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Módulo: ASPECTOS GERAIS SOBRE A TEORIA GERAL DO DIREITO TEMA 01 – JURISDIÇÃO, PROCESSO, AÇÃO E COMPETÊNCIA – PARTE I. CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO Inicialmente, a ideia é tratar dos princípios e das características da jurisdição. O conceito vem do latim juris + dictio, que significa “dizer o direito”, que é uma função típica da soberania do Estado. É através dela que as pretensões trazidas ao juízo são solucionadas de forma definitiva (jurisdição contenciosa) mediante a aplicação da lei ao caso concretou ou para que se faça a tutela de interesses considerados relevantes para o Estado (jurisdição voluntária). No caso desta última, não há resolução de conflitos, mas mera administração estatal de interesses que ele julgou relevante administrar. Neste momento, serão abordadas suas características segundo a dogmática processual: A primeira característica da jurisdição que vale a pena mencionar é a sua inércia. Segundo o Código de Processo Civil (CPC), a iniciativa do processo compete - 01357684541 à parte, sendo papel do órgão jurisdicional a sua movimentação. Veja-se a redação do art. 2º: Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. No CPC anterior, que era da época de 1973, havia algumas exceções a esta característica da inércia. Apesar de a regra geral ser a iniciativa da parte, era permitido excepcionalmente que o próprio juízo instaurasse o processo de ofício. No CPC atual, há pouquíssimas mitigações à inércia. Por exemplo, pode ser citada a hipótese de cumprimento de obrigações de fazer e não fazer, que, segundo o art. 536 do CPC, permite ao juízo, de ofício, determinar as medidas adequadas para que se obtenha a tutela específica ou o resultado prático equivalente. Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente. Em relação às tutelas cautelares, sempre se discutiu bastante a respeito do chamado “poder geral de cautela” do juiz. Dessa forma, a discussão girava em torno de o juiz poder, de ofício, determinar medidas de natureza cautelar. Outras duas exceções estão previstas nos arts. 643 e 830 do CPC: Art. 643. Não havendo concordância de todas as partes sobre o pedido de pagamento feito pelo credor, será o pedido remetido às vias ordinárias. Parágrafo único. O juiz mandará, porém, reservar, em poder do inventariante, bens suficientes para pagar o credor quando a dívida constar de documento que comprove suficientemente a obrigação e a impugnação não se fundar em quitação. [...] Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar- lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução. § 1º Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça procurará o executado 2 (duas) vezes em dias distintos e, havendo suspeita de ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente o ocorrido. § 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vez frustradas a pessoal e a com hora certa. § 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto converter-se-á em penhora, independentemente de termo. - 01357684541 O art. 643 do CPC é o dispositivo que prevê, em caso de discordância com o pagamento pleiteado pelo credor nos autos do inventário, o juiz poderá determinar a reserva de bens pelo inventariante de ofício de forma que se garanta o pagamento deste crédito ao final, caso se mostre devido. O art. 830 do CPC fala da hipótese do “arresto”, em que o juiz determina que sejam apreendidos bens do devedor caso ele não tenha sido encontrado e existam bens suficientes para garantir a execução. A segunda característica da jurisdição é a lide, que é o conflito de interesses que se qualifica por uma pretensão resistida. No tempo do CPC de 1973, o termo “lide” era empregado como sinônimo de “mérito”, razão pela qual se fala em “julgamento antecipado da lide”. Mas é preciso dizer que, na verdade, o pedido limita a lide, de forma que esses termos não são efetivamente sinônimos. Veja-se, por exemplo, a situação em que uma fazenda seja invadida, tenha suas plantações e construções destruídas, furtadas as cabeças de gado, tenha ocorrido a perda da safra que não foi colhida... Considerando que os invasores ainda estejam no local, seria cabível uma ação de reintegração de posse por parte do proprietário da fazenda. O advogado deste sujeito poderia sugerir que a reintegração de posse fosse cumulada com indenização de danos materiais. Se o cliente entendesse que os invasores não tivessem condições de arcar com os prejuízos causados, poderia ficar satisfeito apenas com um pedido de reintegração de posse. Nesse caso, pode-se dizer que o pedido limitou a lide, porque apenas a reintegração de posse irá para a tutela jurisdicional, não havendo que se falar em indenização por danos materiais, porque não haveria pedido sobre o assunto. A terceira característica da jurisdição é a substitutividade. Para entendê-la, veja-se a seguinte pregunta: quando a jurisdição se exercita? Em regra, quando os mecanismos existentes para prevenir ou solucionar conflitos eventualmente se mostrem ineficazes antes do chamamento do Poder Judiciário. Então, a jurisdição é uma atividade secundária que pressupõe a falha de uma atividade primária em resolver os conflitos. Porém, apesar de ser uma característica da jurisdição, há exceções que fazem com que o Judiciário seja necessariamente o primeiro mecanismo de solução dos conflitos. É o caso, por exemplo, das “ações necessárias” ou “processos - 01357684541 necessários”, que são aqueles nos quais os efeitos jurídicos buscados somente podem ser alcançados pelo exercício da via jurisdicional. É o caso da anulação de um matrimônio, o divórcio quando existam incapazes, a partilha em que não há acordos entre os cônjuges... Estas são hipóteses de ações necessárias, já que seus efeitos jurídicos somente podem ser buscados pela via jurisdicional. Por fim, pode-se falar ainda na característica da definitividade, que significa que apenas as decisões judiciais são passíveis de se revestirem das qualidades de “imutabilidade” e “indiscutibilidade” quando não mais sujeitas à remessa necessária ou a eventual recurso. É claro que, no campo das ações coletivas, a jurisdição ganha contornos próprios que mitigam esta característica da definitividade, pois há a chamada “coisa julgada secundum eventum litis”. Significa que, nas ações coletivas, caso haja improcedência em objeto envolvendo interesses difusos ou coletivos por insuficiência de provas, será possível o ajuizamento de uma nova ação por qualquer dos legitimados. Discute-se se, neste caso, seria possível que o mesmo legitimado que ajuizou anteriormente a demanda originária pudesse repeti-la. Assim, é importante dizer que vem prevalecendo a ideia de que não há óbice para tanto, ou seja, ele poderia, sim, repetir a ação anteriormente processada. PRINCÍPIOS DA JURISDIÇÃO O primeiro princípio que vale a pena citar é o da aderência. Sabe-se que a jurisdição se adere a um determinado limite territorial, de forma que a regra seja que a prática de atos processuais fora daquela circunscrição territorial, onde determinado juízo exerce sua jurisdição, exigirá que ele se valha dos mecanismos que o CPC prevê para a comunicação com os outros órgãos jurisdicionais. No atual CPC, há várias exceções a este princípio da aderência, pois permite- se em algumas ocasiões que o juízo realize ato processual fora de seu território circunscrito. Por exemplo, há previsão no art.§ 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem. § 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. [...] - 01357684541 Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de conciliação e mediação serão inscritos em cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal, que manterá registro de profissionais habilitados, com indicação de sua área profissional. § 1º Preenchendo o requisito da capacitação mínima, por meio de curso realizado por entidade credenciada, conforme parâmetro curricular definido pelo Conselho Nacional de Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça, o conciliador ou o mediador, com o respectivo certificado, poderá requerer sua inscrição no cadastro nacional e no cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal. [...] Art. 217. [...] § 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. CPC Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. [...] Art. 60. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, seção ou subseção judiciária, a competência territorial do juízo prevento estender-se-á sobre a totalidade do imóvel. [...] Art. 152. Incumbe ao escrivão ou ao chefe de secretaria: [...] VI - praticar, de ofício, os atos meramente ordinatórios. § 1º O juiz titular editará ato a fim de regulamentar a atribuição prevista no inciso VI [...] - 01357684541 Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição. § 1º A composição e a organização dos centros serão definidas pelo respectivo tribunal, observadas as normas do Conselho Nacional de Justiça. [...] Art. 166. [...] § 1º A confidencialidade estende-se a todas as informações produzidas no curso do procedimento, cujo teor não poderá ser utilizado para fim diverso daquele previsto por expressa deliberação das partes. § 2º Em razão do dever de sigilo, inerente às suas funções, o conciliador e o mediador, assim como os membros de suas equipes, não poderão divulgar ou depor acerca de fatos ou elementos oriundos da conciliação ou da mediação. § 4º A mediação e a conciliação serão regidas conforme a livre autonomia dos interessados, inclusive no que diz respeito à definição das regras procedimentais. [...] Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão câmaras de mediação e conciliação, com atribuições relacionadas à solução consensual de conflitos no âmbito administrativo, tais como: I - dirimir conflitos envolvendo órgãos e entidades da administração pública; II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio de conciliação, no âmbito da administração pública; III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta. [...] Art. 175. As disposições desta Seção não excluem outras formas de conciliação e mediação extrajudiciais vinculadas a órgãos institucionais ou realizadas por intermédio de profissionais independentes, que poderão ser regulamentadas por lei específica. Parágrafo único. Os dispositivos desta Seção aplicam-se, no que couber, às câmaras privadas de conciliação e mediação. - 01357684541 [...] Art. 255. Nas comarcas contíguas de fácil comunicação e nas que se situem na mesma região metropolitana, o oficial de justiça poderá efetuar, em qualquer delas, citações, intimações, notificações, penhoras e quaisquer outros atos executivos. [...] Art. 319. A petição inicial indicará: [...] VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. [...] Art. 334. [...] § 4º A audiência não será realizada: I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual; II - quando não se admitir a autocomposição. [...] Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. [...] Art. 385. [...] § 3º O depoimento pessoal da parte que residir em comarca, seção ou subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser colhido por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e - 01357684541 imagens em tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e julgamento. [...] Art. 453. [...] § 1º A oitiva de testemunha que residir em comarca, seção ou subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser realizada por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão e recepção de sons e imagens em tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a audiência de instrução e julgamento. § 2º Os juízos deverão manter equipamento para a transmissão e recepção de sons e imagens a que se refere o § 1º. [...] Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: [...] VII - a sentença arbitral; [...] Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente. [...] Art. 643. Não havendo concordância de todas as partes sobre o pedido de pagamento feito pelo credor, será o pedido remetido às vias ordinárias. Parágrafo único. O juiz mandará, porém, reservar, em poder do inventariante, bens suficientes para pagar o credor quando a dívida constar de documento que comprove suficientemente a obrigação e a impugnação não se fundar em quitação. [...] Art. 723. [...] Parágrafo único. O juiz não é obrigado a observar critério de legalidade estrita, podendo adotar em cada caso a solução que considerar mais conveniente ou oportuna. - 01357684541 [...] Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução. § 1º Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça procurará o executado 2 (duas) vezes em dias distintos e, havendo suspeita de ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente o ocorrido. § 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vezfrustradas a pessoal e a com hora certa. § 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto converter-se-á em penhora, independentemente de termo. [...] Art. 928. Para os fins deste Código, considera-se julgamento de casos repetitivos a decisão proferida em: I - incidente de resolução de demandas repetitivas; [...] Art. 947. É admissível a assunção de competência quando o julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo de competência originária envolver relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem repetição em múltiplos processos. § 1º Ocorrendo a hipótese de assunção de competência, o relator proporá, de ofício ou a requerimento da parte, do Ministério Público ou da Defensoria Pública, que seja o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária julgado pelo órgão colegiado que o regimento indicar. § 2º O órgão colegiado julgará o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária se reconhecer interesse público na assunção de competência. § 3º O acórdão proferido em assunção de competência vinculará todos os juízes e órgãos fracionários, exceto se houver revisão de tese. § 4º Aplica-se o disposto neste artigo quando ocorrer relevante questão de direito a respeito da qual seja conveniente a prevenção ou a composição de divergência entre câmaras ou turmas do tribunal. - 01357684541 [...] Art. 972. Se os fatos alegados pelas partes dependerem de prova, o relator poderá delegar a competência ao órgão que proferiu a decisão rescindenda, fixando prazo de 1 (um) a 3 (três) meses para a devolução dos autos. [...] Art. 978. O julgamento do incidente caberá ao órgão indicado pelo regimento interno dentre aqueles responsáveis pela uniformização de jurisprudência do tribunal. Parágrafo único. O órgão colegiado incumbido de julgar o incidente e de fixar a tese jurídica julgará igualmente o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária de onde se originou o incidente. Lei nº 11.417/2006 Art. 7º. [...] § 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. Lei nº 9.507/1997 Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 282 a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em duas vias, e os documentos que instruírem a primeira serão reproduzidos por cópia na segunda. Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova: I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão; II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão. Lei nº 9.099/1995 Art. 6º O Juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum. - 01357684541 Lei nº 2.180/1954 Art. 1º O Tribunal Marítimo, com jurisdição em todo o território nacional, órgão, autônomo, auxiliar do Poder Judiciário, vinculado ao Ministério da Marinha no que se refere ao provimento de pessoal militar e de recursos orçamentários para pessoal e material destinados ao seu funcionamento, tem como atribuições julgar os acidentes e fatos da navegação marítima, fluvial e lacustre e as questões relacionadas com tal atividade, especificadas nesta Lei. [...] Art. 16. Compete ainda ao Tribunal Marítimo: [...] f) funcionar, quando nomeado pelos interessados, como juízo arbitral nos litígios patrimoniais consequentes a acidentes ou fatos da navegação; Lei nº 9.307/1996 Art. 2º. [...] § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. [...] Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes. § 1º As partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número ímpar, podendo nomear, também, os respectivos suplentes. [...] Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. [...] Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. - 01357684541 Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se a parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de efetivação da respectiva decisão. Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter, modificar ou revogar a medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida cautelar ou de urgência será requerida diretamente aos árbitros. [...] Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. [...] Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo. Art. 32. É nula a sentença arbitral se: I - for nula a convenção de arbitragem; II - emanou de quem não podia ser árbitro; III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; e VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei. Resolução nº 125/2010, Anexo III, CNJ Art. 1º - São princípios fundamentais que regem a atuação de conciliadores e mediadores judiciais: confidencialidade, decisão informada, competência, imparcialidade, independência e autonomia, respeito à ordem pública e às leis vigentes, empoderamento e validação. - 01357684541 I - Confidencialidade - dever de manter sigilo sobre todas as informações obtidas na sessão, salvo autorização expressa das partes, violação à ordem pública ou às leis vigentes, não podendo ser testemunha do caso, nem atuar como advogado dos envolvidos, em qualquer hipótese; II - Decisão informada - dever de manter o jurisdicionado plenamente informado quanto aos seus direitos e ao contexto fático no qual está inserido; III - Competência - dever de possuir qualificação que o habilite à atuação judicial, com capacitação na forma desta Resolução, observada a reciclagem periódica obrigatória para formação continuada; IV - Imparcialidade - dever de agir com ausência de favoritismo, preferência ou preconceito, assegurando que valores e conceitos pessoais não interfiram no resultado do trabalho, compreendendo a realidade dos envolvidos no conflito e jamais aceitando qualquer espécie de favor ou presente; V - Independência e autonomia - dever de atuar com liberdade, sem sofrer qualquer pressão interna ou externa, sendo permitido recusar, suspender ou interromper a sessão se ausentes as condições necessárias para seu bom desenvolvimento, tampouco havendo dever de redigir acordo ilegal ou inexequível; VI - Respeito à ordem pública e às leis vigentes - dever de velar para que eventual acordo entreos envolvidos não viole a ordem pública, nem contrarie as leis vigentes; VII - Empoderamento - dever de estimular os interessados a aprenderem a melhor resolverem seus conflitos futuros em função da experiência de justiça vivenciada na autocomposição; VIII - Validação - dever de estimular os interessados perceberem-se reciprocamente como serem humanos merecedores de atenção e respeito. [...] Art. 12-C. As Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação ou órgãos semelhantes, bem como seus mediadores e conciliadores, para que possam realizar sessões de mediação ou conciliação incidentes a processo judicial, devem ser cadastradas no Tribunal respectivo ou no Cadastro Nacional de Mediadores Judiciais e Conciliadores, nos termos do art. 167 do Código de Processo Civil de 2015, ficando sujeitas aos termos desta Resolução. - 01357684541 Parágrafo único. O cadastramento é facultativo para realização de sessões de mediação ou conciliação pré-processuais. Art. 12-D. Os Tribunais determinarão o percentual de audiências não remuneradas que deverão ser suportadas pelas Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação, com o fim de atender aos processos em que foi deferida a gratuidade da justiça, como contrapartida de seu credenciamento, nos termos do art.169, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015, respeitados os parâmetros definidos pela Comissão Permanente de Solução Adequada de Conflitos ad referendum do Plenário. Art. 12-E. As Câmaras Privadas de Mediação e Conciliação e os demais órgãos cadastrados ficam sujeitos à avaliação prevista no art. 8º, § 9º, desta Resolução. Parágrafo único. A avaliação deverá refletir a média aritmética de todos os mediadores e conciliadores avaliados, inclusive daqueles que atuaram voluntariamente, nos termos do art. 169, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015. Art. 12-F. Fica vedado o uso de brasão e demais signos da República Federativa do Brasil pelas Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação ou órgãos semelhantes, bem como por seus mediadores e conciliadores, estendendo-se a vedação ao uso da denominação de "Tribunal" ou expressão semelhante para a entidade e a de "juiz" ou equivalente para seus membros. Lei nº 13.140/2015 Art. 2º. [...] § 2º Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de mediação. [...] Art. 5º Aplicam-se ao mediador as mesmas hipóteses legais de impedimento e suspeição do juiz. Parágrafo único. A pessoa designada para atuar como mediador tem o dever de revelar às partes, antes da aceitação da função, qualquer fato ou circunstância que possa suscitar dúvida justificada em relação à sua imparcialidade para mediar o conflito, oportunidade em que poderá ser recusado por qualquer delas. [...] - 01357684541 Art. 30. Toda e qualquer informação relativa ao procedimento de mediação será confidencial em relação a terceiros, não podendo ser revelada sequer em processo arbitral ou judicial salvo se as partes expressamente decidirem de forma diversa ou quando sua divulgação for exigida por lei ou necessária para cumprimento de acordo obtido pela mediação. [...] § 3º Não está abrigada pela regra de confidencialidade a informação relativa à ocorrência de crime de ação pública. [...] Art. 31. Será confidencial a informação prestada por uma parte em sessão privada, não podendo o mediador revelá-la às demais, exceto se expressamente autorizado. [...] Art. 32. [...] § 1º O modo de composição e funcionamento das câmaras de que trata o caput será estabelecido em regulamento de cada ente federado. § 2º A submissão do conflito às câmaras de que trata o caput é facultativa e será cabível apenas nos casos previstos no regulamento do respectivo ente federado. § 3º Se houver consenso entre as partes, o acordo será reduzido a termo e constituirá título executivo extrajudicial. § 4º Não se incluem na competência dos órgãos mencionados no caput deste artigo as controvérsias que somente possam ser resolvidas por atos ou concessão de direitos sujeitos a autorização do Poder Legislativo. § 5º Compreendem-se na competência das câmaras de que trata o caput a prevenção e a resolução de conflitos que envolvam equilíbrio econômico-financeiro de contratos celebrados pela administração com particulares. - 01357684541 Jurisprudência RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO E INTERESSE EM AGIR. 1. A instituição de condições para o regular exercício do direito de ação é compatível com o art. 5º, XXXV, da Constituição. Para se caracterizar a presença de interesse em agir, é preciso haver necessidade de ir a juízo. 2. A concessão de benefícios previdenciários depende de requerimento do interessado, não se caracterizando ameaça ou lesão a direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo INSS, ou se excedido o prazo legal para sua análise. É bem de ver, no entanto, que a exigência de prévio requerimento não se confunde com o exaurimento das vias administrativas. 3. A exigência de prévio requerimento administrativo não deve prevalecer quando o entendimento da Administração for notória e reiteradamente contrário à postulação do segurado. 4. Na hipótese de pretensão de revisão, restabelecimento ou manutenção de benefício anteriormente concedido, considerando que o INSS tem o dever legal de conceder a prestação mais vantajosa possível, o pedido poderá ser formulado diretamente em juízo – salvo se depender da análise de matéria de fato ainda não levada ao conhecimento da Administração –, uma vez que, nesses casos, a conduta do INSS já configura o não acolhimento ao menos tácito da pretensão. 5. Tendo em vista a prolongada oscilação jurisprudencial na matéria, inclusive no Supremo Tribunal Federal, deve-se estabelecer uma fórmula de transição para lidar com as ações em curso, nos termos a seguir expostos. 6. Quanto às ações ajuizadas até a conclusão do presente julgamento (03.09.2014), sem que tenha havido prévio requerimento administrativo nas hipóteses em que exigível, será observado o seguinte: (i) caso a ação tenha sido ajuizada no âmbito de Juizado Itinerante, a ausência de anterior pedido administrativo não deverá implicar a extinção do feito; (ii) caso o INSS já tenha apresentado contestação de mérito, está caracterizado o interesse em agir pela resistência à pretensão; (iii) as demais ações que não se enquadrem nos itens (i) e (ii) ficarão sobrestadas, observando-se a sistemática a seguir. 7. Nas ações sobrestadas, o autor será intimado a dar entrada no pedido administrativo em 30 dias, sob pena de extinção do processo. Comprovada a postulação administrativa, o INSS será intimado - 01357684541 a se manifestar acerca do pedido em até 90 dias, prazo dentro do qual a Autarquia deverá colher todas as provas eventualmente necessárias e proferir decisão. Se o pedido for acolhido administrativamente ou não puder ter o seu mérito analisado devido a razões imputáveis ao próprio requerente, extingue-se a ação. Do contrário, estará caracterizado o interesse em agir e o feito deverá prosseguir. 8. Em todos os casos acima – itens (i), (ii) e (iii) –, tanto a análise administrativa quanto a judicial deverão levar em conta a data do início da ação como data de entrada do requerimento, para todos os efeitos legais. 9. Recurso extraordinário a que se dá parcial provimento, reformando-se o acórdão recorrido para determinar a baixa dos autos ao juiz de primeiro grau, o qual deverá intimar a autora – que alega ser trabalhadora rural informal – a dar entrada no pedido administrativo em 30 dias, sob pena de extinção. Comprovada a postulação administrativa, o INSS será intimado para que, em 90 dias, colha as provas necessárias e profira decisão administrativa, considerando como data de entrada do requerimento a data do início da ação, para todos os efeitoslegais. O resultado será comunicado ao juiz, que apreciará a subsistência ou não do interesse em agir. (STF - RE: 631240 MG, Relator: ROBERTO BARROSO, Data de Julgamento: 03/09/2014, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 10/11/2014) PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS EM CADERNETA DE POUPANÇA. EXIBIÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. AÇÃO CAUTELAR DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. INTERESSE DE AGIR. PEDIDO PRÉVIO À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E PAGAMENTO DO CUSTO DO SERVIÇO. NECESSIDADE. 1. Para efeitos do art. 543-C do CPC, firma-se a seguinte tese: A propositura de ação cautelar de exibição de documentos bancários (cópias e segunda via de documentos) é cabível como medida preparatória a fim de instruir a ação principal, bastando a demonstração da existência de relação jurídica entre as partes, a comprovação de prévio pedido à instituição financeira não atendido em prazo razoável, e o pagamento do custo do serviço conforme previsão contratual e normatização da autoridade monetária. 2. No caso concreto, recurso especial provido. (STJ - REsp: 1349453 MS 2012/0218955-5, Relator: Ministro LUIS FELIPE - 01357684541 SALOMÃO, Data de Julgamento: 10/12/2014, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/02/2015) AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE CONTRA A MEDIDA PROVISÓRIA 173, DE 18.3.90, QUE VEDA A CONCESSÃO DE 'MEDIDA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA E EM AÇÕES ORDINÁRIAS E CAUTELARES DECORRENTES DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS NÚMEROS 151, 154, 158, 160, 162, 165, 167 E 168': INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE SUSPENSÃO CAUTELAR DA VIGÊNCIA DO DIPLOMA IMPUGNADO: RAZÕES DOS VOTOS VENCEDORES. SENTIDO DA INOVADORA ALUSÃO CONSTITUCIONAL A PLENITUDE DA GARANTIA DA JURISDIÇÃO CONTRA A AMEAÇA À DIREITO: ÊNFASE A FUNÇÃO PREVENTIVA DE JURISDIÇÃO, NA QUAL SE INSERE A FUNÇÃO CAUTELAR E, QUANDO NECESSÁRIO, O PODER DE CAUTELA LIMINAR. IMPLICAÇÕES DA PLENITUDE DA JURISDIÇÃO CAUTELAR, ENQUANTO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO AO PROCESSO E DE SALVAGUARDA DA PLENITUDE DAS FUNÇÕES DO PODER JUDICIÁRIO. ADMISSIBILIDADE, NÃO OBSTANTE, DE CONDIÇÕES E LIMITAÇÕES LEGAIS AO PODER CAUTELAR DO JUIZ. A TUTELA CAUTELAR E O RISCO DO CONSTRANGIMENTO PRECIPITADO À DIREITOS DA PARTE CONTRÁRIA, COM VIOLAÇÃO DA GARANTIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONSEQUENTE NECESSIDADE DE CONTROLE DA RAZOABILIDADE DAS LEIS RESTRITIVAS AO PODER CAUTELAR. ANTECEDENTES LEGISLATIVOS DE VEDAÇÃO DE LIMINARES DE DETERMINADO CONTEÚDO. CRITÉRIO DE RAZOABILIDADE DAS RESTRIÇÕES, A PARTIR DO CARÁTER ESSENCIALMENTE PROVISÓRIO DE TODO PROVIMENTO CAUTELAR, LIMINAR OU NÃO. GENERALIDADE, DIVERSIDADE E IMPRECISÃO DE LIMITES DO ÂMBITO DE VEDAÇÃO DE LIMINAR DA MP 173, QUE, SE LHE PODEM VIR, A FINAL, A COMPROMETER A VALIDADE, DIFICULTAM DEMARCAR, EM TESE, NO JUÍZO DE DELIBAÇÃO SOBRE O PEDIDO DE SUA SUSPENSÃO CAUTELAR, ATÉ ONDE SÃO RAZOÁVEIS AS PROIBIÇÕES NELA IMPOSTAS, ENQUANTO CONTENÇÃO AO ABUSO DO PODER CAUTELAR, E ONDE SE INICIA, INVERSAMENTE, O ABUSO DAS LIMITAÇÕES E A CONSEQUENTE AFRONTA A PLENITUDE DA JURISDIÇÃO E AO PODER JUDICIÁRIO. INDEFERIMENTO DA - 01357684541 SUSPENSÃO LIMINAR DA MP 173, QUE NÃO PREJUDICA, SEGUNDO O RELATOR DO ACÓRDÃO, O EXAME JUDICIAL EM CADA CASO CONCRETO DA CONSTITUCIONALIDADE, INCLUÍDA A RAZOABILIDADE, DA APLICAÇÃO DA NORMA PROIBITIVA DA LIMINAR. CONSIDERAÇÕES, EM DIVERSOS VOTOS, DOS RISCOS DA SUSPENSÃO CAUTELAR DA MEDIDA IMPUGNADA. (STF - ADI: 223 DF, Relator: PAULO BROSSARD, Data de Julgamento: 05/04/1990, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 29/06/1990) Recursos Audiovisuais TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ. Explicações sobre o funcionamento do CEJUSC. YouTube, 5 fev. 2018. Disponível em: https://youtu.be/alx1TVj3C2I. Acesso em: 28 ago. 2022. - 01357684541 Bibliografia DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento. 19. ed. Salvador: Ed. JusPodivm, 2017. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 10. ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2018. SCAVONE JUNIOR, Luiz Antonio. Arbitragem: mediação, conciliação e negociação. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. - 0135768454160, CPC, sobre o imóvel que atingir a região de mais de um Estado, comarca, seção ou subseção judiciária: Art. 60. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, seção ou subseção judiciária, a competência territorial do juízo prevento estender-se-á sobre a totalidade do imóvel. - 01357684541 Da mesma forma, também é exceção à aderência o art. 255 do CPC, pois permite ato de oficial de justiça em comarcas contíguas e naquelas da mesma região metropolitana: Art. 255. Nas comarcas contíguas de fácil comunicação e nas que se situem na mesma região metropolitana, o oficial de justiça poderá efetuar, em qualquer delas, citações, intimações, notificações, penhoras e quaisquer outros atos executivos. Em seguida, há mais exceções aos limites territoriais do juízo, porque os atos processuais de depoimento pessoal da parte (art. 385, §3º, CPC) e de oitiva das testemunhas (art. 453, §§1º e 2º, CPC) podem ser realizados em local diverso de onde tramita o processo: Art. 385. [...] § 3º O depoimento pessoal da parte que residir em comarca, seção ou subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser colhido por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e julgamento. [...] Art. 453. [...] § 1º A oitiva de testemunha que residir em comarca, seção ou subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser realizada por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão e recepção de sons e imagens em tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a audiência de instrução e julgamento. § 2º Os juízos deverão manter equipamento para a transmissão e recepção de sons e imagens a que se refere o § 1º. A jurisdição também tem como princípio a investidura, que significa que só poderão exercê-la aqueles que estejam legalmente investidos na função. É a Constituição Federal de 1988 (CF/88) que dará o arcabouço para se saber os requisitos da investidura. Nesse caso, podem ser citadas três formas: (1) concurso público (art. 93, I, CF/88); (2) indicação pelo Poder Executivo por meio do quinto constitucional (art. 94, CF/88); e (3) indicação para composição do STF (art. 101, CF/88). Em relação ao princípio da inevitabilidade, significa que a decisão judicial será aplicada à parte, mesmo que ela não queira. É a ideia de que a jurisdição, como manifestação do poder estatal, é imposta àqueles a quem se destina. - 01357684541 Ademais, o princípio da indelegabilidade significa que, na medida em que cabe ao Poder Judiciário exercer sua função típica de jurisdição, esta função não poderá ser delegada, a não ser em situações bastante excepcionais e prevista na CF/88 ou no CPC. Como exemplo de possível delegação da jurisdição, o art. 93, XI, CF/88, permite que seja direcionada ao órgão especial do tribunal para, por exemplo, a observância da cláusula de reserva do plenário: Art. 93. [...] XI nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antigüidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno; Outro caso de exceção à indelegabilidade é o Incidente de Assunção de Competência (IAC), previsto no art. 947, CPC. Trata-se de previsão legal que permite o deslocamento da competência de determinado órgão jurisdicional fracionário originalmente competente para outro que seja colegiado e com maior composição, a quem caberá firmar eventual precedente: Art. 947. É admissível a assunção de competência quando o julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo de competência originária envolver relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem repetição em múltiplos processos. § 1º Ocorrendo a hipótese de assunção de competência, o relator proporá, de ofício ou a requerimento da parte, do Ministério Público ou da Defensoria Pública, que seja o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária julgado pelo órgão colegiado que o regimento indicar. § 2º O órgão colegiado julgará o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária se reconhecer interesse público na assunção de competência. § 3º O acórdão proferido em assunção de competência vinculará todos os juízes e órgãos fracionários, exceto se houver revisão de tese. § 4º Aplica-se o disposto neste artigo quando ocorrer relevante questão de direito a respeito da qual seja conveniente a prevenção ou a composição de divergência entre câmaras ou turmas do tribunal. Também acontece no caso de Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), previsto no art. 928, CPC. Neste caso, a finalidade é estabelecer um precedente com eficácia vinculante para resolver questão de direito que se repete - 01357684541 em múltiplos processos. Há, aqui, uma delegação de competência, pois o processo será solucionado por outro órgão, que será aquele competente para dirimir o IRDR. Art. 928. Para os fins deste Código, considera-se julgamento de casos repetitivos a decisão proferida em: I - incidente de resolução de demandas repetitivas; O órgão competente para tal julgamento deverá estar previsto no regimento interno do tribunal, conforme art. 978, CPC: Art. 978. O julgamento do incidente caberá ao órgão indicado pelo regimento interno dentre aqueles responsáveis pela uniformização de jurisprudência do tribunal. Parágrafo único. O órgão colegiado incumbido de julgar o incidente e de fixar a tese jurídica julgará igualmente o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária de onde se originou o incidente. Em relação às cartas de ordem, trata-se de comunicações expedidas pelos tribunais aos órgãos jurisdicionais a eles vinculados e inferiores hierarquicamente, segundo o art. 972, CPC: Art. 972. Se os fatos alegados pelas partes dependerem de prova, o relator poderá delegar a competência ao órgão que proferiu a decisão rescindenda, fixando prazo de 1 (um) a 3 (três) meses para a devolução dos autos. No caso do Supremo Tribunal Federal (STF), vale lembrar que o art. 102, I, m, CF/88, permite a possibilidade de esta corte delegar a execução nas ações de sua competência originária: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: [...] m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais; Por fim, em relação a atos administrativos ou de mero expediente, há previsão tanto constitucional (art. 93, XIV, CF/88) quanto no processo civil (art. 152, VI, CPC) de que atos sejam delegados aos serventuários da justiça: CF/88, Art. 93. [...] XIV os servidores receberão delegação para a prática de atos de administração e atos de mero expediente sem caráter decisório; - 01357684541 CPC, Art. 152. Incumbe ao escrivão ou ao chefe de secretaria: [...] VI - praticar, de ofício, os atos meramente ordinatórios. § 1º O juiz titular editará ato a fim de regulamentar a atribuição prevista no inciso VI. Outro princípio da jurisdição é a indeclinabilidade, que significa dois aspectos da jurisdição. De um lado, um juiz jamais se exime de julgar. Afinal, em eventual falta de lei, ele se valerá da analogia, das máximas de experiência, dos princípios gerais, dos costumes... Por outro lado, há um aspecto que precisa ser bem entendido quando se fala em indeclinabilidade, qual seja, o juiz também não se exime de julgar quandose depara com uma dúvida insuperável. No caso do princípio da indelegabilidade, o art. 373 do CPC se torna de extrema importância: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Imagine-se uma causa em que o juiz está preparado para julgar, mas se depara com uma “dúvida insuperável”. A quem seria concedido o direito material? Este art. 373 do CPC serve como uma orientação ao magistrado. Em primeiro lugar, do ponto de vista objetivo, caso a dúvida seja quanto ao fato constitutivo do direito do autor, o juiz julgará o pedido improcedente, pois o autor não se desincumbiu deste ônus. Todavia, se a dúvida for sobre o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, sendo ônus que compete ao réu, o juiz julgará em desfavor deste. O que não é cabível é a aplicação deste art. 373, CPC, quando existem provas hábeis a forma a sua convicção. Ademais, este artigo também serve como uma orientação do ponto de vista subjetivo. É como se cada uma das partes já soubesse com antecedência quem suportará as consequências caso não se desincumbam do respectivo ônus probatório. É importante lembrar, ainda, que este mesmo artigo ainda tem o chamado “ônus dinâmico da prova” no seu §1º: Art. 373. [...] § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da - 01357684541 prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Significa que o juiz, considerando a especificidade da causa, a maior ou menor possibilidade de um ou outro litigante produzir a prova, poderá inverter o ônus da prova, o qual, originalmente, não lhe caberia. Assim, ao tomar esta decisão, é claro que ela deverá ser sempre de forma fundamentada. Em relação ao princípio da inafastabilidade, pode-se trazer como fontes do direito o art. 5º, XXXV, da CF/88, e o art. 3º, do CPC: CF/88, Art. 5º. [...] XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; CPC, Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. De um lado, é possível recorrer ao Judiciário para pedir a tutela inibitória, enquanto, de outro lado, também pode-se pedir a tutela reparatória. No caso da tutela inibitória é sempre mais difícil de provar o fato constitutivo, porque está voltada para uma jurisdição prospectiva, isto é, aquela que visa impedir o ato ilícito. Assim, o ônus da prova será mais tormentoso, pois trata de fato que ainda irá ocorrer. Por isso, fazer a prova disso é mais complicado. Há ainda a tutela retrospectiva, isto é, aquela que visa reparar alguma lesão. Neste caso, fazer a prova de fato constitutivo tende a ser mais fácil. Não se pode deixar de reconhecer que entender o princípio da inafastabilidade meramente como acesso ao Judiciário é insuficiente. É preciso ter em mente algumas características da inafastabilidade que vão além. Por exemplo, surge a hipótese de não precisar haver exaurimento da via administrativa para que o Judiciário possa ser acionado. Outro caso seria, por exemplo, não se garantir apenas o acesso, mas também a tutela adequada para a situação apresentada em juízo. Esse princípio não é absoluto. É possível encontrar exceções a ele, como é o julgamento de crime de responsabilidade do Presidente da República ou de outras autoridades, o qual não caberá ao Judiciário, mas ao Senado Federal, segundo o art. 52, I e II, da CF/88: - 01357684541 Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles; II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado- Geral da União nos crimes de responsabilidade; O art. 217, §1º, CF/88, também traz exceção quando se trata de competições desportivas, pois é exigido o esgotamento da justiça desportiva para que se possa acionar o Poder Judiciário: Art. 217. [...] § 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. Também no caso de súmula vinculante, o art. 7º, §1º, da Lei nº 11.417/2006, prevê que, em sede administrativa, se alguém alegar que houve desrespeito à sumula vinculante editada pelo STF, somente será possível propor a Reclamação Constitucional depois de esgotada a via administrativa: Art. 7º. [...] § 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. A dogmática processual costuma mencionar uma outra exceção ao princípio da inafastabilidade, que é o art. 8º, parágrafo único, da Lei nº 9.507/1997, que regula o procedimento do Habeas Data. Neste caso, só é possível se utilizar deste remédio constitucional se ficar provado que foram tentados a retificação ou o acesso aos dados. Não é o caso de exaurimento da via administrativa, mas de simplesmente ter prova de que, extrajudicialmente, o pedido foi recusado: Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 282 a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em duas vias, e os documentos que instruírem a primeira serão reproduzidos por cópia na segunda. Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova: I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão; - 01357684541 II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão. Uma situação que costuma acontecer é a não concessão administrativa de pensão por morte por parte do INSS. Veja-se que, para acionar o Judiciário na busca deste benefício previdenciário, é necessário que se apresente prova de que, administrativamente, o INSS negou tal pedido. Porém, o STF tem um posicionamento interessante para aqueles casos em que a posição da referida autarquia já seja notoriamente conhecida. Assim, no RE nº 631.240 (27.8.2014), de relatoria do Ministro Luis Roberto Barroso, o STF firmou o entendimento de que é necessária a recusa administrativa do INSS, salvo naqueles casos em que sua posição já seja notoriamente conhecida: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO E INTERESSE EM AGIR. 1. A instituição de condições para o regular exercício do direito de ação é compatível com o art. 5º, XXXV, da Constituição. Para se caracterizar a presença de interesse em agir, é preciso haver necessidade de ir a juízo. 2. A concessão de benefícios previdenciários depende de requerimento do interessado, não se caracterizando ameaça ou lesão a direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo INSS, ou se excedido o prazo legal para sua análise. É bem de ver, no entanto, que a exigência de prévio requerimento não se confunde com o exaurimento das vias administrativas. 3. A exigência de prévio requerimento administrativo não deve prevalecer quando o entendimento da Administração for notória e reiteradamente contrário à postulação do segurado. 4. Na hipótese de pretensão de revisão, restabelecimento ou manutençãode benefício anteriormente concedido, considerando que o INSS tem o dever legal de conceder a prestação mais vantajosa possível, o pedido poderá ser formulado diretamente em juízo – salvo se depender da análise de matéria de fato ainda não levada ao conhecimento da Administração –, uma vez que, nesses casos, a conduta do INSS já configura o não acolhimento ao menos tácito da pretensão. 5. Tendo em vista a prolongada oscilação jurisprudencial na matéria, inclusive no Supremo Tribunal Federal, deve-se estabelecer uma fórmula de transição para lidar com as ações em curso, nos termos a seguir expostos. 6. Quanto às ações ajuizadas até a conclusão do presente julgamento (03.09.2014), sem que tenha havido prévio requerimento administrativo nas hipóteses em que exigível, será observado o seguinte: (i) caso a ação tenha sido ajuizada no âmbito de Juizado Itinerante, a ausência de anterior pedido administrativo não deverá implicar a extinção do feito; (ii) caso o INSS já tenha apresentado contestação de mérito, está caracterizado o interesse em agir pela resistência à pretensão; (iii) as demais ações que não se enquadrem - 01357684541 nos itens (i) e (ii) ficarão sobrestadas, observando-se a sistemática a seguir. 7. Nas ações sobrestadas, o autor será intimado a dar entrada no pedido administrativo em 30 dias, sob pena de extinção do processo. Comprovada a postulação administrativa, o INSS será intimado a se manifestar acerca do pedido em até 90 dias, prazo dentro do qual a Autarquia deverá colher todas as provas eventualmente necessárias e proferir decisão. Se o pedido for acolhido administrativamente ou não puder ter o seu mérito analisado devido a razões imputáveis ao próprio requerente, extingue-se a ação. Do contrário, estará caracterizado o interesse em agir e o feito deverá prosseguir. 8. Em todos os casos acima – itens (i), (ii) e (iii) –, tanto a análise administrativa quanto a judicial deverão levar em conta a data do início da ação como data de entrada do requerimento, para todos os efeitos legais. 9. Recurso extraordinário a que se dá parcial provimento, reformando-se o acórdão recorrido para determinar a baixa dos autos ao juiz de primeiro grau, o qual deverá intimar a autora – que alega ser trabalhadora rural informal – a dar entrada no pedido administrativo em 30 dias, sob pena de extinção. Comprovada a postulação administrativa, o INSS será intimado para que, em 90 dias, colha as provas necessárias e profira decisão administrativa, considerando como data de entrada do requerimento a data do início da ação, para todos os efeitos legais. O resultado será comunicado ao juiz, que apreciará a subsistência ou não do interesse em agir. (STF - RE: 631240 MG, Relator: ROBERTO BARROSO, Data de Julgamento: 03/09/2014, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 10/11/2014) Outra situação trata da possibilidade de pedido cautelar para exibição de documentos bancários. Por exemplo, imagine-se um sujeito que é cliente de um certo banco e quer receber documentos bancários para checar a movimentação de valores em sua conta. Neste caso, também se entende que este pedido será cabível caso fique claro que há efetivamente uma relação jurídica entre o autor da ação e a instituição bancária. Em segundo lugar, também é necessário provar que fora formulado previamente um pedido ao banco, o qual foi negado. Por fim, também se exige que eventuais taxas bancárias necessárias para a análise deste tipo de pedido tenham sido pagas. Então, se o sujeito propuser uma ação de exibição de documentos em face de uma instituição bancária, é fundamental, do ponto de vista de uma advocacia contenciosa, que a petição seja instruída com essa demonstração probatória. Caso contrário, o juiz mandará emendar a inicial sob pena de extinção do processo sem resolução do mérito. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS EM CADERNETA DE POUPANÇA. EXIBIÇÃO DE - 01357684541 EXTRATOS BANCÁRIOS. AÇÃO CAUTELAR DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. INTERESSE DE AGIR. PEDIDO PRÉVIO À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E PAGAMENTO DO CUSTO DO SERVIÇO. NECESSIDADE. 1. Para efeitos do art. 543-C do CPC, firma-se a seguinte tese: A propositura de ação cautelar de exibição de documentos bancários (cópias e segunda via de documentos) é cabível como medida preparatória a fim de instruir a ação principal, bastando a demonstração da existência de relação jurídica entre as partes, a comprovação de prévio pedido à instituição financeira não atendido em prazo razoável, e o pagamento do custo do serviço conforme previsão contratual e normatização da autoridade monetária. 2. No caso concreto, recurso especial provido. (STJ - REsp: 1349453 MS 2012/0218955-5, Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Julgamento: 10/12/2014, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/02/2015) Na ADI 223/DF, entendeu-se serem cabíveis eventuais restrições à concessão de medidas de urgência. Neste caso, o STF se posicionou no sentido se ser possível sopesar princípios. Neste caso da ADI 223/DF, as restrições criadas para a concessão de pedidos de urgência não são inconstitucionais se forem razoáveis: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE CONTRA A MEDIDA PROVISÓRIA 173, DE 18.3.90, QUE VEDA A CONCESSÃO DE 'MEDIDA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA E EM AÇÕES ORDINÁRIAS E CAUTELARES DECORRENTES DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS NÚMEROS 151, 154, 158, 160, 162, 165, 167 E 168': INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE SUSPENSÃO CAUTELAR DA VIGÊNCIA DO DIPLOMA IMPUGNADO: RAZÕES DOS VOTOS VENCEDORES. SENTIDO DA INOVADORA ALUSÃO CONSTITUCIONAL A PLENITUDE DA GARANTIA DA JURISDIÇÃO CONTRA A AMEAÇA À DIREITO: ÊNFASE A FUNÇÃO PREVENTIVA DE JURISDIÇÃO, NA QUAL SE INSERE A FUNÇÃO CAUTELAR E, QUANDO NECESSÁRIO, O PODER DE CAUTELA LIMINAR. IMPLICAÇÕES DA PLENITUDE DA JURISDIÇÃO CAUTELAR, ENQUANTO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO AO PROCESSO E DE SALVAGUARDA DA PLENITUDE DAS FUNÇÕES DO PODER JUDICIÁRIO. ADMISSIBILIDADE, NÃO OBSTANTE, DE CONDIÇÕES E LIMITAÇÕES LEGAIS AO PODER CAUTELAR DO JUIZ. A TUTELA CAUTELAR E O RISCO DO CONSTRANGIMENTO PRECIPITADO À DIREITOS DA PARTE CONTRÁRIA, COM VIOLAÇÃO DA GARANTIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONSEQUENTE NECESSIDADE DE CONTROLE DA RAZOABILIDADE DAS LEIS RESTRITIVAS AO PODER CAUTELAR. ANTECEDENTES LEGISLATIVOS DE VEDAÇÃO DE LIMINARES DE DETERMINADO CONTEÚDO. CRITÉRIO DE RAZOABILIDADE DAS RESTRIÇÕES, A PARTIR DO CARÁTER ESSENCIALMENTE PROVISÓRIO DE TODO PROVIMENTO CAUTELAR, LIMINAR OU NÃO. GENERALIDADE, DIVERSIDADE E IMPRECISÃO DE LIMITES - 01357684541 DO ÂMBITO DE VEDAÇÃO DE LIMINAR DA MP 173, QUE, SE LHE PODEM VIR, A FINAL, A COMPROMETER A VALIDADE, DIFICULTAM DEMARCAR, EM TESE, NO JUÍZO DE DELIBAÇÃO SOBRE O PEDIDO DE SUA SUSPENSÃO CAUTELAR, ATÉ ONDE SÃO RAZOÁVEIS AS PROIBIÇÕES NELA IMPOSTAS, ENQUANTO CONTENÇÃO AO ABUSO DO PODER CAUTELAR, E ONDE SE INICIA, INVERSAMENTE, O ABUSO DAS LIMITAÇÕES E A CONSEQUENTE AFRONTA A PLENITUDE DA JURISDIÇÃO E AO PODER JUDICIÁRIO. INDEFERIMENTO DA SUSPENSÃO LIMINAR DA MP 173, QUE NÃO PREJUDICA, SEGUNDO O RELATOR DO ACÓRDÃO, O EXAME JUDICIAL EM CADA CASO CONCRETO DA CONSTITUCIONALIDADE, INCLUÍDA A RAZOABILIDADE, DA APLICAÇÃO DA NORMA PROIBITIVA DA LIMINAR. CONSIDERAÇÕES, EM DIVERSOS VOTOS, DOS RISCOS DA SUSPENSÃO CAUTELAR DA MEDIDA IMPUGNADA. (STF - ADI: 223 DF, Relator: PAULO BROSSARD, Data de Julgamento: 05/04/1990, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 29/06/1990) Por fim, há o princípio do juiz natural, previsto no art. 5º, XXXVII e LIII, CF/88: Art. 5º. [...] XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; [...] LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; Com base nesse princípio do juiz natural, também se entende que há o promotor natural. Significa que a pessoa não apenas tem o direito de ser julgada pelo juiz natural, mas tambémtem o direito de ser processada pelo promotor natural. O princípio do juiz natural envolve vários aspectos. Primeiramente, os órgãos jurisdicionais devem preexistir aos fatos. O contrário seria um verdadeiro regime de exceção, porque aconteceriam os fatos e só depois seria criado um órgão para os julgar. Em um Estado Democrático de Direito, os órgãos jurisdicionais precedem os fatos. Em segundo lugar, tais juízos precisam ser investidos de competência à luz de regras constitucionais e legais que concederão o poder de julgar concretamente as situações que aparecerem. Em terceiro lugar, tais órgãos precisam ser imparciais, razão pela qual o CPC regrará o afastamento do magistrado em caso de impedimento ou suspeição (arts. 144 e ss., CPC). - 01357684541 JURISDIÇÃO CONTENCIOSA E VOLUNTÁRIA No caso da jurisdição contenciosa, há um conflito de tal maneira que, para a satisfação da pretensão de uma das partes, é necessário sacrificar total ou parcialmente a pretensão ou o interesse alheio. No caso da jurisdição voluntária, ao contrário, não se tem como pressuposto para satisfazer o interesse de alguém que haja o sacrifício de interesse alheio. Por exemplo, caso um casal resolva se divorciar consensualmente, levando ao juiz um pedido para o divórcio ser homologado porque há interesse de incapaz, ambos terão satisfeito o seu interesse de ter o matrimônio dissolvido sem que isso importe em sacrifício total ou parcial de interesse de qualquer deles. Portanto, esta situação seria pertencente à jurisdição voluntária. A finalidade da jurisdição contenciosa é a própria pacificação dos conflitos, o que será alcançado com o advento da coisa julgada. Já no caso da jurisdição voluntária, é possível que se tenha a modificação da decisão em caso de surgimento de circunstância superveniente. Imagine-se a situação de um dependente químico que fora interditado. Caso ele se encontre recuperado, não interessa a coisa julgada, porque se trata de uma circunstância superveniente que o permitirá extinguir a interdição. Existem alguns critérios de julgamento que diferenciam a jurisdição contenciosa da voluntária. Na primeira, a regra é a legalidade estrita, pois o juiz não pode julgar com base em juízo de conveniência e oportunidade. Como toda regra, é possível se falar em suas exceções, como é o caso do art. 6º da Lei nº 9.099/1995, a Lei dos Juizados Especiais, que prevê que o juiz não está obrigado a seguir a legalidade estrita: - 01357684541 Art. 6º O Juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum. Na jurisdição voluntária, os critérios de julgamento são diferentes. O art. 723, parágrafo único, CPC, informa que o juiz pode solucionar conforme a conveniência ou oportunidade: Art. 723. [...] Parágrafo único. O juiz não é obrigado a observar critério de legalidade estrita, podendo adotar em cada caso a solução que considerar mais conveniente ou oportuna. EQUIVALENTES JURISDICIONAIS Os equivalentes jurisdicionais são formas não jurisdicionais de solução de conflitos. Têm justamente este nome porque “não sendo jurisdição, funcionam como técnica de tutela dos direitos” (DIDIER JR., 2017, p. 185), a qual pode dirimir e prevenir conflitos ou, até mesmo, certificar determinados fatos ou situações jurídicas, mas sem característica de definitividade. Um bom exemplo é a autotutela, que é uma exceção no ordenamento brasileiro, pois são poucas as hipóteses em que a vontade de uma das partes prevalece sobre a vontade da outra independentemente da presença de um terceiro para ajudar a solucionar o conflito. Segundo Didier, haveria um verdadeiro “sacrifício” do interesse da outra parte na autotutela: Trata-se de solução do conflito de interesses que se dá pela imposição da vontade de um deles, com o sacrifício do interesse do outro. Solução egoísta e parcial do litígio. O “juiz da causa” é uma das partes (DIDIER JR., 2017, p. 185). Seria o caso das tutelas possessórias, que contam com o desforço imediato do possuidor (art. 1.210, §1º, CC), a legítima defesa, o estado de necessidade etc. Outra possibilidade de equivalente jurisdicional é o chamado “dispute boards”, que são situações em que são criadas juntas de profissionais especializados em determinada matéria, seja no início do contrato ou só quando surgir um problema, para emitir eventuais pareceres ou proferir decisões, as quais não seriam vinculantes. Por isso, aqueles que não estejam conformados com tal decisão poderão recorrer ainda ao Judiciário. - 01357684541 A dogmática ainda cita os tribunais administrativos como outro equivalente jurisdicional. Seria o caso do tribunal marítimo previso na Lei nº 2.180/1954, que é competente para lidar com aqueles casos de acidentes de navegação: Art. 1º O Tribunal Marítimo, com jurisdição em todo o território nacional, órgão, autônomo, auxiliar do Poder Judiciário, vinculado ao Ministério da Marinha no que se refere ao provimento de pessoal militar e de recursos orçamentários para pessoal e material destinados ao seu funcionamento, tem como atribuições julgar os acidentes e fatos da navegação marítima, fluvial e lacustre e as questões relacionadas com tal atividade, especificadas nesta Lei. Caso alguém não se conforme com as decisões dos tribunais marítimos, é possível que elas sejam utilizadas como prova no âmbito da jurisdição estatal. Portanto, é meramente um tribunal administrativo, o qual não exerce efetivamente uma jurisdição como o Poder Judiciário. Apesar disso, o tribunal marítimo pode acabar funcionando como juízo arbitral, se as partes assim acordarem, conforme o art. 16, f, da Lei nº 2.180/1954. Neste caso, sua decisão equivalerá a título executivo judicial por equiparação. Art. 16. Compete ainda ao Tribunal Marítimo: [...] f) funcionar, quando nomeado pelos interessados, como juízo arbitral nos litígios patrimoniais consequentes a acidentes ou fatos da navegação; No caso dos tribunais de contas, o art. 71, §3º, da CF/88, vai estatuir suas decisões como título executivo extrajudicial: Art. 71. [...] § 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo. Assim, considerando os tribunais de contas como órgãos auxiliares do Poder Legislativo, a CF/88 ainda concedeu status de título executivo extrajudicial a suas decisões que resultem em constituição de débito ou de multa a outrem. É possível citar, ainda, como tribunal administrativo, as agências reguladoras. São autarquias que, além de tratarem da regulamentação de atividade econômica, acabam proferindo decisões. Contudo, isso não impede que elas sejam contrastadas no âmbito do Poder Judiciário. Veja-se, por exemplo, uma concessionária que alegue necessidade de reequilíbrio financeiro e econômico de um determinado contrato. - 01357684541 Nesse caso, a agência reguladora pode decidir que não há efetivamente tal necessidade. Diante disso, a concessionária pode acabar aceitando esta decisão ou, por fim, levando a demanda ao Judiciário. FORMAS ADEQUADAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS Também é possível se deparar com “formas alternativas de solução de conflitos” ou “formas adequadas de solução de conflitos”. Este último seria mais cabível, porque a utilização de “formas alternativas” poderia dar a impressão de que fugiria de determinados princípios ou regras que estão na constituição ou na legislação infraconstitucional. A grande diferença destes dois últimos com relação ao primeiro é que há, nestes últimos, decisão com definitividade. São exemplos: a arbitragem, a mediação e a conciliação. A arbitragem é uma forma de heterotutela, ou seja, não se trata de autocomposição das partes. Afinal, as partes escolhem terceiros – que são osárbitros – para a solução de conflitos eventualmente existente entre elas. Portanto, a arbitragem não é forma de autocomposição, como o próprio CPC chega a indicar erroneamente. Ela é regulada pela Lei nº 9.307/1996 (Lei da Arbitragem), que ajuda a identificar algumas de suas características. A primeira seria a de que cabe às partes a escolha das normas de direito material a serem aplicadas ao caso: Art. 2º. [...] § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Ademais, o árbitro que decidirá o conflito será escolhido pelas próprias partes, segundo o art. 13, §1º, da Lei nº 9.307/1996: Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes. § 1º As partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número ímpar, podendo nomear, também, os respectivos suplentes. - 01357684541 Quando a arbitragem foi instituída no Brasil, discutiu-se a possibilidade de ela ferir o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional. Neste ponto, já se pode dizer que se trata de discussão superada, o que é bem resumido por Daniel Neves: Após alguma vacilação na doutrina e jurisprudência, venceu a tese mais correta de que a arbitragem não afronta o princípio da inafastabilidade da jurisdição, previsto no art. 5º, XXXV, da CF. O Supremo Tribunal Federal corretamente entendeu que a escolha entre a arbitragem e a jurisdição é absolutamente constitucional, afirmando que a aplicação da garantia constitucional da inafastabilidade é naturalmente condicionada à vontade das partes. Se o próprio direito de ação é disponível, dependendo da vontade do interessado para se concretizar por meio da propositura da demanda judicial, também o será o exercício da jurisdição na solução do conflito de interesse (2018, p. 77-78). O próprio CPC, em seu art. 3º, permite a arbitragem sem a considerar uma afronta à acessibilidade da prestação jurisdicional: Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. Outra discussão que permeia o tema da arbitragem é se ela seria uma espécie de jurisdição, só que sem ser aquela exercida pelo Poder Judiciário. Em outros termos, poder-se-ia fazer a pergunta: o árbitro exerce jurisdição? Há quem entenda que sim, porque a própria Lei nº 9.307/1996, art. 18, entende que o árbitro é juiz de fato e de direito e que suas decisões não serão sujeitas à avaliação pelo Poder Judiciário: Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. Outros dizem que a arbitragem é uma atividade paralela à jurisdição estatal, que com ela não se confunde, até porque o árbitro não tem as garantias próprias da magistratura. Por fim, ainda há quem defenda que o árbitro esteja exercendo uma jurisdição, mas limitada. Neste aspecto, é interessante esclarecer um ponto. Sabe-se que a Lei de Arbitragem sofreu várias alterações com o passar do tempo. Particularmente, os arts. 22-A e seguintes acabam ganhando importância neste aspecto. Na redação original, era previsto que medidas coercitivas ou cautelares devessem ser requeridas junto ao Judiciário. Por isso, muitos duvidavam que a arbitragem fosse realmente uma - 01357684541 jurisdição. Hoje, já é possível dizer que a Lei de Arbitragem superou este limite e prevê que, antes da instalação da arbitragem, eventuais medidas de natureza provisória devem ser requeridas ao juiz de direito. Assim, quando já for constituída a arbitragem, essas tutelas de urgência ou cautelares deverão ser requeridas ao próprio árbitro. Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se a parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de efetivação da respectiva decisão. Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter, modificar ou revogar a medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida cautelar ou de urgência será requerida diretamente aos árbitros. Didier, discorrendo sobre a arbitragem, é um autor que defende que ela seja exercício efetivo de jurisdição. Para tanto, justifica seu posicionamento pelo fato de a decisão arbitral ficar imutável pela coisa julgada: Há possibilidade de controle judicial da sentença arbitral, mas apenas em relação à sua validade (arts. 32 e 33, caput, Lei n. 9.307/1996). Não se trata de revogar ou modificar a sentença arbitral quanto ao seu mérito, por entendê-la injusta ou por errônea apreciação da prova pelos árbitros, senão de pedir sua anulação por vícios formais. Trata- se de uma espécie de "ação rescisória" de sentença arbitral, que deve ser ajuizada no prazo de noventa dias após o recebimento da intimação da sentença arbitral ou de seu aditamento (art. 33, § 1º, Lei n. 9.307/1996). Note que esta ação de impugnação da sentença arbitral apenas se funda em error in procedendo, não permitindo a rediscussão do quanto foi decidido. A decisão arbitral fica imutável pela coisa julgada. Poderá ser invalidada a decisão, mas, ultrapassado o prazo de noventa dias, a coisa julgada torna-se soberana. É por conta desta circunstância que se pode afirmar que a arbitragem, no Brasil, não é equivalente jurisdicional: é propriamente jurisdição, exercida por particulares, com autorização do Estado e como consequência do exercício do direito fundamental de autorregramento (autonomia privada) (2017, p. 194). Outros dois aspectos da arbitragem são a inexistência de recurso e a desnecessidade de homologação. Assim, quando há uma sentença no processo de arbitragem, não cabe rediscutir a matéria por via recursal nem esperar eventual - 01357684541 homologação pelo Judiciário para que a decisão arbitral possa fazer surtir seus efeitos, conforme os arts. 18 e 31 da Lei nº 9.307/1996: Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. [...] Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo. Na verdade, o que se tem é a possibilidade de, no prazo de 90 dias, ajuizamento de uma ação para declarar a nulidade da sentença arbitral em razão dos vícios contido no art. 32 da referida lei. Veja-se que não é o caso de ser um recurso, mas uma ação própria em âmbito judicial: Art. 32. É nula a sentença arbitral se: I - for nula a convenção de arbitragem; II - emanou de quem não podia ser árbitro; III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; e VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei. Aqui, a discussão não é de mérito, mas de aspectos ligados à nulidade da decisão arbitral, conforme hipóteses acima lançadas. Está previsto no art. 515 do CPC que a sentença arbitral é título executivo judicial. Para uns, isso seria o reconhecimento de que efetivamente há exercício de jurisdição. Porém, para outros, o dispositivo apenas fez uma equiparação entre a sentençaarbitral e a sentença proferida por um juiz de direito, sem que se chegasse à conclusão de que sejam de institutos idênticos. Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se- á de acordo com os artigos previstos neste Título: [...] VII - a sentença arbitral; Vale lembrar que, em se tratando de cumprimento desta sentença arbitral, ele será feito perante procedimento junto ao Poder Judiciário, caso não haja cumprimento - 01357684541 espontâneo após a comunicação da sentença arbitral nos termos do art. 29 da Lei nº 9.307/1996: Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. Na ausência de cumprimento espontâneo, só resta seguir para o Judiciário, pois apenas ele tem poder coercitivo, como observa a dogmática: Entretanto, havendo resistência da parte contra quem foi proferida a decisão a ele comunicada e que reconheça – como deve ser – obrigação líquida de dar, fazer ou não fazer, independentemente da natureza do provimento, o beneficiário da obrigação reconhecida na sentença poderá requerer o seu cumprimento no Poder Judiciário, tendo em vista que ao árbitro, embora seja dotado de jurisdição, não se confere poder coercitivo (SCAVONE JUNIOR, 2020, p. 206). Caso haja necessidade de eventual liquidação, não se tratará de processo sincrético, ou seja, não será o caso de simplesmente intimar o vencido a pagar. Na verdade, como não houve processo de conhecimento perante o Poder Judiciário, será necessário proceder uma citação para efeito de liquidação e oportuno cumprimento. A mediação e conciliação também são formas de solução de conflito com definitividade. O CPC procurou incentivar enormemente estas formas. É possível encontrar regramento em vários dispositivos (arts. 3º, §§2º e 3º, 165 a 175, 190, 334, 695, 515, III e §2º, 725, VIII, todos do CPC; Resolução CNJ nº 125/2010; Lei nº 13.140/2015). Para Didier, a utilização de instrumentos de autocomposição é um verdadeiro exercício de cidadania, pois seria o exercício popular do poder de resolver os conflitos: Compreende-se que a solução negocial não é apenas um meio eficaz e econômico de resolução dos litígios: trata-se de importante instrumento de desenvolvimento da cidadania, em que os interessados passam a ser protagonistas da construção da decisão jurídica que regula as suas relações. Neste sentido, o estímulo à autocomposição pode ser entendido como um reforço da participação popular no exercício do poder – no caso, o poder de solução dos litígios. Tem, também por isso, forte caráter democrático. O propósito evidente é tentar dar início a uma transformação cultural – da cultura da sentença para a cultura da paz (DIDIER JR., 2017, p. 305). - 01357684541 No atual CPC, prevê-se que, como regra, acontecerá o ajuizamento da ação e, estando a petição inicial sem defeitos, o juiz determinará a realização de audiência de conciliação ou mediação, com exceção de duas hipóteses: (1) quando a ação envolver direitos que não admitam transação; (2) quando ambas as partes tiverem manifestado desinteresse na realização da audiência de conciliação ou de mediação. Veja-se que o art. 319, VII, CPC, seleciona essa opção de realizar ou não a audiência de conciliação ou mediação como requisito da petição inicial: Art. 319. A petição inicial indicará: [...] VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. Porém, não é suficiente apenas o autor pedir sua não realização, pois a audiência só não acontecerá se o réu também assim o fizer. O art. 334, §4º, I, CPC, exige manifestação de ambas as partes nesse sentido. Art. 334. [...] § 4º A audiência não será realizada: I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual; II - quando não se admitir a autocomposição. O CPC faz uma diferença entre conciliação e mediação nos termos do art. 165. Para a mediação, exige-se que haja anteriormente alguma relação entre as partes, de forma que o mediador intervenha para reestabelecer a comunicação entre elas sem que forneça uma solução. Já com relação à conciliação, pode-se dizer que ela atua, em regra, em casos em que não haja prévia relação entre as partes e o conciliador poderá propor solução própria para as partes. Art. 165. [...] § 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem. § 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. - 01357684541 Portanto, são formas de solução de conflito pelas quais um terceiro intervém com a função de auxiliar as partes a chegar em uma autocomposição, de forma que não caberá a este terceiro resolver o problema, mas apenas ajudar os litigantes a encontrarem uma solução negociada (DIDIER JR., 2017, p. 308). Por isso, não se fala em heterocomposição, mas em autocomposição. Para que alguém seja conciliador ou mediador, o CPC vai prever a necessidade de uma capacitação mínima e credenciamento perante os tribunais, conforme seu art. 167: Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de conciliação e mediação serão inscritos em cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal, que manterá registro de profissionais habilitados, com indicação de sua área profissional. § 1º Preenchendo o requisito da capacitação mínima, por meio de curso realizado por entidade credenciada, conforme parâmetro curricular definido pelo Conselho Nacional de Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça, o conciliador ou o mediador, com o respectivo certificado, poderá requerer sua inscrição no cadastro nacional e no cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal. Além disso, pode-se dizer que a mediação e a conciliação tanto podem ser judiciais quanto extrajudiciais. Quando judiciais, estes terceiros são considerados “auxiliares da justiça”, razão pela qual estarão sujeitos às regras dos arts. 148, III, 170 e 173, II, do CPC, o que inclui os institutos de impedimento e suspeição (DIDIER JR., 2017, p. 309). Existem alguns princípios que irão reger tais formas de solução de conflitos. O Anexo III da Resolução nº 125/2010 do CNJ traz o Código de Ética de Conciliadores e Mediadores Judiciais, o qual prevê os seguintes princípios: - 01357684541 Art. 1º - São princípios fundamentais que regem a atuação de conciliadores e mediadores judiciais: confidencialidade, decisão informada, competência, imparcialidade, independência e autonomia, respeito à ordem pública e às leis vigentes, empoderamento e validação. I - Confidencialidade - dever de manter sigilo sobre todas as informações obtidas na sessão, salvo autorização expressa das partes, violação à ordem pública ou às leis vigentes, não podendo ser testemunha do caso, nem atuar como advogado dos envolvidos, em qualquer hipótese; II - Decisão informada - dever de manter o jurisdicionado plenamente informado quanto aos seus direitos e ao contexto fático no qual está inserido; III - Competência - dever de possuir qualificação que o habilite à atuação judicial, com capacitação na forma desta Resolução, observada a reciclagem periódica obrigatóriapara formação continuada; IV - Imparcialidade - dever de agir com ausência de favoritismo, preferência ou preconceito, assegurando que valores e conceitos pessoais não interfiram no resultado do trabalho, compreendendo a realidade dos envolvidos no conflito e jamais aceitando qualquer espécie de favor ou presente; V - Independência e autonomia - dever de atuar com liberdade, sem sofrer qualquer pressão interna ou externa, sendo permitido recusar, suspender ou interromper a sessão se ausentes as condições necessárias para seu bom desenvolvimento, tampouco havendo dever de redigir acordo ilegal ou inexequível; VI - Respeito à ordem pública e às leis vigentes - dever de velar para que eventual acordo entre os envolvidos não viole a ordem pública, nem contrarie as leis vigentes; VII - Empoderamento - dever de estimular os interessados a aprenderem a melhor resolverem seus conflitos futuros em função da experiência de justiça vivenciada na autocomposição; VIII - Validação - dever de estimular os interessados perceberem-se reciprocamente como serem humanos merecedores de atenção e respeito. O primeiro deles é a independência, ou seja, o mediador e o conciliador devem atuar com liberdade. Não estão submetidos, portanto, a nenhuma pressão interna ou externa (NEVES, 2018, p. 69). A imparcialidade proíbe que tenham interesse na causa. Segundo Didier, é um reflexo do princípio da impessoalidade, próprio da administração pública (2017, p. 310), que está regrado no art. 37, caput, CF/88. Por isso, há a obrigação, na Lei nº 13.140/2015, art. 5º, parágrafo único (que dispõe sobre a mediação entre particulares), de que o mediador deve revelar às partes qualquer informação que dê a entender que ele possa faltar com a imparcialidade: - 01357684541 Art. 5º Aplicam-se ao mediador as mesmas hipóteses legais de impedimento e suspeição do juiz. Parágrafo único. A pessoa designada para atuar como mediador tem o dever de revelar às partes, antes da aceitação da função, qualquer fato ou circunstância que possa suscitar dúvida justificada em relação à sua imparcialidade para mediar o conflito, oportunidade em que poderá ser recusado por qualquer delas. Outro princípio importante é o do autorregramento da vontade, porque são as próprias partes que encontram a solução na conciliação e mediação e são elas, no final das contas, que definem o que realmente será acordado entre si. Trata-se de um princípio que se preocupa em garantir a liberdade de as partes resolverem a disputa entre si, sem que sejam forçadas por conciliador ou mediador. Para Didier, esta liberdade é tão ampla que permite, inclusive, que as partes definam as regras procedimentais da mediação ou conciliação e, até mesmo, a extinção do procedimento negocial (2017, p. 311). No caso do autorregramento sobre o procedimento negocial, importante observar a permissão legal no art. 166, §4º, CPC: Art. 166. [...] § 4º A mediação e a conciliação serão regidas conforme a livre autonomia dos interessados, inclusive no que diz respeito à definição das regras procedimentais. Por outro lado, permitindo a retirada da negociação, é possível que sejam citados o art. 2º, §2º, da Lei nº 13.140/2015: Art. 2º. [...] § 2º Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de mediação. O princípio da confidencialidade garante que todas as informações produzidas ao longo da negociação não poderão ser tornadas públicas nem utilizadas para fins diversos do que aqueles expressamente deliberado pelas partes. Consequentemente, mediador e conciliador deverão manter sigilo sobre os fatos discutidos, segundo o art. 166, §§1º e 2º, CPC: Art. 166. [...] § 1º A confidencialidade estende-se a todas as informações produzidas no curso do procedimento, cujo teor não poderá ser utilizado para fim diverso daquele previsto por expressa deliberação das partes. - 01357684541 § 2º Em razão do dever de sigilo, inerente às suas funções, o conciliador e o mediador, assim como os membros de suas equipes, não poderão divulgar ou depor acerca de fatos ou elementos oriundos da conciliação ou da mediação. A ausência desta confidencialidade acabaria por obstar ou intimidar as partes em participar das próprias tratativas de negociação. Por isso, a confidencialidade permite que todos os elementos fáticos sejam discutidos sem que haja receio de que algo seja utilizado em desfavor de uma das partes em outros atos processuais. Ainda sobre este princípio da confidencialidade, é interessante observar também a regulação feita pelos arts. 30 e 31 da Lei nº 13.140/2015: Art. 30. Toda e qualquer informação relativa ao procedimento de mediação será confidencial em relação a terceiros, não podendo ser revelada sequer em processo arbitral ou judicial salvo se as partes expressamente decidirem de forma diversa ou quando sua divulgação for exigida por lei ou necessária para cumprimento de acordo obtido pela mediação. [...] Art. 31. Será confidencial a informação prestada por uma parte em sessão privada, não podendo o mediador revelá-la às demais, exceto se expressamente autorizado. É claro que não se trata de uma regra absoluta, pois existe permissão, sim, para que alguma informação fornecida fuja à confidencialidade, como é o caso permitido pelo art. 30, §3º, da Lei nº 13.140/2015: Art. 30. [...] § 3º Não está abrigada pela regra de confidencialidade a informação relativa à ocorrência de crime de ação pública. Em seguida, o princípio da oralidade significa a prevalência da palavra verbal sobre a palavra escrita. Embora seja um princípio do CPC aplicável em mediação e conciliação (art. 166), é também aplicável em sede de audiência de instrução e julgamento. O princípio da informalidade determina que seja utilizada uma linguagem simples e acessível. Afinal de contas, não se trata aqui de se ter um exercício de jurisdição com objetivo de solução do conflito, mas de permitir que as partes possam livremente negociar e entender a dinâmica e os aspectos que envolvem o litígio. Daniel Neves percebe que, como as partes não estão habituadas aos ritos e ambientes - 01357684541 judiciais, quanto mais informal for a negociação, mais liberdade elas terão para chegar a uma solução em conjunto: A informalidade incentiva o relaxamento e este leva a uma descontração e tranquilidade natural das partes. Todos aqueles rituais processuais assustam as partes e geram natural apreensão, sendo nítida a tensão dos não habituados a entrar numa sala de audiência na presença de um juiz. Se ele estiver de toga, então, tudo piora sensivelmente. Esse efeito pode ser confirmado com a experiência dos Juizados Especiais, nos quais a informalidade é um dos traços mais elogiados pelos jurisdicionados. Sendo o objetivo da conciliação ou mediação uma solução que depende da vontade das partes, nada mais natural que eles se sintam tanto quanto o possível mais relaxadas e tranquilas, sentimentos que colaboram no desarmamento dos espíritos e por consequência otimizam as chances de uma solução consensual do conflito (2018, p. 74). Outro princípio é o da decisão informada, ou seja, é preciso que as partes compreendam a controvérsia e sejam advertidas e cientificadas de suas consequências. Na verdade, segundo o art. 1º, II, do Anexo III da Resolução nº 125/2010 do CNJ, já elencado acima, existe um dever do conciliador e do mediador em fazer com que a parte esteja plenamente informada quanto aos seus direitos e quanto ao contexto fático em que está inserida. Em seguida, a isonomia é um princípio que demanda tratamento igualitário entre as partes. Daniel Neves traz sua manifestação de forma procedimental, que significa que “as partes, mesmo que não tenham a isonomia material, no procedimento de mediação devem ser tratadas igualmente, tendo as mesmas oportunidades de manifestação e com participaçãoequânime” (2018, p. 73-74). A busca do consenso é um princípio que privilegia a busca de uma solução de forma consensual entre as partes. No caso da conciliação, a solução pode ser sugerida pelo conciliador. Porém, no caso da mediação, o mediador poderá apenas se limitar em conseguir criar uma comunicação entre as partes, sem, no entanto, oferecer soluções para a disputa. Em que pese a busca do consenso se aplique muito apropriadamente à mediação, nada impede que também seja um princípio da conciliação, já que aqui também se aceita a sugestão de resolução pelas próprias partes. - 01357684541 Por fim, não se pode deixar de falar do princípio da boa-fé, o qual tanto tem previsão na própria Lei n 13.140/2015, em seu art. 2º, VI, como também no próprio CPC, no art. 5º. Além dos princípios, o CPC ainda prevê a criação de centros e câmaras de mediação e conciliação. Em seu art. 165, há uma obrigação de os tribunais criarem os centros judiciários de solução de conflitos e cidadania, chamados de CEJUSC: Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição. § 1º A composição e a organização dos centros serão definidas pelo respectivo tribunal, observadas as normas do Conselho Nacional de Justiça. Além destes órgãos, o art. 175 do CPC deixa claro que podem ser criadas outras formas de conciliação e mediação extrajudiciais, o que inclui as câmaras privadas: Art. 175. As disposições desta Seção não excluem outras formas de conciliação e mediação extrajudiciais vinculadas a órgãos institucionais ou realizadas por intermédio de profissionais independentes, que poderão ser regulamentadas por lei específica. Parágrafo único. Os dispositivos desta Seção aplicam-se, no que couber, às câmaras privadas de conciliação e mediação. Neste caso das câmaras privadas de conciliação e mediação, a Resolução nº 125/2010 do CNJ traz seu regramento nos arts. 12-C a 12-F: Art. 12-C. As Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação ou órgãos semelhantes, bem como seus mediadores e conciliadores, para que possam realizar sessões de mediação ou conciliação incidentes a processo judicial, devem ser cadastradas no Tribunal respectivo ou no Cadastro Nacional de Mediadores Judiciais e Conciliadores, nos termos do art. 167 do Código de Processo Civil de 2015, ficando sujeitas aos termos desta Resolução. Parágrafo único. O cadastramento é facultativo para realização de sessões de mediação ou conciliação pré-processuais. Art. 12-D. Os Tribunais determinarão o percentual de audiências não remuneradas que deverão ser suportadas pelas Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação, com o fim de atender aos processos em que foi deferida a gratuidade da justiça, como contrapartida de seu credenciamento, nos termos do art.169, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015, respeitados os parâmetros definidos pela Comissão Permanente de Solução Adequada de Conflitos ad referendum do Plenário. - 01357684541 Art. 12-E. As Câmaras Privadas de Mediação e Conciliação e os demais órgãos cadastrados ficam sujeitos à avaliação prevista no art. 8º, § 9º, desta Resolução. Parágrafo único. A avaliação deverá refletir a média aritmética de todos os mediadores e conciliadores avaliados, inclusive daqueles que atuaram voluntariamente, nos termos do art. 169, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015. Art. 12-F. Fica vedado o uso de brasão e demais signos da República Federativa do Brasil pelas Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação ou órgãos semelhantes, bem como por seus mediadores e conciliadores, estendendo-se a vedação ao uso da denominação de "Tribunal" ou expressão semelhante para a entidade e a de "juiz" ou equivalente para seus membros. Por fim, também é permitida a criação das chamadas “câmaras administrativas”, que nada mais são do que centros de conciliação e mediação para solucionar conflitos entre os próprios órgãos da administração pública. No CPC, tal permissão encontra-se no art. 174: Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão câmaras de mediação e conciliação, com atribuições relacionadas à solução consensual de conflitos no âmbito administrativo, tais como: I - dirimir conflitos envolvendo órgãos e entidades da administração pública; II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio de conciliação, no âmbito da administração pública; III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta. Em que pese estes poucos dispositivos no CPC, a Lei nº 13.140/2015 tratou de dispor com mais detalhes em seu art. 32: Art. 32. [...] § 1º O modo de composição e funcionamento das câmaras de que trata o caput será estabelecido em regulamento de cada ente federado. § 2º A submissão do conflito às câmaras de que trata o caput é facultativa e será cabível apenas nos casos previstos no regulamento do respectivo ente federado. § 3º Se houver consenso entre as partes, o acordo será reduzido a termo e constituirá título executivo extrajudicial. § 4º Não se incluem na competência dos órgãos mencionados no caput deste artigo as controvérsias que somente possam ser resolvidas por atos ou concessão de direitos sujeitos a autorização do Poder Legislativo. § 5º Compreendem-se na competência das câmaras de que trata o caput a prevenção e a resolução de conflitos que envolvam equilíbrio - 01357684541 econômico-financeiro de contratos celebrados pela administração com particulares. Leitura Complementar CARVALHO, Roger Pires. Princípio da autocomposição no novo Código de Processo Civil. Iuris in mente: revista de direitos fundamentais e políticas públicas. Ano III, n. 4. Itumbiara, jan.-jun., 2018. Disponível em: http://posgrad.ulbra.br/periodicos/index.php/iuris/article/view/3612. Acesso em: 28 ago. 2022. Legislação CF/88 Art. 5º. [...] XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; [...] XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; [...] LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; [...] Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles; II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade; [...] - 01357684541 Art. 71. [...] § 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo. [...] Art. 93. [...] XI nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antigüidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno; [...] XIV os servidores receberão delegação para a prática de atos de administração e atos de mero expediente sem caráter decisório; [...] Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: [...] m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais; [...] Art. 165. [...]