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Tópico 01 Avaliação Nutricional Introdução A Avaliação Nutricional E Indicadores De Saúde 1. Introdução A avaliação do estado nutricional é um instrumento pelo qual o nutricionista consegue obter dados, medidas e informações relevantes do paciente, como dados antropométricos, clínicos, bioquímicos e dietéticos. Por meio da compilação destas informações, é possível identificar distúrbios e riscos nutricionais e, então, elaborar o diagnóstico nutricional. Com este diagnóstico e todas as informações colhidas durante a avaliação nutricional, é possível traçar condutas nutricionais adequadas que possibilitam a recuperação ou manutenção do estado de saúde do indivíduo. Existem diversos métodos para a correta realização da avaliação nutricional. Contudo, todos os métodos possuem suas limitações. Os métodos se diferenciam entre si por sua precisão, eficácia e custo. Alguns serão mais adequados para indivíduos saudáveis, enquanto outros serão mais adequados para indivíduos enfermos ou mesmo para coletividade. A escolha do melhor método irá depender de diversos fatores e cabe ao nutricionista conhecer de forma abrangente os métodos disponíveis no mercado, assim como suas limitações e discernir qual o melhor método a ser aplicado em sua realidade. É importante que você saiba que, para um correto diagnóstico nutricional, é preciso saber escolher métodos corretos de avaliação nutricional e ter a sensibilidade de coletar e interpretar dados relevantes aos fatores biológicos e sociais que envolvem o paciente. É necessário ter um olhar atento não apenas para o processo biológico da ciência nutricional, no que diz respeito a recomendações nutricionais, metabolismo dos nutrientes, história clínica e familiar do paciente, manifestações de sinais clínicos relacionados à carência e excessos nutricionais, interpretação de dados bioquímicos e a composição corporal do paciente. Também é preciso ter um olhar amplo para as condições socioeconômicas e culturais, pois, assim, é possível entender o contexto de vida deste paciente e sua vulnerabilidade ao desenvolvimento de distúrbios nutricionais. Neste sentido, podemos entender que estado nutricional é o resultado do equilíbrio entre as necessidades do organismo e o suprimento de nutrientes, sendo este último o reflexo do posicionamento do indivíduo e seu grupo na sociedade. 2. Dimensões Do Estado Nutricional Os problemas nutricionais que impactam o estado de saúde do indivíduo são reflexos de processos multicausais. De acordo com Vasconcelos (2008), o estado nutricional do indivíduo sofre importante influência das dimensões biológica e social. Nesse sentido, o autor adota o conceito de estado nutricional como a síntese orgânica das relações entre o homem, a natureza e o alimento, as quais se estabelecem no interior de uma sociedade. Conhecer e saber interpretar os fatores biológicos e sociais envolvidos na determinação do estado nutricional é indispensável para obter o correto diagnóstico nutricional. A dimensão biológica do estado nutricional leva em consideração a condição de saúde de um indivíduo. Estas condições são influenciadas por fatores fisiológicos e metabólicos relacionados ao consumo e à utilização dos nutrientes. Cada estágio do desenvolvimento humano, como a infância, a puberdade, a vida adulta e o envelhecimento, assim como a presença de determinadas doenças, demanda adaptações fisiológicas e metabólicas que requerem diferentes aportes energéticos e nutricionais. O desequilíbrio entre consumo e necessidades nutricionais pode acarretar carências nutricionais, como desnutrição proteico-calórica, anemias e hipovitaminoses; por outro lado, o consumo excessivo de alguns nutrientes também está relacionado a distúrbios nutricionais e aparecimento de doenças, como as doenças crônicas não transmissíveis (obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, entre outras). Já a dimensão social do estado nutricional diz respeito à relação entre homem-natureza-alimento. Esta interação sofre influências de fatores ambientais, econômicos, políticos, sociais, culturais e ideológicos. É preciso entender estas interações para ser possível compreender as escolhas alimentares e o acesso destes indivíduos ao alimento. A imagem abaixo resume alguns fatores biológicos e sociais que influenciam o estado nutricional. Fatores biológicos e sociais que influenciam o estado nutricional. Cada país e região apresenta uma cultura alimentar característica. Por exemplo: a clássica combinação do arroz com feijão faz parte do hábito alimentar brasileiro. Pensando nisso, como a cultura alimentar pode influenciar o estado de saúde do indivíduo? Conheça as escolhas alimentares contemporâneas do brasileiro e os impactos para a saúde, segundo entrevista com base na Pesquisa Nacional de Saúde; Sala de Convidados - Pesquisa Nacional de SSala de Convidados - Pesquisa Nacional de S…… Leia mais sobre os fatores que influenciam o estado nutricional no livro “Guia de nutrição: nutrição clínica no adulto”: https://www.youtube.com/watch?v=T6hsmH7eS0c 3. Indicadores De Saúde No Brasil Para o correto diagnóstico nutricional e elaboração de planos alimentares e políticas públicas que promovam saúde ao indivíduo, diversos fatores precisam ser levados em consideração. O diagnóstico nutricional não deve ser apenas baseado nos dados clínicos, antropométricos e dietético do paciente, mas também deve compreender os aspectos socioeconômicos, culturais e demográficos da região na qual o indivíduo está inserido. Compreender como todos esses aspectos se conectam permite traçar estratégias mais eficientes e factíveis para a promoção da saúde tanto individual quanto para coletividade. Nesse sentido, os indicadores de saúde se tornam relevantes, pois quantificam fatores demográficos, socioeconômicos e associados às morbidades que permitem analisar a situação atual e a evolução desta população mediante algumas dimensões do estado de saúde. Os indicadores são calculados por meio de equações pré- estabelecidas com a utilização de dados obtidos por coletas sistemáticas de dados de diversas populações distintas. Grandes estudos e censos regionais ou nacionais alimentam bancos de dados que possibilitaram o cálculo de indicadores relevantes à vigilância epidemiológica, nutricional e sanitária. Neste tópico, você vai conhecer três importantes indicadores, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, sobre indicadores básicos de saúde para o Brasil, produzidos pela Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA): indicadores demográficos, indicadores socioeconômicos e indicadores de morbidade. CUPPARI, Lilian. Guia de nutrição: nutrição clínica no adulto. 2. ed. Barueri: Manole, 2009. Indicadores Demográficos Para o correto diagnóstico nutricional e a elaboração de estratégias que promovam a segurança alimentar do indivíduo, é necessário entender o contexto social e cultural da região em que o paciente ou coletividade reside. Os indicadores demográficos nos permitem avaliar de forma quantitativa aspectos da distribuição de fatores determinantes da situação de saúde relacionados à dinâmica populacional em uma determinada região. Abaixo, segue a Tabela 1 com alguns exemplos de indicadores demográficos. Tabela 1. Exemplos de indicadores demográficos Indicador Conceito Taxa de crescimento da população Percentual de incremento médio anual da população residente em determinado espaço geográfico, no período considerado Grau de urbanização Percentual da população residente em áreas urbanas, em determinado espaço geográfico, no ano considerado Proporção de idosos na população Percentual de pessoas com 60 anos ou mais, na população total residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado Índice de envelhecimento Número de pessoas com 60 anos ou mais, para cada 100 pessoas menores de 15 anos de idade, na população residente em Saiba mais sobre os indicadoresde saúde no livro “Epidemiologia nutricional”: KAC, Gilberto; SICHIERI, Rosely; GIGANTE, Denise Petrucci. Epidemiologia nutricional. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz: Atheneu, 2007. Indicador Conceito determinado espaço geográfico, no ano considerado Taxa bruta de natalidade Número de nascidos vivos, por mil habitantes, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado Mortalidade proporcional por idade Distribuição percentual dos óbitos por faixa etária, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado Taxa bruta de mortalidade Número total de óbitos, por mil habitantes, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado Esperança de vida ao nascer Número médio de anos de vida esperados para um recém-nascido, mantido o padrão de mortalidade existente na população residente, em determinado espaço geográfico, no ano considerado Esperança de vida aos 60 anos Número médio de anos de vida esperados para uma pessoa ao completar 60 anos de idade, mantido o padrão de mortalidade existente na população residente, em determinado espaço geográfico, no ano considerado Adaptado de RIPSA, 2008. Indicadores de Saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2ª edição Indicadores Socioeconômicos Os indicadores socioeconômicos geram dados quantitativos que nos auxiliam na análise das características básicas do desenvolvimento das sociedades nas quais o indivíduo está inserido, como a taxa de analfabetismo, o nível de escolaridade, a taxa de desemprego, a taxa de renda e a renda per capita (Tabela 2). Compreender estes indicadores nos permite elaborar estratégias compatíveis à realidade do indivíduo. Lembre-se que cabe ao profissional de saúde passar a informação de forma mais simples e clara para a compreensão do paciente. Assim, conhecer a escolaridade e o poder aquisitivo do seu paciente permite que você monte estratégias nutricionais factíveis para a promoção de saúde, assim como auxilia na elaboração de políticas públicas que garantam a segurança alimentar e nutricional do indivíduo e da coletividade em que ele está inserido. Tabela 2. Exemplos de indicadores socioeconômicos. Indicador Conceito Taxa de analfabetismo Percentual de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever pelo menos um bilhete simples, no idioma que conhecem, na população total residente da mesma faixa etária, em determinado espaço geográfico, no ano considerado Nível de escolaridade Distribuição percentual da população residente de 15 e mais anos de idade, por grupos de anos de estudo, em determinado espaço geográfico, no ano considerado Produto interno bruto (PIB) per capita Valor médio agregado por indivíduo, em moeda corrente e a preços de mercado, dos bens e serviços finais produzidos em determinado espaço geográfico, no ano considerado Razão de renda Número de vezes que a renda do quinto superior da distribuição da renda (20% mais ricos) é maior do que a renda do quinto inferior (20% mais pobres) na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado Proporção de pobres Percentual da população residente com renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo, em determinado espaço geográfico, no ano considerado Taxa de desemprego Percentual da população residente economicamente ativa que se encontra sem trabalho na semana de referência, em determinado espaço geográfico, no ano considerado Indicador Conceito Taxa de trabalho infantil Percentual da população residente de 10 a 15 anos de idade que se encontra trabalhando ou procurando trabalho na semana de referência, em determinado espaço geográfico, no ano considerado Adaptado de RIPSA, 2008. Indicadores de Saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2ª edição. Indicadores De Morbidade Morbidade é um termo genérico utilizado para designar o conjunto de casos de uma dada doença ou a soma de agravos à saúde que atingem um determinado grupo. O indicador de morbidade é de extrema relevância na área da saúde, pois permite o mapeamento e monitoramento de doenças e auxilia na tomada de decisões para controle e prevenção das doenças. Medir morbidade nem sempre é uma tarefa fácil, pois são muitas as limitações que contribuem para essa dificuldade, como a subnotificação. Entretanto, a morbidade é comumente mensurada por meio de indicadores como incidência e prevalência. A incidência representa a frequência de novos casos de uma determinada doença em um mesmo local e período. Por exemplo: os novos casos diagnosticados de sarampo no município de Vitória (ES) durante o ano de 2019. Quando há alta incidência de uma doença em uma determinada região, significa que aquela população apresenta alto risco de desenvolvimento da doença. Por outro lado, a prevalência representa o número total de indivíduos de uma população que é acometida por uma determinada doença em um determinado momento. Ela é considerada uma medida estatística e engloba tanto os casos novos que ocorreram no período quanto os casos pré-existentes. Por exemplo: segundo o estudo da VIGITEL (2018), 52,1 % e 18,4 % da população adulta de Vitória (ES) estão com excesso de peso e obesidade respectivamente. A imagem a seguir caracteriza o excesso de peso e a obesidade, além dos valores de referências de acordo com o índice de massa corporal (IMC). Graças aos estudos dos indicadores de morbidade, é possível fazer inferência sobre as condições de saúde de uma determinada população, assim como mapear populações em risco nutricional, tanto devido a carências quanto a excessos de nutrientes, assim como realizar estudos de causa/efeito sobre distúrbios nutricionais e aparecimento de doenças. Representação do sobrepeso e da obesidade junto aos seus valores referências segundo o índice de massa corporal (IMC). 4. Vigilância Alimentar E Nutricional O monitoramento do estado de saúde da população é imprescindível para elaboração de programas que objetivam a prevenção e o tratamento de diversas doenças, assim como para Os inquéritos nacionais, como a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), funcionam como importantes banco de dados na atuação do nutricionista, pois auxiliam no monitoramento dos determinantes de saúde e do estado nutricional de uma população. Para conhecer mais sobre indicadores e informações em saúde, não deixe de acessar o site da RIPSA clicando aqui. O site disponibiliza uma série de documentos relevantes sobre indicadores de saúde, com o objetivo de produzir subsídios para políticas públicas para promoção de saúde. BRASIL. Ministério da Saúde. Rede interagencial de informações para a saúde. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília: OPAS, 2008. http://www.ripsa.org.br/vhl/indicadores-e-dados-basicos-para-a-saude-no-brasil-idb a avaliação da eficácia de programas de promoção de saúde já existentes. Por muito tempo, existiu um cenário de fome extrema em diversas regiões do Brasil, em especial, naquelas que possuíam baixos níveis de economia, educação, desenvolvimento, assim como desigualdade na distribuição de renda e no acesso aos alimentos. Contudo, nos últimos 15 anos, esse padrão tem sido modificado. Hoje, é possível observar a coexistência de desnutrição e sobrepeso/obesidade em diversos segmentos da população. Só foi possível ter esse panorama do diagnóstico do estado nutricional atual da população brasileira devido a ações de vigilância do estado de saúde. Para tanto, foi necessário um monitoramento contínuo das informações de saúde da população brasileira, na perspectiva de identificar as situações de risco para a saúde do indivíduo e das populações e, com isso, traçar estratégias para combatê-las. Nesse sentido, a Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) é uma valiosaferramenta que auxilia os programas de promoção à saúde oferecidos pelo governo, juntamente com o Sistema Único de Saúde (SUS), aumentando a qualidade dos serviços prestados à população. Ter a possibilidade de identificar, analisar e avaliar o estado nutricional em nível populacional garante que os serviços de promoção à saúde sejam executados com a eficiência necessária, afirmando uma melhor qualidade de vida. No Brasil, o SISVAN é a ferramenta que busca unificar as práticas de avaliação e vigilância nutricional em todo o país, para que seja possível comparar os dados obtidos entre municípios, estados, regiões e outros estratos pertinentes. Esse sistema foi institucionalizado pela Portaria nº 1156/MS, de 31 de agosto de 1990, cujo propósitos são: garantir a segurança alimentar segundo os padrões culturais; detectar e registrar crises alimentares agudas; acompanhar o crescimento da desnutrição infantil; alertar o governo sobre medidas de ajustes na economia relacionadas à nutrição e alimentação. Utilizar o estado nutricional como forma de avaliação do estado de saúde da coletividade é um ótimo parâmetro, pois ele reflete a ação de múltiplos fatores que vão desde a condição de acesso ao alimento até sua utilização biológica. Com os dados coletados pelo SISVAN, é possível estabelecer metas que garantam a qualidade e o acesso dos alimentos a toda população e, assim, garantir práticas alimentares saudáveis que revertam os distúrbios nutricionais. Dessa forma, o SISVAN passou a ser visto como um sistema de caráter social e nutricional. Objetivos E Atuação Do Sisvan O SISVAN tem como objetivo catalogar os dados do estado nutricional da população brasileira e transformá-los em informações úteis que, posteriormente, serão utilizadas para tomada de decisão, formulação ou reorientação de políticas públicas. Ou seja, o SISVAN é uma ferramenta que visa unificar as informações pertinentes à saúde da população e utilizar essas mesmas informações para combater e atuar em regiões de risco. Esse sistema destina-se ao diagnóstico descritivo e analítico da situação alimentar e nutricional da população brasileira, servindo de base para compreender a natureza e magnitude das questões nutricionais, identificando áreas geográficas, setores sociais ou até mesmo certos grupos populacionais mais propensos ao desenvolvimento de agravos nutricionais. Outro objetivo do SISVAN é antecipar situações de risco por meio de diagnósticos precoces, dessa forma, evitando as consequências na saúde do indivíduo em relação ao baixo peso ou ao sobrepeso/obesidade. Portanto, o SISVAN é uma organização com atividades padronizadas que realiza atividades continuadas e rotineiras de observação, coleta e análise nos aspectos que envolvem a produção, a comercialização e o acesso aos alimentos, assim como o estado nutricional do indivíduo. O SISVAN atua nas populações assistidas pelo SUS, ou seja, por indivíduos de qualquer fase do ciclo da vida (criança, adolescente, adulto, idoso e gestante). Todo atendimento prestado em Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS), serviços prestados pelo Programa Saúde da Família (PSF), Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e outros vinculados aos SUS servirão de base para fornecer dados que fomentam a atuação do SISVAN. Diante dos distúrbios nutricionais existentes na população brasileira, é indispensável que o acompanhamento do estado nutricional e das práticas alimentares seja realizado de forma constante e sistemática, sempre buscando dados fidedignos que possibilitem planejar e desenvolver ações focadas em melhorias do perfil epidemiológico e de saúde da população. Instrumentos De Avaliação Clínico- Nutricional Com Base No Sisvan A avaliação clínico-nutricional do SISVAN se dá pela avaliação do estado nutricional do indivíduo, ou seja, avalia-se o resultado do equilíbrio entre o consumo de nutrientes e o gasto energético pelo organismo para suprir as necessidades nutricionais (veja imagem a seguir). Esse estado nutricional pode ser classificado em três categorias: Eutrofia (equilíbrio entre consumo e necessidades nutricionais); Carência Nutricional (insuficiência quantitativa/qualitativa do consumo de nutrientes em relação às necessidades biológicas) e Distúrbio Nutricional (excesso ou desequilíbrio no consumo de nutrientes em relação às necessidades biológicas). Equilíbrio entre o consumo de nutrientes e a necessidade nutricional. O SISVAN adota como método padrão de avaliação do estado nutricional a avaliação antropométrica. A antropometria é um método de identificação baseado nas medidas físicas e na composição corporal do indivíduo. Pode ser realizada em todas as fases de vida, sendo uma excelente ferramenta diagnóstica e classificatória. As vantagens de se utilizar esse método é que o mesmo possui baixo custo para sua aplicação, é relativamente simples de ser executado, há uma facilidade em padronizar o método e é não-invasivo. Todas essas características favorecem o uso dessa ferramenta por todo território brasileiro, não exigindo equipamentos sofisticados e possuindo uma logística de utilização fácil independente da região. A Vigilância Alimentar e Nutricional do SISVAN contempla os seguintes grupos para avaliação do estado nutricional: Crianças (menor de 10 anos de idade); Adolescentes (maior ou igual a 10 anos e menor que 20 anos de idade); Adulto (maior ou igual a 20 anos e menor que 60 anos de idade); Idoso (maior ou igual a 60 anos de idade) e Gestantes (mulher com idade maior que 10 anos e menor que 60 anos). Dentre essa população, os dados coletados são divididos em duas categorias: Dados de identificação (data de nascimento e sexo) e Dados antropométricos (Peso, altura e circunferência de membros). É importante ressaltar que cada fase do ciclo da vida possui referências e pontos de cortes diferenciados e específicos para cada grupo. O SISVAN utiliza a recomendação de índices antropométricos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. Para o grupo das Crianças, os índices de avaliação antropométrica são: Peso/Idade; Altura/Idade; Peso/Altura. O grupo dos Adolescentes utiliza o IMC Percentilar. No grupo dos Adultos, utiliza-se IMC e Relação Cintura/Quadril. Para os Idosos, utiliza-se o IMC e, por fim, para as Gestantes, utiliza-se o IMC por semana gestacional. Os valores encontrados nessas coletas são, então, comparados a gráficos pré-existentes que classificam os indivíduos em relação ao seu estado nutricional dependendo dos resultados. O processo de avaliação e tratamento do estado nutricional segue 4 etapas, dentre elas: 1ª etapa – Coleta de dados e produção de informações; 2ª etapa – Análise e decisão; 3ª etapa – Ação e 4ª etapa – Avaliação. A primeira etapa consiste em coletar os dados e produzir as informações coletadas. Nela, utilizam-se ferramentas de obtenção dos dados antropométricos e dietéticos, para gerar informações sobre o estado nutricional e as práticas alimentares. A segunda etapa tem como objetivo identificar as necessidades e prioridades de saúde a partir dos resultados da etapa 1. A análise é realizada individual e coletivamente, considerando os fatores que colocam em risco a saúde do indivíduo, pois somente assim é possível tomar uma decisão diante de um diagnóstico nutricional. A terceira etapa parte para a ação do cuidado nutricional diante dos problemas identificados. Realiza-se um aconselhamento nutricional e de saúde, estabelecendo metas para o paciente. Dependendo da gravidade da situação, agenda- se uma consulta com os profissionais de saúde necessários. Em alguns casos, são realizadas oficinas para a população alvo que promovam atividades de educação nutricional e alimentar, assim como a prática de atividade física. Na quarta etapa, são avaliadas as ações desenvolvidas nas etapas anteriores para melhoria da saúde do indivíduo ou da população. É importante apontar as dificuldades e a necessidade de adequaçõesde necessidades, a fim de garantir que as ações planejadas sejam executadas de forma eficiente e eficaz. Por fim, é importante destacar que a vigilância alimentar e nutricional é incluída na rotina dos estabelecimentos públicos de saúde. Cabe aos profissionais de saúde a coleta dos dados, a análise dos indicadores obtidos e o registro desses dados. Essas informações subsidiam o planejamento e o gerenciamento de ações para melhorar o estado nutricional e os padrões de consumo alimentar individual e coletivo. Para conhecer mais sobre o SISVAN, não deixe de conferir o material disponível no site do Ministério da Saúde clicando aqui. O material inclui detalhes sobre as avaliações antropométricas, pontos de cortes, gráficos e tabelas de referência para a avaliação e classificação dos indivíduos. http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/orientacoes_basicas_sisvan.pdf 5. Conclusão A avaliação nutricional é uma ferramenta fundamental para o diagnóstico do estado de saúde de indivíduos e coletividades. Neste sentido, este tópico procurou mostrar os diversos métodos que possibilitam uma investigação minuciosa, a qual consegue obter medidas e informações relevantes do paciente, a partir da coleta de dados antropométricos, clínicos, bioquímicos e dietéticos, além da compreensão de seu contexto de vida com base nos indicadores de saúde, os quais contribuem para a vigilância alimentar e nutricional. Neste momento, você será capaz de apontar os métodos corretos de avaliação nutricional e de interpretar e julgar os dados relevantes aos fatores biológicos e sociais que envolvem a vulnerabilidade ao desenvolvimento de distúrbios nutricionais do paciente. Associado a isso, as ferramentas de vigilância alimentar e nutricional traduzem a situação nutricional da população brasileira, fortalecendo a conduta do profissional de nutrição. Neste sentido, podemos concluir que o estado nutricional é o resultado do equilíbrio entre as necessidades do organismo e o consumo de alimentos, sendo este último influenciado pelo posicionamento do indivíduo e seu grupo na sociedade. 6. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde. Norma Técnica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN. 1ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN. Orientações básicas para a coleta, o processamento, a análise dos dados e a informação em serviços de saúde. 1ª ed. Brasília: OPAS, 2004. CUPPARI, Lilian. Guia de nutrição: nutrição clínica no adulto. 2. ed. Barueri: Manole, 2009. KAC, Gilberto; SICHIERI, Rosely; GIGANTE, Denise Petrucci. Epidemiologia nutricional. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz: Atheneu, 2007. Ministério da Saúde. SISVAN, 2004. Orientações básicas para a coleta, o processamento, a análise dos dados e a informação em serviços de saúde.. Disponível em Ministério da Saúde. Vigitel Brasil, 2019. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Disponível em: . MUSSOI, Thiago Durand. Avaliação nutricional na prática clínica: da gestação ao envelhecimento. 1ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. REDE Interagencial de Informação para a Saúde – RIPSA. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2ª ed. – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2008. RIPSA. Biblioteca Virtual em Saúde, 2008. Rede interagencial de informações para a saúde. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/orientacoes_basicas_sisvan.pdf http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/orientacoes_basicas_sisvan.pdf https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-brasil-2018.pdf https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-brasil-2018.pdf Disponível em: . VASCONCELOS, Francisco de Assis Guedes. Avaliação nutricional de coletividades. 4ª ed. Florianópolis: Ed. UFSC, 2008. YouTube. (2015, Fevereiro, 26). Canal Saúde Oficial. Sala de Convidados – Pesquisa Nacional de Saúde e Alimentação. 55m55. Disponível em: . Parabéns, esta aula foi concluída! O que achou do conteúdo estudado? Péssimo Ruim Normal Bom Excelente Deixe aqui seu comentário http://www.ripsa.org.br/vhl/indicadores-e-dados-basicos-para-a-saude-no-brasil-idb http://www.ripsa.org.br/vhl/indicadores-e-dados-basicos-para-a-saude-no-brasil-idb https://www.youtube.com/watch?v=T6hsmH7eS0c Mínimo de caracteres: 0/15 Enviar