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Babesiose e Erliquiose

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Porém, a fase aguda pode não ser 
evidente, passando despercebida pelo proprietário, e os sinais clínicos desaparecem sem 
tratamento dentro de uma a quatro semanas, mas o hospedeiro permanece com a infecção 
subclínica (NELSON; COUTO, 2001; OLICHESKI, 2003; MENDONÇA et al., 2005; CHAVES;
LEITE; NAVECA, 2007).
Figura 11: Equimoses e petéquias.
Fonte: CHAVES et al., 2007.
Figura 12: Equimoses e petéquias na mucosa oral de 
cão com erliquiose.
Fonte: http://www.cfsph.iastate.edu/
Figura 13: Uveíte: A – Congestão é hiperemia. B-Uveíte anterior com conjuntivite, 
miose e edema de córnea. C-Hemorragia conjuntival e edema de córnea. D-Uveíte 
com glaucoma secundaria, hipervascularização e bulftalmia.
Fonte: CHAVES et al., 2007.
Na fase aguda, alguns achados laboratoriais incluem: proliferação de células 
megacariocíticas e da série mielóide na medula óssea, aumento dos níveis plasmáticos de alanina 
aminotransferase (ALT), fosfatase alcalina (FA), proteínas c-reativas (CRP) e de alfa-1-ácido-
glicoproteínas (AAG). A bilirrubina total também se mostra elevada, devido à hemólise, podendo 
causar uma icterícia branda. Uma hiperproteinemia também é um achado comum, devido ao 
aumento das gamaglobulinas (OLICHESKI, 2003).
Olicheski (2003) alerta sobre a possibilidade de que infecções agudas por E. canis
possam ser imunossupressoras para cães infectados com Babesia canis, pois já foram 
observados casos em que a manifestação clínica da babesiose estava relacionada com infecções 
agudas de erliquiose.
A fase subclínica se caracteriza pela persistência do parasita no hospedeiro, após 
uma aparente recuperação da fase aguda. Essa fase pode se prolongar por meses ou anos 
sendo, em sua maioria, casos assintomáticos ou com sinais clínicos brandos. Os animais podem 
ficar assintomáticos por 40 a 120 dias. Em alguns casos pode ocorrer poliúria, polidipsia, vômitos, 
hematúria e ulcerações na cavidade oral. Alterações laboratoriais como citopenias e 
hiperglobulinemia, trombocitopenia, neutropenia, linfocitose, monocitose e hipoalbuminemia
podem ser verificadas. Nesta fase, os títulos são positivos para Ehrlichia. Em geral, esta fase 
termina com epistaxe, hemorragias generalizadas e insuficiência renal progressiva. Cães 
imunocompetentes podem debelar a infecção e eliminar o parasita nesta fase, mas cães com a 
imunidade comprometida, submetidos a estresse ou tratamentos imunossupressores podem 
desenvolver a fase crônica da doença (NELSON; COUTO, 2001; ALMOSNY; MASSARD, 2002; 
OLICHESKI, 2003; SHERDING, 2008).
Na fase crônica, os animais se apresentam apáticos e caquéticos com diversas 
infecções secundárias. Também podem apresentar epistaxe, melena, hematúria, hematose, 
infecções oculares, pulmonares, do sistema nervoso, hepatomegalia, linfadenopatia, 
esplenomegalia, dor abdominal, arritmias e déficits de pulso, poliúria e polidipsia, presença de 
articulações aumentadas e dolorosas a palpação, andar rígido e claudicação (NELSON; COUTO, 
2001; CHAVES et al., 2007).
Normalmente, nesta fase, os sinais podem ser os mesmos da fase subclínica, 
porém mais exacerbados. A glomerulonefrite é um achado comum, e a combinação de tendências 
hemorrágicas, palidez, sensibilidade abdominal e sinais compatíveis com meningoencefalite são 
típicas de cães em fase crônica. A principal característica é a hipoplasia medular, que resulta em 
pancitopenia severa, com anemia aplásica, monocitose, linfocitose, leucopenia e diminuição da 
concentração de gamaglobulina. Em consequência da neutropenia, combinada aos demais 
fatores, há um comprometimento do estado imunológico dos animais acometidos, tornando-os 
suscetíveis a infecções secundárias (OLICHESKI, 2003).
Em todas as fases da doença o cão pode apresentar hipoalbuminemia, resultante 
da anorexia, que leva à diminuição da ingestão de proteínas, perda de peso e de fluidos 
inflamatórios edematosos, como consequência de vasculite, decréscimo da produção de proteínas 
devido a doenças hepáticas concomitantes e proteinúria (OLICHESKI, 2003).
2.2.5. Diagnóstico
O diagnostico pode ser clínico e/ou laboratorial, onde o diagnostico clínico é 
realizado através da suspeita pelos sintomas. O diagnostico laboratorial se dá através de 
hemograma, exames bioquímicos e urinálise. No exame hematológico identifica-se 
trombocitopenia, anemia normocítica, normocrômica, eosinopenia, linfopenia e desvio nuclear de 
neutrófilos para esquerda, sendo estes achados predominantes durante a infecção por E. canis
(NELSON; COUTO, 2001; MENDONÇA et al., 2005).
O diagnóstico laboratorial mais comum é realizado através da observação de 
mórulas em esfregaços de sangue periférico, de ponta de orelha, porém nem sempre são 
encontrados os parasitas. Quando isto ocorre, faz-se necessário a inclusão de testes sorológicos, 
como a técnica de imunofluorecência indireta, e/ou PCR, este especialmente para detectar a 
espécie envolvida (ALMOSNY; MASSARD, 2002; LIBERATI et al., 2009).
Outra técnica que pode ser utilizada é o aspirado de medula óssea, na fase 
crônica, o que geralmente revela uma hipocelularidade acentuada, raros megacariócitos e 
elementos eritrócitos e mielóides ocasionais. A hipoplasia mielóide, eritóide e megacariocítica 
presente na fase crônica estão associadas à hiperplasia linfóide e de plasmócitos (NELSON, 
COUTO, 2001).
Segundo Almosny (1998), o diagnóstico pelo método de ELISA é pratico e o mais 
barato, porém resultados falso-positivos são frequentes, já que este método detecta anticorpos, 
resultando em um diagnóstico positivo indicando que o animal está ou esteve em contato com o 
antígeno.
É importante realizar um diagnóstico diferencial com babesiose para excluir a 
possibilidade desta infecção, visto terem semelhança clínica, ou constatar uma concomitância das 
doenças, o que é comum, visto possuírem o mesmo carrapato como vetor. Essa identificação
pode ser constatada através de exame hematológico, com evidenciação da Babesia nos eritrócitos
(CHAVES; LEITE; NAVECA, 2007). 
Outra doença a ser verificada é a leishmaniose, pois pode causar confusão nos 
casos crônicos pela epistaxe. Pesquisam-se as Leishmanias em um esfregaço efetuado a partir de 
uma punção ganglionar ou de medula óssea. Também devem ser excluídas as parasitoses por 
vermes e as doenças carenciais. A forma cutânea da erliquiose (sintomas cutâneos) é semelhante 
à forma exantemática da cinomose canina, portanto também se deve fazer diferencial com 
cinomose (CHAVES; LEITE; NAVECA, 2007).
Cães em fase crônica de erliquiose apresentam sintomas semelhantes a 
intoxicação por estrógenos, pancitopenia imunomediada e doenças associadas a disfunções de 
órgãos específicos, como glomerulonefrites, além de assemelhar-se ao mieloma múltiplo ou 
leucemia linfocítica crônica (OLICHESKI, 2003).
2.2.6. Tratamento
As tetraciclinas e seu derivado doxiciclina constituem as drogas de escolha para 
os cães com erliquiose, porém Couto (2003) expressa sua preferência pela doxiciclina, sugerindo 
a dose de 2,5 a 5 mg/kg, VO (via oral), a cada 12 a 24 horas por 10 a 14 dias.
Além do citado por Couto (2003), Olicheski (2003) diz que a literatura cita várias 
dosagens e tempo de duração diferentes para o tratamento da erliquiose com doxiciclina. Por 
exemplo, autores utilizam a dosagem de 5 mg/kg ao dia por 7 a 10 dias na fase aguda e 10 mg/kg 
ao dia por 7 a 21 dias na fase crônica, enquanto alguns recomendam prolongar o tratamento por 
mais de 6 semanas, no caso de erliquiose subclínica.
Brandão (2010) usa a doxiciclina na dose de 5 mg/kg a cada 12 horas por 21 dias. 
Chaves, Leite e Naveca (2007) citam a dose de doxiciclina de 10mg/kg SID (uma vez ao dia) via 
oral, durante 28 dias como o tratamento de eleição. Varela (2003) cita a mesma dose e tempo de 
tratamento, porem inclui a possibilidade de administração de 12 em 12h.
A doxiciclina é uma clortetraciclina e apresenta