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Roteiro: Cólica por Obstrução Intestinal em Equinos 
Tema: Obstrução por Compactação 
 
🐎 Introdução 
● A síndrome cólica é um dos principais desafios de saúde e bem-estar dos equinos. 
● As compactações são uma das causas mais frequentes de cólica, ocorrendo 
principalmente no intestino grosso. 
● O sucesso no diagnóstico e tratamento precoce pode determinar a sobrevida do 
animal. 
 
 Possíveis Causas de Obstrução Intestinal 
 Fatores dietéticos e de manejo: 
● Dieta rica em fibras indigestíveis ou carboidratos. 
● Feno de baixa qualidade. 
● Administração de volumosos triturados. 
● Oferta de grandes volumes de concentrado, em poucas refeições. 
● Restrição hídrica, principalmente no inverno. 
 Alterações no manejo: 
● Confinamento excessivo. 
● Mudanças abruptas na dieta. 
 Problemas odontológicos: 
● Pontas dentárias, má oclusão, perdas dentárias → dificultam a mastigação e 
trituração do alimento 
 Outros fatores: 
● Idade avançada. 
● Uso de anti-inflamatórios não esteroidais de forma crônica. 
● Parasitismo. 
● Efeitos tóxicos de amitraz. 
 
 
 Locais Mais Comuns de Obstrução 
 Flexura pélvica 
 Ceco 
 Cólon maior 
 Cólon menor 
 Locais predispostos a compactação geralmente têm estreitamento anatômico ou 
transição de motilidade. 
Segmento Frequência (%) Intervenção cirúrgica (%) 
Cólon maior 30,1% 16% 
Ceco 3% 43% 
Cólon menor 2,8% 44% 
 
 Sinais Clínicos 
 Dor abdominal: leve a moderada, contínua ou intermitente. 
 Redução na ingestão de alimento e água. 
 Produção fecal diminuída ou ausente; fezes secas e com muco viscoso. 
 Olhar para os flancos, cavar, deitar-se, rolar. 
 Distensão abdominal, principalmente no flanco direito (ceco). 
 Atenção: sinais podem evoluir de forma lenta, com períodos de alívio, mascarando a 
gravidade.
 
 Alterações nos Parâmetros Vitais e Justificativa 
Parâmetro Alteração Justificativa 
Frequência cardíaca Leve a moderada (40-80 
bpm) 
Dor e hipovolemia pela desidratação. 
Frequência respiratória Levemente aumentada 
(>20 mpm) 
Dor e compressão diafragmática por 
distensão intestinal. 
Mucosas Pálidas a hiperêmicas 
("cor tijolo") 
Hipoperfusão tecidual ou estase 
vascular. 
Tempo de preenchimento 
capilar (TPC) 
2 a 4 segundos Desidratação leve, hipoperfusão 
periférica. 
Sons intestinais Diminuídos ou ausentes Hipomotilidade por obstrução e dor. 
 
 Métodos Diagnósticos 
 Anamnese completa: manejo alimentar, mudanças no ambiente, ingestão de água, 
frequência e cor da urina, vermifugações. 
 Exame clínico: auscultação, TPC, mucosas, avaliação bucal 
 Palpação retal (método mais útil): 
● Presença de massas firmes (flexura pélvica, ceco, cólon menor). 
 Sonda nasogástrica: administração de fluidos e avaliação de refluxo. Pode 
estar presente ou não. pH básico (refluxo entero-gástrico) 
 Exame do líquido peritoneal: 
● Normal no início. 
● Alterações indicam isquemia ou ruptura (elevação de proteína, leucócitos). 
 Ultrassonografia: 
● Avaliação limitada, mas útil para detectar alças distendidas e compactações 
(hiperecogenicidade). 
 
 Tratamento 
💉 Tratamento Clínico (primeira escolha): 
 Controle da dor: 
● Flunixin meglumine (preferido por não afetar motilidade intestinal). 
 Laxantes (via sonda nasogástrica): 
● Óleo mineral: 5-10 ml/kg. 
● Dioctil sulfossuccinato de sódio (DSS): 10-20 mg/kg.- umectante, emulsificante 
 Fluidoterapia: 
● Enteral (hidratação e amolecimento da ingesta). 
● Intravenosa (restabelecer equilíbrio hidroeletrolítico e volêmico). 
 Objetivo: hidratar a ingesta impactada, estimular a motilidade e aliviar a obstrução. 
🔪 Tratamento Cirúrgico: 
Indicação quando: 
● Falha no tratamento clínico após 24-48 horas. 
● Sinais de agravamento (dor intensa, distensão abdominal significativa). 
● Risco de ruptura cecal → urgência cirúrgica. 
 Cirurgias mais comuns: 
● Enterotomia. 
● Evacuação manual da ingesta compactada. 
 
 Manejo Pós-Tratamento 
 Alimentação gradual: 
● Início sem grãos, introdução lenta de forragem. 
● Pequenas refeições (4-6x/dia). 
 Restrição de concentrados por 3-7 dias. 
 Reintrodução da dieta normal após normalização do trânsito intestinal. 
 Manejo preventivo: 
● Dieta equilibrada (2-2,5% do peso corporal/dia). 
● Água fresca e manejo odontológico regular. 
● Exercícios e controle de parasitas.