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UNIDADE 3 — ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 1 2 3 TÓPICO 1 ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE NOS DIVERSOS NÍVEIS DE ATENÇÃO 4 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 5 A clínica do adolescente é instigante e inovadora, como o próprio adolescente. A enfermagem tem um papel importante nesse processo, visto que, ao atender o adolescente, atende também todos os medos, aflições, angústias, que precisam ser ouvidas e entendidas, e, conjuntamente a tudo isso, produzindo estratégias para minimizar ou até sanar esses problemas. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 6 Sendo assim, você, como enfermeiro, deve sempre levar em conta, dentre outras variáveis, “o processo de crescimento e desenvolvimento do adolescente e sua vulnerabilidade a inúmeros agravos físicos, psíquicos e sociais, cuja análise permitirá a identificação dos fatores protetores que devam ser promovidos e os riscos que deverão ser afastados e/ou atenuados” (SÃO PAULO, 2015, p. 93). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 7 Para alcançar resultados Ações de prevenção e promoção da saúde Encaminhamentos específicos caso necessite. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 8 A atenção à saúde do adolescente tem sido um desafio para a organização dos serviços de saúde, visto que a adolescência é um período de grandes mudanças, como o início da puberdade e a necessidade de assumir responsabilidades, autonomia. É fundamental termos uma rede de atenção funcionante, organizada e resolutiva. As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são os arranjos organizativos formados por ações e serviços de saúde, integrados por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão que buscam garantir a integralidade do cuidado (MENDES, 2011). Destacando o papel da Atenção Básica (AB) que aparece como centro de comunicação, sendo o contato preferencial de sujeitos e coletividades com dos serviços de saúde (BRASIL, 2017). 2 - ATENDIMENTO AO ADOLESCENTE NOS DIVERSOS NÍVEIS DE ATENÇÃO UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 9 De modo geral, as UBS serão a porta de entrada preferencial. A maior parte das necessidades de adolescentes e jovens pode ser trabalhada nas UBS, sendo relevante o desenvolvimento de ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, assistência curativa e reabilitação, tanto individuais como coletivas, dentro da unidade ou na comunidade (BRASIL, 2007). Então, é esperado que a abordagem realizada, não apenas pelo enfermeiro, como pela equipe atuante na unidade e na rede de atenção, seja direcionada à integralidade, tanto das práticas de saúde quanto da própria rede de serviços de saúde. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 10 • Integralidade das práticas de saúde: é relativa ao conteúdo e à organização do trabalho para que os serviços busquem realizar o cuidado de modo que se contemple o êxito técnico e o sucesso prático, contribuindo para que adolescentes e jovens possam ter saúde, buscar seus projetos de vida e de sua comunidade. • Integralidade na rede de serviços de saúde: é relativa às atribuições de cada serviço e às formas de sua articulação em rede, com vistas à implementação e à operação dos documentos que fomentam o cuidado de adolescentes e jovens (SÃO PAULO, 2021). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 11 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 12 A Atenção Básica ganha destaque, visto que, ao longo do ciclo de vida, a vigilância em saúde das crianças, adolescentes e jovens é responsabilidade das equipes de Saúde da Família (ESF), sendo sua competência realizar periodicamente a avaliação das condições de saúde das crianças, adolescentes e jovens que estão nas escolas inseridas em seus territórios adscritos (BRASIL, 2009). É também responsabilidade da Atenção Básica se articular com toda a rede de serviços de saúde, com o setor Educação e com outros equipamentos existentes na comunidade, para a elaboração de planos terapêuticos integrais e integrados para a resolução das necessidades e dos problemas detectados (BRASIL, 2009, p. 20 ).hhj 2.1 O PAPEL DA ATENÇÃO BÁSICA UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 13 São muitas ações possíveis de serem desenvolvidas nas unidades de saúde, e algumas mais indicadas para a população adolescente. Na Figura abaixo, listamos as principais ações que você, enfermeiro, pode utilizar para se aproximar do público-alvo, assim como ser mais assertivo em atender às necessidades e demandas do referido público. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 14 Visita domiciliar - Proporcionam conhecer melhor o contexto de vida dos adolescentes e jovens, assim como a dinâmica de suas famílias. - É também uma oportunidade para fortalecer vínculos, além de convidá-los para atividades educativas, identificar situações de risco como violência doméstica, uso abusivo de drogas e evasão escolar, além de captar pacientes não aderentes ao tratamento. - Uma vez que o contato é realizado com a família como um todo, é preciso ter cuidado para assegurar a confidencialidade das informações. Caso necessário articular-se com outros serviços, tais como, conselhos tutelares, grupos comunitários, escolas, dentre outros (BRASIL, 2007, p. 18). Atendimento Individual - Independentemente do motivo principal da consulta, cada ida à unidade é uma oportunidade de promover a saúde, detectar e resolver outras questões importantes. - A equipe pode aproveitar o momento da consulta para trocar informações e perceber as necessidades de intervenções do paciente (BRASIL, 2007, p. 18). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 15 Atividades em grupo - Considerando a característica de adolescentes de procurar no grupo de companheiros a sua identidade e as respostas para suas ansiedades, pode-se concluir que o atendimento grupal seja uma forma privilegiada de facilitar a expressão de sentimentos, a troca de informações e experiências, bem como a busca de soluções para seus problemas. - Porém, nem todos se beneficiam ou se sentem à vontade em participar do atendimento em grupo, logo, devem ser considerados a necessidade e o seu desejo em participar. (BRASIL, 2007). Ações de participação juvenil - As ações de participação juvenil são estratégias de fortalecimento da autonomia, por meio da participação criativa, no enfrentamento de problemas da comunidade. - A participação de jovens é uma estratégia eficaz de promoção do desenvolvimento, uma vez que fortalece a autoestima e a construção do projeto de vida (BRASIL, 2007, p. 22). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 16 Articulação intersetorial - Nenhuma organização é capaz de, isoladamente, realizar todas as ações necessárias para assegurar a saúde e o desenvolvimento aos adolescentes. - Muitas das intervenções voltadas para a melhoria da saúde dos adolescentes têm falhado por possuírem um foco estreito e funcionarem isoladamente umas das outras, resultando, quase sempre, na redução de sua eficácia e eficiência (BRASIL, 2007). - Com o desenvolvimento do Programa Saúde da Escola, a equipe da Estratégia Saúde da Família assume a reponsabilidade de realizar alguns procedimentos nas escolas, onde consistem em “ações iniciais de acompanhamento básico de saúde dos adolescentes, bem como ações educativas em saúde que podem ser desenvolvidas em parceria com a comunidade escolar” (BRASIL, 2013, p.13). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 17 - São divididas em avaliação inicial, avaliação de crescimento e desenvolvimento, saúde bucal, saúde mental, imunização, até prevenção de violências e acidentes (BRASIL, 2013). O que fazer? -Agendar reunião com a escola; - Solicitar cartões de vacina; - Avaliar peso, altura, IMC, pressão arterial; -Identificar as necessidades de cada um e encaminhá-los para as devidasintervenções; -Dentre outras ações específicas, diante da realidade do referido público. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 18 3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO ADOLESCENTE NA REDE BÁSICA E HOSPITALAR A pessoa que procura a unidade de saúde busca um profissional disponível a ouvir suas demandas, ajudar a encontrar soluções para seus problemas e que não apresente julgamentos!! O adolescente deseja ser acolhido, orientado e compreendido em suas necessidades, pois assim sente-se confiante de que está seguro e bem amparado, na grande maioria das vezes, esse adolescente estar com vergonha, com medo de ser repreendido, assim como intimidado pelo profissional que o atende, tornando-o assim a busca pela unidade de saúde um ato difícil e que necessita de coragem (SÃO PAULO, 2006). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 19 A Atenção Básica ganha destaque nas ações realizadas com jovens e adolescentes, e o enfermeiro tem um papel importante para as realizações das ações produzidas e dos resultados alcançados. A consulta de enfermagem deve ser embasada nos preceitos de privacidade e confidencialidade, seguindo o previsto no artigo Art. 52, que prevê manter sigilo sobre fato de que tenha conhecimento em razão da atividade profissional. Conforme o §2º, o fato sigiloso deverá ser revelado em situações de ameaça à vida e à dignidade, na defesa própria ou em atividade multiprofissional, quando necessário à prestação da assistência (COFEN,2020). Uma vez que o SUS, precisa garantir o acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto para crianças quando para adolescentes, segundo o art. 11, do Estatuto da Criança e do Adolescente, é fundamental que haja documentos que auxiliem essa execução. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 20 É fundamental também que esse enfermeiro realize a escuta ativa; observe os sinais verbais e não verbais, tais como: “ansiedade; inquietação; dificuldade de concentração; irritabilidade; fadiga; tristeza; choro; prostração; ausência de contato visual; automutilação e outros; questione sobre ideações suicidas e referencie os adolescentes aos serviços de Saúde Mental, quando houver necessidade” (CAPES, 2022). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 21 Compete à equipe de saúde avaliar com cautela e considerar todas as estratégias para inserção dos adolescentes nas Unidades Básicas de Saúde e sua adesão às ações de prevenção de agravos e de promoção da saúde. Isso demanda tempo, preparo e muita capacidade profissional. Portanto, o enfermeiro deve ter segurança para realizar ações assertivas voltadas à saúde do adolescente dentro do contexto da atenção primária, contemplando o fluxograma de atendimento de acordo com a necessidade, os principais diagnósticos e intervenções (farmacológicas e não farmacológicas) de enfermagem. Recepção Acolhimento Planejamento Execução de atividades UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 22 3.1 CADERNETA DE SAÚDE DA E DO ADOLESCENTE A caderneta foi lançada em 2009, pelo Ministério da Saúde, com o propósito de apoiar o acompanhamento de saúde de meninos e meninas entre 10 e 19 anos (BELO HORIZONTE, 2015). Esse documento reúne informações importantes para o cidadão adolescente entender suas mudanças corporais, cuidar de sua saúde sexual e reprodutiva, da saúde bucal, da alimentação e de sua vacinação, dentre outros cuidados, descritos de forma lúdica e linguagem acessível, favorecendo a compreensão não só pela equipe de saúde como, principalmente, pelo jovem e sua família(BELO HORIZONTE, 2015). TÓPICO 2 CONSULTA DE ENFERMAGEM AO ADOLESCENTE 23 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 24 A atenção à saúde do adolescente aparece como um grande desafio para a Organização dos Serviços de Saúde, visto que se trata de um grupo social em fase de grandes e importantes transformações. A maioria dos problemas de saúde que acometem essa população está diretamente relacionada a questões que podem ser prevenidas em nível primário, como gravidez na adolescência, aumento do consumo de álcool e outras drogas, causas externas, como acidentes automobilísticos, homicídios e suicídios, infecções sexualmente transmissíveis (IST), dentre outros (COREN, 2020, p.15). A consulta de enfermagem é uma estratégia que deve ser fundamentada no processo de “interação, investigação, diagnóstico, educação e intervenção, baseada em uma relação de confiança e empatia, onde o enfermeiro deve manter uma postura de compreensão e atenção a todas as informações, queixas e necessidades que levaram o adolescente a procurar esse atendimento” (COREN, 2020, p.15). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 25 2 CONSULTA DE ENFERMAGEM AO ADOLESCENTE Um importante meio de esclarecimentos e orientações de saúde, permitindo a criação de um vínculo de confiança entre o enfermeiro e o adolescente. Não há consenso na literatura sobre o número de consultas necessárias para que o seguimento ocorra adequadamente; Para identificar a frequência das consultas de enfermagem, é utilizada a classificação de risco, que possibilita o entendimento de cada situação, a organização da atenção e assistência, facilitando assim os ajustes necessários de cada caso. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 26 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 27 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 28 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 29 Objetivos comuns que o enfermeiro deve ter atenção ao realizar a consulta de enfermagem a um adolescente: UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 30 De forma geral, existem diversos assuntos que você, como enfermeiro, pode/deve contemplar na sua consulta. Na figura 13, temos sugestões de abordagens. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 31 Como devem ser as devidas orientações para o atendimento à saúde do adolescente, atentando-se para a queixa principal e as secundárias. O adolescente precisa perceber que o profissional de saúde inspira confiança, que adota atitude de respeito e imparcialidade, restringindo-se às questões de saúde física. Não julga as questões emocionais e existenciais escutadas. O adolescente precisa estar seguro do caráter confidencial da consulta, mas ficar ciente também das situações nas quais o sigilo poderá ser rompido, o que, no entanto, ocorrerá sempre com o conhecimento dele. Essas situações estão relacionadas a riscos de morte do cliente e de outras pessoas. Se o adolescente procurar a Unidade Básica de Saúde sem o acompanhamento dos pais, ele tem o direito de ser atendido sozinho. No entanto, a equipe poderá negociar com ele a presença dos pais ou responsáveis, se for o caso. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 32 Para realizar essas ações, o enfermeiro deve ter segurança, propriedade e embasamento teórico e prático. SIGILO TEMPO ESCUTA IDENTIDADE PROFISSIONAL FAMÍLIA UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 33 O profissional de saúde não deve ficar restrito a obter informações sobre o motivo focal que levou o adolescente ao serviço de saúde, e sim conhecer o adolescente como um todo, seguindo um roteiro de anamnese. Isso inclui a avaliação de como ele está se sentindo em relação às mudanças corporais e emocionais pelas quais está passando, seu relacionamento com a família e com seus pares, a forma como usa as horas de lazer, suas vivências anteriores no serviço de saúde, expectativas em relação ao atendimento atual e seus planos para o futuro (BRASIL, 2018). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 34 Para a anamnese, a Figura 14 indica aos profissionais de saúde como obter informações dos adolescentes, de ambos os sexos, comidades entre 10 e 19 anos. Todos os dados obtidos na anamnese e exame físico fornecerão subsídios para a elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS), do qual devem participar o profissional/equipe de saúde, o adolescente e a família, quando possível (BRASIL, 2018). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 35 Através dessas perguntas, é possível diagnosticar a condição de saúde do adolescente, sendo classificado como adolescente saudável ou adolescente vulnerável, e cada caso deverá ser avaliado de forma individualizada (BRASIL, 2018). No Histórico de Enfermagem, é importante abordar como ele está se sentindo em relação às mudanças corporais e emocionais pelas quais está passando, ao seu relacionamento com a família e com seus pares, a forma como utiliza as horas de lazer, as suas vivências anteriores, as expectativas quanto ao atendimento atual e seus planos para o futuro (SÃO PAULO, 2015). Além disso, a menarca, a espermarca, ciclo menstrual, tristeza, melancolia, dificuldade em lidar com as frustrações, não se sentir compreendido, rejeições, uso de drogas e ideia ou tentativa de suicídio são temas que podem estar presentes na vida de alguns adolescentes e o fato de perguntar (se preocupar) é importante e estratégico, pois abre uma possibilidade de identificação e pode reforçar a empatia entre o profissional e o adolescente (SÃO PAULO, 2012). Se o adolescente não estiver à vontade para responder, você, como enfermeiro, poderá postergar essas questões para outro encontro e criar estratégias para abordar da melhor forma esse assunto. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 36 Quanto ao exame físico, é um momento para se avaliar o estado de saúde, o autocuidado e para fornecer informações e orientações sobre as transformações físicas e psicossociais que vêm ocorrendo, além de complementar os dados coletados no histórico (SÃO PAULO, 2015). • Sempre durante o exame físico é necessária a presença de outro profissional de saúde no consultório para que preserve a ética em relação a interpretações diferentes por parte do adolescente, resguardando o profissional. É importante esclarecer ao adolescente, antes do exame, tudo o que vai ser realizado. • Analisar cuidadosamente da cabeça aos pés. • Observar que a inspeção seja feita de forma segmentar, sempre cobrindo a região que não está sendo examinada. • No exame das genitálias, sempre utilizar luvas, não devendo ser, obrigatoriamente, realizado na primeira consulta. • Ao final da consulta, esclarecer o adolescente sobre os diagnósticos de enfermagem encontrados e a prescrição/ plano de cuidados, deixando claro o seu parecer quanto ao estado de saúde do adolescente. • Remarcar as consultas, mostrando disponibilidade para continuar o seu atendimento. A frequência dos retornos dependerá do caso em questão. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 37 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 38 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 39 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL Durante a adolescência, os dados antropométricos se tornam ainda mais importantes e valiosos para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento e difícil obtê-los também. Alguns pontos importantes devem ser observados, visando facilitar a atenção ao crescimento e a avaliação da antropometria nessa fase (Estatura, peso, IMC, idade). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 40 Critérios de Tanner A monitorização do desenvolvimento puberal é feita pela classificação de Tanner. O Estagiamento de Tanner é um instrumento da prática diária do profissional que lida com adolescentes, sendo muito útil na determinação do estágio puberal em que se encontra o adolescente, permitindo relacionar tal informação com a clínica. Tanner sistematizou a sequência dos eventos puberais em ambos os sexos, em cinco etapas, considerando, quanto ao sexo feminino, o desenvolvimento mamário e a distribuição e a quantidade de pelos; e no masculino, o aspecto dos órgãos genitais e a quantidade e a distribuição dos pelos pubianos. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 41 UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 42 ALIMENTAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA Atualmente, a preferência dos adolescentes por lanches rápidos, substitutos das grandes refeições e principalmente do jantar, geralmente, favorece o desequilíbrio na dieta. A combinação dos alimentos nem sempre é variada, resultando em cardápios muito calóricos e pouco nutritivos. A associação entre esse estilo de vida pouco saudável e o surgimento do elevado número de pessoas com sobrepeso e/ou obesidade, com o aumento de doenças crônico-degenerativas (hipertensão arterial, diabetes, alteração nos níveis de colesterol e triglicérides, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares) constitui-se um problema prioritário de saúde pública, inclusive no grupo etário de crianças e de adolescentes (BRASIL, 2018). IMC – Índice de massa corporal UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 43 ALIMENTAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 44 ALIMENTAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA Principais orientações que o enfermeiro deverá realizar com o intuito de melhorar o estilo de vida do adolescente: UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 45 IMUNIZAÇÃO DO ADOLESCENTE Um dos maiores programas de vacinação do mundo que, nos últimos 49 anos, levou o Brasil a eliminação e controle de várias doenças imunopreveníveis: o PNI é patrimônio de todos os brasileiros e referência internacional. A abreviação é para o Programa Nacional de Imunizações, responsável por elaborar a política de vacinação do Brasil, desde a compra das vacinas de rotina até a definição do público que será imunizado. O programa de imunizações brasileiro oferece, de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mais de 20 imunizantes para diversas doenças, sendo 17 vacinas para crianças, sete para adolescentes, cinco para adultos e idosos e três para gestantes. Todas fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação, um documento que estabelece a aplicação das vacinas de rotina para cada fase da vida. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 46 IMUNIZAÇÃO DO ADOLESCENTE Quando avaliamos os imunobiológicos recomendados aos adolescentes e que estão disponíveis na rede pública de saúde, temos: • vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola); • vacina contra hepatite B; • vacina HPV (no SUS está disponível somente para as adolescentes); • dupla adulto (dT–difteria e tétano); • febre amarela. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 47 IMUNIZAÇÃO DO ADOLESCENTE UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 48 IMUNIZAÇÃO DO ADOLESCENTE UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 49 GRUPOS EDUCATIVOS NA ADOLESCÊNCIA Quais temas trabalhar prioritariamente com adolescentes e jovens? Que tema vocês abordariam enquanto enfermeiros educadores? UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 50 GRUPOS EDUCATIVOS NA ADOLESCÊNCIA Quais temas trabalhar prioritariamente com adolescentes e jovens? Temas como prevenção das IST e da AIDS, da gravidez na adolescência e do uso de drogas, assim como o da alimentação, se for muito focado na prevenção da obesidade, são geralmente tratados com ênfase nas atividades de controle, nos traços negativos que caracterizariam esse grupo e, consequentemente, produzem resistências e poucas vezes têm boa aceitação pelo grupo. Uma segunda categoria de temas típicos refere-se à inserção de adolescentes e jovens no mundo adulto, enfocando “as dificuldades de adaptação na escola, os desafios da relação ensino-aprendizagem, assim como os dilemas do primeiro emprego”. Educação, direitos, projeto de vida, trabalho, corpo, esportes e cultura formam outro conjunto detemas igualmente importante para o trabalho em saúde, que precisa ser abordado de uma maneira que rompa com a “ideia de compensação e salvação”. Atividades culturais, artísticas e esportivas ainda são pouco estimuladas no âmbito do trabalho em saúde, embora ofereçam “uma grande oportunidade de articulação intersetorial. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 51 METODOLOGIAS DE TRABALHO COM GRUPOS Quando falamos de grupos, sua importância, uso e repercussão, temos basicamente duas linhas antagônicas. Uma, onde os grupos são muitas vezes mal compreendidos e utilizados de maneira inadequada, tornando-os sem grande atratividade, esvaziados e pouco resolutivos. Em contrapartida, temos uma outra vertente, que demonstra que o trabalho com grupos pode ser interessante e resolutivo, pois, em pouco tempo, atinge um maior número de pessoas, que se apoiam mutuamente, compartilham de opiniões e tornam as ações do grupo resolutiva e duradoura. Quando fazemos essa análise olhando especificamente para os grupos de adolescentes, temos respostas positivas, visto que o adolescente se sente acolhido por ter um grupo de iguais, que vivenciam o mesmo momento existencial, e isso pode ser usado como uma forma de identificação e trazer mais segurança para os participantes, visto que o grupo pode ser visto como um momento de desligamento da família, funcionando como um intermediário entre o grupo familiar e o laço social (GRILLO et al., 2011) UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 52 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Obesidade Obesidade é uma consequência do aumento da gordura corporal em relação à massa muscular. É uma doença multicausal, em que ocorre a interação de fatores genético-metabólicos e do meio ambiente. Representa um importante problema de saúde pública. O Índice de Massa Corporal [IMC = peso (Kg)/altura2 (m2 )] é considerado bom indicador de magreza ou excesso ponderal na adolescência e, por isso, é comumente usados em estudos epidemiológicos (BRASIL, 2018). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 53 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Obesidade Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adolescentes com sobrepeso são aqueles que apresentam IMC situado entre z-escore+2 e adolescentes obesos aqueles com z-escore maior que +2. O adolescente obeso tem grandes chances de tornar-se um adulto obeso com probabilidade de apresentar complicações clínicas, pondo em risco sua sobrevida em curto prazo. Conduta: manutenção de peso tão próximo do normal quanto às características fisiológicas do indivíduo permitirem. Tratamento: consiste em normalizar (não restringir) o consumo de alimentos; aumentar a movimentação corporal, especialmente os exercícios aeróbicos; e atentar para as condições sociais e emocionais . UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 54 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Obesidade São consequências da obesidade: Hipertensão arterial, hiperlipidemia, doença cardiovascular, cálculos biliares, diabetes. Irregularidades menstruais, infertilidade, gravidez de risco, eclâmpsia e pré eclâmpsia, maior possibilidade de infecção no puerpério. Diminuição dos níveis de testosterona e maior chance de desenvolver a ginecomastia púbere. Isolamento social, baixa autoestima, depressão, dificuldade de aceitação pelo grupo. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 55 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Obesidade UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 56 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Transtornos alimentares – anorexia nervosa e bulimia Cinco eventos têm influência direta sobre o equilíbrio nutritivo: Início da transformação pubertária. Aceleração do crescimento longitudinal; Aumento da massa corporal; Modificação da composição corporal. Variações individuais quanto à atividade física. É importante frisar que a alimentação inadequada na adolescência pode levar a risco imediato ou de longo prazo de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão, doença arterial coronariana, dislipidemias, obesidade, diabetes e osteoporose. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 57 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Anorexia nervosa Segundo Brasil (2018, p. 124), a anorexia nervosa é um distúrbio emocional e alimentar caracterizado por: Recusa de manter um peso corporal em harmonia com a altura, que é, no mínimo, 15% abaixo do esperado para uma determinada estatura. Intenso medo de ganhar peso e engordar. Distorção da imagem corporal, como sentir-se gordo, quando, na verdade, está muito magro. Ocorre com mais frequência em jovens, muitas vezes na adolescência, de camadas socioeconômicas mais elevadas, e está relacionada com o ideal estético veiculado pela mídia e reforçado pela cultura de consumo de beleza. Cursa com transtornos relacionados com a desnutrição e alterações endócrinas. Amenorreia (falta de menstruação) é uma das principais características da anorexia nervosa. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 58 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Anorexia nervosa A anorexia nervosa afeta, principalmente, jovens adolescentes, frequentemente entre os 13 e 17 anos, do sexo feminino, que voluntariamente reduzem a ingestão alimentar por um medo mórbido de engordar, com perda progressiva e desejada de peso, chegando a graus extremos de caquexia, inanição e até a morte. As estimativas de mortalidade giram em torno de 15% a 20% (SÃO PAULO, 2015). A principal conduta é a avaliação clínica a fim de verificar risco de vida devido à desnutrição e procurar fazer diagnóstico diferencial com outras doenças psiquiátricas, como, por exemplo, a depressão. Procurar conhecer a estrutura familiar e de suporte social. É fundamental a atuação de um profissional da área de Saúde Mental do Nasf e do apoio de nutricionista (BRASIL, 2018). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 59 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Bulimia Os critérios para o diagnóstico de bulimia pelo Manual das Desordens Mentais (1994), Diagnóstico e Estatística (DSM-IV), incluem os seguintes itens: 1 – Episódios de ingestão excessiva com sensação de perda de controle (às vezes em períodos de duas horas, ingerem quantidades consideradas muito grandes, que outras pessoas não afetadas não ingeririam nesse mesmo período nem nessas circunstâncias). 2 – A ingestão excessiva é compensada por comportamento de expurgo (vômitos autoinduzidos, laxantes ou diuréticos) ou não expurgo. 3 – A ingestão excessiva e os comportamentos compensatórios ocorrem pelo menos duas vezes por semana, por três meses. 4 – Insatisfação com a forma do corpo e com o peso. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 60 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Bulimia Geralmente, o início dos sintomas ocorre nos últimos anos da adolescência até os 40 anos, estando a idade média de início em torno dos 20 anos de idade. É mais frequente no sexo feminino, na mesma proporção da anorexia nervosa. Durante um episódio bulímico, a maior parte dos alimentos consumidos são doces e carboidratos, podendo ingerir cerca de 6 mil a 15 mil calorias (SÃO PAULO, 2015). A conduta esperada é avaliar a história do adolescente e os riscos para depressão. É fundamental o acompanhamento por profissionais da Saúde Mental do Nasf e/ou referenciar para serviços especializados com equipe multidisciplinar, de preferência formada por especialista de Saúde Mental, nutricionista e clínico (BRASIL, 2018), UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 61 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Transtornos emocionais/ Depressão e ansiedade A depressão é uma síndrome clínica caracterizada por um distúrbio persistente do humor e um comportamento disfuncional. Geralmente inclui tristeza, infelicidade, retraimento social, dificuldade de concentração, problemas alimentares, perturbação do sono e perda de interesse nas atividades habituais.Cerca de 60% dos adolescentes abordados em consulta médica relatam ter sentimentos de depressão, com frequência maior entre as mulheres (BRASIL, 2018). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 62 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Transtornos emocionais/ Depressão e ansiedade Na adolescência, uma série de fatores pode levar à depressão: • A relação malsucedida com os pares: a perda de um(a) parceiro(a), a exclusão do grupo de pares, ausência de apoio dos companheiros, dificuldades pessoais de estar com os amigos. • As dificuldades relacionais com a família: falta de independência, comunicação precária, pouca disponibilidade dos pais, problemas com os pais. • As experiências escolares: baixo rendimento escolar, conflito com os professores e colegas, expectativas muito elevadas dos pais com relação aos filhos, que podem chocar com as tendências e desejos dos adolescentes. • Autoimagem ruim: insatisfação com a própria aparência física, falta de segurança com relação a si próprio, visão de futuro sem projetos ou esperanças. Conduta: Ouvir o adolescente. Quando necessário, realizar interconsulta ou atenção conjunta aos profissionais da Saúde Mental dos Nasf (BRASIL, 2018) UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 63 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Transtornos emocionais/ Depressão e ansiedade Estimativas do Ministério da Saúde definem que cerca de 10% a 20% da população de crianças e adolescentes sofram de transtornos mentais. Desse total, de 3% a 4% necessitam de tratamento intensivo. Entre os males mais frequentes está a deficiência mental, o autismo, a psicose infantil e os transtornos de ansiedade (UNB, s.d.). A ansiedade é um sinal normal de alerta que prepara o indivíduo ao perigo, um estado de humor desagradável, apreensão negativa em relação ao futuro e inquietação desconfortável; sendo constituída por manifestações somáticas (cefaleia, dispneia, taquicardia, tremores, vertigem, sudorese, parestesias, náuseas, diarreia etc.) e psíquicas (inquietação interna, insegurança, insônia, irritabilidade, desconforto mental, dificuldade para se concentrar etc.); configura um transtorno quando sua intensidade, duração, frequência e repercussão sintomática extrapolam a normalidade, segundo desenvolvimento e vivências de cada adolescente (SILVA FILHO; SILVA, 2013). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 64 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Comportamento de risco/ Drogas lícitas ou ilícitas • Uso abusivo – todo consumo de droga que causa dano físico, psicológico, econômico, legal ou social ao indivíduo que a usa ou a outros afetados pelo seu comportamento. • Intoxicação – mudanças no funcionamento fisiológico, psicológico, afetivo, cognitivo ou de todos eles como consequência do consumo excessivo. • Dependência – estado emocional e físico caracterizado pela necessidade urgente da substância pelo seu efeito positivo ou para evitar o efeito negativo associado a sua ausência. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 65 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Transtornos emocionais/ Depressão e ansiedade Por que os adolescentes usam drogas? • Para experimentar sensações diferentes. • Para se sentirem melhor. • Para alívio de emoções desagradáveis. • Por insegurança. • Para ser aceito pelo grupo de amigos. • Devido à baixa autoestima. • Para questionar os valores dos pais e/ou adultos responsáveis. • Em busca de mudanças de humor, nível de consciência ou na percepção de mundo (BRASIL, 2018) UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 66 Para se avaliar a vulnerabilidade no uso de drogas, a imagem propõe perguntas, formas de observar e avaliar o adolescente. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 67 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Transtornos emocionais/ Depressão e ansiedade UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 68 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Saúde bucal e do adolescente São exemplos de doenças/problemas frequentes na adolescência: • Cárie dentária. • Doença periodontal. • Traumatismos dentários. • Câncer bucal. • Halitose. UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 69 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Saúde bucal e do adolescente Dicas para favorecer a adoção de hábitos bucais saudáveis pelos(as) adolescentes: • Quanto melhor o exemplo positivo dos pais, melhor a percepção dos adolescentes da importância da saúde bucal. • Uma das principais razões apontadas pelos adolescentes com o cuidado insuficiente em saúde bucal foi a falta de tempo. • Ações coletivas em saúde bucal são eficazes no combate das doenças prevalentes da cavidade bucal (cárie dentária e doença periodontal) e na incorporação de hábitos saudáveis. • Atividades de educação em saúde bucal são as ações coletivas mais difundidas, use temas mobilizadores como o “beijar”, a importância da função estética dos dentes, ascensão social e progressão no trabalho em função dos dentes etc., UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 70 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Gravidez na adolescência Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de partos no Brasil vem decrescendo nos últimos anos, chegando em 2007 a 23% de partos realizados na faixa etária entre 15 e 19 anos e 1% de 10 a 14 anos. Esse fato deve-se à intensificação das campanhas em relação ao uso de preservativo, disseminação de informação quanto aos métodos anticoncepcionais e um maior acesso da população aos serviços de saúde (SÃO PAULO, 2015). Apesar desse decréscimo, a gravidez na adolescência continua sendo um fator preocupante no caso de situação de risco. As consequências da gravidez serão agravadas de acordo com a idade, paridade, aderência ao pré-natal, ganho ponderal e fatores psicológicos, socioeconômicos e culturais da adolescente. Até o momento, não existem estudos suficientes que ressaltem diferenças clínicas e obstétricas entre adolescentes grávidas e grávidas de outras faixas etárias, desde que o pré-natal seja adequadamente assistido (SÃO PAULO, 2015). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 71 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Violência na adolescência O Ministério da Saúde adota o conceito de violência utilizado pela Organização Mundial da Saúde, segundo o qual violência é o uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação (BRASIL, 2010). Para a violência que acomete crianças e adolescentes, o Ministério da Saúde define: quaisquer atos ou omissões dos pais, parentes, responsáveis, instituições e, em última instância, da sociedade em geral, que redundam em dano físico, emocional, sexual e moral às vítimas (BRASIL, 2001). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 72 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Violência na adolescência UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 73 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Violência na adolescência São sinais de alerta de violência: quando o adolescente por medo, vergonha ou outro motivo se sente compelido a negar a violência que sofreu ou está sofrendo, o diagnóstico da situação é desafiador e complexo (BRASIL, 2018). Para todas as situações é importante que o profissional de Saúde estabeleça com o adolescente uma relação de respeito e confiança, promovendo o acolhimento e os cuidados em saúde necessários. O profissional de Saúde precisa estar atento a um conjunto de sinais e indícios que poderão levá-lo à suspeita de violências (BRASIL, 2018). UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 74 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Violência na adolescência UNIDADE 3 – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADOLESCENTE 75 PRINCIPAIS AGRAVOS NA ADOLESCÊNCIA Suicídio eautolesão na adolescência O adolescente pode ser abordado sobre pensamentos suicidas, independentemente de parecer ou apresentar sintomas de depressão. Deve-se avaliar o grau de risco para suicídio por intermédio dos seguintes indicadores: • Individuais: autoestima baixa, fracasso escolar, isolamento, sinais de transtornos orgânicos e psicológicos, uso e abuso de drogas, dificuldades com a própria identidade de gênero, sentimentos de exclusão. • Familiares: dissociação familiar, relacionamento desarmônico entre os pais, comunicação comprometida com a família, falta de apoio dos pais e violência na família. • Sociais: características do grupo de companheiros, que podem apresentar valores em conflito com a realidade pessoal e social, além das dificuldades de se integrar nas normas culturais. Quando necessário, realizar interconsulta, ou atenção conjunta aos profissionais da Saúde Mental dos Nasf, e/ou referenciar para centro de especialidades em saúde mental ATIVIDADE Divida a sala em três grupos. O tutor deve entregar para os grupos exemplos de atendimentos realizados pelo enfermeiro na ESF aos adolescentes. Para melhorar a prática, sugerimos que utilize temas, como: gravidez na adolescência, primeira menstruação, primeiro exame preventivo, vida sexual, ISTs, dentre outras. Logo após, solicite que cada grupo monte um caso clínico baseado na sua temática. O fundo de cena do caso clínico deve ser o de uma Unidade Básica de Saúde, contendo os elementos que a compõem. O grupo deve apresentar o paciente, o adoecimento e a consulta de enfermagem propriamente dita. Eles devem simular uma consulta de enfermagem em que o enfermeiro faz o atendimento e as prescrições relacionadas ao adoecimento que consta no caso clínico que eles escolheram. 76 Caso clínico 1 Em um dia atípicamente calmo na Clínica da Família, você atende seus pacientes agendados sem muita pressa. Faltando poucas horas para o fim do expediente, no entanto, o agente comunitário de saúde (ACS) lhe procura relatando que acabara de chegar uma adolescente de 13 anos solicitando por uma consulta de encaixe, mas que não quer contar o motivo. Ela se encontra sem a companhia de pais ou responsáveis, o que motiva dúvida do ACS sobre poder encaminhá-la para atendimento ou não. Você, então, solicita que coloque a paciente na agenda e a chama para a consulta. 13 anos, queixa-se de atraso de mais de um mês na menstruação. Perguntada sobre a existência de parceiros, ela relata que tem um namorado adolescente, de 14 anos, e que eles tiveram uma relação sexual há cerca de quatro semanas. Ainda não realizou nenhum teste de gravidez. Após as devidas orientações e aconselhamento sobre o teste, você solicita o TIG (teste imunológico para gravidez) e aguarda o resultado. I. parece bem aflita e lhe confessa que, se estiver grávida, vai querer abortar. O teste retorna positivo. 77 Caso clínico 2 Em um dia de atendimento na UBS, chega um adolescente de 15 anos acompanhado da mãe com queixas de uso e abuso de álcool e drogas. A mãe relata que o jovem chega em casa embriagado durante a madrugada, tem brigas na rua, não para em casa. E em muitos momentos está chegando agressivo. Além do uso do álcool ela suspeita de uso de drogas ilícitas como maconha e cocaína. Qual sua conduta como enfermeiro? 78 Caso clínico 3 Adolescente, 17 anos chega a unidade de saúde acompanhado do pai e da mãe com queixas de tristeza intensa, pouca vontade de sair de casa e extrema solidão. A mãe refere que o jovem não tem amigos e só fica trancado no quarto vendo vídeos ou dormindo. Além disso, o pai relata que o jovem tem dificuldade de comunicação, respondendo com palavras monossilábicas e evita o contato social ao máximo. 79 O que vocês deverão fazer O grupo deve apresentar o paciente, o adoecimento e a consulta de enfermagem propriamente dita. (anamnese, dados, exame físco) Vocês devem simular uma consulta de enfermagem em que o enfermeiro faz o atendimento e as prescrições relacionadas ao adoecimento que consta no caso clínico que vocês escolheram. E finalizar o caso. 80 image1.emf image2.png image3.png image4.jpeg image5.png image6.png image7.jpeg image8.png image9.png image10.png image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.png image20.png image21.png image22.png image23.jpeg image24.jpeg image25.png image26.jpeg image27.jpeg image28.png image29.png image30.jpeg image31.png image32.jpeg image33.png image34.png image35.png image36.jpeg image37.png image38.png image39.png image40.jpeg image41.jpeg image42.jpeg image43.jpeg image44.png image45.jpeg image46.jpeg image47.jpeg image48.png image49.png image50.jpeg image51.png image52.png image53.jpeg