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CBI of Miami 2 
 
 
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Sinais de Alerta e Características Iniciais do Transtorno do 
Espectro Autista 
Deborah Kerches 
 
 
 Conhecer o desenvolvimento típico é fundamental para identificarmos 
possíveis atrasos nos marcos do desenvolvimento da linguagem, motor, 
cognitivo, social e emocional que podem ser sinais de alerta para transtornos 
do neurodesenvolvimento, como por exemplo, o Transtorno do Espectro 
Autista. 
 Há adolescentes e adultos recebendo seu diagnóstico somente nesta 
fase, porém, para que se feche critérios para Transtorno do Espectro Autista, é 
necessário que já nos primeiros anos de vida tenha havido atrasos ou prejuízos 
consistentes com este transtorno. Durante a avaliação, em qualquer idade, é 
preciso fazer uma anamnese minuciosa desde o período gestacional com 
atenção especial ao desenvolvimento nos primeiros anos de vida. 
 Os marcos evolutivos do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) são 
comportamentos e habilidades que a maioria dos bebês e crianças devem 
alcançar dentro de uma mesma faixa etária. A atenção a estes marcos é 
fundamental, pois uma vez identificados atrasos e prejuízos, devemos investigar 
e agir precocemente para que não se percam janelas importantes de 
oportunidade para os aprendizados. Cada criança tem suas particularidades 
inclusive com relação ao seu desenvolvimento, mas sempre respeitando os 
marcos do DNPM para cada fase. 
 No Transtorno do Espectro Autista os prejuízos estão relacionados à 
comunicação e interação social e padrões comportamentais rígidos e 
estereotipados, porém, atrasos e prejuízos motores são encontrados em 50-79% 
dos casos. Assim, atrasos motores também devem ser levados em consideração 
na avaliação de risco para Transtorno do Espectro Autista, porém não fazem 
parte dos critérios diagnósticos. 
 Nos primeiros anos de vida, a neuroplasticidade, que é a capacidade 
que o cérebro tem de se moldar e se reestruturar frente a experiências e 
estímulos recebidos, é muito mais intensa. Quanto menor a criança, maior a 
velocidade de formação de novas conexões cerebrais, com isso, a intervenção 
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precoce possibilita melhores chances de formar novas conexões cerebrais 
referentes às habilidades almejadas. 
 
Desenvolvimento neuropsicomotor e social no primeiro ano de vida 
• Recém-nascido até 2 meses de vida 
 O bebê já é capaz de se comunicar especialmente com a mãe logo após 
o nascimento. Brazelton foi um pediatra que publicou um livro em 1979 que 
revolucionou a pediatria. Ele escreveu que “o velho modelo de pensamento do 
recém-nascido impotente e pronto a ser moldado pelo ambiente, nos impediu de 
ver seu poder comunicante nas interações precoces”. 
 Antes mesmo dos 2 meses de vida o bebê já é capaz de responder e 
“provocar” os pais com gorjeios, murmúrios e movimentos. Exemplificando: mãe 
e/ou pai falam frases curtas e ritmadas e o bebê faz gorjeios e murmúrios como 
se estivesse brincando. Quando os pais interrompem essa interação, o bebê 
“provoca” fazendo vocalizações ou movimentos sincronizados para que os pais 
voltem a interagir com ele. 
 O bebê antes dos 2 meses já faz contato visual. Este contato visual 
ocorre preferencialmente em momentos como quando a mãe está 
amamentando e o bebê olha para ela desfrutando deste momento. Quando a 
mãe ou cuidador mantém uma “conversa” (protoconversação) com ele, já é 
capaz de começar a diferenciar algumas formas de choro para indicar fome, 
sono, cólica, utilizando do choro para fazer uma comunicação intencional. O 
toque da mãe, do pai; se sentir seguro, acolhido e amado é de fundamental 
importância para o desenvolvimento deste bebê. 
 Com relação ao desenvolvimento motor, recém-nascidos apresentam 
tônus normal (tônus é o estado de tensão do músculo em repouso) ou 
com leve hipertonia (aumento do tônus), o que chamamos de hipertonia 
fisiológica, que vai desaparecendo por volta do terceiro mês até o primeiro ano 
de vida. 
 Hipotonia (tônus muscular diminuído) é sempre um alerta, exceto em 
prematuros (nascidos antes de 37 semanas de gestação), nos quais uma leve 
hipotonia pode ser explicada pela imaturidade do SNC (sistema nervoso 
central). Nos bebês hipotônicos observamos falta de controle cervical (quando 
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o recém-nascido não consegue controlar os músculos do pescoço, a cabeça cai 
para frente, para trás ou para o lado); um bebê mais “molinho” que pode ser 
erguido sem resistência (parece que vai escorregar entre as mãos); os 
membros superiores e inferiores ficam mais em linha reta e não fletidos quando 
colocados em uma superfície, e podem apresentar comprometimentos na 
deglutição e sucção. 
 Até os 2 meses o bebê já pode ser capaz de sustentar a cabeça por 
segundos, de apresentar movimentação espontânea e ativa dos 4 membros, 
com movimentos mais bruscos. Se o bebê com menos de 2 meses, não faz 
contato visual, apresenta alteração de tônus, não “responde” às interações 
materna, chora muito ou é muito quieto, não se acalenta no colo ou seio 
materno, já é um sinal de alerta para este desenvolvimento neuropsicomotor. 
 
• 2 meses de vida 
 Com 2 meses o bebê já tem total capacidade de se engajar visualmente 
e se expressar; prestar atenção às faces; já pode esboçar imitação; começa a 
seguir objetos com os olhos e reconhecer pessoas de longe; já se entedia se a 
atividade não muda; sorri socialmente para as pessoas; consegue se acalmar 
sozinho e rapidamente (pode levar a mão a boca e chupar, por exemplo); vira a 
cabeça em direção aos sons; começa a fazer barulhos e vocalizações com 
maior intenção comunicativa; os movimentos começam a ficar um pouco mais 
suaves e já consegue manter a cabeça elevada e erguer o tronco enquanto 
está de bruços, em decúbito ventral. Aos 2 meses o bebê diferencia melhor 
“choros” com função comunicativa. 
 Precisamos ficar alerta se o bebê de 2 meses não responde a sons 
altos, não sorri para as pessoas, não se interessa pela face humana nem 
mesmo da mãe e do pai, não faz contato visual, não observa o movimento dos 
objetos, não consegue elevar a cabeça quando de bruços (decúbito ventral), 
chora demais ou é quieto demais, não se acalma com a voz da mãe ou 
cuidador, é difícil de acalentar, não “provoca”. 
 
 
 
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• 4 meses 
 Aos 4 meses o bebê é capaz de mostrar que está feliz ou triste; sorrir de 
forma espontânea especialmente como forma de comunicação social; já 
demonstra prazer com a interação e gosta que brinquem com ele chegando a 
chorar se a brincadeira acaba; imita alguns movimentos e expressões faciais 
como sorrir, franzir a testa, mexer a boca; começa a balbuciar inclusive com 
expressões; imita sons que ouve; chora de maneira diferente para fome, dor, 
cansaço; tenta pegar um brinquedo com uma mão; usa as mãos e olhos juntos, 
por exemplo quando vê um brinquedo e tenta pegá-lo; segue objetos em 
movimento com os olhos de um lado para outro; observa com atenção as faces 
humanas e se interessa; reconhece pessoas e coisas familiares de longe; 
levanta os bracinhos para ser carregado; sustenta a cabeça sem apoio; 
empurra as pernas quandoos pés estão encostados em uma superfície dura; 
começa a tentar rolar, leva as mãos à boca, segurar objetos e chacoalhar; 
quando de bruços se apoia sobre os cotovelos. 
 Precisamos ficar alerta se o bebê aos 4 meses não apresenta reação 
antecipatória; não faz sons como se estivesse conversando; não sorri e não se 
interessa pelas pessoas ou ambiente; não tenta levar objetos ou mãos à boca e 
não apresenta sustento cervical; não se acalma na presença da mãe ou 
cuidador; não se importa ao ser separado da mãe; não faz contato visual ao olhar 
a face da mãe; prefere olhar para a boca, por exemplo, do que para a face 
humana; se interessa mais por objetos do que pela face humana; é irritado ou 
quieto demais; não faz barulhos ou emite sons; não consegue sustentar a 
cabeça; tem dificuldade em movimentar um ou ambos os olhos em todas as 
direções; é hipotônico, se movimenta pouco; não “provoca”; não parece desejar 
a interação; parece não gostar do colo. 
 
• 6 meses 
 Aos 6 meses começa a estranhar pessoas que não são do convívio; 
demonstra gostar de brincar, especialmente com os pais; responde a interações 
com maior riqueza de vocalizações e expressões; provoca interações e 
responde a emoções alheias; demonstra suas emoções com sons e 
expressões; segue o olhar da mãe dentro do seu campo visual; gosta de se ver 
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no espelho e fica curioso com o que vê; observa tudo ao seu redor; leva 
objetos à boca; mostra curiosidade sobre tudo; tenta alcançar objetos que 
estão fora do alcance; começa a transferir objetos de uma mão para outra; rola 
em ambas as direções; começa a sentar sem apoio; quando está em pé apoia o 
peso sobre as pernas e pode tentar pular; de bruços balança para frente e para 
trás, às vezes rastejando para trás antes de ir para frente; responde ao próprio 
nome; responde aos sons emitindo outros; une vogais ao balbuciar ( “ah”, “eh”, 
“oh”); começa a falar sons consoantes (articula “m”, “b”); faz pausas incitativas 
para provocar os pais ou cuidadores. Importante pontuar que este primeiro 
balbucio quase todos os bebês fazem, até mesmo os que não serão verbais. 
 Precisamos ficar alerta se o bebê de 6 meses não interage ou interage 
pouco com o ambiente ou pessoas; não responde a sons; não faz pequenas 
vocalizações; não tenta imitar a voz; não se interessa por brinquedos; não senta 
nem com apoio; não rola; não tenta pegar objetos que estão ao alcance; não 
mostra afeto por seus cuidadores; não responde aos sons ao seu redor; 
apresenta dificuldade em levar objetos à boca; não emite sons vogais (“ah”, “eh”, 
“oh”); não rola em nenhuma direção; não sorri em reciprocidade; apresenta 
alteração de tônus; não se importa em ficar sozinho em um ambiente; é irritado 
ou quieto demais; se incomoda com barulho, luminosidade excessiva; apresenta 
distúrbios de sono; evita ou não faz contato visual. Esse é o momento em que 
começa a introdução de novos alimentos, dessa forma, uma introdução difícil, 
com aversão a alguns alimentos, pode também ser um sinal de alerta. As 
alterações de processamento sensorial começam a ficar mais evidentes. 
 Alguns movimentos repetitivos, estereotipias, já podem ser observados 
muito precocemente assim como o interesse fixo por algum objeto (hiperfoco). 
 
• 9 meses 
 Aos 9 meses o bebê pode esboçar reação de medo com estranhos; ter 
apego a adultos familiares; possui brinquedos favoritos, mas consegue se 
desvencilhar deles sem sofrimento; já compreende “não”; emite sons como 
“mamamama”, “papapapa”, por vezes com função; imita mais; olha para onde 
apontam e já começa a usar os dedos para apontar para as coisas; observa o 
caminho de um objeto quando cai; procura objetos que vê você esconder; 
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brinca de esconder e achar o rosto; coloca objetos e alimentos na boca; 
movimenta objetos facilmente de uma mão para a outra; já começa fazer 
movimentos que exijam maior coordenação motora como pegar coisas como 
cereais entre o polegar e o dedo indicador; fica de pé apoiado em algo; senta 
sem apoio e puxa para levantar; pode começar a engatinhar; já pode começar 
a ficar em pé com apoio. 
 Precisamos ficar alerta se o bebê com 9 meses não faz contato visual; 
não se interessa pelos pais ou cuidadores; não se importa em ficar sozinho; 
não emite sons nem mesmo quando provocado; se interessa mais por objetos; 
não consegue se separar do seu brinquedo favorito sem algum sofrimento; não 
senta sem apoio; não responde ao próprio nome; não se interessa em brincar 
com os pares; não se interessa por explorar brinquedos; não olha para onde 
você aponta; não transfere brinquedos de uma mão para outra; não brinca com 
“jogo” envolvendo dar e receber; começa a manipular brinquedos de maneira 
não usual; começa a ficar seletivo com relação a alimentos; chora muito ou é 
quieto demais; responde mal a mudanças de rotina; apresenta estereotipias. 
 
• 12 meses (1 ano) 
 Com 1 ano a maioria das crianças pode ficar receosa ou tímida com 
estranhos; chorar quando o pai ou a mãe vai embora; ter pessoas e objetos 
preferidos; demonstrar medo em algumas situações; compartilhar interesses e 
emoções com mais facilidade; medir a ação do outro ao seu comportamento; 
responder a demandas verbais simples; levantar os braços e as pernas para 
ajudar a se vestir; usar gestos simples como balançar a cabeça sinalizando 
“não” e/ou acenar para “tchau”; já fala primeiras palavras com função; tenta 
dizer palavras que são faladas para ele; explora objetos de maneiras 
diferentes; brinca de maneira funcional; acha objetos escondidos com 
facilidade; já imita gestos sem dica, olha para o objeto quando se diz o nome 
deste; começa a usar utensílios com função; bate 2 objetos um contra o outro; 
coloca e tira objetos de uma caixa; aponta com o dedo indicador; segue 
instruções simples como “pegue o brinquedo”; já é capaz de ficar em pé 
sozinho e dar alguns passos. 
 
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 Precisamos ficar alerta se a criança de 1 ano não imita nenhuma ação 
ou comportamento na maior parte das vezes; não responde ao ser chamada 
pelo nome na maior parte das vezes; não faz ou sustenta o contato visual; 
brinca de maneira não usual; não explora brinquedos; tem apego a um objeto; 
não faz atenção compartilhada; não compreende ordens simples; não segue 
pelo menos uma instrução com dica; não diz pelo menos 2 palavras com 
função; faz ecolalias; não aponta; não faz “tchau” ou compreende o significado 
de “tchau”; não manda beijo; não sabe bater palmas; apresenta alteração de 
tônus muscular; senta em “W”; não sabe a função dos utensílios; não se 
interessa pelos pares; não engatinha; não fica em pé; não procura objetos que 
foram escondidos; faz estereotipias; perde habilidades já adquiridas. 
 Sobre a imitação é importante conceituá-la com relação à sua função 
para o desenvolvimento. A imitação é uma habilidade inata e fundamental para 
a aprendizagem em todas as esferas do desenvolvimento e em qualquer etapa 
de nossas vidas. Desde bebê, aprendemos de acordo com experiências vividas 
através da observação e imitação. Observando o outro, nossos pares, 
aprendemos a imitar gestos, sons, comportamentos, aumentando nosso 
repertório de habilidades e comunicação social. A imitação deve ser 
consolidada na infância para que novos aprendizados, em qualquer contexto 
social, sejam mais facilmente incorporados. 
 As crianças com Transtorno do Espectro Autista costumam apresentar 
prejuízos na imitação devido especialmente às dificuldades de contato visual, 
falta de interesse pelo outro e de intenção comunicativa. Uma criança no 
espectro do autismo que não desenvolve a imitação, poderá ao longo da vida 
ter dificuldades maioresde compartilhar experiências vividas, empatia, 
relacionamento interpessoal, comunicação social e autonomia. Para estimular a 
imitação, precisamos incentivar o contato visual e também imitá-las. Crianças 
com autismo costumam aprender a imitar mais quando também são imitadas. 
As atividades para estimular a imitação devem se basear na motivação da 
criança, respeitando uma distância confortável e etapas de suporte -verbal, 
gestual, ajuda física parcial e ajuda física total (sempre da menor ajuda para 
a maior), de maneira lúdica e prazerosa. 
 
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• 18 meses 
 Aos 18 meses a criança pode começar a brincar de faz de conta 
simples, como alimentar uma boneca; pode ter medo de estranhos e de 
situações novas, mas não de maneira rígida; apontar para sua demanda e 
também para mostrar para alguém que algo é interessante. É uma criança que 
explora e é curiosa, fala diversas palavras simples (20-40 palavras) e 
“palavras-frase” (exemplo: a criança olha para a mamadeira e fala “mamá”, 
querendo dizer “eu quero mamar”); diz “não” e balança a cabeça; sabe para 
que serve utensílios comuns como telefone, escova, colher; aponta para partes 
do corpo; faz rabiscos sozinho; segue comandos verbais de 1 passo sem dica; 
anda sozinho; pode conseguir subir degraus, correr; puxa brinquedos enquanto 
anda; ajuda a se despir e a se vestir; bebe em um copo; come com colher; é 
empático com outras crianças. 
 Precisamos ficar alerta se a criança aos 18 meses não anda ou anda na 
ponta dos pés; não imita com ou sem dica; não segue instruções mesmo com 
dica; brinca de maneira não usual; não dá função aos utensílios; não 
compartilha atenção; não fala pelo menos 6 palavras; não identifica partes do 
corpo; faz ecolalias; faz estereotipias; não aponta para compartilhar algo com 
alguém ou para outras pessoas; não percebe ou se importa quando um 
cuidador sai; apresenta seletividade alimentar; cai com frequência; anda de 
maneira descoordenada; não tem noção de perigo; é inquieto; tem dificuldade 
em lidar com mudanças de rotina e frustrações; tem dificuldade em flexibilizar 
seu comportamento e emoções; apresenta hiper ou hiporresponsividade aos 
estímulos sensoriais, é buscador oral (leva tudo à boca, lambe); apresenta 
distúrbios de sono; prefere brincar sozinho; apresenta comportamentos 
inapropriados (“crises”) de difícil manejo; não para quieto; tem hiperfoco; 
apresenta prejuízos no contato visual; perde habilidades já adquiridas. 
 
• 2 anos 
 Aos 2 anos a criança é capaz de imitar principalmente adultos e crianças 
mais velhas; brinca de faz de conta; tem prazer em estar com outras crianças e 
as inclui nas brincadeiras; mostra cada vez mais independência; mostra um 
comportamento desafiador mas de fácil manejo; aponta para objetos ou imagens 
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quando ouve seu nome; conhece os nomes das pessoas e partes do corpo; tem 
um vocabulário em torno de 150 palavras; formula frases com 2-4 palavras; já 
segue instruções simples em 2 passos (como vá até a cozinha e pegue uma 
colher); repete palavras que ouviu em uma conversa; aponta coisas em um livro; 
faz atenção compartilhada; encontra objetos mesmo quando escondidos debaixo 
de 2-3 camadas; começa a conhecer formas e cores; completa frases e rimas 
em livros ou canções familiares; constrói torres de 4 ou mais blocos; pode usar 
uma mão mais que a outra; nomeia itens em um livro de imagens como gato, 
cachorro; fica na ponta do pé, chuta uma bola, corre, escala e desce de móveis 
sem ajuda; sobe e desce escadas se segurando; arremessa uma bola com as 
mãos; desenha ou copia linhas retas e círculos. 
 Precisamos ficar alerta se a criança com 2 anos não faz frases de 2 ou 4 
palavras; não segue instruções simples com ou sem dica; faz marcha 
incoordenada; anda na ponta dos pés; não entende e não brinca com jogos de 
“faz de conta”; não pareia; não reconhece cores e formas; não ajuda a tirar roupa 
ou se vestir; não sabe o que fazer com utensílios comuns como escova, telefone, 
garfo, colher; não imita ações e palavras; não faz atenção compartilhada; é 
agitada; prefere brincar sozinha; tem dificuldade com mudanças de rotina, em 
lidar com frustrações ou espera prolongada; apresenta alterações sensoriais; faz 
ecolalias e/ou estereotipias; apresenta hiperfoco; evita ou não sustenta o contato 
visual; perde habilidades já adquiridas. 
 A habilidade do jogo simbólico vai se construindo por volta dos dois anos 
e vai ficando mais elaborada gradualmente. O jogo simbólico é importante para 
o desenvolvimento da linguagem verbal e não verbal, do comportamento social, 
habilidades emocionais e cognitivas, possibilitando recursos para o 
desenvolvimento. Para brincar de faz de conta é preciso pensar, elaborar, 
construir e representar trabalhando a imaginação, abstração e criatividade, 
preparando a criança para diferentes vivências sociais e aprendizados. 
Crianças no espectro do autismo, em geral, apresentam dificuldade em 
diferentes níveis de compreensão do faz de conta, da imaginação, além de 
maior rigidez cognitiva; interesses restritos que podem dificultar a flexibilização 
e variação da brincadeira; dificuldades em abstrair, contextualizar, na 
linguagem receptiva e expressiva. O jogo simbólico deve ser estimulado em 
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crianças com Transtorno do Espectro Autista porque, além de desenvolver 
competências de raciocínio e imaginação, irão oferecer oportunidades de 
prepará-las para novas experiências e aprendizados, familiarizando- 
 
 É importante que o nível do jogo simbólico esteja adequado à fase de 
desenvolvimento da criança, começando com abstrações simples e 
aumentando a complexidade gradualmente. Podemos usar os jogos simbólicos 
para ensinar atividades como se alimentar sozinho ou diversificar alimentos; 
desfralde; simular ida à escola, parque, médico; ensinar sobre regras e limites; 
entre outros. Se a criança tiver um interesse restrito, usar isso para iniciar o 
jogo simbólico é uma ferramenta e, aos poucos, durante a brincadeira, ir 
variando com novos repertórios. Lembrar que é essencial que a atividade seja 
consistente, repetida com frequência, prazerosa e com motivação para que o 
aprendizado seja incorporado de maneira mais efetiva. 
 
• 3 anos 
 Aos 3 anos a maioria das crianças é capaz de imitar adultos e amigos; 
mostrar afeto por amigos sem ser incentivado; conseguir revezar em 
brincadeiras; esperar a vez; demonstrar empatia; entender a ideia de “meu”, 
“seu/sua”; compartilhar interesses e emoções; conseguir se separar com 
facilidade dos cuidadores; colocar e tirar a roupa sozinho; pode até se 
aborrecer com grandes mudanças de rotina mas não a ponto de ser algo que a 
desregule; é capaz de seguir instruções de 2-3 passos; nomear vários objetos 
comuns; entender o significado de “dentro”, “em cima”, “embaixo”; conseguir 
falar seu próprio nome, idade, às vezes o sexo e falar o nome de um amigo; já é 
capaz de usar pronomes e alguns plurais; engajar em uma conversa usando 2 a 
3 frases; manusear brinquedos com botões, alavancas e partes móveis; brincar 
de faz de conta com bonecos, animais e pessoas; montar quebra-cabeças com 
3-4 peças; já consegue começar a quantificar (ex. entende o que 2 significa); 
copiar um círculo com um lápis ou giz de cera; virar uma página de um livro por 
vez; construir torres de mais de 6 blocos; abrir e fechar tampas de jarras ou virar a 
maçaneta da porta; escalar e correr com facilidade; pedalar um triciclo; subir e 
descer escadas, um pé em cada degrau. 
as com comportamentos e competências diversas. 
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 Precisamos ficaralerta se a criança de 3 anos cai muito; não relata 
eventos passados; não tem interesse em compartilhar uma brincadeira, 
interesse ou emoções; não imita sem dica; não segue comandos com 2 
pedidos; não demonstra preocupação; não compreende “meu”, “seu”; 
apresenta uma fala precária ou não é verbal; apresenta sialorréia; não 
consegue manusear brinquedos ou utensílios simples; não entende instruções 
simples; não brinca de faz de conta; não imita; não sabe brincar de maneira 
usual; não interage com os pares; faz estereotipias e/ou ecolalias; não faz 
contato visual ou tem baixa qualidade no contato visual; perdeu habilidades 
antes adquiridas. 
 
• 4 anos 
 Aos 4 anos, a maior parte das crianças gosta de experimentar atividades 
novas. A cada dia a criança fica mais criativa com relação a brincadeiras 
simbólicas; já está bastante social; prefere brincar com outras crianças do que 
sozinha; coopera com outras crianças, fala sobre o que gosta e sobre o que 
está interessada; por vezes ainda não consegue separar o real do imaginário; 
canta uma música de cabeça; conta histórias; consegue dizer seu nome e 
sobrenome; usa corretamente “ele’, “ela”; sabe cores e alguns números; 
entende a ideia de contar; começa a entender o tempo; lembra-se de partes de 
uma história; entende a ideia de igual e diferente; desenha uma pessoa com 2 
a 4 partes do corpo; usa tesouras; começa a copiar algumas letras de forma; 
diz o que acha que vai acontecer em seguida em um livro; pula e fica sobre um 
pé só por até 2 segundos; consegue pegar uma bola quicando na maior parte 
das vezes; coloca líquidos em um copo; corta alimentos com supervisão. 
 Precisamos ficar alerta se a criança com 4 anos não mostra interesse 
em jogos interativos ou brincadeiras simbólicas; não responde quando 
chamado; não interage com os pares; resiste à troca de roupas, hora de dormir e 
ir ao banheiro; tem dificuldade com o desfralde; não compreende regras sociais; 
não consegue contar uma história preferida; não segue comandos de 3 passos; 
faz inversão pronominal; não entende o conceito de “eu” e “você”; fala de forma 
não compreensível ou não é verbal; não entende igual e diferente; apresenta 
dificuldades de coordenação motora, sensoriais; faz pouco contato visual, 
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apresenta estereotipias e/ou ecolalias; apresenta hiperfoco. 
 
• 5 anos 
 Aos 5 anos a maioria das crianças já quer agradar e ser como os 
amigos; entende e cumpre mais as regras sociais, canta, dança e já atua; já 
sabe distinguir menino e menina; consegue separar real do imaginário; mostra 
mais independência; fala com clareza; conta histórias simples usando frases 
completas; usa o tempo futuro (exemplo: o papai vai chegar amanhã de viagem); 
pode dizer o nome e endereço; conta e quantifica até 10 ou mais; pula, salta, dá 
cambalhota; usa garfo e colher, às vezes faca; consegue ir ao banheiro sozinho; 
balança e escala. 
 Podemos ficar alerta se a criança com 5 anos não demonstra suas 
emoções; não tem empatia; apresenta comportamentos inapropriados; é 
retraída demais ou muito agitada; tem dificuldade em focar em uma atividade 
por mais de 5 minutos; não responde às pessoas ou responde apenas 
superficialmente; não consegue separar o real do imaginário; não brinca 
simbólico; não consegue dizer seu nome e sobrenome; tem atraso de 
linguagem; é literal; não conta sobre eventos passados; não faz desenhos; não 
consegue escovar os dentes, vestir e se despir sem ajuda; tem alterações 
sensoriais; não tem boa qualidade no contato visual; faz ecolalia, estereotipias. 
 Os sintomas e prejuízos encontrados no espectro do autismo já podem 
estar presentes muito precocemente. Em alguns casos o desenvolvimento fica 
muito próximo ao desenvolvimento típico e, então, se observa uma 
regressão com 
perda de habilidades já adquiridas especialmente por volta de 1 ano e meio a 3 
anos de idade. Há aqueles também em que as características são tão sutis que 
os sintomas só passam a causar prejuízos notáveis quando as demandas sociais 
aumentam. 
 Há ainda um número expressivo de adolescentes e adultos que se 
encontram no espectro do autismo nível 1, ou seja, leve, recebendo seu 
diagnóstico somente agora, tardiamente. Muitos deles estavam sendo 
acompanhados por suas comorbidades, com diagnósticos equivocados, o que 
pode impactar negativamente em todas as áreas de suas vidas. 
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Transtorno do Espectro Autista em meninas 
 É possível que muitas meninas e mulheres em todo o mundo hoje lidem 
com prejuízos relacionados ao autismo sem nunca terem sido diagnosticadas, 
ou terem tido seu diagnóstico já tardiamente. 
 Muitas adolescentes, jovens, adultas com Transtorno do Espectro 
Autista, ainda sem diagnóstico, acabam pesquisando sobre suas dificuldades e 
se encontram nas características do espectro do autismo. São pessoas que 
crescem se achando “diferentes”, tentando se adequar. Quando acabam por ter 
seu diagnóstico, grande parte delas diz ser um alívio entender e compreender 
quem elas são, ter uma resposta para grande parte de seus desafios e poder 
fazer algo a respeito. 
 Adolescentes e adultas com autismo frequentemente desenvolvem 
comorbidades psiquiátricas, sendo as mais frequentes ansiedade e depressão, 
entre outras. O impacto do diagnóstico tardio ao longo da vida delas pode ser 
desastroso nas mais diversas áreas – acadêmica, cognitiva, social, afetiva, 
emocional, para o mercado de trabalho. Embora a prevalência estimada 
continue em 1 menina para cada 4 meninos, de acordo com o último relatório do 
CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, 
publicado agora em 26 de março de 2020 (referente a dados de 2016), há uma 
discussão se esta diferença poderia ser menor. Isso porque existe um desafio 
maior no diagnóstico em meninas, especialmente daquelas que se encontram 
no espectro do autismo nível 1 ou leve. 
 O modelo genético que melhor explica o autismo, chamado de “modelo de 
copo”, seria uma explicação para a prevalência ser maior no sexo masculino, 
uma vez que meninas, para estarem no espectro do autismo precisariam de 
mais variantes genéticas associadas ou não a fatores ambientais para atingir o 
“limiar do copo”, já que o copo representado para o sexo feminino é maior do 
que o do sexo masculino. 
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 Há particularidades no comportamento e funcionamento cerebral 
feminino. O cérebro feminino é naturalmente mais social, possui maior 
capacidade de empatia e para habilidades sociais esperadas nos 
relacionamentos interpessoais, com isso é comum alguns sinais do espectro do 
autismo ficarem mascarados em meninas, especialmente naquelas com 
autismo leve. Além disso, apresentam menos sintomas externalizantes que 
acabam por chamar mais atenção como agressividade, inquietude, 
comportamentos inapropriados em geral e ações estereotipadas. 
 Espera-se também, socialmente, comportamentos diferentes entre um 
menino e uma menina. Uma menina no espectro do autismo nível 1, leve, que 
apresente alguma dificuldade na comunicação e interação social, que não goste 
de toque, beijos ou brincar com outras crianças, pode ser considerada pelos 
pais, familiares, professores, como sendo somente uma criança mais tímida, 
retraída. O aspecto mais introvertido é uma realidade de muitas meninas com 
desenvolvimento típico, o que pode, equivocadamente, justificar alguns 
comportamentos do espectro do autismo como sendo consequência 
simplesmente de uma timidez, porém, há uma grande diferença entre timidez e 
Transtorno do Espectro Autista. 
 A menina que é tímida e não tem autismo, compreende o outro e o 
ambiente que a cerca, sabe o que deve fazer e como reagiràs demandas. 
Meninos que se comportam de maneira mais retraída chamam mais a atenção 
de todos, uma vez que meninos são naturalmente mais inquietos e 
exploradores. 
 
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 O brincar também nos dá pistas importantes sobre o desenvolvimento 
de uma criança. Meninas costumam brincar mais sozinhas com bonecas, 
panelinhas, sem que isso chame a atenção. Ações repetitivas no brincar de 
uma menina com espectro do autismo leve podem passar despercebidas como 
algo atípico. Por exemplo: colocar e tirar a roupa ou pentear o cabelo 
repetidamente de uma boneca, mesmo que de maneira não funcional, parece 
não alertar alguns pais/ cuidadores /professores, assim como, por exemplo, 
querer brincar só com uma cor de panelinha e até mesmo ficar com uma 
boneca no colo o tempo todo (usando-a como brinquedo de conforto). 
 Na primeira infância, na escola, uma menina que prefere ficar, por 
exemplo, folheando um único livrinho de história ou ficar apegada a uma 
boneca, não compartilhando a brincadeira ou dividindo seus brinquedos, não 
costuma chamar a atenção dos professores, uma vez que essa aluna 
possivelmente não apresentará comportamentos inquietos, agressivos e 
tampouco atrapalhará a aula. Já o ato de um menino ficar, por exemplo, 
rodando a roda do carrinho ou ficar repetidamente movendo um carrinho de um 
lado para o outro, virando um pião de maneira repetitiva, ou brincando de 
maneira não funcional, costuma ser sinal de alerta, sem grandes dificuldades. 
 Além desse fato, meninos mesmo com autismo leve, nível 1, 
apresentam maior inflexibilidade com relação a pensamentos e 
comportamentos, assim como menor tolerância à frustrações, o que acarreta 
em mais comportamentos problema como agressividade, agitação, 
comportamentos autolesivos (o que é facilmente identificado como “problema” 
em qualquer contexto ou ambiente). Dessa forma, meninas que estão no 
espectro do autismo nível 1, mais funcionais, podem ser mais difíceis de 
diagnosticar para profissionais que não são especialistas. O diagnóstico 
costuma ser mais tardio, geralmente quando as demandas sociais vão 
aumentando, sendo mais exigidas. 
 São meninas que na escola, no primeiro, segundo ano ainda sem 
diagnóstico, apresentam características do transtorno como menor intenção e 
iniciativa comunicativa, literalidade, dificuldade em compreender sutilezas 
sociais, falam mais sobre assuntos de interesses, usam a fala mais para 
demanda própria do que para compartilhar, apresentam déficits atencionais ou 
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hiperfoco, mas sem necessariamente chamar muito a atenção por causa de 
apresentarem mais habilidades sociais – porém estas habilidades não se 
sustentam com as demandas e exigências aumentando. 
 Em alguns casos os sintomas do espectro do autismo nível 1 em 
meninas acabam sendo confundidos com outros transtornos, sendo o mais 
comum na infância, o Transtorno Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), 
no qual é frequente dificuldades na regulação das emoções e comportamentos. 
Meninas com autismo moderado e severo (nível 2, 3) são diagnosticadas mais 
precocemente, pois apresentam prejuízos e comprometimentos facilmente 
identificáveis. São menos funcionais, muitas não verbais, apresentam prejuízos 
importantes na linguagem receptiva, geralmente com comorbidades como 
deficiência intelectual, transtornos psiquiátricos, epilepsia, que acabam por 
exacerbar e somar prejuízos e dificuldades em várias áreas do desenvolvimento, 
especialmente na comunicação e interação social, e no comportamento e 
interesses que se tornam ainda mais rígidos. 
 Neste último estudo publicado agora em março de 2020 pelo CDC, foi 
observado que meninas identificadas com autismo apresentavam mais 
deficiência intelectual do que meninos (39% das meninas em comparação com 
32% dos meninos). Esta estatística pode ser reflexo de diagnosticarmos casos 
mais severos em detrimento de casos mais leves. Faltam mais estudos com 
evidências científicas a respeito. 
 Um dos grandes desafios hoje ainda é treinar o olhar dos profissionais da 
saúde que acompanham a criança (pediatra, neuropediatras, psiquiatras, 
psicólogos, fonoaudiólogos, entre outros), assim como orientar pais, familiares, 
educadores e a sociedade em geral para que alguns sinais do espectro do 
autismo nível 1 não continuem sendo ignorados e/ou justificados como 
comportamentos esperados entre meninas ou meninos. 
 Há muitos casos em que os pais acabam por notar um comportamento 
“diferente” ou atrasos, mas escutam que “é preciso esperar o tempo da criança”. 
Vale ressaltar que, embora cada criança apresente suas particularidades, há 
marcos no desenvolvimento social e neuropsicomotor que devem ser 
respeitados sempre. 
 
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 É muito importante diagnosticar e iniciar a intervenção especializada o 
mais precoce possível, pois será determinante para aquisição de novas 
habilidades e aprendizados, na socialização e comunicação social e na 
autonomia, possibilitando melhor qualidade de vida para a pessoa com autismo 
e sua família. 
 Meninas com espectro do autismo nível 1 podem até apresentar 
comportamentos compatíveis com sua fase de desenvolvimento, porém, menos 
que o esperado para um desenvolvimento típico. 
 
Sinais de alerta: 
• baixa qualidade no contato visual; 
• respondem menos ao serem chamadas pelo nome; 
• se comunicam, imitam e interagem menos socialmente; 
• apresentam dificuldade de compreender o outro, o ambiente à sua volta, 
sutilezas sociais, piadas; 
• atrasos nos marcos do desenvolvimento (não é específico do espectro 
autista, mas é um alerta sobre o desenvolvimento da criança); 
• prejuízos na intenção e iniciativa comunicativa; 
• abstraem menos, são menos criativas; 
• brincam menos de faz de conta ou ficam por tempo prolongado em uma 
mesma atividade com dificuldade de diversificar; 
• dificuldade em flexibilizar o comportamento, lidar com mudanças de 
rotina e frustrações; 
• fazem ações repetitivas, entre outros. 
 
O conhecimento sobre particularidades a respeito do diagnóstico do espectro 
autista nível 1 em meninas é o caminho para um diagnóstico cada vez mais 
precoce e, consequentemente, para um tratamento que possibilite melhor 
qualidade de vida. 
 
 
 
 
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