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FACULDADE CAMPOS ELÍSEOS - FCE PÓS-GRADUAÇÃO – EAD EM EDUCAÇÃO INFANTIL INCLUSÃO DE CRIANÇAS PORTADORAS DE NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLAS REGULARES: UMA ANÁLISE Hidrolândia 2018 FACULDADE CAMPOS ELÍSEOS - FCE PÓS-GRADUAÇÃO – EAD EM EDUCAÇÃO INFANTIL Vera Lúcia Correia da Silva INCLUSÃO DE CRIANÇAS PORTADORAS DE NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLAS REGULARES: UMA ANÁLISE Artigo Científico apresentado como requisito básico para conclusão da Pós-Graduação em Educação Infantil. Orientadora: Fátima Ramalho Lefone Hidrolândia 2018 Sumário RESUMO (ABSTRACT)...............................................................................................4 INTRODUÇÃO 5 1. Inclusão de alunos portadores de necessidades educacionais especiais em escolas regulares: uma análise 6 1.1 Objetivos gerais e específicos da inclusão 6 1.1.1 Razões e legislação 6 1.1.2 Definição de portadores de necessidades educacionais especiais 7 1.2 Benefícios e dificuldades 8 1.2.1 A necessidade de capacitar os profissionais 8 1.2.2 A necessidade de interação social 9 1.2.3 A acomodação do corpo docente e os resultados negativos 10 1.3 Mudanças essenciais 11 CONCLUSÃO (CONCLUSION) 12 REFERÊNCIAS..........................................................................................................16 RESUMO Um dos maiores desafios educacionais atuais é a garantia de isonomia no acesso de todos os cidadãos às oportunidades, sejam elas na educação básica, técnica, superior e mercado de trabalho. Outro problema igualmente desafiante é a aceitação, nas escolas regulares, de crianças portadoras de necessidades especiais e/ou disabilidades (PNEs). Trabalhar propostas e metodologias que visem solucionar esses dois problemas tornaram-se metas primordiais nos últimos anos nos campos da Pedagogia e Psicologia, e é o tema desse artigo. Apesar dos benefícios da inclusão de PNEs em escolas regulares, tanto para o corpo discente quanto docente, iniciar essa prática nem sempre é fácil, e a maior parte das tentativas fica na obscurecência, fadadas ao insucesso, dificultadas por mentalidades e estruturas obsoletas. Objetiva-se aqui analisar as principais mudanças que precisam ser realizadas para que esse processo complexo de integração se torne efetivo e contribua para a formação de cidadãos conscientes, e da ampliação da cidadania e dignidade dessas crianças. Palavras-chave: Educação especial. Inclusão escolar. Crianças portadoras de necessidades especiais. Escola normal. ABSTRACT One of the greatest educational challenges of our time is the assurance of equality in the access to all opportunities for all citizens, whether in basic schools, technical schools, universities and labor market. Another equally challenging problem is the acceptance of children with special needs (CSN) in regular schools. Design methodologies and projects that seek the solution of these two problems became prime targets for modern Pedagogy and Psychology, and is the subject of this article. Despite the obvious benefits of CSN integration in regular schools, for students, teachers, parents and school administrators, starting this practice is not always easy, and most attempts do not succeed, hampered by outdated mentalities and educational structures. The focus of this article is to analyze the major changes that need to be done so that this complex integration process becomes effective and contributes to the formation of conscious citizens, and the expansion of citizenship and dignity of these children. Keywords: Special Education. School inclusion. Children with special needs. Regular school. 17 INTRODUÇÃO Crianças portadoras de necessidades especiais, apesar de atualmente matriculadas e frequentando escolas regulares, tem mostrado aos professores, orientadores, demais crianças e pais que não basta apenas sua inserção direta no sistema. É necessário que seja instituída uma política educacional diferente, que respeite as diferenças entre os alunos, mas que essas diferenças não sejam motivo para que o aprendizado seja prejudicado e mais devagar, e sim, beneficiado. Valorizar tais particularidades e enfrentá-las com as ferramentas e mentalidades adequadas irá transformar positivamente o cotidiano dos envolvidos. “A capacidade demonstrada pelo país de melhorar seus indicadores educacionais nos permite afirmar que é possível sim universalizar o direito de aprender para todas e cada uma das crianças e adolescentes no Brasil”. A constatação é da representação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil. O órgão da ONU estima que, das 700 mil crianças e adolescentes entre sete e quatorze anos fora da escola, um terço possui alguma deficiência, seja física ou psicológica. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional define como educação especial a modalidade oferecida aos alunos com necessidades educacionais especiais e estabelece que isso deva ocorrer “preferencialmente na rede regular de ensino”. Também determina que haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para esses alunos e que o atendimento será feito em classes, escolas ou serviços especializados quando não for possível a integração nas classes comuns. No Brasil, a legislação garante o acesso de todos à Educação, estabelecendo que o atendimento especializado deva acontecer preferencialmente na escola regular. Se no plano legal a inclusão encontra respaldo, este ainda é um tema que tem desafiado a Educação, pois se relaciona à capacidade dos sistemas de ensino, das escolas e dos professores de trabalhar com a diversidade, o que requer estrutura física e humana, mas também novas posturas e práticas pedagógicas. Para Rodrigo Mendes, especialista em inclusão, a presença de estudantes com deficiência na sala de aula regular traz à tona uma série de insuficiências e anacronismos do modelo de ensino pautado pela homogeneidade. “Como resultado, os educadores precisam criar projetos pedagógicos mais criativos e contemporâneos, beneficiando a todos os alunos”, diz. 1. INCLUSÃO DE CRIANÇAS PORTADORAS DE NECESSIDADES ESPECIAIS EM ESCOLAS REGULARES: UMA ANÁLISE 1.1 Objetivos gerais e específicos da inclusão 1.1.1 Razões e legislação As PNEs são alvos constantes de preconceito e exclusão, especialmente nas escolas regulares, e infelizmente essa atitude não é restrita apenas aos demais alunos. Orientadores, professores, pais e membros dos órgãos públicos educacionais nem sempre estão preparados para as dificuldades e especificidades relativas do tratamento dessas crianças – e por vezes sequer tem consciência desse fato, tão arraigada é a mentalidade prosaica perante a inclusão. Logo, estruturar políticas e cursos de ação que promovam aceitação, interação e aprendizado, ou seja, a inclusão, trará benefícios a todos. Objetivamos aqui exemplificar algumas dessas políticas. Embora esse debate sobre a inclusão de PNEs nos currículos regulares das escolas ocorra desde o século XVI, somente nas últimas décadas é que o entendimento passou de total exclusão, segregação e isolamento dessas crianças, em instituições específicas para elas, para uma abordagem mais sucinta e tentativas de inserção em escolas regulares. Alguns marcos como a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDBEN-96) ajudaram a firmar essa evolução. Assim, dezenas de problemas surgiram e muitas dessas tentativas foram fracassos totais, já que a mentalidade segregante antiga ainda imperava e as gestões políticas instituídas para essa inclusão foram falhas. A preferência dada pela Constituição e LDBEN-96 para a inclusão das PNEs em escolas regulares, assim como da Declaração de Salamanca e metas dadas pela UNESCO, modificaram a maneira de se pensar sobre esse assunto em âmbito mundial. É preciso fazer com que essas crianças evoluam e aprendam em um ambiente harmônico, e que suas diferenças sejam motores propulsores positivos, para todos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) pesquisou em 2000 e mostrou que empresas possuem dificuldades em preencher vagas que por lei são destinadas aos PNEs devido à baixa escolaridade dos mesmos, sendo que na faixa etária de 7 a 14 anos a taxa de escolaridade de crianças deficientes é seis pontos percentuais menor que das demais crianças, com essa diferença subindo gradativamente conforme a faixa etária analisada até um abismo de mais de 40% no ensino superior (ARAUJO; SCHMIDT, 2006). O Instituto calcula ainda que seis milhões de crianças e adolescentes brasileiros são portadores de algum tipo de deficiência (física ou psicológica). De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (INEP), no entanto, apenas cerca de 80 mil estão na escola. Os resultados do Censo 2000 do IBGE revelam que 24,5 milhões de brasileiros apresentam alguma deficiência física ou mental - o equivalente a 14,5% da população do País. A maioria mora em área urbanizada, tem até três anos de escolaridade e é mulher. Com relação à área educacional, 27,6% dos portadores de necessidades especiais não têm qualquer escolaridade. As pessoas portadoras de necessidades especiais recebem cerca de R$ 100 a menos que a média dos brasileiros e 29% delas vivem em situação de miséria. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, para atender à necessidade deles, o País precisaria abrir 518 mil postos de trabalho. De acordo com a pesquisa, os estados com maior número de deficientes são: Paraíba (18,76%); Rio Grande do Norte (17,64%); Piauí (17,63%); Pernambuco (17,40%); e Ceará (17,34%). 1.1.2 Definição de portadores de necessidades educacionais especiais Quais seriam essas diferenças das PNEs? De acordo com a resolução CNE/CEB nº 2 de setembro de 2001, seriam crianças com “dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento de atividades curriculares; dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos aplicáveis; altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os levem a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes. (BRASIL, 2001, p. 70)”. Vale salientar que a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva de janeiro de 2008 passou a considerar como público alvo da educação especial os alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, não usando mais o termo “necessidades educacionais especiais”. Tanto Baptista (2003) quanto Figueiredo (2002) argumentam que a inclusão seria a transformação da escola para receber o aluno, de maneira profunda e envolvendo toda a organização do ensino, para promover e garantir o acesso, permanência e desenvolvimento escolar de todo o grupo de alunos (Ferreira, 2005). Mantoan (2003, p. 19) insiste que todos os alunos devem frequentar salas de ensino regular e que os fracassos se devem ao fato de que é necessária uma mudança de perspectiva educacional. Assim, incluir não é somente colocar o aluno na escola, e sim, mantê-lo e criar um ambiente que propicie evolução de todo o corpo educacional. 1.2 Benefícios e dificuldades 1.2.1 A necessidade de capacitar os profissionais As dificuldades desse novo modelo de inclusão são inúmeras, e os benefícios nem tão óbvios, o que fez com que muitos questionem se realmente é necessário alterar essa estrutura. Seria mais conveniente manter as PNEs em instituições e mesmo salas específicas para estes, alunos que não conseguem aprender o que o professor ensina no tempo que o professor determina, marginalizando estudantes? Quando as vantagens do novo modelo são avaliadas, não resta muita dúvida. Mantoan (2003) afirma que a maior parte dos fracassos não vem do ensino especial, e sim, dos alunos que acabarão indo para ele. Uma criança normal, que pode ter dificuldades específicas em uma matéria, pode acabar tendo atendimento diferenciado, marginalizando-a, e esta passa a ser alvo de preconceito e exclusão (“bullying”), frustrando o processo ensino-aprendizagem, quando na verdade o que se pretendia era exatamente o contrário. Dessa forma, o profissional que trabalhará nessas questões deve ter formação específica na área de educação especial, capacitado a avaliar e perceber as necessidades dos alunos e a flexibilizar a ação pedagógica no sentido de evitar a marginalização, atuando em equipe com novos procedimentos didáticos, práticas alternativas, estratégias de inclusão, respeito e aceitação, tornando o processo educacional dinâmico e motivador para essa criança especial. (BRASIL, 2001) Na teoria, funciona muito bem. Na prática, com recursos e pessoal limitado, entretanto, a tarefa é bem difícil. Adiciona-se ainda a mentalidade retrógrada e a falta de capacitação profissional em muitas áreas auxiliares, e teremos um quadro complicado de se obter sucesso. Embora o ato de aprender dependa do aluno, seu status motivacional, harmonia do ambiente, recursos usados pelo professor (diálogo, observação, negociação e avaliação) e feedback dos demais alunos potencializam o processo de aprendizado. Com um professor especializado, a eficácia do novo método será maior, até mesmo por que muitos professores regulares têm reservas quanto a trabalhar com PNEs em suas salas regulares, por saber das dificuldades que isso traz, julgando-se às vezes sem preparo, e assim ao longo do tempo desmotivando o aluno, a família e os demais alunos. A meta é fazer aprender na sala comum, e não isolando em uma sala especial, o que a maior parte desses professores sem capacitação e sem recursos acabam fazendo. Para que haja o processo de ensino-aprendizagem adequado dos alunos portadores de necessidades educacionais especiais, o professor terá de se capacitar para atender a proposta desta nova face de educação, conciliar teorias sobre o assunto com sua prática e a realidade da sala de aula. 1.2.2 A necessidade de interação social Diferentes alunos e alunos portadores de necessidades educacionais especiais convivendo no mesmo ambiente escolar, segundo psicólogos e pedagogos, facilita o processo de ensino-aprendizagem, já que o aluno que possui algum tipo de necessidade, seja ela auditiva, motora, visual, cognitiva, etc, tenderá a imitar os demais alunos e a interagir com eles de forma a se superar, e concomitantemente, as crianças com maiores facilidades, via empatia, terão motivação para ajudar as demais. Isso não aconteceria se essa criança estivesse em um ambiente apenas com crianças com necessidades especiais. Esse desenvolvimento positivo só ocorre se várias condições estiverem presentes simultaneamente, como a motivação dada pelo educador, incentivo e compreensão dos demais alunos, ou seja, um ambiente de harmonia e confiança que deve se estender também ao ambiente doméstico; um ambiente normalizante que melhore todas suas habilidades pessoais, sociais, autonomia, autoestima, relações interpessoais. Sem essas condições, a possibilidade de que haja rejeição e intolerância se torna alta e o risco de insucesso por si só já faz com que a maior parte dos profissionais prefira, por conveniência situacional, isolar essas crianças. Alguns aspectos dificultam a inclusão escolar, entre eles se destacam: a concepção de deficiência como doença; visão dos PNEs como problema que a escola não está preparada para enfrentar; medo e insegurança dos professores por falta de capacitação; condições de trabalho inadequadas; falta de estrutura; considerar a deficiência como centro e não o aluno; falta de apoio de autoridades; priorização de outros enfoques políticos na educação (BARTALOTTI et al., 2008). O sistema escolar valoriza apenas o desenvolvimento cognitivo e existe uma forte tendência de associação entre aparência física e competência, condutas que contribuem para a exclusão e discriminação (TEIXEIRA; KUBO, 2008). 1.2.3 A acomodação do corpo docente e os resultados negativos Diversas pesquisas já apontaram que essas principais dificuldades enfrentadas pelos professores sãoa falta de mão de obra especializada, materiais didáticos específicos, estruturas físicas adequadas, o que pode também indicar uma possível “acomodação” de alguns profissionais, que, criando obstáculos ditos intransponíveis, dificultam ainda mais a execução desse tipo de ensino. O acesso à informação, com a Internet, facilitou que materiais didáticos específicos para todos os casos sejam obtidos e que cursos e especializações se tornassem disponíveis onde antes nada havia, e a lei que garante escola para todos existe há mais de 20 anos. Logo, a única resposta válida para que ainda existam programas escolares que insistam em segregação dos PNEs é a acomodação do corpo escolar, tanto dos professores, coordenadores e administradores. Quando se analisa o cenário econômico global, em que profissionais precisam ser cada vez mais qualificados em todas as áreas, reduzir as chances dos PNEs apenas por uma “suposta” dificuldade adicional no aprendizado se torna uma medida que em longo prazo trará perdas muito grandes, tanto sociais quanto econômicas. Cidadãos conscientes que crescem dentro de uma realidade em que se relacionam com pessoas diferentes em um ambiente de cooperação e trabalho de equipe tendem a se tornarem mais receptivos e a externar a sistemática do ambiente escolar diferenciado para todos os outros aspectos de sua vida. Logo, se tornam seres humanos e profissionais mais capacitados, solidários e tolerantes as mais diversas situações, adotando menos comportamentos excludentes. O mesmo raciocínio se aplica aos familiares e corpo discente. O efeito cascata é evidente: em médio prazo, essa nova sistemática educacional trará uma maior integração na turma e uma melhor aceitação das próprias potencialidades e limitações, promovendo uma contribuição tanto acadêmica, como social (MENDES, 2006; TEIXEIRA; KUBO, 2008). 1.3 Mudanças Essenciais Algumas alterações são essenciais para o crescimento da inclusão: reorganização da gestão escolar tendo a flexibilização como diretriz; alterações curriculares e da forma de avaliação; formação continuada dos professores; reformas arquitetônicas com acessibilidade e sinalização das escolas; equipe de apoio formada por profissionais de saúde; discussão e reestruturação do agrupamento dos alunos nas salas de aulas; nova abordagem dos PNEs identificando seus pontos fortes e designando responsabilidades especiais; formação de grupos de aprendizado cooperativo com instruções e metas bem claras (MICHELS, 2006; BARTALOTTI et al., 2008). Para a construção de uma verdadeira escola inclusiva é necessária a transformação da concepção de deficiência vista pelos profissionais envolvidos. A ação deve ser baseada neste conceito, acarretando o sucesso ou fracasso do aluno (BARTALOTTI et al., 2008). A família dos alunos deve participar ativamente desse processo, para que o ambiente escolar harmônico exista também em casa e que vários processos de aprendizado ocorram fora das salas de aula; embora isso seja aplicável também aos alunos regulares, uma maior atenção aos PNEs deverá ser dada. Tanto a mentalidade dos envolvidos quanto a gestão administrativa dos recursos deve sofrer profundas alterações. CONCLUSÃO Pensar na inclusão escolar das crianças com necessidades especiais implica em considerá-la como prática permanente na escola, firmada no projeto político pedagógico da escola e efetivado pela ação consciente do educador, atuando como agente transformador da realidade, visando constituir cidadãos críticos e participativos. O contexto educacional revela que apesar do esforço da maioria, na luta para incluir e oferecer educação de qualidade a todos, a maior parte das escolas não dispõe de espaço físico apropriado, mobiliário e material didático para o atendimento aos deficientes intelectuais, dificultando assim o acesso, permanência e o trabalho dos profissionais, enfim, a inclusão. Observou-se que o processo educativo inclusivo traz sérias implicações para os docentes e a escola e requer-se, especialmente, uma efetiva preparação de profissionais da educação, para que os mesmos possam proporcionar um contínuo desenvolvimento pedagógico e educacional, que resulte em uma nova maneira de perceber e atuar com as diferenças de todos os alunos em sala. Preparação que os façam conscientes não apenas das características e potencialidades dos seus alunos, mas de suas próprias condições para ensiná-los em um ambiente inclusivo, assim como da necessidade de refletirem constantemente sobre a sua prática, a fim de modificá-la quando necessário. O argumento mais freqüente dos professores, quando resistem à inclusão, é de não estarem ou não terem sido preparados para esse trabalho. Eles esperam uma preparação para ensinar os alunos com deficiência ou dificuldades de aprendizagem. Incluir uma criança deficiente intelectual em uma sala de aula regular é algo a se fazer cuidadosamente, pois quando se fala de inclusão escolar, não trata apenas de reunir os diferentes adaptando o ensino igual para todos, o que leva a uma tentativa de normalizá-los para que convivam numa mesma sala de aula. A Lei determina incluir, mas não oferece subsídios necessários para que isso aconteça de modo satisfatório, deixando a desejar e fazendo com que os professores fiquem a mercê da realidade em que se encontram. Existe uma teia de contradições e um fosso entre o discurso e a ação, pois o mundo continua representado pelos ditos “normais" e "aqueles", as pessoas com deficiência que continuam vivenciando situações discriminatórias em todos os segmentos da sociedade. Talvez seja esse o grande desafio, construir uma cultura de inclusão que garanta as pessoas com necessidades educacionais especiais um lugar na sala de aula, que é por natureza um dos espaços imprescindíveis para o desenvolvimento pessoal e da cidadania. Portanto, é importante avaliar o que está sendo oferecido a estes alunos e como se deve organizar o sistema educacional em nossas cidades de forma a atender plenamente naquilo que eles devem ter por direito. Objetiva-se buscar enquanto educadores e família revertermos à exclusão de crianças, jovens e adultos com necessidade especial no sistema de ensino, para que possa tornar realidade à inclusão escolar, participando, aprendendo e acima de tudo desenvolvendo as potencialidades dos alunos. Enfim, para atender as singularidades de todos os alunos, é fundamental que sejam realizadas adequações necessárias para proporcionar seu engajamento no processo educacional, pois a escola regular se torna inclusiva quando reconhece as diferenças dos alunos diante do processo educativo e busca a participação e o progresso de todos, adotando novas práticas pedagógicas. A inclusão dos PNEs depende da quebra de preconceitos e oferecimento de oportunidades. Todos devem ser conscientizados dos benefícios desta prática, objetivando a busca de estratégias inovadoras que contribuam neste campo. Os pais devem cobrar o direito à matrícula de seu filho, apoiando-o nessa nova etapa. Cabe aos diretores e gestores das escolas a arrecadação de recursos para adequações infraestruturais e capacitação de docentes. Os professores devem mudar a concepção de deficiência como doença; assim como os outros alunos considerados normais, os PNEs também possuem potencialidades, as mesmas devem ser exploradas. A aplicação de técnicas pedagógicas para o desenvolvimento das habilidades e sucesso no ensino-aprendizagem é tarefa intransferível do professor. Novas políticas públicas na área da Educação Especial devem ser traçadas no intuito da concretização da inclusão escolar. Há vários desafios a serem enfrentados, mas grandes avanços já foram conquistados. Tem-se o respaldo da legislação. Professores, alunos, pais, gestores/diretores devem contribuir para o alcance da inclusão como prática e não como teoria. Na prática observa-se que muitos confundem inclusão como apenas o direito ao acesso na escola, porém, é muito mais complexo, envolve a garantia do sucesso da aprendizagem em um ambiente harmônico e respeitador, colaborando paraconstrução da cidadania com justiça e dignidade. CONCLUSION To think about the scholar inclusion of children with special needs means that we have to consider it as a permanent practice in school, with a strong political and pedagogical project, with conscious and effective actions from the educator, acting as a agent of transformation of reality, aimed at the construction of engaged and participant citizens. The educational context reveals that despite the efforts of most professionals in the struggle to include and offer high quality education for all, the majority of the schools do not have the proper structure (physical space, furniture, teaching material, specialized professionals) to receive and educate these children, thus hindering the entire process of scholar inclusion. It was observed that this new educational process brings serious implications to the teachers and school, and it requires an effective preparation of education professionals, so they can provide continuous pedagogical and educational development, which results will bring in a new way to perceive and act with the differences amongst all children in a classroom. A new method that will make them aware not only of personal characteristics and potentials of their students, but to their own conditions to teach them in an inclusive environment, as well their needs to be constantly thinking about their practice and how to improve and change it when necessary. The most frequent argument against inclusion that regular teachers use is that they were not prepared for that job. They expect some kind of preparation for teaching children with special educational needs or learning difficulties. Including children with those special needs in a regular classroom must be done carefully, because inclusion is not just about bringing the different students and forcing them to the same teaching method, which leads to an attempt to normalize them to live together in the same classroom. The law determines the inclusion, but do not offer the necessary subsidies for that to happen in a satisfactory way, leaving teachers at the mercy of the reality in which they find themselves. There are many contradictions and one abyss between speech and action, because our world is still represented by the so-called “normal” and “them”, the people with special needs, who keep experiencing traumatic and discriminatory situations in all aspects of our society. Perhaps this is the greatest challenge of all, to build one culture of inclusion that will ensure them a place in every classroom, which is by nature one of the essential areas of personal development and citizenship. Therefore, it is really important to evaluate what is being offered to these children and how the education system should be organized in our cities to fully meet what they should have by right. We must seek, as educators and families, the reversion of the exclusion of those kids, youth and adults with special educational needs, in a way that the school inclusion, sharing, learning and above all, developing their potentials can become reality for those too. To meet the uniqueness of all students, it is essential that certain adjustments must be done do provide engagement from these students in the educational process, because the regular school becomes inclusive when it recognizes differences amongst all the student body when facing that process e pursues the participation and progress of all, with new pedagogical practices. The inclusion of children with special needs (CSN) depends on how society will break preconceptions and offer opportunities. Everyone should be aware of the benefits of this practice, in order to search new and innovative strategies that will contribute to this field. Parents should charge the registration rights of their SNC in regular schools, supporting them in this new stage. It is up to the school administration and public educational management the fundraising for infra-structural adjustments and training professionals. Teachers and regular students must change their conception of deficiency as disease, as CSN also have potentials, and those must be explored. The application of pedagogical techniques to develop skills and success in the teaching-learning process is one exclusive job for the teacher. New public policies in Special Education must be prepared aiming the implementation of inclusive school. Several challenges will be faced, but great changes were already accomplished. Law now protects those rights, for example. Teachers, students, parents and public administrators must contribute to make inclusion a practical reality, not just a theory. Inclusion is not only the right to access the school, as many may confuse. It is a practical and complex reality that involves the assurance of learning success in a harmonious and respectful environment, contributing to building citizens with justice and dignity. REFERÊNCIAS ARAUJO, J.P.; SCHMIDT, A.; A inclusão de pessoas com necessidades especiais no trabalho: a visão de empresas e de instituições educacionais especiais na cidade de Curitiba. Rev. Bras. Ed. Esp. Marília. v.12, n.2, p.241-254, maio/ago. 2006. BARTALOTTI, C.C. et al.; Concepções de profissionais de educação e saúde sobre educação inclusiva: reflexões para uma prática transformadora. O Mundo da Saúde. São Paulo. v.32, n.2, p.124-130, abr./jun.2008. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal 1988. BRASIL. Congresso. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, DF, dez. 1996. Seção 1, n. 24823, p. 27833. ______. 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