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@ A V E T C L I N I C
C A D E R N O D E 
R u m i n a n t e s
CASOS
CLÍNICOS
EDIÇÃO 1
VETCL IN I C | I N T R O D U Ç Ã O
Esse e -book fo i fe i to pensando no seu
desenvolv imento dentro da cl ín ica de
ruminantes . A VetCl in ic nasceu desse
propósi to . Nós encurtamos seu caminho no
entendimento das doenças que mais
acometem os ruminantes dentro da rot ina
cl ín ica veter inár ia . Já montamos diversos
mater ia is e vendemos centenas de conteúdos
para estudantes e prof iss ionais . 
Comecamos no Instagram e não queremos
parar . Nesse mater ia l você vai ter acesso à
dezenas de casos cl ín icos rea is da Medic ina
de Ruminantes . Pr imeiro , l i s tamos o caso com
todos os dados para a in terpretação e na
seuquência temos a resolução completa com
informação da et io logia e a patologia
envolv ida . É um t re inamento ef ic iente para
você alavancar seu rac iocín io cl ín ico . 
Te lembramos que, no nosso Instagram temos
os mater ia is que serv i rão de complemento
para entender melhor cada parte desse e -
book. Boa sorte e uma ót ima le i tura . Conte
com a gente! 
02 DE 58
VETCL IN I C | C A S O 1
Um grupo de 400 bezerros recebeu uma
injeção parentera l de uma preparação mineral .
 Quatro bezerros foram inesperadamente
encontrados mortos dentro de 24 horas após o
tratamento. Devido ao edema pulmonar
marcado, havia suspei ta de pneumonia aguda.
Tecidos f rescos e f ixos (baço de f ígado,
pulmão e r im ) foram submet idos ao laboratór io
para cul tura bacter iana, PCR para ví rus
respi ratór ios e anál ise mineral no f ígado. 
Culturas e testes de PCR para patógenos
respi ratór ios foram negat ivos . 
Não havia evidência de pneumonia
histo logicamente , mas o f ígado t inha necrose
marcada e hemorragia . 
03 DE 58
CASO 1 | UMA I N J EÇÃO BOA?
VETCL IN I C | C A S O 1
Foram 4 animais afetados , ou seja , é
importante descartar causas indiv iduais .
Houve a administ ração de uma preparação
minera l . Um dos órgãos afetados fo i o pulmão
e você descarta agentes in fecciosos por conta
do exame negat ivo para patógenos
pulmonares . Há edema. 
Edema é uma mani festação do aumento
excess ivo das pressões nos vasos , neste caso
do pulmão. I sso levanta uma suspei ta de que
possa ocorrer algum dano a nível cardíaco. O
fígado apresentava sangramentos ao corte , e
hepatomegal ia , com necrose, que pode
ocorrer por conta de uma congestão, gerando
um f ígado de noz -moscada, onde há pouca
ofer ta de oxigênio , gerando hipóxia
centro lobular .
A anál ise mineral no f ígado revelou níveis de
selênio de 19,19 μg /g. Este nível é al to (a fa ixa
normal é de 0,60 -3,30 μg /g ) , e em combinação
com as lesões hepát icas , é diagnóst ico para
tox icose de selênio .
04 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1
Segundo Radost i ts et al . , (1994 ) , o Selênio (Se )
em excesso possui r ia um efe i to dist róf ico na
musculatura esquelét ica e, provavelmente , as
gastrenter i tes agudas ou subagudas
observadas ocorrer iam por ação i r r i ta t iva
di reta (Hatch 1992 ) . 
Na doença exper imental em ovinos , há um
acúmulo gradual de Se nos tec idos , seguido
por dispnéia e edema pulmonar secundár ios à
insuf ic iência cardíaca aguda (Glenn et al .
1964 ) . 
Glenn et al . (1964 ) af i rmam que o miocárdio é
o pr imeiro tec ido a ser afetado em animais
intox icados com grandes quant idades do
elemento. 
DIAGNÓSTICO: INTOXICAÇÃO POR SELÊNIO.
05 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 2
Animais jovens sem vacinação prévia t iveram
morte súbi ta , sem apar ição de s inais cl ín icos
evidentes . O Veter inár io fo i chamado.
Os animais encaminhados para necropsia
var iaram entre 4 meses e até 1 ano de idade e
estavam com bom escore corporal . As lesões
brutas inc lu íam áreas var iadas de músculo
esquelét ico que era vermelho escuro e
cont inha bolhas de gás (miosi te necrosante ) . 
Devido às bolhas de gás in t ramuscular , seções
afetadas do músculo esquelét ico muitas vezes
f lutuavam em formal ina . A maior ia dos animais
afetados t inha per icardi te f ibr inosa s imultânea
e miocardi te necrosante . 
O músculo esquelét ico e as lesões do
miocárdio t ip icamente t inham odor muito
for te . O diagnóst ico fo i baseado nas lesões
brutas caracter ís t icas e nos resul tados
posi t ivos de testes de ant icorpos
f luorescentes nos tec idos afetados . 
06 DE 58
CASO 2 | MORTE ÓBV I A
VETCL IN I C | C A S O 2
Pela descr ição, sabemos que há mais de um
animal afetado. Não há s inais de curso cl ín ico ,
tendo que aval iar bem a necropsia . Você nota
que há crepi tação muscular e áreas vermelho -
escuro no músculo . O fa to de serem animais
com bom escore corporal te faz pensar num
curso agudo, muito rápido. É poss ível que o
animal tenha inger ido um patógeno junto do
solo .
Como são áreas especí f icas de lesões e
crepi tação em grandes massas musculares
(coração também se enquadra ) , você
desconf ia de algum patógeno envolv ido na
produção de gás e que germine em ambientes
anaeróbicos . A in f lamação gera um ambiente
propíc io de anaerobiose para esporos de
algumas bactér ias germinarem e mult ip l icarem
os patógenos.
O diagnóst ico é compat ível com carbúnculo
s intomát ico ou blackleg.
07 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 2
CS é uma doença in fecciosa e não contagiosa
causada por Clostr id ium chauvoei . A in fecção
ocorre quando os animais ingerem esporos
bacter ianos durante o pastore io . Os esporos
bacter ianos penetram no in test ino e são
disseminados através da corrente sanguínea
para o músculo esquelét ico , onde os esporos
permanecem dormentes . Após um evento que
causa baixas condições de oxigênio (ou seja ,
contusões ou danos ao músculo ) no tec ido
infectado, os esporos germinam, mult ip l icam e
produzem tox ina que resul ta em necrose
muscular e hemorragia .
Os animais afetados geralmente são animais
bem al imentados entre 6 meses e 2 anos de
idade. A causa da morte no gado afetado é
uma toxemia aguda. Os s inais cl ín icos são
muitas vezes ausentes , no entanto , os animais
podem apresentar s inais de claudicação,
taquicardia , febre , anorex ia , atonia ruminal e
letargia . 
DIAGNÓSTICO: CARBÚNCULO SINTOMÁTICO
POR CLOSTRIDIUM CHAUVOEI
08 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 3
Um touro angus adul to fo i apresentado a um
veter inár io por le targia e f raqueza. O touro
morreu logo após a coleta de sangue.
Amostras de sangue e tec ido foram submet idas
ao Laboratór io . O animal apresentava anemia e
icter íc ia , e o sangue se mostrava “ f ino” , com
pouca viscos idade. 
O propr ietár io alegou que a ur ina t inha
coloração normal . A zona era de carrapato e o
propr ietár io indicou que o controle estava
sendo di f íc i l .
O hemograma completo revelou uma
leucoci tose marcada caracter izada por uma
l infóci tose em 43.000 l in fóci tos /μL ( in tervalo
de re ferência 1.800 – 9.000 l in fóci tos /μL ) e
uma anemia marcada com Htc de 10 %
( in tervalo de re ferência 24 -46% ) . 
09 DE 58
CASO 3 | UM SANGUE F INO
O s is tema afetado parece ser o ci rculatór io ,
com diminuiçãodas hemácias ci rculantes , o
que expl ica o sangue f ino e o hematócr i to
baixo . I sso gerou um estado de baix íss imo
oxigênio que acarretou em parada
cardiovascular e morte .
Você sabe que a ic ter íc ia ocorre por conta de
um aumento da bi l i r rubina , podendo ser pré ,
hepát ica ou pós -hepát ica . Ainda, a or igem da
bi l i r rubina é a destru ição das células
sanguíneas , que em um animal saudável
ocorre controladamente . Se o sangue tem
poucos er i t róc i tos , você desconf ia de
hemól ise , ou ic ter íc ia pré -hepát ica . Você
associa com a presença de carrapatos e a
ur ina normal .
O exame de manchas de sangue conf i rmou a
l infoci tose marcada e revelou inúmeros
organismos consis tentes com o Anaplasma
Marginale . 
10 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 3
O diagnóst ico é TPB por Anaplasma e não
Babesia , que gera os mesmos s intomas, porém
com febre mais al ta e hemoglobinúr ia pela
hemól ise ser in t ravascular e não extravascular
como a anaplasmose. (Está expl icado no nosso
mater ia l de doenças de ruminantes ) 
A anaplasmose é mais comumente causada por
anaplasma marginale , bactér ias
int raer i t roc i tár ias espalhadas pr incipalmente
por carrapatos . Embora estados portadores
também sejam vis tos com in fecções de
Anaplasma sp. A aval iação de uma mancha de
sangue pode ser al tamente especí f ica para
essas in fecções ; no entanto , uma mancha de
sangue negat iva não exclu i in fecções por
Anaplasmose
DIAGNÓSTICO: TRISTEZA PARASITÁRIA
BOVINA POR ANAPLASMA MARGINALE
11 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 3
VETCL IN I C | C A S O 4
Um rebanho de ternei ros , pesando
aproximadamente 350 kg e cerca de 8 meses
de idade, fo i movido para um pasto de grama
de cente io /pasto nat ivo . Após cerca de um
mês, quatro animais foram encontrados
mortos , enquanto 17 animais exib i ram nar izes
descascados e crostas com espessamento de
margens de ouvido e olhos . Os animais não
apresentavam s inais cl ín icos de doença e
estavam aler tas , mas buscavam sombra . 
O propr ietár io re latou ter um morto por dia . 
Um painel de bioquímica cl ín ica sér ica indicou
colestase s igni f icat iva : bi l i r rubina tota l , 5,8
mg /dL e GGT, 719 U /L. 
Na necropsia , as nar inas estavam com lesões e
cicatr izadas e houve algum espessamento das
orelhas e pele sobre os f lancos . 
12 DE 58
CASO 4 | QUE IMANDO
O coração t inha edema amarelo -escuro em sua
base e manchas brancas em todo o endocárdio
e havia f lu ido amarelo escuro no saco
per icárdico. Além disso, a ur ina fo i notada
como sendo escura . Houve edema renal , bem
como edema em toda a musculatura e
cavidades corpora is . 
Microscopicamente , houve necrose de
hepatóci tos indiv iduais . Canal ículos bi l iares
foram marcadamente distendidos com bi le
acumulada e havia muitas células Kupffer com
pigmento bi l iar . 
A pele apresentou necrose de espessura tota l
com exsudação f ibr inopurulenta , colonização
bacter iana e edema. 
13 DE 58
CASO 4 | QUE IMANDO
VETCL IN I C | C A S O 4
É um caso bastante direto e especí f ico , pois a
pele e regiões do foc inho foram afetadas ,
como uma fotosenss ib i l idade, restando saber
se de or igem pr imár ia ou secundár ia .
Os órgãos afetados foram a pele e,
aparentemente o f ígado. Tudo i sso apontava
para uma fotossensib i l ização de t ipo 2, onde o
f ígado é diretamente afetado, acumulando
substâncias que levam a hipersessenibi l idade
na pele .
Para conf i rmar , você deve procurar f ragmentos
de plantas hepatotóx icas nos arredores ou no
animal 
Fragmentos de Lantana camara foram
encontrados no rúmen, e a planta fo i
encontrada mais tarde no pasto .
DiAGNÓSTICO: FOTOSSENSIBILIZAÇÃO
SECUNDÁRIA OU HEPÁTICA POR CONSUMO DE
LANTANA CAMARA
14 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 4
VETCL IN I C | C A S O 5
Um veter inár io fo i chamado para invest igar a
causa do aborto em um grupo de 60 novi lhas
brangus bem cuidadas de 2 anos. Quatro
novi lhas t inham abortado antes da
invest igação ser in ic iada. O rebanho está
fechado com um programa de biossegurança
supostamente bom e boa nutr ição. Todos os
animais são bem vacinados. Um fe to fêmea de
e seus tec idos fe ta is do quinto aborto foram
submet idos ao Laboratór io juntamente com
sangue e soro da novi lha que abortou.
Não foram encontradas lesões diagnóst icas
especí f icas na necropsia ou histopatologia . 
Nenhuma bactér ia patogênica fo i i so lada na
cul tura . Os testes de vi tamina A mostraram
níveis acei táveis de vi tamina A no f ígado fe ta l .
Neospora caninnum, herpesví rus bovino t ipo 1
(BHV -1 ) e Leptospi ra spp. não foram
detectados via PCR. O teste de ant icorpos deu
negat ivo para Brucel la abortus . A fazenda
t inha histór ico de problemas respi ratór ios
anter iormente .
15 DE 58
CASO 5 | M IL E UMA
POSS I B I L I DADES
Nesse caso, o diagnóst ico é laborator ia l , que
foi conf i rmado poster iormente . Porém, o
exerc íc io é alcançar um diagnóst ico
presunt ivo que seja adequado.
Nesse caso temos abortos , exclu indo
leptospi rose , brucelose , neosporose. Cita -se
problemas respi ratór ios anter iormente . Não
houve bactér ia patogênica .
A inc idência rea l de abortos em vacas devido a
fatores genét icos é desconhecida. Alguns
abortos genet icamente causados podem não
ter lesões fenot ip icamente reconhecíveis . A
maior ia dos genes le ta is causam aborto
precoce ou morte embr ionár ia precoce.
Vi taminas A e E, selênio e fer ro foram
impl icados em abortos bovinos , mas a
documentação baseada em exper imentos está
disponível apenas para vi tamina A.
O estresse térmico causa hipotensão fe ta l ,
h ipóxia e acidose. 
16 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 5
A al ta temperatura materna devido à febre
pode ser mais importante do que o estresse
térmico induzido pelo meio ambiente .
Foram 4 animais afetados , provavelmente de
pr imeira cr ia . No laboratór io diagnost icou -se
os abortos pelo Vírus da Diarre ia Vira l Bovina.
As consequências cl ín icas da in fecção pelo
ví rus DVB são tão diversas quanto as
propr iedades genét icas e ant igênicas desses
ví rus . A doença pode resul tar de di ferentes
mecanismos patogenét icos , dependendo dos
di ferentes t ipos de in fecção. A maior ia das
infecções t rans i tór ias pode ter um curso leve ,
associado à febre baixa , diarre ia e tosse . 
Raramente , no entanto , animais in fectados
agudamente podem sofrer de febre de al to
grau e sangramento em órgãos in ternos . Por
isso a complex idade do caso. Leia sobre DVB
no mater ia l "66 Doenças de Ruminantes " fe i to
pela VetCl in ic .
DIAGNÓSTICO: DIARREIA VIRAL BOVINA.
17 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 5
VETCL IN I C | C A S O 6
Um bovino de 500 kg de um conf inamento de
30.000 cabeças fo i reconhecido como doente
e ret i rado do seu lo te . O boi era de um lo te de
45 cabeças que estavam se al imentando há
aproximadamente 45 dias e pareciam normais
até recentemente . O boi fo i vis to como
letárgico e re lutante em se mover . Vinte e
quatro horas depois ele se tornou atáx ico,
parecia ser cego,s intomas atr ibuídos a um
distúrbio do s is tema nervoso centra l . O boi fo i
t ratado, por protocolo , com t iamina,
cort icostero ides e ant ib iót icos . Ele fo i
encontrado morto na manhã seguinte . 
O veter inár io rea l izou uma necropsia
superf ic ia l e submeteu amostras ao
Laboratór io . O cérebro fo i removido na
necropsia e lesões brutas não foram
observadas naquele momento.
Coração, pulmão, t raqueia , f ígado, r im, baço e
cérebro foram submet idos ao exame
histo lógico. 
18 DE 58
CASO 6 | SOL I TÁR IO
As amostras cerebra is foram selecionadas de
forma não convencional , mas inc lu í ram córtex
cerebra l , t ronco cerebra l e cerebelo . Na região
subjacente ao cerebelo havia um grande foco
de in f i l t ração leucoci tár ia e in f i l t rações
per ivasculares com necrose. Outros tec idos
não eram notáveis . O diagnóst ico histo lógico
foi a romboencefa l i te piogranulomatosa , ou
seja , in f lamação do t ronco cerebra l . 
19 DE 58
CASO 6 | SOL I TÁR IO
VETCL IN I C | C A S O 6
A romboencefa l i te em ruminantes adul tos é o
di ferencia l para el iminar a probabi l idade de
pol ioencefa lomalacia , que tem s intomas
parecidos ,mas se direciona para danos no
córtex cerebra l . A romboencefa l i te é cláss ica
de l i s ter iose .
Os reservatór ios de in fecção parecem ser o
solo e os t ratos in test ina is de animais
ass intomát icos . Animais in fectados podem
excretar L. monocytogenes em fezes , le i te e
descargas uter inas . Também é encontrado em
fetos abortados e ocasionalmente nas
descargas nasais e ur ina de animais
s intomát icos . A contaminação do solo ou fecal
resul ta em sua presença em plantas e na
si lagem. 
A maior ia das in fecções são adquir idas por
ingestão, mas l i s ter ia também pode se
espalhar por ina lação ou contato direto . A
transmissão venérea também pode ser
poss ível . 
20 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 6
Lister iose é pr incipalmente uma doença de
inverno -pr imavera de conf inamento ou
ruminantes alo jados . O pH menos ácido da
si lagem estragada aumenta a mult ip l icação de
L monocytogenes . 
Os surtos podem ocorrer cerca de 10 dias após
a al imentação de s i lagem de má qual idade. A
remoção ou mudança de s i lagem na ração
muitas vezes impede a propagação da
l is ter iose , enquanto al imentar a mesma
si lagem meses depois pode resul tar em novos
casos .
As diversas mani festações de l i s ter iose
ocorrem em todas as espécies suscet íve is e
estão associadas a s índromes cl ín icas
caracter ís t icas : encefa l i te ou
meningoencefa l i te em ruminantes adul tos ,
aborto e morta l idade per inata l em todas as
espécies e sept icemia em ruminantes
neonata is .
DIAGNÓSTICO: LISTERIOSE
21 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 6
VETCL IN I C | C A S O 7
Um veter inár io estava invest igando a causa do
aumento das mortes por doenças não
respi ratór ias em bovinos . O gado estava de
100 a 200 dias com ração e apresentava s inais
de compromet imento s is têmico antes da morte
aguda. Na necropsia , os animais apresentaram
autól ise avançada dos órgãos per i toneais ,
especia lmente o f ígado e r ins , e distensão da
bexiga. As bexigas cont inham sangue
coagulado e ur ina pigmentada.
Tecidos e ur ina foram submet idos ao
Laboratór io para cul tura e histopatologia . A
cul tura do f ígado e r im fo i negat iva para
organismos patológicos . A histopatologia
revelou hepat i te porta l com f ibrose crônica
leve a moderada, com presença de fasc ío la
hepát ica . A histopatologia hepát ica também
mostrou necrose hepát ica aguda centro lobular
à mediozonal com estase bi l iar . 
Os diagnóst icos moleculares na ur ina , r im e
f ígado deram negat ivo para Leptospi ra spp. 
 
22 DE 58
CASO 7 | TENTAT I VA E ERRO
Sistema afetado é o s is tema hepát ico ,
cer tamente . Os s inais cl ín icos envolvem morte
súbi ta e sabemos que a fasc ío la não causa
esse quadro, mas auxl i ia em danos
secundár ios por outros patógenos, como
clost r id ios que requerem danos no
parênquima para germinar seus esporos .
Bactér ias clost r id ia is requerem ambientes
desprovidos de oxigênio para crescer e
produzi r tox inas . Portanto , o ambiente ideal
para o crescimento clost r id ia l só está presente
em tec ido severamente dani f icado ou
necrosado. A causa básica mais comum de
dano hepát ico que permite a produção de
toxina clost r id ia l é a migração de la rvas
hepát icas . Bovinos in festados de paras i tas
hepát icos têm maior r isco de hemoglobinúr ia
baci lar , embora qualquer causa de t rauma
hepát ico teor icamente possa resul tar na
produção de tox inas clost r id ia is . Cito também
abscessos hepát icos por fusobacter ium
necrophorum.
23 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 7
A morte súbi ta é a apresentação cl ín ica mais
comum de hemoglobinur ia baci lar e pode
causar depressão, anorex ia e febre . Urina
vermelha escura é f requentemente vis ta pouco
antes da morte ou vazando do animal após a
morte . O gado afetado pode estar respi rando
com sangue ou espuma proveniente das
nar inas ou sangramento reta l / fezes
sangrentas . A decomposição dos tec idos após
a morte é muito rápida, por i sso a necropsia
oportuna para obter boas amostras
diagnóst icas é importante . 
A hemoglobinur ia baci lar é causada por
tox inas produzidas por Clostr id ium
hemolyt icum. É comumente encontrado no
solo e esporos são inger idos e passados das
fezes e ur ina de gado pastando em pastagens
contaminadas . Esporos podem ser dist r ibuídos
aos órgãos in ternos (especia lmente f ígado )
nestes bovinos cl in icamente normais . 
DIAGNÓSTICO: HEMOGLOBINÚRIA BACILAR
POR CLOSTRIDIUM HAEMOLYTICUM
24 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 7
VETCL IN I C | C A S O 8
Um produtor re latou uma perda de morte
súbi ta de seis cabeças de gado. Dois dos
animais foram submet idos ao Laboratór io para
necropsia para determinar a causa da morte
súbi ta . O propr ietár io indicou que havia
histór ico de pneumonia e alguns dos animais
haviam s ido submet idos ao t ratamento. Ele
também indicou que os animais estavam
pastando em pastagens i r r igadas há
aproximadamente um mês. 
Além disso, o produtor re latou que havia um
sistema para adic ionar fer t i l i zante na i r r igação
da pastagem, mas a pastagem não havia s ido
fer t i l i zada, embora t ivesse s ido i r r igada
recentemente .
Na necropsia , o sangue fo i notado como sendo
marrom escuro, em vez de vermelho, como é
normalmente apresentado em animais recém
mortos . Essa mudança é caracter ís t ica da
metahemoglobinemia . 
25 DE 58
CASO 8 | SANGUE AZUL ?
A presença de um sangue azul é bem
sugest ivo , associado a pastagens fer t i l i zadas .
Parece haver tota l re lação entre ambos.
Expl icamos tudo à seguir .
O f lu ido ocular e soro foram enviados ao
laboratór io tox icológico para testes . Ambos
foram for temente posi t ivos para o agente
causador . I sso al iado aos achados brutos da
necropsia forneceu um diagnóst ico rápido de
toxic idade por ni t rato . O gado fo i exposto a
al tos níveis de ni t ratos do fer t i l i zante .
Isso fo i al iado aohistór ico do gado de estar
em uma pastagem i r r igada com um s is tema de
fer t i l i zantes .
Além disso, a tox ic idade por ni t rato se
encaixar ia com a histór ia de uma perda de
morte súbi ta em vez de pneumonia , o que
provavelmente não causar ia uma perda de
morte súbi ta sem qualquer s inal cl ín ico prévio
em alguns dos animais .
26 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 8
As fontes de ni t rato inc luem numerosas
plantas conhecidas por concentrar ni t rato ,
for rações contaminadas , água contaminada e
exposição direta a fer t i l i zantes . O
envenenamento agudo por ni t rato é mais
provável que ocorra quando os ni t ratos
excedem 10.000 ppm ou quando a água
contém 1500 ppm ou mais . 
Os s inais cl ín icos inc luem i r r i tação
gastro intest inal , dispneia , atax ia , convulsões
terminais , morte de 6 a 24 horas após a
exposição e aborto . O diagnóst ico pode ser
fe i to com s inais cl ín icos e lesões adequadas ,
como sangue "marrom -chocolate " e tec ido
muscular . Testes do f lu ido ocular , soro e água
podem conf i rmar o diagnóst ico . 
DIAGNÓSTICO: INTOXICAÇÃO POR NITRATOS E
NITRITOS
27 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 8
VETCL IN I C | C A S O 9
Um touro de 12 meses de idade fo i submet ido
ao Laboratór io para necropsia . O histór ico
cl ín ico indicou que este animal teve
convulsões per iódicas e cr ises de atax ia por
dois dias . O animal parece estar normal entre
esses episódios neurológicos . O veter inár io
indicou que os s inais neurológicos poder iam
ser acionados fazendo o animal se mover . 
O animal morreu dois dias depois de
apresentar s inais neurológicos pela pr imeira
vez . As lesões pr imár ias observadas na
necropsia foram pulmões vermelhos escuros
que exalavam um f lu ido claro na superf íc ie
cortada e fa l ta de fezes no cólon dista l .
A lesão histo lógica mais importante fo i a col i te
moderada e em algumas áreas , a mucosa
luminal sofreu erosões .
28 DE 58
CASO 9 | TOURO LOUCO
Coccidiose nervosa geralmente é um problema
nos conf inamentos quando o tempo está f r io .
Em epidemias de coccidiose ,
aprox imadamente 20% do gado afetado pode
ter s inais nervosos . A taxa de le ta l idade dos
animais afetados com coccidiose nervosa é de
aproximadamente 50% . Os pr incipais agentes
coccidia is associados à coccidiose nervosa
são Eimer ia zuerni i e Eimer ia bovis . A causa
básica dos s inais nervosos associados à
coccidiose nervosa é inconclus iva . Alguns
estudos têm proposto uma neurotox ina
encontrada no sangue de animais afetados ,
enquanto outros estudos propõem um
desequi l íbr io elet ró l i to subjacente causado
por diarre ia associada à coccidiose . 
Independentemente disso, lesões histó lógicas
não são observadas no cérebro dos animais
afetados . O diagnóst ico de coccidiose nervosa
baseia -se nos s inais cl ín icos , grande número
de coccidios nas fezes e fa l ta de lesões
histo lógicas no cérebro.
DIAGNÓSTICO: COCCIDIOSE
29 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 9
VETCL IN I C | C A S O 1 0
Uma novi lha de 1 ano f icou f raca em meados
de abr i l . A novi lha fo i examinada pelo
veter inár io alguns dias depois e fo i descr i ta
como le tárgica , tendo cabeça caída, descarga
oculonasal , conjunt iv i te /escler i te , petéquias
nas mucosas e sangue na ur ina . A novi lha era
f raca e atax ica , caindo e se levantando com
frequência . 
A temperatura na apresentação fo i de 39,4
graus . Foi administ rado t ratamento com
flor fenicol e oxi tet rac ic l ina , vi tamina B -12,
dexametasona e f lu idos in t ravenosos . O
tratamento com f lu idos ora is e in t ravenosos fo i
repet ido um dia depois , ocasião em que foram
notados edema bi latera l de córnea e f ibr ina na
câmara anter ior . 
A novi lha cont inuou atáx ica e morreu dois dias
após o in íc io do t ratamento.
Uma var iedade de tec idos f rescos e f ixos foram
submet idos ao Laboratór io testes
diagnóst icos . 
30 DE 58
CASO 10 | MU I TOS REMÉD IOS
A histopatologia fo i aval iada in ic ia lmente .
Lesões foram notadas em vár ios órgãos ,
inclu indo cérebro, f ígado, r im, baço, in test inos
e bexiga ur inár ia . 
Houve acúmulos per ivasculares precoces de
células l in fo ides no cérebro. O f ígado e o r im
t inham in f i l t rações l in fo ides mult i focais e
vascul i te fo i ident i f icada no baço e no r im.
Houve erosões e ulcerações que afetaram
superf íc ies mucosas na e ulceração extensiva
da mucosa da bexiga.
31 DE 58
CASO 10 | MU I TOS REMÉD IOS
VETCL IN I C | C A S O 1 0
Caso bastante complexo pela expansão das
lesões , tendo o que parece ser uma in f luência
neurológica pela atax ia e também imune, com
inf l i t rações l in fo ides . Nota -se descargas
oculares suspei tas para ceratoconjunt iv i te e
DVB, também poss ível na IBR, mas descartada
pelos in f i l t rados .
Os s inais cl ín icos nesta novi lha são bastante
t íp icos para Febre Catarra l Mal igna, e a
doença é normalmente fa ta l em bovinos que
são um hospedei ro sem sa ída para os ví rus
associados às ovelhas . 
A Febre Catarra l Mal igna é causada por ví rus
do gênero Macaví rus que estão na famí l ia
Herpesvi r idae (subfamí l ia
Gammaherpesvi r inae ) . Dois grandes grupos de
ví rus FCM inc luem um que afeta
pr incipalmente ungulados exót icos e um em
ovelhas , cabras e veados. 
Os nódulos podem parecer l in foma pelo
inf i l t rado l in fo ide.
32 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 0
A doença é fac i lmente t ransmit ida
hor izonta lmente entre reservatór io e não -
reservatór io , hospedei ros suscet íve is , no
entanto , não há t ransmissão hor izonta l
aparente entre bovinos doentes e outros
bovinos saudáveis .
Não há vacinas disponíveis comercia lmente .
Os di ferencia is para FCM inc luem a Diarre ia
Vi ra l Bovina (BVD ) e a Ceratoconjunt iv i te
Infecciosa Bovina.
Na morte de bovinos de FCM, uma ampla
amostragem de tec idos que apresentam lesões
brutas para inc lu i r amostras f rescas e f ixas
proporc ionará as melhores oportunidades de
ident i f icação def in i t iva . I sso inc lu i r ia lesões
ulcerat ivas , l in fonodos aumentados e órgãos
como f ígado, r im, pulmão, coração, baço e
cérebro.
DIAGNÓSTICO: FEBRE CATARRAL MALIGNA
33 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 0
VETCL IN I C | C A S O 1 1
Aproximadamente 40 vacas Hereford estavam
pastando em 12 piquetes com at iv idade de
produção de petróleo presente . 
Em um piquete especí f ico , quatro a cinco
vacas foram encontradas mortas dentro de 12 -
24 horas . Outra vaca fo i observada pelo dono
tremendo e, poster iormente caiu e se levantou,
ca iu uma segunda vez e f icou em decúbi to
latera l . 
Este animal fo i eutanaziado, necropsiado e
amostras foram submet idas ao Laboratór io ,
junto da fonte de água para o piquete da ter ra
onde as vacas morreram, que t inha or igem de
dois poços di ferentes . 
O propr ietár io notou um mineral branco sol to
perto de um dos poços e indicou que a água
estava "salgada " .
34 DE 58
CASO 11 | SALGADO
A histopatologia fo i rea l izada em seções de
pulmão, f ígado, r im e cérebro. Não foram
observadaslesões microscópicas em nenhum
dos tec idos para expl icar a causa da morte no
animal . 
O f lu ido ocular fo i testado para ni t ratos
excess ivos , mas apresentou resul tados
negat ivos . O rumen fo i anal isado para aval iar a
presença de hidrocarbonetos de petróleo, mas
nenhum fo i detectado. 
Amostras de água de múlt ip las fontes foram
submet idas poster iormente para testes de
qual idade da água. Uma amostra de água do
poço mais próximo onde as mortes ocorreram
cont inha níveis de Sais Dissolv idos Tota is
(TDS ) , condut iv idade e sul fatos .
35 DE 58
CASO 11 | SALGADO
VETCL IN I C | C A S O 1 1
Bovinos com consumo agudo de sal podem
desenvolver gastroenter i te , f raqueza,
des idratação, t remores e atax ia . 
O sódio permite a t ransmissão de impulsos
nervosos ao redor do corpo. É um elet ró l i to
que regula as cargas elét r icas que se movem
dentro e fora das células do corpo. Uma
concentração rapidamente crescente de sódio
causa desmiel in ização osmót ica
O gado pode parecer cego e desenvolver
at iv idade semelhante a convulsões e pode
morrer dentro de 24 horas após o in íc io dos
s inais cl ín icos . 
A medição da água é determinada pela soma
de todos os íons medidos (cát ions e ânions ) .
Os níveis > 3.000 ppm devem ser evi tados por
animais lactantes , e níveis > 7.000 ppm podem
representar r iscos s igni f icat ivos para muitos
animais . 
DIAGNÓSTICO: INTOXICAÇÃO POR SAL
36 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 1
VETCL IN I C | C A S O 1 2
Uma vaca adul ta , fêmea, da raça Brangus em
má condição corporal fo i submet ida ao
Laboratór io para necropsia . 
O animal faz ia parte de um rebanho que
relatou múlt ip las perdas nas úl t imas semanas
e dias . Os s inais cl ín icos apresentados por
outros animais não foram in formados pelo
propr ietár io ou pelo veter inár io submet ido ; no
entanto , o animal submet ido apresentava
déf ic i ts neurológicos , inc lu indo agress iv idade.
Na necropsia , a carcaça apresentava
al terações autol í t icas avançadas e a pele
apresentava escor iações sobre os ombros . Os
músculos esquelét icos estavam atrof iados e o
subuctâneo t inha regiões mult i focais de
edema e hemorragia , além de ic ter íc ia . 
As cavidades torác icas e per i toneais
apresentaram quant idades moderadas de
f lu ido sorosanguinolento . 
37 DE 58
CASO 12 | UM CASO EXTENSO
O f ígado t inha uma superf íc ie capsular
i r regular e parecia l ige i ramente aumentado,
f i rme e manchado de marrom -escuro como
bronze. 
A superf íc ie epicárdica do coração cont inha
áreas de coal izão de hemorragia . O mesenter io
e a submucosa do abomaso estavam com
edema. 
O pr incipal achado microscópico fo i a f ibrose
do f ígado. As áreas de f ibrose no f ígado
cont inham ductos bi l iares hiperplást icos e
muitas vezes os cordões de hepatóci tos
estavam var iadamente degenerados.
Mult i focalmente , os hepatóci tos foram
ampl iados e cont inham núcleos aumentados
Neste animal , o teste para ra iva fo i negat ivo e
a anál ise microscópica do rumen não revelou
nenhuma planta tóx ica . 
38 DE 58
CASO 12 | UM CASO EXTENSO
VETCL IN I C | C A S O 1 2
Cl in icamente , o animal afetado poder ia ter
demonstrado incoordenação, press ionando a
cabeça, com agress iv idade ou outros s inais de
encefa lopat ia . 
Presume -se que, durante a fase aguda da
doença, o f ígado apresente uma aparência
aumentada (hepatomegal ia ) e ic ter íc ia com
hemorragia var iável . Em casos crônicos , como
esse, o f ígado mudará para uma aparência
mais pál ida devido à subst i tu ição do f ígado
funcional por tec ido conjunt ivo f ibroso. 
A f ibrose pode ser tão extensa a ponto de
causar hipertensão porta l resul tando em
doença veno -oclus iva , asci tes , edema
mesentér ico grave, diarre ia , ic ter íc ia e
fotosensib i l ização pelo acúmulo de pigmentos
como a f i loer i t r ina . A presença de hiperplas ia
do ducto bi l iar e megaloci tose são mudanças
que auxi l iam no diagnóst ico microscópico da
toxic idade por alcalo ides pir ro l iz id in icos . 
39 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 2
As al terações observadas no f ígado foram
crônicas e consis tentes com a ingestão prévia
de plantas alcalo ides pir ro l iz id inas . Os déf ic i ts
neurológicos observados cl in icamente neste
animal foram provavelmente secundár ios à
lesão observada no f ígado (encefa lopat ia
hepát ica ) . O edema observado em múlt ip los
órgãos fo i provavelmente devido à
hipoprote inemia produzida por uma
combinação de doença hepát ica e equi l íbr io
energét ico negat ivo .
Na visual ização do campo, observou -se a
presença de maria -mole. Uma das plantas que
contêm alcaló ides pir ro loz id ín icos . O motivo
de não ter encontrado a planta no rúmen, fo i
que a doença tem uma mani festação crônica . A
reserva funcional do f ígado é de 75% .
DIAGNÓSTICO: INTOXICAÇÃO POR SENECIO
SPP (MARIA -MOLE )
40 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 2
VETCL IN I C | C A S O 1 3
Um bezerro angus de sete dias com histór ico
de diarre ia fo i necropsiado pelo veter inár io
submet ido. O in test ino delgado, f ígado, r im e o
l infonodo foram submet idos como tec idos
f rescos ao Laboratór io .
Os testes sol ic i tados pelo veter inár io
submet ido inc lu í ram aval iação microscópica
(histopatologia ) , cul tura bacter iana e
sensib i l idade, e teste de reação em cadeia de
pol imerase (PCR ) para ví rus .
Não foram re latados achados brutos no
formulár io de submissão pelo veter inár io . No
exame microscópico, o pr incipal achado fo i a
lesão no in test ino delgado. Esta lesão
consis t ia de in f lamação que era composta por
uma população de células mistas -
in f lamatór ias , inc lu indo macrófagos , l in fóci tos ,
célu las plasmát icas e neutróf i los que estavam
pr incipalmente dentro da lâmina própr ia , mas
também se estenderam à submucosa. 
41 DE 58
CASO 13 | UM JOVEM
PROBLEMÁT ICO
As glândulas in test ina is cont inham detr i tos
necrosados e os vi los in test ina is foram
moderadamente fus ionados entre s i .
Outros achados s igni f icat ivos inc lu í ram
abomasi te neutróf í l ica , nefr i te
tubulointerst ic ia l , pneumonia in terst ic ic ia l , e
neutróf i l ia dist r ibuída aleator iamente e
drenagem de neutróf i los nos l in fonodos
mesentér icos .
42 DE 58
CASO 13 | UM JOVEM
PROBLEMÁT ICO
VETCL IN I C | C A S O 1 3
A presença de um grande número de
neutróf i los no in test ino delgado e abomaso
pode ser al tamente sugest ivo de uma in fecção
bacter iana. A dist r ibuição e composição da
inf lamação observada pode ser consis tentes
com uma in fecção bacter iana disseminada
(bacteremia ) secundár ia às lesões
inf lamatór ias no in test ino delgado e /ou
abomaso. 
A cul tura bacter iana do in test ino delgado
consis t ia pr incipalmente de E col i . Além disso,
a ausência de Coronavi rus e Rotaví rus foram
conf i rmadas com PCR do in test ino delgado.
Na superf íc ie dos vi los in test ina is havia
numerosos organismos protozoár ios que eram
morfologicamente consis tentes com
Cryptospor id ium sp. Os paras i tas no in test ino
delgado foram um achado consis tente com odiagnóst ico de cr iptospor id iose .
43 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 3
A t ransmissão é pr incipalmente fecal -oral , mas
a contaminação ambienta l pode espalhar o
organismo. O t ratamento, quando necessár io ,
é pr incipalmente s intomát ico com ant ib iót icos
indicados no caso de uma in fecção bacter iana
secundár ia . 
As cr iptospor id ioses são muito res is tentes à
temperatura e desinfecção química , portanto ,
o alo jamento indiv idual de bezerros e o
saneamento r igoroso são necessár ios para
reduzi r o nível de contaminação no meio
ambiente . A cr iptospor id iose é um patógeno
zoonót ico , e precauções de higiene
apropr iadas devem ser exerc idas ao cuidar de
indiv íduos in fectados .
Cryptospor id ium sp. é um patógeno
protozoár io onipresente . Embora muitas vezes
cause uma in fecção auto - l imi tante em animais
imunocompetentes , os hospedei ros muito
jovens ou imunocompromet idos sofrem de
diar re ia in t ratável . 
DIAGNÓSTICO: CRIPTOSPORIDIOSE
44 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 3
VETCL IN I C | C A S O 1 4
No in íc io de fevere i ro , um rebanho de 20 vacas
de carne bovina com bezerros ao pé fo i
movida para uma área de extensa pastagem de
conservação onde acredi ta -se ter encontrado
carrapatos pela pr imeira vez . 
No f ina l do mês, seis vacas desenvolveram
sinais cl ín icos , inc lu indo depressão, f raqueza,
anemia , febre al ta e ic ter íc ia . Um grande
número de carrapatos foram re latados sobre os
animais afetados . Um animal , que também
apresentava ur ina vermelha, cor sangue. Um
dos animais fo i morto por motivos de bem -
estar e a carcaça submet ida à necropsia . 
Amostras de sangue, tec ido de órgãos e
carrapatos foram removidas e submet idas ao
diagnóst ico . Também foram apresentadas
amostras de sangue de outros t rês bovinos
s intomát icos . Esses animais morreram mais
tarde. 
45 DE 58
CASO 14 | NA ROTA DA FEBRE
Em casos ass im, o pr imeiro ponto a explorar é
o fa to de haver paras i tas no animal . Relatou -se
que carrapatos estavam presentes . O cl ín ico
precisa da t r íade da patologia : s intomas, órgão
ou s is tema afetado e a et io logia . 
Sabemos que os animais t inham febre ,
proveniente de uma resposta imunológica
(Citocinas , etc ) e um quadro anêmico,
associado com ic ter íc ia . Anemia e Ic ter íc ia nos
dizem que algo no s is tema ci rculatór io não
está bem, então o s is tema afetado já fo i
encontrado. Nesse caso, provavelmente
ocorreu uma hemól ise in t ravascular (pela ur ina
ser vermelha ) , caracter ís t ico da ic ter íc ia pré
hepát ica . Sabemos que a Babesia , vinda do
carrapato gera hemoglobinúr ia e a
anaplasmose não gera hemoglobinúr ia .
A vi ru lência dos paras i tas babesia é
caracter izada tanto pela exploração mediada
por paras i tas do hospedei ro quanto pela
imunopatologia mediada por in fecções . 
46 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 4
https://www.sciencedirect.com/topics/immunology-and-microbiology/immunopathology
Durante uma in fecção aguda, especia lmente
em animais adul tos imunologicamente f racos ,
os paras i tas babesia exploram o hospedei ro e
reproduzem pr incipalmente sem controle ,
resul tando em importante destru ição de
er i t róc i tos do hospedei ros e uma queda
dramát ica no hematócr i to (Brown e Palmer ,
1999 ) . Como resul tado, o hospedei ro in fectado
exper imenta diminuição dos níveis de oxigênio
em tec idos e órgãos vi ta is , causando apneia e
problemas respi ratór ios , e responde à in fecção
com um aumento na temperatura corporal ,
com febre reta l que pode passar dos 39 °C por
vár ios dias . A hemol ise parece ser mais
dramát ica em in fecções causadas por B.
bigemina, e a doença hemol í t ica resul tante
pode ser detectada pela cor vermelha da ur ina
resul tante da secreção de moléculas der ivadas
dos mecanismos de degradação da
hemoglobina no f ígado. O al to nível de
destru ição er i t roc i tár ia também causa ic ter íc ia
e danos nos r ins , e a sobre -at iv idade do baço
resul tando em parte da captura dos er i t róc i tos
resul ta em esplenomegal ia marcada.
47 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 4
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0020751918303047?via%3Dihub#b0110
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/hemolysis
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/hemolytic-anemia
https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/splenomegaly
DIAGNÓSTICO: TRISTEZA PARASITÁRIA
BOVINA POR BABESIA
48 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 4
VETCL IN I C | C A S O 1 5
Vár ios problemas de saúde foram detectados
em um grupo de 320 ovelhas e durante o f ina l
da gestação. Algumas ovelhas estavam sendo
tratadas com ração. A propr iedade re latou que
houveram problemas de saúde esporádicos ,
com o rebanho mantendo uma saf ra de mais de
200% de cordei ros ano após ano. 
Uma preocupação com esse rebanho era o
estado corporal das ovelhas . A s i tuação em
uma época do ano fo i um tanto alarmante , já
que elas haviam acabado de par i r e ocorreu a
perda de 8 cordei ros .
O rebanho pastava em um campo f raco e
permaneceu à pasto até quatro a seis semanas
antes do parto . 
Perto do parto , o propr ietár io disponibi l izou
feno de capim que estava disponível para as
ovelhas .
49 DE 58
CASO 15 | UM BOM PASTOR?
Duas ovelhas em f ina l de gestação foram
aval iadas , pois uma estava le tárgica ,
anoréx ica e com cetonúr ia moderada. A outra
ovelha estava depr imida, dei tada, desidratou
aproximadamente 5% e apresentou cetonur ia
grave. 
Ambas as ovelhas apresentaram preocupantes
(ica pode tornar -se
excess ivos durante estados de balanço
energét ico negat ivo , que podem sobrecarregar 
51 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 5
a capacidade do f ígado de processar o in f luxo
l ip íd ico. 
A gluconeongênese a part i r de precursores
dietét icos , pr incipalmente propionato e
lactato , é responsável pela maior parte da
produção de gl icose em ovelhas . 
Embora o aumento da f ibra fermentável na
dieta de um ruminante possa ter efe i tos
posi t ivos no desempenho animal através da
minimização dos efe i tos da acidose ruminal
pelo excesso de fermentação do amido,
a lguma fermentação de amido ruminal é
necessár ia para fornecer propionato . 
A doença neste parecia resul tar de efe i tos de
ingestão excess iva de f ibra dietét ica l imi tando
a disponibi l idade de energia dietét ica .
DIAGNÓSTICO: TOXEMIA DA GESTAÇÃO
52 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 5
VETCL IN I C | C A S O 1 6
Uma ovelha fo i atendida com s intomas cl ín icos
que envolv iam f raqueza e le targia . O
Veter inár io observa o animal e ident i f ica
mucosas pál idas e edema submandibular . O
animal recebeu t ratamento, mas morreu na
noi te seguinte .
A necrópsia na fazenda detectou e conf i rmou a
anemia marcada e um grande número de
paras i tas redondos no abomaso, além de
petéquias na mucosa gástr ica do órgão.
53 DE 58
CASO 16 | PAL IDEZ
Os achados post -mortem não são indicat ivos
para uma et io logia . Em ta is casos , para o
diagnóst ico , é necessár ia a recuperação de um
pequeno número de paras i tas em um abomaso 
do animal morto e deve estar associado a um
histór ico de produt iv idade reduzida e s inais
c l ín icos ao nível da população. 
No entanto , mesmo nesses casos , as suspei tas
cl ín icas nem sempre podem ser conf i rmadas
pelo exame post -mortem. 
Para o sucesso do diagnóst ico em achados
post -mortem, o conhecimento da aparência
dos paras i tas adul tos é út i l . São helmintos
observados na mucosa do abomaso, que
muitas vezes apresenta numerosas petéquias . 
Haemonchus são paras i tas que têm uma curva
caracter ís t ica de seu útero branco em torno de
seu in test ino vermelho, que pode ser vis to
cheio de sangue, cr iando uma imagem
caracter ís t ica .
54 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 6
Dentro todos os indiv íduos , há papi las
cerv ica is na cabeça e uma pequena lanceta
dentro da boca, por meio da qual podem lesar
a mucosa do abomaso.
A perda de sangue gera os edemas pelas
perdas de prote ínas plasmát icas , al terando a
pressão oncót ica dos vasos , extravasando
l íquidos para o in terst íc io , causando o edema
submandibular caracter ís t ico .
DIAGNÓSTICO: HEMONCOSE
55 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 6
Paciente bovina , fêmea holandesa de 11 anos, ,
per tence ao lo te de baixa produção (aprox . 20
l i t ros /dia ) , peso de 650 kg, com um re latór io
de gestação de t rês meses .
Relata -se que o gado teve decadência ,
ausência de consumo al imentar , além disso, é
mencionado que diminuiu sua produção de
le i te em 6 l i t ros na ordenha matinal e 4 l i t ros
na ordenha da tarde (s inais que demonstrou
por 3 dias ) . A paciente tem um serv iço de
inseminação art i f ic ia l rea l izado em 5 de
janei ro de 2022 e desenvolveu mast i te . Os
trabalhadores dizem que o animal leva muito
tempo para chegar à sala de ordenha, eles
mostram que perdeu peso e que teve uma
diminuição na produção de le i te .
O membro poster ior esquerdo é observado na
porção crania l do músculo bíceps femoral ,
uma poss ível massa tumoral subcutânea não
supurat iva , que à palpação tem as seguintes
caracter ís t icas :
56 DE 58
CASO 17 | PERDENDO FORÇA
VETCL IN I C | C A S O 1 7
- Consistência dura no centro e ao redor nota -
se suavidade.
- Ader ido ao músculo .
- Sinal de calor (quente ) .
- Desconfor to à palpação, poss ivelmente dor
- Dimensões 16 cm de al tura x 25 cm de
largura
Na quarto anter ior dire i to da glândula
mamár ia , ocorre in f lamação pers is tente de
consis tência dura , a l in fadeni te bi latera l é
evidente nos l in fonodos pré -crura is . A
l infadeni te também está concentrada no
l infonodo ret romamár io do lado dire i to . O
animal apresentou exofta lmia .
57 DE 58
CASO 17 | PERDENDO FORÇA
VETCL IN I C | C A S O 1 7
O diagnóst ico é, claramente direcionado às
afecções aos l in fonodos, como uma
l infadenopat ia . O aumento de tamanho causou
os s intomas.
O paciente do caso cl ín ico apresentou um
aumento bi latera l dos l in fonodos pré -crura is ,
especia lmente mais o dire i to do que o
esquerdo, o que não aconteceu em re lação aos
ret romamár ios , que o reat ivo era o dire i to ,
levando em conta que os outros l in fonodos
palpáveis não eram reat ivos . Além disso
acrescenta -se exofta lmia .
O aumento dos l in fonodos tem re lação com
duas et io logias . Mycobacter ium tuberculos is
da tuberculose bovina e o ví rus da Leucose
Bovina . Nesse caso, pelo aparecimento em
l infonodos superf ic ia is bi latera lmente , o
diagnóst ico f ica fac i l i tado. A tuberculose afeta
em grande parte l in fonodos medíast ín icos com
afecção respi ratór ia também
DIAGNÓSTICO: LEUCOSA BOVINA
58 DE 58
RESOLUÇÃO
VETCL IN I C | C A S O 1 7