50
UNIDADE III │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II
especialmente útil em gatos hipertireóideos onde não há aumento de tireoide detectado 
pela palpação, a fim de detectar se um ou mais lóbulos são afetados e se a hiperfunção 
funcional ectópica do tecido tireóideo está presente. A técnica também é muito útil 
em casos de recorrência da doença após cirurgia, e quando há suspeita de metástases 
distantes, apesar de esta ser extremamente rara. A hiperfunção funcional ectópica do 
tecido tireóideo ocorre em 9% dos casos e apresenta um efeito significante na taxa 
de recorrência após a cirurgia. A cintilografia tireóidea deve ser realizada antes da 
cirurgia em todos os casos (NAAN et al., 2996). Apesar de o 99mTcO4
- ser geralmente 
administrado por via intravenosa, a administração subcutânea é segura e fornece 
imagens de diagnóstico equivalentes. (PAGE et al., 2006)
Cintilografia com pertecnetato possui vantagens sobre mensurações quantitativas de 
captação. Além do seu valor na localização das lesões tireoidianas, a inspeção visual 
de uma varredura apresenta sensibilidade igual ou superior para o diagnóstico do 
hipertireoidismo quando comparado com o cálculo da razão entre as glândulas tireoide 
e salivar (DANIEL et al., 2002). A inspeção visual pode ter baixa especificidade em 
relação à razão entre as glândulas tireoide e salivar, já que o observador pode ser 
enganado pela assimetria das glândulas tireoidianas que ocorrem em alguns gatos 
eutireóideos (SCRIVANI et al., 2007). Em casos de dúvidas, a mensuração da captação 
quantitativa pode ser útil caso os valores possam ser comparados com valores de 
referência apropriadamente obtidos.
Tratamento
Há três opções para eliminar o excesso de produção de T4: 
1. ablação da tireoide por meio de radioisótopo; 
2. tireoidectomia cirúrgica, e 
3. inibição da secreção com drogas antitireoidianas. Quando a facilidade 
não é um fator limitante, a primeira opção é a preferida.
A tireoidectomia é realizada por meio da técnica modificada de dissecção intracapsular. 
Após a incisão na porção ventral da glândula, o tecido tireóideo é gentilmente removida 
da cápsula através de uma dissecção romba com tesouras e cotonete umedecido. 
Apósa remoção da glândula tireoide a cápsula é extirpada, preservando apenas um 
pequeno pedaço da cápsula e a irrigação sanguínea para a glândula paratireoide. Pode 
ser difícil localizar a glândula paratireoide devido às alterações anatômicas causadas 
pelo nódulo tireóideo, de forma que lupas devem ser utilizadas. Com essa abordagem, 
tanto a tireoidectomia unilateral quanto a bilateral pode ser realizada sem uma 
elevada incidência de hipoparatireoidismo, dependendo da habilidade e experiência 
51
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II │ UNIDADE III
do cirurgião. A hiperfunção de tecido tireoidiano ectópico na região cervical ventral ou 
mediastinal anterior são abordadas por meio de uma incisão cervical caudal. Por meio 
de exploração cuidadosa ao longo da entrada torácica, o mediastino anterior pode ser 
alcançado suficientemente para encontrar e remover a lesão. (NAAN et al., 2006) 
O aumento no débito cardíaco ocorrido no hipertireoidismo pode descompensar uma 
doença cardíaca subclínica, apesar da prevalência da falência cardíaca congestiva ser 
baixa. Considerações no tratamento pré-operatório são centradas primariamente 
no controle do hipertireoidismo em relação às suas consequências cardiovasculares 
(WARD, 2007). Drogas antitireoidianas podem ser utilizadas para controlar os 
efeitos cardíacos do hipertireoidismo antes da anestesia geral e cirurgia, porém, 
caso tais drogas causem sérios efeitos colaterais, os beta-bloqueadores tornam-se 
uma alternativa a curto prazo (WARD, 2007). A ecocardiografia sistemática revelou 
anormalidades clinicamente relevantes no pré-tratamento em menos de 10% dos gatos 
hipertireóideos, e a taquicardia (>220 bpm em um cenário clínico) foi citada como o 
critério principal para o tratamento com drogas cardíacas (WEICHSELBAUM et al., 
2005). A hipocalemia pode ser corrigida no pré-operatório por meio da administração 
de potássio por via oral (2 mmol de KCl, duas vezes ao dia) ou por meio de injeções 
intravenosas ou subcutâneas.
A complicação pós-operatória mais séria é a hipocalcemia, que aparece entre 24 a 
72 horas após a tireoidectomia bilateral. Seus sinais variam entre letargia, anorexia, 
relutância ao movimento, e tremores musculares (face e olhos) até tetania (que pode 
ser causada pelo manuseio do animal) e convulsões. O tratamento deve ser iniciado 
prontamente por administrações intravenosas de íon cálcio (0,5 mmol/Kg) sob a forma 
de gluconato de cálcio. 
Seria interessante evitar esse evento dramático por meio de mensuração rotineira 
das concentrações plasmáticas de cálcio a partir de 20 horas após a cirurgia. Caso as 
concentrações plasmáticas de cálcio estejamtal fato pode estar associado 
às manifestações clínicas de hipotireoidismo (NYKAMP et al., 2005).
A recidiva como resultado de um novo desenvolvimento de hiperplasia nodular no 
tecido tireoidiano remanescente ocorre pouco frequentemente. O tempo entre o 
tratamento com o iodo radioativo e a recidiva é de, geralmente, três anos ou mais. Já 
que tanto o hipotireoidismo quanto a recidiva podem ocorrer após o tratamento com o 
iodo radioativo, recomenda-se testar a função tireoidiana pelo menos uma vez ao ano. 
(PETERSON, 2006)
Uma das drogas antitireoidianas disponíveis e mais utilizadas é o metimazol, que 
exerce o seu efeito pela inibição da atividade da enzima TPO. O componente derivado 
do carbimazol é convertido em metimazol, mas fornece apenas metade da concentração 
de metimazol quando comparado a mesma concentração de metimazol. As doses 
necessárias para controlar o hipertireoidismo em gatos diferem de acordo. (PETERSON; 
AUCOIN, 1993)
A dose inicial de metimazol é de 1,25 a 2,5 mg por gato, duas vezes ao dia; tal dose pode 
ser aumentada caso a resposta, após duas ou quatro semanas, seja inadequada. Para o 
carbimazol a dose inicial é de 2,5 a 5 mg por animal, duas vezes ao dia (TREPANIER, 
54
UNIDADE III │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II
2006). Nos gatos que toleram o metimazol sem efeitos colaterais, a eficiência do 
tratamento é superior a 90% (PETERSON; AUCOIN, 1993).
Efeitos colaterais foram descritos em 18% dos animais tratados com metimazol, 
incluindo discrasias sanguíneas (neutropenia e/ou trombocitopenia), escoriação 
facial, hepatotoxicidade e distúrbios gastrointestinais (anorexia e vômitos). Gatos 
com discrasias sanguíneas induzidas pelo metimazol geralmente recuperam-se dentro 
de uma semana após a descontinuação do tratamento. A administração continuada 
do metimazol na presença de trombocitopenia pode levar a hemorragias, incluindo 
epistaxes e sangramento oral (PETERSON; KINTZER, 1988). Há relatos de que os 
efeitos colaterais são menos comuns no tratamento com carbimazol em relação ao 
metimazol, porém tal fato não foi substanciado até o momento.
Condizente com a possibilidade de tais efeitos colaterais no tratamento com metimazol, 
o protocolo de tratamento deve incluir exames de controle 2, 4 e 6 semanas após o início 
do tratamento, com mensurações de hematócrito, contagem de leucócitos e trombócitos, 
e concentração plasmática de enzimas hepáticas, creatinina e T4. Tal acompanhamento 
também deve ser realizado caso o animal fique doente ao longo do tratamento com 
metimazol, para diferenciar entre um simples distúrbio gastrointestinal daquele onde 
a redução da dose seria adequada, e onde ocorra discrasias sanguíneas e hepatopatias 
onde o tratamento com metimazol deva ser descontinuado. (TREPANIER, 2006) 
Quando a administração oral é problemática, o metimazol pode ser administrado 
por formulações transdermais onde o organogel de lecitina age aumentando a 
permeabilidade, facilitando a absorção da droga através da epiderme. A dosagem 
transdermal crônica de metimazol (2,5 mg, duas vezes ao dia) é eficaz na redução 
das concentrações plasmáticas de T4 em gatos hipertireóideos (HOFFMMAN et al., 
2003; SARTOR et al., 2004). A administração de carbimazol sob a forma de pomada é 
igualmente eficiente (5 mg, uma vez ao dia durante uma semana e, depois, duas vezes 
ao dia). A pomada é aplicada na superfície interna do pavilhão auricular, devendo 
alternar a orelha em cada dose. O proprietário deve ser instruído a usar luvas para o 
procedimento e remover possíveis materiais em crosta com cotonete antes da aplicação 
da pomada. 
Apesar de poucos efeitos colaterais terem sido descritos com o tratamento transdermal, 
não é convincente que ele produza menos efeitos colaterais que o tratamento por via 
oral. Utilizando a mesma dose, o tratamento transdérmico apresenta menor eficácia 
em relação à administração oral de metimazol, provavelmente devido a menor 
biodisponibilidade.
55
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II │ UNIDADE III
A injeção percutânea de etanol, por meio de orientação ultrassonográfica, é um 
tratamento alternativo para pacientes humanos (CORVILAIN et al., 2001). A injeção 
de etanol 90% na lesão tireoidiana causa necrose hemorrágica e fibrose (POMORSKI; 
BARTOS, 2002). Tal injeção é considerada a primeira linha de tratamento para cistos 
tireoidianos recorrentes e, uma alternativa contra pequenos nódulos que funcionam de 
forma autônoma em pacientes humanos que rejeitam o tratamento com iodo radioativo 
(GUGLIELMI et al., 2004). Há apenas um estudo sobre o uso da injeção percutânea 
de etanol contra nódulos solitários em quatro gatos hipertireoideos, as concentrações 
plasmáticas de T4 reduziram e os sinais clínicos de hipertireoidismo foram resolvidos. 
Adicionalmente, a doença não recidivou nos 12 meses seguintes de acompanhamento; 
não foram relatados efeitos colaterais além de disfonia moderada (GOLDSTEIN et al., 
2001). Por outro lado, os resultados encontrados em sete gatos com lesões tireoidianas 
bilaterais foram menos satisfatórios, o eutireoidismo durou menos de 6 meses e houve 
uma elevada incidência de paralisia faríngea. (WELLS et al., 2001)
Prognóstico
Em gatos sem complicações cardíacas ou renais severas, o prognóstico para a 
restauração da saúde é excelente após uma cirurgia bem-sucedida. Pode haver 
recidiva meses ou anos após a tireoidectomia, geralmente associada com hiperplasia 
adenomatosa no lobo contralateral ou em um tecido ectópico. Após o tratamento com 
radioiodo, o prognóstico é bom ou excelente, mesmo naqueles com envolvimento 
bilateral ou com presença de foco ectópico de tecido tireoidiano, não havendo risco 
de hipoparatireoidismo e raramente necessitam de suplementação com hormônios 
tireoidianos. Na grande maioria dos gatos hipertireoideos o tratamento com metimazol 
ou carbimazol é eficiente, mas o prognóstico depende em parte da possível presença de 
efeitos colaterais da droga.
56
CAPÍTULO 3
Tumores tireoidianos e hipertireoidismo 
em cães
A neoplasia tireoidiana corresponde a cerca de 2% de todos os tumores caninos. A 
maioria dos tumores benignos (adenomas) são pequenos e comumente não detectados 
durante a vida do animal; muito ocasionalmente eles tornam-se císticos e por isso, 
aumentam de tamanho de forma suficiente para serem detectados pelo proprietário 
(LEAV et al., 1976). Um tumor tireóideo benigno também pode ser detectado devido 
seus sintomas sugerirem um hipertireoidismo. A palpação cuidadosa do pescoço pode 
revelar um discreto aumento nas glândulas tireoidianas. Cerca de 85% dos tumores 
tireoidianos caninos descobertos clinicamente são bastante grandes (> 3 cm), sólidos, e 
malignos. A sua natureza maligna pode ser evidenciada já durante o exame físico, devido 
às alterações como aderência às estruturas adjacentes e metástases para linfonodos 
regionais.
Exames microscópicos revelam que a maioria dos tumores consiste de tecido sólido 
e/ou folicular. Dentre os tumores tireoidianos que acometem os animais domésticos, 
o do cão, particularmente o tipo folicular, assemelha-se muito ao carcinoma folicular 
humano. As similaridades incluem não apenas o comportamento clínico do tumor, mas 
também o padrão dos níveis de tireoglobulina circulante e a conservação dos receptores 
para TSH os tumores primários (muito menos em metástases) (VERSCHUEREN et 
al., 1991a; 1992). Uma diferença intrigante é observada na ploidia do DNA, havendo 
uma maior incidência de hipodiploidia em tumores caninos (VERSCHUEREN et al., 
1991b). Mutações em genes supressores de tumores do tipo p53 parecem ocorrer pouco 
frequentemente em cães com carcinoma tireoidiano. (DEVILEE et al., 1994)
Dentre os possíveis fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento do câncer 
tireoidiano, a influência do iodo na dieta canina não está clara (BARBER, 2007) 
apesar de em um estudo, a elevada prevalência de tumores tireóideos no material de 
necropsia foi atribuída como ingestão de iodo insuficiente (AUPPERLE et al., 2003). O 
hipotireoidismorelacionado com a tireoidite linfocítica foi associado com uma elevada 
incidência de tumores tireoidianos em uma colônia de beagles. Tal fato também aponta 
para um possível papel da exposição crônica ao TSH na promoção do crescimento 
neoplásico do epitélio folicular residual. (BENJAMIN et al., 1996).
Os tumores tireoidianos surgem não somente a partir do epitélio folicular, mas 
também a partir das células C parafoliculares. Esses tumores chamados de tumores 
57
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II │ UNIDADE III
tireoidianos medulares são relativamente raros em cães (LEAV et al., 1976). Sugere-se 
que tais tumores sejam mais prevalentes do que previamente pensando, e são de menor 
malignidade em relação aos carcinomas originados das células foliculares (CARVER 
et al., 1995). Recentemente foi descrita a ocorrência familiar do carcinoma medular 
tireoidiano em cães malamute do Alaska, mas um defeito gênico predisponente ainda 
não foi identificado nesta raça (LEE et al., 2006). O carcinoma medular tireoidiano em 
cães não parece estar associado com a ativação de mutações nos proto-oncogenes RET, 
assim como ocorre em humanos (LEE et al., 2006; VAN VEELEN et al., 2008). Os 
carcinossarcomas tireoidianos, que consistem tanto de elementos do epitélio maligno 
(folicular) quando mesenquimal (geralmente de origem osteogênica e/ou cartilaginosa) 
são extremamente raros (GRUBOR; HAYNES, 2005).
Metástases do carcinoma epitelial tireoidiano canino é relativamente comum, mais 
frequentemente nos pulmões e regiões com nodos linfáticos (LEAV et al., 1976; 
AUPPERLE et al., 2003). A linfa drena a partir da tireoide canina, primariamente via 
polo superior linfático na direção cranial, em direção aos linfonodos cervicais profundos 
(STERNS; DORIS, 1968). As metástases ocorrem em muitos órgãos, incluindo a hipófise 
(TAMURA et al., 2007). Enquanto a metástase do carcinoma tireóideo para os ossos 
ocorrem frequentemente em humanos, tal condição é rara em cães. 
Quadro clínico
A idade média dos cães que apresentam tumores tireoidianos é de nove anos de idade 
(numa faixa que varia entre 5 a 15 anos), e os boxers são os maiores representantes, não 
havendo predileção por sexo (LEAV et al., 1976). Os sintomas estão relacionados com o 
aumento da tireoide, e hipersecreção de hormônios tireoidianos. 
A maioria dos tumores tireoidianos é descoberta pelos próprios proprietários, como uma 
massa na região médio-cervical ou ventro-cervical, que não causa desconfortou ou dor 
ao animal. Entretanto, à medida que o tumor aumenta de tamanho, eles podem causar 
sintomas tais como disfagia, rouquidão e obstrução traqueal, relacionados à pressão 
exercida pelo tumor sobre as estruturas adjacentes. Um tumor grande e invasivo pode 
ainda causar prejuízos ao tronco simpático cervical (MELIÁN et al., 1996). A invasão 
arterial pode causar uma situação de emergência com um aumento rápido na sudorese 
na região cervical ventral relacionado com a hemorragia (SLENSKY et al., 2003). Os 
tumores que surgem a partir dos ductos tireoglosso remanescentes desenvolvem-se na 
região ventro-medial cranialmente à laringe e podem envolver a base da língua e os 
ossos hióideos. Já os tumores que se originam a partir do tecido ectópico tireóideo na 
base do coração podem causar arritmias, efusão pericárdica e edema anterior cervical. 
(WARE et al., 1994)
58
UNIDADE III │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II
A hipersecreção de hormônio tireóideo ocorre em cerca de 10% dos casos de tumor 
tireoidiano em cães (LEAV et al., 1976; TURREL et al., 2006), podendo resultar na 
síndrome do hipertireoidismo, muito similar a que ocorre em gatos porém menos severa. 
Ocasionalmente, há sintomas de hipertireoidismo sem o aumento da tireoide observado 
pela palpação; nesse caso, um tumor hiperfuncionante intratorácico originário a partir 
de um tecido tireóideo ectópico deve ser considerado. (TURREL et al., 2006; STASSEN 
et al., 2007). 
Os carcinomas medulares tireoidianos em humanos podem expressar genes nas células 
C que, ou estão pouco expressos ou simplesmente não expressos. Os produtos proteicos 
desses genes incluem a somatostatina, a proopiomelanocortina, o peptídeo vasoativo 
intestinal e o peptídeo liberador de gastrina, o que causa em alguns pacientes uma 
diarreia profusa e líquida (KEBEBEW et al., 2000; LEBOULLEUX, 2004). Tais efeitos 
sistêmicos também ocorrem em cães: uma diarreia ininterrupta em um cão da raça 
collie de 7 anos de idade cessou imediatamente após a remoção de um carcinoma 
tireoidiano medular. (LEAV et al., 1976)
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial para uma massa cervical grande inclui inflamação (penetração 
faríngea por um corpo estranho), hematoma, linfoma, lipoma e outros tumores. Os 
tumores tireoidianos também infiltram muito raramente na pele, mimetizando a 
inflamação com abundante tecido de granulação.
Diagnóstico e estadiamento
A localização e extensão da massa são determinadas pela palpação cuidadosa da porção 
inferior do pescoço enquanto o animal está sentado em uma posição confortável 
com a sua cabeça levantada e levemente inclinada para trás. Tumores de tamanho 
pequeno a médio são geralmente fáceis de mover ao longo da traqueia, mas a palpação 
pode também revelar a aderência do tumor a estruturas adjacentes e o aumento dos 
linfonodos cervicais profundos localizados crânio-cervicalmente. O estado funcional 
pode ser testado pela mensuração das concentrações plasmáticas de T4 e TSH. Uma 
baixa concentração plasmática de T4 e elevada concentração plasmática de TSH (o que 
indica hipofunção) pode ser encontrada em cães onde o tecido tireoidiano normal é 
substituído por carcinoma tireoidiano bilateral ou tireoidite pré-existente. A hiperfunção 
59
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II │ UNIDADE III
dos tumores tireoidianos resulta em elevadas concentrações plasmáticas de T4 e baixas 
concentrações plasmáticas de TSH.
As técnicas de diagnóstico por imagem tais como ultrassonografia, tomografia 
computadorizada e ressonância magnética podem ser de grande valia para a detecção 
de cistos, linfonodos regionais metastáticos, hemorragia, necrose, calcificação, 
deslocamento vascular, e invasão (TAEYMANS et al., 2007). Dúvidas como, se a massa 
é de origem tireoidiana podem ser ocasionalmente resolvidas com a cintilografia com 
iodo radioativo ou pertecnato. As metástases pulmonares podem ser detectadas por 
radiografia e, caso seja necessário, pela tomografia computadorizada. Tais técnicas 
são mais sensíveis para essas propostas do que a cintilografia já que as metástases, 
particularmente quando sólidas ou anaplásicas, podem não capturar o pertecnato. 
(TAEYMANS et al., 2007)
Os exames citológicos com biópsias por agulha fina podem revelar a identidade da 
massa, apesar de poder ser difícil obter aspirados sem excesso de sangue e tumores 
císticos frequentemente contêm uma mistura de fluido sanguíneo e células tumorais 
degeneradas (THOMPSON et al., 1980). A contaminação sanguínea pode ser evitada 
por meio da utilização de agulhas pequenas ( 5 cm de diâmetro), subdividido em “a” (para tumores 
móveis) e “b” (para tumores fixos à estruturas adjacentes). N0 a N2 representa a faixa 
de envolvimento dos linfonodos, desde nenhum até bilateralmente, com os subestágios 
“a” (para linfonodos móveis) e “b” (linfonodos fixos). Por fim, M0 a M1 indica se foram 
detectadas ou não metástases distantes. 
Tratamento
Como a maioria dos tumores clinicamente detectados é maligna, a massa deve ser 
cirurgicamente removida sem atrasos, desde que seja ressecável. A excisão cirúrgica 
de um carcinoma tireoidiano móvel ou encapsulado é frequentementecurativa. Os 
sinais e sintomas do hipertireoidismo desaparecem (ITHO et al., 2007). A excisão de 
um carcinoma tireoidiano móvel nos grupos II (T2a, N0, M0) e III (T3a, N0 e M0) 
resultam em uma elevada sobrevida para a maioria dos cães (KLEIN et al., 1995). 
Os carcinomas medulares tireoidianos tendem a ser bem circunscritos e ressecáveis 
(CARVER et al., 1995). Quando há tumores bilaterais, deve ser feito um esforço para 
60
UNIDADE III │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II
poupar uma das glândulas paratireoidianas, apesar disso ser apenas possível caso o 
tumor esteja bem circunscrito e uma glândula paratireoide externa possa ainda ser 
identificada. Caso nenhum tecido paratireoidiano possa ser preservado, o tratamento 
contra o hipoparatireoidismo será necessário em adição à reposição com tiroxina. A 
excisão cirúrgica dos carcinomas ectópicos na base da língua representa um desafio 
devido à sua grande proximidade entre o aparato hioideo e a língua, e devido à 
abundante revascularização (LANTZ; SALISBURY, 1989). Os tumores ectópicos que se 
desenvolvem a partir do tecido tireoidiano intratorácico podem ser ressecáveis.
Os cães com tumores grandes e invasivos são frequentemente pobres candidatos a 
cirurgias ou outras condições a serem consideradas, principalmente caso eles sejam 
bilaterais ou ectópicos. Em princípio, a administração de iodo radioativo é uma 
alternativa atraente, particularmente em cães com tumores hipersecretores a elevada 
captação e completa organificação de 131I deve resultar em uma elevada concentração 
de iodo radioativo dentro do tumor, produzindo uma elevada dose efetiva de radiação. 
Existem estudos onde a terapia com 131I, independente das concentrações de hormônios 
tireoidianos, aumentam o tempo de sobrevida, mesmo naqueles casos onde houve 
pequena ou nenhuma redução do tamanho do tumor (WORTH et al., 2005; TURREL 
et al., 2006). Um tempo de sobrevida médio foi significativamente maior em cães com 
tumores locais ou regionais (estágios II e III) em relação àqueles com tumores em 
estágio IV (TURRELL et al., 2006). A mielossupressão tem sido descrita como uma 
complicação do tratamento com elevadas doses de 131I (ADAMS et al., 1995; TURREL 
et al., 2006). As rigorosas exigências regulamentares para o uso de radionuclídeos, a 
necessidade de doses elevadas e repetidas, e a hospitalização prolongada são fatores 
que limitam a disponibilidade desse tratamento como opção. 
A quimioterapia com doxorrubicina ou cisplatina pode ser considerada em cães com 
elevado risco de desenvolver metástases, ou seja, aqueles com carcinomas tireoidianos 
grandes e bilaterais. 
Prognóstico
O grau histológico de malignidade, levando em consideração o polimorfismo celular 
e nuclear, invasão capsular e vascular, e a frequência de mitoses parecem ser os 
fatores prognósticos mais importantes para os tumores tireoidianos tratados com 
tireoidectomia. Adicionalmente, o tamanho do tumor e a ocorrência bilateral são 
fatores críticos (THÉON et al., 2000). Em outras palavras, em cães com carcinomas 
de tamanho médio e encapsulados, a ressecção cirúrgica carrega um bom prognóstico.
61
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA II │ UNIDADE III
A proliferação celular tireoidiana é TSH-dependente e desde que os tireócitos 
carcinomatosos possuem receptores para TSH (VERSCHUEREN et al., 1992), podemos 
sugerir que o prognóstico possa ser influenciado favoravelmente pelo tratamento 
supressivo de TSH com l-tiroxina. De fato, foi descrito em humanos as taxas de 
recorrência de tumores podem ser reduzidas caso a l-tiroxina seja administrada logo 
após a cirurgia, para pacientes com carcinoma tireóideo não metastático diferenciado 
(MAZZAFERRI, 2000). Tal tratamento apresenta dois objetivos: 
1. a reposição hormonal (correção do hipotireoidismo induzido) e 
2. supressão hormonal (redução das concentrações plasmáticas de TSH 
que pode estimular o crescimento persistente ou a recorrência do tecido 
neoplásico). 
Em pacientes de baixo risco, a l-tiroxina é administrada para que as concentrações 
de TSH retornem aos valores de referência. Pacientes com elevado risco de câncer 
tireóideo recebem elevadas doses a fim de alcançarem a completa supressão de 
TSH, o que implica em um estado de hipertireoidismo subclínico que necessitará 
de monitoramento cuidadoso para doenças cardiovasculares (BIONDI et al., 2005; 
HEEMSTRA et al., 2006).
62
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pelos músculos esterno-hioideo e esternotireóideo; o principal aporte sanguíneo se dá 
através da artéria tireóidea cranial, um ramo da artéria carótida comum e, a principal 
via de drenagem venosa é por meio da veia tireóidea caudal, que desemboca na veia 
jugular interna. A glândula tireoide normal não é palpável.
As glândulas tireoides são originadas a partir de duas estruturas embrionárias 
distintas, o que reflete a função endócrina dual destas glândulas. As células foliculares 
produtoras de tireoglobulina originam-se a partir da evaginação mediana do epitélio 
faríngeo. As células produtoras de calcitonina – parafoliculares ou células C – são 
derivadas da crista neural, originárias a partir da quarta bolsa faríngea. O primórdio 
tireoidiano inicia-se de forma descendente em direção à sua posição final enquanto 
ainda permanece conectado à parede da faringe por meio de um estreito canal, o ducto 
tireoglosso e, durante a descida, tecidos remanescentes podem ser deixados ao longo 
do trato. Adicionalmente, durante o desenvolvimento das tireoides, elas permanecem 
intimamente ligadas ao saco aórtico, que leva à ocorrência frequente de tecido acessório 
tireoidiano no mediastino de animais adultos. Raramente, tal tecido acessório é o único 
tecido tireoidiano funcional e a sua secreção pode ser insuficiente para manter o estado 
metabólico normal (eutireoidismo). 
A unidade básica funcional da tireoide é o folículo, uma esfera côncava de 30 a 300 
µm de diâmetro; sua parede formada por uma camada simples de células epiteliais de 
formato cuboide ou achatado quando quiescentes, ou colunar quando ativas. O lúmen 
dos folículos tireóideos é preenchido com um coloide contendo uma glicoproteína de 
elevado peso molecular chamada tireoglobulina, que é única à glândula tireóidea e em 
cuja sequência se dá a síntese e estocagem dos hormônios tireóideos. Já as células C são 
largamente distribuídas pelo espaço interfolicular.
10
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
Os hormônios da tiroide são os únicos compostos orgânicos iodados no corpo sendo os 
dois principais produtos da glândula tiroide a tiroxina (L-T4) e a 3,5,3’-triiodotironina 
(L-T3) contendo 65% e 59% de iodo respectivamente. A quantidade mínima de iodo 
para a maior parte dos animais é desconhecida, mas a quantidade diária necessária 
na ração para prevenir o bócio em todos os animas é normalmente de 1µg/kg do peso 
corporal. A quantidade diária recomendada em cães é de 15µg/kg enquanto em gatos 
ainda não foi cuidadosamente estudado, acredita-se que seja de 100µg/gato/dia. Rações 
comerciais pra gato tem se mostrado bastante variáveis com relação à quantidade iodo, 
provavelmente um resultado da quantidade variável de frutos do mar usados para 
criar a ração. De fato, o iodo da dieta tem se mostrado inversamente proporcional às 
concentrações de T4 livre. Embora os requisitos nutricionais para esse micronutriente 
não sejam conhecidos, a maior parte das rações pra gato e cães incluem pelo menos 3 a 5 
partes dessa quantidade mínima de iodo necessária, se os animais são alimentados com 
as quantidades recomendadas. Como resultada a deficiência de iodo tem se tornado 
uma condição rara em animais domésticos. Durante a gravidez, a quantidade mínima 
diária de iodo recomendada aumenta 4 vezes. 
O iodo ingerido é convertido a iodeto no trato gastrointestinal e absorvido na circulação. 
Os cães têm concentrações plasmáticas de iodo de 5µg/dl a 10µg/dl, o que é 10 a 20 
vezes mais que no plasma humano. Na tireoide o iodeto é concentrado ou preso pela 
cotransportador sódio-iodeto (NIS) que utiliza o gradiente de sódio proporcionado pela 
Na+/K+ ATPase para mover o iodo pela membrana plasmática basolateral da célula 
folicular da tireoide. Esses resultados nas concentrações intracelulares de iodo, que 
são de 10 a 200 vezes maiores que no soro. Esse processo é estimulado pela interações 
da tirotropina (TSH) com a proteína G acoplada aos receptores de TSH na superfície 
da célula folicular levando a estimulação de cAMP. A transcrição de NIS é estimulada 
pelo TSH do AMP cíclico o NIS é também regulado diretamente pelos mecanismos da 
tireoide respondendo a deficiência de iodo ou bloqueio do transporte de iodeto por 
compostos como o perclorato. Outros tecidos incluindo glândulas salivares, células da 
mucosa gástrica, células tubulares do ducto proximal renal, placenta, corpos ciliares 
e glândulas mamárias podem absorver quantidades consideráveis de radioiodeto de 
maneira TSH independente. Em diagnósticos, o iodeto radioativo ou pertequinitato 
(TcO4-) que ao contrário do iodeto não pode ser organificado, podem ser usados para 
avaliar a função de transporte de ânion pela glândula tireoide. O aprisionamento de 
iodo pode ser inibido por outros ânions. O tiocianato é um composto metabólico de 
algumas plantas e é um indicador de plantas com atividade goitrogênica. O tiocianato 
pode ser produzido em animais domésticos como produto da fumaça de cigarro no 
ambiente doméstico. A administração oral de perclorato seguindo a administração de 
uma dose traço de radioiodeto pode ser usada para diagnosticar deficiências congênitas 
na organificação do iodeto na tireoide.
11
FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
A síntese dos hormônios da tireoide
A tiroglobulina (Tg) uma glicoproteína iodada com peso molecular de 660,000 
Dalton, serve como suporte de síntese e armazenamento dos hormônios da tireoide 
e seus percussores nas células foliculares da tireoide. Após a síntese no retículo 
endoplasmático das células foliculares da tireoide as vesículas plasmáticas contendo o 
Tg monoiodado se fundem com a membrana apical e os liberam (por exocitose) dentro 
do lúmen das células foliculares. A tiroglobulina é armazenada como um coloide. Uma 
vez, dentro da célula da tiroide o iodeto é transportado para o lúmen folicular pela 
proteína pendrina e depois oxidado pela enzima tireoide peroxidase (TPO) a iodeto. A 
pendrina é uma proteína transmembrana apical que transporta sulfeto, cloreto, iodeto 
e bicarbonato. O iodeto é então incorporado pela porção heme da TPO, que na presença 
de peróxido de hidrogênio adiciona iodo nos resíduos de tirosina do Tg num processo 
chamado organificação (MIT) e a diiodotirosina (TIT). O TPO também forma a tiroxina 
(T4) agrupando duas moléculas de DIT e a 3,5,3’-triiodotirodina (T3) acoplando uma 
molécula MIT com uma molécula DIT.
A reação catalisada pela TPO é inibida pelas drogas tionamídicas propiltiouracil (PTU) 
e metanizola (MMI) e pelas altas contrações de iodo (o efeito Wolff-Chaikoff). O 
produto intermediário da peroxidação do iodo pode ser o ácido hipoiódico (HIO2-) ou 
a iodina (I+). O peróxido de hidrogênio necessário é produzido pela NADPH oxidase. 
Em humanos normais e em ratos, mais de 90% radioiodina tridoidal é organifcada a 
iodotirosinas e iodotirodinas em minutos depois da entrada na tireoide. Com o consumo 
adequado de iodo a produção de T4 é favorecida. Entretanto, em estados de deficiência 
de iodo que levam a falência da tireoide, a síntese tireóidica de T3 é preferida com 
relação à síntese de T4. Por meio dessa autorregulação a tireoide produz a maior parte 
de seus hormônios ativos usando menos iodo. Por outro lado, o excesso crônico de iodo 
pode levar ao armazenamento excessivo do hormônio da tireoide. 
O efeito Wolff-Chaikoff, outro mecanismo regulatório intratireóidico é a chave para 
entender o potencial efeito agudo antitireoide de grandes quantidades de iodo ingerido. 
Mediado pela inibição da TPO o iodo diminui a taxa de sua própria organificação relativa 
ou absoluta. Esse efeito imunitário pode ser um mecanismo pelo qual o organismo 
é protegido de quantidades muito grandes de hormônio da tireoide seguido por um 
alto aporte de iodo na dieta. O iodo se mostrou capaz de inibir a atividade geradora 
de peróxido de hidrogênio dependente de cálcio e NADPH associado com a NADPH 
oxidase, um mecanismo encontradoem cães, porcos e humanos. A NADPH oxidase 
parece ser inibida por compostos iodados in vivo e provavelmente é uma enzima 
envolvida no mecanismo Wolff-Chaikoff. 
12
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
Secreção dos hormônios da tireoide
A secreção dos hormônios da tireoide é iniciada assim que as células foliculares 
epiteliais absorvem as gotículas de coloide de tiroglobulina por um processo chamado 
pinocitose. Simultaneamente, lisossomos (contendo proteases e enzimas hidrolíticas) 
migram da região basal da célula e se fundem com gotículas de coloide. A degradação 
da tiroglobulina pelas enzimas proteolíticas lisossomais produz tanto as iodotirosina 
(MIT e DIT) quanto as iodotironinas (T4 e T3). Pouco do MIT e DIT liberados entram 
na circulação, porque o iodo é removido desses compostos por uma desiodase. Uma 
porção desse iodo é reciclada internamente para a iodinização de novos resíduos de 
tirosina em tiroglobulinas, mas em carnívoros, a maior parte da iodina é liberada na 
circulação. 
A reutilização tireóidica ineficiente do iodo pode ajudar a explicar as altas doses diárias 
necessárias em cães e gatos quando comparados a humanos. A proteólise de Tg libera 
grandes quantidades de T4, mas somente pequenas quantidades de T3, no citosol. As 
enzimas presentes dentro da tireoide, entretanto, podem deiodinizar T4 tanto para a 
forma T3 quanto para forma 3’,5’,3-T3 (T3 reversa), como resultado, embora a taxa 
T4:T3 armazenada na glândula seja de 12:1 na tireoide canina, a taxa de produto 
secretado é 4:1. As taxas de produção de hormônios da tireoide em cães são estimadas 
em 8µg/kg/dia para T4 e 0,8 a 1 µg/kg/dia para T3. Em gatos as taxas de produção 
de T4 são estimadas em 5,6µg/kg/dia para T4 e 0,4µg/kg/dia para T3. Essas taxas de 
produção são mais do que o dobro para T4 e do que o triplo para T3 em humanos. 
Eixo hipotálamo-hipófise-tireoide
A tirotrofina (hormônio estimulador da tireoide, TSH), é uma glicoproteína produzida 
nos tireotrofos da pituitária anterior, tem efeito estimulatório, na síntese dos hormônios 
da tireoide em sua secreção. Além disso, o TSH estimula o crescimento da tireoide, 
provavelmente em conjunto com a ação “insulina-like” dos fatores de crescimento 
(IFG I e II). A tirotrofina tem um peso molecular de aproximadamente 30,00 Dalton 
consistindo em uma subunidade α idêntica, a subunidade de outros hormônios 
da pituitária como LH e FSH e uma subunidade β, que é específica da molécula de 
TSH. O TSH se liga a um receptor específico na membrana das células foliculares da 
tireoide e estimula a adenilato ciclase a produzir o AMP cíclico e a absorção ativa do 
iodo inorgânico. Os receptores de TSH em cães, gatos e humanos foram clonados e 
expressos em estudos recentes. O TSH também estimula a síntese de tiroglobulina 
e a sua liberação no coloide e a iodinização por meio da TPO. Como um passo final 
da liberação do hormônio no plasma, o TSH estimula a reabsorção de tiroglobulina e 
13
FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
proteólise para liberação de T3 e T4. As enzimas deiodinizantes tireóidicas de T3 e T4 e 
de T3 reverso também são estimuladas pelo TSH.
Figura 1. Representação de um tireócito e de toda a cascata de sinalização e reações enzimáticas necessárias 
para a síntese dos hormônios tireóideos.
Fonte: Modificado de Williams Textbook of Endocrinology, 12a edição, 2011.
Um estudo detalhado do eixo pituitária-hipotálamo-tireoide só é possível com um 
radioimunoensaio válido de TSH para cada espécie. A possibilidade do radioimunoensaio 
tem demonstrado que a maior parte das doses de reposição de L-tiroxina recomendada 
para cães são bem maiores do que aquelas necessárias para a supressão do TSH endógeno 
em um espectro normal. A disponibilidade atual desse tipo de ensaio, entretanto, não 
diferencia confiavelmente as concentrações normais das baixas para TSH, fazendo mais 
difícil confirmar uma superdose. 
O tripeptídeo TRH é produzido no núcleo paraventricular do hipotálamo e transportado 
para a pituitária anterior pelo sistema porta-hipofisário na haste da pituitária anterior. 
Na glândula pituitária, o TRH se liga a receptores específicos nas células tireotróficas 
e estimula a secreção de TSH. Em cães assim como em outras espécies o TRH também 
estimula a secreção de prolactina. O hormônio hipotalâmico somatostatina age inibindo 
a secreção de TRH e pode funcionar como um fator inibidor de tirotrofina
Regulação por retroalimentação (feedback) 
negativo
O efeito de feedback negativo dos hormônios da tireoide (nas formas livres) é o 
principal mecanismo de regulação de secreção de TSH. A estimulação crônica pelo 
14
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
TRH tem um papel permissivo na secreção de TSH. A célula tireotrófica da pituitária 
desioda completamente o T4 (derivado do plasma) a T3 que subsequentemente inibe 
a síntese de TSH e a secreção por meio da alteração da ligação no receptor nuclear, 
transcrição de mRNA e síntese da proteína. A D2 5’-deiodinase tipo 2 medeia a 
conversão intrapituitaria de T3 e T4, mas ao mesmo tempo o T4 inibe a atividade da D2 
no nível pós-traducional reduzindo a meia vida da enzima através da ubiquitinação e 
degradação proteassomal subsequente. O D2 e o TSH são coexpressos nos tireotrofos, e o 
hipotireoidismo aumenta a expressão de D2 no tireotrofo. Por meio desses mecanismos, 
as concentrações intrapituitarias de T3 são mantidas estáveis quando a concentrações 
de T4 são muito maiores que o nível fisiológico. Como resultado, as concentrações de T4 
e D2 mediadas pela produção de T3 correlacionam-se negativamente com a expressão 
de mRNA para TSH.
O T4 circulante, absorvido pela pituitária é a fonte preferencial de T3 na pituitária, pelo 
menos em ratos. Em pacientes humanos com hipotireoidismo, a terapia de reposição 
hormonal com L- T4 normaliza as concentrações séricas de TSH somente quando os 
valores séricos de T4 são normais ou levemente altos; as concentrações séricas de T4 
normalmente permanecem dentro de um espectro normal nesses pacientes.
Também há evidências de que os hormônios da tireoide podem ter um efeito de feedback 
negativo direto no hipotálamo, inibindo a liberação de TRH. Além disso, o TSH e 
TRH podem ter um short-loop e um ultrashort-loop de efeito de feedback negativo 
respectivamente sobre o hipotálamo para inibir a liberação de TRH. Embora pulsos de 
secreção de TSH e um aumento no TSH sérico noturno tenha sido descrito em humanos 
(possivelmente resultando de uma queda das concentrações circulantes do hormônio 
circadiano cortisol), estudos falharam em demonstrar que há ritmo circadiano nas 
concentrações de hormônios da tireoide. A liberação pulsátil de TSH foi confirmada em 
cães com hipotireóidicos, mas não em cães eutireóideos.
Figura 2. Representação esquemática do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide.
15
FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
Metabolismo dos hormônios da tireoide
Os hormônios da tireoide metabolicamente ativos são as iodotironinas L-tiroxina 
(L -T4) e 3,3,5’-L-triodotironina (L-T3). A tiroxina é o produto secretório principal de 
uma glândula tireoide normal. Entretanto o T3 que é de 3 a 10 vezes mais potente que 
o T4, assim como quantidades menores de 3,3’,5’-L-triiodotirodina (T3 reverso), um 
produto tiromimeticamente inativo, e outro metabolitos deiodinizados, também são 
secretados pela glândula tireoide da maior parte dos mamíferos.
Embora todo o T4 seja secretado pela tireoide, uma quantidade considerável (de 40% 
a 50% em cães) de T3 é derivado da 5’-deionização enzimática extratireóidica de T4. 
Portanto, embora ele também tenha uma atividade metabólica intrínseca, o T4 tem 
sido chamado de pró-hormônio e sua ativação à forma mais potente T3 é um passo 
regulado individualmente pelos tecidos periféricos. A vasta maioria, aproximadamente 
90% do T3 reverso (rT3) é derivado de fontes extratireódicas em cães.
Tipos e Regulação de Enzimas Deiodinases
A identificação de três tipos específicos de deiodinases sublinhou a importância da 
produçãode T3 em tecidos individuais a partir do T4. O tipo 1 5’-D (D1) é encontrado 
na maior parte dos tecidos, mas ele tem maior atividade no fígado, rins, músculos e 
glândula tireoide. Essa enzima é atualmente conhecida por ser uma selenoenzima, 
requerendo quantidades pequenas de selênio para sua atividade ótima. O músculo, 
embora tenha baixa atividade enzimática, pode produzir uma quantidade significativa 
(aproximadamente 60% em ratos) de T3 corporal por causa de sua massa. O papel 
fisiológico de D1 é a provisão do T3 circulante durante condições de hipotireoidismo. 
Essa enzima é capaz de deiodinizar fora e dentro do anel e pode deiodinizar T4 com alta 
capacidade, sendo sensível ao agente antitireóidico tionamida, propiltiouracil (PTU). 
O tipo 2 5’-D (D2) é encontrado no SNC, pituitária, gordura marrom e placenta e o 
seu papel fisiológico é a provisão intracelular de T3. O seu papel na contribuição de 
T3 pode aumentar com o hipotireoidismo primário. A enzima age sobre o T4 e outros 
compostos com iodo na porção de fora do anel orgânico em concentrações dentro 
do espectro fisiológico e é resistente ao PTU. A deiodinase tipo 3 (D3), que é uma 
5-deiodinase, remove somente iodo da porção interna do anel. A D3 está presente na 
placenta, pele, cérebro e fígado fetais. Seu papel fisiológico é a inativação do T4 e T3 
por meio da deiodinização intra-anel, com preferência pelo T3 como substrato (Figura 
3). É importante para entender a relação da terapia de L-tiroxina no hipotireoidismo, 
o hipotireoidismo reduz drasticamente a atividade de D1 e D3 enquanto aumenta a 
atividade de D2. Por meio desse tipo de regulação, o cérebro pode continuar a obter 
16
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
níveis adequados de T3 celular necessários para prevenir o delay neurológico resultado 
da deficiência de T4, enquanto o fígado reduz a produção de T3, dessa forma elevando 
a diminuição sistêmica do metabolismo. É interessante notar que, em roedores, D1 e 
D3 aumentam no hipotireoidismo, resultando em taxas de reprodução e degradação 
aumentada pra T3. 
Figura 3. Representação esquemática do metabolismo dos hormônios tireóideos via desiodases.
Fonte: Bianco et al., 2002.
As características de D1 e D2 foram analisadas em cães, gatos e gado. Em gatos, D1 
renal e hepática mostrou-se importante para metabolizar T4 com Vmax e Km similar ao 
da enzima em ratos, mas a habilidade da enzima de degradar rT3 foi de somente 0,2% 
da taxa em ratos. 
A enzima D1 não foi identificada na tireoide de gatos, diferentemente de ratos, cães 
e humanos. Essas diferenças implicariam que a D1 não metaboliza rT3 em condições 
fisiológicas. Entretanto o mRNA da D1 muscular é estimulado pelo tratamento com T3 
em gatos magros, como visto na maior parte das espécies. 
A D2 foi identificada em queratinócitos de humanos e também na pele de cães. Estudos 
anteriores indicaram diferenças importantes na especificidade catalítica de D1 entre 
cães e humanos, em particular com respeito a 5’-deiodinização de rT3. Enquanto D1 e 
D2 são encontrados na fração microssomal da célula, D3 parece ser uma proteína de 
membrana plasmática, posicionando-se bem para inativar tanto o excesso de T4 e T3 
17
FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
no tecido. O processo de deiodinização continua até que os íons de iodo remanescentes 
tenham sido completamente retirados do núcleo do hormônio, dessa forma permitindo 
a reciclagem de iodo para a ressintese do hormônio. Esses produtos metabólicos 
posteriores não tem atividade tiromimética. 
Está se acumulando evidências de que o rT3 pode ter um papel importante na regulação 
da atividade tireóidica do T4 e T3 no sistema nervoso central. Uma parte das doenças 
não tireóidicas e de drogas que podem afetar a regulação tecidual da deiodinização do 
hormônio da tireoide. Outras vias de metabolismo dos hormônios da tireoide incluem, 
conjugação com a forma solúvel de glicoronidas e sulfatos para a excreção biliar e 
urinária assim como a clivagem do éter de ligação da molécula de iodotironina.
Com a administração oral de preparações de hormônios da tireoide, o efeito de 
first-pass deve ser considerado, uma vez que uma grande quantidade do hormônio pode 
ser conjugado e secretado com a bile, podendo então ser desconjugado e absorvido por 
bactérias no intestino grosso, ou eliminado nas fezes. O pool intestinal dos hormônios 
da tireoide normalmente é muito grande. Em cães, aproximadamente 50% do T4 e 30% 
do T3 produzido todos os dias são perdidos nas fezes. Tanto em cães quanto em gatos, 
os estoques extratireóidicos de T4 são eliminados e substituídos em 1 dia, e duas vezes 
por dia para T3. Esse desperdício fecal é responsável, em parte, pelas doses de reposição 
mais altas (diariamente) de hormônio da tireoide, necessárias em cães e gatos. Com a 
administração das doses recomendadas de L- T4 o TSH sérico parece ser suprimido 
por pelo menos 24h. Entretanto, é a impressão clínica de alguns especialistas que a 
divisão das doses de T4 diárias pode ser um mecanismo de reduzir a perda pelo efeito 
de primeira passagem hepática resultando numa resposta clínica mais consistente.
Ligação plasmática ao hormônio da tireoide
Os hormônios da tireoide são hidrossolúveis e lipofílicos. A solubilidade no plasma 
depende da ligação a proteínas de ligação específicas, proteínas de ligação a tiroxina 
(TBG) e a transtiretina (TTR) ou a pré-albumina de ligação a tiroxina (TBPA) assim 
como a albumina por si só. As proteínas de ligação aos hormônios da tireoide propiciam 
um reservatório hormonal no plasma e a aceleração na entrega do hormônio ao 
tecido. A TTR e, possivelmente, a albumina também podem servir como carreadores 
intermediários para a absorção em tecidos específicos. Os cães têm proteínas de ligação 
a hormônios da tireoide de alta afinidade comparados a TBG em humanos, mas as 
concentrações plasmáticas de TBG em cães são 25% o valor das concentrações em 
18
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
humanos. Além do TBG, o TBPA e a albumina, o T4 circulante canino parece se ligar a 
certas proteínas lipoproteicas, essas incluem HDL e LDL. Em concentrações normais 
de T4 sérico em cães, aproximadamente 60% do T4 se liga ao TBG, 17% se liga TDPA, 
12% a albumina e 11% ao HDL. A globulina de ligação a tiroxina em cães não se satura 
até que a concentração total de T4 seja 6 vezes maior que a concentração normal, 
enquanto outras proteínas séricas são virtualmente insaturáveis. Gatos parecem não 
ter proteínas de ligação a hormônios da tireoide de grande afinidade (como TBG), mas 
tem somente TTR e albumina sérica para se ligar a hormônios da tireoide. Parcialmente 
como resultado de proteínas de ligação de menos afinidade, as concentrações totais de 
T4 são menores, a fração circulante de T4 é maior e o metabolismo é mais rápido. 
Absorção do hormônio da tireoide pelos 
tecidos: a hipótese free hormone
A hipótese free hormone proposta por Robbins e Roll há cinco décadas (1960) e 
confirmada por Mendel (1982) afirma que é a fração livre do hormônio que está 
disponível aos tecidos e, portanto, proporcional a ação, metabolismo e eliminação desse 
hormônio. Essa hipótese permaneceu sendo testada em clínicas durante muito tempo, 
medidas diretas e indiretas de concentração de T4 livre tem sido a base de diagnósticos 
de doenças na tireoide na Medicina Humana. Também há forte evidência de que certos 
tipos celulares transportam ou permutam ativamente o hormônio do plasma para o 
citosol. 
A presença de uma proteína de membrana específica para o hormônio da tireoide 
certamente reflete o preço que a célula está disposta a pagar para facilitar a entrada 
e, possivelmente, a concentração do hormônio da tireoide. Entretanto, alguns 
pesquisadores argumentam que proteínas de ligação sérica, particularmente a albumina 
e TTR podem servir para distribuir o hormônio para tecidos específicos. A TTR serve 
para se ligar tanto aos hormônios da tireoide quanto aos ácidos retinoicos na circulação. 
Amaior parte das teorias de permuta do hormônio da tireoide tem apontado que o papel 
desempenhado por um reservatório passivo com proteínas de ligação de hormônios 
da tireoide no citoplasma (CTPB); as proteínas que retém os hormônios da tireoide 
num estado permanentemente ligado dentro da célula. Pouco se sabe sobre a regulação 
dessas proteínas, que são muitas vezes chamadas de albuminas intracelulares por causa 
de sua pequena especificidade, pequena afinidade e alta capacidade. Entretanto, no 
citosol renal, a finidade da CTBP pode ser agudamente regulada pelo potencial redox 
celular, aumentando quando os níveis de NADPH estão altos. 
19
FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
Independente dos mecanismos, as seguintes observações clínicas devem ser reconhecidas:
 » A correlação linear entre as concentrações séricas de T4 livre, a taxa de 
degradação hormonal e a taxa de metabolismo basal em humanos.
 » A correlação inversa entre concentrações séricas de T4 livre e a distribuição 
do volume corporal de T4, que existe em todos os pacientes independente 
do estado da tireoide. 
 » A correlação positiva entre concentrações de T4 livre profundidas in vitro 
no órgão e a absorção tecidual de T4 e produção T3 in vivo e in vitro.
A maior parte dos pesquisadores concorda que o status quo das concentrações do 
hormônio é o que move o metabolismo e a ação dos hormônios da tireoide. No cão ou gato 
eutireóideo saudável, aproximadamente 0,1% das concentrações séricas correspondem 
ao T4 livre, ao passo que 1% do T3 circulante está livre. A proporção de hormônios 
pode mudar em resposta a administração de drogas ou doenças. Por exemplo, em gatos 
obesos, ácidos graxos livres competem pela ligação com os hormônios, resultando num 
aumento das concentrações séricas de T4 e podem ter efeitos similares à competição 
de ligação celular, levando a uma forma de resistência a hormônios da tireoide por 
feedback negativo, manifestado pelo aumento no T4 total. Entretanto, tudo indica que 
o estado da tireoide desses animais não muda, uma vez que os níveis absolutos das 
concentrações séricas de T4 livre tendem a retornar rapidamente ao espectro normal 
ou permanecer relativamente constante. 
A maior parte das evidências sugere que a absorção de hormônios pela tireoide 
é proporcional à fração livre do hormônio circulante, mas não limitada por ela. 
Aproximadamente 50 a 60% do T4 corporal e 90 a 95% do T3 corporal estão localizados 
em compartimentos intracelulares. Alguns órgãos, particularmente o fígado e os rins, 
podem estocar hormônios da tireoide e permutá-los com o plasma. Em humanos, 
aproximadamente 50% do T4 intracelular está nesses tecidos de equilíbrio rápido 
(fígado e rins), ao passo que somente 3% do T3 intracelular está nesses tecidos. 
Aproximadamente 80% de todo T3 extratireóidico está localizado nos tecidos de 
equilíbrio lento (músculos, pele) enquanto somente 20% do T4 intracelular está nesses 
compartimentos. Como resultado, a maior parte do T4 está localizada no plasma, fluído 
intersticial, fígado e rins. A maior parte do T3 extratireóidico está nos músculos e na 
pele, e em uma forma conjugada no trato intestinal. Para o diagnóstico e tratamento 
de doenças da tireoide, a relação entre o tecido específico das deiodinases e subtipos de 
receptores TR sugerem que a determinação do estado da tireoide deve ser estabelecida 
com a avaliação separada de cada tecido. 
20
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
Taxas de clearance metabólico
A meia-vida do T4 em cães foi estimada em 8 horas, 11 horas em gato e 7 dias em 
humanos. Similarmente a meia vida do T3 plasmático em cães foi estimada em 5-6 
horas, e 24-36 horas em humanos. Estudos em gatos normais indicam que a meia 
vida plasmática de T3 e T4 são similares a dos cães. Apesar dessas taxas de clearance 
plasmático, o efeito supressivo da secreção de TSH da pituitária.
21
CAPÍTULO 2
Efeitos fisiológicos e farmacológicos do 
hormônio da tireoide
Os hormônios da tireoide em quantidades fisiológicas são anabólicos. Trabalhando em 
conjunto com o hormônio do crescimento e insulina, estimulam a síntese de proteínas e 
redução da excreção de nitrogênio. Entretanto, em excesso (hipertireoidismo), podem 
ser catabióticos, aumentando a gliconeogênese, o metabolismo de proteínas e a excreção 
de nitrogênio.
Termogênese e termorregulação
Os hormônios da tireoide aumentam muito a quantidade de calor produzido, 
estimulando a atividade da Na+/K+-ATPase em todos os tecidos, exceto no cérebro, baço 
e testículos. Por isso, admite-se que esses hormônios determinam a taxa metabólica 
basal no animal. Os resultados no desenvolvimento de retardo mental, letargia e 
indisposição ao exercício, estão associados com hipotermia e tendência a procurar 
calor. A administração diária de 0,022mg/kg é suficiente para normalizar o estado 
metabólico em cães com calorimetria indireta, com melhora ou desaparecimento total 
dos sintomas clínicos em 93% dos cães. Essa dose também se mostrou suficiente para 
suprimir os valores de TSH a níveis indetectáveis na maior parte dos cães cuja tiroide 
foi removida.
Efeitos de maturação e crescimento
O feto obtém o hormônio da tireoide de fontes maternas durante a primeira metade 
da gestação em mamíferos. Depois disso, a tireoide fetal amadurece e secreta 
hormônios cruciais para o crescimento e amadurecimento do esqueleto e do sistema 
nervoso central. Portanto, além de sinais bem claros de hipotireoidismo no começo 
da vida adulta, o nanismo desproporcional e doença mental são sinais proeminentes 
de hipotireoidismo congênito ou de começo precoce. O aumento da glândula tireoide 
(bócio) também é muito observado. Filhotes de cães, gatos e potros com essa condição 
são menos ativos e podem ter pouco apetite. Em exames neurológicos, esses animais 
são fracos, hiporreflexivos ou hiperreflexivos (se há tremor muscular ou espasmos), e 
podem não ter propriopercepção. Também há sinais radiográficos de epífise diminuída, 
corpos vertebrais diminuídos e fechamento epifisário atrasado. 
22
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
Efeitos no metabolismo de carboidratos e 
lipídeos 
Os hormônios da tireoide aumentam a gliconeogênese e a glicogenólise, contribuindo 
para as propriedades do seu antagonista, a insulina. A síntese e degradação de colesterol 
aumentam sobre a ação dos hormônios da tireoide e também pelo aumento nos receptores 
de LDL. Portanto, a hipercolesterolemia é um achado comum em hipotireoidismo. Os 
hormônios da tireoide estimulam a lipólise liberando ácidos graxos não esterificados e 
glicerol. A obesidade pode se desenvolver em alguns animais hipotireóidicos mesmo em 
caso de apetite e consumo calórico normais. Num estudo com gatos magros e obesos, a 
administração de T3 aumentou a produção de calor e as concentrações de ácidos graxos 
não esterificados.
Efeitos dermatológicos
Os hormônios da tireoide em quantidades fisiológicas são necessários para a troca 
de pelo e pele. A insuficiência da tireoide resulta no aumento da porcentagem de 
folículos capilares inativos, produção de sebo e queratina. A secura do pelo, a queda 
excessiva e recrescimento retardado são sinais precoces de hipotireoidismo em cães. A 
alopecia, presente em dois terços dos cães afetados, é normalmente bilateral e simétrica 
em sua distribuição, e é mais óbvia em pontos de fricção (pescoço, axilas, etc.), mas 
também é comum na área perianal e no dorso do focinho. O espessamento da pele e 
o desenvolvimento de mixedema relacionados podem acontecer. O mixedema é mais 
proeminente nas feições faciais, e podem tomar uma aparência trágica.
Efeitos cardiovasculares
Os principais efeitos cardiovasculares dos hormônios da tireoide são:
 » efeito inotrópico positivo direto, 
 » a estimulação da hipertrofia miocárdica e 
 » aumento na responsividade a estimulação adrenérgica. 
Os hormônios da tireoide aumentam a atividade sarcolemal da Na+/K+-ATPase 
e favorecem a transcrição de uma ATPase de miosina cardíaca aumentando a 
contractilidadecardíaca. Além disso, a contractilidade cardíaca é aumentada pelo 
aumento da quantidade de canais de cálcio e aumento do aporte e liberação de cálcio 
no retículo sarcoplasmático. Os hormônios da tireoide aumentam a quantidade de 
23
FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
receptores β adrenérgicos no coração, músculos esqueléticos, tecido adiposo e linfócitos. 
No hipertireoidismo, a taquicardia geralmente resulta desse mecanismo. Os hormônios 
da tireoide também diminuem a quantidade de receptores α adrenérgicos nos tecidos 
vasculares, no hipotireoidismo a sensibilidade a catecolaminas nos vasos periféricos é 
aumentada e pode levar a hipotermia periférica. 
Em cães, o hipotireoidismo é diagnosticado com um ECG, pois evidencia a disfunção 
ventricular esquerda baseada em ecografia cardíaca e ecocardiograma. O tratamento 
deve ser feito com uma dose de reposição de T4 (0,5mg/m2 q 12h) por dois meses.
Efeitos neuromusculares
Os hormônios da tireoide estimulam a síntese de muitas proteínas associadas com a 
atividade músculo/nervo normal. Por exemplo, a Na+/K+-ATPase do nervo e algumas 
formas da ATPase de miosina no músculo são estimuladas pelo hormônio da tireoide. 
Miopatias têm sido associadas com a tireoide em animais domésticos. A fraqueza 
muscular severa e reflexos lentos podem ser sintomas clínicos de hipotireoidismo. 
Fraqueza dos músculos faciais atribuídas à paralisia do nervo craniano VII também 
podem ser observadas em cães. 
Efeitos gastrointestinais
Estudos com cães hipotireóidicos demonstrou diminuição da atividade motora e 
elétrica do trato gastrointestinal. Embora cães com hipotireoide, normalmente, tenham 
movimentos intestinais normais, constipação e diarreia também foram observados.
Efeitos reprodutivos
As concentrações de hormônios da tireoide parecem ser importantes para o ciclo 
reprodutivo normal de mamíferos. O hipotireoidismo tem sido associado com várias 
doenças reprodutivas em cães e cavalos. A galactorreia é um sinal raro de hipotireoidismo 
em algumas cadelas virgens cujas mamas foram estimuladas para a lactação. A 
hiperprolactinemia, talvez resultando da estimulação excessiva das células produtoras 
de prolactina pelo TRH, parece ser a causa de galactorreia associada ao hipotireoidismo 
em fêmeas. A falta de libido, atrofia testicular, hipoespermia e infertilidade aparecem 
em cães machos com hipotireoidismo. 
24
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
Efeitos imunológicos
Qualquer cão com infecções recorrentes, particularmente de pele, deve ser examinado 
para hipotireoidismo. Pioderma que é irresponsiva ou temporariamente responsiva 
a agentes antibacterianos apropriados, pode ser exacerbada pela redução da função 
fagocítica das células brancas em hipotireoidismo.
Efeitos hematológicos
A demanda celular de oxigênio aumentada pelo hormônio da tireoide leva a produção 
aumentada de eritropoietina e células vermelhas pela medula óssea. Os hormônios 
da tireoide também aumentam o conteúdo de eritrócitos permitindo a dissociação 
aumentada da hemoglobina e aumento da disponibilidade para os tecidos.
Efeitos endócrinos
Os hormônios da tiroide influenciam a secreção normal e o metabolismo de vários 
hormônios e xenobióticos. A secreção de hormônio do crescimento, gonadotrofinas 
e cortisol são estimulados pelos hormônios da tireoide, e a secreção de prolactina é 
inibida. 
25
CAPÍTULO 3
Preparações e drogas antitireoidianas
As preparações de hormônio da tireoide podem ser classificadas em distintos grupos: 
hormônios orgânicos preparados de uma glândula tireoide normal; L-tiroxina sintética; 
L-triiodotironina sintética e combinações de T4 e T3. As preparações disponíveis e 
espectro de doses estão disponíveis na tabela dessa seção. 
Produtos tireóidicos orgânicos
Os hormônios da tireoide derivados do tecido glandular tireóidico de ovelhas e vacas 
estão disponíveis na forma de tiroglobulina. Há boas razões para usar esse produto 
para terapia de reposição hormonal em animais de pequeno porte; devido ao seu 
custo pequeno, contudo, o seu uso também é indicado para animais de grande porte. 
Os problemas com os produtos da tireoide dissecada são uma quantidade altamente 
variável de T4 e T3, baixas taxas T4 e T3 e validade curta; essas contraindicações fazem 
o produto ficar mais barato. 
L-tiroxina sintética
A tiroxina (L- T4) é o hormônio de reposição de tiroide mais escolhido para todas as 
espécies. Geralmente, é preparado usando uma solução de levotiroxina de sódio para 
administração oral. Formas injetáveis também estão disponíveis.
Controle de qualidade de produtos de hormônios 
da tireoide
Em 1982, a U.S Pharmacoeia (USP) adotou um novo método para ensaio de conteúdo 
hormonal em preparações de hormônio da tireoide. As determinações antigas, menos 
precisas, baseadas no conteúdo de iodo foram substituídas por cromatografia líquida 
de alta pressão (HPLC). Inicialmente, estudos de preparações de L-tiroxina genérica 
mostraram que o conteúdo hormonal de algumas pílulas genéricas podem ser de 30% 
da quantidade anunciada na embalagem. Os problemas com o conteúdo hormonal 
variável têm sido extensamente tratados por novos estudos. Entretanto, não é seguro 
assumir que a biodisponibilidade relativa de preparações de hormônios da tireoide 
é equivalente a outra. Portanto, quando começando uma terapia de reposição de 
hormônio da tireoide, é recomendado começar com um produto genérico com o qual 
26
UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
uma experiência positiva já tenha sido obtida, com observação de resposta clínica 
evidente. Se não houver resposta depois de uma dose razoável em um período de 4-6 
semanas, e as concentrações séricas de T4 forem restabelecidas depois da administração, 
o diagnóstico deve ser reavaliado. Exceto no caso de razões financeiras, não há muita 
preocupação com superdosagem na reposição, uma vez que cães (assim como gatos) 
são muito resistente ao desenvolvimento de sinais de tirotoxicidade, requerendo de 
10 a 20 vezes a dose de reposição cronicamente para demonstrar esses sinais. Esse é 
possivelmente o resultando da capacidade de cães e gatos de excretar o hormônio da 
tireoide na bile e nas fezes.
Considerações de dose para L-tiroxina
A terapia de reposição do hormônio da tireoide é quase sempre indicada para postergar a 
vida de cães. Entretanto, um diagnóstico inicial cuidadoso e tratamentos de preparação 
são essenciais. Uma variedade de regimes de dose para terapia de T4 é recomendada. 
Isso provavelmente reflete a variedade entre animais com relação à absorção e 
metabolismo hormonal; o grau de variação da secreção endógena remanescente pela 
tireoide caduca os efeitos possíveis dos anticorpos anti-T4 circulantes em alguns 
animais, a resistência ao desenvolvimento de tirotoxicidade em cães e o critério vago 
ou variável pelo qual a melhora do animal é avaliada. Com o advento do ensaio de TSH 
canino, análises objetivas da resposta corporal (pelo menos da pituitária) à reposição 
hormonal exógena estão agora disponíveis e são rotineiramente usadas para monitorar 
pacientes humanos com hipotireoidismo. Em um estudo recente, as concentrações 
séricas de TSH foram suprimidas a níveis indetectáveis por 0,02mg/kg ou menos de 
L-T4 uma vez por dia. Além dos efeitos já mencionados da terapia de reposição sobre 
o metabolismo do hormônio, altas doses de T4 parecem ser necessárias em humanos 
hipotireóidicos durante os meses mais frios do inferno. Embora estudos similares não 
tenham sido realizados com animais, variações sazonais significantes têm sido vistas 
em cães no Alasca. É possível que uma animal criado fora de casa possa precisar de 
doses maiores que um animal caseiro, particularmente durante os meses mais frios. 
Em cães e em humanos as concentrações séricas basais de T4 diminuem com a díade. 
Foi observado em humanos, que pacientes hipotireóidicos mais velhos precisam de 
doses menores e são mais aptos a efeitos colaterais de tirotoxicidade.
Dosagens de levotiroxina para cães
Baseado em um estudo dosisotrópicos cinéticos, a L-tiroxina é degrada a uma taxa de 
7µg/kg/dia em cães. Em geral, as doses recomendadas para a reposição de T4 variam de 
uma dose total de 0,02 -0,04 mg/kg diário. Baseado nessa evidência indireta de estudos 
27
FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
ainda não publicados pelo autor de “biodisponibilidade de levotiroxina comercial” a 
fração de absorção oral dos produtos de L-T4 pode variar de 10 a 50% com média de 35% 
(FERGUSON; ROENIG, 1997) em parte explicando a variação da dose oral necessária 
para conseguir um eutireoidismo clínico. Portanto, se a taxa de produção de T4 é de 7 
µg/kg/dia e a média de disponibilidade de 35%, uma dose total de 20µg/kg ou 0,02mg/
kg é recomendada. 
Com o começo da terapia de reposição de hormônios da tireoide, uma prática 
comum é dividir a dose diária em duas doses separadas, dadas em intervalos de 12 
horas. Por causa da capacidade intracelular significativa para armazenamento de T4, 
particularmente em pool de troca rápida como fígado e rins, as doses orais de T4 podem 
ser substancialmente distribuídas e armazenadas em compartimentos corporais. Como 
visto anteriormente, o hipotireoidismo reduz a taxa de conjugação e deiodização 
do metabolismo do hormônio da tireoide, a divisão da dose diária reduz os efeitos 
metabólicos em tecidos hipotireóidicos e diminui o efeito “one-pass”. 
Em ratos, o compartimento mais amplo para o hormônio da tireoide é o trato 
gastrointestinal. Durante os primeiros dias ou semanas da terapia em um animal 
hipotireóidico, os depósitos hormonais do fígado e rins são restabelecidos a níveis 
eutireóidicos. E podem servir como tampões para as concentrações séricas quando as 
proteínas de ligação ao hormônio circulante começam a diminuir. O resultado clínico 
é que muitos animais hipotireóidicos podem ser mantidos a uma terapia de doses 
de uma vez por dia de T4. Embora as concentrações de T4 possam ser altas durante 
um momento do dia e baixas em outro, a resposta tecidual integra as concentrações 
séricas ao longo do dia, portanto, refletindo a concentração média. Em um animal que 
já respondeu a terapia de duas vezes por dia, o reaparecimento de sinais clínicos pode 
ser o sinal de que se deve retornar ao regime de duas doses por dia. Uma vez que o 
metabolismo dos hormônios da tireoide muda com a correção do hipotireoidismo, os 
regimes de doses devem ser reavaliados por critérios clínicos e laboratoriais depois de 
4 semanas de terapia.
Dosagens de levotiroxina para gatos
Assim como em cães, o tratamento para o hipotireoidismo felino é a administração 
diária de l-tiroxina, usando uma dose inicial de 0,1-0,2mg/dia. Essa dose deve ser 
ajustada a todo tempo com base na resposta ao tratamento e avaliações séricas de T4. É 
esperado que os sintomas despareçam completamente em gatos com hipotireoidismo 
de começo tardio. Entretanto, a debilidade mental e nanismo que se desenvolvem em 
filhotes de gato com hipotireoidismo perduram devido à demora no diagnóstico.
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UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
Dosagens de levotiroxina para cavalos
Há pouca informação publicada estabelecendo critérios terapêuticos para doses de 
levotiroxina para cavalos. A dose oral recomendada clinicamente parece depender muito 
da forma do hormônio (orgânico versus sintético) usado para terapia de reposição.
L-triiodotironina sintética
Embora o T3 seja um hormônio celular ativo, há algumas razões válidas para usar 
esse produto na terapia de reposição e algumas boas razões para não usá-lo. A 
terapia de T3 não é fisiológica, já que ele pula o passo regulatório celular final da 
5’-deiodinização de T4. A tiroxina tem alguma atividade tiromimética intrínseca. Seu 
papel é particularmente importante no SNC e na glândula pituitária, tecidos nos quais 
a normalização intracelular de T3 depende da normalização dos níveis séricos de T3 
e T4. O tratamento com T3 pode prover quantidades suficientes para órgãos como 
fígado, rins e coração que derivam uma alta proporção de T3 do plasma. Entretanto o 
cérebro e a pituitária que derivam a maior parte do seu T3 do T4 intracelular podem 
ficar deficientes de hormônios da tireoide. Por outro lado, a terapia de T3 adequada 
para o cérebro e pituitária pode ser excessiva para o fígado, rins e coração. A terapia de 
T3 pode ser indicada quando a reposição de tireoide é necessária, com a administração 
concomitante de drogas como glicocorticoides que inibem a conversão de T4 a T3.
Drogas antitireóidicas
Goitrogenos
Com o isolamento e purificação da enzima TPO da tireoide, se tornou claro que a maior 
parte dos compostos com atividades antitireóidica são inibidores da ação da TPO. 
Plantas do gênero brassica contêm um composto chamado goitrina, que tem atividade 
antitireóidica. Além disso, plantas como brócolis têm produtos que são metabolizados 
a tiocianato, um inibidor do aporte e organificação do iodo inorgânico na glândula.
Estudos levantaram questões sobre o potencial goitrogênico de substâncias 
ambientais como hidrocarbonetos poli halogênicos (PHAHs). Os PHAHs tem um 
potencial particular para serem retidos em gatos com atividade pequena da glucoronil 
transferase. 
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FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
Tiorelenenos e tionamidas
Drogas antitireóidicas tiorelenicas e tionamidicas agem como inibidores diretos da TPO 
levando a redução da organificação e passos de acoplamento da síntese do hormônio da 
tireoide, por meio de dois mecanismos: 
1. bloqueando a incorporação de iodo nos grupos triosil da tireoglobulina e 
2. prevenindo o acoplamento de grupos iodotirosil. 
Os processos 1 e 2 são mediados pela inibição da TPO. As drogas tiaminicas antitireóidicas 
não interferem com a habilidade da glândula de concentrar ou aprisionar o iodo 
inorgânico; não interferem com a habilidade de secretar o hormônio da tireoide e não 
danificam o tecido glandular. 
Propiltioracil
O propiltiouracil PTU é um inibidor da D1 e da TPO. Apesar de seus efeitos terapêuticos 
adicionais aparentes, o uso do PTU não é mais recomendado por causa do seu grande 
potencial para efeitos colaterais. Pode causar anorexia, vômito e letargia. Também tem 
sido associado ao desenvolvimento de doenças autoimunes como anemia hemolítica 
e trombocitopenia imuno-dependente. Devido às duas últimas complicações que são 
um problema particular em animais que estão sendo preparados para cirurgia, o uso 
rotineiro do PTU não pode ser mais recomendado em gatos hipertireódicos. 
Metimazol
O metimazol é o antitireóidico de escolha para gatos. O uso dessa droga em gatos foi bem 
documentado em um estudo de 20 anos, nesse estudo, doses de 5mg foram aplicadas, 
reduzindo as concentrações de T4 em duas a três semanas. As doses mais comuns 
começam com 2,5mg uma ou duas vezes por dia. Como mencionado, mesmo gatos com 
baixos níveis de T4 podem não se tornar hipotireóidicos porque as concentrações de T3 
permanecem normais. A escolha do regime de dosagem uma vez por dia tem mostrado 
maior vantagem de evolução de tratamento.
Farmacocinética e Farmacodinâmica do metimazol
Em gatos eutireóidicos, a meia vida sérica do metimazol varia de 4-6 horas 
seguindo a injeção IV. Vários estudos em gatos eutireóidicos e gatos normais 
mostram a biodisponibilidade variando em trono de 80% com grande variedade na 
biodisponibilidade entre os animais. Estudos em humanos hipertireóidicos mostraram 
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UNIDADE I │ FISIOLOGIA TIREÓIDEA
que a droga tem um tempo de resistência intratireoidal de aproximadamente 20 horas, 
que é quase quatro vezes maior que a meia vida sérica. Uma vez que as drogas antitireoide 
agem para inibir a síntese dos hormônios somente depois que estão localizadas no 
interior da tireoide, a meia vida sérica dessas drogas pode ser menos importante do 
que as concentrações intratireoidais para o controle do estado hipertireóidico. 
Efeitos colaterais do metimazol
O metimazol tem sido associado com os seguintes efeitos colaterais: anorexia, vômito, 
letargia, escarificações, sangramento, hepatopatia, trombocitopenia,granulocitose, 
leucopenia, eosinofilia e linfocitose.
Opções médicas às drogas tionamídicas
Quando gatos têm reações colaterais às drogas tionamídicas, se a reação for 
gastrointestinal, a redução da dose ou a conversão para carbimazol ou terapia 
transdermal reduzem os efeitos. Entretanto, se a reação for alérgica, a classe de drogas 
antitireóidicas deve ser mudada. O PTU, assim como drogas de estrutura similar, não 
deve ser considerado como opção, a terapia com metamizol também não deve ser 
considerada.
Contraste de Iodo
Na Medicina Humana, um agente de radiocontraste de iodo tem sido usado como 
drogas antitireóidicas. Esses agentes têm vários mecanismos de ação:
 » Liberação do iodo que pode temporariamente suprimir a secreção da 
tireoide por meio do efeito de Wolff-Chaikof.
 » Inibição direta das enzimas D1 e D2 reduzindo a produção de mais T3 
bioativo.
 » Inibição do aporte e/ou ligação ao receptor nuclear de T3.
Terapia com iodo radioativo
Embora somente disponível em centros de referência, a terapia com iodo radioativo 
é o mais efetivo e seletivo para curar o bócio em gatos, porque seletivamente destrói 
o tecido funcional da tireoide depois de ser absorvido e incorporado em percussores 
dos hormônios da tireoide na glândula. Raramente, se é que acontece, ocorrem danos 
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FISIOLOGIA TIREÓIDEA │ UNIDADE I
ao tecido circundante, responsável por regular o cálcio sérico por meio da secreção 
do hormônio da paratireoide e calcitonina. O I-131 tem meia vida de 8 dias e produz 
radiação beta e gama. As partículas beta têm comprimento de onda curto e servem para 
destruir o tecido local. O raioiodo também é usado em doses maiores para destruir 
adenocarcinomas na tireoide de gatos e cães. Seguindo a dose terapêutica de iodo 
radioativo (geralmente de 1,5 mCi), as concentrações séricas de T3 e T4 normalizam 
dentro de uma semana. A maior desvantagem da terapia com iodo radioativo é que 
certas precauções de segurança devem ser adotadas. A radioiodina é secretada na 
saliva, e excretada na urina e fezes. Portanto, a manipulação dos pelos ou dos dejetos 
de gatos pode resultar em contaminação. Apesar dessas desvantagens, a terapia com 
iodoradioativo é o método de cura menos invasiva para bócio bilateral.
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UNIDADE IIDISFUNÇÃO 
TIREÓIDEA I
CAPÍTULO 1
Hipotireoidismo em animais jovens
A presença de hormônios tireoideos nas primeiras fases da vida é crucial para o 
crescimento e desenvolvimento de todos os tecidos corpóreos e, particularmente, do 
esqueleto (SAUNDERS; JEZYK, 1991). Por isso, o nanismo desproporcional pode ser 
um sinal proeminente de início de hipotireoidismo congênito ou juvenil, em adição aos 
sinais também vistos no início do hipotireoidismo adulto.
Para aprofundamento das discussões, leia o artigo “Endocrine mechanisms of 
intrauterine programming”, disponível em: . (FOWDEN; FORHEAD, 2004)
Hipotireoidismo juvenil adquirido
A deficiência de iodo é uma causa clássica de hipotireoidismo juvenil adquirido, 
que ocorre quando os proprietários obtêm uma noção errada sobre o carnivorismo 
de cães e gatos, uma dieta apenas contendo carne é deficiente em vários aspectos 
e, certamente, em iodo. A ausência desse ingrediente essencial para a síntese dos 
hormônios tireóideos resulta em uma hiperplasia tireoidiana induzida por TSH. Em 
deficiências moderadas o aumento na capacidade da produção do hormônio compensa 
suficientemente e o eutireoidismo é mantido. Entretanto, em deficiências severas de 
iodo existe uma produção insuficiente de hormônio tireoidiano apesar da hiperplasia 
tireóidea compensatória. Animais com deficiência de iodo severa apresentam uma 
combinação de um grande bócio e sinais de hipotireoidismo tais como lentidão e retardo 
no crescimento (NUTTAL, 1986; RIJNBERK, 1996). Entretanto, tal afecção não é mais 
largamente vista em países onde é usual a alimentação com dietas manufaturadas, que 
são ricas em iodo.
33
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I │ UNIDADE II
Antibióticos de sulfonamidas são conhecidos por inibir a enzima tireoperoxidase de 
forma reversível, dose e tempo-dependente (DOERGE; DECKER, 1994; ALTHOLTZ et 
al., 2006). Há relatos de cães onde o tratamento com sulfonamidas por várias semanas 
levou não apenas à redução das concentrações plasmáticas de T4, mas também à 
manifestações clínicas de hipotireoidismo. Particularmente em cães jovens, o aumento 
na secreção de TSH (via retroalimentação negativa) pode resultar em lobos tireóideos 
palpáveis (GOOKIN et al., 1999; SEELIG et al., 2008).
Além disso, a tireoidite linfocítica é uma outra causa de hipotireoidismo juvenil 
adquirido, porém mais rara, que foi observada em uma linhagem de uma colônia 
de gatos fechada, com sintomas como letargia e uma pelagem dupla aparente nos 
indivíduos com 7 semanas de idade (SCHUMM-DRAEGER et al., 1996). A tireoidite 
linfocítica é a causa mais comum para o hipotireoidismo primário em cães adultos. 
O processo de destruição autoimune das glândulas tireoideanas raramente ocorrem 
durante a adolescência e, como consequência, o crescimento do cão pode ser retardado 
além do desenvolvimento dos sinais de hipotireoidismo do adulto. 
Disgenesia tireoidiana
A ectopia da glândula tireoide é comum em cães e com ocorrência conhecida também 
em gatos (PATNAIK et al., 2000). Na grande maioria dos casos, é o resultado da 
descida primitiva da glândula tireoide juntamente com o saco aórtico durante a vida 
embrionária. O tecido tireoidiano pode ser encontrado imerso no tecido adiposo da 
aorta intrapericárdica em cerca de 50% dos cães adultos. O tecido acessório tireoidiano 
também pode repousar cranialmente às glândulas tireoidianas como um remanescente 
do ducto tireoglosso. A disgenesia tireoidiana pode ser detectada por poder dar origem 
a um neoplasma ou, pode ser um achado incidental durante a investigação por outras 
razões. Tal afecção também pode ser associada com a ausência de glândulas tireoide 
normais e a sua função pode ser insuficiente para prevenir o hipotireoidismo. A 
investigação da etiologia da disgenesia tireoidiana requer estudos moleculares dos genes 
envolvidos na diferenciação, migração e crescimento da glândula tireoide. Em humanos, 
as mutações são encontradas nos genes que codificam os fatores de transcrição e o 
receptor para o TSH, apesar de o envolvimento de tais genes na disgenesia tireoidiana 
na maioria da população de pacientes ainda ser questionada (DIJEMLI et al., 2006; 
CASTANET et al., 2007).
34
UNIDADE II │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I
Manifestações clínicas
As manifestações do hipotireoidismo relacionado com a disgenesia tireoidiana variam 
de acordo com a duração e severidade da doença antes da instituição da terapia. Na 
ausência completa da glândula, os sintomas são percebidos durante o segundo ou 
terceiro mês de vida, apesar de alguns animais não conseguirem sobreviver até tal 
idade. As anormalidades nos neonatos que podem sugerir hipotireoidismo incluem 
uma grande fontanela (que deve estar fechada nos cães ao nascimento, mas não nos 
gatos), hipotermia, hipoatividade, dificuldades de sucção e distensão abdominal. 
À medida que o filhote de cão ou gato ganha idade, a sua cabeça torna-se relativamente 
maior e mais larga, a fisionomia torna-se inchada, e a língua torna-se larga e espessa. O 
crescimento em peso é lento e o animal doente submete-se a poucas atividades físicas 
em comparação com outros animais da mesma ninhada. O desenvolvimento mental 
parece lento; a pelagem pode ser rala e com ausência de pelos; além disso, os dentes 
deciduos persistem até a idade adulta, mas são trocados após o início do tratamento 
com hormônios tireoidianos (CROWE, 2004).
A radiografia da coluna vertebral e dos ossos longos revelam uma maturação esquelética 
atrasada e corpos vertebrais anormalmente pequenos podem até originar compressão 
da medula espinhal. Nos ossos longos, o aparecimento dos centros de ossificação é 
atrasadoe o crescimento fisário é retardado. A disgenesia epifiseal pode também estar 
associada com o foco difuso de ossificação, dando uma aparência granular à epífise 
(SAUNDERS; JEZIK, 1991). Quando a doença permanece não reconhecida, as fises dos 
corpos vertebrais e os ossos longos ainda permanecem abertas nos animais de 3 a 4 
anos de idade (SZABO; WELLS, 2007).
Diagnóstico
Mensurações das concentrações plasmáticas de T4 antes e após a estimulação com TSH 
confirmarão o diagnóstico de hipotireoidismo primário. A cintilografia tireoidiana pode 
revelar a causa, como sendo uma ectopia ventromedial ou agenesia completa. 
Tratamento
Assim que a condição for diagnosticada, o tratamento deve ser iniciado com l-tiroxina 
(10 µg/kg de peso corporal, duas vezes ao dia). O animal assumirá uma situação muito 
mais ativa e irá desenvolver uma pelagem normal. Quando o hipotireoidismo não é 
detectado cedo o suficiente, durante a maturação esquelética, o crescimento adicional 
pode ser marginal devido à administração de tiroxina e também levar ao fechamento 
35
DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I │ UNIDADE II
das placas de crescimento. A lentidão mental desaparece, entretanto, ainda há uma 
pequena evidência de persistência do retardo mental, uma temida complicação da 
detecção tardia do hipotireoidismo congênito em crianças.
Síntese deficiente de hormônio tireoidiano
O hipotireoidismo congênito também pode ocorrer em consequência de uma deficiência 
enzimática que previne a síntese de hormônios tireoidianos. Tais defeitos congênitos 
são raros e apesar de, em princípio, qualquer passo da síntese de hormônios tireoidianos 
poder ser afetada, os casos reportados foram apenas os não responsivos ao TSH e o 
defeito na atividade da enzima tireoperoxidase, em cães e gatos (CHASTAIN et al., 
1983; et al., 1990; JONES et al., 1992). Entretanto, o defeito na atividade da enzima 
tireoperoxidase parece ser a forma menos rara, animais com defeito na organificação 
concentram iodo na tireoide, mas apresentam habilidade limitada para utilizar tal 
iodo na síntese de hormônio tireoidiano. A desordem parece ser heterogênea já que, 
enquanto em uns animais o defeito é completo e a atividade da tireoperoxidase não 
pode ser demonstrada, em outros ela é parcial. No último caso, o defeito pode estar 
relacionado com a localização anormal da enzima dentro dos tireócitos, isto é, migração 
insuficiente para a membrana plasmática (SJOLLEMA et al., 1991; UMEKI et al., 2002).
Recentemente, a ocorrência familiar do hipotireoidismo congênito com bócio relacionado 
ao defeito na organificação já foi demonstrado em raças como Toy Fox Terrier e Rat 
Terrier. Nos cães doentes de ambas as raças, a mesma mutação foi encontrada no gene 
que codifica a TPO; sugere-se que essa mutação foi passada para o Toy Fox Terrier a 
partir do Rat Terrier (FYFE et al., 2003; PETTIGREW et al., 2007). Um teste baseado 
no DNA tem sido desenvolvido para a detecção dos portadores do defeito autossômico 
recessivo hereditário.
Manifestações clínicas
A marca clínica de tais defeitos é a combinação do bócio com o hipotireoidismo. A 
severidade de ambos pode variar consideravelmente, além de poder ser difícil palpar 
o bócio tireoidiano em animais muito jovens. Os aspectos clínicos do hipotireoidismo 
não diferem daqueles encontrados na disgenesia tireoidiana.
Diagnóstico
O diagnóstico de hipotireoidismo pode ser confirmado a partir das mensurações das 
concentrações plasmáticas de T4. Quando o bócio é detectado, a estimulação com TSH 
é redundante, já que o bócio por si só já evidencia o aumento na secreção endógena 
de TSH. 
36
UNIDADE II │ DISFUNÇÃO TIREÓIDEA I
O desafio do diagnóstico é a elucidação do defeito na síntese do hormônio tireoidiano 
como sendo a causadora do aumento na secreção de TSH; tal investigação requer 
estudos in vivo com iodo radioativo. Caso haja um defeito no processo de organificação, 
a captação de iodo radioativo pela tireoide será elevada, porém não será organicamente 
ligado, como já demonstrado por meio da descarga precipitada da radioatividade 
acumulada a partir das glândulas tireoides, quando um íon que compete pela capitação 
– como o perclorato – é administrado.
Tratamento
Como em todas as formas de hipotireoidismo, exceto aquele causado pela deficiência 
de iodo, o tratamento consiste de administração oral de l-tiroxina, o que irá reduzir a 
secreção de TSH e, como resultado, o bócio irá diminuir.
Hipotireoidismo central
O hipotireoidismo central é relacionado com a deficiência de TSH, podendo 
ser classificado como hipofisário (hipotireoidismo secundário) ou hipotalâmico 
(hipotireoidismo terciário); porém a distinção entre tais formas não é inicialmente 
necessária. A hipossecreção de TSH é geralmente acompanhada pela redução na 
secreção de outros hormônios hipofisários. O melhor exemplo de hipotireoidismo 
secundário precoce é em filhotes anões de pastor alemão, que é caracterizado por 
uma combinação de deficiência de hormônios adeno-hipofisários. Nesses animais, a 
deficiência de TSH é associada com a absoluta deficiência de hormônio do crescimento 
e prolactina, enquanto que a secreção de hormônio luteinizante e folículo-estimulante 
é influenciada menos severamente (HAMANN et al., 1999; KOOISTRA et al., 2000). 
Nesses cães, a manifestação de hipotireoidismo é ofuscada pela deficiência do 
hormônio do crescimento, em parte devido a uma pequena, mas significante fração de 
funcionamento da glândula tireoide (~10-15%) ser independente do TSH; dessa forma, 
o hipotireoidismo por razões centrais tende a ser menos severo em relação aos casos de 
hipotireoidismo primário (BRENT et al., 2008). 
A deficiência isolada de TSH foi sugerida como a anormalidade mais comum em 
schnauzers gigantes com nanismo (GRECO et al., 1991). Foi questionado se a suposta 
deficiência de TSH foi secundária ou terciária. Em um boxer jovem com hipotireoidismo 
congênito de origem supostamente central, as concentrações plasmáticas de hormônio 
do crescimento estavam elevadas (MOONEY et al., 1993), o que atualmente é sabido 
por ser associado com o hipotireoidismo primário. 
37
CAPÍTULO 2
Hipotireoidismo em animais adultos
O hipotireoidismo é uma síndrome resultante da deficiência na produção de hormônio 
tireoidiano. Cerca de 95% dos casos que se originam na idade adulta, o hipotireoidismo 
é primário, enquanto nos 5% restantes, é relacionado com a deficiência de TSH 
(hipofisário ou hipotalâmico).
Hipotireoidismo primário
Patogênese
Na forma espontânea, um progressivo processo autoimune leva à infiltração linfocítica 
e ao desaparecimento dos folículos tireoidianos. As formas chamadas de idiopáticas, 
onde ocorre atrofia tireoidiana sem o infiltrado inflamatório, também parecem ser 
o resultado final de um distúrbio autoimune (GRAHAN et al., 2007). A patogênese 
imunológica e molecular da tireoidite autoimune ainda não foi elucidada. Foi proposto 
que o desenvolvimento do hipotireoidismo canino esteja associado com a perda 
da autotolerância dos linfócitos à tireoglobulina (TANI et al., 2005), mas não está 
claro se essa é a causa ou o efeito. Em estudos sobre os possíveis envolvimentos do 
antígeno leucocítico canino, foi encontrada uma associação em várias raças entre 
o hipotireoidismo canino e um alelo do antígeno leucocítico canino (KENNEDY et 
al., 2006a; b). Anticorpos contra a TPO parecem ter um pequeno ou nenhum papel 
na tireoidite em cães, em contraste com a tireoidite em humanos (SKOPEK et al., 
2006; GRAHAN, et al., 2007). A destruição imunomediada é um processo lento e as 
manifestações clínicas da deficiência dos hormônios tireoidianos tornam-se evidentes 
apenas após a destruição de mais de 75% dos folículos tireóideos.
Apesar de os autoanticorpos contra a tireoglobulina não ser de relevante importância 
patogênica, eles podem servir como marcadores da tireoidite autoimune (IVERSEN et 
al., 1998). Os anticorpos circulantes contra a tireoglobulina são detectados em mais de 
50% dos cães hipotireóideos. Á medida