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A EDUCAÇÃO ESPECIAL NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA1 
 
OLIVEIRA, Tatiane Amaral de2 
SILVA, Caroline Vaz da3 
RESUMO 
O presente estudo é o Trabalho de Conclusão de Curso de Pedagogia do Centro 
Universitário Internacional (UNINTER), sendo requisito para o título de licenciada em 
pedagogia. O tema é Educação Especial no contexto da Educação Inclusiva e o objetivo 
geral do estudo foi investigar a Educação Inclusiva e o papel do professor no processo de 
Inclusão escolar. Os objetivos específicos foram: conhecer o histórico da Educação 
Especial até a Educação Inclusiva; compreender o que é a Educação Inclusiva e sua 
importância; e analisar o papel do professor em relação à Inclusão escolar. Como 
metodologia de análise foi definida a pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa. Os 
objetos de estudo foram os seguintes autores: Custódio (2021), Neto et al. (2018),Tavares, 
Santos e Freitas (2016), Coelho (2015), Mantoan (2015), Mendonça, Silva e Mieto (2015), 
Pinheiro (2015), Miranda (2008), Brasil (2007) e Mantoan (2003). Como principais 
resultados compreende-se que apenas em 1990 surgiu a Educação Inclusiva, na qual as 
necessidades de todos eram consideradas e a escola passou a ser pensada a partir dessas 
necessidades. Além disso, a inclusão é possibilitar que todos os alunos frequentem o 
mesmo ambiente de ensino e aprendizagem e fornecer os meios necessários para que 
aprendam da melhor forma possível de acordo com suas necessidades e especificidades. 
Para isso, é necessário oferecer suporte físico e formação continuada para todos os 
profissionais que estão presentes no cotidiano do aluno com deficiência. 
 
Palavras-chave: Histórico da Educação Especial. Inclusão escolar. Papel do Professor. 
 
 
 
1. Introdução 
 
A Educação Inclusiva é uma realidade no Sistema Educacional brasileiro, a inclusão 
é o que possibilita que todos os alunos, sem distinção, frequentem e tenham acesso à 
escola e aos recursos que propiciem a aprendizagem (CUSTÓDIO, 2021). Conforme a 
Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2007, p. 05), 
3 Professora Orientadora do Centro Universitário Internacional (UNINTER). 
2 Licencianda em Pedagogia no Centro Universitário Internacional (UNINTER). 
1 Trabalho de Conclusão de Curso de Pedagogia do Centro Universitário Internacional (UNINTER), sendo 
requisito para o título de licenciada em pedagogia. 
1 
 
incluir é “uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do 
direito de todos os alunos de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum 
tipo de discriminação”. 
Assim, cabe à escola se empenhar para alcançar a inclusão e acabar com qualquer 
discriminação presente neste meio, adotando medidas necessárias para isto, sejam em 
nível cultural ou estrutural. Contudo, apenas na década de 90 é que a Educação Inclusiva 
passou a ser discutida no Brasil (CUSTÓDIO, 2021) o que mostra que ainda há aspectos 
que estão em fase de implementação e discussão. 
Sabendo da importância da Educação Inclusiva e da necessidade de os professores 
estarem preparados para lidar com as situações que surgirem na escola e em sua sala de 
aula, é que surgiu o interesse deste estudo. O problema de pesquisa proposto é: o que é a 
Educação Inclusiva e qual o papel do professor no processo de Inclusão escolar? 
Diante disso, o Objetivo Geral é investigar a Educação Inclusiva e o papel do 
professor no processo de Inclusão escolar. Parte-se deste objetivo para os seguintes 
objetivos específicos: conhecer o histórico da Educação Especial até a Educação Inclusiva; 
compreender o que é a Educação Inclusiva e sua importância; analisar o papel do 
professor em relação à Inclusão escolar. 
A metodologia selecionada para o estudo teve uma abordagem qualitativa de 
cunho bibliográfico. A pesquisa se caracteriza como qualitativa, por considerar os 
diferentes pontos de vista e perspectivas dos autores que escreveram sobre o tema, além 
de entender que estes escrevem diante de variados contextos. A definição da 
metodologia é bibliográfica “desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído 
principalmente de livros e artigos científicos [...] há pesquisas desenvolvidas 
exclusivamente a partir de fontes bibliográficas.” (GIL, 2002, p. 50). Uma das vantagens 
desse tipo de pesquisa é que permite “ao investigador a cobertura de uma gama de 
fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.” (GIL, 
2002, p. 50). 
Como objeto de estudo tivemos como principais teóricos: Custódio (2021), Neto et 
al. (2018), Pinheiro (2015), Miranda (2008) e Brasil (2007), para conhecer o histórico da 
Educação Especial até a Educação Inclusiva; Custódio (2021), Neto et al. (2018), Coelho 
(2015), Brasil (2007) e Mantoan (2003), para compreender o que é a Educação Inclusiva e 
2 
 
sua importância; e Tavares, Santos e Freitas (2016), Mantoan (2015), Mendonça, Silva e 
Mieto (2015) e Mantoan (2003) para analisar o papel do professor em relação à Inclusão 
escolar. 
Partindo dos objetivos do estudo, o desenvolvimento do presente artigo se 
estrutura da seguinte forma: primeiro, expõe-se a introdução do estudo; segundo, 
apresenta-se a metodologia de pesquisa utilizada; e terceiro, desenvolve-se o trabalho, 
este capítulo está subdividido em três partes: 
I. Na primeira parte, discorre-se sobre o histórico da Educação Especial. 
II. Na segunda parte, discorre-se sobre a Educação Inclusiva e sua importância. 
III. Na terceira parte, discorre-se sobre o papel do professor frente à Educação 
Inclusiva. 
Por fim, apresenta-se as considerações finais do estudo desenvolvido, a partir de 
todas as reflexões proporcionadas pelo estudo dos artigos sobre o tema em 
concordância com os objetivos do estudo. 
 
 
2. Metodologia 
 
Em acordo com os objetivos deste estudo, definiu-se a metodologia como 
bibliográfica de abordagem qualitativa, pois busca-se investigar a Educação Inclusiva e o 
papel do professor no processo de Inclusão escolar. Assim, considera-se que buscar 
responder a este objetivo por meio de especialistas no tema é uma alternativa que 
auxiliará a ter êxito. 
Em relação à abordagem ser qualitativa, justifica-se por considerar os diferentes 
pontos de vista e perspectivas dos autores que escreveram sobre o tema, além de 
entender que estes escrevem diante de variados contextos, tal preocupação com as 
dimensões pessoais dos observadores é característica da pesquisa qualitativa (POUPART 
et al., 2008). Além disso, na pesquisa qualitativa, segundo Ludke e André (1986), é 
possível iluminar o dinamismo interno das situações e do objeto investigado. 
A subjetividade também faz parte da pesquisa qualitativa, pois considera os 
pontos de vista dos sujeitos, seu grupo social, suas características particulares e toda a 
3 
 
singularidade e subjetividade presente nesse processo e possibilita a aproximação com o 
objeto (LUDKE, ANDRÉ, 1986; POUPART et al., 2008). Sabendo que o objeto de estudo 
inclui diferentes autores, então, nesse caso, é preciso dar espaço a essas subjetividades, 
pois cada escrito está permeado por elas. 
Em relação aos tipos de pesquisa que podem ser feitos, Gil (2002) assegura que 
existem um grupo que utiliza papéis, como livros, artigos entre outros, deste fazem parte 
as pesquisas documental e bibliográfica. O presente estudo enquadra-se neste grupo, 
pois é uma pesquisa bibliográfica, “desenvolvida a partir de material já elaborado, 
constituído principalmente de livros e artigos científicos [...] há pesquisas desenvolvidas 
exclusivamente a partir de fontes bibliográficas.” (GIL, 2002, p. 50), para o mesmo autor: 
 
A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao 
investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que 
aquela que poderia pesquisar diretamente. Esta vantagem se torna 
particularmente importante quando o problema de pesquisarequer dados muito 
dispersos pelo espaço (GIL, 2002, p. 50). 
 
 
Diante disso, a metodologia definida para este estudo é de uma pesquisa 
bibliográfica com abordagem qualitativa. Os principais artigos que constituem o objeto 
de estudo dos quais foram coletados os dados estão organizados no Quadro 1, no qual 
são apresentados os autores de acordo com o tema central de cada análise e o ano da 
publicação. 
 
Quadro 1: artigos utilizados na coleta de dados 
Tema central analisado Autor Título do Artigo Ano 
Histórico da Educação 
Especial 
Custódio Educação inclusiva no Brasil: 
trajetória histórica, políticas públicas 
e o período pandêmico 
2021 
Histórico da Educação 
Especial 
Neto et al. Educação inclusiva: uma escola para 
todos. 
2018 
Histórico da Educação 
Especial 
Pinheiro Processo de Inclusão na Educação de 
Jovens e Adultos: Estudo de caso 
com uma aluna com Deficiência 
Auditiva 
2015 
4 
 
Histórico da Educação 
Especial 
Brasil Política Nacional de Educação 
Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva 
2007 
Histórico da Educação 
Especial 
Miranda Educação Especial no Brasil: 
desenvolvimento histórico 
2008 
O que é Educação 
Inclusiva e qual sua 
importância 
Custódio Educação inclusiva no Brasil: 
trajetória histórica, políticas públicas 
e o período pandêmico 
2021 
O que é Educação 
Inclusiva e qual sua 
importância 
Neto et al. Educação inclusiva: uma escola para 
todos. 
2018 
O que é Educação 
Inclusiva e qual sua 
importância 
Coelho Inclusão escolar 2015 
O que é Educação 
Inclusiva e qual sua 
importância 
Brasil Política Nacional de Educação 
Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva 
2007 
O que é Educação 
Inclusiva e qual sua 
importância 
Mantoan Inclusão escolar: o que é. Por quê? 2003 
 
Papel do professor em 
relação à Inclusão 
escolar 
Tavares, 
Santos e 
Freitas 
A educação inclusiva: um estudo 
sobre a formação docente. 
2016 
Papel do professor em 
relação à Inclusão 
escolar 
Mantoan Inclusão escolar: o que é? por quê? 
como fazer? 
2015 
Papel do professor em 
relação à Inclusão 
escolar 
Mendonça, 
Silva e 
Mieto 
Inclusão e Formação Continuada de 
Professores: possíveis contribuições 
teóricometodológicas de Yves Clot 
2015 
Papel do professor em 
relação à Inclusão 
escolar 
Mantoan Inclusão escolar: o que é. Por quê? 2003 
 
Fonte: Elaboração própria (2022). 
 
 
3. Estado da Arte: a pesquisa bibliográfica 
 
5 
 
O presente capítulo se refere ao desenvolvimento do trabalho a partir da 
metodologia proposta de acordo com os objetivos elencados na introdução. Para abarcar 
os objetivos, subdividiu-se o Estado da Arte em três subcapítulos: no primeiro, 
apresenta-se o histórico da Educação Especial até o surgimento da Educação Inclusiva; no 
segundo, aborda-se a Educação Inclusiva; e, no terceiro, se reflete sobre o papel do 
professor no processo de inclusão. 
 
 
3.1 Histórico da Educação Especial 
 
Neto et al. (2018) afirmam que, para entender a Educação Especial e a Educação 
Inclusiva, precisamos entender o contexto histórico em que se desenvolveu e como era a 
sociedade. Custódio (2021) afirma que até o século XIX não havia recursos ou qualquer 
atendimento às pessoas com deficiência, pelo contrário, estas eram negligenciadas na 
sociedade. Foi então, neste mesmo século, que ocorreu a institucionalização. 
A institucionalização foi um período em que as pessoas com deficiência eram 
isoladas em manicômios e asilos e eram diagnosticadas pelos médicos, que definiam 
quem podia ou não frequentar a escola, orientando, também, como deveria ser feito caso 
o parecer fosse permissivo (CUSTÓDIO, 2021). Conforme Brasil (2007), as instituições 
substituíram o ensino comum e as formas de atendimento às pessoas com deficiência 
eram psicoterapêuticas. 
 
A história humana evidencia, desde a Antiguidade, a descrição de pessoas com 
alterações anormais por motivo genético. A essas pessoas era negado o convívio 
social; elas eram enclausuradas em suas próprias casas ou em outro lugar para 
tratamento, pelos familiares ou pelas autoridades (Neto et al., 2018, p. 83) 
 
 Assim, percebemos que o principal objetivo, neste período, era o que fazer com as 
pessoas com deficiência, não havia preocupação com elas, mas, eram isoladas da 
sociedade nas instituições supracitadas. Além disso, enquanto substitutiva do ensino 
comum, nem havia preocupação com as pessoas em sua singularidade e suas 
necessidades, mas, sim, com o diagnóstico. 
 Segundo Custódio (2021), a criação de salas especiais para pessoas com deficiência 
dentro das escolas regulares “foi tida como estopim de uma educação para as pessoas 
6 
 
com deficiência que, por tanto tempo, tinham sido injustiçados e abandonados” 
(CUSTÓDIO, 2021, p. 11). Mesmo assim, conforme apontam Neto et al. (2018), 
 
apesar desta integração ter sido considerada um grande avanço para igualdade 
de direitos, houve poucos benefícios para promover de fato o seu 
desenvolvimento. A Deficiência era considerada um problema de quem a 
possuía, assim, esta deveria tornar-se apta à integração ao meio social. Não cabia 
à escola se adaptar às necessidades dos alunos, mas às Pessoas com Deficiência 
adaptar-se à escola (inclusive em termos econômicos) (Neto et al., 2018, p. 85). 
 
 
Percebe-se, a partir das reflexões dos autores, que apesar de serem consideradas 
um avanço em relação à Educação Especial, as salas dentro das escolas regulares ainda 
eram segregadoras, pois continuavam isolando os estudantes com deficiência do 
restante da escola. 
 Apenas na década de 50, os estudantes com deficiência começaram a estar 
presentes no espaço escolar, sendo os primeiros anos em que a Educação Especial 
passou a ser considerada no Brasil. Este atraso se deve, principalmente, ao próprio atraso 
do Sistema Educacional brasileiro em geral, visto que este demorou a tomar um rumo, 
então nem se discutia com foco a Educação Especial, muito menos a inclusão. 
Foi nessa mesma década que mobilizações ocorreram tendo como tema a inclusão 
escolar de pessoas surdas, cegas e com deficiência intelectual (CUSTÓDIO, 2021; 
MIRANDA, 2008). 
 
A primeira campanha foi feita em 1957 voltada para os deficientes auditivos – 
“Campanha para a Educação do Surdo Brasileiro”. Esta campanha tinha por 
objetivo promover medidas necessárias para a educação e assistência dos 
surdos, em todo o Brasil. Em seguida, é criada a “Campanha Nacional de 
Educação e Reabilitação do Deficiente da Visão”, em 1958. Em 1960, foi criada a 
“Campanha Nacional de Educação e Reabilitação de Deficientes Mentais” 
(CADEME) (MIRANDA, 2008, p. 06). 
 
 
 A década de 1960 representou um momento de mudanças por meio de lutas em 
prol da Educação de todos considerando suas especificidades (CUSTÓDIO, 2021). Ainda 
não se discutia efetivamente a Educação Inclusiva, mas o final desta década foi crucial 
para a Educação Especial, representando uma grande conquista nessa área. Pinheiro 
(2015) afirma que a visão das pessoas com deficiência saindo de uma tragédia para uma 
7 
 
condição, foi muito influenciada pelos movimentos sociais em favor da Educação 
Especial. Também, segundo a autora, os movimentos corroboraram para a compreensão 
de que cabe “à sociedade eliminar todas as barreiras culturais, físicas ou sociais que 
impedem o acesso das pessoas com deficiência aos diversos sistemas que se encontram à 
disposição dos demais cidadãos” (2015, p. 30-31). 
 De acordo com Custódio (2021), os movimentos sociais que visavam uma educação 
pluralista contribuíram para o começo do fim da escola segregadora e ao início de uma 
escola que inclui e promove interação entre todos os estudantes. Tal fato ocorreu apenas 
no final do século XX, representando um atraso na Educação Inclusiva que “se explica 
pelo fato de a educação em si também ter se constituído de maneira insólita, por muitos 
anos, haja vista as altas taxas de analfabetismo brasileirasaté meados do século XX” 
(CUSTÓDIO, 2021, p. 12). 
 A inclusão, na qual “todas as crianças conviveriam e aprenderiam juntas, porém, 
tais mudanças requereriam planejamento, pois agora o foco não seria adequar o aluno 
para que pudesse aprender, mas reestruturar todo o sistema educacional” (CUSTÓDIO, 
2021, p. 14), passou a ser efetivada apenas na década de 90. Isto porque, segundo 
Pinheiro, entre 1980 e 1990 as necessidades das minorias foram postas em discussão, o 
que trouxe ao Brasil, a terminologia da Educação Inclusiva. 
 
Na década de 1990 reforçava-se cada vez mais a ideia de Educação Inclusiva para 
alunos com Deficiência. Com a proposta de aplicação prática ao campo da 
educação a partir de um movimento mundial, denominado “Inclusão Social”, 
surge o termo “Educação Inclusiva”(Neto et al., 2018, p. 85). 
 
Também, em 1994, a Declaração de Salamanca, documento pensado e elaborado 
visando os direitos das pessoas com deficiência, proporcionou que “o princípio da 
inclusão tem sido a tendência nos diversos contextos da organização social, na 
proposição de políticas públicas, nos documentos legislativos e jurídicos [...]” (COELHO, 
2015, p. 64). Assim, percebemos que a década de 90 foi um grande marco para a 
Educação Inclusiva. 
Diante das reflexões a partir de Custódio (2021), Neto et al. (2018), Pinheiro (2015) 
e Miranda (2008), concluímos que apenas em 1990 surgiu a Educação Inclusiva, na qual as 
8 
 
necessidades de todos eram consideradas e a escola passou a ser pensada a partir dessas 
necessidades, proporcionando uma estrutura que desse conta de tais necessidades 
(PINHEIRO, 2015). 
3.2 Conhecendo a Educação Inclusiva 
 
Como observa-se, no subcapítulo anterior, o histórico da Educação Inclusiva no 
Brasil, percebe-se que a inclusão tardou a ocorrer, o que corroborou para “uma exclusão 
que foi legitimada nas políticas e práticas educacionais reprodutoras da ordem social” 
(BRASIL, 2007, p. 01). Por isso, as minorias foram excluídas por não seguirem os padrões 
escolares e este histórico favoreceu e ainda favorece, muitas vezes, a segregação e a 
exclusão. Cabe à escola criar alternativas que extingam as práticas exclusivas e 
discriminatórias. 
 
Como instituição social, a escola apresenta um forte apelo à seletividade. Na 
tentativa de homogeneizar os sujeitos em torno de um padrão referencial, exclui 
aqueles que por diferentes razões resistem a essa homogeneização. Para 
mascarar o processo de exclusão, criam-se diferentes mecanismos de oferta de 
serviços educacionais ou mesmo terapêuticos para esses sujeitos. Nessa 
perspectiva, cria-se uma pedagogia “especial” destinada às pessoas com 
desenvolvimento atípico, que organiza um jogo contraditório em que esses 
sujeitos são aprisionados (COELHO, 2015, p. 61). 
 
 
Mantoan (2003) reflete que a exclusão escolar é perversa e que surge da 
ignorância dos alunos, por conta do padrão científico do que é saber ou do que é 
aprendizagem. A autora afirma que os sistemas de ensino estão subdivididos nas 
modalidades de ensino regular e especial, essa organização possui uma lógica formalista 
e reducionista (MANTOAN, 2003). 
A Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva 
prevê a garantia do acesso e permanência na escola regular desde a Educação Infantil até 
o Ensino Superior aos “alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e 
altas habilidades/superdotação” (BRASIL, 2007, p. 08). Tal documento também orienta o 
Atendimento Educacional Especializado e a formação de professores e expressa o 
esforço pela garantia de inclusão das pessoas com deficiência nas escolas regulares. A 
inclusão, para Coelho, 
 
9 
 
deve ser compreendida como um complexo e continuado processo em que 
novas necessidades e mudanças são exigidas. Porém, se a deficiência é 
percebida como a falta ou desordem de algo inerente ao indivíduo, envolvendo 
características biológicas, enquanto que a inclusão tem, já, o sentido de um fato 
social, faz-se necessário um ajuste entre as duas concepções (COELHO, 2015, p. 
62). 
 
Conforme Neto et al. (2018), a educação/o ensino inclusiva/o não são o mesmo que 
Educação Especial, pois: 
 
A educação especial nasceu a partir de uma proposta de educação para todos, 
independente da origem social de cada um. E a escola inclusiva, juntamente com 
uma sociedade inclusiva, refletiu-se em encontros internacionais, por meio de 
grupos que reivindicavam seus direitos sociais (NETO et al., 2018, p. 08). 
 
 
Então, o que é a inclusão? Segundo Custódio (2021, p. 20) “ é a prática que 
possibilita e determina que todos os alunos com deficiência desfrutem dos mesmos 
ambientes e dos mesmos aprendizados, e, preferencialmente, na mesma instituição de 
ensino”. Nesse sentido, a inclusão é possibilitar que todos os alunos frequentem o 
mesmo ambiente de ensino e aprendizagem e fornecer os meios necessários para que 
aprendam da melhor forma possível de acordo com suas necessidades e especificidades. 
Mantoan (2003) afirma, então, que é preciso que as escolas extingam as oposições 
excludentes: igual X diferente e/ou normal X deficientes. “Se o que pretendemos é que a 
escola seja inclusiva, é urgente que seus planos se redefinam para uma educação voltada 
para a cidadania global, plena, livre de preconceitos e que reconhece e valoriza as 
diferenças” (MANTOAN, 2003, p. 14). 
Ainda que os termos integração e inclusão devam estar bem definidos na 
Educação, é preciso frisar que se opõem quando estamos falando no contexto 
educacional. Pois, o primeiro, pode se referir tanto a alunos que são inseridos nas salas 
regulares quanto aos alunos que ficam em classes especiais (MANTOAN, 2003), a autora 
afirma, também, que a integração pode ser entendida como “o especial na educação”. Já 
o segundo, é uma mudança, pois abarca toda a escola, na qual “suprime-se a subdivisão 
dos sistemas escolares em modalidades de ensino especial e ensino regular” (MANTOAN, 
2003, p. 16). 
10 
 
Assim, percebe-se que a inclusão causa impacto nas escolas e na Educação como 
um todo, pois busca abolir qualquer segregação na Educação Especial (MANTOAN, 2003), 
além de exigir mudanças culturais de toda a comunidade escolar e estruturais dentro das 
instituições. Em contrapartida, “a inclusão é uma provocação, cuja intenção é melhorar a 
qualidade do ensino das escolas, atingindo todos os alunos” (MANTOAN, 2003, p. 17). 
 
 
3.2 O professor e a Educação Inclusiva 
 
Segundo Mantoan (2003), os professores sabem da necessidade de expulsão da 
exclusão, assim como, têm consciência de que este processo é permeado por desafios. 
Pois, para a autora, é mais fácil encaminhar alunos com deficiência para as classes 
especiais e, os com dificuldades, para aulas de reforço, mas esta é uma forma de 
discriminação dos alunos (MANTOAN, 2003). Nessa perspectiva, Neto et al. (2018) 
afirmam que a inclusão, 
 
não é uma tarefa fácil para a escola e muito menos para o professor, mas as 
experiências de muitos professores têm demonstrado que é possível e 
gratificante trabalhar em sala de aula com diversidade e, também, implementar 
uma educação inclusiva, enfrentar e superar desafios com a participação 
daqueles envolvidos com a educação, pois a inclusão é responsabilidade de 
todos (NETO et al., 2018, p. 82). 
 
 
Os professores que resistem à Educação Inclusiva, muitas vezes alegam falta de 
formação específica (MANTOAN, 2015). “Os professores consideram-se incompetentes 
para lidar com as diferenças nas salas de aula, especialmente atender os alunos com 
deficiência, pois seus colegas especializados sempre se distinguiram por realizar 
unicamente esse atendimento” (MANTOAN, 2003, p. 14). É possível imaginar uma certa 
resistência dos professores quando não possuem formação específica, pois, ao receber 
um aluno com deficiência na sala de aula, tudo se torna um desafio, se não houver 
preparo e formação adequada, tudo é novo.Mendonça, Silva e Mieto (2015) afirmam que: 
 
Os profissionais que trabalham em ambiente escolar e estão atentos às 
modificações deste contexto têm percebido que a sua própria formação deve 
seguir em constante transformação na tentativa de atender às demandas 
11 
 
crescentes da comunidade, como por exemplo, os cuidados educacionais às 
pessoas consideradas com algum tipo de deficiência. Observa-se, em geral, que 
os cursos de graduação, sejam os de Licenciatura, Pedagogia ou Psicologia, 
representam para os profissionais que atuarão nas áreas da Educação Inclusiva e 
da Educação Especial, apenas um ponto de partida para posterior 
aperfeiçoamento (MENDONÇA; SILVA; MIETO, 2015, p. 192). 
 
 
 Diante disso, é ideal que haja uma formação adequada para os professores. A 
inclusão não pode ser uma fachada (CUSTÓDIO, 2021) e, para que não seja, os sistemas de 
ensino e as redes responsáveis devem proporcionar essa formação. Caso contrário, tudo 
recai nas costas apenas do professor, que, sem preparo, precisa dar conta de todos com 
êxito, o que pode sobrecarregá-lo. 
Tavares, Santos e Freitas (2016, p. 528) afirmam que “a formação de profissionais, 
principalmente dos professores, é essencial para a eficácia do processo e que o seu 
despreparo é uma das principais barreiras”. Nesse sentido, é preciso derrubar todas as 
barreiras que impedem ou dificultam a realização e implementação da Educação Inclusiva 
nos espaços escolares e, uma delas, é a falta de formação adequada aos profissionais 
envolvidos com o processo de inclusão. 
 
O professor é considerado um ator de suma importância no contexto escolar e 
no processo de ensino e da aprendizagem, pois está em contato direto com essa 
criança, constituindo-se do meio de transmissão do conhecimento, além de ser o 
facilitador no processo ensino-aprendizagem. Considera-se que a formação 
desse profissional pode influenciar, de diversas maneiras, sua atuação no âmbito 
da sala de aula. Essa formação será a base de seu desempenho e a preparação 
para situações que advirão em seu cotidiano (TAVARES; SANTOS; FREITAS, 
2016). 
 
Nessa perspectiva, é preciso proporcionar aos professores a formação necessária 
para receber os alunos com deficiência na sala de aula, pois a formação ou a falta dela, 
interferem diretamente no processo de inclusão. A Política Nacional de Educação Especial 
na Perspectiva da Educação Inclusiva garante “[...] formação de professores para o 
atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a 
inclusão escolar” (BRASIL, 2007, p. 05). 
Então, é preciso que haja orientações para que ocorra “a reviravolta que se espera 
da formação inicial e continuada de professores, tornando o ensino acessível para todos 
os alunos” (Mantoan,2015, p. 83). Isto é, o aluno com deficiência não pode apenas ser 
depositado na escola, pois a inclusão não é isso. É preciso suporte para o atendimento 
12 
 
destes alunos, suporte físico e a formação continuada para todos os profissionais que 
estão presentes no cotidiano desse aluno. 
 
Compartilhar experiências profissionais, analisando e refletindo sobre as práticas 
pedagógicas adotadas em sala de aula e sobre as políticas, teorias e filosofias 
que as fundamentam, em um coletivo profissional docente, deve ser 
considerado um ponto fundamental para a formação continuada em educação, 
principalmente quando pensamos na inclusão de alunos com necessidades 
especiais. Partimos da premissa de que o estudo teórico superficial e acrílico, 
desvinculado das necessidades presentes no contexto sócio-educacional, bem 
como a análise das práticas educacionais sem uma reflexão acerca dos 
fundamentos que as circunscrevem são insuficientes para um efetivo processo 
de transformação da atividade docente e, consequentemente, das ideologias 
que perpassam o sistema educacional (COELHO, 2015, p. 206). 
 
Mantoan (2015) assevera que as dificuldades dos professores perante a sua 
realidade devem servir de matéria prima para as formações continuadas da Educação 
Inclusiva, assim como a equipe diretiva também pode expor suas dificuldades e desafios, 
pois este conjunto deve inspirar as formações que precisam ser úteis para a realidade em 
questão. 
“O cotidiano da Educação Inclusiva é árduo, demanda esforços, mudanças e uma 
luta incessante, para que se mantenha e se evolua com tal prática” (CUSTÓDIO, 2021, p. 
23). Conclui-se, diante disso, que o professor possui o papel de receber os alunos com 
deficiência na perspectiva da Educação Inclusiva, juntos aos outros alunos, e preparar-se 
por meio de formações continuadas para este processo. Além disso, o dia-a-dia 
determinará, aos poucos, como o professor também pode aprender com os alunos com 
necessidades especiais e aprimorar sua prática. 
 
 
4. Considerações finais 
 
O estudo realizado mostra que os movimentos sociais que visavam uma educação 
pluralista contribuíram para o começo do fim da escola segregadora e ao início de uma 
escola que inclui e promove interação entre todos os estudantes. Tal fato ocorreu apenas 
no final do século XX, representando um atraso na Educação Inclusiva. A inclusão, na qual 
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“todas as crianças conviveriam e aprenderiam juntas, porém, tais mudanças requereriam 
planejamento, pois agora o foco não seria adequar o aluno para que pudesse aprender, 
mas reestruturar todo o sistema educacional” (CUSTÓDIO, 2021, p. 14), passou a ser 
efetivada apenas na década de 90. Isto porque, segundo Pinheiro, entre 1980 e 1990 as 
necessidades das minorias foram postas em discussão, o que trouxe ao Brasil, a 
terminologia da Educação Inclusiva. 
Percebe-se, também, a partir dos autores investigados que a inclusão causa 
impacto nas escolas e na Educação como um todo, pois busca abolir qualquer segregação 
na Educação Especial (MANTOAN, 2003), além de exigir mudanças culturais de toda a 
comunidade escolar e estruturais dentro das instituições. Em contrapartida, “a inclusão é 
uma provocação, cuja intenção é melhorar a qualidade do ensino das escolas, atingindo 
todos os alunos” (MANTOAN, 2003, p. 17). 
Conclui-se, diante disso, que o professor possui o papel de receber os alunos com 
deficiência na perspectiva da Educação Inclusiva, juntos aos outros alunos, e preparar-se 
por meio de formações continuadas para este processo. Além disso, o dia-a-dia 
determinará, aos poucos, como o professor também pode aprender com os alunos com 
necessidades especiais e aprimorar sua prática. 
Diante do estudo desenvolvido, acredita-se que foi possível alcançar os objetivos. 
O primeiro objetivo específico consistiu em conhecer o histórico da Educação 
Especial até a Educação Inclusiva. A partir deste objetivo, compreende-se que apenas em 
1990 surgiu a Educação Inclusiva, na qual as necessidades de todos eram consideradas e a 
escola passou a ser pensada a partir dessas necessidades. 
O segundo objetivo específico, consistiu em compreender o que é a Educação 
Inclusiva e sua importância. A partir deste objetivo, percebeu-se que a inclusão é 
possibilitar que todos os alunos frequentem o mesmo ambiente de ensino e 
aprendizagem e fornecer os meios necessários para que aprendam da melhor forma 
possível de acordo com suas necessidades e especificidades. 
O terceiro objetivo específico, consistiu em analisar o papel do professor em 
relação à Inclusão escolar. A partir deste objetivo, constatou-se que é necessário oferecer 
suporte físico e formação continuada para todos os profissionais que estão presentes no 
cotidiano do aluno com deficiência. 
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Com o alcance destes objetivos específicos, alcançou-se, também, o Objetivo 
Geral, que foi investigar a Educação Inclusiva e o papel do professor no processo de 
Inclusão escolar. 
Considera-se que o problema de pesquisa foi respondido à medida que no 
decorrer do trabalho e nestas considerações finais, expôs-se, a partir do estudo 
bibliográfico, respostas à questão: o que é EducaçãoInclusiva e qual o papel do professor 
no processo de Inclusão escolar. Além disso, foi traçado o histórico da Educação Especial 
até a Educação Inclusiva. 
 
 
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