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CADEIAS 
PRODUTIVAS DO 
AGRONEGÓCIO II
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Conceituar o sistema agroindustrial (SAG).
 > Relacionar a visão sistêmica ao agronegócio.
 > Apontar exemplos de sistemas em agronegócios.
Introdução
Os sistemas agroindustriais (SAGs) são compostos de setores que com-
partilham o objetivo de produzir, transformar e entregar, ao consumidor, 
um produto de qualidade. No entanto, para torná-los mais competitivos, ágeis 
e modernos, é necessário conhecer toda a sua estrutura e as inter-relações 
necessárias ao desenvolvimento de estratégias mercadológicas que favoreçam 
o seu desempenho. 
Neste capítulo, serão definidos os principais conceitos relativos aos SAGs e 
explicada a importância de uma visão sistêmica na coordenação das atividades 
agroindustriais. Além disso, serão fornecidos exemplos de SAGs aplicados.
O que é um sistema agroindustrial?
Para entender no que consiste um SAG, é necessário, antes de mais nada, 
definir o termo sistema. Segundo o Dicionário Aurélio (FERREIRA, 2014), sistema 
é a categorização de um conjunto de elementos de acordo com uma ordem 
Sistemas 
agroindustriais
Bruna Lana Campanenute Soares
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
determinada. Além disso, é preciso elucidar o termo agronegócio, além de 
definir os seus componentes e diferenciá-los.
O termo agronegócio foi idealizado por John Davis e Ray Goldberg (1957), 
sendo caracterizado pelo conjunto de operações de produção, transformação e 
distribuição de produtos agropecuários até o consumidor final. Erroneamente, 
vem sendo utilizado como sinônimo de agricultura intensiva, em grandes áreas, 
embora também inclua a agricultura familiar e o cultivo orgânico. É composto 
por uma rede de agentes econômicos, não caracterizada exclusivamente 
pela agricultura, formando um SAG, que se divide em cadeias produtivas. 
Por consequência, exige uma logística entre indústria, produção agropecuária 
e mercado. A logística engloba muito mais do que apenas o transporte de 
mercadorias, sendo caracterizada pelo conjunto de atividades que envolvem 
o planejamento, a execução e o controle do transporte, da gestão e do arma-
zenamento de produtos e matérias-primas.
Em 1993, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) 
diferenciou o sistema agroalimentar (SAA) e o SAG não alimentar. 
O SAA produz e distribui produtos visando à alimentação. Por sua vez, o sistema 
não alimentar envolve a produção de itens com fins energéticos, madeireiros, 
calçadistas, papeleiro, etc., ou seja, sem função alimentar (ARAÚJO, 2010).
Nesse contexto, um SAG é definido pelas relações entre as atividades 
que possibilitam que a produção agroindustrial, passando por diversos ní-
veis entre os agentes ou elementos institucionais que a compõem, gere um 
produto. Assim, reúne um conjunto de cadeias produtivas desde a produção 
da matéria-prima até o consumidor final, envolvendo setores responsáveis 
por etapas que vão desde a produção de insumos (defensivos agrícolas, 
fertilizantes, sementes e mudas, rações, medicamentos, embalagens, etc.) 
até a entrega do item (leite, ovos, massas, etc.). 
Sistemas agroindustriais2
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
Um SAG não é caracterizado por uma matéria-prima específica (BA-
TALHA, 2001), possibilitando a compreensão das relações verticais de 
produção ao longo das cadeias produtivas e suportando a formulação de políticas 
públicas e estratégias mercadológicas (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). 
Na Figura 1, é apresentado um esquema genérico de um SAG, ilustrando 
o fluxo de produtos e de informações.
Figura 1. Esquema geral de um SAG com o fluxo de produtos e de informações.
Fonte: Zylbersztajn (1995, apud NASSAR, 2001, p. 81).
Ambiente institucional: cultura, tradições, educação, costumes
Insumos
Agricul-
tura
Indús-
tria
Atacado Varejo
Consu-
midor
Ambiente organizacional: associações, informação, pesquisa, �nanças,
cooperativas, �rmas
Representa o �uxo de produtos
Representa o �uxo de informações,
estímulos e controles
A cadeia produtiva, parte de um SAG, consiste no conjunto de atividades 
econômicas envolvidas na produção de uma certa mercadoria. Essas ativi-
dades se iniciam com a produção da matéria-prima e estendem-se às etapas 
de distribuição e comercialização do produto, com foco em um único (por 
exemplo, a cadeia produtiva do leite, de suínos e de soja). O seu esquema 
geral é apresentado na Figura 2.
Sistemas agroindustriais 3
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
Figura 2. Modelo geral da cadeia produtiva.
Fonte: Adaptada de Zylbersztajn (1994, apud ABREU; FAORO, 2016, documento on-line).
Ambiente institucional
Ambiente organizacional
Fo
rn
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ed
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e 
in
su
m
os
Propriedade
agrícola
Sistemas
produtivos
SP1
SP2
SPN
Processa-
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agro-
industrial
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do
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ns
um
id
or
As instituições e as organizações do agronegócio podem ser divididas 
em três categorias: 
1. energia ou insumos, que geram e transmitem energia no estágio inicial 
do sistema, como fornecedores de insumos, agentes financeiros, centros 
de pesquisa e experimentação, entidades de fomento e assistência 
técnica;
2. operacionais ou de produção, que manipulam e impulsionam o pro-
duto fisicamente pelo sistema, como produtores, processadores, 
distribuidores; 
3. mecanismos coordenadores, que regulamentam a interação e a in-
tegração entre os diferentes segmentos do sistema, como governo, 
contratos comerciais, mercados futuros, sindicatos e associações.
Correntes metodológicas de análise
O SAG tem elevado nível de dependência entre os setores. Então, para a sua 
correta coordenação, exige a análise de todas as relações entre os setores 
agrícola (antes, dentro e depois da porteira), industrial e de serviços e as 
políticas públicas, bem como das suas influências na atividade produtiva 
(ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). 
Sistemas agroindustriais4
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
Veja, a seguir, o que significam os termos antes da porteira, dentro 
da porteira e depois da porteira, utilizados no SAG.
 � Antes da porteira: é tudo o que é necessário para a produção agrícola e não 
está na fazenda, como sementes, mudas, rações, bezerros, pintinhos, adubos, 
medicamentos, maquinários, etc.
 � Dentro da porteira: é considerado tudo que se refere à produção e é realizado 
dentro da propriedade, como plantio, manejo, colheita, mão de obra, etc. 
 � Depois da porteira: são todos os processos realizados depois do processo de 
produção, depois que o produto saiu da propriedade, como beneficiamento, 
armazenagem, distribuição e consumo.
Além de serem direcionadas à formulação de estratégias empresariais e 
políticas, como políticas de preços mínimos, reforma agrária e políticas de 
segurança alimentar, as análises de um SAG se baseiam em diferentes enfo-
ques, como o conceito de sistema de commodities agribusiness, que enfatiza 
a coordenação, originária da escola americana, e o conceito filière, da escola 
francesa, que aborda as relações tecnológicas. Esses dois enfoques possibi-
litam o embasamento de discussões sobre ferramentas de gerenciamento, 
resultando no aumento da eficiência das cadeias produtivas, na avaliação das 
relações entre os seus agentes e no questionamento da distinção tradicional 
dos setores.
Davis e Goldberg (1957) definiram agribusiness como o conjunto de 
todas as operações e transações envolvidas desde a fabricação dos 
insumos agropecuários e das operações de produção nas unidades agropecuárias 
até o processamento, a distribuição e o consumo dos produtos agropecuários 
in natura ou processados.
Ambas as análises mencionadas realizam cortes verticais no sistema 
econômico, dividindo-o em setores para que seja possível estudar o funcio-
namento de um SAG, seguindo etapas sucessivas e lógicasde produção. Elas 
também consideram a análise pelo ponto de vista dinâmico, diferenciando-se 
em relação à importância dada ao consumidor final e ao ponto pelo qual 
Sistemas agroindustriais 5
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
iniciam o exame, se pelo produto (a montante, análise de filière) ou pela 
matéria-prima (a jusante, commodity system approach [CSA]) (BATALHA, 2001).
Você já ouviu falar em elo vertical e elo horizontal? Elo vertical 
está relacionado com o contrato de compra ou os diferentes níveis 
do processo de comercialização, envolvendo produtores, beneficiadores e 
fornecedores de insumos, de um lado, e produtores, beneficiadores e comer-
ciantes, distribuidores e consumidores, de outro. Já o elo horizontal é o vínculo 
multilateral nas estruturas socioprodutivas locais ou regionais que abrangem 
produtores e beneficiadores, formando associações e cooperativas. Assim, 
ultrapassa as cadeias de produção, comercialização e consumo, alcançando 
diferentes instituições.
Análise do sistema agropecuário
Sistemas dos complexos agroindustriais
O commodity system approach (CSA), ou sistema de commodities, em portu-
guês, teve origem nos Estados Unidos, na Universidade de Harvard, por meio 
dos estudos de John Davis e Ray Goldberg. Em 1957, eles observaram que a 
agricultura não poderia mais ser caracterizada de forma individualizada do 
restante do sistema de produção, enfocando o sistema de um único produto 
e os fatores que influenciam as flutuações da renda agrícola (ZYLBERSZTAJN; 
NEVES; CALEMAN, 2015).
Esse sistema pode ser definido pelo conjunto de operações de produção 
que englobam todos os atores envolvidos, como o mercado de insumos, 
a produção agrícola, as operações de estocagem, o processamento, a dis-
tribuição por meio de atacados e varejos, e as instituições envolvidas na 
produção do produto e na entrega ao consumidor final. Essas operações 
também englobam as instituições que coordenam os estágios sucessivos do 
fluxo de mercadorias, como as instituições governamentais, os mercados 
futuros e as associações de comércio.
Sistemas agroindustriais6
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
O complexo agroindustrial (CAI), parte do sistema, é o conjunto de 
processos agrícolas, de processamentos industriais e comerciais 
interdependentes, aplicados a uma determinada matéria-prima agrícola de base, 
como, por exemplo, centeio, trigo, milho ou leite, que resultam em diferentes 
produtos destinados ao consumidor final (BATALHA, 2001).
O CSA se baseia em uma abordagem metódica dos agronegócios, utilizando 
a ferramenta visão sistêmica, cuja base teórica é a economia neoclássica. 
O foco é no paradigma estrutura-conduta-desempenho, e os trabalhos des-
locaram a análise de dentro para fora da porteira, considerando a produção 
agrícola como parte da economia. Para os seus estudos, foram utilizados os 
sistemas de produção de laranja, de trigo e de soja (GOLDBERG, 1968).
Assim, a principal característica do CSA é a realização, ao longo do tempo, 
de mudanças tecnológicas que obedecem a uma sequência lógica de trans-
formações da matéria-prima até o consumidor final, reforçando o seu caráter 
sistêmico. Não é caracterizado, portanto, como uma análise institucional, 
mas considera dois níveis de agregação: o nível da firma e os ambientes ma-
croeconômico e institucional, que interferem na capacidade de coordenação 
do sistema. 
Visão sistêmica
A visão sistêmica tem o objetivo de analisar as relações entre os elos do 
sistema, conhecidos como:
 � subsistema de apoio e suprimento à produção agropecuária;
 � subsistema de produção agropecuária, que envolve produtores e em-
presas rurais;
 � subsistema de transformação de produtos;
 � subsistema de armazenamento;
 � subsistema de distribuição;
 � subsistema de consumo.
Em alguns casos, também há os subsistemas de serviços complementares, 
que podem auxiliar na comercialização dos itens gerados. Entre eles, estão a 
publicidade, a bolsa de mercadorias e as políticas públicas, que auxiliam no 
desenvolvimento da cadeia (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015).
Sistemas agroindustriais 7
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
Para o desenvolvimento dessa visão em um SAG, é necessário que todos 
que fazem parte do sistema tenham consciência da sua importância e que o 
gestor conheça cada seção e compreenda as principais tarefas, as responsa-
bilidades, os processos desenvolvidos e o funcionamento na sua totalidade. 
Desse modo, ao planejar ou desenvolver uma atividade em um setor, saberá 
como executá-la da melhor forma possível, prevendo os impactos às demais 
cadeias. Ao realizar essa análise, é necessário observar a comunicação entre 
as partes, pois, caso seja ineficiente, o desempenho da cadeia será afetado, 
resultando na desagregação do sistema (BATALHA, 2001). 
O amplo conhecimento do sistema possibilita que todos que a compõem 
reconheçam a importância de cada setor envolvido, bem como os seus proces-
sos. Assim, estarão capacitados a melhorar o seu desempenho, contribuindo 
com o desenvolvimento e aumentando a eficiência de cada área. Esse conhe-
cimento também contribui no processo de tomadas de decisão, tornando-as 
mais estratégicas e assertivas.
A correção mais rápida de falhas e a redução dos imprevistos são 
consideradas vantagens da visão sistêmica. Cada seção identifica 
melhor os erros, o que facilita o processo de correção por meio de estratégias 
corporativas, sem prejudicar as cadeias envolvidas. Quando não há a identifica-
ção da origem das falhas, o erro é considerado exclusivo de um setor, fazendo 
os problemas serem resolvidos de forma superficial e as situações-problema 
voltarem a acontecer. Isso poderia ser evitado se fosse revisado o fluxo de 
processos e fossem identificados os responsáveis.
Na realização das atividades com uma visão mais ampla, os gestores do 
SAG conseguem fazer um planejamento a longo prazo, com maior precisão na 
previsão de tendências de mercado. Isso possibilita a expansão do sistema e 
a ampliação das cadeias, inovando constantemente e atendendo a demanda 
do mercado.
Sistemas agroindustriais8
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
Análise de filière
Durante a década de 1960, como contraponto ao modo como eram estudados 
os fenômenos de integração ou semi-integração no segmento agroalimentar, 
desenvolveu-se, na escola industrial francesa, a análise de filière. Mesmo que 
ela não tenha sido criada especificamente para a agroindústria, foi adaptada 
e utilizada por economistas agrícolas e pesquisadores ligados aos setores 
rural e agroindustrial. 
A palavra foi traduzida para o português como cadeia de produção. Na área 
do setor agroindustrial, foi chamada de cadeia de produção agroindustrial ou, 
simplesmente, cadeia agroindustrial. Ela é entendida pela sucessão de ativida-
des ligadas verticalmente com o objetivo de produzir bens e é influenciada pela 
fronteira de possibilidades ditadas pela tecnologia, definindo estratégias de 
maximização dos lucros. As relações entre os seus agentes são independentes 
ou complementares e determinadas por hierarquia. Essa análise possibilita 
descrever toda a cadeia e analisar políticas e estratégias mercadológicas que 
permitem a valorização dos meios de produção, assegurando a articulação 
das operações (ARAÚJO, 2010; BATALHA, 2001).
Para Morvan (1991), a análise de filière consiste em uma sequência de 
operações de transformação inerente à produção de bens, em que a articu-
lação dessas operações é muito influenciada pelo estado das técnicas e das 
tecnologias em curso e definida pelas estratégias próprias dos agentes que 
buscam valorizar o seu capital. Disso, decorre uma análise mesoeconômica. 
Nesse contexto, a cadeia de produção se refere a uma sucessão de ope-
rações de transformação dissociáveis, capazes de ser separadas e ligadas 
entre si por um encadeamento técnico. Devem ser considerados, também, as 
relações comerciais e financeiras estabelecidasentre todos os estados de 
transformação e um fluxo de troca situado a montante, nos seguintes três 
macrossegmentos, que podem ou não ser facilmente identificáveis: 
1. comercialização;
2. industrialização;
3. produção de matérias-primas.
As suas características são apresentadas na Figura 3.
Sistemas agroindustriais 9
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
Figura 3. Características dos macrossegmentos da análise de filière.
Comercialização Empresas que estão em contato com o cliente �nal de 
produção e comércio de produtos �nais.
Industrialização Empresa responsável pelo processamento das 
matérias-primas.
Produção de
matérias-primas
Fornecedores de matérias-primas que serão 
processadas.
Em 1985, Labonne conceituou filière como o conjunto de ligações que 
envolvem as organizações na produção de um determinado bem de origem 
agrícola, transferindo a análise para a contextualização da complexa realidade 
na qual essas ligações ocorrem. No ano de 1991, Rainelli et al. (1991) defenderam 
as diversas interpretações para filière e as agruparam em cinco concepções:
1. dimensão técnica das operações envolvidas;
2. estratégias dos agentes econômicos; 
3. pesquisa de coerência do sistema produtivo; 
4. relações entre os estados de produção, com o objetivo de localizar os 
segmentos mais expostos às estratégias dos atores que controlam 
melhor o mercado final;
5. modalidade de corte do sistema produtivo, fazendo referência às re-
lações matriciais do sistema econômico. 
Sistemas agroindustriais10
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
Na visão de Montigaud (1992), a filière não pode ser considerada 
um instrumento de análise econômica nem uma metodologia para 
observar o comportamento das empresas. Na sua visão, ela constitui o campo 
de observação multidisciplinar das empresas, das instituições e dos mecanismos 
que as ligam, sendo conceituada como um conjunto de atividades imbricadas, 
ligadas verticalmente por pertencerem a um mesmo produto, cuja finalidade é 
satisfazer os seus consumidores (ABREU; FAORO, 2016).
As especificidades dessa análise a fazem ser considerada uma aborda-
gem mesoanalítica, pois não estuda a unidade (micro) nem o global (macro), 
além de não considerar somente os elos entre os agentes, mas as relações 
complexas, possibilitando uma análise mais profunda.
Na conceitualização de Fávero (1996), cada filière comporta uma certa 
variedade de atores, de estratégias e de dinâmicas, estabelecendo uma 
diversidade de dispositivos e de regulamentações, coordenada pelas grandes 
firmas. Assim, os atores se organizam de forma hierárquica e criam relações 
de subordinação. A análise de filière, portanto, focaliza a sequência de trans-
formação pela qual passa a matéria-prima, considerando a importância da 
coordenação dos sistemas na elaboração de estratégias relevantes no papel 
da tecnologia, com enfoque na dependência intersetorial. 
Mesoanálise
A mesoanálise é definida como a análise estrutural e funcional de interdepen-
dência dos subsistemas dentro de um sistema integrado e interdependente, 
com análise da cadeia a jusante e dentro de um sistema produtivo agroindus-
trial (BATALHA, 2001; MORAES, 2013). Segundo ela, a cadeia está inserida em 
um contexto amplo de atividades, incluindo fornecedores, que proporcionam 
insumos, passando pelos canais de distribuição, até atingir o comprador final, 
conectando as atividades dentro da empresa com o pessoal externo. 
Segundo Batalha (2001), a cadeia de produção agroindustrial pode 
ser segmentada de jusante (sentido da correnteza em um curso de 
água da nascente para a foz, ou seja, da matéria-prima para o cliente final) a 
montante (sentido da foz para o lado da nascente, ou seja, do cliente para os 
seus fornecedores). 
Sistemas agroindustriais 11
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
A mesoanálise tem o objetivo de apresentar informações que as análises 
micro e macroeconômica não conseguem fornecer, pois a primeira estuda o 
comportamento individual dos agentes econômicos, familiares e de empre-
sas, enquanto a segunda explica o funcionamento do todo, considerando 
somente os agregados econômicos (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). 
Assim, é realizada de forma estrutural, combinando a teoria da micro com a 
da macroeconomia para explicar o funcionamento das partes. É, portanto, 
de grande importância para a articulação entre as empresas, o Estado e a 
sociedade, bem como para a geração de sinergia e de competitividade in-
dustrial e regional, formando redes de melhorias nos sistemas de inovação 
(ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). 
A microeconomia estuda as unidades de base da economia, ob-
servando entidades específicas, como empresas e consumidores. 
Por sua vez, a macroeconomia analisa a economia em um sentido amplo, lidando 
com fatores que afetam os seus âmbitos nacional, regional ou global.
A abordagem teórica no campo da mesoanálise apresenta as próprias 
especificidades e deve constituir-se de metodologias apropriadas para análise 
e estudo. Não tem enfoque nas políticas seletivas, removendo os entraves 
específicos para as empresas, e envolve a infraestrutura (transportes, te-
lecomunicações e energia) que afeta a competitividade das organizações, 
a criação de políticas dirigidas à pesquisa ou à tecnologia, a formulação de 
políticas comerciais e os sistemas normativos (normas ambientais, técnicas 
e de segurança).
Para o setor agroalimentar, os ativos específicos para a produção geram 
uma relação específica de proximidade com o consumidor em relação ao 
produto consumido, tornando-se o mais importante dos setores. Essa pro-
ximidade influencia a avaliação da qualidade dos produtos pelo consumidor, 
possibilitando que as características de origem da mercadoria, relacionadas 
ao ambiente e à identidade cultural da organização, influenciem a sua escolha. 
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Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
Estudos de caso
Em estudo sobre a cadeia produtiva da maçã para o consumo in natura no 
Brasil, com concentração nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, 
Abreu e Faoro (2016) relataram 17 formas de estruturação da cadeia, desde 
a produção das mudas até a venda. Mesmo que não tenha sido incluída a 
industrialização da maçã, é possível observar que a análise de forma integrada 
verticalmente é o modelo ideal, observando a participação na produção, na 
armazenagem, na classificação e na embalagem das frutas. Foi verificado que 
a consignação é a melhor forma de comercialização, pois minimiza os riscos 
e viabiliza maiores ganhos (ABREU; FAORO, 2016). A sua cadeia é estruturada 
conforme ilustra a Figura 4.
Figura 4. Estrutura da cadeia produtiva da maçã.
Fonte: Adaptada de Abreu e Faoro (2016, documento on-line).
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Nessa cadeia produtiva, é possível observar a segmentação formal dos 
processos, que, na prática, são coordenados pela mesma organização. 
É possível encontrar empresas que atuam ao longo de toda a cadeia ou so-
mente na produção vegetal.
Sistemas agroindustriais 13
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
No setor da avicultura, importante setor para a economia nacional e grande 
gerador de empregos, Cielo, Rocha Júnior e Sanches-Canevesi (2019) inves-
tigaram os impactos socioeconômicos da produção de frango de corte na 
mesorregião do Oeste paranaense, identificando o perfil e as características 
dos seus agentes. Eles concluíram que a atividade é conduzida, em grande 
parte, por pequenos produtores, que a exercem por meio do estabelecimento 
de contrato de produção com a agroindústria pelo sistema de integração. Isso 
proporciona a obtenção de renda em um menor período, em comparação com 
a produção de grãos, e possibilita o aproveitamento da mão de obra familiar.
Aoavaliar o processo de industrialização de carne mecanicamente se-
parada, Barreto, Barreto e Andrade (2019) objetivaram conhecer as etapas 
de produção com foco nas inovações tecnológicas. Para isso, estudaram 
a produção de novos produtos ou a melhoria dos existentes, a partir de 
subprodutos ou resíduos, como o processo produtivo da agroindústria de 
nuggets, linguiça e salsicha (Figura 5).
Figura 5. Fluxograma de produção de nuggets, salsicha e linguiça.
Fonte: Adaptada de Barreto, Barreto e Andrade (2019, documento on-line).
CMS
Nuggets
(a)
Salsicha
(b)
Picagem e moagem das matérias
primas
Pesagem e seleção de matérias-
primas e ingredientes
Adição de aditivos e mistura
da massa
Cura
Embutimento da massa
Embalamento
Posicionamento
Linguiça
(c)
Massageamento (4°)
Com a aplicação da visão sistêmica, verificou-se que, por meio da utilização 
de tecnologias, é possível produzir novos produtos alimentícios de qualidade, 
com sabor diferenciado, que têm uma grande aceitação pelo consumidor final 
(desde que apresentem facilidade na preparação doméstica).
Sistemas agroindustriais14
Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1
A importância de realizar uma análise do SAG consiste em conhecer o 
sistema e melhorar a execução dos processos por cada agente, facilitando 
o gerenciamento de toda a cadeia, independentemente de o foco estar na 
matéria-prima ou no seu consumidor. No caso da cadeia produtiva da maçã, 
observa-se como é feita a segmentação vertical do sistema e como são as 
relações de mercado entre o produtor e a indústria. No caso da avicultura, 
observa-se a importância do consumidor na análise da cadeia de carne me-
canicamente separada.
A especificidade de cada cadeia torna as atividades de um SAG complexas, 
exigindo um coordenador preparado e conhecedor de cada etapa. Só assim 
será garantido um bom desempenho econômico da cadeia, reduzindo custos, 
perdas e conflitos, e possibilitando, por consequência, a lucratividade de 
todos os agentes envolvidos.
Referências
ABREU, M. F.; FAORO, R. R. Análise da verticalização da cadeia produtiva da maçã. 
Revista Espacios, v. 37, n. 38, 2016. Disponível em: https://www.revistaespacios.com/
a16v37n38/16373817.html. Acesso em: 06 dez. 2019.
ARAÚJO, M. J. Fundamentos de agronegócio. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
BARRETO, M. E. Z.; BARRETO, M. Z.; ANDRADE, M. A. R. Gestão das inovações na formulação 
de produtos derivados da carne de aves. REASU — Revista Eletrônica de Administração 
da Universidade Santa Úrsula, v. 4, n. 1, 2019. Disponível em: http://revistas.icesp.br/
index.php/REASU/article/download/784/561. Acesso em: 06 dez. 2019.
BATALHA, M. O. (coord.). Gestão agroindustrial 1. São Paulo: Atlas, 2001. (Coleção Grupo 
de Estudos e Pesquisas Agroindustriais). 
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