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PARASITOLOGIA CLÍNICA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Larissa Barbosa de Paula 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Dentre os protozoários que compõem o Sub-reino Protozoa, o Filo 
Sarcomastigophora – Subfilo Sarcodina inclui as amebas patogênicas e não 
patogênicas. Nesta etapa, você conhecerá as principais espécies ameboides de 
importância clínica para humanos: Entamoeba spp., Endolimax nana, 
Iodamoeba bütschlii, Naegleria fowleri e Acanthamoeba spp. 
Para compreender o assunto e atingir as competências e objetivos do 
estudo, vamos analisar uma situação hipotética que se aproxima dos conteúdos 
teóricos abordados ao longo da etapa: “Pedro, 11 anos de idade, compareceu à 
emergência queixando-se de febre, vômito e estado mental alterado. Durante a 
anamnese, declarou estar se sentindo bem até dois dias antes, quando passou 
a apresentar cefaleia e fotofobia, e contou que havia nadado em um rio local há 
5 dias. Uma tentativa de punção lombar foi realizada, porém sem sucesso devido 
à intensa agitação do paciente. Suspeitando de meningite, o médico plantonista 
administrou antibióticos e transferiu Pedro para a unidade de tratamento 
intensivo; porém, durante o trajeto, o paciente sofreu uma convulsão, com 
espasmos do lado direito. O hemograma revelou contagem de leucócitos 
aumentada, com predomínio de neutrófilos segmentados. A nova tentativa de 
punção lombar demonstrou um fluido amarelado semelhante a pus e os níveis 
de proteínas, leucócitos e eritrócitos do líquido cefalorraquidiano (LCR) 
encontravam-se aumentados, contrariamente aos níveis de glicose. A análise 
microscópica de uma preparação úmida do LCR revelou a presença de 
trofozoítos móveis. Três dias após sua admissão no hospital, Pedro entrou em 
coma e não retomou a consciência, indo à óbito dois dias depois”. 
A principal característica que diferencia as amebas dos demais grupos de 
protozoários é a forma de locomoção, através da extensão de seu citoplasma 
formando pseudópodes. Basicamente existem duas formas morfológicas no ciclo 
biológico amebiano: a) trofozoíto, que se alimenta, se multiplica e forma os 
pseudópodes; e b) cisto, que não se alimenta e é caracterizado por uma 
membrana espessa que protege o parasito de condições ambientais 
desfavoráveis – sendo semelhantes os ciclos biológicos de todas as amebas 
intestinais. O modo de transmissão para o ser humano mais comum é através 
da ingestão de cisto infectante em água e/ou alimentos contaminados; o qual se 
converte morfologicamente em trofozoíto (excistamento) na região ileocecal 
 
 
3 
intestinal. Já a conversão de trofozoíto em cisto (encistamento) também ocorre 
no intestino, quando o ambiente deixa de ser propício para a multiplicação do 
trofozoíto. Os cistos apresentam uma parede celular protetora, denominada 
parede cística, que viabiliza a chegada destes ao ambiente externo juntamente 
com as fezes; possibilitando, também, sua viabilidade durante longos períodos 
(Aziz; Zeibig, 2014). 
TEMA 1 – ENTAMOEBA SPP. 
As espécies pertencentes ao gênero Entamoeba são classificadas em 
quatro grupos, conforme a quantidade de núcleos presentes nos cistos ou a 
ausência / desconhecimento dessa forma parasitária: 
• Cistos contendo oito núcleos ou grupo coli – E. coli (humanos), E. muris 
(roedores) e E. gallinarum (aves domésticas) 
• Cistos contendo quatro núcleos ou grupo histolytica – E. histolytica 
(humanos), E. dispar (humanos), E. ranarum (sapos e rãs), E. invadens 
(cobras e répteis) e E. moshkoviskii (vida livre) 
• Cistos contendo apenas um núcleo – E. polecki (porcos, macacos e 
humanos, eventualmente) e E. suis (porcos) 
• Cistos desconhecidos ou ausentes – E. gingivalis (humanos e macacos) 
(Silva; Gomes, 2016). 
Infecções por Entamoeba histolytica ocorrem em cerca de 10% da 
população mundial, sendo considerada uma das principais causas de morte por 
infecção parasitária; atrás apenas da malária e da esquistossomose. Além da 
ingestão de água e/ou alimentos contaminados, os cistos podem ser transmitidos 
sexualmente ou através de vetores mecânicos como moscas e baratas. 
Linhagens invasivas e não invasivas podem ser diferenciadas por eletroforese 
de isoenzimas e análise dos zimodemas ou padrões de isoenzimas; porém, não 
são testes úteis na rotina laboratorial. Em 1977, a OMS assumiu ser a E. dispar 
responsável pela maioria das infecções assintomáticas atribuídas à E. 
histolytica; entretanto, foram detectados casos de amebíase sintomática (colite 
não disentérica) produzidos pela E. dispar e com ausência de invasão da 
mucosa, constituindo um forte indício de que esta ameba não produz doença 
como a E. histolytica. Mesmo com a existência de E. dispar, a amebíase 
(sintomática ou não) continua sendo uma infecção atribuída à E. histolytica. 
 
 
4 
Outra espécie com morfologia também indistinguível de E. histolytica, a E. 
moshkovskii é considerada uma ameba de vida livre e infecta os seres humanos 
ocasionalmente. Sendo assim, torna-se necessário o desenvolvimento e o 
emprego de técnicas sensíveis, específicas e de baixo custo para o diagnóstico 
diferencial entre E. histolytica, E. dispar e E. moshkovskii (Silva; Gomes, 2016; 
Aziz; Zeibig, 2014). 
E. histolytica constitui a única ameba intestinal patogênica; podendo 
causar infecção assintomática, amebíase intestinal sintomática ou amebíase 
extraintestinal sintomática (abscesso hepático e disseminação através do 
diafragma, causando pneumonia amebiana). Escolha do fármaco, posologia e 
duração do tratamento dependem da localização, da intensidade da infecção e 
da idade do paciente. Segundo o Plano Nacional de Vigilância e Controle das 
Enteroparasitoses, elaborado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do 
Ministério da Saúde, as drogas de primeira escolha são tinidazol ou secnidazol 
ou metronidazol; e as de segunda escolha são tetraciclina ou paramomicina + 
furoato de diloxanida ou cloroquina + furoato de diloxanida ou nimorazol – 
iodoquinol podendo substituir o furoato de diloxanida (Aziz; Zeibig, 2014). 
Alguns fatores relacionados aos hospedeiros – região geográfica, sexo, 
idade, resposta imunológica, dieta, estado nutricional, alcoolismo e hábitos 
sexuais – parecem contribuir para a virulência da E. histolytica, transformando-a 
de comensal para invasora e elevando seu potencial patogênico. A evolução da 
patogenia se dá após trofozoítos infectantes invadirem os tecidos, por 
mecanismos ainda não totalmente elucidados. A hipótese mais discutida aponta 
para um efeito letal diretamente sobre as células através da forte adesão das 
amebas (mediada por lectinas presentes em sua superfície e auxiliadas por 
formações filopódicas que ampliam a adesão), seguida pela fagocitose; 
primeiramente em regiões intraglandulares, pela certa dificuldade de invasão na 
mucosa intestinal intacta (Silva; Gomes, 2016). 
Os trofozoítos de E. histolytica apresentam tamanho médio entre 12 e 25 
µm, e citoplasma finamente granular aparentando vidro fosco. A presença de 
eritrócitos no citoplasma constitui um achado exclusivo da doença, já que se trata 
da única ameba intestinal com essa característica. Os cistos são arredondados 
a esféricos, com tamanho médio entre 12 a 18 µm, apresentam uma parede 
cística hialina que auxilia em sua identificação e de um a quatro núcleos 
facilmente identificáveis (Figura 1) (Aziz; Zeibig, 2014). 
 
 
5 
Figura 1 – Trofozoíto com eritrócito ingerido (esquerda) e cisto (direita) de 
Entamoeba histolytica 
 
Fonte: CDC. Amebiasis. 
A prevalência da infecção por Entamoeba hartmanni é semelhante à 
epidemiologia das infecções por E. histolytica, assim como as maneiras pelas 
quais a água e/ou os alimentos se tornam contaminados por cistos infectados na 
transmissão do parasito. Entretanto, as infecções por E. hartmanni são 
tipicamente assintomáticas e, portanto, essa ameba costuma ser considerada 
não patogênica e o tratamento,normalmente não indicado. Medidas de 
prevenção contra esse tipo de amebíase incluem boas práticas de higiene 
pessoal e boas condições de saneamento, além de proteção dos alimentos 
contra moscas e baratas (Aziz; Zeibig, 2014). 
Além de diferenças na sorologia, a principal distinção entre E. histolytica 
e E. hartmanni ocorre pelo tamanho médio apresentado pelos trofozoítos e 
cistos, menores nesta espécie: os trofozoítos geralmente medem entre 5 e 15 
µm, enquanto que os cistos apresentam média de 7 a 9 µm de diâmetro. O 
citoplasma dos trofozoítos é finamente granular e pode conter bactérias; mas 
não apresenta eritrócitos fagocitados, como em E. histolytica. Os cistos também 
podem apresentar de um a quatro núcleos, sendo menores que o núcleo único 
das formas trofozoíticas e se desenvolvendo igualmente aos cistos de E. 
histolytica (Figura 2) (Aziz; Zeibig, 2014). 
 
 
 
6 
Figura 2 – Trofozoíto (esquerda) e cisto (direita) de E. hartmanni 
 
Fonte: CDC. Intestinal (non-pathogenic) amebae. 
Outra amebíase geralmente assintomática e, portanto, para a qual o 
tratamento costuma não ser indicado, é a causada por Entamoeba coli, ameba 
não patogênica encontrada mundialmente, em climas quentes ou frios; 
apresentando maior risco de se tornar endêmica em regiões com precárias 
condições de higiene e pobres em práticas sanitárias. Assim como nas 
amebíases anteriores, a transmissão ocorre pela ingestão de cistos infectantes 
em água e/ou alimentos contaminados e, dentre as medidas de prevenção e 
controle, destaca-se o adequado descarte de fezes humanas e as boas práticas 
de higiene pessoal; além da proteção de alimentos e bebidas contra moscas e 
baratas (Aziz; Zeibig, 2014). 
Em média, os trofozoítos dessa espécie medem entre 18 e 27 µm, embora 
alguns alcancem a marca dos 55 µm; apresentando evidentes pseudópodes, 
motilidade lenta e não progressiva, e citoplasma grosseiramente granulado, 
geralmente demonstrando vacúolos contendo bactérias e ausência de inclusões 
de eritrócitos. Os cistos possuem, em média, de 12 a 25 µm de diâmetro, parede 
celular espessa e um a oito núcleos facilmente identificáveis em preparações 
coradas e não coradas (Figura 3) (Aziz; Zeibig, 2014). 
 
 
 
7 
Figura 3 – Trofozoíto (esquerda) e cisto (direita) de E. coli 
 
Fonte: CDC. Intestinal (non-pathogenic) amebae. 
Com menor incidência epidemiológica, as infecções por Entamoeba 
polecki são raras e ocorrem em apenas algumas regiões do mundo; 
destacando-se Papua, Nova Guiné e alguns casos isolados no Sudeste Asiático, 
França e Estados Unidos – no qual todos os casos documentados ocorreram em 
refugiados provenientes do Sudeste Asiático. Durante muitos anos considerada 
ameba primariamente de suínos e primatas, as principais rotas de transmissão 
são de humanos para humanos e de suínos para humanos. Em pacientes 
sintomáticos, o único desconforto relatado é diarreia; sendo o tratamento, para 
essas ocasiões, a administração de metronidazol sozinho ou associado ao 
furoato de diloxanida (Aziz; Zeibig, 2014). 
Diferentemente das amebas até então estudadas, exceto pela igual 
ausência de patogenicidade, Entamoeba gingivalis, a primeira espécie 
ameboide detectada em seres humanos em 1849, infecta boca e trato genital 
silenciosamente; com maior frequência acometendo pacientes apresentando 
piorreia alveolar, em sua forma trofozoítica. A E. gingivalis é detectada nos 
raspados orais de todos os indivíduos cujos exames buscam a presença da 
ameba, contraída via contato oral-oral e contaminação de perdigotos 
transmitidos através de utensílios para bebida contaminados. Além da área 
gengival, o parasito pode ser encontrado em criptas tonsilares, abcessos 
pulmonares, escarro e amostras cervicovaginais (Aziz; Zeibig, 2014). 
 
 
 
8 
TEMA 2 – ENDOLIMAX NANA 
Encontrada principalmente em climas quentes e úmidos ou em regiões 
com precárias condições sanitárias e de higiene, E. nana constitui mais um 
exemplo de ameba não patogênica cuja infecção não é tratada por ser 
assintomática, e cujos meios de transmissão e as medidas de prevenção e 
controle seguem o padrão das demais espécies ameboides estudadas. As 
formas trofozoíticas são pequenas (média de 7 a 10 µm), com motilidade 
vagarosa e não progressiva; citoplasma granular vacuolizado, geralmente 
contendo bactérias e ausência de cromatina periférica: característica-chave para 
identificação do parasito. Os cistos, contendo tamanho médio igual ao dos 
trofozoítos, podem apresentar de um a quatro núcleos; mas são mais 
frequentemente observadas formas císticas maduras tetranucleadas (Figura 4) 
(Aziz; Zeibig, 2014). 
Figura 4 – Trofozoíto vacuolizado (esquerda) e cisto tetranucleado(direita) de 
Endolimax nana 
 
Fonte: CDC. Intestinal (non-pathogenic) amebae. 
TEMA 3 – IODAMOEBA BÜTSCHLII 
Infecções por Iodamoeba bütschlii são muito menos frequentes que as 
amebíases por E. coli e E. nana; apresentando maior prevalência em regiões 
tropicais do que em regiões temperadas e sendo considerada não patogênica 
por comumente não ocasionar sintomas clínicos; não havendo, portanto, 
 
 
9 
indicação para tratamento. As vias de transmissão e as medidas de prevenção 
e controle são as mesmas já apresentadas para as demais espécies, e o termo 
Iodamoeba deve-se à sua muito boa coloração pelo iodo. Trofozoítos de I. 
bütschlii variam de 8 a 22 µm, exibindo motilidade lenta e progressiva; e 
citoplasma grosseiramente granular e vacuolizado, podendo conter bactérias, 
leveduras ou outros detritos. Os cistos apresentam apenas um núcleo e o 
tamanho médio gira em torno de 8 a 12 µm; em formatos ovoides, elipsoides, 
triangulares ou outros. Uma característica morfológica típica desses cistos e que 
auxilia no diagnóstico da infecção é a presença de um vacúolo de glicogênio bem 
definido, com bordas igualmente definidas (Figura 5) (Aziz; Zeibig, 2014). 
Figura 5 – Trofozoíto (esquerda) e cisto contendo vacúolo de glicogênio (direita) 
de Iodamoeba bütschlii 
 
Fonte: CDC. Intestinal (non-pathogenic) amebae. 
TEMA 4 – NAEGLERIA FOWLERI 
Agente etiológico da meningoencefalite amebiana primária e única 
espécie ameboide com três formas (trofozoítos ameboides, formas flageladas e 
cistos), a Naegleria fowleri é encontrada principalmente em águas quentes e 
capaz de se multiplicar em temperaturas de até 45ºC; tendo, portanto, maior 
prevalência no verão. Medidas de prevenção e controle contra a disseminação 
parasitária incluem sinalização proibindo contato com a água em fontes 
conhecidamente contaminadas e cloração da água em piscinas e banheiras de 
hidromassagem; além do reparo imediato de rachaduras em paredes de piscinas 
 
 
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e banheiras, evitando o desenvolvimento de uma possível fonte de 
contaminação (Neves; Costa, 2016; Aziz; Zeibig, 2014). 
A patogenia da doença parece ocorrer via penetração amebiana pela 
mucosa nasal, atravessando a placa cribiforme e percorrendo o nervo olfatório 
até atingir o encéfalo. Pacientes cuja infecção é resultado da colonização 
amebiana nas fossas nasais geralmente são assintomáticos. Quando trofozoítos 
ameboides invadem tecidos cerebrais e causam a rápida destruição destes, os 
pacientes podem apresentar cefaleia, febre, dor de garganta, náuseas e vômitos; 
além de sintomas meningíticos que evoluem rapidamente, incluindo convulsões 
e rigidez da nuca. Frequentemente também apresentam alterações no olfato e 
paladar, congestão nasal e sinal de Kernig (sintoma típico de meningite, em que 
o paciente não é capaz de esticar completamente a perna caso o quadril esteja 
em flexão 90º). Pacientes não tratados costumam ir a óbito três a seis dias após 
início dos sintomas; para os quais o melhor tratamento é a rápida e agressiva 
terapia com anfotericina B, apesar da toxicidade – em casos raros, a anfotericina 
B pode ser associada à rifampicina ou miconazol (Neves; Costa, 2016; Aziz; 
Zeibig, 2014).O primeiro caso de meningoencefalite amebiana primária (MAP) foi 
relatado na Austrália por Carter e Fowleri em 1965. Uma espécie que poderá 
infectar humanos em um futuro próximo é a Naegleria australiensis, 
predominante na Ásia, Austrália, Europa e Estados Unidos; cuja patogenicidade 
já foi estudada em camundongos expostos ao parasito por instilação intranasal 
(Aziz; Zeibig, 2014). 
A detecção das formas trofozoíticas ameboides se dá pela análise 
microscópica do líquido cefalorraquidiano, podendo também ser analisadas 
amostras de tecidos e secreção nasal. Nos últimos anos, as técnicas como PCR, 
teste com anticorpos monoclonais, citometria de fluxo e hibridização de DNA vêm 
sendo utilizadas para classificar, identificar e determinar as espécies de 
Naegleria; além de estudos envolvendo polimorfismos de comprimento de 
fragmentos de restrição de DNA (RFLP), para classificação taxonômica (Neves; 
Costa, 2016; Aziz; Zeibig, 2014). 
A forma de trofozoíto ameboide é alongada, com 8 a 22 µm de 
comprimento, extremidade anterior geralmente alargada e posterior afinada; a 
motilidade é lenta e o citoplasma é granular, frequentemente contendo vacúolos 
(Figura 6). A forma flagelada é piriforme, com 7 a 15 µm de comprimento, 
 
 
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contendo duas estruturas em formato de chicote (flagelos) que auxiliam na 
locomoção irregular ou giratória do parasito e citoplasma igual ao dos trofozoítos 
ameboides (Figura 6). Já os cistos normalmente são arredondados, medindo 
entre 9 e 12 µm, apresentam apenas um núcleo, citoplasma granular 
frequentemente contendo vacúolos e uma espessa parede celular, conforme 
demonstrado na Figura 7 (Aziz; Zeibig, 2014). 
Figura 6 – Trofozoíto ameboide e forma flagelada de N. fowleri 
 
Fonte: CDC. Free living amebic infections. 
Figura 7 – Cisto de N. fowleri 
 
Fonte: CDC. Free living amebic infections
 
 
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TEMA 5 – ACANTHAMOEBA SPP. 
Infecções no sistema nervoso central (principalmente em pacientes 
imunocomprometidos) e nos olhos (especialmente em usuários de lentes de 
contato gelatinosas) por espécies de Acanthamoeba já foram relatados em 
muitos países. Com um ciclo biológico ainda pouco conhecido, medidas de 
prevenção e controle contra as infecções oculares incluem, principalmente, 
seguir os protocolos de higiene das lentes de contato preconizados pelos 
fabricantes; uma vez que práticas inadequadas, como a utilização de soluções 
salinas não estéreis, são o principal fator de risco para a ocorrência dessas 
infecções (Neves; Costa, 2016; Aziz; Zeibig, 2014). 
Quando a infecção ocorre no sistema nervoso central, conhecida por 
encefalite amebiana granulomatosa (EAG), os sintomas se desenvolvem 
vagarosamente ao longo do tempo e incluem cefaleia, náuseas, vômitos, 
convulsões e rigidez da nuca; podendo ser detectados trofozoítos ou cistos. 
Ocasionalmente, espécies de Acanthamoeba infectam outros órgãos e tecidos 
como rins, pâncreas, próstata, útero e pele, formando lesões granulomatosas 
similares às cerebrais. Quando nos olhos, a infecção é conhecida por ceratite 
amebiana e os sintomas incluem intensa dor local e dificuldades visuais; os quais 
podem evoluir para perfuração da córnea e cegueira. A maior parte dos 
pacientes com EAG vão à óbito antes da conclusão diagnóstica, em virtude da 
lenta progressão da doença, ou antes que um tratamento possa ser testado – 
sendo um dos métodos mais utilizados a terapia com sulfametazina. Os casos 
de ceratite têm obtido êxito com diversos fármacos como itraconazol, 
cetoconazol, miconazol, rifampicina e, principalmente, isotianato de 
propamidina; quando administrados imediatamente após o diagnóstico da 
infecção (Neves; Costa, 2016; Aziz; Zeibig, 2014). 
Trofozoítos de Acanthamoeba spp. possuem tamanho médio entre 12 e 
45 µm, motilidade lenta e às vezes progressiva, pseudópodes em formato de 
espinhos (acantopódios), apenas um núcleo e citoplasma granular vacuolizado. 
Os cistos são arredondados, medindo de 8 a 25 µm e contendo apenas um 
núcleo e citoplasma desorganizado, granular e ocasionalmente vacuolizado. 
Envolvendo os cistos há uma parede celular dupla; sendo a interna lisa e a 
externa irregular (Figura 8), uma característica-chave na identificação dessas 
formas parasitárias (Aziz; Zeibig, 2014). 
 
 
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Figura 8 – Trofozoíto com acantopódios (esquerda) e cistos com parede celular 
irregular (direita) de Acanthamoeba spp. 
 
Fonte: CDC. Free living amebic infections. 
NA PRÁTICA 
Responda com base no caso clínico apresentado no início da etapa: 
1) Qual ameba provavelmente infectou Pedro? 
2) Cite as doenças associadas ao parasito responsável. 
3) Desenhe o ciclo biológico do parasito enfatizando sua epidemiologia, rota 
de transmissão, estágios infectantes e diagnóstico. 
4) Quais são os tratamentos disponíveis para essa infecção e como ela pode 
ser prevenida ou controlada? 
5) Qual é a amostra de escolha para a detecção do parasito? 
6) Interprete os resultados laboratoriais apresentados no caso e proponha 
exames de acompanhamento específicos que poderiam auxiliar na 
identificação da infecção. 
FINALIZANDO 
As amebas são diferenciadas por suas características de tamanho, forma, 
quantidade de núcleos, aspectos do citoplasma inclusões citoplasmáticas; 
devendo os analistas clínicos examinarem cuidadosa e detalhadamente todas 
as amostras recebidas no laboratório em busca de formas amebianas suspeitas, 
através de tais características típicas amebianas. 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
AZIZ, H.; ZEIBIG, E. Amebas. In: ZEIBIG, E. A. Parasitologia Clínica: uma 
abordagem clínico-laboratorial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. p. 41-76. 
NEVES, D. P.; COSTA, A. O. Amebas de vida livre. In: NEVES, D. P. 
Parasitologia Humana. 13. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2016. p. 155-157. 
SILVA, E. F.; GOMES, M. A. Amebíase: Entamoeba histolytica / Entamoeba 
dispar. In: NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 13. ed. São Paulo: Editora 
Atheneu, 2016. p. 141-154.

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