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TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO 
DE SEMENTES 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Thiago Cardoso Silva 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta abordagem, trataremos de temas fundamentais relacionados à 
secagem de sementes, um processo essencial para a tecnologia e a produção 
de sementes. As temáticas tratadas serão focadas nos diferentes aspectos 
desse processo. 
O objetivo deste conteúdo é explorar os fundamentos da secagem de 
sementes, abordando os conceitos que garantem sua qualidade e viabilidade. 
Analisaremos os princípios e fatores que influenciam a secagem, os métodos 
para minimizar perdas durante esse processo e os efeitos da velocidade e da 
temperatura, destacando o risco de danos térmicos. Também discutiremos o 
fluxo de sementes no sistema de secagem e sua otimização, com ênfase nos 
impactos na produção agrícola, no melhoramento genético e na 
sustentabilidade. 
Os tópicos principais são: 
• Tema 1 – Fundamentos da secagem de sementes; 
• Tema 2 – Princípios de secagem de sementes; 
• Tema 3 – Métodos de secagem de sementes; 
• Tema 4 – Fluxo de ar e de sementes no sistema de secagem; 
• Tema 5 – Efeitos da velocidade e temperatura de secagem na qualidade 
das sementes e no risco de danos térmicos. 
Vamos iniciar o estudo, pois temos muitos assuntos importantes a tratar. 
Bons estudos! 
TEMA 1 – FUNDAMENTOS DA SECAGEM DE SEMENTES 
A qualidade das sementes durante o armazenamento está diretamente 
relacionada ao teor de água e à temperatura da massa de sementes. Portanto, 
qualquer discussão sobre o comportamento das sementes no armazém deve 
incluir a consideração desses fatores essenciais. Manter a qualidade das 
sementes enquanto estão armazenadas depende estritamente de seu teor de 
água e da temperatura a que são submetidas. Dessa forma, é impossível discutir 
o comportamento das sementes no armazém sem se referir a essas condições 
(Barros Neto et al., 2014). 
A secagem de sementes é comum para sementes ortodoxas, sendo 
geralmente realizada em bandejas ao ar livre, sob cobertura, em locais 
 
 
3 
ventilados ou em estufas. Já as sementes intermediárias podem ser 
desidratadas até certo ponto com técnicas semelhantes (Floriano, 2004). Esse 
processo aumenta o vigor e a longevidade das sementes, porém deve ser feito 
com cautela. 
A secagem de sementes requer um gradiente de pressões de vapor entre 
as sementes e o ar. O vapor move-se de áreas de maior para menor pressão. O 
aquecimento do ar reduz a umidade relativa, aumentando sua capacidade de 
reter água. Durante a secagem com ar aquecido, dois processos ocorrem 
simultaneamente: a remoção da água superficial e o movimento de água do 
interior das sementes para a superfície, devido ao gradiente hídrico (Oliveira et 
al., 2021a). 
A tolerância à desidratação diminui quando as sementes são submetidas 
a condições propícias à germinação, como pré-resfriamento, armazenamento 
úmido ou pré-saturação. Tratamentos como fermentação para extração ou 
preparo da semente podem reduzir essa tolerância, afetando o comportamento 
de armazenamento e sua viabilidade (Floriano, 2004). 
1.1 Tipos de água nas sementes 
Para que possamos entender futuramente como ocorrem os princípios da 
secagem e quais métodos de secagem de sementes devem ser empregados 
corretamente, é importante conhecer como a água se comporta no interior das 
sementes. Para isso, a nomenclatura indica a presença de alguns tipos de água 
nas sementes (Figura 1), sendo eles (Barros Neto et al., 2014): 
• Água de constituição: trata-se da água localizada no interior das células 
da semente, formando uma camada monomolecular ligada ao grupo 
hidroxila (OH-). Essa água faz parte das substâncias de reserva e é 
quimicamente unida às moléculas que compõem os órgãos da semente. 
Sua remoção só é possível sob condições rigorosas de temperatura e 
tempo, como nas estufas usadas para determinar o teor de água. É uma 
água difícil de extrair devido à sua forte integração com as moléculas da 
semente. 
• Água adsorvida: é formada por camadas polimoleculares presas às 
superfícies das moléculas da semente por meio de ligações 
eletromagnéticas. Essas camadas de água não desempenham funções 
biológicas e não são solventes. Ela é fortemente retida pela matéria da 
 
 
4 
semente, tornando-se difícil de remover. Considerada pseudoligada, essa 
água não está diretamente envolvida nos processos vitais da semente, 
mas influencia seu comportamento físico, sendo uma forma de água 
estática (está firmemente aderida às partículas por forças 
intermoleculares), sem papel no metabolismo. 
• Água líquida sob tensão osmótica: é a água solvente que participa de 
processos biológicos na semente, transportando diferentes substâncias 
dentro das células. Pouco adsorvida, ela desempenha funções 
importantes para as reações químicas necessárias ao metabolismo da 
semente, como a germinação. Além disso, a água sob tensão osmótica 
também pode permitir a ação de fungos, representando um fator de risco 
durante o armazenamento das sementes, principalmente em condições 
de umidade inadequada. 
• Água absorvida – impregnada ou livre: é a água livre associada às 
moléculas da semente, mantida mecanicamente pelas paredes celulares. 
Essa água interage com as substâncias da semente, influenciando suas 
propriedades físicas e químicas. Embora não afete diretamente as 
moléculas das substâncias absorventes, sua presença favorece o 
desenvolvimento de fungos e a ocorrência de reações químicas. Quando 
a semente contém esse tipo de água em excesso, ela se torna vulnerável 
à deterioração, já que a água livre facilita processos de degradação 
biológica. 
Figura 1 – Representação dos tipos de água presentes na semente 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
5 
Também é importante destacar que a adsorção e a absorção de água por 
sementes são processos distintos, mas complementares. A adsorção ocorre 
quando a água se fixa à superfície das moléculas da semente por meio de forças 
eletromagnéticas, formando camadas de água sem função biológica direta. Já a 
absorção envolve a penetração da água no interior das células, sendo essencial 
para o metabolismo da semente, como na germinação. Enquanto a adsorção 
retém a água externamente, a absorção permite que ela interaja com as 
moléculas internas, afetando diretamente os processos vitais da semente. 
1.2 Comportamento da água nos processos de secagem e armazenamento 
de sementes 
Agora que foi explicado um pouco sobre como a água ocorre dentro das 
sementes, é importante discutir o comportamento da água nos processos de 
secagem e armazenamento das sementes. Esse processo é essencial para 
preservar sua viabilidade. 
Após a colheita, as sementes geralmente apresentam alta umidade, o que 
acelera sua deterioração devido às atividades metabólicas e à perda de 
reservas. Desde a maturidade fisiológica, as sementes ficam expostas a 
condições adversas, como temperatura, umidade e ataques de pragas, 
resultando em perdas qualitativas e quantitativas. 
Um nível de umidade entre 11% e 13% pode levar à deterioração 
avançada, tornando as sementes inviáveis para o plantio. Além disso, teores de 
água muito baixos (8-10%) podem causar danos mecânicos. A hidratação das 
sementes por chuva ou orvalho também pode ocorrer, tornando a espera para a 
colheita arriscada (Nunes, 2020). 
A determinação correta do teor de água nas sementes pode ser 
desafiadora devido às diferentes formas de água presentes. No entanto, o mais 
importante é que os resultados sejam consistentes em outras medições feitas no 
mesmo lote de sementes. A velocidade da secagem das sementes varia 
conforme sua maturidade e características biológicas. Por exemplo, a soja seca 
mais rapidamente que o milho e o arroz, devido à sua composição e ao local 
onde a maior parte da água está concentrada, seja interna ou externamente 
(Barros Neto et al., 2014). 
Na colheita, as sementesdevem ter um teor de água adequado, que varia 
entre espécies e cultivares, para garantir que a colheita mecânica cause o 
 
 
6 
mínimo de danos. Colher sementes com alta umidade e depois secá-las oferece 
várias vantagens (Nunes, 2020): 
• Permite planejar melhor a colheita; 
• Possibilita colher por mais horas ao dia e em mais dias durante a safra; 
• Reduz a perda de sementes por deiscência ou degranação natural. É 
importante ressaltar que, para muitas espécies recalcitrantes, as 
sementes não podem ser secas a níveis baixos de umidade. 
Na secagem, a umidade nas sementes move-se de dentro para fora, 
enquanto no umedecimento ocorre o movimento oposto, de fora para dentro. 
Esse processo de sorção, que envolve a perda e o ganho de água, é facilitado 
pelas estruturas porosas das sementes, permitindo a difusão do ar. No entanto, 
esse fenômeno acontece lentamente e, sozinho, não consegue remover o 
excesso de umidade ou temperatura em boas condições de armazenamento 
(Barros Neto et al., 2014). 
A secagem remove a umidade excessiva, prevenindo o crescimento de 
fungos, enquanto o controle da umidade residual no armazenamento é 
fundamental para evitar a deterioração. Manter o equilíbrio ideal de umidade 
assegura a qualidade das sementes e prolonga sua vida útil, garantindo uma boa 
germinação. 
TEMA 2 – PRINCÍPIOS DE SECAGEM DE SEMENTES 
O princípio básico do processo de secagem de sementes envolve a 
remoção gradual da umidade até que se atinja níveis que permitam sua 
conservação sem perda significativa de vigor e germinação. Essa remoção de 
água ocorre por meio de uma diferença de pressão de vapor entre a superfície 
das sementes e o ar circundante, promovendo a evaporação. A eficiência da 
secagem depende de fatores como a temperatura, a umidade relativa do ar e a 
movimentação do ar, que, juntos, garantem a secagem adequada sem 
comprometer a integridade das sementes. 
Segundo Silva et al. (2008), durante o processo de secagem, a eliminação 
da umidade ocorre devido ao deslocamento da água, resultante da diferença na 
pressão do vapor d'água entre a superfície do material a ser seco e o ar ao redor. 
Como já observado, para que um material possa passar pelo processo de 
secagem, é necessário que a pressão de vapor na superfície da semente (pg) 
 
 
7 
seja superior à pressão do vapor d'água presente no ar de secagem (par). A 
Figura 2 representa a movimentação da água durante a secagem das sementes. 
Figura 2 – Representação da movimentação da água durante a secagem 
 
Crédito: Elias Dahlke. 
Quando se seca sementes, é preciso observar alguns fatores, 
destacando-se duas observações gerais (Silva et al., 2008): 
• Comparações entre a pressão de vapor na superfície da semente e a 
pressão do vapor d'água presente no ar durante a secagem: 
o Se pg > par: ocorrerá a secagem da semente; 
o Se pgpara 
reduzir a umidade das sementes. Ela pode ocorrer na própria planta, entre a 
maturidade fisiológica e a colheita, ou em estruturas como eiras e lonas, onde 
as sementes são espalhadas. 
Esse método é utilizado para pequenas quantidades, como em programas 
de melhoramento, hortaliças e por pequenos produtores. Na eira, as sementes 
formam uma camada ondulada, aumentando a exposição ao ar. É importante 
evitar superaquecimento e garantir uma secagem uniforme, com camadas 
adequadas, movimentação frequente e cobertura à noite para prevenir rupturas 
e absorção de umidade do solo. 
Este método de secagem é demorado, mas pode ser acelerado com o uso 
de peneiras de plástico ou arame, permitindo que o ar circule por cima e por 
baixo das sementes (Figura 5). Embora esse método evite danos mecânicos e 
superaquecimento, ele depende das condições do ar ambiente, que nem sempre 
são ideais, especialmente em locais com alta umidade relativa (UR), como 
durante dias chuvosos ou à noite. Devido a esses fatores, a secagem natural é 
pouco utilizada em regiões úmidas, mas é amplamente adotada em áreas onde 
a UR é baixa e o risco de chuvas é reduzido. 
 
 
 
11 
Figura 5 – Secagem natural de sementes de cacau 
 
Créditos: kaiskynet/Adobe Stock. 
3.2 Secagem artificial de sementes 
Os métodos de secagem artificial utilizam o fluxo de ar, que pode ser 
aquecido ou não, para retirar a umidade das sementes. Esse processo acelera 
a secagem em comparação com os métodos naturais, garantindo maior controle 
sobre as condições ambientais e, consequentemente, sobre a qualidade das 
sementes. 
Esses métodos de secagem são classificados de acordo com o fluxo de 
ar no secador: estacionário, de fluxo contínuo e de fluxo intermitente. Cada tipo 
apresenta características próprias que impactam diretamente a eficiência do 
processo de secagem. A escolha do método adequado depende da demanda e 
procura pelo produto, do tipo de sementes e das condições específicas de cada 
operação, como volume, sensibilidade das sementes e equipamentos 
disponíveis. 
O método estacionário de secagem envolve a passagem de ar por uma 
massa de sementes que permanece imóvel. Para garantir um desempenho 
adequado, é preciso controlar o fluxo de ar, que transporta calor da fonte para a 
câmara de secagem, evaporando a água das sementes e removendo a umidade 
do sistema, permitindo a continuidade da secagem. 
Além disso, fatores como a umidade relativa (UR) do ar e a temperatura 
do ar de secagem são muito importantes nesse processo. A UR influencia o teor 
 
 
12 
de água da semente, que se ajusta até atingir um equilíbrio. Já a temperatura 
deve ser controlada, pois as sementes tendem a atingir a mesma temperatura 
do ar ao longo do processo. 
A secagem contínua ocorre em secadores formados por duas câmaras: 
uma de secagem e outra de resfriamento. Nesse método, as sementes passam 
uma única vez pela câmara de secagem, entrando úmidas no topo e saindo 
secas na base. Este método de secagem é ideal para grandes volumes, mas 
pode elevar o risco de danos térmicos se não for bem controlado. Para garantir 
a secagem em uma única passagem, é necessário aumentar a temperatura do 
ar ou retardar o fluxo das sementes, o que pode aumentar o risco de danos 
térmicos devido à exposição prolongada ao calor. 
Figura 6 – Exemplo de secador de fluxo contínuo 
 
Crédito: Magnon Almeida. 
No método que utiliza secador intermitente, as sementes são expostas ao 
ar aquecido em intervalos, permitindo a homogeneização da umidade e o 
resfriamento nas áreas onde não recebem calor. A intermitência facilita o 
transporte de água do interior para a superfície da semente. Dependendo do 
tempo de passagem das sementes, existem dois métodos de secagem: 
• Método intermitente lento: adaptado dos secadores contínuos, esse 
método é usado quando não se aplicam altas temperaturas de secagem. 
As sementes não secam completamente em uma única passagem, sendo 
necessário que retornem ao secador para passar mais vezes pela câmara 
de secagem. 
 
 
13 
• Método intermitente rápido: as sementes passam pelo ar aquecido em 
intervalos mais frequentes do que no método lento. Secadores 
especializados utilizam temperaturas crescentes no início e decrescentes 
no final da secagem para evitar choques térmicos e fissuras, 
especialmente em sementes de arroz e milho. No fim, o ar forçado sem 
aquecimento é usado para homogeneizar a umidade. 
Nos secadores contínuos e intermitentes, como as sementes passam por 
canais estreitos de aproximadamente 0,3 m, é recomendável que as sementes 
palhentas passem por uma pré-limpeza eficiente. Esse processo remove 
resíduos que podem dificultar o fluxo adequado, reduzindo o risco de bloqueios 
e assegurando que as sementes sejam corretamente expostas ao processo de 
secagem. 
Além disso, para evitar aglomerações e entupimentos, é importante que o 
sistema de secagem funcione de maneira contínua até que todas as sementes 
estejam completamente secas. Interrupções no processo podem comprometer a 
eficiência da secagem, levando a problemas como o acúmulo de sementes em 
determinadas áreas do secador e falhas no transporte do ar. 
De maneira geral, a secagem artificial pode ser realizada utilizando ar 
forçado sem aquecimento (ventilação forçada), em que silos são adaptados com 
ventiladores que direcionam o ar pelas sementes, removendo o vapor de água. 
O silo secador deve ter um piso com pelo menos 15% de área perfurada para 
garantir a distribuição uniforme do ar (Figura 7A). Além disso, há o modelo de 
silo secador com um cilindro central perfurado, onde o ar é forçado a atravessar 
as sementes de forma transversal (Figura 7B). 
Figura 7 – Silos secadores para sementes: A) Silo secador com fundo perfurado; 
B) Silo com cilindro central perfurado 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
14 
Em um silo com fundo perfurado, a secagem das sementes ocorre em três 
faixas de umidade. Na primeira faixa, as sementes rapidamente atingem o teor 
adequado de umidade. Na segunda faixa, chamada de frente de secagem, ainda 
há transferência de umidade das sementes para o ar. Já na terceira faixa, as 
sementes ainda não passaram pelo processo de secagem. 
Em um silo com cilindro central perfurado, há um cilindro vertical com 
orifícios no centro do silo. Esse cilindro é usado principalmente para aeração ou 
ventilação forçada, ajudando a controlar a umidade e a temperatura, evitando a 
ação de fungos, compactação ou aquecimento do material armazenado. Essa 
estrutura garante a preservação da qualidade do produto, facilita o escoamento 
uniforme e é amplamente utilizada em aplicações agrícolas e industriais. 
TEMA 4 – FLUXOS DE AR E DE SEMENTES NO SISTEMA DE SECAGEM 
Os métodos de secagem se interligam com a observação de diferentes 
fluxos de ar e de sementes no sistema de secagem. Como observado nos 
tópicos anteriores, os secadores podem ser classificados de acordo com o fluxo 
de ar e de sementes em seu interior. 
Os fluxos de ar e de sementes no sistema de secagem são aplicados no 
processo para determinar a eficiência e a uniformidade (Figura 8). Os principais 
sistemas são (Silva et al., 2008; Peres, 2016): 
• Sistema de fluxos cruzados: é uma técnica que otimiza a remoção da 
umidade, promovendo a qualidade das sementes. Nesse método, o ar 
quente é direcionado perpendicularmente ao movimento das sementes, 
aumentando o contato e facilitando a transferência de calor e umidade. O 
controle preciso da temperatura e da umidade é fundamental para evitar 
danos às sementes, garantindo uma secagem uniforme. 
As vantagens desse sistema incluem maior eficiência energética e 
preservação da qualidade das sementes, já que minimiza o risco de 
superaquecimento. Além disso, é flexível e pode ser adaptado a diferentes tipos 
de sementes. Para um desempenho ideal, é necessário realizar o monitoramento 
contínuo das condições e a manutençãoadequada do equipamento. Essa 
abordagem é amplamente utilizada em diversas culturas, contribuindo para a 
longevidade e a viabilidade das sementes. 
• Sistema de fluxos concorrentes: é uma técnica em que o ar quente e as 
sementes se movem na mesma direção, permitindo uma interação 
 
 
15 
contínua entre eles. Nesse método, o ar é introduzido na parte superior 
do equipamento e desce à medida que as sementes também descem, 
resultando em uma transferência de calor que remove a umidade das 
sementes de maneira eficiente. A intensidade do fluxo de ar e a 
temperatura podem ser ajustadas para otimizar o processo, garantindo 
uma secagem uniforme. 
Entre as vantagens desse sistema, destaca-se a simplicidade na 
operação e a redução de custos operacionais, já que o fluxo de ar é menos 
complexo em comparação aos sistemas de fluxo cruzado. Além disso, o fluxo 
concorrente pode ser eficaz para sementes que requerem um controle mais 
rigoroso da temperatura e da umidade, minimizando o risco de danos. Essa 
abordagem é frequentemente utilizada em grãos e outras sementes, 
contribuindo para a preservação da qualidade e viabilidade das culturas. 
• Sistema de fluxos contracorrentes: é uma técnica eficiente em que o ar 
quente se movimenta na direção oposta às sementes. Nesse método, 
enquanto as sementes descem pelo equipamento, o ar aquecido sobe, 
permitindo uma transferência de calor otimizada. Isso resulta em uma 
remoção eficaz da umidade, já que o ar mais quente se encontra com as 
sementes em um estágio mais avançado de secagem, proporcionando um 
aumento na eficiência do processo. 
Uma das principais vantagens desse sistema é a uniformidade na 
secagem, uma vez que as sementes mais úmidas entram em contato com o ar 
mais quente, aumentando a eficiência térmica. Além disso, o fluxo contracorrente 
minimiza o risco de superaquecimento, preservando a qualidade das sementes. 
Essa técnica é amplamente utilizada em grãos e sementes oleaginosas, 
contribuindo para a manutenção da viabilidade e longevidade das sementes, 
além de otimizar o uso de energia no processo de secagem. 
• Sistema de fluxo misto: combina características dos sistemas de fluxo 
cruzado e contracorrente, permitindo uma abordagem versátil e eficiente 
na remoção de umidade. Nesse método, o ar quente pode ser direcionado 
em diferentes configurações, podendo se mover em paralelo e em 
contracorrente em diferentes seções do equipamento. Essa flexibilidade 
proporciona um controle otimizado da temperatura e da umidade, 
garantindo uma secagem mais homogênea. 
 
 
16 
Uma das principais vantagens do sistema de fluxo misto é a maximização 
da eficiência energética, pois combina os benefícios de ambos os métodos. Ele 
permite uma secagem rápida das camadas externas das sementes, enquanto as 
camadas internas recebem um tratamento mais cuidadoso, evitando danos. 
Esse sistema é ideal para diversas culturas, assegurando a preservação da 
qualidade das sementes e aumentando a viabilidade após o armazenamento, 
sendo uma escolha popular em instalações de secagem modernas. 
Figura 8 – Tipos de fluxo de ar e sementes no processo de secagem 
 
Na secagem artificial, a intervenção humana acelera e aprimora o 
processo. Essa técnica pode ser realizada com diversas tecnologias, como 
secadores mecânicos, aquecedores e ventiladores, permitindo um controle 
preciso da temperatura e da umidade. O objetivo é garantir a remoção eficiente 
da umidade das sementes, preservando sua qualidade e viabilidade durante o 
armazenamento. Os principais tipos de ventilação utilizados na secagem de 
sementes são (Silva et al., 2008): 
• Ventilação natural: corresponde à secagem em terreiro e consiste em 
espalhar o produto, geralmente em camadas de até 5 cm, em um pátio 
preparado, como concreto ou terra batida. A energia para remoção da 
umidade vem da radiação solar e da entalpia do ar (que corresponde à 
energia total do ar, considerando sua temperatura e o calor associado ao 
vapor d'água presente). No Brasil, além do café, o cacau é um produto 
que utiliza esse método. No entanto, essa técnica depende das condições 
climáticas, o que pode atrasar o processo e aumentar o risco de infecções 
por microrganismos. 
 
 
17 
• Ventilação forçada: a secagem de grãos em silos com ventilação forçada 
usando ar natural ou de baixa temperatura é um processo lento, devido 
ao baixo fluxo de ar e à capacidade limitada de secagem do ar natural. 
Essa técnica é considerada secagem durante o armazenamento, pois os 
grãos podem permanecer no silo após o processo. Os silos secadores 
devem ter pisos de chapas metálicas perfuradas para permitir a circulação 
do ar e ventiladores dimensionados adequadamente para evitar 
deterioração. 
A baixa quantidade de ar por unidade de grão torna a secagem mais difícil, 
especialmente em regiões com alta umidade relativa. Para melhorar a eficiência, 
podem ser usadas fontes suplementares de aquecimento, mas isso pode causar 
supersecagem, prejudicando o produto. A instalação de um umidostato e 
termostato pode ajudar a controlar a temperatura e a umidade, evitando esses 
problemas. 
Na secagem com ar natural, o potencial de secagem do ar ambiente e o 
leve aquecimento do ventilador (2°C a 3°C) são geralmente suficientes para 
alcançar o teor de umidade recomendado para um armazenamento seguro 
(Figura 9). Esse método, quando bem projetado, é econômico e eficiente. O 
processo inicia na camada inferior do silo e avança até a camada superior, 
formando três zonas de umidade: a camada seca, a frente de secagem e a 
camada úmida. 
Figura 9 – Silo para secagem com ar natural ou com baixa temperatura, 
mostrando a frente de secagem (FS) 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
18 
Na camada seca, os grãos atingem o equilíbrio higroscópico; na frente de 
secagem, ocorre a transferência de umidade; e na camada úmida, o ar já 
esgotou sua capacidade de secagem. A temperatura nessa última camada é 
geralmente inferior à do plenum, devido à troca de calor. O cálculo da vazão de 
ar e a escolha dos equipamentos são muito importantes para garantir que a 
frente de secagem alcance as camadas superiores sem deterioração. 
TEMA 5 – EFEITOS DA VELOCIDADE E DA TEMPERATURA DE SECAGEM NA 
QUALIDADE DAS SEMENTES E NO RISCO DE DANOS TÉRMICOS 
A secagem é vista como essencial para completar o ciclo de vida de 
espécies ortodoxas, funcionando como uma adaptação estratégica que prepara 
a semente para sobreviver durante o armazenamento, assegurar a propagação 
da espécie ao longo do tempo e garantir sua resistência às variações ambientais. 
Para a maioria dessas sementes ortodoxas (espécies que suportam a 
desidratação), a secagem após a maturidade marca a etapa final de seu 
desenvolvimento. Nessa fase, as sementes adquirem resistência à perda de 
água, o que resulta em um estado de dormência metabólica, que é fundamental 
para a adaptação às condições do ambiente e para garantir a dispersão das 
espécies (Oliveira et al., 2021b). 
As sementes não parecem tolerar a secagem durante todo o seu 
desenvolvimento, mas adquirem resistência à desidratação em um momento 
específico desse processo. A tolerância à dessecação ocorre juntamente com a 
capacidade de germinar após reidratação, e a secagem completa o 
desenvolvimento, ativando processos metabólicos para a germinação e o 
crescimento. 
No final do desenvolvimento, especialmente em sementes ortodoxas, 
ocorrem mudanças metabólicas importantes que protegem contra danos da 
desidratação. A dessecação atua como um sinal para que essas sementes 
passem do desenvolvimento para a germinação e o crescimento do embrião. 
Durante a maturação das sementes, fatores como condições ambientais 
adversas, além de ataques de insetos e microrganismos, aceleram o processo 
de deterioração. Esses elementos comprometem a integridade das sementes, 
afetando sua viabilidade e longevidade ao longo do tempo.Por isso, atrasar a colheita impacta negativamente a qualidade fisiológica 
e sanitária das sementes. Assim, torna-se essencial realizar estudos que 
 
 
19 
identifiquem o momento ideal de colheita para diferentes espécies, garantindo a 
máxima qualidade das sementes e reduzindo os riscos de deterioração (Oliveira 
et al., 2021a). 
Algumas espécies, chamadas recalcitrantes, não toleram a dessecação 
durante o desenvolvimento e a maturação, o que as torna inadequadas para 
armazenamento prolongado. Essas sementes são dispersas com alto teor de 
água e sobrevivem por curtos períodos, com variação nas condições de umidade 
e temperatura de acordo com a espécie. Em sementes ortodoxas, a remoção de 
água em certos níveis pode ser tolerada sem danos, enquanto em espécies 
sensíveis, a retirada de água pode causar danos letais (Oliveira et al., 2021b). 
A secagem artificial pode causar danos significativos às sementes, 
reduzindo sua qualidade fisiológica. A suscetibilidade aos danos depende de 
fatores como temperatura, tempo de exposição, pressão do ar e método de 
secagem, além da umidade e qualidade inicial das sementes. 
As debulhadoras frequentemente causam danos às sementes devido ao 
impacto de seus componentes móveis e à folga inadequada entre partes móveis 
e estacionárias. Sementes quebradas reduzem a qualidade do grão, afetando 
sua comercialização. A principal causa de danos é a velocidade da partícula 
antes do impacto e a rigidez da superfície de contato. Embora a eficiência do 
processo aumente com a velocidade do tambor, isso também intensifica os 
danos às sementes (Oliveira et al., 2021a). 
A remoção de água provoca alterações químicas, físicas e biológicas, e 
as condições de secagem precisam ser cuidadosamente ajustadas para 
minimizar os impactos negativos. Essas alterações, como estresse térmico e 
hídrico, variam conforme a espécie e as condições. O processo pode gerar 
fissuras nas sementes, tornando-as mais frágeis, especialmente durante o 
beneficiamento. Na Figura 10, estão amostras de como ocorrem os defeitos de 
fissura, enrugamento e danos mecânicos em sementes de soja. 
 
 
 
 
 
 
20 
Figura 10 – Sementes de soja com defeitos de fissura, enrugamento e danos 
mecânicos 
 
Créditos: KOMTHONG-APEC/Shutterstock. 
As principais consequências das trincas e fissuras em sementes 
causadas pela secagem incluem alterações cromossômicas e mitocondriais, 
desintegração das membranas celulares, desnaturação de proteínas e redução 
da capacidade de trocas hídricas e gasosas devido à perda da permeabilidade 
seletiva das membranas (Oliveira et al., 2021b). Isso também as torna mais 
vulneráveis a pragas e microrganismos, reduzindo sua longevidade. Sementes 
com alto teor de água são mais sensíveis a danos térmicos, exigindo 
temperaturas mais baixas no início da secagem. 
Segundo Oliveira et al. (2021b), estudos mostram que temperaturas 
abaixo de 40°C mantêm a qualidade das sementes de milho por até 36 horas, 
enquanto temperaturas de 50°C reduzem a germinação e o vigor após 24-36 
horas. Danos térmicos também podem ocorrer na última fase da secagem, 
quando a evaporação é mais lenta e a temperatura nos tecidos dos embriões 
aumenta. 
Além da temperatura, a velocidade de remoção da água afeta o tipo de 
dano, a tolerância à dessecação e a viabilidade das sementes, especialmente 
nas recalcitrantes. Sementes sensíveis à dessecação podem sobreviver melhor 
com secagem rápida, evitando o acúmulo de danos. 
No entanto, a secagem lenta aumenta a tolerância à dessecação ao dar 
mais tempo para a ativação de mecanismos de proteção. Além disso, a secagem 
 
 
21 
lenta altera o conteúdo de carboidratos, com aumento de sacarose e 
oligossacarídeos e redução de monossacarídeos, o que ajuda a proteger as 
células e estabilizar as membranas, favorecendo a tolerância à dessecação 
(Oliveira et al., 2021b). 
A secagem é um tema complexo que busca maximizar a qualidade das 
sementes, garantindo seu vigor e viabilidade durante o armazenamento e 
plantio. Esse processo é fundamental para assegurar que as sementes 
mantenham seu potencial de germinação e crescimento em diferentes condições 
ambientais. A manutenção do vigor e da viabilidade é especialmente importante 
para garantir altas taxas de sucesso na produção agrícola, tornando a secagem 
um passo essencial na cadeia produtiva de sementes. 
As estratégias e técnicas de secagem devem ser adaptadas conforme a 
necessidade, o tempo e as condições específicas de cada tipo de semente, pois 
cada espécie possui características únicas de retenção de água. A escolha 
adequada do método de secagem pode reduzir significativamente os riscos de 
deterioração e perda da qualidade fisiológica das sementes. Dessa forma, o 
monitoramento constante das condições de secagem é essencial para assegurar 
que o processo ocorra de maneira eficiente e com o mínimo de danos possíveis. 
FINALIZANDO 
Nesta abordagem, discutimos brevemente os Fundamentos da Secagem 
de Sementes. Abordamos os princípios básicos que regem esse processo, 
destacando a importância de controlar a umidade para preservar a viabilidade e 
o vigor das sementes. 
Além disso, exploramos os Princípios de Secagem de Sementes e os 
diferentes Métodos de Secagem disponíveis, ressaltando a importância de 
escolher o método adequado para cada tipo de semente, considerando fatores 
como eficiência e risco de danos. Discutimos também o Fluxo de Sementes no 
Sistema de Secagem, destacando como a movimentação correta dentro dos 
secadores pode influenciar a uniformidade da secagem. 
Por fim, enfatizamos os Efeitos da Velocidade e Temperatura de Secagem 
na qualidade das sementes, alertando para o risco de danos térmicos quando 
essas variáveis não são bem controladas. 
Encerramos essa parte do nosso estudo. Esperamos que tenha 
assimilado o conteúdo aqui discutido. 
 
 
22 
REFERÊNCIAS 
BARROS NETO, J. J. S. Sementes: estudos tecnológicos. Aracaju: IFS, 2014. 
FLORIANO, E. P. Armazenamento de sementes florestais. Santa Rosa: 
Cadernos Didáticos, 2004. 
GARCIA, D. C. A secagem de sementes. Ciência Rural, v. 34, n. 2, p. 603-608, 
2004. 
NUNES, J. L. S. Secagem, armazenamento e beneficiamento de sementes. 
Agrolink, 2020. Disponível em: 
. Acesso em: 27 nov. 2024. 
OLIVEIRA, C. R. et al. Produção e tecnologia de sementes. Porto Alegre: 
Grupo A, 2021a. 
OLIVEIRA, J. A. et al. Secagem de sementes. In: OLIVEIRA, J. A. (Org.). 
Processamento pós-colheita de sementes: abordagem agronômica visando 
aprimorar a qualidade. Lavras-MG: UFLA, 2021b. p. 67-93. 
PERES, W. B. Secagem de sementes: tipos de secadores. SeedNews, v. 10, 
2016. 
SILVA, G. R. Produção, tecnologia e armazenamento de sementes. Londrina: 
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 
SILVA, J. S. et al. Secagem e secadores. In: SILVA, J. S. Secagem e 
armazenagem de produtos agrícolas. Viçosa: UFV, 2008. p. 1007-138. 
ZORATO, M. A. Laboratório de análise de sementes: engrenagem fundamental 
na produção de sementes contemporânea. SeedNews, v. 11, 2017. 
 
	CONVERSA INICIAL
	TEMA 1 – FUNDAMENTOS DA SECAGEM DE SEMENTES
	1.1 Tipos de água nas sementes
	1.2 Comportamento da água nos processos de secagem e armazenamento de sementes
	TEMA 2 – PRINCÍPIOS DE SECAGEM DE SEMENTES
	TEMA 3 – MÉTODOS DE SECAGEM DE SEMENTES
	3.1 Secagem natural de sementes
	3.2 Secagem artificial de sementes
	TEMA 4 – FLUXOS DE AR E DE SEMENTES NO SISTEMA DE SECAGEM
	TEMA 5 – EFEITOS DA VELOCIDADE E DA TEMPERATURA DE SECAGEM NA QUALIDADE DAS SEMENTES E NO RISCO DE DANOS TÉRMICOS
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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