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DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2447-6099.13716 INCLUIR NOME DA SEÇÃO ARTIGO ORIGINAL Revista Debates em Ensino de Química v(n), ppi-ppf. 8 ELABORAÇÃO DE UMA CARTILHA PEDAGÓGICA VOLTADA PARA O ENSINO DE QUÍMICA DIRECIONADA PARA ALUNOS QUE SÃO ATENDIDOS PELA EDUCAÇÃO ESPECIAL: UM ESTUDO DE CASO NA 3ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO NO COLÉGIO AMAPAENSE PREPARATION OF A PEDAGOGICAL BOOKLET AIMED AT TEACHING CHEMISTRY FOR STUDENTS TAKEN BY SPECIAL EDUCATION: A CASE STUDY IN THE 3rd GRADE OF HIGH SCHOOL AT COLÉGIO AMAPAENSE. Clei de Araújo Almeida Universidade do estado do Amapá (UEAP) email: araújo.versa@hotmail.com Clemilson Carneiro dos Santos Secretaria de Estado da Educação Amapá (SEED/AP) https://orcid.org/0000-0002-7119-3378 http://lattes.cnpq.br/3987756760370747 email: ebansantos@yahoo.com.br RESUMO: A educação de crianças e adolescentes com necessidades especiais tem recebido atenção crescente nas últimas décadas, visto que durante muito tempo esses alunos se encontraram à margem do processo educativo. Este projeto de trabalho foi concebido considerando a inclusão desses alunos e as dificuldades que eles podem encontrar na parcela do curso de Química. O objetivo é facilitar o processo de ensino desses alunos e aumentar sua socialização no ambiente escolar. O estudo foi realizado com alunos do terceiro ano do ensino médio, tendo como escola sede o Colégio Amapaense. Portanto, este estudo teve como objetivo desenvolver uma cartilha ilustrada com orientações de aprendizagem de conteúdos de química orgânica como estratégia de ensino para alunos com necessidades especiais no curso de química do ensino médio. Este estudo apresenta características quali-quantitativas e desenho de pesquisa exploratória-ação na forma de estudo de caso, tendo como sujeitos um professor de uma sala do AEE e seus 17 alunos matriculados na 3ª série do ensino médio Colégio Amapaense. Como instrumento de avaliação foi utilizado um questionário e seus dados foram tabulados em forma de gráfico para discutir a eficácia do método estudado. Através da análise dos dados obtidos neste estudo, pode-se verificar que as práticas de ensino são bem-sucedidas, embora ainda sejam necessários alguns ajustes para melhor adaptação às necessidades especiais dos alunos. PALAVRAS-CHAVE: Química orgânica; Necessidades especiais; Cartilha ilustrada; AEE. ABSTRACT: The education of children and adolescents with special needs has received increasing attention in recent decades, as for a long time these students found themselves on the margins of the educational process. This work project was designed considering the inclusion of these students and the difficulties they may encounter in the Chemistry course. The objective is to facilitate the teaching process of these students and increase their socialization in the school environment. The study was carried out with third- year high school students, with Colégio Amapaense as the main school. Therefore, this study aimed to develop an illustrated booklet with learning guidelines for organic chemistry content as a teaching strategy for students with special needs in the high school chemistry course. This study presents qualitative- quantitative characteristics and an exploratory-action research design in the form of a case study, having as subjects a teacher from an AEE classroom and his 17 students enrolled in the 3rd grade of Colégio Amapaense high school. A questionnaire was used as an evaluation instrument and its data were tabulated in graph form to discuss the effectiveness of the studied method. Through the analysis of the data obtained in this study, it can be seen that the teaching practices are successful, although some adjustments are still necessary to better adapt to the special needs of students. http://dx.doi.org/10.5007/2447-6099.2020v7n1p6 https://orcid.org/0000-0002-7119-3378 mailto:email:%20ebansantos@yahoo.com.br Título do artigo (não preencher) 9 KEY WORDS: Organic chemistry; Special needs; Ilustrated booklet; AEE. Introdução Conforme afirma a Constituição Federal de 1988, todo brasileiro tem direito social à educação, que deve abranger o desenvolvimento holístico dos indivíduos, o exercício de seus direitos como cidadãos e a aquisição de competências para o emprego. Além disso, esse direito deve ser ampliado para incluir o Público-Alvo da Educação Especial (PAEE), grupo que tem recebido maior atenção nas últimas décadas, conforme previsto na Constituição. A Lei Nacional de Diretrizes e Bases Educacionais - LDBEN (Brasil, 1996) representa um avanço significativo em relação as legislações anteriores (Lei nº 4.024, de 1961; Lei nº 5.692, de 1971), principalmente no que diz respeito a este aspecto particular. A Educação Inclusiva é um tema que sempre trouxe grandes desafios não só para a escola, visto que requer uma metodologia diferenciada a ser trabalhada com o educando especial, onde na maioria dos casos o professor tem que construir materiais que propicie ao discente com necessidades especiais meios aos quais possam construir conhecimento e com isso se inserir no ambiente escolar e na sociedade (Brasil, 2020). Da mesma forma o assunto também apresenta uma determinada complexidade e dificuldades para a família do aluno que muitas das vezes não sabe como lhe dar com um filho com necessidades especiais (Figueira, 2014). Dentre os vários movimentos ocorridos pelo mundo sobre Educação Inclusiva a que exerceu maior influência nas bases educacionais brasileiras no que se refere a inclusão foi a Conferência Mundial realizada em Salamanca em 1994. No qual o referido texto documental fornece orientações de como os ambientes educacionais devem pensar e agir quando nesta instituição houver alunos com particularidades especiais, proporcionando a esses discentes meios para desenvolver seus potenciais cognitivos (Santos; Teles, 2012), haja vista, que tais direitos estão assegurados na Constituição de 1988 e na LDB 9394 de 1996. A Educação Inclusiva tem por finalidade inserir dentro do ambiente escolar o educando que por inúmeras razões se encontram as margens da educação, oportunizando dessa forma este aluno não somente ter acesso ao saber, mas também de se socializar (Brasil, 2009). De acordo com Minetto (2008), a Educação Inclusiva apresenta uma gama de dificuldades as quais o educador deve adaptar os seus conteúdos dentro da realidade do aluno, onde em seu livro a autora sugere uma série de atividades que o docente pode fazer uso em suas aulas, para com isso propiciar uma ponte para construção de conhecimento. Tais práticas metodológicas também podem ser utilizadas pela família do discente com necessidades especiais, como um mecanismo de fortalecimento dos saberes adquiridos em sala de aula, e dessa forma, participar e compreender mais a forma de pensar e entender do aluno com necessidades especiais. Numerosas investigações têm sido realizadas sobre o tema da Educação Especial no âmbito da educação inclusiva. Um exame abrangente de trabalhos acadêmicos, incluindo teses e dissertações, relativos à inclusão escolar e à Educação Inclusiva no Brasil entre 1997 e 2003 revelou um foco predominante em estudantes e conceitos intimamente associados à Educação Especial, conforme determinado por Bueno (2008). Na análise de vários estudos, verificou-se uma notável falta de atenção aos desafios enfrentados pelos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e pelos profissionais que os apoiam em contextos de ensino regular. Estes estudos não conseguiram enfatizar certos aspectos importantes desta população, incluindo a ligação crucial entre a saúde e a educação, bem como a relação entre a escola e a comunidade, ambas desempenhando um papel significativo na melhoria da qualidade da educação. Além disso, a investigação existente neste campo tende a limitar-se a áreas específicas de especialização. De acordo com Fumegalli (2012), ao longo da história do homem, observa-seUniversidade Estadual de Maringá, Campus Regional de Cianorte, Centro de Ciências Humanas Letras e Artes. Cianorte, 2011. MARIANO, L. S.; REGIANI, A. M. Reflexões sobre a formação e a prática pedagógica do docente de química cego. Química Nova na Escola, São Paulo, v. 37, no esp. 1, p. 19-25, jul. 2015. MENDES, E. G. A radicalização do debate sobre inclusão escolar no Brasil. Revista Brasileira de Educação. v. 11, n. 33, 2006. MINAYO, M. C. S. Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ed. Petrópolis: Vozes, 2001. 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Com o passar do tempo a sociedade fez uso de muitas denominações para identificar pessoas com necessidades especiais com o intuito de minimizar as mais variadas formas de preconceitos. Mediante ao contexto acima mencionado, muitos educadores e pesquisadores implementaram políticas públicas relacionadas com a educação inclusiva, com o intuito de inserir no ambiente escolar e na sociedade essas pessoas com necessidades especiais, tendo como principal executor de tais ações o Estado, como regulamentador destas políticas assistenciais (Boneti, 2006). No Brasil desde 2008 o governo federal vem atuando de forma mais ativa através de programas e ações que viabilizem a implementação da Educação Inclusiva, visando atender a especificidade de cada necessidade, complementando a formação de conhecimento do educando por meio de profissionais específicos (Michels, 2017). É importante também salientar que nos dias de hoje as universidades nos cursos de licenciaturas, como matemática, química, física, biologia e etc., a implementação de disciplinas específicas para trabalhar com alunos com necessidades especiais, como por exemplo braile e libras, com o intuito de promover uma educação mais igualitária. De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Química (Brasil, 2001), os químicos licenciados são obrigados a possuir não apenas uma compreensão abrangente do assunto e suas diversas transformações, mas também um compromisso com o desenvolvimento profissional contínuo. Isso inclui manter-se atualizado com os avanços tecnológicos e adaptar-se às novas necessidades educacionais da sociedade. É crucial encarar o processo de ensino e aprendizagem como um “processo humano em construção” em constante evolução. A forma como a química é ensinada pode afetar diretamente a forma como os alunos recebem o conteúdo, pois são vistos de forma imaterial, intangível e mal visualizado, dependendo de como é apresentado. Consequentemente, o conhecimento adquirido é frustrado e mal compreendido como meramente uma substância decorativa e representativa de fenômenos, elementos e moléculas, limitando assim as capacidades da disciplina nos níveis microscópico, simbólico e visual (Silva; Bedin ,2020). E através dessas observações que os docentes em ambientes educacionais, tentam converter conhecimento cientifico e técnico em novos saberes para os discentes (Belo et al., 2019; Nobrega et al., 2022). Os professores têm a oportunidade de se tornarem facilitadores do conhecimento, dando suporte ao conteúdo e proporcionando uma visão tridimensional do conteúdo de química no espaço escolar, ensinando os alunos de forma mais significativa, conteúdos que antes eram muito abstratos, agora são significativos e mensuráveis (Antunes, 2008). Diante desse exposto e analisando as dificuldades enfrentadas no processo de aprendizagem na disciplina de química, que este trabalho propõe a elaboração de uma cartilha ilustrada para facilitar a compreensão do educando, haja vista, que tal ferramenta pedagógica servirá como um mecanismo norteador de suporte para os professores que atuam no atendimento especializado na educação especial, bem como, para os docentes de sala de aula (Santos, 2019). Para Schlichta (2009), o uso de cartilhas, caracterizam meios pedagógicos que possibilitam uma avaliação de forma resumida sobre quaisquer aspectos de informações a serem discutidos, visto que as ilustrações presentes na mesma podem ser bem mais explicativas que os conceitos formais, o que a torna uma ferramenta pedagógica muito importante quando se quer informar e orientar sobre diversas formas de conhecimento, utilizando uma linguagem bem menos formal e acessível a qualquer leitor. Neste contexto a pesquisa traz como proposta metodológica de uma cartilha ilustrada direcionada a alunos da 3ª série do ensino médio, que são atendidos pela educação especial, voltada para o ensino de química, onde tem por objetivo auxiliar esses discentes a encontrar uma Título do artigo (não preencher) 11 forma de trabalhar a sua formação cognitiva, assim como fazendo com que eles se façam mais participativo no ambiente escolar. Problema A química é vista como uma abordagem de certo grau de complexidade no ensino tradicional, pois tenta utilizar as dificuldades colocadas pelo conhecimento prévio de cada discente e integrantes da educação (Lima, 2012). Outra dificuldade levantada pela disciplina diz respeito à forma como os conteúdos de química se desenvolvem em sala de aula. A passagem da orientação pedagógica para o processo de contextualização e a interdisciplinaridade que rodeia o desenvolvimento do tema, faz com que os alunos tenham dificuldade em integrá-lo ao seu cotidiano, o que acaba por refletir no desinteresse dos discentes pela disciplina de química na sala de aula. Pressupondo ser relevante a importância do tema aqui abordado e o vital papel que à escola exerce na formação educacional dos alunos no ambiente escolar e levando em consideração as dificuldades enfrentadas pelos educandários mediante as diversidades de cada educando com necessidades especiais, é que esta pesquisa faz os seguintes questionamentos: O uso de uma cartilha ilustrada com orientações pedagógicas, direcionada para alunos com necessidades especiais contribuirá para a sua construção de conhecimento? A prática metodológica proposta neste estudo propiciará meios que auxilie o educador da sala do AEE conseguir fortalecer o aprendizado abordado em sala de aula? A ferramenta metodológica da pesquisa promoverá uma ação interativa entre educando especial e a disciplina de química, visando o desenvolvimento cognitivo desse aluno? Justificativa Refletindo sobre a importância da Educação Inclusiva, este trabalho tem por finalidade o desenvolvimento e o bom emprego de uma cartilha ilustrada, como metodologia diferenciada de ensino, com informações sobre orientações em relação a conteúdos de química a serem trabalhados com educandos da Educação Especial e as práticas pedagógicas que podem ser utilizadas, com intuito de interagir e motivar esses alunos, através do ato de aprender utilizando- se mecanismos que o auxiliem no processo de formação cognitiva, de forma que este possa desenvolver uma reflexão sobre os conhecimentos que os cercam no seu cotidiano. Com isso percebeu-se que se faz necessário buscar meios que oportunizem não só o aluno, mas também o professor na sala de aula, a ter acesso a metodologias que possam ser trabalhadas tanto em sala de aula quanto em casa. Diante disso a cartilha também propiciará ao professor do atendimento especializado, formas que possam melhorar a qualidade de ensino e consequentemente o interesse dos discentes, e com isso uma melhora na aprendizagem. Dessa forma, o docente do AEE também tem papel fundamental para a eficácia dessa ferramenta pedagógica, visto que, poderá contribuir com a execução e aperfeiçoamento do material. Neste sentindo, deve-se priorizar o uso da cartilha como uma metodologia diferenciada a ser utilizada pelos educandos atendidos pela Educação Especial, propiciando a inclusão do discente na disciplina de química, pois vários são os benefícios que tal metodologia pode trazer para os educandos. Portanto, o trabalho a ser realizado tem uma finalidade bem acentuada, que é o de analisar o uso do material metodológico para alunos atendidos pela Educação Especial, como ferramenta pedagógica para a inclusão deste aluno tanto na escola quanto no ambientefamiliar. Objetivos Geral Elaborar uma cartilha ilustrada que propicie aos educandos atendidos pela Educação Especial absorver com mais êxito os conteúdos abordados em sala de aula, permitindo dessa forma que o discente tenha um melhor entendimento acerca dos conteúdos de química. Sobrenome dos autores (não preencher) 12 Específicos * Averiguar se o docente do AEE conseguiu fazer uso adequado do material didático, para fortalecer os conteúdos de química abordados em sala de aula; * Avaliar quais os aspectos positivos que o uso da cartilha trará para o processo de formação do educando; * Verificar se a utilização de uma ferramenta pedagógica influenciará de forma significativa o aprendizado do aluno com necessidades especiais. Referencial Contexto histórico da educação especial no Brasil A história da educação especial começa e é orientada de acordo com a organização social de sujeitos que não são considerados “normais” e não se enquadram nas expectativas de suas circunstâncias de vida. No desenvolvimento e desdobramento desta história, ela foi influenciada pelo ambiente social, econômico e político da época (Litwinczuk, 2011). Inicialmente, o objetivo de fornecer serviços e recursos era ajudar as pessoas “anormais” a se tornarem o mais normal possível, uma vez que os indivíduos com alguma deficiência intelectual ou física eram excluídos da sociedade (Aranha, 2005; Sassaki, 2005). Contudo, a educação nestas disciplinas vem mudando ao longo do tempo com o surgimento de documentos, leis e declarações que visam garantir a educação a todos, independentemente das dificuldades físicas e/ou intelectuais. Em 1948, com o advento da Declaração Universal dos Direitos Humanos, garantindo a educação a todos, independentemente da origem ou condição social (Aguiar, 2004), aliada ao foco na educação de sujeitos com necessidades específicas, a ciência deu origem a métodos de educar as pessoas que durante muito tempo foram considerados ineducáveis. Mais tarde, a educação especial tornou-se um sistema paralelo ao sistema de ensino geral por razões morais, lógicas, científicas, políticas e econômicas. Desde a década de 1970, impulsionada pela Revolução Cultural e pela crise global do petróleo na década de 1960, surgiu a educação inclusiva. Essa modalidade de ensino surgiu então porque facilita a integração de alunos com necessidades específicas com outros e também ajuda a economizar dinheiro para o erário público (Mendes, 2006). As pesquisas e discussões sobre educação especial aumentam a cada dia e, portanto, com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil em 1988, alguns dos direitos concretizados pelas pessoas com deficiência foram refletidos. O artigo 208, inciso 3, da Carta Magna dispõe sobre o atendimento especializado às pessoas com deficiência, cujo atendimento é melhor prestado na rede pública de ensino, e o artigo 3º, parágrafo 4º, capítulo 1, da Constituição também garante que todos os cidadãos brasileiros tenham acesso à educação, sem preconceito e discriminação nas escolas (Moreira, 2011). Em muitos países ocorreram desenvolvimentos com a procura da qualidade educativa relacionada com práticas de igualdade de direitos, com foco em fortes tendências inclusivas nas décadas de 1980 e 1990, reforçando algumas das ideias já utilizadas em todo o mundo. Em 1994, a “Declaração de Salamanca” discutida conjuntamente por muitos governos e organizações internacionais de educação, propôs os caminhos e métodos que deveriam ser seguidos por todos os níveis da sociedade para construir escolas inclusivas (Litwinczuk, 2011). De acordo com a Declaração, as diferenças devem ser respeitadas, as pessoas com necessidades educativas específicas devem ser tratadas como cidadãos e os direitos e obrigações de todos são os mesmos. Título do artigo (não preencher) 13 [...] as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem se adequar [...] elas constituem os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatórias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos (UNESCO, 1994, p. 8 e 9). A Lei nº 9.394/96 foi promulgada em 1996, cujo artigo 58 garante o direito dos alunos com necessidades especiais de participarem da rede formal de ensino. Nos termos da Lei, entende-se por educação especial a modalidade de ensino ministrada prioritariamente na rede regular de ensino para apoio aos alunos com necessidades especiais. 1o Haverá, quando necessário, serviço de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. A oferta de educação especial, dever do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil (Brasil, 1996, p. 28). Outro documento criado também em função da educação especial foi o Decreto no 3.596, o qual condena a atitude e o tratamento desigual e discriminatório contra pessoas com deficiências. (Aguiar, 2004). O Decreto 3.596, denuncia atitudes discriminatórias e tratamento desigual para com indivíduos com deficiência (Aguiar, 2004). Isso destaca que a verdadeira educação inclusiva é realizada por meio da socialização, colaboração, aprendizagem e reconhecimento da igualdade e do direito a oportunidades para todos, tanto nas escolas quanto fora delas. Consequentemente, a educação inclusiva é um tópico amplamente examinado dentro do setor educacional, e as discussões sobre a integração de alunos com necessidades educacionais específicas em salas de aula tradicionais inspiram reflexões significativas (Senna, 2008). A jornada em direção ao reconhecimento social da educação inclusiva, que agora se tornou um ponto focal em discussões e vários eventos, tem sido lenta e cheia de desenvolvimentos ao longo dos anos que levaram a este momento atual. Resolução CNE/CEB nº. A Portaria 02/2001 traz recomendações sobre acordos e parcerias entre escolas e sistemas de testagem com universidades para a realização de pesquisas e estudos que visem a melhoria do processo educacional de alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEE), sempre levando em consideração os princípios da educação inclusiva. (Litwinczuk, 2011). Em 2001, o parecer da Lei nº 17/2001 referente CNE/CEB, reconfirmou a educação especial como uma modalidade de educação escolar classificada em diferentes graus, séries e modalidades de ensino básico e superior. Com base nesse parecer, a resolução do Conselho Nacional de Educação, Portaria nº 2 de setembro de 2001, estabeleceu as Diretrizes Nacionais para a Educação Básica, que enfatizam que o atendimento aos alunos com NEE deve ser realizado nas classes regulares do ensino básico (Litwinczuk, 2011). Em 2010, o Ministério da Educação (MEC) lançou um documento denominado “Marcos político legais da educação especial na perspectiva da educação inclusiva”. Essa publicação destaca os seguintes documentos como referências importantes no aspecto político legal: a Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (2008); o Decreto nº 6.571/2008, que estabelece normas para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), em conformidade com uma convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, ratificada pelo Decreto nº 6.949/2009; e as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica – Modalidade Educação Especial – presente na Resolução nº 04 CNE/CEB 2009 (Litwinczuk, 2011). Sobrenome dos autores (não preencher) 14 Formação docente e o ensino na educação especial Apesar de o Atendimento Educacional Especializado (AEE) para alunos com necessidades especiais ser mencionado nas políticas educacionais brasileirashá várias décadas, ainda há uma falta de entendimento sobre o tema dentro do contexto escolar. Como resultado, muitos educadores limitam sua compreensão ao associar o AEE somente a alunos com deficiências e transtornos do desenvolvimento, ignorando que também fazem parte da Educação Especial aqueles com Altas Habilidades (AH) e Superdotação (SD) (Rangni; Costa, 2011). É importante reconhecer que os estudantes com necessidades especiais exigem um olhar diferenciado no ambiente escolar, considerando suas particularidades, dificuldades de aprendizado e necessidades socioemocionais (Virgolim; Konkiewitz, 2018). A Lei n° 9.394/96 (Brasil, 1996, p. 24) também enfatiza esse direito, garantindo que esses alunos possam “receber o AEE gratuito, de forma integrada a todos os níveis, etapas e modalidades”, nas instituições de ensino regulares. Assim, os sistemas educacionais devem considerar e garantir a organização de suas turmas regulares. Atividades que favoreçam o aprofundamento e o enriquecimento de aspectos curriculares aos alunos que apresentam superdotação, de forma que sejam desenvolvidas suas potencialidades, permitindo ao aluno superdotado concluir em menor tempo a educação básica, nos termos do Artigo 24, V, “c”, da LDBEN (BRASIL, 2001). De acordo com Freeman e Guenther (2000), o aprofundamento e o enriquecimento curricular referem-se ao conjunto de atividades escolares que se distinguem por: Um esforço de estimulação intencional e planejado, que busca o crescimento da criança e aprofundando o currículo escolar básico com conhecimentos, informações e ideias que a tornam capaz para uma consciência maior do contexto abrangente de cada tema, disciplina ou área do saber (Freeman; Guenther, 2000, p. 123) Diante do desafio que as escolas enfrentam para proporcionar ao aluno um aprendizado que aprofunde seus conhecimentos na área em que se destaca, com foco no campo teórico da Química, é fundamental repensar os processos de formação atuais. Isso garantirá uma formação docente - tanto inicial quanto contínua - mais eficiente para os professores de Química que trabalharão dentro dessa particularidade. Um dos principais obstáculos nessa questão é a necessidade de superar a separação entre a educação especial e o ensino regular, que se revela desconectada das exigências de uma educação verdadeiramente inclusiva (Fraga et al., 2017). Atualmente, a formação do professor de AEE em Química para trabalhar na Educação Especial com alunos com necessidades especiais ocorre primeiramente na formação inicial dos cursos de licenciatura, onde os docentes recebem a base de conhecimentos teóricos e práticos para o desempenho da profissão; e, em seguida, na formação continuada, onde têm acesso aos princípios do AEE estabelecidos por documentos legislativos brasileiros e aos materiais educativos oferecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Na verdade, esses Núcleos ou Centros, estabelecidos em parceria entre a União e as Secretarias Estaduais, têm funcionado desde 2006, proporcionando cursos de formação para professores e suporte pedagógico às escolas públicas em todo o Brasil. Apesar desses esforços, deduzimos que artigos recentes sobre o assunto mostram que é comum os docentes da educação básica não se sentirem aptos para o atendimento especializado, especialmente na área de ciências da natureza (Bergamin, 2018; Pontes, 2022). Uma das possíveis causas pode estar ligada à ausência de comunicação entre a educação especial e o ensino regular, uma vez que para promover uma intervenção pedagógica com o aluno especial são indispensáveis conhecimentos que compreendem tanto a formação docente no ensino de Química quanto o conhecimento especializado nas particularidades de cada aluno. Logo, sem Título do artigo (não preencher) 15 pressupostos teóricos que unam abordagens criativas e motivadoras para atender os alunos com necessidades especiais (Virgolim; Konkiewitz, 2018) na disciplina de ciências naturais, particularmente a química, os docentes não se sentem confiantes para trabalhar no AEE. Nesse sentido, parte-se da premissa de observar a atuação dos professores que trabalham com a educação de alunos com necessidades especiais, conectando saberes, práticas e percepções no atendimento especializado, aspectos teórico-práticos que se harmonizem com uma abordagem do conhecimento químico que atenda às Necessidades Educacionais Especiais (NEE), visando seu pleno desenvolvimento em um processo realmente inclusivo. Educação especial e o ensino de química A Educação Inclusiva Especial – que abrange estudantes com deficiências específicas, como transtornos e síndromes – é uma realidade no sistema educacional que merece atenção tanto nos processos de ensino e aprendizagem quanto na formação de professores, com o objetivo de melhorar a atuação docente diante dessas particularidades. Dessa maneira, atender às demandas particulares dos alunos de maneira responsável é um dos principais desafios que as escolas e os educadores têm encontrado diariamente. O decreto nº 3.298, de 1999 (Brasil, 1999), caracteriza a deficiência física como uma “modificação total ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, resultando na limitação da função física”. Para pessoas com deficiência física, a Lei n° 10.098 de 1998, no Art. 2°, define acessibilidade da seguinte forma: [...] possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida (Brasil, 1999). Contudo, o dado do Ministério da Educação (MEC) sobre acessibilidade arquitetônica em escolas, de 1998, revela que 14% dos colégios que matriculam alunos com deficiência e altas habilidades possuem acessibilidade arquitetônica. Em 2013, 24% das escolas com inscritos que são o público- alvo da educação especial indicaram ter acessibilidade arquitetônica (De Medeiros Queiroz; Bedin, 2014). Esse valor é bastante reduzido, considerando que 76% das escolas comuns que atendem alunos com necessidades especiais não estão estruturalmente preparadas para receber indivíduos com deficiência física. Além das barreiras de acessibilidade arquitetônica, os indivíduos com deficiência física lidam com várias outras dificuldades no ambiente escolar, como a carência de materiais e recursos (tecnologias assistivas) ajustados às suas necessidades. Dessa forma, para tornar os processos de ensino e aprendizagem desses estudantes mais acessíveis no contexto da química, o educador deve implementar estratégias que façam a matéria, assim como as outras disciplinas da Educação Básica, menos teórica e, em contrapartida, mais tangível e realista para a vida dos alunos. Finalmente, conforme Bedin (2016, p. 188), “o exame da diversidade presente no ambiente do aluno de maneira científica, a partir de suas atividades, expressões, símbolos e códigos, [...] oferece possibilidades de interação teórica- expositiva.” Ou seja, na conexão entre a prática e a reflexão surgem “saberes e vozes que transcendem a elaboração do pensamento, pois conectam saberes de todos os textos lidos, reconhecidos e vivenciados” (Bedin, 2016, p. 188). Considerando essas definições, no ensino de química, o aluno com deficiência visual requer Tecnologias Assistivas que ajudem em seu processo de ensino-aprendizagem. Entretanto, de acordo com Silva e Silva (2013, p. 103), “para além da escassez de docentes qualificados na área, há igualmente a carência de recursos pedagógicos apropriados para a prática na disciplina”. Assim, é responsabilidade dos educadores procurarem a formação adequada para que a inclusão Sobrenome dos autores (não preencher) 16 se concretize em suas aulas, promovendo oportunidades e desenvolvendo recursos para que o aprendizado ocorra de maneira satisfatória para todos os estudantes, com ou sem deficiência.Para trabalhar na Educação Especial, é fundamental que o docente possua, em sua formação inicial e/ou contínua, disciplinas e atividades sobre esse tema. Nesse contexto, estudos como os de Regiani e Mól (2013) e Mariano e Regiani (2015) destacam a necessidade de cursos de formação de professores em química, que integrem em suas grades curriculares e projetos de curso matérias que capacitem professores para a inclusão, para que estes estejam mais bem preparados, compreendam e possam aplicar metodologias que atendam às particularidades de cada estudante; a matéria deve se ajustar ao aluno, e não o inverso. Além disso, é fundamental que os cursos de formação de docentes incluam disciplinas voltadas para a elaboração de práticas metodológicas, criação ou modificação de materiais didáticos para estudantes com deficiência, além de experiências em salas de aula inclusivas nas matérias de estágios supervisionados (Silva, 2015). Considerando que a situação da sala de aula, que será a futura vivência desses docentes em formação, abrange esse tipo de experiência; vivência que muitas vezes acontece de maneira despreparada (Silva; Damasceno, 2015). Entretanto, tanto a formação inicial quanto a continuada não garantirão que o professor esteja totalmente preparado para atuar na Educação Especial, pois a experiência e a prática, juntamente com o esforço e comprometimento do docente, são determinantes. A curiosidade do professor pode conduzi-lo, por iniciativa própria, a encontrar metodologias e recursos que podem ser ajustados para seus alunos com deficiências. Essa iniciativa pedagógica é significativa porque “o acesso à educação não deve ser negado por qualquer comportamento preconceituoso e discriminatório, pois os fundamentos da Educação em Direitos Humanos orientam a formação plena e a consciência cidadã, ressaltando valores, atitudes e práticas sociais” (De Medeiros Queiroz; Bedin, 2014). Além disso, ao ver a química como uma ciência abstrata e de fenômenos que exigem interpretação, o seu ensino tem se tornado um desafio constante para os educadores, especialmente quando existe um aluno com deficiência na sala de aula; Rocha e Vasconcelos (2016, p. 1) afirmam que: O ensino de química, igualmente ao que acontece em outras Ciências Exatas, ainda tem gerado entre os estudantes uma sensação de desconforto em função das dificuldades de aprendizagem existentes no processo de aprendizagem. Comumente, tal ensino segue ainda de maneira tradicional, de forma descontextualizada e não interdisciplinar, gerando nos alunos um grande desinteresse pela matéria, bem como dificuldades de aprender e de relacionar o conteúdo estudado ao cotidiano, mesmo a química estando presente na realidade. Entretanto, é essencial refletir sobre estratégias, abordagens e métodos para tornar a química tangível, contextualizada e acessível a todos os estudantes, incluindo as pessoas com deficiência (PCDs). De fato, é importante entender que a “formação da identidade humana emerge do entrelaçamento de culturas; nesse sentido, o educador formador necessita da percepção e compreensão das raízes interligadas entre cultura, diversidade e educação” (De Medeiros Queiroz; Bedin, 2014, p. 1), porque os estudantes precisam compreender a ciência para agir de maneira crítica, criativa e independente na sociedade. Uso de cartilhas do ensino de química Atualmente, o que impulsiona o processo de aprendizagem é o interesse do estudante, suas experiências e descobertas, o motivo de seu progresso é o professor, um criador de condições motivadoras e eficazes (Moratori, 2003). Título do artigo (não preencher) 17 O Livro Didático (LD) continua a ser um recurso relevante para os alunos, mas deveria incluir mais aspectos de forma cativante sobre essa questão fundamental que é a Química dos Alimentos. Tal análise provém da pesquisa desenvolvida por Uhnann et al. (2018) nos LDs de Química, na qual afirmam que há uma determinada insuficiência na complexidade necessária para abordar a Química dos Alimentos, dada a escassez de trechos encontrados. Dessa forma, é responsabilidade do professor contextualizar e adicionar mais elementos ao discutir temas relacionados à educação alimentar, considerando os efeitos que podem incidir sobre nossa saúde e qualidade de vida. Uma proposta para obter melhores resultados no aprendizado de alunos com necessidades especiais nas aulas de Química Orgânica é a utilização de substâncias relacionadas ao cotidiano deles, como alimentos (carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas e sais minerais). Além disso, a aplicação de cartilhas que incluam teorias, ilustrações e curiosidades sobre a relevância de uma alimentação completa e equilibrada é essencial, pois, muitas vezes, esse tema é negligenciado nos livros, não despertando o interesse dos alunos e dificultando sua compreensão, uma vez que muitos conceitos não são assimilados pelos estudantes (Leão et al., 2018). Este material educativo oferece ao estudante uma conexão com o conteúdo abordado pelo docente, facilitando a compreensão dos eventos e estabelecendo um real processo de observação, o que possibilita um avanço na oferta de um ensino mais eficiente e relevante (Wanakal, 2010). A cartilha, enquanto recurso didático, favorece o aprendizado ao estimular a participação efetiva do aluno, criando um ambiente crítico que permite ao estudante desenvolver autonomia na construção de seu saber. É importante destacar que cartilhas são ferramentas de comunicação em massa. Uma cartilha revela de forma clara um conjunto de conceitos, além de promover a reflexão, tornando o indivíduo mais crítico, fazendo-o pensar sobre suas decisões, especialmente em relação à alimentação. Ao professor, cabe igualmente abordar os aspectos de evolução crítica dos alunos, unindo as informações presentes na cartilha (Moratori, 2003). Metodologia Neste tópico serão apresentados os parâmetros metodológicos do presente trabalho, de modo que se apresente os processos fundamentais e determinantes com intuito de que a ferramenta lúdica como metodologia diferenciada possa corroborar para a construção de conhecimentos dos alunos no componente curricular de química. Local da pesquisa O estudo de Campo foi realizado no Colégio Amapaense, que está situado na Av. Iracema Carvão Nunes, 419, Central, CEP: 68.900-099, Macapá- AP, com os alunos da 3ª série do ensino médio que eram atendidos pela Educação Especial. Natureza da pesquisa Esta pesquisa identifica-se como um trabalho com delineamento de pesquisa ação-exploratória, em decorrência das vertentes técnicas encadeadas para o andamento do presente estudo, abrangendo um estudo de caso. Nesse sentido, o atributo exploratório e por seu andamento se dar no “tempo dedicado a interrogar-se preliminarmente sobre o objeto, os pressupostos, as teorias pertinentes, a metodologia apropriada e as questões operacionais para levar a cabo o trabalho de campo”. (Minayo, 2001. P.26). O procedimento a ser trabalhado para endossar a pesquisa, é por meio da abordagem qualitativa em conjunto com a quantitativa em decorrência dos dados a serem coletados. Para Oliveira (2011) apud Gil (1999), o uso dessa abordagem propicia o aprofundamento da investigação das questões relacionadas ao fenômeno em estudo e das suas relações, mediante a máxima Sobrenome dos autores (não preencher) 18 valorização do contato direto com a situação estudada, buscando-se o que era comum, mas permanecendo, entretanto, aberta para perceber a individualidade e os significados múltiplos. Segundo Oliveira (2011) apud Mattar (2001), a pesquisa quantitativa busca a validação das hipóteses mediante a utilização de dados estruturados, estatísticos, com análise de um grande número de casos representativos, recomendando um curso final da ação. Para Minayo (2001, p. 22): A diferença entre qualitativo-quantitativo é de natureza. Enquanto cientistas sociais que trabalham com estatística apreendemdos fenômenos apenas a região “visível, ecológica, morfológica e concreta”, a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas. Por meio desta citação do autor, pode-se dizer que a união de abordagens diferentes para uma pesquisa às vezes se faz necessário para que a metodologia a ser utilizada seja satisfatória. Isto é, o uso da abordagem qualitativa possa ser usado juntamente com a quantitativa podendo apresentar argumentos no que tange às análises e os resultados a serem obtidos. Desenvolvimento da pesquisa e coleta de dados Para embasar a pesquisa no que tange sua construção, se fez necessário a revisão bibliográfica com intuito de traçar a linha de pesquisa a ser desenvolvida e consequentemente obter melhores fundamentos para o trabalho. No que se refere a metodologia a mesma foi aplicada em sala do AEE, a ideia foi inicialmente partir do cronograma da matéria, isto é, do planejamento de conteúdos e atividades do docente responsável pela disciplina de química nas turmas do ensino médio que apresentavam discentes que eram atendidos pela educação especial. Contou-se com a participação de 17 discentes como sujeitos da pesquisa, que apresentavam especificidades diversas como: deficiência auditiva, baixo intelecto, autismo, altas habilidades e baixa visão. A pesquisa englobou o máximo de discentes atendidos pelo AEE e nas mais diversas especificidades, para com isso avaliar a eficácia da metodologia proposta e com isso realizar as correções e melhores adaptações para cada caso especial. Foi explicado como o estudo iria se proceder, apresentando o Termo de Consentimento e de Assentimento de livre esclarecido, assegurando que a identidade deles e qualquer tipo de divulgação estaria assegurada conforme a autorização dos mesmos. Realizou-se uma entrevista informal para realizar o levantamento das principais dificuldades enfrentadas por eles dentro do ensino de química orgânica, para dessa forma traçar um plano de como a cartilha seria ilustrada e de que forma as orientações poderiam ser dispostas, para facilitar a compreensão dos educandos. Executou-se a pesquisa somente na sala do AEE, sendo necessários um total de 10 encontros, que foram intercalados em observações para analisar quais conteúdos os educandos sentem mais dificuldade em entender, para planejar de que forma seria executado a aplicação da metodologia proposta neste estudo, ou seja, como a cartilha seria aplicada. Onde se procedeu, através de etapas que são descritas a seguir: * Elaboração da Cartilha Para a produção da cartilha seguiu-se os seguintes procedimentos: a) Pesquisa bibliográfica sobre as especificidades das necessidades especiais mais frequentes nas escolas públicas; b) Estudos em artigos sobre as metodologias utilizadas para o aprendizado de alunos com necessidades especiais; c) Produção do material didática ilustrado com conteúdo científico e técnico para adequação do material ao nível médio; d) A forma como será executado o estudo. Título do artigo (não preencher) 19 * Elementos que compõem a cartilha A cartilha foi composta com os seguintes elementos: a) Editorial para servir a apresentação do material aos professores, orientadores educacionais e alunos, e apresentando os componentes do material com sugestões de sua utilização e aplicação nas aulas. b) Texto informativo adaptado de uma linguagem técnico-científica para uma linguagem mais popular, abrangente e de fácil compreensão do conteúdo, que visou-se possibilitar o aprendizado significativo dos alunos. * Aplicação e avaliação da metodologia A cartilha foi apresentada de forma digital, conforme foi sugerida pelos sujeitos da pesquisa, pois, de acordo com os argumentos apresentados pelos discentes, o material digital, seria um meio mais fácil de armazenar e conduzir para qualquer lugar, haja vista, que poderiam usar o celular. Com a ajuda da professora do AEE, que demonstrou grande interesse em aprender a manusear a ferramenta pedagógica, procedeu-se com a execução do uso da cartilha, explicando como poderiam utiliza-la e dessa forma fortalecer ou construir os conhecimentos abordados em sala de aula. Utilizando conteúdos como carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas e sais minerais, para demonstrar de que forma o cotidiano do aluno está imerso no mundo da química orgânica. Abordando tópicos como: os tipos de carbono, as formas de ligação que o carbono faz, os grupos funcionais e qual a funcionalidade de cada substância dentro do nosso organismo. Ao termino da execução da ferramenta metodológica, aplicou-se questionários para avaliar a eficácia do material pedagógico produzido, para possíveis melhorias e aperfeiçoamento. Enfatizando a importância da aplicação do questionário, que através dos dados obtidos, a cartilha iria cada vez mais se adequar as especificidades de cada necessidade especial para melhor atender os educandos. Segundo Oliveira (2011) apud Cervo e Bervian (2002, p. 48), o questionário “[…] refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche”. Nele pode conter perguntas abertas e/ou fechadas. As abertas possibilitam respostas mais ricas e variadas e as fechadas maior facilidade na tabulação e análise dos dados. Figura 1: Aplicação da cartilha. Fonte: O Autor (2022). Analise e tratamento de dados No contexto apresentado por Lakatos e Marconi (2003), a coleta de dados caracteriza-se como uma fase da pesquisa que se concretiza por meio da utilização de ferramentas desenvolvidas e técnicas escolhidas, visando reunir as informações planejadas. Nesse sentido, foram aplicados dois questionários (1 para a docente do AEE e 1 para os educandos), com questões abertas e fechadas para obter os dados necessários para avaliar a metodologia diferenciada, considerando as questões identificadas e avaliando o grau de aceitação após a intervenção realizada. Segundo Richardson (2015), os questionários são instrumentos que contêm perguntas ou afirmações com categorias ou opções de resposta fixas, previamente definidas pelo pesquisador. Sobrenome dos autores (não preencher) 20 Para análise dos dados coletados no questionário fechado foram utilizados percentuais estatísticos com gráficos d e pizza relatando os resultados obtidos com os sujeitos da pesquisa. O processo começou com disponibilidade da cartilha na forma digital para a docente da educação especial e para os alunos atendidos por ela. As observações feitas durante esse processo foram então descritas, seguidas de uma análise dos questionários para determinar se as respostas estão alinhadas com as questões e o tema da pesquisa. Para apresentação dos resultados foram utilizados quadros e gráficos gerados pelo programa Excel 2019 no sistema operacional Windows 10. O que permitiu uma avaliação da eficácia da metodologia empregada. Resultados e discussão Por meio do uso dos questionários sugeridos neste estudo, foi realizado um exame das práticas metodológicas do professor, juntamente com uma avaliação de como os alunos da educação especial percebem a implementação de uma abordagem diferenciada no ensino de química. As descobertas dessas análises são apresentadas a seguir. Questionário aplicado ao docente A referida pesquisa teve a contribuição de uma professora do Atendimento Educacional Especial que gentilmente se propôs em fazer parte do estudo, participando de forma bem ativa, não somente na execução da ferramenta pedagógica diferenciada como respondendo ao questionário proposto a ela, ao qual obteve-se as seguintes informações sobre a mesma. Possui nível superior em licenciatura plena em Pedagogia, com um curso de pós-graduação Lato sensu voltado para educação inclusiva e especial, é do sexo feminino com idade entre 31 e 50 anos. Atua como professora de atendimento da educação especial a cerca de 10 anos, relatandode forma informal que a princípio exercia outra função pedagógica, mas em decorrência da necessidade acabou migrando para a educação em virtudes de certas circunstâncias ocorridas na escola anterior ao qual trabalhava como professora de ensino religioso. Segundo relatos dela obtidos através do questionário, ela sempre que pode faz uso de materiais didáticos provenientes de verbas do governo federal, que disponibiliza uma gama de dispositivos e materiais voltados para o atendimento na sala do AEE, como: computadores, projetores, mesas e cadeiras adaptadas as necessidades específicas dos alunos especiais, aparelho de som, alguns instrumentos musicais, poucos livros didáticos e jogos lúdicos. Ela relata que embora haja bastante material disponível na sala do AEE, pouco material se tem disponível para trabalhar os conteúdos ministrados em sala de aula com os alunos atendidos por ela, haja vista, que devido a diversidades de especificidades apresentadas pelos educandos, pouco pode usar para trabalhar no fortalecimento do conhecimento do educando em relação aos conteúdos abordados em sala de aula. Onde a docente destaca que muitos dos materiais que a escola recebe não condiz com a série ao qual o educandário atende. E em relação a material que possa ajudá-la a trabalhar química com os alunos por ela atendidos, sua sala não dispõem de qualquer material que a auxilie para trabalhar química, e seria de grande ajuda, mesmo porque ela sempre teve dificuldade em compreender química. Quando questionada sobre a relação dela com o professor de química, se existia um contato entre eles para informar quais assuntos estariam sendo abordados, que meios eles poderiam estar relacionando com o cotidiano para viabilizar o aprendizado do discente, a professora informou, que o único contato que ela possui com os demais professores é na semana pedagógica ou quando ela vai atrás para perguntar se existe algum trabalho pendente ou para pedir explicação de como deve proceder para a execução da tarefa proposta em sala de aula. Ao ser questionada se na visão dela enquanto professora da educação especial, se seria de grande valia a interação do professor de química com a sala do AEE. A mesma afirmou que essa interação seria crucial para que a partir desse contato pudessem ter interação e dessa forma criar Título do artigo (não preencher) 21 mecanismos pedagógicos que viabilizassem o aprendizado dos educandos especiais, haja vista, que muitos na sala de aula não recebem a atenção adequada para que possam compreender os conteúdos abordados pelo professor. Destaca também, que tal contato viabilizaria a construção de material especifico para o atendimento desses discentes, como a cartilha que foi empregada neste estudo. Em relação a cartilha a docente respondeu que apesar de ter pouco compreender química, e que quando era aluna sentia muita dificuldade por não entender o que o professor explicava, sentiu que a absorção de conhecimento através dela é de fácil compreensão, por ser didática e relacionar os conteúdos com o cotidiano. O fato de trabalhar com os grupos alimentares, por exemplo, carboidratos, que podemos chamar de açucares, entender que são formadas por ligações covalentes, onde os átomos compartilham elétrons, que apresentam grupos funcionais como cetona, álcool e aldeído, relacionando com a doçura nas frutas. Foi bem interessante e pude perceber que os alunos se interessaram devido a curiosidade que o assunto gerou e a explicação fácil para a curiosidade deles. Na visão dela como professora do atendimento especial a cartilha “sim” é um ótimo instrumento pedagógico para se trabalhar na sala do AEE, porém ressalta algumas observações para que haja algumas modificações para melhorar seu uso em relação ao entendimento do educando da educação especial. Sugeriu que se for possível utilizar mais figuras, principalmente do universo adolescente, como figuras de animes, doramas e figuras infantis. Que a linguagem fosse bem mais simples, devido aos alunos de baixo intelecto, que se possível adaptasse para o braile também e que na forma digital pudesse ter um avatar com utilização da linguagem para atender o surdo. Mas que a cartilha está de parabéns, pois é um material que ajudara ela bastante para fortalecer os conteúdos de orgânica, e ressalta que seria muito bom todas as disciplinas construírem materiais alternativos e adaptados para os discentes da educação especial. Questionário aplicado ao discente Esta investigação foi realizada com estudantes do Ensino Médio em período integral, especificamente da 3ª série, onde participaram 17 alunos que recebem Atendimento Educacional Especializado (AEE). Antes de implementar a metodologia inovadora sugerida neste trabalho, explicou-se aos alunos como se desenrolariam as várias etapas do estudo, além de apresentar a cartilha e como funcionaria. Aproveitou-se também essa oportunidade para dialogar de maneira informal com os alunos, com o intuito de entender a percepção deles sobre a disciplina de química e as dificuldades que enfrentavam na compreensão dos conteúdos. Depois da apresentação e aplicação da metodologia proposta, que mostrou como ela poderia ser aplicada aos temas da química orgânica, foi realizado um questionário com os alunos. O objetivo desse questionário foi avaliar a metodologia diferenciada apresentada nesta pesquisa, e os resultados foram organizados em gráficos e tabelas, os quais serão discutidos a seguir. Os estudantes foram primeiramente indagados sobre a facilidade de entender os conceitos de química por meio da contextualização apresentada no texto e das orientações que o material fornece para elucidar os temas da química orgânica. As respostas dadas pelos alunos podem ser vistas no gráfico a seguir. Gráfico 1: Achou a cartilha de fácil compreensão? Fonte: o autor (2025). 94,12% 5,88% Sim Nãp Sobrenome dos autores (não preencher) 22 Foi identificado que 94,12% dos participantes da pesquisa afirmaram que a cartilha é de fácil entendimento, o que indica que é necessário um material adaptado que atenda à capacidade de compreensão de alunos com necessidades especiais. Essas observações encontram respaldo nos estudos de Silva e Damasceno (2015), que afirmam que estudantes com necessidades especiais, mesmo estando em salas de aula mistas com alunos "normais", precisam de uma abordagem diferenciada em relação à maneira de ensino. Silva e Bedin (2020) ressaltam em suas pesquisas que a introdução de metodologias de ensino fora do comum, que utilizem uma linguagem mais acessível, pode levar a um grande sucesso no desenvolvimento cognitivo dos alunos. Esses pontos podem ser ilustrados e verificados por meio das respostas apresentadas na tabela a seguir, que mostra as respostas mais relevantes fornecidas pelos estudantes em relação à primeira pergunta do questionário. Quadro 1: Achou a cartilha de fácil compreensão? Justifique. Aluno 1 Não. Senti dificuldade em entender as imagens. Aluno 2 Sim. Bem explicativa e fácil de entender. Aluno 3 Sim. Muito fácil de entender relacionando com comida. Aluno 4 Sim. Eu aprendi muito, agora sei química. Aluno 5 Sim. Dá pra entender como a química funciona. Fonte: o Autor (2025). Conforme mencionam Silva e Bedin (2020), as respostas sugerem que o estudante que recebe apoio da educação especial necessita de materiais que sejam adaptados, variados, relacionados ao seu dia a dia e que proporcionem, de maneira clara e eficiente, uma conexão para a compreensão dos assuntos. Na segunda pergunta, discutiu-se se a cartilha auxiliou os alunos a compreender de maneira mais eficaz os conteúdos de química. O resultado foi que 100% dos alunos afirmaram positivamente que a ferramenta metodológica contribuiu para a compreensão dos conteúdos, como pode ser observado no gráfico abaixo. Gráfico 2: A cartilha lhe ajudou a entender melhor os conteúdos de química? Fonte: o Autor (2025). De acordo com Schinatoe Strieder (2020), as informações mostradas no gráfico acima enfatizam a importância de que o Atendimento Educacional Especializado (AEE) inclua, entre os diversos materiais utilizados, algo que seja específico e único para permitir que o aluno assistido tenha as ferramentas necessárias para compreender os temas discutidos em sala de aula. Por outro lado, Barbosa (2018) ressalta que ainda há uma escassez de esforços para criar materiais que sejam distintos e adaptados para estudantes com necessidades especiais, além de não considerarem as diferenças regionais; ou seja, não é apropriado utilizar materiais diferenciados para alunos de variadas realidades e regiões, uma vez que cada local possui suas características únicas. 100% 0% Sim Não Título do artigo (não preencher) 23 O quadro a seguir apresenta algumas respostas referentes à segunda questão desta pesquisa. Por meio das respostas dadas pelos alunos, é possível validar os dados percentual apresentados no Gráfico 2. Segundo Pinheiro (2020), o aluno especial tem o direito de acessar materiais que ofereçam condições para que ele possa entender os conteúdos abordados nas aulas, assim como o mundo ao seu redor, se sentindo um ser ativo e, dessa forma, à vontade para desenvolver conhecimento ao longo do processo de ensino e aprendizagem. Quadro 2: A cartilha lhe ajudou a entender melhor os conteúdos de química? Justifique. Aluno 1 Sim. Eu entendi como funciona a química. Aluno 2 Sim. Bem fácil de aprender pela cartilha. Aluno 3 Sim. Agora já sei o que forma a comida. Aluno 4 Sim. Muito fácil, dá pra relacionar com coisas de casa. Aluno 5 Sim. Gostei muito de aprender pela cartilha. Fonte: o Autor (2025). Na pergunta três, foi indagado se a aplicação de abordagens variadas poderia favorecer o aprendizado em química. Todos os estudantes se manifestaram de forma favorável, com a totalidade afirmando positivamente sobre a utilização de metodologias distintas, como demonstrado no gráfico a seguir. Gráfico 3: Na sua opinião o uso de outras metodologias diferenciadas lhe ajudaria no aprendizado dos conteúdos de química? Fonte: o Autor (2025). De acordo com Leão et al. (2018), os estudantes da educação especial buscam métodos distintos para assimilar os conteúdos ensinados em sala de aula, em virtude de suas restrições físicas ou mentais. Dessa forma, ao encontrarem materiais específicos que atendem às suas necessidades de aprendizagem, sentem-se estimulados a estudar. Jesus e Oliveira (2018) afirmam que a ausência de materiais adaptados para esses alunos leva à desmotivação, o que pode resultar em evasão escolar e na interrupção de seus estudos. No Quadro 3, as respostas dadas pelos alunos fundamentam as observações realizadas pelos pesquisadores. Quadro 3: Na sua opinião o uso de outras metodologias diferenciadas lhe ajudaria no aprendizado dos conteúdos de química? Justifique. Aluno 1 Sim. É bom aprender por algo diferente. Aluno 2 Sim. Mas não entendo direito as coisas. Aluno 3 Sim. Quero mais disciplinas pra aprender de forma diferente. Aluno 4 Sim. Me ajudaria muito quando estudar em casa. Aluno 5 Sim. Poderia ter em todas as disciplinas. Fonte: o Autor (2025). 100% 0% Sim Não Sobrenome dos autores (não preencher) 24 Para Lima et al. (2022), as respostas indicam que o aluno que conta com auxílio da educação especial requer recursos que sejam ajustados, diversos, pertinentes à sua rotina e que ofereçam, de forma clara e eficaz, uma ligação para entender os conteúdos. Na quarta pergunta, foi questionado se a abordagem utilizada pelo educando neste estudo, por meio de sua professora do atendimento especial, permitia a conexão entre o tema discutido na cartilha e sua vida diária. Todos os participantes, ou seja, 100%, afirmaram ser capaz de ligar o conteúdo aprendido na sala do AEE com a realidade que vivenciam, conforme a avaliação no Gráfico 4. Gráfico 4: Você acha que a metodologia diferenciada apresentada pela professora do AEE está relacionado com o seu cotidiano? Fonte: o Autor (2025). De acordo com Schuindt et al. (2017), esse resultado se deve ao fato de que o aluno especial consegue adaptar-se às situações ao seu redor, conectando-se com o ambiente que o envolve, o que facilita a construção do conhecimento. Conforme apontado por Silva e Bego (2018), vincular o aprendizado da sala de aula a contextos ligados à vida diária do aluno ativa memórias emocionais e, dessa maneira, o entendimento se torna mais acessível, permitindo uma assimilação mais simples do conhecimento. No quadro 4, podemos observar que as respostas dos alunos indicam que a utilização de atividades, imagens e memórias do cotidiano ajuda no aprendizado, uma vez que os estudantes conseguem visualizar as substâncias através da imaginação, transformando uma disciplina que normalmente é abstrata em algo concreto. Quadro 4: Você acha que a metodologia diferenciada apresentada pela professora do AEE está relacionada com o seu cotidiano? Justifique. Aluno 1 Sim. Tudo haver. Aluno 2 Sim. Tem tudo haver com que eu vejo em casa e na escola. Aluno 3 Sim. Da pra aprender química por ela. Aluno 4 Sim. Muita coisa do assunto que o professor passa tá na cartilha. Aluno 5 Sim. Tudo que eu preciso saber. Fonte: o Autor (2025). Na penúltima questão, foi perguntado aos participantes do estudo sobre a relevância de aplicar uma abordagem distinta nas aulas de química. Desses, 82,35% indicaram uma resposta positiva em relação ao uso do método, respondendo “sim”, como mostrado no Gráfico 5. Gráfico 5: Na sua opinião foi importante o uso de uma metodologia diferenciada facilitar o entendimento da disciplina química? 100% 0% 82,34% 17,66% Não Sim Não Sim Título do artigo (não preencher) 25 Fonte: o Autor (2025). De acordo com Rosa (2016), seu estudo destaca a importância de adotar um método de ensino que seja distinto e eficaz, visando atender às necessidades dos alunos que recebem apoio do AEE, onde a escola, juntamente com o corpo docente, os professores da sala de aula e os profissionais de atendimento, deve unir esforços para criar recursos adequados às especificidades dos alunos, garantindo assim um ensino de qualidade e oportunidades iguais para todos. Segundo Rocha e Vasconselos (2016), é responsabilidade do docente e da instituição de ensino estabelecer condições que permitam que os alunos com necessidades especiais se sintam participantes ativos na comunidade escolar, assegurando seus direitos a uma educação de qualidade e possibilitando o acesso a materiais adaptados que facilitem seu aprendizado. No quadro 5, a resposta dos alunos revela que a utilização de materiais modificados e elaborados para facilitar seu aprendizado é sempre bem recebida, e essas iniciativas estimulam ainda mais sua disposição para aprender os conteúdos. Quadro 5: Na sua opinião foi importante o uso de uma metodologia diferenciada facilitar o entendimento da disciplina química? Justifique. Aluno 1 Não. Talvez eu não sei responder direito. Aluno 2 Não. Mas ajuda a entender. Aluno 3 Não. Pode complicar as vezes. Aluno 4 Sim. Sempre é bom aprender de várias formas. Aluno 5 Sim. Foi muito proveitoso aprender de forma diferenciada. Fonte: o Autor (2025). Na questão final dirigida aos participantes deste estudo, indagou-se se o guia com instruções e ferramentas para auxiliar no aprendizado de química orgânica permitiu que eles entendessem os temas tratados nas aulas. Pode-se notar pelo Gráfico 6 que, para 82,23%, o guia foi útil, com um retorno dessas respostas mostrado no Quadro 6. Gráfico 6: Após o uso da cartilha você consegue compreender melhor os conteúdos de química? Fonte: o Autor (2025). De acordo com Pontes (2021), suas investigações sublinham que recursos como cartilhas e outros voltados para as necessidades específicas dos alunos com deficiência ajudam na construção do desenvolvimento cognitivo desses estudantes,permitindo que entendam o conteúdo sob seu próprio ponto de vista. Assim como Fraga et al. (2017) mencionam, a aprendizagem se dá de diversas maneiras e por diferentes meios. Ao atender alunos com necessidades especiais, o educador precisa ser sensível e criar materiais que permitam a esses estudantes assimilar o conhecimento de modo a construir suas próprias interpretações sobre os temas discutidos. Portanto, a elaboração de recursos alternativos para apoiar esses alunos contribui para seu aprendizado e desperta neles um crescente interesse em aprender. 88,23% 11,77% Não Sim Sobrenome dos autores (não preencher) 26 Quadro 6: Após o uso da cartilha você consegue compreender melhor os conteúdos de química? Justifique. Aluno 1 Não. Tem coisas que nunca vou entender na química. Aluno 2 Não. Acho química difícil. Aluno 3 Sim. Me ajudou bastante a entender os conteúdos. Aluno 4 Sim. Entendi um pouco de funções orgânicas. Aluno 5 Sim. Agora já consigo entender até os exercícios. Fonte: o Autor (2025). Por meio da avaliação realizada nos gráficos e nas respostas dos alunos durante a pesquisa, ficou claro que a utilização da cartilha como um recurso de ensino foi bastante efetiva, resultando em avanços significativos na aquisição de conhecimento por parte de estudantes com necessidades especiais. Observou-se que esse recurso didático alternativo ajudou os alunos a entenderem melhor os conteúdos de química. Igualmente, é crucial desenvolver materiais variados que atendam às particularidades de cada tipo de necessidade especial dos estudantes. Além disso, é fundamental que haja uma maior interação entre os professores regulares e os docentes do Atendimento Educacional Especializado (AEE), para que se diminua as dificuldades de aprendizagem enfrentadas pelos alunos que estão sob a educação especial ao longo de sua trajetória escolar. Considerações finais Este trabalho tratou do desenvolvimento e implementação de uma cartilha destinada ao estudo da química orgânica, situando os temas químicos na vivência cotidiana dos alunos. O objetivo é facilitar o aprendizado dos estudantes sobre os diversos tópicos abordados nessa disciplina, que faz parte das ciências naturais. Durante a investigação, ficou claro que tanto os alunos quanto o professor do Atendimento Educacional Especializado enfrentam dificuldades ao utilizar essa ferramenta pedagógica. Isso é especialmente notável no que diz respeito ao educador que oferece suporte a alunos com necessidades especiais, pois é necessário reforçar conteúdos de várias áreas de conhecimento. A ausência de materiais adequados e adaptados para o ensino desses estudantes coloca a educação especial em uma posição desfavorável em comparação com a educação de alunos regulares. Contudo, não afirmo que a cartilha resolve os problemas de aprendizado dos alunos atendidos pelo AEE; ele se apresenta como um recurso benéfico e importante no processo de ensino- aprendizagem para esses alunos especiais. Embora tenha sido identificado que tanto os professores quanto os alunos têm dificuldades para lidar com esses recursos pedagógicos, as análises desta pesquisa mostraram que o uso da cartilha permite aos alunos entender e assimilar os conceitos de química orgânica. Isso prova ser bastante eficaz, pois estimulou o interesse dos alunos em aprender. Além disso, o professor também se vê incentivado a sair de sua zona de conforto, buscando maneiras de aprimorar a assistência que oferece aos alunos especiais, com a meta de que eles assimilam o maior volume possível de conteúdo. Referências AGUIAR, J. S. Educação Inclusiva: Jogos para o ensino de conceitos. Campinas SP. Papirus, 2004. ANTUNES, C. Professores e professauros: reflexões sobre a aula e prática pedagógica diversas. 2.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. Título do artigo (não preencher) 27 BELO, T. N.; LEITE, L. B. P.; MEOTTI, P. R. M. 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