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O conhecimento permite você que é médico, independente da sua especialidade, ter mais segurança nos atendimentos para prescrever e orientar psicofármacos aos pacientes. Ao longo dos quatros dias de curso você será capaz de entender a importância de ter conhecimento aplicável em psicofarmacologia para ter mais eficácia para melhorar a adesão dos pacientes ao tratamento. O mini curso Psicofarmacologia na prática foi formulado para você que é médico e profissional da saúde e quer se sentir mais confiante nos atendimentos a pacientes em uso de psicofármacos. Mas afinal de contas, por que depois de anos de faculdade e especializações você ainda não tem conhecimento suficiente em psicofarmacologia? Nesta primeira aula - O Mapa da Psicofarmacologia- você terá acesso a um passo a passo para conquistar confiança e autonomia nas suas prescrições. Simples assim! Você precisa ter conhecimento aplicável e não sair por aí prescrevendo como um Homer Simpson que só aperta botões, sem saber improvisar e o tamanho do impacto que pode causar. PORQUE TE ENSINARAM ERRADO! Com a alta demanda em saúde mental é responsabilidade de todo profissional da saúde ter conhecimento em psicofarmacologia. Engana-se o profissional que pensa que somente psiquiatras prescrevem psicofármacos: os médicos que estão na linha de frente são os que mais prescrevem psicotrópicos, e são legal e eticamente responsáveis pela indicação correta, manejo dos efeitos colaterais, acompanhamento e retirada. "É uma substância química que exerce efeito no sistema nervoso e é usada para tratar transtornos mentais." VOCÊ SABE O QUE É UM PSICOFÁRMACO? O psicofármaco não trata um transtorno, cujos critérios mudam de tempos em tempos. Trata sintomas! NÃO, RESPOSTA ERRADA! Somente a análise do diagnóstico aliada a avaliação dos sinais e sintomas te possibilita escolher o psicofármaco mais indicado para o seu paciente. De tempos em tempos os diagnósticos mudam, e o que hoje, por exemplo, se chama depressão, daqui uns anos poderá ser denominado de outra forma. Por outro lado, os sinais e sintomas são sempre os mesmos. Portanto, se você segue essa lógica você se torna mais capaz de prescrever e orientar seus pacientes. Deixa de ser um profissional “Homer Simpson” que só aperta botões: para depressão = antidepressivo… E se torna o profissional "Sherlock Holmes”, ou seja, que analisa a cena, entende as causas, sabe improvisar e toma decisões mais embasadas. Muito além de medicalizar o mundo…Ter conhecimento em psicofarmacologia te ajuda: Ter confiança ao sugerir introdução, troca ou retirada de um psicofármaco. Melhora a adesão ao tratamento. Não ficar dependente de encaminhar para psiquiatra. Autonomia para ajudar seu paciente. Referência na sua especialidade ao olhar para saúde mental. Para cada um desses sintomas existe uma disfunção serotoninérgica em uma região anatômica específica: AGORA QUE VOCÊ JÁ SABE A IMPORTÂNCIA DE TER CONHECIMENTO EM PSICOFARMACOLOGIA, VOU TE PASSAR: 05 PASSOS PARA VOCÊ TER MAIS AUTONOMIA E SEGURANÇA NOS SEUS ATENDIMENTOS Caso clínico 1 José, 29 anos, procura UBS com queixa de tristeza há 1 mês, desde que foi despedido, não consegue dormir e está bebendo mais ( 3 latas de cerveja à noite). CONDUTA: Sertralina 50mg + clonazepam 0,5mg à noite. Vamos analisar o caso Diagnóstico -> Episódio depressivo A depressão tem vários sintomas: Sinais e sintomas-> tristeza e insônia Sintomas alvo e antidepressivos: AGORA QUE VOCÊ JÁ SABE A IMPORTÂNCIA DE TER CONHECIMENTO EM PSICOFARMACOLOGIA, VOU TE PASSAR: 05 PASSOS PARA VOCÊ TER MAIS AUTONOMIA E SEGURANÇA NOS SEUS ATENDIMENTOS Se você consegue mapear os sintomas, tem muito mais chance de acertar na prescrição! Cognitivos: vortioxetina, bupropiona, duloxetina. Insônia: agomelatina, mirtazapina, trazodona. Sintomas somáticos: duloxetina, ziprasidona. Paciente com sintomas Sintomas mistos: lurasidona, ziprasidona. Catatônica: antidepressivo + benzodiazepínico Psicótica: antidepressivo + antipsicótico Fernanda, 29 anos, quadro de depressão maior em uso de amitriptilina 100mg. Queixa de constipação, boca seca, palpitações, visão embaçada, sonolência diurna e ganho de peso. PASSO 1- AVALIAÇÃO INICIAL E SINTOMAS ALVO Efeitos adversos de acordo com neurotransmissores: Caso clínico 2 O que está acontecendo? Sistema colinérgico efeito anticolinérgico Sistema histaminérgico efeito anti histamínico Sistema dopaminérgico Sistema adrenérgico Sistema serotonérgico Outros mecanismos PASSO 1- AVALIAÇÃO INICIAL E SINTOMAS ALVO Se você domina os efeitos dos sistemas dos neurotransmissores, você consegue tomar as precauções necessárias quando vai prescrever, consegue antecipar os efeitos adversos ( alguns inaceitáveis pelos pacientes) e melhorar a adesão. Existem mais de 60 neurotransmissores, mas é importante que você saiba os principais. Matriz de neurotransmissores: Adrenalina Ocitocina Noradrenalina Glutamato Gaba Endorfinas Dopamina . . . .. Se você entender o que neurotransmissor faz, você consegue traçar o perfil do seu paciente. A resposta é: Está correto! O IMPORTANTE É O MOVIMENTO, NÃO A VELOCIDADE! Mas e pacientes que fazem uso de benzodiazepínicos por muito tempo, como fazer o desmame? Kátia, 21 anos, término de namoro há 20 dias. Triste e insone. Mantém funcionalidade. PASSO 2- NEUROCIÊNCIA APLICADA Passos para desmame de benzodiazepínicos, > 30 dias: Clonazepam em até 30 dias pode ser retirado de uma vez! Caso clínico 3 CONDUTA: Sertralina 50mg + clonazepam 0,5mg à noite. Certo ou errado? Clonazepam 2mg há 10 dias. Exemplo: Maria, em uso de 20 gotas de clonazepam 2,5mg/ml Estabilização com benzo de meia-vida mais longa Redução de 25% da dose a cada 1-2 semanas Redução de 12% da dose na última semana 1- 2- 3- Semana 1: 15 gotas Semana 2: 11 gotas Semana 3: 8 gotas Semana 4: 6 gotas Semana 5: 4 gotas Semana 6: 1 gotas Semana 7: 0 Para fazer estabilização com benzo de meia- vida mais longa, você pode usar a tabela: Certo ou errado? A resposta está errada! Maria, 54 anos, CA mama (tamoxifeno), ep. depressivo, paroxetina 20mg. A paroxetina é contra indicada neste caso porque pode diminuir a eficácia do tamoxifeno. Opções possíveis para esse caso seriam mirtazapina, citalopram ou escitalopram. PASSO 3- AÇÕES FARMACOLÓGICAS, FARMACOCINÉTICA, FARMACODINÂMICA E INTERAÇÕES NEUROCIÊNCIA APLICADA Os psicofármacos se distinguem dos outros tipos de medicamentos porque eles atuam no sistema nervoso central, portanto eles precisam passar por toda barreira hematoencefálica e se você souber os princípios que determinam esses processos, como: a absorção, a distribuição periférica, a biotransformação, e eliminação, você entende como eles são usados na prática clínica. Caso clínico 4 Indicação de antidepressivos, além da depressão: Por isso você precisa saber a neurociência e as indicações. Também precisa conhecer os OFF LABEL de: Nesse caso a paciente tem os transtornos 2, 4, 7 da lista acima. PASSO 3- AÇÕES FARMACOLÓGICAS, FARMACOCINÉTICA, FARMACODINÂMICA E INTERAÇÕES NEUROCIÊNCIA APLICADA Antidepressivos Antipsicóticos Ansiolíticos Estabilizadores de humor Psicoestimulantes Além de otimizar a dose da fluvoxamina para 100mg, adicionar antipsicóticos em baixa dose seria boa opção caso não estabilize? Suplementos para TPM poderiam ajudar? 1- Transtorno de pânico 2- Transtorno de ansiedade generalizada 3- Fobia Social 4- Transtorno Obsessivo compulsivo 5- Transtorno de estresse pós traumático 6- Bulimia e anorexia 7- Transtorno disfórico pré menstrual O nome do psicofármaco não determina seu uso! Mulher, 48 anos, TOC, pensamentos antecipatórios, rituais de organização, estabilizou com luvox 50mg, porém teve piora expressiva dos sintomas ansiosos nos últimos 2 meses e sintomas agravaram na TPM. O que você faria? Caso clínico 5 1- Reduzir sintomas 2- Modulação dos circuitos disfuncionais Não vai dar certo, a prescrição está inadequada! PASSO 4- CLASSIFICAÇÃO E PERFIL DOS PSICOFÁRMACOSPrescrito bupropiona 300mg + topiramato 100mg. O medicamento psiquiátrico serve para 2 coisas basicamente: Amanda, 25 anos, IMC 32, sedentária, alimentação com excesso de doces e carboidratos, faz uso de tela durante as refeições, deita às 2h e está desempregada. Sem transtorno psiquiátrico, deseja medicação para emagrecer. O que você acha disso? Vai dar certo? Caso clínico 6 PASSO 5- O PAPEL DO PSICOFÁRMACO EM SAÚDE MENTAL Tenha uma visão crítica, sem conflito de interesse! Cuidado com o viés de seleção das publicações de artigos, eles por exemplo, passam a ideia errônea que antidepressivo funciona muito! E para finalizar, aprenda a NÃO medicalizar vivências normais! Parabéns! Você chegou ao final da primeira aula D’O Mapa da Psicofarmacologia e agora que domina os 05 passos você consegue manejar os psicofármacos mesmo sem ser um psiquiatra e tem mais autonomia ao cuidar do seu paciente.