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GESTÃO DE CUSTOS, 
RISCOS E PERDAS
Zaida Cristiane dos Reis
Gestão de custos logísticos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Determinar os custos decorrentes de nível de serviço.
 Identificar a visibilidade dos custos logísticos.
 Aplicar o planejamento tributário em logística.
Introdução
Conforme leciona Dias (2015), os estoques representam um papel fun-
damental no dia a dia das organizações. Ching (2014) aponta que, no 
início, a gestão de estoques era vista como um meio de reduzir custos 
totais associados com a aquisição e a gestão de materiais. Porém, as 
organizações, agora, exigem estratégias mais proativas, porque passam 
a ser baseadas nas necessidades dos clientes.
Desse modo, sejam eles fontes de lucros e vantagens competitivas ou 
de prejuízos, a gestão e o planejamento dos estoques são de fundamental 
importância. Destaca-se que a gestão de custos logísticos se relaciona 
com o gerenciamento de estoques e tudo o que envolve essa concepção. 
Assim, torna-se significativo identificar a visibilidade dos custos logísticos, 
para que seja possível avaliar estratégias de planejamento tributário que 
possam ser aplicadas na logística. 
Neste capítulo, você vai estudar conceitos relacionados aos custos 
oriundos dos níveis de serviço que a empresa busca apresentar. Você 
vai verificar a visibilidade dos custos logísticos e analisar a aplicação do 
planejamento tributário em logística.
Custos decorrentes de nível de serviço 
De acordo com Caxito et al. (2014), entende-se por estoque a quantidade 
de bens físicos que são guardados de forma improdutiva, por um período, 
aguardando o seu uso. Ou seja, é todo material parado em algum lugar, desde 
que não esteja sendo utilizado naquele momento.
Exemplificando de forma simples, pense em um restaurante: na busca pela excelência 
no atendimento ao cliente, o proprietário deve ter comprado vários produtos, várias 
matérias-primas, que precisam do correto acondicionamento. Por exemplo: verduras, 
legumes e carnes na geladeira; arroz, feijão e produtos similares em lugares com 
pouca umidade. Esses produtos se constituem no estoque de matérias-primas desse 
estabelecimento. Contudo, para agilizar o atendimento, o proprietário instrui a cozinha 
a deixar a carne já temperada. Esse produto, que já passou por determinado tipo de 
preparo e que está no aguardo do processo de cozimento, também é considerado 
como produto em estoque.
Com base nesse exemplo, surge uma dúvida: por que é necessário manter 
os estoques? Respondendo a essa pergunta, Viana (2012) e Gonçalves (2013) 
explicam que é importante para a empresa ter estoques para melhorar o nível 
de serviço relacionado a determinados aspectos. Veja exemplos a seguir.
 Melhorar o serviço ao cliente: oferecendo a ele o produto desejado,
na hora desejada.
 Economia de escala: pois compras em quantidades maiores dão ao
comprador maior poder de barganha e de negociação.
 Proteção contra mudanças de preços: se existem previsões de reajustes 
de preços, a elevação dos níveis de estoques, nesse momento, pode
propiciar maiores lucros para a empresa.
 Proteção contra incertezas na demanda e no tempo de entrega:
problemas logísticos podem acontecer ao longo da cadeia produtiva.
Gestão de custos logísticos2
  Proteção contra contingências: você se lembra do tsunami no Japão 
e os impactos que as montadoras brasileiras sofreram devido à falta 
de partes e peças de veículos? Isso são contingências, impasses que 
organizações que possuem estoques conseguem superar com maior 
flexibilidade.
Ainda com relação aos estoques, pode-se questionar: manter altos ou 
baixos níveis de estoques? O que é melhor? Não existe resposta pronta para 
essa pergunta, pois é preciso analisar o negócio, a concorrência, o fornecedor 
e as exigências mercadológicas para tomar uma decisão coerente. 
A logística, nesse período contemporâneo, possui um papel importante 
e cada vez mais decisivo para a manutenção dos clientes, bem como para 
atrair, conquistar e manter novos clientes. Nesse sentido, Gonçalves (2013) 
e Caxito et al. (2014) destacam que se torna essencial mensurar o nível de 
serviço logístico, que consiste em avaliar o ciclo do pedido, analisando desde 
a recepção do pedido até a entrega ao cliente. Os autores destacam, ainda, que 
em alguns casos esse processo abrange até mesmo as funções de montagem, 
assistência técnica e outros tipos de apoio ao cliente no uso do produto e/ou 
serviço adquirido. 
Nesse sentido, os autores complementam que, antes de a organização definir 
quais serão os seus indicadores de nível de serviço logístico, torna-se importante 
identificar as necessidades, expectativas e desejos dos consumidores, a forma 
como estes poderão ser mensurados e quais são os custos envolvidos. Como 
principais indicadores de nível de serviço logístico, destacam-se: 
  tempo médio de entrega;
  variabilidade do tempo de entrega;
  informações sobre o atendimento do pedido (rastreabilidade);
  serviços de urgência;
  resolução de reclamações;
  políticas de devolução;
  procedimentos de cobrança;
  flexibilidade do sistema;
  serviços técnicos;
  nível de estoque e reposição temporária do produto durante reparos. 
3Gestão de custos logísticos
Com a difusão das compras via Internet, percebe-se que melhores níveis 
de serviço logísticos, com custos reduzidos, tornam-se uma exigência dos 
consumidores. Para atender a essas demandas da logística, as organizações 
classificam os estoques que podem dar um suporte adequado, conforme a 
necessidade da empresa. Veja, a seguir, os tipos de estoques mais utilizados, 
segundo a visão de Gonçalves (2013), Caxito et al. (2014) e Dias (2015): 
  Estoque de segurança: refere-se à quantidade extra de produto arma-
zenado, visando a suprir problemas no fornecimento, como erros de 
previsão de consumo e atrasos na entrega das mercadorias.
  Estoque de matéria-prima: refere-se ao estoque de qualquer merca-
doria que ainda não sofreu transformação, ou seja, ainda não passou 
pelo processo de fabricação.
  Estoque de material semiacabado: constituído pelos materiais que já 
passaram por certas fases do processo produtivo, mas ainda não foram 
concluídos. Normalmente estão em determinadas partes ao longo da 
linha de produção, aguardando a próxima fase do processo.
  Estoque de produtos acabados: representado pelos produtos já fina-
lizados, à disposição do consumidor.
  Estoque em trânsito: constituído pelas mercadorias em trânsito, que 
estão entre a fábrica e o consumidor. Também são considerados como 
estoques em trânsito aqueles materiais que estão sendo transportados 
dentro da fábrica, entre diferentes locais de armazenagem.
Caxito et al. (2014) também nos apresentam um quadro interessante sobre 
os níveis de estoque, conforme mostra o Quadro 1.
Gestão de custos logísticos4
Fonte: Adaptado de Caxito et al. (2014).
Tipos de 
estoques
Determinantes dos 
níveis de estoque
Benefícios
Estoque de 
segurança 
Demanda e lead time 
incertos e incertezas 
no processo
Aumento no nível de serviço, 
redução de custos devidos 
às entregas emergenciais 
e às perdas de vendas
Estoque de 
matéria-prima 
Aquisição de materiais 
de diversos fabricantes
Aquisição em lotes 
econômicos de compras, 
reduzindo os custos da 
compra de materiais
Estoque 
de material 
semiacabado 
Lead time de produção, 
planejamento e 
controle de produção
Aumento na utilização do 
equipamento, redução 
de investimentos em 
capacidade adicional
Estoque de 
produtos 
acabados 
Demanda e lead time 
incertos, incertezas no 
processo e frequência de 
setup de equipamento
Redução da quantidade 
de setups, aumento 
no nível de serviço
Estoque em 
trânsito 
Tempo de transporte Redução nos custos 
de transporte
Quadro 1. Estoques, determinantes e benefícios
Esses quesitos são apontados justamente em função da flutuação dos 
níveis dos estoques. Para exemplificar, pense na caixa d’água da sua casa:quando cheia, a boia impede a entrada de mais água, ou seja, o recebimento 
de mais produtos; já quando há o consumo e a água sai do nosso estoque, 
resulta imediatamente no processo de ressuprimento.
O estoque de uma organização é parecido, pois as compras devem ser 
realizadas a partir do momento em que há uma baixa no volume do estoque. 
Segundo Dias (2015), considera-se, portanto, o estoque final de um período 
como sendo o somatório do estoque inicial mais as entradas e menos as saídas:
Estoque inicial = (+) Entradas (–) Saídas = Estoque final
5Gestão de custos logísticos
Outro tópico que merece atenção é o fato de que o estoque inicial do dia 
01 de cada mês será o estoque final do dia 31 do mês anterior, mas, durante o 
mês, ocorrem oscilações, conforme o consumo dos estoques. Perceba que a 
intensidade dessa oscilação, segundo Viana (2012) e Gonçalves (2013), depende 
da estratégia da empresa (maiores ou menores compras) e das demandas do 
mercado. Por esse motivo, uma previsão adequada das vendas pode garantir 
o correto processo logístico de suprimento de matérias-primas, produção e 
armazenagem de produtos acabados.
Caxito et al. (2014) e Novaes (2015) destacam que, com a difusão das 
compras via Internet, os clientes têm dado preferência para a comodidade e a 
facilidade nos processos de aquisição de produtos e serviços. Por isso, os autores 
salientam que é preciso que as organizações, para se manterem competitivas, 
avaliem rapidamente quais aspectos os seus clientes, tanto atuais como em 
potencial, consideram como importantes nos serviços logísticos oferecidos, 
para que se possa desenvolver estratégias proativas, que estejam alinhadas às 
necessidades desses consumidores.
Caxito et al. (2014) e Novaes (2015) apontam algumas ações que vêm sendo 
apresentadas para solucionar essas questões. Com destaque, apontam-se os 
acordos de níveis de serviço (ANS), que são utilizados para avaliar de forma 
mais detalhada os indicadores e níveis de serviço firmados entre os clientes 
e os vendedores.
Visibilidade dos custos logísticos 
É evidente que a apuração dos custos logísticos é uma parte fundamental da 
gestão de qualquer tipo de negócio, seja um pequeno negócio ou uma grande 
corporação. O que muda, de acordo com o ramo de atuação, segundo Viana 
(2012), Gonçalves (2013) e Dias (2015), é a distribuição dos custos, depen-
dendo do tipo de produto. 
Nas organizações que atuam no setor de e-commerce, por exemplo, um dos 
gastos principais é representado pela logística. Desse modo, fazer a gestão de 
custos logísticos é importante para que os gestores tenham conhecimento sobre 
os custos envolvidos nas operações. Como benefícios dessa gestão, autores 
como Novaes (2015) e Dias (2015) apontam os seguintes.
  Aumento da lucratividade: quando uma organização pretende aumentar 
os seus resultados, podem ser adotadas duas possibilidades — vender 
mais, aumentando a entrada de receitas, ou reduzir os custos. Porém, 
Gestão de custos logísticos6
destaca-se que a segunda opção (reduzir custos) depende de reorgani-
zações internas. Extinguir gastos desnecessários e encontrar meios de 
economizar na operação logística concebe resultados mais lucrativos e 
permite a revisão dos preços, para torná-los mais competitivos no mercado.
  Redução de riscos: a desorganização financeira é um dos principais 
riscos para a gestão de uma empresa. Nota-se que, quando não há 
visibilidade sobre a movimentação de recursos (entrada e saída de 
valores), torna-se difícil desenvolver um planejamento financeiro e 
manter o equilíbrio do funcionamento da organização. Essa situação 
é ainda mais visível na operação de transportes, pois esta exige um 
controle confiável para evitar desperdícios.
  Melhoria da produtividade: a redução de custos envolve diretamente 
a reformulação de rotinas de trabalho, com o objetivo de realinhar as 
atividades e reduzir gastos. Ao aprofundar essa avaliação, pode-se 
identificar oportunidades de melhoria importantes. Com essa noção, 
a tomada de decisão em relação às melhorias fica direcionada e pode 
proporcionar maior redução de custos, sem prejudicar a qualidade dos 
serviços prestados. Nesse contexto, consegue-se aumentar a eficiência 
das atividades, ampliando o atendimento dos clientes e tornando a 
organização mais competitiva no seu mercado de atuação.
A partir desses tópicos, entende-se a necessidade de colocar o gerencia-
mento dos custos logísticos em prática. Para Novaes (2015), e Souza e Moraes 
(2017), é imprescindível identificar os gastos da organização, em função de 
melhorar a performance financeira. Por isso, surge a necessidade de se planejar 
e controlar esses gastos por meio de uma gestão eficaz, eficiente e efetiva.
Nesse sentido, os autores observam que é necessário estudar a estrutura 
dos custos, separando e identificando a participação de cada um dos gastos 
totais da organização em um determinado período, acompanhando a evolução 
dos processos. Essa análise, para auxiliar em uma maior visibilidade dos 
estoques, pode ser dividida em:
  suprimentos — custo de aquisição;
  gestão de estoque — armazenagem (operacional), estoques (imobili-
zado), ruptura (perda) e embalagens;
  transporte — entregas (operacional) e gestão de documentos;
  gestão da frota — aquisição de veículos e manutenção;
  custos administrativos — mão de obra e material auxiliar;
  custos financeiros — investimentos em melhorias operacionais.
7Gestão de custos logísticos
Para melhorar a visibilidade desses custos logísticos, Souza, Moraes (2017) e 
Martins (2018) sugerem que o gestor busque o entendimento das metodologias 
de custeio, que são métodos que auxiliam a organização a definir o preço 
de venda dos serviços, separando os custos fixos dos variáveis e definindo a 
participação desses custos na formação do preço final. Os autores apontam 
três métodos de custeio a serem avaliados:
  Custeio por absorção: consiste na apropriação de todos os custos 
(fixos e variáveis, diretos e indiretos) causados pelo uso dos recursos 
voltados para a prestação dos serviços. Esses gastos são distribuídos 
entre as demandas atendidas.
  Custeio variável: o custo final do serviço está relacionado à soma dos 
custos variáveis dividida pela produção (demandas atendidas), enquanto 
os custos fixos são considerados diretamente no resultado do exercício.
  Custeio ABC: está relacionado às atividades que a organização realiza 
no processo de produção de seus produtos.
Outra questão importante para o gestor avaliar sobre a gestão dos custos 
está ligada à utilização de centros de distribuição na operação logística. 
Sua proposta possibilita a entrega dos pedidos de forma ágil. Desse modo, 
segundo Novaes (2015), o gestor aproveita a sua localização privilegiada para 
facilitar o acesso aos clientes. Essa alternativa auxilia na descentralização 
do gerenciamento das entregas em diversas unidades, onde os produtos são 
armazenados e, na sequência, despachados para o consumidor, conforme sua 
necessidade.
Nesse contexto, o gerenciamento dos custos logísticos é importante, con-
forme aponta Gonçalves (2013) e Novaes (2015), para que a organização possa 
tornar seus processos mais enxutos e, ao mesmo tempo, rentáveis. Isso porque 
o gerenciamento influencia na formação do preço dos serviços, atraindo mais 
clientes para a empresa. Essa boa administração auxilia a garantir não só a 
continuidade da organização, mas também o seu sucesso perante o cliente.
Planejamento tributário em logística
O planejamento tributário, conforme apontam Souza e Moraes (2017), é 
um meio legal para as organizações reduzirem de forma planejada a carga 
tributária aplicada nas atividades. Com isso, pretende-se gerar economia a 
partir de avaliações e redefi nições do posicionamento estratégico.
Gestão de custos logísticos8
Pelo viés do planejamento organizado, entende-se que é possível utilizar meios legais 
para reduzir o pagamento de tributos, enquadrando a organização e as operações em 
condiçõesfavoráveis, entendendo e tirando proveito dos benefícios que a legislação oferece.
Com o planejamento tributário, segundo Martins (2018), e Souza e Moraes 
(2017), as organizações avaliam e optam pelo regime de tributação adequado, 
observando as atividades realizadas. Desse modo, o gestor precisa, junto à 
sua equipe, pesquisar e conhecer as melhores opções para a empresa e como 
é possível aproveitá-las. Ao não avaliar esses aspectos, entende-se que o 
gestor pode trazer resultados negativos para o negócio, elevando os custos 
operacionais sem necessidade.
Assim como a folha de pagamentos e a aquisição dos produtos, dentre 
os maiores gastos de uma organização estão os custos logísticos, conforme 
aponta Crepaldi (2018), pois abrangem não só os custos com fretes, mas tam-
bém com tributos, como ICMS, PIS, Cofins e outras cobranças feitas sobre 
esses serviços. Além disso, também se tem custos tributários relacionados 
ao armazenamento dos produtos, como o ISSQN e os encargos trabalhistas.
Novaes (2015), Souza e Moraes (2017) destacam que, com a carga tributária 
alta do Brasil, surge a necessidade de se buscar meios legais que reduzam esses 
custos, gerando impactos menores nos resultados da organização e aumentando 
a margem de contribuição. Esse é o papel do planejamento tributário.
Se uma empresa decide que é necessária a abertura de um novo centro de distri-
buição, precisa do suporte do planejamento tributário para realizar uma tomada 
de decisão adequada, avaliando os percentuais tributados em cada estado e os 
incentivos fiscais oferecidos pelos governos. Também é fundamental avaliar a capa-
cidade de escoamento da carga, a proximidade dos clientes, dentre outros pontos 
complementares para a logística.
9Gestão de custos logísticos
Com os estudos dos gestores sobre esses aspectos estando bem alinhados, 
é possível, segundo Dias (2015) e Novaes (2015), obter a redução dos custos, 
ao mesmo tempo em que se otimizam as operações, pois as ações necessárias 
são tomadas sob o ponto de vista não só da logística, mas também das obri-
gações fiscais. Novaes (2015), Souza e Moraes (2017) observam que existem 
gerenciamentos de logística inadequados, no qual os gestores não possuem 
informações adequadas sobre as questões fiscais para tomar decisões com 
segurança. Nesses casos, algumas oportunidades de se obter isenções e outras 
estratégias tributárias podem passar despercebidas.
Nesse sentido, os autores destacam que é preciso reunir as áreas de logística 
e fiscal para fazer o planejamento em conjunto, obtendo decisões mais acertadas 
e, a partir disso, elaborar um plano de ação futuro, pois algumas mudanças 
nas obrigatoriedades podem ocorrer ao longo do tempo. São exemplos dessas 
situações as trocas de documentos físicos pelos eletrônicos e digitais — como 
CTe, MDFe e CIOT —, bem como a possibilidade de haver aumento na co-
brança de algumas taxas.
Desse modo, Souza e Moraes (2017) salientam que um dos focos do plane-
jamento tributário é garantir que a organização consiga elaborar avaliações, 
antecipar-se às ameaças e às oportunidades e se programar para tomar decisões 
adequadas e agir conforme a legislação — que constantemente é atualizada. 
Com essa perspectiva, entende-se a necessidade de formar uma equipe com 
profissionais qualificados, para conhecer tanto a complexidade das operações 
logísticas como o funcionamento do regime tributário aplicado à organização. 
Nessa equipe, precisam estar envolvidos gestores, contadores, advogados e, 
até mesmo, alguns consultores, se for necessário.
Souza e Moraes (2017) destacam que o planejamento tributário bem estru-
turado pode trazer resultados benéficos para as operações organizacionais. 
Entretanto, é preciso avaliar com cuidado para não cometer erros ou aproveitar 
os benefícios utilizando métodos equivocados, pois isso pode levar a multas 
severas. Por outro lado, se bem planejado e executado, o planejamento tributário 
pode garantir os benefícios elencados a seguir.
  Redução dos custos operacionais: esse é um dos principais benefícios, 
sendo um dos focos do planejamento tributário — reduzir o custo que 
o pagamento de tributos gera para o negócio.
  Tomada de decisão mais acertada: com a definição de quais cenários 
são mais favoráveis para a organização, muitas decisões são tomadas 
com mais eficácia, embasadas em estudos e análises sólidas. Por exem-
plo, ao abrir uma nova filial ou instalar um novo centro de distribuição.
Gestão de custos logísticos10
  Aprimoramento dos resultados : por meio da melhoria no processo de to-
mada de decisão, acompanhada da redução dos custos gerenciais, alcança-
-se um desempenho aprimorado, tanto operacional quanto financeiro.
  Possibilidade de gerar novos investimentos: um dos benefícios 
significativos ao diminuir o peso da tributação e alcançar a redução 
de custos é que a economia causada pode ser destinada à realização 
de novos investimentos, relacionados à tecnologia, à expansão e a 
outras melhorias no negócio.
Também é observado pelos autores que é possível aproveitar essa redução 
de tributos para reavaliar e tornar os preços melhores para os clientes, o que 
pode proporcionar uma maior alavancagem para as vendas, aumentando o 
faturamento e atraindo novos consumidores. Isso também gera o aumento 
da vantagem competitiva do negócio perante o mercado, permitindo que a 
empresa se destaque dos concorrentes.
Resumidamente, entende-se que o planejamento tributário e a logística 
estão interligados diretamente, pois a logística é uma área onerosa por natu-
reza, que pode ser aperfeiçoada e ter os custos reduzidos caso as equipes, ao 
trabalharem em conjunto, consigam alinhar os objetivos operacionais com os 
benefícios e as isenções permitidas pelo governo.
CAXITO, F. et al. Logística: um enfoque prático. São Paulo: Saraiva, 2014.
CHING, H. Y. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada: supply chain. 4. ed. 
São Paulo: Atlas, 2014.
CREPALDI, S. A. Curso básico de contabilidade de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
DIAS, M. A. Administração de materiais. São Paulo: Atlas, 2015.
GONÇALVES, P. S. Administração de materiais: obtendo vantagens competitivas. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2013.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia, operação 
e avaliação. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
SOUZA, F. A.; MORAES, M. H. Logística tributária e fiscal: aspectos fiscais e tributários no 
cotidiano das operações logísticas. 2. ed. São Paulo: Editora Mag, 2017.
VIANA, J. J. Administração de materiais. São Paulo: Atlas, 2012.
11Gestão de custos logísticos

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