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CADEIAS PRODUTIVAS DO AGRONEGÓCIO II Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Conceituar o sistema agroindustrial (SAG). > Relacionar a visão sistêmica ao agronegócio. > Apontar exemplos de sistemas em agronegócios. Introdução Os sistemas agroindustriais (SAGs) são compostos de setores que com- partilham o objetivo de produzir, transformar e entregar, ao consumidor, um produto de qualidade. No entanto, para torná-los mais competitivos, ágeis e modernos, é necessário conhecer toda a sua estrutura e as inter-relações necessárias ao desenvolvimento de estratégias mercadológicas que favoreçam o seu desempenho. Neste capítulo, serão definidos os principais conceitos relativos aos SAGs e explicada a importância de uma visão sistêmica na coordenação das atividades agroindustriais. Além disso, serão fornecidos exemplos de SAGs aplicados. O que é um sistema agroindustrial? Para entender no que consiste um SAG, é necessário, antes de mais nada, definir o termo sistema. Segundo o Dicionário Aurélio (FERREIRA, 2014), sistema é a categorização de um conjunto de elementos de acordo com uma ordem Sistemas agroindustriais Bruna Lana Campanenute Soares Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 determinada. Além disso, é preciso elucidar o termo agronegócio, além de definir os seus componentes e diferenciá-los. O termo agronegócio foi idealizado por John Davis e Ray Goldberg (1957), sendo caracterizado pelo conjunto de operações de produção, transformação e distribuição de produtos agropecuários até o consumidor final. Erroneamente, vem sendo utilizado como sinônimo de agricultura intensiva, em grandes áreas, embora também inclua a agricultura familiar e o cultivo orgânico. É composto por uma rede de agentes econômicos, não caracterizada exclusivamente pela agricultura, formando um SAG, que se divide em cadeias produtivas. Por consequência, exige uma logística entre indústria, produção agropecuária e mercado. A logística engloba muito mais do que apenas o transporte de mercadorias, sendo caracterizada pelo conjunto de atividades que envolvem o planejamento, a execução e o controle do transporte, da gestão e do arma- zenamento de produtos e matérias-primas. Em 1993, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) diferenciou o sistema agroalimentar (SAA) e o SAG não alimentar. O SAA produz e distribui produtos visando à alimentação. Por sua vez, o sistema não alimentar envolve a produção de itens com fins energéticos, madeireiros, calçadistas, papeleiro, etc., ou seja, sem função alimentar (ARAÚJO, 2010). Nesse contexto, um SAG é definido pelas relações entre as atividades que possibilitam que a produção agroindustrial, passando por diversos ní- veis entre os agentes ou elementos institucionais que a compõem, gere um produto. Assim, reúne um conjunto de cadeias produtivas desde a produção da matéria-prima até o consumidor final, envolvendo setores responsáveis por etapas que vão desde a produção de insumos (defensivos agrícolas, fertilizantes, sementes e mudas, rações, medicamentos, embalagens, etc.) até a entrega do item (leite, ovos, massas, etc.). Sistemas agroindustriais2 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 Um SAG não é caracterizado por uma matéria-prima específica (BA- TALHA, 2001), possibilitando a compreensão das relações verticais de produção ao longo das cadeias produtivas e suportando a formulação de políticas públicas e estratégias mercadológicas (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). Na Figura 1, é apresentado um esquema genérico de um SAG, ilustrando o fluxo de produtos e de informações. Figura 1. Esquema geral de um SAG com o fluxo de produtos e de informações. Fonte: Zylbersztajn (1995, apud NASSAR, 2001, p. 81). Ambiente institucional: cultura, tradições, educação, costumes Insumos Agricul- tura Indús- tria Atacado Varejo Consu- midor Ambiente organizacional: associações, informação, pesquisa, �nanças, cooperativas, �rmas Representa o �uxo de produtos Representa o �uxo de informações, estímulos e controles A cadeia produtiva, parte de um SAG, consiste no conjunto de atividades econômicas envolvidas na produção de uma certa mercadoria. Essas ativi- dades se iniciam com a produção da matéria-prima e estendem-se às etapas de distribuição e comercialização do produto, com foco em um único (por exemplo, a cadeia produtiva do leite, de suínos e de soja). O seu esquema geral é apresentado na Figura 2. Sistemas agroindustriais 3 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 Figura 2. Modelo geral da cadeia produtiva. Fonte: Adaptada de Zylbersztajn (1994, apud ABREU; FAORO, 2016, documento on-line). Ambiente institucional Ambiente organizacional Fo rn ec ed or es d e in su m os Propriedade agrícola Sistemas produtivos SP1 SP2 SPN Processa- mento agro- industrial Co m er ci al iz aç ão at ac ad ist a Co m er ci al iz aç ão va re jis ta M er ca do co ns um id or As instituições e as organizações do agronegócio podem ser divididas em três categorias: 1. energia ou insumos, que geram e transmitem energia no estágio inicial do sistema, como fornecedores de insumos, agentes financeiros, centros de pesquisa e experimentação, entidades de fomento e assistência técnica; 2. operacionais ou de produção, que manipulam e impulsionam o pro- duto fisicamente pelo sistema, como produtores, processadores, distribuidores; 3. mecanismos coordenadores, que regulamentam a interação e a in- tegração entre os diferentes segmentos do sistema, como governo, contratos comerciais, mercados futuros, sindicatos e associações. Correntes metodológicas de análise O SAG tem elevado nível de dependência entre os setores. Então, para a sua correta coordenação, exige a análise de todas as relações entre os setores agrícola (antes, dentro e depois da porteira), industrial e de serviços e as políticas públicas, bem como das suas influências na atividade produtiva (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). Sistemas agroindustriais4 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 Veja, a seguir, o que significam os termos antes da porteira, dentro da porteira e depois da porteira, utilizados no SAG. � Antes da porteira: é tudo o que é necessário para a produção agrícola e não está na fazenda, como sementes, mudas, rações, bezerros, pintinhos, adubos, medicamentos, maquinários, etc. � Dentro da porteira: é considerado tudo que se refere à produção e é realizado dentro da propriedade, como plantio, manejo, colheita, mão de obra, etc. � Depois da porteira: são todos os processos realizados depois do processo de produção, depois que o produto saiu da propriedade, como beneficiamento, armazenagem, distribuição e consumo. Além de serem direcionadas à formulação de estratégias empresariais e políticas, como políticas de preços mínimos, reforma agrária e políticas de segurança alimentar, as análises de um SAG se baseiam em diferentes enfo- ques, como o conceito de sistema de commodities agribusiness, que enfatiza a coordenação, originária da escola americana, e o conceito filière, da escola francesa, que aborda as relações tecnológicas. Esses dois enfoques possibi- litam o embasamento de discussões sobre ferramentas de gerenciamento, resultando no aumento da eficiência das cadeias produtivas, na avaliação das relações entre os seus agentes e no questionamento da distinção tradicional dos setores. Davis e Goldberg (1957) definiram agribusiness como o conjunto de todas as operações e transações envolvidas desde a fabricação dos insumos agropecuários e das operações de produção nas unidades agropecuárias até o processamento, a distribuição e o consumo dos produtos agropecuários in natura ou processados. Ambas as análises mencionadas realizam cortes verticais no sistema econômico, dividindo-o em setores para que seja possível estudar o funcio- namento de um SAG, seguindo etapas sucessivas e lógicasde produção. Elas também consideram a análise pelo ponto de vista dinâmico, diferenciando-se em relação à importância dada ao consumidor final e ao ponto pelo qual Sistemas agroindustriais 5 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 iniciam o exame, se pelo produto (a montante, análise de filière) ou pela matéria-prima (a jusante, commodity system approach [CSA]) (BATALHA, 2001). Você já ouviu falar em elo vertical e elo horizontal? Elo vertical está relacionado com o contrato de compra ou os diferentes níveis do processo de comercialização, envolvendo produtores, beneficiadores e fornecedores de insumos, de um lado, e produtores, beneficiadores e comer- ciantes, distribuidores e consumidores, de outro. Já o elo horizontal é o vínculo multilateral nas estruturas socioprodutivas locais ou regionais que abrangem produtores e beneficiadores, formando associações e cooperativas. Assim, ultrapassa as cadeias de produção, comercialização e consumo, alcançando diferentes instituições. Análise do sistema agropecuário Sistemas dos complexos agroindustriais O commodity system approach (CSA), ou sistema de commodities, em portu- guês, teve origem nos Estados Unidos, na Universidade de Harvard, por meio dos estudos de John Davis e Ray Goldberg. Em 1957, eles observaram que a agricultura não poderia mais ser caracterizada de forma individualizada do restante do sistema de produção, enfocando o sistema de um único produto e os fatores que influenciam as flutuações da renda agrícola (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). Esse sistema pode ser definido pelo conjunto de operações de produção que englobam todos os atores envolvidos, como o mercado de insumos, a produção agrícola, as operações de estocagem, o processamento, a dis- tribuição por meio de atacados e varejos, e as instituições envolvidas na produção do produto e na entrega ao consumidor final. Essas operações também englobam as instituições que coordenam os estágios sucessivos do fluxo de mercadorias, como as instituições governamentais, os mercados futuros e as associações de comércio. Sistemas agroindustriais6 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 O complexo agroindustrial (CAI), parte do sistema, é o conjunto de processos agrícolas, de processamentos industriais e comerciais interdependentes, aplicados a uma determinada matéria-prima agrícola de base, como, por exemplo, centeio, trigo, milho ou leite, que resultam em diferentes produtos destinados ao consumidor final (BATALHA, 2001). O CSA se baseia em uma abordagem metódica dos agronegócios, utilizando a ferramenta visão sistêmica, cuja base teórica é a economia neoclássica. O foco é no paradigma estrutura-conduta-desempenho, e os trabalhos des- locaram a análise de dentro para fora da porteira, considerando a produção agrícola como parte da economia. Para os seus estudos, foram utilizados os sistemas de produção de laranja, de trigo e de soja (GOLDBERG, 1968). Assim, a principal característica do CSA é a realização, ao longo do tempo, de mudanças tecnológicas que obedecem a uma sequência lógica de trans- formações da matéria-prima até o consumidor final, reforçando o seu caráter sistêmico. Não é caracterizado, portanto, como uma análise institucional, mas considera dois níveis de agregação: o nível da firma e os ambientes ma- croeconômico e institucional, que interferem na capacidade de coordenação do sistema. Visão sistêmica A visão sistêmica tem o objetivo de analisar as relações entre os elos do sistema, conhecidos como: � subsistema de apoio e suprimento à produção agropecuária; � subsistema de produção agropecuária, que envolve produtores e em- presas rurais; � subsistema de transformação de produtos; � subsistema de armazenamento; � subsistema de distribuição; � subsistema de consumo. Em alguns casos, também há os subsistemas de serviços complementares, que podem auxiliar na comercialização dos itens gerados. Entre eles, estão a publicidade, a bolsa de mercadorias e as políticas públicas, que auxiliam no desenvolvimento da cadeia (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). Sistemas agroindustriais 7 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 Para o desenvolvimento dessa visão em um SAG, é necessário que todos que fazem parte do sistema tenham consciência da sua importância e que o gestor conheça cada seção e compreenda as principais tarefas, as responsa- bilidades, os processos desenvolvidos e o funcionamento na sua totalidade. Desse modo, ao planejar ou desenvolver uma atividade em um setor, saberá como executá-la da melhor forma possível, prevendo os impactos às demais cadeias. Ao realizar essa análise, é necessário observar a comunicação entre as partes, pois, caso seja ineficiente, o desempenho da cadeia será afetado, resultando na desagregação do sistema (BATALHA, 2001). O amplo conhecimento do sistema possibilita que todos que a compõem reconheçam a importância de cada setor envolvido, bem como os seus proces- sos. Assim, estarão capacitados a melhorar o seu desempenho, contribuindo com o desenvolvimento e aumentando a eficiência de cada área. Esse conhe- cimento também contribui no processo de tomadas de decisão, tornando-as mais estratégicas e assertivas. A correção mais rápida de falhas e a redução dos imprevistos são consideradas vantagens da visão sistêmica. Cada seção identifica melhor os erros, o que facilita o processo de correção por meio de estratégias corporativas, sem prejudicar as cadeias envolvidas. Quando não há a identifica- ção da origem das falhas, o erro é considerado exclusivo de um setor, fazendo os problemas serem resolvidos de forma superficial e as situações-problema voltarem a acontecer. Isso poderia ser evitado se fosse revisado o fluxo de processos e fossem identificados os responsáveis. Na realização das atividades com uma visão mais ampla, os gestores do SAG conseguem fazer um planejamento a longo prazo, com maior precisão na previsão de tendências de mercado. Isso possibilita a expansão do sistema e a ampliação das cadeias, inovando constantemente e atendendo a demanda do mercado. Sistemas agroindustriais8 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 Análise de filière Durante a década de 1960, como contraponto ao modo como eram estudados os fenômenos de integração ou semi-integração no segmento agroalimentar, desenvolveu-se, na escola industrial francesa, a análise de filière. Mesmo que ela não tenha sido criada especificamente para a agroindústria, foi adaptada e utilizada por economistas agrícolas e pesquisadores ligados aos setores rural e agroindustrial. A palavra foi traduzida para o português como cadeia de produção. Na área do setor agroindustrial, foi chamada de cadeia de produção agroindustrial ou, simplesmente, cadeia agroindustrial. Ela é entendida pela sucessão de ativida- des ligadas verticalmente com o objetivo de produzir bens e é influenciada pela fronteira de possibilidades ditadas pela tecnologia, definindo estratégias de maximização dos lucros. As relações entre os seus agentes são independentes ou complementares e determinadas por hierarquia. Essa análise possibilita descrever toda a cadeia e analisar políticas e estratégias mercadológicas que permitem a valorização dos meios de produção, assegurando a articulação das operações (ARAÚJO, 2010; BATALHA, 2001). Para Morvan (1991), a análise de filière consiste em uma sequência de operações de transformação inerente à produção de bens, em que a articu- lação dessas operações é muito influenciada pelo estado das técnicas e das tecnologias em curso e definida pelas estratégias próprias dos agentes que buscam valorizar o seu capital. Disso, decorre uma análise mesoeconômica. Nesse contexto, a cadeia de produção se refere a uma sucessão de ope- rações de transformação dissociáveis, capazes de ser separadas e ligadas entre si por um encadeamento técnico. Devem ser considerados, também, as relações comerciais e financeiras estabelecidasentre todos os estados de transformação e um fluxo de troca situado a montante, nos seguintes três macrossegmentos, que podem ou não ser facilmente identificáveis: 1. comercialização; 2. industrialização; 3. produção de matérias-primas. As suas características são apresentadas na Figura 3. Sistemas agroindustriais 9 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 Figura 3. Características dos macrossegmentos da análise de filière. Comercialização Empresas que estão em contato com o cliente �nal de produção e comércio de produtos �nais. Industrialização Empresa responsável pelo processamento das matérias-primas. Produção de matérias-primas Fornecedores de matérias-primas que serão processadas. Em 1985, Labonne conceituou filière como o conjunto de ligações que envolvem as organizações na produção de um determinado bem de origem agrícola, transferindo a análise para a contextualização da complexa realidade na qual essas ligações ocorrem. No ano de 1991, Rainelli et al. (1991) defenderam as diversas interpretações para filière e as agruparam em cinco concepções: 1. dimensão técnica das operações envolvidas; 2. estratégias dos agentes econômicos; 3. pesquisa de coerência do sistema produtivo; 4. relações entre os estados de produção, com o objetivo de localizar os segmentos mais expostos às estratégias dos atores que controlam melhor o mercado final; 5. modalidade de corte do sistema produtivo, fazendo referência às re- lações matriciais do sistema econômico. Sistemas agroindustriais10 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 Na visão de Montigaud (1992), a filière não pode ser considerada um instrumento de análise econômica nem uma metodologia para observar o comportamento das empresas. Na sua visão, ela constitui o campo de observação multidisciplinar das empresas, das instituições e dos mecanismos que as ligam, sendo conceituada como um conjunto de atividades imbricadas, ligadas verticalmente por pertencerem a um mesmo produto, cuja finalidade é satisfazer os seus consumidores (ABREU; FAORO, 2016). As especificidades dessa análise a fazem ser considerada uma aborda- gem mesoanalítica, pois não estuda a unidade (micro) nem o global (macro), além de não considerar somente os elos entre os agentes, mas as relações complexas, possibilitando uma análise mais profunda. Na conceitualização de Fávero (1996), cada filière comporta uma certa variedade de atores, de estratégias e de dinâmicas, estabelecendo uma diversidade de dispositivos e de regulamentações, coordenada pelas grandes firmas. Assim, os atores se organizam de forma hierárquica e criam relações de subordinação. A análise de filière, portanto, focaliza a sequência de trans- formação pela qual passa a matéria-prima, considerando a importância da coordenação dos sistemas na elaboração de estratégias relevantes no papel da tecnologia, com enfoque na dependência intersetorial. Mesoanálise A mesoanálise é definida como a análise estrutural e funcional de interdepen- dência dos subsistemas dentro de um sistema integrado e interdependente, com análise da cadeia a jusante e dentro de um sistema produtivo agroindus- trial (BATALHA, 2001; MORAES, 2013). Segundo ela, a cadeia está inserida em um contexto amplo de atividades, incluindo fornecedores, que proporcionam insumos, passando pelos canais de distribuição, até atingir o comprador final, conectando as atividades dentro da empresa com o pessoal externo. Segundo Batalha (2001), a cadeia de produção agroindustrial pode ser segmentada de jusante (sentido da correnteza em um curso de água da nascente para a foz, ou seja, da matéria-prima para o cliente final) a montante (sentido da foz para o lado da nascente, ou seja, do cliente para os seus fornecedores). Sistemas agroindustriais 11 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 A mesoanálise tem o objetivo de apresentar informações que as análises micro e macroeconômica não conseguem fornecer, pois a primeira estuda o comportamento individual dos agentes econômicos, familiares e de empre- sas, enquanto a segunda explica o funcionamento do todo, considerando somente os agregados econômicos (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). Assim, é realizada de forma estrutural, combinando a teoria da micro com a da macroeconomia para explicar o funcionamento das partes. É, portanto, de grande importância para a articulação entre as empresas, o Estado e a sociedade, bem como para a geração de sinergia e de competitividade in- dustrial e regional, formando redes de melhorias nos sistemas de inovação (ZYLBERSZTAJN; NEVES; CALEMAN, 2015). A microeconomia estuda as unidades de base da economia, ob- servando entidades específicas, como empresas e consumidores. Por sua vez, a macroeconomia analisa a economia em um sentido amplo, lidando com fatores que afetam os seus âmbitos nacional, regional ou global. A abordagem teórica no campo da mesoanálise apresenta as próprias especificidades e deve constituir-se de metodologias apropriadas para análise e estudo. Não tem enfoque nas políticas seletivas, removendo os entraves específicos para as empresas, e envolve a infraestrutura (transportes, te- lecomunicações e energia) que afeta a competitividade das organizações, a criação de políticas dirigidas à pesquisa ou à tecnologia, a formulação de políticas comerciais e os sistemas normativos (normas ambientais, técnicas e de segurança). Para o setor agroalimentar, os ativos específicos para a produção geram uma relação específica de proximidade com o consumidor em relação ao produto consumido, tornando-se o mais importante dos setores. Essa pro- ximidade influencia a avaliação da qualidade dos produtos pelo consumidor, possibilitando que as características de origem da mercadoria, relacionadas ao ambiente e à identidade cultural da organização, influenciem a sua escolha. Sistemas agroindustriais12 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 Estudos de caso Em estudo sobre a cadeia produtiva da maçã para o consumo in natura no Brasil, com concentração nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, Abreu e Faoro (2016) relataram 17 formas de estruturação da cadeia, desde a produção das mudas até a venda. Mesmo que não tenha sido incluída a industrialização da maçã, é possível observar que a análise de forma integrada verticalmente é o modelo ideal, observando a participação na produção, na armazenagem, na classificação e na embalagem das frutas. Foi verificado que a consignação é a melhor forma de comercialização, pois minimiza os riscos e viabiliza maiores ganhos (ABREU; FAORO, 2016). A sua cadeia é estruturada conforme ilustra a Figura 4. Figura 4. Estrutura da cadeia produtiva da maçã. Fonte: Adaptada de Abreu e Faoro (2016, documento on-line). Fo rn ec ed or es d e in su m os Viveiros Pomares Frigorí�cos Distribuidores Packing house Consumidores Verejistas Pr es ta do re s d e se rv iç o/ tr an sp or ta do ra s Nessa cadeia produtiva, é possível observar a segmentação formal dos processos, que, na prática, são coordenados pela mesma organização. É possível encontrar empresas que atuam ao longo de toda a cadeia ou so- mente na produção vegetal. Sistemas agroindustriais 13 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 No setor da avicultura, importante setor para a economia nacional e grande gerador de empregos, Cielo, Rocha Júnior e Sanches-Canevesi (2019) inves- tigaram os impactos socioeconômicos da produção de frango de corte na mesorregião do Oeste paranaense, identificando o perfil e as características dos seus agentes. Eles concluíram que a atividade é conduzida, em grande parte, por pequenos produtores, que a exercem por meio do estabelecimento de contrato de produção com a agroindústria pelo sistema de integração. Isso proporciona a obtenção de renda em um menor período, em comparação com a produção de grãos, e possibilita o aproveitamento da mão de obra familiar. Aoavaliar o processo de industrialização de carne mecanicamente se- parada, Barreto, Barreto e Andrade (2019) objetivaram conhecer as etapas de produção com foco nas inovações tecnológicas. Para isso, estudaram a produção de novos produtos ou a melhoria dos existentes, a partir de subprodutos ou resíduos, como o processo produtivo da agroindústria de nuggets, linguiça e salsicha (Figura 5). Figura 5. Fluxograma de produção de nuggets, salsicha e linguiça. Fonte: Adaptada de Barreto, Barreto e Andrade (2019, documento on-line). CMS Nuggets (a) Salsicha (b) Picagem e moagem das matérias primas Pesagem e seleção de matérias- primas e ingredientes Adição de aditivos e mistura da massa Cura Embutimento da massa Embalamento Posicionamento Linguiça (c) Massageamento (4°) Com a aplicação da visão sistêmica, verificou-se que, por meio da utilização de tecnologias, é possível produzir novos produtos alimentícios de qualidade, com sabor diferenciado, que têm uma grande aceitação pelo consumidor final (desde que apresentem facilidade na preparação doméstica). Sistemas agroindustriais14 Identificação interna do documento M8B0X7UZK9-HHLETC1 A importância de realizar uma análise do SAG consiste em conhecer o sistema e melhorar a execução dos processos por cada agente, facilitando o gerenciamento de toda a cadeia, independentemente de o foco estar na matéria-prima ou no seu consumidor. No caso da cadeia produtiva da maçã, observa-se como é feita a segmentação vertical do sistema e como são as relações de mercado entre o produtor e a indústria. No caso da avicultura, observa-se a importância do consumidor na análise da cadeia de carne me- canicamente separada. A especificidade de cada cadeia torna as atividades de um SAG complexas, exigindo um coordenador preparado e conhecedor de cada etapa. Só assim será garantido um bom desempenho econômico da cadeia, reduzindo custos, perdas e conflitos, e possibilitando, por consequência, a lucratividade de todos os agentes envolvidos. Referências ABREU, M. F.; FAORO, R. R. Análise da verticalização da cadeia produtiva da maçã. Revista Espacios, v. 37, n. 38, 2016. Disponível em: https://www.revistaespacios.com/ a16v37n38/16373817.html. Acesso em: 06 dez. 2019. ARAÚJO, M. J. Fundamentos de agronegócio. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. BARRETO, M. E. Z.; BARRETO, M. Z.; ANDRADE, M. A. R. 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