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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI 
CURSO DE FILOSOFIA 
 
 
 
FRANCISCO ROBSON DE BRITO GONÇALVES 
 
 
 
 
 
RETROSPECTIVA DO LIVRO DE ECLESIASTES: 
UMA PERSPECTIVA QOHELÉTICA 
 
 
 
DISCIPLINA: 
ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JUAZEIRO DO NORTE - CE 
2016 
RETROSPECTIVA DO LIVRO DE ECLESIASTES: 
UMA PERSPECTIVA QOHELÉTICA 
 
 
Francisco Robson de Brito Gonçalves 
 
 
 
 
 
RESUMO: O presente artigo tece considerações relevantes acerca do Livro de 
Eclesiastes, se eximindo de um contexto narrativo teológico, cujo principal 
objetivo é apresentar questões em abertas que estão explícitas nessa obra, 
através de uma análise reflexiva sobre o existencialismo, abrangendo também 
em seu bojo literário uma diversidade de gêneros que podem ser explorados a 
partir da ideia central do livro que será discutido posteriormente. 
 
palavras-chave: Eclesiastes. Análise reflexiva. Existencialismo. Gêneros. 
 
 
ABSTRACT: This article presents relevant considerations about the Book of 
Ecclesiastes, was absolving a theological narrative context, the main objective 
is to present open on issues that are explicit in this work through a reflective 
analysis of existentialism, also including in its literary bulge a variety of genres 
that can be explored from the central idea of the book that will be discussed 
later. 
 
keywords: Ecclesiastes. Reflective analysis. Existentialism. Genres. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
“Toda obra é uma viagem, um trajeto, mas que só percorre tal ou qual 
caminho exterior em virtude dos caminhos e trajetórias interiores que 
a compõem, que constituem sua paisagem ou seu concerto”. 
 
GILLES DELEUZE 
 
 
Em particular, o Livro de Eclesiastes, apresenta-se como uma obra 
ímpar da literatura bíblica, por possuir na sua estrutura um discurso muito 
atrativo aos seus leitores e, principalmente, por pesquisadores, constituindo 
assim, em meio ao contexto bíblico teológico, uma composição filosófica, por 
apreciar um tema existencial, que por natureza, é universal: relatada pela 
própria experiência humana diante da vida e questionada pelo seu pensamento 
diante da morte. 
Assim como toda obra filosófica, o contexto deste livro proporciona 
uma viagem ao pensamento humano, caracterizado, por angústias e lutas 
contra a vaidade. No entanto, essa viagem a Eclesiastes é exterior e não terá 
sentido se não for percorrida paralelamente a uma viagem introspectiva do ser, 
senão, seria apenas, o que o próprio autor relata: “Tenho visto tudo o que é 
feito debaixo do sol; tudo é inútil, é correr atrás do vento” (BÍBLIA, Eclesiastes, 
1,14). 
O texto descrito no Livro de Eclesiastes segue uma estrutura literária 
muito complexa. De acordo com Hendry, “o livro desafia qualquer análise 
lógica, não permitindo assim nenhum esboço de conteúdo” (HENDRY, 1990, p. 
659). Para tanto, são encontrados ditos de sabedoria, possuindo também, 
seções meditativas e reflexivas, sendo que boa parte é desenvolvido por 
passagens narrativas numa linguagem poética. 
Ao contrário de Hendry, Festorazzi admite haver unidade em sua 
estrutura, onde, segundo ele “a melhor solução seria deixar o problema em 
aberto, chegando ao máximo ao seguinte guia: pensamentos expressos; 
reflexões múltiplas sobre o objeto; re-exposição dos pensamentos” 
(FESTORAZZI, 1993, p. 208). Entretanto, dentro de uma possibilidade 
maleável, se estabeleceu para este estudo, uma divisão ternária que fosse 
plausível, a fim de corroborar com a leitura e esclarecimento do livro da 
seguinte forma: exposição dos argumentos, reflexão e conclusão. 
De modo geral, o livro procura transmitir uma reflexão acerca de 
indagações do sentido da vida e a retribuição dos atos humanos como 
justificativa para o sucesso ou fracasso do ser humano no transcorrer de sua 
breve existência. Sob essa perspectiva, se torna bastante propício analisar a 
diversidade de pensamentos e de gêneros literários, transcritas no conjunto 
dessa obra, fora de um contexto teológico, visando uma abordagem filosófica, 
como de fato é o seu conteúdo. Sendo assim, figura vários questionamentos 
em abertos que serão discutidos no decorrer desse artigo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. CONTEXTO HISTÓRICO 
 
 
É imprescindível argumentar sobre todos os aspectos que envolvem o 
tema central do livro de Eclesiastes, sem antes, se submeter ao seu contexto 
histórico. Assim, faz-se necessário, de forma sucinta, abordar algumas 
considerações, na qual, está inserida essa obra. 
No entanto, é preciso observar que há vários questionamentos em 
relação à datação do Livro de Eclesiastes, porém é concebível que o período 
no qual foi escrito situa-se entre a data de 300 e 200 a.C, tendo como origem a 
Palestina, cenário histórico do processo de helenização1. 
Durante este período, a Palestina estava sob o domínio Ptolomaico que 
durou cerca de 100 anos, e desencadeou uma mudança no panorama sócio-
político-religioso a partir de então. Nesse tempo, os reis helenistas foram 
tolerantes com os povos dominados quanto a suas leis e costumes, desde que 
não se pusesse em risco sua soberania e o recolhimento de impostos2. 
Embora, os templos fossem uma propriedade do rei, isso não ameaçava o 
privilégio de Jerusalém ser uma cidade sagrada e, tradicionalmente, o sumo 
sacerdote figurava como sendo o representante do povo judeu, que tinha a 
gerusia3 como forma de seu governo. 
Assim, foi um fator decisivo para o período de helenização, com o 
fortalecimento das comunidades judaicas da “diáspora egípcia4”, onde 
gradativamente, Jerusalém se tornava uma verdadeira pólis. 
 
1
 O pensamento filosófico helenístico era dominado por duas correntes: o Estoicismo, que 
acentuava a firmeza do espírito, a indiferença à dor, a submissão à ordem natural das coisas e 
a independência em relação aos bens materiais; e o Epicurismo, que aconselhava a busca do 
prazer. 
2
 De acordo com HENGEL, Martin, op. cit., p. 25 “o sistema tributário estava fundamentado no 
princípio de que todo o império pertencia ao rei. Assim, o proprietário de terras e de outros 
bens pagava o arrendamento, o usufruto de um bem que não lhe pertencia”. 
3
 O termo corresponde à “assembleia de anciãos”, “conselho de anciãos”. Este conselho era 
composto pelos representantes das principais famílias leigas e sacerdotais; e, dentre estes, era 
escolhido o sumo sacerdote (VÍLCHEZ LÍNDEZ, José, Eclesiastes ou Qohelet, p. 470). 
4
 São comunidades judaicas que vão se fixar em várias cidades do Egito, formando verdadeiros 
"centros judaicos". Falavam a língua grega, gozavam de certos privilégios jurídicos e exerciam 
várias profissões: agricultores, artesãos, militares, preceptores, recebedores de impostos. Essa 
integração entre a cultura hebraica e a grega fez florescer uma literatura judaica em língua 
grega, inclusive com a tradução da Bíblia para o grego, a Septuaginta ou LXX. 
http://www.todamateria.com.br/estoicismo/
http://www.todamateria.com.br/epicurismo/
O livro de Eclesiastes fornece algumas insinuações que se referem ao 
contexto histórico acima mencionado, que pode ser percebida diante de certa 
impotência exercida pela autoridade estabelecida (rei) ao dizer: 
“Eu digo: Observe o mandamento do rei, e isso em consideração ao 
juramento que fizestes a Deus. Não te apresses a sair da presença 
dele, nem persistas em alguma coisa má, porque ele faz tudo o que 
quer. Porque a palavra do rei tem poder; e quem lhe dirá: Que fazes? 
Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal; e o 
coração do sábio discernirá o tempo e o juízo” (BÍBLIA, Eclesiastes, 
8,2-5). 
 
Essa submissão diante do poder estabelecido é um sentimento 
manifestado logo após os constantes conflitos e levantes no período romano. 
Apesar de poucas informações datadas da época, o próprio Livro de 
Eclesiastes, aponta umaaristocracia judaica não participativa diante das 
decisões políticas que fossem relevantes: “[...] pois quem está altamente 
colocado tem superior que o vigia; e há mais altos do que aqueles” (BÍBLIA, 
Eclesiastes, 5,8). Esse mesmo verso também recita que não se deve estranhar 
a opressão do pobre, a violação do direito e a injustiça: “Se vires em alguma 
província opressão do pobre, e violência do direito e da justiça, não te admires 
de tal procedimento [...]” (BÍBLIA, Eclesiastes, 5,8). 
Outro fator histórico que é relatado visivelmente no livro é a situação de 
grande desigualdade social ao dizer: 
“Depois voltei-me, e atentei para todas as opressões que se fazem 
debaixo do sol; e eis que vi as lágrimas dos que foram oprimidos e 
dos que não têm consolador, e a força estava do lado dos seus 
opressores; mas eles não tinham consolador” (BÍBLIA, Eclesiastes 
4,1). 
 
Essas opressões eram tantas que faziam o autor refletir acerca da 
situação dos mortos serem mais ditosa do que a dos vivos: 
“Por isso eu louvei os que já morreram, mais do que os que vivem 
ainda. E melhor que uns e outros é aquele que ainda não é; que não 
viu as más obras que se fazem debaixo do sol” (BÍBLIA, Eclesiastes, 
4,2-3). 
 
Em virtude de seu contexto histórico-literário, a maioria dos 
comentaristas defende que o autor do Livro de Eclesiastes era pertencente da 
região da Judéia, mais especificamente de Jerusalém e fazia parte da 
aristocracia, de uma família com muitas posses. No entanto, há muitas 
controvérsias acerca de quem escreveu o Livro de Eclesiastes, porém muito 
dos comentaristas concorda que o livro, tenha sido escrito por um discípulo de 
Salomão, personagem protagonista relatado nos escritos, segundo a afirmação 
que diz: 
“E, quanto mais sábio foi o pregador, tanto mais ensinou ao povo 
sabedoria; e atentando, e esquadrinhando, compôs muitos 
provérbios. Procurou o pregador achar palavras agradáveis; e 
escreve-as com retidão, palavras de verdade” (BÍBLIA, Eclesiastes, 
12,9-10). 
 
Apesar desse fato, outras correntes afirmam que o perfil autobiográfico 
do escritor do livro aponta de modo inequívoco para Salomão. As evidências 
são muitas indicadas no próprio enredo do livro, umas delas apontam Salomão, 
"filho de Davi, rei de Jerusalém" (BÍBLIA, Eclesiastes, 1,1) e "rei de Israel, em 
Jerusalém" (BÍBLIA, Eclesiastes, 1,12), o que testifica sua autoria, pois o papel 
daquele que "ensinou ao povo o conhecimento" e escreveu "muitos provérbios" 
(BÍBLIA, Eclesiastes, 12,9) corresponde à sua vida. Outros textos bíblicos de 
outros livros como em I Reis nos capítulos 2 e 11, mostram a odisseia moral do 
autor e narra a sua vida, dando outros indícios. 
A teoria das citações é fundamental para compreender muitas nuances 
do seu gênero literário. Uma vez, sendo Salomão aceito como o autor, a data e 
a ocasião ficam evidentes. Provavelmente ele escreveu no final de sua vida, 
num período não posterior a c. 931 a.C, com a principal intenção de advertir os 
jovens de seu reino, sem omitir os demais. 
Diante do pressuposto, as discussões que circundam a respeito da 
autoria do livro e a origem do personagem, embora, de forma geral seja um 
aspecto importante, não nos limitaremos a essa análise neste artigo; de 
imediato, prioriza-se percorrer uma trajetória de investigação acerca do 
material crítico-literário através de muitos questionamentos em abertos 
disponíveis em termos de pesquisa referente a esta obra clássica da literatura. 
Portanto, na sequência, será abordado um esboço acerca da 
composição que engloba esse gênero literário, influenciado por influências da 
cultura grega e mesopotâmica presentes no livro de Eclesiastes, e 
consequentemente, os jargões que envolvem o autor do livro como sendo uma 
figura determinista, agnóstico, epicurista, hedonista, entre outros. 
 
 
2. VISÃO PANORÂMICA DO LIVRO DE ECLESIASTES 
 
 
O título da obra “Eclesiastes” advém da Septuaginta do Antigo 
Testamento e é uma tradução da palavra hebraica Qoheleth que tem sua 
origem nas traduções grega e latina do livro de Salomão. A Septuaginta usou o 
termo grego ekklesiastes para seu título, que significa "pregador", derivado da 
palavra ekklesia, traduzido no Novo Testamento por "assembleia" ou 
"congregação". Tanto a versão grega como a latina tiraram seus títulos do título 
em hebraico, Qoheleth, que significa "alguém que chama ou reúne" o povo, o 
que dá a entender que o autor é professor ou pregador, ou seja, aquele que 
fala na congregação. 
Em razão da composição de seu conteúdo, não se trata de uma obra 
de fácil compreensão, na realidade, o seu autor estabelece uma linha de 
discussão consigo mesmo criticando os próprios pensamentos e ações, que de 
modo geral, segue uma estrutura literária composta de pelo menos um terço de 
poesia, mas com passagens narrativas. Para facilitar seu estudo, muitos 
autores costumam dividir o livro superficialmente em três partes: a primeira fala 
sobre a exposição dos argumentos com a tese de que tudo é vaidade (1.1-11); 
a segunda trata de uma reflexão acerca da prova de que tudo é vaidade (1.12-
6.12); e por último resulta na conclusão do conselho para viver com a vaidade 
(7.1-12.14). 
Em síntese, o esboço do mesmo está baseado na explanação, reflexão 
e conclusão do problema exposto, por intermédio da incapacidade da rígida 
aplicação do princípio da retribuição individual como forma de justificar o 
sucesso ou fracasso do ser humano no transcorrer de sua breve existência. 
Assim, o livro norteia a procurar refletir sobre o que o Qoheleth está indagando 
acerca do sentido da vida e sobre a retribuição dos atos humanos. Os 
argumentos são apresentados contrapostos à realidade a partir de presunções 
acordadas pela sabedoria tradicional, podendo ser aplicada a todos que tomar 
conhecimento através dos princípios extraídos das experiências de Salomão. 
Além do conhecimento empírico de Salomão, a construção narrativa 
histórica é pouca, o que, particularmente, se objetiva a responder a algumas 
das mais desafiadoras questões da vida. Essa característica representada por 
uma autobiografia dolorosa tem levado alguns estudiosos a concluir de modo 
equivocado que Eclesiastes é um livro de ceticismo. 
A mensagem principal do livro está declarada ao longo do texto pelo o 
autor diversas vezes, enfatizando o termo "tudo é vaidade", que inicia dizendo 
“Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade” 
(BÍBLIA, Eclesiastes 1,2) e o qual, finaliza praticamente com a mesma 
repetição “Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade” (BÍBLIA, 
Eclesiastes, 12,8). Esse termo ganha conotações diferentes no decorrer do 
texto, significando algo efêmero, que se refere a natureza transitória e fútil, 
destacando a condição amaldiçoada do universo e seus efeitos debilitantes 
sobre a experiência terrena do homem e enigmática, que considera as 
questões inexplicáveis da vida. 
Outros registros abordados no livro são as investigações e conclusões 
a respeito da vida de trabalho do homem, que combina todas as atividades e 
seus possíveis resultados, incluindo a satisfação limitada. No discurso do Livro 
de Eclesiastes, se concentra acerca da existência e ao mesmo tempo faz uma 
crítica à sabedoria tradicional. 
 
 
3. DA EXISTÊNCIA A MORTE 
 
 
“O Eclesiastes não é um mero professor de sabedoria, ainda que 
mais honesto e direto que a maioria deles. Não é apenas amigo da 
afetação e da hipocrisia. É um homem com um medo desesperado de 
morrer antes de aprender a viver. Nada do que já fez, nada do que 
fará teria importância, pois um dia morrerá e será como se nunca 
tivesse vivido. E ele não consegue suportar este medo de morrer e 
desaparecer sem deixar um traço de si”. 
HAROLD KUSHNER
5
 
 
 
A discussão que se refere sobre a temática da existência e morte é 
percebida numa visão bastante atípica para a época, aliás, é algo que faz o 
autor do Livrode Eclesiastes ser conhecido em alguns momentos como um 
possível “ancestral do existencialismo”, o que segundo Campos (1991), seu 
 
5
 Quando tudo não é o bastante. São Paulo: Nobel, 1999, p. 22. 
estudo revela um livro muito importante para a crítica literária sobre esse 
aspecto. 
É nesse contexto existencialista, que o livro ganha outras proporções, 
pois até mesmo o ensinamento tradicional da religiosidade acerca de Deus é 
questionado, onde não existem argumentações que façam alguma menção 
sobre a possibilidade de existência de vida após a morte, nem mesmo a 
terminologia de céu ou inferno. É interessante observar a seguinte citação: 
“[...] O Eclesiastes nega radicalmente a retribuição terrena de bem e 
mal. Essa é uma das afirmativas mais importantes do livro de 
Eclesiastes: a experiência contesta as respostas tradicionais (Ec 
7.25-8.14). A felicidade é algo fugaz e só se encontra consolo na 
fruição daquelas alegrias simples que o cotidiano é capaz de fornecer 
(Ec 3.12-13; 8.15; 9.7-9). Mas mesmo a fruição das alegrias 
cotidianas não consegue consolar o ser humano. Do começo ao fim 
ele permanece insatisfeito (Ec 3.21; 9.10; 12.7). Com isso, o 
Eclesiastes demonstra definitivamente que o esquema ação-
retribuição não funciona mais. Mas o livro não traz respostas novas. 
As seguranças tradicionais, as antigas respostas de Israel estão 
abaladas, mas ainda não apareceu nada de novo em seu lugar” 
(SIEGER, apud, ZIEGLER, 2006, p. 56). 
 
Para Qoheleth o processo de recompensa por alguma obra não 
funcionam na sua concepção e, ele deixa claro o envolvimento direto do 
homem com sua existência no tempo presente. A polêmica toda gira em torno 
de um conteúdo existencial deprimente experimentado pelo ser humano no seu 
curto espaço de vida que dura até a morte. 
Para compreender a influência da literatura de Eclesiastes com ênfase 
da problemática existencial acerca da morte, fenômeno que marca a estrutura 
de toda narrativa em discussão, é preciso uma investigação baseada no pano 
de fundo da cultura ocidental, como é proposta por Bloom: 
“[...] Espanta-me ainda mais o fato de Coélet ter sido incluído no 
cânone, pois o foco principal é a mortalidade, e o livro considera o 
destino e o acaso (não mencionado em outros livros bíblicos, visto 
que são conceitos pagãos) fatores decisivos no estabelecimento da 
data da morte” (BLOOM, 2009, p. 36). 
 
Na visão do autor, a morte é um tema que sempre será evidenciado em 
análises, porém é necessário compreender como esse conceito surge em 
Qoheleth, ao ponto do livro ter sido incluído no cânone. 
Partindo do pressuposto de que a nacionalidade de Qoheleth era 
judaica, para Campos (1991) deve-se buscar na sua cultura o significado da 
palavra morte, por ser um tema muito enfático e repetitivo nessa obra. Nesse 
sentido, têm-se alguns subsídios através de uma breve análise do livro 
Antropologia do Antigo Testamento (2007) do exegeta alemão Hans Walter 
Wolff (1911 – 1993) que trata desse conceito no judaísmo Pré-exílico. O autor 
evidencia em sua obra, que o povo Judeu6 vivia sempre caracterizado por sua 
fé em um Deus único, com uma maneira peculiar de explicar a finitude, e 
distinguia em alguns aspectos dos egípcios, persas, babilônios, etc. Por esses 
povos terem uma compreensão de vida após a morte mais definida do que o 
povo judeu, tudo indica, que o pensamento judaico tenha sido influenciado 
posteriormente, uma vez que, entre esses povos, o conceito de vida eterna era 
bastante comum. Ziegler comenta que: 
“[...] ao contrário do livro do Eclesiastes, que se refere à morte como 
definitiva e anuladora de todas as coisas terrenas, para os egípcios o 
tumulo não representa tanto a “última morada” quanto uma “morada 
para a eternidade”, sutil mas importante diferença; é certo que o livro 
do Eclesiastes utiliza essa expressão em 12.5 (“[...] porque o homem 
já esta a caminho da casa de sua eternidade”) [...] mas ali ela não 
pode ser interpretada da mesma forma como o fazem os egípcios” 
(ZIEGLER, 2006, p. 67). 
 
É certo de que na visão de Qoheleth, a morte sempre parece apontar 
constantemente para uma finitude definitiva do ser onde descarta a perspectiva 
de imortalidade da alma e da vida eterna. Porém, numa tentativa de 
demonstrar a diversidade de ideias acerca da morte presentes no judaísmo, 
podemos encontrar uma defesa dos ensinamentos, que afirmam a existência 
de um ser interior que sobrevive à morte do corpo físico e se apresenta em 
outro plano de existência, como pronuncia Gerard acerca da comunidade 
israelita: 
“[...] Não havia como duvidar da continuação da existência do morto, 
sobretudo quando ritualmente garantida; ele, portanto, apenas havia 
passado por uma transformação e representava, mais que em sua 
vida terrestre, um poder com que os vivos tinham que contar. 
Consequentemente (sic) havia um interesse profundo em manter em 
ordem a relação dos vivos com os mortos. É que os mortos poderiam 
causar algum mal. Mas também era possível tirar proveito do 
conhecimento superior deles. Essas concepções eram, portanto, 
muito familiares a Israel, como vemos pela sua constante tentação de 
 
6
 A morte no judaísmo não tem um conceito fixo. As interpretações dos conceitos metafísicos e 
dos procedimentos a serem realizados, varia conforme as épocas e as interpretações das 
diversas correntes judaicas. Não há uniformidade quanto à crença de vida após morte, com 
perspectivas variando desde reencarnação até a mortalidade da alma.”. MORTE NO 
JUDAÍSMO. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. 
Disponível em: Acesso em: 02 Jun. 
2016. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reencarna%C3%A7%C3%A3o
consultar os mortos ainda na época de Isaías e do deuteronômio (Is 
8. 19; Dt 18. 11)” (RAD, 2006, p. 269, 270). 
 
Devido os antigos hebreus não dispor de nenhum ensinamento 
específico quanto à existência de vida depois da morte, ou a compreensão de 
um mundo para além daquele que eles viviam, de certa forma, isso restringia 
muito o conceito de vida e não supria suas perspectivas que decorriam de sua 
crença a um Deus criador e soberano. Esse fato contribuiu para a ideia de vida 
após a morte entre os judeus, por uma questão de necessidade de retribuição, 
uma vez que as promessas por parte do Criador não poderiam estar limitadas 
apenas a existência terrena. 
Assim, o conceito de vida pós-morte e de ressurreição dos mortos só 
surge na doutrina judaica primitiva, por volta do século IV ou V a.C, apesar do 
tema não afirmar claramente a sua existência nas Escrituras Judaicas. O que 
se observa é um pensamento rígido que reduz a nada a doutrina da 
sobrevivência da alma em um mundo transcendente, relatada no Livro de 
Eclesiastes, onde Qoheleth destaca a impossibilidade de esperança em todo o 
processo, no qual a morte é o fim de toda a atividade humana: 
“Para aquele que está entre os vivos há esperança; porque mais vale 
um cão vivo do que um leão morto. Porque os vivos sabem que hão 
de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco 
terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento” 
(BÍBLIA, Eclesiastes, 9,4-6). 
 
De forma geral, no que concerne ao conceito clássico de morte no 
pensamento judaico antigo, é não haver possibilidade de vida pós-morte ou 
mesmo anterior a existência, nos moldes de Platão e dos pitagóricos. Para 
Qoheleth a morte é o maior de todos os problemas que aflige os homens, sem 
solução, insuperável, e não há como combatê-la: 
“Porque para todo propósito há tempo e o modo; porquanto é grande 
o mal que pesa sobre o homem. Porque este não sabe o que há de 
suceder; e, como há de ser, ninguém há que lho declare. Não há 
nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para o reter; nem 
tampouco tem ele poder sobre o dia da morte; nem há tréguasnesta 
peleja; nem tampouco a perversidade livrará aquele que a ela se 
entrega” (BÍBLIA, Eclesiastes, 8,7-8). 
 
Na sua declaração, a morte se trata de uma guerra perdida para o 
homem que “ainda que aquele viesse duas vezes mil anos” (BÍBLIA, 
Eclesiastes, 6,6) não teria como vencê-la, sendo assim, torna-se a principal 
causa das frustações humanas. É por isso que ao longo de todo o contexto da 
história do povo judaico a morte era apresentada como algo indesejado e 
impuro, até mesmo, para aqueles que tocavam em cadáver tornavam-se 
igualmente impuros. 
Nos textos de Eclesiastes também há uma singularidade do 
pensamento quanto à morte e denuncia que “a morte é a grande niveladora, 
não só dos justos e injustos, sábios e nécios, mas também de homens e 
animais [...]” (LÍNDEZ, 1999, p. 442). 
Especificamente nos textos durante todo o discurso do sábio Qoheleth 
tenta demonstrar essa fragilidade diante da realidade de que a morte é 
totalmente aniquiladora, tornando-se, assim, o fim absoluto da existência para 
qualquer ser vivente. “Pois tanto do sábio como do estulto, a memória não 
durará para sempre; pois passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah! 
Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto” (BÍBLIA, Eclesiastes, 2,16). 
 
 
4. A TESSITURA DA TEMPORALIDADE EM QOHELETH 
 
 
"Então, o que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se quiser 
explicá-lo a quem me pergunta, não sei". 
(Confissões, Livro XI). 
 
 
A questão da temporalidade é extremamente importante para tecermos 
algumas considerações no contexto inserido por Qoheleth. O autor discursa 
acerca do tempo, imerso por uma pressão para realizar todas as atividades 
“debaixo do céu”, sob uma perspectiva de saudosismo melancólico. Ele 
percorre o tempo pretérito expresso por crises e incertezas acrescentando 
lembranças de um passado de grande prosperidade como ingredientes que 
aprofundam ainda mais a sua tristeza. 
O texto base para a reflexão será abordado com ênfase na 
argumentação a respeito do tempo enquanto momentos que se sucedem e, 
sobretudo enquanto oportunidade, escolha e decisão, explícitos no capítulo 3 
do Livro de Eclesiastes. E, para designar a dimensão da palavra tempo, 
historicamente, há uma compreensão acerca de Aíon, Kairós e Kronos. 
A partir dessa classificação é possível estabelecer um norte para 
distinguir a temporalidade em Qoheleth. Nos capítulos 1 e 2, o tempo decorre 
de um período de bonança e fartura, onde nitidamente, Salomão, filho de Davi, 
reinou por quarenta anos em Jerusalém (962 a 922 a.C), revelando-se por um 
empreendedor excepcional, onde descreve um passado que se deseja repetir. 
Em Aion, alcançamos a dimensão do eterno, da finalidade da 
expansão, da justa medida imprecisa entre a imanência e a 
transcendência. Porque este é o "não tempo". E "não tempo" também 
é tempo. Imensurável. Tempo do para sempre
7
. 
 
No período em que Salomão assumiu o trono, os impérios Assírios, 
Babilônicos e os Egípcios enfrentavam crises internas e, portanto não 
ofereciam ameaças a Israel, onde Salomão soube aproveitar as oportunidades 
no momento de pacificação, o que proporcionou um tempo de grande 
prosperidade econômica e florescimento cultural. 
“Não era guerreiro, e tinha pouca necessidade de o ser, pois nenhum 
inimigo externo ameaçava seu reino. Politicamente, seu dever 
também não o era o de defender o estado ou ampliá-lo, mas de 
conservá-lo unido. E nisto, na maioria das vezes, foi bem sucedido” 
(BRIGHT, 1978, p. 276). 
 
Contudo, em face de muita soberba e riqueza, Salomão revelava uma 
personalidade contraditória as suas convicções internas, onde passou a 
empregar práticas religiosas incompatíveis com o que se adotava na fé de 
Israel, se comprometeu em casamentos com várias mulheres para ratificar 
alianças com outros povos, entre outras coisas, que sua cobiça indisfarçável e 
os delírios de grandeza se misturavam gradativamente com sua sabedoria, 
conforme relatos do historiador: 
Ele era naturalmente um homem de grande astúcia, capaz de realizar 
plenamente as potencialidades econômicas criadas por Davi. Ao 
mesmo tempo, ele manifestou em outras áreas uma cegueira tal, para 
não dizer estupidez, que apressou a desintegração deste império. 
(BRIGHT, 1978, p. 276). 
 
No capítulo 3 do Livro de Eclesiastes, o autor faz a seguinte 
declaração: 
 
7
 Extraído de artigo “aíon, kronos e kairós”. 
 http://www.biocentrum.com.br/2012/03/os-tempos-em-aion-kairos-e-kronos-por.html 
 
“Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito 
debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de 
plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e 
tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de 
chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; 
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de 
abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo 
de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar 
e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de 
amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. Que 
proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga? Vi o trabalho 
que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir. Tudo 
fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no 
coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus 
fez desde o princípio até o fim.” (BÍBLIA, Eclesiastes, 3,1-8). 
 
Nesses versículos que compõem a dialética de Salomão, ele usa a 
expressão tempo, que é traduzido pela Septuaginta8 por kairós numa 
frequência de pelo menos 30 ocorrências, como tradução do termo hebraico 
zeman9. Kairós é uma espécie de tempo que exige bastante atenção e 
prontidão, por ser uma passagem rápida, onde não há espaço para protelação, 
procrastinação e displicência. Seja como for, o que é realçado pelo autor a 
esse respeito, não reside no tempo que é determinado pela ampulheta, mas 
nas estações próprias que se apresentam diante da existência de formas 
variadas. Através da sua dialética, o autor revela que o kairós inclui na 
existência tanto por momentos que possam ser celebrados quanto por 
experiências que conduzem ao quebrantamento. Nesse caso, bem e mal 
recebem significados distintos daqueles que a sociedade moderna 
estabeleceu, contextualizando o bem a situação de experiências prazerosas e 
confortáveis e o mal como sendo aqueles momentos de dramaticidade. 
A grande dificuldade de compreensão da mensagem qohelética é 
devido à relação com a aparente contradição entre a cosmovisão hebraica 
acerca da linearização do tempo e a visão cíclica e repetitiva apresentada pelo 
autor, sobretudo no capítulo 1. 
“Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre. 
Levanta-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento 
 
8
 Septuaginta, ou tradução dos LXX (setenta). Resultado de séculos de esforços de tradução 
para o grego do Antigo Testamento a partir do período pós-exílio. 
9
 Significa “uma ocasião estabelecida”, “um tempo marcado ou determinado” ou “certo tempo”. 
Essa mesma expressão somente é encontrada na literatura posterior dos seguintes livros 
bíblicos (Neemias 2.6; Ester 9.27; 31 e Daniel 2.16; 7.12,25). 
 
vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e resolve-se, na 
sua carreira, e retorna aos seus circuitos. Todos os rios correm para o 
mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá 
tornam eles a correr.” (BÍBLIA, Eclesiastes, 1,4-7). 
 
Por fim, vale a pena finalizar esta seção com uma reflexão de Jostein 
Gaarder10 em “O castelo dos Pirineus”: 
“Não sabemos quando há de ser, mas um dia nós iremos embora 
deste carnaval cheio de máscaras e papéis, legando apenas alguns 
bens passageiros que depois também serão varridos.Somos 
obrigados a sair do tempo, disto que chamamos de realidade” 
(GAARDER, 2010, p. 8-9). 
 
 
5. A PRECARIEDADE DO HOMEM 
 
 
A visão do campo das relações inter-humanas por Qoheleth se 
confundem com outras definições de precariedade vistas em alguns 
fragmentos em relação à concepção do homem na antiguidade. 
“
11
Quais folhas criadas pela estação florida da primavera, quando de 
súbito crescem sob os raios do Sol, assim somos nós: por um tempo 
de nada nos deleita a flor da juventude, sem conhecermos o mal ou o 
bem que vêm dos deuses. Ao lado, estão as Parcas tenebrosas, uma, 
detentora da velhice medonha, a outra, da morte. Pouco dura o fruto 
da juventude — o tempo de o sol derramar a sua luz sobre a terra. E 
depois, logo que chega o fim da estação, melhor é morrer logo que 
viver, pois são muitos os males que surgem no nosso coração: ora é 
a casa que cai em ruína, e os efeitos dolorosos da pobreza; outro não 
tem filhos, e, sentindo a sua falta, desce ao Hades, debaixo da terra; 
outro tem doença que destrói a vida. Não há homem a quem Zeus 
não dê muitos infortúnios” (5A. MIMNERMO DE CÓLOFON, fr. 2 
Diehl). 
 
Agora, observe o que fora dito em alguns trechos no Livro de 
Eclesiastes: 
“Que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga? Vi o 
trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os 
afligir. Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a 
eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as 
obras que Deus fez desde o princípio até o fim” (BÍBLIA, Eclesiastes, 
3,9-11). 
 
 
10
 É um escritor e professor de filosofia de nacionalidade norueguesa, que ficou conhecido por 
sua obra: “O mundo de Sofia” publicado em 1991. 
11
 David Mourão-Ferreira em Imagens da Poesia Europeia, 1º Vol., Lisboa, 1970, reeditado em 
Colóquio|Letras, nos. 166/167, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Janeiro-Junho de 2004. 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura
https://pt.wikipedia.org/wiki/Professor
https://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia
Qoheleth afirma em outro versículo que “pelo que tenho por mais 
felizes os que já morreram, mais do que os que ainda vivem; porém mais que 
uns e outros tenho por feliz aquele que ainda não nasceu [...]” (BÍBLIA, 
Eclesiastes, 4,2). 
Fazendo uma analogia do fragmento citado com Qoheleth, é possível 
afirmar que há uma constatação semelhante repetida em ambos os textos com 
ênfase na precariedade do homem, cujo conceito arcaico está fundamentado 
numa visão crítica da realidade e, consequentemente, da crítica implacável que 
faz ao que se ensinou tradicionalmente, confrontando-o através da negação de 
qualquer recompensa. 
Nesse contexto em busca de uma definição existencial do homem em 
que a duração de sua juventude é efêmera, nefasto e funesto, Qoheleth 
apresenta absolutamente tudo o que o homem tem ao seu alcance e, tudo o 
que se firma e se sucede debaixo do sol é vazio, fumaça, vaidade, e andar 
atrás disso é “correr atrás do vento”. 
12
“A sorte dos mortais cresce num só momento e um só momento 
basta para a lançar por terra, quando o cruel destino a venha sacudir. 
Efêmeros, que somos? Que não somos? O homem é o sonho de uma 
sombra. Mas quando os deuses lançam sobre ele a sua luz, claro 
esplendor o envolve e doce é então a vida” (5C. PÍNDARO, Odes 
Pítacas, VIII, 95-98). 
 
Em parte, através da citação do poema, é intencional aduzir uma série 
de testemunhos que razoavelmente possa reconhecer o senso da precariedade 
da vida, somados pela dramaticidade e melancolia, podendo-se extrair, ao 
mesmo tempo com suas luzes e suas sombras; pois, apesar de todos os 
pesares: “Doce é a luz, e agradável aos olhos, ver o sol” (BÍBLIA, Eclesiastes, 
11,7). 
Em geral, a tentativa persistente de Qoheleth de compreender a 
existência das coisas e da vida humana em particular, acaba de certa forma 
fracassada, em razão do pessimismo que reside na incapacidade do homem 
de compreender as obras de Deus: “Então, contemplei toda a obra de Deus e 
vi que o homem não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; por 
mais que trabalhe o homem para a descobrir, não a entenderá [...] (BÍBLIA, 
 
12
 Poema: Píndaro - "O Sonho de uma Sombra" (8º pítica, excerto). 
Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos. 
Tradução integral da 8ºpítica por Trajano Vieira. 
http://primeiros-escritos.blogspot.com/2008/03/serenidade-filha-benvola-da-justia.html
Eclesiastes, 8,17). Assim, para ele é evidente que a morte põe fim definitivo à 
única vida do homem, ou “[...] durante os poucos dias da sua vida” (BÍBLIA, 
Eclesiastes, 2,3), ou seja, “os dias de sua vida que Deus lhe concedeu sob o 
sol” (BÍBLIA, Eclesiastes, 8,15), “os dias de tua vida fugaz que Deus te 
concedeu sob o sol” (BÍBLIA, Eclesiastes, 9,9). Em suas investigações outorga 
paradoxalmente a seus múltiplos pensamentos valor transcendental, que 
relativiza tudo quanto existe ao que se pode fazer debaixo o sol. Para 
Qoheleth, a experiência concreta sem abstratos, parece ser sua norma 
suprema de contraditórios, distantes das apologias tradicionais que o 
confortasse. 
É evidente que a precariedade do homem do ponto de vista moderno 
se contrapõe com as ideias implicadas por Salomão, porém, não obstante sua 
antiguidade, suas palavras parecem recém-pronunciadas e, causam uma 
surpreendente semelhança com o homem hodierno que tende a manifestar seu 
espírito contraditório no transcorrer do tempo. Apesar de uma época bem 
remota, provavelmente, essas afirmações são atemporais, uma vez que reina a 
instabilidade cosmológica acerca da existência humana. 
 
 
6. QOHÉLET X FILÓSOFOS 
 
 
Na construção dos ideais questionados por Qoheleth, quanto à 
transitoriedade e a velocidade como tudo ocorre durante a vida debaixo do sol, 
é inevitável não fazer uma conjectura com outros pensadores da filosofia num 
curto espaço reflexivo. Para tanto, é preciso lembrar um pouco desses 
conceitos. 
Relembrando os Pré-Socráticos, filósofos da physis, buscavam através 
de um elemento, o princípio de todas as coisas, denominado de arché. Assim, 
resumidamente, Tales pensou na água, Anaxímenes no ar, Empédocles nos 
quatro elementos (água, fogo, terra e ar); Todavia, Anaximandro imaginou uma 
substância intangível, o ápeiron. Porém, é a partir de Heráclito, que a 
constituição cosmológica muda substancialmente o foco da pesquisa filosófica, 
que suplantava as instâncias do campo físico, ou seja, no devir, na constante 
transformação, onde se inaugura a partir de então, uma visão metafísica da 
realidade. 
No contexto, do Livro de Eclesiastes, embora, não se buscasse um 
princípio material existencial para todas as coisas como na maioria dos Pré-
Socráticos, pode-se identificar a palavra “vaidade” repetida inúmeras vezes, 
para indicar o quanto o espírito humano é variável e falível, não possuindo 
subsídio suficiente para perceber que o fluxo de mudanças captadas pelos 
sentidos é ilusório, o que pode ser associado com as ideias de Parmênides e 
também com a oposição ao panta rei de Heráclito, que se refere à unidade da 
multiplicidade. 
Para Heráclito, apesar de uma aparente imobilidade, o universo é 
dinâmico e encontra-se em constante transformação, no qual, as mudanças 
resultantes desse processo, são explicadas pelo fluxo de contrários, que 
acabam por se harmonizar no cosmos. Sua compreensão acerca dos opostos 
se torna necessário para que um venha a existir e, portanto, inseparáveis, 
temos o sentido de que tudo é um. O ser sempre existirá, pois é um, mas esse 
um sempre será múltiplo, uma vez que tudo flui (panta rei). “Em rio não se pode 
entrar duas vezes no mesmo” (HERÁCLITO, 1973, p. 94). 
Ao contrário, Parmênides “propõe uma ideia, doutrina 
contraditoriamente oposta à de Heráclito, onde o real é o ser e não o devir e 
este é apenas aparência do sensível, pois,se o ser estivesse sujeito à 
mudança, viria do não ser, que é absurdo” (JOLIVET, 1972, p. 37). 
[...] o ser é e não pode não ser; o não ser não é e não pode ser de 
modo algum. Pois bem, eu te direi [...] apenas em que caminhos de 
busca se pode pensar: um que é o ser é e não é que não seja [...]. é 
necessário dizer e pensar que o ser seja: com efeito, o ser é, o nada 
não é. Um só caminho resta ao discurso: o que o ser é. (REALE; 
ANTISERI, 1990, v. 1, p. 50-51). 
 
Parmênides acreditava na permanência igualitária de um mesmo Ser, 
em que não é possível que algo exista e não exista ao mesmo tempo, isso 
porque ele pensava a realidade como a existência do Ser, nas coisas que 
existem essencialmente. 
É nessa questão sobre a imobilidade do Ser que Qoheleth se 
assemelha com Parmênides, no sentido em que se refere a aparências, 
através do emprego do termo “vaidade” sugerir uma ideia de subsistência da 
realidade, onde se dá pela impossibilidade da transformação: 
“Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre. 
Levanta-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento 
vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e resolve-se, na 
sua carreira, e retorna aos seus circuitos. Todos os rios correm para o 
mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá 
tornam eles a correr. Todas as coisas são canseiras tais, que 
ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se 
enchem os ouvidos de ouvir. O que foi é o que há de ser; e o que se 
fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois novo debaixo do sol. Há 
alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos 
séculos que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que 
precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória 
entre os que hão de vir depois delas” (BÍBLIA, Eclesiastes, 1,4-11). 
 
Percebe-se na seguinte afirmação “nada há, pois novo debaixo do sol”, 
onde Qoheleth certifica e estabelece uma diferenciação que, desta vez, leva-
nos a uma correspondência platônica, no sentido da possibilidade de enxergar 
a essência das coisas, pois para ambos se imaginam existir um lugar onde 
habite essa essência, eterna, imutável e absoluto. Para Qoheleth, essa figura 
está representada por Deus, e para Platão seria o Hiperurânio (supra celeste, o 
que está acima dos céus), onde ambos associam e se assemelham com o 
habitáculo de um mundo inteligível, que somente é perceptível pelo intelecto. 
Nesse caso, os autores se distanciam radicalmente do materialismo para 
vislumbrar a questão do Ser permanente referente a Parmênides. 
Outra descrição que pode ser feito uma analogia com outros filósofos 
encontra-se na seguinte passagem: 
[...] Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente, nada se lhe 
pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os 
homens temam diante dele. O que é já foi, e o que há de ser também 
já foi; Deus fará renovar-se o que se passou (BÍBLIA, Eclesiastes 
3,14-15). 
 
Nesta afirmação metafísica feita por Qoheleth, se constata uma 
referência ética que se opõe à lógica judaico-cristã. Caso o mundo seja 
imutável, acaba se tornando inútil para o ser humano procurar antecipar ou 
postergar sua própria existência, pois o que deve ser aproveitado da vida é o 
momento, sem, no entanto, a absorção de princípios materialistas. Essa 
característica percebida por Qoheleth aproxima com o pensamento dos 
estoicos. 
“Se no estoicismo a natureza se identifica a um Deus único, imortal e 
feliz, se os fatos se ligam e se passam de acordo com o destino e a 
necessidade; se tudo é governado pelo Deus, hálito de fogo, espírito 
ou Logos, autor do universo, e o homem deve submeter-se a essa 
razão universal” (NOVAK, 1999, p. 260) 
 
Ao mesmo tempo se distancia dos epicuristas, porque essa vivência se 
dá sem uma busca desenfreada de prazer, mas de resignação pelo que é 
possível alcançar, pois no epicurismo “os deuses, eternos, perfeitos, 
admiráveis e imitáveis, nada têm a ver com a vida humana ou com os 
fenômenos da natureza” (Pyth. §97). 
Em razão de um aspecto negativista e pessimista, o Livro de 
Eclesiastes se equipara a um Shopenhauer bíblico, justamente pelas inúmeras 
referências que faz à inexorabilidade do destino, que é a morte. Em Qoheleth, 
a morte funciona como um fundamento igualitário a qualquer ser humano: o rei 
e o plebeu, o rico e o pobre, o sábio e o tolo, o poderoso e o escravo, todos 
tem um final comum e um fardo a carregar, o esquecimento. 
Shopenhauer defende que viver é sofrimento, pois ao buscar 
motivações, o homem estaria apenas nutrindo a vontade de estar vivo, em 
virtude de mais cedo ou mais tarde, a paz que o homem procura na felicidade 
se traduzirá em tédio. Assim, estaríamos vivendo sempre na expectativa de um 
novo desafio, como diz o trecho: 
A vida do homem é um combate perpétuo, não só contra males 
abstratos, a miséria, os aborrecimentos, mas também contra os 
outros homens. Em toda parte encontra-se um adversário: a vida é 
uma guerra sem tréguas, e morre-se com as armas na mão 
(SCHOPENHAUER, 2014. p. 26). 
 
Fica evidente que para Schopenhauer a morte é sinônimo de alívio 
dessa luta incessante, pois a Terra é o próprio inferno. Ele chega a usar a força 
de expressão de que “os demônios estariam cumprindo pena se resolvessem 
possuir os homens” (SCHOPENHAUER, 2014. p. 30). 
A complexidade que o Livro de Eclesiastes apresenta é diversa, e as 
conjecturas não acabam por aí, desta vez sob uma ótica Nietzschiana acerca 
do Aforismo Eterno Retorno13: 
 
13
 O eterno retorno é um conceito filosófico do tempo postulado, em primeira vez no ocidente, 
pelo estoicismo e que propunha uma repetição do mundo no qual se extinguia para voltar a 
criar-se. Sob esta concepção, o mundo era retornado a sua origem através da conflagração, 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo
“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais 
solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora 
e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras 
vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e 
cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente 
pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma 
ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre 
as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna 
ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, 
poeirinha da poeira!” Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes 
e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma 
vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um 
deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse 
poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te 
triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto 
ainda uma vez e inúmeras vezes?” Pesaria como o mais pesado dos 
pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem 
contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que 
essa última, eterna confirmação e chancela?” (NIETZSCHE, 1978, 
p.208 ). 
 
A indagação que Nietzsche nos faz é propor uma experimentação 
intelectual na sua doutrina do Eterno Retorno, não se tratando de uma negação 
da vida, pelo contrário, nos remete a uma afirmação da vida. Nietzsche não 
busca uma saída para aquilo que seria uma maldição na vida, mas sim um tipo 
de aceitação, ou afirmação desta vida, por amor ao destino já que ele especula 
o curso de todo o conjunto da história de maneira cíclica. Isso proporciona ao 
ser humano um crescimento, quando se experimenta um declínio, ou vice-
versa, ou seja, são faces de uma mesma moeda em que não haja 
demarcações de tempo, de tal modo, que segundo Nietzsche “os homens não 
têm de fugir à vida como os pessimistas, mas como alegres convivas de um 
banquete que desejamsuas taças novamente cheias, dirão à vida: uma vez 
mais” (NIETZSCHE, 2000, p.10). 
Assim como Nietzsche, Qoheleth insinua que "não há nada melhor 
para o homem do que comer e beber, e fazer que a sua alma goze do bem do 
seu trabalho. Vi que também isso vem da mão de Deus" (BÍBLIA, Eclesiastes, 
2,24). 
 
onde tudo ardia em fogo. Uma vez queimado, ele se reconstruía para que os mesmos atos 
ocorressem novamente. 
Para Nietzsche se trata de um conceito inacabado, trabalhado em vários de seus textos (Em 
"Assim falou Zaratustra"; aforismo 341 de "A gaia ciência"; aforismo 56 de "Além do bem e do 
mal"; e trechos dos fragmentos póstumos, que podem ser encontrados no livro "Nietzsche" da 
coleção "Os Pensadores", da Abril Cultural). Ele mesmo considerava como seu pensamento 
mais profundo e amedrontador, que lhe veio à mente durante uma caminhada, ao contemplar 
uma formação rochosa. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Assim_falou_Zaratustra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aforismo
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_gaia_ci%C3%AAncia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Al%C3%A9m_do_bem_e_do_mal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Al%C3%A9m_do_bem_e_do_mal
Da mesma maneira, em Eclesiastes, Qoheleth explora as áreas da vida 
em que a pretensão se desliga da realidade. Observe como ele focaliza a 
natureza cíclica da vida em uma diversidade de versículos; 
“Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre. 
Levanta-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento 
vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e resolve-se, na 
sua carreira, e retorna aos seus circuitos. Todos os rios correm para o 
mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá 
tornam eles a correr. Todas as coisas são canseiras tais, que 
ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se 
enchem os ouvidos de ouvir. O que foi é o que há de ser; e o que se 
fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois novo debaixo do sol. Há 
alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos 
séculos que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que 
precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória 
entre os que hão de vir depois delas” (BÍBLIA, Eclesiates, 1,4-11). 
“O que já foi, e o que há de ser também já foi; Deus fará renovar-se o 
que se passou” (BÍBLIA, Eclesiates, 3,15). 
“[...] e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o 
deu” (BÍBLIA, Eclesiates, 12,7). 
 
Analisando o discurso de Nietzsche com Qoheleth, verifica-se que 
ambos apontam contradições e dilemas na vida, e categoricamente afirmam 
que o ser humano deveria desfrutar a vida aqui e agora. 
Assim, nesses dois pensadores nós encontramos imperativos idênticos 
com indicativos opostos. Para Nietzche, o homem deve desfrutar a vida 
(imperativo) porque ela é tudo que existe (indicativo), enquanto, Qoheleth 
afirma que o homem deve desfrutar a vida (imperativo) precisamente porque 
aquilo que nós ele vê não é tudo o que existe (indicativo). 
 
 
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Evidentemente não se tem a presunção de findar este artigo esgotando 
todas as possibilidades de leituras e interpretações da obra, pelo contrário, 
pretende-se ao menos apresentar uma intertextualidade do Livro de 
Eclesiastes com outros textos exteriores, a partir de análises que não tem a 
intenção de fechar os questionamentos dos temas abordados neste ensaio, 
sob o aspecto narrativo de Qoheleth que se baseia fundamentalmente em uma 
forma introspectiva, crítica e reflexiva. Isto pode ser evidenciado diante da 
retrospectiva do livro se isentando, exclusivamente, de uma simples narrativa 
que privilegiasse apenas o seu fator histórico. 
Pode-se concluir que o enredo do livro se torna complexo, uma vez que 
mescla vários temas, que não depende, necessariamente, de um motivador 
histórico, mas revestido por um pano de fundo que provoca sua marca de 
angústia existencialista, evidenciadas por crises e precariedades da vida num 
curto espaço de tempo, onde a própria vida é um mistério de difícil 
desdobramento. 
Em síntese, é nessa perspectiva que o Livro de Eclesiastes pensa o 
presente e a vida inserida no tempo perceptível ao intelecto. 
 
 
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ZIEGLER, Erica Luisa. “Eu exalto a alegria...” (Ec 8.15). Morte e fruição da 
vida em Eclesiastes a partir da psicanálise de Jung. São Leopoldo: Escola 
Superior de Teologia, 2006.

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