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2 CLARETIANO CENTRO UNIVERSITÁRIO GRADUAÇÃO BACHARELADO EM ENFERMAGEM ANA CAROLINE DE SOUZA SILVA BRUNA CAMILA CAMELI TELES EMILY MARIA DA COSTA CIACCI ENMILY DAYANE DO MONTE MOTA ISABELA DE OLIVEIRA PINHEIRO TAMIRES BARROZO AMORIM SAÚDE DO ADULTO E DO IDOSO Alcoolismo e Tabagismo CRUZEIRO DO SUL 2024 ANA CAROLINE DE SOUZA SILVA BRUNA CAMILA CAMELI TELES EMILY MARIA DA COSTA CIACCI ENMILY DAYANE DO MONTE MOTA ISABELA DE OLIVEIRA PINHEIRO TAMIRES BARROZO AMORIM SAÚDE DO ADULTO E DO IDOSO Alcoolismo e Tabagismo Portfolio descritivo apresentado ao Curso de Graduação Bacharelado de Enfermagem do Centro Universitário Claretiano, aser utilizado como diretrizes para obtenção de aprovação no trabalho da disciplina de Saúde do Adulto e do Idoso. Orientadora: Prof ª. Enfª. Emanoele Farias Tamarana. CRUZEIRO DO SUL 2024 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO_______________________________________________04 2. REFERENCIAL TEÓRICO____________________________________ 05 2.1 Tabagismo________________________________________________ 05 2.2 Alcoolismo________________________________________________ 07 3. CONCLUSÃO________________________________________________10 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS____________________________ 11 1. INTRODUÇÃO O tabagismo e alcoolismo estão entre os principais fatores para o desenvolvimento de cerca de 50 doenças, entre elas as que mais matam em todo o mundo, dados de 2019 revelam quase 15% das pessoas acima de 18 anos no Brasil são fumantes. Pensando nessa perspectiva, o referido portfólio tem como objetivo relatar quais as consequências para a saúde trazidas pelo uso abusivo dessas substâncias e como o profissional de enfermagem deve lidar com isso no âmbito da atenção básica. 2. REFERÊNCIAL TEÓRICO 2.1 Tabagismo O que é o tabagismo? O tabaco é uma planta (Nicotiana tabacum) cujas folhas são utilizadas na confecção de diferentes produtos que têm como princípio ativo a nicotina, que causa dependência (Brasil, 2016). Há diversos produtos derivados de tabaco: cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha, cigarrilha, bidi, tabaco para narguilé, rapé, fumo-de-rolo, dispositivos eletrônicos para fumar e outros. No Brasil, a Resolução da Diretoria Colegiada n.º 46 de 2009, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proíbe a comercialização, a importação e a propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar (ANVISA, 2009). O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco. De acordo com a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde [CID-11], ele integra o grupo de "transtornos mentais, comportamentais ou do neurodesenvolvimento" em razão do uso da substância psicoativa (WHO, 2022). Ele também é considerado a maior causa evitável isolada de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo (Drope et al, 2018). Mortalidade: A Organização Mundial da Saúde aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Mais de 7 milhões dessas mortes resultam do uso direto desse produto, enquanto cerca de 1,2 milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo. A OMS afirma ainda que cerca de 80% dos mais de um bilhão de fumantes do mundo vivem em países de baixa e média renda onde o peso das doenças e mortes relacionadas ao tabaco é maior (WHO, 2020). Consequências do uso: O tabagismo é uma doença que contribui para o desenvolvimento dos seguintes tipos de câncer: leucemia mieloide aguda; câncer de bexiga; câncer de pâncreas; câncer de fígado; câncer do colo do útero; câncer de esôfago; câncer de rim e ureter; câncer de laringe (cordas vocais); câncer na cavidade oral (boca); câncer de faringe (pescoço); câncer de estômago; câncer de cólon e reto; câncer de traqueia, brônquios e pulmão (WHO, 2022). Além de estar associado às doenças crônicas não transmissíveis, o tabagismo também contribui para o desenvolvimento de outras enfermidades, tais como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras. O tabaco fumado em qualquer uma de suas formas causa a maior parte de todos os cânceres de pulmão e contribui de forma significativa para acidentes cerebrovasculares e ataques cardíacos mortais. Os produtos de tabaco que não produzem fumaça também estão associados ou são fator de risco para o desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como para muitas patologias buco-dentais (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2020). Papel do enfermeiro relacionado ao manejo de pacientes tabagistas na atenção primária: A abordagem feita pelo enfermeiro ao usuário tabagista é realizada de modo individual, oportunamente, ou em grupo, ancorada na terapia cognitivo-comportamental. De acordo com os depoimentos, a abordagem individual aos usuários dependentes do tabaco pelo enfermeiro na APS ocorre de modo assistemático, durante a realização dos procedimentos de enfermagem. Nessa perspectiva, analisa-se que, apesar de a abordagem assistemática visando ao abandono do tabaco ser um importante mecanismo de sensibilização utilizado na prática clínica do enfermeiro, esta não confere uma assistência de enfermagem sistematizada. Ao abordar o usuário tabagista, o enfermeiro precisa lançar mão da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) como modo de garantir boas práticas de cuidado a essa clientela. Ao associar a SAE à abordagem individual e coletiva, o enfermeiro poderá potencializar o efeito das intervenções, assim como ampliar o espectro de atividades voltadas aos usuários tabagistas na APS. A abordagem realizada em grupo, por sua vez, possibilita a troca de experiências entre os participantes, aspecto terapêutico considerado de grande valia por contribuir significativamente para o processo de cessação do hábito de fumar. Como foi evidenciado, os grupos são baseados na terapia cognitivo-comportamental. A literatura mostra que, a exemplo da abordagem aos usuários dependentes de outras drogas, a abordagem cognitivo-comportamental associada a medicamentos auxilia na cessação do hábito de fumar, sendo considerada a eleita para o tratamento e o controle do tabagismo. No aconselhamento comportamental, o enfermeiro promove a motivação e a autoeficácia dos usuários para interromper o hábito de fumar e providencia suporte social para remover as barreiras do comportamento que prejudicam a cessação do tabagismo. Esse profissional informa os usuários sobre os benefícios da cessação do tabagismo e auxilia no desenvolvimento de habilidades para a resolução de problemas advindos da dependência tabácica. Intervenções de Enfermagem: · Orientar sobre o abandono do fumo e explicar os benefícios, bem como as consequências da continuação do uso; · Promover ações de prevenção e educação para a comunidade; · Desenvolver estratégias para lidar com estresse e afetos positivos e negativos; · Deve-se elaborar um plano de ação com o paciente, avaliando os motivos que o levam a fumar e traçando estratégias para que ele resista ao desejo e aprenda a viver sem o cigarro; · Para combater a fissura, o enfermeiro pode orientar o paciente a manter-se ocupado com coisas saudáveis, a beber líquidos, chupar gelo, mascar algo como balas e chicletes específicos para o tabagismo, uso tratamentos dietéticos, cristais de gengibre, canela, ou seja, usar substitutos da gratificação oral; · Os enfermeiros podem identificar subgrupos de fumantes adultos com associação de depressão e uso de substâncias psicoativas e promover uma intervenção para maior efetividade do abandono do tabaco. Portanto, percebemos que o trabalho realizado pelo enfermeiro da Unidade Básica de Saúde sobre os efeitos negativos que o fumo oferece é educativo, esclarecedor e fundamental, tendo em vista que o tabacocompromete seriamente a saúde do fumante ativo (quem fuma) e passivo (quem convive com o fumante), podendo ocasionar diversas doenças, até mesmo o temido câncer. O trabalho de orientação desempenhado pelo enfermeiro conscientiza as pessoas não fumantes não iniciarem, os fumantes a diminuir o uso de cigarro e abandonar este vício, podendo adquirir melhoria na qualidade de vida para si e sua família. 2.2 Alcoolismo O que é o alcoolismo? É considerado ‘uso abusivo de álcool’, a ingestão de quatro ou mais doses entre as mulheres e cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas entre os homens, em uma mesma ocasião, nos últimos 30 dias. O Ministério da Saúde alerta que o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica pode trazer danos imediatos à saúde ou a médio e longo prazo. É definido pela 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), como um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após o uso repetido de álcool, tipicamente associado aos seguintes sintomas: forte desejo de beber, dificuldade de controlar o consumo (não conseguir parar de beber depois de ter começado), uso continuado apesar das consequências negativas, maior prioridade dada ao uso da substância em detrimento de outras atividades e obrigações, aumento da tolerância (necessidade de doses maiores de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância) e por vezes um estado de abstinência física (sintomas como sudorese, tremores e ansiedade quando a pessoa está sem o álcool). Mortalidade: Dados inéditos de mortalidade do Ministério da Saúde apontam que 1,45% do total de óbitos ocorridos entre os anos de 2000 a 2017 estão totalmente atribuídos à ingestão abusiva de bebidas, como doença hepática alcóolica. Quando verificado o número de mortes entre os sexos, os homens morrem aproximadamente nove vezes mais do que as mulheres por causas totalmente atribuídas ao álcool. Os óbitos excluem acidentes e violências e outras causas parcialmente atribuídas. De acordo com a OMS, em todo o mundo, mais de 3 milhões de homens e mulheres morrem todos os anos pelo uso nocivo de bebidas alcoólicas. Ao todo, 5% das doenças mundiais são causadas pelo álcool. Consequências do uso: O uso abusivo de álcool é uma pauta intersetorial e também um fator de risco que influencia negativamente dois aspectos: aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs); e o aumento de agravos, como acidentes e violência. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe volume seguro de álcool a ser consumido, porque ele é tóxico para o organismo humano e pode provocar doenças mentais, diversos cânceres, problemas hepáticos, como a cirrose, alterações cardiovasculares, com riso de infarto e acidente vascular cerebral e a diminuição de imunidade. Além de ser responsável por episódios de violência física contra si ou contra outras pessoas. Papel do enfermeiro relacionado ao manejo de pacientes alcóolatras na atenção primária: Os profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde são os mais indicados para agir na detecção precoce e realizar alguma intervenção em relação ao uso abusivo do álcool. Em geral, os alcoolistas (alcoólatras) não procuram os serviços de saúde e /ou os profissionais, com queixas do uso nocivo do álcool, mas por outros problemas de saúde, que muitas vezes são devidos a esse uso. É importante que o profissional não “rotule” o usuário como alcoólatra ou drogado, porque isto pode afastá-lo do atendimento, podendo se sentir rejeitado, se percebendo como uma pessoa inferior, inadequada ou não merecedora de atenção e cuidados. O profissional deve ter uma postura que demonstre que entende que o uso abusivo de álcool como um problema de saúde, para o qual o paciente precisa de ajuda e que ele tem disposição e capacidade para ajudá-lo a modificar o uso. Intervenções Enfermagem: · Orientação e aconselhamento quanto a sua condição; · Sugestão de um programa específico para lidar com o alcoolismo; · Realização de palestras de prevenção e educação; · Terapia cognitiva comportamental; · Tratamento interdisciplinar; · Aconselhamento sobre o papel da farmacoterapia (prescrição médica); · Tratamento da intoxicação. Evidencia-se a percepção do alcoolismo como uma doença crônica que necessita ser tratada; no entanto, para se tratar com qualidade qualquer patologia, seja física, seja psíquica, os profissionais da equipe de Enfermagem necessitam articular os conhecimentos científicos com o cuidado humanizado, é fundamental que os profissionais da saúde possuam aptidões em situações que envolvam relacionamentos, tais como: desenvolver trabalho em equipe, saber manejar situações adversas, ter comprometimento com o usuário. Contudo, além disso, precisam ter e demonstrar sabedoria e habilidades, deter conhecimentos teóricos e práticos relacionados à área da saúde em que atuam. Por isso, as equipes de saúde, juntamente com os gestores locais, devem identificar soluções para aperfeiçoar e melhorar o conhecimento dos profissionais envolvidos na atenção primária. 3. CONCLUSÃO O enfermeiro desempenha um papel crucial na educação sobre o uso de álcool e tabaco devido aos seguintes motivos: · Prevenção de Doenças: O enfermeiro pode educar os pacientes sobre os efeitos prejudiciais do álcool e do tabaco na saúde, ajudando a prevenir doenças relacionadas a esses hábitos, como câncer, doenças cardíacas e respiratórias. · Promoção da Saúde: Ao fornecer informações sobre os riscos à saúde associados ao consumo de álcool e tabaco, o enfermeiro pode promover a adoção de comportamentos saudáveis e a redução do consumo dessas substâncias. · Apoio ao Tratamento: O enfermeiro pode oferecer suporte e orientação a indivíduos que desejam reduzir ou parar o consumo de álcool e tabaco, fornecendo estratégias e recursos para ajudá-los nesse processo. · Advocacia da Saúde Pública: Além do cuidado individual, o enfermeiro pode advogar por políticas de saúde pública que visem reduzir o consumo de álcool e tabaco na comunidade, contribuindo para um ambiente mais saudável para todos. Portanto, a educação fornecida pelo enfermeiro desempenha um papel fundamental na promoção da saúde e na prevenção de doenças relacionadas ao uso de álcool e tabaco. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Atenção à Saúde. Glossário temático: fatores de proteção e de risco de câncer. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n.º 46, de 28 de agosto de 2009. Proíbe a comercialização, a importação e a propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como cigarro eletrônico. DROPE, J. et al. The Tobacco Atlas. Atlanta: American Cancer Society and Vital Strategies, 2018. Disponível em:. Acesso em: 12 de abril, 2024. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Tobacco. Available at: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tobacco. Acesso em: 12 de abril, 2024. WORLD HEALTH ORGANIZATION. International Classification of Diseases 11th Revision. The global standard for diagnostic health information. Available at: https://icd.who.int/en. Acesso em: 12 de abril, 2024. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Health Effects of Cigarette Smoking. Available at: http://www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/fact_sheets/health_effects/ef. Acesso em: 12 de abril, 2024. PAGANI R, MINOZZO F, QUAGLIA G. Abordagem Familiar: cuidado às famílias com pessoas que usam álcool e outras drogas pelas equipes de Saúde da Família. In: Ministério da Saúde. A detecção e atendimento a pessoas usuárias de drogas na rede de Atenção Primária à Saúde. 3rd ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. image1.png