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@ A V E T C L I N I C C A D E R N O D E R u m i n a n t e s CASOS CLÍNICOS EDIÇÃO 1 VETCL IN I C | I N T R O D U Ç Ã O Esse e -book fo i fe i to pensando no seu desenvolv imento dentro da cl ín ica de ruminantes . A VetCl in ic nasceu desse propósi to . Nós encurtamos seu caminho no entendimento das doenças que mais acometem os ruminantes dentro da rot ina cl ín ica veter inár ia . Já montamos diversos mater ia is e vendemos centenas de conteúdos para estudantes e prof iss ionais . Comecamos no Instagram e não queremos parar . Nesse mater ia l você vai ter acesso à dezenas de casos cl ín icos rea is da Medic ina de Ruminantes . Pr imeiro , l i s tamos o caso com todos os dados para a in terpretação e na seuquência temos a resolução completa com informação da et io logia e a patologia envolv ida . É um t re inamento ef ic iente para você alavancar seu rac iocín io cl ín ico . Te lembramos que, no nosso Instagram temos os mater ia is que serv i rão de complemento para entender melhor cada parte desse e - book. Boa sorte e uma ót ima le i tura . Conte com a gente! 02 DE 58 VETCL IN I C | C A S O 1 Um grupo de 400 bezerros recebeu uma injeção parentera l de uma preparação mineral . Quatro bezerros foram inesperadamente encontrados mortos dentro de 24 horas após o tratamento. Devido ao edema pulmonar marcado, havia suspei ta de pneumonia aguda. Tecidos f rescos e f ixos (baço de f ígado, pulmão e r im ) foram submet idos ao laboratór io para cul tura bacter iana, PCR para ví rus respi ratór ios e anál ise mineral no f ígado. Culturas e testes de PCR para patógenos respi ratór ios foram negat ivos . Não havia evidência de pneumonia histo logicamente , mas o f ígado t inha necrose marcada e hemorragia . 03 DE 58 CASO 1 | UMA I N J EÇÃO BOA? VETCL IN I C | C A S O 1 Foram 4 animais afetados , ou seja , é importante descartar causas indiv iduais . Houve a administ ração de uma preparação minera l . Um dos órgãos afetados fo i o pulmão e você descarta agentes in fecciosos por conta do exame negat ivo para patógenos pulmonares . Há edema. Edema é uma mani festação do aumento excess ivo das pressões nos vasos , neste caso do pulmão. I sso levanta uma suspei ta de que possa ocorrer algum dano a nível cardíaco. O fígado apresentava sangramentos ao corte , e hepatomegal ia , com necrose, que pode ocorrer por conta de uma congestão, gerando um f ígado de noz -moscada, onde há pouca ofer ta de oxigênio , gerando hipóxia centro lobular . A anál ise mineral no f ígado revelou níveis de selênio de 19,19 μg /g. Este nível é al to (a fa ixa normal é de 0,60 -3,30 μg /g ) , e em combinação com as lesões hepát icas , é diagnóst ico para tox icose de selênio . 04 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 Segundo Radost i ts et al . , (1994 ) , o Selênio (Se ) em excesso possui r ia um efe i to dist róf ico na musculatura esquelét ica e, provavelmente , as gastrenter i tes agudas ou subagudas observadas ocorrer iam por ação i r r i ta t iva di reta (Hatch 1992 ) . Na doença exper imental em ovinos , há um acúmulo gradual de Se nos tec idos , seguido por dispnéia e edema pulmonar secundár ios à insuf ic iência cardíaca aguda (Glenn et al . 1964 ) . Glenn et al . (1964 ) af i rmam que o miocárdio é o pr imeiro tec ido a ser afetado em animais intox icados com grandes quant idades do elemento. DIAGNÓSTICO: INTOXICAÇÃO POR SELÊNIO. 05 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 2 Animais jovens sem vacinação prévia t iveram morte súbi ta , sem apar ição de s inais cl ín icos evidentes . O Veter inár io fo i chamado. Os animais encaminhados para necropsia var iaram entre 4 meses e até 1 ano de idade e estavam com bom escore corporal . As lesões brutas inc lu íam áreas var iadas de músculo esquelét ico que era vermelho escuro e cont inha bolhas de gás (miosi te necrosante ) . Devido às bolhas de gás in t ramuscular , seções afetadas do músculo esquelét ico muitas vezes f lutuavam em formal ina . A maior ia dos animais afetados t inha per icardi te f ibr inosa s imultânea e miocardi te necrosante . O músculo esquelét ico e as lesões do miocárdio t ip icamente t inham odor muito for te . O diagnóst ico fo i baseado nas lesões brutas caracter ís t icas e nos resul tados posi t ivos de testes de ant icorpos f luorescentes nos tec idos afetados . 06 DE 58 CASO 2 | MORTE ÓBV I A VETCL IN I C | C A S O 2 Pela descr ição, sabemos que há mais de um animal afetado. Não há s inais de curso cl ín ico , tendo que aval iar bem a necropsia . Você nota que há crepi tação muscular e áreas vermelho - escuro no músculo . O fa to de serem animais com bom escore corporal te faz pensar num curso agudo, muito rápido. É poss ível que o animal tenha inger ido um patógeno junto do solo . Como são áreas especí f icas de lesões e crepi tação em grandes massas musculares (coração também se enquadra ) , você desconf ia de algum patógeno envolv ido na produção de gás e que germine em ambientes anaeróbicos . A in f lamação gera um ambiente propíc io de anaerobiose para esporos de algumas bactér ias germinarem e mult ip l icarem os patógenos. O diagnóst ico é compat ível com carbúnculo s intomát ico ou blackleg. 07 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 2 CS é uma doença in fecciosa e não contagiosa causada por Clostr id ium chauvoei . A in fecção ocorre quando os animais ingerem esporos bacter ianos durante o pastore io . Os esporos bacter ianos penetram no in test ino e são disseminados através da corrente sanguínea para o músculo esquelét ico , onde os esporos permanecem dormentes . Após um evento que causa baixas condições de oxigênio (ou seja , contusões ou danos ao músculo ) no tec ido infectado, os esporos germinam, mult ip l icam e produzem tox ina que resul ta em necrose muscular e hemorragia . Os animais afetados geralmente são animais bem al imentados entre 6 meses e 2 anos de idade. A causa da morte no gado afetado é uma toxemia aguda. Os s inais cl ín icos são muitas vezes ausentes , no entanto , os animais podem apresentar s inais de claudicação, taquicardia , febre , anorex ia , atonia ruminal e letargia . DIAGNÓSTICO: CARBÚNCULO SINTOMÁTICO POR CLOSTRIDIUM CHAUVOEI 08 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 3 Um touro angus adul to fo i apresentado a um veter inár io por le targia e f raqueza. O touro morreu logo após a coleta de sangue. Amostras de sangue e tec ido foram submet idas ao Laboratór io . O animal apresentava anemia e icter íc ia , e o sangue se mostrava “ f ino” , com pouca viscos idade. O propr ietár io alegou que a ur ina t inha coloração normal . A zona era de carrapato e o propr ietár io indicou que o controle estava sendo di f íc i l . O hemograma completo revelou uma leucoci tose marcada caracter izada por uma l infóci tose em 43.000 l in fóci tos /μL ( in tervalo de re ferência 1.800 – 9.000 l in fóci tos /μL ) e uma anemia marcada com Htc de 10 % ( in tervalo de re ferência 24 -46% ) . 09 DE 58 CASO 3 | UM SANGUE F INO O s is tema afetado parece ser o ci rculatór io , com diminuiçãodas hemácias ci rculantes , o que expl ica o sangue f ino e o hematócr i to baixo . I sso gerou um estado de baix íss imo oxigênio que acarretou em parada cardiovascular e morte . Você sabe que a ic ter íc ia ocorre por conta de um aumento da bi l i r rubina , podendo ser pré , hepát ica ou pós -hepát ica . Ainda, a or igem da bi l i r rubina é a destru ição das células sanguíneas , que em um animal saudável ocorre controladamente . Se o sangue tem poucos er i t róc i tos , você desconf ia de hemól ise , ou ic ter íc ia pré -hepát ica . Você associa com a presença de carrapatos e a ur ina normal . O exame de manchas de sangue conf i rmou a l infoci tose marcada e revelou inúmeros organismos consis tentes com o Anaplasma Marginale . 10 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 3 O diagnóst ico é TPB por Anaplasma e não Babesia , que gera os mesmos s intomas, porém com febre mais al ta e hemoglobinúr ia pela hemól ise ser in t ravascular e não extravascular como a anaplasmose. (Está expl icado no nosso mater ia l de doenças de ruminantes ) A anaplasmose é mais comumente causada por anaplasma marginale , bactér ias int raer i t roc i tár ias espalhadas pr incipalmente por carrapatos . Embora estados portadores também sejam vis tos com in fecções de Anaplasma sp. A aval iação de uma mancha de sangue pode ser al tamente especí f ica para essas in fecções ; no entanto , uma mancha de sangue negat iva não exclu i in fecções por Anaplasmose DIAGNÓSTICO: TRISTEZA PARASITÁRIA BOVINA POR ANAPLASMA MARGINALE 11 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 3 VETCL IN I C | C A S O 4 Um rebanho de ternei ros , pesando aproximadamente 350 kg e cerca de 8 meses de idade, fo i movido para um pasto de grama de cente io /pasto nat ivo . Após cerca de um mês, quatro animais foram encontrados mortos , enquanto 17 animais exib i ram nar izes descascados e crostas com espessamento de margens de ouvido e olhos . Os animais não apresentavam s inais cl ín icos de doença e estavam aler tas , mas buscavam sombra . O propr ietár io re latou ter um morto por dia . Um painel de bioquímica cl ín ica sér ica indicou colestase s igni f icat iva : bi l i r rubina tota l , 5,8 mg /dL e GGT, 719 U /L. Na necropsia , as nar inas estavam com lesões e cicatr izadas e houve algum espessamento das orelhas e pele sobre os f lancos . 12 DE 58 CASO 4 | QUE IMANDO O coração t inha edema amarelo -escuro em sua base e manchas brancas em todo o endocárdio e havia f lu ido amarelo escuro no saco per icárdico. Além disso, a ur ina fo i notada como sendo escura . Houve edema renal , bem como edema em toda a musculatura e cavidades corpora is . Microscopicamente , houve necrose de hepatóci tos indiv iduais . Canal ículos bi l iares foram marcadamente distendidos com bi le acumulada e havia muitas células Kupffer com pigmento bi l iar . A pele apresentou necrose de espessura tota l com exsudação f ibr inopurulenta , colonização bacter iana e edema. 13 DE 58 CASO 4 | QUE IMANDO VETCL IN I C | C A S O 4 É um caso bastante direto e especí f ico , pois a pele e regiões do foc inho foram afetadas , como uma fotosenss ib i l idade, restando saber se de or igem pr imár ia ou secundár ia . Os órgãos afetados foram a pele e, aparentemente o f ígado. Tudo i sso apontava para uma fotossensib i l ização de t ipo 2, onde o f ígado é diretamente afetado, acumulando substâncias que levam a hipersessenibi l idade na pele . Para conf i rmar , você deve procurar f ragmentos de plantas hepatotóx icas nos arredores ou no animal Fragmentos de Lantana camara foram encontrados no rúmen, e a planta fo i encontrada mais tarde no pasto . DiAGNÓSTICO: FOTOSSENSIBILIZAÇÃO SECUNDÁRIA OU HEPÁTICA POR CONSUMO DE LANTANA CAMARA 14 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 4 VETCL IN I C | C A S O 5 Um veter inár io fo i chamado para invest igar a causa do aborto em um grupo de 60 novi lhas brangus bem cuidadas de 2 anos. Quatro novi lhas t inham abortado antes da invest igação ser in ic iada. O rebanho está fechado com um programa de biossegurança supostamente bom e boa nutr ição. Todos os animais são bem vacinados. Um fe to fêmea de e seus tec idos fe ta is do quinto aborto foram submet idos ao Laboratór io juntamente com sangue e soro da novi lha que abortou. Não foram encontradas lesões diagnóst icas especí f icas na necropsia ou histopatologia . Nenhuma bactér ia patogênica fo i i so lada na cul tura . Os testes de vi tamina A mostraram níveis acei táveis de vi tamina A no f ígado fe ta l . Neospora caninnum, herpesví rus bovino t ipo 1 (BHV -1 ) e Leptospi ra spp. não foram detectados via PCR. O teste de ant icorpos deu negat ivo para Brucel la abortus . A fazenda t inha histór ico de problemas respi ratór ios anter iormente . 15 DE 58 CASO 5 | M IL E UMA POSS I B I L I DADES Nesse caso, o diagnóst ico é laborator ia l , que foi conf i rmado poster iormente . Porém, o exerc íc io é alcançar um diagnóst ico presunt ivo que seja adequado. Nesse caso temos abortos , exclu indo leptospi rose , brucelose , neosporose. Cita -se problemas respi ratór ios anter iormente . Não houve bactér ia patogênica . A inc idência rea l de abortos em vacas devido a fatores genét icos é desconhecida. Alguns abortos genet icamente causados podem não ter lesões fenot ip icamente reconhecíveis . A maior ia dos genes le ta is causam aborto precoce ou morte embr ionár ia precoce. Vi taminas A e E, selênio e fer ro foram impl icados em abortos bovinos , mas a documentação baseada em exper imentos está disponível apenas para vi tamina A. O estresse térmico causa hipotensão fe ta l , h ipóxia e acidose. 16 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 5 A al ta temperatura materna devido à febre pode ser mais importante do que o estresse térmico induzido pelo meio ambiente . Foram 4 animais afetados , provavelmente de pr imeira cr ia . No laboratór io diagnost icou -se os abortos pelo Vírus da Diarre ia Vira l Bovina. As consequências cl ín icas da in fecção pelo ví rus DVB são tão diversas quanto as propr iedades genét icas e ant igênicas desses ví rus . A doença pode resul tar de di ferentes mecanismos patogenét icos , dependendo dos di ferentes t ipos de in fecção. A maior ia das infecções t rans i tór ias pode ter um curso leve , associado à febre baixa , diarre ia e tosse . Raramente , no entanto , animais in fectados agudamente podem sofrer de febre de al to grau e sangramento em órgãos in ternos . Por isso a complex idade do caso. Leia sobre DVB no mater ia l "66 Doenças de Ruminantes " fe i to pela VetCl in ic . DIAGNÓSTICO: DIARREIA VIRAL BOVINA. 17 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 5 VETCL IN I C | C A S O 6 Um bovino de 500 kg de um conf inamento de 30.000 cabeças fo i reconhecido como doente e ret i rado do seu lo te . O boi era de um lo te de 45 cabeças que estavam se al imentando há aproximadamente 45 dias e pareciam normais até recentemente . O boi fo i vis to como letárgico e re lutante em se mover . Vinte e quatro horas depois ele se tornou atáx ico, parecia ser cego,s intomas atr ibuídos a um distúrbio do s is tema nervoso centra l . O boi fo i t ratado, por protocolo , com t iamina, cort icostero ides e ant ib iót icos . Ele fo i encontrado morto na manhã seguinte . O veter inár io rea l izou uma necropsia superf ic ia l e submeteu amostras ao Laboratór io . O cérebro fo i removido na necropsia e lesões brutas não foram observadas naquele momento. Coração, pulmão, t raqueia , f ígado, r im, baço e cérebro foram submet idos ao exame histo lógico. 18 DE 58 CASO 6 | SOL I TÁR IO As amostras cerebra is foram selecionadas de forma não convencional , mas inc lu í ram córtex cerebra l , t ronco cerebra l e cerebelo . Na região subjacente ao cerebelo havia um grande foco de in f i l t ração leucoci tár ia e in f i l t rações per ivasculares com necrose. Outros tec idos não eram notáveis . O diagnóst ico histo lógico foi a romboencefa l i te piogranulomatosa , ou seja , in f lamação do t ronco cerebra l . 19 DE 58 CASO 6 | SOL I TÁR IO VETCL IN I C | C A S O 6 A romboencefa l i te em ruminantes adul tos é o di ferencia l para el iminar a probabi l idade de pol ioencefa lomalacia , que tem s intomas parecidos ,mas se direciona para danos no córtex cerebra l . A romboencefa l i te é cláss ica de l i s ter iose . Os reservatór ios de in fecção parecem ser o solo e os t ratos in test ina is de animais ass intomát icos . Animais in fectados podem excretar L. monocytogenes em fezes , le i te e descargas uter inas . Também é encontrado em fetos abortados e ocasionalmente nas descargas nasais e ur ina de animais s intomát icos . A contaminação do solo ou fecal resul ta em sua presença em plantas e na si lagem. A maior ia das in fecções são adquir idas por ingestão, mas l i s ter ia também pode se espalhar por ina lação ou contato direto . A transmissão venérea também pode ser poss ível . 20 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 6 Lister iose é pr incipalmente uma doença de inverno -pr imavera de conf inamento ou ruminantes alo jados . O pH menos ácido da si lagem estragada aumenta a mult ip l icação de L monocytogenes . Os surtos podem ocorrer cerca de 10 dias após a al imentação de s i lagem de má qual idade. A remoção ou mudança de s i lagem na ração muitas vezes impede a propagação da l is ter iose , enquanto al imentar a mesma si lagem meses depois pode resul tar em novos casos . As diversas mani festações de l i s ter iose ocorrem em todas as espécies suscet íve is e estão associadas a s índromes cl ín icas caracter ís t icas : encefa l i te ou meningoencefa l i te em ruminantes adul tos , aborto e morta l idade per inata l em todas as espécies e sept icemia em ruminantes neonata is . DIAGNÓSTICO: LISTERIOSE 21 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 6 VETCL IN I C | C A S O 7 Um veter inár io estava invest igando a causa do aumento das mortes por doenças não respi ratór ias em bovinos . O gado estava de 100 a 200 dias com ração e apresentava s inais de compromet imento s is têmico antes da morte aguda. Na necropsia , os animais apresentaram autól ise avançada dos órgãos per i toneais , especia lmente o f ígado e r ins , e distensão da bexiga. As bexigas cont inham sangue coagulado e ur ina pigmentada. Tecidos e ur ina foram submet idos ao Laboratór io para cul tura e histopatologia . A cul tura do f ígado e r im fo i negat iva para organismos patológicos . A histopatologia revelou hepat i te porta l com f ibrose crônica leve a moderada, com presença de fasc ío la hepát ica . A histopatologia hepát ica também mostrou necrose hepát ica aguda centro lobular à mediozonal com estase bi l iar . Os diagnóst icos moleculares na ur ina , r im e f ígado deram negat ivo para Leptospi ra spp. 22 DE 58 CASO 7 | TENTAT I VA E ERRO Sistema afetado é o s is tema hepát ico , cer tamente . Os s inais cl ín icos envolvem morte súbi ta e sabemos que a fasc ío la não causa esse quadro, mas auxl i ia em danos secundár ios por outros patógenos, como clost r id ios que requerem danos no parênquima para germinar seus esporos . Bactér ias clost r id ia is requerem ambientes desprovidos de oxigênio para crescer e produzi r tox inas . Portanto , o ambiente ideal para o crescimento clost r id ia l só está presente em tec ido severamente dani f icado ou necrosado. A causa básica mais comum de dano hepát ico que permite a produção de toxina clost r id ia l é a migração de la rvas hepát icas . Bovinos in festados de paras i tas hepát icos têm maior r isco de hemoglobinúr ia baci lar , embora qualquer causa de t rauma hepát ico teor icamente possa resul tar na produção de tox inas clost r id ia is . Cito também abscessos hepát icos por fusobacter ium necrophorum. 23 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 7 A morte súbi ta é a apresentação cl ín ica mais comum de hemoglobinur ia baci lar e pode causar depressão, anorex ia e febre . Urina vermelha escura é f requentemente vis ta pouco antes da morte ou vazando do animal após a morte . O gado afetado pode estar respi rando com sangue ou espuma proveniente das nar inas ou sangramento reta l / fezes sangrentas . A decomposição dos tec idos após a morte é muito rápida, por i sso a necropsia oportuna para obter boas amostras diagnóst icas é importante . A hemoglobinur ia baci lar é causada por tox inas produzidas por Clostr id ium hemolyt icum. É comumente encontrado no solo e esporos são inger idos e passados das fezes e ur ina de gado pastando em pastagens contaminadas . Esporos podem ser dist r ibuídos aos órgãos in ternos (especia lmente f ígado ) nestes bovinos cl in icamente normais . DIAGNÓSTICO: HEMOGLOBINÚRIA BACILAR POR CLOSTRIDIUM HAEMOLYTICUM 24 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 7 VETCL IN I C | C A S O 8 Um produtor re latou uma perda de morte súbi ta de seis cabeças de gado. Dois dos animais foram submet idos ao Laboratór io para necropsia para determinar a causa da morte súbi ta . O propr ietár io indicou que havia histór ico de pneumonia e alguns dos animais haviam s ido submet idos ao t ratamento. Ele também indicou que os animais estavam pastando em pastagens i r r igadas há aproximadamente um mês. Além disso, o produtor re latou que havia um sistema para adic ionar fer t i l i zante na i r r igação da pastagem, mas a pastagem não havia s ido fer t i l i zada, embora t ivesse s ido i r r igada recentemente . Na necropsia , o sangue fo i notado como sendo marrom escuro, em vez de vermelho, como é normalmente apresentado em animais recém mortos . Essa mudança é caracter ís t ica da metahemoglobinemia . 25 DE 58 CASO 8 | SANGUE AZUL ? A presença de um sangue azul é bem sugest ivo , associado a pastagens fer t i l i zadas . Parece haver tota l re lação entre ambos. Expl icamos tudo à seguir . O f lu ido ocular e soro foram enviados ao laboratór io tox icológico para testes . Ambos foram for temente posi t ivos para o agente causador . I sso al iado aos achados brutos da necropsia forneceu um diagnóst ico rápido de toxic idade por ni t rato . O gado fo i exposto a al tos níveis de ni t ratos do fer t i l i zante . Isso fo i al iado aohistór ico do gado de estar em uma pastagem i r r igada com um s is tema de fer t i l i zantes . Além disso, a tox ic idade por ni t rato se encaixar ia com a histór ia de uma perda de morte súbi ta em vez de pneumonia , o que provavelmente não causar ia uma perda de morte súbi ta sem qualquer s inal cl ín ico prévio em alguns dos animais . 26 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 8 As fontes de ni t rato inc luem numerosas plantas conhecidas por concentrar ni t rato , for rações contaminadas , água contaminada e exposição direta a fer t i l i zantes . O envenenamento agudo por ni t rato é mais provável que ocorra quando os ni t ratos excedem 10.000 ppm ou quando a água contém 1500 ppm ou mais . Os s inais cl ín icos inc luem i r r i tação gastro intest inal , dispneia , atax ia , convulsões terminais , morte de 6 a 24 horas após a exposição e aborto . O diagnóst ico pode ser fe i to com s inais cl ín icos e lesões adequadas , como sangue "marrom -chocolate " e tec ido muscular . Testes do f lu ido ocular , soro e água podem conf i rmar o diagnóst ico . DIAGNÓSTICO: INTOXICAÇÃO POR NITRATOS E NITRITOS 27 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 8 VETCL IN I C | C A S O 9 Um touro de 12 meses de idade fo i submet ido ao Laboratór io para necropsia . O histór ico cl ín ico indicou que este animal teve convulsões per iódicas e cr ises de atax ia por dois dias . O animal parece estar normal entre esses episódios neurológicos . O veter inár io indicou que os s inais neurológicos poder iam ser acionados fazendo o animal se mover . O animal morreu dois dias depois de apresentar s inais neurológicos pela pr imeira vez . As lesões pr imár ias observadas na necropsia foram pulmões vermelhos escuros que exalavam um f lu ido claro na superf íc ie cortada e fa l ta de fezes no cólon dista l . A lesão histo lógica mais importante fo i a col i te moderada e em algumas áreas , a mucosa luminal sofreu erosões . 28 DE 58 CASO 9 | TOURO LOUCO Coccidiose nervosa geralmente é um problema nos conf inamentos quando o tempo está f r io . Em epidemias de coccidiose , aprox imadamente 20% do gado afetado pode ter s inais nervosos . A taxa de le ta l idade dos animais afetados com coccidiose nervosa é de aproximadamente 50% . Os pr incipais agentes coccidia is associados à coccidiose nervosa são Eimer ia zuerni i e Eimer ia bovis . A causa básica dos s inais nervosos associados à coccidiose nervosa é inconclus iva . Alguns estudos têm proposto uma neurotox ina encontrada no sangue de animais afetados , enquanto outros estudos propõem um desequi l íbr io elet ró l i to subjacente causado por diarre ia associada à coccidiose . Independentemente disso, lesões histó lógicas não são observadas no cérebro dos animais afetados . O diagnóst ico de coccidiose nervosa baseia -se nos s inais cl ín icos , grande número de coccidios nas fezes e fa l ta de lesões histo lógicas no cérebro. DIAGNÓSTICO: COCCIDIOSE 29 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 9 VETCL IN I C | C A S O 1 0 Uma novi lha de 1 ano f icou f raca em meados de abr i l . A novi lha fo i examinada pelo veter inár io alguns dias depois e fo i descr i ta como le tárgica , tendo cabeça caída, descarga oculonasal , conjunt iv i te /escler i te , petéquias nas mucosas e sangue na ur ina . A novi lha era f raca e atax ica , caindo e se levantando com frequência . A temperatura na apresentação fo i de 39,4 graus . Foi administ rado t ratamento com flor fenicol e oxi tet rac ic l ina , vi tamina B -12, dexametasona e f lu idos in t ravenosos . O tratamento com f lu idos ora is e in t ravenosos fo i repet ido um dia depois , ocasião em que foram notados edema bi latera l de córnea e f ibr ina na câmara anter ior . A novi lha cont inuou atáx ica e morreu dois dias após o in íc io do t ratamento. Uma var iedade de tec idos f rescos e f ixos foram submet idos ao Laboratór io testes diagnóst icos . 30 DE 58 CASO 10 | MU I TOS REMÉD IOS A histopatologia fo i aval iada in ic ia lmente . Lesões foram notadas em vár ios órgãos , inclu indo cérebro, f ígado, r im, baço, in test inos e bexiga ur inár ia . Houve acúmulos per ivasculares precoces de células l in fo ides no cérebro. O f ígado e o r im t inham in f i l t rações l in fo ides mult i focais e vascul i te fo i ident i f icada no baço e no r im. Houve erosões e ulcerações que afetaram superf íc ies mucosas na e ulceração extensiva da mucosa da bexiga. 31 DE 58 CASO 10 | MU I TOS REMÉD IOS VETCL IN I C | C A S O 1 0 Caso bastante complexo pela expansão das lesões , tendo o que parece ser uma in f luência neurológica pela atax ia e também imune, com inf l i t rações l in fo ides . Nota -se descargas oculares suspei tas para ceratoconjunt iv i te e DVB, também poss ível na IBR, mas descartada pelos in f i l t rados . Os s inais cl ín icos nesta novi lha são bastante t íp icos para Febre Catarra l Mal igna, e a doença é normalmente fa ta l em bovinos que são um hospedei ro sem sa ída para os ví rus associados às ovelhas . A Febre Catarra l Mal igna é causada por ví rus do gênero Macaví rus que estão na famí l ia Herpesvi r idae (subfamí l ia Gammaherpesvi r inae ) . Dois grandes grupos de ví rus FCM inc luem um que afeta pr incipalmente ungulados exót icos e um em ovelhas , cabras e veados. Os nódulos podem parecer l in foma pelo inf i l t rado l in fo ide. 32 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 0 A doença é fac i lmente t ransmit ida hor izonta lmente entre reservatór io e não - reservatór io , hospedei ros suscet íve is , no entanto , não há t ransmissão hor izonta l aparente entre bovinos doentes e outros bovinos saudáveis . Não há vacinas disponíveis comercia lmente . Os di ferencia is para FCM inc luem a Diarre ia Vi ra l Bovina (BVD ) e a Ceratoconjunt iv i te Infecciosa Bovina. Na morte de bovinos de FCM, uma ampla amostragem de tec idos que apresentam lesões brutas para inc lu i r amostras f rescas e f ixas proporc ionará as melhores oportunidades de ident i f icação def in i t iva . I sso inc lu i r ia lesões ulcerat ivas , l in fonodos aumentados e órgãos como f ígado, r im, pulmão, coração, baço e cérebro. DIAGNÓSTICO: FEBRE CATARRAL MALIGNA 33 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 0 VETCL IN I C | C A S O 1 1 Aproximadamente 40 vacas Hereford estavam pastando em 12 piquetes com at iv idade de produção de petróleo presente . Em um piquete especí f ico , quatro a cinco vacas foram encontradas mortas dentro de 12 - 24 horas . Outra vaca fo i observada pelo dono tremendo e, poster iormente caiu e se levantou, ca iu uma segunda vez e f icou em decúbi to latera l . Este animal fo i eutanaziado, necropsiado e amostras foram submet idas ao Laboratór io , junto da fonte de água para o piquete da ter ra onde as vacas morreram, que t inha or igem de dois poços di ferentes . O propr ietár io notou um mineral branco sol to perto de um dos poços e indicou que a água estava "salgada " . 34 DE 58 CASO 11 | SALGADO A histopatologia fo i rea l izada em seções de pulmão, f ígado, r im e cérebro. Não foram observadaslesões microscópicas em nenhum dos tec idos para expl icar a causa da morte no animal . O f lu ido ocular fo i testado para ni t ratos excess ivos , mas apresentou resul tados negat ivos . O rumen fo i anal isado para aval iar a presença de hidrocarbonetos de petróleo, mas nenhum fo i detectado. Amostras de água de múlt ip las fontes foram submet idas poster iormente para testes de qual idade da água. Uma amostra de água do poço mais próximo onde as mortes ocorreram cont inha níveis de Sais Dissolv idos Tota is (TDS ) , condut iv idade e sul fatos . 35 DE 58 CASO 11 | SALGADO VETCL IN I C | C A S O 1 1 Bovinos com consumo agudo de sal podem desenvolver gastroenter i te , f raqueza, des idratação, t remores e atax ia . O sódio permite a t ransmissão de impulsos nervosos ao redor do corpo. É um elet ró l i to que regula as cargas elét r icas que se movem dentro e fora das células do corpo. Uma concentração rapidamente crescente de sódio causa desmiel in ização osmót ica O gado pode parecer cego e desenvolver at iv idade semelhante a convulsões e pode morrer dentro de 24 horas após o in íc io dos s inais cl ín icos . A medição da água é determinada pela soma de todos os íons medidos (cát ions e ânions ) . Os níveis > 3.000 ppm devem ser evi tados por animais lactantes , e níveis > 7.000 ppm podem representar r iscos s igni f icat ivos para muitos animais . DIAGNÓSTICO: INTOXICAÇÃO POR SAL 36 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 1 VETCL IN I C | C A S O 1 2 Uma vaca adul ta , fêmea, da raça Brangus em má condição corporal fo i submet ida ao Laboratór io para necropsia . O animal faz ia parte de um rebanho que relatou múlt ip las perdas nas úl t imas semanas e dias . Os s inais cl ín icos apresentados por outros animais não foram in formados pelo propr ietár io ou pelo veter inár io submet ido ; no entanto , o animal submet ido apresentava déf ic i ts neurológicos , inc lu indo agress iv idade. Na necropsia , a carcaça apresentava al terações autol í t icas avançadas e a pele apresentava escor iações sobre os ombros . Os músculos esquelét icos estavam atrof iados e o subuctâneo t inha regiões mult i focais de edema e hemorragia , além de ic ter íc ia . As cavidades torác icas e per i toneais apresentaram quant idades moderadas de f lu ido sorosanguinolento . 37 DE 58 CASO 12 | UM CASO EXTENSO O f ígado t inha uma superf íc ie capsular i r regular e parecia l ige i ramente aumentado, f i rme e manchado de marrom -escuro como bronze. A superf íc ie epicárdica do coração cont inha áreas de coal izão de hemorragia . O mesenter io e a submucosa do abomaso estavam com edema. O pr incipal achado microscópico fo i a f ibrose do f ígado. As áreas de f ibrose no f ígado cont inham ductos bi l iares hiperplást icos e muitas vezes os cordões de hepatóci tos estavam var iadamente degenerados. Mult i focalmente , os hepatóci tos foram ampl iados e cont inham núcleos aumentados Neste animal , o teste para ra iva fo i negat ivo e a anál ise microscópica do rumen não revelou nenhuma planta tóx ica . 38 DE 58 CASO 12 | UM CASO EXTENSO VETCL IN I C | C A S O 1 2 Cl in icamente , o animal afetado poder ia ter demonstrado incoordenação, press ionando a cabeça, com agress iv idade ou outros s inais de encefa lopat ia . Presume -se que, durante a fase aguda da doença, o f ígado apresente uma aparência aumentada (hepatomegal ia ) e ic ter íc ia com hemorragia var iável . Em casos crônicos , como esse, o f ígado mudará para uma aparência mais pál ida devido à subst i tu ição do f ígado funcional por tec ido conjunt ivo f ibroso. A f ibrose pode ser tão extensa a ponto de causar hipertensão porta l resul tando em doença veno -oclus iva , asci tes , edema mesentér ico grave, diarre ia , ic ter íc ia e fotosensib i l ização pelo acúmulo de pigmentos como a f i loer i t r ina . A presença de hiperplas ia do ducto bi l iar e megaloci tose são mudanças que auxi l iam no diagnóst ico microscópico da toxic idade por alcalo ides pir ro l iz id in icos . 39 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 2 As al terações observadas no f ígado foram crônicas e consis tentes com a ingestão prévia de plantas alcalo ides pir ro l iz id inas . Os déf ic i ts neurológicos observados cl in icamente neste animal foram provavelmente secundár ios à lesão observada no f ígado (encefa lopat ia hepát ica ) . O edema observado em múlt ip los órgãos fo i provavelmente devido à hipoprote inemia produzida por uma combinação de doença hepát ica e equi l íbr io energét ico negat ivo . Na visual ização do campo, observou -se a presença de maria -mole. Uma das plantas que contêm alcaló ides pir ro loz id ín icos . O motivo de não ter encontrado a planta no rúmen, fo i que a doença tem uma mani festação crônica . A reserva funcional do f ígado é de 75% . DIAGNÓSTICO: INTOXICAÇÃO POR SENECIO SPP (MARIA -MOLE ) 40 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 2 VETCL IN I C | C A S O 1 3 Um bezerro angus de sete dias com histór ico de diarre ia fo i necropsiado pelo veter inár io submet ido. O in test ino delgado, f ígado, r im e o l infonodo foram submet idos como tec idos f rescos ao Laboratór io . Os testes sol ic i tados pelo veter inár io submet ido inc lu í ram aval iação microscópica (histopatologia ) , cul tura bacter iana e sensib i l idade, e teste de reação em cadeia de pol imerase (PCR ) para ví rus . Não foram re latados achados brutos no formulár io de submissão pelo veter inár io . No exame microscópico, o pr incipal achado fo i a lesão no in test ino delgado. Esta lesão consis t ia de in f lamação que era composta por uma população de células mistas - in f lamatór ias , inc lu indo macrófagos , l in fóci tos , célu las plasmát icas e neutróf i los que estavam pr incipalmente dentro da lâmina própr ia , mas também se estenderam à submucosa. 41 DE 58 CASO 13 | UM JOVEM PROBLEMÁT ICO As glândulas in test ina is cont inham detr i tos necrosados e os vi los in test ina is foram moderadamente fus ionados entre s i . Outros achados s igni f icat ivos inc lu í ram abomasi te neutróf í l ica , nefr i te tubulointerst ic ia l , pneumonia in terst ic ic ia l , e neutróf i l ia dist r ibuída aleator iamente e drenagem de neutróf i los nos l in fonodos mesentér icos . 42 DE 58 CASO 13 | UM JOVEM PROBLEMÁT ICO VETCL IN I C | C A S O 1 3 A presença de um grande número de neutróf i los no in test ino delgado e abomaso pode ser al tamente sugest ivo de uma in fecção bacter iana. A dist r ibuição e composição da inf lamação observada pode ser consis tentes com uma in fecção bacter iana disseminada (bacteremia ) secundár ia às lesões inf lamatór ias no in test ino delgado e /ou abomaso. A cul tura bacter iana do in test ino delgado consis t ia pr incipalmente de E col i . Além disso, a ausência de Coronavi rus e Rotaví rus foram conf i rmadas com PCR do in test ino delgado. Na superf íc ie dos vi los in test ina is havia numerosos organismos protozoár ios que eram morfologicamente consis tentes com Cryptospor id ium sp. Os paras i tas no in test ino delgado foram um achado consis tente com odiagnóst ico de cr iptospor id iose . 43 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 3 A t ransmissão é pr incipalmente fecal -oral , mas a contaminação ambienta l pode espalhar o organismo. O t ratamento, quando necessár io , é pr incipalmente s intomát ico com ant ib iót icos indicados no caso de uma in fecção bacter iana secundár ia . As cr iptospor id ioses são muito res is tentes à temperatura e desinfecção química , portanto , o alo jamento indiv idual de bezerros e o saneamento r igoroso são necessár ios para reduzi r o nível de contaminação no meio ambiente . A cr iptospor id iose é um patógeno zoonót ico , e precauções de higiene apropr iadas devem ser exerc idas ao cuidar de indiv íduos in fectados . Cryptospor id ium sp. é um patógeno protozoár io onipresente . Embora muitas vezes cause uma in fecção auto - l imi tante em animais imunocompetentes , os hospedei ros muito jovens ou imunocompromet idos sofrem de diar re ia in t ratável . DIAGNÓSTICO: CRIPTOSPORIDIOSE 44 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 3 VETCL IN I C | C A S O 1 4 No in íc io de fevere i ro , um rebanho de 20 vacas de carne bovina com bezerros ao pé fo i movida para uma área de extensa pastagem de conservação onde acredi ta -se ter encontrado carrapatos pela pr imeira vez . No f ina l do mês, seis vacas desenvolveram sinais cl ín icos , inc lu indo depressão, f raqueza, anemia , febre al ta e ic ter íc ia . Um grande número de carrapatos foram re latados sobre os animais afetados . Um animal , que também apresentava ur ina vermelha, cor sangue. Um dos animais fo i morto por motivos de bem - estar e a carcaça submet ida à necropsia . Amostras de sangue, tec ido de órgãos e carrapatos foram removidas e submet idas ao diagnóst ico . Também foram apresentadas amostras de sangue de outros t rês bovinos s intomát icos . Esses animais morreram mais tarde. 45 DE 58 CASO 14 | NA ROTA DA FEBRE Em casos ass im, o pr imeiro ponto a explorar é o fa to de haver paras i tas no animal . Relatou -se que carrapatos estavam presentes . O cl ín ico precisa da t r íade da patologia : s intomas, órgão ou s is tema afetado e a et io logia . Sabemos que os animais t inham febre , proveniente de uma resposta imunológica (Citocinas , etc ) e um quadro anêmico, associado com ic ter íc ia . Anemia e Ic ter íc ia nos dizem que algo no s is tema ci rculatór io não está bem, então o s is tema afetado já fo i encontrado. Nesse caso, provavelmente ocorreu uma hemól ise in t ravascular (pela ur ina ser vermelha ) , caracter ís t ico da ic ter íc ia pré hepát ica . Sabemos que a Babesia , vinda do carrapato gera hemoglobinúr ia e a anaplasmose não gera hemoglobinúr ia . A vi ru lência dos paras i tas babesia é caracter izada tanto pela exploração mediada por paras i tas do hospedei ro quanto pela imunopatologia mediada por in fecções . 46 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 4 https://www.sciencedirect.com/topics/immunology-and-microbiology/immunopathology Durante uma in fecção aguda, especia lmente em animais adul tos imunologicamente f racos , os paras i tas babesia exploram o hospedei ro e reproduzem pr incipalmente sem controle , resul tando em importante destru ição de er i t róc i tos do hospedei ros e uma queda dramát ica no hematócr i to (Brown e Palmer , 1999 ) . Como resul tado, o hospedei ro in fectado exper imenta diminuição dos níveis de oxigênio em tec idos e órgãos vi ta is , causando apneia e problemas respi ratór ios , e responde à in fecção com um aumento na temperatura corporal , com febre reta l que pode passar dos 39 °C por vár ios dias . A hemol ise parece ser mais dramát ica em in fecções causadas por B. bigemina, e a doença hemol í t ica resul tante pode ser detectada pela cor vermelha da ur ina resul tante da secreção de moléculas der ivadas dos mecanismos de degradação da hemoglobina no f ígado. O al to nível de destru ição er i t roc i tár ia também causa ic ter íc ia e danos nos r ins , e a sobre -at iv idade do baço resul tando em parte da captura dos er i t róc i tos resul ta em esplenomegal ia marcada. 47 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 4 https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0020751918303047?via%3Dihub#b0110 https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/hemolysis https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/hemolytic-anemia https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/splenomegaly DIAGNÓSTICO: TRISTEZA PARASITÁRIA BOVINA POR BABESIA 48 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 4 VETCL IN I C | C A S O 1 5 Vár ios problemas de saúde foram detectados em um grupo de 320 ovelhas e durante o f ina l da gestação. Algumas ovelhas estavam sendo tratadas com ração. A propr iedade re latou que houveram problemas de saúde esporádicos , com o rebanho mantendo uma saf ra de mais de 200% de cordei ros ano após ano. Uma preocupação com esse rebanho era o estado corporal das ovelhas . A s i tuação em uma época do ano fo i um tanto alarmante , já que elas haviam acabado de par i r e ocorreu a perda de 8 cordei ros . O rebanho pastava em um campo f raco e permaneceu à pasto até quatro a seis semanas antes do parto . Perto do parto , o propr ietár io disponibi l izou feno de capim que estava disponível para as ovelhas . 49 DE 58 CASO 15 | UM BOM PASTOR? Duas ovelhas em f ina l de gestação foram aval iadas , pois uma estava le tárgica , anoréx ica e com cetonúr ia moderada. A outra ovelha estava depr imida, dei tada, desidratou aproximadamente 5% e apresentou cetonur ia grave. Ambas as ovelhas apresentaram preocupantes (ica pode tornar -se excess ivos durante estados de balanço energét ico negat ivo , que podem sobrecarregar 51 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 5 a capacidade do f ígado de processar o in f luxo l ip íd ico. A gluconeongênese a part i r de precursores dietét icos , pr incipalmente propionato e lactato , é responsável pela maior parte da produção de gl icose em ovelhas . Embora o aumento da f ibra fermentável na dieta de um ruminante possa ter efe i tos posi t ivos no desempenho animal através da minimização dos efe i tos da acidose ruminal pelo excesso de fermentação do amido, a lguma fermentação de amido ruminal é necessár ia para fornecer propionato . A doença neste parecia resul tar de efe i tos de ingestão excess iva de f ibra dietét ica l imi tando a disponibi l idade de energia dietét ica . DIAGNÓSTICO: TOXEMIA DA GESTAÇÃO 52 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 5 VETCL IN I C | C A S O 1 6 Uma ovelha fo i atendida com s intomas cl ín icos que envolv iam f raqueza e le targia . O Veter inár io observa o animal e ident i f ica mucosas pál idas e edema submandibular . O animal recebeu t ratamento, mas morreu na noi te seguinte . A necrópsia na fazenda detectou e conf i rmou a anemia marcada e um grande número de paras i tas redondos no abomaso, além de petéquias na mucosa gástr ica do órgão. 53 DE 58 CASO 16 | PAL IDEZ Os achados post -mortem não são indicat ivos para uma et io logia . Em ta is casos , para o diagnóst ico , é necessár ia a recuperação de um pequeno número de paras i tas em um abomaso do animal morto e deve estar associado a um histór ico de produt iv idade reduzida e s inais c l ín icos ao nível da população. No entanto , mesmo nesses casos , as suspei tas cl ín icas nem sempre podem ser conf i rmadas pelo exame post -mortem. Para o sucesso do diagnóst ico em achados post -mortem, o conhecimento da aparência dos paras i tas adul tos é út i l . São helmintos observados na mucosa do abomaso, que muitas vezes apresenta numerosas petéquias . Haemonchus são paras i tas que têm uma curva caracter ís t ica de seu útero branco em torno de seu in test ino vermelho, que pode ser vis to cheio de sangue, cr iando uma imagem caracter ís t ica . 54 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 6 Dentro todos os indiv íduos , há papi las cerv ica is na cabeça e uma pequena lanceta dentro da boca, por meio da qual podem lesar a mucosa do abomaso. A perda de sangue gera os edemas pelas perdas de prote ínas plasmát icas , al terando a pressão oncót ica dos vasos , extravasando l íquidos para o in terst íc io , causando o edema submandibular caracter ís t ico . DIAGNÓSTICO: HEMONCOSE 55 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 6 Paciente bovina , fêmea holandesa de 11 anos, , per tence ao lo te de baixa produção (aprox . 20 l i t ros /dia ) , peso de 650 kg, com um re latór io de gestação de t rês meses . Relata -se que o gado teve decadência , ausência de consumo al imentar , além disso, é mencionado que diminuiu sua produção de le i te em 6 l i t ros na ordenha matinal e 4 l i t ros na ordenha da tarde (s inais que demonstrou por 3 dias ) . A paciente tem um serv iço de inseminação art i f ic ia l rea l izado em 5 de janei ro de 2022 e desenvolveu mast i te . Os trabalhadores dizem que o animal leva muito tempo para chegar à sala de ordenha, eles mostram que perdeu peso e que teve uma diminuição na produção de le i te . O membro poster ior esquerdo é observado na porção crania l do músculo bíceps femoral , uma poss ível massa tumoral subcutânea não supurat iva , que à palpação tem as seguintes caracter ís t icas : 56 DE 58 CASO 17 | PERDENDO FORÇA VETCL IN I C | C A S O 1 7 - Consistência dura no centro e ao redor nota - se suavidade. - Ader ido ao músculo . - Sinal de calor (quente ) . - Desconfor to à palpação, poss ivelmente dor - Dimensões 16 cm de al tura x 25 cm de largura Na quarto anter ior dire i to da glândula mamár ia , ocorre in f lamação pers is tente de consis tência dura , a l in fadeni te bi latera l é evidente nos l in fonodos pré -crura is . A l infadeni te também está concentrada no l infonodo ret romamár io do lado dire i to . O animal apresentou exofta lmia . 57 DE 58 CASO 17 | PERDENDO FORÇA VETCL IN I C | C A S O 1 7 O diagnóst ico é, claramente direcionado às afecções aos l in fonodos, como uma l infadenopat ia . O aumento de tamanho causou os s intomas. O paciente do caso cl ín ico apresentou um aumento bi latera l dos l in fonodos pré -crura is , especia lmente mais o dire i to do que o esquerdo, o que não aconteceu em re lação aos ret romamár ios , que o reat ivo era o dire i to , levando em conta que os outros l in fonodos palpáveis não eram reat ivos . Além disso acrescenta -se exofta lmia . O aumento dos l in fonodos tem re lação com duas et io logias . Mycobacter ium tuberculos is da tuberculose bovina e o ví rus da Leucose Bovina . Nesse caso, pelo aparecimento em l infonodos superf ic ia is bi latera lmente , o diagnóst ico f ica fac i l i tado. A tuberculose afeta em grande parte l in fonodos medíast ín icos com afecção respi ratór ia também DIAGNÓSTICO: LEUCOSA BOVINA 58 DE 58 RESOLUÇÃO VETCL IN I C | C A S O 1 7