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Teoria da Pena Matheus Nascimento Servidor Público Federal e Advogado Pós Graduado em Direito Penal e Processo Penal Introdução Pena é espécie sanção penal, isto é, resposta estatal ao infrator da norma incriminadora (crime ou contravenção), consistente na privação ou restrição de determinados bens jurídicos do agente. Sua imposição depende do devido processo legal, através do qual se constata a autoria e materialidade de um comportamento típico, antijurídico e culpável não atingido por causa extintiva da punibilidade. Fundamentos da Pena ● 1- Político estatal: “a pena se justifica porque sem ela o ordenamento jurídico deixaria de ser um ordenamento coativo capaz de reagir com eficácia diante das infrações”; ● 2- Psicossocial: “a pena é indispensável porque satisfaz o anseio de justiça da comunidade”. Inibe o retorno à pena privada; ● 3- Ético individual: “permite ao próprio delinquente, como um ser `moral', liberar-se (eventualmente) de algum sentimento de culpa”. Luiz Flávio Gomes e Antonio García-Pablos de Molina ● Para os absolutistas, a imposição da pena é uma decorrência lógica da delinquência, visando apenas a retribuir o mal causado. ● Para os utilitaristas, a pena atua como um instrumento de prevenção, um meio para alcançar determinadas finalidades. ● De acordo com a prevenção geral negativa, a pena deve coagir psicologicamente a coletividade, intimidando-a. ● Na perspectiva da prevenção geral positiva, o objetivo da pena é demonstrar a vigência da lei (existência, validade e eficácia). A intenção, aqui, não é intimidar, mas estimular a confiança da coletividade na higidez e poder do Estado de execução do ordenamento jurídico. ● Sob o enfoque da prevenção especial negativa, a pena deve servir para inibir a reincidência, não se confundindo com a prevenção especial positiva, onde a preocupação é a ressocialização do delinquente. Somente a recuperação do condenado faz da pena um instituto legítimo. Ademais, a própria sociedade se beneficia desta espécie de prevenção, já que, ao retornar para o convívio, o indivíduo estará mais bem preparado para respeitar as regras impostas pelo Direito. ● Por fim, temos os ecléticos, responsáveis pela reunião das teorias absolutas e preventivas. Entendem que não é possível dissociar uma e outra finalidade da pena, porque a imposição da sanção penal é sempre um castigo e um meio para prevenir (prevenção geral e especial). Finalidade da Pena no Brasil ● 1- Preventiva; ● 2- Retributiva; ● 3- Reeducativa. Ex: Homicídio Simples Art. 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte geral (arts. 1° ao 120) /Rogério Sanches Cunha. - 8. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 484. JUSTIÇA RESTAURATIVA, JUSTIÇA REPARATÓRIA E JUSTIÇA NEGOCIADA ● A primeira, baseada num procedimento de consenso envolvendo os personagens da infração penal (autor, vítima e, em alguns casos, a própria comunidade), sustenta que, diante do crime, sua solução perpassa pela restauração, ou seja, pela reaproximação das partes envolvidas para que seja restabelecido o cenário anterior (de paz e higidez das relações sociais). ● A Justiça Reparatória se faz por meio da conciliação promovida pelos órgãos integrantes do sistema criminal, como ocorre na transação penal, na suspensão condicional do processo (Lei nº 9.099/95) e nos termos de ajustamento de conduta para a reparação dos danos ambientais nas infrações da Lei nº 9.605/98. ● A Lei nº 11.719/08 (que alterou o CPP) confirma essa tendência a partir do momento em que permite ao juiz, na sentença condenatória, fixar valor mínimo indenizatório à vítima. Princípios Informadores da Pena ● Princípio da Legalidade (reserva legal e anterioridade): nullum crimen, nulla poena sine lege praevia. Art. 1º CP- Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal ● Princípio da personalidade ou intransmissibilidade (art. 5º, XLV, CRFB/88: - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;); ● Princípio da individualização da pena - Sistema de penas relativamente indeterminadas (art. 5º, XLVI, CRFB/88: - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: Princípios Informadores da Pena ● Princípio da proporcionalidade; ● Princípio da inderrogabilidade ou inevitabilidade da pena; ● Princípio da dignidade humana (art. 5º, XLVII, CRFB/88 - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis); CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte geral (arts. 1° ao 120) /Rogério Sanches Cunha. - 8. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 496. Princípios Informadores da Pena ● Princípio da vedação ao bis in idem; CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte geral (arts. 1° ao 120) /Rogério Sanches Cunha. - 8. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 498. Penas no Brasil ● Permitidas (art. 5º, XLVI): a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; ● Proibidas (art. 5º, XLVII): a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; ● Restritivas de direito: Previstas nos arts. 43 a 48 do CP. ● Multa: prevista no art. 32 e disciplinada no art. 49 do CP. ● Privativa de Liberdade. Penas privativas de liberdade - PPL Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 1º - Considera-se: a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média; b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar; c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado. Penas privativas de liberdade - PPL Pena de reclusão: Art. 33. (…) § 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado; b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi- aberto; c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto. SÚMULA N. 269 STJ: É admissível a adoção do regime prisional semi- aberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais. Pena de detenção: ● Aplicada pena superior a 4 (quatro) anos, o juiz sentenciante fixará o regime inicial semiaberto, seja o condenado primário ou reincidente. ● Quando imposta pena não superior a 4 (quatro) anos, o regime inicial poderá ser o aberto, desde que primário o condenado. Na hipótese de réu reincidente, o regime inaugural deve ser o semiaberto (o mais rigoroso para o tipo de pena). Prisão simples: Art. 6º A pena de prisão simples deve ser cumprida, sem rigor penitenciário, em estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime semi- aberto ou aberto. § 1º O condenado a pena de prisão simples fica sempre separado dos condenadosa pena de reclusão ou de detenção. E se uma pessoa for condenada por dois crimes, um com pena de reclusão e outro com pena de detenção? ● A regra contida no art. 111 da Lei de Execução Penal, que diz que quando houver condenação por mais de um crime, no mesmo processo ou em processos distintos, a determinação do regime de cumprimento será feita pelo resultado da soma ou unificação das penas, observada, quando for o caso, a detração ou remição. ● Detração - Art. 42 do CP. ● Remição – Art. 126 da LEP ● " 1. O art. 111 da Lei de Execuções Penais dispõe que, quando há mais de uma condenação, a determinação do regime será feita pelo resultado da unificação das penas, ou seja, o regime deve ser analisado conforme o somatório de todas as penas. 2. Nos termos do parágrafo único do artigo 111 da Lei de Execução Penal, sobrevindo condenação no curso da execução de outra pena, somar-se-á aquele quantum ao restante da que já está sendo cumprida, para determinação do regime. 3. A unificação das penas privativas de liberdade, operada pelo Juízo da Execução, referente a condenações por mais de um crime, mesmo que de modalidades diferentes (detenção e reclusão), determina o regime de cumprimento da pena, não havendo óbice de que o regime seja, inclusive, mais gravoso do que o fixado na condenação." Acórdão 1333452, 07524649020208070000, Relator: ROBSON BARBOSA DE AZEVEDO, Segunda Turma Criminal, data de julgamento: 15/4/2021, publicado no PJe: 23/4/2021. ● STF Somatório das penas de detenção e reclusão – determinação do regime prisional “1. O art. 111 da Lei de Execução Penal estabelece que, em condenação por mais de um crime, para a determinação do regime de cumprimento considera-se o resultado da soma ou unificação das penas, independentemente de serem de detenção ou reclusão. 2. É firme a jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal no sentido de que a soma ou unificação das penas em execução definem o regime prisional de seu cumprimento, podendo o resultado implicar a regressão. Precedentes.” RHC 118626 / MS Referência bibliográfica CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte geral (arts. 1° ao 120) /Rogério Sanches Cunha. - 8. ed. rev., ampl. e atual. - Salvador: JusPODIVM, 2020. 720 p. GRECO, Rogério. Código Penal: comentado / Rogério Greco. – 11. ed. – Niterói, RJ: Impetus, 2017. Vídeos: https://www.youtube.com/watch?v=xqAXfoL-6Rc&list=PPSV https://www.youtube.com/watch?v=5YDDT3K65sE&list=PPSV https://www.youtube.com/watch?v=3SFUxV5Jpz4&list=PPSV https://www.youtube.com/watch?v=xqAXfoL-6Rc&list=PPSV https://www.youtube.com/watch?v=5YDDT3K65sE&list=PPSV https://www.youtube.com/watch?v=3SFUxV5Jpz4&list=PPSV Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20