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ANOTAÇÕES PARA AULA. 
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. 
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 
1 
Aulas de Ciência Política e Teoria Geral do Estado 
Prof. João Paulo de Campos Echeverria. 
Aula 1. 
Apresentações. Questões gerais. 
 
Aula 2. 
 
CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA 
O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos 
de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias das 
elites. Ideologias. 
 
1. O que é política? 
 
a. Conceito e terminologia; 
i. Decorre da expressão grega “polis”, que designa cidade, coisa urbana, civil, publico 
talvez, e “até mesmo social e sociável”1. 
ii. Historicamente era um termo restrito a tratar de obras relacionadas ao Estado, e que 
hoje são adjetivadas pelo uso da ciência ou teoria, como a ciência política e a teoria 
de Estado. 
iii. Na modernidade o termo ganha um aspecto mais amplo, e a política passa a ser 
utilizada de maneira mais ampla, para tratar das coisas que, de uma forma ou de 
outra, se relacionam em alguma medida com o Estado. 
iv. Segundo Norberto Bobbio, “a polis é, por vezes, o sujeito, quando referidos à esfera 
da Política atos como o ordenar ou proibir alguma coisa com efeitos vinculadores 
para todos os membros de um determinado grupo social, o exercício de um domínio 
exclusivo sobre um determinado território, o legislar através de normas válidas erga 
omnes, o tirar e transferir recursos de um setor da sociedade para outros etc. (...)”2 
v. Aristoteles: “§ 9 É evidente, pois, que a cidade faz parte das coisas da natureza, que 
o homem é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade, e que 
aquele que, por instinto, e não porque qualquer circunstância o inibe, deixa de fazer 
parte de uma cidade, é um ser vil ou superior ao homem. Tal indivíduo merece, como 
disse Homero, a censura cruel de ser um sem família, sem leis, sem lar. Porque ele é 
 
1 BOBBIO. Dicionário. 
2 BOBBIO. Dicionário. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. 
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 
2 
ávido de combates, e, como as aves de rapina, incapaz de se submeter a qualquer 
obediência”.3 
• A percepção de Aristóteles era a de que uma organização comunitária 
hierarquicamente estruturada era uma necessidade do homem, algo que 
decorre de sua essência e natureza como um fenômeno moral orientado e 
superior ao próprio indivíduo. Mais do que isso, ele indicava que o homem 
só se realizava enquanto tal no Estado, pois que fora desse organismo 
moral (para Aristóteles o Estado era um organismo moral), o homem não 
passaria de um animal servil. 
vi. “O conceito de polícia como práxis humana está intimamente relacionado com a 
noção de poder”.4 
vii. O conceito de política ainda pode ser estar ligado à ideia de distribuição de poder no 
Estado, ou até na sociedade. “A palavra política enfatiza ‘o processo de tomada de 
decisões no que diz respeito a atividades públicas ou produtos: acerca do que é feito, 
de quem o recebe e o quê. (...) qualquer comunidade maior do que a família contém 
um elemento de política. 
A política pode, também, ser definida ‘como atividade através da qual são conciliados 
os diferentes interesses, dentro de uma determinada unidade de governo, dando a 
cada um deles uma participação no poder, proporcional à sua importância para o 
bem-estar e a sobrevivência de toda comunidade.” Nesse sentido, pode-se afirmar 
que a política é uma forma de governar nas sociedades divididas, sem o uso indevido 
da violência.”5 
viii. Para Max Weber, por outro lado, a política está em tudo quanto relacionado ao 
Estado e dentro do Estado, ainda que não relacionado diretamente a ele. Se insere 
como uma categoria de direção organizacional da sociedade e entre ela, ou seja, nas 
relações de poder que são travadas dentro da sociedade em sentido amplo. Como, 
por exemplo, a “política de uma esposa hábil, que procura governar seu marido”. 
Refere-se, aqui também, a divisão do poder.6 
ix. “Podemos também entender a arte da política como destreza, habilidade, perícia, 
com que se maneja assunto delicado ou uma atitude já estabelecida com respeito a 
determinados assuntos. Nesse sentido, também, uma questão se torna política 
quando e na medida em que se transforma em uma questão polêmica”.7 
• Política, assim, pode ser compreendida como instrumento de distribuição 
de poder por meio do diálogo. 
x. Terminologia em inglês: Policy, politics e polity. 
 
3 ARISTOTELES. A Política. Tradução de Nestor Silveira. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010, pp. 2-3 
4 Reinaldo Dias. Pg. 2. 
5 Reinaldo Dias. Pg. 3. 
6 WEBER. Duas Vocações. Pg. 65-66. 
7 Reinaldo Dias. Pg. 5. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. 
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 
3 
• Importante não confundir os significados, usualmente transpostos para 
nosso dia a dia de maneira confusa. Policy significa ação de governo, tipo 
uma política pública, por exemplo. Politics como instrumento, estratégia 
de diálogo, tal como nos usamos o termo “política” em sentido amplo, ou 
seja, mecanismo de interação estratégica. Polity, por fim, trabalha a ideia 
de sistemas de governo.8 
 
b. Finalidade; 
i. Método de governo imanente. Ou seja, baseado na experiência possível e no diálogo 
entre os homens, e não sob a regência metafísica de um deus. 
• Finalidade essa que é limitada, portanto, cuidado. Isso porque se temos a 
política como instrumento de diálogo, é claro que ela não é limitada ao 
critério de secularidade, ou seja, da distinção entre o governo dos homens 
e o governo de um deus. 
ii. Política usada com a finalidade de gestão do poder; 
• A obra de Nicolau Maquiavel (“O príncipe”) é um dos melhores exemplos 
do uso da política como meio. A finalidade da política, no caso, está no 
meio. 
 
c. Prática; 
i. Enquanto instrumental, a prática da política é realizada no dia a dia das relações 
cognitivas na sociedade e na administração do poder no âmbito da sociedade, e em 
todos os microcosmos sociais (seja no lar, na empresa, no Estado, no time de futebol, 
no sindicato, enfim, em todos os cantos onde há ação diretiva de poder). 
 
d. Política e direito; 
i. O direito é um mecanismo de pacificação social; 
• Nesse ponto, interessante notar que a política serve de instrumental de 
necessária aplicação no aparato do direito, seja na formulação das bases 
do ordenamento jurídico, que reduz a complexidade social em sentido 
normativo, ou ainda na dinâmica dos litígios e relações sociais reguladas, 
ou ainda no direito privado. 
• Se a política está na dinâmica da distribuição do poder na sociedade, seja 
diante do Estado ou no âmbito das relações sociais, tem-se que o direito 
depende da política para se materializar. 
 
8 Reinaldo Dias. Pg. 6. 
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4 
ii. O direito não é reflexo de imposição de justiça social ou de justiça em sentido 
abstrato, até mesmo porque a justiça é um elemento moral, logo de complexa 
universalização. 
 
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5 
 
Aula 3. 
 
CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA 
O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos 
de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias das 
elites. Ideologias. 
 
1. O Poder. 
a. “O poder é um processo social”.9 
i. O poder é um processo social na medida em que se manifesta na sociedade a partir 
de um movimento relacional entre os indivíduos. 
b. Existência do poder, manifestação do poder, realidadedo poder. 
i. O poder manifesta-se na sociedade a partir da manifestação de vontades, e se 
realiza, ou melhor, se torna realidade, quando essa vontade manifesta é capaz de 
influir na realidade de um grupo ou de determinada pessoa de maneira direta 
(relação cognitiva). 
ii. O poder existe na medida da eleição de valores pelo grupo – legitimidade do 
poder. Um exemplo é a violência, que quando valorizada no campo social é um 
instrumento de poder (nesse caso, não necessariamente legítimo). Caso da 
religião. O poder da religião é maior quando mais presente for a fé na sociedade. 
Assim, será “poderoso” o sacerdote em uma sociedade religiosa. 
iii. O poder pressupõe um ato relacional entre dois indivíduos ou entre organizações, 
ou entre pessoas e organizações. Sempre implica em relação.10 
iv. Poder pressupõe a sobreposição e superioridade de um sobre outro? Ou 
dependência? *Não creio, pois a relação de poder, penso, é independente, na 
medida a realidade pode impor um poder sem a existência de dependência ou 
superioridade de um sobre o outro. Nesse ponto, Reinaldo Dias trabalha com a 
ideia de que a superioridade e/ou dependência é necessária.11 
c. Poder na sociedade. 
i. O poder está em todas as relações sociais, e as vezes legitimado por um valor em 
abstrato, como a economia, a política, a cultura, a família etc. 
 
9 Reinaldo Dias. Pg. 29. 
10 Reinaldo Dias. Pg. 30. 
11 Reinaldo Dias. Pg. 30. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. 
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6 
ii. Diversas “ordens” de poder coexistem na sociedade. O poder econômico coexiste 
com o poder político, e com o poder militar ou familiar etc. 
• Veja que podemos perceber na sociedade uma diversidade de 
movimentos de poder em diversas direções, com interesses 
diversos, e em campos diversos. 
• Os âmbitos de poder se relacionam na sociedade, ora se 
sobrepondo uns sobre os outros, de acordo com o valor social 
eleito, ou coexistem em planos iguais, ou ainda concorrem entre 
eles nos mesmos interesses. 
iii. Poder do Estado: O poder do Estado é legitimado pela sociedade, que atribui à 
uma entidade fictícia o direito de influir na realidade social de todos (indivíduos e 
organizações). Lógica de consenso ou de força. 
 
2. A Origem do Poder 
a. Nasce com a capacidade de coagir; 
b. E quanto relacional, pela perspectiva consensual e cooperativa; 
c. Reinaldo Dias defende que o poder se manifesta – e tem origem – quando “o 
indivíduo se encontra com o poder quando a sua conduta não é decidida por 
ele mesmo, mas uma decisão tomada por outro que é capaz de determinar 
seu comportamento”.12 
• Nesse ponto, registro, entendo que o poder parte de uma 
abstração outra que não diretiva, ou seja, não depende de um 
cenário em que um indivíduo se submete a outro – ou a uma 
organização que seja. 
• No caso, penso que o poder se manifesta de maneira mais 
abstrata na sociedade, não necessariamente de maneira 
personificada em alguém. Exemplo é a economia, ou o poder 
econômico, que não necessariamente personificado em uma 
pessoa é capaz de dirigir comportamentos, tal como o poder 
político ou da própria violência. O caso da violência é até 
emblemático, pois o poder se dá pela autoridade da violência em 
abstrato. 
d. O Poder simbólico. O poder que se manifesta na pessoa que sofre o poder e 
não na que impõe o poder. É invisível e sensível por quem desenha a conduta 
a partir de uma realidade imposta e não personificada (Pierre Bourdieu). Ex.: 
o tal racismo institucional “sofrido”. A questão das classes sociais e mesmo de 
gênero. 
 
12 Reinaldo Dias. Pg. 30. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. 
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7 
e. Fontes de Poder: 
i. A força: ameaça ou uso de coerção física, ou impositiva moral. Ou 
ainda constritiva no âmbito social. 
• O poder pela força pode se dar pela ameaça pura e simples, que 
cause ao indivíduo alguma forma de sofrimento, seja físico, moral 
ou de qualquer ordem. 
ii. Autoridade: poder conferido a outro (submissão, mesmo que 
voluntária, como no contrato social), como o caso de consenso. 
Resumindo, autoridade também vem do consenso (é o caso da 
democracia, dos sistemas políticos, etc). 
1. Autoridade burocrática ou racional-legal: clássica autoridade 
do Estado manifesta em lei e do modelo institucional (cargos) 
• Lembro do caso do Secretário de Estado dos EUA, Gen. Collin Powel. O cargo é 
maior que a pessoa. Caso contado por Simon Sinek (youtube..). 
• Caso da relação entre advogados, juízes e membros do Ministério Público. 
2. Autoridade tradicional: autoridade pela tradição. Autoridade, 
por exemplo, conferida à Igreja, a fé. Tradição e costumes (caso 
da autoridade no âmbito familiar, no caso da mãe o do pai). 
3. Autoridade Carismática: autoridade da pessoa, por ela ou a ela 
atribuída (Dalai Lama, Papa). Baseada na veneração. Lula e 
Bolsonário (?). Populismo. 
f. Legitimidade: tem fundamento na origem do poder. O que confere 
legitimidade a alguém ou à alguma coisa é o poder que lhe é atribuído. A 
legitimidade tem origem em uma autoridade acolhida pelo que sofre o poder 
de alguém, ou em sentido geral, uma autoridade acolhida pela coletividade. 
g. Legalidade: tem fundamento na autoridade do Estado. Obedece a um sistema 
de normas. Se insere no ordenamento jurídico. 
h. “Não se deve confundir legitimidade com legalidade. Enquanto a 
legitimidade relaciona o poder com determinado sistema de valores, a 
legalidade, pelo contrário, o faz em relação a determinado ordenamento 
legal”.13 
3. A política e o poder: A política é o instrumental estratégico necessário para designar 
condutas, promover retratos cognitivos pré-estabelecidos, enquanto o poder é a 
autoridade conferida à pessoa que se vale desse instrumental. 
a. Um bom instrumental político exige menos do poder, e vice e versa. 
 
13 Reinaldo Dias. Pg. 43. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
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8 
b. O poder político: “Nenhum grupo humano pode articular-se ou manter-se 
sem um poder que o estruture e mantenha coeso, exercendo a sua direção e 
direcionando o conjunto em ordem para atingir seus objetivos. Em qualquer 
sistema político surge como forma de autoridade o poder político. Todo 
agrupamento humano para a realização de fins comuns necessita da direção 
de uma vontade; esta vontade, que irá organizar e dirigir a execução de suas 
ordens, é o que chamamos poder de associação; daí que toda associação, por 
mínima que seja a força que possua, tem um poder peculiar que aparece como 
uma unidade distinta daquela de seus membros”.14 
• Essa lógica de direção e direcionamento do conjunto é materializada pela política, 
que se manifesta com legitimidade a partir do poder que lhe é atribuído no âmbito 
da sociedade. 
• Com isso, o poder tem uma tendência a se estabilizar, para em seguida se 
estruturar e, finalmente, se institucionalizar. 
• A institucionalização do poder é o resultado de um discurso histórico, ou melhor, 
de um processo histórico social. 
• Mais uma vez, instituições e poder simbólico. E ainda: dominação: “probabilidade 
de encontrar obediência a uma ordem”.15 
 
c. Política no Estado: A política tem ganha autonomia no Estado, e se 
materializada na legitimidade que é conferida ao Estado pela sociedade; Há 
um fator cíclico, na medida em que o poder atribuído ao Estado promove sua 
autoridade e legitimidade para manifestação do poder político, ou melhor, do 
poder de maneira estratégico. 
d. Poder-político como jurisdição: Quando manifestado no âmbito do Estado, 
deve ser considerado o monopólio do uso da força e, mais, nesse caso o poder 
político pode se manifestar na jurisdição, ou seja, enquanto função do Estado. 
e. Nicolau Maquiavel (sec. XV-XVI): Teoria política moderna.Conquista e 
manutenção do poder. “os fins justificam os meios”. Manual prático de 
governança, independente da legitimidade. A força, para Maquiavel, era 
suficiente. 
 
 
14 Reinaldo Dias. Pg. 35 
15 Weber. 
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9 
 
Aula 4. 
CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA 
O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos 
de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias 
das elites. Ideologias. 
 
1. Teoria das elites. 
“Poucos dirigem, controlam e infundem seus padrões de conduta a muitos. O grupo dirigente 
não exerce o poder em nome da maioria, mediante delegação ou inspiração pela confiança que 
o povo, como entidade global, se irradia. É a própria soberania que se enquista, impenetrável e 
superior, numa camada restrita, ignorante do dogma do predomínio da maioria. Não há, 
entretanto, mesmo quando ainda não se consagram os princípios democráticos, o governo 
isolado, absolutamente alheio do povo: o recíproco influxo entre maioria e minoria, mesmo nas 
tiranias mais cruas, responde pela estabilidade dos regimes políticos.”16 
 
2. A lógica das elites está associada ao poder, especialmente no sentido de quem carrega o 
poder compõe a elite. 
3. Então, quem tem o poder econômico, compõe a elite econômica, quem tem o poder 
político, compõe a elite política, quem tem grande conhecimento, compõe a elite 
intelectual, e etc. 
a. Todos os campos influenciam na tomada de decisões do poder público, 
especialmente no campo político. Há uma disputa constante. 
 
4. Trata-se, a rigor, de uma minoria que se destaca no campo social a que está envolvido ou 
que pretende influência. A ideia da chamada teoria das elites trabalha com a ideia 
segundo a qual em toda a sociedade existe um grupo minoritário que detém o poder 
sobre os demais, nos mais diversos campos de poder. 
a. Teoria de Gaetano Mosca: Governantes x Governados. Quem tem o poder contra 
quem não tem. O aparato estatal estaria a disposição da elite governante. 
b. Teoria de Vilfredo Pareto: aristocracia e elite. Primeiro a usar do termo. Existem 
um campo de desigualdades naturais entre os homens que, por sua vez, 
estabelece uma lógica de superioridade e inferioridade, que Pareto identificou a 
partir da riqueza e do poder (quanto mais rico ou poderoso, mais forte ou 
pertencente à elite). 
i. Para ele, há uma luta constante no âmbito das elites e de participação nas 
elites. 
ii. Fonte das revoluções. 
 
16 Raymundo Faoro. Pg. 107/108. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
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10 
c. Wright Mills: Desenvolveu sua teoria a partir da percepção da sociedade 
estadunidense. Para ele, como afirma Reinaldo Dias, “o homem comum é aquele 
cujos poderes são limitados pelo mundo cotidiano em que vive e parece movido 
por forças que não pode compreender nem controlar; e a elite no poder, por sua 
vez, é composta por homens que se encontram em posições tais que lhes 
permitem transcender o ambiente do homem comum e ocupam as posições 
estratégicas da estrutura social em que estão concentrados os instrumentos do 
poder, da riqueza e do prestígio, e onde tomam decisões de grandes 
consequências”.17 
 
5. Carrega uma perspectiva qualitativa, no sentido de atribuição de valores (poder) sobre 
uma pessoa ou a um grupo. 
 
5537 adi 
 
 
 
17 Reinaldo Dias, Pg. 48. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
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11 
 
Aula 5. 
CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO ESTUDO DA POLÍTICA 
O campo da política. O significado de política. As inter-relações entre política e os conceitos 
de poder. O poder: fontes, formas de aquisição, efeitos, legitimidade, legalidade e teorias 
das elites. Ideologias. 
 
1. Ideologia: Estudo das ideias provenientes da interação do homem com o ambiente em 
que vive. 
2. Lógica de Antoine Destutt de Tracy, no século XIX. Para ele, o campo das ideias resulta 
da interação dos elementos da memória, percepção espacial, razão e o desejo (ou 
vontade, interesses). 
3. Pensamento de Destutt influenciou Auguste Comte, que trabalhou a lógica do positivismo 
(percepção sistemática e pré-ordenada da sociedade. 
4. Napoleão crítica Destutt, pois entende que a lógica da ideologia trabalha com uma 
fantasia diante da realidade histórica, especialmente em sentido de oposição ao status 
quo. 
5. “falsa consciência sistematizada da realidade social, política e econômica, cujo objetivo é 
perpetuar a dominação da classe burguesa sobre trabalhadores por meio do falseamento 
da realidade.” - Karx Marx18 
6. Ideologia materialista e crítica 
 
a. Materialista: Relação do indivíduo com o mundo físico; 
b. Crítica: Dissociação entre a realidade e as ideias. Ou seja, há uma distância entre 
o que se extrai da relação entre o indivíduo e o mundo físico e a própria realidade. 
Trata-se de ilusão. Algo contraposto ao pragmático. 
 
7. Ainda em Marx, vê-se um sentido de ideologia relacionado à dominação das massas pela 
classe burguesa. Como se essa pequena classe incutisse na massa uma falsa realidade 
proveniente das relações do indivíduo com o ambiente espacial, ou seja, com o mundo.19 
8. Vilfredo Pareto também faz críticas à lógica da ideologia conceitual, referindo-se à uma 
percepção de falsidade do mundo, a partir de teorias da sociologia e da política. 
9. A diferença de Marx e Pareto reside no fato de que enquanto Marx trabalha a “ideologia 
como produto da sociedade”, para Pareto trata-se de um produto da consciência 
individual. 
10. Giovanni Sartori: ideologia x pragmatismo: a ideologia refere-se à um sistema de crenças 
de caráter cognitivo (reativo, interativo) e passional, enquanto o pragmatismo, 
inversamente, nega uma realidade estabelecida sob crenças. 
 
18 BOBBIO, Dicionário Pg. 584. 
19 BOBBIO, Dicionário Pg. 584. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. 
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 
12 
11. As ideologias têm uma função determinante nos conflitos políticos, pois estabelecidas 
em crenças, ou seja, dissociada do mundo físico. Segue no plano das ideias, numa 
construção cognitiva, que pode ser individual ou coletiva (social), em prol de terminados 
interesses. 
12. “Instrumento fundamental que as elites políticas têm à disposição para conseguir 
mobilização política das massas e para levar a um grau máximo a sua manipulação”.20 
13. Robert D. Putnam: ideologia como visão utópica do futuro a partir de um raciocínio 
politico dedutivo, fundado em princípios gerais. 
 
 
14. O ESTADO!!! O que é o Estado? Qual a origem do Estado? Porque existe o Estado? 
 
 
 
 
20 BOBBIO, Dicionário Pg. 5888-589. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
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13 
 
Aula 6. 
 
O ESTADO 
Conceitos e concepções. Justificativas teóricas. A construção histórica dos Estados na Europa. 
Elementos constitutivos. Finalidades. Funções. O Poder Executivo. O Poder Legislativo. Formas 
de Estado. A soberania. 
 
ESTADO. 
 
 Estudar o Estado implica em “analisar os mais variados aspectos que envolvem o próprio 
funcionamento das instituições responsáveis por essa sociedade.”21 
 
1. Conceito: 
a. O Estado é o reflexo do seu povo. 
b. O Estado é uma entidade fictícia criada para estabelecer um convívio harmônico. 
i. Civilização x barbárie: necessidade do Estado e complexidades 
consequentes; 
ii. Soberania; 
iii. Jurisdição como função de substituição dos indivíduos na resolução de 
conflitos sociais; 
 
2. Teoria Geral do Estado: 
a. JELLINEK: Principal teórico: entendeo Estado a partir de um modelo ideal, 
baseado na lógica do Estado alemão do final do Séc. XIX. 
 
b. HELLER: Realista. Na qual concordo, diga-se, pois que entende o Estado a partir da 
realidade, “ou seja, como formação histórica, a partir de suas ligações com a 
realidade social”. 
 
i. Outra vez: O Estado é o espelho do povo, ou a realidade do povo, para ficar 
mais adequado. 
ii. Nesse caso de Heller, até mesmo pela perspectiva adotada, não se pode 
falar em Teoria GERAL do Estado, mas apenas teoria do Estado, pois cada 
Estado sem sua realidade histórica particular. 
 
 
21 Lênio. Pg. 19. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. 
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 
14 
3. Cada Estado tem uma realidade particular, e parte de um processo histórico específico, 
cujas circunstâncias sociais fomentam uma estrutura absolutamente única. 
a. Embora as características formais guardem similaridade entre os mais diversos 
Estados, a realidade histórica os torna particular. 
b. Pressupostos de validade: “pressuposto de sua inevitabilidade, diante do papel 
fundamental que ainda tem de cumprir”.22 
 
4. Formas Estatais pré-modernas: 
 
a. Teocracia; 
b. A Polis grega; 
c. Civitas romana; 
d. Outras formas antigas de Estado (características gerais): 
i. Não tinha caráter “nacional”, em termos de um povo ligado à raízes 
históricas comuns, seja por tradições, lembranças, costumes, língua e 
cultura, mas geralmente estavam unidos pela guerra; 
ii. Modelo social por classes em forma rígida (escravos, por exemplo); 
iii. “governos marcados pela autocracia ou por monarquias despóticas e o 
caráter autoritário e autoritário e teocrático do poder político; 
iv. Sistema econômico sob domínio da escravidão; 
 
 
 
22 Lênio. Pg. 23. 
ANOTAÇÕES PARA AULA. 
*Sem rigor acadêmico ou pretensão nesse sentido. 
*Texto nunca revisado e com erros de digitação que não serão corrigidos.... 
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