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NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 30 
Professor: Nome da Professor – Email do Professor 
GRADUAÇÃO 
UNEC / EAD 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA 
DISCIPLINA: Nome da Disciplina 
 
 
O CARÁTER SOCIAL E A IMPORTÂNCIA DA 
ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL (ATER) 
 
 
3.1 INTRODUÇÃO 
 
A extensão rural e a assistência técnica desempenham um papel essencial na 
formação e no avanço dos agricultores, bem como na expansão do setor agropecuá-
rio. Essas atividades de Ater são vitais porque distribuem informações sobre inova-
ções tecnológicas, pesquisas recentes e outros saberes chave para o progresso das 
operações no campo, com especial enfoque nas propriedades de gestão familiar. 
No Brasil, observa-se um progresso notável em diversas cadeias de produ-
ção, particularmente na adoção de novas tecnologias e no incremento da produtivi-
dade. A combinação de cultivo e pecuária, juntamente com as cadeias produtivas de 
frutas, hortaliças, soja e aves, ilustra bem esse alto padrão de modernização tecnoló-
gica. 
Tal progresso ganhou impulso significativo com o estabelecimento da Em-
presa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 26 de abril de 1973. No 
contexto da soja, a tabela a seguir oferece uma visão dos indicadores que refletem a 
evolução e as projeções para a adoção de tecnologias contemporâneas no Brasil. 
 
Tabela 3 – Avanço da tecnologia na cultura de soja no Brasil. 
 
Fonte: Fapeg (2016). 
 
AULA 3 
 
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Veja a seguir como a Ater, por meio da difusão e do auxílio à implantação de 
tecnologias, pode impactar positivamente no desenvolvimento da agropecuária brasi-
leira: 
 
 
 
Como o serviço de maior penetração nas áreas rurais, a Ater desempenha um 
papel indispensável no avanço do agricultor, consolidando-se como a principal cone-
xão entre as políticas públicas e o setor agropecuário. A Ater está se adaptando ao 
novo paradigma de desenvolvimento sustentável, o qual demanda profissionais com 
perfis inovadores, detentores de conhecimentos sobre as últimas tecnologias, e que 
sejam capazes de abordar aspectos sociais, institucionais e ambientais. 
Já se questionou sobre os motivos que levam os agricultores a, por vezes, 
resistirem à adoção de novas tecnologias? Ou sobre como a Ater tem se posicionado 
em sua área? Há demanda para especialistas em agronegócio na zona rural do seu 
 
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município? Essas indagações fazem parte do escopo de atuação dos profissionais da 
Ater, cujo trabalho impulsiona significativamente o desenvolvimento da agricultura e 
pecuária nacionais. A seguir, vamos explorar mais profundamente essa relevância. 
 
 
3.2 EXTENSÃO RURAL E O DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA BRASI-
LEIRA 
 
Desde o surgimento da Ater no Brasil, nos anos 1940, com o estabelecimento 
da Acar visando promover a extensão rural através do fornecimento de crédito aos 
agricultores, e com a fundação da Embrapa em 1973, a agricultura brasileira tem se 
transformado, apresentando melhorias em produtividade e renda para os trabalhado-
res rurais. Observando o período desde aquele tempo até hoje, é notável o avanço na 
produtividade agrícola do país. 
Como observado, desde os anos 1970 até a atualidade, houve um aumento 
progressivo na produção sem a necessidade de expandir a área cultivada. Isso indica 
que a produtividade por hectare (medida em quilos de milho, soja, e de outras culturas 
como arroz, feijão, café, laranja, e hortaliças, entre outras) nas várias cadeias produ-
tivas agropecuárias teve um aumento expressivo, praticamente quadruplicando. 
Com o decréscimo da população rural, a produtividade laboral aumentou, so-
bretudo devido à mecanização. A eficácia na produção agrícola teve uma melhoria 
substancial, resultado direto das iniciativas de Ater, que incluíram a introdução de se-
mentes aprimoradas, novas metodologias de plantio e fertilização, estratégias de con-
trole de pragas, e práticas para a conservação do solo e da água. 
 
 
Um aspecto destacado que evidencia a relevância da Ater inclui suas iniciati-
vas voltadas para a melhoria do bem-estar social. As unidades da Ater promoveram 
Esses avanços estão intimamente ligados à eficiência 
econômica dos processos produtivos, significando 
que os agricultores conseguiram aumentar a produ-
ção enquanto diminuíam o uso de recursos produti-
vos, como terra, trabalho e capital. 
 
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intensas atividades junto às escolas rurais e famílias agrícolas, contribuindo não ape-
nas para o aumento da renda e da lucratividade, mas também para a elevação da 
qualidade de vida dos agricultores e de suas famílias. 
 
 
3.3 MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA NO BRASIL 
 
Para entender a evolução da agricultura no Brasil, é essencial analisar as mu-
danças significativas desde a era colonial até os dias atuais. 
Inicialmente, em 1500, o território brasileiro era habitado por povos indígenas, 
cercado por uma natureza vibrante, onde predominavam práticas de extração e uma 
agricultura de subsistência de pequena escala. Avançando para o século XXI, espe-
cificamente em 2016, observamos uma configuração fundiária caracterizada pela pre-
dominância de grandes propriedades, a agropecuária (referida neste contexto como 
agricultura) se destaca por zonas de alta eficiência, alcançando elevados níveis de 
produção e produtividade. Contudo, observa-se uma disparidade acentuada na agri-
cultura nacional, presente em todas as regiões. Um segmento de produtores rurais 
(aqui referidos como patronais) goza de condições socioeconômicas favoráveis, en-
quanto a vasta maioria, conhecida como agricultores familiares, enfrenta sérias difi-
culdades econômicas, com produção e produtividade limitadas, acesso restrito aos 
avanços tecnológicos e desenvolvimento, e uma baixa capacidade de investimento, 
estando à margem das inovações tecnológicas e da informação. 
Diante da existência de extensas áreas agricultáveis e 
de um regime de chuvas benéfico, que facilita o cultivo de diver-
sas espécies, questiona-se como a agricultura nacional chegou 
a esta situação. 
Para decifrar este enigma, é preciso revisitar o período 
colonial e examinar os métodos de colonização e as mudanças 
que precederam o atual quadro socioeconômico do país. 
No século XVI, a Europa Ocidental despontava ou se estabelecia como o eixo 
central do comércio global, necessitando interagir com outras regiões para expandir 
seus mercados e adquirir bens não produzidos em seu território. Neste cenário, o Bra-
 
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sil foi descoberto e rapidamente se tornou alvo dos colonizadores portugueses, ansi-
osos por extrair o máximo de produtos exóticos da colônia, que era vista primordial-
mente como uma fonte de recursos para a metrópole. 
No Brasil colonial, as terras eram propriedade da coroa portuguesa, destina-
das exclusivamente à exploração econômica em favor de Portugal. Esta abordagemde exploração denota uma utilização predatória e de exploração dos recursos naturais 
disponíveis no território (Prado, 1999). Assim, a distribuição de terras pelo rei visava 
a ocupação efetiva da nova terra descoberta, onde as capitanias hereditárias se tor-
naram um método para alocar vastas extensões de terra a indivíduos ligados por laços 
familiares ou que haviam prestado serviços notáveis à coroa. 
Além disso, a coroa concedia tanto pequenas parcelas, conhecidas como ses-
marias, quanto grandes extensões de terra, seguindo suas próprias diretrizes, esta-
belecendo assim uma elite privilegiada e uma vasta população excluída desde o co-
meço da colonização. 
A posse de terra era sinônimo de poder, e o país começou a cultivar produtos 
primários destinados principalmente ao consumo da metrópole, dando origem às vas-
tas plantações de cana-de-açúcar. Inicialmente, os colonizadores tentaram, sem su-
cesso, escravizar os indígenas para trabalhar nessas plantações, levando à participa-
ção no comércio transatlântico de escravos africanos. 
Gradualmente, emergiu um sistema secundário, marginalizado e oprimido, 
que, embora fosse paralelo, também complementava as grandes propriedades. Essas 
propriedades funcionavam como centros de produção autônomos focados na expor-
tação. Em contraste, os pequenos produtores, que incluíam indígenas, ex-escravos, 
mestiços e aqueles empobrecidos pelo sistema de "morgadio" (onde apenas o primo-
gênito herdava as terras), não possuíam terras, formando um sistema de produção 
distinto das grandes áreas produtivas. 
Para aqueles provenientes do sistema de morgadio, ocasionalmente era pos-
sível adquirir um lote de terra para estabelecimento próprio. Entretanto, para a maioria 
da população, restava apenas a marginalização, já que esses assentamentos podiam 
ser revogados se a área fosse posteriormente concedida a outros como uma nova 
sesmaria. Martins (1990) aponta que as leis das sesmarias tinham precedência sobre 
os direitos dos ocupantes originais, sendo que os novos proprietários eram obrigados 
apenas a compensar por melhorias realizadas na terra. 
 
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Essa dinâmica sublinha a instabilidade das origens do campesinato brasileiro. 
Com o desenvolvimento dos centros urbanos e o aumento da demanda por alimentos, 
os ocupantes de terras começaram a ser reconhecidos no tecido socioeconômico do 
Brasil, embora a posse formal da terra não fosse regularizada. Embora fossem res-
ponsáveis por cultivos modestos, a partir do início do século XIX, esses pequenos 
agricultores podiam engajar-se no cultivo de produtos destinados à exportação, como 
café, tabaco e aguardente. No entanto, o comércio desses produtos tinha de ser feito 
por meio das grandes fazendas, perpetuando uma dependência desses agricultores 
em relação às grandes propriedades. 
Portanto, os privilégios de uma elite exploravam os despossuídos, que eram 
forçados a trabalhar e produzir sob duas formas de exploração: pelas grandes propri-
edades e pela coroa. 
A região sul do Brasil se destacou como uma exceção a este modelo de ex-
ploração, especialmente a partir do século XVIII, com o objetivo de consolidar a ocu-
pação territorial para prevenir a expansão espanhola. Além disso, o clima da região 
não favorecia as culturas tropicais de exportação. Isso levou ao desenvolvimento de 
uma estrutura fundiária baseada em pequenas propriedades focadas na pecuária e 
na agricultura de subsistência, ocupadas majoritariamente por indivíduos das classes 
médias e baixas. 
Na segunda metade do século XVIII, Portugal perdeu sua posição dominante 
no comércio europeu para a Inglaterra. A colônia brasileira já estava se transformando 
e começavam a surgir resistências ao sistema de exploração vigente, uma vez que os 
povos indígenas, que foram submetidos a um genocídio pelos colonizadores, não ti-
nham como se opor inicialmente. 
Ainda que o governo português tenha se transferido para o Brasil, a Inglaterra 
conseguia manter condições comerciais favoráveis com o Brasil, que já havia conquis-
tado a liberdade de estabelecer comércio com outras nações, rompendo o monopólio 
anteriormente existente. 
No decorrer do século XIX, surge um marco crucial: a proibição do tráfico 
de escravos. Essa decisão sinalizava transformações significa-
tivas no Brasil, pois representava uma ameaça econômica para 
fazendeiros e o fim de uma era de grandes lucros para os trafi-
 
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cantes. É importante destacar que a posse de escravos simbolizava poder econômico, 
uma vez que os fazendeiros dependiam deles para manter a produção agrícola e, por 
extensão, seu status social e poder. Frente a essa mudança, a imigração foi vista 
como alternativa, pois os proprietários de terras resistiam em empregar a mão de obra 
local, e os trabalhadores locais relutavam em submeter-se a esses patrões. Contudo, 
era essencial impedir que os imigrantes, considerados "novos colonos", adquirissem 
terras, especialmente após a Constituição de 1824 abolir o sistema de sesmarias e, 
como consequência, aumentar significativamente o número de ocupantes irregulares 
de terras. 
Como estratégia para assegurar a continuidade da dominação pelas elites, foi 
instituída a Lei de Terras em 1850. Esta legislação estabelecia que a aquisição de 
terras no Brasil só poderia ser feita através da compra, dificultando assim o acesso 
dos imigrantes à propriedade rural. 
Assim, a manutenção dos latifúndios foi assegurada, reforçando o conserva-
dorismo social e econômico no país. Em um período em que o mundo passava por 
grandes transformações, o Brasil iniciou a implementação das reformas liberais, que 
foram decisivas para o desenvolvimento socioeconômico e a preservação das gran-
des propriedades rurais. Essa tendência foi fortemente influenciada pelos brasileiros 
que absorveram ideias progressistas durante seus estudos em universidades euro-
peias. Portanto, a terra continuou sendo o recurso fundamental de produção, e a Lei 
de Terras reforçou que a única forma de adquiri-la era por meio de compra, transfor-
mando as terras dos grandes proprietários em propriedades privadas. Para os peque-
nos ocupantes, adquirir terras tornou-se um processo de compra, enquanto os recur-
sos obtidos com a venda de terras públicas eram utilizados para subsidiar a vinda de 
mão de obra imigrante, oferecida gratuitamente aos proprietários de terras. 
A Lei de Terras, idealizada pela elite latifundiária, visava garantir seu mono-
pólio sobre as terras e restringir o acesso por parte de outros grupos sociais. Com a 
chegada de colonos estrangeiros, houve uma expansão das fazendas de café, bene-
ficiadas pela redução significativa dos custos de produção em comparação à mão de 
obra escravizada, especialmente porque os custos para estabelecer novos cafezais 
eram baixos. Os colonos tinham permissão para cultivar nas entrelinhas dos cafezais, 
o que contribuía para a manutenção das plantações livres de ervas daninhas. 
 
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O elevado preço internacional do café contribuía significativamente para o au-
mento da riqueza dos fazendeiros, que investiam os lucros na aquisição de mais terras 
e na formação de novos cafezais, ampliando aindamais seus ganhos. Para manter a 
ordem no país, o governo havia instituído a Guarda Nacional em 1824, originando a 
figura do coronel da Guarda Nacional. Esse representante do Estado desempenhava 
um papel crucial na manutenção da ordem pública, atuando como um freio à desor-
dem por parte das classes populares. A privatização do poder servia tanto para exer-
cer repressão quanto para assegurar a coesão nacional, perpetuando assim o domínio 
das elites. No entanto, com a posterior queda dos preços do café no mercado interna-
cional, o governo central começou a comprar os excedentes de produção para sus-
tentar os produtores de café, que por sua vez apoiavam o poder central. 
Com a Proclamação da República, embora a estrutura fundiária do país não 
tivesse mudado substancialmente, as terras desgastadas pela monocultura do café 
abriram caminho para o surgimento de pequenos proprietários e ocupantes. Nos pri-
meiros anos após a proclamação da República em 1889, o Brasil atravessou uma de 
suas mais severas crises, marcada por dificuldades econômicas, sociais e políticas. 
Economicamente, a situação se deteriorou ainda mais com o "crash" da Bolsa de Nova 
York em 1929, exacerbando a crise no Brasil devido à compra governamental dos 
excedentes de café, que acumulavam-se sem demanda de mercado. Essa conjuntura 
desencadeou uma profunda crise na agricultura cafeicultora, sinalizando o início da 
decadência das classes dominantes tradicionais, os grandes fazendeiros. 
Após o declínio dessa elite agroexportadora, ocorreu uma mudança no equi-
líbrio de poderes com a Proclamação da República. O país vivenciou um novo alinha-
mento entre as elites, com o surgimento de uma oligarquia industrial menos depen-
dente da exportação de produtos agrícolas e mais associada à produção de bens ma-
nufaturados. Esse novo arranjo incluía também as classes menos privilegiadas, como 
comerciantes e a população em geral, redefinindo o cenário socioeconômico brasi-
leiro. 
Nesse contexto de rearranjo das forças políticas e econômicas, Getúlio Var-
gas ascende ao poder, governando por 15 anos, grande parte desse período sob um 
regime ditatorial. Ele incentivou o “Nacional Desenvolvimentismo”, visando a promo-
ção da industrialização e determinando que as indústrias se estabelecessem próximas 
 
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às pequenas propriedades rurais, a fim de garantir o fornecimento de alimentos a pre-
ços acessíveis. Em 1930, a distribuição populacional do Brasil era majoritariamente 
rural, com 85% da população vivendo no campo e apenas 15% em áreas urbanas, 
destacando a relevância do setor agrícola para a economia nacional. Contudo, entre 
1930 e o fim dos anos 40, o país registrou baixos índices de produção e produtividade 
agrícola. 
Durante o "Estado Novo" de Vargas, as colônias agrícolas surgiram como ele-
mentos cruciais para impulsionar a agricultura e a ocupação de terras não exploradas, 
desencadeando movimentos migratórios significativos. No entanto, essas colônias fo-
ram posteriormente negligenciadas pelos governos federal e estaduais. Apesar da ex-
pansão do campesinato, não ocorreu uma democratização do acesso à terra. Além 
disso, embora Vargas tenha implementado medidas de benefício aos trabalhadores, 
ele não as estendeu aos trabalhadores rurais, provavelmente para evitar conflitos com 
as elites agropecuárias, ainda influentes na definição das políticas nacionais. 
No final dos anos 40, com a economia global passando por transformações 
profundas, houve um aumento da produção agrícola destinada ao mercado interno e 
o início da introdução de insumos modernos, como novas variedades de culturas, 
além do uso de equipamentos e máquinas. Contudo, essas inovações eram limitadas, 
dependendo em grande medida das importações devido à escassa produção tecno-
lógica interna. 
Essa tendência de expansão continuou ao longo dos anos 50 e início dos anos 
60. Até 1960, a agricultura brasileira era predominantemente voltada para a exporta-
ção e caracterizava-se por um atraso tecnológico significativo, conforme indicado pelo 
Censo de 1960. A modernização da agricultura no Brasil tornou-se imperativa à me-
dida que o país completava seu processo de diversificação industrial e aumentava a 
complexidade de seu parque industrial, evidenciando a necessidade de uma transfor-
mação profunda no setor agrícola para acompanhar o desenvolvimento econômico 
mais amplo. 
Portanto, a forma de produção agrícola praticada não estava alinhada ao im-
pulso modernizador que buscava integrar diferentes setores da economia, visando 
facilitar a acumulação de capital. Importante frisar que tal ímpeto modernizador não 
tinha como objetivo melhorar a vida dos produtores rurais, nem alterar a estrutura 
fundiária existente no Brasil. 
 
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Neste contexto, Bendix (1996) apud Gonçalves et al. (2016) destacou que “as 
sociedades ocidentais avançaram consistentemente para uma condição onde os di-
reitos de cidadania são universais. Nos locais onde esses direitos ainda são negados, 
o conflito se torna evidente e frequentemente violento”. Assim, os conflitos agrários 
começaram a intensificar-se, e emergiu um nacionalismo que clamava por reforma 
agrária, aumento salarial e expansão do mercado interno. Essas forças emergentes 
buscavam desafiar a elite dominante e romper com o pacto de poder que historica-
mente sustentou a agricultura e a industrialização no país. 
O golpe militar de 1964 representou um ponto de inflexão para conter os con-
flitos no campo e preservar o arranjo político institucional, que contava com as elites 
agrárias como um dos seus pilares mais sólidos. Com a repressão aos movimentos 
sociais, particularmente aqueles ligados ao setor agrário, iniciou-se um período de 
modernização da agricultura. 
Entre 1965 e 1979, o Brasil experienciou o que se denominou “modernização 
conservadora” da agricultura. Neste período, houve um esforço para transformar as 
grandes unidades de produção agrícola em empreendimentos capitalistas, mantendo, 
porém, a estrutura fundiária caracterizada pela concentração de terras, uma herança 
do período colonial. Essa abordagem visava a modernização sem promover uma re-
distribuição significativa das terras, perpetuando assim a estrutura latifundiária histó-
rica do país. 
O conceito de “modernização conservadora” (MC) foi cunhado por Barrington 
Moore Júnior em 1975, descrevendo o desenvolvimento capitalista em países como a 
Alemanha e o Japão. Estas nações realizaram revoluções burguesas de cima para 
baixo, excluindo o proletariado e os camponeses dos plenos direitos à democracia e 
à cidadania. Moore também apontou três trajetórias históricas da transição do mundo 
É importante notar que a MC observada no Brasil diferiu significativamente 
dos casos da Alemanha e do Japão, principalmente devido às diferentes fases de 
desenvolvimento dessas nações comparadas ao Brasil, que se destacou por não 
realizar mudanças significativas em sua estrutura fundiária. 
 
 
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pré-industrial ao contemporâneo: uma levando ao capitalismo democrático exemplifi-
cado por Inglaterra, França e Estados Unidos; uma segunda via resultando no fas-
cismo após reformas burguesasfortes, porém incompletas; e uma terceira que con-
duziu ao comunismo, como visto na China e na Rússia. 
Segundo Guimarães (1977) apud Gonçalves et al. (2016), ao contrário da re-
forma agrária, o objetivo da MC no Brasil foi promover o aumento da produção agro-
pecuária por meio da renovação tecnológica, sem alterar substancialmente a estrutura 
fundiária do país. Vale ressaltar que a MC implementada no Brasil também foi uma 
política adotada pelo regime militar após 1964, refletindo um esforço para modernizar 
a agricultura sem redistribuir a terra ou modificar a base da estrutura de propriedade 
agrária. 
1) O que favoreceu, então, a MC? 
Os fatores que, juntos, favoreceram a implantação da MC no Brasil foram: 
1 – Aumento dos preços agrícolas no mercado internacional 
2 – Disponibilidade do pacote tecnológico da Revolução Verde 
3 – Consolidação do parque industrial voltado para a agroindústria 
4 – Aumento da efervescência das tensões sociais no campo 
 
Do ponto de vista do governo, foram as seguintes as ações mais importantes: 
a) Crédito rural subsidiado 
b) Fortalecimento da assistência técnica 
c) Dinamização da pesquisa 
d) Abandono da questão agrária 
 
A confluência de fatores favoráveis e a necessidade de minimizar as tensões 
agrárias, juntamente com medidas governamentais específicas, propiciaram um au-
mento na produção agropecuária do Brasil. Contudo, essa expansão ocorreu sem al-
terações na estrutura de posse da terra. Importante frisar que a modernização con-
servadora (MC) não beneficiou os pequenos produtores ou a agricultura familiar. Os 
desenvolvimentos da época, detalhados adiante, não impactaram positivamente a si-
tuação da agricultura familiar no Brasil durante o período entre 1964 e o final dos anos 
1970 e início dos anos 1980. 
 
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O paradigma da MC foi construído sobre a premissa de substituir o modelo de 
agricultura familiar pelo avanço técnico na produção agrícola. Predominava a visão de 
que o atraso do setor agrícola brasileiro era atribuído à incapacidade do pequeno pro-
dutor de adotar tecnologias e métodos de produção baseados em conhecimento téc-
nico e científico. 
Além disso, o modelo de agricultura promovido levou a um aumento da de-
pendência tecnológica, caracterizado por um alto nível de degradação ambiental e 
uma dependência financeira dos agricultores, resultando em um desempenho rural 
insatisfatório. Esse cenário acabou sendo rejeitado pelos próprios agricultores famili-
ares, conforme aponta Souza (2013). Todavia, essa conscientização ocorreu somente 
após a implementação da MC, que, por sua natureza de política focada na concentra-
ção e acumulação de capital, excluiu naturalmente a agricultura familiar do seu pro-
cesso de desenvolvimento. 
No contexto da Revolução Verde e com o precedente de aumento de produ-
ção já observado no Primeiro Mundo, potencializado pelo crescimento no preço das 
commodities e pela consolidação dos complexos agroindustriais (CAI) que começa-
ram a beneficiar e processar a produção agropecuária brasileira, o governo teve um 
papel crucial. A oferta de crédito rural subsidiado emergiu como o principal impulsio-
nador do avanço agrícola. Contudo, esse crédito raramente beneficiou o agricultor 
familiar, que, em grande medida, ficou à margem da modernização conservadora 
(MC). Nas grandes propriedades, por outro lado, o crédito rural facilitou um aumento 
tanto na produção quanto na produtividade, visto que os recursos foram investidos em 
corretivos, fertilizantes, máquinas, implementos avançados, e sementes de alta quali-
dade. Os grandes agricultores acessavam mais facilmente o crédito rural, o que ele-
vava sua renda. Favorecidos pelos preços vantajosos das commodities agrícolas no 
mercado internacional, esses produtores adquiriam mais terras, exacerbando a con-
centração fundiária e intensificando o êxodo rural. No período da MC, aproximada-
mente 30 milhões de pessoas migraram do campo para as cidades entre 1960 e 1980. 
Os agricultores de grande escala não apenas compravam mais terras mas 
também buscavam novos financiamentos, aumentando ainda mais sua renda. Essa 
abundância de crédito rural foi possível graças a mudanças institucionais promovidas 
 
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pelo governo, incluindo a criação do Banco Central e a reformulação do sistema finan-
ceiro nacional, em um momento em que a conjuntura mundial era especialmente fa-
vorável, com ampla disponibilidade de recursos financeiros. 
 
2) Fortalecimento da assistência técnica 
A assistência técnica recebeu um impulso significativo após a criação da As-
sociação de Crédito e Assistência Rural (Acar) em Minas Gerais. Essa iniciativa foi 
adotada pelo governo federal, levando à expansão do sistema para a formação da 
Associação Brasileira de Crédito e Assistência Técnica (Abcar), que estendeu seus 
escritórios por todos os estados brasileiros. 
 
Com o tempo, o sistema Abcar, inicialmente focado em fornecer assistência 
técnica e facilitar o acesso ao crédito rural, evoluiu para a Empresa Brasileira de As-
sistência Técnica e Extensão Rural (Embrater). Apesar de continuar promovendo o 
acesso ao crédito, a assistência técnica oferecida seguia um modelo difusionista, no 
qual o extensionista determinava as práticas consideradas mais adequadas para a 
região e o empreendimento agrícola, sem uma participação ativa e decisiva dos agri-
cultores. 
Os chamados "pacotes tecnológicos" da Revolução Verde, bem como as 
adaptações realizadas pela pesquisa agrícola brasileira, foram cruciais para o avanço 
desse modelo de extensão rural. No entanto, é fundamental destacar que, durante o 
período da modernização conservadora, a assistência técnica destinada aos agricul-
tores familiares foi praticamente inexistente. Os profissionais do Sistema Brasileiro de 
Extensão Rural, em sua vasta maioria formados sob uma ótica produtivista, não aten-
diam às necessidades específicas dos pequenos produtores, focando seus esforços 
nos grandes agricultores e em práticas de larga escala. 
 
3) Dinamização da pesquisa 
A pesquisa em agropecuária no Brasil era realizada nos institutos de pes-
quisa, por ex.: o Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Centro-Oeste (Ipeaco). Em 
1973, o governo brasileiro criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Em-
brapa), que muito contribuiu com suas pesquisas para alavancar a MC, desenvol-
vendo os famosos pacotes tecnológicos com variedades novas ou adaptadas, com 
 
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manejos de semeadura, condução das culturas e de colheita, bem como pesquisas 
acerca do processamento de produtos agropecuários. 
A Embrapa deu uma importante contribuição para a MC porque 
passou a sistematizar a pesquisa agropecuária no país. 
 
4) Aumento da efervescência das tensões sociais no campo 
No período da modernização conservadora, o governo praticamente ignorou 
a reforma agrária e outras políticas de redistribuição de terras. Inicialmente, parecia 
haver uma disposição para mudanças com a criação do Estatuto da Terra em novem-
bro de 1964, que propunha uma reforma na estrutura fundiária do Brasil. No entanto, 
divergências internas e a falta de apoio político e social dentro dopróprio regime militar 
culminaram na supressão dessas intenções, especialmente após a promulgação do 
Ato Institucional n.º 5 (AI-5) em dezembro de 1968. Esse ato consolidou a preferência 
governamental por transformar latifúndios em empresas capitalistas ao invés de pro-
mover uma reforma agrária. 
O AI-5 marcou o fim das esperanças de mudanças estruturais na distribuição 
de terras e reprimiu qualquer ressurgimento dos movimentos sociais que haviam ga-
nhado força no final dos anos 50 e início dos anos 60. Durante esse período ditatorial, 
a base social de apoio ao regime definiu claramente os grupos sociais que seriam 
beneficiados — incluindo grandes agricultores capitalistas, empresas ligadas aos 
complexos agroindustriais (tanto nacionais quanto multinacionais), latifundiários (tanto 
os tradicionais quanto os modernizados) e o sistema financeiro — e aqueles que se-
riam prejudicados, como os pequenos agricultores, trabalhadores rurais assalariados, 
especialmente os boias-frias, e as populações rurais sem terra. 
A modernização conservadora, com seu caráter excludente, aumentou a de-
manda por terra, impulsionada principalmente pelo movimento sindical que restou, 
como a Pastoral da Terra, fundada em 1975. Ao adentrar a década de 80, o Brasil 
enfrentava uma ainda maior concentração fundiária, agricultores familiares ainda mais 
desassistidos de crédito e assistência técnica, e uma acelerada urbanização devido 
ao intenso êxodo rural — entre 1960 e 1980, cerca de 30 milhões de pessoas migra-
ram do campo para as cidades, com as regiões Sudeste e Sul concentrando 60% 
dessas migrações líquidas no meio rural nas décadas de 60 e 70 (Delgado, 2009). 
 
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No início dos anos 80, a crise da dívida externa e as turbulências no sistema 
capitalista global provocaram eventos adversos, afetando ainda mais o contexto soci-
oeconômico do país, como: 
a) queda de preços internacionais, 
b) redução do financiamento da agricultura, 
c) redução da produção industrial devido à crise do capitalismo, 
d) declínio da massa salarial e do consumo interno, os quais levaram a agro-
pecuária nacional a: 
1) reduzir a incorporação de tecnologias, 
2) reduzir a área cultivada, 
3) reduzir o efetivo do rebanho, 
4) reduzir a expansão agrícola, 
5) aumentar as pequenas áreas e de pequenos agricultores, 
6) racionalizar o uso de recursos. 
 
Diante dessas constatações, o governo intervém com: 
a) criação de políticas de preços mínimos, 
b) maxidesvalorizações cambiais, 
c) crédito rural para culturas específicas, por exemplo: cana-de-açúcar e la-
ranja, soja e cacau. 
 
A agricultura brasileira, apesar das adversidades econômicas iniciais da dé-
cada de 1980, conseguiu se reestruturar e avançar, aproveitando sua estrutura pro-
dutiva avançada. A racionalização da produção, exemplificada pelo uso mais eficiente 
de fertilizantes, a redução na importação de produtos agrícolas, e a ascensão da soja 
como um produto de exportação importante no mercado internacional, favorecida por 
taxas de câmbio vantajosas, possibilitaram a recuperação do setor. Entre 1985 e 
1989, o Brasil conseguiu produzir safras recordes. 
Neste período, contudo, a agricultura familiar permaneceu em estagnação, 
enquanto a produção em larga escala se recuperou e adaptou-se rapidamente à crise 
dos primeiros anos da década. O crescimento econômico do país passou a ser mais 
dependente das variações do mercado externo do que do interno, mas o setor agrícola 
experimentou um desenvolvimento mais acentuado em comparação à indústria. A 
 
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gestão de Figueiredo (1979-1985), através de políticas implementadas pelo então mi-
nistro da Fazenda Delfim Netto, deu prioridade à agricultura sob o lema “Encher a 
panela do povo”, combinada com uma política cambial que estimulou as exportações. 
Durante os anos 80, tais políticas cambiais, aliadas a preços mínimos garantidos e à 
adoção de novas tecnologias, propiciaram o crescimento agrícola mesmo sob um con-
texto macroeconômico adverso. 
As distorções causadas pelo crédito rural começaram a ser mitigadas devido 
à diminuição da disponibilidade de crédito, e as culturas domésticas tornaram-se mais 
rentáveis em comparação às de exportação. Entre 1980 e 1985, o desempenho posi-
tivo dessas culturas resultou no aumento do número de estabelecimentos geridos por 
pequenos agricultores, uma redução na intensidade das migrações rurais e uma maior 
estabilidade no emprego agrícola. Como consequência, houve uma relativa diminui-
ção nos preços das terras em relação à década anterior, indicando um período de 
ajuste e mudanças significativas no setor agrícola do Brasil. 
No final de 1984, a ditadura militar brasileira mostrava sinais de enfraqueci-
mento, culminando na transição para a Nova República em 1985, com a eleição indi-
reta de Tancredo Neves para a presidência, que, por motivos de saúde, foi substituído 
por seu vice, José Sarney. A promulgação de uma nova Constituição em 1988 marcou 
um momento significativo de mudança, e já na década de 1990, sob as diretrizes desta 
nova Carta Magna, houve uma redução da atuação estatal nas políticas setoriais, in-
cluindo as voltadas para o crédito agrícola e a produção agrícola, bem como uma 
abertura comercial e valorização cambial. Apesar desse cenário inicialmente adverso, 
a agricultura (incluindo a pecuária) registrou um desenvolvimento satisfatório. 
 
 
Um elemento essencial para o aumento da contribuição da agricultura ao Pro-
duto Interno Bruto (PIB) nacional foi o uso intensificado de tecnologias, indicando que 
Um elemento essencial para aumento da contribuição da agricultura ao Produto 
Interno Bruto (PIB) nacional foi o uso intensificado de tecnologias, indicando que o 
setor continuou a se modernizar mesmo sem o apoio do crédito rural e de políticas 
setoriais específicas, característicos dos governos neoliberais que se seguiram. 
Notadamente, os índices de modernização alcançados na década de 1990 supe-
raram os observados durante o período da modernização conservadora. 
 
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o setor continuou a se modernizar mesmo sem o apoio do crédito rural e de políticas 
setoriais específicas, característicos dos governos neoliberais que se seguiram. Nota-
damente, os índices de modernização alcançados na década de 1990 superaram os 
observados durante o período da modernização conservadora (MC). 
Ao analisar o processo de modernização na década de 2000, observa-se que, 
apesar de enfrentar crises internacionais recorrentes, a agricultura brasileira, particu-
larmente a voltada para a exportação, avançou significativamente na adoção de novas 
tecnologias, especialmente nas áreas de eletrônica, microeletrônica e tecnologias da 
informação (TI). A literatura sobre o assunto é vasta e conclui que, embora grandes 
empreendimentos agrícolas tenham se expandido durante a MC, muitos deles encon-
tram dificuldades na adoção dessas tecnologias avançadas. Essa resistência deve-
se, em parte, à falta de compreensão sobre o funcionamento dessas tecnologias e à 
incapacidade de avaliar seus impactos diretos nos sistemas de produção. Além disso, 
há uma carência de pessoal especializado capaz de operarequipamentos modernos 
computadorizados que exigem programações específicas. 
Chegando na atualidade, o cenário fundiário brasileiro 
caracteriza-se pela coexistência de extensas propriedades, típi-
cas da agricultura patronal, e um expressivo número de estabe-
lecimentos dedicados à agricultura familiar, demonstrando a com-
plexa estrutura agrícola que persiste no país. 
A agricultura, integrada ao contexto do agronegócio e focada na produção de 
commodities, tem se destacado por sua contínua modernização e capacidade de in-
corporar novas tecnologias, especialmente no âmbito das tecnologias da informação. 
Esse setor desempenha um papel crucial no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, 
evidenciando sua importância na economia do país. 
Em contrapartida, a agricultura familiar enfrentou sérias dificuldades ao final 
da modernização conservadora, com problemas acentuados tanto sociais quanto de 
agroecologia. Nas décadas seguintes, incluindo os anos 80, 90, 2000 e até meados 
de 2010 (até 2015), houve pouca modernização nesse segmento. A escassez de fi-
nanciamentos adequados, muitas vezes inacessíveis para produtores de baixa esco-
laridade ou analfabetos funcionais, e a falta de capacidade para investimentos limita-
ram as transformações possíveis. 
 
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Apesar da existência do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura 
Familiar (Pronaf), que visa financiar o desenvolvimento desse segmento, nem todos 
os agricultores familiares conseguem acessar esses recursos. O governo, buscando 
promover a modernização da agricultura familiar, instituiu o Programa Nacional de 
Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater), reconhecendo que a agricultura fami-
liar não se beneficiou significativamente durante o período da modernização conser-
vadora. Contudo, a eficácia desses programas de extensão, que por lei deveriam ser 
gratuitos, depende grandemente do comprometimento e das dotações orçamentárias 
por parte do governo federal, dos governadores e dos prefeitos. 
Enquanto a agricultura voltada ao grande negócio e à produção de commodi-
ties avançou em modernização, continuando a evoluir apesar de desafios como a flu-
tuação cambial e a ausência de políticas setoriais específicas, a agricultura familiar 
requer atenção e suporte adicional das autoridades. Para reduzir o substancial atraso 
desse segmento em relação ao grande negócio, são necessários programas especí-
ficos que promovam a emancipação dos produtores por meio da educação (inclusive 
não formal) e que respeitem as particularidades relacionadas a gênero, geração, etnia, 
sustentabilidade e práticas agroecológicas adaptadas aos diversos ecossistemas do 
vasto território brasileiro. 
 
 
3.4 DESENVOLVIMENTO DE COMUNIDADES 
 
Inicialmente, é preciso esclarecer o significado de camponês (campesinato) 
e de comunidade rural. O camponês constitui uma parte da comunidade rural. Há 
várias maneiras de definir, mas, de forma resumida, uma comunidade pode ser en-
tendida como um agrupamento de indivíduos da mesma classe social (camponeses), 
habitando um mesmo território e compartilhando situa-
ções de vida semelhantes, interesses, metas e dilemas 
comuns. 
É também essencial estabelecer a distinção entre 
comunidade e agrupamentos de vizinhos. Caso uma 
pessoa resida na mesma área, porém não siga o código de conduta local, não se 
 
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considera parte da comunidade, mas sim um vizinho; a esses se refere como agrupa-
mentos de vizinhança. Portanto, o campesino (camponês) que compõe o campesinato 
participa da comunidade, numa sociedade onde existe uma relação de conhecimento 
mútuo, em que todos os integrantes estão cientes do modo de vida uns dos outros e 
seguem códigos de conduta específicos, frequentemente como agricultores familiares 
que não estão completamente integrados aos mercados. O campesinato só se faz 
presente quando um código de conduta comum entre partes opostas fundamenta a 
organização social. Além dos camponeses, esta sociedade inclui o padre, o dono de 
terras, o comerciante e o credor (caso exista). 
Destaca-se que a comunidade deve se organizar para progredir e adotar es-
tratégias intervencionistas bem pensadas, ativas e estruturadas, com planos e metas 
claras para transformações específicas, em vez de apenas se reunir para celebrar 
festividades, partidas de futebol e outras atividades culturais ou para prestar ajuda em 
situações de falecimento ou enfermidades graves. 
No contexto campesino que estamos explorando, é preciso enfatizar que as 
propriedades adjacentes não competem entre si e a terra transcende a sua função 
como mero elemento produtivo. O modelo produtivista não é plenamente adotado 
aqui. Nessas comunidades, surgem relações de clientelismo, patronato e dependên-
cia pessoal. Comumente, estes agricultores familiares permanecem à margem do 
mercado, uma vez que as dinâmicas de mercado típicas do meio rural dependem tanto 
da condição econômica precária dos agricultores quanto da manutenção de suas difi-
culdades, por meio de sistemas imperfeitos que transformam seus produtos em mer-
cadorias. 
Por isso, torna-se essencial promover iniciativas voltadas ao desenvolvimento 
dessas comunidades, dado que o agricultor isolado tem limitada ou nenhuma capaci-
dade de negociação para adquirir insumos, comercializar seus produtos ou explorar 
novos mercados, resultando em uma produção insuficiente para atender suas deman-
das. É evidente também que, individualmente, os produtores não dispõem dos recur-
sos ou do volume de atividade necessário para investir em tecnologias, como a me-
canização, inseminação artificial, aquisição de tanques de expansão e o processa-
mento de seus produtos para o acesso direto ao mercado. Portanto, ao se organiza-
rem em cooperativas e/ou federações de cooperativas, eles fortalecem sua posição 
 
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para superar a dependência do patronato local, expandindo sua compreensão dos 
problemas enfrentados. 
 
Nesse cenário, o extensionista desempenha um papel fundamental como faci-
litador do processo de "educação" da comunidade em questão. 
 
O campo brasileiro tem passado por um rápido desenvolvimento e transfor-
mação. Nas proximidades de grandes e pequenos centros urbanos, mudanças signi-
ficativas têm ocorrido nas regiões consideradas periféricas. É comum observar famí-
lias envolvidas em múltiplas atividades econômicas, pois depender exclusivamente da 
agricultura familiar pode não ser viável. Importante ressaltar que este público, atual-
mente referido por alguns estudiosos como "rurbano" ou "ruralurbano", também co-
nhecido como o novo rural, deve ser foco das ações de extensão rural para facilitar o 
desenvolvimento dos grupos mais vulneráveis, como pequenos proprietários, arren-
datários e trabalhadores rurais sem terra. 
Assim, a atuação do extensionista visa promover mudanças na 
vida desses grupos mais desfavorecidos através da "educação" não for-
mal, para que alcancem a plena cidadania e se beneficiem do desenvol-
vimento nacional. Esta emancipação permitirá que esses agricultores fa-
miliares tenham uma participação mais ativa e influenciem a formulação 
de políticas públicas. 
 
3.4.1 O papel do profissionalde extensão 
 
As pessoas se tornam conscientes de sua situação apenas quando as infor-
mações são convertidas em conhecimento, o que só ocorre quando os indivíduos se 
sentem plenamente livres para recriar ou reinterpretar esse conhecimento. O extensi-
onista moderno, alinhado com a nova política de Ater, tem como missão capacitar o 
agricultor familiar a compreender sua realidade. Somente com essa compreensão é 
que será possível transformar sua condição social. 
O extensionista promove reuniões comunitárias, facilitando o processo pelo 
qual os membros da comunidade possam reconhecer e refletir sobre sua realidade; 
por exemplo, identificando as causas de determinadas situações e as razões de sua 
 
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persistência. Esse processo leva os membros da comunidade a identificar alternativas 
para superação dos desafios enfrentados. 
Antes de explorarmos as abordagens metodológicas, é fundamental entender 
a prática da assistência técnica e extensão rural. 
O extensionista não deve adotar uma posição neutra, visto que todas as ações 
implementadas estão intrinsecamente ligadas às características específicas da comu-
nidade e às políticas que as influenciam. 
É imperativo que o extensionista evite uma postura de superioridade ou de 
ser o detentor do conhecimento, tomando decisões pelo que seria melhor para a co-
munidade. O processo deve ser, acima de tudo, educativo, com o objetivo de promo-
ver o desenvolvimento do indivíduo enquanto ser humano. Neste contexto, buscar 
altos índices de produtividade não é o objetivo principal. Soluções padronizadas e 
pacotes tecnológicos, como os empregados no passado, não são adequados. Um dos 
desafios enfrentados pela extensão rural oficial, desde a implementação da nova Pna-
ter, é a formação de extensionistas com ênfase em modelos produtivistas e que ado-
tam uma abordagem difusionista (visto mais à frente) em suas práticas. 
O desafio parece ser extenso e complexo, visto que muitos técnicos formados 
em renomadas universidades receberam uma educação com base produtivista, 
mesmo que os currículos das disciplinas de Ater tenham evoluído. Professores de 
outras áreas, além dos de extensão rural, precisam ser introduzidos à nova Pnater 
para minimizar sua influência e reconhecer a agricultura familiar como um segmento 
vital do setor agropecuário nacional. 
Paulo Freire, em 1985, sustentava que conhecer a dimensão humana não 
significa receber passivamente o conhecimento transmitido ou imposto por outro, mas 
sim exige uma ação transformadora sobre a realidade, implicando em invenção e rein-
venção. Em outras palavras, a verdadeira aprendizagem ocorre quando o aprendiz se 
apropria do conhecimento, transformando-o e, assim, ganhando a capacidade de rein-
ventá-lo. 
Segundo Freire, os técnicos também têm muito a aprender com os agriculto-
res familiares, desde que participem como iguais nas assembleias e respeitem a cul-
tura e as condições socioeconômicas dos agricultores e das comunidades em ques-
tão. 
 
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O processo de aprender e construir conhecimento é uma jornada pessoal, 
influenciada pelo empenho individual e pelos conhecimentos já adquiridos. Aprender 
envolve dar um significado pessoal às novas informações. 
Este processo de reequilíbrio, resultante de uma atitude ativa de aprendizado, 
engloba simultaneamente a assimilação e acomodação. Deve-se recordar que este 
mecanismo de equilíbrio/reequilíbrio, fundamental no processo de aprendizagem, é 
um aspecto contínuo na vida humana. Os profissionais de assistência técnica e ex-
tensão rural que desconsideram esses princípios estão destinados ao fracasso. Por-
tanto, se a participação é um direito fundamental de todos os grupos sociais e essen-
cial para os mais desfavorecidos, a metodologia extensionista deve basear-se em 
abordagens colaborativas, como será visto mais à frente. 
O desenvolvimento de comunidades deve sempre se pautar em abordagens 
grupais, dialógicas, democráticas e participativas, ainda que tais processos sejam in-
trinsecamente lentos. Esse entendimento sublinha a importância da paciência e do 
comprometimento de longo prazo por parte dos profissionais de extensão rural e de-
senvolvimento comunitário, reconhecendo que mudanças significativas e sustentáveis 
nas comunidades exigem tempo, diálogo e envolvimento coletivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATIVIDADES DE FIXAÇÃO 
 
1 - Como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), fundada em 
1973, contribuiu para o setor agropecuário no Brasil? 
a) Diminuindo a eficácia na produção agrícola. 
b) Reduzindo a especialização das regiões agrícolas. 
c) Contribuindo para o progresso tecnológico e aumento da produtividade. 
d) Encorajando a expansão da área cultivada. 
 
Vá no tópico MATERIAL COMPLEMENTAR em sua sala virtual e 
acesse “A extensão rural na perspectiva Socioantropológica”. 
 
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2 - Como o Brasil chegou à situação de disparidade na agricultura, com produtores 
rurais patronais em condições favoráveis e agricultores familiares em dificuldades? 
a) Por causa da distribuição igualitária de terras no período colonial. 
b) Devido à falta de áreas agricultáveis e regime de chuvas desfavorável. 
c) Pelas políticas de modernização conservadora que beneficiaram grandes propri-
edades. 
d) Pela abolição imediata do sistema de sesmarias no século XVI. 
 
3 - Qual foi a consequência da Lei de Terras de 1850 para a estrutura fundiária brasi-
leira? 
a) Facilitou o acesso à terra para imigrantes e pequenos agricultores. 
b) Diminuiu a concentração de terras nas mãos de grandes proprietários. 
c) Assegurou a manutenção dos latifúndios, reforçando o conservadorismo social e 
econômico. 
d) Promoveu uma redistribuição equitativa de terras, diminuindo a disparidade agrí-
cola. 
 
4 - Qual a principal função da assistência técnica e extensão rural (Ater) mencionada 
no texto? 
a) Promover exclusivamente o avanço tecnológico das grandes propriedades agro-
pecuárias. 
b) Focar no aumento da produtividade das plantações de monocultura. 
c) Distribuir informações sobre inovações tecnológicas, pesquisas recentes e faci-
litar o acesso a novas tecnologias, especialmente para agricultores familiares. 
d) Limitar o acesso dos agricultores familiares às inovações tecnológicas e informa-
ções relevantes para o desenvolvimento agrícola. 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
1) FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação?. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. 
 
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2) GONÇALVES, L. C. et al. Modernização da agricultura no Brasil. In: GONÇALVES, 
L. C.; RAMIREZ, M. A.; DOS SANTOS, D. (Orgs.). Extensão rural e conexões. 1. 
ed. Belo Horizonte: FEPE, 2016. 
3) GONÇALVES, L. C. et al. Organização rural e desenvolvimento de comunidades. 
In: GONÇALVES, L. C.; RAMIREZ, M. A.; DOS SANTOS, D. (Orgs.). Extensão 
rural e conexões. 1. ed. Belo Horizonte: FEPE, 2016. 
4) SENAR; PRONATEC; Rede e-Tec Brasil. Curso técnico em agronegócio:assistência técnica e extensão rural. Brasília (DF): SENAR, 2016. Disponível em: 
https://sistemafamato.org.br/senarmt/wp-
content/uploads/sites/2/2022/05/Assistencia-Tecnica-e-Extensao-Rural.pdf. 
Acesso em: março 2024. 
 
 
 
 
 
 
https://sistemafamato.org.br/senarmt/wp-content/uploads/sites/2/2022/05/Assistencia-Tecnica-e-Extensao-Rural.pdf
https://sistemafamato.org.br/senarmt/wp-content/uploads/sites/2/2022/05/Assistencia-Tecnica-e-Extensao-Rural.pdf

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