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ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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ANATOMIA E FISIOLOGIA EM
ENFERMAGEM
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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SISTEMA ESQUELÉTICO
Além de dar sustentação ao corpo, o
esqueleto protege os órgãos internos e fornece pontos
de apoio para a fixação dos músculos. Ele constitui-
se de peças ósseas (ao todo 208 ossos no indivíduo
adulto) e cartilaginosas articuladas, que formam um
sistema de alavancas movimentadas pelos músculos.
O esqueleto humano pode ser dividido em duas
partes:
1-Esqueleto axial: formado pela caixa craniana,
coluna vertebral caixa torácica.
2-Esqueleto apendicular: compreende a cintura
escapular, formada pelas escápulas e clavículas;
cintura pélvica, formada pelos ossos ilíacos (da bacia)
e o esqueleto dos membros (superiores ou anteriores
e inferiores ou posteriores).
1.1-Caixa craniana
É o crânio que cria as formas básicas da
parte superior da cabeça e fornece muitos contornos
superficiais a partir dos quais se pode representar este
importante segmento da figura humana.
Vários ossos formam suas duas partes: o
Neurocrânio e o Esqueleto da Face. O neurocrânio
fornece o invólucro para o cérebro e as meninges
encefálicas, partes proximais dos nervos cranianos e
vasos sanguíneos. O crânio possui um teto
semelhante a uma abóbada – a calvária – e um
assoalho ou base do crânio que é composta do
etmoide e partes do occipital e do temporal. O
esqueleto da face consiste em ossos que circundam a
boca e o nariz e contribuem para as órbitas.
Neurocrânio Oito
(08) ossos
Esqueleto da Face Quatorze
(12) ossos
Frontal (01)
Occipital (01)
Esfenoide (01)
Etmoide (01)
Temporal (02)
Parietal (02)
Mandíbula (01)
Vômer (01)
Zigomático (02)
Maxilar (02)
Palato (02)
Nasal (02)
Lacrimal (02)
Primeiro - no osso esfenoide existe uma depressão
denominada de sela túrcica onde se encontra uma das
menores e mais importantes glândulas do corpo
humano - a hipófise, no centro geométrico do crânio.
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/frontal.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/occipital.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/esfenoide.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/etmoide.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/temporal.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/parietal.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/mandibula.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/vomer.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/zigomatico.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/maxila.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/palatino.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/nasal.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/lacrimal.htm
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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Segundo - Fontanela ou moleira é o nome dado à
região alta e mediana, da cabeça da criança, que
facilita a passagem da mesma no canal do parto; após
o nascimento, será substituída por osso.
1.2-Coluna vertebral
É uma coluna de vértebras que apresentam
cada uma um buraco, que se sobrepõem constituindo
um canal que aloja a medula nervosa ou espinhal; é
dividida em regiões típicas que são: (7)coluna
cervical (região do pescoço), (12)coluna torácica,
(5)coluna lombar, (5)coluna sacral, (4)coluna
coccigeana (cóccix).
1.3-Caixa torácica
É formada pela região torácica de coluna
vertebral, osso esterno e costelas, que são em número
de 12 de cada lado, sendo as 07 primeiras verdadeiras
(se inserem diretamente no esterno), 3 falsas (se
reúnem e depois se unem ao esterno), e 2 flutuantes
(com extremidades anteriores livres, não se fixando
ao esterno).
Esterno
É um osso chato, plano e ímpar. É um
importante osso hematopoiético. Apresenta 03 partes:
manúbrio, corpo e processo xifoide.
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2- Esqueleto apendicular
2-1- Membros e cinturas articulares
OSSOS DO MEMBRO SUPERIOR
Os ossos dos membros superiores podem ser
divididos em quatro segmentos:
Cintura Escapular - Clavícula e Escápula
Braço - Úmero
Antebraço - Rádio e Ulna
Mão - Ossos da Mão
OSSOS DO MEMBRO INFERIOR
O membro inferior tem função de sustentação
do peso corporal, locomoção, tem a capacidade de
mover-se de um lugar para outro e manter o
equilíbrio. Os membros inferiores são conectados ao
tronco pelo cíngulo do membro inferior (ossos do
quadril e sacro).
A base do esqueleto do membro inferior é
formado pelos dois ossos do quadril, que são unidos
pela sínfise púbica e pelo sacro. O cíngulo do membro
inferior e o sacro juntos formam a PELVE ÓSSEA.
Os ossos dos membros inferiores podem ser
divididos em quatro segmentos:
Cintura Pélvica - Ilíaco (Osso do Quadril)
Coxa - Fêmur e Patela
Perna - Tíbia e Fíbula
Pé - Ossos do Pé
Juntas e articulações
Junta é o local de junção entre dois ou mais
ossos. Algumas juntas, como as do crânio, são fixas;
nelas os ossos estão firmemente unidos entre si. Em
outras juntas, denominadas articulações, os ossos são
móveis e permitem ao esqueleto realizar movimentos.
Ligamentos
Os ossos de uma articulação mantêm-se no
lugar por meio dos ligamentos, cordões resistentes
constituídos por tecido conjuntivo fibroso. Os
ligamentos estão firmemente unidos às membranas
que revestem os ossos.
Classificação dos ossos
Os ossos são classificados de acordo com a sua forma
em:
A - Longos: têm duas extremidades ou epífises; o
corpo do osso é a diáfise; entre a diáfise e cada epífise
fica a metáfise. A diáfise é formada por tecido ósseo
compacto, enquanto a epífise e a metáfise, por tecido
ósseo esponjoso. Exemplos: fêmur, úmero.
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/clavicula.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/escapula.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/umero.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/radio.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/ulna.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/ossosdamao.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/iliaco.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/femur.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/patela.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/tibia.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/fibula.htm
http://www.auladeanatomia.com/osteologia/peosso.htm
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B- Curtos: têm as três extremidades praticamente
equivalentes e são encontrados nas mãos e nos pés.
São constituídos por tecido ósseo esponjoso.
Exemplos: calcâneo, tarsos, carpos.
C-Planos ou Chatos: são formados por duas camadas
de tecido ósseo compacto, tendo entre elas uma
camada de tecido ósseo esponjoso e de medula óssea
Exemplos: esterno, Frontal e Parietais, ossos da bacia,
escápula.
D - Alongados: São ossos longos, porém achatados e
não apresentam canal central. Exemplo: Costelas.
E -Pneumáticos: São osso ocos, com cavidades
cheias de ar e revestidas por mucosa (seios),
apresentando pequeno peso em relação ao seu
volume. Exemplo:Esfenoide,Etmoide, maxilares.
F -Irregulares: Apresentam formas complexas e não
podem ser agrupados em nenhuma das categorias
prévias. Eles têm quantidades variáveis de osso
esponjoso e de osso compacto. Exemplo: Vértebras.
G -Sesamoides: Estão presentes no interior de alguns
tendões em que há considerável fricção, tensão e
estresse físico, como as palmas e plantas. Eles podem
variar de tamanho e número, de pessoa para pessoa,
não são sempre completamente ossificados,
normalmente, medem apenas alguns milímetros de
diâmetro. As exceções são as duas patelas, que são
grandes ossos sesamoides, presentes em quase todos
os seres humanos.
Revestindo o osso compacto na diáfise,de Hashimoto,
doença autoimune em que ocorre a produção de
anticorpos contra a própria tireoide do indivíduo.
Excesso de tiroxina: Hipertireoidismo O
hipertireoidismo é causado classicamente por
tumores benignos na tireóide. Daí a preocupação de
se utilizar colares de chumbo para proteção da
tireoide durante a execução de tomadas radiográficas.
Com o hipertireoidismo e o aumento nas taxas
sistêmicas de tiroxina, a taxa metabólica estará
bastante elevada. As consequências principais serão:
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Tireocalcitonina ou calcitonina A tireocalcitonina
ativa as células ósseas conhecidas como osteoblastos.
Os osteoblastos produzem a matriz orgânica dos
ossos e a enzima fosfatase alcalina, que atua na
formação de sais insolúveis de cálcio nesses mesmos
ossos. De modo geral, pode-se afirmar que a
tireocalcitonina age removendo cálcio do sangue e o
fornecendo aos ossos, ou seja, estimulando a
mineralização óssea. Assim, ela diminui a
concentração sangüínea de íons de cálcio (Ca++),
reduzindo a calcemia.
5. Paratireoides As paratireóides são quatro
pequenas glândulas esféricas que se situam na face
posterior elos vértices dos lobos tireoidianos. Elas
produzem o hormônio paratormônio ou paratirina. O
paratormônio ativa as células ósseas conhecidas
como osteoclastos. Os osteoclastos promovem a
destruição da matriz orgânica dos ossos e produzem a
enzima fosfatase ácida, que converte os sais
insolúveis de cálcio do osso em íons Ca++ solúveis.
Assim, o paratormônio age removendo cálcio dos
ossos e o fornecendo ao sangue, estimulando, pois, a
desmineralização óssea. Em outras palavras, ele
aumenta a concentração sanguínea de íons de cálcio
(Ca++), aumentando a calcemia. Os íons de cálcio
(Ca++) no sangue atuam em vários processos, como
a coagulação sangüínea, a contração muscular, a
transmissão do impulso nervoso ao nível da sinapse e
a regulação da abertura dos canais iônicos de sódio
nos neurônios. A redução nos teores de cálcio no
sangue leva ao aumento da sensibilidade de
terminações nervosas, pois aumenta a permeabilidade
das fibras nervosas aos íons de sódio (Na+ ), de modo
que ficam hiperexcitáveis. O resultado é que o
organismo fica sujeito a espasmos musculares,
contrações fortes, rápidas e involuntárias, numa
situação conhecida como tetania muscular. Já o
aumento nos teores de cálcio no sangue leva a uma
redução da sensibilidade nervosa, pois diminui a
permeabilidade dos neurônios aos íons de sódio (Na+
), o que pode levar a um quadro de paralisia muscular.
6. Pâncreas O pâncreas é uma glândula mista, cuja
parte exócrina, correspondente aos ácinos, secreta
suco pancreático, e cuja parte endócrina,
correspondente às ilhotas de Langerhans, produz
hormônios como a insulina e o glucagon. As ilhotas
de Langerhans possuem duas células principais, as
células α produtoras de glucagon e as células β
produtoras de insulina. Além das células α e β, as
ilhotas de Langerhans possuem outro tipo de célula
secretora, as células δ (delta). Estas produzem o
hormônio somatostatina, que age na inibição da
liberação do hormônio do crescimento, sendo seu
antagônico fisiológico.
Glucagon A concentração de glicose no sangue é
denominada glicemia. A glicemia normal é de 80 a
110 mg de glicose por 100 mL de sangue. Ao não se
alimentar por muito tempo, a glicemia diminui. O
glucagon, liberado a partir das células α das ilhotas de
Langerhans, estimula a glicogenólise hepática,
liberando glicose para o sangue e aumentando a
glicemia, ou seja, com efeito hiperglicemiante. Isso
explica por que a sensação de fome pode desaparecer
mesmo se o indivíduo não se alimentar: a fome é urna
sensação produzida pelo hipotálamo que indica uma
queda na glicemia; como o efeito do glucagon é
hiperglicemiante, suprime a sensação de fome.
Insulina Após a refeições, o nível sangüíneo de
glicose se eleva. A insulina, liberada a partir das
células β das ilhotas de Langerhans, estimula a
difusão facilitada de glicose para as células,
diminuindo a glicemia, com efeito hipoglicemiante.
Algumas poucas células, como os neurônios e fibras
musculares em atividade, não necessitam de insulina
para receberem glicose. Fibras musculares em
repouso precisam da insulina para absorver glicose e
retê-la na forma de glicogênio. A insulina também
estimula a produção de gordura no organismo.
Quanto mais um alimento estimula o aumento no teor
de glicose no sangue, o que se chama de índice
glicêmico, mais estimula a liberação de insulina e
mais estimula o acúmulo de gordura. Assim, apesar
de igualmente calóricos, quantidades iguais de amido
e de açúcar não promovem o mesmo efeito em termos
de acúmulo de gordura: como o amido é formado
apenas por glicose, eleva mais o índice glicêmico do
que o açúcar (sacarose), formado por glicose e
frutose, sendo que este último não tem efeito sobre a
liberação de insulina como ocorre como a glicose.
Assim, uma certa quantidade de amido leva a um
maior acúmulo de gordura que uma quantidade
equivalente de açúcar.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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7. Glândulas supra-renais ou adrenais As
glândulas supra-renais têm este nome por estarem
localizadas "sobre os rins" em humanos. Entretanto,
na maioria dos mamíferos, elas estão em posição
adrenal, ou seja, "ao lado dos rins", daí o nome
alternativo de glândulas adrenais. Estas glândulas
estão divididas em duas porções, anatômica e
funcionalmente. A porção mais externa é denominada
de córtex adrenal e está relacionada com a produção
de hormônios esteróides, derivados do colesterol, os
corticoides ou corticosteroides. A porção mais interna
tem origem embrionária na mesma ectoderma que
origina o tecido nervoso, sendo denominada de
medula adrenal e responsável pela produção de
hormônio que também age como mediador químico
no sistema nervoso, a adrenalina.
7.1. Córtex adrenal Os corticoides são hormônios
esteróides produzidos pelo córtex das glândulas
supra-renais. Eles correspondem a três grupos
basicamente.
Mineralocorticoides Os mineralocorticoides
regulam o teor de sais minerais no sangue, tendo
como principal exemplo a aldosterona. Esse
hormônio age nos rins estimulando a reabsorção de
íons sódio (Na+ ) e íons cloreto (Cl– ), além de água
por osmose, dos túbulos renais para o sangue. Como
consequências, há redução na diurese e aumento na
volemia e na pressão arterial. Além disso, a
aldosterona aumenta a secreção de íons potássio (K+
) e íons H+ do sangue para os túbulos renais, de onde
serão eliminados na urina, com consequente redução
na acidez do sangue. Eles são produzidos
principalmente na zona glomerular, camada mais
externa das supra-renais.
Glicocorticoides Os glicocorticoides regulam o teor
de açúcares no sangue, tendo como principais
exemplos o cortisol, a cortisona e a hidrocortisona.
Esses hormônios são liberados em situações de
estresse físico e mental, levando a gliconeogênese e
proteólise, para que a glicose e os aminoácidos
liberados sejam utilizados pelas áreas afetadas pela
situação de estresse no seu reparo. Os
glicocorticoides também apresentam efeito
antiinflamatório forte, de modo a reduzir a imunidade
e retardar a cicatrização. A depressão aumenta o risco
da contração de doenças por representar uma situação
de estresse crônico, com consequente liberação de
glicocorticoides e imunodepressão. Eles são
produzidos principalmente na zona fasciculada,
camada intermediária, e pela zona reticular, camada
mais profunda das supra-renais. As alterações
proporcionadas pela ação da adrenalina são as
mesmas produzidas pelo sistema nervoso autônomo
simpático, que usa como neurotransmissor uma
substância extremamente parecida e de mesmo efeito
que a adrenalina: a noradrenalina ou norepinefrina.Observação: Pelo menos quatro hormônios tem efeito
hiperglicemiante:
STH, por estimular a gliconeogênese ("efeito
poupador de glicose");
Glucagon, por estimular a glicogenólise;
Glicocorticoides como o cortisol, por estimularem a
gliconeogênese; - Adrenalina, por estimular tanto a
gliconeogênese como a glicogenólise;
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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- Adrenalina, por estimular tanto a gliconeogênese
como a glicogenólise.
8. Glândulas sexuais
As glândulas sexuais são os ovários
(femininos) e os testículos (masculinos). Os ovários e
os testículos são estimulados por hormônios
produzidos pela hipófise. Enquanto os ovários
produzem estrogênio e progesterona, os testículos
produzem testosterona.
SISTEMA EXCRETOR
A excreção é responsável pela manutenção
do volume e da composição do líquido extracelular
do indivíduo dentro de limites compatíveis com a
vida. A excreção nos seres humanos ocorre de duas
formas: através do suor e da urina.
A função principal do suor não é a mesma que
a da urina. O suor está relacionado à perda de calor
pelo corpo, funcionando como uma forma de
refrigeração. A formação do suor é regulada pela
temperatura do corpo e não pela composição química
do sangue ou dos líquidos que banham as células.
Pelo suor é eliminado ácido úrico, ureia, sais
minerais, aminoácidos, algumas vitaminas e água.
Já a quantidade e composição da urina
eliminada depende da regulação renal. A composição
da urina difere da do líquido extracelular em alguns
aspectos: enquanto 95% dos solutos do fluido
extracelular são constituídos por íons, a urina tem
altas concentrações de moléculas sem carga,
particularmente ureia.A quantidade de solutos e água
da urina é bastante variável e depende da alimentação
variada. Isto significa que existe uma relação estreita
entre a ingestão diária e a excreção urinária.
A amônia que se forma como resultado do
metabolismo dos aminoácidos é uma substância
muito solúvel e extremamente tóxica ao organismo.
Então, as moléculas de amônia (NH3) sofrem um
processo químico, no fígado, que gera moléculas de
uréia, excreta menos solúvel e que permite
armazenamento e produz uma considerável economia
hídrica para os animais terrestres.
Ciclo da ornitina
No fígado humano, a ornitina reage com NH3
e com CO2 e converte-se em Citrulina. Esta, então,
reage com mais uma molécula de amônia (NH3) e
converte-se em Arginina. A Arginina, sob a ação da
enzima arginase, decompõe-se em uma molécula de
uréia (a ser excretada) e uma molécula de Ornitina,
que recomeça o ciclo.
Um indivíduo normal quando ingere uma
quantidade excessiva de sal na alimentação, apresenta
na urina mais sódio que o normal. Quando a ingestão
de água é grande, o volume urinário é bem maior.
Ocorrendo o contrário, quando o indivíduo passa por
uma restrição de água, cerca de 20% do fluxo
plasmático renal são convertidos em urina final por
ultra filtração através dos capilares glomerulares.
Estrutura do Sistema Urinário e a Micção
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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O sistema excretor é composta de rins,
ureteres, que ligam os rins à bexiga, e uretra, que liga
a bexiga à parte externa do corpo.
Resumidamente, a micção ocorre devido a
contração do esfíncter interno, músculo liso na junção
da uretra com a bexiga, acompanhada pela abertura
do esfíncter externo (músculo esquelético, localizado
na base da bexiga).Receptores de estiramento estão
presentes na bexiga e também no músculo do
esfíncter interno. O enchimento da bexiga é detectado
pelos receptores de estiramento da bexiga. A
excitação desses receptores desencadeia contração
reflexa do músculo liso, e cada contração ocasiona
outra contração porque os receptores de estiramento
são intensamente excitados cada vez que a bexiga
contrai, mas não esvazia.
Quanto maior for o volume de urina na
bexiga, mais fortes serão suas contrações. O reflexo é
modulado por vias que vêm do encéfalo e permitem o
controle voluntário. Estímulos assustadores, por
exemplo, interrompem a manutenção do controle do
esfíncter externo pelo encéfalo e ativam igualmente
a contração da bexiga, podendo haver, então, micção
involuntária.
Os Rins
Cada rim humano tem cerca de 200 a 300g.
possui uma borda convexa e outra côncava, é nesta
que se encontra o hilo, região que contêm os vasos
sanguíneos, nervos e cálices renais.
O rim é revestido por uma cápsula de tecido
conjuntivo denso, ligada ao parênquima renal, a
cápsula renal.
Os rins são divididos em 02 zonas:
Zona cortical
A mais externa, onde ocorrem as etapas
iniciais de formação e modificação da urina;
Zona medular
A mais interna. É nesta zona que se encontra
de 10 a 18 estruturas cônicas denominadas pirâmides
de Malpighi. A zona cortical é contínua e ocupa o
espaço compreendido entre as bases das pirâmides e
a cápsula renal. Além de vasos sanguíneos, contém
glomérulos, túbulos proximais e distais de todos os
néfrons e túbulos intermediários e coletores dos
néfrons mais superficiais.
De um modo geral, a região medular possui,
além dos vasos sanguíneos, as seguintes porções dos
néfrons mais profundos: segmentos retos proximais,
túbulos intermediários, túbulos distais retos e túbulos
coletores.Os rins desempenham duas funções
importantes: a excreção dos produtos finais do
metabolismo, e o controle das concentrações da
maioria dos constituintes da parte líquida do
organismo.
Néfrons
Cada rim humano contém cerca de 1,5 milhão
de néfrons. Os néfrons são classificados quanto sua
localização em: corticais (situados na porção externa
da zona cortical); medicorticais (situados na parte
interna da zona cortical) e justamedulares (situados na
zona de transição entre as zonas corticais e medular).
Cada néfron é formado pelo corpúsculo renal e uma
estrutura tubular. O corpúsculo renal compreende o
glomérulo e sua cápsula chamada cápsula de
Bowman, uma porção oca do néfron que circunda o
glomérulo .
Todos os corpúsculos renais estão na zona
cortical do rim. É no glomérulo que ocorre a filtração
do plasma. A estrutura tubular é formada,
sequencialmente, pelo: túbulo proximal, túbulo
intermediário(ou alça de Henle), túbulo distal e ducto
coletor.
O túbulo proximal é formado por um
segmento curvo e outro reto.O túbulo intermediário
começa no fim da parte reta do túbulo proximal e
possui uma alça fina descendente e outra alça fina
ascendente (anteriormente denominadas de alça de
Henle).
Depois da alça fina ascendente aparece a
parte grossa da alça ascendente que atualmente é
chamada túbulo distal reto. No final da alça
ascendente grossa (túbulo distal reto), já na região
cortical, inicia-se o túbulo distal convoluto, cujas
paredes ficam em contato com o glomérulo do qual se
originou e com as respectivas arteríolas aferente e
eferente.
A região de contato destas estruturas forma o
aparelho justaglomerular, que é o principal local de
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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controle do ritmo da filtração glomerular e do fluxo
sanguíneo renal. No aparelho justaglomerular
existem células especializadas que secretam a enzima
renina, envolvida no controle da pressão arterial
sanguínea.
Filtração
A formação da urina inicia-se no glomérulo,
onde cerca de 20% do plasma que entra no rim através
da artéria renal são filtrados. Após sua formação, o
filtrado glomerular caminha pelos túbulos renais e sua
composição e volume vão sendo modificados através
da reabsorção e secreção tubular existentes ao longo
do néfron.
Reabsorção tubular renal é o processo de
transporte de uma substância do interior do túbulo
para o sangue que envolve o túbulo. Graças à
reabsorção tubular muitas substâncias depois de
filtradas voltam ao sangue que percorre os capilares
peritubulares entrandode novo na circulação
sistêmica pela veia renal que sai do órgão.
Já o mecanismo inverso é denominado
secreção tubular, os solutos que passaram pelos
glomérulos e não foram filtrados vão atravessar uma
segunda rede capilar, peritubular, formada a partir das
arteríolas eferentes, e/ou serão transportadas do
interior celular para a luz tubular.
O hormônio antidiurético (ADH)
A permeabilidade à água do segmento final
do túbulo distal e do ducto coletor é regulada pelo
hormônio antidiurético (ADH).O hormônio
antidiurético (ADH) é um hormônio protéico
produzido no hipotálamo e armazenado na hipófise.
A partir da neuro-hipófise o ADH é liberado para o
sangue.
A principal ação do ADH é regular a
tonicidade do fluido extracelular, aumentando a
permeabilidade do ducto coletor cortical e medular à
água.O ADH aumenta a permeabilidade à água pela
abertura dos poros nas células epiteliais do ducto
coletor. Pode-se dizer que o ADH é o hormônio da
conservação da água.
Bexiga
Músculos circulares chamados esfíncteres
ajudam a evitar que a urina vaze. Os músculos
esfincterianos se fecham como uma fita de borracha
ao redor da abertura da bexiga na uretra, o tubo que
permite que a urina passe para fora do corpo.
Nervos da bexiga informam quando é hora de
urinar (esvaziar a bexiga). Ao passo que a bexiga vai
ficando repleta de urina, pode-se perceber uma
necessidade de urinar. A sensação de urinar torna-se
mais forte à medida que a urina continua a encher e
alcança seu limite. Neste momento, nervos da bexiga
enviam ao cérebro uma mensagem de que a bexiga
está cheia, e sua urgência para esvaziar a bexiga se
intensifica.
Quando você urina, o cérebro sinaliza aos
músculos da bexiga para se contraírem, espremendo
a urina para fora da bexiga. Ao mesmo tempo, o
cérebro sinaliza aos músculos do esfíncter para
relaxarem. Quando estes músculos relaxam a urina
sai da bexiga através da uretra. Quando todos os
sinais ocorrem na ordem correta, acontece o ato de
urinar normal.
Ureteres
O ureter é um duto com extensão de 25 a 30
cm que leva a urina dos rins para a bexiga.
As paredes deste duto são formadas por uma
fina camada de músculos que, ao se contrair,
conduzem a urina para a bexiga.
Fisiologicamente a função dos ureteres é a
propulsão da urina.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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O método é a contração por peristalse (em
ondas) da sua camada de músculo liso.
Esta contração é completamente
inconsciente.
Suor
O suor é um líquido produzido pelas
glândulas sudoríparas, que se encontra na pele.
Existem cerca de dois milhões de glândulas
sudoríparas espalhadas por nosso corpo; grande parte
delas localiza-se na fronte, nas axilas, na palma das
mãos e na planta dos pés.
O suor contém principalmente água, além de
outras substâncias, como uréia, ácido úrico e cloreto
de sódio (o sal de cozinha). As substâncias contidas
no suor são retiradas do sangue pelas glândulas
sudoríparas. Através de canal excretor - o duto
sudoríparo -, elas chegam até a superfície da pele,
saindo pelos poros. Eliminando o suor, a atividade
das glândulas sudoríparas contribui para a
manutenção da temperatura do corpo.
O homem é um animal homeotérmico, isto é,
mantém a temperatura do corpo praticamente
constante, ao redor de 36,5°C. Quando praticamos
algum exercício físico (futebol, corrida, levantamento
de objetos pesados, etc.), a grande atividade muscular
produz muito calor e a temperatura do corpo tende a
aumentar. então eliminamos suor; a água contida no
suor se evapora na pele, provocando uma redução na
temperatura do ar que a circunda. Isso favorece as
perdas de calor do corpo para o ambiente, fato que
contribui para a manutenção da temperatura do nosso
corpo.
SISTEMA REPRODUTOR FEMININO
O sistema reprodutor feminino é formado
pelas gônadas (ovários) que produzem os óvulos, as
tubas uterinas, que transportam os óvulos do ovário
até o útero e os protege, o útero, onde o embrião irá
se desenvolver caso haja fecundação, a vagina e a
vulva.
Ovários
Os ovários são órgãos sexuais primários,
produzem os óvulos e os hormônios sexuais
femininos estrógeno e progesterona. Os ovários
possuem o tamanho aproximado de uma azeitona.
A camada mais externa de tecido é chamada
de córtex e possui milhares de células, que são os
óvulos imaturos, chamados de folículos primários,
que completam seu desenvolvimento durante a
ovulação. Esses folículos começam crescer e se
desenvolver sob a ação dos hormônios, processo que
começa na adolescência.
Tubas uterinas
As tubas uterinas são formadas pelas
seguintes partes: a mesoalpinge é a região onde ela se
prende no útero, o istmo é a porção medial que se abre
o útero e a ampola é a região onde ela sofre uma
curvatura para encontrar o ovário.
Próximo ao ovário está o infundíbulo, que se
abre em uma cavidade chamada óstio abdominal, que
possui muitas fímbrias, que estão presas ao ovário.
Estas fímbrias movimentam-se, carregando o óvulo
pelo interior da tuba uterina, com o auxílio das células
ciliadas presentes na região e também de contrações
musculares da parede.
Útero
O útero possui a forma de uma pêra invertida,
é musculoso e oco. Na sua região superior/lateral está
ligado com as tubas uterinas e na região inferior está
ligado com a vagina.
Está situado na cavidade pélvica, atrás da
bexiga urinária e anteriormente ao reto.
O útero é formado pelas seguintes regiões:
corpo, istmo, colo, óstio e fundo. O corpo é a porção
superior do útero, que se estreita logo abaixo,
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
32
formando o istmo. O colo do útero é a região onde o
istmo encontra a vagina e possui forma cilíndrica. O
óstio é a abertura do útero na vagina. O fundo do útero
é a região próxima das ligações com as tubas uterinas.
O interior do útero é revestido por um tecido
muito vascularizado e sua parede é formada por três
camadas, que são as mesmas das tubas uterinas:
serosa, miométrio e endométrio. A serosa é formada
pelo peritônio. O miométrio encontra-se abaixo da
serosa e é responsável por boa parte da espessura da
parede uterina.
O endométrio é uma camada de células que
reveste a cavidade uterina e tem uma participação
muito importante durante a ovulação. Todo mês ele
se torna mais espesso para receber o óvulo fertilizado.
Caso não ocorra a fertilização, o endométrio que se
desenvolveu é eliminado através da menstruação.
Vagina
A vagina é um canal musculoso que liga o
colo do útero ate o exterior, na genitália. Próximo à
entrada da vagina há uma membrana vascularizada,
chamada hímen, que bloqueia a entrada da vagina
total ou parcialmente e normalmente se rompe nas
primeiras relações sexuais.
A mucosa vaginal possui pH ácido para
impedir a proliferação de microorganismos nesta
região.Na parede da vagina há células produtoras de
muco para lubrificar a região durante a relação sexual,
facilitando a penetração do pênis. Estas células são
chamadas de glândulas de Bartolin.
Genitália feminina externa
A genitália feminina externa é chamada de
vulva. Normalmente sua região mais externa é
coberta com pêlos.
É formada pelos grandes lábios, que
envolvem duas pregas menores, chamadas de
pequenos lábios e que protegem a abertura vaginal e
circundam o clitóris. São altamente vascularizados.O
clitóris é um pequeno órgão, altamente sensível e
corresponde a glande do pênis e é formado por tecido
erétil.
Períneo feminino
É a região externa entre a vagina e o ânus.
Mamas e glândulas mamárias
As glândulas mamárias produzem o leite que
servira de alimento para o recém nascido. Também
estão presentes nos homens, porém não produzem
leite.
São formadas externamente pelo mamilo e
aréola.As glândulas mamárias são formadas por 15 a
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
3320 lobos. É na puberdade, sob a ação dos hormônios
que elas começam se desenvolver.
Ciclo Menstrual
Ciclo menstrual é o nome dos processos que
ocorrem no sistema reprodutor feminino todo mês em
decorrência da ação dos hormônios estrógeno e
progesterona.
Fases do ciclo menstrual:
Fase menstrual
A menstruação é a eliminação do tecido
endometrial, sangue, secreções e muco do útero, e
dura de três a sete dias. Durante este processo o nível
de estrógeno e progesterona é baixo no sangue e
permitem que o hipotálamo secrete o fator liberador
do FSH (hormônio folículo-estimulante),
estimulando a adeno-hipófise a produzir FSH e LH,
estimulando o desenvolvimento do folículo primário.
Fase proliferativa
Nesta fase há um aumento na produção de
estrógeno e a parede do endométrio começa ficar
espessa. O folículo primário amadurece e começa
secretar progesterona. Quando a produção de
estrógeno chega ao seu máximo, o LH também tem
um aumento na sua produção, provocando a ruptura
do folículo maduro, ocorrendo a ovulação, próximo
ao 14º dia após o início da menstruação.
Essa fase é chamada de proliferativa, pois as
células do endométrio se proliferam e recebem vasos
sanguíneos.
Fase secretora
Após a ovulação, o folículo que se rompeu
sofre algumas transformações, tornando-se
amarelado e recebe o nome de corpo lúteo, ou corpo
amarelo. Sua função é produzir progesterona e
estrógeno. Com o aumento da produção destes
hormônios, a produção de LH e FSH cessa.
O endométrio está pronto para receber o
embrião e está ricamente vascularizado. Por volta da
4ª semana, o corpo lúteo regride e cessa a produção
de hormônios. Se não houver fecundação o
endométrio é eliminado através da menstruação,
iniciando um novo ciclo menstrual.
SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO
Testículos: são as gônadas masculinas. Cada
testículo é composto por um emaranhado de tubos, os
ductos seminíferos Esses ductos são formados pelas
células de Sértoli (ou de sustento) e pelo epitélio
germinativo, onde ocorrerá a formação dos
espermatozoides. Em meio aos ductos seminíferos, as
células intersticiais ou de Leydig (nomenclatura
antiga) produzem os hormônios sexuais masculinos,
sobretudo a testosterona, responsáveis pelo
desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e
dos caracteres sexuais secundários:
• Estimulam os folículos pilosos para que
façam crescer a barba masculina e o pêlo
pubiano.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
34
• Estimulam o crescimento das glândulas
sebáceas e a elaboração do sebo.
• Produzem o aumento de massa muscular nas
crianças durante a puberdade, pelo aumento
do tamanho das fibras musculares.
• Ampliam a laringe e tornam mais grave a
voz.
• Fazem com que o desenvolvimento da massa
óssea seja maior, protegendo contra a
osteoporose.
Epidídimos: são dois tubos enovelados que
partem dos testículos, onde os espermatozóides são
armazenados.
Canais deferentes: são dois tubos que partem
dos testículos, circundam a bexiga urinária e unem-se
ao ducto ejaculatório, onde desembocam as vesículas
seminais.
Vesículas seminais: responsáveis pela produção
de um líquido, que será liberado no ducto ejaculatório
que, juntamente com o líquido prostático e
espermatozóides, entrarão na composição do sêmen.
O líquido das vesículas seminais age como fonte de
energia para os espermatozóides e é constituído
principalmente por frutose, apesar de conter fosfatos,
nitrogênio não protéico, cloretos, colina (álcool de
cadeia aberta considerado como integrante do
complexo vitamínico B) e prostaglandinas
(hormônios produzidos em numerosos tecidos do
corpo. Algumas prostaglandinas atuam na contração
da musculatura lisa do útero na dismenorréia – cólica
menstrual, e no orgasmo; outras atuam promovendo
vasodilatação em artérias do cérebro, o que talvez
justifique as cefaléias – dores de cabeça – da
enxaqueca. São formados a partir de ácidos graxos
insaturados e podem ter a sua síntese interrompida
por analgésicos e antiinflamatórios).
Próstata: glândula localizada abaixo da bexiga
urinária. Secreta substâncias alcalinas que
neutralizam a acidez da urina e ativa os
espermatozóides.
Glândulas Bulbo Uretrais ou de Cowper: sua
secreção transparente é lançada dentro da uretra para
limpá-la e preparar a passagem dos espermatozóides.
Também tem função na lubrificação do pênis durante
o ato sexual.
Pênis: é considerado o principal órgão do
aparelho sexual masculino, sendo formado por dois
tipos de tecidos cilíndricos: dois corpos cavernosos e
um corpo esponjoso (envolve e protege a uretra). Na
extremidade do pênis encontra-se a glande - cabeça
do pênis, onde podemos visualizar a abertura da
uretra. Com a manipulação da pele que a envolve - o
prepúcio - acompanhado de estímulo erótico, ocorre
a inundação dos corpos cavernosos e esponjoso, com
sangue, tornando-se rijo, com considerável aumento
do tamanho (ereção). O prepúcio deve ser puxado e
higienizado a fim de se retirar dele o esmegma (uma
secreção sebácea espessa e esbranquiçada, com forte
odor, que consiste principalmente em células
epiteliais descamadas que se acumulam debaixo do
prepúcio). Quando a glande não consegue ser exposta
devido ao estreitamento do prepúcio, diz-se que a
pessoa tem fimose.
A uretra é comumente um canal destinado
para a urina, mas os músculos na entrada da bexiga se
contraem durante a ereção para que nenhuma urina
entre no sêmen e nenhum sêmen entre na bexiga.
Todos os espermatozóides não ejaculados são
reabsorvidos pelo corpo dentro de algum tempo.
Saco Escrotal ou Bolsa Escrotal ou Escroto:
Um espermatozóide leva cerca de 70 dias para ser
produzido. Eles não podem se desenvolver
adequadamente na temperatura normal do corpo
(36,5°C). Assim, os testículos se localizam na parte
externa do corpo, dentro da bolsa escrotal, que tem a
função de termorregulação (aproximam ou afastam os
testículos do corpo), mantendo-os a uma temperatura
geralmente em torno de 1 a 3 °C abaixo da corporal.
SISTEMA NERVOSO
O sistema nervoso é responsável pelo
ajustamento do organismo ao ambiente. Sua função é
perceber e identificar as condições ambientais
externas, bem como as condições reinantes dentro do
próprio corpo e elaborar respostas que adaptem a
essas condições.
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ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
35
A unidade básica do sistema nervoso é a
célula nervosa, denominada neurônio, que é uma
célula extremamente estimulável; é capaz de perceber
as mínimas variações que ocorrem em torno de si,
reagindo com uma alteração elétrica que percorre sua
membrana. Essa alteração elétrica é o impulso
nervoso. As células nervosas estabelecem conexões
entre si de tal maneira que um neurônio pode
transmitir a outros os estímulos recebidos do
ambiente, gerando uma reação em cadeia.
Neurônios: células nervosas
Um neurônio típico apresenta três partes
distintas: corpo celular, dentritos e axônio.
No corpo celular, a parte mais volumosa da
célula nervosa, se localiza o núcleo e a maioria das
estruturas citoplasmáticas.
Os dentritos (do grego dendron, árvore) são
prolongamentos finos e geralmente ramificados que
conduzem os estímulos captados do ambiente ou de
outras células em direção ao corpo celular.
O axônio é um prolongamento fino,
geralmente mais longo que os dentritos, cuja função
é transmitir para outras células os impulsos nervosos
provenientes do corpo celular.
Os corpos celulares dos neurônios estão
concentrados no sistema nervoso central e também
em pequenas estruturas globosas espalhadas pelo
corpo, os gânglios nervosos. Os dentritos e o axônio,
genericamente chamados fibras nervosas, estendem-
se por todo o corpo, conectando os corpos celulares
dos neurônios entre si e às células sensoriais,
muscularese glandulares.
Células Glia
Além dos neurônios, o sistema nervoso
apresenta-se constituído pelas células glia, ou células
gliais, cuja função é dar sustentação aos neurônios e
auxiliar o seu funcionamento. As células da glia
constituem cerca de metade do volume do nosso
encéfalo. Há diversos tipos de células gliais. Os
astrócitos, por exemplo, dispõem-se ao longo dos
capilares sanguíneos do encéfalo, controlando a
passagem de substâncias do sangue para as células do
sistema nervoso. Os oligodendrócitos e as células de
Schwann enrolam-se sobre os axônios de certos
neurônios, formando envoltórios isolantes.
Impulso Nervoso
A despolarização e a repolarização de um
neurônio ocorrem devido as modificações na
permeabilidade da membrana plasmática. Em um
primeiro instante, abrem-se "portas de passagem" de
Na+, permitindo a entrada de grande quantidade
desses íons na célula. Com isso, aumenta a
quantidade relativa de carga positiva na região interna
na membrana, provocando sua despolarização. Em
seguida abrem-se as "portas de passagem" de K+,
permitindo a saída de grande quantidade desses íons.
Com isso, o interior da membrana volta a ficar com
excesso de cargas negativas (repolarização). A
despolarização em uma região da membrana dura
apenas cerca de 1,5 milésimo de segundo (ms).
O estímulo provoca, assim, uma onda de
despolarizações e repolarizações que se propaga ao
longo da membrana plasmática do neurônio. Essa
onda de propagação é o impulso nervoso, que se
propaga em um único sentido na fibra nervosa.
Dentritos sempre conduzem o impulso em direção ao
corpo celular, por isso diz que o impulso nervoso no
dentrito é celulípeto. O axônio por sua vez, conduz o
impulso em direção às suas extremidades, isto é, para
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
36
longe do corpo celular; por isso diz-se que o impulso
nervoso no axônio é celulífugo.
A velocidade de propagação do impulso
nervoso na membrana de um neurônio varia entre
10cm/s e 1m/s. A propagação rápida dos impulsos
nervosos é garantida pela presença da bainha de
mielina que recobre as fibras nervosas. A bainha de
mielina é constituída por camadas concêntricas de
membranas plasmáticas de células da glia,
principalmente células de Schwann. Entre as células
gliais que envolvem o axônio existem pequenos
espaços, os nódulos de Ranvier, onde a membrana do
neurônio fica exposta.
Nas fibras nervosas mielinizadas, o impulso
nervoso, em vez de se propagar continuamente pela
membrana do neurônio, pula diretamente de um
nódulo de Ranvier para o outro. Nesses neurônios
mielinizados, a velocidade de propagação do impulso
pode atingir velocidades da ordem de 200m/s (ou
720km/h ).
Sinapses: transmissão do impulso nervoso entre
células
Um impulso é transmitido de uma célula a
outra através das sinapses (do grego synapsis, ação de
juntar). A sinapse é uma região de contato muito
próximo entre a extremidade do axônio de um
neurônio e a superfície de outras células. Estas células
podem ser tanto outros neurônios como células
sensoriais, musculares ou glandulares.
As terminações de um axônio podem
estabelecer muitas sinapses simultâneas. Na maioria
das sinapses nervosas, as membranas das células que
fazem sinapses estão muito próximas, mas não se
tocam. Há um pequeno espaço entre as membranas
celulares (o espaço sináptico ou fenda sináptica).
Quando os impulsos nervosos atingem as
extremidades do axônio da célula pré-sináptica,
ocorre liberação, nos espaços sinápticos, de
substâncias químicas denominadas
neurotransmissores ou mediadores químicos, que tem
a capacidade de se combinar com receptores
presentes na membrana das célula pós-sináptica,
desencadeando o impulso nervoso. Esse tipo de
sinapse, por envolver a participação de mediadores
químicos, é chamado sinapse química. Os cientistas
já identificaram mais de dez substâncias que atuam
como neurotransmissores, como a acetilcolina, a
adrenalina (ou epinefrina), a noradrenalina (ou
norepinefrina), a dopamina e a serotonina.
Sinapses Neuromusculares
A ligação entre as terminações axônicas e as
células musculares é chamada sinapse neuromuscular
e nela ocorre liberação da substância
neurotransmissora acetilcolina que estimula a
contração muscular.
Sinapses Elétricas
Em alguns tipos de neurônios, o potencial de
ação se propaga diretamente do neurônio pré-
sináptico para o pós-sináptico, sem intermediação de
neurotransmissores. As sinapses elétricas ocorrem no
sistema nervoso central, atuando na sincronização de
certos movimentos rápidos.
Sistema Nervoso Central
O encéfalo se aloja no interior do crânio, e a
medula espinal no interior de um canal existente na
coluna vertebral. O encéfalo e a medula são formados
por células da glia, por corpos celulares de neurônios
e por feixes de dentritos e axônios.
Substância branca e cinzenta
A camada mais externa do encéfalo tem cor cinzenta
e é formada principalmente por corpos celulares de
neurônios. Já a região encefálica mais interna tem cor
branca e é constituída principalmente por fibras
nervosas (dentritos e axônios). A cor branca se deve
a bainha de mielina que reveste as fibras.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
37
Na medula espinal, a disposição das substâncias
cinzenta e branca se inverte em relação ao encéfalo; a
camada cinzenta é interna e a branca, externa.
Meninges
Tanto o encéfalo como a medula espinal são
protegidos por três camadas de tecido conjuntivo (as
meninges). A meninge externa, mais espessa, é a
dura-máter; a meninge mediana é a aracnóide; e a
mais interna é a pia-máter, firmemente aderido ao
encéfalo e a medula. A pia-máter contém vasos
sanguíneos responsáveis pela nutrição e oxigenação
das células do sistema nervoso central.
Entre a aracnóide e a pia-máter, há um espaço
preenchido pelo líquido cerebrospinal ou líquido
cefalorraquidiano, que também circula nas cavidades
internas do encéfalo e da medula, esse líquido tem a
função de amortecer os choques mecânicos do
sistema nervoso central contra os ossos do crânio e
da coluna vertebral.
Partes do encéfalo
Suas partes fundamentais são:
• Lobo olfativo;
• Cérebro;
• Tálamo;
• Lobo óptico;
• Cerebelo;
• Bulbo raquidiano (ou medula oblonga).
Sistema Nervoso Periférico
O Sistema Nervoso Periférico é constituído
pelos nervos e gânglios nervosos e sua função é
conectar o sistema nervoso central às diversas partes
do corpo humano.
Nervos e gânglios nervosos
Nervos são feixes de fibras nervosas envoltas
por uma capa de tecido conjuntivo. Nos nervos há
vasos sanguíneos, responsáveis pela nutrição das
fibras nervosas.
As fibras presentes nos nervos podem ser
tanto dentritos como axônios que conduzem,
respectivamente, impulsos nervosos das diversas
regiões do corpo ao sistema nervoso central e vice-
versa.Gânglios nervosos são aglomerados de corpos
celulares de neurônios localizados fora do sistema
nervoso central. Os gânglios aparecem como
pequenas dilatações em certos nervos.
Nervos sensitivos, motores e mistos
Nervos sensitivos são os que contêm somente
fibras sensitivas, que conduzem impulsos dos órgãos
sensitivos para o sistema nervoso central. Nervos
motores são os que contêm somente fibras motoras,
que conduzem impulsos do sistema nervoso central
até os órgãos efetuadores (músculos ou glândulas).
Nervos mistos contêm tanto fibras sensitivas quanto
motoras.
Nervos cranianos
São os nervos ligados ao encéfalo, enquanto
nervos ligados à medula espinal são denominados
nervos espinais ou raquidianos. Possuímos doze pares
de nervos cranianos, responsáveis pela intervenção
dos órgãos do sentido, dos músculos e glândulas da
cabeça, e também de alguns órgãos internos.
Nervos espinais ou raquidianos
Dispõem-se em pares ao longo da medula,
um par por vértebra.Cada nervo do par liga-se
lateralmente à medula por meio de duas "raízes", uma
localizada em posição mais dorsal e outra em posição
mais ventral.
A raiz dorsal de um nervo espinal é formada
por fibras sensitivas e a raiz ventral, por fibras
motoras.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
38
Gânglios espinais
Na raiz dorsal de cada nervo espinal há um
gânglio, o gânglio espinal, onde se localizam os
corpos celulares dos neurônios sensitivos. Já os
corpos celulares dos neurônios motores localizam-se
dentro da medula, na substância cinzenta. Os nervos
espinais ramificam-se perto da medula e os diferentes
ramos inervam os músculos, a pele e as vísceras.
Fisiologia do sistema nervoso
Funções do encéfalo
As informações vindas das diversas partes do
corpo, chegam até as partes específicas do encéfalo,
chamadas de centros nervosos, onde são integradas
para gerar ordens de ação na forma de impulsos
nervosos que são emitidas às diversas partes do corpo
através das fibras motoras presentes nos nervos
cranianos e espinais.
O encéfalo humano contém cerca de 35
bilhões de neurônios e pesa aproximadamente 1,4 kg.
A região superficial do cérebro, que acomoda bilhões
de corpos celulares de neurônios (substância
cinzenta), constitui o córtex cerebral. O córtex
cerebral está dividido em mais de quarenta áreas
funcionalmente distintas. Cada uma delas controla
uma atividade específica.
Tálamo e Hipotálamo
Todas as mensagens sensoriais, com exceção
das provenientes dos receptores do olfato, passam
pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral. Este é
uma região de substância cinzenta localizada entre o
tronco encefálico e o cérebro. O tálamo atua como
estação retransmissora de impulsos nervosos para o
córtex cerebral. Ele é responsável pela condução dos
impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles
devem ser processados.
O hipotálamo, também constituído por
substância cinzenta, é o principal centro integrador
das atividades dos órgãos viscerais, sendo um dos
principais responsáveis pela homeostase corporal. Ele
faz ligação entre o sistema nervoso e o sistema
endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas
endócrinas. É o hipotálamo que controla a
temperatura corporal, regula o apetite e o balanço de
água no corpo e está envolvido na emoção e no
comportamento sexual.
Tronco Encefálico
Formado pelo mesencéfalo, pela ponte e pela
medula oblonga (ou bulbo raquidiano), o tronco
encefálico conecta o cérebro à medula espinal. Além
de coordenar e integrar as informações que chegam
ao encéfalo, ele controla a atividade de diversas partes
do corpo.
O mesencéfalo é responsável por certos
reflexos. A ponte é constituída principalmente por
fibras nervosas mielinizadas que ligam o córtex
cerebral ao cerebelo. O bulbo raquidiano participa na
coordenação de diversos movimentos corporais e
possui importantes centros nervosos.
Cerebelo
É o responsável pela manutenção do
equilíbrio corporal, é graças a ele que podemos
realizar ações complexas, como andar de bicicleta e
tocar violão, por exemplo. O cérebro recebe as
informações de diversas partes do encéfalo sobre a
posição das articulações e o grau de estiramento dos
músculos, bem como informações auditivas e visuais.
Funções da medula espinal
A medula espinal elabora respostas simples
para certos estímulos. Essas respostas medulares,
denominadas atos reflexos, permitem ao organismo
reagir rapidamente em situações de emergência. A
medula funciona também como uma estação
retransmissora para o encéfalo. Informações colhidas
nas diversas partes do corpo chegam à medula, de
onde são retransmitidas ao encéfalo para serem
analisadas. Por outro lado, grande parte das ordens
elaboradas no encéfalo passa pela medula antes de
chegar aos seus destinos.
A parte externa da médula, de cor branca, é
constituída por feixes de fibras nervosas mielinizadas,
denominados tratos nervosos, que são responsáveis
pela condução de impulsos das diversas regiões da
medula para o encéfalo e vice-versa.
Divisão funcional do SNP
As ações voluntárias resultam da contração
de músculos estriados esqueléticos, que estão sob o
controle do sistema nervoso periférico voluntário ou
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
39
somático. Já as ações involuntárias resultam da
contração das musculaturas lisa e cardíaca,
controladas pelo sistema nervoso periférico
autônomo, também chamado involuntário ou
visceral.
SNP Voluntário
Tem por função reagir a estímulos
provenientes do ambiente externo. Ele é constituído
por fibras motoras que conduzem impulsos do
sistema nervoso central aos músculos esqueléticos.
SNP Autônomo
Tem por função regular o ambiente interno do
corpo, controlando a atividade dos sistemas
digestivos, cardiovascular, excretor e endócrino. Ele
contém fibras nervosas que conduzem impulsos do
sistema nervoso central aos músculos lisos das
vísceras e à musculatura do coração.
Sistema Nervoso Autônomo
SNP Autônomo Simpático e SNP Autônomo
Parassimpático
O SNP autônomo (SNPA) é dividido em dois
ramos: simpático e parassimpático, que se distinguem
tanto pela estrutura quanto pela função. Enquanto os
gânglios da via simpática localizam-se ao lado da
medula espinal, distantes do órgão efetuador, os
gânglios das vias parassimpáticas estão longe do
sistema nervoso central e próximos ou mesmo dentro
do órgão efetuador.
As fibras nervosas simpáticas e
parassimpáticas inervam os mesmos órgãos, mas
trabalham em oposição. Enquanto um dos ramos
estimula determinado órgão, o outro o inibe. Essa
ação antagônica mantém o funcionamento
equilibrado dos órgãos internos.
O SNPA simpático, de modo geral, estimula
ações que mobilizam energia, permitindo ao
organismo responder a situações de estresse. Por
exemplo, o SNPA simpático é responsável pela
aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da
pressão sanguínea, pelo aumento da concentração de
açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo
geral do corpo.
Já o SNPA parassimpático estimula
principalmente atividades relaxantes, como a redução
do ritmo cardíaco e da pressão sanguínea, entre
outras.
Mediadores químicos no SNPA Simpático e
Parassimpático
Tanto nos gânglios do SNPA simpático como
nos do parassimpático ocorrem sinapses químicas
entre os neurônios pré-ganglionares e os pós-
ganglionares. Nos dois casos, a substância
neurotransmissora da sinapse é a acetilcolina. No
SNPA parassimpático, o neurotransmissor é a
acetilcolina, como nas sinapses ganglionares. Já no
simpático, o neurotransmissor é, com poucas
exceções, a noradrenalina.existe
uma delicada membrana - o periósteo - responsável
pelo crescimento em espessura do osso e também pela
consolidação dos ossos após fraturas (calo ósseo). As
superfícies articulares são revestidas por cartilagem.
Entre as epífises e a diáfise encontra-se um disco ou
placa de cartilagem nos ossos em crescimento, tal
disco é chamado de disco metafisário (ou epifisário)
e é responsável pelo crescimento longitudinal do
osso. O interior dos ossos é preenchido pela medula
óssea, que, em parte é amarela, funcionando como
depósito de lipídeos, e, no restante, é vermelha e
gelatinosa, constituindo o local de formação das
células do sangue, ou seja, da hematopoiese. O tecido
hematopoiético é popularmente conhecido por
"tutano". As maiores quantidades de tecido
hematopoiético estão nos ossos da bacia e no esterno.
Nos ossos longos, a medula óssea vermelha é
encontrada principalmente nas epífises.
SISTEMA MUSCULAR
O sistema muscular é formado pelo
conjunto de músculos do nosso corpo. Existem cerca
de 600 músculos no corpo humano; juntos eles
representam de 40 a 50% do peso total de uma pessoa.
Os músculos são capazes de se contrair e de se
relaxar, gerando movimentos que nos permitem
andar, correr, saltar, nadar, escrever, impulsionar o
alimento ao longo do tubo digestório, promover a
circulação do sangue no organismo, urinar, defecar,
piscar os olhos, rir, respirar...
A nossa capacidade de locomoção depende
da ação conjunta de ossos, articulações e músculos,
sob a regulação do sistema nervoso.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
6
No corpo humano, existem músculos
grandes, como os da coxa, e músculos pequenos,
como certos músculos da face. Eles podem ser
arredondados (os orbiculares dos olhos, por
exemplo); planos (os do crânio, entre outros); ou
fusiformes (como os do braço).
Mas, de maneira geral, podemos reconhecer
três tipos de músculo no corpo humano:
• Músculo não estriado (músculo liso);
• Músculo estriado esquelético;
• Músculo estriado cardíaco.
Os músculos não estriados têm contração
lenta e involuntária, isto é, os movimentos por eles
gerados ocorrem independentemente da nossa
vontade.
Esses músculos são responsáveis, por
exemplo, pela ereção dos pêlos na pele (“arrepio”) e
pelos movimentos de órgãos como o esôfago, o
estômago, o intestino, as veias e as artérias, ou seja,
músculos associados aos movimentos peristálticos e
ao fluxo de sangue no organismo.
Os músculos estriados esqueléticos fixam-
se aos ossos geralmente por meio de cordões fibrosos,
chamados tendões. Possuem contração vigorosa e
voluntária, isto é, seus movimentos obedecem a nossa
vontade. Exemplos: os músculos das pernas, dos pés,
dos braços e das mãos.
O músculo estriado cardíaco é o
miocárdio, o músculo do coração, que promove os
batimentos cardíacos. Sua contração é vigorosa e
involuntária.
SISTEMA DIGESTÓRIO
Após uma refeição, os nutrientes presentes nos
alimentos devem chegar às células. No entanto, a
maioria deles não as atinge diretamente. Precisam ser
transformadas para então, nutrir o nosso corpo. Isto
porque as células só conseguem absorver nutrientes
simples e esse processo de “simplificação”recebe o
nome de digestão.
As enzimas digestórias
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
7
O nosso corpo produz vários tipos de enzimas
digestórias. Cada tipo de enzima é capaz de digerir
somente determinada espécie de molécula presente
nos alimentos. Assim, as amilases ação as enzimas
que atuam somente sobre o amido;
as proteases agem sobre as proteínas;
as lípases sobre os lipídios, e assim por diante.
Há substâncias que nenhuma enzima humana é capaz
de digerir. Uma delas é a celulose, que participa da
formação da parede das células vegetais. Como a
celulose é uma molécula grande demais para ser
absorvida e não é digerida, ela é eliminada com as
fezes.
Tubo digestório
O tubo digestório é composto pelos seguintes
órgãos:
BOCA
A boca é a primeira estrutura do sistema digestório,
onde é liberada a saliva que inicia a digestão química.
O assoalho da boca é ocupado pela língua. Ela
contribui para a mistura dos alimentos com a saliva,
mantém o alimento junto aos dentes, empurra o
alimento para a faringe, limpa os dentes e é o órgão
importante da fala. A língua apresenta ainda
as papilas linguais, estruturas responsáveis pela
gustação.
Anexas à boca estão três pares de glândulas
salivares, que são órgãos produtores de saliva.
A saliva contém uma enzima do tipo amilase,
chamada ptialina, que age sobre o amido e o
transforma em maltose, uma variedade de açúcar
formada pela união de duas moléculas de glicose.
A língua
A língua movimenta o alimento
empurrando-o em direção a garganta, para que seja
engolido. Na superfície da língua existem dezenas de
papilas gustativas, cujas células sensoriais percebem
os sabores: amargo (A), azedo ou ácido (B), salgado
(C) e doce (D). De sua combinação resultam centenas
de sabores distintos. A distribuição dos quatro tipos
de receptores gustativos, na superfície da língua, não
é homogênea.
Dentes
Os dentes cortam, prendem e trituram os
alimentos. Em um ser humano adulto, existem 32
dentes, dezesseis em cada arco dental, assim
distribuídos:
• Quatro incisivos – localizados na frente, dois do
lado esquerdo e dois do lado direito -, que cortam os
alimentos;
• Dois caninos – também chamados de “presas”, um
de cada lado -, que perfuram os alimentos;
• Quatro pré-molares – dois de cada lado -, que
trituram os alimentos;
• Seis molares – três de cada lado -, que também
trituram os alimentos; destes, o terceiro ou último
molar (o dente do siso) pode nunca vir a nascer.
Da Boca Para O Estômago
Deglutição
Após a mastigação e a salivação, forma-se o que
chamamos de bolo alimentar, que é deglutido. Após
o ato de engolir, o bolo alimentar passa pela faringe e
chega ao esôfago.
Faringe
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
8
A faringe é um órgão cavitário alongado em forma de
funil, situado logo a pós a boca. Ela se comunica com
a boca, com as cavidades nasais, com a laringe e com
o esôfago. Quando o alimento chega à faringe, os
músculos de sua parede se contraem e empurram o
alimento para o esôfago.
Quando o alimento chega à faringe, os músculos de
sua parede se contraem e empurram o alimento para
o esôfago. Na região entre a boca e a faringe
encontram-se as tonsilas palatinas (amídalas) direita
e esquerda. São órgãos de defesa do corpo.
Esôfago
O esôfago é um órgão em forma de tubo, com paredes
flexíveis e que mede aproximadamente 25
centímetros de comprimento. Em sua parede superior,
ele se comunica com a faringe; em sua parte inferior,
comunica-se com o estômago. Por meio de
movimentos peristálticos, o esôfago empurra o
alimento para o estômago.
Movimentos peristálticos
A deglutição é um movimento voluntário, isto é,
executamos conscientemente o ato de engolir. A
partir daí, os movimentos peristálticos conduzem o
bolo alimentar pelo tubo digestório. Esses
movimentos são involuntários, isto é, independem da
nossa vontade. São contrações dos músculos situados
no esôfago, no estômago e nos intestinos, onde são
mais intensos. Além de empurrar o alimento ao longo
do tubo digestório, promovem a sua mistura.
Os movimentos peristálticos participam da digestão
mecânica, fazendo com que o bolo alimentar seja
empurrado do esôfago para o estômago. Uma válvula,
a cárdia, regula essa passagem do alimento.
ESTÔMAGO E SUCO GÁSTRICO
O estômago é uma bolsa de parede musculosa, com
25 cm de comprimento, localizada no lado esquerdo
abaixo do abdome, logo abaixo das últimas costelas.
É um órgão muscular que liga o esôfago ao intestino
delgado. Possui 03 zonas distintas: Cárdia, que o
separa do esôfago e tem uma válvula que impede o
refluxo dosalimentos, o Fundo (corpo) e o Piloro,
outra válvula que o separa do intestino delgado. Sua
função principal é a digestão de alimentos proteicos.
O estômago produz o suco gástrico, um líquido claro,
transparente, altamente ácido, que contêm ácido
clorídrico, muco, enzimas e sais. O ácido clorídrico
mantém o pH do interior do estômago entre 0,9 e 2,0.
Também dissolve o cimento intercelular dos tecidos
dos alimentos, auxiliando a fragmentação mecânica
iniciada pela mastigação. No estômago, os
movimentos peristálticos misturam o bolo alimentar
ao suco gástrico, A pepsina, a principal enzima do
estômago, atua na transformação das proteínas,
intensificando a digestão química, que continuará no
intestino. O suco alimentar resultante da digestão
gástrica é denominada quimo; por isso, a digestão
gástrica é também denominada
quimificação. Através de outra válvula – o piloro -, é
regulada a passagem do quimo para o intestino.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
9
INTESTINO DELGADO
O intestino delgado é um tubo com pouco mais de 6
m de comprimento por 04cm de diâmetro e pode ser
dividido em três regiões: duodeno (cerca de 25 cm),
jejuno (cerca de 5 m) e íleo (cerca de 1,5 cm).A
porção superior ou duodeno tem a forma de ferradura
e compreende o piloro, esfíncter muscular da parte
inferior do estômago pela qual este esvazia seu
conteúdo no intestino. A digestão do quimo ocorre
predominantemente no duodeno e nas primeiras
porções do jejuno. Na digestão química, há a ação
dessas secreções:
• Bile – secreção do fígado armazena na vesícula biliar.
Ela é lançada no duodeno através de um canal e não
contém enzimas digestivas; mas os sais biliares
separam as gorduras em partículas microscópicas,
funcionando de modo semelhante a um detergente.
Isso facilita a ação das enzimas pancreáticas sobre os
lipídios.
• Suco pancreático – É produzido pelo pâncreas.
Possui várias enzimas que atuam n digestão das
proteínas, dos carboidratos e dos lipídios.
• Suco entérico – é produzido pela mucosa intestinal.
Possui enzimas que atuam na transformação, entre
outras substâncias, das proteínas e dos carboidratos.
Ao término do processo digestório no intestino
delgado, o conjunto de substâncias resultantes forma
um líquido viscoso de cor branca denominado quilo.
A digestão continua no jejuno e no íleo.
O destino dos alimentos
O quilo, produto da digestão, é composto pelos
nutrientes transformados em moléculas muito
pequenas, mais as vitaminas e sais minerais. As
substâncias que formam o quilo podem ser absorvidas
pelo organismo, isto é, atravessam as células do
intestino, por meio das vilosidades do intestino
delgado.
Com isso, ocorre a passagem das substâncias
nutritivas para os capilares sanguíneos – ocorre a
absorção dos nutrientes. O que não é absorvido, parte
da água e massa alimentar, formada principalmente
pelas fibras, passa para o intestino grosso.
INTESTINO GROSSO
É o local de absorção de água, tanto a ingerida
quanto a das secreções digestivas. Uma pessoa bebe
cerca de 1,5 litros de líquidos por dia, que se une a 8
ou 9 litros de água das secreções. Glândulas da
mucosa do intestino grosso secretam muco, que
lubrifica as fezes, facilitando seu trânsito e
eliminação pelo ânus.
Mede cerca de 1,5 m de comprimento e divide-se em
ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon
descendente, cólon sigmoide e reto. A saída do reto
chama-se ânus e é fechada por um músculo que o
rodeia, o esfíncter anal. Algumas bactérias
intestinais fermentam e assim decompõem resíduos
de alimentos e produzem vitaminas (a vitamina K e
algumas vitaminas do complexo B), que são
aproveitadas pelo organismo. Nessas atividades, as
bactérias produzem gases – parte deles é absorvida
pelas paredes intestinais e outra é eliminada pelo
ânus.
O material que não foi digerido, as fibras, por
exemplo, forma as fezes que são acumuladas no reto
e, posteriormente, empurradas por movimentos
musculares ou peristálticos para fora do ânus. É
quando sentimos vontade de defecar, ou seja, eliminar
as fezes.
Concluídas todas as etapas da digestão, os nutrientes
que chegam à circulação sanguínea são distribuídos a
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
10
todas as células, e assim são utilizados pelo
organismo.
GLÂNDULAS ANEXAS
As glândulas salivares
A presença de alimento na boca, assim como sua
visão e cheiro, estimulam as glândulas salivares a
secretar saliva, que contém a enzima amilase salivar
ou ptialina, além de sais e outras substâncias. A
amilase salivar digere o amido e outros
polissacarídeos (como o glicogênio), reduzindo-os
em moléculas de maltose (dissacarídeo). Três pares
de glândulas salivares lançam sua secreção na
cavidade bucal: parótida, submandibular e
sublingual:
• Glândula parótida - Com massa variando
entre 14 e 28 g, é a maior das três; situa-se na
parte lateral da face, abaixo e adiante do
pavilhão da orelha.
• Glândula submandibular - É arredondada,
mais ou menos do tamanho de uma noz.
• Glândula sublingual - É a menor das três; fica
abaixo da mucosa do assoalho da boca.
Os sais da saliva neutralizam substâncias ácidas e
mantêm, na boca, um pH neutro (7,0) a levemente
ácido (6,7), ideal para a ação da ptialina. O alimento,
que se transforma em bolo alimentar, é empurrado
pela língua para o fundo da faringe, sendo
encaminhado para o esôfago, impulsionado pelas
ondas peristálticas (como mostra a figura na página
07), levando entre 5 e 10 segundos para percorrer o
esôfago. Através dos peristaltismos, você pode ficar
de cabeça para baixo e, mesmo assim, seu alimento
chegará ao intestino. Entra em ação um mecanismo
para fechar a laringe, evitando que o alimento penetre
nas vias respiratórias. Quando a cárdia (anel
muscular, esfíncter) se relaxa, permite a passagem do
alimento para o interior do estômago.
Pâncreas
O pâncreas é uma glândula mista, de mais ou
menos 15 cm de comprimento e de formato
triangular, localizada transversalmente sobre a parede
posterior do abdome, na alça formada pelo duodeno,
sob o estômago. O pâncreas é formado por uma
cabeça que se encaixa no quadro duodenal, de um
corpo e de uma cauda afilada. A secreção externa dele
é dirigida para o duodeno pelos canais de Wirsung e
de Santorini. O pâncreas comporta dois órgãos
estreitamente intrincados: pâncreas exócrino e o
endócrino.
O pâncreas exócrino produz enzimas
digestivas, em estruturas reunidas denominadas
ácinos. Os ácinos pancreáticos estão ligados através
de finos condutos, por onde sua secreção é levada até
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
11
um condutor maior, que desemboca no duodeno,
durante a digestão.
Fígado
É o maior órgão interno, e é ainda um dos
mais importantes. É a mais volumosa de todas as
vísceras, pesa cerca de 1,5 kg no homem adulto, e na
mulher adulta entre 1,2 e 1,4 kg. Tem cor arroxeada,
superfície lisa e recoberta por uma cápsula própria.
Está situado no quadrante superior direito da cavidade
abdominal.
O tecido hepático é constituído por
formações diminutas que recebem o nome de lobos,
compostos por colunas de células hepáticas ou
hepatócitos, rodeadas por canais diminutos
(canalículos), pelos quais passa a bile, secretada pelos
hepatócitos. Estes canais se unem para formar o ducto
hepático que, junto com o ducto procedente da
vesícula biliar, forma o ducto comum da bile, que
descarrega seu conteúdo no duodeno.
As células hepáticas ajudam o sangue a
assimilar as substâncias nutritivas e a excretar os
materiais residuais e as toxinas, bem como esteroides,
estrógenos e outros hormônios. O fígado é um órgão
muito versátil. Armazena glicogênio, ferro, cobre e
vitaminas. Sintetiza também o colesterol e purifica
muitos fármacos e muitas outras substâncias. O termo
hepatiteé usado para definir qualquer inflamação no
fígado, como a cirrose.
Funções do fígado:
• Secretar a bile, líquido que atua no
emulsionamento das gorduras ingeridas;
• Remover moléculas de glicose no sangue,
reunindo-as quimicamente para formar
glicogênio, que é armazenado; nos momentos
de necessidade, o glicogênio é reconvertido
em moléculas de glicose, que são relançadas
na circulação;
• Armazenar ferro e certas vitaminas em suas
células;
• Metabolizar lipídeos;
• Sintetizar diversas proteínas presentes no
sangue, de fatores imunológicos e de
coagulação e de substâncias transportadoras
de oxigênio e gorduras;
• Degradar álcool e outras substâncias tóxicas,
auxiliando na desintoxicação do organismo;
• Destruir hemácias (glóbulos vermelhos)
velhas ou anormais, transformando sua
hemoglobina em bilirrubina, o pigmento
castanho-esverdeado presente na bile.
OBESIDADE E PROCESSO INFLAMATÓRIO
Nosso tecido gorduroso — que de agora em
diante chamarei de tecido adiposo — é formado por
células que recebem o nome de adipócitos. Essas
células, além de estocar gorduras, regulam vários
aspectos de nosso metabolismo, produzindo uma
série de hormônios e moléculas inflamatórias.
A inflamação induzida pela obesidade é também
chamada de “metainflamação”, por seu potencial
envolvimento em algumas doenças, como resistência
à insulina, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares,
esteatose hepática, além de diversos tipos de câncer.
Para simplificar, pode-se dizer que a obesidade ocorre
pelo resultado de um aumento do tecido adiposo que
pode acontecer de duas formas: com o aumento do
número de células (hiperplasia), ou com o aumento
do tamanho das células já existentes (hipertrofia). As
células de gordura podem aumentar em até mil vezes
só por hipertrofia, independentemente da época de
vida, desde que haja espaço disponível nos
adipócitos.
Ao contrário do que se pensava, a hiperplasia
(aumento de células novas) pode ocorrer em qualquer
época da vida, e não apenas na infância e na
adolescência. Quando a quantidade de gordura nas
células existentes alcança o limite de sua capacidade,
uma nova célula cresce para, assim, poder acumular
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
12
mais gordura. Por isso, é mais difícil ter sucesso na
manutenção do peso em pessoas que tem uma
obesidade hipercelular do que na obesidade
hipertrófica.
Como já disse, nosso tecido adiposo é um órgão
secretório ativo que produz inúmeras substâncias para
sinalização em nosso metabolismo. Entre elas estão
substâncias ativadoras de nosso sistema imunológico,
e sua relação com a inflamação é compreensível, visto
que várias dessas substâncias são pró-
inflamatórias. Além disso, quando temos esse
processo inflamatório na obesidade, ocorre também
um aumento do estresse oxidativo. Eu costumo
explicar: o ferro enferruja, nós oxidamos.
Esse estresse oxidativo resulta do acúmulo de radicais
livres, que são substâncias que danificam as células.
Acredita-se que o dano causado pelo estresse
oxidativo contribua para o envelhecimento e para o
surgimento de muitas doenças. Na obesidade, a
produção de radicais livres aumenta nos adipócitos.
Temos também células em nosso organismo
chamadas de macrófagos, que são células de defesa
que atuam na resposta inflamatória. Eles são os
grandes “faxineiros” (fagocitam, isto é, “englobam e
digerem” o que precisa ser eliminado) e “fofoqueiros”
de nosso organismo, sinalizando para outras células
do sistema de defesa o que deve ser combatido.
Esses macrófagos acabam por se infiltrar no tecido
adiposo em resposta à produção de substâncias pró-
inflamatórias do próprio adipócito. As substâncias
produzidas tanto pelo tecido adiposo como pelos
macrófagos, que também secretam substâncias
sinalizadoras, caem na corrente sanguínea, o que
torna essa inflamação sistêmica.
Mas é possível também que a presença de inflamação
esteja aumentada por outras causas, por exemplo
alergias alimentares, principalmente no caso das
alergias consideradas “tardias”, que podem se
manifestar, de forma subclínica, até três a quatro dias
depois de o alimento ter sido consumido.
Essas alergias geram processos inflamatórios que
contribuem para uma resistência à insulina, pois a
presença dessas substâncias inibe a ação da insulina
por meio de alteração da sinalização de seu receptor.
Além disso, essas substâncias pró-inflamatórias
exacerbam a produção de radicais livres, aumentam
os níveis de cortisol e aumentam as moléculas de
adesão plaquetária, contribuindo para o processo de
aterogênese (aquele que entope as artérias e veias).
Mas essa produção de substâncias pró-inflamatórios
também sofre influência das gorduras da dieta, como
a gordura saturada, a gordura trans e o aumento no
consumo de ácidos graxos poli-insaturados da série
ômega 6 em desequilíbrio com os da série ômega 3,
tudo isso gerando uma lipotoxicidade, uma das causas
também da resistência à insulina.
Tanto o ômega 3 como o ômega 6 são ácidos graxos
essenciais, isto é, precisamos ingeri-los, pois nosso
corpo não tem a capacidade de fabricá-los, mas o
grande problema é que atualmente estamos
consumindo muito mais ômega 6 do que ômega 3,
conferindo à nossa dieta ocidental o aspecto de dieta
pró-inflamatória. O ideal seria a seguinte relação:
uma porção de ômega 3 para cada duas, no máximo
quatro porções de ômega 6. Só que atualmente
estamos consumindo uma porção de ômega 3 para 20,
até 30 porções de ômega 6. O ácido graxo ômega 3 é
encontrado principalmente nas gorduras dos peixes
de águas frias e profundas; já o ácido graxo ômega 6
tem suas principais fontes nos óleos vegetais
(girassol, milho, soja, algodão).
A integridade da mucosa intestinal também tem um
papel fundamental em todo esse processo, por isso
temos um capítulo dedicado ao intestino, nosso
segundo cérebro. Quando não estamos com este
órgão saudável, ocorre o que se chama de disbiose,
um desequilíbrio entre as bactérias que habitam nosso
intestino, permitindo a entrada de toxinas,
xenobióticos (substâncias estranhas que entram em
nosso organismo, inclusive pela alimentação) e
alérgenos alimentares.
Em consequência de uma alteração na
permeabilidade intestinal ocorre a translocação
dessas substâncias, que passam do intestino para a
corrente sanguínea, desencadeando novos processos
inflamatórios, que contribuem, como já vimos, para a
resistência à insulina e o consequente aumento de
adiposidade e resistência na perda da gordura
corporal.
Existe também um aumento dos níveis de estrógeno
(hormônio feminino) e uma diminuição dos níveis de
testosterona (hormônio masculino). Em consequência
de desequilíbrios nutricionais de alguns minerais,
ocorre o aumento na atividade de uma enzima
presente no tecido adiposo chamada P450 aromatase.
Essa enzima converte, dentro do tecido adiposo,
hormônios como a testosterona em estradiol
(hormônio feminino), contribuindo ainda mais para o
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
13
acúmulo de gordura visceral (aquela que fica na
região abdominal), a responsável pela diminuição da
sensibilidade da insulina nas células
musculares. Outra situação que estimula a produção
de novas células de gordura é a que se caracteriza por
resistência à insulina e ingestão de dieta muito rica
em ácidos graxos.
Para não complicar mais as coisas e finalizar essa
“tragédia”, esses pré-adipócitos, quando ativados,
podem se diferenciar também em outro tipo de célula,
que não é uma célula de gordura! Você deve estar
pensando que isso é uma coisa boa, certo? Ledo
engano! Esses pré-adipócitos ativados podem, sim, se
transformar naqueles macrófagos de que falamos há
pouco. E você lembra que esses macrófagos também
produzem substâncias sinalizadoras de inflamação
dentro do tecido adiposo?
Pois é, pareceum filme de terror, mas é isso mesmo
que acontece quando engordamos. Saímos de férias,
comemos até não poder mais e dizemos: — Depois,
quando eu chegar em casa, faço uma dieta!
Agora que você conhece um pouco mais sobre todo
esse processo inflamatório gerado pelo excesso de
gordura, vai se expor a esse risco?
DIABETES
Denomina-se Diabetes Mellitus (DM) a um conjunto
de doenças metabólicas caracterizados por defeitos na
secreção e/ou ação da insulina. Classicamente, a
hiperglicemia manifesta-se clinicamente por poliúria,
polidipsia e polifagia, perda de peso e tendo como
complicações agudas a cetoacidose diabética e o
coma hiperosmolar, além de complicaçõs crônicas,
como as macroangiopatias (insuficiência arterial
crônica, doença cérebro vascular e coronariopatia),
microangiopatias (nefropatia diabética , retinopatia )
e neuropatia. Entretanto, elevações leves da glicemia
podem não causar sintomas.
A classificação para DM é a seguinte:
• DM tipo 1 – destruição das células beta com
deficiência completa de insulina, geralmente
de etiologia auto-imune, mas raramente de
origem idiopática.
• DM tipo 2 – graus variáveis de defeitos de
secreção e ação da insulina , é o tipo mais
prevalente de DM . No Brasil, estima-se que
acomete cerca de 7 % da população adulta.
• Diabetes mellitus gestacional – condição de
hiperglicemia diagnosticada durante o
período gestacional, podendo ou não ser
transitória.
Os seguintes testes laboratoriais investigam
alguns destes distúrbios
GLICOSE PLASMÁTICA EM JEJUM
A determinação da glicemia é realizada com
o paciente em jejum de 12-14h. Resultados
normais
não devem excluir o diagnóstico de distúrbi
os metabólicos dos carboidratos. Os critérios
para a avaliação em homens e mulheres não
gestantes são:
- Normais: até 99 mg/dL
-
Glicemia de jejum inapropriada: de 100 a 1
26 mg/dL
- Diabéticos: acima de 126 mg/dL
TESTE ORAL DE TOLERÂNCIA À
GLICOSE (TOTG)
Medidas seriadas da glicose plasmática, nos
tempos 0, 30, 60, 90 e 120 minutos após
administração de 75g de glicose anidra (em
solução aquosa a 25%) por via oral fornece um
método apropriado
para o diagnóstico de diabetes. Apesar de
mais sensível que a determinação da glicose em
jejum, a TOTG é afetada por vários fatores que
resulta em pobre reprodutibilidade do teste.
A menos que os resultados se apresentem
nitidamente anormais, a TOTG deve ser real
izada em
duas ocasiões diferentes antes dos valores serem
considerados anormais. As crianças devem
receber 1,75 g/kg de peso até a dose máxima de
75 g de glicose anidra.
Teste de hemoglobina glicada HBA1c
O teste de A1C é um dos instrumentos mais
importantes para avaliar o controle glicêmico da
pessoa com diabetes e, também, para confirmar
o diagnóstico de diabetes ou de pré-diabetes,
denominação dada a uma condição clínica muito
próxima do diabetes mas que ainda não pode ser
caracterizada como tal.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
14
No diagnóstico do diabetes:
Menor do que 5,7%: baixo risco de diabetes
Entre 5,7 e 6,4%: pré-diabetes
Maior ou igual a 6,5%: diagnóstico de diabetes (a
ser confirmado com segunda dosagem)
No controle do diabetes:
Abaixo de 7%: sujeito a menos complicações
vasculares
Maior que 7%: diabetes mal controlado.
SISTEMA RESPIRATÓRIO
O sistema respiratório fornece oxigênio e remove
gás carbônico do organismo, auxiliando as células no
metabolismo, atuando em conjunto com o sistema
circulatório. Para que seja possível uma adequada
difusão de gases através da membrana respiratória, o
oxigênio passando do interior dos alvéolos para o
sangue presente nos capilares pulmonares e o gás
carbônico se difundindo em sentido contrário, é
necessário um processo constante de ventilação
pulmonar.
O processo de Inspiração
A entrada de ar nos pulmões, ou seja, a inspiração, dá-
se pela contração da musculatura do diafragma e dos
músculos intercostais (músculos que estão entre as
costelas). O diafragma abaixa e as costelas elevam-
se, com isso ocorre um aumento do volume da caixa
torácica (estrutura óssea que protege os pulmões e o
coração), fazendo com que o ar entre nos pulmões.
O processo de Expiração
Em seguida ocorre a saída de ar dos pulmões, a
expiração, acontece o relaxamento da musculatura do
diafragma e dos músculos intercostais, eleva-se o
diafragma e as costelas abaixam, diminuindo assim o
volume da caixa torácica, expulsando o ar dos
pulmões. Nem todo ar é expulso dos pulmões, ficando
um pequeno volume que permanece dentro dos
alvéolos, evitando que haja um colapso nas finas
paredes dos alvéolos.
O Movimento Respiratório
O movimento respiratório é controlado por um centro
nervoso localizado na medula espinhal.
Em condições normais esse centro produz impulso a
cada 5 segundos, estimulando a contração da
musculatura torácica e do diafragma, onde
inspiramos.
Contudo, quando o sangue se torna mais ácidos
devido ao aumento de gás carbônico (CO2), o centro
respiratório medular induz a aceleração dos
movimentos respiratórios. Em caso de diminuição da
concentração de gás oxigênio (O2) no sangue, o ritmo
respiratório também é aumentado. Essa redução é
detectada por receptores químicos localizados nas
paredes da aorta e da artéria carótida.
Além das fossas nasais o ar pode entrar ou sair do
organismo pela boca, porém, o umedecimento e
aquecimento do ar ficam incompletos não ocorrendo
a filtração das partículas de poeiras, fumaça, e até
seres vivos microscópicos, como os vírus e as
bactérias, capazes de causar danos à nossa saúde, etc.
Algumas impurezas são “filtradas” em diversos
órgãos do sistema respiratório, mas outras conseguem
passar até os pulmões, provocando doenças. As
doenças mais comuns que atingem o sistema
respiratório podem ser de natureza infecciosa ou
alérgica.
Nariz e cavidade do nariz
As duas cavidades por onde o ar entra no
sistema respiratório são chamadas de fossas nasais.
São separadas por uma cartilagem chamada
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
15
cartilagem do septo, formando o septo nasal. Os pêlos
no interior do nariz retêm as partículas que entram
junto com o ar. É composto de células ciliadas e
produtoras de muco. O teto da cavidade nasal possui
células com função olfativa. Nesta região, a mucosa é
bem irrigada e aquece o ar inalado.
Faringe
A faringe pertence tanto ao sistema
respiratório como ao sistema digestório. Liga-se com
o ouvido médio pelas tubas auditivas e também com
a laringe e com o esôfago. Antes de ir para a laringe,
o ar inspirado pelo nariz passa pela faringe.
Laringe
A laringe é um tubo cartilaginoso de forma
irregular que conecta a faringe com a traqueia. Situa-
se na parte superior do pescoço. A laringe possui uma
estrutura cartilaginosa chamada epiglote, que trabalha
para desviar das vias respiratórias para o esôfago os
alimentos deglutidos. Caso não ocorra este desvio, o
alimento é expelido com uma tosse violenta.
Na laringe encontramos as cordas vocais, que são
pregas horizontais na parede da laringe. Entre as
cordas vocais há uma abertura chamada glote e é por
ela que o ar entra na laringe, provocando uma
vibração nas cordas vocais e produzindo som. Na face
anterior do pescoço forma-se a proeminência
laríngea, chamada de pomo de Adão, que é mais
visível nos homens que nas mulheres.
Traquéia
A traqueia é um tubo de aproximadamente
12 cm de comprimento e 2,5 de diâmetro e suas
paredes são reforçadas por uma série de anéis de
cartilagem que impedem que as paredes se colapsem.
A traqueia bifurca-se na sua região inferior,
originando os brônquios. O epitélio é formado por
células ciliadas. Estes cílios servem para remover as
partículas e microrganismos que entram com o ar
inalado.
PulmãoOs brônquios penetram no pulmão através do
hilo. Esses brônquios ramificam-se várias vezes,
originando os bronquíolos, que penetram no lóbulo
pulmonar e ramificam-se, formando os bronquíolos
terminais, que originam os bronquíolos respiratórios,
que terminam nos alvéolos pulmonares.
http://www.infoescola.com/histologia/mucosa/
http://www.infoescola.com/biologia/sistema-digestorio/
http://www.infoescola.com/audicao/tuba-auditiva/
http://www.infoescola.com/sistema-respiratorio/laringe/
http://www.infoescola.com/biologia/sistema-respiratorio/
http://www.infoescola.com/biologia/sistema-respiratorio/
http://www.infoescola.com/biologia/sistema-respiratorio/
http://www.infoescola.com/sistema-respiratorio/bronquiolos/
http://www.infoescola.com/sistema-respiratorio/alveolos-pulmonares/
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
16
Os pulmões possuem consistência
esponjosa, que está relacionada com a quantidade de
sacos alveolares.
O formato do pulmão lembra um cone e é revestido
por uma membrana dupla serosa chamada pleura. Os
dois pulmões são separados pelo mediastino, local
onde está o coração, o esôfago, timo, artérias, veias e
parte da traqueia.O diafragma é um músculo situado
abaixo do pulmão, e é onde ele se apoia. Separa o
tórax do abdome e está relacionado com os
movimentos da respiração.
Equilíbrio Ácido-Base
Uma propriedade importante do sangue é o seu grau
de acidez ou de alcalinidade. A acidez ou alcalinidade
de qualquer solução, inclusive do sangue, é indicada
pela escala de pH.
O QUE É PH SANGUÍNEO?
A acidez e a alcalinidade são expressas na escala de
pH, cuja faixa vai de 0 (fortemente ácido) a 14
(fortemente básico ou alcalino). O pH de 7,0, no
centro desta escala, é o neutro.
O sangue normalmente é levemente básico, com pH
normal na faixa de 7,35 a 7,45. Normalmente, o corpo
mantém o pH sanguíneo próximo de 7,40.
O médico avalia o equilíbrio ácido-base da pessoa,
medindo o pH e os níveis de dióxido de carbono (um
ácido) e bicarbonato (uma base) no sangue.
A acidez do sangue aumenta quando
• O nível de compostos ácidos no corpo
aumenta (por meio do aumento da ingestão
ou produção, ou da diminuição da
eliminação)
• O nível de compostos básicos (alcalinos) no
corpo diminui (por meio da diminuição da
ingestão ou produção, ou do aumento da
eliminação)
A alcalinidade do sangue aumenta quando os níveis
de ácido no corpo diminuem ou quando os níveis de
base aumentam.
Controle do equilíbrio ácido-base
O equilíbrio do corpo entre acidez e alcalinidade é
denominado equilíbrio ácido-base.
O equilíbrio ácido-base do sangue é controlado com
precisão, visto que até mesmo um pequeno desvio da
faixa normal pode afetar gravemente muitos órgãos.
O corpo utiliza mecanismos diferentes para controlar
o equilíbrio ácido-base do sangue. Esses mecanismos
envolvem
• Pulmões
• Rins
• Sistemas de tampão
Função dos pulmões
Um mecanismo usado pelo corpo para controlar o pH
sanguíneo envolve a liberação do dióxido de carbono
dos pulmões. O dióxido de carbono, que é
ligeiramente ácido, é o produto residual do
processamento (metabolismo) do oxigênio (que todas
as células necessitam) e, como tal, é constantemente
produzido pelas células. Como todos os produtos
residuais, o dióxido de carbono é excretado no
sangue. O sangue transporta o dióxido de carbono
para os pulmões, onde é exalado. Quando o dióxido
de carbono se acumula no sangue, o pH sanguíneo
diminui (aumento da acidez).
O cérebro regula o volume de dióxido de carbono que
é exalado através do controle da velocidade e da
profundidade da respiração (ventilação). O volume de
dióxido de carbono exalado e, consequentemente, o
pH sanguíneo, aumentam quando a respiração se
torna mais rápida e mais profunda. Por meio do ajuste
da velocidade e da profundidade da respiração, o
cérebro e os pulmões são capazes de regular o pH
sanguíneo minuto a minuto.
http://www.infoescola.com/histologia/serosa/
http://www.infoescola.com/sistema-respiratorio/pleura/
http://www.infoescola.com/sistema-imunologico/timo/
http://www.infoescola.com/anatomia-humana/diafragma/
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
17
Função dos rins
Os rins são capazes de afetar o pH sanguíneo pela
excreção de excesso de ácidos ou de bases. Os rins
apresentam certa capacidade para alterar a quantidade
de ácido ou base que é excretada, mas como os rins
fazem estes ajustes de forma mais lenta do que os
pulmões, esta compensação costuma levar vários
dias.
Sistemas de tampão
Já outro mecanismo para controlar o pH sanguíneo
envolve o uso de sistemas de tampão que protegem
contra as alterações repentinas na acidez ou na
alcalinidade. Os sistemas de tampão de pH são
combinações do próprio corpo que ocorrem
naturalmente quando há ácidos fracos e bases fracas.
Estes ácidos e bases fracas existem em pares que
estão em equilíbrio sob condições de pH normal. Os
sistemas de tampão de pH funcionam quimicamente
para minimizar as alterações do pH da solução pelo
ajuste da proporção de ácido e base.
O sistema de tamponamento de pH mais importante
no sangue envolve o ácido carbônico (um ácido fraco
formado a partir do dióxido de carbono dissolvido no
sangue) e os íons de bicarbonato (a base fraca
correspondente).
Tipos de alterações do equilíbrio ácido-base
Há duas anormalidades no equilíbrio ácido-base.
• Acidose: O sangue contém excesso de ácido
(ou pouquíssima base), resultando
em diminuição do pH sanguíneo.
• Alcalose: O sangue contém excesso de base
(ou pouquíssimo ácido), resultando
em aumento do pH sanguíneo.
A acidose e a alcalose não são doenças; elas são o
resultado de uma grande variedade de distúrbios. A
presença de acidose ou alcalose fornece um
importante indício para os médicos de que existe um
grave problema.
Tipos de acidose e alcalose
A acidose e a alcalose são categorizadas de acordo
com sua causa primária como
• Metabólico
• Respiratório
A acidose metabólica e a alcalose metabólica são
causadas por um desequilíbrio na produção de ácidos
ou bases e na excreção renal.
A acidose respiratória e a alcalose respiratória são
provocadas, principalmente, por alterações na
exalação de dióxido de carbono devido a distúrbios
pulmonares ou respiratórios.
Compensação para as alterações do equilíbrio ácido-
base
Cada alteração do equilíbrio ácido-base provoca
mecanismos compensatórios automáticos que fazem
com que o pH do sangue retorne ao normal. Em geral,
o sistema respiratório compensa os distúrbios
metabólicos, enquanto os mecanismos metabólicos
compensam os distúrbios respiratórios.
SISTEMA CIRCULATÓRIO
O coração e os vasos sanguíneos e o sangue
formam o sistema cardiovascular ou circulatório. A
circulação do sangue permite o transporte e a
distribuição de nutrientes, gás oxigênio e hormônios
para as células de vários órgãos. O sangue também
transporta resíduos do metabolismo para que possam
ser eliminados do corpo.
O coração
O coração de uma pessoa tem o tamanho
aproximado de sua mão fechada, e bombeia o sangue
para todo o corpo, sem parar; localiza-se no interior
da cavidade torácica, entre os dois pulmões. O ápice
(ponta do coração) está voltado para baixo, para a
esquerda e para frente. O peso médio do coração é de
aproximadamente 300 gramas, variando com o
tamanho e o sexo da pessoa. Observe o esquema do
coração humano, existem quatro cavidades: Átrio
direito e átrio esquerdo, em sua parte superior;
Ventrículo direito e ventrículo esquerdo, em sua
parte inferior.
O sangue que entra no átrio direito passa para o
ventrículo direito e o sangue que entra no átrio
esquerdo passa para o ventrículo esquerdo. Um átrio
não se comunica com o outro átrio, assim como um
ventrículo não se comunica com o outro ventrículo. O
sangue passa do átrio direito para o ventrículo direito
através da valva atrioventriculardireita; e passa do
átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo através da
valva atrioventricular esquerda.
https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-hormonais-e-metab%C3%B3licos/equil%C3%ADbrio-%C3%A1cido-base/acidose
https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-hormonais-e-metab%C3%B3licos/equil%C3%ADbrio-%C3%A1cido-base/alcalose
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
18
O coração humano é um órgão cavitário
(que apresenta cavidade), basicamente constituído
por três camadas:
• Pericárdio – é a membrana que reveste
externamente o coração, como um saco. Esta
membrana propicia uma superfície lisa e
escorregadia ao coração, facilitando seu
movimento ininterrupto;
• Endocárdio – é uma membrana que reveste
a superfície interna das cavidades do coração;
• Miocárdio – é o músculo responsável pelas
contrações vigorosas e involuntárias do
coração; situa-se entre o pericárdio e o
endocárdio.
Quando, por algum motivo, as artérias coronárias –
ramificações da aorta – não conseguem irrigar
corretamente o miocárdio, pode ocorrer a morte
(necrose) de células musculares, o que caracteriza o
infarto do miocárdio.
Existem três tipos básicos de vasos sanguíneos em
nosso corpo: artérias, veias e capilares.
Artérias
As artérias são vasos de paredes relativamente
espessa e muscular, que transporta sangue do coração
para os diversos tecidos do corpo. A maioria das
artérias transporta sangue oxigenado (rico em gás
oxigênio), mas as artérias pulmonares transportam
sangue não oxigenado (pobre em gás oxigênio) do
coração até os pulmões. A aorta é a artéria mais
calibrosa(de maior diâmetro) do corpo humano.
Veias
As veias são vasos de paredes relativamente finos,
que transportam sangue dos diversos tecidos do corpo
para o coração. A maioria das veias transporta sangue
não oxigenado, mas as veias pulmonares transportam
sangue oxigenado dos pulmões para o coração. As
veias cavas superior e inferior são as mais calibrosas
do corpo humano.
Nesse circuito são reconhecidos dois tipos
de circulação: a pequena circulação e a grande
circulação.
Pequena circulação- Também chamada
circulação pulmonar, compreende o trajeto do sangue
desde o ventrículo direito até o átrio esquerdo. Nessa
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
19
circulação, o sangue passa pelos pulmões, onde é
oxigenado.
Grande circulação- Também chamada de
circulação sistêmica, compreende o trajeto do sangue
desde o ventrículo esquerdo até o átrio direito; nessa
circulação, o sangue oxigenado fornece gás oxigênio
aos diversos tecidos do corpo, além de trazer ao
coração o sangue não oxigenado dos tecidos.
SISTEMA ENDÓCRINO
Dá-se o nome de sistema endócrino ao
conjunto de órgãos que apresentam como atividade
característica a produção de secreções denominadas
hormônios, que são lançados na corrente sanguínea e
irão atuar em outra parte do organismo, controlando
ou auxiliando o controle de sua função. Os órgãos que
têm sua função controlada e/ou regulada pelos
hormônios são denominados órgãos-alvo.
Assim o sistema nervoso e o sistema
sensorial, o sistema endócrino é um dos sistema
integradores, permitindo a interação das várias
células do corpo entre si e com o meio ambiente. O
sistema endócrino corresponde ao conjunto de
glândulas endócrinas, relacionadas à produção de
mensageiros químicos transportados pelo sangue, os
hormônios. Hormônios Os hormônios (do grego
hormon, 'excitar') são substâncias lançadas no sangue
que controlam diversas atividades no organismo.
Cada hormônio age como mensageiro químico,
atuando em determinados tecidos do corpo, os
tecidos-alvo. Eles só agem nos tecidos-alvo porque
estes são os únicos cujas células possuem receptores
adequados para os respectivos hormônios. Apesar do
hormônio estar espalhado por todo o corpo devido ao
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
20
sangue, e ele só age em receptores específicos. Cada
hormônio atua de modo diferente de acordo com sua
natureza química. Natureza química dos hormônios
Quimicamente, os hormônios podem ser de três tipos:
Protéicos, correspondendo a polipeptídios, como a
insulina e o glucagon, ou oligopeptídios, como o
ADH e a occitocina.
Esteróides, correspondendo a lipídios derivados do
colesterol, como os hormônios do córtex supra-renal
e hormônios sexuais.
Fenólicos, correspondendo a derivados de
aminoácidos modificados, principalmente do
aminoácido fenilalanina e do aminoácido tirosina
(quimicamente derivado da fenilalanina), ambos
dotados de grupos funcionais fenil, como os
hormônios tireoidianos e adrenalina.
Ação dos hormônios proteicos: Os hormônios
proteicos são incapazes de atravessar a membrana
plasmática, tanto pelo seu grande tamanho como por
sua natureza polar (sendo insolúveis na bicamada
lipídica). Assim, eles se ligam a receptores
específicos na membrana plasmática das células-alvo,
o que leva à ativação da enzima adenilatociclase na
membrana. Esta produzirá, do lado intracelular da
membrana, a partir de ATP, um composto
denominado AMPcíclico (AMPc), um nucleotídeo
que ativará enzimas para que haja a função hormonal.
Como exemplo, o AMPc produzido a partir da ação
do glucagon ativará a enzima fosforilase do
glicogênio (glicogenase) para quebrar glicogênio em
glicose nas células-alvo, ou seja, nos hepatócitos. O
AMPc é chamado de 2° mensageiro da ação
hormonal, uma vez que ele transfere às enzimas
intracelularmente a mensagem inicialmente trazida
pelo hormônio. Outros exemplos de 2os mensageiros
são o GMPc e íons cálcio. O efeito deste tipo de
hormônio é bastante rápido, uma vez que as enzimas
responsáveis pelo seu efeito já estão previamente
formadas, bastando ativá-las ou desativá-las.
Ação dos hormônios esteroides: Os hormônios
esteroides são capazes de atravessar a membrana
plasmática, uma vez que são apolares, e se ligam a
receptores específicos dentro da célula-alvo,
formando complexos hormônio-receptor que agem
diretamente no material genético do indivíduo,
induzindo a ativação ou inativação de genes, para que
se produza ou interrompa a produção de determinada
enzima. Como agem dentro da célula de maneira
direta, não há a necessidade de um 2° mensageiro. O
efeito deste tipo de hormônio é mais demorado, uma
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
21
vez que as enzimas responsáveis pelo seu efeito ainda
terão de ser produzidas ou deixadas de serem
produzidas.
Ação dos hormônios fenólicos: A adrenalina não
pode entrar na célula-alvo, e por isso se comporta
como os hormônios protéicos, mas os hormônios
tireoidianos podem entrar na célula-alvo e por isso
agem como os hormônios esteroides.
Glândulas Endócrinas Alguns hormônios são
fabricados por células isoladas em determinados
órgãos, como ocorre com a gastrina nas células do
estômago ou a enterogastrona no duodeno ou ainda os
neurormônios ou neurotransmissores nos neurônios.
A maior parte dos hormônios, entretanto, é fabricada
por agrupamentos de células epiteliais, as glândulas
endócrinas. Ao contrário das glândulas exócrinas, que
possuem ductos secretores para eliminar suas
secreções numa determinada cavidade corporal ou no
meio externo, as glândulas endócrinas lançam suas
secreções, denominadas hormônios, direto no sangue,
uma vez que não possuem esses ductos secretores
1. Glândula Pituitária ou Hipófise O hipotálamo é
a região do sistema nervoso que controla a ação
hormonal no corpo humano. Ele se localiza na base
do encéfalo e encontra-se anatomicamente ligado à
hipófise, localizada imediatamente abaixo dele. A
hipófise se encontra abrigada numa cavidade óssea, a
cela túrcica do osso esfenoide, na base do crânio.
Anatomicamente falando, a hipófise se divide em três
regiões:
1.1 Adenohipófise: O eixo hipotálamo-hipófise
justificacomo o hipotálamo controla a atividade
hormonal no organismo.
O hipotálamo produz fatores de liberação que agem
sobre a adenohipófise para que esta libere os
hormônios que produz, ditos hormônios tróficos. Os
hormônios tróficos, como já mencionado, estimulam
as outras glândulas para que liberem seus hormônios.
Os hormônios estimulados pelos hormônios tróficos
têm efeito de feedback (ou retroalimentação) sobre o
hipotálamo. Os hormônios estimulados pelos
hormônios tróficos têm efeito de feedback (ou
retroalimentação) sobre o hipotálamo.
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
22
Hormônios gonadotróficos ou gonadotrofinas
Os hormônios gonadotróficos ou gonadotrofinas
estimulam as gônadas, sendo de dois tipos, FSH ou
hormônio folículoestimulante, e LH ou hormônio
luteinizante. O LH pode ser chamado nos homens de
ICSH ou hormônio estimulante das células
intersticiais de Leydig. Sua atuação é descrita durante
a análise do ciclo menstrual.
TSH ou hormônio tireotrófico
O TSH ou hormônio tireotrófico ou hormônio
estimulante da tireóide ou tireotrofina estimula a
tireóide a produzir tiroxina.
ACTH ou hormônio adrenocorticotrófico
O ACTH ou hormônio adrenocorticotrófico ou
hormônio estimulante do córtex das adrenais ou
adrenocorticotrofina estimula o córtex das adrenais
(supra-renais) a produzir corticoides.
Prolactina ou hormônio mameotrófico
A prolactina ou hormônio mameotrófico tem
importante papel na estimulação da produção de leite
pelas glândulas mamárias pelas mulheres após o
parto, mas sua função ainda é desconhecida no
homem; em aves, estimula a produção do leitede-
pombo pelo papo desses animais quando há crias. A
prolactina, por feedback negativo, inibe a liberação de
gonadotrofinas na mulher que amamenta, inibindo a
ovulação e impedindo que engravide nos primeiros
meses de vida da criança. Esse é um método
anticoncepcional que pode ser usado, desde que a
criança se alimente exclusivamente de leite materno
nos primeiros meses de vida, sendo conhecido como
amenorreia da lactação.
STH ou hormônio somatotrófico ou hormônio do
crescimento ou hGH
O STH ou hormônio somatotrófico ou somatotrofina
ou hormônio do crescimento ou hGH (human
growing hormone) estimula o crescimento do
indivíduo de várias maneiras. Primeiro, o STH induz
a gliconeogênese, ou seja, a quebra de gordura e
proteínas para a produção de derivados glicídicos.
Desse modo, há a disponibilização de maior
quantidade de nutrientes no sangue para que se
forneça energia para o crescimento. Como o
indivíduo passa a utilizar maior quantidade de
gordura e proteínas em detrimento dos açúcares, esse
efeito é conhecido como “efeito poupador de glicose”
ou “efeito diabetogênico” do STH, uma vez que a
glicose do sangue não é diretamente utilizada e ocorre
um aumento de glicemia. A lipólise, ou seja, a queima
de gordura que ocorre na gliconeogênese explica por
que o emagrecimento rápido da maioria das crianças
em crescimento. Segundo, o STH age no fígado, e em
menor grau nos rins, acredita-se, para estimular a
produção do hormônio somatomedina, que age no
crescimento direto de cartilagens. Exercícios físicos
em geral promovem queda de glicemia, o que leva à
liberação de hormônio do crescimento para promover
gliconeogênese, o que acaba também proporcionando
um estímulo ao crescimento. Além disso, a maior
parte do hormônio do crescimento é liberada durante
o sono do indivíduo, quando, devido ao longo período
de jejum do sono, os níveis de glicemia caem e a
função do STH de estímulo à gliconeogênese é
requerida. Uma curiosidade: durante a noite, quando
o indivíduo está deitado, diminui a pressão do peso
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
23
do corpo sobre as vértebras, e o espaço entre ela
aumenta, deixando o indivíduo um pouco maior
quando acorda (poucos centímetros). Ao passar o dia
todo em pé ou sentado, as vértebras voltam a ser
comprimidas e o indivíduo volta a diminuir um
pouco.
Deficiência de STH: Nanismo Hipofisário A
deficiência de STH na infância impede o crescimento
adequado do indivíduo, de modo que ele desenvolve
um quadro denominado de nanismo hipofisário.
Antes da soldadura das epífises, esse quadro pode ser
revertido com a utilização do hormônio do
crescimento. Em adultos, a falta de STH não acarreta
nenhum problema em especial.
Excesso de STH: Gigantismo Hipofisário e
Acromegalia O excesso de STH antes da soldadura
das epífises, e portanto na infância, causa o
gigantismo hipofisário. Após a soldadura das epífises,
e portanto na idade adulta, já que os ossos não
apresentam mais crescimento em comprimento, o
excesso de STH promove o crescimento de
cartilagens, como nariz e orelhas, e dos ossos em
espessura, causando alongamento dos dedos e
projeção do queixo para frente. Esse crescimento das
extremidades é exatamente o significado da palavra
acromegalia.
1.2. Hipófise intermediária: Certos vertebrados
possuem na hipófise uma região denominada lobo
intermediário. Esta região é bastante rudimentar na
espécie humana, mas também está presente nela. O
lobo intermediário produz o MSH ou hormônio
estimulante dos melanócitos ou intermedina. Esse
hormônio regula a atividade de produção de melanina
em melanócitos. Em vertebrados inferiores, como
peixes e répteis, o lobo intermediário é muito
desenvolvido e secreta grande quantidade de MSH.
Essa secreção é regulada, independentemente, pelo
hipotálamo, em resposta à quantidade de luz à qual o
animal é exposto, ou em resposta a outros fatores
ambientais. Nesses casos o MSH atua determinando
mudanças de pigmentação na pele, sobretudo na
época de reprodução, estando essas alterações
relacionadas ao aumento na atração sexual. Em
vertebrados superiores, o MSH determina mudanças
de pigmentação dos pelos sazonalmente, para
possibilitar melhores condições de camuflagem,
como é o caso de mamíferos que vivem no Ártico e
tem pelos escuros no verão e brancos no inverno. Na
espécie humana, o MSH é na verdade derivado do
ACTH, sendo pois produzido na adenohipófise. O
MSH é produzido, entretanto, em tão pequenas
concentrações em humanos que praticamente não tem
efeito. O ACTH tem efeito sobre os melanócitos em
intensidade bem menor, mas como sua concentração
no sangue humano é bem maior, acaba sendo o
principal responsável pela atividade de melanócitos,
excetuando, é claro, o estímulo direto pelo sol.
1.3. Neurohipófise Como já mencionado, a
neurohipófise apenas armazena hormônios
produzidos por neurônios especiais do hipotálamo,
denominados células neurossecretoras. O hipotálamo
controla também a liberação desses hormônios. Os
hormônios do hipotálamo armazenados na
neurohipófise são:
Ocitocina A ocitocina estimula as contrações
uterinas que levam ao parto, tendo ação, pois, sobre a
musculatura lisa do miométrio uterino. Outro
importante efeito da ocitocina é o de estimular a
ejeção do leite pelas glândulas mamárias após o parto.
A sucção do mamilo é um dos principais estímulos à
liberação de ocitocina, levando o leite a ser liberado
para a criança. Mais recentemente, a ocitocina passou
a ser vista como promotora de efeitos neurológicos,
no sentido de promover o surgimento de elos afetivos
entre a mãe e a criança. Por esse motivo, e por ser
também liberado durante o ato sexual, a ocitocina tem
sido apelidada nos últimos tempos de “hormônio do
amor”. Experimentos mostram que indivíduos com
níveis mais elevados de ocitocina no corpo estão mais
propensos a criação de vínculos afetivos, inclusive no
que diz respeito a aumentar os níveis de confiança nos
indivíduos próximos.
ADH ou hormônio anti-diurético ou vasopressina
O ADH ou hormônio anti-diurético ou vasopressina,
estimula a reabsorção de água nos túbulos renais,
diminuindoa produção de urina. De modo bem
preciso, o ADH diminui o volume urinário
aumentando a permeabilidade de duas regiões do
néfron, o ramo ascendente da alça de Henle e a porção
inicial do túbulo contorcido distal, normalmente
impermeáveis à água. Assim, ocorre maior
reabsorção de água dos rins para o sangue, resultando
em diminuição na produção de urina e em aumento da
volemia, volume de água no sangue. Esse aumento de
volemia, por sua vez, leva a um aumento na pressão
arterial no indivíduo. Em dias quentes, a intensa perda
de água através do suor faz com que o organismo
libere ADH para reduzir a produção de urina, o que
levaria a uma excessiva desidratação. Por outro lado,
em dias frios, a pequena produção de suor faz com
que sobrem mais excretas para serem liberadas pela
urina. Além disso, o aumento no metabolismo
necessário para aumentar a produção de calor
corporal e compensar o frio do ambiente leva à
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
24
produção de mais excretas. Desse modo, o indivíduo
urina mais em dias mais frios. Quando se ingere
bebida alcoólica, observa-se que há um aumento do
volume de urina. Isso ocorre porque o álcool inibe a
liberação do ADH pela neurohipófise. Devido à
liberação inibida de ADH, aumenta a diurese, o que
leva o indivíduo à desidratação. Essa desidratação,
por sua vez, leva à sede e dor de cabeça características
da ressaca. Ainda vai beber, vai?
Deficiência de ADH: Diabetes Insipidus Na
deficiência de ADH, ocorre um aumento na diurese e
uma redução na volemia. Essa redução no volume de
água no sangue conduz a um aumento na glicemia.
Perceba que a quantidade de glicose não se altera,
mas com um menor volume de água no sangue,
aumenta a concentração de glicose. Esse quadro é
denominado diabetes insipidus, e nele não há
eliminação de glicose na urina, como na diabetes
mellitus.
2. Glândula Pineal A glândula pineal ou epífise se
situa entre os dois hemisférios cerebrais, num ponto
posterior à localização da hipófise. A glândula pineal
atua na produção do hormônio melatonina, que regula
o ritmo circadiano ou relógio biológico,
principalmente na regulação dos ciclos de sono e
vigília. A diminuição da luminosidade durante a noite
leva à produção de melatonina, promovendo o
relaxamento no indivíduo e predispondo o mesmo ao
sono. De maneira contrária, o aumento da
luminosidade pela manhã leva à interrupção na
produção de melatonina, predispondo o indivíduo a
acordar. (Nas manhãs de chuva, a maior dificuldade
em acordar parece se dar pelo fato de o céu nublado
dificultar a passagem dos raios de sol, de modo que,
para uma certa hora da manhã, a luminosidade é mais
fraca do que seria de se esperar, e os níveis de
melatonina circulantes mais altos...) O jet lag é uma
condição que ocorre em viajantes submetidos a
mudanças muito violentas de fuso horário em curtos
períodos de tempo, o que não tem relação com a
duração total da viagem, mas sim com o
deslocamento no sentido de longitude, leste-oeste.
Uma vez que o relógio biológico do indivíduo está
adaptado ao fuso horário (e condições de
luminosidade) de seu lugar de origem, a adaptação ao
novo fuso horário pode fazer com que o indivíduo
tenha dificuldade de dormir durante a noite, se
mantendo acordado, e dificuldade de dormir durante
o dia, com intensa sonolência. Estima-se que, em
média, a adequação ao novo fuso horário, com
regulação da produção de melatonina em função das
novas condições de luminosidade se dê à razão de um
dia para cada hora diferente de fuso horário. Assim,
para uma diferença de fuso de 8 horas, deve demorar
algo em torno de 8 dias para a completa adequação ao
novo fuso horário. Em países localizados em grandes
latitudes, o pequeno número de horas de
luminosidade por dia nos períodos de inverno leva ao
aumento nos níveis médios de melatonina, com efeito
depressor sobre o sistema nervoso central. Além de se
dormir mais horas por dia nessa época, a ocorrência
de episódios de depressão se torna bem mais comum,
num fenômeno conhecido como depressão sazonal.
Por outro lado, o pequeno número de horas de
luminosidade por dia nos períodos de verão leva à
diminuição nos níveis médios de melatonina, de
modo a se dormir menos horas por dia nessa época.
Em alguns mamíferos, chamados fotoperiódicos, a
reprodução ocorrendo em apenas uma determinada
época do ano está condicionada ao período diário de
iluminação, que influencia diretamente a produção de
melatonina. Como a escuridão estimula a produção de
melatonina, sua quantidade no sangue é maior no
inverno havendo efeito inibidor sobre os hormônios
gonadotróficos hipofisários, levando os animais a não
se reproduzir nessa época, o que traz a vantagem
adaptativa de evitar que os filhotes nasçam numa
época com reduzida disponibilidade de alimento. Nos
período de verão, a maior luminosidade média
diminui as quantidades de melatonina no sangue,
cessando a inibição sobre os hormônios
gonadotróficos hipofisários e permitindo a
reprodução nesse período.
3. Timo O timo se situa na região mediana do tórax,
à frente do coração e entre os dois pulmões, sendo um
órgão linfoide, ou seja, formado por tecido conjuntivo
hematopoiético linfoide e relacionado à produção de
células de defesa do grupo dos linfócitos. O principal
papel do timo está na produção dos linfócitos T,
principais células de defesa do sistema imune
específico. Acreditase que todos os linfócitos T do
corpo são derivados de células oriundas do timo, dele
tendo saído para colonizar o sangue, a medula óssea
e os gânglios linfáticos. Existem indícios de que o
timo produz o hormônio timosina, que estimula a
maturação dos linfócitos em todos os órgãos
linfoides.
4. Tireóide A tireoide é uma glândula localizada no
pescoço, por baixo da cartilagem cricoide, que forma
o pomo-de-adão no homem, e é formada por dois
lobos, num formato que lembra uma gravata
borboleta. Nos vértices de seus lobos, pela face
posterior, estão as quatro glândulas paratireoides.
Histologicamente, a tireóide possui numerosos
ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL
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folículos arredondados, como vesículas contendo
uma substância gelatinosa chamada de coloide. As
células epiteliais que formam as paredes desses
folículos secretam os hormônios tireoidianos, que são
a tiroxina e a (tireo)calcitonina.
Tiroxina A tiroxina é o principal hormônio da
tireóide, sendo produzido a partir do aminoácido
tirosina e do iodo. Ocorrem duas formas principais, o
T3 ou triiodotironina, com 3 átomos de iodo, sendo o
mais ativo deles, e o T4 ou tetraiiodotironina, com 4
átomos de iodo, correspondendo à tiroxina
propriamente dita. Tanto T3 como T4 mantêm o
metabolismo do indivíduo, estimulando a produção
das enzimas promotoras da respiração celular.
Deficiência de tiroxina: Hipotireoidismo O
hipotireoidismo é causado classicamente pela
deficiência de iodo na alimentação, uma vez que o
iodo é um componente necessário à fabricação da
tiroxina. Com o hipotireoidismo e a queda nas taxas
sistêmicas de tiroxina, a taxa metabólica estará
bastante reduzida, e como tal haverá uma falta
generalizada de energia no organismo. As
consequências principais serão:
No caso do hipotireoidismo, fala-se em bócio
endêmico, pois o fenômeno era característico de áreas
montanhosas, distantes do mar e onde a população
não tinha acesso a iodo, o que tem mudado com a
obrigatoriedade, por lei, de adição de iodo ao sal de
cozinha. Se o indivíduo apresentar esta doença logo
na infância, ela passa a receber a denominação de
cretinismo, caracterizado sobretudo pela redução de
crescimento e pelo retardamento mental devido ao
não desenvolvimento cerebral com o baixo
metabolismo. Modernamente, muitos casos descritos
de hipotireoidismo têm sido relacionados a uma
condição conhecida como tireoidite