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PREVIOUSLY ON R+ ERROS INATOS DA IMUNIDADEERROS INATOS DA IMUNIDADE _ proibida venda medicina livre @Livremedicina ERROS INATOS DA IMUNIDADEERROS INATOS DA IMUNIDADE QUADRO DE RESUMOQUADRO DE RESUMO Sinais de Alerta para os EIISinais de Alerta para os EII Os 10 Sinais de Alerta para Erros Inatos da Imunidade na CriançaOs 10 Sinais de Alerta para Erros Inatos da Imunidade na Criança 1. Duas ou mais pneumonias no último ano; 2. Quatro ou mais novas otites no último ano; 3. Estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses; 4. Abscessos de repetição ou ectima; 5. Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia); 6. Infecções intestinais de repetição/diarreia crônica; 7. Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune; 8. Evento adverso ao BCG e/ou infecção por micobactéria; 9. Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada à imunodeficiência; 10. História familiar de imunodeficiência. Os 12 Sinais de Alerta para Erros Inatos da Imunidade em Menores de Um AnoOs 12 Sinais de Alerta para Erros Inatos da Imunidade em Menores de Um Ano 1. Infecções fúngicas, virais e/ou bacterianas graves ou persistentes; 2. Reações adversas a vacinas de germe vivo, em especial BCG; 3. Diabetes mellitus persistente ou outra doença autoimune e/ou inflamatória; 4. Quadro sepse-símile, febril, sem identificação de agente infeccioso; 5. Lesões cutâneas extensas; 6. Diarreia persistente; 7. Cardiopatia congênita (em especial, anomalias dos vasos de base); 8. Atraso na queda do coto umbilical (> 30 dias); 9. proibida venda medicina livre @Livremedicina 9. História familiar de imunodeficiência ou de óbitos precoces por infecção; 10. Linfocitopenia (Estas bactérias são especialmente sensíveis à lise pelo complexo de ataque à membrana em função de suas paredes mais finas. O rastreamento inicial das deficiências é feito pela dosagem do complemento hemolítico total (CH50) e permite a avaliação da via clássica. A dosagem de cada componente é uma etapa mais específica da avaliação. Embora as deficiências de complemento representem um percentual menor dos EII, a associação entre estes quadros e as infecções meningocócicas é frequentemente lembrada em concursos. DOSAGEM DO COMPLEMENTO HEMOLÍTICO TOTALDOSAGEM DO COMPLEMENTO HEMOLÍTICO TOTAL O teste avalia a capacidade do soro do paciente para promover a lise das hemácias de carneiro cobertas por anticorpos (lembra-se de que estes complexos davam início à ativação da cascata?). O resultado do teste indica a diluição necessária para que 50% das hemácias utilizadas no teste sejam lisadas. Todos os componentes da via clássica (C1 a C9) devem estar presentes para que a avaliação do CH50 esteja normal. RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RP DA USP – USP-RP Menino com 4 anos, foi atendido no pronto atendimento com febre, cefaleia, queda do estado geral e vômitos, iniciados há 1 dia. Internado para investigação. Pais relatam que a criança já apresentou dois episódios prévios de meningite (aos 12 e 18 meses de vida), ambos confirmados por cultura de liquor, como sendo meningocócicas, requerendo internação hospitalar e tratamento com antibiótico endovenoso. Ao exame: TA = 39ºC; prostração; FC = 140 bpm; FR = 50 irpm; demais aspectos do exame físico normais. Exames laboratoriais: Hemograma: Hb = 11,7; Ht = 34%; GB = 15.900. Neutrófilos 14.110 (20% de bastonetes, 80% segmentados) Plaquetas 345.000. Liquor: aspecto turvo, proteínas aumentadas, glicose consumida, presença de células em grande quantidade e cocos Gram-negativo. Qual a hipótese diagnóstica mais provável? a) Imunodeficiência combinada grave. b) Agamaglobulinemia congênita. c) Doença granulomatosa crônica. proibida venda medicina livre @Livremedicina Doença granulomatosa crônica. d) Deficiência do sistema complemento. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO – SCMSP Uma menina de quatro anos de idade foi internada por doença meningocócica pelo sorogrupo W. Na história médica, a família refere que ela teve meningite meningocócica pelo sorogrupo B aos dois anos de idade. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o exame mais importante para o diagnóstico na avaliação de imunodeficiência. a) Dosagem de imunoglobulinas. b) Dosagem de di‐hidrorrodamina. c) Dosagem de complemento. d) Mielograma. e) Avaliação da resposta à vacina pneumocócica. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA TÍTULO DE ESPECIALISTA EM PEDIATRIA Adolescente de 11 anos, sexo masculino, foi internado em unidade de terapia intensiva pediátrica por ter iniciado febre e mal-estar há 24 horas. Nas últimas 12 horas, passou a apresentar lesões purpúricas generalizadas e obnubilação mental, evoluindo com quadro de meningite e choque séptico, falecendo no terceiro dia após o início do quadro. As hemoculturas e a cultura de liquor foram positivas para Neisseria meningitidis, sorogrupo B. Na história patológica pregressa, não há relato de nenhum episódio de infecção grave ou necessidade de internação hospitalar. Em relação à história familiar, os pais relataram serem primos em primeiro grau e terem outros filhos: um menino de seis anos e uma menina de quatro anos, sem história de infecções graves. Os irmãos do paciente foram avaliados em serviço especializado de imunologia pediátrica, e foi estabelecido um diagnóstico de imunodeficiência no menino. Um dos tios paternos do paciente teve diagnóstico de artrite gonocócica aos 22 anos. Em relação a esse caso, a imunodeficiência mais provável é: a) Agamaglobulinemia ligada ao cromossomo X. b) Deficiência de lectina ligante de manose (MBL). proibida venda medicina livre @Livremedicina Deficiência de lectina ligante de manose (MBL). c) Deficiência de componentes do complemento (C5 a C9). d) Doença granulomatosa crônica, variante ligada ao cromossomo X. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA OUTRAS FORMAS DE IMUNODEFICIÊNCIAS PRIMÁRIAS QUADRO DE RESUMOQUADRO DE RESUMO Outras Síndromes Bem DefinidasOutras Síndromes Bem Definidas Wiskott-AldrichWiskott-Aldrich � Eczema + trombocitopenia com plaquetas pequenas + infeccções recorrentes. Ataxia-telangiectasiaAtaxia-telangiectasia � Ataxia cerebelar + telangiectasias + infecções + neoplasias. Síndrome de DiGeorgeSíndrome de DiGeorge � Hipoplasia do timo e paratireoides + hipocalcemia + dismorfias. Síndrome de Hiper-IgESíndrome de Hiper-IgE � Abscessos cutâneos e pulmonares por estafilococos + aumento nos níveis de IgE. Doenças de Desregulação ImunológicaDoenças de Desregulação Imunológica Síndrome de Chediak-HigashiSíndrome de Chediak-Higashi proibida venda medicina livre @Livremedicina � Albinismo oculocutâneo + sangramentos + infecções; � Grandes grânulos peroxidase-positivos. Como tínhamos visto lá no início, os EII podem ser agrupadas em dez subgrupos. Esta classificação não é algo rígido e, de tempos em tempos, modificações são feitas pelas principais sociedades internacionais. Neste momento, vamos abordar algumas condições específicas que fazem parte do subgrupo das "outras síndromes bem definidas" e das "doenças de desregulação imunológica". Estas condições também poderão cursar com comprometimento principalmente da função fagocitária ou imunodeficiências combinadas. Não temos a pretensão de ver todas os EII descritos na literatura, mas vamos garantir que você esteja pronto para as questões que surjam sobre o assunto. SÍNDROME DE WISKOTT-ALDRICH Faz parte do grupo das "outras síndromes bem definidas" e trata-se de uma imunodeficiência combinada associada com achados sindrômicos. Tem herança ligada ao cromossomo X e, deste modo, acomete indivíduos do sexo masculino. É causada por um defeito molecular no gene que codifica a proteína de Wiskott-Aldrich, envolvida no rearranjo do citoesqueleto celular e também na geração de plaquetas. A tríade clássica da doença é composta por: � Eczema: assemelha-se a um quadro de dermatite atópica ( ); � Trombocitopenia: os pacientes costumam apresentar contagem de plaquetas inferiores a 70.000/mm3, com plaquetas de tamanho pequeno. Há relato de sangramento prolongado após circuncisão e evacuações sanguinolentas; � Infecções recorrentes: há uma diminuição de linfócitos T circulantes e alteração na produção de imunoglobulinas. Na avaliação complementar, os níveis de IgG e IgM são baixos e os de IgA e IgE costumam estar elevados. Ocorrem infecções sinopulmonares e virais (varicela, herpes, molusco contagioso e verrugas). A resposta às vacinas polissacarídicas é muito prejudicada. Além disso, há maior risco de doenças autoimunes e de neoplasias. Nos pacientes com hipogamaglobulinemia mais acentuada, usa-se a reposição de imunoglobulinas. Além disso, é feito o controle das infecções e monitorização do sangramento, sendo que o tratamento definitivo é o transplante de medula óssea ou de células-tronco hematopoiéticas. Figura 7_ _ proibida venda medicina livre @Livremedicina SÍNDROME DE ATAXIA-TELANGIECTASIA Figura 7.Figura 7. Wiskott-Aldrich — as lesões são semelhantes às encontradas em crianças com dermatite Wiskott-Aldrich — as lesões são semelhantes às encontradas em crianças com dermatite atópica, mas são acompanhadas de petéquias e lesões purpúricas.atópica, mas são acompanhadas de petéquias e lesões purpúricas. proibida venda medicina livre @Livremedicina Também é classificada no grupo das "outras síndromes bem definidas", mas trata-se de uma condição mais complexa, que cursa com alterações imunológicas, neurológicas, endócrinas, hepáticas e cutâneas. Tem herança autossômica recessiva e é causada por uma mutação no gene ATM, localizado no cromossomo 11; o produto deste gene é expresso emtodos os tecidos corporais e participa do controle de dano ao DNA. As células dos pacientes apresentam alta sensibilidade para radiação ionizante. As principais manifestações são: ataxia cerebelar, surgimento de telangiectasias oculocutâneas, doenças sinopulmonares crônicas, alta incidência de neoplasias (principalmente linforreticulares) e comprometimento variável da imunidade humoral e celular. A principal alteração é a diminuição de IgA. Os níveis de alfafetoproteína costumam estar elevados. O tratamento consiste no manejo das infecções e, em alguns casos, reposição de imunoglobulinas. Não há tratamento específico e o prognóstico é bastante reservado. SÍNDROME DE DIGEORGE Mais uma condição que se enquadra no grupos das "outras síndromes bem definidas"... A síndrome de DiGeorge compreende uma constelação de sinais e sintomas associados com uma alteração no desenvolvimento da 3ª e 4ª bolsas faríngeas, durante o período embrionário. Acomete ambos os sexos e a maioria dos casos relaciona-se com microdeleções da região 22q11.2. As consequências são: hipoplasia ou aplasia do timo e das paratireoides (levando à hipocalcemia com convulsões no período neonatal), defeitos cardíacos (defeitos conotruncais; interrupção do arco aórtico e truncus arteriosus) e dismorfias faciais (hipoplasia mandibular, hipertelorismo, filtro curto e orelhas malformadas e de implantação baixa). A gravidade da imunodeficiência está relacionada com o grau de hipoplasia tímica. Laboratorialmente, há diminuição na contagem de linfócitos T CD3+. O tratamento inclui o manejo das infecções e o transplante de timo. SÍNDROME DE HIPER-IGE É um EII raro que se caracteriza pela formação de abscessos cutâneos e pulmonares de origem estafilocócica e níveis elevados de IgE (acima de 2.000 UI/ml ou 10 vezes o valor da normalidade). Pode ter herança autossômica dominante ou recessiva. Além das infecções, há eczema e alterações faciais típicas. SÍNDROME DE CHEDIAK-HIGASHI É atualmente classificada no grupo das "doenças de desregulação imunológica" e a alteração primordial é um defeito na morfogênese de grânulos, resultado na formação de grânulos anormais nas células do sistema imunológico, nas hemácias e melanócitos. A doença tem herança autossômica recessiva e as principais características são a alteração na degranulação dos neutrófilos, albinismo oculocutâneo parcial, discreta diátese hemorrágica (a proibida venda medicina livre @Livremedicina degranulação dos neutrófilos, albinismo oculocutâneo parcial, discreta diátese hemorrágica (a contagem plaquetária é normal, mas há alterações na agregação plaquetária), neuropatia periférica progressiva e tendência para o desenvolvimento de linfo-histiocitose hemofagocítica*. As infecções podem acometer as membranas mucosas, pele e trato respiratório. Na avaliação diagnóstica, são identificados grandes grânulos peroxidase-positivos em polimorfonucleares, hemácias e plaquetas. O tratamento definitivo é o transplante de medula óssea. Veja como aparece. RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RP DA USP – USP-RP Menino de 2 anos de idade é levado ao pronto atendimento por apresentar episódios frequentes de otites médias agudas e infecções respiratórias incluindo uma pneumonia confirmada por radiografia de tórax. Antecedentes pessoais: aos 2 meses de idade começou a apresentar petéquias generalizadas e eczema nos braços e pernas. Exames laboratoriais: hemograma: plaquetopenia; imunidade celular: reatividade cutânea (in vivo) normal, presença de timo à radiografia; dosagem de imunoglobulinas: IgG e IgA normais, redução de IgM. Qual o provável diagnóstico? a) Síndrome de DiGeorge. b) Síndrome de Wiskott-Aldrich. c) Agamaglobulinemia congênita. d) Imunodeficiência combinada grave. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 PUC – SOROCABA – PUC-SP Recém-nascido a termo com 2 horas de vida apresenta instabilidade térmica, dificuldade de sucção e suspeita de ter tido uma convulsão. Apresenta facies sindrômica (olhos muito separados, nariz proeminente e mandíbula pequena) fenda palatina e sopro holossistólico. A radiografia de tórax mostra coração em forma de bota e aparente ausência de timo. Qual das hipóteses abaixo é mais consistente com o diagnóstico desta criança? a) Síndrome de DiGeorge. b) Hiperplasia de paratireoides. c) Duplicação cromossômica. d) Hipercalcemia. proibida venda medicina livre @Livremedicina Hipercalcemia. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE – RIO DE JANEIRO – SES-RJ Escolar do sexo feminino, de 9 anos, com histórico de múltiplas internações, é admitida por apresentar febre, astenia, desconforto respiratório e um episódio isolado de epistaxe. Encontra-se ictérica, com nistagmo rotatório bilateral, hepatoesplenomegalia e cabelo com coloração acinzentada. Os exames laboratoriais evidenciaram pancitopenia e o esfregaço de sangue periférico mostrou leucócitos com grânulos gigantes em seu citoplasma. O diagnóstico mais provável para o caso é: a) Doença granulomatosa crônica. b) Síndrome de Chédiak-Higashi c) Leucemia linfoblástica aguda. d) Síndrome de Wiskott-Aldrich. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2023 SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO ESTADO DE PERNAMBUCO – SES-PE O Volume Plaquetário Médio (VPM) é um dado presente no hemograma completo que, muitas vezes, não valorizamos. No entanto, diante de um paciente com plaquetopenia, este dado pode ser importante no diagnóstico diferencial de algumas doenças. Assinale a alternativa que contém uma situação clínica que cursa, ao mesmo tempo, com plaquetopenia e VPM diminuído. a) Síndrome de DiGeorge. b) Síndrome de Jacobsen. c) Síndrome de Bernard-Soulier. d) Doença de Kawasaki. e) Síndrome de Wiskott-Aldrich. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA proibida venda medicina livre @Livremedicina MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA ORGANIZANDO O RACIOCÍNIO Percorremos um longo caminho desde os parágrafos iniciais em que havíamos aprendido que uma minoria de crianças terá um EII. Vale a pena, neste momento, você reler, mais uma vez, os sinais de alerta que havíamos listado anteriormente. Você agora está apto a compreender algumas das manifestações ali encontradas que pareciam não ter sentido... A dúvida agora é: uma vez estabelecida a suspeita, como iniciar a investigação? Qualquer pediatra deve estar apto a iniciar a abordagem inicial destes quadros, mas não se iluda: o diagnóstico definitivo e o acompanhamento de vários desses pacientes deverão ficar sob responsabilidade do imunologista. Porém, antes de sair encaminhando qualquer suspeita, veja o que podemos (e devemos!) fazer: NA ANAMNESE: � História pré-natal (atentar para as condições que aumentem o risco de imunodeficiência secundária na criança); � Idade de início das manifestações clínicas; tipo, localização e duração das infecções; tipos de micro- organismos envolvidos; formas de tratamentos necessários e respostas aos tratamentos instituídos; � Histórico de reações vacinais e momento da queda do coto umbilical; � História familiar de EII, consanguinidade, mortes precoces em crianças na famílias. Lembre-se de que várias condições que estudamos são hereditárias e a confecção de um genograma pode nos auxiliar a observar um padrão de herança. EXAME FÍSICO: � Avaliar o crescimento da criança; � Avaliar presença de tonsilas; avaliar presença de características clínicas típicas de determinadas síndromes. Exemplos: albinismo, telangiectasias oculares, hemorragias e petéquias; � Avaliar presença de comorbidades, como cardiopatias congênitas. NA AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR INICIAL: Existem variações nos protocolos de avaliação inicial dentre os vários serviços. Os seguintes exames devem ser considerados diante da possibilidade de um EII: proibida venda medicina livre @Livremedicina ser considerados diante da possibilidade de um EII: � Hemograma: avaliar presença de citopenias e alterações específicas (como microplaquetas ou granulaçõescitoplasmáticas); � Dosagem de imunoglobulinas (IgG, IgA, IgM e IgE). Se a dosagem de imunoglobulinas não estiver disponível, pode ser feita a eletroforese de proteínas; a diminuição de imunoglobulinas é sugerida pela ausência ou diminuição da fração gama; � Radiografia de tórax (avalia timo) e radiografia de cavum (avalia adenoides); � Teste cutâneo de hipersensibilidade tardia; � Testes para avaliação da função oxidativa (principalmente na presença de abscessos de repetição); � Sorologia anti-HIV; � Avaliação da atividade do complemento. O teste de screening é a dosagem do complemento hemolítico total (CH50). Níveis normais excluem praticamente todas as deficiências hereditárias. A avaliação pode ser complementada com outros exames mais específicos, em função da suspeita estabelecida com base na clínica e exames anteriores e que já foram indicados ao discutirmos as principais condições. Veja como essa abordagem inicial é importante... RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – UNIFESP As imunodeficiências primárias, atualmente chamadas de Erros Inatos da Imunidade (EII), contemplam um grupo heterogêneo de doenças cuja característica principal é a suscetibilidade às infecções. Na suspeita clínica de um EII, a investigação diagnóstica sempre deve ser iniciada com: a) Mielograma e cultura de medula. b) Ressonância magnética de crânio com contraste. c) Sequenciamento completo de exoma. d) Sorologia para o vírus HIV. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA Dúvidas Acadêmicas do CapítuloTESTE SEU CONHECIMENTOConfira as dúvidas acadêmicas do capítulo clicando aqui proibida venda medicina livre @Livremedicina Questões da ApostilaREALIZAR AS QUESTÕES Realize as questões de concursos selecionadas para esta apostila e depois confira os comentários da nossa equipe acadêmica. proibida venda medicina livre @LivremedicinaAlém disso, várias manifestações encontradas nas crianças com rinite alérgica recebem o rótulo incorreto de um processo infeccioso. Note, contudo, que os quadros de EII podem coexistir com processos alérgicos; � Crianças com doenças crônicas: cerca de 10% das crianças com infecções recorrentes podem ter alguma doença crônica subjacente, como, por exemplo, fibrose cística, cardiopatias congênitas, defeitos anatômicos e condições que predispõem à aspiração crônica; � Crianças com imunodeficiências: nos 10% restantes, incluem-se as imunodeficiências secundárias (como os quadros de aids, as neoplasias e os tratamentos imunossupressores) e os EII — o objeto de nosso estudo a partir de agora. De um modo geral, as imunodeficiências secundárias são mais comuns que as primárias. Como você acabou de confirmar, a maior parte das crianças que atendemos com infecções recorrentes serão crianças normais, com um quadro de atopia ou com uma doença crônica. Apenas uma minoria terá uma imunodeficiência e, dentro deste grupo, uma fração menor ainda terá um EII. Todavia, não se sinta desmotivado para conhecer melhor o tema por achá-lo pouco comum, pois aí vai o choque de realidade: o diagnóstico correto de diversos EII e a instituição de medidas profiláticas ou terapêuticas pode melhorar o prognóstico de algumas condições e mudar a vida destas crianças. Se não bastasse isso, as doenças que vamos começar a estudar aparecem cada vez com mais frequência nas provas. Logo, esqueça o desânimo e se prepare para ter um conhecimento que será seu diferencial nos concursos e na prática médica. SINAIS DE ALERTA PARA OS ERROS INATOS DA IMUNIDADE proibida venda medicina livre @Livremedicina IMUNIDADE De um modo geral, os pacientes acometidos terão infecções recorrentes, graves e/ou por agentes incomuns ou de baixa patogenicidade; manifestações autoimunes ou inflamatórias; e maior predisposição às neoplasias. Com o intuito de promover o diagnóstico precoce, a fundação Jeffrey Modell propôs há vários anos uma listagem com sinais de alerta para os EII. Esta listagem foi adaptada à nossa realidade pelo Grupo Brasileiro de Imunodeficiências Primárias (Bragid) e ainda é encontrada em diversos livros. OS 10 SINAIS DE ALERTA PARA ERRO INATO DA IMUNIDADE NA CRIANÇAOS 10 SINAIS DE ALERTA PARA ERRO INATO DA IMUNIDADE NA CRIANÇA 1.1. Duas ou mais pneumonias no último ano.Duas ou mais pneumonias no último ano. 2.2. Quatro ou mais novas otites no último ano.Quatro ou mais novas otites no último ano. 3.3. Estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses.Estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses. 4.4. Abscessos de repetição ou ectima.Abscessos de repetição ou ectima. 5.5. Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia).Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia). 6.6. Infecções intestinais de repetição ou diarreia crônica.Infecções intestinais de repetição ou diarreia crônica. 7.7. Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune.Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune. 8.8. Evento adverso ao BCG e/ou infecção por micobactéria.Evento adverso ao BCG e/ou infecção por micobactéria. 9.9. Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada à imunodeficiência.Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada à imunodeficiência. 10.10. História familiar de imunodeficiência.História familiar de imunodeficiência. Nem todos estes sinais são evidentes durante o primeiro ano de vida e, por conta disso, alguns autores propõem a adoção de uma listagem diferenciada nesta população, como mostrado a seguir: OS 12 SINAIS DE ALERTA PARA ERRO INATO DA IMUNIDADE EM MENORES DE UM ANOOS 12 SINAIS DE ALERTA PARA ERRO INATO DA IMUNIDADE EM MENORES DE UM ANO 1.1. Infecções fúngicas, virais e/ou bacterianas graves ou persistentes.Infecções fúngicas, virais e/ou bacterianas graves ou persistentes. 2.2. Reações adversas a vacinas de germe vivo, em especial BCG.Reações adversas a vacinas de germe vivo, em especial BCG. 3.3. Diabetes mellitusDiabetes mellitus persistente ou outra doença autoimune e/ou inflamatória. persistente ou outra doença autoimune e/ou inflamatória. 4.4. proibida venda medicina livre @Livremedicina 4.4. Quadro sepse-símile, febril, sem identificação de agente infeccioso.Quadro sepse-símile, febril, sem identificação de agente infeccioso. 5.5. Lesões cutâneas extensas.Lesões cutâneas extensas. 6.6. Diarreia persistente.Diarreia persistente. 7.7. Cardiopatia congênita (em especial anomalias dos vasos de base).Cardiopatia congênita (em especial anomalias dos vasos de base). 8.8. Atraso na queda do coto umbilical (> 30 dias).Atraso na queda do coto umbilical (> 30 dias). 9.9. História familiar de imunodeficiência ou de óbitos precoces por infecção.História familiar de imunodeficiência ou de óbitos precoces por infecção. 10.10. Linfocitopenia (primárias nas crianças. proibida venda medicina livre @Livremedicina Para este caso, assinale a alternativa CORRETA: a) A frequência e o tipo das infecções sugerem imunodeficiência primária; deve ser iniciada investigação complementar, especialmente com dosagem de células NK. b) É consenso que, segundo a teoria da higiene*, expor precocemente a criança a ambientes com aglomeração de pessoas (creche) fortalece a resposta imunológica para infecções virais. c) O caso descrito reflete o esperado para um lactente hígido com frequência à creche. d) Em um caso como este, é recomendação médica universal o uso de estimulantes do sistema imunológico como timomodulina, lisados bacterianos ou medicamentos à base de Pelargonium ou equinácea. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2023 HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN – HIAE O quadro clínico mais sugestivo de presença de imunodeficiência primária é criança de: a) 4 anos de idade com 2 estomatites e linfadenomegalia cervical bilateral. b) 1 mês de vida com úlcera de 0,5 cm em local da vacina BCG. c) 6 anos de idade com 2 sinusites e 2 pneumonias no ano. d) 2 anos de idade com 2 resfriados no último ano. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 HOSPITAL SANTA MARTA – HSM-DF São sinais de alerta para imunodeficiência primária no primeiro ano de vida alternativas: a) Ausência de timo, infecção leve de via aérea superior de repetição e estrófulo único. b) Abscessos de repetição e infecções bacterianas persistentes ou graves. c) Quatro otites no último ano e diarreia autolimitada. d) Lesões cutâneas autolimitadas e estomatite única. proibida venda medicina livre @Livremedicina Lesões cutâneas autolimitadas e estomatite única. e) Episódio único de internação por bronquiolite e efeito adverso à BCG. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA IMUNOLOGIA — ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS ...ou "O que você REALMENTE precisa saber antes de começarmos". É bem possível que você tenha guardado seus conhecimentos de imunologia lá nos longínquos anos do início da graduação, mas é chegada a hora de revê-los. De forma bastante resumida e prática, se resgatarmos alguns conceitos básicos de grande aplicabilidade clínica, você terá um outro nível de entendimento de várias doenças que estudaremos. Sem medo, vamos em frente! O nosso sistema imunológico pode ser subdividido em dois componentes principais: a imunidade inata e a imunidade adaptativa. Esta é uma subdivisão clássica, mas que não reflete a grande interação existente entre os vários elementos: imagine que cada um destes componentes representa um instrumento musical. Você até pode se impressionar com o som que cada um deles é capaz de produzir, mas a grandiosidade de uma sinfonia só será evidenciada e arrancará aplausos da plateia quando a orquestra tocar em conjunto. IMUNIDADE INATA Entendemos por imunidade inata aquela que já nasce com o próprio organismo e está presente antes de qualquer exposição aos agentes estranhos. É representada pelas barreiras físicas e químicas, fagócitos, sistema complemento, células Natural Killer (NK) e proteínas de fase aguda. SISTEMA FAGOCITÁRIO O sistema fagocitário inclui os granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e as células mononucleares (monócitos e macrófagos teciduais; os monócitos representam um percentual pequeno dos leucócitos circulantes e rapidamente migram para os tecidos, constituindo os macrófagos teciduais). O t e r mo "células polimorfonucleares" é frequentemente utilizado como sinônimo dos neutrófilos, que constituem a maior parte dos granulócitos, mas os eosinófilos e basófilos também fazem parte deste grupo de células. Os neutrófilos e fagócitos mononucleares têm a capacidade de ingerir grandes partículas e promover a destruição microbiana. Os neutrófilos permitem uma rápida resposta efetora do nosso sistema imune. Após serem produzidos na medula óssea, circulam na corrente sanguínea e podem se infiltrar nos tecidos. A migração para os tecidos decorre de sinalizações quimiotáxicas, que favorecem a adesão dessas células ao endotélio vascular, para posterior migração tecidual. Uma vez nos tecidos, ocorre a ingestão e destruição de micro-organismos e liberação de mais sinais quimiotáxicos, com o recrutamento de mais neutrófilos e células dendríticas, iniciando a resposta imune adquirida. Durante os processos infecciosos, há aumento no número de granulócitos circulantes, com a liberação de células ainda imaturas a partir da medula óssea, chamadas de bastões. proibida venda medicina livre @Livremedicina bastões. As partículas fagocitadas são contidas no interior de vacúolos denominados fagossomos, que irão se fundir com grânulos citoplasmáticos de armazenamento que contêm enzimas e substâncias bactericidas (mieloperoxidase, lisozimas). Esta é a famosa degranulação. Além disso, tem início um processo de metabolismo oxidativo, com formação de agentes oxidantes e tóxicos para as bactérias, pelo complexo enzimático NADPH-oxidase. A mieloperoxidase usa produtos deste processo para formação de mais substâncias tóxicas para os micro-organismos ( ) . Em breve, veremos que os EII com prejuízo da função fagocitária podem se desenvolver pelo mau funcionamento de diferentes etapas deste processo. SISTEMA COMPLEMENTO O sistema complemento compreende uma série de proteínas séricas, sintetizadas principalmente no fígado, que atuam em conjunto e são capazes de opsonizar micro-organismos, promover o recrutamento de neutrófilos nos sítios de infecção e, eventualmente, promover diretamente a destruição microbiana. Figura 3_ _ Figura 3. Figura 3. Etapas da fagocitose. Etapas da fagocitose. proibida venda medicina livre @Livremedicina neutrófilos nos sítios de infecção e, eventualmente, promover diretamente a destruição microbiana. A ativação do sistema complemento pode ocorrer por três vias distintas: a via clássica, a via alternativa e a via da lecitina. A via clássica é ativada pela formação dos complexos antígeno-anticorpo, enquanto a via da lectina e a via alternativa podem ser ativadas diretamente pelo contato com os micro-organismos. Estas vias convergem para a produção de C3a, que estimula a inflamação, e C3b, que dá início às etapas finais da ativação do sistema. O caminho final de todas as vias é a formação de peptídeos que estimulam a inflamação e fatores que levam à formação do complexo de ataque à membrana, capaz de promover a destruição de paredes bacterianas. IMUNIDADE ADAPTATIVA A imunidade adaptativa, por sua vez, é aquela que se desenvolve depois do contato com o antígeno. Os principais atores aqui são os linfócitos B e T (Tabela 1). Esta resposta possui algumas características importantes: especificidade, formação de memória e resposta variável. TABELA 1: SUBPOPULAÇÕES LINFOCITÁRIAS E PRINCIPAIS FUNÇÕES.TABELA 1: SUBPOPULAÇÕES LINFOCITÁRIAS E PRINCIPAIS FUNÇÕES. _ proibida venda medicina livre @Livremedicina A história aqui é a seguinte... Após o reconhecimento do agente agressor pelos componentes da imunidade inata, o antígeno é apresentado a células capazes de desenvolver resposta mais específica e de criar uma memória. Como dito, esta forma de imunidade é realizada especialmente por linfócitos T e B. Não pense, porém, que cada um fica na sua: há grande interação entre as populações e esta interação é fundamental para que as respostas sejam mais eficazes e ocorra a formação de memória. Tanto os linfócitos B quanto os linfócitos T reconhecem antígenos a partir de estruturas que possuem em suas superfícies (imunoglobulinas, nos linfócitos B, e receptores especiais, nos linfócitos T). As imunoglobulinas reconhecem diretamente determinadas regiões dos antígenos. Já os receptores nos linfócitos T (TCR — T Cell Receptors) são capazes de reconhecer apenas os antígenos apresentados pelas moléculas do complexo de histocompatibilidade maior (MHC), encontradas nas células apresentadoras de antígenos. As imunoglobulinas, ou anticorpos, são glicoproteínas solúveis e circulam de forma livre ou então são encontradasna superfície de linfócitos B. Esses anticorpos são constituídos por regiões de alta variabilidade, onde ocorre a ligação dos diversos antígenos, e regiões relativamente constantes, formadas por cadeias pesadas. As cadeias pesadas dão origem às diferentes classes de imunoglobulinas que tanto ouvimos falar: IgA, IgD, IgE, IgG e IgM. Em um primeiro contato com o antígeno, os linfócitos B produzem apenas IgM. A interação com linfócitos T é que vai levar à mudança na classe de anticorpos produzidos. Esta interação também é fundamental para a formação de células de memória, capazes de responder de forma mais rápida a um estímulo antigênico em casos de reexposições ao mesmo agente. Participando de ambas as respostas imunes, encontramos ainda proteínas com funções bastante diferenciadas, responsáveis pela comunicação e pela ativação das células de defesa — estas são as citocinas. Agora que você já voltou a se familiarizar com uma série de termos e conceitos que vamos usar e abusar nos próximos parágrafos, vamos partir para o reconhecimento da doenças! OS ERROS INATOS DA IMUNIDADE CLASSIFICAÇÃO Os EII podem ser classificados em dez grupos principais, levando-se em conta o componente do sistema imunológico que está envolvido, bem como as principais características clínicas encontradas. Os grupos propostos pela União Internacional das Sociedades de Imunologia Clínica são: 1. Imunodeficiências que afetam a imunidade celular e humoral; 2. Imunodeficiências combinadas associadas com achados sindrômicos; 3. Deficiências predominantemente de anticorpos; 4. Doenças de desregulação imune; 5. proibida venda medicina livre @Livremedicina 5. Defeitos congênitos de fagócitos (número e/ou função); 6. Defeitos da imunidade intrínseca e inata; 7. Doenças autoinflamatórias; 8. Deficiências do sistema complemento; 9. Falência da medula óssea; 10. Fenocópias de EII (condições que se apresentam como imunodeficiências, mas que não são decorrentes de mutações em linhagens germinativas, e sim adquiridas). A listagem acima representa tão somente uma forma de organização das diversas doenças já descritas. Em termos práticos, é fundamental que saibamos indicar e caraterizar o que vai acontecer no paciente que apresenta defeitos na imunidade inata e/ou adquirida. Dito de outro modo, o que importa é que você seja capaz de definir o que acontece em cada uma das seguintes situações: � Defeitos predominantemente de anticorpos; � Defeitos da imunidade celular e combinados; � Defeitos na fagocitose; e � Defeitos no sistema complemento. Mais da metade dos quadros de EII está associada com deficiências de anticorpos ou deficiências combinadas. Os defeitos isolados de células T, da fagocitose e do complemento são menos comuns. DEFICIÊNCIAS PREDOMINANTEMENTE DE ANTICORPOS — IMUNODEFICIÊNCIAS HUMORAIS QUADRO DE RESUMOQUADRO DE RESUMO Agamaglobulinemia Ligada ao XAgamaglobulinemia Ligada ao X � Sexo masculino + infecções respiratórias por germes encapsulados + meningoencefalite por enterovírus + hipoplasia de tecidos linfoides + ausência de linfócitos B circulantes + hipo/agamaglobulinemia; � Tratamento com reposição de imunoglobulina e manejo das infecções. Imunodeficiência Comum VariávelImunodeficiência Comum Variável � Acomete ambos os sexos; proibida venda medicina livre @Livremedicina � Níveis baixos de IgG + níveis baixos de IgM e/ou IgA, com número de linfócitos B normal ou pouco diminuído. Deficiência da Imunoglobulina ADeficiência da Imunoglobulina A � EII mais comum; � Assintomática ou associada com infecções sinopulmonares, giardíase, doenças autoimunes. Pode evoluir com ICV. Deficiências de Subclasses de IgGDeficiências de Subclasses de IgG Síndrome de Hiper-IgMSíndrome de Hiper-IgM � Níveis elevados de IgM e níveis baixos de outras Ig. Deficiência de Anticorpos AntipolissacarídicosDeficiência de Anticorpos Antipolissacarídicos INTRODUÇÃO Vamos começar abordando os EII que cursam com deficiências predominantemente nos anticorpos. São as formas mais comuns de EII e é possível que você se depare com alguma delas em sua prática pediátrica. As imunodeficiências humorais são resultantes de alterações na produção de anticorpos, que podem ter como origem um defeito intrínseco nas células B ou na interação entre as células B e T. As principais características desses quadros são: � Infecções recorrentes do trato respiratório superior e inferior por bactérias encapsuladas (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae): episódios recorrentes de otite média, sinusite e pneumonia; � Infecções do trato gastrointestinal; � Achados clínicos, como prejuízo de crescimento, diarreia crônica, febre recorrente, hiperplasia nodular no intestino e hepatoesplenomegalia. Na avaliação das suspeitas de defeitos na imunidade humoral, deve ser feita a avaliação das alterações quantitativas e qualitativas dos anticorpos. A dosagem de anticorpos antes e após desafios antigênicos é uma ferramenta útil neste sentido. Isso é possível pelas dosagens de títulos de anticorpos após a administração de vacinas proteicas ou, nos maiores de dois anos, polissacarídicas. proibida venda medicina livre @Livremedicina HIPOGAMAGLOBULINEMIA FISIOLÓGICA DA INFÂNCIA Lembre-se de que, ao nascer, os níveis de IgG na criança são próximos aos maternos, pela passagem transplacentária dos anticorpos. O que acontece a seguir é uma diminuição nesses níveis até o 4º ou 6º mês de vida, quando são alcançados os valores mais baixos. Antes de perder completamente os anticorpos maternos, a criança já terá desenvolvido a capacidade de responder à maior parte dos antígenos. Os níveis de IgG apresentam um aumento progressivo nos primeiros três anos de vida e, a partir daí, o aumento é mais lento ( ). É justamente por essa razão que é difícil estabelecermos o diagnóstico de certeza de algumas imunodeficiências humorais nos primeiros três ou quatro anos de vida. HIPOGAMAGLOBULINEMIA TRANSITÓRIA DA INFÂNCIA O quadro de Hipogamaglobulinemia Transitória da Infância (HTI) é considerado uma acentuação e prolongamento da hipogamaglobulinemia fisiológica da infância. Como tínhamos visto na Figura 4, entre três e seis meses de vida é encontrado um nadir nos níveis de imunoglobulina. Na HTI, a criança persiste com níveis baixos de IgG associados com infecções bacterianas e virais de repetição, com resolução espontânea aos quatro anos. O tratamento consiste no manejo das infecções. Alguns pacientes irão receber tratamento com reposição de imunoglobulina e profilaxia com antimicrobianos. O diagnóstico final só pode ser estabelecido de modo retrospectivo, após a normalização nos níveis de imunoglobulinas. Figura 4_ _ Figura 4.Figura 4. Níveis de imunoglobulinas (IgG, IgM, IgA) no feto e no primeiro ano de vida. Níveis de imunoglobulinas (IgG, IgM, IgA) no feto e no primeiro ano de vida. proibida venda medicina livre @Livremedicina Para fixar: RESIDÊNCIA MÉDICA HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RP DA USP – USP-RP Menina, 2 anos de idade, começou a apresentar otites médias de repetição a partir do primeiro ano de vida, com resposta clínica satisfatória aos antimicrobianos orais. Não apresentou outras infecções. Pré-termo de 32 semanas, adequado para idade gestacional. Foi amamentado até 1 ano e 6 meses. Exame físico sem anormalidades. Peso e estatura nos percentis 50 para idade e sexo. Exames laboratoriais: hemograma normal, lgG: 350 mg/dl (referência: 650 a 950), lgM: 100 mg/dl (referência: 44 a 120), lgA: 30 mg/dl (referência: 35 a 118); subpopulações de linfócitos T e B normais no sangue periférico. O provável diagnóstico é: a) Deficiência de lgA. b) Agamaglobulinemia congênita. c) Hipogamaglobulinemia comum variável. d) Hipogamaglobulinemia transitória da infância. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA PUC – SOROCABA – PUC-SP Joana, 15 meses, apresenta desde os seis meses otites de repetição (6 episódios), sendo três episódios com supuração. Tem peso, estatura adequados, mas o pediatra resolveencaminhá-la para o imunologista, por suspeita de imunodeficiência. Qual a principal hipótese diagnóstica? a) Imunodeficiência primária humoral. b) Imunodeficiência primária do sistema complemento. c) Hipogamaglobulinemia fisiológica, comum até dois anos. d) Orienta-se, pois não se vê imunodeficiência primária após os seis meses de vida. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA AGAMAGLOBULINEMIA LIGADA AO X proibida venda medicina livre @Livremedicina AGAMAGLOBULINEMIA LIGADA AO X A agamaglobulinemia ligada ao X (XLA) foi descrita por Bruton em 1952 e, por isso, também é chamada de agamaglobulinemia de Bruton. Acomete indivíduos do sexo masculino e cursa com um grave defeito na maturação dos linfócitos B e grave diminuição de imunoglobulinas. A origem do problema está no defeito de uma molécula de transdução de sinal chamada tirosina-quinase de Bruton (Btk) e há mais de 500 mutações descritas no gene que codifica a proteína, localizado na braço longo do cromossomo X. A história familiar pode estar ausente, pois em até um terço das vezes as mutações ligadas ao X serão novas. Ainda assim, tal história sempre deve ser avaliada com cautela e, para isso, indaga-se pelo relato de outros indivíduos do sexo masculino hospitalizados, com doenças graves ou falecidos na infância. A Btk é uma proteína citoplasmática necessária para a expansão e maturação dos linfócitos B. A falha no desenvolvimento leva a uma diminuição nos linfócitos B circulantes no sangue e tecidos, falha na diferenciação de plasmócitos e diminuição intensa na produção de todas as classes de imunoglobulinas. A Btk também é encontrada em células da linhagem mieloide, mas não é fundamental para seu desenvolvimento e função. A neutropenia pode ser observada nos pacientes com XLA apenas nas situações em que é necessária uma rápida produção de células da linhagem mieloide, como em processos infecciosos agudos. QUADRO CLÍNICO Os meninos afetados com XLA permanecem assintomáticos nos primeiros seis ou 18 meses de vida. É fácil compreender a razão disso: neste período, ainda há anticorpos maternos circulantes. O quadro é caracterizado, principalmente, por infecções bacterianas recorrentes do trato respiratório causadas por bactérias como S. pneumoniae e H. influenzae. Isto é um reflexo da importância dos anticorpos no processo de opsonização das bactérias encapsuladas. As infecções virais não costumam ter consequências mais graves, exceto as causadas por enterovírus, podendo haver meningoencefalite por estes agentes. Há maior risco de poliomielite pelo vírus vacinal da pólio. Ao exame físico, tonsilas, adenoides e linfonodos periféricos são diminuídos ou ausentes, pela ausência dos centros germinativos. Por conta disso, a hipoplasia linfoide ao exame físico deve levantar a suspeita dessa condição. Isso também pode ser verificado em exames complementares ( ). Há controvérsias em relação à associação entre esta condição e o aumento no risco de malignidades. Figura 5_ _ proibida venda medicina livre @Livremedicina AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR E TRATAMENTO Há diminuição sérica nos níveis de IgA, IgG, IgM e IgE (níveis totais podem ser inferiores a 100 mg/dl). Os anticorpos naturais contra os antígenos eritrocitários A e B e os anticorpos contra os antígenos vacinais estão diminuídos. A citometria de fluxo mostra ausência de linfócitos B circulantes, com menos de 1% de linfócitos CD 19 + (marcador encontrado nos linfócitos B). O número de células T e a função das mesmas são normais. A análise molecular permite a avaliação na mutação no gene que codifica a Btk. A base do tratamento é o uso regular de imunoglobulina humana e o tratamento agressivo dos quadros infecciosos. A imunoglobulina humana pode ser aplicada pelas vias intramuscular, intravenosa e subcutânea. A via intramuscular não tem sido utilizada no manejo dos EII, dada a ocorrência de efeitos adversos e a limitação do volume a ser aplicado. O intervalo entre as aplicações por via intravenosa costuma ser de 21 dias (ou a cada três a quatro semanas; a dose varia de 200 a 800 mg/kg); para a via subcutânea, pode haver variações nos intervalos e doses. Apesar do uso regular de imunoglobulina, alguns pacientes desenvolvem infecções persistentes por enterovírus e também infecções sinopulmonares crônicas. Você consegue imaginar a razão disso? É simples: não há como repor de forma eficaz a IgA secretória encontrada em superfícies mucosas. Em casos selecionados, pode ser recomendado o uso crônico de antimicrobianos. Figura 5.Figura 5. Agamaglobulinemia: a radiografia cervical lateral evidencia a ausência de adenoides. Agamaglobulinemia: a radiografia cervical lateral evidencia a ausência de adenoides. SAIBA MAIS AGAMAGLOBULINEMIA AUTOSSÔMICA RECESSIVA Representa quadros clínicos e laboratoriais semelhantes aos da XLA, mas o padrão de herança é distinto — herança autossômica recessiva — e pode acometer o sexo feminino. As mutações ocorrem em genes que codificam as cadeias leves ou pesadas das imunoglobulinas e outras proteínas de proibida venda medicina livre @Livremedicina Veja como o assunto foi abordado em provas recentes... RESIDÊNCIA MÉDICA – 2023 ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO PARANÁ – AMP Paciente com infecções bacterianas de repetição, masculino, no exame físico não se observa a presença de tonsilas, raio X de cavum sem sinais de adenoide. Qual o diagnóstico mais provável? a) Doença de Wiskott-Aldrich. b) Deficiência do complemento. c) Agamaglobulinemia congênita. d) Imunodeficiência comum variável. e) Síndrome da imunodeficiência adquirida. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2023 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – UNIFESP Menino, 5 anos de idade, apresenta pneumonias bacterianas desde os 6 meses de idade. No exame físico: ausência de tonsilas palatinas. RX de tórax: imagem cardiotímica normal. Considerando a principal hipótese diagnóstica, o tratamento indicado deve ser: a) Transplante de células tronco hematopoiéticas. b) Reposição de imunoglobulina humana. c) Profilaxia para pneumocistose. d) Transplante de timo. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA IMUNODEFICIÊNCIA COMUM VARIÁVEL em genes que codificam as cadeias leves ou pesadas das imunoglobulinas e outras proteínas de transdução de sinal envolvidas na maturação dos linfócitos B. proibida venda medicina livre @Livremedicina IMUNODEFICIÊNCIA COMUM VARIÁVEL A Imunodeficiência Comum Variável (ICV) caracteriza-se pela presença de níveis baixos de IgG associados com níveis baixos de IgM e/ou IgA, na presença de linfócitos B, e má resposta às imunizações. É o segundo EII mais comum (o primeira é a deficiência de IgA, que veremos a seguir). Ambos os sexos são acometidos igualmente e a idade de início das manifestações é posterior à da XLA. O diagnóstico é mais comumente estabelecido apenas após a puberdade, pois o reconhecimento desta condição nos primeiros anos de vida é um desafio, sendo uma das razões a já citada hipogamaglobulinemia transitória da infância. A maioria dos quadros são esporádicos ou seguem um padrão de herança autossômico dominante. O quadro parece estar associado com a deficiência de IgA, pois já foi observado que costuma ocorrer em parentes de primeiro grau de indivíduos com este EII e, além disso, alguns pacientes com deficiência seletiva de IgA acabam evoluindo com ICV. QUADRO CLÍNICO Os pacientes com ICV desenvolvem quadros semelhantes aos encontrados na XLA, exceto pela meningoencefalite por enterovírus. As infecções respiratórias crônicas podem levar ao desenvolvimento de bronquiectasias. Diferentemente do que ocorre na XLA, os tecidos linfoides têm tamanho normal ou aumentado. A esplenomegalia é observada em 25% dos casos. Diversas alterações gastrointestinais, manifestações autoimunes e neoplasias ocorrem em frequência maior. Os quadros diarreicos crônicos podem ser de causa bacteriana ou por giardíase. A hiperplasia nodular linfoide, ou hiperplasia folicular linfoide, é um achado benigno no intestino delgado que pode estar associado com a ICV, deficiência de IgA e linfomagastrointestinal. O risco de linfomas é especialmente alto nas mulheres na 5ª e 6ª décadas de vida. A expectativa de vida desses pacientes pode ser limitada pelo desenvolvimento de doenças linfoproliferativas, autoimunes e neoplasias. AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR E TRATAMENTO Na avaliação complementar, o número de linfócitos B circulantes é normal. Há diminuição no nível sérico de IgG (as crianças com ICV costumam ter níveis de IgG inferiores a 500 mg/dl), bem como de IgA e/ou IgM. Para o estabelecimento do diagnóstico, outras causas de hipogamaglobulinemia devem ser excluídas. Na investigação, deve ser avaliada a capacidade de produção de anticorpos específicos a doenças prévias ou vacinas. O tratamento também é feito com a reposição de imunoglobulinas e tratamento das infecções. RESIDÊNCIA MÉDICA – 2023 HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RP DA USP – USP-RP Criança de 5 anos de idade apresenta história prévia de 6 episódios de sinusites e 3 episódios de pneumonia bilateral, com necessidade de hospitalização para oxigenoterapia e antibioticoterapia venosa. Todos os episódios infecciosos foram confirmados com exame radiológico. Apresentou 2 culturas de escarro positivas para Streptococcus pneumoniae e Moraxella catharralis. Pais não consanguíneos. Procurou centro de referência de Imunologia para investigação, onde foi realizado diagnóstico de imunodeficiência comum variável. Qual o tratamento ideal para este paciente? proibida venda medicina livre @Livremedicina a) Tratamento com imunoestimulante. b) Reposição de imunoglobulina. c) Transplante de medula óssea. d) Antibioticoprofilaxia contínua. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA DEFICIÊNCIA SELETIVA DA IMUNOGLOBULINA A A deficiência seletiva de IgA é o EII mais comum e pode ser identificada em indivíduos sintomáticos ou assintomáticos. A prevalência descrita varia de 1 para 100 a 1 para 10.000 indivíduos no mundo ocidental. Os padrões de herança não são completamente definidos. O quadro pode estar associado com outros EII: ICV, deficiência de subclasse IgG2, síndrome de ataxia- telangiectasia, síndrome de DiGeorge. Apesar da importância da IgA secretória na imunidade das mucosas, a maioria dos pacientes com a deficiência não apresenta manifestações clínicas. Isso é explicado pela redundância de mecanismos de proteção do nosso sistema imune: nos pacientes com a deficiência seletiva de IgA, por exemplo, podemos notar um aumento da concentração de IgM em várias secreções. QUADRO CLÍNICO As manifestações clínicas, quando presentes, incluem as seguintes alterações: � Infecções sinopulmonares de repetição: as crianças podem ter quadros mais frequentes de otite média, sinusites e/ou pneumonias. Geralmente são causadas por bactérias encapsuladas, como S. pneumoniae e H. influenzae; � Doenças autoimunes: artrite idiopática juvenil, lúpus eritematoso sistêmico, hipotireoidismo, anemias hemolíticas, púrpura trombocitopênica idiopática; � Infecções intestinais por Giardia ou outras desordens intestinais: a Giardia lamblia é capaz de aderir e se proliferar no epitélio intestinal e, apesar dos tratamentos, ocorrem recidivas frequentes. Há maior frequência de quadros de doença celíaca e doenças intestinais inflamatórias. A hiperplasia nodular linfoide, já descrita em associação com a ICV, também ocorre com mais frequência nestes indivíduos; � Quadros alérgicos: como asma e alergias alimentares; � Reações transfusionais anafiláticas: alguns pacientes podem desenvolver anticorpos contra IgA. As reações transfusionais se estabelecem quando estes anticorpos reagem com os anticorpos IgA presentes no plasma ou produtos com imunoglobulinas. Os pacientes podem ter aumento nos níveis de diversos autoanticorpos, mesmo sem manifestações clínicas. proibida venda medicina livre @Livremedicina autoanticorpos, mesmo sem manifestações clínicas. AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR E TRATAMENTO Na avaliação complementar, o diagnóstico é confirmado quando há diminuição nos níveis de IgA (IgA sérica inferior a 7 mg/dl; alguns autores citam 5 mg/dl), mas os níveis de IgG e IgM encontram-se normais (ainda que, eventualmente, possamos encontrar o relato de diminuição de algumas subclasses). É importante confirmar os níveis baixos de IgA em mais de uma ocasião. O diagnóstico é estabelecido em crianças maiores de quatro anos, nas quais outras causas de hipogamaglobulinemia já foram excluídas. Abaixo dos quatro anos, não é possível haver certeza do diagnóstico e a criança deve ser acompanhada. Os pacientes com deficiência parcial de IgA apresentam concentrações acima de 7 mg/dl, mas abaixo do limite da normalidade (mais do que dois desvios-padrão abaixo do valor médio). Durante a avaliação, deve-se atentar para o fato de que algumas medicações podem causar uma redução temporária nos níveis de IgA, que se resolve com a descontinuidade do tratamento. Alguns exemplos são: anticonvulsivantes (fenitoína, ácido valproico, lamotrigina e carbamazepina); D-penicilamina; sulfassalazina; captopril; tiroxina; ciclosporina (pode induzir deficiência permanente). O tratamento não inclui a administração de imunoglobulina humana (contém essencialmente IgG). É feito o tratamento dos quadros infeciosos e monitorização de processos neoplásicos ou autoimunes. Pode ser bem simples: RESIDÊNCIA MÉDICA HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE GOIÁS – HCG As imunodeficiências primárias ou erros inatos da imunidade podem apresentar um desfecho desfavorável em caso de diagnóstico tardio. Por isto, deve-se manter um alto índice de suspeita para o diagnóstico, tratamento e profilaxia precoces antes que danos irreversíveis possam ocorrer. A imunodeficiência congênita mais comum em crianças é a: a) Deficiência de complemento. b) Deficiência de IgA sérica. c) Síndrome de Chediak-Higashi. d) Doença granulomatosa crônica da infância. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP –UNICAMP proibida venda medicina livre @Livremedicina FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP –UNICAMP Menino, nove anos de idade chega ao Ambulatório de Pediatria, encaminhado para investigação de “imunidade baixa” por apresentar episódios recorrentes de amigadalite e otite. É atópico — tem rinite persistente não controlada, IgE elevado e eosinofilia. A investigação complementar mostrou IgA 16 mg/dl (abaixo do segundo desvio padrão para a idade), com IgG e IgM normais. Assinale a alternativa CORRETA: a) O diagnóstico está definido para deficiência seletiva de IgA. Não são necessários exames ou consultas médicas periódicas, pois esta imunodeficiência não evolui com comorbidades. b) A confirmação do diagnóstico de deficiência seletiva de IgA necessita de pelo menos três dosagens intervaladas. O acompanhamento clinico é necessário, pois uma porcentagem desses pacientes pode evoluir com comorbidades relacionadas a esta. c) Em crianças, a deficiência de IgA é sempre transitória; dosagens periódicas irão revelar aumento dos níveis dessa imunoglobulina com normalização até a puberdade. d) Não há associação descrita entre deficiência de IgA e atopia; este foi um achado fortuito. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA OUTRAS DEFICIÊNCIAS PREDOMINANTEMENTE DE ANTI‐ CORPOS � Deficiências de subclasses de IgG: o quadro é caracterizado pela redução de uma ou mais subclasses de IgG, com níveis totais de IgG normais. Na maioria das vezes o paciente é assintomático. Nos pacientes com níveis reduzidos de IgG2, há maior frequência de infecções do trato respiratório. O tratamento varia em função da gravidade dos quadros e pode incluir apenas acompanhamento clínico ou, eventualmente, a reposição de imunoglobulinas. � Síndrome de Hiper-IgM: diferentes defeitos moleculares podem ocasionar esta condição, que se caracteriza por níveis normais ou elevados de IgM associados com ausência ou níveis baixos de IgG, IgA e IgE. O que acontece é um defeito na troca de classes de imunoglobulinas produzidas pelos linfócitos B. Há diferentes mecanismos moleculares envolvidos, sendo que a forma maiscomum é ligada ao X e é causada pela mutação no gene que codifica o ligante do CD40 (CD40L ou CD154). Este ligante, CD154, é expresso na superfície de linfócitos T ativados e interage com os linfócitos B, promovendo a troca de classes de imunoglobulinas produzidas. As células B aqui são, de fato, normais; o problema está nas células T (estas condições também podem ser classificadas dentro do grupo das imunodeficiências combinadas). Nestas situações, temos pacientes do sexo masculino, com manifestações que começam ainda no primeiro ou segundo ano de vida. O quadro inclui infecções recorrentes e pode se assemelhar à XLA, mas há hiperplasia linfoide e número normal de linfócitos B. O tratamento deve incluir a reposição de imunoglobulina e antibioticoterapia. O transplante de células-tronco deve ser considerado. � proibida venda medicina livre @Livremedicina � Deficiência de anticorpos antipolissacarídicos: os pacientes apresentam infecções sinopulmonares de repetição por deficiência na produção de anticorpos antipolissacarídicos, com níveis normais de IgG, IgA, IgM e das subclasses de IgG. Os mecanismos aqui não são completamente esclarecidos. Os níveis de imunoglobulina são normais, mas não há formação de anticorpos antipolissacarídicos. O cuidado é que isso só pode ser visto a partir dos dois anos. O menor de dois anos não responde adequadamente aos antígenos polissacarídicos. Está na hora de uma pausa para um gole de café e para perceber como tudo é simples depois que estudamos um pouco! RESIDÊNCIA MÉDICA FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP – UNICAMP Criança do sexo feminino, 10 anos de idade, chega ao serviço de saúde com história de 8 pneumonias, todas com tratamento hospitalar; dois episódios de derrame pleural com necessidade de dreno de tórax; várias amigdalites e otites, com otorreia crônica. Nega outras infecções. Ao exame físico: peso e altura no percentil 25 para a idade, membranas timpânicas perfuradas bilateralmente; alguns roncos à ausculta pulmonar, restante sem alterações. A investigação complementar inicial mostrou todas as sorologias negativas, inclusive HIV, hemograma com número normal de leucócitos, neutrófilos e linfócitos, 8% de eosinófilos, 230.000 plaquetas, dosagem de complemento normal, IgE 1.197 ((sinal do barco a vela). B)B) A ausência do timo pode ser um indício de um EII. A ausência do timo pode ser um indício de um EII. proibida venda medicina livre @Livremedicina O quadro é uma verdadeira emergência e as crianças devem ser submetidas ao transplante de células- tronco hematopoiéticas. Em alguma mutações específicas, a reposição de enzimas deficientes pode ser um tratamento adicional. A reposição de imunoglobulinas, isoladamente, não consegue controlar as infecções. São recomendadas profilaxias com antibióticos, antifúngicos e antivirais. RESIDÊNCIA MÉDICA – 2023 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – UNIFESP Menino, 20 dias de vida, assintomático, apresenta resultado do teste do pezinho com contagem de TREC abaixo do valor de corte informado pelo laboratório de referência. Este resultado é: a) Normal. b) Definitivo para linfopenias de células B. c) Suspeito para imunodeficiência combinada grave. d) Falso-negativo. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA OUTRAS IMUNODEFICIÊNCIAS COMBINADAS Estas condições são diferenciadas dos quadros de SCID pela presença de linfócitos T em níveis baixos, mas não ausentes. Da mesma forma que ocorria na situação anterior, há diversas causas genéticas distintas implicadas nas condições. Os pacientes também têm risco aumentado para infecções pulmonares crônicas, candidíase mucocutânea, diarreia crônica e outras infecções. Vamos sedimentando... RESIDÊNCIA MÉDICA SAIBA MAIS TRIAGEM NEONATAL A triagem neonatal para as imunodeficiências combinadas graves já é disponível em clínicas particulares, mas ainda não integra o Programa Nacional de Triagem Neonatal. Em 2021, foi sancionada lei para ampliação em etapas deste programa, com a inclusão da triagem de EII (como SCID) na etapa quatro, mas ainda sem previsão de implementação em âmbito nacional. A avaliação é feita pela quantificação de TRECs* (círculos de excisão do receptor de células T) e KRECs* (círculos de excisão de recombinação de deleção de kappa). A análise também permite a identificação dos quadros de agamaglobulinemia. Já foi demonstrado que a avaliação possui sólido corpo de evidências com alta sensibilidade (de até 100% em alguns estudos) na detecção de linfopenias de células T e B. proibida venda medicina livre @Livremedicina RESIDÊNCIA MÉDICA FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP – UNICAMP Menino de 1 ano de idade vem para consulta pediátrica com episódios recorrentes de candidíase oral e vaginal, herpes labial e cutâneo e quatro pneumonias. Sorologia para HIV negativa. Considerando-se a hipótese de imunodeficiência primária, assinale a alternativa CORRETA para o tipo de anormalidade do sistema imunológico esperada na investigação complementar inicial: a) Neutropenia isolada. b) Linfopenia e hipogamaglobulinemia. c) Hipogamaglobulinemia isolada. d) Neutropenia e hipogamaglobulinemia. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE RP DA USP – USP-RP Lactante de 3 meses de idade apresenta história prévia de 2 episódios graves de pneumonia intersticial (aos 30 dias e 60 dias de vida), com necessidade de hospitalização para oxigenoterapia, devido ao extenso comprometimento pulmonar bilateral. A pesquisa de agentes etiológicos foi positiva para vírus sincicial respiratório no primeiro episódio e Pneumocystis jirovecci no segundo. Pais são consanguíneos. Foi levado ao serviço de Imunologia para investigação, onde foi confirmado diagnóstico de imunodeficiência combinada grave. O tratamento considerado padrão-ouro para este paciente é: a) Antibioticoprofilaxia. b) Transplante de células tronco-hematopoéticas. c) Terapia de reposição com imunoglobulina. d) Interferon-gama. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA DEFEITOS NA FAGOCITOSE QUADRO DE RESUMOQUADRO DE RESUMO proibida venda medicina livre @Livremedicina Neutropenia Congênita GraveNeutropenia Congênita Grave � Neutropenia grave + infecções bacterianas nos primeiros meses de vida; � O tratamento é feito com G-CSF. Neutropenia CíclicaNeutropenia Cíclica � Oscilações regulares na contagem de neutrófilos. Manifestações no nadir da neutropenia. Doença Granulomatosa CrônicaDoença Granulomatosa Crônica � Defeitos NADPH-oxidase; � Infecções graves + abscessos + bactérias catalase-positivas; � Testes da função oxidativa: NBT e di-hidrorodamina. Defeitos na Adesão LeucocitáriaDefeitos na Adesão Leucocitária Lá no início, na longa conversa que tivemos sobre a organização do nosso sistema imune, você aprendeu que os fagócitos são células fundamentais da nossa imunidade inata. Os neutrófilos costumam representar nossa primeira linha de defesa: chegam ao sítio infeccioso em até duas ou quatro horas após a invasão microbiana e são capazes de contê-la, evitando a disseminação hematogênica do agente. Porém a participação dessas células não se restringe a isso: através do processamento e apresentação dos antígenos para os linfócitos T, são de suma importância para o estabelecimento da resposta adaptativa. Um outro dado importante é que as enzimas secretadas pelos neutrófilos são importantes no dano tecidual e nos processos de cicatrização. Por esta razão, nos defeitos da fagocitose podemos identificar atraso na queda do coto umbilical e na eclosão dentária. Se você leu com atenção a listagem com os sinais de alerta para EII no primeiro ano de vida, deve estar lembrado de que o atraso na queda do coto umbilical superior a 30 dias era um dos sinais citados! As deficiências na fagocitose, sejam no número ou na função, podem levar ao surgimento de manifestações clínicas potencialmente graves já no período neonatal. Encontramos, tipicamente, o acometimento dos sítios que têm contato com o meio externo: pele, trato respiratório e trato gastrointestinal. As crianças com condições costumam ter infecções por agentes que dependem de fagócitos para sua destruição, como Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Streptococcus viridans e bacilos Gram- negativos. As deficiências no número incluem os quadros de neutropenias, que são caracterizadas por uma proibida venda medicina livre @Livremedicina As deficiências no número incluem os quadros de neutropenias, que são caracterizadas por uma diminuição no número de neutrófilos circulantes no sangue periférico. A contagem de neutrófilos nos permite classificar a gravidade do quadro de neutropenia da seguinte forma: � Leve: 1.000–1.500 céls/mm3; � Moderado: 500–1.000 céls/mm3; � Grave: menos de 500 céls/mm3. Além dos EII que cursam com neutropenia, é importante lembrarmos de que fatores extrínsecos também ocasionam a alteração, tais como infecções, neutropenia induzida por drogas, deficiências nutricionais, neutropenia associada com fatores metabólicos e neutropenia autoimune. Algumas condições que levam à neutropenia congênita são estudadas no grupo dos EII que cursam com alterações fenotípicas (uma daquelas dez categorias que havíamos visto vários parágrafos acima). Veremos, aqui, as formas de neutropenia que são classificadas dentro do grupo dos distúrbios da fagocitose. NEUTROPENIA CONGÊNITA GRAVE É uma rara desordem granulocítica congênita. Os indivíduos apresentam uma interrupção na maturação mieloide no estágio de promielócito/mielócito. A contagem total de neutrófilos é inferior a 200 céls/mm3. O quadro pode ter herança recessiva, dominante ou ser esporádico. Uma das formas autossômicas recessivas é chamada de síndrome de Kostmann e se associa com quadros neurológicos e cognitivos. A criança apresenta infecções bacterianas graves e de início precoce. São comuns quadros que acometem as partes moles, incluindo onfalites, gengivites e abscessos (hepáticos, perianais e genitais). As principais bactérias envolvidas são S. aureus, Escherichia coli e Pseudomonas sp. O tratamento consiste na administração do fator de crescimento de colônias de granulócitos (G-CSF — filgrastim; Granulokine®; a dose inicial é de 5 mcg/kg/dia, podendo chegar a 100 mcg/kg/dia). O objetivo é a manutenção do número total deneutrófilos acima de 1.000 céls/mm3. O transplante de células- tronco hematopoiéticas é uma possibilidade para os que não respondem ao tratamento. NEUTROPENIA CÍCLICA Também é uma condição rara e tem herança autossômica dominante. Os pacientes apresentam oscilações periódicas e regulares na contagem absoluta dos neutrófilos, com contagens que variam entre a normalidade e níveis inferiores a 200 céls/mm3. As manifestações clínicas irão acontecer no nadir da neutropenia, que costuma acontecer a cada 21 dias e ter duração de três a 10 dias. Essas manifestações incluem febre, desenvolvimento de úlceras orais e genitais, gengivite, periodontite, faringite e aumento dos linfonodos. Os paciente podem ter infecções mais graves. Para o diagnóstico, é feita a avaliação da contagem de neutrófilos três vezes por semana durante seis a oito semanas. Os pacientes com quadros mais graves podem ser tratados com G-CSF. proibida venda medicina livre @Livremedicina DOENÇA GRANULOMATOSA CRÔNICA A Doença Granulomatosa Crônica (DGC) pode ter herança ligada ao X, mais comumente, ou autossômica recessiva. Costuma ser mais comum no sexo masculino. O quadro é caracterizado pela incapacidade dos fagócitos de destruírem os micro-organismos já fagocitados. Os neutrófilos e monócitos destes pacientes são capazes de responderem aos estímulos quimiotáxicos, ingerirem os micro-organismos e sofrerem degranulação. Todavia, são incapazes de destruir micro-organismos catalase-positivos por alterações na enzima NADPH-oxidase. Vários parágrafos acima você já tinha aprendido que esta enzima tem papel na produção de intermediários reativos de oxigênio, importantes na destruição de vários micro-organismos fagocitados. Como consequência da alteração enzimática, os vacúolos fagocíticos formados são incapazes de produzir espécies reativas de oxigênio com ações microbicidas. Os cinco principais micro-organismos responsáveis pelos quadros são S. aureus, Aspergillus, Burkholderia cepacia, Serratia e Nocardia. O paciente apresenta infecções graves e de início precoce, que incluem pneumonias recorrentes, osteomielites, adenites, e abscessos hepáticos, cutâneos, pulmonares e perirretais. A formação de granulomas é uma característica marcante da doença, mas os mecanismos envolvidos não são completamente elucidados. Os granulomas podem surgir em vários tecidos e levam à obstrução de órgãos ocos, em especial no trato gastrointestinal e urinário. O diagnóstico é estabelecido pela realização de testes que avaliam a função oxidativa dos neutrófilos. Isto é possível pelos testes de redução do corante NBT (Nitroblue Tetrazolium) e pelo teste de redução da di- hidrorodamina. O tratamento é feito com profilaxia antimicrobiana e antifúngica (sulfametoxazol-trimetoprima e itraconazol). O uso de interferon-gama confere benefício adicional para alguns pacientes. Os processos obstrutivos relacionados com a formação de granulomas são manejados com corticoterapia. O transplante de células-tronco hematopoiéticas pode ser o tratamento curativo e deve ser considerado levando-se em conta a evolução de cada caso. DEFEITOS NA ADESÃO LEUCOCITÁRIA São doenças raras de herança autossômica recessiva. Os pacientes apresentam contagem aumentada de neutrófilos, mas há prejuízo na adesão, motilidade e capacidade de fagocitar as bactérias. Ocorrem infecções de repetição desde a idade tenra, com história de atraso na queda do coto umbilical. As infecções cutâneas são graves e não há formação de pus. Perceba como basta reconhecer os termos-chaves nos enunciados... RESIDÊNCIA MÉDICA ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO PARANÁ – AMP Lactente de 3 meses, do sexo masculino, apresentou há 10 dias uma nodulação em região anterior de tórax, tendo sido internado e medicado com antibióticos e drenagem cirúrgica, com grande saída de secreção purulenta do local. Cultura do material foi positiva para Staphylococcus aureus, sensível à oxacilina. Com 3 proibida venda medicina livre @Livremedicina purulenta do local. Cultura do material foi positiva para Staphylococcus aureus, sensível à oxacilina. Com 3 dias de evolução, em uso de oxacilina, desenvolveu novo abscesso em região anal e vários linfonodos cervicais e axilares. Foi drenado este abscesso, com novo crescimento de Staphylococcus aureus sensível à oxacilina. No sétimo dia desenvolveu quadro respiratório, com presença de consolidação de aspecto pneumônico em ambos os pulmões. Tinha antecedente de atraso na queda do coto umbilical, negava consanguinidade. O exame que confirmaria o diagnóstico mais provável é: a) Dosagem de imunoglobulina A (IgA). b) Complemento hemolítico total (CH50). c) Teste cutâneo de hipersenbilidade tardia (PPD). d) Teste de redução do nitroblue tetrazolium (NBT). e) Dosagem de subclasses de imunoglobulina G (IgG). MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA SELEÇÃO UNIFICADA PARA RESIDÊNCIA MÉDICA DO ESTADO DO CEARÁ – SURCE No ambulatório, chega uma criança de 10 meses de idade com relato de cicatrização deficiente e abscessos profundos na pele e recorrentes. Também já tivera ulcerações orais. Qual a principal suspeita diagnóstica? a) Imunodeficiência predominante do sistema complemento. b) Imunodeficiência predominante do sistema fagocitário. c) Imunodeficiência predominante dos linfócitos B. d) Imunodeficiência predominante dos linfócitos T. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA RESIDÊNCIA MÉDICA – 2022 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – UFRJ Menino, 2 anos, é atendido no ambulatório com história de infecção de repetição incluindo seis episódios de otite média aguda e um episódio de celulite periorbitária. Crescimento e desenvolvimento normais. Resultado de cinco hemogramas (realizados nos últimos três meses): leucometria total de 2.000–2.500/mm³ com 500–1.000/mm³ neutrófilos. A hipótese diagnóstica mais provável é: proibida venda medicina livre @Livremedicina com 500–1.000/mm³ neutrófilos. A hipótese diagnóstica mais provável é: a) Neutropenia benigna crônica. b) Síndrome de Chediak-Higashi. c) Síndrome de Kostmann. d) Síndrome de Schwachman-Diamond. MOSTRAR RESPOSTAMOSTRAR RESPOSTA DEFEITOS NO COMPLEMENTO QUADRO DE RESUMOQUADRO DE RESUMO Deficiências nos Componentes Iniciais da Via ClássicaDeficiências nos Componentes Iniciais da Via Clássica � Doenças autoimunes; lúpus eritematoso sistêmico. Maior propensão para infecções. Deficiência de C1 EsteraseDeficiência de C1 Esterase � Angioedema hereditário. Deficiências na Via AlternativaDeficiências na Via Alternativa � Infecções graves por Neisseria; mortalidade alta. Deficiências nos Componentes Terminais — Complexo de Ataque à MembranaDeficiências nos Componentes Terminais — Complexo de Ataque à Membrana � Infecções por Neisseria. O sistema complemento é composto por inúmeras proteínas que possuem funções na imunidade inata e também na imunidade adaptativa. As deficiências de complemento estão relacionadas com processos infecciosos e também com o desenvolvimento de doença autoimunes. proibida venda medicina livre @Livremedicina A maioria dos quadros têm herança autossômica recessiva. A principal exceção é a deficiência de inibidor da C1 esterase, com herança autossômica dominante, que leva ao angioedema hereditário*. As deficiências nos componentes iniciais da via clássica (C1–C4) estão associadas principalmente com doenças autoimunes como o lúpus eritematoso sistêmico, havendo também maior risco de infecções. Nos pacientes com deficiência dos fatores de via da lectina, predominam as infecções piogênicas graves. Em relação à via alternativa, as principais deficiências são as da properdina, fator D e C3. A deficiência de C3 aumenta a predisposição para as infecções por germes encapsulados. A opsonização destes micro- organismos pelo complemento é importante para a fagocitose dos mesmos. Os pacientes com deficiências nos componentes terminais do complemento que compõem o complexo de ataque à membrana (C5–C9) são mais suscetíveis a infecções causadas pela Neisseria meningitidis (e também pela Neisseria gonorrhoeae).