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PRÁTICAS INDUSTRIAIS W B A 03 32 _v 1. 0 2 Joanisa Possacio Curtulo Charlie Hudson Turette Lopes Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2020 PRÁTICAS INDUSTRIAIS 1ª edição 3 2020 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Henrique Salustiano Silva Juliana Caramigo Gennarini Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Mariana Gerardi Mello Revisor Charlie Hudson Turette Lopes Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Gilvânia Honório dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) _________________________________________________________________________________________ Curtulo, Joanisa Possacio C981p Práticas industriais/ Joanisa Possacio Curtulo, Charlie Hudson Turette Lopes – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2020. 200 p. ISBN 978-65-87806-86-0 1. Usinagem 2. Metrologia 3. Desenho técnico I. Lopes, Charlie Hudson Turette II. Título. CDD 338.76 ____________________________________________________________________________________________ Raquel Torres – CRB 6/278 © 2020 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. 4 SUMÁRIO Processos de usinagem _____________________________________________ 05 Metrologia __________________________________________________________ 23 Leitura e interpretação de desenhos técnicos _______________________ 41 Automação, sistema de controle e instrumentação _________________ 55 PRÁTICAS INDUSTRIAIS 5 Processos de usinagem Autoria: Joanisa Possato Curtulo Leitura crítica: Charlie Hudson Turette Lopes Objetivos • Definir e classificar os processos de usinagem, considerando seus movimentos e forças. • Discutir sobre geometria da cunha de corte, potência de usinagem e os materiais utilizados para ferramentas. • Discutir a qualidade no controle dimensional. 6 1. Processos de usinagem Fabricar consiste basicamente em alterar uma matéria-prima, com o intuito de obter um produto acabado. Os processos de fabricação, de maneira geral, são classificados em duas grandes categorias: fabricação com remoção de material e fabricação sem remoção de material. Quando ocorre a remoção do material, trata-se de fabricação por usinagem. Um produto competitivo comercialmente precisa atender às normas e procedimentos criados pela área de qualidade e ainda ser economicamente viável. Para isso, os recursos empregados no processo de usinagem precisam ser otimizados, assim, é essencial conhecer os efeitos do uso adequado de fatores como geometria da ferramenta, condições de corte, material da peça e materiais auxiliares. O material excedente, que está sendo retirado da peça durante seu processo de usinagem, em chama-se cavaco, que é formado por fragmentos, ou lascas, que se desprendem da peça que está sendo produzida durante o processo de usinagem. A retirada ou remoção de material, durante a usinagem, é classificada como operação de desbaste e operação de acabamento da peça. No primeiro caso, enquanto está sendo realizado o desbaste, a intenção é dar a forma inicial à peça a ser fabricada, sendo, então, a primeira fase da usinagem. Nessa etapa, os cavacos obtidos são espessos e a peça costuma apresentar canais profundos em sua superfície. Já na operação de acabamento, são definidas as características finais de dimensão e rugosidade para a peça. Aqui, já não são perceptíveis os cortes na peça provenientes do processo de fabricação, justamente porque os cavacos retirados são muito mais finos nesse momento. 7 Existem muitas maneiras de remover o sobremetal com o emprego de ferramentas de corte, podendo ser inclusive de forma manual, por meio da técnica de limagem. Geralmente, tal operação é realizada mecanicamente com o auxílio de máquinas e equipamentos de porte variado, desde uma furadeira manual até grandes centros de usinagem. As máquinas operatrizes, ou máquinas ferramentas, são equipamentos mecânicos responsáveis por retirar o sobremetal das peças. Essas máquinas podem realizar operações de torneamento, fresamento, mandrilhamento, plainamento, furação, retificar etc. Conforme a especificação técnica da peça a ser obtida, será determinada a máquina operatriz a ser aplicada no processo e, assim, será avaliado seu formato, acabamento da superfície, e exatidão das dimensões nesse momento. Sempre existe uma variedade de equipamentos que possibilitam obter peças planas, curvas, cilíndricas, cônicas e outras. 1.1 Classificação e nomenclatura dos processos de usinagem Os processos de usinagem podem ser divididos em: Torneamento: a peça é obtida mecanicamente, por meio de movimento de revolução com a aplicação de uma ou mais ferramenta monocortante. Assim, a peça vira em seu eixo principal de rotação e a ferramenta monocortante movimenta-se em trajetória coplanar com o eixo. Nesse processo, destacam-se: torneamento retilíneo (ferramenta de corte apresenta uma trajetória retilínea para o torneamento); torneamento cilíndrico (ferramenta de corte apresenta uma trajetória paralela ao eixo de rotação); torneamento cônico (ferramenta de corte apresenta uma trajetória retilínea e inclinada em relação ao eixo de rotação); torneamento radial (ferramenta de corte apresenta uma trajetória retilínea e perpendicular ao eixo de rotação) 8 Aplainamento: utilizado para fabricar superfícies regradas por processo mecânico, por meio de movimento retilíneo alternativo da peça ou da ferramenta, podendo ser por movimento horizontal ou vertical e gerando operação de desbaste ou de acabamento final. Furação: utilizado para, mecanicamente, se obter furos de formato cilíndrico por meio do emprego de uma ferramenta de corte onde a peça ou a ferramenta giram e ao mesmo instante, também a peça ou a ferramenta se movimentam em linha reta ao eixo da máquina. Mandrilhamento: utilizado para mecanicamente se obter uma superfície de revolução, por meio do emprego de ferramentas de barra, onde essa ferramenta realize movimento giratório e, ao mesmo tempo, ocorre movimento com trajetória determinada da peça ou da ferramenta. Fresamento: usinagem por processo mecânico, onde se obtém superfícies aplicando ferramentas multicortantes que giram enquanto ocorre o deslocamento segundo uma trajetória qualquer a peça ou mesmo a ferramenta de corte. Pode ser dividido em: fresamento cilíndrico tangencial (fabricação de superfícies planas paralelas em relação ao eixo de rotação); fresamento frontal (fabricação de superfícies planas perpendiculares em relação ao eixo de rotação). Serramento: processo aplicado para realizar um corte ou seccionamento, por meio de ferramenta de corte de espessura fina com movimento giratório ou retilíneo enquanto a peça, geralmente, se mantém parada. Super acabamento: processo empregado para se obter acabamento em peças por meio da abrasão. Ocorre contato constante da ferramenta com a superfície a ser usinada, com movimento giratório lento (peça). Já a ferramenta, oscila rapidamente. 9 1.2engrenagens, polias, parafusos de ligação ou eixos. A alimentação ocorre através da corrente elétrica que alimenta o motor, gerando um campo magnético em movimento contínuo, onde o rotor gire na tentativa de ordenar seus polos aos polos opostos do estator. Outro tipo de atuador elétrico comumente encontrado é a solenoide, composta por um pistão móvel encapsulado em uma bobina com fios estacionários, n medida em que se aplica uma corrente elétrica na bobina, que atua semelhante a um imã, movendo o pistão para os fios e ao interromper a corrente por efeito de mola, o pistão retorna a posição inicial. 1.6 Atuadores elétricos e pneumáticos São empregados em sistemas produtivos para realizar tanto movimentação linear como para rotativa, em ambos os tipos de atuadores o princípio de funcionamento é semelhante, o que os difere são o fluido a ser pressurizado no sistema interno, sendo óleo em atuadores hidráulicos e ar nos pneumáticos. A forma construtiva de cada tipo de atuador também apresenta diferenças em função do fluido aplicado. Essas diferenças acarretam efeitos na aplicação dos atuadores, como veremos no Quadro 5. 68 Quadro 3–Comparação dos sistemas hidráulicos e pneumáticos Característica do sistema Sistema hidráulico Sistema pneumático Fluido pressurizado. Óleo (ou emulsão água/ óleo). Ar comprimido. Compressibilidade. Incompressível. Compressível. Nível típico de pressão do flui- do. 20 Mpa (3.000 lb/pol2). 0,7 Mpa (100 lb/pol2). Forças aplicadas pelos instru- mentos. Altas. Baixas. Velocidades de atuação dos instrumentos. Baixas. Altas. Controle de velocidade. Controle de velocidade preciso. Difícil de controlar com precisão. Problemas com vazamento de fluidos. Sim, danos potenciais na seguran- ça. Sem problemas quando o ar vaza. Custo relativos dos instrumen- tos. Alto (fator de cinco a dez vezes). Baixo. Construção e manufatura de instrumentos. Necessários bons acabamentos de superfície e tolerâncias restritas nos componentes. Em vez de componentes de alta precisão, anéis de vedação são utilizados na prevenção de vaza- mentos. Aplicações de automação. Adequado quando forças intensas e controle preciso são necessários. Adequado quando o custo baixo e a alta velocidade de atuação são necessários. Fonte: adaptado de Groover (2011). 1.7 Conversor analógico–digital Como os computadores processam apenas dados binários, os sinais analógicos do processo precisam ser transformados em dados digitais. Essa conversão é realizada seguindo as etapas e elementos de hardware listados abaixo: 69 1. Sensor e transdutor: geram o sinal analógico. 2. Condicionamento do sinal: o sinal analógico precisar ser condicionado para uma constante apropriada, sendo, assim, necessária a filtragem para eliminar ruídos e possíveis conversões de sinal, como transformar corrente em voltagem. 3. Multiplexador: aplicado para distribuir o tempo do conversor analógico-digital entre os canais de entrada. 4. Amplificador: faz o ajuste do sinal de entrada para que seja compatível com a faixa do conversor. 5. Conversor analógico-digital: transforma o sinal analógico de entrada em sinal digital. A conversão digital: analógica realiza a comutação dos dados de saída, em formato digital originário do computador em um sinal contínuo que ativa um atuador ou mesmo outro instrumento analógico. A conversão digital – analógica é dividida em etapas conforme abaixo: • Decodificação: a saída digital é transformada em uma sequência de grandezas analógicas em momentos discretos de tempo. • Exploração de dados: cada sequência de grandezas analógicas é comutada em sinal contínuo para que seja possível ativar o atuador no intervalo de tempo. 1.8 Instrumentos de entrada/ saída Os instrumentos de entrada e saída transformam os dados binários do processamento para o computador, distribuindo esses sinais binários do computador para o processo, de maneira recíproca. Segundo Groove (2011), uma interface de contato de entrada é um instrumento por meio do qual os dados binários são lidos pelo computador a partir de alguma fonte externa. Essa interface é composta por um encadeamento de contatos simples, podendo estar fechados ou abertos para indicar o estado de um instrumento binário conectado ao processo, como uma 70 chave fim de curso, válvulas, ou botoeiras de acionamento de motor. O computador apura, frequentemente, o estado atual dos contatos para alterar os valores armazenados em memória. Ainda segundo Groove (2011), a interface de saída é o instrumento que comunica os sinais ligados/ desligado do computador para o processo. As localizações do contato são definidas como ligado e desligado. Essas localizações são mantidas até que sejam alteradas pelo computador, talvez em retorno as solicitações do processo. Em interfaces onde o controle de processos é mantido por computador, o hardware monitorado pela interface de contato de saída inclui alarmes, luzes indicadoras, solenoides e motores de velocidades constantes. Referências Bibliográficas BEGA, E. A.; DELMÉE, G. J.; COHN, P. E. et al. Instrumentação Industrial. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2011. GROOVER, M. P. Automação Industrial e Sistemas de Manufatura. 3. ed. São Paulo: Editora Pearson Prentice Hall, 2011. Sumário Processos de usinagem Objetivos 1. Processos de usinagem Referências Bibliográficas Metrologia Objetivos 1. Metrologia Referências Bibliográficas Leitura e interpretação de desenhos técnicos Objetivos 1. Identificação de vistas Referências Bibliográficas Automação, sistema de controle e instrumentação Objetivos 1. Introdução a automação Referências BibliográficasMovimento nos processos de usinagem Movimento de corte: ocorre entre a peça e a ferramenta sem que o ocorra nenhum avanço. Dessa forma, será removido apenas um lance de cavaco proveniente da primeira volta, ou um curso único. Movimento de avanço: ocorre entre a peça e a ferramenta, onde somado ao movimento de corte, causa a retirada continua do cavaco, por meio de revoluções ou cursos contínuos. A combinação do movimento de avanço principal e o movimento de avanço lateral podem também gerar uma resultante de ambos. Movimento efetivo de corte: é a resultante dos movimentos de corte e de avanço combinados, quando executados, simultaneamente, no processo de usinagem. Movimento de posicionamento: ocorre entre a peça e a ferramenta, para que seja possível aproximar ambos o suficiente para iniciar uma etapa de usinagem. Movimento de profundidade: ocorre entre a peça e a ferramenta, para que seja possível definir a espessura do cavaco, ou seja, a camada de sobremetal que será removida antes de iniciar a usinagem. Movimento de ajuste: é caracterizado como o movimento, onde se faz a devida correção entre a peça e a ferramenta, para que o desgaste da ferramenta possa ser equilibrado. 1.3 Geometria da cunha de corte Sobre as ferramentas utilizadas nos processos de usinagem diversos, serão descritas suas principais partes construtivas: 10 A parte de corte corresponde a parte ativa da ferramenta, sendo formada pelas cunhas de corte. Geralmente, a parte ativa de uma ferramenta é fabricada ou mesmo colocada sobre um suporte ou cabo de ferramenta, sendo, então, possível fixar a ferramenta para sua devida finalidade de usinar. Portanto, é possível encontrar uma superfície de apoio da ferramenta, conforme mostra a Figura 1. Figura 1 – Arestas de corte e superfícies da parte de corte de uma ferramenta de torneamento. Fonte: adaptado de Diniz (2014). É possível observar na Figura 1: Superfície secundária de folga: trata-se da superfície da cunha de corte, composta pela aresta de corte secundária ao defrontar com a superfície de usinagem secundária. Aresta principal de corte S: trata-se da aresta da cunha de corte, composta pelas partes comuns das superfícies de saída e de folga principal. Forma a superfície principal da peça que está sendo usinada. Aresta secundária de corte S’: trata-se da aresta da cunha de corte, composta pelas partes comuns das superfícies de saída e de folga secundária. Forma a superfície secundária da peça que está sendo 11 usinada.Ponta de corte: trata-se da parte da cunha de corte, onde se observa as arestas principal e secundária de corte. As partes comuns entre as arestas, ou mesmo a concordância de duas arestas com um arredondamento ou chanfro forma a ponta de corte. Na Figura 2, apresentam-se os planos ortogonais do sistema de referência da ferramenta de corte. Figura 2–Planos do sistema de referência da ferramenta. Fonte: adaptado de Diniz (2014). Plano de referência da ferramenta (Pr): plano perpendicular que passa pelo ponto de corte em relação a direção de corte. A direção de corte é definida de forma que o plano de referência da ferramenta fique 12 perpendicular ou mesmo paralelo ao eixo da ferramenta ou até mesmo que coincida com o eixo. Plano de corte da ferramenta (Ps): plano que passa pelo ponto de corte escolhido e tangencia ou mesmo contém a aresta de corte, além disso, é também perpendicular ao plano de referência da ferramenta. Plano ortogonal da ferramenta (Po): plano que passa pelo ponto de corte, sendo perpendicular aos planos de referência e também ao plano de corte da ferramenta. Ângulo de posição da ferramenta (χr): ângulo formado pelo plano de corte da ferramenta em relação ao plano admitido de trabalho, sendo medido sobre o plano de referência da ferramenta. Ângulo de posição da aresta secundária da ferramenta (χ´r): corresponde ao angulo formado pelo plano de corte secundário em relação ao plano admitido de trabalho, sendo medido sobre o plano de referência da ferramenta. Ângulo de ponta da ferramenta (εr): corresponde ao angulo formado pelo plano principal de corte em relação ao plano secundário de corte, sendo medido sobre o plano de referência da ferramenta. Ângulo de inclinação da ferramenta (λs): corresponde ao ângulo formado entre a aresta de corte em relação ao plano de referência da ferramenta, sendo medido sobre o plano de corte da ferramenta. Ângulo de saída da ferramenta: corresponde ao ângulo formado entre a superfície de saída em relação ao plano de referência da ferramenta. Pode ser visto na Figura 4. 13 Figura 3 – Ângulos de localização das arestas de corte no sistema de referência da ferramenta, para torneamento cilíndrico (a) e faceamento (b). Fonte: adaptado de Diniz (2014). 14 Figura 4 – Ângulos de saída, de cunha e de folga da ferramenta, representados no plano de trabalho. Fonte: adaptado de Diniz (2014). 1.4 Forças de usinagem O estudo da força de usinagem F e também da força de corte Fc, força de avanço Ff e da força passiva Fp, são necessários para: • Auxiliar no desenvolvimento de projetos de máquinas ferramentas. 15 • Determinar ou especificar o plano de corte em condições de trabalho. • Analisar a precisão da máquina ferramenta, em sua situação de trabalho. • Entender os fenômenos, ou mecanismos de desgaste existentes no processo. Na medida em que se aumenta a velocidade de corte, ocorre a redução das forças de corte, de avanço e força passiva. Isso ocorre porque a resistência do material diminui com o aumento da temperatura. Também o acréscimo do índice de carbono do material da peça, causa o aumento da força de usinagem. É possível se encontrar variações causadas pela mudança de teor de ligas que reagem com a diminuição da força de corte, como, por exemplo, pelo enxofre. Analisando a influência do material da ferramenta, percebe-se que o coeficiente de atrito ocorrido entre o cavaco e a ferramenta de corte causa o aumento da condutividade térmica do material da ferramenta e verifica-se, então, aumento da força de corte. Ainda o desgaste de cratera, que ocorre na face da ferramenta de corte e ocasiona a formação de um ângulo de saída mais positivo, causa, consequentemente, à redução das componentes da força de usinagem. Também o desgaste de flanco da ferramenta faz com que aumente a força de usinagem em função do acréscimo da superfície de atrito em relação a superfície de incidência e a peça. 1.5 Potência de usinagem Para iniciar o cálculo da potência de usinagem, é necessário conhecer a força principal de corte (Fc). Para o processo de torneamento, podemos 16 realizar a relação a seguir entre a força de corte e a área da seção de usinagem: FC = KC. A = KC. ap. f(N) Sendo Kc (N/mm2) a pressão específica de corte. O resultado obtido para Kc corresponde a energia de corte por unidade de volume (ec), sendo, então, a energia aplicada ao retirar uma unidade de volume da peça. Pode ser, ainda, igual a potência de corte que retira a unidade de volume da peça por unidade de tempo (pc). Kc (N/mm2) = ec (J/cm3) = pc (W.s/cm3) A seguir, vemos a figura abaixo com a norma alemã AWF-178 que serve como referencia para extrair os valores de Kc de uma série de materiais usináveis. Figura 5 – Materiais usináveis, apresentados por meio da norma alemã AWF-178 Fonte: adaptado de Fracaro (2017). 17 A potência de corte Pc se refere a potência disponível no gume da ferramenta, sendo empregada durante o processo de usinagem por remoção de cavacos. A potência de corte é utilizada no cálculo de forças e pressões específicas de corte. A potência de acionamento Pa se refere a potência entregue pelo motor à máquina-operatriz. Em função do atrito ocorrido em mancais, engrenagens, sistemas de lubrificação, refrigeração e de avanço, a potência de acionamento não é igual a potência de corte, visto que ocorrem perdas de potência no mecanismoda máquina. A potência em vazio Po se refere a potência que a máquina-ferramenta gasta estando ligada, e mantendo o mecanismo de avanço funcionando, mas sem realizar nenhuma operação de corte. Na sequência, segue a fórmula para determinar o rendimento da máquina: .100 .100c a o a a P P P P P η − = = Normalmente, os valores encontrados variam entre 60% a 80%. O cálculo da potência de corte é obtido pela fórmula a seguir: . . . . . . ( ) 60000 60000 60000 c c c c c c c F v K A v K ap f vP Kw= = = Onde: Pc = potência de corte necessária no gume da ferramenta [kW]. Fc = força de corte [N]. Kc = pressão específica de corte [N/mm2]. 18 A = seção de corte [mm3]. A.vc = volume de cavacos produzidos na unidade de tempo [mm3/min]. ap = profundidade de corte [mm]. f = avanço [mm/rot]. vc = velocidade de corte [m/min]. As dimensões de corte são o fator de influência preponderante na força e na potência necessária para a usinagem. De modo geral, verifica- se que a pressão específica de corte Kc diminui com as dimensões do cavaco, sendo ests diminuição mais notada para um aumento do avanço do que para um aumento da profundidade de corte. 1.6 Materiais utilizados para ferramentas Na sequência, são listadas algumas características básicas necessárias para um material de corte: • Apresentar alta dureza em temperaturas elevadas. • Apresentar dureza maior da peça, que será usinada em baixa temperatura. • Dispor de tenacidade suficiente para suportar as forças de corte e impactos. • Dispor de resistência suficiente para a abrasão. • Ser estável quimicamente. • Ser comercialmente acessível ao consumo. 19 Pode ser difícil encontrar um material de corte que atenda perfeitamente a todos os requisitos citados, nesse caso. cabe ao especialista avaliar de acordo com sua aplicação as características primordiais e as secundárias. 1.7 Classificação dos materiais de corte Aços ferramenta são encontrados com composição entre 0,8% a 1,5% de carbono e reduzida porcentagem de outros elementos de liga. No passado distante, (próximo ao ano de 1.900) era a única opção de material existente para usinagem. Sua dureza é definida por meio de tratamento térmico adequado, por isso, é característico do material ter inferior resistência a quente (~200ºC), o que torna inadequado sua aplicação para usinagem de aços de alta resistência, além de obrigar velocidades reduzidas de corte, até +/- 25 m/min. Geralmente, seu emprego se dá em serviços menos nobres como para limas, serras de madeira, cinzéis, várias ferramentas domésticas, além de usinar materiais como latão e ligas de alumínio. É possível corrigir algumas características dos aços ferramenta com a adição de Cr, V e W em sua composição. Aços rápidos comuns: a partir de 1900, Taylor desenvolveu os primeiros aços rápidos com a adição de W, Cr e V para compor os elementos de liga, além de Mn para auxiliar prevenindo a fragilidade do material. Apresentam dureza considerável até temperaturas na casa dos 600ºC, também permite velocidades superiores de corte em relação aos aços ferramenta porque tem maior resistência a abrasão a quente. Sua desvantagem é o valor acentuado e tratamento térmico desfavorável. Aços rápidos com cobalto: encontrados a partir de 1921, com a adição de cobalto o que possibilitou ter maior dureza a quente, além de resistir mais ao desgaste, mas como consequência teve sua tenacidade 20 reduzida. Nessa composição, o cobalto é encontrado na faixa de 5% a 12%. Aço rápido com revestimento de nitreto de titânio – TiN: por meio do processo de deposição física por vapor (PVD), é aplicado sobre o aço rápido (BIT) um revestimento de nitrato de titânio (TiN), com espessura de 1 a 3 µm, o que caracteriza na ferramenta a aparência dourada, além de diminuir o desgaste de flanco e face por conferir maior dureza. Nitrato de titânio: diminui também o coeficiente de atrito, reduzindo por consequência a força de corte, permitindo melhor acabamento superficial das peças fabricadas. Seu revestimento serve, ainda, como proteção térmica ao metal base, mas o lascamento da camada de nitrato de titânio é o inconveniente principal dessa ferramenta. Aço rápido sinterizado: são fabricados por meio da sinterização do nitrato de titânio, permite obter uma estrutura cristalina mais uniforme e de menor espessura, é caracterizado por apresentar menos deformação na têmpera e no revenido e baixa frequência de trincas e tensões internas. Comparado aos aços rápidos comuns, sua tenacidade é um pouco maior, além de maior aderência do TiN e vida útil prolongada. Ligas fundidas: fabricadas a partir de 1922, por Haynes, tem grandes porcentagens de W, Cr e Co. São fabricadas pelo processo de fundição em moldes, sendo, na sequência, limpas e retificadas, a fim de conferir acabamento e ajuste final das medidas. Apresentam alta resistência em temperaturas até 800ºC. A composição tópica deste tipo de liga é: W = 17%, Cr = 33%, Co = 44%, Fe = 3%. Os nomes comerciais das ligas fundidas são Tantung, Rexalloy, Chromalloy e Steltan. 21 Metal duro: por meio do processo de metalurgia do pó (sinterização) é aplicado o tungstênio (W) na ferramenta de corte, o que confere a ferramenta alta resistência a tração e baixo coeficiente de dilatação térmica. A partir de 1927, a Krupp desenvolveu a Widia, ou wie diamant – como diamante, sua composição típica é 81% de W, 6% de C e 13% de Co. 1.8 A qualidade no controle dimensional Os fundamentos da metrologia abrangem todas as grandezas determinadas, inclusive às dimensões lineares e angulares de qualquer peça. Não existe processo de fabricação que possibilite obter precisão absoluta da dimensão prefixada. Por isso, é necessário analisar a grandeza do erro aceitável, para definir o processo de fabricação e os possíveis controles. Um controle eficaz deve ser total, isto é, deve ser exercido em todos os estágios de transformação da matéria, integrando-se nas operações depois de cada fase de usinagem. Todas as operações de controle dimensional são realizadas por meio de aparelhos e instrumentos. Devem, assim, controlar não somente as peças fabricadas, mas também os aparelhos e instrumentos verificadores, identificando desgastes e regulagens inadequadas. Isso se aplica também às ferramentas, aos acessórios e às máquinas ferramentas utilizadas na fabricação. Existem normas que regulamentam todas as operações relativas ao controle dimensional que constam no projeto de um equipamento, essas normas são transcritas, geralmente, por meio de procedimentos ou instruções de trabalho onde são definidas tolerâncias, instrumentos que serão utilizados e outras informações especificas. Para concluir, podemos dizer que o ato de usinar é um procedimento com o objetivo de dar forma a uma matéria-prima, por meio de ferramentas ou máquinas, aplicando-se a devida regulagem ou setup de 22 máquina, resultando em um produto dentro de normas e especificações pré-definidas com a qualidade requerida. Referências Bibliográficas CHIAVERINI, V.Tecnologia Mecânica. v. 2, 2 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. DINIZ, A. E.; MARCONDES, F. C.; COPPINI, N. L.Tecnologia da usinagem dos materiais. 9 ed. São Paulo: Artliber Editora, 2014. FRACARO, Janaina. Fabricação pelo processo de usinagem e meios de controle. Curitiba: Editora Intersaberes, 2017. REBEYKA, C. J. Princípios dos processos de fabricação por usinagem. Curitiba: Editora Intersaberes, 2016. 23 Metrologia Autoria: Joanisa Possato Curtulo Leitura crítica: Charlie Hudson Turette Lopes Objetivos • Definir e classificar a metrologia e seus processos de medição. • Discutir resultados de medições, calibração e instrumentos de medição. • Discutir controle de qualidade na metrologia. 24 1. Metrologia Segundo o Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM 2012), metrologia consiste na ciência que estuda as medidas e envolve os aspectos teóricos e práticos que dizem respeito aos sistemas de mediçãoem todos os segmentos da ciência, engenharia e tecnologia. Por meio da metrologia, é possível qualificar e quantificar um fenômeno qualquer, obtendo, dessa forma, sua medida, ou seja, sua grandeza, determinando um valor correspondente. Vale ressaltar, aqui, que o controle realizado por meio da metrologia não tem por finalidade apenas identificar ou descartar produtos fabricados fora de especificação, cabe ao campo de atuação da metrologia realizar a orientação ao processo de fabricação, prevenindo erros. Trata-se, portanto, de um fator que reduz despesas gerais e permite o aumento da produtividade. O controle dimensional precisa abranger todas as etapas que envolvem a transformação da matéria, interagindo com as operações de cada fase de fabricação. As operações que envolvem o controle dimensional, se utilizam de aparelhos e instrumentos e, dessa forma, é preciso controlar inclusive os aparelhos e instrumentos aplicados no processo de medição. Sendo assim, é necessário que se realize o controle de desgastes nos verificadores com dimensões fixas e de regulagem, nos verificadores com dimensões variáveis. Isso se aplica inclusive às ferramentas, acessórios e máquinas-ferramentas. 1.1 Classificação e nomenclatura O Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM 2012) denomina o Sistema Internacional de Unidades (SI) como o sistema de unidades, que tem como base o Sistema Internacional de Grandezas, seus nomes, 25 símbolos das unidades, incluindo uma série de prefixos com seus nomes e símbolos, em conjunto com regras de utilização, adotado pela Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM). Grandeza é o que pode ser analisado por meio da metrologia. Assim, para se mensurar uma grandeza, é necessário fazer um comparativo por meio de alguma forma de medida e para que seja possível subdividir a grandeza em um sentido geral (comprimento, tempo, temperatura, velocidade). A grandeza, portanto, é o que mediremos. O que é medir? Chama- se medir, o procedimento experimental pelo qual é determinado o valor de uma grandeza física, utilizando um equipamento especifico. É importante considerar que a medição deve ser confiável. Para se realizar um processo de medição adequado, os fatores listados a seguir precisam ser seguidos: • Exatidão: o valor medido precisa ser o mais próximo possível do valor real, ou verdadeiro, que apresenta o objeto da medição. • Repetibilidade de medição: é a ação de medir por meio da repetição do mesmo procedimento de medição, pelo mesmo operador, seguindo o mesmo sistema de medição e as mesmas condições de operação, mediante um curto período de tempo. • Precisão: abrange a faixa de variação do resultado do ato de medir. • Reprodutibilidade de medição: é a condição de realizar a obtenção da devida medição, seguindo uma série de situações como diferentes locais, operadores, sistemas de medição e médicos repetidas no mesmo objeto ou em objetos similares. 26 1.2 O processo de medição Para que a execução do processo de medir seja realizada da forma ideal, sua condição precisa ser claramente definida e mantida de maneira constante. Dessa forma, é necessário que se mantenha, por exemplo, a quantidade e as posições em que as medições são executadas, repetir também o processo de preparação da peça a ser medida e os tempos de preparo da peça para a medição. Além disso, é fundamental que se mantenha também o sistema de medição, ferramentas, acessórios empregados no processo e as condições ambientais se mantenham estáveis ou preferencialmente controladas. Segundo Silva Neto (2018), é impossível medir sem cometer erros de medição. Para realizar uma medição sem erros, seriam necessários: sistema de medição perfeito, ambiente controlado e perfeitamente estável, operador perfeito e grandeza sob medição com valor único, perfeitamente definido e estável. Objetivamente, portanto, não se pode obter uma medição em total conformidade com as observações citadas por Amorim (2010). Dessa forma, então, é necessário considerar o erro de medição como uma condição aceitável, seja em menor ou maior grau, pois não existe sistema de medição perfeito. A metrologia não nega a existência do erro de medição, mas aponta para caminhos que possibilitam conviver e delimitar a ação dos erros e ainda obter informações confiáveis, segundo Almeida (2017). Quando se realiza o processo de medir um objeto, o resultado obtido, ou indicação da medição, não significa o término do processo, é necessário, nesse momento, considerar os erros envolvidos para analisar a faixa de dúvidas envolvida no resultado da medição. O resultado da medição é a faixa de valores dentro da qual deve estar o valor verdadeiro do mensurando. 27 Por meio da Figura 1, a seguir, é possível observar a faixa de valores correspondente ao resultado da medição, onde está sendo considerada a margem de duvida do processo, dando como resultado a faixa de valores aceitável a ser considerada como resultado da medida obtida. Figura 1 – Resultado da medição–RM = RB ± IM Fonte: adaptada de Albertazzi (2018). Dessa forma, o resultado da medição será formado da seguinte forma: Resultado base (RB): corresponde ao valor do resultado da medição, ou seja, o valor mais próximo do considerado como real, e pode ser obtido por medição única ou por meio da média de várias medições. Incerteza de medição (IM): corresponde a faixa de dúvida presente na medição, considerando-se as variáveis que formam o erro do processo de medir. A partir de métodos estatísticos, é realizado o cálculo que define o tamanho da faixa de incerteza. Considerando que o valor exatamente real da medição é desconhecido, é necessário que as técnicas e procedimentos adequados sejam empregados baseados nos princípios básicos do profissional de metrologia: • Conhecimento para aplicar corretamente os princípios, técnicas e mecanismos inerentes ao processo de medir. 28 • Honestidade para que o profissional que realizará o ato de medir não seja tendencioso na coleta e análise dos dados obtidos para reportar os valores de forma idônea. • Bom senso para avaliar criticamente, durante todo o processo, possíveis variações inesperadas que afetem o resultado final do processo. Segundo Almeida (2017), podemos também dividir o método de medição em duas partes: direto e indireto. Medição direta é a mais simples, na qual utilizamos simplesmente um instrumento e verificamos a medida imediatamente. 1.3 Resultados de medição Albertazzi (2018) define o processo de medição como conjunto de fatores envolvidos em uma operação de medição. Abrange o meio de medição, o procedimento de medição, o agente que efetua a medição, o método de medição e a clara definição do mensurando, conforme ilustrado na Figura 2. Figura 2 – Elementos do processo medição Fonte: adaptada de Albertazzi (2018). Quando se fala na definição do mensurado, está sendo analisada a grandeza efetiva da medição. Para entendermos melhor, ao registrar a velocidade de um veículo, podemos considerar sua velocidade 29 máxima, média ou instantânea, em um momento específico. Assim, essa consideração precisa ser realizada previamente, antes do processo de medir. O procedimento de medição pode ser considerado como o algoritmo pelo qual as medidas são realizadas e, geralmente, é disponibilizado como um documento escrito e registrado internamente nas empresas, no qual constam os aspectos preliminares ao processo de medir, além da sequência exata de operações, o número de repetições e os cálculos envolvidos. As condições ambientais podem influenciar no resultado da medição. A dilatação térmica, causada pelo aumento de temperatura, é um exemplo comum de interferência ambiental no processo de medição, causando uma alteração de um comprimento ou também o volume de um líquido. A destreza do operador, em executar as técnicas de operação e seu zelo com o sistema de medição, influenciam diretamente nos erros aleatórios e sistemáticos. Quando o operadorse encontra cansado, ou por algum outro motivo fora de suas condições normais de trabalho, a qualidade dos resultados poderá ser afetada no processo de medir devido à baixa concentração. Os erros oriundos do sistema de medição sobre o resultado final do processo são os mais críticos e, geralmente, analisados a partir de calibrações, realizadas em ambiente laboratorial, diferenciadas do local normal de uso do sistema de medição. 1.4 Calibração Com o passar do tempo, principalmente em função de seu uso, todo sistema de medição pode apresentar desgastes e consequentes variações, sendo necessário realizar ações periódicas de verificação para manter sua confiabilidade. Para essa ação, se dá o nome de calibração 30 do instrumento de medição. Essa ação é necessária para certificar que as medições realizadas estejam corretas e identificar possíveis desvios entre os resultados medidos e os valores reais. A calibração de um instrumento permite então saber se está dentro dos limites de erro admissível, sendo determinado por procedimento experimental, geralmente, realizado em laboratório credenciado. Conforme Silva Neto (2018), a calibração é o conjunto de operações que estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento ou sistema de medição, ou os valores representados por uma medida materializada, ou material de referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidas por padrões. O procedimento de calibração de instrumentos, realizado periodicamente para manter a confiabilidade do processo produtivo, muitas vezes, é considerado um custo oneroso financeiramente. Uma alternativa que pode ser adotada é o processo de verificação do instrumento, assim, será realizada apenas algumas medições com o instrumento e quantificar os erros identificados para comparar com os resultados das últimas calibrações, sendo aprovado se a quantidade de erros verificada não ultrapassar o limite de erros que consta em seu certificado de calibração. O procedimento de ajuste é realizado em todo instrumento que apresenta desvios significativos apontados por meio de uma verificação ou calibração, trata-se, portanto, de uma ação corretiva para que o instrumento retorne à condição ideal de operação, utilizando recursos internos do sistema de medição não disponível ao usuário comum, onde sua indicação de medição seja compatível com o valor real do objeto medido. No procedimento de regulagem, também são adotadas ações corretivas com a finalidade de fazer que a indicação do instrumento volte a coincidir com seu valor real a ser medido. Nesse caso, utilizando 31 recursos externos do sistema de medição disponível ao usuário comum. Concluída a regulagem do instrumento, basta uma simples verificação para que o instrumento possa retornar ao seu uso normal. Ainda sobre o processo de calibração, é possível classificá-lo das seguintes formas: • Calibração direta: É utilizado uma grandeza padrão que tem um determinado valor estabelecido, onde o padrão é aplicado diretamente ao sistema que deseja calibrar, e as medidas obtidas são comparadas com os valores da grandeza padrão. (SILVA NETO, 2018, p. 167) Um exemplo de calibração direta pode ser para calibrar um micrômetro, onde é utilizado um conjunto de blocos padrão, com medidas conhecidas. Comparando-se os valores dos blocos com os medidos pelo instrumento, é possível verificar se o instrumento está calibrado. • Calibração indireta: aplicada quando não existe um padrão determinado, ou seja, as grandezas da medida em questão não podem ser materializadas. Almeida (2017) exemplifica a calibração do velocímetro do automóvel como um exemplo que só pode ser calibrado pelo método indireto, pois não existe nenhum padrão materializado para medir a velocidade de um automóvel, então o método direto fica inviável. Para calibrar o velocímetro, basta comparar a velocidade medida no painel do automóvel com a velocidade encontrada em um sistema de medição padrão conhecido, por exemplo, um tacômetro, ou por meio de fórmulas conhecidas, conforme a Figura 3, que mostra um veículo usando uma quinta roda, que é o sistema de medição-padrão para medir sua velocidade. V1 é a velocidade medida pela quinta roda e V2 é a velocidade mostrada no velocímetro do carro. 32 Figura 3 – Sistemas de calibração indireta Fonte: adaptada de Almeida (2016). Sobre o certificado de calibração, Lira (2016) descreve que relata se o instrumento calibrado atende ou não os requisitos, previamente estabelecidos, se libera ou não sua utilização em serviço. Deve trazer as informações solicitadas pelo cliente, o método de medição e as informações necessárias para interpretar os resultados obtidos. Visando manter a padronização e, assim, facilitar seu entendimento, o certificado de calibração, preferencialmente, deve seguir um modelo sugerido, com os dados que seguem: • Título – Certificado de calibração. • Nome e endereço do laboratório. • Número do certificado em todas as páginas. • Numeração das páginas no formato página de página. • Endereço e nome do cliente. • Identificação do instrumento calibrado. • Procedimento de calibração e método utilizado. 33 • Evidência da rastreabilidade. • Incerteza de medição. • Identificação do técnico autorizado. • Datas da calibração e emissão. 1.5 Equipamentos de calibração • Paquímetro: É um instrumento, geralmente, construído em aço inoxidável, com acabamento de alta qualidade em suas superfícies, aplicado na medição de peças com medidas superiores a 0,02mm ou 1/128”. Apresenta cursor ajustado a sua régua, com movimento livre, escala com graduação em milímetros e polegadas. Geralmente, os paquímetros possuem faixa de indicação de 120 a 2000mm e comprimento do bico de 35 a 200, respectivamente. Os instrumentos menores possuem, em sua traseira, uma lingueta móvel para medidas de profundidade de peças diversas. A leitura da escala dos paquímetros pode ser mecânica, por meio de indicação via nônio, de cremalheira, com indicação por meio de relógio comparador e magnética ou eletro-óptica, para indicação eletrônica/ digital, observados na Figura 4. 34 Figura 4 – Paquímetro Fonte: adaptada de Lira (2016). • Micrômetro: São instrumentos que podem ser encontrados em várias dimensões e podem realizar por leitura direta, dimensões reais, com aproximação de até 0,001mm. Geralmente, são empregados em casos onde o paquímetro não oferece a precisão de medida necessária no processo de medição e, nesses casos, o micrômetro oferece uma exatidão de 0,01mm. Seu funcionamento ocorre pelo sistema de parafuso e porca, assim, ao realizar um giro completo na catraca, sistemicamente se realiza o avanço correspondente a um passo na escala de medição, como podemos observar na Figura 5. 35 Figura 5 – Micrômetro Fonte: adaptada de Lira (2016). Sobre a forma construtiva dos micrômetros, seu arco, geralmente, é fabricado com aço especial e tratamento térmico que elimina tensões, além de proteção antitérmica para prevenir a dilatação. O parafuso micrométrico possui aço com alto teor de liga, temperado a uma dureza de 63 RC (Rockwell C) e rosca retificada, gerando, assim, alta precisão no passo. Apresenta, ainda, fixador ou trava para a fixação de medidas, luva externa para gravação da escala, proporcional a capacidade de medição do instrumento, tambor de movimento rotativo que possibilita complementar as medidas e catraca, que mantém a pressão de medição constante. • Goniômetro: É um instrumento aplicado na tomada de medidas angulares com precisão, por meio de um disco graduado e um esquadro, formando uma peça única que apresenta quatro graduações de 0º a 90º. Seu articulador vira com o disco do Vernier e, em sua extremidade, há um ressalto adaptável à régua, como ilustrado na Figura 6. 36 Figura 6 – Goniômetro Fonte: adaptada de Lira (2016). • Relógio comparador: Aparelho de alta precisão, empregado em medições na casa deaté um mícron, possibilita ao operador medir resultados que seus olhos não podem identificar sem o auxílio do instrumento como diferenças de altura de superfícies planas ou a concentricidade entre cilindros. Por meio dos relógios comparadores, é possível realizar medições nas faixas de 0,25 mm a 300 mm, com graduações de 0,001 mm a 0,01 mm. 1.6 O controle de qualidade na metrologia Segundo Amorim (2010), no controle de qualidade por variáveis, a tolerância representa a faixa de valores aceitáveis. Seus limites extremos 37 são denominados de Limites de Especificação: o Limite Inferior da Especificação (LIE) e o Limite Superior da Especificação (LSE). Cada componente, cujas características estiverem dentro desses limites, deve ser aprovado pelo controle de qualidade por estar em conformidade com as especificações. A faixa delimitada pelos limites de especificação é também denominada de zona de conformidade, ilustrada na Figura 7. Figura 7 – Zona de conformidade. Fonte: adaptada de Albertazzi (2018). No controle de qualidade são assumidas decisões por meio de dados de medições de determinadas peças e ressaltando que nessas medidas estão inseridas incertezas, torna-se necessário que tais incertezas não levem a tomar decisões equivocadas. Por esse motivo, é necessário definir com cuidado as margens de erro aceitáveis a cada processo. Ao grupo de valores do resultado base, onde os dados da medição se encontram totalmente contidos na zona de conformidade, chama-se zona de aceitação. Na Figura 8, é possível identificar a zona de aceitação, composta ainda pelo limite inferior de aceitação (LIA) e o limite superior de aceitação (LSA). Pode-se concluir, ainda, que a zona de aceitação é mais restrita que a zona de conformidade relativa a mesma incerteza de medição. 38 Figura 8 – Zona de aceitação. Fonte: adaptada de Albertazzi (2018). Os cálculos para os limites da zona de aceitação são realizados por meio das equações definidas a seguir: LIA = LIE + U LSA = LSE – U Onde: LIE–Limite Inferior de Especificação. LIA–Limite Inferior de Aceitação. U–Incerteza de Medição. LSA–Limite Superior de Aceitação. LSE–Limite Superior de Especificação. Pela ótica da produção, a melhor condição seria que a zona de aceitação estivesse posicionada o mais próximo da zona de conformidade, dessa forma, a quantidade de peças duvidosas seria, portanto, menor e, com isso, também se reduz o custo da falta de qualidade. 39 Para que se alcance um equilíbrio no custo da qualidade, deve-se ponderar entre o perfeccionismo e o relaxamento. Essa análise precisa ser realizada individualmente para cada processo, mas, geralmente, tal equilíbrio é alcançado quando a incerteza do processo de medição fica na casa de um décimo do intervalo de tolerância, assim: U= IT/10 Onde: U–incerteza de medição do processo de medição. IT–intervalo de tolerância (IT = LSE – LIE). Ressaltando que a equação acima é apenas uma sugestão, existem situações nas quais o equilíbrio mencionado pode ser atingido com pequenas variações, acima ou abaixo do encontrado pela equação. Se LIA LSA – o produto é rejeitado. A consequência é se adotar uma incerteza de medição muito alta, resultando numa zona de aceitação estreita, chegando em seu limite inclusive a desaparecer, assim, não seria possível aprovar nenhum produto dentro da zona de conformidade. Referências Bibliográficas ALBERTAZZI, A.; SOUSA, A. R. de. Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial. 2 ed. Barueri: Editora Manole, 2018. 40 ALMEIDA, F. R. B. de; ESTAMBESSE, E. C. Metrologia. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. AMORIM, A. A.; JUNIOR, L. S. Sistema de gerenciamento de informações para laboratório de metrologia. Ceará: Laboratório de Metrologia da Universidade Federal do Ceará, 2010. INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA (INMETRO). Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM 2012)–Conceitos fundamentais e gerais e termos associados. Duque de Caxias: INMETRO, 2012. LIRA, F. A. Metrologia na indústria. 10 ed. São Paulo: Editora Érica, 2016. SILVA NETO, J. C. da. Metrologia e controle dimensional: conceitos, normas e aplicações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. 41 Leitura e interpretação de desenhos técnicos Autoria: Joanisa Possato Curtulo Leitura crítica: Charlie Hudson Turette Lopes Objetivos • Identificar as vistas, seus tipos e supressão, além de cortes. • Discutir cotas, símbolos e materiais • Identificar símbolos e convenções relacionados ao desenho técnico. 42 1. Identificação de vistas Quando utilizamos recursos para comunicar e transmitir uma mensagem, podemos fazer uso de vários meios, como, por exemplo, escrita em papel ou redes sociais. Entendendo que o leitor é o receptor e o emissor é a pessoa que escreveu, é importante que essa mensagem seja clara, com o menor ruído possível. Sendo assim, o desenho permite a comunicação sobre determinado assunto de maneira clara, no qual palavras podem não ser suficientes. Tanto a fala quanto a escrita ou o desenho tem a função de representar ideias e pensamentos. Tudo o que é possível observar, ou mesmo imaginar, pode de alguma forma ser representado por meio de um desenho em um plano, por meio de uma projeção, feita no plano de projeção, representados na Figura 1. Figura 1 – Observador, peça e seu plano de projeção Fonte: elaborada pela autora. 1.1 Tipos de vistas Podemos tomar um clipe como exemplo. A representação frontal se dá através de um plano vertical. A chamada vista de frente ou frontal é 43 popularmente conhecida como projeção vertical e/ou elevação, como pode ser observado na Figura 2. Figura 2 – Plano vertical Fonte: elaborada pela autora. Observando a Figura 3, podemos perceber as projeções e as elevações das peças. Assim, para o observador da posição indicada, são essas as vistas de frente. Figura 3 – Vistas de frente Fonte: elaborada pela autora. Voltando ao exemplo do clipe, se o observador tiver o desejo de observá-lo por cima, usará um plano chamado de horizontal, sendo que a projeção representada é a vista de cima, também denominada de projeção horizontal ou planta, como ilustrado no exemplo da Figura 4. 44 Figura 4 – Projeção horizontal Fonte: elaborada pela autora. Observe a vista de cima, projeção horizontal ou planta das peças, na Figura 5. Figura 5 – Projeção horizontal Fonte: elaborada pela autora. O observador pode precisar olhar o clips de lado, sendo assim, teremos a vista lateral, com a projeção representando uma vista lateral e esta, por sua vez, pode ser do lado da esquerda ou da direita, como podemos observar na Figura 6. 45 Figura 6 – Projeção lateral Fonte: elaborada pela autora. O importante é que a peça observada possua vistas suficiente para se ter uma ideia completa da peça, sendo um número de vistas imprescindíveis para a representação, com o intuito de melhoirar o entendimento da forma e, consecutivamente, das dimensões dessa peça. Sendo assim, estas são chamadas de vistas principais. Ao selecionar a posição da peça que será projetada, se escolhe sempre, para a vertical, a vista em que exiba a maior quantidade de detalhes da mesma, caracterizando-a a ponto de individualizá-la. Sendo assim, comum a denominação de projeção vertical de elevação da vista principal. Nna Figura 7, é importante notar que a vista de frente (elevação) e a vista de cima (planta) se posicionam no sentido de fazerem um alinhamento vertical. 46 Figura 7 – Elevação e planta Fonte: elaborada pela autora. Quanto ao alinhamento, as vistas de lado (vista lateral esquerda) e a de frente (elevação) fazem um alinhamento horizontal. Então, quando juntamos as vistas principais do nosso clipe, o teremos em três projeções, como representado na Figura 8. Figura 8 – Principais vistas. Fonte: elaborada pela autora. Quandose necessita fazer uma projeção lateral de arestas não visiveis, utiliza-se linhas tracejadas, como na Figura 9 abaixo. 47 Figura 9 – Projeção lateral de arestas não visíveis Fonte: elaborada pela autora Quando temos círculos e fendas, costuma-se usar linhas de centro na representação, conforme Figura 10. Figura 10 – Representação com linhas de centro Fonte: elaborada pela autora. Se o maior número de detalhes estiverer do lado direito da peça, é recomendável usar a vista lateral direita, fazendo a projeção na esquerda da elevação, confome Figura 11. 48 Figura 11 – Representações da vista lateral direita e planta Fonte: elaborada pela autora. Em casos mais complexos, se faz necessária a utilização de duas laterais para melhor entendimento. Contudo, dessa forma, as linhas tracejadas que não forem necessárias podem facilmente ser omitidas, conforme o exemplo na Figura 12. Figura 12 – Representações em várias vistas Fonte: elaborada pela autora. 1.2 Supressão de vistas Com intuito de fazer uma boa representação, usa-se sempre as projeções que melhor identificam as formas e as dimensões. Pode-se usar três ou mais vistas, mas também duas apenas ou, em alguns casos, até uma única vista. 49 Abaixo, na Figura 13, visualizamos exemplos de duas vistas, contudo, sempre haverá uma principal (vista de frente), sendo feita a escolha por uma segunda vista que melhor represente a peça. Figura 13 – Projeções principais Fonte: elaborada pela autora. Quando se faz a representação com apenas uma vista, é indispensável o uso de símbolos, como na Figura 14. Figura 14 – Projeções principais Fonte: elaborada pela autora. 1.3 Cotas, símbolos e materiais Para a execução perfeita de uma peça, são necessárias outras informações, além das projeções, são as informações de medidas, denominadas dimensionamento ou cotagem. A norma NBR 10126– Cotagem em desenho técnico, mostra os princípios de cotagem que devem ser aplicados aos desenhos técnicos (ABNT, 1998). 50 O objetivo principal da cotagem é determinar os detalhes da peça e o tamanho da mesma. Para a execução de uma peça, é necessário saber as dimensões exatas da mesma, além da localização do furo.Para a realização da cotagem, são necessás tres coisas: linhas de cota, linhas de extensão e valor numérico da cota, como podemos observar na Figura 15. Figura 15 – Cotas Fonte: elaborada pela autora. Outra norma que deve ser visitada, para o cumprimento dos requisitos do desenho técnico, é a NBR 8403–Aplicações de linhas em desenho – Tipos de linhas – Larguras das linhas (ABNT, 1984). As linhas da cota sempre devem ser de expessura fina, traço contínuo, limitadas por setas em suas extremidades. Já sendo a expessura das linhas de extensão fina, com traço contínuo, o contorno do desenho da peça não deve ser tocado por nenhuma das duas. Já o numero, pode ter dois tipos de representação, acima ou abaixo da linha de cota, contudo, sua leitura deve ser feita sempre do lado esquerdo paro o direito e da parte inferior para o superior. 51 A unidade padrão para toda cota é milímetros. É necessária a indicação, caso tenha outra medida. É necessário colocar a cota na vista que melhor representa o elemento cotado, além de se evitar a todo custo a repetição. Contudo, podem ser colocadas dentro ou fora dos elementos, objetivando ter melhor clareza e a facilidade de execução. Nos elementos esféricos, pode ser utilizada a indicação de raios e circunferências, como exemplificado na Figura 16 abaixo. Figura 16 – Cotas Fonte: elaborada pela autora. 1.4 Símbolos e convenções No entendimento ABNT NBR 10126 (ABNT, 1998), se faz necessário o uso de símbolos que devem ser colocados antes dos valores numéricos das cotas. Podemos observar alguns exemplos na Figura 16. 52 Figura 17 – Simbologia Fonte: adaptado de SENAI (2006). 1.5 Corte O corte é a denominação dada a uma representação feita de um produto, por meio de, no mínimo, um plano virtual (planos secantes). A representação é feita do que está atrás deste plano. Seu objetivo é o de representar claramente os detalhes internos de components e montagens. Figura 18 – Cortes Fonte: elaborada pela autora. 53 A identificação dele é feita por meio de setas, acompanhadas de letras, sendo que a expressão corte AA é colocada abaixo da vista com hachuras. As vistas que não foram atingidas pelo corte, permanecerão com todas as linhas. Já na vista com hachuras, as linhas tracejadas podem ser omitidas, desde que não atrapalhe o entendimento do desenho. Figura 19 – Interpretação dos cortes com hachuras Fonte: elaborada pela autora. Referências Bibliográficas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10126–Cotagem em desenho técnico – Procedimento. Rio de Janeiro, 1998. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8403–Aplicações de linhas em desenho – Tipos de linhas – Larguras das linhas. Rio de Janeiro, 1984. AGOSTINHO, O. L.; DOS SANTOS, A. C.; LIRANI, J. Tolerâncias, ajustes, desvios e análise de dimensões. 7 ed. São Paulo: Blücher. 2001. OLIVEIRA, A. P. Desenho Técnico. Apostila do Instituto Técnico, 2007. ORTHEY, A. L. Desenho auxiliado por computador. Londrina, Editora e Distribuidora Educacional S.A, 2017. PROVENZA, F. P. PROTEC – Desenhista de Máquinas. São Paulo. Escola PROTEC, 4 ed. 1991. 54 PROVENZA, F. P. PROTEC – Projetista de Máquinas. São Paulo. Escola PROTEC, 4 ed. 1996. SANTANA, F. E. Desenho Técnico. Apostila da Faculdade de Tecnologia em São Carlos – FATESC, 2005. SENAI-ES. Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico. Vitória: Senai- ES, 1996. SOCIESC. DES – Desenho Técnico. Apostila da Escola Técnica Tupy. Joinville, 2004. 55 Automação, sistema de controle e instrumentação Autoria: Joanisa Possato Curtulo Leitura crítica: Charlie Hudson Turette Lopes Objetivos • Introduzir os conceitos de automação, elementos básicos de um sistema automatizado. • Apresentar o sistema de malha aberta e o sistema de malha fechada. • Discutir os seguintes elementos: componentes de hardware para automação e controle de processos, sensores de medição do processo; atuadores de acionamento do processo; instrumentos de conversão analógica/ digital; instrumentos de entrada/ saída de dados. 56 1. Introdução a automação Quando falamos nos elementos automatizados do sistema de produção, é possível classificá-los em dois grupos distintos: a automação dos sistemas de produção da fábrica e o controle computadorizado dos sistemas de apoio à produção. É comum, inclusive, encontrar, nas indústrias, os dois grupos se completando, o sistema de produção automatizado é criado e depois também controlado por sistemas computadorizados, exercendo a função de apoio ao sistema de gerenciamentos de dados gerenciais. A Figura 1 exemplifica essa relação entre os dois grupos de elementos automatizados do sistema de produção. Figura 1–Oportunidades de automação e uso de computadores em um sistema de produção Fonte: Groover (2011). De acordo com Groover (2011), os sistemas de produção automatizados executam atividades como processamento, montagem e inspeção, possibilitando reduzir significativamente a mão de obra humana e podendo ser aplicados em atividades como fabricação de peças em 57 máquinas ferramentas, linhas de montagem automatizadas ou mesmo para inspeção automática de controle de qualidade. Para auxiliar o estudo dos sistemas automatizados de produção, dividiremos em três tipos. A Figura 2 permite analisar as diferenças de volume e variedade de produtos fabricados. Figura 2–Tipos de automação relativos ao volume de produção e variedade de produto. Fonte: adaptado de Groover (2011). Automação rígida: a configuração do equipamento ou sistema determina a sequência de operações de processamento. Geralmente, executa operações simples com movimento linear ou rotacional, resultando em altos volumes de produção, inflexibilidade relativa do equipamento para suportar variedades de produção, alémde alto investimento inicial, pois requer engenharia personalizada. São exemplos comuns, de automação rígida, as linhas de montagem automatizadas e também linhas de transferência ou transporte de materiais diversos. 58 Automação programável: os equipamentos são projetados de forma a possibilitar a mudança da sequência de operações e, assim, gerar maior variedade de produtos fabricados. Isso ocorre por meio da alteração do programa que codifica a sequência de operações, ideal para produção em lotes. Às vezes, exige adaptações a cada mudança de produto e, como consequência, se observa menor volume de produção em relação a automação rígida. Apresenta, ainda, alto investimento inicial em equipamento, flexibilidade e adaptabilidade para produção em lotes. Enquadram-se, nessa categoria, as máquinas ferramenta numericamente controladas, robôs industriais e controladores lógicos programáveis. Automação flexível: apresenta maior flexibilidade com relação à variedade de peças a ser produzida, sem gerar grandes perdas de tempo com alterações de setup de máquina. Dessa forma, aceita fabricar maiores variedades de peças em lotes menores, desde que a diferença entre as peças não seja tão significativa. Também requer alto investimento inicial, mas permite produção contínua com variedade de produtos e taxas médias de produção. Quando falamos em sistemas computadorizados de apoio a produção, sua finalidade será de diminuir a atividade manual de caráter burocrático nas rotinas de projeto de produtos, Planejamento e Controle de Produção (PCP) e demais rotinas administrativas. Por meio da manufatura integrada por computador, a tecnologia é aplicada nas diferentes funções de processamento de informação. Um exemplo prático são as ferramentas de projeto auxiliado por computador (CAD), aplicado no apoio a função de projeto de produtos e a manufatura auxiliada por computador (CAM), aplicada na execução de atividades de engenharia de manufatura para planejamento e programação da peça no controle numérico. 59 Existem várias razões para o investimento em automação da produção e também de se usar manufatura integrada por computador e, entre elas, podemos destacar as seguintes: • Aumentar a produtividade. • Reduzir custos. • Reduzir a carência de trabalhadores. • Eliminar as rotinas manuais. • Diminuir as tarefas administrativas. • Incrementar a segurança do trabalho. • Aumentar a qualidade do produto. 1.1 Elementos básicos de um sistema automatizado A definição de automação pode ser entendida como a tecnologia por meio da qual um processo ou procedimento é alcançado sem assistência humana, sendo realizada utilizando-se um programa de instruções combinado a um sistema de controle que executa as instruções. Ao automatizar um processo, é preciso energia não só para conduzir o processo, como para operar o programa e o sistema de controle. Apesar de poder ser aplicada em diversas áreas, a automação está diretamente associada às indústrias de produção, conforme representado no esquema da Figura 3, segundo Groover (2011). 60 Figura 3–Tipos de automação concernentes ao volume de produção e diversidade de produto. Fonte: Groover (2011, p.56). A principal fonte de energia aplicada em processo automatizados é a energia elétrica. Dntre suas vantagens, podemos destacar sua ampla disponibilidade com custo acessível, que permite ser transformada em outras formas de energia, como a mecânica, térmica, pneumática e luminosa. A energia elétrica também pode ser aplicada em baixa tensão para transmissão de sinal, processamento e armazenamento de dados, além de ser possível seu armazenamento em baterias para utilização em pontos onde outras fontes não estão disponíveis. o programa de instruções contém a relação de ações, ou operações executadas em um processo automático e são, portanto, as etapas de processamento que ocorrem em um determinado ciclo de trabalho para uma peça ou processo específico. o ciclo de trabalho poderá ser desde uma simples operação de apenas uma etapa, como também um ciclo formado por várias etapas que são executadas, sem desvios, como, por exemplo, uma sequência onde ocorre o transporte de uma peça, sua usinagem e, finalmente, a entrega em outra estação de trabalho. Em sistemas automatizados, o elemento de controle executa as instruções contidas no programa de instruções para que a operação de 61 produção aconteça conforme descrito. Assim, é necessário realizar o controle, como também manter constante uma série de variáveis, como pressão, temperatura ou velocidade. Aqui, se aplicam os instrumentos de medição e controle para que seja possível controlar essas grandezas com precisão superior a realizada manualmente pela intervenção humana. Cabe, assim, ao sistema de controle, manter determinada variável no set point determinado, por meio da comparação entre o valor especificado e o valor medido e ajustar eventuais desvios entre os valores encontrados automaticamente. Os controles automatizados dos processos de fabricação podem ser realizados por meio de malha aberta ou malha fechada, como veremos na sequência. Em sistema de malha aberta, os valores medidos na variável controlada não são utilizados para corrigir outras variáveis de entrada para fazer a correção ou ajuste necessário para que seja possível alcançar indiretamente a variável controlada. Segundo Bega (2011), o conceito de malha aberta é, frequentemente, utilizado nas discussões dos sistemas de controle, para indicar que está se investigando a dinâmica do processo em uma condição não controlada, ou seja, investiga-se apenas a dinâmica do processo. No controle em malha fechada, também chamado de controle com realimentação, ocorre uma interação entre a entrada e a saída do sistema para que a variável controlada no processo possa ser mantida dentro dos parâmetros determinados e, assim, o sistema em malha fechada realiza o controle da variável, realizando correções em outras variáveis do processo. 62 1.2 Componentes de hardware para automação e controle de processos Na implantação da automação e controle de processos, o sistema de processamentos de dados recebe e transmite informações, são as variáveis e parâmetros do processo. Como o computador manipula apenas dados digitais, ou binários, algumas informações recebidas do processo podem ser analógicas, então, é necessária a conversão de dados de analógico para digital, como também a operação inversa. Na sequência, temos um resumo dos componentes que precisam ser utilizados nessa interação entre computador e variáveis de processo. • Sensores de medição do processo. • Atuadores de acionamento do processo. • Instrumentos de conversão analógica/ digital. • Instrumentos de entrada/ saída de dados. A Figura 6 representa a interação entre os componentes de hardware listados acima e o controle de processos realizado pelo computador. Figura 4–Componentes necessários na interface do processo com o computador Fonte: Groover (2011 p.93). 63 1.3 Sensores Segundo Groover (2011), um sensor é um instrumento que converte uma variável física de uma forma em outra, mais útil para a aplicação em questão. Em particular, um sensor é um instrumento que converte um estímulo físico ou uma variável de relevância (tal como temperatura, força, pressão ou deslocamento) em uma forma mais apropriada (em geral um sinal elétrico), onde a finalidade é medir o estímulo. O processo de conversão quantifica a variável de modo que possa ser interpretada como um valor numérico. O Quadro 1 classifica os sensores de acordo com a variável física medida por ele, de acordo com a classificação apresentada é possível notar que para cada categoria de sensores existem múltiplas opções de variáveis que podem ser medidas Quadro 1–Categorias de estímulos e variáveis físicas associadas Categoria do estímulo Exemplos de variáveis físicas Mecânico. Localização (deslocamento linear e angular), velocidade, aceleração, forçator- que pressão desgaste, tensão, massa, densidade. Elétrico. Voltagem, corrente, carga, resistência, condutividade, capacitância. Térmico. Temperatura, calor, fluxo de calor, condutividade térmica, calor específico. Radiação. Tipo de radiação (raio gama, raio X, luz visível), intensidade, comprimento de onda. Magnético. Campo magnético, fluxo, condutividade, permeabilidade. Químico. Afinidade de componentes, concentração, níveis de pH, presença de ingredien- tes tóxicos, poluentes. Fonte: Groover (2011). 64 No Quadro 2 é apresentada uma listagem com os sensores e instrumentos de medição mais comuns, aplicados no controle de processos industriais. Quadro 2–Instrumentos de medição aplicados na automação Instrumentos de medição Descrição Acelerômetro. Instrumento analógico utilizado para medir vibração e choque. Pode basear-se em diversos fenômenos físicos (capacitivos, piezoresistivos, piezoelétricos). Amperímetro. Instrumento analógico que mede força de uma corrente elétrica. Interruptor bimetálico. Interruptor binário, que utiliza lâmina bimetálica para abrir e fechar um contato elétrico como resultado da alteração de temperatura. A lâmina bimetálica é for- mada pela união de duas tiras de metal, com coeficientes de expansão térmica diferentes. Termômetro bimetálico. Instrumento analógico de medição de temperatura, formado por lâmina metálica que muda de forma em resposta a mudança de temperatura. A mudança de forma da lâmina pode ser calibrada de modo a indicar a temperatura. Dinamômetro. Instrumento analógico utilizado para medir força, potência ou torque. Pode basear- -se em diferentes fenômenos físicos (por exemplo, extensômetro elétrico, efeito piezoelétrico). Transdutor flutuador. Flutuador anexado a um braço de alavanca. O movimento giratório do braço pode ser utilizado para medir o nível de líquido em um navio (instrumento analógico) ou ativar o interruptor por contato (instrumento binário). Sensor de vazão. Medição analógica da vazão de líquido, normalmente, baseada na diferença de pressão entre o fluxo de duas tubulações de diâmetros diferentes. Pressostato. Interruptor binário semelhante ao interruptor de fim de curso, mas ativado pelo aumento de pressão do fluido, não por um objeto com o qual entrou em contato. Transformador diferencial linear variável. Sensor analógico de posição que consiste em uma bobina primária, separada por um núcleo magnético de duas bobinas secundárias, conectadas em oposição. Quando a bobina primária é energizada, induz uma tensão nas bobinas secundá- rias em função da posição do núcleo. Também pode ser adaptada para medir força ou pressão. Interruptor de fim de curso (mecânico). Sensor binário de contato, no qual o braço da alavanca ou o botão de pressão fe- cha (ou abre) um contato elétrico. 65 Manômetro. Instrumento analógico utilizado para medir a pressão de gás ou líquido, com base na comparação de uma força de pressão conhecida ou não. Barômetro é um tipo específico de manômetro usado na medição da pressão atmosférica. Ohmímetro. Instrumento analógico que mede a resistência elétrica. Codificador ótico. Instrumento utilizado para medir posição ou velocidade, formado por um disco ranhurado, que separa uma fonte de luz de uma fotocélula. Na medida em que o disco gira, a fotocélula percebe a luz, através dos orifícios, como uma série de pul- sos. A quantidade e a frequência dos pulsos são proporcionais à posição e à veloci- dade do eixo conectado ao disco. Pode ser adaptado tanto para medições lineares, como para medições rotacionais. Matriz de sensor fotoelétri- co. Sensor digital composto por séries lineares de interruptores fotoelétricos. A matriz é criada para indicar a altura ou o tamanho do objeto que interrompe alguns dos feixes de luz. Interruptor fotoelétrico. Sensor binário sem contato formado por um emissor (fonte de luz) e um receptor (fotocélula), disparados pela interrupção do feixe de luz. Dois tipos comuns: tipo transmitido, no qual o objeto bloqueia o feixe de luz entre o emissor e o receptor, tipo retrorreflexivo, no qual emissor e receptor estão localizados em um instru- mento e o feixe de luz é emitido por um refletor remoto, exceto quando o objeto interrompe o feixe refletido. Fotômetro. Instrumento analógico que mede a iluminação e a intensidade da luz. Pode basear- -se em diferentes instrumentos fotodetectores, fototransistores e fotorresistores. Transdutor piezoelétrico. Instrumento analógico, baseado no efeito piezoelétrico de determinados materiais (por exemplo, o quartzo), no qual uma carga elétrica é produzida quando o mate- rial é deformado. Pode ser utilizado para medir força, pressão e aceleração. Potenciômetro. Sensor analógico de posição formado por um resistor e um contato deslizante. A posição do contato sobre o resistor determina a resistência medida. Disponível tan- to para medições lineares, como para medições rotacionais (angulares). Interruptor de proximidade. Sensor binário sem contato, que dispara quando um objeto próximo causa alte- rações no campo eletromagnético. Pode basear-se em diversos princípios físicos, incluindo indutância, capacitância, ultrassom e ótica. Pirômetro de radiação. Instrumento analógico de medição de temperatura, que percebe a radiação eletro- magnética na área do espectro infravermelho visível. Termistor resistivo. Instrumento de medição de temperatura, baseado no aumento da resistência elé- trica de um material metálico n medida em que a temperatura aumenta. 66 Extensômetro. Sensor analógico largamente utilizado para medir força, torque ou pressão. Baseia- -se na alteração da resistência elétrica resultante da tensão de um material condu- tor. Tacômetro. Instrumento analógico formado por um gerador de corrente contínua, que produz uma voltagem elétrica proporcional à velocidade de rotação. Sensor tátil. Instrumento de medição que indica contato físico entre dois objetos. Pode basear- -se em qualquer um dos diversos instrumentos físicos, como contato elétrico e o efeito piezoelétrico. Termistor semicondutor. Contração de térmico e resistor. Instrumento analógico de medição de temperatu- ra, baseado na mudança na resistência elétrica de um material semicondutor na medida em que a temperatura aumenta. Termopar. Instrumento analógico de medição de temperatura baseado no efeito termoelétri- co, no qual a junção de duas tiras de materiais distintos emite uma pequena volta- gem, que é uma função da temperatura da junção. Termopares comuns incluem: tipo K, tipo J e tipo E. Sensor ultrassônico. Desvio de tempo, a partir do qual se mede a emissão e a reflexão de pulsos de som de alta frequência. Pode ser utilizado para medir a distância ou simplesmente para indicar a presença de um objeto. Fonte: Groover (2011). 1.4 Atuadores Atuadores são considerados recursos que transformam um sinal de comando, originado por um controlador em um parâmetro físico, geralmente, em forma de força mecânica, como, por exemplo, um deslocamento de posição ou avanço de velocidade. Os atuadores podem ser, então, considerados como transdutores, pois alteram uma grandeza física, a mais comum, energia elétrica em outro fenômeno físico, como a rotação de um motor elétrico. Os atuadores de forma simplificada podem ser classificados em elétricos, hidráulicos e pneumáticos. Na sequência, estudaremos cada um separadamente. 67 1.5 Atuadores elétricos Iniciaremos nosso estudo referente a atuadores elétricos com os motores elétricos, que é o representante mais importante e difundido no ambiente fabril, segundo Groover (2011). Um motor elétrico converte energia elétrica em energia mecânica, sendo contido em sua formação por dois elementos básicos: um estator e um rotor. O estator é o elemento fixo, sua forma é anelar, sendo o rotor a parte cilíndrica girante interna do estator. No processo de montagem, o rotor é posicionado sobre um eixo sustentado por rolamentos, podendo ser acoplado a outros elementos de máquina, como