Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

AULA 3 
PERÍCIA AMBIENTAL 
Prof. Klaus Dieter Sautter 
2 
TEMA 1 – PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL 
Consideramos o Direito Ambiental como um conjunto de regras que são 
sistematizadas, com a finalidade de disciplinar o comportamento humano, 
visando, basicamente, proteger o meio ambiente. Como em todas as áreas do 
Direito, o Direito Ambiental é baseado em Princípios, Jurisprudência, Atos 
Normativos (legislação), e Doutrina (Figura 1). 
Figura 1 – Bases do Direito Ambiental 
Fonte: Sautter, 2021. 
A Jurisprudência é o conjunto de decisões e interpretações da legislação, 
que são feitas por tribunais superiores, conforme as situações de fato 
apresentadas. Atos Normativos são os diferentes tipos de legislação (Lei 
Ordinária, Portaria, etc.). Dizemos que Doutrina é o conjunto de ideias 
fundamentais que são transmitidas por juristas mais experientes, advindas de sua 
interpretação dos atos normativos. E os Princípios são o alicerce, a base, isto é, 
consideramos como Princípios proposições elementares e fundamentais que 
atuam como base de determinado ramo do Direito, atuam como uma proposição 
lógica básica para a evolução do Direito. O Princípio jurídico normalmente toma 
forma em um enunciado lógico, seja explícito ou implícito, vinculando de modo 
inequívoco o entendimento e a aplicação dos atos normativos jurídicos. acabando 
por agir como regra básica de aplicação do Direito e influenciando o 
desenvolvimento de outras fontes, como a Doutrina, Jurisprudência e Atos 
Normativos. 
O Direito Ambiental possui alguns Princípios básicos que norteiam a 
criação e interpretação da Legislação ambiental. Vamos examinar alguns destes 
Princípios? 
 
 
3 
1.1 Princípio do direito humano fundamental 
Neste Princípio, é afirmado que o meio ambiente pertence a todos, isto é, 
não deve ser considerado como propriedade privada, mas sim de toda a 
sociedade. Cabe aos eleitos pela sociedade (Poder Executivo e Legislativo), bem 
como ao Poder Judiciário, a defesa do meio ambiente, em nome da sociedade. 
1.2 Princípio democrático 
No Princípio Democrático, é afirmado que todos têm direito à informação e 
participação na elaboração das políticas públicas ambientais, não cabendo isso 
somente ao Direito Ambiental, mas a todas as áreas do Direito. Este Princípio é 
alcançado por diferentes atos realizados, como Audiências Públicas, Ações 
Populares, Ação Civil Pública etc. 
1.3 Princípio da precaução 
Este Princípio prega que só poderemos fazer alguma modificação no meio 
ambiente se soubermos que estas intervenções não causem efeitos adversos 
sobre ele. Se houver dúvidas, o ideal é que estas ações não sejam efetivadas. 
1.4 Princípio da prevenção 
O Princípio da Prevenção, muitas vezes, é ligado de forma íntima ao 
Princípio da Precaução. Enquanto o Princípio da Precaução prega que se não 
conhecermos os efeitos das atividades humanas no ambiente, não devemos 
torná-las efetivas, o Princípio da Prevenção coloca que devemos procurar saber 
quais são os efeitos destas atividades sobre o meio, para então definirmos como 
devemos agir. Este princípio é muito utilizado no mundo inteiro, inclusive no Brasil, 
na forma do Licenciamento Ambiental e do Estudo de Impactos Ambientais (EIA), 
onde, em primeiro lugar, estudamos o estado atual do meio ambiente. Após 
determinados os impactos, os danos, que essas atividades podem provocar, só 
então definimos como e se essas atividades serão efetivadas, isto é, colocadas 
em prática. 
 
 
 
4 
1.5 Princípio da responsabilidade 
Este Princípio determina que o poluidor deve responder por suas ações ou 
mesmo omissões, que resultem em algum prejuízo ao meio ambiente. Este 
Princípio encontra um forte representante na Lei de Crimes Ambientais. 
1.6 Princípios do usuário pagador e do poluidor pagador 
Estes dois Princípios estão ligados ao Princípio da Responsabilidade. 
No Princípio do Usuário Pagador fica determinado que o usuário de um certo 
recurso natural deve pagar pelo uso. É o caso típico do pagamento pelo uso da 
água pelo consumidor, seja pessoa física ou jurídica. O montante arrecadado 
deve ser direcionado para os Comitês de Bacias Hidrográficas, e investidos na 
recuperação ambiental, educação ambiental, etc. 
Já o Princípio do Poluidor Pagador sustenta a ideia de que quem polui ou 
degrada deve assumir os custos de reparação destes danos ambientais 
causados. São os casos das sanções penais (prisão, por exemplo) e 
administrativas (multas, por exemplo). A base contida neste Princípio é a de que 
o poluidor deve internalizar os custos ambientais causados por sua atividade. Este 
Princípio tem grande efetividade quando as sanções penais e administrativas são 
maiores que a internalização dos custos ambientais, fazendo com que o poluidor 
opte por tomar iniciativas de controle ambiental ou não poluição, em detrimento à 
poluição ambiental. 
1.7 Princípio do limite 
O Princípio do Limite sustenta que a Administração Pública, seja em nível 
municipal, estadual ou federal, tem o dever de definir parâmetros máximos e/ou 
mínimos de poluição admitidos pela sociedade, como, por exemplo, emissão de 
partículas no ar, poluição do solo, poluição do ar, ruídos, etc. Estes parâmetros 
podem ser definidos, mantidos e modificados ao longo do tempo, através de 
diferentes atos normativos. 
1.8 Princípio do desenvolvimento sustentável 
Este Princípio prega que o desenvolvimento econômico deve estar ligado à 
menor degradação ambiental possível, e isso deve ser conduzido através do uso 
 
 
5 
racional dos recursos naturais renováveis e não renováveis, isto é, o 
desenvolvimento econômico e social deve ser compatibilizado com a preservação 
do meio ambiente e com o equilíbrio dos ecossistemas. 
TEMA 2 – POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE 
Desde a Segunda Guerra Mundial, que terminou em 1945, o mundo inteiro 
passou a experimentar um grande avanço na agricultura e na indústria. Porém, o 
custo para este avanço foi o consumo exagerado de recursos naturais e a poluição 
ambiental. A partir da década de 1960, o ser humano começou a se preocupar se 
aquilo que estávamos fazendo era correto ou não. Em 1972, em Estocolmo, na 
Suécia, foi realizada a primeira grande Conferência Internacional sobre o Meio 
Ambiente. A partir daí, debates intensos foram travados sobre a importância de 
se preservar o ambiente a nossa volta. Uma das conclusões que se chegou nesta 
conferência foi que Poluir é Crime. 
Para a aplicação prática desta ideia básica, os países participantes 
iniciaram uma escalada de proteção ambiental, principalmente através da 
aprovação de legislação específica. O Brasil, dentro desta iniciativa, promulgou, 
em 31 de agosto de 1981, a Lei n. 6.938, também chamada de Política Nacional 
do Meio Ambiente (Brasil, 1981), estabelecendo, desta maneira, conceitos 
básicos, princípios, objetivos, necessidade de instrumentos, penalidades e outros, 
com a intenção da correta gestão e proteção de nossos recursos naturais. 
A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), pode ser considerada como 
uma “Constituição Ambiental” de nosso País. Ela é que desenvolve as diretrizes 
ambientais, que servirão de apoio para a criação de novas legislações, bem como 
determinar o comportamento da sociedade perante o meio ambiente. 
No seu art. 2º (Brasil, 1981), a PNMA coloca que “tem por objetivo a 
preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, 
visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico [sic], 
aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana”. 
Para isto, ela especifica como base os seguintes princípios, que deverão ser 
seguidos em nosso País: 
I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, 
considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser 
necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; 
II - racionalização do uso do solo,do subsolo, da água e do ar; 
Ill - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; 
 
 
6 
IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas 
representativas; 
V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente 
poluidoras; 
VI – incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o 
uso racional e a proteção dos recursos ambientais; 
VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental; 
VIII - recuperação de áreas degradadas; 
IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação; 
X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a 
educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação 
ativa na defesa do meio ambiente. (Brasil, 1981) 
 Muito importante também é o que a PNMA coloca em seu art. 6º: a criação 
do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). O SISNAMA reúne os 
diferentes órgãos e outras entidades (como fundações, por exemplo), tanto a nível 
federal (União), quanto a nível estadual, quanto municipal, que são responsáveis 
pelas ações de proteção do meio ambiente, e melhoria da qualidade ambiental. A 
PNMA estrutura o SISNAMA da seguinte maneira (Figura 2): 
I - órgão superior: o Conselho de Governo, com a função de assessorar 
o Presidente da República na formulação da política nacional e nas 
diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos 
ambientais; (Redação dada pela Lei nº 8.028, de 1990) 
 II - órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio 
Ambiente (CONAMA), com a finalidade de assessorar, estudar e propor 
ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas governamentais para o 
meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua 
competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio 
ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de 
vida; (Redação dada pela Lei nº 8.028, de 1990) 
III - órgão central: a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da 
República, com a finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e 
controlar, como órgão federal, a política nacional e as diretrizes 
governamentais fixadas para o meio ambiente; (Redação dada pela Lei 
nº 8.028, de 1990) 
IV - órgãos executores: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e o Instituto Chico Mendes de 
Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes, com a 
finalidade de executar e fazer executar a política e as diretrizes 
governamentais fixadas para o meio ambiente, de acordo com as 
respectivas competências; (Redação dada pela Lei nº 12.856, de 2013) 
V - Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estaduais responsáveis 
pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de 
atividades capazes de provocar a degradação ambiental; (Redação 
dada pela Lei nº 7.804, de 1989) 
VI - Órgãos Locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis 
pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas 
jurisdições; (Incluído pela Lei nº 7.804, de 1989) (Brasil, 1981). 
 
 
 
7 
Figura 2 – Composição do SISNAMA 
 
Fonte: Sautter, 2021. 
 Mas, sem dúvida alguma, um dos pontos mais importantes do PNMA se dá 
quando determina os instrumentos da política ambiental brasileira. Segundo 
Barros et al. (2012), estes instrumentos têm como objetivo diminuir a ameaça das 
atividades econômicas ao meio ambiente. Isto é realizado através de medidas 
preventivas e coibitivas, na aplicação de políticas de comando e controle, 
resultando em restrição de certas atividades, no controle do uso dos recursos 
naturais e no uso de novas tecnologias, as chamadas tecnologias “limpas”. 
Art 9º - São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: 
I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental; 
II - o zoneamento ambiental; 
III - a avaliação de impactos ambientais; 
IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente 
poluidoras; 
Órgão Superior
Conselho de Governo
Órgão Consultivo e 
Delibertivo
CONAMA
Órgão Central
Secretaria do MA -
Presidência da república
Órgãos executores
IBAMA e ICMBio
Órgãos seccionais
Instituições estaduais
Órgãos locais
Instituições municipais
 
 
8 
V - os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação 
ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade 
ambiental; 
VI - a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo 
Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção 
ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas; 
(Redação dada pela Lei nº 7.804, de 1989) 
VII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente; 
VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de 
Defesa Ambiental; 
IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento 
das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação 
ambiental. 
X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser 
divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e 
Recursos Naturais Renováveis - IBAMA; (Incluído pela Lei nº 7.804, de 
1989) 
XI - a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, 
obrigando-se o Poder Público a produzí-las, quando inexistentes; 
(Incluído pela Lei nº 7.804, de 1989) 
 XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente 
poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais. (Incluído pela Lei 
nº 7.804, de 1989) 
XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão 
ambiental, seguro ambiental e outros. (Brasil, 1981) 
 É bom lembrar que a PNMA determina somente as linhas gerais da política 
de gestão ambiental da sociedade brasileira. Os detalhes, a partir destas linhas 
gerais, devem ser especificados através de atos normativos adicionais, como leis, 
portarias, resoluções, entre outros. 
TEMA 3 – LEI DE CRIMES AMBIENTAIS 
Podemos considerar crime aquela ação ou mesmo omissão que pode lesar 
ou expor a perigo de lesão os bens jurídicos tutelados. Pensando assim, levamos 
em conta a relevância do mal que foi ou seria produzido. Portanto, o crime é 
legitimado quando a conduta em questão tiver alguma relevância do ponto de vista 
jurídico penal, provocando um dano ou havendo ameaça de dano. 
A Lei de Introdução ao Código Penal (Brasil, 1941), considera que crime é 
a: 
[...] infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, 
quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de 
multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, 
pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou 
cumulativamente. 
 Partindo desta premissa, podemos dizer que crimes ambientais são as 
ações ou atos, que provocam ou podem provocar graves danos, lesões aos 
diferentes aspectos ambientais. 
 
 
9 
 Em 12 de fevereiro de 1998, o Brasil promulgou a Lei n. 9.605, 
determinando as sanções penais e administrativas relacionadas às ações e 
condutas lesivas ao meio ambiente (Brasil, 1998). 
 A chamada Lei de Crimes Ambientais tipifica os crimes cometidos em 
relação ao meio ambiente em crimes contra a fauna, a flora, crimes de poluição, 
crimes contra o ordenamento urbano e contra o patrimônio cultural, assim como 
crimes contra a administração ambiental. No Tema 5 desta aula, detalharemos 
cada uma destas tipificações. 
A Lei de Crimes Ambientais considera culpado aquele que descumpre as 
condições colocadas, bem aqueles que, sabendo de certa conduta criminosa, não 
impedem a prática, quando poderiam fazê-lo. As pessoas jurídicas ainda podem 
ser responsabilizadas no âmbito administrativo, civil e penal, dependendo da 
infração cometida. É claro que a responsabilização da pessoa jurídica não retira 
aquela da pessoa física. 
 Para decisão da pena, a autoridade competente no caso, deverá levar em 
conta: 
I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas 
conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente; 
II - os antecedentes doinfrator quanto ao cumprimento da legislação de 
interesse ambiental; 
III - a situação econômica do infrator, no caso de multa. (Brasil, 1998) 
 A pena será aplicada em conformidade com o delito que foi cometido. Na 
Leis de Crimes Ambientais consideram-se três categorias básicas: Pena privativa 
de liberdade; Pena restritiva de direito e Multa. 
 Falamos em pena privativa de liberdade, quando o culpado cumpre sua 
pena em regime penitenciário, podendo ser regime fechado, regime semi-aberto 
ou regime aberto. Pode ser o caso de crimes de cunho doloso. 
 As penas restritivas de direitos, são aplicadas quando se trata de crime 
culposo (não doloso), e para penas privativas de liberdade que forem inferiores a 
quatro anos. O juiz ainda pode decidir por uma pena restritiva de direitos quando 
houver atenuantes, que justifiquem a substituição de eventuais penas privativas 
de liberdade. As penas restritivas de direito podem ser na forma de prestação de 
serviços à comunidade, na interdição temporária dos direitos do cidadão, na 
suspensão total ou somente parcial de atividades, na prestação pecuniária ou no 
recolhimento domiciliar. 
 
 
10 
 Finalmente, o Juiz pode decidir por multa, que é a aplicação de um valor 
pecuniário. A multa é considerada um método tradicional com a finalidade de se 
exigir que o condenado tome ações consideradas socialmente corretas. 
 Na proposição da pena, o Juiz pode levar em consideração atenuantes com 
a finalidade de diminuir o peso da pena: 
Art. 14. São circunstâncias que atenuam a pena: 
I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente; 
II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação 
do dano, ou limitação significativa da degradação ambiental causada; 
III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação 
ambiental; 
IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do 
controle ambiental. (Brasil, 1998) 
 Assim como, pode levar em consideração circunstâncias que agravem o 
crime ambiental cometido: 
Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem 
ou qualificam o crime: 
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; 
II - ter o agente cometido a infração: 
a) para obter vantagem pecuniária; 
b) coagindo outrem para a execução material da infração; 
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou 
o meio ambiente; 
d) concorrendo para danos à propriedade alheia; 
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por 
ato do Poder Público, a regime especial de uso; 
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; 
g) em período de defeso à fauna; 
h) em domingos ou feriados; 
i) à noite; 
j) em épocas de seca ou inundações; 
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; 
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; 
n) mediante fraude ou abuso de confiança; 
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização 
ambiental; 
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por 
verbas públicas ou beneficiada por incentivos fiscais; 
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das 
autoridades competentes; 
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. 
TEMA 4 – DANO AMBIENTAL: CARACTERIZAÇÃO JURÍDICA 
Estimar os danos ambientais nem sempre é fácil. Normalmente não se 
conhece a relação entre a ação poluidora e o seu efeito no meio ambiente. Mais 
complexo ainda é quando tratamos de substâncias tóxicas. O efeito da mistura de 
substâncias pode ser ainda mais nocivo ao meio ambiente. 
 
 
11 
Quando falamos de danos ambientais, devemos pensar não somente no 
dano ao patrimônio ambiental em si, mas também ao patrimônio artificial, cultural, 
meio ambiente urbano e assim por diante. 
Para caracterizarmos dano ambiental, devemos mostrar que a modificação 
provocada pelo ser humano é significativa. Além disso, a reparação do meio 
ambiente é muito difícil, pois ele perde suas características básicas. Muitas vezes 
a recuperação do meio ambiente original, antes do dano, é impossível. 
Leite (2003), caracteriza Dano ambiental como, 
O dano ambiental constitui uma expressão ambivalente, que designa, 
certas vezes, alterações nocivas ao meio ambiente e outras, ainda, os 
efeitos que tal alteração provoca na saúde das pessoas e em seus 
interesses. Dano ambiental significa, em uma primeira acepção, uma 
alteração indesejável ao conjunto de elementos chamados meio 
ambiente, como, por exemplo, a poluição atmosférica; seria, assim, a 
lesão ao direito fundamental que todos têm de gozar e aproveitar do 
meio ambiente apropriado. Contudo, em sua segunda conceituação, 
dano ambiental engloba os efeitos que esta modificação gera na saúde 
das pessoas e seus interesses. 
O dano ambiental também é de difícil valoração. A economia ambiental 
ainda está desenvolvendo diferentes métodos de valoração ambiental. Isto se dá 
porque os recursos naturais não possuem valor de mercado, então qualquer 
tentativa de valoração, sempre haverá subestimativas. Afinal, quanto vale o ar? 
Quanto vale a água para a saúde das pessoas e do meio ambiente? 
4.1 Tipos de danos ambientais 
 Se levarmos em conta a tutela jurisdicional, podemos classificar os 
danos ambientais em dois grandes grupos: Dano ambiental coletivo, e Dano 
ambiental individual: 
1. Dano ambiental coletivo: também chamado de dano ambiental em sentido 
estrito ou dano ambiental propriamente dito. É considerado quando há um 
dano considerando o meio ambiente globalmente. Este tipo de dano é 
chamado de difuso, pois não atinge um ponto somente, e pode trazer 
consequências para um número indefinido de pessoas. Nesse caso se 
houver indenização, esta deve ser cobrada por meio de Ação Civil Pública 
ou mesmo Ação Popular. E os recursos arrecadados devem ser destinados 
a um Fundo, que será utilizado para a recuperação do meio ambiente 
afetado; 
 
 
12 
2. Dano ambiental individual: Ocorre quando interesses pessoais são 
violados, cabendo então à pessoa reparação, seja por prejuízo patrimonial 
ou extrapatrimonial. As ações devem ser de cunho individual e não coletivo. 
TEMA 5 – INFRAÇÕES PASSÍVEIS DE PERÍCIA AMBIENTAL 
As infrações ambientais são aquelas previstas na Lei de Crimes 
Ambientais, e, segundo a necessidade estabelecida pelo Juiz da demanda, um 
perito pode ser necessário para determinar- se os danos e extensão destes. 
São considerados como infrações ou crimes: 
1. Contra a Fauna: são considerados crimes/infrações contra a fauna, matar, 
perseguir, apanhar, caçar ou utilizar animais silvestres, nativos ou que 
estejam em rota migratória, sem ter permissão, licença ou autorização da 
autoridade que seja competente para tal, ou, mesmo tendo permissão, não 
a cumprir de forma correta (Figura 3). 
Figura 3 – Crimes contra a fauna (aprisionamento ilegal) 
 
Crédito: Rattanachat/Adobe Stock. 
2. Contra a Flora: neste caso, é considerado como crime/infração contra a 
flora, destruir ou somente danificar uma floresta que seja considerada de 
preservação permanente, mesmo que ela ainda esteja em formação. 
Também se considera crime contra a flora, se esta mesma floresta for 
utilizada de forma contrária às normas vigentes (Figura 4); 
 
 
13 
Figura 4 – Crime contra a flora (desmatamento ilegal) 
 
Crédito: Marcio Isensee e Sá/Adobe Stock. 
3. De Poluição: considera-se crime de poluição, quando o infrator poluir, 
causar poluição, de tal monta, que cause danos à saúde humana, 
mortandade de animais ou também a destruição de forma significativa da 
flora (Figura 5); 
Figura 5 – Poluição (poluição de rios) 
 
Crédito: Alisluch/Adobe Stock. 
4. Contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural: neste caso 
considera-se crime/infração quando o infrator destrói, inutiliza ou deteriora 
um bem que esteja sendo protegido por lei ou decisão judicial, como, por 
exemplo um arquivo,museu, instalação científica, entre outros. É o caso 
da pichação e dos balões de festa junina (Figura 6); 
 
 
14 
Figura 6 – Crime contra o ordenamento urbano e patrimônio cultural (Pichação) 
 
Crédito: Cleantho/Adobe Stock. 
5. Por fim, contra a Administração Ambiental: neste caso e considerado 
crime/infração ambiental omitir a verdade, sonegar informações ou dados 
em procedimentos de licenciamento ambiental, ou levar a funcionários 
públicos fornecerem afirmações falsas ou enganosas. 
 
Saiba mais 
Sabia que você pode consultar, junto ao IBAMA, autos de infrações ambientais, 
assim como áreas embargadas? É simples, clique no link disponível em: 
. Acesso em: 20 out. 2021. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
ALMEIDA, J. R. de. Perícia ambiental, judicial e securitária: impacto, dano e 
passivo ambiental. Rio de Janeiro: Thex, 2011. 512p. 
ARANTES, C. A.; ARANTES, C. de. Perícia ambiental: aspectos técnicos e 
legais. 2ª ed. Birigui: Boreal Editora, 2016. 299 p. 
BARROS, D. A.; BORGES, L. A. C.; NASCIMENTO, G. de O.; PEREIRA, J. A. A.; 
REZENDE, J. L. P.de; SILVA, R. A. Breve análise dos instrumentos da política de 
gestão ambiental brasileira. Política & Sociedade, v.11, n.22, p.155-179. 
Disponível em: . Acesso 
em 06 out. 2021. 
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos 
Jurídicos. Lei Nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional 
do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras 
providências. Disponível em: 
. Acesso em 06 out. 2021. 
_______. Decreto Lei Nº 3.914, de 9 de dezembro de 1941. Lei de introdução do 
Código Penal (decreto-lei n. 2.848, de 7-12-940) e da Lei das Contravenções 
Penais (decreto-lei n. 3.688, de 3 outubro de 1941). Disponível em: 
. Acesso em 06 
out. 2021. 
_______. Lei Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções 
penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio 
ambiente, e dá outras providências. Disponível em: 
. Acesso em 06 out. 2021. 
IBAPE – Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia. Glossário 
de Terminologia Básica Aplicável à Engenharia de Avaliações e Perícias do 
IBAPE/SP. São Paulo: IBAPE, 1994. 
LEITE, J. R. M. Dano Ambiental: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 
4 ed., São Paulo: LTr, 2003. 
PINTO NETO, M. C.; ARANTES, C. A.; NADALINI, A. C. V. (Coord.) Perícia 
ambiental. São Paulo: Pini, 2011. 161 p.

Mais conteúdos dessa disciplina