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1 
DOI: 10.55905/rdelosv18.n63-062 
ISSN: 1988-5245 
 
Originals received: 12/09/2024 
Acceptance for publication: 01/02/2024 
 
Revista DELOS, Curitiba, v.18, n.63, p. 01-16, 2025 
 jan. 2021 
A crise do Pacto Federativo através da perspectiva orçamentária 
 
The crisis of the Federative Pact from a budgetary perspective 
 
La crisis del Pacto Federativo desde una perspectiva presupuestaria 
 
Helton Cristian de Paula 
Doutor em Administração 
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 
Endereço: Belo Horizonte – Minas Gerais, Brasil 
E-mail: helton@ufop.edu.br 
 
Mirian Assumpção e Lima 
Doutora em Administração 
Instituição: Fundação Getúlio Vargas (FGV) 
Endereço: São Paulo – São Paulo, Brasil 
E-mail: mirian@ufop.edu.br 
 
RESUMO 
Para entender o orçamento público brasileiro é necessário realizar um estudo sobre o Pacto 
Federativo, pois este conceito e as consequências dele decorrente embasam uma série de normas 
que podem influenciar o orçamento público. Esta pesquisa estudou de que forma o pacto 
federativo influencia na estrutura orçamentária municipal, utilizando como amostra os 853 
municípios mineiros. Verificou-se quais municípios seriam capazes de arcar com as despesas 
relativas à educação e saúde, utilizando somente a Receita Tributária (aquela arrecada pelo 
próprio município). Somente 2,46% dos municípios seriam capazes de arcar com as despesas de 
educação e 1,88% com as de saúde. E apenas 2 municípios (0,23%) seriam capazes de arcar com 
ambas as despesas. Os dados demonstram a grande dependência dos municípios das 
transferências do Estado e da União, além de colocar em questionamento toda a hierarquia 
proposta no Pacto Federativo, que orienta a organização dos entes no país. 
 
Palavras-chave: Pacto Federativo, orçamento público, receita tributária, transferências correntes. 
 
ABSTRACT 
In order to understand the Brazilian public budget, it is necessary to carry out a study on the 
Federative Pact, since this concept and its consequences underpin a series of rules that can 
influence the public budget. This research studied how the federative pact influences the 
municipal budget structure, using the 853 municipalities in Minas Gerais as a sample. It looked 
at which municipalities would be able to meet the costs of education and health, using only tax 
revenue (that collected by the municipality itself). Only 2.46% of the municipalities would be 
able to meet education costs and 1.88% health costs. And only 2 municipalities (0.23%) would 
be able to meet both expenses. The data shows the great dependence of municipalities on transfers 
from the state and the federal government, as well as calling into question the entire hierarchy 
proposed in the Federative Pact, which guides the organization of entities in the country. 
 
Keywords: Federative Pact, public budget, tax revenue, current transfers. 
 
 
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RESUMEN 
Para comprender el presupuesto público brasileño, es necesario estudiar el Pacto Federativo, ya 
que este concepto y sus consecuencias fundamentan una serie de normas que pueden influir en 
el presupuesto público. Esta investigación estudió cómo el pacto federativo influye en la 
estructura presupuestaria municipal, utilizando como muestra los 853 municipios de Minas 
Gerais. Se analizó qué municipios podrían hacer frente a los gastos de educación y sanidad 
utilizando únicamente los ingresos fiscales (los recaudados por el propio municipio). Sólo el 
2,46% de los municipios podrían hacer frente a los gastos de educación y el 1,88% a los de 
sanidad. Y sólo 2 municipios (0,23%) podrían hacer frente a ambos gastos. Los datos demuestran 
la gran dependencia de los municipios de las transferencias del estado y del gobierno federal, 
además de cuestionar toda la jerarquía propuesta en el Pacto Federativo, que orienta la 
organización de las entidades en el país. 
 
Palabras clave: Pacto Federativo, presupuesto público, ingresos fiscales, transferencias 
corrientes. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O ano de 2015 foi um ano histórico para o Brasil. Pela primeira vez na história do país, 
foi enviada pelo Governo Federal ao Congresso Nacional uma proposta de Lei Orçamentária 
deficitária. Uma proposta deficitária implica em assumir que as despesas previstas para o período 
serão maiores que a arrecadação, o que enseja a perspectiva de diversos problemas na gestão dos 
recursos da União. 
O fato citado ilustra a crise financeira e orçamentária que o país atravessa, assim como o 
impeachment da presidente eleita pelo voto direto em 2016, o segundo ocorrido desde a 
redemocratização do país, ilustra a crise política enfrentada pelo país. 
Além deste contexto de crise, tem-se como um agravante a heterogeneidade de um país 
de dimensões continentais. Segundo o IBGE (2016) o Brasil é composto atualmente por 26 
estados, o distrito federal e 5.570 municípios. Em meio a estes municípios existem as mais 
diversas realidades, em termos de extensão territorial, população, densidade demográfica, 
diversificação da economia, etc. 
Apesar destas realidades distintas e complexas, estes estados e municípios tem em comum 
o fato de serem todos participantes da República Federativa do Brasil. Isso faz com que todos se 
subordinem à Constituição Federal, que por sua vez determina em seus vários capítulos e artigos 
 
 
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qual será a competência de cada ente federado, bem como sua responsabilidade para com os 
cidadãos. 
A questão orçamentária sempre foi um ponto sensível na estrutura federativa. Não raros 
são os questionamentos de entes federados de que a arrecadação de recursos é centralizada na 
União, enquanto a prestação de serviços é concentrada nos municípios. Alias, na estrutura 
orçamentária dos municípios, é possível identificar alguns elementos importantes para este 
debate. Excetuando-se alguns municípios que tem uma parcela considerável de sua receita 
proveniente da arrecadação de tributos municipais (como o ISSQN), os demais convivem com a 
realidade de dependência de receitas transferidas da União e dos Estados para operar a máquina 
pública e deste modo garantir a prestação de serviços que possibilitem o gozo de direitos 
fundamentais pelos seus cidadãos. Segundo levantamento da Confederação Nacional de 
Municípios, 60% das cidades do país terminaram o ano de 2016 com contas a pagar.1 
Neste sentido, provavelmente a crise orçamentária que o país atravessa é um agravante à 
questão orçamentária, porém é necessário também investigar se o orçamento público é capaz de 
atender aos preceitos previstos na Constituição, em especial a capacidade deste mesmo 
orçamento fazer frente a todas as responsabilidades dos municípios previstas em lei a partir das 
atribuições de arrecadação de recursos. 
Tendo em vista este contexto, com o intuito de analisar a questão orçamentária brasileira, 
pretende-se buscar os elementos no estudo do orçamento público que possam subsidiar esta 
reflexão. Como se trata de um estudo bem amplo, optou-se por concentrar esforços no estudo 
dos municípios, considerando que estes são os entes com menor autonomia fiscal e, 
consequentemente, que se encontram mais vulneráveis frente ao sistema federativo. 
Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo analisar o pacto federativo e seus 
efeitos para entender a questão orçamentária brasileira. É inevitável analisar o impacto das 
transferências constitucionais (provenientes dos estados e da União) no orçamento municipal 
para entender se o sistema atual permite a compatibilização entre os recursos arrecadados e as 
obrigações constitucionais dos municípios. 
É necessário também entender o caminho federativo exposto na Constituição Federal e 
traçar as ações governamentais recentes para compreender se o Brasil caminha para se aproximar 
de um modelo descentralizado de federação,ou se dá passos em direção ao passado para a 
 
1 http://www.cnm.org.br/comunicacao/noticias/seis-em-cada-dez-municipios-tem-rombo-nas-contas 
 
 
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concretização de um Estado centralizador. Nas palavras do ministro do STF e professor de Teoria 
do Estado na Faculdade de Direito da USP, Ricardo Lewandowski, fato é que “o Brasil tem um 
encontro marcado com uma profunda reforma constitucional destinada a promover uma nova -e 
mais justa- redistribuição da renda tributária nacional, seguida de uma redefinição das 
competências das unidades federadas, permitindo que cumpram o papel para o qual são 
vocacionadas, a saber, o de prestar a tempo e com eficiência os serviços públicos essenciais à 
população em conformidade com suas peculiaridades locais”. 
Portanto, nesta pesquisa se pretende aprofundar o estudo do orçamento público, em 
especial das transferências, Receitas Tributárias e dos gastos obrigatórios, buscando elucidar a 
dinâmica do orçamento público e se existe relação desta com o pacto federativo. Para cumprir 
essa proposta, pretende-se verificar De que forma o Pacto Federativo influencia na estrutura 
orçamentária dos municípios mineiros. 
Acredita-se que esta questão se justifica pelo contexto atual, de redução da arrecadação 
e dificuldades financeiras do estado, que faz emergir temas como reforma tributária e eficiência 
do gasto público. Sendo assim, o aprofundamento do estudo do orçamento público, 
especialmente da sua relação com o pacto federativo, pode ajudar a compreender em que medida 
um decorre do outro. 
Esta compreensão pode auxiliar a busca por ajustes no modelo fiscal brasileiro, podendo 
gerar uma série de consequências positivas, dentre elas a criação de mecanismos que viabilizem 
a estruturação de um orçamento público que permita implementar as previsões legais 
estabelecidas para cada um dos entes federativos na constituição federal. 
 
2 REVISÃO DA LITERATURA 
 
Esta pesquisa se apoia em dois grandes conceitos, o pacto federativo e o orçamento 
público. Apesar dos dois conceitos estarem especificados em lei, será importante para as 
reflexões a que se propõe este trabalho conhecer a evolução histórica destes dois conceitos, o 
que pode auxiliar na compreensão da estrutura vigente de orçamento público, e especialmente 
no papel dos municípios dentro do pacto federativo, fazendo a reflexão destes dois conceitos e 
em que medida eles se relacionam. 
 
 
 
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2.1 O CONCEITO DE PACTO FEDERATIVO 
 
Affonso (1994) indica que o termo Federação diz respeito à ideia de união, pacto, 
articulação das partes (estados) com o todo (nação) através do governo central ou federal. Já a 
Constituição da República Federativa do Brasil (1988) em seu artigo 18, define que a organização 
político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. 
Vários são os autores (ELAZAR, 1994; MELO, 1996; DI PIETRO, 1999; ABRUCIO, 
2000; ARRETCHE, 2000; ARRETCHE, 2002; ABRUCIO, 2005) que se dedicaram a estudar o 
pacto federativo brasileiro, sua história, desenvolvimento e principalmente críticas em relação a 
sua estruturação. A partir destes autores é possível verificar que o pacto federativo envolve três 
esferas, o governo central ou União, o governo estadual ou estados, e neste ponto se equipara o 
distrito federal, que apesar de ser um distrito, centraliza a administração da União e em muitos 
aspectos se assemelha a um estado, e os governos municipais ou municípios. 
A própria Constituição Federal define os direitos e deveres de cada uma destas três esferas 
dentro da organização da federação. É interessante uma análise histórica da formação do país, 
para observar como os deveres de cada um destes entes e também suas competências se 
modificaram ao longo do tempo, de certo modo acompanhando as transformações ocorridas tanto 
na sociedade brasileira quanto no mundo. 
Leite (2016) afirma que a federação brasileira apresenta algumas distorções, dentre elas 
está a ausência de sincronia entre o sistema de repartição de receitas dos entes federativos e o 
sistema de atribuições de cada um. Assim é que, considerando toda a receita tributária arrecadada 
no país, a União isoladamente fica com 60% do total arrecadado, seguida dos Estados-Membros 
e Distrito Federal, que arrecadam 25% do total, e os Municípios com apenas 15% das receitas. 
Ocorre que, a despeito de terem a menor receita, Estados e Municípios possuem um leque 
de atribuições que muito raramente conseguem atender com os próprios recursos, sendo 
necessária uma repartição das receitas tributárias entre todos os entes de forma a tornar mais 
equânime a relação entre serviços e receitas. Essa repartição visa a garantir a autonomia dos 
entes, pois só quem tem autonomia financeira pode ter verdadeira autonomia política e jurídica. 
Mendes e Branco (2016) ainda preceituam que como no Estado Federal há mais de uma 
ordem jurídica incidente sobre um mesmo território e sobre as mesmas pessoas, impõe-se a 
 
 
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adoção de mecanismo que favoreça a eficácia da ação estatal, evitando conflitos e desperdício de 
esforços e recursos. A repartição de competências entre as esferas do federalismo é o instrumento 
concebido para este fim e consiste na atribuição, pela Constituição Federal, a cada ordenamento 
de uma matéria que lhe seja própria. 
As constituições federais preveem, ainda, uma repartição de rendas, que vivifica a 
autonomia dos Estados-membros e os habilita a desempenhar as suas competências. Para garantir 
a realidade da autonomia dos Estados – e o mesmo vale para o Distrito Federal e para os 
Municípios – a Constituição regula, no capitulo sobre o sistema tributário nacional, a capacidade 
tributária das pessoas políticas e descreve um modelo de repartição de receitas entre elas [...] 
Esse quadro de opções estruturais insere o Brasil na modalidade cooperativa de Federalismo, 
afastando o país, sob este aspecto, do modelo clássico de Estado Federal. 
Após estas considerações sobre o Pacto Federativo, serão abordados na próxima seção 
alguns conceitos e definições sobre o orçamento público. 
 
2.2 O ORÇAMENTO PÚBLICO 
 
O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, BRASIL (2016) define orçamento 
público como um instrumento de planejamento governamental em que constam as despesas da 
administração pública para um ano, em equilíbrio com a arrecadação das receitas previstas. É o 
documento onde o governo reúne todas as receitas arrecadadas e programa o que de fato vai ser 
feito com esses recursos. Lá são alocados os recursos destinados a hospitais, manutenção das 
estradas, construção de escolas, pagamento de professores. É no orçamento onde estão previstos 
todos os recursos arrecadados e onde esses recursos serão destinados. 
Este conceito reforça o ineditismo do fato ocorrido em 2015 e descrito na introdução 
deste projeto, quando ocorreu o envio ao Congresso Nacional de uma proposta de orçamento 
deficitária, ou seja, onde as despesas previstas seriam maiores que as receitas arrecadadas. No 
próprio conceito acima está indicado a necessidade de um equilíbrio entre receitas e despesas. 
No entanto, a questão de ordem mais prática em relação ao orçamento e que interessa a 
esta pesquisa é sua estrutura. Além de gastos obrigatórios, como os recursos que devem ser 
destinados à educação e saúde de forma compulsória, existe todo um conjunto normativo que 
estabelece diversas diretrizes para o orçamento, o que limita de forma substancial o chamado 
 
 
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gasto discricionário, aquele recurso que o gestor público tem maior liberdade para definir como 
empregar. 
Lobo Torres (2011) defende a ideiade uma Constituição Orçamentária, que constitui o 
Estado Orçamentário, sendo uma particular dimensão do Estado de Direito apoiada nas receitas, 
especialmente a tributária, como instrumentos de realização das despesas. Este Estado 
Orçamentário, que procura através do orçamento fixar a receita tributária e a patrimonial, 
redistribuir rendas, entregar prestações de educação, saúde, seguridade e transportes, promover 
o desenvolvimento econômico e equilibrar a economia, baseia-se no planejamento. A receita 
pública, os investimentos e as despesas se fazem segundo planos anuais ou plurianuais. A 
Constituição Federal (1988) prevê, no artigo 165, três planejamentos orçamentários: o plano 
plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual. 
Leite (2016) define que o orçamento se transformou nas últimas décadas. No passado, 
tinha-se um conceito clássico de orçamento, em que o mesmo era visto como simples peça que 
contemplava a previsão de receita e a fixação de despesas. Assim, tinha um aspecto apenas 
contábil e financeiro, que velava, sobretudo, para o equilíbrio entre as receitas e as despesas, sem 
se importar com os investimentos e o potencial crescimento que eventuais desequilíbrios 
orçamentários pudessem trazer. 
Após estas considerações sobre o Orçamento Público, será abordada na próxima seção a 
metodologia e amostra adotada nesta pesquisa. 
 
3 METODOLOGIA DE PESQUISA E AMOSTRA 
 
A metodologia de pesquisa é caracterizada pela abordagem quantitativa. 
Nesta abordagem, foi utilizada a análise documental, através da investigação dos 
relatórios de prestação de contas e demonstrações contábeis dos municípios além de outros 
documentos contidos no portal Fiscalizando com o Tribunal de Contas do Estado de Minas 
Gerais – TCE/MG. Com o auxílio de estatística descritiva foi feita a compilação e apresentação 
dos dados. Estes dados geraram um panorama da situação dos municípios em relação as 
Receitas Tributárias e Transferências Correntes, além da comparação com as Despesas com 
Saúde e Educação, dados que ajudam a promover reflexões sobre a efetividade do pacto 
federativo. 
 
 
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O objetivo desta pesquisa foi analisar os 853 municípios do estado de Minas Gerais, sendo 
escolhido este estado por ser representativo dentro da Federação, além da grande quantidade de 
municípios existentes e os diversos estágios de desenvolvimento destes. Outro fator levado em 
consideração foi o acesso aos dados, publicados através do portal do Tribunal de Contas do 
Estado de Minas Gerais. 
 
4 ANÁLISE DE DADOS 
 
Preliminarmente, é importante destacar que os municípios tem competência para instituir 
impostos (como o ISSQN, IPTU e o ITBI), taxas e contribuições de melhoria, todos de natureza 
tributária. Esses tributos, porém, não representam a totalidade das receitas municipais, mas sim 
uma parte delas. Isso ocorre, pois em função do pacto federativo, parte dos recursos disponíveis 
para uso dos municípios é proveniente de transferências correntes, isto é, recursos arrecadados 
pelo Estado ou pela União, que são transferidos aos municípios, por determinação constitucional. 
Deste modo serão analisadas as Receitas Tributárias (arrecadadas pelos municípios pelos 
tributos, taxas e contribuições de melhoria) e as Transferências Correntes (recursos arrecadados 
pelos Estados e União e repassados aos municípios), que somadas constituem o total de recursos 
a serem usados pelos municípios. 
A partir desta perspectiva, a seção seguinte se ocupará de analisar as Receita Tributária 
dos municípios mineiros. 
 
4.1 ANÁLISE DE DADOS – RECEITAS TRIBUTÁRIAS 
 
A primeira análise empreendida foi a verificação de quais os municípios, dentre os 853 
existentes no Estado de Minas Gerais, seriam capazes de arcar com os gastos de educação, 
somente com os recursos oriundos das Receitas Tributárias. Para ilustrar os achados desta 
verificação, apresenta-se a Tabela 1 a seguir: 
 
 
 
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Tabela 1 – Municípios – Despesas de Educação x Receita Tributária 
MUNICÍPIO 
RECEITA 
TRIBUTÁRIA 
GASTO COM 
EDUCAÇÃO 
% 
Belo Horizonte R$ 6.322.665.472,50 R$ 1.570.576.817,52 24,84% 
Contagem R$ 661.369.637,24 R$ 342.439.265,82 51,78% 
Juiz de Fora R$ 403.948.153,70 R$ 300.242.201,86 74,33% 
Uberaba R$ 331.048.502,44 R$ 193.404.338,01 58,42% 
Nova Lima R$ 173.919.842,89 R$ 119.861.485,62 68,92% 
Sete Lagoas R$ 117.853.596,66 R$ 108.342.654,32 91,93% 
Divinópolis R$ 98.824.793,93 R$ 96.326.671,61 97,47% 
Barbacena R$ 75.555.633,58 R$ 50.279.428,56 66,55% 
Passos R$ 74.361.793,36 R$ 46.170.723,91 62,09% 
Pouso Alegre R$ 69.420.916,92 R$ 44.190.873,20 63,66% 
Paracatu R$ 67.855.691,56 R$ 54.518.757,07 80,35% 
Varginha R$ 64.076.436,86 R$ 62.311.936,36 97,25% 
Lagoa Santa R$ 61.080.104,26 R$ 45.513.607,91 74,51% 
Muriaé R$ 57.502.561,94 R$ 49.096.968,08 85,38% 
Guaxupé R$ 35.976.897,88 R$ 26.492.841,00 73,64% 
Confins R$ 24.741.433,92 R$ 11.130.926,32 44,99% 
São Lourenço R$ 24.118.180,82 R$ 23.085.118,83 95,72% 
Jeceaba R$ 15.941.524,96 R$ 10.219.270,22 64,10% 
Muzambinho R$ 11.092.220,74 R$ 10.615.153,90 95,70% 
Capitólio R$ 8.572.340,24 R$ 6.470.392,57 75,48% 
Barra Longa R$ 8.001.366,62 R$ 4.138.956,03 51,73% 
Fonte: Adaptado dos dados coletados no TCE MG (www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br) 
 
Conforme dados apresentados acima, somente 21 municípios, equivalente a 2,46% do 
total de municípios existentes no Estado de Minas Gerais, que seriam capazes de arcar com os 
gastos da educação somente com recursos provenientes da Receita Tributária. Para ilustrar esta 
situação, é apresentado o Gráfico 1, a seguir: 
 
Gráfico 1 – Relação Receita Tributária/Gasto com Educação 
 
Fonte: Elaboração Própria 
0,00%
20,00%
40,00%
60,00%
80,00%
100,00%
B
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% GASTO EDUCAÇÃO EM RELAÇÃO A RECEITA TRIBUTÁRIA
http://www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br/
 
 
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No gráfico 1 é possível constatar alguns municípios no limite da cobertura dos gastos de 
saúde somente com recursos de Receita Tributária, como é o caso de Sete Lagoas, Divinópolis, 
Varginha, São Lourenço e Muzambinho, municípios nos quais as despesas com educação 
representam mais de 90% das Receitas Tributárias. Por outro lado, se destacam a capital, Belo 
Horizonte, e o município de Confins, aonde as despesas com educação não chegam a 50% da 
Receita Tributária. 
Foi seguido o mesmo procedimento em relação a análise das despesas de saúde. Os dados 
são apresentados na Tabela 2, a seguir: 
 
Tabela 2 – Municípios – Despesas de Saúde x Receita Tributária 
MUNICÍPIO RECEITA TRIBUTÁRIA GASTO COM SAÚDE 
% GASTO 
SAÚDE 
Belo Horizonte R$ 6.322.665.472,50 R$ 3.109.520.817,75 49,18% 
Contagem R$ 661.369.637,24 R$ 413.581.529,66 62,53% 
Uberaba R$ 331.048.502,44 R$ 224.935.062,86 67,95% 
Nova Lima R$ 173.919.842,89 R$ 115.182.708,95 66,23% 
Passos R$ 74.361.793,36 R$ 56.929.584,48 76,56% 
Pouso Alegre R$ 69.420.916,92 R$ 63.203.104,47 91,04% 
Lagoa Santa R$ 61.080.104,26 R$ 44.005.141,49 72,04% 
Muriaé R$ 57.502.561,94 R$ 52.823.948,64 91,86% 
Guaxupé R$ 35.976.897,88 R$ 23.623.455,09 65,66% 
Confins R$ 24.741.433,92 R$ 9.261.456,37 37,43% 
Conceição do 
Mato Dentro 
R$ 16.767.702,47 R$ 15.540.411,61 92,68% 
Jeceaba R$ 15.941.524,96 R$ 10.969.308,07 68,81% 
Muzambinho R$ 11.092.220,74 R$ 10.743.401,70 96,86% 
Capitólio R$ 8.572.340,24 R$ 7.939.764,18 92,62% 
Barra Longa R$ 8.001.366,62 R$ 4.434.597,93 55,42% 
RioDoce R$ 2.753.698,31 R$ 2.634.288,33 95,66% 
Fonte: Adaptado dos dados coletados no TCE MG (www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br) 
 
Conforme Tabela 2 acima, apenas 16 municípios honrariam as despesas vinculadas à 
saúde utilizando somente as suas Receitas Tributárias, representando um percentual de 1,88% do 
total de municípios Mineiros. Para ilustrar esta situação, é apresentado o Gráfico 2, a seguir: 
 
http://www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br/
 
 
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Gráfico 2 – Relação Receita Tributária/Gasto com Educação 
 
Fonte: Elaboração Própria 
 
No gráfico 2 se destacam os municípios de Pouso Alegre, Muriaé, Conceição do Mato 
Dentro, Muzambinho, Capitólio e Rio Doce, cuja cobertura das despesas com saúde superam 
90% das Receitas Tributárias. Por outro lado, assim como no caso da cobertura das despesas de 
educação, Belo Horizonte e Confins se destacam, municípios aonde as despesas com educação 
não chegam a 50% da Receita Tributária. 
Para encerrar as análises em relação às Receitas Tributárias, foi verificado, dentre os 853 
municípios mineiros, quais seriam capazes de arcar com as despesas de educação e saúde, 
somente por meio da Receita Tributária. Os dados são apresentados na Tabela 3, a seguir: 
 
Tabela 3 – Despesas de Saúde +Despesas com Educação x Receita Tributária 
MUNICÍPIO 
RECEITA 
TRIBUTÁRIA 
GASTO COM 
SAÚDE 
GASTO COM 
EDUCAÇÃO 
TOTAL GASTO 
(EDUC+SAÚDE) 
% TOTAL 
GASTO 
(EDUC+ 
SAÚDE) 
Belo Horizonte 
R$ 
6.322.665.472,50 
R$ 
3.109.520.817,75 
R$ 
1.570.576.817,52 
R$ 
4.680.097.635,27 
74,02% 
Confins R$ 24.741.433,92 R$ 9.261.456,37 R$ 11.130.926,32 R$20.392.382,69 82,42% 
Fonte: Adaptado dos dados coletados no TCE MG (www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br) 
 
Conforme Tabela 3 acima, apenas 2 municípios honrariam as despesas vinculadas à saúde 
utilizando somente as suas Receitas Tributárias, representando um percentual de 0,23% do total 
de municípios Mineiros. 
Ao analisar os dois municípios, buscou-se entender os motivos que os levaram, dentre os 
853 municípios mineiros, a figurar neste último gráfico. A capital, Belo Horizonte, é o município 
0,00%
20,00%
40,00%
60,00%
80,00%
100,00%
% GASTO SAÚDE EM RELAÇÃO A RECEITA TRIBUTÁRIA
http://www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br/
 
 
12 Revista DELOS, Curitiba, v.18, n.63, p. 01-16, 2025 
 
com maior população do estado e maior atividade econômica, fatores que fazem com que o 
município tenha grande capacidade de arrecadação de tributos. 
O município de Confins possui uma receita tributária significativa em função da sua 
proximidade com a capital e pelo fato de abrigar em seu território o Aeroporto Internacional 
Tancredo Neves, aeroporto internacional que atende a Belo Horizonte, e que promove a 
estruturação de uma cadeia econômica no município, geradora de atividades, em especial de 
serviços, o que faz com que a arrecadação de tributos municipais se eleve. Um fato de demonstra 
o alto potencial de arrecadação do município é que ele foi o único no estado onde as Receitas 
Tributárias superaram as Transferências Correntes que foram recebidas. 
As transferências correntes serão o objeto de análise da seção seguinte. 
 
4.2 ANÁLISE DE DADOS – TRANSFERÊNCIAS CORRENTES 
 
Para iniciar a análise das Transferências Correntes, apresenta-se a seguir a Tabela 4, onde 
estão listados os 20 municípios mineiros que receberam os maiores valores de Transferências 
Correntes no período analisado: 
 
Tabela 4 – Municípios – 20 maiores Transferências Correntes (2016) 
MUNICÍPIO 
RECEITA TRIBUTÁRIA 
(2016) 
TRANSFERÊNCIAS 
CORRENTES (2016) 
TRANSFERÊNCIA/RECEITA 
TRIBUTÁRIA 
Belo Horizonte 6.322.665.472,50 8.593.455.420,74 1,36 
Contagem 661.369.637,24 1.713.354.845,12 2,59 
Betim 179.704.044,46 1.056.789.558,04 5,88 
Uberaba 331.048.502,44 967.945.502,64 2,92 
Uberlândia 399.776.206,28 955.124.162,69 2,39 
Juiz de Fora 403.948.153,70 741.746.473,93 1,84 
Ipatinga 121.327.788,88 457.710.981,30 3,77 
Governador Valadares 114.539.111,23 395.082.910,73 3,45 
Montes Claros 114.539.111,23 395.082.910,73 3,45 
Barbacena 75.555.633,58 381.710.032,86 5,05 
Sete Lagoas 117.853.596,66 372.147.186,11 3,16 
Itabira 54.561.206,63 346.132.661,02 6,34 
Paracatu 67.855.691,56 345.916.936,90 5,10 
Poços de Caldas 107.036.904,67 332.777.251,71 3,11 
Divinópolis 98.824.793,93 310.624.318,20 3,14 
Nova Lima 173.919.842,89 310.604.207,53 1,79 
Pouso Alegre 69.420.916,92 302.694.501,83 4,36 
Ribeirão das Neves 50.917.320,89 266.098.454,91 5,23 
Muriaé 57.502.561,94 259.531.691,60 4,51 
Passos 74.361.793,36 259.212.728,56 3,49 
Fonte: Adaptado dos dados coletados no TCE MG (www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br) 
http://www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br/
 
 
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Os dados acima evidenciam que todos os municípios que constam entre os 20 que mais 
receberam transferências correntes no período analisado, receberam valores de Transferência 
Corrente maiores que a Receita Tributária. Conforme destacado anteriormente, o único 
município que foge a esta regra no estado é Confins. 
Alguns municípios se destacam como é o caso de Itabira e Betim, por terem recebido 
transferência corrente cerca de seis vezes maior que o valor das Receitas Tributárias. Estes 
municípios tem uma atividade econômica robusta, a atividade mineradora e industrial 
respectivamente, sendo que o primeiro abriga em seu território operações da mineradora Vale 
S/A, e o segundo da Fiat Automóveis S/A. De qualquer modo seria necessário se debruçar sobre 
o conjunto normativo que regula as transferências correntes, para entender os motivos que 
levaram estes munícipios a se destacarem no recebimento das mesmas, o que foge ao escopo 
desta pesquisa. 
Outro aspecto interessante em relação às Transferências Correntes é fazer a análise da 
Transferência Corrente Per capta, ou seja, o valor de Transferência Corrente comparado com a 
população do município. Estes são os dados apresentados na Tabela 5, em relação aos 20 
municípios com maior Transferência Corrente Per capta: 
 
Tabela 5 – Municípios – 20 maiores Transferências Per capta (2016) 
MUNICÍPIO 
POPULAÇÃO 
ESTIMADA 
(2017) 
RECEITA 
TRIBUTÁRIA 
(2016) 
TRANSFERÊNCIAS 
CORRENTES (2016) 
TRANSF. 
CORRENTE PER 
CAPTA 
Grupiara 1.418 113.826,82 26.065.655,96 18.381,99 
São Gonçalo do 
Rio Abaixo 
10.773 13.710.689,83 144.792.569,81 13.440,32 
Serra da Saudade 812 193.888,91 9.982.653,66 12.293,91 
Pedro Teixeira 1.843 331.784,14 20.365.580,22 11.050,23 
São Sebastião do 
Rio Preto 
1.582 995.234,33 16.114.032,13 10.185,86 
Catas Altas 5.316 4.068.130,14 52.799.773,66 9.932,24 
Chiador 2.789 512.570,84 25.928.861,46 9.296,83 
Araçaí 2.368 371.553,44 21.887.095,28 9.242,86 
Indianópolis 6.806 3.788.842,96 56.409.299,10 8.288,17 
Cachoeira 
Dourada 
2.691 800.973,28 22.075.189,31 8.203,34 
Cedro do Abaeté 1.209 162.885,22 9.820.126,35 8.122,52 
Doresópolis 1.533 534.851,14 10.468.714,47 6.828,91 
Araporã 6.774 3.654.109,31 45.174.623,09 6.668,83 
Tapira 4.650 4.791.294,93 30.880.625,49 6.640,99 
Água Comprida 2.058 1.653.669,52 13.403.169,94 6.512,72 
Douradoquara 1.930 285.908,87 11.924.453,12 6.178,47 
 
 
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Antônio Prado de 
Minas 
1.664 186.397,50 10.065.774,16 6.049,14 
Paiva 1.577 195.016,93 9.337.093,86 5.920,80 
Senador Cortes 2.049 466.655,41 11.977.519,74 5.845,54 
Senador José 
Bento 
1.672 251.661,95 9.580.439,57 5.729,93 
Fonte: Adaptado dos dados coletados no TCE MG (www.fiscalizandocomtce.tce.mg.gov.br) e IBGE 
 
O primeiro aspecto que chama atenção nos dados acima é que nenhum deles figura na 
Tabela 5, ou seja, não receberam os maiores valores de transferência corrente. Chama atenção 
também a quantidade de municípios mineiros com população abaixo de 5.000 habitantes. Dos 20 
selecionados acima, somente4, ou 20%, possui mais habitantes que isso. Quando se analisa em 
relação a 10.000, somente um município supera esta marca. E se destaca ainda um município, 
Serra da Saudade, que sequer alcança a quantidade de 1.000 habitantes. Este quadro denota a 
grande dependência de pequenos municípios dos recursos oriundos de transferências correntes, 
além de evidenciar a grande amplitude de variação entre os valores per capta, já que estes 
variaram entre 5.729,93 e 18.381,99, uma variação superior a 300%. 
 
5 CONCLUSÕES 
 
É preciso refletir acerca do modelo federativo adotado hoje no Brasil. Com os dados 
analisados, identificou-se que por mais que as discussões acerca da descentralização do Estado e 
do aumento da autonomia dos entes federados sejam antigas, o federalismo brasileiro 
desenvolvido atualmente caminha em sentido contrário às pautas já colocadas. 
Os municípios (na pesquisa em questão, os mineiros) se tornaram entes extremamente 
sufocados e dependentes dos recursos provenientes dos Estados e da União. Não se vêm capazes 
de arcar com despesas essenciais como as de saúde e educação a partir das receitas tributárias. 
Os dados da pesquisa demonstraram que a grande maioria dos municípios depende dos recursos 
transferidos para arcar com suas despesas, como as de saúde e educação. Não foram analisadas 
nesta pesquisa as demais atividades previstas na Constituição como de obrigação dos municípios, 
tais como as despesas decorrentes de transporte, cultura e lazer. Deste modo o panorama se 
mostra crítico na esfera municipal. 
Tais circunstâncias colocam os municípios em situação delicada no contexto brasileiro. 
Com arrecadação incipiente, dependência dos demais entes federados (em especial Estado e 
 
 
15 Revista DELOS, Curitiba, v.18, n.63, p. 01-16, 2025 
 
União), e grandes dificuldades na manutenção da prestação de serviços públicos, os mesmos se 
tornam objetos de manobra política, na tentativa de conseguirem alguma ajuda dos entes mais 
abastados economicamente. 
Santos e Noronha (1999) indicam que é fundamental inaugurar novas perspectivas para a 
intervenção governamental, adaptando-se o Estado às circunstâncias globais e ao sentido do bem 
comum na atualidade. Discutir e avaliar o equilíbrio federativo é tarefa das mais úteis e relevantes 
quando a preocupação que impera é a de otimizar a intervenção estatal, tornando-a mais célere, 
menos onerosa e integralmente comprometida com o interesse público. 
Baracho (1985) destacou que a insuficiência tributária dos Municípios era verificável em 
todo o curso do regime republicano. Os municípios, por não possuírem base econômica para 
sustentar, com recursos próprios, os gastos locais, tornam-se dependentes das transferências. 
Como peça básica da Democracia, o Município não foi assim considerado, em várias fases do 
sistema constitucional e político brasileiro. A Federação brasileira, apesar do lugar dado ao 
Município, no que diz respeito à autonomia política e à discriminação constitucional de 
competências, não efetivou as características principais de sua implantação. O Município possui 
poderes enumerados, mas o tratamento especial, que a sistema constitucional lhe dispensa, 
traduzido na autonomia municipal, não lhe impediu, efetivamente, de ser um ente subalterno. 
Faltam-lhe liberdade administrativa e independência econômica. 
Por fim, cabe a reflexão acerca do efetivo papel dos Municípios dentro da sistemática 
constitucional brasileira da efetivação de políticas públicas que visam o bem-estar da população. 
É preciso indagar-se sobre a eficiência do federalismo atual na problemática sobre a prestação 
do serviço ao cidadão e da atuação do Estado frente à sociedade. 
Ainda sobre o tema, futuramente seria relevante estudar e comparar o sistema brasileiro 
com outros sistemas de federalismo, além de levantar mais dados sobre o gasto para se criar e 
manter a máquina pública municipal (despesas com o Executivo e o Legislativo). Talvez a 
condução de um estudo como este, demonstre que os critérios adotados para a criação de 
municípios ao longo do tempo foram prejudiciais ao federalismo brasileiro, e corroborem os 
dados obtidos nesta pesquisa, onde do total de 853 municípios mineiros, somente 2 tem 
arrecadação suficiente para fazer frente a gastos essenciais para a população, como aqueles 
ligados saúde e educação, e somente 1 arrecada mais recursos do que os recebe via transferência 
corrente. 
 
 
16 Revista DELOS, Curitiba, v.18, n.63, p. 01-16, 2025 
 
REFERÊNCIAS 
 
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DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Parcerias na administração pública: concessão, permissão, 
franquia, terceirização, e outras formas. São Paulo, Atlas, 1999. 
 
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MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 
11ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2016. 
 
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TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. 18ª Edição. Rio de Janeiro: 
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