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07/04/2025 17:00Cognição social
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Cognição social
Prof.ª Valeria Guimarães Leal
Descrição Psicologia cognitiva e seus conceitos fundamentais: definições de
crenças, atitudes e valores, estereótipos e percepção social,
representações sociais (funções, valores e abordagem estrutural).
Propósito A psicologia cognitiva é responsável pelo estudo da percepção, do
aprendizado, da lembrança e do pensamento do indivíduo, e suas raízes,
na filosofia e na fisiologia, se unem para formar o núcleo da Psicologia.
A análise das teorias geradas pelo homem comum sobre tais temas
contribui para a compreensão de seu comportamento no meio social e
dos fenômenos variados, como saúde, doença mental, violência, justiça,
desemprego e amizade.
Objetivos
Módulo 1
Psicologia cognitiva e
Módulo 2
Crenças, atitudes e valores
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cognição social
Compreender os fenômenos
sociocognitivos.
Identificar a influência de crenças, atitudes e
valores no comportamento humano.
Módulo 3
Teoria das representações
sociais
Aplicar a teoria das representações sociais.
Módulo 4
Estereótipos e percepção
social
Reconhecer a formação dos estereótipos e
seu papel na percepção social.
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A cognição social é o estudo do modo pelo qual o indivíduo forma
inferências com base nas informações sociais que capta do ambiente. Isso
pode ser explicado pelo fato de que, quando entramos em contato com o
ambiente social que nos cerca, percebemos outros indivíduos, conhecemos
membros de grupos diferentes, e interagimos com tais pessoas e grupos.
O estudo da cognição é responsável por reunir uma série de microteorias
que, no decorrer do tempo, desenvolveram-se no cenário da Psicologia
Social, para esclarecer o modo por meio do qual as pessoas pensam sobre
si mesmas e sobre outros fatos, geram impressões sobre outros indivíduos
ou grupos sociais, e explicam comportamentos e eventos.
A cognição social se apoia no modelo de processamento de informação que
considera atenção e percepção, memória e julgamento como etapas do
processo cognitivo. Esse campo se dedica a estudar o conteúdo das
representações mentais e os mecanismos subjacentes ao processamento
da informação social. Seu foco se encontra nos modelos pelos quais
impressões, crenças e cognições sobre estímulos sociais se originam e
afetam o comportamento.
Introdução
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1 - Psicologia cognitiva e cognição social
Ao final deste módulo, você será capaz de compreender os fenômenos sociocognitivos.
Fundamentos da psicologia
cognitiva
Origens e correntes de pensamento
A psicologia cognitiva é o estudo da forma pela qual as pessoas percebem,
aprendem, lembram-se de algo e pensam sobre as informações.
Outras áreas de estudo para os psicólogos cognitivos são as bases biológicas
da cognição, assim como a atenção, a consciência, a percepção, a memória, o
imaginário, a linguagem, a solução de problemas, a criatividade, a tomada de
decisões, o raciocínio, as mudanças na cognição em termos de desenvolvimento
que ocorrem durante a vida, a inteligência humana e diversos outros aspectos do
pensamento humano.
A origem da psicologia cognitiva já mostrava suas ideias iniciais durante a
primeira metade do século XX, quando ainda prevaleciam duas correntes de
pensamentos na psicologia. Confira a seguir quais são elas:
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Centrados no comportamento, os psicólogos behavioristas elaboravam
as teorias de aprendizagem e condicionamento, concebidas a partir de
experiências, especialmente aquelas nas quais se observava o
comportamento de animais em situações cuidadosamente planejadas.
Voltada para o estudo do inconsciente e do desenvolvimento, e a
estrutura e a dinâmica do psiquismo, destacando o impacto das
experiências vivenciadas na primeira infância.
Na abordagem behaviorista, o estudo do psicólogo norte-americano Frederic
Skinner (1904-1990) era voltado a descrever – e não em explicar – o
comportamento. Por não se preocupar com o que ocorria dentro do organismo, a
abordagem de Skinner foi denominada abordagem do “organismo vazio”. Nessa
visão, o homem seria controlado e operado por forças ambientais, pelo mundo
exterior, e não pelas forças internas.
Posteriormente, psicólogos como o
canadense Albert Bandura (1925-
2021) e o norte-americano Julian
Rotter (1916-2014) – que, em
princípio, eram behavioristas, mas de
um modo bem diferente de Skinner –
começaram a questionar a total
negação dos processos mentais ou
cognitivos.
Esses estudiosos preconizavam uma aprendizagem social ou uma abordagem
sociobehaviorista, apoiando-se em um pensamento mais amplo em direção a
um movimento cognitivo (SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E., 2012).
Behaviorismo 
Psicanálise 
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A psicologia cognitiva se diferencia do behaviorismo em numerosos aspectos.
Primeiro, os psicólogos cognitivos estudam não somente a mera resposta aos
estímulos, mas também o processo de aquisição do conhecimento.
Na psicologia cognitiva, o que se destaca são os processos mentais diante de
eventos, e não as conexões estímulo-resposta. Desse modo, o foco é a mente e
não o comportamento. Contudo, isso não significa que o psicólogo cognitivo
descarte o comportamento.
O fato é que as reações comportamentais não são a única fonte de pesquisa e
análise. É por meio da observação das respostas comportamentais que
podemos avaliar e chegar a conclusões sobre os processos mentais associados
a essas reações.
Edward Tolman.
O psicólogo norte-americano Edward
Tolman (1886-1959) é visto por alguns
autores como um pioneiro da
psicologia cognitiva moderna. Ele
pensava que, para compreender o
comportamento, era preciso levar em
consideração seu propósito e seu
plano. Em outras palavras, todo o
comportamento era dirigido a algum
objetivo.
Já o psicólogo estadunidense George Miller (1920-2012) e o psicólogo alemão
Ulric Neisser (1928-2012) tiveram um papel de destaque no surgimento da
psicologia cognitiva, mas não foram fundadores da psicologia cognitiva no
sentido formal da palavra. A colaboração deles está na forma de um centro de
pesquisa e de livros, considerado o marco no desenvolvimento da psicologia
cognitiva – um trabalho inovador e influente (SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E.,
2012).
Psicologia social
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A partir dos anos 1980, o cognitivismo se estabeleceu de vez como abordagem
preponderante no cenário norte-americano e na psicologia social psicológica,
que concebia o indivíduo como parte de um sistema.
No início, a psicologia social se dedicava a estudar os processos socioculturais
do homem. Posteriormente, passou a focar nos processos intraindividuais e se
tornou mais individualista, denominando-se psicologia social psicológica.
Essa visão explica os sentimentos, pensamentos e
comportamentos do indivíduo na presença real ou imaginada
de outras pessoas. Em outras palavras, foca nos estudos de
como o indivíduo responde aos estímulos do grupo.
Devido a isso, as pesquisas na área da cognição social passaram a ser alvo de
grande interesse. Seu propósito fundamental é compreender os processos
cognitivos que se encontram subjacentes aos pensamentos sociais.
Cada vez mais os fatores cognitivos são observados e analisados porsocial e os estereótipos, busque e assista à
palestra TED com a psicóloga social Leah Georges: Como os estereótipos
geracionais nos inibem de progredir no trabalho.
Para compreender melhor a relação entre valores, atitudes e comportamento,
pesquise e leia o artigo de Jorge Artur Peçanha Coelho, Valdiney Veloso Gouveia
e Taciano Lemos Milfont, publicado em 2006, na revista Psicologia em Estudo:
Valores humanos como explicadores de atitudes ambientais e intenção de
comportamento pró-ambiental.
Referências
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LASCH, S. E. Forming impressions of personality. Journal of Abnormal and
Social Psychology, v. 41, n. 3, p. 258-290, 1946.
BEM, D. J. Convicções, atitudes e assuntos humanos. São Paulo: EPU, 1973.
BERTONI, L. M.; GALINKIN, A. L. Teoria e métodos em representações sociais. In:
MORORÓ, L. P.; COUTO, M. E. S.; ASSIS, R. A. M. (org.). Notas teórico-
metodológicas de pesquisas em educação: concepções e trajetórias. Ilhéus:
EDITUS, 2017. p. 101-122.
CAMINO, L. et al. (org.). Psicologia social: temas e teoria. 2. ed. rev. e ampl.
Brasília, DF: Technopolitik, 2013.
FERREIRA, M. B. et al. Para uma revisão da abordagem multidimensional das
impressões de personalidade: o culto, o irresponsável, o compreensivo e o
arrogante. Análise Psicológica, v. 29, n. 2, p. 315-333, 2011.
FERREIRA, M. C. A psicologia social contemporânea: principais tendências e
perspectivas nacionais e internacionais. In: Psicologia: Teoria e Pesquisa,
Brasília, DF, v. 26, n. especial, p. 51-64, 2010.
KRÜGER, H. Ideologias, sistemas de crenças e atitudes. In: CAMINO, L. et al.
Psicologia social: temas e teorias. Brasília, DF: Technopolitik, 2011. p. 263-308.
KRÜGER, H. Psicologia social das crenças. Curitiba: CRV, 2018.
MOSCOVICI, S. Psychanalyse, son image et son public. Paris: Presses
Universitaires de France, 1961.
PEREIRA, D. B.; MONTEIRO, L. A. Cognição social: crenças e sistemas de
crenças. Campinas: D7, 2020.
RODRIGUES, A. Psicologia social. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1976.
RODRIGUES, A.; ASSMAR, E.; JABLONSKI, B. Psicologia social. 29. ed. Petrópolis:
Vozes, 2012.
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da psicologia moderna. São Paulo:
Cengage Learning, 2012.
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STERNBERG, R. J. Psicologia cognitiva. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
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javascript:CriaPDF()psicólogos pesquisadores. Entre esses fatores, destacamos:
A teoria da atribuição da psicologia social;
A teoria da dissonância cognitiva;
A motivação e a emoção;
A personalidade;
A aprendizagem;
A memória;
A percepção;
O processamento da informação na tomada de decisões ou na solução
de problemas.
Nas áreas aplicadas, como a psicologia clínica, comunitária, educacional e
industrial-organizacional, também há ênfase nos fatores cognitivos.
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O processo de socialização do ser humano é composto por uma constante
coleta e troca de informações realizadas por meio de diferentes estímulos
sociais (pessoas, classe, família, escola, instituições etc.), os quais, quando
processados, levam a julgamentos.
Em função do contínuo interesse que despertam, três tópicos podem ser
considerados centrais para a psicologia social. Saiba quais são eles a seguir:
Cognição social Atitudes Processos
grupais
Princípios da cognição social
Delimitação do campo de estudo
A cognição social pode ser vista como uma subárea da Psicologia, já que abarca
uma série de microteorias, que foram surgindo no contexto da psicologia social
em uma tentativa de entender como os indivíduos formam pensamentos a
respeito deles mesmos, de outras pessoas, dos fatos e grupos sociais, e como
explicam comportamentos e eventos.
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A cognição social é, sobretudo, o
estudo de como as pessoas fazem
inferências sobre informações obtidas
no meio social, como elas se
percebem, interpretam, representam e
se lembram de informações sobre
elas mesmas e os demais, como tais
inferências são formadas e afetam o
comportamento.
Além disso, está fundamentada no processamento da informação e nos
processos cognitivos como atenção, percepção, memória e o julgamento.
No que diz respeito a esses processos cognitivos, eles são influenciados por
tendenciosidades, esquemas sociais, heurísticas (atalhos para o conhecimento
da realidade social) e automatismos (comportamento exibido
inconscientemente). Comumente, tendemos a descobrir as causas dos
comportamentos, tanto nossos quanto de outras pessoas (FERREIRA, 2010).
Esquemas sociais
No contato do indivíduo com seu mundo social, os estímulos são transformados
em informações, que, por sua vez, são representadas cognitivamente (em forma
de estruturas mentais de conhecimento), e construídas, organizadas e
armazenadas na memória em classes.
Essas estruturas são chamadas de esquemas sociais e influenciam o modo
como reagimos aos eventos sociais.
Possuímos os seguintes esquemas:
 De nós mesmos
Tímido, calmo, extrovertido.
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Exemplo
 De gênero
Masculino, feminino.
 De pessoas
Médico, psicólogo, político,
engenheiro.
 De determinados
grupos
Negro, asiático, mulçumano.
 Do comportamento em
certos ambientes
Salas de aula, festas,
cerimônias religiosas.
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Quem frequenta festas sabe que há bebidas, comida, música alta, pessoas
dançando, conversando, e paquerando. Nada disso é surpresa para quem já foi a
uma festa, pois, pela experiência passada, um esquema se formou sobre o que
esperar ao ir a um evento como esse. Já para quem nunca foi a uma festa, a
incerteza pode causar certa ansiedade.
Os esquemas sociais agem sobre os processos cognitivos, pois informações
coerentes com nossos esquemas recebem nossa maior atenção, assim como a
maneira como armazenamos a informação e recordamos dela.
Profecias autorrealizadoras
Um modo como os esquemas sociais afetam nosso comportamento pode ser
visto por meio das profecias autorrealizadoras, que, também, são uma forma
pela qual os esquemas são mantidos.
Mas o que significa uma profecia autorrealizadora?
Trata-se de mostrar um padrão de comportamento que, orientado por esquemas
sociais, faz com que o indivíduo, para o qual esse comportamento se destina,
seja influenciado por ele e responda de forma a atender ao que estaria sendo
esperado.
Em outras palavras, é quando agimos de acordo com nossos esquemas sociais,
e tal maneira de agir, muitas vezes, induz a resultados compatíveis com estas
expectativas, reforçando-as ao invés de contestá-las.
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Exemplo
Imagine um treinador de basquete que diz que seu jogador na posição de
armador não consegue fazer cestas de 3 pontos por ser o mais baixo. Dessa
forma, quando há oportunidade, pede para ele passar a bola.
O jogador acaba se convencendo de que não é capaz e acaba não dando mais
atenção a treinar arremessos desse tipo. Por consequência, passa a errar as
cestas de 3 pontos, confirmando a profecia do treinador de que ele não seria
capaz.
Primazia e priming
Os esquemas sociais são postos em prática ou ativados por meio de processos
conhecidos como primazia e priming.
A primazia diz respeito a informações recentes que são
capazes de ativar um esquema. Assim, o conhecido efeito
primazia se refere ao fenômeno em que prestamos mais
atenção às informações que nos são apresentadas em
primeiro lugar. Esse fenômeno pode ser associado ao
impacto que sofremos com as primeiras impressões, por
exemplo.
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Outra forma de ativação de esquemas sociais é o priming, que consiste na
maneira como um primeiro estímulo afeta as respostas que um indivíduo
apresenta a estímulos subsequentes, de modo inconsciente e automático,
podendo alterar nosso julgamento e nossas avaliações.
Exemplo
Seguranças de aeroporto que lidam quotidianamente com infratores e
traficantes tornam-se propensos a perceber o comportamento das pessoas em
termos de criminalidade, especialmente quando algum comportamento
considerado suspeito é observado. Frente a esse comportamento, o segurança
pode ignorar qualquer outra informação e deter o sujeito que se torna, para ele,
perigoso.
A ativação do esquema devido ao efeito priming ocorre de forma inconsciente.
Dependendo da importância do evento social, os esquemas sociais são ativados
de imediato sem a necessidade de muito esforço .
Heurísticas e construção de categorias
Outros elementos importantes para o paradigma do processamento de
informações são as heurísticas e a construção de categorias.
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A heurística ou atalhos mentais é um método rápido de
chegar a conclusões ao tentarmos conhecer o ambiente
social, mas nem sempre nos leva a conclusões corretas.
Diariamente, somos submetidos a uma série de informações, mas temos uma
capacidade limitada para processar todas essas informações sociais, e, por isso,
lançamos mão de heurísticas para enfrentar o grande volume e complexidade
das informações sociais. Portanto, erros e distorções em nossos julgamentos e
tomadas de decisão são cometidos (FERREIRA, 2010).
Exemplo
Ao recebermos a informação de que, nos cursos de Odontologia, há mais
mulheres que homens, utilizamos esse conhecimento para afirmar que há mais
mulheres atuando clinicamente como dentistas que homens, o que pode não ser
verdade.
Na literatura, podemos encontrar diferentes tipos de heurísticas. Rodrigues,
Assmar e Jablonski (2012) nos dão exemplos de heurísticas de
representatividade, que consistem em levar em conta a semelhança entre dois
objetos para deduzir que um possui características daquele com o qual se
aparece.
Um exemplodisso é quando consideramos que os produtos mais caros são de
melhor qualidade.
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Podemos dizer que é usar um atalho
para chegar a uma conclusão,
utilizando a semelhança da situação
observada com um esquema cognitivo
previamente adquirido. Desse modo,
ao concluir que a nova situação é
representativa do esquema anterior, é
possível chegar rapidamente a um
julgamento.
Outra heurística muito comum é o uso de um ponto de referência para a
construção de julgamentos. Geralmente, o ponto de referência utilizado para se
fazer esse julgamento é a pessoa que o emite.
Exemplo
Uma pessoa mais extrovertida tende a julgar uma pessoa menos extrovertida
como tímida ou pouco sociável; uma pessoa que mora em um país de clima frio
tem a tendência a considerar temperaturas acima dos 35 graus insuportáveis.
Com isso, podemos observar que o falso consenso consiste em acreditar que
certo posicionamento sobre uma situação específica é compartilhado pelas
demais pessoas. O risco é levar a aceitar nossa visão de mundo correta, sem
antes fazer nenhuma crítica.
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As diferentes heurísticas apresentadas aqui são usadas quando o assunto em
questão não tem muita importância, quando nos encontramos exaustos
cognitivamente, ou quando temos urgência em emitir julgamentos e não temos
muita informação sobre o assunto.
Pesquisas demonstraram que grande parte do nosso comportamento social é
orientado por pensamentos automáticos, independentemente de nossa
consciência dele.
A seguir, veremos que o comportamento é uma função de:
Fontes internas
Oriundas de pensamentos
conscientes com base no
comportamento.
Fontes externas
São apenas percepções do
comportamento dos outros.
O ambiente externo pode influenciar o comportamento de uma pessoa, de modo
que ela mesmo não perceba conscientemente. Nosso comportamento também
pode ser manifestado de forma automática, sem participação consciente.
Entretanto, fenômenos mais complexos podem exigir um maior grau de
processamento, mais controlado e consciente, o que dependerá de habilidades
cognitivas do percebedor em relação ao meio social.
As heurísticas e a construção de
categorias
Neste vídeo, a especialista reflete sobre os diversos tipos de heurísticas e a sua
importância no estudo e na compreensão do comportamento social.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A psicologia cognitiva surge em resposta a muitas críticas que foram feitas
ao behaviorismo. Qual é a principal diferença entre a psicologia cognitiva e o
behaviorismo?
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Parabéns! A alternativa C está correta.
O psicólogo cognitivo estuda os processos mentais: como a pessoa percebe,
motiva-se e aprende diante de eventos. Já o behaviorismo estuda o
comportamento humano baseado em reações estímulo-resposta, sem levar
em conta os processos mentais.
Questão 2
Alguns autores consideram que, atualmente, a cognição social é o modelo e
enfoque dominante na psicologia social. Sobre a cognição social, é correto
afirmar que:
A
O behaviorismo destaca as conexões entre estímulo e
reposta, e a psicologia cognitiva é focada no inconsciente.
B
A psicologia cognitiva é focada no desenvolvimento da
primeira infância, e o behaviorismo é centrado na teoria de
aprendizagem.
C
O behaviorismo é centrado no comportamento humano, e a
psicologia cognitiva estuda os processos mentais diante de
eventos.
D
O behaviorismo destaca os processos mentais, e a psicologia
cognitiva foca no comportamento humano.
E
O behaviorismo estuda o comportamento diante do ambiente,
e a psicologia cognitiva estuda o inconsciente coletivo.
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Parabéns! A alternativa A está correta.
A cognição social é um campo de estudo da Psicologia, que busca
compreender a forma como as pessoas se percebem a si mesmas e entre
elas, para poder explicar e fazer inferências sobre o comportamento social.
A
Estuda como as pessoas compreendem a si mesmas e às
outras em um contexto.
B É um campo da psicologia que estuda os processos grupais.
C É um subgrupo da Sociologia.
D
Está fundamentada no comportamento estímulo-resposta no
contexto social.
E Não possui relação com os processos psicológicos básicos.
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2 - Crenças, atitudes e valores
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a influência de crenças, atitudes e valores no
comportamento humano.
Crenças
Conceito de crenças
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Na cognição social, o conceito de crenças é muito estudado e pesquisado.
Portanto, podemos dizer que tem um lugar de destaque.
Krüger (2011) destaca que uma afirmação qualquer feita por um indivíduo, tendo
como origem a própria experiência e sendo esta afirmação aceita por pelo
menos um indivíduo, ela passa a ser uma crença. E as crenças se originam
sempre individualmente, sendo que o grau de sua aceitação subjetiva varia
bastante.
As crenças se apresentam por meio da linguagem oral ou escrita e, sendo assim,
podem ser avaliadas. São representações mentais, uma vez que seu conteúdo é
simbólico. Estão conectados a essas crenças os processos cognitivos, afetivos
e motivacionais.
Quando as crenças são originárias de algo com o qual nos identificamos ou que
tem valor, são mais intensas do que as formadas por meio de uma mera
percepção sem muita importância (KRÜGER, 2018).
O indivíduo resiste mais fortemente a
mudar crenças que são, para ele, mais
relevantes do que crenças superficiais,
como, por exemplo, opiniões. As
opiniões são crenças superficiais
construídas a partir da interação
social. Quanto menos temos
convicção a respeito de algo, mais
frágil é a crença.
Bem (1973) afirma que a compreensão de um homem sobre si mesmo e do seu
meio é formada a partir de crenças, e que elas são produtos da experiência
direta do homem com o meio.
Tipos de crenças
Em 1981, o pesquisador Rockeach (apud PEREIRA; MONTEIRO, 2020) disse que
as crenças nos homens estão organizadas em um sistema arquitetônico e que,
para o homem, não é possível conceber que as crenças existam fora dessa
organização.
Segundo esse autor, as crenças estão organizas em seu sistema de forma
concêntrica, com crenças centrais e periféricas. Confira quais são elas:
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Tipo A – Crenças primitivas (consenso 100%)
São as crenças mais centrais e incontestáveis. São tidas como
verdades absolutas de um indivíduo sobre a realidade física, social e a
natureza do eu. São formadas a partir do contato direto com o objeto
da crença e reforçadas por um consenso social. As crenças primitivas
possuem a capacidade de reunir outras crenças.
Exemplos:
- “Eu acredito que isto é uma mesa.”
- "Eu acredito que esta é minha mãe.”
- “Eu acredito que meu nome é Maria.”
Tipo B – Crenças primitivas (consenso 0)
São crenças centrais e incontestáveis, mas diferem do tipo A, uma vez
que não necessitam do consenso social para reforçá-las. As afirmativas
dessa classificação abarcam as crenças em algumas coisas que
nenhuma outra pessoa poderia ter conhecimento e, como
consequência, não importa se osoutros acreditam.
Exemplo:
Existe a crença de que alguém pode ter de justificar o porquê de certos
hábitos ou práticas pessoais.
- “Eu sempre tiro os aparelhos eletrônicos da tomada, porque, assim,
tenho certeza de que, mesmo desligados, não gastam energia.”
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Tipo C – Crenças de autoridade
Não são crenças centrais. Têm origem na infância e são, de início,
compartilhadas com outras pessoas que exercem influência sobre
desenvolvimento da criança, porém, com o passar do tempo, a criança
percebe que não são válidas.
Exemplos:
- Papai Noel;
- Cuca;
- Fada dos dentes.
Tipo D – Crenças derivadas
Formam-se mais por meio do processo de identificação do que pelo
contato direto com o objeto da crença. É uma forma de crença de
autoridade, a qual é oriunda da influência dos meios de comunicação,
de pessoas, de objetos ou de instituições.
Exemplos:
- “Eu acredito que o Brasil é um continente, pois eu ouvi isso naquela
emissora de TV famosa.”
- “Eu acredito que o céu é aqui, pois o líder da minha religião afirmou
isso.”
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Tipo E – Crenças inconsequentes
Não têm uma justificativa plausível para sua ocorrência, baseiam-se em
situações de preferência. São associadas a questões de gosto e
consideradas inconsequentes por apresentarem pouca ou nenhuma
ligação com outras crenças. Não necessitam de reforço do consenso
social.
Exemplo:
- “Eu acredito que beleza é questão de gosto. Para mim, você é bonito.”
Nem todas as crenças possuem a mesma importância para o indivíduo, podendo
elas serem centrais ou periféricas. Quanto mais central for uma crença, maior
será a resistência à mudança. E, por conseguinte, quanto mais central for a
crença modificada, maior será a repercussão no sistema de crenças.
As crenças e atitudes humanas têm como alicerce quatro processos do homem.
Confira a seguir:
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Os dois últimos implicam interagir com os outras pessoas.
Segundo Bem (1973), dentre as crenças primitivas, a fé na validade da
experiência sensorial é a mais importante. O autor justifica essa afirmação
exemplificando que acreditamos que um objeto continua com o mesmo
tamanho e forma quando dele nos afastamos, embora sua imagem visual mude:
ele continua no mesmo lugar quando não o estamos olhando.
É possível analisar cada crença até que se chegue à crença básica ou crença
primitiva, da qual esta se originou.
Atitudes
Definição de atitudes
 Cognitivos (pensar)
 Emocionais (sentir)
 Comportamentais
 Sociais
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No contexto sociopsicológico, a atitude é um constructo dos mais antigos. Por
parte dos psicólogos sociais, em todas as épocas, o estudo das atitudes tem
sido de grande consideração.
No que diz respeito a esses estudos, a década de 1930 foi marcada pelo
desenvolvimento das escalas de medida de atitude. Porém, na segunda metade
dessa década, os psicólogos sociais se preocuparam em procurar os
determinantes das atitudes. Na década de 1940, os resultados dessas
investigações foram publicados.
Conhecer as atitudes de uma pessoa em relação a determinados objetos
permite que se façam suposições a respeito de seu comportamento. Para cada
um de nós, as atitudes exercem funções específicas, ajudando-nos a formar uma
ideia mais estável da realidade em que vivemos.
Apresentamos, a seguir, definições de atitude de alguns importantes estudiosos
da psicologia social.
 Louis Thurstone
Em 1928, segundo Rodrigues (1976), o psicólogo norte-
americano Louis Thurstone (1887-1955) definiu a atitude
como a intensidade de afeto a favor ou contra um objeto
psicológico.
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 Harry Triandis
Em 1971, foi descrita pelo psicólogo grego Harry Triandis
(1926-2019) como uma ideia carregada de emoção que
predispõe um conjunto de ações a um conjunto específico
de situações sociais (RODRIGUES, 1976).
 Gordon Allport
Em 1935, o psicólogo estadunidense Gordon Allport (1897-
1967) definiu atitude como “um estado mental e neurológico
de prontidão, organizado através da experiência, e capaz de
exercer uma influência diretiva ou dinâmica sobre a
resposta do indivíduo a todos os objetos e situações a que
está relacionada” (RODRIGUES, 1976, p. 395-396).
 Fabrigar e Wegener
Fabrigar e Wegener (2010 apud FERREIRA, 2010)
estabeleceram que as atitudes podem ser definidas como
avaliações gerais e duradouras que oscilam de um extremo
positivo a um negativo dos objetos presentes no mundo
social, o que compreende pessoas, grupos,
comportamentos etc. Segundo esse conceito, fazem parte
delas as cognições e os afetos sobre tais objetos.
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Componentes atitudinais
Rodrigues (1976) diz a que a atitude é composta por um componente cognitivo,
um componente afetivo e um componente comportamental. A seguir, vamos
entender melhor esses componentes.
Componente cognitivo
O componente cognitivo de uma atitude é formado por crenças e demais
componentes cognitivos (maneira de encarar o objeto, conhecimento etc.)
relativos ao objeto daquela atitude. É necessário que se tenha alguma
representação cognitiva do objeto antes que se tenha uma atitude em relação
ele.
Exemplo
Pessoas que não gostam do estilo de música sertanejo o consideram um estilo
brega, de baixo nível cultural, de “sofrência” etc.
 Allport
Na década de 1930, Allport compilou por volta de cem
definições, e mesmo que nem todas fossem amplamente
aceitas, alguns temas eram recorrentes nas várias
definições oferecidas pelos autores. Um exemplo disso está
no fato de estas definições se encontrarem relacionadas a
diversas manifestações, incluindo as crenças, os valores e
as opiniões, e de elas abarcarem avaliações de objetos
sociais.
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Algumas vezes, a representação cognitiva que a pessoa tem de um objeto social
é vaga ou errônea. Quando a representação cognitiva é vaga, seu afeto a respeito
do objeto tem uma tendência a ser fraco.
Quando a representação cognitiva é errônea, independentemente de
corresponder ou não à realidade, a intensidade do afeto não é influenciada.
Componente afetivo
Pode ser definido, para alguns, como sentimento pró ou contra determinado
objeto social. Somente a atitude tem esse componente. Crenças e opiniões não
o têm.
Exemplo
Uma pessoa pode crer que a origem da raça humana é proveniente de
extraterrestres e manter essa crença em um nível cognitivo, sem envolver
nenhum afeto. Dessa forma, não é possível dizer que essa pessoa tem uma
atitude em relação à origem da raça humana, e sim uma crença. Opinião
também é uma crença e podemos classificá-la como Tipo E.
Porém, se somássemos a essa cognição um componente afetivo, poderíamos
dizer que a pessoa tem uma atitude sobre esse assunto se estivesse em uma
discussão acalorada defendendo sua crença.
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Componente comportamental
Em 1965, os pesquisadores Newcomb, Turner e Converse concluíram que o
papel das atitudes sociais na determinação do comportamento é criar um
estado de predisposição à ação e, em certa situação, derivar em um
comportamento (RODRIGUES, 1976).
Exemplo
Uma pessoa que torce para umtime de futebol possui afetos e cognições a
respeito desse time, capaz de predispor o sujeito em um campeonato a emitir
comportamentos de acordo com tais afetos e cognições, o que, no caso, seria
torcer pelo time em questão.
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Assim, podemos entender que as atitudes compreendem o que as pessoas
pensam, sentem e como elas gostariam de se comportar em relação a um
objeto atitudinal.
O comportamento é determinado não apenas pelo que as pessoas gostariam de
fazer, mas também pelas normas sociais, em outras palavras, o que elas pensam
que devem fazer, pelos hábitos, ou seja, o que elas geralmente têm feito, e pelas
consequências esperadas de seu comportamento.
Exemplo
Uma pessoa de determinada religião pode ter uma atitude fortemente negativa
com pessoas de outra religião, porém trata com educação e respeito um grupo
dessa outra religião quando está em um mesmo evento no qual foi convidado
com esse grupo. Ou seja, em uma reunião social, prevalecem as normas sociais,
mesmo sendo seu afeto não amistoso com pessoas de outra religião.
Valores
Concepção e classificação de valores
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Segundo Rodrigues (1976), os valores são categorias gerais também portadoras
de componentes cognitivos, afetivos e predisponentes de comportamento,
diferenciando-se das atitudes por sua generalidade.
Os valores podem conter uma infinidade de atitudes. Por exemplo, o valor
religião envolve atitudes em relação a Deus, à igreja, às recomendações próprias
da religião etc.
Em 1951, uma escala foi proposta por Allport, Vernon e Lindzey (RODRIGUES,
1976). Ela padronizava a classificação das pessoas de acordo com a
importância dada por elas aos seis valores a seguir:
Atividade social
Altruísmo e filantropia.
Estética
Harmonia, beleza de
formas, simetria.
Praticalidade
Utilidade e
pragmatismo,
dominância de enfoques
de natureza econômica.
Teoria
Aspectos racionais,
críticos, empíricos e
busca da verdade.
Poder
Influência, dominância e
exercício do poder em
várias esferas.
Religião
Aspectos
transcendentes,
místicos e procura de
um sentido à vida.
Teoria de valores e tipos motivacionais
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Schawatz (1992; 1994 apud RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2012) propôs
uma teoria de valores que teve como origem uma série vasta de estudos
transculturais.
Essa teoria é considerada referência obrigatória em qualquer estudo a respeito
do assunto. Nela, os valores são compreendidos como objetivos ou metas trans-
situacionais que variam em relevância. São como convicções morais que
orientam a vida das pessoas.
Dez tipos motivacionais de valores são listados por Schawatz e organizados em
uma hierarquia, de acordo com a relevância de sua função e de seus efeitos
práticos, psicológicos e sociais para os sujeitos. A seguir, confira quais são eles:
 Benevolência
Busca da proteção e de favorecimento do bem-estar dos
outros.
 Tradição
Concordância com costumes e ideias de natureza religiosa
e cultural.
 Conformidade
Controle de ações ou de impulsos socialmente
condenáveis.
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 Segurança
Defesa de equilíbrio e da imperturbabilidade da sociedade,
das relações e do próprio eu.
 Poder
Controle sobre pessoas ou recursos, almejando status e
prestígio.
 Realização
Procura de sucesso pessoal pela evidenciação de
competência, em conformidade com os padrões sociais.
 Hedonismo
Procura de sensações gratificantes e prazer.
 Estimulação
Busca de agitação, novidades e desafios.
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Dimensões de ordem superior
A primeira dimensão é referente a um conflito entre a independência própria, por
meio de ações que têm como meta a mudança, e a busca por estabilidade e
preservação da tradição. Essa dimensão é formada por dois polos opostos:
Abertura à mudança
Correlaciona os tipos
motivacionais dos valores
autodireção e estimulação.
Conservação
Combina os tipos dos
valores segurança,
conformidade e tradição.
A segunda dimensão reflete um conflito no qual de um lado se encontra a busca
do bem-estar dos outros e sua aceitação como iguais, e de outro lado, a busca
do sucesso pessoal e do domínio sobre os outros. Nesse caso, há oposição
entre os seguintes polos:
 Autodireção
Busca de autonomia de pensamentos e de ações.
 Universalismo
Busca de capacidade de entendimento, condescendência e
proteção para com todas as criaturas da Terra.

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Autotranscedência
Conjuga os tipos
motivacionais dos valores
benevolência e
universalismo.
Autopromoção
Combina os tipos dos
valores poder e realização.
O hedonismo compartilha elementos de abertura à mudança e de
autopromoção.
De forma resumida, a característica de generalidade dos valores e de
especificidade das atitudes faz com que uma mesma atitude possa ser oriunda
de dois valores diferentes.
Exemplo
Uma pessoa pode ter uma atitude favorável ao dar um sanduíche e um café à
uma pessoa com fome por valorizar a caridade e o bem-estar do outro, e outra
por valorizar o desejo de mostrar-se poderoso e superior.
A relação entre crença, atitudes e valores


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Neste vídeo, a especialista explica os conceitos de crença, atitudes e valores e
reflete, ilustrando com exemplos, as relações e as implicações destes conceitos
no comportamento social.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
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Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
No sistema arquitetônico organizado por Rockeach, há crenças centrais e
periféricas. As crenças mais resistentes à mudança, que fazem um indivíduo
afirmar “Eu acredito que isto é um carro”, são classificadas como:
Parabéns! A alternativa D está correta.
As crenças primitivas (consenso 100%) são o tipo mais central do sistema e
mais resistentes à mudança. São aquelas crenças incontestáveis,
consideradas verdades absolutas.
Questão 2
A escala de valores de Allport, Vernon e Lindzey, cujo objetivo é avaliar
valores pessoais ou motivações básicas, está organizada em seis valores. A
filantropia seria que tipo de valor?
A Crenças tipo C - Crenças de autoridade.
B Crenças tipo D - Crenças derivadas.
C Crenças tipo E - Crenças inconsequentes.
D Crenças tipo A - Crenças primitivas (consenso 100%).
E Crenças tipo B - Crenças primitivas (consenso 0).
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A filantropia é um valor de atividade social por meio do qual o sujeito procura
o bem de todos e da comunidade, e não se centra somente de forma egoísta
em si mesmo.
A Religião
B Poder
C Estética
D Atividade social
E Praticalidade
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3 - Teoria das representações sociais
Ao final deste módulo, você será capaz de aplicar a teoria das representações sociais.
Princípios teóricos
Origens da teoria das representações sociais
As origens da teoria das representações sociais estão presentes tanto na
sociologia e antropologia,com os estudos de Émile Durkheim (1858-1917) e
Lucien Lévy-Bruhl (1857-1939), quanto na psicologia construtivista, sócio-
histórica e cultural, com os estudos de Jean Piaget (1896-1980) e Lev Vygotsky
(1896-1934), resultando em um vínculo entre o social e o individual (BERTONI;
GALINKIN, 2017).
Essa teoria foi inicialmente proposta pelo psicólogo social Serge Moscovici
(1925-2014), com a publicação do livro La psychanalyse, son image et son public
(1961). É uma abordagem psicossociológica do processo de construção do
pensamento social.
O estudo das representações sociais pode ser compreendido
como o ato de identificar a “visão de mundo” que grupos ou
indivíduos possuem ou empregam na sua forma de agir e
posicionar.
Assim, a teoria pode ser vista como um pensamento social que resulta das
experiências, crenças e trocas de informações contidas na vida rotineira,
propagadas ou recebidas pela comunicação e tradições.
As representações sociais constituem um conjunto de conceitos, imagens e
explicações que se originam no senso comum, em se tratando das interações e
comunicações interpessoais. Sobre tais circunstâncias, elas vão se modificando
à medida que novos significados vão sendo agregados à realidade.
Um exemplo de representação social muito comum nos anos 1980 foi a boneca
Barbie. Nela, havia embutidos conceitos de beleza e feminilidade do senso
comum. Muitas meninas queriam ser a Barbie.
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As representações sociais têm como função dar sentido ao desconhecido,
convertendo o não familiar em algo familiar. Para que isso ocorra, os processos
de ancoragem e objetivação são usados como apoio.
Processo de ancoragem
Como afirma Moscovici:
[...] quando estudamos representações
sociais, nós estudamos o ser humano,
enquanto ele faz perguntas e procura
respostas ou pensa, e não enquanto ele
processa informação ou se comporta.
Mais precisamente enquanto seu objetivo
não é comportar-se, mas compreender”.
MOSCOVICI, 2003, p. 43 apud CAMINO et al., 2013, p. 423
As representações sociais possuem a capacidade de criar relações entre as
abstrações do saber e das crenças e a concretude da vida do sujeito em seus
processos de interação social, porque:
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As representações sociais são construídas na fronteira entre
o psicológico e o social.
A ancoragem tem como função inserir o fenômeno não familiar em um conjunto
de categorias e imagens familiares, de forma que ele possa ser interpretado
(FERREIRA, 2010).
As pessoas, de um modo geral, quando não conseguem descrever algo e
comunicá-lo para outros indivíduos, criam uma resistência e experimentam um
negacionismo. Esse acontecimento ou objeto que foi incapaz de ser descrito por
elas deve ser incluído nos sistemas de crenças delas.
Portanto, ancorar é atribuir nomes e categorias à realidade, colocando-as em um
contexto comum e familiar. Quando damos um nome ou uma classificação a
algo que não era familiar, ele passa a ser familiar, e podemos imaginá-lo,
representá-lo. Assim, asseguramos sua incorporação social.
Durante o processo de ancoragem, o novo objeto é reajustado, para que possa
se inserir em uma categoria conhecida, passando a possuir características
dessa categoria, tornando-se algo familiar e com sentido.
Exemplo
Para lidar com as incertezas e todas as mudanças advindas do coronavírus
durante a pandemia, muitas pessoas passaram a usar a expressão “o novo
normal”, buscando ancorar todas as alterações em nossa rotina e em nosso
comportamento como uma nova condição do que seria normalidade nesse
momento, procurando diminuir o desconforto gerado.
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Processo de objetivação
A objetivação visa transformar o que é abstrato em algo concreto e que, por
conseguinte, possa ser assim tocado (FERREIRA, 2010). Objetivar é transformar
uma imagem, algo mental, em algo concreto, tangível, ao invés de ser apenas um
elemento do pensamento.
O processo de objetivação implica três movimentos simultâneos. São eles:
Leva em conta valores religiosos ou culturais, experiências anteriores,
conhecimentos prévios etc., os sujeitos retiram algumas informações a
respeito do objeto que eles querem representar de um conjunto total
informações.
É a construção de um modelo figurativo, de imagens estruturadas, que
reproduzirão de um modo visível algo que antes não passava de um
conceito.
Os elementos que foram construídos passam a ser identificados como
elementos da realidade do objeto. Aquilo, que antes era estranho, passa a
ser naturalizado e é incorporado.
Exemplo
Seleção e descontextualização 
Formação do núcleo figurativo 
Naturalização dos elementos 
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Retomando o exemplo do coronavírus, foram feitas representações concretas
que destacavam a importância do uso de máscaras para vencer a resistência
inicial em relação à população. Ao entenderem os riscos de como o vírus se
propagava, a máscara passou a ser um objeto de uso comum, e as pessoas
passaram a implementá-lo em seu cotidiano.
De acordo com Moscovici (2003 apud CAMINO et al., 2013), os indivíduos não se
resumem a receptores passivos de informação, muito menos a meros
seguidores de ideologias ou crenças coletivas.
Os indivíduos são pensadores ativos que, ao se defrontarem com os mais
diversos eventos presentes no dia a dia das interações sociais, criam e
comunicam suas próprias representações e soluções apropriadas para as
questões nas quais se encontram.
Desse modo, a influência do social não é vista como um estímulo que atinge o
indivíduo, e sim como um contexto de relações nas quais o pensamento é
formado.
A teoria das representações sociais e
seus conceitos básicos
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Neste vídeo, a especialista explica em que consiste a teoria das Representações
Sociais e ilustra os conceitos de ancoragem e objetivação, destacando a
importância dos mesmos.
Funções e abordagens
Universos reificados e consensuais
Existem dois tipos de universos de pensamento. Confira a seguir:
Universo reificado
É considerado o lado
científico do pensamento,
no qual são definidos o
certo e o errado, verdadeiro
e falso. Nele, existem
papéis e categorias
definidos segundo os
contextos apresentados. O
nível de participação na
produção de conhecimento
é determinado unicamente
pelo nível de qualificação.
Existe uma objetividade,
uma lógica e uma
metodologia.
Universo consensual
Diz respeito a atividades
intelectuais da interação
social cotidiana. Esse
universo se encontra em
constante movimento. É
composto pelas
representações sociais,
mas a matéria-prima para a
formação dessas realidades
consensuais se origina do
universo reificado e do
saber cotidiano. Por
exemplo, construímos
opiniões de noções
apreendidas e
compartilhadas na escola,
em casa, na rua, na mídia.

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Funções das representações sociais
Para que possamos compreender a dinâmica das interações sociais e esclarecer
os determinantes das práticas sociais, é indispensável identificar as funções das
representações sociais.
De acordo com Camino et al. (2013), há quatro funções essenciais. Confira a
seguir quais são elas:
Possibilidade de os indivíduos compreenderem e explicarem a realidade,
a partir das representações sociais, está relacionada à função de
conhecimento. As representações sociais definem o quadrode referência
comum que permite e facilita a comunicação social, concedendo a
transmissão e divulgação do conhecimento prático do senso comum.
Refere aos processos de comparação social, é de extrema importância a
função identitária das representações sociais, uma vez que estas
definem a identidade e concedem a proteção da especificidade dos
grupos. Ao mesmo tempo, esta função assume um papel fundamental no
controle social exercido pela coletividade sobre cada um de seus
membros.
Representações são responsáveis por guiar os comportamentos e as
práticas sociais. Assim, existe um sistema de pré-decodificação da
realidade, um manual orientador para ação.
Conhecimento 
Identitária 
Orientação 
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Representações sociais possibilitam justificar os comportamentos e as
tomadas de posição por parte dos sujeitos. Desse modo, nas relações
entre grupos, essa função esclarece alguns comportamentos postos em
uso frente a outro grupo. Portanto, as representações mantêm e
justificam a diferenciação social, sendo capaz de estereotipar as relações
entre grupos, colaborando para a discriminação ou mantendo entre eles
um afastamento social.
Observando a descrição das funções das representações sociais, vimos que elas
não são somente um conceito teórico e abstrato, mas também são
fundamentais nas relações sociais. Outra coisa que também fica evidente é sua
relação com as atividades práticas do cotidiano.
As representações sociais são eventos observáveis complexos, sempre ativados
e em ação na vida social, que contêm uma riqueza de elementos informativos,
ideológicos, cognitivos, normativos, valores, atitudes, opiniões, crenças e
imagens.
Teoria do núcleo central
O pesquisador Abric e seus colaboradores propuseram a teoria do núcleo
central – uma extensão do trabalho de Moscovici (1961). Essa teoria defende
que toda representação social se dispõe em torno de um núcleo central e de
elementos periféricos (BERTONI; GALINKIN, 2017).
O núcleo central se fundamenta no elemento principal da representação, com o
objetivo de organizar e dar sentido a ela. O núcleo tem como apoio a memória
coletiva do grupo, em suas condições históricas e sociais. Além disso, é mais
rígido e resistente às mudanças e influências das circunstâncias de uma
situação imediata.
Justificadora 
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Entretanto, os componentes periféricos são mais flexíveis e móveis, o que
possibilita a junção de histórias e experiências distintas. Eles aceitam as
contradições, assim como a diversidade grupal. Desse modo, são sensíveis às
circunstâncias de uma situação imediata e têm uma característica evolutiva, que
possibilita se ajustar à realidade concreta e à diferença de conteúdo.
Confira a seguir a função dos componentes periféricos:
Possibilitar o ajuste de
grupos e indivíduos a
certas situações
Proteger a estabilidade
do núcleo central
Dessa forma, o núcleo central é regulamentário, e os elementos periféricos, por
sua vez, são funcionais, pois possibilitam a ancoragem da representação na
realidade do momento.
Após a introdução da sociopsicologia na literatura, a teoria das representações
sociais foi amplamente disseminada, especialmente entre os psicólogos
europeus e latino-americanos, procurando aplicar seus princípios teóricos a
inúmeros eventos, aos quais podem ser atribuídos significados que surgem do
senso comum.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O núcleo central é composto pelos elementos estáveis ou mais permanentes
da representação social, e tem como objetivo organizá-la e dar sentido a ela,
sendo mais rígido e resistente às mudanças. Com base na teoria do núcleo
central, é correto afirmar que:
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Parabéns! A alternativa C está correta.
O núcleo central é mais rígido e passa a ser regulador e normativo. Seus
componentes periféricos permitem a adaptação de grupos e indivíduos a
certas situações. Eles são mais móveis e flexíveis, permitindo a junção de
experiências e histórias individuais, e são sensíveis ao contexto imediato.
Questão 2
Quais são as quatro funções essenciais para as representações sociais?
A
O núcleo central é flexível e tem como base a memória
coletiva do grupo, em suas condições históricas e sociais, e é
resistente às variações e influências do contexto imediato.
B
Os componentes periféricos têm como função proteger a
estabilidade do núcleo central, e, por isso, dificultam a
adaptação de grupos e indivíduos a certas situações.
C
O núcleo central é normativo, e os elementos periféricos são
funcionais.
D
O núcleo central é funcional, e os elementos periféricos são
complementares.
E
Os componentes periféricos são mais estáticos, dificultando a
junção de experiências e histórias individuais, já que têm
como função proteger o núcleo central.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
As representações sociais se originam no senso comum e na interação
social. Já um conjunto de conhecimentos, opiniões e imagens define a
identidade, permite evocar um dado acontecimento, uma pessoa ou um
objeto, bem como orienta e justifica o comportamento.
A De conhecimento, de definição, localizadora e justificadora.
B
De autoconhecimento, de conhecimento, espacial e
justificadora.
C De conhecimento, identitária, de orientação e explicativa.
D
De conhecimento, de autoconhecimento, orientadora e
explicativa.
E De conhecimento, identitária, de orientação e justificadora.
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4 - Estereótipos e percepção social
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer a formação dos estereótipos e seu papel na
percepção social.
Estereótipos
Estereótipo, preconceito e discriminação
O estudo dos estereótipos se apresenta de forma destacada na Psicologia
Social pela sua importância na compreensão das relações de dominação,
exploração e segregação. Os estereótipos são bons preditores do
comportamento social, permitindo inferir a probabilidade de ocorrência de
diversos comportamentos em grupos sociais.
O estereótipo é a base do preconceito e ele consiste na
atribuição de crenças feitas sobre grupos ou pessoas. Dessa
forma, podemos compreender que os estereótipos consistem
em esquemas ou representações mentais sobre grupos
sociais.
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Nesse sentido, eles interferem ativamente no processo de formação de
impressões e percepção de pessoas, sendo responsáveis pela integração de
informações e avaliação de outros indivíduos, ou seja, pelas formas com que o
percebedor interpreta os indivíduos que o rodeiam (FERREIRA, 2010).
Mas qual é a diferença entre estereótipo, preconceito e
discriminação?
Muitas vezes, usamos essas palavras de forma indiscriminada. Na prática, elas
se encontram fortemente entrelaçadas, mas, em termos acadêmicos, e inclusive
em termos jurídicos, existem diferenças importantes. A seguir, vamos entender
melhor essa distinção.
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Normalmente, em função de como organizamos todas essas
informações relativas, existe um primeiro momento em que fazemos o
agrupamento ou a categorizaçãodas pessoas que consideramos que se
assemelham em algum aspecto. Esse primeiro passo representa a
delimitação de um estereótipo específico.
Exemplo: Todos os cientistas são muito racionais e analistas.
Após delimitar o estereótipo, passamos a fazer um julgamento de
determinado grupo, o que nos conduz a alguma atitude. Quando essa
atitude é negativa, estamos, então, frente ao preconceito.
Exemplo: Podemos encontrar uma atitude negativa sobre os cientistas
que afirma que eles não apresentam emoções, que são insensíveis.
Baseado no preconceito, podemos observar a discriminação.
Exemplo: Não quero namorar um cientista, porque ele é uma pessoa não
emotiva.
Conceito de estereótipo
Estereótipo 
Preconceito 
Discriminação 
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Quando formamos crenças de que indivíduos de um grupo social apresentam,
em maior ou menor grau, um mesmo padrão de características específicas,
chamamos essas crenças de estereótipos.
Para alguns estudiosos do assunto, durante a infância, adquirimos a habilidade
de formar muitos estereótipos. Muitas vezes, eles se constituem do mesmo
modo como se desenvolvem as configurações mentais: ao vermos um caso
específico ou um conjunto de casos com o mesmo padrão, fazemos uma
supergeneralização a partir dessas observações limitadas e criamos um
estereótipo (STERNBERG, 2008).
Curiosidade
Foi no trabalho intitulado Opinião pública, de Valter Lippmann, publicado em
1922, que o termo “estereótipo” surgiu.
Os estereótipos são conceituados pela sociedade como um modo de defesa
pessoal, e são estabelecidos conforme a cultura e a tradição familiar às quais
pertencemos.
Inicialmente, os estudos sobre estereótipos estavam voltados para conteúdos
éticos e raciais em nível grupal, e pouca importância foi dada a pesquisas em
nível individual.
O conceito tem sido alterado com o tempo, sob um ponto de vista negativo, a
respeito de um conjunto de pessoas para uma generalização das características
conferidas a objetos e pessoas que possuem entre si alguma semelhança,
sendo ela pronunciada ou não.
O mais frequente dos diversos tipos de estereótipos é o de gênero, que é uma
atribuição feita pelo grupo de traços e comportamentos específicos a homens e
mulheres. Por exemplo, existe o estereótipo de que as mulheres falam muito.
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Porém, na vida social, existem outros estereótipos que também se destacam,
como:
Classe social Estado civil Ocupações
Ainda hoje, não há um conceito único de estereótipo. Ao longo das últimas
décadas de pesquisas, surgiram diferentes vertentes e interesses individuais
sobre o assunto.
Apesar das diferenças importantes na maneira como a temática “estereótipos” é
definida, basicamente, alguns pontos são de comum acordo entre os psicólogos
sociais sobre a definição de estereótipos. Veja a seguir quais são:
1. Um estereótipo é fundamentalmente cognitivo – convicção,
julgamento, percepção, atribuição, visão, características, expectativa,
suposição, e assim por diante.
2. Um estereótipo é um conjunto de crenças relacionadas.
3. Os atributos, as personalidades ou o caráter de grupos são descritos
pelos estereótipos.
4. Esses atributos permitem diferenciar os indivíduos como homens e
mulheres.
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É preciso levar em conta o consenso para caracterizar os estereótipos.
Os estereótipos se originam da passagem do tempo com as repetidas
experiências entre componentes de grupos diversos, afetando as respostas que
serão apresentadas em encontros futuros com os componentes do grupo alvo
dos estereótipos.
São duas as maneiras de conceber estereótipos:
Como estruturas que podem ser representadas dentro das mentes
individuais.
Como elementos específicos da própria sociedade, compartilhados em
grande escala pelas pessoas que convivem no interior de uma mesma
cultura.
Sem dúvida, essas considerações estão associadas aos estereótipos, como a
percepção social, visto que é aceitável dizer que as informações percebidas
devem ser interpretadas, codificadas, armazenadas e retiradas da memória. Em
todas as fases desse processo, podem ocorrer mecanismos da distorção
perceptual.
Desse modo, os estereótipos são elaborados como informações públicas
compartilhadas por uma vasta maioria de indivíduos da sociedade a respeito de
alguns grupos sociais.
Seria correto descrever os estereótipos como uma parte do conhecimento
coletivo de uma sociedade, uma vez que as crenças compartilhadas geram
efeitos de magnitude considerável na forma como se apresentam os
comportamentos sociais.
Mas não podemos esquecer que os
estereótipos também cumprem uma
função em nossa percepção, pois eles
reduzem a necessidade de atenção e
processamento de informação frente
aos fatos. Assim, podemos
economizar tempo e energia quando
estamos interagindo com os outros.
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O problema é quando os estereótipos nos conduzem ao processo de
discriminação, que implica sua relação com algum julgamento (afeto) negativo,
ou seja, quando derivam em preconceito.
Percepção social
Interação social
Vimos até aqui como é importante para os pesquisadores da cognição social a
observação e o estudo da interação social. Agora, vamos focar nessa questão.
Para que haja interação entre pessoas, é necessário que estas se percebam
mutuamente.
Exemplo
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Durante o processo de interação social, formamos necessariamente uma
impressão da pessoa com quem nos relacionamos. Nesse momento, também
somos guiados por processos psicossociais.
Quatro princípios gerais, responsáveis por administrar nossa percepção dos
indivíduos que nos cercam, foram destacados pelos pesquisadores Taylor,
Peplau e Sears (2006 apud RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2012). Veja a
seguir quais são eles:
1. Com base em um número limitado de informações, as pessoas geram
impressões de outras e, a partir daí, derivam outras características
mais gerais. Exemplo: o empregado viu o novo gestor por foto e pensou
que era jovem demais para ser líder de um projeto.
2. As impressões têm como base os aspectos mais relevantes, e não o
conjunto completo das características dos outros. Exemplo: prestar
atenção à altura de alguém e não perceber outras características
positivas e negativas do indivíduo.
3. Tendemos a catalogar os estímulos percebidos na outra pessoa de
forma a incluí-la em um grupo do qual os membros possuem
características conhecidas. Exemplo: pessoas com sapatilha de ponta
pertencem ao grupo que dança balé.
4. Nossas necessidades e nossos objetivos afetam a forma pela qual
percebemos as características dos outros. Exemplo: prestamos mais
atenção em alguém com quem vamos interagir com maior regularidade
no futuro, como um colega de trabalho, do que em alguém que só
veremos uma única vez.
Como formamos a impressão sobre os outros?
As principais fontes de informação que utilizamos ao formar uma impressão de
outra pessoa são:
Não apenas os traços físicos, mas também a forma de vestir influenciam
a dedução de certas características pessoais. Tendemos a atribuir outras
particularidades positivas a pessoas mais atraentes, e negativas a
Aparência física 
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pessoas menos atraentes.
Inclui gestos, posturas, olhares, posição corporal no espaço, tom de voz,
ritmo e inflexões. Você sabia que quanto mais nos interessa alguémque
estamos observando, mais competentes somos na interpretação desses
comportamentos?
Maneira por meio da qual percebemos o outro, de acordo com a
tendência a atribuir a uma pessoa as características do grupo ao qual
Comportamento não verbal 
Categorização 
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pertence, como sexo, raça, faixa etária, tipo de profissão etc. Os
estereótipos mantidos por nós acerca dos vários grupos sociais
proporcionam uma visão das pessoas a eles pertencentes como
confirmadores deles.
Ao realizar um experimento, Asch (1946) constatou que, ao apresentar
uma lista de adjetivos sobre um indivíduo a algumas pessoas,
impressões a respeito dele eram formadas conforme a ordem em que a
lista era apresentada.
Primeiras impressões 
Traços centrais 
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No que se refere a provocar a recordação de outros traços sobre uma
pessoa, alguns traços de personalidade são mais influentes do que
outros. Isso também foi comprovado por Asch (1946).
O estudioso apresentou os mesmos sete adjetivos descritivos de um
professor para dois grupos diferentes de alunos, mas somente para um
dos grupos, alterou um deles: trocou “afetuoso” por “frio”. O grupo que
recebeu o adjetivo “afetuoso” considerou que o professor era feliz,
brincalhão, imaginativo, generoso. Já o grupo que tinha o adjetivo “frio”
considerou o professor sério, infeliz, sem senso de humor e de confiança.
Teoria implícita de personalidade
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No momento em que processamos as informações recebidas dos indivíduos
com quem entramos em contato, somos intensamente influenciados por
esquemas sociais. Lembrando que esquemas são, por definição, estruturas
cognitivas que têm como função organizar as informações ao redor de temas ou
tópicos.
Em 1954, os pesquisadores Bruner e Tagiuri (apud FERREIRA et al., 2011)
afirmaram que formulamos, em relação a outras pessoas, uma teoria implícita
de personalidade, por meio da qual associamos determinados traços a outros, e
esperamos correspondência entre eles e essas pessoas com as quais entramos
em contato.
Características positivas são normalmente atribuídas às pessoas de quem
gostamos ou admiramos. Por sua vez, características negativas são atribuídas
àquelas de quem não gostamos. Logo, a teoria implícita é relutante à mudança.
As teorias implícitas de personalidade
que formamos a respeito dos outros
organizam um esquema social. Ao
sermos apresentados a alguém, de
forma imediata, ativamos os
esquemas associados à profissão, ao
gênero, ao grupo étnico etc. na
impressão que formamos dessa
pessoa.
A partir do momento que estiver, então, formada uma primeira impressão,
assimilamos, facilmente, as características dessa pessoa, que harmonizam com
nossa primeira impressão, isto é, que são coerentes ou congruentes com aquela
primeira impressão formada sobre elas. Em contrapartida, tendemos a rejeitar
outras características que não harmonizam com ela.
Essa teoria se manifesta muito comumente na dificuldade que temos em alterar
nossas primeiras impressões acerca de outras pessoas.
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Vimos que nossa mente não registra um retrato fiel da
pessoa, e que nosso processo cognitivo é influenciado por
esquemas, estereótipos, heurísticas. De qualquer maneira, o
estudo da percepção social nos permite entender como
formamos impressões sobre outras pessoas e fazemos
inferências sobre elas.
Para isso acontecer, usamos diversas fontes de informação, como o
comportamento não verbal, os esquemas ou atalhos mentais, a interpretação
que fazemos do comportamento da pessoa e outras fontes. Muitas vezes,
erramos em nossas inferências e conclusões, o que nos leva a percepções
equivocadas, que podem ser difíceis de dissolver.
Percepção social e as teorias implícitas
de personalidade
Neste vídeo, a especialista expõe o conceito de percepção social e destaca o
papel das teorias implícitas de personalidade na percepção social. Além disso, é
feita uma reflexão sobre a tendência ao erro de julgamento.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Existem diversos estereótipos com os quais nos deparamos em diferentes
situações. Por exemplo, você já deve ter escutado a crença de que as
mulheres não sabem dirigir, ou de que os homens que choram não são
homens de verdade. Sobre estereótipos, é correto afirmar que:
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Parabéns! A alternativa E está correta.
Estereótipos são crenças compartilhadas sobre as características pessoais,
os traços de personalidade e dos comportamentos próprios de um grupo de
indivíduos. E há um consenso sobre eles.
Questão 2
Se uma pessoa é reconhecida como tranquila e calma, possivelmente, outras
pessoas tenderão a acrescentar que também é cuidadosa, metódica e
organizada. Essa constatação se baseia na teoria implícita de personalidade.
Sobre essa teoria, é correto afirmar que:
A Não é necessário um consenso.
B Não são crenças.
C São crenças não compartilhadas.
D Não são cognitivos.
E São crenças compartilhadas.
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Parabéns! A alternativa A está correta.
Imediatamente, ao conhecermos alguém, ativamos esquemas sociais, como,
por exemplo, gênero, profissão etc. Quando associamos determinados traços
a outros, esperamos correspondência entre a pessoa associada ao traço. O
problema dessa forma de perceber o outro é que temos dificuldade em alterar
nossas primeiras impressões acerca de outras pessoas quando fazemos uso
da teoria implícita de personalidade.
A
As percepções que temos a respeito dos outros organizam
um esquema social.
B
Não somos capazes de atribuir percepções positivas sobre o
outro.
C
Associamos determinados traços a outros e não esperamos
correspondência entre eles e essas pessoas com as quais
entramos em contato.
D
É muito fácil alterarmos nossas primeiras impressões acerca
de outras pessoas.
E
Quando conhecemos alguém, tendemos a atribuir
características positivas a pessoas que não gostamos.
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Considerações finais
A cognição social é o estudo da forma pela qual processamos a informação.
Nela, está incluída a forma como codificamos, armazenamos e recuperamos
informação de situações sociais.
Por isso, é uma ferramenta importante para entendermos as relações, as
emoções, os pensamentos, as intenções e as condutas sociais dos outros
indivíduos ou grupos. Ela gerencia em nossa mente a grande quantidade de
informações oriundas de nosso meio, como as heurísticas, os esquemas, as
crenças e as representações sociais.
É crucial compreender esse processamento, a fim de construir uma base sólida
de conhecimento científico a respeito do assunto.
Podcast
A especialista reflete sobre os conceitos de crenças, atitudes, valores,
estereótipos e preconceitos e apresenta o uso da cognição social para o estudo
do comportamento social, ilustrando a teorias das representações sociais e a
percepção social.
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Para conhecer melhor a percepção

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