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PAISAGISMO Conceitos • Paisagismo: O paisagismo trata da organização do espaço externo, buscando a harmonia entre as construções e a natureza. • Paisagem: é vista como um reflexo dos sistemas climáticos, naturais e sociais, interagindo entre si. • Jardim: vem do hebreu gan (defender) e eden (prazer), dando a ideia de que o jardim é um local agradável e protegido. • Manejo sustentável: é aquele que se mantém, que irá se perpetuar, irá passar gerações futuras. Paisagismo • Derivada da palavra paisagem e combina ciência e arte. • É uma atividade que organiza os espaços externos e internos com o objetivo de proporcionar bem-estar aos seres humanos e de atender às suas necessidades atuais e futuras e aos desejos de estética, e recursos naturais. • Resultante da interação de elementos e forçada natureza e a intervenção do homem, ou seja, é o espaço de um terreno abrangido em um lance de vista, é a extensão territorial a partir de um determinado ponto. ➔ Benefícios do paisagismo urbano: temperaturas amenas, diminuição dos ruídos, criação de espaços de lazer promovendo saúde e bem-estar. ➔ Trabalhar com paisagismo é trabalhar com estética, visual, simetria, textura, tamanhos, cores etc. É uma combinação que com a criatividade se faz arte. Paisagismo abrange conhecimentos científicos e artísticos: Conhecimentos científicos: • Manejo dos recursos naturais: ecologia, biologia, botânica, geologia, geografia etc. • Técnicas de cultivo: fitopatologia, entomologia, fitotecnia, adubação, climatologia, irrigação e drenagem; • Organização dos espaços: arquitetura e urbanismo; Conhecimentos artísticos: • Artes plásticas: elementos vivos e inertes (esculturas); • Artes industriais: cerâmicas, serralherias, marcenarias etc. Jardim - Garden (inglês), garten (alemão), jardin (francês), jardim (português); - Considerados lugares perfeitos com vistas agradáveis; - Função: ser um lugar bonito, um paraíso com vistas agradáveis. - Origem: hebraica, traz a ideia de mundo ideal, pequeno, perfeito e privativo. - Para a tradição judaico - Cristã traz a ideia de paraíso, plantas em harmonia, beleza e satisfação espiritual. ➔ Nos jardins nem sempre se usam apenas plantas ornamentais, também há a utilização de plantas medicinais e nativas. Classificação quanto aos estilos de jardins 1. Formal: organizado, comportado e com maior equilíbrio. 2. Informal: desarrumado propositadamente, influência jardim ingleses. 3. Rochoso: específico de climas quentes e agrestes. 4. Japonês: ditado pela filosofia do povo japonês. Levam, as pessoas à meditação. 5. Tropical: toda exuberância da flora das regiões tropicais e utiliza espécies nativas. 6. Ambiental: a prioridade consiste em recuperar a vegetação nativa. 7. Ecológico: segue uma tendência que surgiu na Alemanha, interação da planta ao mundo do homem. 8. Clean: visualmente mais limpo, utiliza poucas espécies. 9. Social: paisagem que convida à convivência, desfrute e contribui para o embelezamento das áreas vizinhas, da cidade. Ex: jardins particulares que se estende até a rua. Evolução dos Estilos Paisagísticos - As primeiras influências históricas sobre a jardinagem e o paisagismo surgem na China e em torno do rio Nilo, no Egito. - A importância de se conhecer a história do paisagismo é a influência que até hoje esta exerce sobre os estilos paisagísticos. - Os jardins do Egito, por exemplo, deram origem a um estilo de paisagismo com traçado mais formal e retilíneo, enquanto os jardins chineses influenciaram um estilo mais informal e com linhas sinuosas. Jardins da Babilônia (600 a.C.): A forma e a distribuição destes jardins estavam baseadas nos conhecimentos de agricultura, utilizando irrigação para buscar maior conforto térmico. O maior exemplo são os Jardins Suspensos da Babilônia (604 a 562 a.C.): jardins em terraços de 25 a 100 metros de altura irrigados, criando um “oásis” com sombra e proteção (conforto térmico). Foram construídos pelo rei Nabucodonosor, para sua esposa preferida Amitis, que nascera em um reino vizinho, e vivia com saudades dos campos e florestas de sua terra. Características: • Estruturas em terraços elevados, criando a ilusão de um jardim suspenso. • Sistemas de irrigação para trazer água do rio Eufrates e diminuir o calor. • Vegetação exuberante, com árvores, palmeiras, flores e plantas tropicais. • Uso de pedras, pilares e arcos para sustentar os terraços. • Considerados uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. • Função: Criado como presente do rei Nabucodonosor II para sua esposa, representava luxo e poder. • Exemplo: Jardins Suspensos da Babilônia (uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo) Highlight Jardins do Egito (2.000 a. C): Existem referências de jardins no antigo Egito, em torno de 2.000 AC. Estes jardins seguiam critérios de plantio baseados na agricultura desenvolvida na planície do rio Nilo. Utilizavam canais de irrigação, esculturas, muros e apresentavam desenhos de linhas retas e formas simétricas. Os jardins egípcios exploravam o sentido religioso e simbólico de muitas plantas como o papiro, lótus, tamareira, videira, romã, figueira e cipreste. • Características: Geometria e simetria, irrigação do Rio Nilo, lagos, espelhos d’agua e lagos artificiais, vegetação frutífera e ornamental, elementos decorativos, esculturas e pergolados. • Função: Uso funerário, religioso, templos e palácios, utilizados para lazer e sombra. • Exemplo: Jardins nos templos de Karnak e Luxor. Jardins Persas (500 a. C): Os jardins persas eram projetados com desenhos quadriculados, como tapetes, utilizando plantas frutíferas, aromáticas e flores como cravos e rosas. Usavam canais com tanques no centro, revestidos de azulejos. Os jardins eram exuberantes, destinados ao prazer, saúde e luxo. Havia uma relação direta entre arquitetura e jardim. Jardins murados (chamados de "paraísos"), com fontes e canais que simbolizavam a harmonia entre terra e água, influenciando os jardins islâmicos. Esses jardins tinham um design característico chamado "Chahar Bagh", que significa "quatro jardins", pois eram divididos em quatro partes simétricas por caminhos e canais de água. • Características: Murados, simétricos, com fontes e canais, espelhos d’agua, design "Chahar Bagh" (quatro partes). Tem como base os 4 elementos da natureza (água, ar, fogo e terra). • Função: Lazer da realeza, meditação, bem-estar e representação do paraíso. • Exemplo: Jardins do Palácio de Pasárgada. Jardins da Grécia (século V a.C.): A Grécia teve um papel importante na definição dos espaços públicos, tendo início os jardins públicos, com praças para a prática de esportes e para local de encontro dos pensadores. Estes espaços serviam de “santuários” para adorar os deuses, como grutas ou bosques. Ex.: Jardim da Academia em Atenas, onde viva e trabalhava o filósofo Platão. O estilo grego também teve forte influência egípcia, porém, em virtude do relevo apresentar mais elevações e declives, utilizaram formas mais naturais. Utilizavam jardins em recintos fechados e cultivavam espécies frutíferas como romãs, peras, figos, azeitonas e ervas medicinais, como tomilho e alecrim. • Características: Simples, com árvores frutíferas, oliveiras, pergolados, fontes e estátuas de deuses. • Função: Espaço para culto religioso, estudo e lazer. • Exemplo: Jardins dos templos de Atenas. Jardins Romanos: As residências romanas possuíam jardins internos que eram utilizados para a realização de festas, possuindo estátuas, mesas de mármore, pérgolas, espelhos d’água, vasos e floreiras. Entre as espécies utilizadas, destacam-se os ciprestes, os álamos, buxus, videira, hera, macieira, rosas e as flores anuais. Algumas plantaseram mantidas podadas com diferentes formas utilizando a técnica da topiária. A maioria dos jardins possuía uma pequena horta, com irrigação. A interpretação casa-jardim é clara nas Villas Romanas dos arredores de Roma, como a Villa Adriana (construída em Tivoli para o imperador Adriano entre os anos 73 e 138). • Características: Fontes, pérgulas, esculturas, vegetação ornamental, espelhos d’água. • Função: Ornamentação de vilas e espaços públicos, locais de lazer, festas e contemplação. • Exemplo: Jardins de Pompeia e Palácio de Tibério. Jardim Árabe: Os árabes introduziram os jardins da sensibilidade, explorando os elementos: água, cor e perfume. As cores também eram valorizadas através dos pisos e paredes com placas de cerâmica. Utilizavam plantas com perfume como jasmins, cravos, jacintos, alfazemas, rosas e espécies trepadeiras junto à colunas. O estilo árabe influenciou os jardins espanhóis, que também empregavam a água com função simbólica e como agente refrigerador. • Características: Muros altos, pátios internos, fontes e espelhos d’água, mosaicos e sensibilidade explorando água, dor, sabor e perfume. • Função: Representação do paraíso islâmico, frescor no clima árido. • Exemplo: Alhambra, na Espanha. Jardim Medieval Após a queda do Império Romano, as cidades se desestruturam, sendo cercadas para se proteger das guerras. Desta forma, o verde fica limitado ao meio rural. Apenas os mosteiros ainda mantêm jardins internos, de formato retangular com circulação em forma de cruz, com plantas medicinais, condimentares, flores-de-corte, além de horta e pomar. • Características: Pequenos, cercados por muros, cultivo de ervas medicinais e flores. • Função: Cultivo de alimentos e plantas curativas, espaços de meditação nos mosteiros. • Exemplo: Jardins de mosteiros na Europa. Estilo Italiano (Renascimento – século XV): O Renascimento desenvolveu a música, as artes, a ciência, arquitetura e o paisagismo. Os jardins eram centros de retiro intelectual para sábios e artistas trabalharem e discutirem ideias. Utilizavam ciprestes, plantas podadas (topiaria), com predomínio da cor verde escuro para dar fundo às estátuas em cores claras. Exploravam ao máximo o relevo acidentado, formando escalinatas (água no interior de calhas em degraus). Um exemplo deste estilo é a Villa Médici, de 1450, que valorizou as vistas panorâmicas, explorando o relevo em terraços. Possuía jardins secretos, privativos e jardins abertos aos convidados para a realização de festas. A casa e o jardim foram projetados de forma unitária. As características gerais deste estilo são: predomínio da parte arquitetônica, uso de terraços para se adaptar à arquitetura, grutas com santos nos jardins, vegetação verde escuro, escadarias e escalinatas. • Características: Simetria rigorosa, terraços, esculturas clássicas, fontes e labirintos. • Função: Expressão artística, status social, contemplação • Exemplo: Villa Médici Jardim Francês: O renascimento na França chegou um pouco mais tarde que na Itália. Em 1495, Carlos VI organiza uma expedição para Nápoles, trazendo projetos e obras de arte da Itália. No início, tentam levar o estilo italiano para a França. A partir da metade do século XVII a França, que se encontra no auge de seu poder e riqueza, passa a criar um modelo próprio de paisagismo, surgindo o estilo francês. Como reflexo da prosperidade, do poder e da inflexibilidade do governo, o modelo francês adota como premissa “o homem domina a natureza”. Um dos expoentes deste estilo são os jardins do Palácio de Versailles, concebidos entre 1624 e 1688 pelo paisagista Le Nôtre. Os jardins ocupavam 6000 ha, contando com 1400 fontes. Apresentam um eixo central que se eleva para o horizonte, valorizando a perspectiva e a sensação de grandiosidade e destacando o domínio do homem sobre a natureza. O jardim é limitado por bosques nos arredores. "Uma característica fundamental do jardim francês é a topiaria, que é a poda escultural das vegetações. As linhas retas, a simetria, a perspectiva e a organização também são alguns pontos fundamentais desse estilo". Grandiosidade e destacando o domínio do homem sobre a natureza. O jardim é limitado por bosques nos arredores. Como reflexo da prosperidade, do poder e da inflexibilidade do governo, o modelo francês adota como premissa “o homem domina a natureza”. • Características: Simetria absoluta, grandes eixos visuais, topiaria (podas ornamentais). • Função: Exibição de poder e grandiosidade. • Exemplo: Jardins de Versalhes. Highlight Jardim Inglês: No século XVIII os ingleses, discordando do governo francês e sob influência do movimento romântico que buscou ressaltar a beleza da natureza, propuseram novos modelos estéticos para as artes e paisagismo. Os projetos compreendiam todo o panorama visível desde a residência, ou seja, toda a paisagem. Buscavam explorar diferentes impressões visuais como reflexos luminosos, textura, além da sonoridade do movimento das plantas. Também utilizavam alegorias mitológicas e literárias. As principais características deste estilo são: amplos gramados, mais espontâneos caminhos amplos formações vegetais heterogêneas e flores com cores suaves, água em formas mais naturais, exploração dos elementos surpresa, variedade, simulação e sequência de perspectivas e eliminação de barreiras entre o jardim e a paisagem. O estilo inglês influenciou o paisagismo nos EUA. No entanto, os pequenos jardins das residências americanas não permitiam a adoção completa deste estilo. No final do século XIX, os americanos incorporaram ao estilo inglês a utilização de maciços florais e arbustos. • Características: Paisagismo naturalista, lagos, colinas, caminhos sinuosos, menos formalidade. Lugar romântico, referência as obras de William Shakespeare. • Função: Aproximação com a natureza, lazer e contemplação. • Exemplo: Jardins de Stourhead, na Inglaterra. Jardim japonês Os jardins japoneses são projetados para criar um ambiente de paz, contemplação e espiritualidade, sendo fortemente influenciados pelo budismo zen, xintoísmo e filosofia taoísta. Diferente dos jardins ocidentais, que valorizam a estética e a simetria, os jardins japoneses priorizam a harmonia natural e o simbolismo de seus elementos. Um convite a contemplação, o jardim japonês transmite paz e espiritualidade. Os aspectos visuais como a textura e as cores, em um jardim oriental são menos importantes do que os elementos filosóficos, religiosos e simbólicos. Estes elementos incluem a água, as pedras, as plantas e os acessórios de jardim. Originou-se na China e Coréia. • Características: Assimétrico, com pedras, pontes, lagos, bambus, cerejeiras e minimalismo. • Função: Representação da natureza em miniatura, meditação e harmonia espiritual. • Exemplo: Jardim Ryoan-ji, no Japão.