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FÍSICA: CINEMÁTICA E DINÂMICA Prezado (a) aluno (a), Os movimentos circulares são comuns em nosso dia a dia, sendo observados na movimentação de brinquedos, como um carrossel em um parque, ou na própria translação da Terra ao redor do Sol, por exemplo. Quando estamos dirigindo e fazemos uma curva, a nossa movimentação também é circular, mesmo que parcialmente. Nesta aula, você vai estudar os principais conceitos do movimento circular e a relação entre as grandezas angulares e as grandezas lineares. Além disso, também vai verificar alguns exemplos e problemas sobre a temática. Bons estudos! AULA 1 – MOVIMENTO CIRCULAR 1 CONCEITO O movimento circular é caracterizado pela sua ocorrência como uma rotação ao redor de um eixo, mantendo um raio constante. Alguns exemplos ilustrativos desta espécie de movimento incluem o deslocamento de indivíduos em uma roda gigante e a trajetória orbital de um satélite em volta do nosso planeta Terra (Figura 1). Figura 1. Exemplos de movimentos circulares Fonte: shre.ink/nrFd A fim de explorarmos o movimento circular, é essencial adquirirmos compreensão de diversos conceitos. Nesta seção, serão abordados tópicos como coordenadas polares e angulares, deslocamento angular, velocidade angular, frequência angular, período, aceleração angular, aceleração centrípeta e força centrípeta. 1.1 Coordenadas polares Em relação aos movimentos circulares, é possível afirmar que o objeto em referência realiza um percurso em volta de uma circunferência. Embora suas coordenadas 𝑥 e 𝑦 possam mudar ao longo do tempo, a distância em relação ao centro, ou seja, o raio, mantém-se invariável. Diante disso, a utilização de coordenadas polares se mostra apropriada para a análise desses padrões de deslocamento. A Figura 2, apresenta os elementos essenciais para a compreensão das coordenadas polares no contexto do movimento circular. A representação visual inclui o vetor posição 𝑟 e o ângulo θ em relação ao eixo 𝑥. Dessa forma, podemos descrever o vetor posição através das coordenadas 𝑥 e 𝑦, bem como pelo seu valor absoluto e ângulo, ou seja, suas coordenadas polares. Figura 2. Coordenadas polares em relação ao movimento circular Fonte: Bauer, Westfall e Dias (2012). Ao examinarmos a geometria representada na Figura 2, também podemos identificar a conexão entre as coordenadas de maneira geométrica. As relações no caso das coordenadas polares, r e θ, e as coordenadas cartesianas, 𝑥 e 𝑦, conforme Bauer, Westfall e Dias (2012), são expressas da seguinte forma: 𝑟 = √𝑥2 + 𝑦2 e 𝜃 = 𝑡𝑔−1 ( 𝑦 𝑥 ) Por outro lado, as coordenadas cartesianas em relação às coordenadas polares são fornecidas por: 𝑥 = 𝑟 𝑐𝑜𝑠(𝜃) e 𝑦 = 𝑟 𝑠𝑒𝑛(𝜃) Uma vez que o raio se mantém invariável durante o movimento circular, é viável simplificar a descrição desse movimento focalizando unicamente na variação de θ, o que simplifica a abordagem do problema. A Figura 3 adicionalmente representa os vetores unitários em relação às coordenadas 𝑥 e 𝑦, assim como os vetores unitários ao longo das direções radial e tangencial do movimento, denotados como r̂ e t.̂ A angulação entre r̂ e x̂ é igual a θ. Isso nos permite estabelecer conexões entre esses vetores unitários. Geometricamente, é possível expressar isso da seguinte maneira: �̂� = 𝑥 𝑟 �̂� + 𝑦 𝑟 �̂� = cos(𝜃) �̂� + sen(𝜃) �̂� ≡ (cos(𝜃) , sen(𝜃) ) �̂� = − 𝑦 𝑟 �̂� + 𝑥 𝑟 �̂� = − sen(𝜃) �̂� + cos(𝜃) �̂� ≡ (−sen(𝜃) , cos(𝜃) ) Figura 3. Vetor unitário �̂� e a sua relação com o ângulo 𝜃 Fonte: Bauer, Westfall e Dias (2012). 1.2 Coordenadas angulares de deslocamento angular Conforme discutido anteriormente, no contexto do movimento circular, o raio mantém-se inalterado, sendo a variação temporal associada ao ângulo θ. Em outras palavras, o ângulo pode ser expresso como uma função do tempo, 𝜃(𝑡). Duas unidades amplamente empregadas para medir ângulos são: radianos (rad) e graus (°). Considerando um ciclo completo, obtemos um ângulo de 360° ou 2π radianos. A partir dessas informações, é possível estabelecer a relação entre θ, π e radianos. Então: 𝜃(°) 𝜋 180 = 𝜃(𝑟𝑎𝑑) ou 𝜃(𝑟𝑎𝑑) 𝜋 180 = 𝜃(°). Adicionalmente, é importante notar que: 1𝑟𝑎𝑑 = 180° 𝜋 ≈ 57,3°. É relevante observar que o ângulo θ pode apresentar valores tanto positivos quanto negativos, no entanto, o ângulo é periódico, o que significa que após uma rotação inteira, o valor de θ retorna ao ponto de partida. A definição de deslocamento angular, compreende a diferença entre os ângulos de dois pontos, expresso da seguinte forma: ∆𝜃 = 𝜃2 − 𝜃1 Volte à Figura 2, e observe que temos a representação de um arco de extensão 𝑠, destacado em verde. Tal comprimento é denominado como comprimento de arco e possui uma relação entre o ângulo e o raio, expressa por: 𝑠 = 𝑟𝜃. Para uma circunferência completa, a relação é s = 2πr, onde o comprimento compartilha uma unidade semelhante a do raio. 1.3 Velocidade angular, frequência angular e período A definição de velocidade angular abrange a alteração nas coordenadas angulares. Conforme Bauer, Westfall e Dias (2012), o valor médio da velocidade angular é expresso por: �̅� = 𝜃2 − 𝜃1 𝑡2 − 𝑡1 = ∆𝜃 ∆𝑡 Quando o intervalo de tempo tende a zero, obtemos a velocidade angular instantânea, então: 𝜔 = lim ∆𝑡⟶0 ∆𝜃 ∆𝑡 ≡ 𝑑𝜃 𝑑𝑡 , a unidade amplamente empregada para medir a velocidade angular é radianos por segundo: 𝑟𝑎𝑑/𝑠. A determinação da direção e orientação do vetor de velocidade angular é possível através da aplicação da regra da mão direita (Figura 4). A direção é estabelecida pelo eixo que é perpendicular ao plano do círculo, enquanto o sentido é influenciado pela direção da rotação. Em caso de rotação no sentido horário, a velocidade aponta para cima, tal como ilustrado na Figura 3, ou para baixo no caso inverso. Para aplicar a regra da mão direita, basta estender os dedos no sentido de rotação, e o polegar indicará a direção da velocidade angular. Figura 4. Regra da mão direita Fonte: Bauer, Westfall e Dias (2012). A frequência angular, representada por 𝑓, indica a taxa de variação do ângulo em relação ao tempo, logo, a quantidade de ciclos é completada em um determinado intervalo de tempo. Sua expressão é a seguinte: 𝑓 = 𝜔 2𝜋 ⇔ 𝜔 = 2𝜋𝑓. A unidade comum de frequência é o Hertz, sendo 1 Hz equivalente a 1s-1. Quanto ao período de rotação T, sua formulação é a seguinte: 𝑇 = 1 𝑓 O período é uma medida que representa o tempo necessário para que o ângulo retorne ao seu valor inicial, ou seja, o intervalo de tempo para completar uma volta ao redor da circunferência. Ao estabelecer uma relação entre essas variáveis, podemos expressar da seguinte maneira: 𝜔 = 2𝜋𝑓 = 2𝜋 𝑇 . 1.4 Velocidade angular e velocidade linear É possível estabelecer a conexão entre a velocidade angular e linear para um movimento circular. Iniciaremos essa análise calculando a velocidade linear. Primeiramente, expressaremos o vetor posição radial em coordenadas cartesianas e, subsequentemente, procedemos à sua derivação em relação ao tempo. Dessa forma, chegamos a: 𝑟 = 𝑥�̂� + 𝑦�̂� = (𝑥, 𝑦) = (𝑟 cos(𝜃), 𝑟 sen(𝜃)) = 𝑟(cos(𝜃), sen(𝜃)) = 𝑟�̂� �⃗� = 𝑑𝑟 𝑑𝑡 = 𝑑 𝑑𝑡 (𝑟 cos(𝜃), 𝑟 sen(𝜃)) = ( 𝑑 𝑑𝑡 (𝑟 cos( 𝜃)), 𝑑 𝑑𝑡 (𝑟 sen( 𝜃))) Dado que a distância 𝑟 permanece invariável, podemos formular da seguinte maneira: �⃗� = (𝑟 𝑑 𝑑𝑡 (cos(𝜃)), 𝑟 𝑑 𝑑𝑡 (sen(𝜃))) = (−𝑟 sen(𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝑡 , 𝑟 cos(𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝑡 ) = (− sen(𝜃), cos( 𝜃))𝑟 𝑑𝜃 𝑑𝑡 Em outras palavras, é possível expressar da seguinte forma: �⃗� = 𝑟𝜔�̂� Consequentemente, o vetor velocidade é tangencial à trajetória percorrida e, adicionalmente, encontra-se constantemente perpendicular ao vetor posição,o qual se orienta na direção radial (Figura 5). Figura 5. Velocidade linear no movimento circular Fonte: Bauer, Westfall e Dias (2012). Ao calcularmos o valor absoluto de ambos os lados da equação, resulta numa correlação entre os módulos das velocidades, ou seja: 𝑣 = 𝑟𝜔. 1.5 Aceleração angular e centrípeta Conforme Bauer, Westfall e Dias (2012), a aceleração angular 𝛼 é determinada pela taxa de mudança da velocidade angular. Seu valor médio é expresso conforme: �̅� = ∆𝜔 ∆𝑡 . Dessa forma, o vetor de aceleração instantânea é estabelecido como: 𝛼 = lim ∆𝑡→0 �̅� = lim ∆𝑡→0 ∆𝜔 ∆𝑡 ≡ 𝑑𝜔 𝑑𝑡 = 𝑑2𝜃 𝑑𝑡2 Quanto à aceleração, é possível determinar uma relação entre a aceleração angular e a linear, através das direções tangencial e radial. Utilizando o vetor velocidade previamente obtido e a regra do produto de diferenciação (ANTON; BIVENS; DAVIS, 2014), podemos expressar o seguinte: �⃗�(𝑡) = 𝑑 𝑑𝑡 �⃗�(𝑡) = 𝑑 𝑑𝑡 (𝑣�̂�) = 𝑑𝑣 𝑑𝑡 �̂� + 𝑣 𝑑�̂� 𝑑𝑡 Portanto, o vetor de aceleração é composto por duas componentes distintas. A primeira é a componente tangencial, derivada da variação na magnitude da velocidade. Em sequência é a componente radial, originada pela situação de que o vetor velocidade tangencial deve modificar sua direção através da sua trajetória. Vamos examinar essas componentes de forma individual. Ao derivarmos 𝑣 em relação ao tempo, temos: 𝑑𝑣 𝑑𝑡 = 𝑑 𝑑𝑡 (𝑟𝜔) = 𝑑𝑟 𝑑𝑡 𝜔 + 𝑟 𝑑𝜔 𝑑𝑡 = 0𝜔 + 𝑟𝛼 = 𝑟𝛼. Assim, estabelecemos a conexão entre a aceleração angular e a variação da velocidade ao longo do tempo. Agora, concentraremos nossa análise na derivada do segundo termo da aceleração. Podemos expressar isso da seguinte maneira: 𝑑�̂� 𝑑𝑡 = 𝑑 𝑑𝑡 (− sen(𝜃), 𝑐𝑜𝑠(𝜃)) = ( 𝑑 𝑑𝑡 (− sen(𝜃)), 𝑑 𝑑𝑡 (− cos(𝜃))) = (− cos(𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝑡, − sen(𝜃) 𝑑𝜃 𝑑𝑡 ) = − 𝑑𝜃 𝑑𝑡 (cos (𝜃), sen(𝜃)) = −𝜔�̂� Agora, podemos representar o vetor aceleração da seguinte forma: �⃗�(𝑡) = 𝑟𝛼�̂� − 𝑣𝜔�̂� Na Figura 6, é ilustrada a relação entre a aceleração linear e suas componentes em relação à aceleração angular. A aceleração, portanto, tem duas componentes: uma radial e outra tangencial, ambas dependentes do valor de 𝛼. A aceleração que altera a direção do vetor velocidade sem modificar seu módulo é conhecida como aceleração centrípeta, denotada por 𝑎𝑐, e direciona para o centro, na direção radial. Com base nisso, podemos expressar o seguinte: �⃗� = 𝑎𝑡�̂� + 𝑎𝑐�̂� Desse modo, o valor da aceleração centrípeta é determinado por: 𝑎𝑐 = 𝑣𝜔 = 𝑣2 𝑟 = 𝑤2𝑟 Figura 6. Relações entre aceleração linear, componentes e aceleração angular Fonte: Bauer, Westfall e Dias (2012). Enquanto isso, o valor da aceleração é determinado por: 𝑎 = √𝑎𝑡 2 + 𝑎𝑐 2 = √(𝑟𝛼)2 + (𝑟𝜔2)2 = 𝑟√𝛼2 + 𝜔4 1.5.1 Força centrípeta A força centrípeta é aquela requerida para a aceleração centrípeta em um movimento circular. Ela direciona-se para o centro e seu valor é expresso como: 𝐹𝑐 = 𝑚𝑎𝑐 = 𝑚𝑣𝜔 = 𝑚 𝑣2 𝑟 = 𝑚𝜔2𝑟 Onde "𝑚" representa a massa do objeto em consideração. 1.6 Movimentos circular e linear Com base no conteúdo abordado na seção anterior, é possível estabelecer conexões entre as quantidades lineares e as quantidades angulares no contexto do movimento circular. A Figura 7 sintetiza essas interações. Figura 7. Relações entre as grandezas lineares e angulares no movimento circular Fonte: Bauer, Westfall e Dias (2012). Exemplo 1 - O deslocamento angular de um corpo em rotação é expresso por: 𝜃(𝑡) = 5𝑡2 Considerando o tempo 𝑡 em segundos e θ em radianos, com um raio de 1,0 m, determine a velocidade e a aceleração angulares, bem como suas correspondentes grandezas lineares. Para calcular a velocidade angular, empregamos: 𝜔(𝑡) = 𝑑𝜃(𝑡) 𝑑𝑡 = 𝑑 𝑑𝑡 (5𝑡2) = 10 𝑡 rad/s2. A aceleração angular é expressa como: 𝛼 = 𝑑𝜔 𝑑𝑡 = 𝑑 𝑑𝑡 (10 t rad/s2) = 10 rad/s2. As correspondentes grandezas lineares são definidas como: 𝑣 = 𝑟𝜔 = (1,0 m) ⋅ (10𝑡 l/𝑠2) = 10𝑡 m/s2 𝑎𝑡 = 𝑟𝑎 = (1,0 m) ⋅ (10 l/𝑠2) = 10 m/s2 𝑎𝑐 = 𝜔2𝑟 = (10𝑡 l/𝑠2)2 ⋅ (1,0m) = 100𝑡2m/s4 Ao empregarmos essas interconexões entre as quantidades lineares e angulares, conseguimos compreender e solucionar uma variedade de problemas relacionados ao movimento circular. Exemplo 2 - Os planetas no sistema solar exibem tanto movimentos de rotação quanto de translação. A órbita da Terra em volta do Sol assume uma forma próxima da forma circular, com um período anual. Calcule a frequência angular, a velocidade angular e a velocidade linear da Terra. Utilize uma distância de 1,49 ⋅ 1011 m entre a Terra e o Sol. A duração da órbita da Terra em volta do Sol corresponde a um ano. Ao converter para segundos, obtemos: 𝑇 = 1 ano ⋅ 365 dias 1 ano ⋅ 24 h 1 dia ⋅ 3600 s 1h = 3,15 ⋅ 107s A frequência é calculada através de: 𝑓 = 1 𝑇 = 1 3,15 ⋅ 107s = 3,17 ⋅ 10−8Hz A velocidade angular é calculada através de: 𝜔 = 2𝜋𝑓 = 2𝜋 ⋅ 3,17 ⋅ 10−8Hz = 1,99 ⋅ 10−7rad/s Finalmente, a velocidade linear é determinada por: 𝑣 = 𝑟𝜔 = (1,49 ⋅ 1011m) ⋅ (1,99 ⋅ 10−7rad s ) = 2,97 ⋅ 104m/s Ao converter para km/h, obtemos: 𝑣 = 2,97 ⋅ 104 10−3km 1 3600 h = 106,92 ⋅ 103km/h Como é evidente, a velocidade é consideravelmente elevada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTON, H.; BIVENS, I.; DAVIS, S. Cálculo. 10. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014. v. 1. BAUER, W.; WESTFALL, G. D.; DIAS, H. Física para universitários: mecânica. Porto Alegre: AMGH, 2012. KNIGHT, R. D. Física: uma abordagem estratégica. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. v. 1. MARQUES, G. C.; UETA, N. Mecânica (Universitário). 𝐼𝑛: E-Física. São Paulo: USP, 2007. . SAFIER, F. Pré-cálculo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2011. (Coleção Schaum).