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PRIMEIROS 1000 DIAS DE VIDA: 
Definição: gestação e dois dos primeiros anos de vida no crescimento e desenvolvimento da criança, com repercussões no seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social (comportamental). 
Uma alimentação saudável, uma família amorosa e cuidadora, a estimulação e interação adequada e a proteção da criança de situações de violência ou negligência são muito importantes para a promoção do crescimento e desenvolvimento integral na primeira infância. 
Os primeiros 1000 dias de vida englobam: 
Gestação (270 dias)
Primeiro ano de vida (365 dias) 
Segundo ano da criança (365 dias); 
Representam uma oportunidade única para instalação de hábitos alimentares saudáveis,
Capazes de contribuir para prevenção de DCNT no futuro: 
Doenças cardiovasculares
Câncer
Diabetes
Doenças respiratórias crônicas 
Transtornos mentais, como a depressão
“Janela de oportunidades” 
Momento ideal e estratégico para intervenções de prevenção, com profissionais que motivem as mães a adoção de práticas alimentares saudáveis, antes e durante a gravidez.
Nutrição dos bebês para uma saúde ideal durante a infância, adolescência e decorrer de toda a vida
Princípios mais importantes dos Primeiros 1000 Dias
Nutrição
Segundo OMS: 
Inclui uma dieta equilibrada da mãe na gravidez
Aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida do bebê 
Depois dos 6 primeiros meses: introdução de alimentos, como água, sucos, chás e papinhas.
Há estudos (Unicef) que mostram que o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida favorece o desempenho intelectual e que a nutrição correta reduz o risco de desenvolver obesidade e doenças cardiovasculares quando adulto
Afeto
Carinho, afeto e contato físico são essenciais para estabelecer e fortalecer os vínculos entre pais e filhos e ajudam até a aumentar a imunidade do bebê.
Experiências vividas na primeira infância afetam a formação do cérebro da criança em áreas relacionadas com a empatia e as emoções. 
O hipocampo (parte do cérebro relacionada à memória, aprendizagem e autocontrole) cresce duas vezes mais rápido nas crianças que recebem mais apoio emocional da mãe.
Estímulo
Brincar -> uma das atividades mais importantes da criança, desde o nascimento
Estudo (UFPEL) com crianças de 2 e de 4 anos mostrou que as que têm contato com livros, visitam outras pessoas ou brincam em parques ou praças nos primeiros 2 anos de vida apresentam melhores resultados em testes específicos de memória, inteligência e cognição.
As conexões entre neurônios, conhecidas como sinapses, começam a acontecer logo após o nascimento para transmitirem e absorverem informações, chegando a até 3 milhões de sinapses por segundo em um recém-nascido.
Quanto maior for a rede de conexão entre os neurônios da criança, maior sua criatividade e capacidade para relacionar diferentes temas, se comunicar, analisar situações e solucionar quebra-cabeças.
Quando existe uma grande diversidade de estímulos sensoriais, a criança tem um leque enorme de ferramentas mentais para usar no futuro e aprender cada vez mais e com maior facilidade. Por isso é tão importante que tenham espaço para se movimentar e explorar o mundo com suas mãos, pés, boca, nariz e ouvidos, além de terem a chance de se expressar e comunicar.
A triagem do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) = processo de aplicação de testes. 
Fatores associados a atrasos 
Destacam-se aspectos que vão desde:
Concepção
Gravidez e parto
Causas neurológicas
Má nutrição
Fatores ambientais
Familiares 
Socioeconômicos
Ocasionando condições de atraso permanentes ou transitórias 
-> acompanhamento infantil adequado e periódico.
Principal instrumentos de triagem do DNPM: Teste de Triagem de Desenvolvimento Denver II (TTDD II)
Praticidade, baixo custo e rápida aplicação
Avalia as áreas: 
Pessoal-social
Motricidade fina 
Motor grosso
Linguagem
Pode ser aplicado em crianças de 0 a 6 anos, classificando-as como normais ou em suspeita de atraso de desenvolvimento. 
Atraso na fala
Dificuldade sensorial (falha da audição)
Alterações do neurodesenvolvimento como Deficiência Intelectual e Autismo
Distúrbios específicos de linguagem ou apraxia da fala (criança tem a ideia do que quer comunicar, mas seu cérebro falha ao planejar e programar a sequência de movimentos para produzir sons da fala.)
Evolução do desenho da criança
A partir dos 18 meses de vida que a criança começa a se aventurar no exercício do grafismo.
Resultado de movimentos pouco controlados, produzidos pela articulação do ombro, na forma de ziguezague ou varredura.
Esse traçado é puramente motor, lúdico e não tem nenhuma intencionalidade representacional
De 2 a 3 anos 
A articulação do cotovelo e posteriormente do pulso permitem o surgimento de traços arredondados, e sua combinação com as retas amplia a possibilidade de representação
As crianças começam atribuir sentido aos seus rabiscos -> passam a representar algo. 
Não há uma intencionalidade representativa
Até os 4 anos 
A motricidade fina apresenta avanços expressivos. 
O movimento de pinça permite que a criança segure o lápis de forma adequada e a articulação do pulso e das falanges permite um maior controle do traçado. 
Final da fase é marcado pelo surgimento das primeiras tentativas de representação do corpo humano
4 aos 6 anos
Melhor elaboração das figuras
Ganham detalhes, movimento, profundidade, contextos, perspectivas
6 anos até os 10
O desenho da criança vai perdendo espontaneidade e ganhando intencionalidade. 
Desenho vai se tornando uma atividade mental
Fase denominada de realismo visual e representa o auge do desenvolvimento do desenho infantil.
Jean Piaget – Etapas do Desenho Infantil
Jean Piaget 
Biólogo 
Nasceu na Suíça
Influenciou a pedagogia do século XX. 
Primeiras obras aparecem na década de 1920 -> grande repercussão 
Trabalhos sobre psicologia genética, que investiga o desenvolvimento cognitivo da criança desde o nascimento até a adolescência. 
Ao estudar o desenvolvimento da criança, Piaget demonstra como a própria é agente de seu desenvolvimento.
Quatro determinantes básicos: a maturação do sistema nervoso central, a estimulação do ambiente físico, a aprendizagem e a tendência do equilíbrio.
No processo de ensino e aprendizagem a capacidade do aluno em aprender depende não somente do ensino, mas também das formas de pensamento que ele predispõe para assimilar o ensino
Mecanismo da equilibração tem um jogo duplo de assimilação e de acomodação e depois, busca permanente equilíbrio entre a tendência dos esquemas para assimilar a realidade e a tendência contraria de se acomodar e modificar-se atendendo as suas resistências e exigências. 
ECA - CAPÍTULO III – Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária. 
Art. 19. É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral.
Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais.
Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de:
I – Maus-tratos envolvendo seus alunos; 
II – Reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares; 
III – Elevados níveis de repetência.
Negligência e abandono 
Omissões dos pais ou de outros responsáveis (inclusive institucionais) pela criança e pelo adolescente, quando deixam de prover as necessidades básicas para seu desenvolvimento físico, emocional e social. O abandono é considerado uma forma extrema de negligência
Negligência 
Significa a omissão de cuidados básicos como a privação de medicamentos
Falta de atendimento aos cuidados necessários com a saúde
Descuido com a higiene
Ausência de proteção contra as inclemências do meio comoo frio e o calor
O não provimento de estímulos e de condições para a frequência à escola
A notificação cabe a qualquer cidadão que é testemunha ou tome conhecimento e tenha provas de violações dos direitos de crianças e adolescentes. Ela pode ser feita até mesmo de forma anônima aos vários serviços de proteção da infância e da juventude mais próximos como os SOS, Disque Denúncia, e tantas outras organizações criadas para essa finalidade. 
A elas caberá sempre repassar tais informações aos Conselhos Tutelares mais próximos à residência da vítima. 
O artigo 245 do ECA define como infração administrativa a não comunicação de tais eventos, pelos médicos, professores ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, à autoridade competente, sujeita à multa de três a vinte salários de referência
Constrangimento por parentes, seja lhes dirigindo ofensas ou até mesmo agressões. O Estatuto da Criança e do Adolescente tem um artigo específico para esse tipo de situação a que crianças podem estar submetidas, que prevê pena de detenção de seis meses a dois anos.
Disque 100, criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, recebe, encaminha e monitora denúncias de violência contra crianças e adolescentes. 
Conselho Tutelar 
É uma instituição criada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente nos artigos 131 a 140, com a importantíssima missão de zelar pelo cumprimento de todos os direitos garantidos a esses indivíduos em formação. É um “órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente definidos nesta lei”. 
O serviço do Plantão do Conselho Tutelar realiza atendimento das 17h às 8h (segunda a sexta-feira) e 24 horas por dia aos sábados, domingos e feriados.
SUBSEÇÃO II – Da Guarda. Art. 33. 
A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais
Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar: 
I – atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII; 
II – atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII; 
III – promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:
V – encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente; 
V – encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência; 
VI – providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato infracional; 
VII – expedir notificações; 
VIII – requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário; 
IX – assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;
 X – representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no art. 220, 
§ 3o, inciso II, da Constituição Federal; 
XI – representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural; 
XII – promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais, ações de divulgação e treinamento para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e adolescentes. 
Entender como o ambiente e a subnutrição influenciam no desenvolvimento neuronal e comportamental, apontando como é avaliado o desenvolvimento da crinaça
O desenvolvimento infantil pode ser entendido como um processo vital que resulta da interação entre os fenômenos de crescimento, maturação e aprendizagem. 
Ausência ou a deficiência de relações sustentadoras e vínculos afetivos dos cuidadores para com a criança podem resultar em comprometimento significativo do sistema nervoso central e das funções cognitivas e emocionais
No que se refere ao desenvolvimento motor, o acompanhamento das aquisições é feito por meio de: avaliação observacional da motricidade espontânea, provocada, liberada e dirigida; avaliação do tônus muscular; avaliação das reações e dos reflexos primitivos; observação do desenvolvimento motor normal e avaliação por meio de instrumentos padronizados de medidas motoras.
Avaliação observacional 
Motricidade Espontânea
Forma como ele se apresenta espontaneamente. O 
bebê necessita estar em estado de alerta e o examinador não precisa necessariamente entrar em contato visual com ele.
Deve ser avaliado no período entre as mamadas, pois logo após esta, o bebê pode apresentar sonolência e com a movimentação ativa diminuída.
1. Os movimentos da criança são simétricos. 
2. As mãos da criança se abrem e fecham espontaneamente. 
3. Os membros superiores e inferiores apresentem algum grau de liberdade em sua movimentação, que será maior à medida que a roupa for retirada, e atingirá sua amplitude no momento que o bebê estiver sem roupa e em ambiente aquecido. 
4. Os movimentos de “busca e fuga” ocorram nos membros superiores, tendendo a linha média. Se estiver sobre a influência do Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (RTCA), o padrão de movimentação muda, ficando mais assimétrico, conforme a posição de lateralização da cabeça (extensão dos membros do lado para o qual a face está voltada, principalmente do membro superior, e flexão dos membros do lado contralateral). 
5. Os movimentos dos membros inferiores serão menos amplos do que os movimentos dos membros superiores, imitando ocasionalmente o pedalar, ora fletindo-se, ora estendendo-se, simétricos
Motricidade Provocada
Complemento da motricidade espontânea. 
É o examinador que provoca a motricidade do bebê por meio do contato visual, estimulando seu corpo na região do abdômen 
Observar reações:
1. Ocorrência de aumento brusco da movimentação espontânea dos membros superiores, isto é, se os movimentos são rápidos e amplos ou se continuam tendendo a linha média. 
2. Simetria da qualidade da movimentação em todo o corpo e se as mãos abrem e fecham. 
3. Movimentação dos membros inferiores acompanhando o aumento geral da movimentação e se os movimentos amplos de flexão e extensão aumentam.
Motricidade Liberada 
Motricidade observada quando se sustenta com uma das mãos a nuca da criança semissentada, deixando o corpo livre para a movimentação espontânea. 
Observar reações: 
1. Se o padrão de movimentos amplos diminui e melhora a qualidade dos movimentos dos membros superiores, tornando-se mais complexos. 
2. Se as mãos se encontraram preferencialmente abertas.
3. Se há endireitamento da cervical e tronco
Motricidade Dirigida 
Mediante estímulos feitos no corpo da criança, dirigindo seu movimento. 
O examinador deve cuidar para que o estímulo sensorial seja delicado, apenas um roçar de pano ou da sua mão. 
Deve também ser rápido, leve e repetido.
 A presença de hipertonia compromete os movimentos, restringindo a movimentação ativa, podendo ocorrer mecanismos de concentração excessiva, perda de seletividade e ação muscular fora de fase
Avaliação do Tônus Muscular 
Aborda-se o tônus tomando-se como referência o bebê a termo – 
Quatro padrões de tônus muscular denominados: 
Primeiro e segundo padrão flexor
Primeiro e segundo padrão extensor. 
Todos os movimentos tendem à linha média 
Descarga de peso corporal concentra na região cervical, em função da flexão do quadril e consequente elevação da pelve 
A experiência em extensão nessa fase é desencadeada pelo reflexo de moro e a reação positiva de suporte
Referências: 
Primeiros Mil Dias: a importância de nutrir, cuidar e estimular (primeiros1000dias.com.br)
https://www.colegioflorenca.com.br/blog/estimulos-sensoriais-e-o-desenvolvimento-do-bebe/#:~:text=Além%20disso%2C%20os%20estímulos%20durante,o%20cérebro%20jovem%20guardará%20a
https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/224/1/01d11t01.pdfhttps://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/534718/eca_1ed.pdf
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