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Tópico 01
Avaliação Nutricional
Introdução A Avaliação
Nutricional E Indicadores De
Saúde
1. Introdução
A avaliação do estado nutricional é um instrumento pelo qual o
nutricionista consegue obter dados, medidas e informações
relevantes do paciente, como dados antropométricos, clínicos,
bioquímicos e dietéticos. Por meio da compilação destas
informações, é possível identificar distúrbios e riscos
nutricionais e, então, elaborar o diagnóstico nutricional. Com
este diagnóstico e todas as informações colhidas durante a
avaliação nutricional, é possível traçar condutas nutricionais
adequadas que possibilitam a recuperação ou manutenção do
estado de saúde do indivíduo.
Existem diversos métodos para a correta realização da avaliação
nutricional. Contudo, todos os métodos possuem suas
limitações. Os métodos se diferenciam entre si por sua precisão,
eficácia e custo. Alguns serão mais adequados para indivíduos
saudáveis, enquanto outros serão mais adequados para
indivíduos enfermos ou mesmo para coletividade. A escolha do
melhor método irá depender de diversos fatores e cabe ao
nutricionista conhecer de forma abrangente os métodos
disponíveis no mercado, assim como suas limitações e discernir
qual o melhor método a ser aplicado em sua realidade.
É importante que você saiba que, para um correto diagnóstico
nutricional, é preciso saber escolher métodos corretos de
avaliação nutricional e ter a sensibilidade de coletar e interpretar
dados relevantes aos fatores biológicos e sociais que envolvem o
paciente. É necessário ter um olhar atento não apenas para o
processo biológico da ciência nutricional, no que diz respeito a
recomendações nutricionais, metabolismo dos nutrientes,
história clínica e familiar do paciente, manifestações de sinais
clínicos relacionados à carência e excessos nutricionais,
interpretação de dados bioquímicos e a composição corporal do
paciente. Também é preciso ter um olhar amplo para as
condições socioeconômicas e culturais, pois, assim, é possível
entender o contexto de vida deste paciente e sua vulnerabilidade
ao desenvolvimento de distúrbios nutricionais.
Neste sentido, podemos entender que estado nutricional é o
resultado do equilíbrio entre as necessidades do organismo e o
suprimento de nutrientes, sendo este último o reflexo do
posicionamento do indivíduo e seu grupo na sociedade.
2. Dimensões Do Estado
Nutricional
Os problemas nutricionais que impactam o estado de saúde do
indivíduo são reflexos de processos multicausais. De acordo com
Vasconcelos (2008), o estado nutricional do indivíduo sofre
importante influência das dimensões biológica e social. Nesse
sentido, o autor adota o conceito de estado nutricional como a
síntese orgânica das relações entre o homem, a natureza e o
alimento, as quais se estabelecem no interior de uma sociedade.
Conhecer e saber interpretar os fatores biológicos e sociais
envolvidos na determinação do estado nutricional é
indispensável para obter o correto diagnóstico nutricional.
A dimensão biológica do estado nutricional leva em consideração
a condição de saúde de um indivíduo. Estas condições são
influenciadas por fatores fisiológicos e metabólicos relacionados
ao consumo e à utilização dos nutrientes. Cada estágio do
desenvolvimento humano, como a infância, a puberdade, a vida
adulta e o envelhecimento, assim como a presença de
determinadas doenças, demanda adaptações fisiológicas e
metabólicas que requerem diferentes aportes energéticos e
nutricionais. O desequilíbrio entre consumo e necessidades
nutricionais pode acarretar carências nutricionais, como
desnutrição proteico-calórica, anemias e hipovitaminoses; por
outro lado, o consumo excessivo de alguns nutrientes também
está relacionado a distúrbios nutricionais e aparecimento de
doenças, como as doenças crônicas não transmissíveis
(obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, entre outras).
Já a dimensão social do estado nutricional diz respeito à relação
entre homem-natureza-alimento. Esta interação sofre
influências de fatores ambientais, econômicos, políticos, sociais,
culturais e ideológicos. É preciso entender estas interações para
ser possível compreender as escolhas alimentares e o acesso
destes indivíduos ao alimento. A imagem abaixo resume alguns
fatores biológicos e sociais que influenciam o estado nutricional.
Fatores biológicos e sociais que influenciam o estado nutricional.
Cada país e região apresenta uma cultura alimentar
característica. Por exemplo: a clássica combinação do
arroz com feijão faz parte do hábito alimentar brasileiro.
Pensando nisso, como a cultura alimentar pode
influenciar o estado de saúde do indivíduo? 

Conheça as escolhas alimentares contemporâneas do
brasileiro e os impactos para a saúde, segundo
entrevista com base na Pesquisa Nacional de Saúde; 

Sala de Convidados - Pesquisa Nacional de SSala de Convidados - Pesquisa Nacional de S……
Leia mais sobre os fatores que influenciam o estado
nutricional no livro “Guia de nutrição: nutrição clínica
no adulto”:

https://www.youtube.com/watch?v=T6hsmH7eS0c
3. Indicadores De Saúde No Brasil
Para o correto diagnóstico nutricional e elaboração de planos
alimentares e políticas públicas que promovam saúde ao
indivíduo, diversos fatores precisam ser levados em
consideração. O diagnóstico nutricional não deve ser apenas
baseado nos dados clínicos, antropométricos e dietético do
paciente, mas também deve compreender os aspectos
socioeconômicos, culturais e demográficos da região na qual o
indivíduo está inserido. Compreender como todos esses aspectos
se conectam permite traçar estratégias mais eficientes e factíveis
para a promoção da saúde tanto individual quanto para
coletividade. Nesse sentido, os indicadores de saúde se tornam
relevantes, pois quantificam fatores demográficos,
socioeconômicos e associados às morbidades que permitem
analisar a situação atual e a evolução desta população mediante
algumas dimensões do estado de saúde.
Os indicadores são calculados por meio de equações pré-
estabelecidas com a utilização de dados obtidos por coletas
sistemáticas de dados de diversas populações distintas. Grandes
estudos e censos regionais ou nacionais alimentam bancos de
dados que possibilitaram o cálculo de indicadores relevantes à
vigilância epidemiológica, nutricional e sanitária.
Neste tópico, você vai conhecer três importantes indicadores,
segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, sobre
indicadores básicos de saúde para o Brasil, produzidos pela Rede
Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA): indicadores
demográficos, indicadores socioeconômicos e indicadores de
morbidade.
CUPPARI, Lilian. Guia de nutrição: nutrição clínica
no adulto. 2. ed. Barueri: Manole, 2009.
Indicadores Demográficos
Para o correto diagnóstico nutricional e a elaboração de
estratégias que promovam a segurança alimentar do indivíduo, é
necessário entender o contexto social e cultural da região em que
o paciente ou coletividade reside. Os indicadores demográficos
nos permitem avaliar de forma quantitativa aspectos da
distribuição de fatores determinantes da situação de saúde
relacionados à dinâmica populacional em uma determinada
região. Abaixo, segue a Tabela 1 com alguns exemplos de
indicadores demográficos.
Tabela 1. Exemplos de indicadores demográficos
Indicador Conceito
Taxa de
crescimento da
população
Percentual de incremento médio anual da
população residente em determinado espaço
geográfico, no período considerado
Grau de
urbanização
Percentual da população residente em áreas
urbanas, em determinado espaço geográfico,
no ano considerado
Proporção de
idosos na
população
Percentual de pessoas com 60 anos ou mais,
na população total residente em determinado
espaço geográfico, no ano considerado
Índice de
envelhecimento
Número de pessoas com 60 anos ou mais,
para cada 100 pessoas menores de 15 anos de
idade, na população residente em
Saiba mais sobre os indicadoresde saúde no livro
“Epidemiologia nutricional”:
KAC, Gilberto; SICHIERI, Rosely; GIGANTE, Denise
Petrucci. Epidemiologia nutricional. Rio de Janeiro,
RJ: Fiocruz: Atheneu, 2007.

Indicador Conceito
determinado espaço geográfico, no ano
considerado
Taxa bruta de
natalidade
Número de nascidos vivos, por mil habitantes,
na população residente em determinado
espaço geográfico, no ano considerado
Mortalidade
proporcional por
idade
Distribuição percentual dos óbitos por faixa
etária, na população residente em
determinado espaço geográfico, no ano
considerado
Taxa bruta de
mortalidade
Número total de óbitos, por mil habitantes, na
população residente em determinado espaço
geográfico, no ano considerado
Esperança de vida
ao nascer
Número médio de anos de vida esperados
para um recém-nascido, mantido o padrão de
mortalidade existente na população
residente, em determinado espaço
geográfico, no ano considerado
Esperança de vida
aos 60 anos
Número médio de anos de vida esperados
para uma pessoa ao completar 60 anos de
idade, mantido o padrão de mortalidade
existente na população residente, em
determinado espaço geográfico, no ano
considerado
Adaptado de RIPSA, 2008. Indicadores de Saúde no Brasil: conceitos e
aplicações. 2ª edição
Indicadores Socioeconômicos
Os indicadores socioeconômicos geram dados quantitativos que
nos auxiliam na análise das características básicas do
desenvolvimento das sociedades nas quais o indivíduo está
inserido, como a taxa de analfabetismo, o nível de escolaridade,
a taxa de desemprego, a taxa de renda e a renda per
capita (Tabela 2). Compreender estes indicadores nos permite
elaborar estratégias compatíveis à realidade do indivíduo.
Lembre-se que cabe ao profissional de saúde passar a
informação de forma mais simples e clara para a compreensão
do paciente. Assim, conhecer a escolaridade e o poder aquisitivo
do seu paciente permite que você monte estratégias nutricionais
factíveis para a promoção de saúde, assim como auxilia na
elaboração de políticas públicas que garantam a segurança
alimentar e nutricional do indivíduo e da coletividade em que ele
está inserido.
Tabela 2. Exemplos de indicadores socioeconômicos.
Indicador Conceito
Taxa de
analfabetismo
Percentual de pessoas com 15 anos ou mais que
não sabem ler e escrever pelo menos um bilhete
simples, no idioma que conhecem, na
população total residente da mesma faixa
etária, em determinado espaço geográfico, no
ano considerado
Nível de
escolaridade
Distribuição percentual da população residente
de 15 e mais anos de idade, por grupos de anos
de estudo, em determinado espaço geográfico,
no ano considerado
Produto interno
bruto (PIB) per
capita
Valor médio agregado por indivíduo, em moeda
corrente e a preços de mercado, dos bens e
serviços finais produzidos em determinado
espaço geográfico, no ano considerado
Razão de renda
Número de vezes que a renda do quinto
superior da distribuição da renda (20% mais
ricos) é maior do que a renda do quinto inferior
(20% mais pobres) na população residente em
determinado espaço geográfico, no ano
considerado
Proporção de
pobres
Percentual da população residente com renda
familiar mensal per capita de até meio salário
mínimo, em determinado espaço geográfico, no
ano considerado
Taxa de
desemprego
Percentual da população residente
economicamente  ativa que se encontra sem
trabalho na semana de referência, em
determinado espaço geográfico, no ano
considerado
Indicador Conceito
Taxa de trabalho
infantil
Percentual da população residente de 10 a 15
anos de idade que se encontra trabalhando ou
procurando trabalho na semana de referência,
em determinado espaço geográfico, no ano
considerado
Adaptado de RIPSA, 2008. Indicadores de Saúde no Brasil: conceitos e
aplicações. 2ª edição.
Indicadores De Morbidade
Morbidade é um termo genérico utilizado para designar o
conjunto de casos de uma dada doença ou a soma de agravos à
saúde que atingem um determinado grupo. O indicador de
morbidade é de extrema relevância na área da saúde, pois
permite o mapeamento e monitoramento de doenças e auxilia na
tomada de decisões para controle e prevenção das doenças.
Medir morbidade nem sempre é uma tarefa fácil, pois são muitas
as limitações que contribuem para essa dificuldade, como a
subnotificação. Entretanto, a morbidade é comumente
mensurada por meio de indicadores como incidência e
prevalência.
A incidência representa a frequência de novos casos de uma
determinada doença em um mesmo local e período. Por
exemplo: os novos casos diagnosticados de sarampo no
município de Vitória (ES) durante o ano de 2019. Quando há alta
incidência de uma doença em uma determinada região, significa
que aquela população apresenta alto risco de desenvolvimento
da doença.
Por outro lado, a prevalência representa o número total de
indivíduos de uma população que é acometida por uma
determinada doença em um determinado momento. Ela é
considerada uma medida estatística e engloba tanto os casos
novos que ocorreram no período quanto os casos pré-existentes.
Por exemplo: segundo o estudo da VIGITEL (2018), 52,1 % e
18,4 % da população adulta de Vitória (ES) estão com excesso de
peso e obesidade respectivamente. A imagem a seguir caracteriza
o excesso de peso e a obesidade, além dos valores de referências
de acordo com o índice de massa corporal (IMC).
Graças aos estudos dos indicadores de morbidade, é possível
fazer inferência sobre as condições de saúde de uma
determinada população, assim como mapear populações em
risco nutricional, tanto devido a carências quanto a excessos de
nutrientes, assim como realizar estudos de causa/efeito sobre
distúrbios nutricionais e aparecimento de doenças.
Representação do sobrepeso e da obesidade junto aos seus valores
referências segundo o índice de massa corporal (IMC).
4. Vigilância Alimentar E
Nutricional
O monitoramento do estado de saúde da população é
imprescindível para elaboração de programas que objetivam a
prevenção e o tratamento de diversas doenças, assim como para
Os inquéritos nacionais, como a Pesquisa de
Orçamentos Familiares (POF) e o Sistema de Vigilância
de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas
por Inquérito Telefônico (VIGITEL), funcionam como
importantes banco de dados na atuação do nutricionista,
pois auxiliam no monitoramento dos determinantes de
saúde e do estado nutricional de uma população.

Para conhecer mais sobre indicadores e informações em
saúde, não deixe de acessar o site da RIPSA
clicando aqui. O site disponibiliza uma série de
documentos relevantes sobre indicadores de saúde, com
o objetivo de produzir subsídios para políticas públicas
para promoção de saúde.
BRASIL. Ministério da Saúde. Rede interagencial de
informações para a saúde. Indicadores básicos para a
saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília:
OPAS, 2008.

http://www.ripsa.org.br/vhl/indicadores-e-dados-basicos-para-a-saude-no-brasil-idb
a avaliação da eficácia de programas de promoção de saúde já
existentes.
Por muito tempo, existiu um cenário de fome extrema em
diversas regiões do Brasil, em especial, naquelas que possuíam
baixos níveis de economia, educação, desenvolvimento, assim
como desigualdade na distribuição de renda e no acesso aos
alimentos. Contudo, nos últimos 15 anos, esse padrão tem sido
modificado. Hoje, é possível observar a coexistência de
desnutrição e sobrepeso/obesidade em diversos segmentos da
população. Só foi possível ter esse panorama do diagnóstico do
estado nutricional atual da população brasileira devido a ações
de vigilância do estado de saúde. Para tanto, foi necessário um
monitoramento contínuo das informações de saúde da
população brasileira, na perspectiva de identificar as situações
de risco para a saúde do indivíduo e das populações e, com isso,
traçar estratégias para combatê-las.
Nesse sentido, a Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) é
uma valiosaferramenta que auxilia os programas de promoção à
saúde oferecidos pelo governo, juntamente com o Sistema Único
de Saúde (SUS), aumentando a qualidade dos serviços prestados
à população. Ter a possibilidade de identificar, analisar e avaliar
o estado nutricional em nível populacional garante que os
serviços de promoção à saúde sejam executados com a eficiência
necessária, afirmando uma melhor qualidade de vida.
No Brasil, o SISVAN é a ferramenta que busca unificar as
práticas de avaliação e vigilância nutricional em todo o país, para
que seja possível comparar os dados obtidos entre municípios,
estados, regiões e outros estratos pertinentes. Esse sistema foi
institucionalizado pela Portaria nº 1156/MS, de 31 de agosto de
1990, cujo propósitos são: garantir a segurança alimentar
segundo os padrões culturais; detectar e registrar crises
alimentares agudas; acompanhar o crescimento da desnutrição
infantil; alertar o governo sobre medidas de ajustes na economia
relacionadas à nutrição e alimentação.
Utilizar o estado nutricional como forma de avaliação do estado
de saúde da coletividade é um ótimo parâmetro, pois ele reflete a
ação de múltiplos fatores que vão desde a condição de acesso ao
alimento até sua utilização biológica. Com os dados coletados
pelo SISVAN, é possível estabelecer metas que garantam a
qualidade e o acesso dos alimentos a toda população e, assim,
garantir práticas alimentares saudáveis que revertam os
distúrbios nutricionais. Dessa forma, o SISVAN passou a ser
visto como um sistema de caráter social e nutricional.
Objetivos E Atuação Do Sisvan
O SISVAN tem como objetivo catalogar os dados do estado
nutricional da população brasileira e transformá-los em
informações úteis que, posteriormente, serão utilizadas para
tomada de decisão, formulação ou reorientação de políticas
públicas. Ou seja, o SISVAN é uma ferramenta que visa unificar
as informações pertinentes à saúde da população e utilizar essas
mesmas informações para combater e atuar em regiões de risco.
Esse sistema destina-se ao diagnóstico descritivo e analítico da
situação alimentar e nutricional da população brasileira,
servindo de base para compreender a natureza e magnitude das
questões nutricionais, identificando áreas geográficas, setores
sociais ou até mesmo certos grupos populacionais mais
propensos ao desenvolvimento de agravos nutricionais. Outro
objetivo do SISVAN é antecipar situações de risco por meio de
diagnósticos precoces, dessa forma, evitando as consequências
na saúde do indivíduo em relação ao baixo peso ou ao
sobrepeso/obesidade. Portanto, o SISVAN é uma organização
com atividades padronizadas que realiza atividades continuadas
e rotineiras de observação, coleta e análise nos aspectos que
envolvem a produção, a comercialização e o acesso aos
alimentos, assim como o estado nutricional do indivíduo.
O SISVAN atua nas populações assistidas pelo SUS, ou seja, por
indivíduos de qualquer fase do ciclo da vida (criança,
adolescente, adulto, idoso e gestante). Todo atendimento
prestado em Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS),
serviços prestados pelo Programa Saúde da Família (PSF),
Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e outros vinculados aos
SUS servirão de base para fornecer dados que fomentam a
atuação do SISVAN.
Diante dos distúrbios nutricionais existentes na população
brasileira, é indispensável que o acompanhamento do estado
nutricional e das práticas alimentares seja realizado de forma
constante e sistemática, sempre buscando dados fidedignos que
possibilitem planejar e desenvolver ações focadas em melhorias
do perfil epidemiológico e de saúde da população.
Instrumentos De Avaliação Clínico-
Nutricional Com Base No Sisvan
A avaliação clínico-nutricional do SISVAN se dá pela avaliação
do estado nutricional do indivíduo, ou seja, avalia-se o resultado
do equilíbrio entre o consumo de nutrientes e o gasto energético
pelo organismo para suprir as necessidades nutricionais (veja
imagem a seguir). Esse estado nutricional pode ser classificado
em três categorias: Eutrofia (equilíbrio entre consumo e
necessidades nutricionais); Carência Nutricional (insuficiência
quantitativa/qualitativa do consumo de nutrientes em relação às
necessidades biológicas) e Distúrbio Nutricional (excesso ou
desequilíbrio no consumo de nutrientes em relação às
necessidades biológicas).
Equilíbrio entre o consumo de nutrientes e a necessidade nutricional.
O SISVAN adota como método padrão de avaliação do estado
nutricional a avaliação antropométrica. A antropometria é um
método de identificação baseado nas medidas físicas e na
composição corporal do indivíduo. Pode ser realizada em todas
as fases de vida, sendo uma excelente ferramenta diagnóstica e
classificatória. As vantagens de se utilizar esse método é que o
mesmo possui baixo custo para sua aplicação, é relativamente
simples de ser executado, há uma facilidade em padronizar o
método e é não-invasivo. Todas essas características favorecem o
uso dessa ferramenta por todo território brasileiro, não exigindo
equipamentos sofisticados e possuindo uma logística de
utilização fácil independente da região.
A Vigilância Alimentar e Nutricional do SISVAN contempla os
seguintes grupos para avaliação do estado nutricional: Crianças
(menor de 10 anos de idade); Adolescentes (maior ou igual a 10
anos e menor que 20 anos de idade); Adulto (maior ou igual a 20
anos e menor que 60 anos de idade); Idoso (maior ou igual a 60
anos de idade) e Gestantes (mulher com idade maior que 10 anos
e menor que 60 anos). Dentre essa população, os dados
coletados são divididos em duas categorias: Dados de
identificação (data de nascimento e sexo) e Dados
antropométricos (Peso, altura e circunferência de membros). É
importante ressaltar que cada fase do ciclo da vida possui
referências e pontos de cortes diferenciados e específicos para
cada grupo.
O SISVAN utiliza a recomendação de índices antropométricos da
Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.
Para o grupo das Crianças, os índices de avaliação
antropométrica são: Peso/Idade; Altura/Idade; Peso/Altura. O
grupo dos Adolescentes utiliza o IMC Percentilar. No grupo dos
Adultos, utiliza-se IMC e Relação Cintura/Quadril. Para os
Idosos, utiliza-se o IMC e, por fim, para as Gestantes, utiliza-se o
IMC por semana gestacional. Os valores encontrados nessas
coletas são, então, comparados a gráficos pré-existentes que
classificam os indivíduos em relação ao seu estado nutricional
dependendo dos resultados.
O processo de avaliação e tratamento do estado nutricional
segue 4 etapas, dentre elas: 1ª etapa – Coleta de dados e
produção de informações; 2ª etapa – Análise e decisão; 3ª etapa
– Ação e 4ª etapa – Avaliação.
A primeira etapa consiste em coletar os dados e produzir as
informações coletadas. Nela, utilizam-se ferramentas de
obtenção dos dados antropométricos e dietéticos, para gerar
informações sobre o estado nutricional e as práticas alimentares.
 A segunda etapa tem como objetivo identificar as necessidades e
prioridades de saúde a partir dos resultados da etapa 1. A análise
é realizada individual e coletivamente, considerando os fatores
que colocam em risco a saúde do indivíduo, pois somente assim
é possível tomar uma decisão diante de um diagnóstico
nutricional. A terceira etapa parte para a ação do cuidado
nutricional diante dos problemas identificados. Realiza-se um
aconselhamento nutricional e de saúde, estabelecendo metas
para o paciente. Dependendo da gravidade da situação, agenda-
se uma consulta com os profissionais de saúde necessários. Em
alguns casos, são realizadas oficinas para a população alvo que
promovam atividades de educação nutricional e alimentar, assim
como a prática de atividade física. Na quarta etapa, são avaliadas
as ações desenvolvidas nas etapas anteriores para melhoria da
saúde do indivíduo ou da população. É importante apontar as
dificuldades e a necessidade de adequaçõesde necessidades, a
fim de garantir que as ações planejadas sejam executadas de
forma eficiente e eficaz.
Por fim, é importante destacar que a vigilância alimentar e
nutricional é incluída na rotina dos estabelecimentos públicos de
saúde. Cabe aos profissionais de saúde a coleta dos dados, a
análise dos indicadores obtidos e o registro desses dados. Essas
informações subsidiam o planejamento e o gerenciamento de
ações para melhorar o estado nutricional e os padrões de
consumo alimentar individual e coletivo.
Para conhecer mais sobre o SISVAN, não deixe de
conferir o material disponível no site do Ministério da
Saúde clicando aqui. O material inclui detalhes sobre as
avaliações antropométricas, pontos de cortes, gráficos e
tabelas de referência para a avaliação e classificação dos
indivíduos.

http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/orientacoes_basicas_sisvan.pdf
5. Conclusão
A avaliação nutricional é uma ferramenta fundamental para o
diagnóstico do estado de saúde de indivíduos e coletividades.
Neste sentido, este tópico procurou mostrar os diversos métodos
que possibilitam uma investigação minuciosa, a qual consegue
obter medidas e informações relevantes do paciente, a partir da
coleta de dados antropométricos, clínicos, bioquímicos e
dietéticos, além da compreensão de seu contexto de vida com
base nos indicadores de saúde, os quais contribuem para a
vigilância alimentar e nutricional.
Neste momento, você será capaz de apontar os métodos corretos
de avaliação nutricional e de interpretar e julgar os dados
relevantes aos fatores biológicos e sociais que envolvem a
vulnerabilidade ao desenvolvimento de distúrbios nutricionais
do paciente. Associado a isso, as ferramentas de vigilância
alimentar e nutricional traduzem a situação nutricional da
população brasileira, fortalecendo a conduta do profissional de
nutrição. 
Neste sentido, podemos concluir que o estado nutricional é o
resultado do equilíbrio entre as necessidades do organismo e o
consumo de alimentos, sendo este último influenciado pelo
posicionamento do indivíduo e seu grupo na sociedade.
6. Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Orientações para a coleta e
análise de dados antropométricos em serviços de
saúde. Norma Técnica do Sistema de Vigilância
Alimentar e Nutricional – SISVAN. 1ª ed. Brasília:
Ministério da Saúde, 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância Alimentar e
Nutricional – SISVAN. Orientações básicas para a
coleta, o processamento, a análise dos dados e a
informação em serviços de saúde. 1ª ed. Brasília: OPAS,
2004.
CUPPARI, Lilian. Guia de nutrição: nutrição clínica no
adulto. 2. ed. Barueri: Manole, 2009.
KAC, Gilberto; SICHIERI, Rosely; GIGANTE, Denise
Petrucci. Epidemiologia nutricional. Rio de Janeiro, RJ:
Fiocruz: Atheneu, 2007.
Ministério da Saúde. SISVAN, 2004. Orientações básicas
para a coleta, o processamento, a análise dos dados e a
informação em serviços de saúde..
Disponível em
Ministério da Saúde. Vigitel Brasil,
2019. Vigilância de fatores de risco e proteção para
doenças crônicas por inquérito telefônico. Disponível em:
.
MUSSOI, Thiago Durand. Avaliação nutricional na prática
clínica: da gestação ao envelhecimento. 1ª ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
REDE Interagencial de Informação para a Saúde –
RIPSA. Indicadores básicos para a saúde no 
Brasil: conceitos e aplicações. 2ª ed. – Brasília:
Organização Pan-Americana da Saúde, 2008.
RIPSA. Biblioteca Virtual em Saúde, 2008. Rede
interagencial de informações para a saúde. Indicadores
básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações.
http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/orientacoes_basicas_sisvan.pdf
http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/orientacoes_basicas_sisvan.pdf
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-brasil-2018.pdf
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-brasil-2018.pdf
Disponível em: .
VASCONCELOS, Francisco de Assis Guedes. Avaliação
nutricional de coletividades. 4ª ed. Florianópolis: Ed.
UFSC, 2008.
YouTube. (2015, Fevereiro, 26). Canal Saúde Oficial. Sala de
Convidados – Pesquisa Nacional de Saúde e
Alimentação. 55m55. Disponível em:
.
 
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