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Apostila AFO Noções de Despesa Pública

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Noções de Despesa Pública 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 CONCEITO DE DESPESA PÚBLICA .......................................................................................... 4 
2 CLASSIFICAÇÕES DA DESPESA ORÇAMENTÁRIA ................................................................... 5 
2.1 Classificação Institucional ................................................................................................. 5 
2.2 Classificação Funcional ...................................................................................................... 7 
2.3 Classificação por Estrutura Programática ......................................................................... 8 
2.3.1 Especificidades das Ações no Orçamento de Minas Gerais .......................................... 9 
2.4 Classificação por Natureza de Despesa (por Categorias) ................................................ 11 
2.4.1 Categoria Econômica da Despesa (1º Nível) ............................................................... 12 
2.4.2 Grupo de Natureza da Despesa (GND) (2º Nível) ........................................................ 12 
2.4.3 Modalidade de Aplicação (3º Nível) ............................................................................ 13 
2.4.4 Elemento de Despesa (4º Nível) .................................................................................. 14 
2.4.5 Desdobramento Facultativo em Item de Despesa ...................................................... 15 
2.5 Fontes de Recurso e Identificador de Procedência e Uso ............................................... 16 
2.6 Classificação da Lei Federal nº 4.320/1964 ..................................................................... 18 
2.7 Portaria Interministerial nº 163/2001 ............................................................................. 20 
2.8 Despesas Obrigatórias de Caráter Continuado ............................................................... 21 
2.9 Classificação quanto à Esfera Orçamentária ................................................................... 21 
3 ESTÁGIOS DA DESPESA PÚBLICA ORÇAMENTÁRIA ............................................................. 23 
3.1 Planejamento .................................................................................................................. 24 
3.1.1 Fixação da Despesa ..................................................................................................... 24 
3.1.2 Descentralizações de Créditos Orçamentários ........................................................... 24 
3.1.3 Programação Orçamentária e Financeira ................................................................... 25 
3.1.4 Processo de Licitação e Contratação ........................................................................... 26 
3.2 Execução .......................................................................................................................... 26 
3.2.1 Empenho ..................................................................................................................... 27 
3.2.1.1 Modalidades de Empenho .......................................................................................... 28 
3.2.1.2 Anulação de um Empenho .......................................................................................... 29 
3.2.2 Em Liquidação ............................................................................................................. 29 
3.2.3 Liquidação ................................................................................................................... 30 
3.2.4 Pagamento .................................................................................................................. 31 
4 DÍVIDA FLUTUANTE E FUNDADA ......................................................................................... 33 
5 RESTOS A PAGAR ................................................................................................................. 35 
 
 
5.1 Restos a pagar não processados ..................................................................................... 36 
5.2 Restos a pagar processados ............................................................................................ 36 
5.3 Diferença entre Restos a Pagar Não Processados a Liquidar e Restos a Pagar Não 
Processados em Liquidação ........................................................................................................ 38 
6 DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES (DEA) .................................................................... 39 
7 REGIME DE ADIANTAMENTO .............................................................................................. 41 
7.1 Despesas Miúdas ............................................................................................................. 45 
7.2 Limites Autorizados ......................................................................................................... 46 
7.3 Ressarcimento ................................................................................................................. 46 
REFERÊNCIAS: .............................................................................................................................. 48 
 
 
4 
1 CONCEITO DE DESPESA PÚBLICA 
 
Segundo Dejalma de Campos, “a despesa pública é a aplicação de certa 
importância em dinheiro, por autoridade pública, de acordo com autorização do Poder 
Legislativo, para a execução de serviços a cargo do Governo". Em outras palavras, a 
despesa pública pode ser conceituada como o conjunto de dispêndios realizados pelos 
entes estatais, em dinheiro, para o funcionamento e manutenção dos serviços públicos 
prestados à sociedade, tais como na área da saúde, educação, segurança, etc. Está 
contida no orçamento e compreende as autorizações para gastos com as várias 
atribuições governamentais. 
É importante destacar que essas despesas dependem de autorização legislativa 
na forma de consignação de dotação orçamentária para serem efetivadas (BRASIL, 2019, 
p. 71). Ou seja, devem constar na lei orçamentária anual para que sejam realizadas, 
sendo denominadas assim de despesas orçamentárias. 
Contudo existem dispêndios realizados pelo Poder Público que não dependem 
de previsão em lei orçamentária anual, tais como saídas de numerários decorrentes de 
depósitos (devolução de cauções em dinheiro), pagamentos de restos a pagar, resgate 
de operações de crédito por antecipação de receita e recursos transitórios (BRASIL, 
2019, p. 71). Esses dispêndios são denominados de despesas extraorçamentárias. 
 
 
Observação 
Os restos a pagar, conforme será explicado ao longo curso, refere-se a 
uma despesa empenhada em um determinado exercício, mas cujo 
pagamento somente será efetivado em ano subsequente. Assim, esse 
tipo de despesa é considerado um dispêndio orçamentário no ano do 
registro do empenho, mas extraorçamentário no ano do pagamento, 
pois a autorização orçamentária para a efetivação da despesa refere-se 
ao ano de empenho e não ao do pagamento. 
 
 
5 
2 CLASSIFICAÇÕES DA DESPESA ORÇAMENTÁRIA 
 
Com a implantação do Sistema Integrado de Gestão Governamental (GRP 
Minas), haverá novidades no tocante à classificação da despesa orçamentária. As 
modificações promoverão a ampliação no número de dígitos em cada um dos 
componentes das classificações. 
Importante destacar que em toda Lei de Diretrizes Orçamentárias de Minas 
Gerais estabelece a Estrutura do Orçamento, com os elementos que o discriminem 
(Subseção I, Seção II, Capítulo III da Lei Estadual 23.685/20 – LDO 2021). 
2.1 Classificação Institucional 
 
Também denominada departamental. A classificação institucional reflete a 
estrutura de alocação dos créditos orçamentários e está estruturada em dois níveis 
hierárquicos: órgão orçamentário e unidade orçamentária (BRASIL, 2019, p. 71). 
A unidade orçamentária constitui o agrupamento de serviços subordinados aoem restos a pagar, o 
saldo existente será cancelado. 
 
38 
5.3 Diferença entre Restos a Pagar Não Processados a Liquidar e Restos a Pagar Não 
Processados em Liquidação 
No caso dos restos a pagar não processados a liquidar, temos que, registrado o 
empenho, mas ainda não ocorrido o fato gerador da obrigação, e caso comprovadas as 
condições necessárias para inscrição de restos a pagar, dar-se-á a inscrição desse valor 
de restos a pagar que são considerados não processados (já que não ocorreu ainda o 
fato gerador da obrigação) a liquidar. Note que essa situação ocorre, por exemplo, 
quando há o empenho dentro do exercício financeiro, mas o credor só efetuará entrega 
do produto no exercício seguinte. 
Já no caso dos chamados restos a pagar não processados em liquidação, temos 
que o fato gerador da obrigação ocorreu antes de 31/12, mas não tivemos o estágio da 
liquidação, devendo-se, mesmo assim, reconhecer o impacto patrimonial da despesa 
dentro do exercício. Dessa forma, as despesas deverão ser registradas ao fim do 
exercício como restos a pagar não processados em liquidação. 
 
Observação 
Restos a pagar com prescrição interrompida são aqueles cuja inscrição 
tenha sido cancelada, mas que ainda esteja em vigor o direito do 
credor. Nesses casos, o pagamento deve ser registrado como despesas 
de exercícios anteriores. 
 
 
Observação 
Não confunda cancelamento de restos a pagar (que são receitas 
arrecadadas em exercícios anteriores) com o recebimento de recursos 
provenientes do ressarcimento ou da restituição de despesas pagas em 
exercícios anteriores (que devem ser reconhecidos como receita 
orçamentária do exercício, ou seja, nova receita). 
 
 
 
 
 
39 
6 DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES (DEA) 
 
São despesas cujos fatos geradores ocorreram em exercícios anteriores àquele 
em que deva ocorrer o pagamento. 
 
O art. 37 da Lei Federal nº 4.320/64 dispõe que as despesas de exercícios 
encerrados, para as quais o orçamento respectivo consignava crédito próprio, com saldo 
suficiente para atendê-las, que não se tenham processado na época própria, bem como 
os restos a pagar com prescrição interrompida e os compromissos reconhecidos após o 
encerramento do exercício correspondente, poderão ser pagos à conta de dotação 
específica consignada no orçamento, discriminada por elementos, obedecida, sempre 
que possível, a ordem cronológica. 
Assim, classificam-se como despesas de exercícios anteriores, aquelas que 
podem ser atendidas à conta de dotação específica consignada no orçamento anual do 
Estado ou em Créditos Adicionais, desde que reconhecido o direito do requerente, e 
ainda: 
1) as despesas de exercícios JÁ encerrados para as quais o orçamento 
respectivo consignava crédito próprio com saldo suficiente para atendê-las, MAS que, 
por motivo superveniente, não tenha sido empenhado na época própria, DESDE que o 
fornecimento do material, a prestação do serviço ou execução da obra JÁ tenha 
efetivamente ocorrido; 
2) aqueles restos a pagar com prescrição interrompida; e 
40 
3) os compromissos somente reconhecidos após o encerramento do exercício, 
DESDE QUE tenham decorrido de situação ou fato independente da vontade do 
ordenador da despesa. 
 
Observação 
Diferentemente dos restos a pagar (despesas extraorçamentárias), as 
despesas de exercícios anteriores (despesas orçamentárias) não foram 
empenhadas ou, se foram, tiveram seus empenhos anulados ou 
cancelados. 
Para o regular pagamento de uma DEA, a correspondente despesa deve ser 
empenhada novamente, ou seja, a DEA entra no orçamento vigente à época do efetivo 
pagamento. Portanto, há a necessidade de nova autorização orçamentária. 
Trâmite da DEA (arts. 35, 36 e 36-A do Decreto Estadual nº 37.924/96: 
 Reconhecimento: Ordenador de Despesas. 
 Aprovação: Diretor de Finanças da PMMG 
 Aprovação e Reconhecimento: Superintendência Central de Contadoria 
Geral (SCCG-SEF). 
 
 
41 
7 REGIME DE ADIANTAMENTO 
 
Considerando a lentidão do processo tradicional da realização de despesas, 
principalmente quando se exige prévia licitação, excepcionalmente, o ordenador de 
despesas pode autorizar a realização de despesa pelo regime de adiantamento, quando 
essa não puder se submeter ao processo normal da execução orçamentária. 
Art. 65 da Lei Federal nº 4.320/64 - O pagamento da despesa será 
efetuado por tesouraria ou pagadoria regularmente instituídos por 
estabelecimentos bancários credenciados e, em casos excepcionais, por 
meio de adiantamento. 
Art. 68 da Lei Federal nº 4.320/64 - O regime de adiantamento é 
aplicável aos casos de despesas expressamente definidos em lei e consiste na 
entrega de numerário a servidor, sempre precedida de empenho na dotação 
própria para o fim de realizar despesas, que não possam subordinar-se ao 
processo normal de aplicação. 
Art. 24 do Decreto Estadual nº 37.924/96 - O regime de 
adiantamento consiste na liberação de numerário para servidor previamente 
credenciado pelo Ordenador de Despesa, sempre precedido de empenho 
estimativo na dotação própria, para a realização de despesas que não possam 
se submeter ao processo normal de pagamento. 
Será responsabilizado o Ordenador de Despesa que conceder adiantamento para 
execução de despesas que possam submeter-se ao processo normal de realização. 
Conforme entendimento do Tribunal de Contas da União, processo normal de 
aplicação é aquele em que é possível, desejável, e menos oneroso para a administração 
pública fazer com que seus recursos somente sejam aplicados após o cumprimento, 
entre outros, de determinados procedimentos, como, por exemplo: 
a) formalização de processo; 
b) obtenção de proposta mais vantajosa; 
c) celebração de contrato, se for o caso; 
d) emissão de empenho em nome do credor; 
e) liquidação; e 
f) pagamento via ordem bancária. 
 Sendo uma exceção à realização de um processo licitatório, o regime de 
adiantamento não pode ser usado para despesas com caráter repetitivo que são 
tipicamente previsíveis, sendo aplicável apenas os casos de despesas expressamente 
definidas em atos normativos (decretos do Poder Executivo Estadual). 
O embasamento legal desse procedimento é: 
 Art. 25, incisos IV, V e VI do Decreto Estadual nº 37.924/96; e 
 Art. 32 do Decreto Estadual nº 47.045/16. 
http://revista1.tce.mg.gov.br/Content/Upload/Materia/1217.pdf
https://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?num=37924&ano=1996&tipo=DEC
https://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?tipo=dec&num=47045&ano=2016
42 
Art. 25 – Somente será permitido o regime de adiantamento para as 
despesas abaixo mencionadas, observados os seguintes limites para cada 
adiantamento: 
IV – despesas miúdas: até R$ 200,00; 
V – diligências policiais e insumos para atividades de inteligência de 
caráter reservado: até os limites fixados pelo Ordenador de Despesas; 
VI – eventuais de gabinete: até os limites previstos no artigo 30. 
 
Art. 32 – Será permitido o regime de adiantamento para servidor 
para as seguintes despesas relacionadas à viagem, observado o limite de 
R$150,00 para cada inciso: 
I – combustíveis e lubrificantes para veículo em viagem; 
II – reparos de veículos em viagem; 
III – transporte urbano em viagem; 
IV – aquisição de passagens, exceto aéreas. 
V – serviços de telefonia móvel pessoal em viagens ao exterior. 
 
Os limites e a ampliação do rol das despesas só podem ser alterados mediante 
autorização do Comitê de Orçamento e Finanças (Cofin) (art. 26 do Decreto Estadual n.º 
37.924/96 e art. 33 do Decreto Estadual n.º 47.045/16). 
Para o ano de 2021, conforme o Memorando Circular nº 003.3/2021 – DF, os 
limites dos adiantamentos na PMMG são: 
ELEMENTO 
ITEM 
FINALIDADE VALOR 
36.10 
Eventual de Gabinete - Comandante Geral (somente para a 
Ajudância Geral) 
R$ 800,00 
36.10 
Eventual de Gabinete - Chefe do EMPM (somente para a Ajudância 
Geral) 
R$ 500,00 
30.26 Combustíveis e lubrificantespara veículos em viagem (DSP) R$ 1.500,00 
39.18 Reparo de veículos em viagem pessoa jurídica (DSP) R$ 1.000,00 
36.16 Reparo de veículos em viagem pessoa física (DSP) R$ 1.000,00 
30.27 
Combustíveis e lubrificantes em operações especiais que 
empreguem barcos, jet ski, lanchas para abastecimento de motor de 
popa para propulsão de barcos nas diversas operações 
R$ 600,00 
36.12 Despesas miúdas de pronto pagamento R$ 500,00 
33.01 Despesas com passagem - (transporte interurbano) R$ 1.500,00 
33.02 
Despesas com transporte urbano, pedágio e estacionamento 
(conforme classificador de despesa) 
R$ 150,00 
36.06 
Fornecimento de alimentação – pessoa física para tropa em 
operações 
R$ 4.000,00 
30.08 Fornecimento de produtos alimentícios para tropa em operações R$ 4.000,00 
39.03 
Alimentação para preso (Fornecimento de alimentação – pessoa 
jurídica) 
R$ 4.000,00 
 
 
O regime de adiantamento precisa respeitar as 3 fases da execução da 
despesa pública: empenho, liquidação e pagamento. 
43 
Observação 
O valor adiantado pode relacionar-se a mais de uma natureza de despesa, desde 
que precedidos dos empenhos nas dotações respectivas, respeitados os valores de cada 
natureza. 
Na classificação por natureza da despesa, não existe um elemento específico 
para o regime de adiantamento. Assim, a situação difere, por exemplo, da DEA, na qual 
existe o elemento “despesas de exercícios anteriores”. 
Pode ser concedido adiantamento destinado a cobrir despesas de locomoção de 
militar em viagem quando esse houver recebido diárias, posto que essas se destinam a 
suprir as despesas de alimentação e pousada, mas não locomoção. 
 
Observação 
A aquisição de passagens deve ocorrer preferencialmente por meio de 
contratação dos serviços de reserva, emissão e alteração de passagens, 
devendo o seu processamento, por meio do regime de adiantamento 
de despesas, ocorrer apenas em caráter excepcional, de forma 
justificada. 
A entrega do numerário deve ser sempre precedida do empenho ordinário na 
dotação própria das despesas a realizar e será feita exclusivamente mediante crédito 
em conta corrente bancária, em nome do favorecido, com autorização do ordenador de 
despesa. A aplicação do adiantamento é limitada ao valor concedido, observada a 
classificação orçamentária informada na nota de empenho. 
 
Observação 
O regime de ressarcimento deverá ser devidamente justificada, 
reconhecida e aprovada pelo ordenador de despesa em despacho 
fundamentado, caracterizada e amparada por documentação 
comprobatória hábil (arts. 25, §2º e art. 27, todos do Decreto Estadual 
nº 37.924/96, combinados com o art. 34 do Decreto Estadual nº 
47.045/16). 
O militar/servidor que receber adiantamento é obrigado a prestar contas dentro 
do prazo determinado. 
ADIANTAMENTO 
PRAZO PARA 
APLICAÇÃO 
PRAZO PARA 
PRESTAÇÃO DE CONTAS 
Combustíveis e lubrificantes para veículo em 
viagem* 
- 
Máximo de 07 dias, 
contados da data do 
retorno do 
militar/servidor à sede 
Reparos de veículos em viagem* 
Transporte urbano em viagem* 
Aquisição de passagens, exceto aéreas* 
Serviços de telefonia móvel pessoal em viagens ao 
exterior* 
Despesas Miúdas** 40 dias corridos 
44 
ADIANTAMENTO 
PRAZO PARA 
APLICAÇÃO 
PRAZO PARA 
PRESTAÇÃO DE CONTAS 
Diligências policiais e insumos para atividades de 
inteligência de caráter reservado** 
30 dias 
corridos 
Eventual de Gabinete** 
* Depende da autorização da viagem. 
** Contados da data do crédito em conta do favorecido (militar/servidor). 
A data fixada para a comprovação deve recair sempre em dia útil. Caso recaia em 
dia não útil, deve esta ser antecipada. Nenhuma despesa pode ser realizada findo o 
prazo de aplicação. 
Somente são admitidos comprovantes de despesas realizadas dentro do período 
de aplicação do adiantamento. No que diz respeito à comprovação, os documentos 
comprobatórios das despesas efetuadas serão extraídos em nome do órgão em que o 
responsável esteja em exercício, exigindo-se documento fiscal sempre que a operação 
estiver sujeita a tributação. 
Em relação à prestação de contas da aplicação dos recursos de adiantamentos, 
deverá ser feita mediante apresentação dos seguintes documentos: 
 cópia do documento de adiantamento; 
 1ª via da nota de empenho da despesa; 
 extrato da conta bancária, se for o caso; 
 comprovantes das despesas realizadas, devidamente atestados e emitidos 
em data igual ou posterior à da entrega do numerário e anterior à data limite 
para aplicação, em nome do órgão em que o responsável pelo adiantamento 
esteja em exercício, a saber: 
o no caso de compra de material: nota fiscal de venda ao consumidor; 
o no caso de prestação de serviços por pessoa jurídica: nota fiscal de 
prestação de serviço; 
o no caso de prestação de serviço por pessoa física: 
 recibo comum – se o credor não for inscrito no INSS; 
 recibo de pagamento de autônomo (RPA) – se o credor for inscrito 
no INSS; 
o comprovante de recolhimento do saldo não utilizado, se for o caso. 
Não será concedido adiantamento a militar/servidor em alcance ou em atraso na 
prestação de contas de adiantamento anterior, nem a quem já for responsável por dois 
adiantamentos. 
Entende-se por militar/servidor em alcance aquele que não tenha prestado 
contas do adiantamento, no prazo regulamentar, ou cujas contas não tenham sido 
aprovadas em virtude de desvio, desfalque, falta ou má aplicação de dinheiro, bens ou 
valores confiados a sua guarda, verificados na prestação de contas. 
45 
O saldo de adiantamento não aplicado deve ser restituído ao Estado. Já em 
relação ao saldo aplicado deve ser registrada Nota de Lançamento Contábil, 
imediatamente conforme o valor da despesa comprovada. 
O saldo não utilizado do adiantamento deverá ser recolhido, dentro do prazo 
estabelecido para a prestação de contas, à Conta Única, mediante pagamento de DAE 
(código de receita 26). 
Caso o responsável pela aplicação do adiantamento não cumpra os prazos 
estabelecidos (vide tabela), a Diretoria de Finanças comunicará imediatamente o fato 
ao Ordenador de Despesa, que determinará a tomada de contas especial, sem prejuízo 
das providências administrativas para apuração das responsabilidades e imposição das 
penalidades cabíveis. 
Ao militar/servidor que não recolher o saldo do adiantamento não utilizado nos 
prazos, poderá ser efetuado o pagamento de valor apurado, a título de 
reposição/restituição, no contracheque (art. 25, § 8º do Decreto Estadual nº 37.924/96, 
combinado com o art. 8º, § 4º, da Lei Estadual nº 10.363/90). 
Se o responsável pela aplicação do adiantamento não atender às solicitações do 
Tomador de Contas, no prazo por ele estabelecido, o adiantamento será considerado 
alcance, anulando-se a apropriação da despesa, registrando-se a responsabilidade do 
militar/servidor na conta “Diversos Responsáveis”, instaurando-se processo 
administrativo e comunicando o fato ao Tribunal de Contas do Estado, no prazo máximo 
de 2 (dois) dias úteis. 
No que diz respeito à contabilização, o adiantamento é contabilizado como 
despesa realizada. Por seu turno, as restituições, por falta de aplicação, parcial ou total, 
ou aplicação indevida, constituirão anulação de despesa, ou receita orçamentária, se 
recolhidas após o encerramento do exercício. 
Finalmente, o último ato contábil formaliza-se pela baixa da responsabilidade do 
responsável junto ao SIAFI. 
7.1 Despesas Miúdas 
Considerar-se-ão despesas miúdas, todos e quaisquer dispêndios processados 
através de adiantamento, previamente autorizado pelo Ordenador de Despesa, 
independente da natureza ou item de despesa a serem classificados, desde que 
observado o limite. 
Deverão ser classificados através de natureza e item de despesa próprio, todo 
adiantamento de despesa miúda com finalidade específica. 
46 
Deverá ser classificado através do elemento/item 36.12 - DESPESAS MIÚDAS DE 
PRONTO PAGAMENTO, apenas os adiantamentos destinados aatender pequenos gastos 
eventuais, urgentes e inadiáveis, que não permitem a emissão de empenho prévio 
específico. 
Art. 60, Parágrafo único da Lei Federal nº 8.666/93 - É nulo e de 
nenhum efeito o contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas 
compras de pronto pagamento, assim entendidas aquelas de valor não 
superior a 5% (cinco por cento) do limite estabelecido no art. 23, inciso II, 
alínea "a" desta Lei, feitas em regime de adiantamento. 
 
Art. 95, § 2º da Lei Federal nº 14.133/21 - É nulo e de nenhum efeito 
o contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras ou o 
de prestação de serviços de pronto pagamento, assim entendidos aqueles 
de valor não superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). 
 
7.2 Limites Autorizados 
Acerca dos limites autorizados, dois aspectos devem ser observados. 
O primeiro refere-se ao limite de execução em cada item de despesa no exercício 
financeiro. Com a mudança legislativa ocorrida no ano de 2021, os limites contidos na 
Lei Federal nº 8.666/93 e Decreto Federal nº 9.412/18 foram modificados pela Lei 
Federal 14.133/21. 
DESPESA LEI FEDERAL Nº 8.666/93 LEI FEDERAL Nº 14.133/21 
Pequenas compras ou o de 
prestação de serviços de pronto 
pagamento 
R$ 8.800,00 Até R$ 10.000,00 
Serviços e compras Até R$ 17.600,00 Até R$ 50.000,00 
Obras e serviços de engenharia Até R$ 33.000,00 Até R$ 100.000,00 
Serviços de manutenção de 
veículos automotores 
- Até R$ 100.000,00 
O segundo é relativo ao limite individual, ou seja, aquele permitido para cada 
aplicação de adiantamento e autorizado pelo Comitê de Orçamento e Finanças (Cofin), 
conforme já descrito anteriormente. 
7.3 Ressarcimento 
As despesas de caráter emergencial, devidamente justificadas, reconhecidas e 
aprovadas pelo Ordenador de Despesa em despacho fundamentado, caracterizadas e 
amparadas por documentação comprobatória hábil, poderão ser processadas pelo 
regime de ressarcimento. 
O regime de ressarcimento somente se aplica nos casos em que o servidor 
recebeu, sob a forma de adiantamento, recursos para executar despesas e, tendo 
47 
aplicado valor superior ao recebido, faz jus ao ressarcimento dos valores que 
ultrapassaram o adiantamento. 
Ressalta-se que o ressarcimento sempre é proveniente de um adiantamento 
concedido e somente é aplicável para as despesas previstas nos incisos I ao IV do art. 32 
do Decreto Estadual n.º 47.045/16, após aprovação da prestação de contas. A despesa 
deve ter o caráter emergencial em conformidade com art. 34 do referido decreto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
REFERÊNCIAS: 
 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 
Senado Federal, 1988. 
 
______. Código Penal. Decreto-Lei n° 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Diário Oficial 
da União, Rio de Janeiro, 07 dez. 1940. 
 
______. Lei Complementar n° 101 de 04 de maio de 2000. Estabelece normas de 
finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras 
Providências. Diário Oficial da União, Brasília, 05 maio 2000. 
 
______. Lei nº 4.320 de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro 
para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos estados, dos 
Municípios e do Distrito Federal. Diário Oficial da União, Brasília, 23 mar. 1964. 
 
______. Lei n° 8.429 de 02 de junho de 1992. Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos 
agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, 
emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras 
providências. Diário Oficial da União, Brasília, 03 jun. 1992. 
 
______. Tesouro Nacional. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. 8ª Ed. 
Disponível em https://sisweb.tesouro.gov.br/apex/f?p=2501:9::::9:P9_ID_ 
PUBLICACAO:31484. Acesso em: 22 mar. 2021. 
 
______. Ministério do Orçamento e Gestão. Portaria n° 42 de 14 de abril de 1999. 
Atualiza a discriminação da despesa por funções de que tratam o inciso I, do § 1º, do art. 
2º, e § 2º, do art. 8º, ambos da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964; estabelece 
conceitos de função, subfunção, programa, projeto, atividade, operações especiais e dá 
outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 15 abr. 1999. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8429.htm
https://sisweb.tesouro.gov.br/apex/f?p=2501:9::::9:P9_ID_PUBLICACAO:31484
https://sisweb.tesouro.gov.br/apex/f?p=2501:9::::9:P9_ID_PUBLICACAO:31484
http://www.orcamentofederal.gov.br/orcamentos-anuais/orcamento-1999/Portaria_Ministerial_42_de_140499.pdf/
49 
______. Secretaria do Tesouro Nacional e Secretaria de Orçamento Federal. Portaria 
Interministerial n° 163 de 04 de maio de 2001. Dispõe sobre normas gerais de 
consolidação das Contas Públicas no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e 
Municípios, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 07 maio 2001. 
 
CAMPOS, Dejalma. Direito Financeiro e Orçamentário. 3. ed., São Paulo: Atlas, 2005, p. 
49. 
 
MINAS GERAIS. Decreto n° 37.924 de 16 de maio de 1996. Dispõe sobre a execução 
orçamentária e financeira, estabelece normas gerais de gestão das atividades 
patrimonial e contábil de órgãos e entidades integrantes do Poder Executivo e dá outras 
providências. Minas Gerais Diário do Executivo, Belo Horizonte, 17 maio. 1996. 
 
MINAS GERAIS. Decreto n° 47.045 de 14 de setembro de 2016. Dispõe sobre viagem a 
serviço e concessão de diária no âmbito da Administração Pública direta, autárquica e 
fundacional do Poder Executivo e dá outras providências. Minas Gerais Diário do 
Executivo, Belo Horizonte, 15 setembro. 2016. 
 
___________. Lei Estadual n° 23.751 de 30 de dezembro de 2020. Estima as receitas e 
fixa as despesas do Orçamento Fiscal do Estado de Minas Gerais e do Orçamento de 
Investimento das Empresas Controladas pelo Estado para o exercício financeiro de 2021. 
Minas Gerais Diário do Executivo, Belo Horizonte, 30 dez. 2020. 
 
___________. Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Diretoria Central de 
Planejamento, Programação e Normas. Classificação Econômica da Despesa. Atualizado 
em 18 de março de 2021. Disponível em . Acesso em: 08 abr. 2021. 
 
 
 
 
http://www.orcamentofederal.gov.br/orcamentos-anuais/orcamento-2015-2/arquivos%20portarias-sof/portaria-interm-163_2001_atualizada_2015_02set2015.pdf/
http://www.orcamentofederal.gov.br/orcamentos-anuais/orcamento-2015-2/arquivos%20portarias-sof/portaria-interm-163_2001_atualizada_2015_02set2015.pdf/
https://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?num=37924&ano=1996&tipo=DEC
https://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?tipo=dec&num=47045&ano=2016
https://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?tipo=LEI&num=23751&comp=&ano=2020
http://planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-orcamento/lei-orcamentaria-anual-loa/lei-orcamentaria-anual-loa
50 
MAPA MENTALmesmo órgão ou repartição a que serão consignadas dotações próprias, conforme 
previsto no art. 14 da Lei Federal nº 4.320/1964. 
Os órgãos orçamentários, por sua vez, correspondem a agrupamentos de 
unidades orçamentárias, as quais são consignadas as dotações para a realização das 
ações previstas no orçamento anual. 
No caso do Governo Federal, o código da classificação institucional compõe-se 
de cinco dígitos, sendo os dois primeiros reservados à identificação do órgão e os demais 
à unidade orçamentária (BRASIL, 2019, p. 72). 
 
https://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?tipo=LEI&num=23685&comp=&ano=2020
6 
 
No caso do Governo do Estado de Minas Gerais, atualmente o código desta 
classificação compõe-se de quatro dígitos, tanto para identificação do órgão quanto da 
unidade orçamentária, observando-se que o primeiro dígito serve para identificar o tipo 
de administração e os demais para identificação da unidade institucional e do 
órgão/unidade orçamentária. Veja a relação dos códigos de tipo de administração 
abaixo extraídos da tabela orçamentária do SIAFI-MG: 
 
IDENTIFICADOR DE ÓRGÃO OU UNIDADE ORÇAMENTÁRIA 
Código Especificação 
1 Administração direta 
2 Administração Indireta - Autarquias e fundações 
3 Empresas estatais dependentes 
4 Fundos 
5 Empresas controladas 
9 À definir 
 
Para melhor compreensão da composição desses códigos, incluímos o quadro 
abaixo contendo o exemplo de um órgão orçamentário e suas respectivas unidades 
orçamentárias, extraídos do Anexo II-A da Lei º 23.751/2020 (Lei Orçamentária Anual do 
Estado de Minas Gerais de 2020): 
 
ÓRGÃO 
ORÇAMENTÁRIO 
UNIDADE ORÇAMENTÁRIA TIPO DE 
ADMINISTRAÇÃO 
1.25.0 – Polícia 
Militar do Estado de 
Minas Gerais 
(PMMG) 
1.25.1 – Polícia Militar do Estado de Minas 
Gerais (PMMG) 
Administração Direta 
2.12.1 – Instituto de Previdência dos 
Servidores Militares do Estado de Minas 
Gerais (IPSM) 
Autarquia 
4.54.1 – Fundo Habitacional aos Militares 
do Estado de Minas Gerais (FAHMEMG) 
Fundo 
 
Com o funcionamento do GRP Minas, a grande novidade é a composição da classificação 
institucional com 05 (cinco) dígitos. Haverá um acréscimo de posição no componente da 
classificação institucional denominado unidade institucional. 
 
 
 
 
Unidade 
Institucional 
1 025 1 
Tipo de 
Administração 
Identificador de 
Unidade Orçamentária 
7 
2.2 Classificação Funcional 
 
A classificação funcional segrega as dotações orçamentárias em funções e 
subfunções e busca demonstrar “em que área” de ação governamental a despesa será 
realizada. 
O objetivo é que as funções representem as ações desenvolvidas pelo Governo, 
seja direta ou indiretamente, aglutinadas em grupos maiores, de acordo com os 
objetivos estaduais. 
Trata-se de uma classificação independente dos programas e de aplicação 
comum e obrigatória no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos 
municípios, o que permite a consolidação dos gastos do setor público em abrangência 
nacional. 
A classificação funcional é atualmente regulamentada pela Portaria MOG nº 
42/1999 e é representada por cinco dígitos. Os dois primeiros referem-se à função, 
enquanto que os três últimos dígitos representam a subfunção. 
 
 
 
A função é representada pelos dois primeiros dígitos da classificação funcional e 
pode ser traduzida como o maior nível de agregação das diversas áreas de atuação do 
setor público. A função quase sempre se relaciona com a missão institucional do órgão, 
por exemplo, cultura, segurança, educação, saúde, defesa, etc. 
A subfunção é indicada pelos três últimos dígitos da classificação funcional, 
representando um nível de agregação imediatamente inferior à função. Nela deve-se 
evidenciar cada área da atuação governamental, por intermédio da agregação de 
determinado subconjunto de despesas e identificação da natureza básica das ações que 
se aglutinam em torno das funções. Exemplos: 
FUNÇÃO (1º E 2º DÍGITOS) SUBFUNÇÃO (3º, 4º E 5º DÍGITOS) 
06 – Segurança Pública 
122 - Administração Geral 
181 - Policiamento 
272 - Previdência do Regime Estatutário 
10 - Saúde 302 - Assistência hospitalar e ambulatorial 
12 - Educação 
361 - Ensino fundamental 
362 - Ensino médio 
 
A relação completa de todas as funções e subfunções existentes constam no 
anexo da portaria mencionada acima. 
Subfunção 
 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 
Função 
8 
Não haverá mudanças após a implantação do GRP Minas. 
 
Observação 
Não mais existe a classificação funcional programática. 
 
2.3 Classificação por Estrutura Programática 
Toda ação do Governo está estruturada em programas orientados para a 
realização dos objetivos estratégicos definidos no Plano Plurianual (PPA) para o período 
de quatro anos. Em Minas Gerais, o citado plano é denominado Plano Plurianual de 
Ação Governamental (PPAG). 
O Plano Plurianual de Ação Governamental - PPAG - 2020-2023 atualizado, 
define o escopo de atuação do Estado para o período de quatro anos, evidenciando as 
políticas públicas a serem executadas pelo governo, por intermédio de programas e 
ações nele instituídos, com a indicação das respectivas metas físicas e financeiras. Em 
outras palavras, organiza a ação governamental e suas políticas públicas em programas 
e ações, classificados como projetos estratégicos e demais projetos e atividades, de 
acordo com as áreas temáticas, os objetivos estratégicos e as diretrizes estratégicas 
oriundas do processo de elaboração do PMDI. 
Conforme estabelecido no art. 3º da Portaria MOG nº 42/1999, a União, os 
estados, o Distrito Federal e os municípios estabelecerão, em atos próprios, suas 
estruturas de programas, códigos e identificação, respeitados os conceitos e 
determinações nela contidos. Ou seja, todos os entes devem ter seus trabalhos 
organizados por programas e ações, mas cada um estabelecerá seus próprios programas 
e ações de acordo com a referida portaria. Veja abaixo as definições dela extraídas: 
 Programa: é o instrumento de organização da ação governamental visando 
à concretização dos objetivos pretendidos, sendo mensurado por 
indicadores estabelecidos no plano plurianual. O orçamento está em 
programas, a partir dos quais são relacionadas às ações sob a forma de 
atividades, projetos ou operações especiais, especificando os respectivos 
valores e metas e as unidades orçamentárias responsáveis pela realização da 
ação. As informações mais detalhadas sobre os programas do Estado de 
Minas Gerais constam no PPAG e podem ser visualizados no sítio 
http://www.planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-
orcamento/plano-plurianual-de-acao-governamental-ppag/plano-
plurianual-de-acao. 
http://planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-orcamento/plano-plurianual-de-acao-governamental-ppag/plano-plurianual-de-acao
http://planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-orcamento/plano-plurianual-de-acao-governamental-ppag/plano-plurianual-de-acao
https://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa-nova-min.html?tipo=LEI&num=23578&comp=&ano=2020&texto=consolidado
http://www.planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-orcamento/plano-plurianual-de-acao-governamental-ppag/plano-plurianual-de-acao
http://www.planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-orcamento/plano-plurianual-de-acao-governamental-ppag/plano-plurianual-de-acao
http://www.planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-orcamento/plano-plurianual-de-acao-governamental-ppag/plano-plurianual-de-acao
9 
 Ações: são operações das quais resultam produtos (bens ou serviços), que 
contribuem para atender ao objetivo de um programa, sendo, conforme suas 
características, classificadas como atividades, projetos ou operações 
especiais. 
o Atividade: corresponde a um conjunto de operações realizadas de 
modo contínuo e permanente, das quais resulta um produto 
necessário à manutenção da ação governamental; 
o Projeto: corresponde a um conjunto de operações realizadasde 
forma limitada no tempo, das quais resulta um produto que 
concorre para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação de governo; 
o Operações Especiais: correspondem as despesas que não 
contribuem para a manutenção das ações de governo, das quais não 
resulta um produto, e não geram contraprestação direta sob a forma 
de bens ou serviços. 
Na base do sistema, o programa é identificado por um código numérico de três 
dígitos, enquanto que a ação (projeto/atividade) é identificada por quatro dígitos: 
Não haverá mudanças 
após a implantação do GRP Minas. 
2.3.1 Especificidades das Ações no Orçamento de Minas Gerais 
No tocante ao orçamento de Minas Gerais, os códigos das ações são compostos 
por quatro dígitos, sendo o primeiro utilizado para identificar o tipo de ação, conforme 
quadro abaixo extraído da tabela orçamentária do SIAFI-MG do exercício de 2021, e os 
demais a ação propriamente dita: 
IDENTIFICADOR DE PROJETO ATIVIDADE 
Código Especificação 
1 Projeto do orçamento fiscal 
2 Atividade meio do orçamento fiscal 
3 Projeto do orçamento de investimento 
4 Atividade fim do orçamento fiscal 
5 Não Orçamentário 
6 Atividade meio da empresa 
7 Operação especial 
8 Atividade fim de empresa 
9 Reserva de Contingência 
 
 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª 10ª 11ª 
Programa Projeto/Atividade Subprojeto/Subatividade 
10 
Destaca-se que as ações podem ainda ser desdobradas em subprojetos e 
subatividades, visando um maior controle governamental em relação à aplicação dos 
gastos. 
Para melhor compreensão, veja os exemplos abaixo de algumas ações a serem 
realizadas pela Polícia Militar no orçamento de 2021, desdobradas desde as respectivas 
funções: 
Função Subfunção Programa Proj./Atv. 
SubProj./ 
Ativ. 
Descrição 
06 Segurança pública 
 181 Policiamento 
 034 Polícia ostensiva 
 4048 0001 Policiamento Ostensivo Geral 
 4057 0001 
Policiamento Ostensivo de 
Trânsito 
 4058 0001 
Policiamento Ostensivo de Meio 
Ambiente 
10 Saúde 
 302 
Assistência hospitalar e 
ambulatorial 
 037 Assistência ao militar 
 2022 0001 
Assistência odontológica da 
Polícia Militar 
 2023 0001 
Assistência médica e psicológica 
da Polícia Militar 
12 Educação 
 361 Ensino fundamental 
 036 
Desenvolvimento do ensino 
fundamental e médio nos 
Colégios Tiradentes da Polícia 
Militar 
 2020 0001 
Ensino fundamental nos 
Colégios Tiradentes da Polícia 
Militar 
 2019 0001 
Ensino médio nos Colégios 
Tiradentes da Polícia Militar 
 
Outra especificidade refere-se à criação de identificadores para 
acompanhamento das ações governamentais, que identifica os programas de acordo 
com o seu posicionamento no mapa estratégico definido no PMDI. Por meio desse 
código, as ações se classificam em ações de acompanhamento intensivo (1) e ações de 
acompanhamento geral (0). 
11 
2.4 Classificação por Natureza de Despesa (por Categorias) 
A classificação “por natureza”, também chamada de classificação econômica, 
basicamente divide as despesas em correntes (não contribuem diretamente para a 
formação de ou aquisição de um bem de capital) e as despesas de capital (que 
contribuem diretamente para a formação de ou aquisição de um bem de capital). 
A classificação da despesa orçamentária por natureza decorre de exigência 
prevista nos arts. 12 e 13 da Lei Federal nº 4.320/64 e na Portaria Interministerial 
STN/SOF nº 163/2001. 
Pela Lei Federal nº 4.320/64, as despesas correntes são divididas em despesas 
de custeio e transferências correntes. Já as despesas de capital são divididas em 
investimentos, inversões financeiras e transferências de capital. 
A Lei Federal nº 4.320/64 trata da classificação da despesa por categoria 
econômica e elementos em seus artigos 12 e 13, mas atualmente, em regra, devemos 
seguir o Anexo II da Portaria Interministerial SOF/STN nº 163/2001. De acordo com o 
art. 6º dessa Portaria, “na lei orçamentária, a discriminação da despesa, quanto à sua 
natureza, far-se-á, no mínimo, por categoria econômica, grupo de natureza de despesa 
e modalidade de aplicação”. 
De acordo com o art. 5º da citada portaria, a estrutura da natureza da despesa a 
ser observada na execução orçamentária de todas as esferas de Governo será 
“c.g.mm.ee.dd”, onde: 
 “c” representa a categoria econômica; 
 “g” o grupo de natureza da despesa; 
 “mm” a modalidade de aplicação; 
 “ee” o elemento de despesa; e 
 “dd” o desdobramento, facultativo, do elemento de despesa. 
Em outras palavras, a classificação por natureza, na verdade, engloba as 
classificações por categoria econômica, por grupo de despesa, por modalidade de 
aplicação e pelo elemento de despesa. 
Dessa forma, constitui-se um código de seis dígitos, no qual o primeiro dígito 
indica a categoria econômica (3-corrente ou 4-capital), o segundo, o grupo de natureza 
de despesa (1 a 6), o terceiro e quarto indicam a modalidade de aplicação e os dois 
últimos, o elemento de despesa. 
12 
 
2.4.1 Categoria Econômica da Despesa (1º Nível) 
Obedece ao critério econômico e denota o impacto dos gastos públicos na 
economia do país, sendo classificada em duas categorias econômicas. 
CATEGORIA ECONÔMICA 
3 
Despesas Correntes: Classificam-se nessa categoria todas as despesas para manutenção 
e funcionamento dos serviços públicos em geral, são despesas que não contribuem, 
diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital. 
4 
Despesas de Capital: Classificam-se nessa categoria aquelas despesas que contribuirão 
para a produção ou geração de novos bens ou serviços e integrarão o patrimônio público, 
ou seja, contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital. 
Essas despesas ensejam o registro de incorporação de ativo imobilizado, intangível ou 
investimento (no caso dos grupos de natureza da despesa 4 – investimentos e 5 – 
inversões financeiras) ou o registro de desincorporação de um passivo (no caso do grupo 
de despesa 6 – amortização da dívida). 
 
2.4.2 Grupo de Natureza da Despesa (GND) (2º Nível) 
É um agregador de elementos de despesa orçamentária com as mesmas 
características quanto ao objeto de gasto, conforme discriminado a seguir: 
GRUPO DE NATUREZA DA DESPESA 
DESPESAS CORRENTES 
1 Pessoal e encargos sociais 
2 Juros e encargos da dívida 
3 Outras despesas correntes 
13 
DESPESAS DE CAPITAL 
4 Investimentos 
5 Inversões Financeiras 
6 Amortização da dívida 
 9 Reserva de Contingência 
 
Grupo 3 - Outras despesas correntes: despesas com aquisição de material de consumo, 
pagamento de serviços prestados por pessoa física sem vínculo empregatício ou pessoa 
jurídica, independentemente de forma contratual, e outras da categoria econômica 
“Despesas Correntes” não classificáveis nos grupos anteriores. 
Grupo 4 - Investimentos: despesas com softwares e com o planejamento e a execução 
de obras, inclusive com a aquisição de imóveis considerados necessários à realização 
destas últimas, com os programas especiais de trabalho (regime de execução especial) 
e com a aquisição de instalações, equipamentos e material permanente. 
2.4.3 Modalidade de Aplicação (3º Nível) 
Trata-se de uma informação gerencial que tem por finalidade indicar se os 
recursos são aplicados diretamente por órgãos ou entidades no âmbito da mesma esfera 
de Governo ou por outro ente da Federação e suas respectivas entidades. Indica se os 
recursos serão aplicados diretamente pela unidade detentora do crédito ou mediante 
transferência para entidades públicas ou privadas. 
A modalidade também permite a eliminação da dupla contagem dos recursos 
transferidos ou descentralizados. 
Nessa linha de pensamento, serve para indicar se os recursos serão aplicados: 
 diretamente pela própria unidade detentora do crédito orçamentário ou 
pela entidade no âmbito do mesmo nível de governo; ou 
 indiretamente, via transferência financeira, inclusive a decorrentede 
descentralização orçamentária para outras esferas de governo, seus órgãos 
ou entidades, ou ainda para entidades privadas sem fins lucrativos e outras 
instituições. 
A modalidade de Aplicação 90 é a mais utilizada na Polícia Militar de Minas 
Gerais, pois é a aplicação direta do recurso público pelo próprio ente. 
MODALIDADES DE APLICAÇÃO TÍPICAS NO ÂMBITO DA POLÍCIA MILITAR 
(Portaria Interministerial STN/SOF no 163, de 4 de maio de 2001) 
90 - Aplicações Diretas 
Aplicação direta, pela unidade orçamentária, dos créditos a ela 
alocados ou oriundos de descentralização de outras entidades 
integrantes ou não dos Orçamentos Fiscal ou da Seguridade 
Social, no âmbito da mesma esfera de governo. 
14 
91 - Aplicação Direta 
decorrente de Operação 
entre Órgãos, Fundos e 
Entidades dos Orçamentos 
Fiscal e da Seguridade 
Social 
Despesas orçamentárias de órgãos, fundos, autarquias, 
fundações, empresas estatais dependentes e outras entidades 
integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social 
decorrentes da aquisição de materiais, bens e serviços, 
pagamento de impostos, taxas e contribuições, além de outras 
operações, quando o recebedor dos recursos também for 
órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal 
dependente ou outra entidade constante desses orçamentos, 
no âmbito da mesma esfera de Governo. 
 
2.4.4 Elemento de Despesa (4º Nível) 
O art. 15 da Lei Federal nº 4.320/64 estabelece o princípio da discriminação que 
exige que as despesas sejam discriminadas, no mínimo, por elementos. Em seguida, 
define elementos como: “o desdobramento da despesa com pessoal, material, serviços, 
obras e outros meios de que se serve a administração pública para a consecução dos 
seus fins”. 
O elemento de despesa tem por finalidade identificar os objetos de gasto, ou 
seja, aquilo que será adquirido, enquanto o seu desdobramento facultativo visa atender 
necessidades específicas de escrituração contábil e controle da execução orçamentária 
(art. 3º, § 3º da Portaria Interministerial STN/SOF nº 163/2001). 
A título de ilustração relacionamos abaixo alguns dos elementos mais 
comumente utilizados pela Polícia Militar: 
 
ELEMENTO ESPECIFICAÇÃO 
12 Vencimentos e vantagens fixas – pessoal militar 
14 Diárias – civil 
15 Diárias – militar 
30 Material de consumo 
39 Outros serviços de terceiros - pessoa jurídica 
51 Obras e instalações 
52 Equipamentos e material permanente 
92 Despesas de exercícios anteriores 
93 Indenizações e restituições 
 
15 
 
 
 
Observação 
A classificação por natureza de despesa é obrigatória para todos os 
entes da federação e tem por finalidade a obtenção de informações 
macroeconômicas sobre os efeitos dos gastos do setor público na 
economia e o controle gerencial do gasto. O conjunto de informações 
que constitui a natureza de despesa orçamentária forma um código 
estruturado que agrega a categoria econômica, o grupo, a modalidade 
de aplicação e o elemento. Também compõe o código o subelemento 
que é facultativo. 
 
2.4.5 Desdobramento Facultativo em Item de Despesa 
De acordo com o § 5º, do art. 3º da Portaria Interministerial STN/SOF nº 
163/2001, é facultado aos entes da federação (União, estados, Distrito Federal e 
municípios) o desdobramento dos elementos de despesa para atendimento das 
necessidades de escrituração contábil e controle da execução orçamentária. 
No âmbito do Governo do Estado de Minas Gerais, esse desdobramento é 
realizado em itens de despesa e representa o menor nível de detalhamento por 
natureza de despesa. 
Exemplos: 
ELEMENTO ITEM DE DESPESA 
30 – Material de Consumo 
05 – Material de Escritório 
12 – Medicamentos 
16 – Combustíveis e Lubrificantes para Veículos 
Automotores 
16 
2.5 Fontes de Recurso e Identificador de Procedência e Uso 
Constituem-se de determinados agrupamentos de naturezas de receitas, 
atendendo a uma determinada regra de destinação legal, e servem para indicar como 
são financiadas as despesas orçamentárias. 
Na execução do orçamento as despesas também são classificadas por 
fontes/destinações de recursos, cujo objetivo é identificar as fontes de financiamento 
dos gastos públicos. 
O mecanismo de fonte/destinação de recursos é obrigatório, devido aos 
mandamentos constantes da Lei Complementar Federal nº 101/00 (LRF), a qual traz em 
seu art. 8º, parágrafo único, e art. 50, inciso I, o seguinte: 
Art. 8º [...] 
Parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade 
específica serão utilizados exclusivamente para atender ao objeto de sua 
vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o 
ingresso.” 
 
Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade 
pública, a escrituração das contas públicas observará as seguintes: 
I – a disponibilidade de caixa constará de registro próprio, de modo 
que os recursos vinculados a órgão, fundo ou despesa obrigatória fiquem 
identificados e escriturados de forma individualizada; 
Todavia, apesar de obrigatória a instituição de mecanismo de fonte/destinação 
de recursos para controle da origem e destinação dos recursos públicos, ainda não 
consta na legislação do país um modelo de classificação obrigatório a ser adotado por 
toda a Federação. Assim, cada ente tem a obrigatoriedade de estabelecer o seu próprio 
controle de recursos por fonte/destinação de recursos, sendo-lhe facultado adotar 
modelo próprio ou seguir o modelo adotado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) 
para fins de consolidação das contas públicas. 
Exemplos de fontes: 
FONTES ESPECIFICAÇÃO 
10 Recursos Ordinários 
24 Convênios, Acordos e Ajustes provenientes da União e suas entidades 
27 Taxa de Segurança Pública 
49 Contribuição Patronal aos Institutos de Previdência 
52 Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental 
60 Recursos Diretamente Arrecadados 
70 Convênios, Acordos e Ajustes Provenientes dos Municípios, Estados e Organizações 
Particulares 
39 – Outros serviços de terceiros – 
Pessoa Jurídica 
12 – Tarifa de Energia Elétrica 
13 – Tarifa de Água e Esgoto 
18 – Reparos de Veículos 
17 
FONTES ESPECIFICAÇÃO 
73 Acordos e Ajustes de Cooperação Mútua com a União e suas Entidades 
82 Notificação de Infração de Trânsito – Estado 
83 Notificação de Infração de Trânsito – FUNTRANS 
Essas fontes são ainda identificadas de acordo a procedência e uso. O 
Identificador de Procedência e uso identifica a origem e a utilização dos recursos. 
Informa, dentre outros, se os recursos serão para livre utilização, se foram transferidos 
de outra unidade orçamentária, ou se objetivam oferecer contrapartida a convênios, 
acordos e ajustes. 
Exemplos de identificadores: 
CÓDIGO ESPECIFICAÇÃO 
1 Recursos recebidos para livre utilização 
2 
Recursos recebidos de outra unidade orçamentária do orçamento fiscal para livre 
utilização 
3 Recursos recebidos para contrapartida 
8 Recursos recebidos para emendas parlamentares 
Destaca-se que os códigos e as especificações de todos os elementos que 
compõem a natureza da despesa (categoria econômica, grupo de despesa, modalidade 
de aplicação, elemento de despesa, item de despesa, fonte de recurso e identificador 
de procedência e uso) estão disponíveis para consulta no manual Classificação 
Econômica da Despesa, da Diretoria Central de Planejamento, Programação e Normas - 
DCPPN/SEPLAG. 
Também, caso queira realizar consulta no SIMG (SIAFI), inserir a navegação 91, 
opção 5: 
OPÇÃO ESPECIFICAÇÃO 
15 Tipo de Administração Pública 
3 Unidade Institucional 
24 Unidade Orçamentária 
8 Função 
22 Subfunção 
18 Programa 
11 Identificador do Projeto ou Atividade 
19 Projeto/Atividade 
23 Subprojeto/Atividade 
2 Categoria Econômica da Despesa 
9 Grupo de Despesa 
13 Modalidade da Aplicação 
5 Elemento da Despesa 
6 Item de despesa 
- Identificador de Ação Governamental (IAG) 
- Grupo da Fonte 
http://planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-orcamento/lei-orcamentaria-anual-loa/lei-orcamentaria-anual-loahttp://planejamento.mg.gov.br/pagina/planejamento-e-orcamento/lei-orcamentaria-anual-loa/lei-orcamentaria-anual-loa
18 
OPÇÃO ESPECIFICAÇÃO 
7 Fonte de Recursos 
20 Identificador de Providência e Uso 
 
 
Observação 
Somente as despesas orçamentárias são objeto de classificação, ou 
seja, as despesas extraorçamentárias nem classificadas são. 
 
2.6 Classificação da Lei Federal nº 4.320/1964 
O art. 2º da Lei Federal nº 4.320/64 estabelece que o orçamento terá quadro 
demonstrativo da Receita e Despesa organizado pela Categoria Econômica. 
Art. 2º A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e 
despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa 
de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade universalidade 
e anualidade. 
§ 1° Integrarão a Lei de Orçamento: 
[...] 
II - Quadro demonstrativo da Receita e Despesa segundo as 
Categorias Econômicas [...]. 
Por sua vez, de acordo com o previsto o art. 12 da Lei Federal nº 4.320/64, a 
estrutura de agrupamento está um pouco diferente da estrutura atual, mas não está 
errado, já que a estrutura atual está apenas um pouco mais detalhada. 
Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias 
econômicas: 
DESPESAS CORRENTES 
Despesas de Custeio 
Transferências Correntes 
DESPESAS DE CAPITAL 
Investimentos 
Inversões Financeiras 
Transferências de Capital 
§ 1º Classificam-se como Despesas de Custeio as dotações para 
manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a 
atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. 
§ 2º Classificam-se como Transferências Correntes as dotações para 
despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou 
serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à 
manifestação de outras entidades de direito público ou privado. 
§ 3º Consideram-se subvenções, para os efeitos desta lei, as 
transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades 
beneficiadas, distinguindo-se como: 
I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou 
privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; 
II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas 
ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. 
19 
§ 4º Classificam-se como investimentos as dotações para o 
planejamento e a execução de obras, inclusive as destinadas à aquisição de 
imóveis considerados necessários à realização destas últimas, bem como para 
os programas especiais de trabalho, aquisição de instalações, equipamentos 
e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas 
que não sejam de caráter comercial ou financeiro. 
§ 5º Classificam-se como Inversões Financeiras as dotações 
destinadas a: 
I – aquisição de imóveis, ou de bens de capital já em utilização; 
II – aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou 
entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a operação não 
importe aumento do capital; 
III – constituição ou aumento do capital de entidades ou empresas 
que visem a objetivos comerciais ou financeiros, inclusive operações 
bancárias ou de seguros. 
§ 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos 
ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado 
devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou 
serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo 
derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, 
bem como as dotações para amortização da dívida pública. 
Já o art. 13 da Lei Federal nº 4.320/64 apresenta os elementos: 
Art. 13. Observadas as categorias econômicas do art. 12, a 
discriminação ou especificação da despesa por elementos, em cada unidade 
administrativa ou órgão de governo, obedecerá ao seguinte esquema: 
 
DESPESAS CORRENTES 
Despesas de Custeio 
– Pessoa Civil 
– Pessoal Militar 
– Material de Consumo 
– Serviços de Terceiros 
– Encargos Diversos 
Transferências Correntes 
– Subvenções Sociais 
– Subvenções Econômicas 
– Inativos 
– Pensionistas 
– Salário Família e Abono Familiar 
– Juros da Dívida Pública 
– Contribuições de Previdência Social 
– Diversas Transferências Correntes 
DESPESAS DE CAPITAL 
Investimentos 
– Obras Públicas 
– Serviços em Regime de Programação Especial 
– Equipamentos e Instalações 
– Material Permanente 
– Participação em Constituição ou Aumento de 
Capital de Empresas ou Entidades Industriais ou 
Agrícolas 
Inversões Financeiras 
– Aquisição de Imóveis 
– Participação em Constituição ou Aumento de 
Capital de Empresas ou Entidades Comerciais ou 
Financeiras 
– Aquisição de Títulos Representativos de Capital 
de Empresa em Funcionamento 
– Constituição de Fundos Rotativos 
– Concessão de Empréstimos 
– Diversas Inversões Financeiras 
Transferências de Capital 
– Amortização da Dívida Pública 
– Auxílios para Obras Públicas 
– Auxílios para Equipamentos e Instalações 
– Auxílios para Inversões Financeiras 
– Outras Contribuições 
20 
 
O artigo 15 da Lei Federal nº 4.320/64 diz que a despesa na lei do orçamento 
será detalhada até o nível elemento e seu § 2º traz o requisito para classificação de 
material permanente como duração superior a dois anos: 
Art. 15. Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no 
mínimo por elementos. 
§ 1º Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com 
pessoal, material, serviços, obras e outros meios de que se serve a 
administração pública para consecução dos seus fins. 
§ 2º Para efeito de classificação da despesa, considera-se material 
permanente o de duração superior a dois anos. 
 
 
Observação 
De acordo com a Lei Federal nº 4.320/64, a Lei de Orçamento, a 
discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos (artigo 15), 
sendo por elementos o desdobramento da despesa com pessoal, 
material, serviços, obras e outros meios de que se serve a 
administração pública para consecução dos seus fins. Mas, de modo 
distinto, pela Portaria n. 163/2001, na LOA, a discriminação da despesa, 
quanto à sua natureza, far-se-á, no mínimo, por categoria econômica, 
grupo de natureza de despesa e modalidade de aplicação. 
2.7 Portaria Interministerial nº 163/2001 
A Portaria Interministerial nº 163/01 regulou o uso da classificação por natureza 
para elaboração e controle dos orçamentos da União, dos Estados e dos Municípios e 
do Distrito Federal. 
Art. 3º A classificação da despesa, segundo a sua natureza, compõe-
se de: 
I – categoria econômica; 
II – grupo de natureza da despesa; 
III – elemento de despesa; 
§ 1º A natureza da despesa será complementada pela informação 
gerencial denominada “modalidade de aplicação”, a qual tem por finalidade 
indicar se os recursos são aplicados diretamente por órgãos ou por entidades 
no âmbito da mesma esfera de Governo ou por outro ente da Federação e 
suas respectivas entidades, e objetiva, precipuamente, possibilitar a 
eliminação da dupla contagem dos recursos transferidos ou descentralizados. 
21 
§ 2º Entende-se por grupos de natureza de despesa a agregação de 
elementos de despesa que apresentam as mesmas características quanto ao 
objeto de gasto. 
§ 3º O elemento de despesa tem por finalidade identificar os objetos 
de gasto, tais como vencimentos e vantagens fixas, juros, diárias, material de 
consumo, serviços de terceiros prestados sob qualquer forma, subvenções 
sociais, obras e instalações, equipamentos e material permanente, auxílios, 
amortização e outros de que a administração pública se serve para a 
consecução de seus fins. 
§ 4º As classificações da despesa por categoria econômica, por grupo 
de natureza, por modalidade de aplicação e por elemento de despesa, e 
respectivos conceitos e/ou especificações, constam do Anexo II desta 
Portaria. 
§ 5º É facultado o desdobramento suplementar dos elementos de 
despesa para atendimento das necessidades de escrituração contábil e 
controle da execuçãoorçamentária. 
 
Observe que, no artigo 5º dessa portaria, a exigência maior de detalhamento é 
para a execução do orçamento. Lembre-se de que, para a elaboração do orçamento, ou 
seja, para a LOA, consta apenas a exigência de classificação por grupo e modalidade (a 
e b). 
Art. 5º Em decorrência do disposto no art. 3º, a estrutura da natureza 
da despesa a ser observada na execução orçamentária de todas as esferas de 
governo será “c.g.mm.ee.dd”, onde: 
a) ’c’ representa a categoria econômica; 
b) ‘g’ o grupo de natureza da despesa; 
c) ’mm’ a modalidade de aplicação; 
d) ’ee’ o elemento de despesa; e 
e) ’dd’ o desdobramento, facultativo, do elemento de despesa. 
 
2.8 Despesas Obrigatórias de Caráter Continuado 
A Lei Complementar Federal nº 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal), 
introduziu na Administração Pública o conceito de despesa obrigatória de caráter 
continuado: 
Art. 17. Considera-se obrigatória de caráter continuado a despesa 
corrente derivada de lei, medida provisória ou ato administrativo normativo 
que fixem para o ente a obrigação legal de sua execução por um período 
superior a dois exercícios. 
2.9 Classificação quanto à Esfera Orçamentária 
Tem por objetivo identificar se o orçamento é fiscal, da seguridade social ou de 
investimento das empresas estatais, conforme disposto no § 5º do art. 165 da CF/1988: 
Art. 165, § 5º - A lei orçamentária anual compreenderá: 
I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, 
órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações 
instituídas e mantidas pelo Poder Público; 
22 
II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, 
direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a 
voto; 
III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as 
entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem 
como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. 
 
 
 
23 
3 ESTÁGIOS DA DESPESA PÚBLICA ORÇAMENTÁRIA 
 
A execução da despesa orçamentária pública transcorre em três estágios, que, 
conforme previsto na Lei Federal nº 4.320/64, são: empenho, liquidação e pagamento. 
No entanto, a doutrina majoritária e o MCASP incluem a fixação (ou 
programação) da despesa como sendo um dos estágios. Logo, os estágios da despesa, 
doutrinariamente falando, são: 
1) fixação 
2) empenho; 
3) liquidação; 
4) pagamento. 
Merece destaque ainda a sistemática do “pré-empenho”, que, antecedendo os 
estágios da execução da despesa, funciona como uma espécie de reserva de dotação 
orçamentária, ocorrendo após o recebimento do crédito orçamentário e antes do seu 
comprometimento para a realização da despesa, de modo a “cobrir” o lapso de tempo 
inerente a todo o processo licitatório de contratação dos respectivos bens e serviços a 
que se referem os gastos, servindo para “guardar” o crédito até o final da licitação. 
 
 
24 
 
 
Observação 
A fixação, etapa inerente ao Planejamento (programação) da Despesa, 
está presente na Doutrina e no Manual de Contabilidade Aplicada ao 
Setor Público (MCASP), mas não na legislação vigente. 
 
3.1 Planejamento 
A etapa de planejamento compreende a fixação da despesa, descentralizações 
de créditos orçamentários, a programação orçamentária e financeira e o processo de 
licitação e contratação. 
3.1.1 Fixação da Despesa 
O processo da fixação da despesa orçamentária é concluído com a autorização 
dada pelo poder legislativo por meio da LOA, Lei Orçamentária Anual, ressalvadas, claro, 
as eventuais aberturas de créditos adicionais no decorrer da vigência do orçamento. 
3.1.2 Descentralizações de Créditos Orçamentários 
As descentralizações de créditos orçamentários ocorrem quando for efetuada 
movimentação de parte do orçamento, mantidas as classificações institucional, 
funcional, programática e econômica, para que outras unidades administrativas possam 
executar a despesa orçamentária. 
Essas unidades administrativas referem-se às unidades executoras que por 
definição são aquelas que dispõem de organização para exercer administração própria 
25 
e tem competência para praticar todos os atos e fatos administrativos decorrentes da 
gestão de bens do Estado e de terceiros, bem como para estudar, dar parecer e julgar 
direitos. 
Quando a descentralização ocorrer da unidade central de programação 
orçamentária para órgãos setoriais contemplados diretamente no orçamento, tem-se a 
figura da dotação. Quando envolver unidades gestoras de um mesmo órgão tem-se a 
descentralização interna, também chamada de provisão. Se, porventura, ocorrer entre 
unidades gestoras de órgãos ou entidades de estrutura diferente, ter-se-á uma 
descentralização externa, também denominada de destaque. 
Destaca-se que, no âmbito da Policia Militar de Minas Gerais, as 
descentralizações internas (provisões) ocorrem por meio de descentralizações e 
repasses de cota, ocorrendo à descentralização quando os créditos orçamentários fluem 
da Assessoria Estratégica de Planejamento e Gestão Orçamentária (PM6 ) para os 
gestores ou da PM6 diretamente para as unidades executoras, e a subprovisão quando 
decorre de movimentação de créditos dos gestores para as unidades executoras. 
Poderá também ocorrer a descentralização de crédito entre os órgãos e 
entidades da Administração Pública do Poder Executivo por meio de Termo de 
Descentralização de Crédito Orçamentário (TDCO), na qual há a transferência do poder 
de gestão de crédito orçamentário e financeiro entre unidades orçamentárias 
integrantes do orçamento fiscal, permitindo ao Órgão Gerenciador do Crédito (entidade 
ou órgão que executa o crédito orçamentário descentralizado) executar as despesas no 
próprio orçamento do Órgão Titular do Crédito (entidade ou órgão detentor do crédito 
orçamentário aprovado pela Lei Orçamentária Anual ou de créditos adicionais). 
O TDCO objetiva transferir o poder de gestão de crédito orçamentário entre 
unidades orçamentárias integrantes do orçamento fiscal, viabilizando a realização de 
ações em que haja parceria entre órgãos ou entidades, incluindo obras e serviços de 
engenharia, de interesse da Administração Pública estadual. 
3.1.3 Programação Orçamentária e Financeira 
A programação orçamentária e financeira consiste na compatibilização do fluxo 
dos pagamentos com o fluxo dos recebimentos, visando ao ajuste da despesa fixada às 
novas projeções de resultados e da arrecadação. 
Se houver frustração da receita estimada no orçamento, deverá ser estabelecida 
limitação de empenho e movimentação financeira, com objetivo de atingir os resultados 
previstos na LDO e impedir a assunção de compromissos sem respaldo financeiro, o que 
acarretaria uma busca de socorro no mercado financeiro, situação que implica em 
encargos elevados. 
26 
Após a promulgação da LOA e com base nos limites de despesas nela fixados, o 
Poder Executivo aprova um quadro de cotas trimestrais da despesa que cada unidade 
orçamentária fica autorizada a utilizar. Nesse aspecto, a Lei de Responsabilidade Fiscal 
definiu procedimentos para auxiliar a programação orçamentária e financeira nos arts. 
8º e 9º, veja: 
Art. 8º Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, nos termos 
em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias e observado o disposto na 
alínea c do inciso I do art. 4º, o Poder Executivo estabelecerá a programação 
financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso. 
[...] 
Art. 9º Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da 
receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado 
primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o 
Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, 
nos trinta dias subsequentes, limitação de empenho e movimentação 
financeira, segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias. 
 
3.1.4 Processo de Licitação e ContrataçãoO processo de licitação compreende um conjunto de procedimentos 
administrativos que objetivam adquirir materiais, contratar obras e serviços, alienar ou 
ceder bens a terceiros, bem como fazer concessões de serviços públicos com as 
melhores condições para o Estado, observando os princípios da legalidade, da 
impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade 
administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e de 
outros que lhe são correlatos. 
O art. 37, inciso XXI da Constituição Federal de 1988 estabelece a observância do 
processo de licitação pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 
A Lei Federal nº 14.133, de 1º de abril de 2021, estabelece normas gerais de 
licitação e contratação para as Administrações Públicas diretas, autárquicas e 
fundacionais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
3.2 Execução 
A execução da despesa orçamentária se dá em três estágios, na forma prevista na 
Lei Federal nº 4.320/1964: empenho, liquidação e pagamento. 
27 
3.2.1 Empenho 
O empenho, que é o primeiro estágio da execução da despesa, serve para 
reservar parte dos créditos disponíveis, em consonância com o art. 60 da Lei Federal nº 
4.320/64, que veda a realização de despesa sem prévio empenho. 
Art. 60, caput da Lei Federal nº 4.320/64 - É vedada a realização de 
despesa sem prévio empenho. 
 
Art. 8º, caput do Decreto Estadual nº 37.924/96 - É vedada a 
realização de despesa sem prévio empenho 
 
Destaca-se que tais dispositivos visam impedir por parte do administrador 
público a assunção de compromissos não comportados no orçamento anual, sujeitando-
se o responsável as sanções previstas em lei, em especial o Código Penal (Decreto-Lei 
Federal nº 2.848/1940) e a Lei de Improbidade Administrativa (Lei Federal nº 
8.429/1992): 
Art. 359-D do Código Penal - Ordenar despesa não autorizada por lei. 
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 
 
Art. 10 da Lei Federal nº 8.429/92 - Constitui ato de improbidade 
administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa 
ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, 
malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas 
no art. 1º desta lei, e notadamente: 
[...] 
IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em 
lei ou regulamento; [...] 
 
O empenho da despesa não pode exceder o limite dos créditos concedidos, ou 
seja, as despesas só podem ser empenhadas até o limite dos créditos orçamentários 
iniciais e dos créditos orçamentários adicionais, em consonância com o cronograma de 
desembolso da unidade gestora, devidamente aprovado. 
 
Observação 
O empenho não cria obrigação jurídica de pagar, mas destaca, das 
dotações orçamentárias destinadas à satisfação da despesa, a quantia 
necessária ao resgate do débito. 
 
Nos termos do disposto no art. 58 da Lei Federal nº 4.320/1964: “o empenho de 
despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação 
de pagamento, pendente ou não de implemento de condição”. 
Conforme dispõe o art. 21 do Decreto Estadual n.º 37.924/1996, o ato de 
empenhar é privativo do ordenador de despesas: 
28 
Art. 21 - Ordenador de despesas é o dirigente máximo do órgão ou 
entidade investido do poder de realizar despesa, que compreende o ato de 
empenhar, liquidar, ordenar pagamento e movimentar recursos que lhe 
forem atribuídos. 
 
O empenho será formalizado mediante a emissão de um documento 
denominado “Nota de Empenho”, do qual deve constar o nome do credor, a 
especificação do credor e a importância da despesa, bem como os demais dados 
necessários ao controle da execução orçamentária. 
A Nota de Empenho é a materialização do empenho, sendo que é elaborada no 
SIAFI (GRP Minas) e tendo uma Nota de Empenho para cada empenho, que serve para 
registrar as operações que geram o comprometimento de despesa, seu reforço ou 
anulação, indicando o nome do credor, a especificação e o valor da despesa, bem como 
a dedução desse valor do saldo da dotação própria. 
 
Observação 
O empenho não poderá exceder o saldo disponível de dotação 
orçamentária, nem o cronograma de pagamento o limite de saques 
fixado. 
 
3.2.1.1 Modalidades de Empenho 
De acordo com sua natureza e finalidade, pode ser ordinário, global ou por 
estimativa (vide art. 8º do Decreto Estadual nº 37.924/96). 
 Ordinário: é o tipo de empenho utilizado para as despesas de valor fixo e 
previamente determinado, cujo pagamento deva ocorrer de uma só vez; 
 Estimativo: é o tipo de empenho utilizado para as despesas cujo montante não 
se pode determinar previamente, tais como serviços de fornecimento de água 
e energia elétrica, aquisição de combustíveis e lubrificantes e outros. São gastos 
que ocorrem regularmente, mas cujos valores oscilam bastante; e 
 Global: é o tipo de empenho utilizado para despesas contratuais ou outras de 
valor determinado, sujeitas a parcelamento, como, por exemplo, os 
compromissos decorrentes de aluguéis, prestação de serviços, salários etc. 
A nota de empenho de despesa poderá substituir o instrumento de contrato nas 
seguintes hipóteses (art. 95 da Lei Federal nº 14.133/21): 
 Dispensa de licitação em razão de valor; 
29 
 Compras com entrega imediata e integral dos bens adquiridos e dos quais não 
resultem obrigações futuras, inclusive quanto a assistência técnica, 
independentemente de seu valor. 
Existem situações em que o valor do empenho original não é suficiente, sendo 
necessário o “reforço de empenho” para complementar o valor original inicial. 
 
Observação 
Empenho por estimativa: em razão da dificuldade em se determinar o 
valor exato a ser executado, é possível o registro de reforço e anulação 
de saldo de empenho de modo a comportar o valor exato e ser 
executado. 
3.2.1.2 Anulação de um Empenho 
Um empenho pode ser anulado, ao longo do exercício, seja parcial ou 
totalmente. 
Quando o valor empenhado for insuficiente para atender à despesa a ser 
realizada, o empenho poderá ser reforçado. Caso o valor do empenho exceda o 
montante da despesa realizada, o empenho deverá ser anulado parcialmente. Será 
anulado totalmente quando o objeto do contrato não tiver sido cumprido, ou ainda, no 
caso de ter sido emitido incorretamente. 
Serão anulados os saldos dos empenhos que não apresentarem movimentação 
no período de 90 (noventa) dias, contados da data de sua emissão ou do registro do 
último pagamento ocorrido por conta dos mesmos, salvo aqueles que ainda 
continuarem subsistentes, assim atestados pela unidade solicitante da compra dos 
materiais, bens ou serviços (art. 9º do Decreto Estadual nº 37.924/96). 
No fim de cada exercício, o empenho deve ser totalmente anulado caso ainda 
não tenha sido liquidado, exceto para aqueles que se enquadrarem nas condições 
previstas para inscrição em Restos a Pagar. 
Os valores correspondentes à anulação do empenho revertem ao programa de 
trabalho, tornando-os novamente disponíveis para empenho. 
3.2.2 Em Liquidação 
O Plano de Contas aplicado ao Setor Púbico (PCASP) incluiu a fase da execução 
da despesa – “em liquidação”, que busca o registro contábil no patrimônio de acordo 
com a ocorrência do fato gerador, não do empenho. Essa regra possibilita a separação 
entre os empenhos não liquidados que possuem fato gerador dos que não possuem, 
evitando assim a dupla contagem para fins de apuração do passivo financeiro. Quanto 
30 
aos demais lançamentos no sistema orçamentário e de controle, permanecem 
conforme a Lei nº 4.320/1964. 
Ocorre, por exemplo, quando se recebe a nota fiscal, mas demora-se para 
conferir se o serviço foi efetivamente prestado ou o material efetivamente recebido. 
Nesse caso, registra-se essa nota fiscal como “em liquidação”. 
3.2.3 Liquidação 
A liquidação é o segundo estágio da despesa e é caracterizada pela entrega dos 
bens e serviços contratados. 
Aliquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor 
tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito (art. 63 
da Lei Federal nº 4.320/64). 
Tem por objetivo apurar: 
• a origem e o objeto do que se deve pagar; 
• a importância exata a pagar; 
• a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação. 
A liquidação, por conseguinte, terá por base: o contrato, ajuste ou acordo 
respectivo; a nota de empenho; e os comprovantes da entrega de material ou da 
prestação efetiva do serviço. 
São comprovantes de despesas válidos as primeiras vias de Nota Fiscal e o 
Documento Auxiliar da NF-e (Danfe) ou documento equivalente, com certificado datado 
e firmado por responsável pelo recebimento dos materiais, bens ou serviços solicitados, 
declarando que os mesmos foram recebidos ou efetuados em condições satisfatórias 
para o serviço público estadual (art. 10 do Decreto Estadual nº 37.924/96). 
Destaca-se que antes de se efetivar a liquidação da despesa, os seguintes 
aspectos devem ser observados: 
 Em casos de notas fiscais eletrônicas: se consta a anotação de conferência de sua 
autenticidade, obtida mediante acesso no sítio eletrônico do órgão fazendário 
federal, estadual ou municipal, de acordo com a respectiva autorização de 
emissão do documento, constando a data, o horário e o nome do responsável 
pela conferência, a fim de cumprir os preceitos da norma e resguardar a 
administração pública de eventuais fraudes quanto à veracidade do documento 
fiscal recebido. 
 Ateste de recebimento dos materiais e serviços: se junto ao comprovante da 
despesa consta, pelo responsável pelo recebimento dos materiais, bens ou 
31 
serviços solicitados, declaração de que os mesmos foram recebidos ou efetuados 
em condições satisfatórias para o serviço público estadual, conforme previsto no 
art. 10 do decreto acima mencionado. 
Os prazos e os métodos para a realização dos recebimentos provisório e 
definitivo serão definidos em regulamento ou no contrato. 
Para facilitar a compreensão, elencamos no quadro abaixo quem são os 
responsáveis pelo recebimento: 
OBRAS E SERVIÇOS COMPRAS 
• Recebimento provisório: pelo 
responsável por seu acompanhamento 
e fiscalização, mediante termo 
detalhado, quando verificado o 
cumprimento das exigências de caráter 
técnico. 
• Recebimento definitivo: por servidor ou 
comissão designada pela autoridade 
competente, mediante termo detalhado 
que comprove o atendimento das 
exigências contratuais. 
• Recebimento provisório: de forma 
sumária, pelo responsável por seu 
acompanhamento e fiscalização, com 
verificação posterior da conformidade do 
material com as exigências contratuais. 
• Recebimento definitivo: por servidor ou 
comissão designada pela autoridade 
competente, mediante termo detalhado 
que comprove o atendimento das 
exigências contratuais. 
 
Atente-se que com a nova Lei de Licitações, não existe mais a modalidade de 
licitação “convite”. Dessa forma, está derrogado o trecho do art. 10, §2º do Decreto 
Estadual nº 37.924/96. 
3.2.4 Pagamento 
O pagamento é o despacho exarado por autoridade competente (ordenador de 
despesas), determinando que a despesa seja paga. Em outras palavras, o pagamento 
consiste na entrega de numerário ao credor, com extinção da obrigação. 
É o terceiro e último estágio da despesa e somente é efetuado após regular 
liquidação, mediante ordem de pagamento que deve respeitar, entre outros requisitos, 
o saldo financeiro disponível e a ordem cronológica de registro e vencimento. 
Em regra, o pagamento deve ser realizado via de ordem bancária. É realizado via 
SIAFI (GRP Minas), mediante ordem bancária correspondente à respectiva dívida líquida. 
Os encargos financeiros que incidirem sobre o pagamento de despesa após a 
data de vencimento, decorrentes de comprovada omissão do militar/servidor, em 
qualquer fase de realização da despesa, serão de sua responsabilidade, incumbindo-lhe 
fazer o depósito do valor correspondente na conta bancária única via Documento de 
Arrecadação Estadual (DAE). Caso não efetuado o depósito, a Diretoria de Finanças 
32 
promoverá o registro dos referidos encargos em “Diversos Responsáveis”, comunicando 
imediatamente o fato ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. 
As ordens de pagamento efetuadas no âmbito do SIAFI (GRP Minas) somente 
poderão ser transmitidas aos bancos credenciados após assinadas digitalmente pelos 
respectivos ordenadores de despesas (exceção são as ordens de pagamento referentes 
à remuneração de pessoal dos militares/servidores do Poder Executivo). 
A ausência de assinatura digital nas ordens de pagamento acarretará a 
impossibilidade da sua transmissão bancária e ensejará a responsabilidade dos 
respectivos ordenadores de despesas nos casos de geração de encargos financeiros ou 
de prejuízo a terceiros, após comprovação de omissão, dolo ou fraude, mediante devido 
processo legal. 
 
Observação 
Conforme prevê o art. 12, §3º do Decreto Estadual nº 37.924/96, os 
documentos necessários à instrução do processo de execução 
orçamentária e financeira da despesa, produzidos originalmente no 
formato digital e assinados por meio de certificação digital, nos 
termos do Decreto nº 43.888, de 2004, são legalmente válidos e 
poderão ter sua impressão dispensada. 
 
 
33 
4 DÍVIDA FLUTUANTE E FUNDADA 
 
A dívida pública abrange a dívida flutuante e a dívida fundada ou consolidada. 
O Decreto Federal nº. 93.872/1986 conceitua a dívida flutuante (ou de curto 
prazo) como aquela que compreende os compromissos exigíveis, cujo pagamento 
independe de autorização orçamentária, assim entendidos: os restos a pagar, excluídos 
os serviços da dívida; os depósitos, inclusive consignações em folha; as operações de 
crédito por antecipação de receita; e o papel-moeda ou moeda fiduciária. 
Doutrinariamente, dívida flutuante é a contraída a curtos prazos para satisfazer 
necessidades momentâneas do Tesouro, inferiores a doze meses, provenientes de 
despesas imprevistas e da falta de receitas ainda não cobradas. Ressalta-se que não 
existe unanimidade na doutrina quanto à sua conceituação. 
A enumeração do que seja dívida flutuante é dada pelo art. 92 da Lei Federal nº 
4.320/1964: 
Art. 92. A dívida flutuante compreende: 
I – os restos a pagar, excluídos os serviços da dívida; 
II – os serviços da dívida a pagar; 
III – os depósitos; 
IV – os débitos de tesouraria. 
Já para a dívida fundada ou consolidada, o Decreto Federal nº 93.872/1986 a 
define como sendo aquela que compreende os compromissos de exigibilidade superior 
a 12 meses contraídos mediante emissão de títulos ou celebração de contratos para 
atender a desequilíbrio orçamentário, ou a financiamento de obras e serviços públicos, 
e que dependam de autorização legislativa para amortização ou resgate. 
O art. 98 da Lei Federal nº 4.320/1964 trata da seguinte forma sobre dívida 
fundada: 
Art. 98. A dívida fundada compreende os compromissos de 
exigibilidade superior a doze meses, contraídos para atender a desequilíbrio 
orçamentário ou a financeiro de obras e serviços públicos. 
Parágrafo único. A dívida fundada será escriturada com individuação 
e especificações que permitam verificar, a qualquer momento, a posição dos 
empréstimos, bem como os respectivos serviços de amortização e juros. 
Com a Lei de Responsabilidade Fiscal, houve um redesenho do conceito de dívida 
fundada ou consolidada, nos seguintes termos: 
Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas as 
seguintes definições: 
I - dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado 
sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas 
34 
em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de 
operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses; 
A doutrina define dívida fundada como aquela contraída a longo prazo, ou até 
semprazo certo e sem obrigação de resgate com pagamento de prestação e juros. Por 
isso subdivide-se em amortizável e perpétua. Tem caráter estável e não varia de acordo 
com o fluxo de receitas e despesas como ocorre com a dívida flutuante, destinando-se, 
em geral, a financiar investimentos rentáveis e duráveis. 
 Perpétua: é aquela contraída por período indefinido, obrigando-se o 
Estado apenas a pagar os juros, como ocorre geralmente com a dívida 
fundada no âmbito federal. 
 Amortizável: é a dívida fundada contraída com prazo certo de resgate, 
como ocorre no âmbito estadual. 
Estão nesse rol as dívidas contraídas a longo prazo, ou até sem prazo, a exemplo 
do que ocorre com as dívidas com INSS em parcelamento, precatórios, financiamentos 
de longo prazo, dentre outros. 
Afirma o art. 34, V, "a" da CF/88 que se o Distrito Federal ou o Estado, sem motivo 
de força maior, suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos 
consecutivos, ficará sujeito à intervenção federal. Do mesmo modo, o Município que 
deixar de pagar a dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, sem motivo de 
força maior, ficará sujeito à intervenção estadual (ou federal se for Município de 
Território), nos termos do art. 35, I, da CF/88. 
 
 
35 
5 RESTOS A PAGAR 
 
De acordo com o art. 36 da Lei Federal nº 4.320/64, consideram-se Restos a 
pagar as despesas empenhadas, mas não pagas até 31 de dezembro, distinguindo-se as 
processadas das não processadas: 
• Restos a Pagar não Processados (RPNP): dizem respeito às despesas 
empenhadas, mas não liquidadas até 31 de dezembro do exercício financeiro 
em que forem assumidas. 
• Restos a Pagar Processados (RPP): referem-se às despesas empenhadas e 
liquidadas até 31 de dezembro de cada ano, mas que não foram pagas. 
A inscrição de restos a pagar deve observar as disponibilidades financeiras e 
condições da legislação pertinente, de modo a prevenir riscos e corrigir desvios capazes 
de afetar o equilíbrio das contas públicas, conforme estabelecido na Lei de 
Responsabilidade Fiscal (LRF). 
Assim, observa-se que, embora a LRF não aborde o mérito do que pode ou não 
ser inscrito em restos a pagar, veda contrair obrigação no último ano do mandato do 
governante sem que exista a respectiva cobertura financeira, eliminando desta forma 
as heranças fiscais onerosas, conforme disposto no seu art. 42: 
Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, 
nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de 
despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha 
parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente 
disponibilidade de caixa para este efeito. 
Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade de caixa serão 
considerados os encargos e despesas compromissadas a pagar até o final do 
exercício. 
De tal forma, a norma estabelece que, no encerramento do exercício, a parcela 
da despesa orçamentária que se encontrar empenhada, mas ainda não paga, poderá ser 
inscrita em restos a pagar. 
O raciocínio implícito na lei é de que, de forma geral, a receita orçamentária a 
ser utilizada para pagamento da despesa orçamentária já deve ter sido arrecadada em 
determinado exercício, anteriormente à realização dessa despesa. 
As despesas empenhadas e reconhecidas, cuja liquidação e pagamento serão 
processados no exercício seguinte, deverão ser inscritas em Restos a Pagar no último 
dia útil do exercício financeiro a que se referem, devendo ser cancelados os saldos de 
empenhos considerados insubsistentes naquela data (art. 32 do Decreto Estadual nº 
37.924/96). 
No ano em que os restos a pagar forem pagos não será preciso crédito oriundo 
da nova LOA, pois a dotação utilizada para esse pagamento é mantida da LOA de origem. 
36 
5.1 Restos a pagar não processados 
Serão inscritas em restos a pagar não processados as despesas não liquidadas, nas 
seguintes condições: 
• O serviço ou material contratado tenha sido prestado ou entregue e que se 
encontre, em 31 de dezembro de cada exercício financeiro em fase de 
verificação do direito adquirido pelo credor (despesa em liquidação); ou 
• O prazo para cumprimento da obrigação assumida pelo credor estiver 
vigente (despesa a liquidar). 
A inscrição de despesa em restos a pagar não processados é realizada após a 
anulação dos empenhos que não serão inscritos em virtude de restrição em norma do 
ente da Federação, ou seja, verifica-se quais despesas devem ser inscritas em restos a 
pagar e anula-se as demais. Após, inscreve-se os restos a pagar não processados do 
exercício. 
Em observância ao regime da competência da despesa, não serão inscritos em 
RPNP os saldos de empenhos referentes à concessão de adiantamentos e diárias de 
viagem, devendo as unidades executoras promoverem a anulação do saldo dos 
empenhos até o dia 31 de dezembro. 
Não serão inscritos em RPNP, saldo de empenhos de valor igual ou inferior a 
R$500,00 (quinhentos reais). 
As despesas empenhadas e ainda não liquidadas, para efeito do adequado 
tratamento contábil, são divididas dependendo da correta identificação da ocorrência 
do fato gerador da obrigação a ser reconhecida: 
• Despesas empenhadas a liquidar: são aquelas cujo prazo para cumprimento 
da obrigação, assumida pelo credor (contratado), encontra-se vigente, ou 
seja, ainda não ocorreu o fato gerador da obrigação patrimonial para o ente, 
estando pendente de entrega do material ou do serviço adquirido. 
• Despesas empenhadas em liquidação: são aquelas em que houve o 
adimplemento da obrigação pelo credor (contratado), caracterizado pela 
entrega do material ou prestação do serviço, estando na fase de verificação 
do direito adquirido, ou seja, tem-se a ocorrência do fato gerador da 
obrigação patrimonial, todavia, ainda não se deu a devida liquidação. 
5.2 Restos a pagar processados 
Serão inscritas em restos a pagar processados as despesas liquidadas e não pagas 
no exercício financeiro, ou seja, aquelas em que o serviço, a obra ou o material 
contratado tenha sido prestado ou entregue e aceito pelo contratante, nos termos do 
art. 63 da Lei nº 4.320/1964. 
37 
No caso das despesas orçamentárias inscritas em restos a pagar processados, 
verifica-se na execução o cumprimento dos estágios de empenho e liquidação, restando 
pendente apenas o pagamento. Neste caso, em geral, não podem ser cancelados, tendo 
em vista que o fornecedor de bens ou serviços satisfez a obrigação de fazer e a 
Administração conferiu essa obrigação. Portanto, não poderá deixar de exercer a 
obrigação de pagar, salvo motivo previsto na legislação pertinente. 
Não serão inscritos em RPP os saldos de Obrigações Liquidadas a Pagar 
referentes à concessão de adiantamentos, devendo as unidades executoras 
promoverem a anulação do saldo até o dia 31 de dezembro. 
Os restos a pagar processados não podem ser cancelados, pois, de acordo com o 
Parecer 401/2000 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o cancelamento 
de restos a pagar processados caracteriza enriquecimento ilícito do Estado, 
considerando que o fornecedor de bens/serviços cumpriu com a obrigação de fazer o 
que o Estado não poderá descumprir com a obrigação de pagar 
Para aqueles empenhos referentes a despesas já liquidadas e não pagas, assim 
como os empenhos não anulados, a inscrição em restos a pagar no encerramento do 
exercício (31/12) deve ser efetuada pelo valor devido, ou, caso ainda não exatamente 
conhecido, pelo valor estimado, mas apenas se cumpridas as condições inerentes ao 
empenho e liquidação da despesa, já que, em verdade, são encargos incorridos no 
exercício. 
 
 
Observação 
No caso dos empenhos por estimativa, podemos ter duas situações 
distintas: 
1) quando o valor real for maior que o valor inscrito em restos a pagar, 
a diferença será empenhada à conta de despesas de exercícios 
anteriores; 
2) quando o valor real for inferior ao valor inscrito

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