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CBPR_MOD2_AULA1

Aula (Módulo 02) sobre planejamento para atuação em emergências em saúde pública. Define objetivos; explica gestão do risco (prevenção, resposta, recuperação), marcos internacionais e legislação (RSI, Decreto 7.616/2011, Portaria GM‑MS 2.952/2011), papel local, capacidades do SUS, comitês, simulações e avaliação.

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Módulo 02: Preparação para emergências em saúde pública
Aula 01: – Planejamento para atuação frente a emergências em saúde pública
Ao finalizar esta unidade, você será capaz de:
1. contextualizar a importância do processo de planejamento para atuar em
emergência em saúde pública;
2. apontar os principais marcos internacionais que norteiam essa temática;
3. identificar os aspectos de saúde pública na gestão do risco de emergências; e
4. descrever os mecanismos de planejamento para atuação em emergência em saúde
pública.
O planejamento para atuar em uma emergência em saúde pública parte de algumas
premissas.
A primeira delas é que esse é um processo baseado na gestão do risco: você não pensa
apenas nas ações de resposta para o momento da ocorrência da emergência, mas sim, em
todas as ações voltadas para reduzir o risco de ocorrência de emergência, fazer o manejo
dessa emergência quando da sua ocorrência e também para o processo de recuperação dos
seus efeitos. Deve-se pensar nisso porque as emergências impactam na saúde tanto das
pessoas quanto dos próprios serviços.
Toda e qualquer emergência, independentemente da sua tipologia, inicia-se no nível
local. Também é do nível local que vem a primeira resposta. Para que haja resposta oportuna
e atuação adequada, é necessária uma preparação prévia. A preparação prévia maximiza a
capacidade de atuação, reduz os impactos e os riscos presentes e futuros. Além disso,
conhecer a sua capacidade de atuação, tanto a que instalada quanto à necessária para
responder de forma oportuna a uma emergência, é um processo que deve perpassar todas as
ações de saúde e deve ser contínuo e permanente.
O RSI define que uma emergência em saúde pública pode ser causada por um evento
que constitui risco para a saúde pública devido a propagação de doença e que exige
resposta coordenada. Este evento pode ser doença ou ocorrência que apresente potencial
para causar doença.
Em âmbito internacional, trata-se de quando o evento pode propagar-se para outros
países.
Na legislação nacional, regulamentada pelo Decreto nº 7.616/2011 e pela Portaria
GM-MS nº 2.952/2011, uma emergência em saúde pública pode ser associada à ocorrência
de epidemia, desastre ou desassistência. Então, no Ministério da Saúde, você já sabe: quando
se fala em preparar-se para responder a uma ESP, ou seja, emergência em saúde pública, isso
significa ter de se preparar para atuar em situação de epidemia, desastre ou desassistência.
Considerando o que vimos até aqui, agora já temos subsídios para conversarmos
sobre o processo de organização da atuação em emergências. Esse processo aplica-se a todos
os setores que atuam nessas situações. Primeiramente, é essencial compreender que este é
um processo contínuo e permanente que deve estar em constante avaliação.
Sabemos que o cenário de risco não é estático e que passa por constantes mudanças.
Então, para a gestão desse risco, essas mudanças devem ser identificadas para que se
possam fazer as alterações necessárias com o intuito de executar ações adequadas. Assim, na
preparação da atuação, que é parte do processo de planejamento, é essencial conhecer o
cenário, os atores e as ações a serem desenvolvidas em resposta a uma emergência. O
conhecimento destes aspectos permite a elaboração de planos, a capacitação e a realização
de simulações que possibilitem identificar potenciais problemas e solucioná-los.
Quando da ocorrência de um evento, é crucial para o dimensionamento da resposta
contar com a avaliação imediata. Ela subsidia a tomada de decisão e o acionamento de
recursos para uma atuação oportuna.
No processo de recuperação, discutir as lições aprendidas ao longo da resposta à
emergência colabora com a melhoria do planejamento, uma vez que permite identificar o
que funcionou como planejado e também os pontos falhos. A partir deste conhecimento, é
possível adequar e melhorar o planejamento para uma determinada resposta.
No âmbito do SUS, o planejamento para emergências deve observar a estrutura
administrativa do setor saúde. Para isso, deve olhar para cada uma de suas esferas de gestão.
Cada secretaria tem uma forma de organização em suas áreas. Identificar essas
formas é essencial para esse processo. Conhecer o cenário de risco, com as tipologias de
ocorrências que têm potencial para tornar-se uma ESP, possibilita identificar as áreas do
setor saúde que devem compor o processo de preparação e resposta a uma emergência. Isso
permite definir, ainda, as capacidades instaladas e as necessárias, bem como identificar os
mecanismos e instrumentos de gestão de riscos que sejam de relevância para a saúde.
Para fortalecer a capacidade do SUS na gestão das emergências, o Ministério da
Saúde aponta algumas recomendações. Entre essas, há alguns destaques, como quando
identificado um cenário com potencial para se tornar uma ESP, a Secretaria de Saúde deve
instituir um comitê ou estrutura equivalente que seja responsável por articular junto às
demais áreas o planejamento e o monitoramento das ações de redução do risco, de manejo
de emergência e de recuperação dos seus efeitos.
Além disso, deve-se pensar, no âmbito da discussão deste grupo, como identificar o
levantamento de ameaças e vulnerabilidades, registrando o histórico das emergências
naquela localidade; fazer um inventário dos recursos que existam no setor saúde, além da
identificação da necessidade de recursos complementares; e, ainda, discutir as estratégias e
redes de comunicação e gestão da informação. Deve-se desenvolver e organizar as ações de
promoção, vigilância e atenção à saúde, e o processo de capacitação e qualificação dos
profissionais que irão atuar em uma potencial emergência.
Assim, a saúde tem a possibilidade de organizar seu processo de trabalho para
promover uma atuação oportuna e reduzir o risco de exposição da população, dos
profissionais atuantes e, ainda, reduzir o potencial impacto sobre os próprios serviços de
saúde.
Outro aspecto a ser observado no planejamento é a realidade à qual ele se aplica. É
importante que se identifique quais são as ocorrências mais comuns naquela localidade e
quais instituições atuam nessas ocorrências. Deve-se observar, ainda, a dinâmica do território
e as atividades de potencial risco nele desenvolvidas.
Como está distribuída a rede de saúde daquele lugar? Qual é o perfil epidemiológico
da população que ali vive? Do que estas pessoas adoecem? Essas doenças podem ser
influenciadas pelo cenário de risco ali presente? Observando estes aspectos, é possível
realizar uma análise da situação de saúde, a qual subsidiará a tomada de decisão de gestores
e técnicos com base em informações sólidas. Com isso, permite-se que se desenvolvam ações
de forma oportuna, reduzindo o risco para as pessoas.
Quando se observa a realidade do território, envolve-se todo o sistema de saúde,
com enfoque transversal e multidisciplinar, e, ainda, promove-se ampla articulação e
colaboração, tanto em âmbito intersetorial quanto interinstitucional, maximiza-se a utilização
dos recursos e também a capacidade de atuação em uma situação de emergência.
Nos próximos slides, trataremos das estratégias que podem ser adotadas no setor saúde para
redução de riscos de emergências, para seu manejo e para recuperação dos seus efeitos.
Entre essas estratégias, vale destacar a necessidade de integrar e gerir as ações do
SUS. Isso pode ser feito por meio da definição de mecanismos normativos e de gestão, da
cooperação intra e interinstitucional, do desenvolvimento e da promoção de mecanismos e
ferramentas que propiciem a articulação e a integração das ações de saúde. Deve-se, ainda,
fortalecer as ações frente às ESP na promoção, vigilância e atenção à saúde.
Além disso, é imprescindível ampliar a capacidade de preparação, resposta e
recuperação do SUS. Isso se dá por meio de formação, treinamento e capacitação das
pessoas; pelo estabelecimento de estratégias locais de gestão de emergências; pela
manutenção de equipes de pronta resposta capacitadas; pela manutenção de estoques einsumos estratégicos para a saúde; além do incentivo e apoio a estudos e pesquisas.
Necessita-se, ainda, ampliar a capacidade das equipes de saúde do SUS para uma
resposta a emergências e desastres com a formação de equipes específicas, o
estabelecimento de rede de especialistas e colaboradores e a melhoria ou estabelecimento
de fluxos e processos de resposta às ESP.
Por fim, outra estratégia importante é promover ou apoiar a redução de
vulnerabilidades e ampliação de resiliência no SUS por meio de:
• sensibilização dos atores do SUS sobre a importância da atuação preventiva
e de preparação (gestores e técnicos);
• estabelecimento de mecanismos e ferramentas de orientação e
comunicação com os serviços de saúde (promoção, vigilância em atenção à
saúde etc.); e
• promoção e incentivo à inserção ou ampliação da participação comunitária
nos mecanismos de representação do SUS.
Vale enfatizar, mais uma vez, que o processo de planejamento para emergências é
contínuo e está em constante aperfeiçoamento, uma vez que o cenário está sempre se
alterando.
Nesse contexto, para planejar é necessário se fazer alguns questionamentos.
● Qual problema vou enfrentar?
● O que fazer nessas situações?
● Quem são os atores envolvidos para enfrentar esse problema?
● Em que momento vou desenvolver minhas ações?
● Como vou desenvolver minhas ações?
● Com que recursos?
Normalmente, esses questionamentos são feitos e discutidos no âmbito do
Departamento de Emergências em Saúde Pública ou de uma instituição equivalente. Serve
para nortear o processo de tomada de decisão ao definir-se o passo a passo de um Plano de
Emergência.
É essencial, para isso, que se reúnam todos os atores envolvidos no âmbito do setor
saúde e que se tenha clareza das suas responsabilidades para que seja possível verificar o
cenário de risco e quais serão as atribuições e responsabilidades de cada um desses atores.
Os planos são a forma de materializar o planejamento. No âmbito da gestão de risco
de emergências há uma infinidade de tipos de planos. O Ministério da Saúde define, na sua
Estratégia de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública, três planos que se
complementam: o Plano Multirrisco, o Plano de Contingência e o Plano de Ação do Evento.
Plano Multirrisco: estabelece uma estratégia de atuação coordenada para resposta
às emergências em saúde pública que considere fatores de multiameaças. Não é voltado para
um problema específico, mas tem o intuito de organizar a estratégia como um todo. Uma
estratégia de coordenação geral.
Plano de Contingência: verifica um aspecto específico, um cenário específico de
risco, uma tipologia de emergência, ou seja, uma inundação, um desastre geológico, uma
epidemia de determinada doença e, a partir de então, definem-se estratégias, atores e ações
baseadas em hipóteses de ocorrência para uma determinada emergência.
Plano de Ação do Evento: dá-se quando a emergência já está posta. Assim, ocorreu o
evento, observa-se a situação, faz-se a análise de como está a emergência e aponta-se as
estratégias e ações táticas e operacionais para responder àquele evento específico.
A estratégia para ESP do Ministério da Saúde possui um Plano Mestre e diversos
Planos de Contingência. O Plano de Resposta a Emergência em Saúde Pública estabelece
mecanismos gerais de coordenação de uma emergência no âmbito do Ministério.
Entre esses mecanismos estão, por exemplo, que a gestão da emergência deve ser
realizada por um Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) e que seu mecanismo
de gerenciamento é baseado no Sistema de Comando de Operações (SCO).
Além disso, existem os Planos de Contingência. Cada um desses Planos conta com
protocolos e procedimentos específicos para facilitar a sua execução.
Sendo o Plano de Contingência um documento que norteia a atuação do setor saúde
em uma tipologia de emergência específica, e considerando que a priorização dessa tipologia
foi estabelecida com base no cenário analisado e na definição de situação hipotética da sua
ocorrência, para que ele atenda a seus objetivos, é essencial que seja dotado de algumas
premissas básicas.
O documento deve ser simples, objetivo, claro, adaptável e compatível com o cenário
estabelecido.
Adicionalmente, deve:
● aprovar e divulgar o documento;
● capacitar os atores envolvidos;
● simular;
● avaliar; e
● adequar, quando necessário.
Basicamente, são esses os passos para se elaborar um Plano de Contingência.
Na elaboração de um Plano de Contingência, a matriz de responsabilidade é um
instrumento essencial para a identificação do cenário, dos atores e das ações a serem
desenvolvidas. O formulário é simples, no entanto, o seu preenchimento requer cuidado e,
principalmente, o conhecimento da estrutura organizacional e administrativa e das
competências e atribuições dos seus componentes.
Como observado no formulário, há um campo para estabelecer o tipo de evento que
será trabalhado, as ações a serem desenvolvidas nesse evento, bem como os setores e
instituições envolvidos na atuação.
Aqui, vale reforçar o quão imprescindível é conhecer a estrutura organizacional e as
competências e atribuições de cada ator, uma vez que deve ser identificada a função a ser
assumida por ele. Seja ela de coordenação da ação, aquela que tem a atribuição legal de
coordenar a sua realização ou que tenha alguma responsabilidade na realização da ação, ou,
ainda, que atue apenas com o apoio para realizar essa ação. Se não houver conhecimento de
como é a estrutura legal de todos os setores envolvidos, não é possível preencher essa
matriz.
Já o protocolo, que também tem formulário específico, estabelece um processo de
decisão que foi discutido e acordado antes da ocorrência de uma emergência. Deve incluir
ações macro que envolvam mais de um setor ou instituição.
Veja o exemplo a seguir. Todo protocolo deve conter o propósito, âmbito, as
prioridades, normas e ações conjuntas e previstas.
O procedimento é o detalhamento das ações previstas em um protocolo. Uma única
ação pode culminar em diversos procedimentos. É o que nós conhecemos como
procedimento operacional padrão. Um checklist com as atividades necessárias para se chegar
a um determinado resultado no desenvolvimentos de uma determinada ação.
Para encerrar nossa aula, gostaria de reforçar alguns pontos essenciais no
planejamento para uma emergência em saúde pública.
O primeiro, é que o processo precisa de coordenação. O segundo, é que priorizar é
imprescindível. E o terceiro, é que sem a articulação e participação não há atuação oportuna.
Obrigada pela atenção! Até a próxima aula!

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