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Dermatites parasitológicas Sarna demodécica: A demodicose, também conhecida como sarna demodécica, sarna folicular, sarna vermelha ou sarna negra. É uma dermatopatia parasitária causada por um ácaro Demodex canis quando se prolifera de maneira exacerbada na fauna da pele do organismo. Já que se encontra naturalmente em menores concentrações por toda a pele de qualquer mamífero, mas é controlada pelo sistema imunológico. Entretanto, quando a imunidade do animal cai, há uma imunossupressão devido a fatores como a idade, estresse, endoparasitos e doenças de base ocorre uma disbiose na fauna da pele e começa a causar a doença no animal. É mais comum ocorrer em cães da raça: Shar Pei, West Highland, Terrier branco e Buldogue Inglês. A transmissão do Demodex entre os animais não é contagiosa, exceto para filhotes recém nascidos, na qual não podem ser amamentados pela mãe que está com demodicose. Devido a sua localização profunda na derme, os ácaros se alimentam de células, sebos e debris epidérmicos. Dessa forma, se encontra nos folículos pilosos e glândulas sebáceas em um período de 20 a 35 dias e todo o ciclo ocorre na pele do hospedeiro, sendo formado por cinco fases: ovos fusiformes. pequenas larvas, protoninfa, ninfas (3 pares de patas) e adulto (4 pares de patas). A demodicose localizada ocorre, na maioria das vezes, em animais jovens e é a forma menos grave por causar pouco eritema com áreas de alopecia circunscrita, espessamento da pele podendo o animal ter prurido ou não, já que pode ocorrer infecções secundárias por bactérias. Na maior parte dos casos o animal depois consegue ter um controle dessa disbiose e melhora, por outro lado uma pequena porcentagem pode continuar sofrendo com as lesões causadas pelo ácaro e evoluir para um quadro generalizado. Assim, a demodicose generalizada é a forma mais grave pois a pele começa sofrer lesões com pústulas, pápulas, úlceras, sendo que os animais acometidos têm um odor desagradável, sem contar as áreas alopécicas eritematosas em regiões mais abrangentes sendo considerado generalizado a partir de mais de 5 lesões em um local do corpo, podendo afetar regiões da cabeça, membros e tronco. Dessa forma, os animais acometidos apresentam sinais de anorexia, febre e ficam mais letárgicos. Diagnóstico: o exame padrão é: - Raspado cutâneo, na qual é realizado com uma lâmina de bisturi um corte nas áreas de lesão de forma profunda para coleta de material. - Tricograma para análise dos pelos, utilizando uma fita de acetato. - Imprintg em fita de acetato. - biópsia. - Cultura e antibiograma podem ser pedidos no caso de tratamento com antibiótico por via oral, se for tópico não é necessário o exame. - Citologia de pele, ao exame pode aparecer bacilos e cocos, sendo os bacilos uma forma mais grave da doença, podendo ser mais de uma amostra. Em alguns casos, de suspeita de alteração hormonal pode ser pedido um teste tireóideo, pois o hipertireoidismo pode desenvolver demodicose no cão adulto Tratamento: Pode ser utilizado ectoparasitas como Ivermectina, Milbemicina, Oxima, Moxidectina e Amitraz. Deve-se ter cuidado com algumas raças de cães como o Border Collie na qual se forem acometidos por essa doença deverá ser administrado outro tipo de princípio ativo como fluralaner, afoxolaner e saroloner. Isso ocorre devido a uma mutação genética no gene ABCB1 (anteriormente conhecido como gene MDR1) que interfere na metabolização de certas substâncias medicamentosas, é considerado uma alteração genética, pois não codifica uma proteína responsável por eliminar resíduos de medicamentos podendo levar a um quadro de toxicidade. 1° Simparic + Bravecto + Nexgard + Ivermectina 2° Banhos terapêuticos com shampoo a base de peróxido de benzoíla ou clorexidina, um exemplo seria o Dermotrat que tem antibióticos, bons para tratar as feridas causadas por infecções secundárias. 3° Devido aos banhos, a pele pode ficar ressecada e por isso pode ser utilizado ativos hidratantes como o Hidrapet. 4° Uso de antibióticos Oral - NEOMICINA, CEFALEXINA (manipulados). Demodicose felina: A demodicose felina é considerada uma doença cutânea rara de gato. Causada pela proliferação anormal do ácaro do gênero Demodex. Sendo que há dois tipos de espécies: - Demodex gatoi (infectocontagiosa); - Demodex cati (comum em animais imunossuprimidos seja por doenças virais ou doenças endócrinas). Não há predisposição de idade, sexo nem raça. Embora, a maioria dos casos ocorre em animais idosos. Sinais clínicos: D. cati causa alopecia, descamação, pápulas, comedões espontâneos. Além de crostas, eritema, hiperpigmentação e liquenificação. ↳ Pode ser de caráter focal (cabeça, pavilhão auricular, pálpebra e região cervical. ↳ Pode ser de caráter generalizado. Diagnóstico: 1° Anamnese e um bom exame clínico; 2° Raspado cutâneo superficial e profundo. Na qual, os locais para maior positividade no raspado cutâneo são aqueles em que o animal tem dificuldade para alcançar durante a autolimpeza, como a região entre as escápulas; 3° Tricograma; 4° Citologia de conduto auditivos ou pele; 5° Exame histopatológico, na qual é possível ver graus variáveis de perifoliculite, foliculite e furunculose. Sem contar, identificar o ácaro no folículo piloso (D. cati). Por outro lado, pode haver, inflamação mínima, epiderme irregular e com hiperqueratose, na qual o ácaro pode ser identificado no estrato córneo; 6° Imprintig com fita de acetato; 7° Tricograma. Diagnóstico diferencial: - Dermatofitose - Sarna notoédrica (escabiose) - Síndrome foliculite-furunculose bacteriana - Alopecia psicogênica - Dermatite atópica - Alergia alimentar - DAPP - Neoplasias cutâneas Tratamento: ● O tratamento para a demodicose é a base de acaricidas da classe das avermectinas como selamectina, milbemicina, moxidectina e doramectina e também o uso de isoxazolinas (Fluralaner, Afoxolaner, Lotilaner, Sarolaner) ● Banhos semanais com shampoo à base de triclosan (manipulado) ou cloresten (clorexidina). Em outros casos, pode ser utilizado banho à base de produtos antissépticos à base de enxofre por um total de 6 a 8 semanas. ● Indicar vermífugo (ANTI-HELMÍNTICO) para pacientes como drontal, chemital. ● Antibioticoterapia caso haja infecção secundária (pioderite) em casos mais graves. Os animais acometidos pela doença devem ser isolados, até a sua completa cura. Escabiose canina: A sarna sarcóptica é uma dermatose parasitária com potencial zoonótico de distribuição mundial, na qual a sua transmissão ocorre pelo contato direto com animais infectados pelo ácaro ou de forma indireta pelo ambiente e fômites. O ácaro responsável pela dermatose é da espécie Sarcoptes scabiei. Afetando não somente os animais domésticos mamíferos, mas também o homem. De modo geral, os animais infectados geralmente são jovens com imunossupressão, má nutrição e estresse oxidativo. Ciclo de vida: ● 1° ovo ● 2° larva ● 3° ninfa (protoninfa - trio ninfa - ninfa octoide) ● 4° adulto A fêmea adulta que esteja fertilizada deposita os seus ovos na pele do animal, no extrato córneo. Na qual, os ovos eclodem em torno de 3 a 4 dias e se desenvolvem por toda a pele do hospedeiro. Assim, atingem a fase adulta por um período de 10 a 21 dias. Os ácaros penetram a epiderme “cavando” essa camada. Assim, desencadeiam um processo inflamatório, pois há a produção de citocinas pró-inflamatórias que consequentemente leva a produção de oxidantes reativos em excesso. Por isso, o animal apresenta intenso prurido. Além de reação de hipersensibilidade. Sinais clínicos: Variam de acordo com o sistema imunológico do animal e ao quadro de evolução da doença que é ligada à carga parasitária presente no hospedeiro. ● Presença de crostas hemorrágicas;● Perda de pelo; ● Lesões máculo-papulares; ● Prurido intenso; ● Escoriação na pele; ● Hiperqueratose; ● A dermatite é acompanhada invariavelmente por produção exagerada de gordura, dando um aspecto e odor “rançoso” ao animal. SEBORRÉIA OLEOSA; ● Pele espessa; ● Reflexo otopodal positivo (é um indicador no diagnóstico da sarna sarcóptica, pois ao estimular o conduto auditivo com uma gaze, o animal tenderá a querer se coçar). A topografia dos locais onde os ácaros costumam se alojar é nas regiões de pavilhão auricular (principalmente na pontinha), cabeça, região abdominal, codilhos e curvilhões → articulação úmero-radio-ulnar e tíbio-társica. Diagnóstico: É necessário realizar uma boa anamnese, exame clínico. Além de pedir exames complementares como a raspado cutâneo devendo ser feitas na pele do animal onde apresenta lesões na qual não consegue alcaçar, fazendo o raspado na direção que o pelo cresce, sendo necessário o sangramento com ajuda de uma lâmina de bisturi. Também pode ser pedido citologia de pele na região onde há lesões, podendo ser mais de uma amostra. Embora, em alguns casos, mesmo que não apareça no exame, entrar com o tratamento também age como uma forma de diagnóstico terapêutico com o uso de acaricidas. Diagnóstico diferencial: - Dermatite alérgica; - Dermatofitose; - Demodicose Tratamento: O tratamento consiste na medicação acaricida associada a medicação sintomática se necessário como a antibioticoterapia (por infecções secundárias), banhos anti-sépticos, terapia para o prurido, suporte nutricional. Logo, o tratamento consiste em banhos terapêuticos semanais com shampoo anti-seborreico para eliminar crostas ou a base de clorexidina. Além disso, deve-se indicar ativos hidratantes para a pele do paciente por causa do ressecamento. Podendo durar até 5 semanas o tratamento. O tratamento da sarna sarcóptica em cães envolve o uso de acaricidas específicos podendo ser por via tópica ou sistêmica, como os da classe das isoxazolinas (fluralaner, afoxolaner, sarolantes) ou da classe das lactonas macrocíticas (selamectina, moxidectina, ivermectina). Cuidado com animais como o Border Collie e Pastor de Shetland. Pode-se tratar o prurido intenso com anti-inflamatórios esteroidais. Em relação ao ambiente é necessário isolar os animais que estão infectados e limpar diariamente os locais na qual o animal fica e também os objetos utilizados como potes e cama, a limpeza pode ser feita com hipoclorito de sódio (cândida). AO MANUSEAR CÃES INFECTADOS É NECESSÁRIO FAZER A LIMPEZA DO LOCAL COM PROTEÇÃO COMO LUVAS E ROUPAS DESCARTÁVEIS, E QUALQUER CONTACTANTE PRESENTE NO AMBIENTE DEVE SER TRATADO SIMULTANEAMENTE. Escabiose felina (Sarna notoédrica): A sarna notoédrica também conhecida como sarna felina é causada pelo ácaro da espécie Notoedres cati, sendo esse ectoparasita responsável por causar um quadro de severa pruriginose e é de alto potencial zoonótico. Na qual, não há predileção quanto o sexo, raça ou espécie. Ciclo biológico: O ciclo biológico do ácaro dura em média de 14 a 21 dias, na qual a fêmea fertilizada deposita os seus ovos na epiderme do organismo cavando túneis. Entranto, ainda que o parasita tenha todo o seu ciclo no hospedeiro, é capaz de sobreviver por alguns dias fora do mesmo. ovos → larvas → ninfas (2 fases) → adultos (nessa fase os parasitas sobem em direção à superfície da pele). O corpo deste ácaro é globoso nos dois sexos; machos são avermelhados; o tegumento é estriado como nos Sarcoptes e a face dorsal apresenta escamas moles e alguns espinhos delgados e longos. Ventosas ambulacrárias nas patas 1, 2 e 4 nos machos e nas fêmeas nas patas 1 e 2. Sinais clínicos: Os sinais clínicos são variantes de acordo com uma série de fatores como comorbidades, a intensidade da hipersensibilidade e como o organismo do hospedeiro atua frente à multiplicação do parasita em relação ao seu sistema imunológico. ● Lesões escamosas e regiões com eritema; ● Lesões em pavilhão auricular com crostas nas bordas das orelhas e no resto da face; ● Alopecia; ● Escoriações e automutilações devido ao prurido intenso e por arranhaduras do animal; ● Hiperqueratose com aspecto da pele mais espessa; ● Em casos mais severos o animal apresenta perda de peso e anorexia. Essas lesões podem aparecer em outras regiões do corpo devido que o felino faz a autolimpeza ou quando dorme. Assim, há destruição do tecido cutâneo com formação de pápulas também, consequentemente, pode haver uma infecção secundária. Diagnóstico diferencial: - Pênfigo foliáceo ou Lúpus; - Sarna otodécica; - Dermatofitose Diagnóstico: Além de uma boa anamnese e um bom exame clínico, pode ser pedido como exames complementares: - Raspado cutâneo profundo (padrão ouro) na área com lesões que o animal não tenha fácil alcance; - Imprinting com o uso de fita de acetato; - Citologia de pele. Tratamento: O tratamento consiste na utilização de métodos multimodais, podendo durar em média de 4 a 6 semanas. - Dar banhos terapêuticos com shampoo a base de clorexidina. - Em alguns casos, pode ser utilizado corticoides como a prednisolona. - Controle nutricional através de uma boa alimentação e caso seja necessário administrar suplementos. - Também pode ser feito antibioticoterapia dependendo do grau da infecção secundária. - Utilizar antiparasitários como por exemplo a selamectina (REVOLUTION), em outros casos também pode ser utilizado a ivermectina. - Além disso, é necessário fazer a higiene do ambiente onde os animais se localizam com uso de pesticidas. Também é necessário (mesmo os contactantes) e substituir ou desinfectar qualquer fômite que possa ser uma fonte de transmissão.