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ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 1 Aulas de Ciência Política e Teoria Geral do Estado Prof. João Paulo de Campos Echeverria. Aula 1. Apresentações. Questões gerais. Aula 2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias das elites. Ideologias. 1. O que é política? a. Conceito e terminologia; i. Decorre da expressão grega “polis”, que designa cidade, coisa urbana, civil, publico talvez, e “até mesmo social e sociável”1. ii. Historicamente era um termo restrito a tratar de obras relacionadas ao Estado, e que hoje são adjetivadas pelo uso da ciência ou teoria, como a ciência política e a teoria de Estado. iii. Na modernidade o termo ganha um aspecto mais amplo, e a política passa a ser utilizada de maneira mais ampla, para tratar das coisas que, de uma forma ou de outra, se relacionam em alguma medida com o Estado. iv. Segundo Norberto Bobbio, “a polis é, por vezes, o sujeito, quando referidos à esfera da Política atos como o ordenar ou proibir alguma coisa com efeitos vinculadores para todos os membros de um determinado grupo social, o exercício de um domínio exclusivo sobre um determinado território, o legislar através de normas válidas erga omnes, o tirar e transferir recursos de um setor da sociedade para outros etc. (...)”2 v. Aristoteles: “§ 9 É evidente, pois, que a cidade faz parte das coisas da natureza, que o homem é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade, e que aquele que, por instinto, e não porque qualquer circunstância o inibe, deixa de fazer parte de uma cidade, é um ser vil ou superior ao homem. Tal indivíduo merece, como disse Homero, a censura cruel de ser um sem família, sem leis, sem lar. Porque ele é 1 BOBBIO. Dicionário. 2 BOBBIO. Dicionário. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 2 ávido de combates, e, como as aves de rapina, incapaz de se submeter a qualquer obediência”.3 • A percepção de Aristóteles era a de que uma organização comunitária hierarquicamente estruturada era uma necessidade do homem, algo que decorre de sua essência e natureza como um fenômeno moral orientado e superior ao próprio indivíduo. Mais do que isso, ele indicava que o homem só se realizava enquanto tal no Estado, pois que fora desse organismo moral (para Aristóteles o Estado era um organismo moral), o homem não passaria de um animal servil. vi. “O conceito de polícia como práxis humana está intimamente relacionado com a noção de poder”.4 vii. O conceito de política ainda pode ser estar ligado à ideia de distribuição de poder no Estado, ou até na sociedade. “A palavra política enfatiza ‘o processo de tomada de decisões no que diz respeito a atividades públicas ou produtos: acerca do que é feito, de quem o recebe e o quê. (...) qualquer comunidade maior do que a família contém um elemento de política. A política pode, também, ser definida ‘como atividade através da qual são conciliados os diferentes interesses, dentro de uma determinada unidade de governo, dando a cada um deles uma participação no poder, proporcional à sua importância para o bem-estar e a sobrevivência de toda comunidade.” Nesse sentido, pode-se afirmar que a política é uma forma de governar nas sociedades divididas, sem o uso indevido da violência.”5 viii. Para Max Weber, por outro lado, a política está em tudo quanto relacionado ao Estado e dentro do Estado, ainda que não relacionado diretamente a ele. Se insere como uma categoria de direção organizacional da sociedade e entre ela, ou seja, nas relações de poder que são travadas dentro da sociedade em sentido amplo. Como, por exemplo, a “política de uma esposa hábil, que procura governar seu marido”. Refere-se, aqui também, a divisão do poder.6 ix. “Podemos também entender a arte da política como destreza, habilidade, perícia, com que se maneja assunto delicado ou uma atitude já estabelecida com respeito a determinados assuntos. Nesse sentido, também, uma questão se torna política quando e na medida em que se transforma em uma questão polêmica”.7 • Política, assim, pode ser compreendida como instrumento de distribuição de poder por meio do diálogo. x. Terminologia em inglês: Policy, politics e polity. 3 ARISTOTELES. A Política. Tradução de Nestor Silveira. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010, pp. 2-3 4 Reinaldo Dias. Pg. 2. 5 Reinaldo Dias. Pg. 3. 6 WEBER. Duas Vocações. Pg. 65-66. 7 Reinaldo Dias. Pg. 5. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 3 • Importante não confundir os significados, usualmente transpostos para nosso dia a dia de maneira confusa. Policy significa ação de governo, tipo uma política pública, por exemplo. Politics como instrumento, estratégia de diálogo, tal como nos usamos o termo “política” em sentido amplo, ou seja, mecanismo de interação estratégica. Polity, por fim, trabalha a ideia de sistemas de governo.8 b. Finalidade; i. Método de governo imanente. Ou seja, baseado na experiência possível e no diálogo entre os homens, e não sob a regência metafísica de um deus. • Finalidade essa que é limitada, portanto, cuidado. Isso porque se temos a política como instrumento de diálogo, é claro que ela não é limitada ao critério de secularidade, ou seja, da distinção entre o governo dos homens e o governo de um deus. ii. Política usada com a finalidade de gestão do poder; • A obra de Nicolau Maquiavel (“O príncipe”) é um dos melhores exemplos do uso da política como meio. A finalidade da política, no caso, está no meio. c. Prática; i. Enquanto instrumental, a prática da política é realizada no dia a dia das relações cognitivas na sociedade e na administração do poder no âmbito da sociedade, e em todos os microcosmos sociais (seja no lar, na empresa, no Estado, no time de futebol, no sindicato, enfim, em todos os cantos onde há ação diretiva de poder). d. Política e direito; i. O direito é um mecanismo de pacificação social; • Nesse ponto, interessante notar que a política serve de instrumental de necessária aplicação no aparato do direito, seja na formulação das bases do ordenamento jurídico, que reduz a complexidade social em sentido normativo, ou ainda na dinâmica dos litígios e relações sociais reguladas, ou ainda no direito privado. • Se a política está na dinâmica da distribuição do poder na sociedade, seja diante do Estado ou no âmbito das relações sociais, tem-se que o direito depende da política para se materializar. 8 Reinaldo Dias. Pg. 6. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 4 ii. O direito não é reflexo de imposição de justiça social ou de justiça em sentido abstrato, até mesmo porque a justiça é um elemento moral, logo de complexa universalização. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 5 Aula 3. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias das elites. Ideologias. 1. O Poder. a. “O poder é um processo social”.9 i. O poder é um processo social na medida em que se manifesta na sociedade a partir de um movimento relacional entre os indivíduos. b. Existência do poder, manifestação do poder, realidadedo poder. i. O poder manifesta-se na sociedade a partir da manifestação de vontades, e se realiza, ou melhor, se torna realidade, quando essa vontade manifesta é capaz de influir na realidade de um grupo ou de determinada pessoa de maneira direta (relação cognitiva). ii. O poder existe na medida da eleição de valores pelo grupo – legitimidade do poder. Um exemplo é a violência, que quando valorizada no campo social é um instrumento de poder (nesse caso, não necessariamente legítimo). Caso da religião. O poder da religião é maior quando mais presente for a fé na sociedade. Assim, será “poderoso” o sacerdote em uma sociedade religiosa. iii. O poder pressupõe um ato relacional entre dois indivíduos ou entre organizações, ou entre pessoas e organizações. Sempre implica em relação.10 iv. Poder pressupõe a sobreposição e superioridade de um sobre outro? Ou dependência? *Não creio, pois a relação de poder, penso, é independente, na medida a realidade pode impor um poder sem a existência de dependência ou superioridade de um sobre o outro. Nesse ponto, Reinaldo Dias trabalha com a ideia de que a superioridade e/ou dependência é necessária.11 c. Poder na sociedade. i. O poder está em todas as relações sociais, e as vezes legitimado por um valor em abstrato, como a economia, a política, a cultura, a família etc. 9 Reinaldo Dias. Pg. 29. 10 Reinaldo Dias. Pg. 30. 11 Reinaldo Dias. Pg. 30. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 6 ii. Diversas “ordens” de poder coexistem na sociedade. O poder econômico coexiste com o poder político, e com o poder militar ou familiar etc. • Veja que podemos perceber na sociedade uma diversidade de movimentos de poder em diversas direções, com interesses diversos, e em campos diversos. • Os âmbitos de poder se relacionam na sociedade, ora se sobrepondo uns sobre os outros, de acordo com o valor social eleito, ou coexistem em planos iguais, ou ainda concorrem entre eles nos mesmos interesses. iii. Poder do Estado: O poder do Estado é legitimado pela sociedade, que atribui à uma entidade fictícia o direito de influir na realidade social de todos (indivíduos e organizações). Lógica de consenso ou de força. 2. A Origem do Poder a. Nasce com a capacidade de coagir; b. E quanto relacional, pela perspectiva consensual e cooperativa; c. Reinaldo Dias defende que o poder se manifesta – e tem origem – quando “o indivíduo se encontra com o poder quando a sua conduta não é decidida por ele mesmo, mas uma decisão tomada por outro que é capaz de determinar seu comportamento”.12 • Nesse ponto, registro, entendo que o poder parte de uma abstração outra que não diretiva, ou seja, não depende de um cenário em que um indivíduo se submete a outro – ou a uma organização que seja. • No caso, penso que o poder se manifesta de maneira mais abstrata na sociedade, não necessariamente de maneira personificada em alguém. Exemplo é a economia, ou o poder econômico, que não necessariamente personificado em uma pessoa é capaz de dirigir comportamentos, tal como o poder político ou da própria violência. O caso da violência é até emblemático, pois o poder se dá pela autoridade da violência em abstrato. d. O Poder simbólico. O poder que se manifesta na pessoa que sofre o poder e não na que impõe o poder. É invisível e sensível por quem desenha a conduta a partir de uma realidade imposta e não personificada (Pierre Bourdieu). Ex.: o tal racismo institucional “sofrido”. A questão das classes sociais e mesmo de gênero. 12 Reinaldo Dias. Pg. 30. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 7 e. Fontes de Poder: i. A força: ameaça ou uso de coerção física, ou impositiva moral. Ou ainda constritiva no âmbito social. • O poder pela força pode se dar pela ameaça pura e simples, que cause ao indivíduo alguma forma de sofrimento, seja físico, moral ou de qualquer ordem. ii. Autoridade: poder conferido a outro (submissão, mesmo que voluntária, como no contrato social), como o caso de consenso. Resumindo, autoridade também vem do consenso (é o caso da democracia, dos sistemas políticos, etc). 1. Autoridade burocrática ou racional-legal: clássica autoridade do Estado manifesta em lei e do modelo institucional (cargos) • Lembro do caso do Secretário de Estado dos EUA, Gen. Collin Powel. O cargo é maior que a pessoa. Caso contado por Simon Sinek (youtube..). • Caso da relação entre advogados, juízes e membros do Ministério Público. 2. Autoridade tradicional: autoridade pela tradição. Autoridade, por exemplo, conferida à Igreja, a fé. Tradição e costumes (caso da autoridade no âmbito familiar, no caso da mãe o do pai). 3. Autoridade Carismática: autoridade da pessoa, por ela ou a ela atribuída (Dalai Lama, Papa). Baseada na veneração. Lula e Bolsonário (?). Populismo. f. Legitimidade: tem fundamento na origem do poder. O que confere legitimidade a alguém ou à alguma coisa é o poder que lhe é atribuído. A legitimidade tem origem em uma autoridade acolhida pelo que sofre o poder de alguém, ou em sentido geral, uma autoridade acolhida pela coletividade. g. Legalidade: tem fundamento na autoridade do Estado. Obedece a um sistema de normas. Se insere no ordenamento jurídico. h. “Não se deve confundir legitimidade com legalidade. Enquanto a legitimidade relaciona o poder com determinado sistema de valores, a legalidade, pelo contrário, o faz em relação a determinado ordenamento legal”.13 3. A política e o poder: A política é o instrumental estratégico necessário para designar condutas, promover retratos cognitivos pré-estabelecidos, enquanto o poder é a autoridade conferida à pessoa que se vale desse instrumental. a. Um bom instrumental político exige menos do poder, e vice e versa. 13 Reinaldo Dias. Pg. 43. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 8 b. O poder político: “Nenhum grupo humano pode articular-se ou manter-se sem um poder que o estruture e mantenha coeso, exercendo a sua direção e direcionando o conjunto em ordem para atingir seus objetivos. Em qualquer sistema político surge como forma de autoridade o poder político. Todo agrupamento humano para a realização de fins comuns necessita da direção de uma vontade; esta vontade, que irá organizar e dirigir a execução de suas ordens, é o que chamamos poder de associação; daí que toda associação, por mínima que seja a força que possua, tem um poder peculiar que aparece como uma unidade distinta daquela de seus membros”.14 • Essa lógica de direção e direcionamento do conjunto é materializada pela política, que se manifesta com legitimidade a partir do poder que lhe é atribuído no âmbito da sociedade. • Com isso, o poder tem uma tendência a se estabilizar, para em seguida se estruturar e, finalmente, se institucionalizar. • A institucionalização do poder é o resultado de um discurso histórico, ou melhor, de um processo histórico social. • Mais uma vez, instituições e poder simbólico. E ainda: dominação: “probabilidade de encontrar obediência a uma ordem”.15 c. Política no Estado: A política tem ganha autonomia no Estado, e se materializada na legitimidade que é conferida ao Estado pela sociedade; Há um fator cíclico, na medida em que o poder atribuído ao Estado promove sua autoridade e legitimidade para manifestação do poder político, ou melhor, do poder de maneira estratégico. d. Poder-político como jurisdição: Quando manifestado no âmbito do Estado, deve ser considerado o monopólio do uso da força e, mais, nesse caso o poder político pode se manifestar na jurisdição, ou seja, enquanto função do Estado. e. Nicolau Maquiavel (sec. XV-XVI): Teoria política moderna.Conquista e manutenção do poder. “os fins justificam os meios”. Manual prático de governança, independente da legitimidade. A força, para Maquiavel, era suficiente. 14 Reinaldo Dias. Pg. 35 15 Weber. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 9 Aula 4. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias das elites. Ideologias. 1. Teoria das elites. “Poucos dirigem, controlam e infundem seus padrões de conduta a muitos. O grupo dirigente não exerce o poder em nome da maioria, mediante delegação ou inspiração pela confiança que o povo, como entidade global, se irradia. É a própria soberania que se enquista, impenetrável e superior, numa camada restrita, ignorante do dogma do predomínio da maioria. Não há, entretanto, mesmo quando ainda não se consagram os princípios democráticos, o governo isolado, absolutamente alheio do povo: o recíproco influxo entre maioria e minoria, mesmo nas tiranias mais cruas, responde pela estabilidade dos regimes políticos.”16 2. A lógica das elites está associada ao poder, especialmente no sentido de quem carrega o poder compõe a elite. 3. Então, quem tem o poder econômico, compõe a elite econômica, quem tem o poder político, compõe a elite política, quem tem grande conhecimento, compõe a elite intelectual, e etc. a. Todos os campos influenciam na tomada de decisões do poder público, especialmente no campo político. Há uma disputa constante. 4. Trata-se, a rigor, de uma minoria que se destaca no campo social a que está envolvido ou que pretende influência. A ideia da chamada teoria das elites trabalha com a ideia segundo a qual em toda a sociedade existe um grupo minoritário que detém o poder sobre os demais, nos mais diversos campos de poder. a. Teoria de Gaetano Mosca: Governantes x Governados. Quem tem o poder contra quem não tem. O aparato estatal estaria a disposição da elite governante. b. Teoria de Vilfredo Pareto: aristocracia e elite. Primeiro a usar do termo. Existem um campo de desigualdades naturais entre os homens que, por sua vez, estabelece uma lógica de superioridade e inferioridade, que Pareto identificou a partir da riqueza e do poder (quanto mais rico ou poderoso, mais forte ou pertencente à elite). i. Para ele, há uma luta constante no âmbito das elites e de participação nas elites. ii. Fonte das revoluções. 16 Raymundo Faoro. Pg. 107/108. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 10 c. Wright Mills: Desenvolveu sua teoria a partir da percepção da sociedade estadunidense. Para ele, como afirma Reinaldo Dias, “o homem comum é aquele cujos poderes são limitados pelo mundo cotidiano em que vive e parece movido por forças que não pode compreender nem controlar; e a elite no poder, por sua vez, é composta por homens que se encontram em posições tais que lhes permitem transcender o ambiente do homem comum e ocupam as posições estratégicas da estrutura social em que estão concentrados os instrumentos do poder, da riqueza e do prestígio, e onde tomam decisões de grandes consequências”.17 5. Carrega uma perspectiva qualitativa, no sentido de atribuição de valores (poder) sobre uma pessoa ou a um grupo. 5537 adi 17 Reinaldo Dias, Pg. 48. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 11 Aula 5. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias das elites. Ideologias. 1. Ideologia: Estudo das ideias provenientes da interação do homem com o ambiente em que vive. 2. Lógica de Antoine Destutt de Tracy, no século XIX. Para ele, o campo das ideias resulta da interação dos elementos da memória, percepção espacial, razão e o desejo (ou vontade, interesses). 3. Pensamento de Destutt influenciou Auguste Comte, que trabalhou a lógica do positivismo (percepção sistemática e pré-ordenada da sociedade. 4. Napoleão crítica Destutt, pois entende que a lógica da ideologia trabalha com uma fantasia diante da realidade histórica, especialmente em sentido de oposição ao status quo. 5. “falsa consciência sistematizada da realidade social, política e econômica, cujo objetivo é perpetuar a dominação da classe burguesa sobre trabalhadores por meio do falseamento da realidade.” - Karx Marx18 6. Ideologia materialista e crítica a. Materialista: Relação do indivíduo com o mundo físico; b. Crítica: Dissociação entre a realidade e as ideias. Ou seja, há uma distância entre o que se extrai da relação entre o indivíduo e o mundo físico e a própria realidade. Trata-se de ilusão. Algo contraposto ao pragmático. 7. Ainda em Marx, vê-se um sentido de ideologia relacionado à dominação das massas pela classe burguesa. Como se essa pequena classe incutisse na massa uma falsa realidade proveniente das relações do indivíduo com o ambiente espacial, ou seja, com o mundo.19 8. Vilfredo Pareto também faz críticas à lógica da ideologia conceitual, referindo-se à uma percepção de falsidade do mundo, a partir de teorias da sociologia e da política. 9. A diferença de Marx e Pareto reside no fato de que enquanto Marx trabalha a “ideologia como produto da sociedade”, para Pareto trata-se de um produto da consciência individual. 10. Giovanni Sartori: ideologia x pragmatismo: a ideologia refere-se à um sistema de crenças de caráter cognitivo (reativo, interativo) e passional, enquanto o pragmatismo, inversamente, nega uma realidade estabelecida sob crenças. 18 BOBBIO, Dicionário Pg. 584. 19 BOBBIO, Dicionário Pg. 584. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 12 11. As ideologias têm uma função determinante nos conflitos políticos, pois estabelecidas em crenças, ou seja, dissociada do mundo físico. Segue no plano das ideias, numa construção cognitiva, que pode ser individual ou coletiva (social), em prol de terminados interesses. 12. “Instrumento fundamental que as elites políticas têm à disposição para conseguir mobilização política das massas e para levar a um grau máximo a sua manipulação”.20 13. Robert D. Putnam: ideologia como visão utópica do futuro a partir de um raciocínio politico dedutivo, fundado em princípios gerais. 14. O ESTADO!!! O que é o Estado? Qual a origem do Estado? Porque existe o Estado? 20 BOBBIO, Dicionário Pg. 5888-589. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 13 Aula 6. O ESTADO Conceitos e concepções. Justificativas teóricas. A construção histórica dos Estados na Europa. Elementos constitutivos. Finalidades. Funções. O Poder Executivo. O Poder Legislativo. Formas de Estado. A soberania. ESTADO. Estudar o Estado implica em “analisar os mais variados aspectos que envolvem o próprio funcionamento das instituições responsáveis por essa sociedade.”21 1. Conceito: a. O Estado é o reflexo do seu povo. b. O Estado é uma entidade fictícia criada para estabelecer um convívio harmônico. i. Civilização x barbárie: necessidade do Estado e complexidades consequentes; ii. Soberania; iii. Jurisdição como função de substituição dos indivíduos na resolução de conflitos sociais; 2. Teoria Geral do Estado: a. JELLINEK: Principal teórico: entendeo Estado a partir de um modelo ideal, baseado na lógica do Estado alemão do final do Séc. XIX. b. HELLER: Realista. Na qual concordo, diga-se, pois que entende o Estado a partir da realidade, “ou seja, como formação histórica, a partir de suas ligações com a realidade social”. i. Outra vez: O Estado é o espelho do povo, ou a realidade do povo, para ficar mais adequado. ii. Nesse caso de Heller, até mesmo pela perspectiva adotada, não se pode falar em Teoria GERAL do Estado, mas apenas teoria do Estado, pois cada Estado sem sua realidade histórica particular. 21 Lênio. Pg. 19. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 14 3. Cada Estado tem uma realidade particular, e parte de um processo histórico específico, cujas circunstâncias sociais fomentam uma estrutura absolutamente única. a. Embora as características formais guardem similaridade entre os mais diversos Estados, a realidade histórica os torna particular. b. Pressupostos de validade: “pressuposto de sua inevitabilidade, diante do papel fundamental que ainda tem de cumprir”.22 4. Formas Estatais pré-modernas: a. Teocracia; b. A Polis grega; c. Civitas romana; d. Outras formas antigas de Estado (características gerais): i. Não tinha caráter “nacional”, em termos de um povo ligado à raízes históricas comuns, seja por tradições, lembranças, costumes, língua e cultura, mas geralmente estavam unidos pela guerra; ii. Modelo social por classes em forma rígida (escravos, por exemplo); iii. “governos marcados pela autocracia ou por monarquias despóticas e o caráter autoritário e autoritário e teocrático do poder político; iv. Sistema econômico sob domínio da escravidão; 22 Lênio. Pg. 23. ANOTAÇÕES PARA AULA. *Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. *Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 15