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1 DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE LICENCIATURA EM ANÁLISES CLÍNICAS E SAÚDE PÚBLICA TRABALHO DE GENÉTICA SISTEMA SANGUÍNEO ANO CURRICULAR: 1⁰ 2⁰ SEMSTRE-2025 TURMA: B TURNO: TARDE GRUPO N⁰ 05 ANO LECTIVO: 2024-2025 LUANDA, 2025 2 DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE LICENCIATURA EM ANÁLISES CLÍNICAS E SAÚDE PÚBLICA SISTEMA SANGUÍNEO INTEGRANTES DO GRUPO N⁰ 05 1. Ajuvenia Namuele 2. Belma Sanda 3. Eunice Paulino 4. Elisabeth Chiaia 5. Gaspar Domingos 6. Jacinta Monteiro 7. Nair Kamuti 8. Rumânia José 9. Sérgio Muniz 10. Terêncio Custódio DOCENTE Esp. Rafael Paulo LUANDA, 2025 3 CONTEÚDO 1. Introdução............................................................................................................................ 4 1.1 Justificativa ................................................................................................................. 5 2. OBJECTIVOS ..................................................................................................................... 6 2.1 Geral ........................................................................................................................... 6 2.2 Específicos .................................................................................................................. 6 3. fundamentação Teórica ....................................................................................................... 7 3.1 Conceito ...................................................................................................................... 7 3.2 Composição do sangue ............................................................................................... 7 3.3 Funções do sistema sanguíneo .................................................................................... 7 3.4 importância clínica ..................................................................................................... 7 3.5 Sistema ABO .............................................................................................................. 8 3.5.1 Histórico ................................................................................................................. 8 3.5.2 Genética .................................................................................................................. 8 3.5.3 Antígenos ................................................................................................................ 8 3.5.4 Subgrupos ............................................................................................................... 9 3.5.5 Anticorpos .............................................................................................................. 9 3.6 Sistema Rh ................................................................................................................ 10 3.6.1 Antígenos .............................................................................................................. 11 3.6.2 Os antígenos D fraco e D parcial .......................................................................... 11 3.6.3 Antígenos D fraco ................................................................................................. 11 3.6.4 Antígenos D parciais ............................................................................................ 11 3.6.5 Anticorpos ............................................................................................................ 12 3.7 Eristoblastose fetal (DHFRN) .................................................................................. 12 3.7.1 Aspetos Clínicos ................................................................................................... 13 3.7.2 Bilirrubina ............................................................................................................. 13 3.7.3 Testes serológicos da mãe .................................................................................... 14 3.7.4 Testes serológicos do recém-nascido ................................................................... 14 4. CONCLUSÃO .................................................................................................................. 15 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 16 4 1. NTRODUÇÃO O sistema sanguíneo é uma das estruturas mais importantes do corpo humano, responsável pelo transporte de nutrientes, oxigênio, hormonas e pela defesa do organismo. ele é composto pelo sangue e pelas suas células, hemácias leucócitos e plaquetas que desempenham funções essenciais à vida. dentro do sistema sanguíneo, destacam-se os grupos sanguíneos, que são classificados principalmente pelos sistemas ABO e RH, com base na presença ou ausência de determinados antígenos nas hemácias. o conhecimento desses sistemas é fundamental em contextos médicos, como transfusões de sangue, transplantes e no acompanhamento de gestantes, pois a incompatibilidade entre os tipos sanguíneos pode levar a sérias complicações, como a eritroblastose fetal uma doença hemolítica do recém-nascido causada por incompatibilidade RH entre a mãe e o feto. 5 1.1 JUSTIFICATIVA O conhecimento sobre os sistemas sanguíneos é fundamental na medicina, especialmente em procedimentos como transfusões e no acompanhamento pré-natal. a eritroblastose fetal, por exemplo, é uma condição que pode ser prevenida com medidas adequadas. portanto, este estudo visa aprofundar a compreensão desses sistemas para promover práticas clínicas seguras e eficazes. 6 2. OBJECTIVOS 2.1 GERAL Analisar o funcionamento do sistema sanguíneo humano, com ênfase nos sistemas ABO e Rh, e compreender a relação entre esses sistemas e a ocorrência da eritroblastose fetal, destacando sua importância na medicina transfusional e no acompanhamento gestacional. 2.2 ESPECÍFICOS ➢ Identificar a composição e a função do sistema sanguíneo no corpo humano. ➢ Descrever as características dos grupos sanguíneos segundo o sistema ABO. ➢ Compreender os mecanismos imunológicos envolvidos na eritroblastose fetal. 7 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 CONCEITO O sistema sanguíneo é um dos sistemas mais vitais do corpo humano. ele é responsável pelo transporte de substâncias como oxigênio, nutrientes, hormônios e produtos de excreção, além de atuar na defesa do organismo e na regulação da temperatura corporal. esse sistema é composto pelo sangue e pelos vasos sanguíneos que percorrem todo o organismo. 3.2 COMPOSIÇÃO DO SANGUE o sangue humano é um tecido conjuntivo líquido formado por duas partes principais: - plasma: parte líquida (cerca de 55% do sangue), composta por água, sais minerais, proteínas (como albumina, globulinas e fibrinogênio), glicose, hormônios e outros solutos. - Elementos figurados: parte celular do sangue (cerca de 45%), composta por: - Hemácias (glóbulos vermelhos): transportam oxigênio através da hemoglobina. - Leucócitos (glóbulos brancos): responsáveis pela defesa imunológica do organismo. - Plaquetas: fragmentos celulares responsáveis pela coagulação sanguínea. 3.3 FUNÇÕES DO SISTEMA SANGUÍNEO ➢ transporte de gases: oxigênio dos pulmões para os tecidos e dióxido de carbono em sentido oposto. ➢ distribuição de nutrientes e hormônios. ➢ regulação da temperatura corporal. ➢ defesa imunológicacontra agentes patogênicos. ➢ coagulação para evitar hemorragias. 3.4 IMPORTÂNCIA CLÍNICA o sistema sanguíneo é fundamental em procedimentos como transfusões, transplantes, diagnósticos laboratoriais, cirurgias e no tratamento de doenças como anemias, leucemias, tromboses e distúrbios da coagulação. 8 3.5 SISTEMA ABO 3.5.1 HISTÓRICO O sistema abo foi o primeiro sistema de grupos sanguíneos, descrito em 1900 por Landsteiner, que descreveu os antígenos A, B e C (depois renomeado como O). Landsteiner descobriu que, misturando soro e hemácias de diferentes pessoas, poderiam ser definidos três grupos e, alguns anos após, Decastello descreveu o fenótipo AB. em 1910 von Dungern e Hirchfeld confirmaram que a herança genética do a e b obedeciam as leis de Mendel, com a presença do A e B como dominantes. 3.5.2 GENÉTICA O genes ABO se localizam no braço longo do cromossoma 9 (posição 9q34.1‑q34.2). foram definidos quatro genes: a1, a2, b, o. esses genes codificam a produção de duas enzimas glicosiltransferases A e B. A transferase A B (1,3 n acetilgalactosaminil transferase), que adiciona o açúcar n acetil galactosamina e produz o antígeno A; e a transferase B (α1,3 galactosil transferase), que adiciona a galactose e produz o antígeno B num substrato precursor na membrana da hemácia, o antígeno h. O gene O não produz transferase ativa. A sequência de DNA do gene O é idêntica ao do gene A, exceto pela deleção (g‑261) na região n‑terminal, o que codifica uma proteína truncada. O gene alelo a2 difere de a1 pela simples deleção de uma base na região c‑terminal, na posição 467, sendo o nucleotídeo t em a2 e c em a1; o gene a2 produz uma transferase a2 que tem uma atividade reduzida, quando comparada com a transferase a1. a diferença entre genes a e b são sete nucleotídeos no DNA, que resultam em quatro aminoácidos diferentes nas transferases a e b. 3.5.3 ANTÍGENOS os antígenos do sistema ABO não são restritos à membrana eritrocitária, mas também estão presentes na saliva e outros líquidos biológicos, exceto fluido espinhal. a presença de substância abo específica nos líquidos biológicos ocorre em indivíduos que apresentam o gene secretor (se) – 80% das pessoas. os antígenos ABO são encontrados ainda na maioria das células epiteliais e endoteliais. a presença nos linfócitos e plaquetas parece ser devido à absorção do plasma. 9 Foram descritos quatro antígenos no sistema abo: a (001); b (002); ab (003); a1 (004), e estão expressos desde a 5ª semana de vida intrauterina, embora o recém‑nascido tenha uma expressão fraca, cerca de 1/3 dos sítios antigênicos totais em relação ao adulto (molisson, 1992). a expressão aumenta com a idade e é máxima em torno dos dois a quatro anos de vida. 3.5.4 SUBGRUPOS Os antígenos A e B apresentam subgrupos que se caracterizam por diferenças na quantidade e forma de expressão na membrana das hemácias devido a alterações genéticas (mutações na estrutura dos genes) que codificam transferases diferentes das transferases A e B, levando em geral a uma expressão enfraquecida dos antígenos (a e b) na membrana da hemácia. Os subgrupos, nos testes imuno‑hematológicos, apresentam intensidade de reação mais fraca com reagentes anti‑a, anti‑b e anti‑ab, o que pode levar a discrepâncias entre a prova direta e reversa da classificação abo. O uso de lectinas específicas anti‑a e anti‑h pode auxiliar na determinação dos subgrupos. as hemácias a apresentam reação positiva com lectina anti‑a e negativa com lectina anti‑h. nos subgrupos de a, a reação com lectina anti‑a1 apresenta reação negativa e a anti‑h, reação positiva. Os subgrupos também ocorrem nos indivíduos AB. cerca de 80% dos indivíduos a e AB são a1/a1b, 19% são a2/a2b e 1%, outros subgrupos (a3, aint, ael, am, ax, ay, etc.). os subgrupos de b são raros (b3, bx, bm, bel). A reação de aglutinação com antissoros a e b só é visível quando mais de 2.000 sítios antigênicos estão presentes na membrana das hemácias. Na medicina transfusional, em geral, não é importante distinguir os subgrupos de a e de b. a transfusão de subgrupos, em geral, não leva a reação transfusional. 3.5.5 ANTICORPOS Os anticorpos do sistema ABO estão ausentes no nascimento e são detectáveis após os quatro meses de idade. uma das teorias propostas para seu aparecimento consiste na heteroimunização (flora bacteriana intestinal, anatoxinas diftéricas ou tetânicas, soroterapia antitetânica, medicamentos de origem animal, vacina antigripal, infecção por toxocara canis etc.). 10 a gravidez abo incompatível, assim como a transfusão incompatível, pode determinar a aloimunização eritrocitária e o aparecimento das imunoglobulinas da classe igg. os anticorpos abo são potentes igm ou igg e determinam forte aglutinação direta com hemácias a ou b. são capazes ainda de ativar a cascata de complemento até c9, portanto, levando a hemólise aguda intravascular. são extremamente importantes do ponto de vista transfusional, estando relacionados à reação transfusional grave. estão também envolvidos em casos de doença hemolítica perinatal, porém, em geral, de forma clínica moderada, levando a icterícia leve. anti‑a: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do grupo b. anti‑b: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do grupo a. anti‑ab: ocorre naturalmente no soro de todos os indivíduos do grupo o. anti‑a1: pode ocorrer naturalmente nos indivíduos a2, quase sempre é uma aglutinina fria, tipo igm, encontrada em cerca de 1% a 4% dos indivíduos a2 e em 25% dos indivíduos a2b. geralmente não está associada a reação hemolítica transfusional ou doença hemolítica perinatal. na presença de anti‑a1, só é necessário selecionar hemácias a2 para transfusão se o anticorpo reagir a 37 oc. 3.6 SISTEMA RH O sistema Rh é o mais complexo dos sistemas eritrocitários e o 2º mais importante, depois do sistema ABO, na medicina transfusional. Foi descoberto em 1939, por Levine e Stetson, por meio de um caso de Doença Hemolítica Perinatal (DHPN). Uma mulher, ao dar à luz uma criança com anemia hemolítica, necessitou ser transfundida com o sangue ABO compatível de seu marido e, a seguir, apresentou reação transfusional grave. O soro dessa mulher aglutinava as hemácias do marido e de cerca de 80% dos doadores caucasianos também ABO‑compatíveis. Na mesma época, Landsteiner e Wiener observaram que o soro de coelhos imunizados com hemácias do macaco Rhesus também aglutinava cerca de 85% das hemácias humanas. Inicialmente foi pensado que, nos dois casos, os anticorpos identificavam o mesmo antígeno na superfície das hemácias humanas e do macaco Rhesus (Ag Rh). Posteriormente, foi observado que não se tratava do mesmo antígeno, porém a nomenclatura Rh foi mantida para o sistema. O anticorpo do coelho (heteroanticorpo) passou a ser chamado de anti‑LW e o anticorpo humano (aloanticorpo) foi renomeado como anti‑D. 11 3.6.1 ANTÍGENOS Os antígenos do sistema Rh são encontrados exclusivamente nas hemácias. São proteínas codificadas por um par de genes homólogos, RHD e RHCE. O gene RHD codifica a produção do antígeno RhD e o gene RHCE, a produção de dois pares de antígenos antitéticos: C, c, E, e. Embora o sistema apresente mais de 50 antígenos, apenas a classificação RhD, que se refere a presença ou ausência do antígeno RhD, deve ser realizada obrigatoriamente nas rotinas pré‑transfusionais e em doadores de sangue. O antígeno RhD apresenta um extenso polimorfismo. Pode se apresentar como um antígeno com fraca expressão (D fraco) ou como um antígeno modificado (D parcial). Essas características muitas vezes só podem ser determinadas por estudos moleculares. 3.6.2 OS ANTÍGENOS D FRACO E D PARCIAL O antígeno D pode apresentar variações em sua expressão fenotípica devido a alterações em sua qualitativas e/ou quantitativas.Esses antígenos são globalmente denominados D variantes. 3.6.3 ANTÍGENOS D FRACO Os antígenos D fracos são variações quantitativas do antígeno RhD e todos os epítopos (regiões reconhecidas por anticorpos) estão íntegros na membrana eritrocitária, porém expressos fracamente. As variações no antígeno, quando acontecem, são transmembranares ou intracelulares e por isso os indivíduos que possuem o fenótipo D fraco não produzem aloanticorpos anti‑D. Nos testes sorológicos, os antígenos D fracos são detectados somente com o uso de potencializadores (antiglobulina humana ou enzimas), mas atualmente, com o uso dos reagentes monoclonais, aqueles que não apresentam uma densidade antigênica muito baixa são detectados por reação imediata, sem necessidade de potencializadores. 3.6.4 ANTÍGENOS D PARCIAIS Os antígenos D parciais são caracterizados pela ausência de um ou mais epítopos da proteína D, que são substituídos por epítopos da proteína CcEe. Estas alterações ocorrem por alterações moleculares no gene RhD, que leva a substituições dispersas de aminoácidos nas alças extracelulares da proteína, em especial nas alças extracelulares. Vários epítopos apresentam‑se alterados devido à presença de aminoácidos diferentes da proteína D normal. Dependendo do tipo de antígeno D a densidade antigênica varia. Alguns antígenos têm baixa 12 densidade antigênica e, portanto, além de parcial, apresenta uma expressão fraca (D fraco Tipo 17), enquanto que outros apresentam uma densidade antigênica alta, semelhante ao antígeno D normal (D parcial tipo DIIIc). 3.6.5 ANTICORPOS Os anticorpos do sistema Rh, em especial o anti‑D, não são naturais. Eles são produzidos a partir de um estímulo imunológico, seja a gestação de um feto RhD positivo, ou transfusão de um componente RhD positivo. Eles são de natureza IgG, ativos a 37 oC e são melhor detectados por meio da utilização da antiglobulina humana ou por meio da utilização de painéis de hemácias tratadas por enzimas proteolíticas. Como são IgG, atravessam a barreira placentária e estão envolvidos em casos de doença hemolítica perinatal. Esses anticorpos não fixam complemento e a destruição das hemácias é extracelular, podendo estar associados a casos de reação transfusional por destruição das hemácias no meio extravascular. 3.7 ERISTOBLASTOSE FETAL (DHFRN) A DHFRN provocada pela incompatibilidade Rh (D) acontece quando a mãe é Rh negativo e o feto é Rh positivo. Durante a primeira gestação geralmente o feto não é afetado, porque a mãe ainda não foi imunizada. Durante a gestação e principalmente durante o parto, quando a placenta se separa do útero, uma parte dos eritrócitos fetais entram na circulação materna. O antigénio D presente nos eritrócitos fetais imunizam a mãe e estimulam a produção de anti- D. Após a mãe ter sido imunizada e ter produzido anti-D, todas as gestações seguintes, em que o feto seja Rh positivo, estão em risco (Figura 3). Porém se for utilizado a imunoglobulina Rh (RhIG) logo na primeira gestação, em que a mãe é Rh negativo e o feto Rh positivo, a ocorrência de Rh DHFRN é muito rara. A prática clínica atual opta, perante as gestantes Rh negativas, ministrar a imunoglobulina Rh (RhIG), entre as 24 e as 28 semanas de gestação. 13 3.7.1 ASPETOS CLÍNICOS Hemólise, anemia e eritropoiese A hemólise acontece quando o anticorpo materno (IgG) se liga aos antigénios específicos dos eritrócitos fetais. As células revestidas com os anticorpos, são removidas da circulação pelos macrófagos do baço. A destruição dos eritrócitos fetais leva a que o feto desenvolva anemia. Por consequência há uma estimulação da medula óssea fetal, para que sejam produzidos eritrócitos a um ritmo acelerado. Quando a medula óssea não consegue suportar uma produção suficiente de eritrócitos para compensar a quantidade de células que estão a ser destruídas, a eritropoiese ocorre também no baço e no fígado. Devido a produção e acumulação de eritrócitos no baço e no fígado, estes órgãos aumentam de tamanho e a esta condição denomina-se, hepatoesplenomegalia. A hipertensão portal e o dano hépato celular são consequências da hepatoesplenomegalia. A anemia grave juntamente com a hipoproteínemia, levam ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca de alto debito, provocando edema generalizado, ascite vários derrames. Esta condição é conhecida como hidropisia fetal. 3.7.2 BILIRRUBINA Devido a destruição dos eritrócitos fetais, há libertação de hemoglobina que é metabolizada em bilirrubina indireta. A bilirrubina indireta é transportada através da placenta para a circulação materna, onde vai ser conjugada no fígado materno de modo que seja excretada. Apesar de os níveis de bilirrubina total na circulação fetal e no líquido amniótico estejam elevados, não causam doença significativa no feto. Após o nascimento como a conexão com a mãe é rompida, a bilirrubina permanece na circulação do recém-nascido. como o fígado do recém-nascido é imaturo e não consegue conjugar a bilirrubina de forma eficiente, provoca a acumulação nos tecidos de bilirrubina não conjugada o que leva ao aparecimento da icterícia. com o aumento da hemólise, a bilirrubina não conjugada pode atingir níveis tóxicos para o cérebro do recém-nascido, que se não for devidamente tratada pode causar kernicterus. 14 3.7.3 TESTES SEROLÓGICOS DA MÃE Durante o primeiro trimestre, as boas práticas de obstetrícia aconselham a realização da tipagem ABO, Rh e a deteção de eventuais anticorpos presentes (Prova de Antiglobulina Indireta). Durante esta primeira consulta, a gravida é questionada sobre gestações anteriores e os seus desfechos. A mesma é questionada sobre eventuais transfusões no passado. Para a tipagem de anticorpos, devem ser utilizadas técnicas que sejam capazes de detetar anticorpos IgG reativos a 37ºC. Caso a tipagem de anticorpos seja positiva é necessário realizar a identificação dos mesmos. 3.7.4 TESTES SEROLÓGICOS DO RECÉM-NASCIDO Após o nascimento, os eritrócitos do recém-nascido podem ser testados a partir de amostra de sangue do cordão umbilical. Esta amostra, deve ser colhida utilizando uma seringa e agulha, de modo a evitar a contaminação. Os testes serológicos utilizados no recém-nascido são, a tipagem ABO, tipagem Rh e o teste de Antiglobulina Direta (TAD). Na tipagem ABO apenas se realiza a prova direta, pois os anticorpos presentes na amostra, são da mãe. A tipagem do Rh no sangue do cordão umbilical pode apresentar um falso negativo se as células estiverem fortemente revestidas com anti-D, a isto chama-se Rh bloqueado. Numa primeira fase, poderá lavar-se as células do recém-nascido, e numa fase posterior preparar um eluado a partir das células fetais. Outro teste serológico é o TAD, que é o teste mais importante na deteção da DHFRN. Um TAD com resultado positivo, indica que o anticorpo está a revestir os eritrócitos do recém-nascido, mas a força de reação não se relaciona com a gravidade da doença. 15 4. CONCLUSÃO O estudo do sistema sanguíneo, em especial dos sistemas ABO e RH, é essencial para a compreensão dos processos biológicos que garantem a compatibilidade entre doadores e receptores em transfusões, bem como para a prevenção de complicações em gestantes, como a eritroblastose fetal. a identificação correta dos grupos sanguíneos e o entendimento da resposta imunológica entre mãe e feto permitem ações preventivas eficazes, como a administração da imunoglobulina anti-rh, que pode salvar vidas e evitar sérios problemas de saúde no recém-nascido. conclui-se, portanto, que o conhecimento sobre esses sistemas não apenas favorece práticas médicas seguras, mas também contribui significativamente para a promoção da saúde materno-infantil e para o avanço da medicina transfusional e preventiva.16 5. 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