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Psicologia Jurídica A FAMÍLIA E SUAS TRANSFORMAÇÕES TIPOS DE FAMÍLIAS Família na Pré-História - Papeis muito bem definidos, pela capacidade e força de cada um Família Romana - Modelo Paternalista / patriarcal. Papéis estabelecidos pelo pater Família Aristocrata - Papeis impostos por rígidas tradições. Amas de criação. Família Camponesa - Mulheres cuidam das crianças e da casa, tecem e cozinham. Os homens cuidavam das plantações, das construções e do comércio. Família Classe Trabalhadora - Com a Revolução Industrial, homens e mulheres compartilhavam afazeres na indústria. Os filhos perambulavam pelas ruas. O papel da ama da criação (babá) ressurge posteriormente. Família Moderna - Valorização da mulher no mercado de trabalho. Filhos na responsabilidade de avós ou “amas” modernas. Papéis confusos. Sustento da casa compartilhado. Surgimento de novos modelos familiares. O papel da Família A família desempenha papel fundamental não só na relação com seus membros, mas também na relação com o Estado, na perspectiva de instituição social decisiva ao desenvolvimento do processo de integração/inclusão social de seus membros. Não existe uma família ideal ou um modelo pré-determinado de família, existem famílias reais. Independente de sua configuração, a família continua sendo a instituição social responsável pelos cuidados, proteção, afeto e educação das crianças pequenas, ou seja, é o primeiro e importante canal de iniciação dos afetos, da socialização, das relações de aprendizagem. A família é, em princípio, o primeiro grupo ao qual o ser humano pertence. A família, enquanto instituição pode ser entendida como uma construção social que varia ao longo da história da humanidade. Na civilização romana antiga, a consanguinidade (o parentesco biológico) não era necessária para o pertencimento à família. Se partirmos da família patriarcal, observaremos que esta não era composta apenas de marido, mulher e filhos. Ela se caracterizava como família extensa e poderia incluir parentes, criados, escravos, e todos aqueles que vivessem sob o comando do patriarca. Até a Idade Média, o casamento era um contrato articulado pelos pais dos noivos para servir de base a alianças entre as famílias. O pai da jovem transferia a tutela de sua filha para o marido, sem que a existência de amor e a possibilidade de escolha fossem consideradas. O sentimento de família, como nós o conhecemos, começou a ser desenvolvido a partir do século XVI. Antes disso, a família não era entendida como um espaço privado. Supremacia do patriarcado permaneceu por vários séculos. A partir da Revolução Francesa os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade e o respeito à singularidade de cada um na rede social ganharam força e o patriarcado foi lentamente entrando em declínio. Individualismo - é um conceito que exprime a afirmação e a liberdade do indivíduo frente a um grupo, à sociedade ou ao Estado. O exercício da liberdade individual implica, necessariamente, na possibilidade de fazer escolhas e por elas se responsabilizar. O casamento por amor foi se estabelecendo como o desejável e, entre os séculos XVIII e XIX, o amor romântico se torna o ideal de casamento e deu sustentação ao casamento monogâmico e à família nuclear burguesa, ou seja, aquela composta por pai, mãe e filhos. Com a modernidade e o crescimento do individualismo, amor, sexualidade e casamento se associaram. Um novo ideal de conjugalidade fez do casamento o lugar de promessa de felicidade onde o amor e a sexualidade são condições fundamentais No final do século XIX e início do século XX - passamos de uma sociedade repressiva para uma sociedade mais permissiva. Início do declínio do modelo patriarcal no meio doméstico - a relação entre pais e filhos se modificou. O domínio do homem neste terreno se enfraqueceu e a mulher se consagrou como rainha do lar. Espaço privado passou a ser o território feminino, enquanto o espaço público se consolidou como território masculino. Invenção da maternidade - quando se exaltou a importância da mãe na criação dos filhos A criança tornava-se propriedade exclusiva da mãe, havendo praticamente um desconhecimento do pai no início de sua vida. A família se firmou como base de sustentação da sociedade. A família patriarcal evoluiu e deu lugar à família caracterizada como um grupo vinculado pelo afeto. A família moderna passou a ser compreendida como uma entidade socioafetiva que tem o dever de afeto entre os seus membros. Base para o processo de socialização da criança, bem como as tradições e os costumes perpetuados através de gerações. A família tornou-se responsável pela garantia da ordem e pela formação educacional e afetiva de sua prole. Até meados do século passado, era desejado que o amor, e consequentemente, o casamento, durassem para sempre e se sustentassem em projetos comuns. Trocava-se uma parcela de felicidade por segurança A inserção da mulher no mercado de trabalho e as possibilidades por ela adquiridas de controle da natalidade contribuíram para o declínio progressivo do patriarcado. Pode-se dizer que a estrutura familiar tradicional foi redefinida com a diluição da supremacia do homem no contexto familiar. As exigências atuais do individualismo pressionam os parceiros no sentido da ruptura de uma relação que não se encaixe nos moldes considerados ideais. A contemporaneidade produz a crença de que a conjugalidade não deve interferir na individualidade e, cada vez mais, os indivíduos parecem acreditar que não se deve abrir mão do prazer em nome da estabilidade da relação conjugal. Feres-Carneiro - os ideais individualistas de relação conjugal enfatizam mais a autonomia e a satisfação de cada cônjuge do que os laços de dependência entre eles. Ehrenberg- estimula-se a busca de prazer constante, o que, paradoxalmente, resulta em uma experiência de insuficiência e fracasso. Bauman- hoje, vive-se uma espécie de modernidade líquida, fluida e com um consumismo exacerbado. A exacerbação do individualismo e a cultura do descartável repercutem na conjugalidade e na parentalidade. Tipos de famílias Nuclear - família padrão, dita tradicional. Pais casados morando com seus filhos biológicos e/ou adotivos Monoparental - é aquela em que apenas um dos pais de uma criança arca com as responsabilidades de criar o filho. Podem ser beneficiadas por uma rede de apoio social e afetiva, ou seja, pela presença de pessoas significativas, sejam da família extensa, amigos ou membros da comunidade, com os quais possam manter relações afetivas. Recomposta ou família reconstituída - define-se pela presença, no lar, de filhos provenientes de uniões anteriores de um ou de outro cônjuge, ou seja, uma pessoa que já tem uma família leva seus filhos, oriundos desta família, para conviverem com a sua nova relação, que pode também já ter filhos. Não existe uma família recomposta típica. Homoafetivas- colocam em questão o modelo tradicional fundado na reprodução biológica e a heterossexualidade do casal, pois as crianças não nasceram de sua união sexual. Opção por não constituir família - o casamento contemporâneo não necessariamente envolve um projeto de filiação e descendência e vem crescendo o número de casais que optam por não ter filhos. Há muita estigmatização e pressão social sofrida por casais que optam por não ter filhos. REFLEXÕES: O modelo de família tradicional era, até então, modelo de “normalidade”. Acreditava-se que para a produção de “crianças saudáveis” era necessária a presença indispensável do par homem/mulher contribuindo para sua formação. Diante da realidade de uma população, onde cada vez mais a mulher é a provedora do lar, arcando sozinha com a educação dos filhos, a figura paterna praticamente inexistente era com frequência a explicação rapidamente encontrada para justificar a problemática emocional de uma criança ou adolescente. Em contraposição, encontramos no discurso de mulheres que, por exemplo, adotam sozinhas uma criança, a certeza de inexistirem garantias de que esta seria maisfeliz e equilibrada emocionalmente, vivendo numa família constituída por pai e mãe. Hoje, verifica-se que não existe uma forma de organização familiar ideal que, garanta um desenvolvimento mais sadio ou mais patogênico. A falta de um dos genitores (monoparentalidade) ou os divórcios e recasamentos dos genitores, ou ainda a presença de duas pessoas do mesmo sexo (homoparentalidade) exercendo as funções parentais não são necessariamente causas de patologias. Estas também se desenvolvem no contexto da família tradicional. A família, portanto, independentemente de sua forma, é concebida como o primeiro sistema no qual um padrão de atividades, papéis e relações interpessoais são vivenciados. A CONSTRUÇÃO DA PARENTALIDADE: RELAÇÕES AFETIVAS Conjugalidade - Dois sujeitos, com suas diferentes histórias de vida, se unem e estabelecem uma relação. Parentalidade - é a relação estabelecida entre pais e filhos Mito do amor materno (Badinter) - o amor materno enquanto instinto (universal e natural), é um mito construído sóciohistoricamente. O amor materno, portanto, não é inato nem inscrito desde sempre na natureza feminina. A mulher era feita para ser mãe, e uma boa mãe. As exceções eram consideradas patológicas. O amor materno, portanto, não é uma norma, mas é adquirido ao longo dos dias passados ao lado do filho, e por ocasião dos cuidados que lhe são dispensados. Não se pode falar de uma essência masculina ou feminina, de caráter abstrato e universal, mas, sim, de pessoas, situadas temporal e relacionalmente. Masculino e Feminino são categorias inscritas no social que ganham significados diversos em função do contexto. Parentalidade - não se estabelece automaticamente a partir da chegada de um filho, mas é um complexo e lento processo. Tornar-se pai ou mãe é investir afetivamente na criança, reconhecendo-a como filho. A filiação não está apoiada apenas na realidade genética, mas deve ser fundada no desejo e na disponibilidade de assumir a função parental. Ao nascer, a criança recebe o direito à cidadania, ou seja, é natural de algum lugar. Nome e sobrenome indicam pertencimento a um grupo familiar. Quando nomeada, a criança é incluída em uma rede de parentesco a qual se vinculará, e a família será responsável pela produção de sua identidade social. Filiação socioafetiva - aqueles que se intitulam pais que irão inscrever o sujeito em uma família. É necessário também que tenha sido tratado, educado e mantido por aqueles como filho e, portanto, reconhecido como tal pela sociedade e pela família. A filiação afetiva ganha cada vez mais espaço e diferentes adultos podem assumir funções parentais, mesmo não sendo os pais legais nem os genitores. No caso de uma adoção não existe gestação, mas os pais adotivos vão falar de uma “gestação psicológica”, que indica seu desejo de receber a criança adotada como filho. Qualquer processo de construção da parentalidade se inicia com uma criança imaginária, sonhada pela mãe durante a gravidez ou durante o período de espera da adoção. Conjugalidade X Parentalidade: separações e recasamentos O fracasso conjugal dos pais não impede que se continue a assegurar conjuntamente as funções parentais. Os laços conjugais se rompem, mas há necessidade de cuidar dos laços parentais. Mesmo que o laço conjugal se desfaça, espera-se que o laço parental se fortaleça e, idealmente, os ex-cônjuges devem permanecer pais em conjunto e de comum acordo. Um aspecto importante ainda a ser considerado é o justo desejo de ambos ex- cônjuges de terem suas vidas afetivas refeitas. A criança irá se defrontar com a multiplicação dos papéis parentais e a distribuição da função de pai e mãe para outros homens e mulheres, na medida em que padrastos e madrastas passam a conviver com ela. O sucesso dessas construções dependerá do tipo de relação estabelecida entre os pais, entre estes e os novos cônjuges e do lugar que a criança ocupará em cada uma das suas novas famílias. É fundamental que a figura parental que estiver provisoriamente ausente do cotidiano do filho, em decorrência da separação, deva poder continuar convivendo com ele sem que se faça um movimento de tentar substituí-lo pelo novo parceiro do pai ou da mãe. No processo de dissolução do vínculo conjugal por separação judicial ou pelo divórcio consensual, espera-se que os pais possam entrar em acordo sobre a guarda dos filhos. Até recentemente, o mais comum era a adoção do modelo de guarda unilateral, geralmente concedida à mãe, por se acreditar que ela teria melhores condições para exercê-la. As mulheres foram conquistando, em nossa sociedade, igualdade de direitos e oportunidades, mas também os homens têm buscado ocupar um maior espaço no cotidiano familiar e igualdade de direitos na participação da educação dos filhos. A lei nº 11.698/2008 representou uma nova compreensão do modelo de família e estabeleceu como preferencial o modelo de guarda compartilhada, que permitiu repensar a concepção vigente até então quanto aos papéis de pai e de mãe na formação de um filho. A Lei nº 13.058, de 22 de dezembro de 2014 estabelece o significado da expressão “guarda compartilhada” e dispõe sobre sua aplicação. Com a guarda compartilhada, pretende-se atenuar o impacto negativo da ruptura conjugal, mantendo ambos os pais envolvidos na criação dos filhos. Sua proposta é corresponsabilizar ambos os genitores em todas as decisões e nas atividades referentes aos filhos, de modo que possam participar em igualdade de condições. O que se compartilha é a guarda jurídica, seus deveres e direitos legais em relação à assistência prestada aos filhos e não, necessariamente, à guarda física. Alienação Parental A Alienação Parental fere o melhor interesse da criança, pois o interesse dos pais prevalece sobre os interesses dos filhos, provocando danos em seu desenvolvimento. O termo alienação parental foi utilizado em meados dos anos 1980 por Richard Gardner. O autor denominou de Síndrome de Alienação Parental (SAP) o que seria um distúrbio infantil provocado em menores de idade expostos às disputas judiciais entre seus pais. A criança demonstraria uma intensa rejeição a um dos genitores (o genitor alienado) como resultado de manipulação psicológica realizada pelo outro genitor (o genitor alienador), sem que houvesse uma justificativa para isso. Questiona-se a classificação de tal comportamento como uma síndrome, pois se entende que existem muitos fatores que podem contribuir para sua ocorrência e não apenas a patologia dos genitores. Na lei nº 12.318/2010, dispõe sobre a alienação parental, ela é descrita como sendo a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou o adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com ele. Existem 7 itens elencados, no parágrafo único do Art. 2, da referida lei, em que são exemplificadas formas de alienação parental: 1.Realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; 2. Dificultar o exercício da autoridade parental; 3. Dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; 4. Dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; 5. Omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, 6. Apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; 7. Mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. O fato de deter uma guarda unilateral acaba conferindo ao guardião um poder que pode ser utilizado para dominar a situação e provocar inúmeros constrangimentos ao outro genitor. A menos que um dos pais seja física ou psicologicamente nocivopara o filho, nada justifica a privação do exercício da função parental, sendo a convivência com ambos os pais um direito inalienável atribuído à criança. A criança tem o direito de continuar ligada às duas famílias e ser impregnada por suas histórias. Alienação parental prejudica a saúde mental da criança No último dia 17, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou um ato normativo que estabelece um protocolo para que crianças e adolescentes sejam ouvidos de forma especializada em ações de família envolvendo alienação parental. No Brasil, uma legislação sobre o tema existe desde 2010, buscando proteger os menores dos impactos emocionais dessa prática durante as separações. Aprovação do protocolo de escuta especializado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que visa ouvir crianças em processos de alienação parental sem a presença dos pais, evitando o constrangimento. "Esse protocolo se baseia em estudos científicos atualizados" e permite que as crianças façam seu relato de maneira mais independente, sendo estimuladas a falar sobre suas experiências através de perguntas abertas e neutras. A advogada especialista em Direito das Famílias, Bárbara Heliodora, enfatiza a gravidade das consequências da alienação parental, alertando que no Brasil, a Lei de Alienação Parental através da lei 12.318/2010, prevê sanções que vão desde advertências até a perda da guarda da criança. "Em casos extremos, o alienador pode ser responsabilizado judicialmente, inclusive com a aplicação de multas", ressalta Heliodora. Ela também reforça o papel crucial do advogado de família na proteção dos direitos da criança, explicando que, ao identificar indícios de alienação parental, é fundamental orientar os pais sobre as implicações legais e tomar medidas protetivas. "O foco deve ser garantir que o interesse superior da criança prevaleça, promovendo a convivência saudável entre pais e filhos" Salienta que, em alguns casos, a intervenção judicial é necessária, mas alerta sobre a importância de evitar o litígio, que pode agravar a situação da criança. Além disso, a advogada aponta que a intervenção judicial pode incluir a aplicação de penalidades ao alienador, a alteração da guarda e até mesmo a suspensão da convivência, além de medidas como sessões de mediação familiar e acompanhamento psicológico. Entre os impactos psicológicos mais comuns em crianças que vivenciam a alienação parental estão a confusão de sentimentos, a insegurança, a baixa autoestima, a ansiedade, a depressão, a dificuldade de estabelecer vínculos saudáveis e a lealdade dividida entre os pais. Segundo a psicóloga Claudia Melo, "a alienação parental pode trazer muito sofrimento e afetar negativamente a relação da criança com o genitor alienado a longo prazo, dificultando a construção de um relacionamento forte e duradouro, a confiança mútua, a comunicação e a convivência familiar equilibrada", afirma a psicóloga. FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO. DESENVOLVIMENTO HUMANO. Mitos sobre a formação do homem, segundo José Bleger: De acordo com o psicólogo institucional José Bleger, em seu livro Psicologia da Conduta, existem três mitos filosóficos que influenciaram as Ciências Humanas sobre a formação do Homem. São eles: MITO DO HOMEM NATURAL: O homem tem uma “essência original” que é boa, mas por influência da sociedade, essas qualidades se perderiam, se manifestariam ou seriam modificadas. MITO DO HOMEM ISOLADO: Propõe o homem como ser isolado, não social, que, aos poucos, desenvolve a necessidade de relacionar- se com os outros indivíduos. O MITO DO HOMEM ABSTRATO: O homem é um ser cujas características independem de suas situações de vida A FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO Nossa natureza é social, isto é, o ser humano não está só frente ao mundo que o cerca Viver com outros humanos é uma condição para se humanizar e se individualizar É na sociedade que temos a oportunidade de entrarmos em contato com a cultura Por meio de nossas relações sociais que vamos construindo nossa identidade, desenvolvendo aptidões, aprendendo a usar qualquer ferramenta ou objeto cultural, criando pertencimento à determinada sociedade INTERAÇÃO SOCIAL SOCIALIZAÇÃO PADRÕES DE COMPORTAMENTO ACEITAÇÃO NOS GRUPOS SOCIAIS DESENVOLVIMENTO HUMANO FATORES: 1.Hereditariedade carga genética que estabelece o potencial do indivíduo que pode ou não desenvolver-se 2. Crescimento orgânico refere-se ao aspecto físico 3. Maturação neurofisiológica é o que torna possível certos padrões de comportamento 4. Meio conjunto de influências e estimulações ambientais que altera os padrões de comportamento do indivíduo ASPECTOS: 1.ASPECTO FÍSICO-MOTOR crescimento orgânico, maturação neurofisiológica, capacidade de manipulação de objetos e de controlar o próprio corpo; 2. ASPECTO INTELECTUAL capacidade de pensamento, raciocínio 3. ASPECTO AFETIVO-EMOCIONAL é o modo particular do indivíduo integrar as suas experiências. 4. ASPECTO SOCIAL é a maneira como o indivíduo reage diante de situações que envolvem outras pessoas. Desenvolvimento é um processo que tem início na concepção e só termina com a morte. O estudo do desenvolvimento humano é o conhecimento da história do homem desde o seu nascimento (mesmo antes dele), até a sua morte. Na verdade, é compreender o que ocorre em cada idade, cada fase da vida. Interação entre padrões biologicamente pré-determinados e um ambiente dinâmico, em constante mudança. Fatores importantes para o desenvolvimento humano Os fatores básicos são dois: a hereditariedade e o ambiente. A hereditariedade é formada pela composição genética do indivíduo que influencia o crescimento e o desenvolvimento ao longo da vida. O ambiente pode ser constituído das influências dos familiares, das amizades, a educação, a nutrição e todas as experiências as quais as pessoas estão expostas. Ninguém está livre das influências ambientais, mas também não cresce sem ser afetado pela bagagem genética. O estudo do desenvolvimento humano é muito importante para várias questões jurídicas que devem ser avaliadas a partir da etapa do desenvolvimento em que o indivíduo se encontra. Por exemplo: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pressupõe certo entendimento sobre a infância e a adolescência; o Estatuto do Idoso abrange sujeitos que estão em outro ciclo vital, com características específicas; e, o Código Penal está fundamentado em questões da maioridade TEORIA DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL: ERIK ERIKSON PRINCIPAIS CONCEITOS: Princípio Epigenético – Sustenta que o desenvolvimento ocorra em estágios seqüenciais e claramente definidos. Caso não ocorra a resolução eficaz de um determinado estágio todos os estágios subseqüentes refletirão este fracasso, na forma de um desajuste físico, cognitivo, social ou emocional. Crises Internas – A crise interna pode ser considerada como ponto de virada, período em que o indivíduo se encontra em um estado de maior vulnerabilidade. Idealmente, se uma crise é dominada com sucesso, a pessoa ganha força e é capaz de avançar para o próximo estágio. Na Teoria Psicossocial do Desenvolvimento, o desenvolvimento evolui em oito estágios. Os primeiros quatro estágios decorrem no período de bebê e da infância, e os últimos três durante a idade adulta e a velhice. Erikson dá especial importância ao período da adolescência, devido ao fato de ser na transição entre a infância e a idade adulta, em que se verificam acontecimentos relevantes para a personalidade adulta. Cada estágio contribui para a formação da personalidade total ,sendo por isso todos importantes mesmo depois de serem ultrapassados. Um dos seguidores da Escola criada por Freud (Psicanálise), Erik Erikson destacou a importância da sociedade para o desenvolvimento humano. Para Freud, como já vimos, as primeiras experiências na infância moldam o indivíduo; para Erikson, o desenvolvimento continuaria por toda a vida e seria influenciado pela sociedade. Sendo assim, o desenvolvimento para Erikson tem um aspecto psicossocial e está dividido em oito estágiosdurante o ciclo vital. Cada estágio envolve uma crise que surge de acordo com a maturação do indivíduo e que deve ser resolvida de forma satisfatória para um desenvolvimento saudável ESQUEMA DE DESENVOLVIMENTO DE ERIK ERICKSON 1- Confiança X Desconfiança (até um ano de idade) Durante o primeiro ano de vida, a criança é substancialmente dependente das pessoas que cuidam dela, requerendo cuidado quanto à alimentação, higiene, locomoção, aprendizado de palavras e seus significados, bem como estimulação para perceber que existe um mundo em movimento ao seu redor. O amadurecimento ocorrerá de forma equilibrada se a criança sentir que tem segurança e afeto, adquirindo confiança nas pessoas e no mundo. A mãe que atende as necessidades do bebê gera uma relação de confiança. A desconfiança ocorre se a mãe não for atenta e carinhosa e não conseguir suprir as necessidades e expectativas da criança. 2- Autonomia X Vergonha e Dúvida (segundo e terceiro ano) Neste período, a criança passa a ter controle de suas necessidades fisiológicas e a responder por sua higiene pessoal, o que dá a ela grande autonomia, confiança e liberdade para tentar novas coisas sem medo de errar. Se, no entanto, for criticada ou ridicularizada desenvolverá vergonha e dúvida quanto a sua capacidade de ser autônoma, provocando uma volta ao estágio anterior, ou seja, a dependência. A autonomia envolve um senso de domínio da criança sobre si mesma e sobre seus impulsos.Se os pais permitem que a criança funcione com alguma autonomia e apóiam, sem superproteger, o bebê adquire autoconfiança e sente que consegue controlar a si mesmo e ao mundo ao seu redor. 3-Iniciativa X Culpa (quarto e quinto ano) Durante este período, a criança passa a perceber as diferenças sexuais, os papéis desempenhados por mulheres e homens na sua cultura (conflito edipiano para Freud) entendendo de forma diferente o mundo que a cerca. Se a sua curiosidade “sexual” e intelectual, natural, for reprimida e castigada, poderá desenvolver sentimento de culpa e diminuir sua iniciativa de explorar novas situações ou de buscar novos conhecimentos. Conflitos acerca da iniciativa podem impedir que a crianças em desenvolvimento experimentem todo o seu potencial e podem interferir em seu senso de ambição. 4- Construtividade X Inferioridade (dos 6 aos 11 anos) Neste período, a criança está sendo alfabetizada e frequentando a escola, o que propicia o convívio com pessoas que não são seus familiares, o que exigirá maior sociabilização, trabalho em conjunto, cooperatividade, e outras habilidades necessárias. Caso tenha dificuldades, o próprio grupo irá criticá-la, passando a viver a inferioridade em vez da construtividade. Prevalece à interação com seus pares. Nesta fase a criança está ocupada construindo, criando e conquistando. A construtividade, ou capacidade de trabalhar e adquirir habilidades adultas, é o ponto principal deste estágio A criança aprende que é capaz de fazer coisas e, principalmente, que é capaz de dominar e realizar uma tarefa. A criança produtiva aprende a ter prazer no trabalho e o orgulho de fazer alguma coisa bem feita. Um ambiente que deprecie ou desencoraje a criança pode diminuir a auto-estima. 5- Identidade X Confusão de Papéis (dos 12 aos 18 anos) O quinto estágio ganha contornos diferentes devido à crise psicossocial que nele acontece, ou seja, Identidade Versus Confusão. Neste contexto, o termo crise não possui uma acepção dramática por tratar-se de algo pontual e localizado com polos positivos e negativos. A identidade saudável é construída a partir da passagem bem sucedida pelos estágios anteriores. A identificação com pais saudáveis ou substitutos destes facilita o processo. O adolescente encontra-se em uma moratória psicossocial, estágio entre a moralidade aprendida pela criança e a ética desenvolvida pelo adulto. Durante a moratória, vários papéis são testados. Crise de Identidade Uma crise de identidade ocorre ao final da adolescência. Erikson a chama de crise normativa, pois trata-se de um evento normal. O fracasso em administrar este estágio deixa o adolescente sem uma identidade sólida; ocorre uma difusão de identidade e de papéis. A confusão de papéis pode manifestar-se em anormalidades comportamentais tais como fugas de casa, criminalidade e psicose manifesta. Questões sobre identidade de gênero e papel sexual podem manifestar-se neste momento. O adolescente pode defender-se da difusão de papéis unindo-se a cultos ou turmas ou pela identificação com heróis populares. 6- Intimidade X Isolamento (jovem adulto, dos 21 aos 40 anos) Neste momento, o interesse, além de profissional, gravita em torno da construção de relações profundas e duradouras, podendo vivenciar momentos de grande intimidade e entrega afetiva. Caso ocorra uma decepção, a tendência será o isolamento temporário ou duradouro. Tarefas que dizem respeito a amar e trabalhar. Um indivíduo que alcance os anos da vida adulta em um estado de confusão continuada de papéis será incapaz de se envolver em relacionamentos intensos e duradouros. 7- Produtividade X Estagnação (meia idade, 40 aos 65 anos) Pode aparecer uma dedicação à sociedade à sua volta uma realização de valiosas contribuições, ou grande preocupação com o conforto físico e material. Produtividade inclui criar filhos, orientar nova geração, criatividade e altruísmo. Assim a estagnação não é evitada por ter filhos. Algumas pessoas podem casar e até mesmo ter filhos, mas tudo isso dentro de um casulo de autopreocupação, isolamento e ausência de intimidade - características da estagnação 8- Integridade X Desesperança (velhice, mais de 65 anos) Se o envelhecimento ocorre com sentimento de produtividade e valorização do que foi vivido, sem arrependimentos e lamentações sobre oportunidades perdidas ou erros cometidos haverá integridade e ganhos, do contrário, um sentimento de tempo perdido e a impossibilidade de começar de novo trará tristeza e desesperança. O estágio marca o conflito entre a integridade (o senso de satisfação que se tem ao refletir que a vida foi produtiva e válida) e o desespero - senso de que a vida teve pouco valor ou significado. Desespero é a perda de esperança que produz misantropia (aversão à sociedade, aos homens, antropofobia). A contribuição mais importante, na teoria de Erikson, foi o seu estudo sobre a adolescência e a construção de sua identidade. O desenvolvimento de suas ideias forma, até os dias atuais, o fundamento para muitos autores na área da infância e juventude fazerem uma leitura sobre o adolescente em conflito com a lei. Várias são as teorias do desenvolvimento e vários são os aspectos enfatizados em cada uma delas. Não há uma teoria melhor ou mais completa. O que temos são teorias em razão das Escolas nas quais os autores desenvolveram seus estudos. É importante que o operador de Direito tenha, noções sobre o desenvolvimento, entendendo que cada estágio é formado por um período de tempo que é definido por um conjunto de características físicas, emocionais, intelectuais e sociais, que são desenvolvidas e assimiladas de forma diferente e única. Psicologia Social É o estudo das condutas humanas que são influenciadas por outras pessoas. Objeto de estudo:Somos nós mesmos, participando das mais variadas interações sociais. Um dos principais temas de pesquisa da Psicologia Social é o das atitudes sociais Atitude: é uma organização duradoura de pensamentos e crenças (cognições), dotada de uma carga afetiva pró ou contra um objeto social que predispõe o indivíduo para a ação. Para o senso comum - atitude é sinônimo de comportamento Atitude é uma predisposição mental . Comportamento é a ação. Componentes das atitudes - a cognição, o afeto e o comportamento. As atitudes são construídas ao longo da história de vida do sujeito. São aprendidas por meio da vivência da pessoa, da imitação e da observação. Conhecer, poder explicar e prever são acontecimentos ligados a variáveis ideológicas, políticase morais, que fazem parte de nossas atitudes. Preconceito - atitude que apresenta duas características específicas: se forma sempre em torno de um núcleo afetivamente negativo; e, é dirigido contra um indivíduo ou grupo de pessoas. Exemplos: preconceitos étnicos, religiosos, políticos, culturais, ideológicos e profissionais. Estereótipos: são colocações de certas características a pessoas pertencentes a determinados grupos sociais. Os estereótipos podem ser definidos por atitudes positivas ou negativas, em relação a estas pessoas. Os estereótipos nos permitem simplificar a realidade social. Por meio deles, reconhecemo-nos em determinado grupo e nos diferenciamos de outros grupos. Sempre que nos sentimos pertencentes a um grupo, desenvolvemos sentimentos de proteção com quem nos identificamos, e de hostilidade e rejeição em relação aos diferentes de nós. Discriminação: que é o comportamento que deriva do preconceito e do estereótipo. Geralmente, a discriminação é negativa e pode intensificar-se em situações de crise (política, econômica, social e emocional). Em cada cultura, em cada época, existem diferentes formas de discriminação e diferentes grupos-vítimas desta atitude. Estigma: a palavra estigma representa algo de mal, que deve ser evitado. A sociedade estabelece um modelo de categorias e tenta catalogar as pessoas de acordo com os atributos considerados naturais e comuns para ela. Demonstra pertencer a uma categoria com atributos incomuns ou diferentes e pouco aceitos pelo grupo social, ou em casos extremos, é considerado mau e perigoso. Quanto mais visível for a “marca”, menor será a possibilidade de reverter esta situação. Questionamentos sobre os critérios de normal e patológico: As ideias e os critérios de avaliação destes termos foram sendo construídas com base no desenvolvimento científico, na cultura e nos comportamentos daqueles que avaliam os indivíduos. O conceito de normal e patológico é relativo. Sob o ponto de vista cultural, o que em uma sociedade é considerado “normal”, aceito e valorizado, em outra sociedade, ou na mesma sociedade, em outro momento histórico, pode ser considerado anormal, desviante ou patológico. Critérios de Normalidade: Normalidade como ausência de doença Normalidade “ideal”: referendada socialmente Normalidade estatística: maior frequência. Ex: IMC Normalidade como “bem estar”: OMS Normalidade funcional: O disfuncional provoca sofrimento a si mesmo e ao grupo Normalidade como processo: Crises e mudanças, conforme o desenvolvimento. Normalidade subjetiva: Percepção subjetiva Normalidade como liberdade: Doença mental como perda da liberdade existencial. Normalidade operacional: Arbitrário. A saúde mental pode incluir a capacidade de um indivíduo para apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as suas atividades e os seus esforços para atingir a resiliência psicológica. A resiliência é um conceito psicológico, emprestado da Física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas — choque, estresse etc. — sem provocar danos psicológicos. O conceito de Saúde Mental é mais amplo que a ausência de transtornos mentais. Qualidade de vida cognitiva e emocional: Atitudes positivas em relação a si próprio; Autorealização; integração; Autonomia e autodeterminação; Percepção apurada da realidade; Domínio e competência social. Em Psiquiatria e em Psicologia prefere-se falar em transtornos ou perturbações ou disfunções ou distúrbios psíquicos no lugar de doença. Transtorno revela um conceito que descreve um comportamento diferente. LEI 10.216/2001 – LEI ANTIMANICOMIAL Em 1987, em um Encontro Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, nasceu o Movimento da Luta Antimanicomial. Uma das conquistas deste Movimento foi a Lei nº 10.216/2001, que determinou o fechamento progressivo dos hospitais psiquiátricos e a instalação de serviços substitutivos. A partir desta lei, o Brasil tem eliminado leitos psiquiátricos e substituído pelos serviços dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), residências terapêuticas, programas de redução de danos, centros de convivência, oficinas de geração de renda, entre outros programas. Algumas abordagens críticas como a Antipsiquiatria e a Psiquiatria Social denunciaram o saber científico, nesta área, como manipulação, retirada da humanidade e dignidade dos portadores de transtornos mentais, além das condições inadequadas de tratamento e internação. Essas abordagens não negam que os transtornos mentais existam, mas se propõem a enfrentá-los, utilizando uma postura crítica aos métodos tradicionais. Acreditam que o portador de transtorno mental não é um “monstro”, por isso, não deve ser desumanizado, mas, sim, avaliado por meio de sua história de vida. A lei nº 10.216/2001 surgiu como uma garantia de direitos e de reinserção social das pessoas estigmatizadas por serem portadoras de transtornos mentais. Ainda se faz necessária uma luta mais ampla pelo respeito e garantia de direitos à diversidade e à singularidade de cada um.