A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
61 pág.
Apostila de Direito Constitucional (resumão)

Pré-visualização | Página 1 de 14

Apostila de Direito Constitucional 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2014 
 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
Direito constitucional é o ramo do direito público interno dedicado à análise e 
interpretação das normas constitucionais. Tais normas são compreendidas 
como o ápice da pirâmide normativa de uma ordem jurídica, consideradas Leis 
Supremas de um Estado soberano, e tem por função regulamentar e delimitar 
o poder estatal, além de garantir os direitos considerados fundamentais. O 
Direito constitucional é destacado por ser fundamentado na organização e no 
funcionamento do Estado e tem por objeto de estudo a constituição política 
desse Estado. 
CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO: 
Constituição deve ser entendida como lei fundamental e suprema de um 
Estado, que contém normas referentes à estruturação do Estado, à formação 
dos poderes públicos, forma de governo e aquisição do poder de governar, 
distribuição de competências, direitos, garantias e deveres dos cidadãos. 
Em seu Direito Constitucional Esquematizado, Pedro Lenzadestaca alguns 
sentidos auxiliam a definir o conceito de "Constituição": 
Sociológico 
Em seu sentido sociológico o autor destaca Ferdinand Lassale para quem uma 
Constituição só seria legítima se representasse o efetivo poder social 
refletindo, assim, as forças sociais que constituem o poder. Nos casos em que 
tal não acontece, a constituição seria ilegítima, caracterizando-se como uma 
simples folha de papel. Em resumo, no conceito de Lassale, a Constituição 
seria a somatória dos fatores reais de poder dentro de uma sociedade. 
Político 
Destaca-se aqui a lição de Carl Schmitt. Este faz uma distinção entre 
Constituição e lei constitucional. A Constituição seria a decisão política 
fundamental (estrutura e órgãos do Estado, direitos individuais, vida 
democrática, etc.). Já as Leis Constitucionais, seriam os dispositivos inseridos 
 
 
no documento constitucional, sem conter matéria de decisão política 
fundamental. 
Assim, sendo a Constituição, resultado de uma decisão política ela seria, neste 
sentido, a decisão política do titular do poder constituinte. 
Material 
Sob este aspecto, o que importa verificar para definir uma norma como sendo 
ou não constitucional é o seu conteúdo e não importa a forma como ela foi 
introduzida no texto constitucional. Então, será constitucional aquela norma 
que define e trata das regras estruturais da sociedade (exemplo: CF arts, 5º, 6º 
e 12), seus alicerces fundamentais (formas de Estado: CF Arts 1º c/c 18, 
Governo, órgãos: CF arts 44 a 135, etc). 
Formal 
Aqui não importará tanto o conteúdo da norma, mas a forma como ela foi 
introduzida no ordenamento jurídico. São aquelas normas introduzidas pelo 
poder soberano, através de processo legislativo mais dificultoso, diferenciado 
e solene do que o processo de formação de outras normas do ordenamento. 
Exemplo clássico, frequentemente citado na doutrina, de norma constitucional 
formal encontra-se no artigo 242 § 2º. 
Art. 242 (...) 
§ 2º - O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido 
na órbita federal. 
Sob o aspecto material, a presente norma não possui qualquer elemento 
estrutural ou fundamental da sociedade. No entanto, sob o aspecto formal, ela 
é tão constitucional como qualquer outra inserida pelo poder constituinte 
originário. 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES: 
Trata-se de tema não uniformemente abordado pelos doutrinadores. Há, 
porém, certo consenso quanto aos critérios abaixo apresentados. 
a) Quanto à forma; 
b) Quanto ao modo de elaboração; 
c) Quanto à origem; 
d) Quanto à estabilidade; 
e) Quanto ao conteúdo; 
f) Quanto à extensão. 
 
A) Quanto à forma: 
1. Escrita 
2. Não escrita 
 Constituição escrita É a constituição formada por um conjunto de regra 
sistematizadas e organizadas em um único documento, estabelecendo 
as normas fundamentais de um Estado. Aquela que assume uma forma 
solene, cerimoniosa, litúrgica, para expressar o modo de ser jurídico de 
determinado Estado, apresentando as regras concernentes à disciplina 
do poder soberano sob a tutela estatal. Trata-se de um diploma jurídico 
no qual são sistematizadas as regras que estruturam os fundamentos 
do Estado. 
 Constituição não escrita Também chamada de costumeira ou 
consuetudinária. É a constituição que, ao contrário da escrita, não traz 
as regras em um único texto solene e codificado. É formada por textos 
esparsos, reconhecidos pela sociedade como fundamentais e baseia-se 
nos usos, costumes, jurisprudências, convenções. Ex. A Constituição da 
 
 
Inglaterra. É aquela cuja forma de exteriorização das regras 
fundamentais do Estado não se expressa por meio de um codex, de um 
documento jurídico-positivo. Sua base de elaboração vem das práticas 
reiteradas num mesmo sentido, gerando a convicção de que tais 
práticas tornam-se obrigatórias na consciência geral da comunidade em 
que ela brota e viceja. Trata-se de um modelo de constituição que não 
revela a essência do aparelho estatal por intermédio de disposições 
dogmáticas, mas que resulta da lenta evolução da experiência histórica 
de determinada nação, fazendo surgir espontaneamente as instituições 
fundamentais do Estado, colocando-as em prática a despeito de 
qualquer solenidade sacramental. 
B) Quanto ao modo de elaboração: 
1. Dogmáticas; 
2. Históricas/Costumeiras. 
 A Constituição dogmática é aquela elaborada por um órgão constituinte 
que confere a forma escrita ao seu produto final, apresentando as 
regras fundamentais concernentes às instituições políticas do Estado de 
modo sistematizado. Apresenta-se como produto escrito e 
sistematizado por um órgão constituinte, à partir de princípios e idéias 
fundamentais da teoria política e do direito dominante. 
 
 A Constituição histórica é aquela elaborada a partir dos usos, costumes 
e tradições de um povo, e que não reclamam a solenização de seus 
preceitos porque estes emergem espontaneamente da lenta evolução 
histórica e consolidação das instituições de Estado. É fruto da lenta e 
contínua síntese da história e tradições de um determinado povo. 
C) Quanto á origem: 
1. Promulgada; 
 
 
2. Outorgada. 
 Constituição promulgada é a que deriva do trabalho de uma Assembleia 
Nacional Constituinte composta por representantes do povo, eleitos 
com a finalidade de sua elaboração, com o propósito de consagrar as 
bases de sustentação do Estado segundo as expectativas e anseios da 
sociedade que a legitima. 
 Constituição outorgada é aquela elaborada e estabelecida sem a 
participação popular, através de imposição do poder da época. São as 
constituições impostas de maneira unilateral, pelo agente revolucionário 
(grupo ou governante), que não recebeu do povo legitimidade para em 
nome dele atuar. 
Considerando o histórico constituinte brasileiro tivemos: 
• Constituição de 1824 - outorgada; 
• Constituição de 1891 - promulgada; 
• Constituição de 1934 - promulgada; 
• Constituição de 1937 - outorgada; 
• Constituição de 1946 - promulgada; 
• Constituição de 1967 - outorgada; 
• Constituição de 1969 - outorgada; 
• Constituição de 1988 - promulgada; 
Embora com as devidas ressalvas doutrinárias, é possível falar-se ainda na 
constituição cesarista, que são aquelas que, não obstante outorgadas, 
depende, da ratificação popular através de referendo. É apresentada ao povo 
uma constituição unilateralmente elaborada, o que evidencia um processo 
especial de outorga política. 
D) Quanto à estabilidade: 
 
 
1. Rígida; 
2. Flexível 
3. Semirrígida 
4. Imutável