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Famílias 
EXEMPLOS DE MODELOS DE FAMÍLIAS PRESENTES 
NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: 
 
Família Matrimonial: formada pelo casamento, 
tanto entre casais heterossexuais quanto 
homoafetivos. 
Família Informal: formada por uma união estável, 
tanto entre casais heterossexuais quanto 
homoafetivos; 
Família Monoparental: família formada por 
qualquer um dos pais e seus descendentes. Ex.: 
uma mãe solteira e um filho(a); 
Família Anaparental: Prefixo Ana = sem. Ou seja, 
família sem pais, formada apenas por irmãos. 
Família Unipessoal: Família de uma só pessoa. 
Podemos citar como exemplo desse tipo de 
família, uma senhora viúva. 
Família Mosaico ou reconstituída: pais que têm 
filhos e se separam, e eventualmente começam a 
viver com outra pessoa que também tem filhos de 
outros relacionamentos, por exemplo. 
Família Simultânea/Paralela: casos em que 
existem duas relações ao mesmo tempo. Podemos 
citar como exemplo quem é casado (a) e mantém 
uma outra união estável, ou, mantém duas uniões 
estáveis ao mesmo tempo. 
Família Eudemonista: família afetiva, formada 
por uma parentalidade socioafetiva (sem vínculos 
biológicos). 
 
ECA - reconhece a existência de 03 tipos de 
famílias: Artigo 25 do ECA 
 
Família Natural: é a comunidade formada pelos 
pais ou qualquer deles e seus descendentes. 
Família Extensa ou Ampliada: é aquela que se 
estende para além da unidade pais e filhos ou da 
unidade do casal, formada por parentes próximos 
com os quais a criança ou adolescente convive e 
mantém vínculos de afinidade e afetividade; 
Família Substituta: é a modalidade de família 
para a qual o menor deve ser encaminhado, de 
maneira excepcional, por meio de qualquer das 
três modalidades possíveis, que são - guarda, 
tutela e adoção. 
 
 
Referência: Cap 3 - Famílias: uma abordagem 
social (Serviço Social na Justiça de Família; 
Gois e Oliveira) 
- Grandes transformações das famílias 
ocorridas, sobretudo, na segunda metade do séc 
XX (após os primeiros anos da déc de 60): 
mudança nas liberdades individuais e pela 
segurança do convívio - garantidas de alguma 
forma na legislação vigente (CF88 e demais). 
- Art 226 CF88: avanços - mudança na 
concepção de família, ampliando o entendimento 
de entidade familiar e postulando equidade entre 
marido e mulher; omissões - em relação as uniões 
estáveis de pessoas do mesmo sexo e 
reconhecimento das composições familiares que 
extrapolam aquelas formadas por casal e seus 
filhos ou por um dos pais e seus descentes. 
- “Pensar famílias em sua pluralidade de 
configurações ou modelos de ser é um desafio 
contemporâneo que exige análise histórica, 
distância de interpretações reducionistas e 
enfrentamento da desconfortável posição do não 
saber”. 
- Investigação da realidade social de 
indivíduos e famílias - é necessário contextualizar 
a situação apresentada, em busca do 
desvelamento de como aquelas pessoas estão 
singularizando questões que são fruto desse 
momento histórico e das determinações sociais 
dele decorrentes, além das relações 
intergeracionais e de gênero estabelecidas nas 
famílias. 
- Dois aspectos da contextualização social: 
1º aspecto - determinações advindas da 
localização socioespacial, que se refere ao fator 
econômico e suas implicações na organização de 
vida das famílias, a começar pelo acesso (ou não) 
dos adultos ao mercado formal de trabalho e 
rendimentos, além disso a relação entre espaço 
privado e público também fazem parte dessa 
contextualização no sentido de que o espaço 
público é lugar de autonomia, mesmo que 
relativa, e tem capacidade de intervir sobre o 
espaço público; 2º aspecto - declínio do 
patriarcado, onde há que se considerar as 
implicações relativas às interações conjugais e 
parentais, que trazem a compreensão do poder 
do homem na família, estando em foco as 
relações sociais de gênero. 
 
CONCEITO DE FAMÍLIA PARA MIOTO - "É construída 
e reconstruída histórica e cotidianamente, 
através das relações e negociações que 
estabelece entre seus membros, entre seus 
membros e outras esferas da sociedade e entre 
ela e outras esferas da sociedade, tais como 
Estado, trabalho e mercado. Reconhece-se 
também que além de sua capacidade de produção 
de subjetividades, ela também é uma unidade de 
cuidado e de redistribuição interna de recursos". 
 
Concepções ao longo da história no trabalho com 
Famílias e Serviço Social - está ligado à Teoria 
Social Crítica, como consequência do pós- 
Reconceituação na profissão. Entretanto, de 
acordo com Mioto APUD Iamamoto (1983), a 
família é um sujeito privilegiado de intervenção 
do Assistente Social desde o nascimento da nossa 
profissão. Inicialmente por meio de intervenções 
com caráter de apostolado da Igreja, 
posteriormente com caráter técnico ancorado na 
teoria positivista e no funcionalismo, a fim de 
promover o controle do indivíduo em uma dada 
realidade social. Por fim, a Teoria Social de Marx 
traz duas mudanças para a concepção de família, 
sendo a interpretação das demandas das famílias 
como expressões de necessidades humanas não 
satisfeitas, decorrentes da desigualdade social; e 
o redimensionamento do alcance e da 
direcionalidade da ação profissional do assistente 
social para a transformação social. 
 
Para Mioto existem duas propostas de atenção a 
família 
 
Familista/Familismo: entende que o papel de 
cuidar da família é da própria família, não tendo 
o Estado responsabilidade nisso, adicionada a 
ideia de fracasso da família, ela não deu conta de 
seu papel e aí precisa da intervenção do Estado; 
responsabiliza a família pelo fracasso de cuidado 
e proteção. Séc XVIII e XIX – delineada no âmago 
do desenvolvimento capitalista e do liberalismo 
econômico (se repõem quando o Estado assume 
um caráter neoliberal, com a proposição do 
pluralismo de bem-estar social). 
- FAMILISMO: a expressão empregada por vários 
autores (em especial Esping-Andersen, 1999, p. 
45; Saraceno, 1994, p. 60-81), deve ser entendido 
como uma alternativa em que a política pública 
considera -na verdade exige-que as unidades 
familiares assumam a responsabilidade principal 
pelo bem-estar social. Justamente porque não 
provê suficiente ajuda à família, um sistema com 
maior grau de "familismo" não deve ser 
confundido com aquele que é pró-família. 
 
Protetiva: ideia de garantia de direitos - 
desmercadorização e desfamilização (essas 
estratégias se efetiva por meio do Estado, no 
familismo é por meio da família) 
 
Referência: Mioto, R. C. T. Família, trabalho com 
famílias e Serviço Social. Serviço Social e 
Sociedade, Londrina, v.12, n.2, 2010a, p.163-164. 
 
FAMÍLIA E PROTEÇÃO SOCIAL – a incorporação da 
família como referência na política social 
brasileira reavivou o debate em torno do trabalho 
com famílias, que por muito tempo ficou relegado 
a segundo plano no âmbito do Serviço Social 
brasileiro. 
- "Pensar a família no campo da proteção social 
implica reconhecer que a família na sua dimensão 
simbólica, na sua multiplicidade, na sua 
organização é importante à medida que subsidia 
a compreensão sobre o lugar que lhe é atribuído 
na configuração da proteção social de uma 
sociedade, em determinado momento histórico". 
- A família alimenta o estabelecimento de uma 
distinção básica entre famílias capazes e famílias 
incapazes, mais capazes ou menos incapazes. 
Como capazes são definidas aquelas que, via 
mercado, trabalho e organização interna - as 
famosas "estratégias de sobrevivência" - 
conseguem desempenhar com "êxito" as funções 
que lhes são atribuídas pela sociedade. Como 
incapazes são consideradas aquelas que, não 
conseguindo atender às expectativas sociais 
relacionadas ao desempenho das funções 
atribuídas, requerem a interferência externa, em 
princípio do Estado, para a proteção de seus 
membros. Ou seja, são merecedoras da ajuda 
pública as famílias que falharam na 
responsabilidade do cuidado e proteçãode seus 
membros. A categorização das famílias como 
capazes ou incapazes, sãs ou doentes, normais ou 
anormais, se encontra fortemente arraigada no 
senso comum, assim como frequenta as propostas 
dos políticos e dos técnicos. 
- A execução terminal dessa política pelos 
profissionais da área social, na maioria das vezes 
mergulhados nesta concepção tradicionalista, ou 
sem aportes teóricos para a discussão dos 
processos de inserção da família no âmbito da 
política social, coloca em movimento ações que 
produzem resultados justamente opostos, mesmo 
para aqueles potencialmente esperados na 
própria concepção dos programas sociais". 
 
- O trabalho com famílias tem sido central no 
âmbito das políticas públicas no Brasil há cerca de 
duas décadas. Neste sentido, é de grande 
relevância que esse trabalho considere toda 
complexidade e fatores históricos que permeiam 
esse publico. Quanto a isso, Campos (2004) 
reflete que "as dificuldades crescem pela 
consciência de se lidar com um objeto-sujeito 
que apresenta constantes mutações, numa 
transição acelerada nas últimas décadas". O 
reconhecimento dessas mudanças promoveu 
uma renovação nas legislações brasileiras que 
passam a ter como relevante na concepção de 
família a existência de vínculos de afetividade e 
não mais apenas a consanguinidade. 
 
 
FAMÍLIA NA CONTEMPORANEIDADE 
- Com relação à história da família 
contemporânea, que pode ser dividida entre dois 
períodos: o primeiro, do século XIX até os anos 60 
do século XX, e o segundo, a partir dos anos 60 do 
século XX 
- A mais importante transformação observada na 
família contemporânea foi a liberdade e a 
independência conquistada pelas mulheres a 
partir da década de 60. Os papéis masculinos e 
femininos se misturaram e se alteraram e a 
organização da família passou a ser reorganizada. 
- Fragilizada pelos processos e mudanças que 
marcam a atual realidade, a família vê crescer 
suas responsabilidades em relação à proteção 
social de seus membros. A desestabilização da 
condição salarial, a multiplicação das situações 
de precariedade e o crescimento do desemprego 
vêm levando a uma sociedade de trabalhadores 
sem trabalho. Nessa sociedade, o aumento das 
situações de vulnerabilidade e a crise das 
instituições que fazem funcionar o vínculo social 
e a solidariedade têm obrigado cada um a dar 
conta de si mesmo, organizando e procurando dar 
um sentido à sua vida de forma mais individual e 
solitária. Nesse contexto, paradoxalmente, 
cresce a importância da família e dos entornos 
sociais imediatos, notadamente para todos os que 
carecem de bens materiais, culturais e 
simbólicos, necessários, para além de sua 
subsistência, à criação de uma identidade e à 
alimentação de uma INTERIORIDADE. Essa 
importância cresce entre as pessoas mais frágeis, 
para as quais não se dá um lugar na sociedade e 
que não conseguem encontrá-lo por si mesmas. É 
a família, sobretudo, que pode transmitir-lhes, 
entre outros aspectos, um patrimônio de "defesas 
internas". (Família e proteção social – Carvalho e 
Almeida, 2003) 
 
- A relação família e Estado é cercada de um teor 
conflituoso ao longo dos anos, em especial pela 
centralidade que a família possui no âmbito da 
vida social. Assim, essa relação tem sido objeto 
de análise de muitos estudiosos, sendo que no 
debate contemporâneo, estes se dividem em duas 
linhas de interpretação: A primeira tende a olhar 
a família numa perspectiva de perda de funções, 
de perda de autonomia e da própria capacidade 
de ação. Em contrapartida vê um estado cada vez 
mais intrusivo, cada vez mais regulador da vida 
privada. A segunda, vinculada especialmente aos 
estudiosos da condição feminina, tem indicado 
que a invasão do estado na família tem se 
realizado através não de uma redução de funções, 
mas, ao contrário, de uma sobrecarga de 
funções". Essas interpretações tendem a oscilar 
entre um pólo que vê a família constrita a 
adequar-se às imposições externas e um outro 
que a vê não apenas como produto, mas também 
como um conjunto de sujeitos que interagem e 
desenvolvem complexas estratégias de 
relações entre si mesmos, entre a família, o 
Estado e a Sociedade. (MIOTO,2010- Novas 
propostas e velhos princípios: a assistência às 
famílias no contexto de programas de orientação 
e apoio sociofamiliar).

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