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Módulo: 
ASPECTOS GERAIS SOBRE A TEORIA 
GERAL DO DIREITO 
 
TEMA 01 – JURISDIÇÃO, PROCESSO, 
AÇÃO E COMPETÊNCIA – PARTE I. 
 
CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO 
Inicialmente, a ideia é tratar dos princípios e das características da jurisdição. 
O conceito vem do latim juris + dictio, que significa “dizer o direito”, que é uma função 
típica da soberania do Estado. É através dela que as pretensões trazidas ao juízo são 
solucionadas de forma definitiva (jurisdição contenciosa) mediante a aplicação da 
lei ao caso concretou ou para que se faça a tutela de interesses considerados 
relevantes para o Estado (jurisdição voluntária). No caso desta última, não há 
resolução de conflitos, mas mera administração estatal de interesses que ele julgou 
relevante administrar. 
Neste momento, serão abordadas suas características segundo a dogmática 
processual: 
 
 
A primeira característica da jurisdição que vale a pena mencionar é a sua 
inércia. Segundo o Código de Processo Civil (CPC), a iniciativa do processo compete 
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à parte, sendo papel do órgão jurisdicional a sua movimentação. Veja-se a redação 
do art. 2º: 
Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por 
impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. 
 
No CPC anterior, que era da época de 1973, havia algumas exceções a esta 
característica da inércia. Apesar de a regra geral ser a iniciativa da parte, era permitido 
excepcionalmente que o próprio juízo instaurasse o processo de ofício. No CPC atual, 
há pouquíssimas mitigações à inércia. Por exemplo, pode ser citada a hipótese de 
cumprimento de obrigações de fazer e não fazer, que, segundo o art. 536 do CPC, 
permite ao juízo, de ofício, determinar as medidas adequadas para que se obtenha a 
tutela específica ou o resultado prático equivalente. 
Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade 
de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a 
requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção de 
tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas 
necessárias à satisfação do exequente. 
 
Em relação às tutelas cautelares, sempre se discutiu bastante a respeito do 
chamado “poder geral de cautela” do juiz. Dessa forma, a discussão girava em torno 
de o juiz poder, de ofício, determinar medidas de natureza cautelar. 
Outras duas exceções estão previstas nos arts. 643 e 830 do CPC: 
Art. 643. Não havendo concordância de todas as partes sobre o pedido 
de pagamento feito pelo credor, será o pedido remetido às vias 
ordinárias. 
Parágrafo único. O juiz mandará, porém, reservar, em poder do 
inventariante, bens suficientes para pagar o credor quando a dívida 
constar de documento que comprove suficientemente a obrigação e a 
impugnação não se fundar em quitação. 
[...] 
Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar- 
lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução. 
§ 1º Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de 
justiça procurará o executado 2 (duas) vezes em dias distintos e, 
havendo suspeita de ocultação, realizará a citação com hora certa, 
certificando pormenorizadamente o ocorrido. 
§ 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vez 
frustradas a pessoal e a com hora certa. 
§ 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o 
arresto converter-se-á em penhora, independentemente de termo. 
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O art. 643 do CPC é o dispositivo que prevê, em caso de discordância com o 
pagamento pleiteado pelo credor nos autos do inventário, o juiz poderá determinar a 
reserva de bens pelo inventariante de ofício de forma que se garanta o pagamento 
deste crédito ao final, caso se mostre devido. 
O art. 830 do CPC fala da hipótese do “arresto”, em que o juiz determina que 
sejam apreendidos bens do devedor caso ele não tenha sido encontrado e existam 
bens suficientes para garantir a execução. 
A segunda característica da jurisdição é a lide, que é o conflito de interesses 
que se qualifica por uma pretensão resistida. No tempo do CPC de 1973, o termo “lide” 
era empregado como sinônimo de “mérito”, razão pela qual se fala em “julgamento 
antecipado da lide”. Mas é preciso dizer que, na verdade, o pedido limita a lide, de 
forma que esses termos não são efetivamente sinônimos. 
Veja-se, por exemplo, a situação em que uma fazenda seja invadida, tenha 
suas plantações e construções destruídas, furtadas as cabeças de gado, tenha 
ocorrido a perda da safra que não foi colhida... Considerando que os invasores ainda 
estejam no local, seria cabível uma ação de reintegração de posse por parte do 
proprietário da fazenda. O advogado deste sujeito poderia sugerir que a reintegração 
de posse fosse cumulada com indenização de danos materiais. Se o cliente 
entendesse que os invasores não tivessem condições de arcar com os prejuízos 
causados, poderia ficar satisfeito apenas com um pedido de reintegração de posse. 
Nesse caso, pode-se dizer que o pedido limitou a lide, porque apenas a reintegração 
de posse irá para a tutela jurisdicional, não havendo que se falar em indenização por 
danos materiais, porque não haveria pedido sobre o assunto. 
A terceira característica da jurisdição é a substitutividade. Para entendê-la, 
veja-se a seguinte pregunta: quando a jurisdição se exercita? Em regra, quando os 
mecanismos existentes para prevenir ou solucionar conflitos eventualmente se 
mostrem ineficazes antes do chamamento do Poder Judiciário. Então, a jurisdição é 
uma atividade secundária que pressupõe a falha de uma atividade primária em 
resolver os conflitos. 
Porém, apesar de ser uma característica da jurisdição, há exceções que 
fazem com que o Judiciário seja necessariamente o primeiro mecanismo de solução 
dos conflitos. É o caso, por exemplo, das “ações necessárias” ou “processos 
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necessários”, que são aqueles nos quais os efeitos jurídicos buscados somente 
podem ser alcançados pelo exercício da via jurisdicional. É o caso da anulação de um 
matrimônio, o divórcio quando existam incapazes, a partilha em que não há acordos 
entre os cônjuges... Estas são hipóteses de ações necessárias, já que seus efeitos 
jurídicos somente podem ser buscados pela via jurisdicional. 
Por fim, pode-se falar ainda na característica da definitividade, que significa 
que apenas as decisões judiciais são passíveis de se revestirem das qualidades de 
“imutabilidade” e “indiscutibilidade” quando não mais sujeitas à remessa necessária 
ou a eventual recurso. 
É claro que, no campo das ações coletivas, a jurisdição ganha contornos 
próprios que mitigam esta característica da definitividade, pois há a chamada “coisa 
julgada secundum eventum litis”. Significa que, nas ações coletivas, caso haja 
improcedência em objeto envolvendo interesses difusos ou coletivos por insuficiência 
de provas, será possível o ajuizamento de uma nova ação por qualquer dos 
legitimados. Discute-se se, neste caso, seria possível que o mesmo legitimado que 
ajuizou anteriormente a demanda originária pudesse repeti-la. Assim, é importante 
dizer que vem prevalecendo a ideia de que não há óbice para tanto, ou seja, ele 
poderia, sim, repetir a ação anteriormente processada. 
 
PRINCÍPIOS DA JURISDIÇÃO 
O primeiro princípio que vale a pena citar é o da aderência. Sabe-se que a 
jurisdição se adere a um determinado limite territorial, de forma que a regra seja que 
a prática de atos processuais fora daquela circunscrição territorial, onde determinado 
juízo exerce sua jurisdição, exigirá que ele se valha dos mecanismos que o CPC prevê 
para a comunicação com os outros órgãos jurisdicionais. 
No atual CPC, há várias exceções a este princípio da aderência, pois permite- 
se em algumas ocasiões que o juízo realize ato processual fora de seu território 
circunscrito. Por exemplo, há previsão no art.§ 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não 
houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo 
vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as 
partes conciliem. 
§ 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver 
vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender as 
questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo 
restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais 
que gerem benefícios mútuos. 
[...] 
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Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de 
conciliação e mediação serão inscritos em cadastro nacional e em cadastro de tribunal 
de justiça ou de tribunal regional federal, que manterá registro de profissionais 
habilitados, com indicação de sua área profissional. 
§ 1º Preenchendo o requisito da capacitação mínima, por meio de curso 
realizado por entidade credenciada, conforme parâmetro curricular definido pelo 
Conselho Nacional de Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça, o conciliador 
ou o mediador, com o respectivo certificado, poderá requerer sua inscrição no 
cadastro nacional e no cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal. 
[...] 
Art. 217. [...] 
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às 
competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, 
regulada em lei. 
 
CPC 
Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso 
oficial, salvo as exceções previstas em lei. 
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. 
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. 
[...] 
Art. 60. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, seção 
ou subseção judiciária, a competência territorial do juízo prevento estender-se-á sobre 
a totalidade do imóvel. 
[...] 
Art. 152. Incumbe ao escrivão ou ao chefe de secretaria: 
[...] 
VI - praticar, de ofício, os atos meramente ordinatórios. 
§ 1º O juiz titular editará ato a fim de regulamentar a atribuição prevista no 
inciso VI 
[...] 
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Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de 
conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e 
mediação e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e 
estimular a autocomposição. 
§ 1º A composição e a organização dos centros serão definidas pelo 
respectivo tribunal, observadas as normas do Conselho Nacional de Justiça. 
[...] 
Art. 166. [...] 
§ 1º A confidencialidade estende-se a todas as informações produzidas no 
curso do procedimento, cujo teor não poderá ser utilizado para fim diverso daquele 
previsto por expressa deliberação das partes. 
§ 2º Em razão do dever de sigilo, inerente às suas funções, o conciliador e o 
mediador, assim como os membros de suas equipes, não poderão divulgar ou depor 
acerca de fatos ou elementos oriundos da conciliação ou da mediação. 
§ 4º A mediação e a conciliação serão regidas conforme a livre autonomia dos 
interessados, inclusive no que diz respeito à definição das regras procedimentais. 
[...] 
Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão 
câmaras de mediação e conciliação, com atribuições relacionadas à solução 
consensual de conflitos no âmbito administrativo, tais como: 
I - dirimir conflitos envolvendo órgãos e entidades da administração pública; 
II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio 
de conciliação, no âmbito da administração pública; 
III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de 
conduta. 
[...] 
Art. 175. As disposições desta Seção não excluem outras formas de 
conciliação e mediação extrajudiciais vinculadas a órgãos institucionais ou realizadas 
por intermédio de profissionais independentes, que poderão ser regulamentadas por 
lei específica. 
Parágrafo único. Os dispositivos desta Seção aplicam-se, no que couber, às 
câmaras privadas de conciliação e mediação. 
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[...] 
Art. 255. Nas comarcas contíguas de fácil comunicação e nas que se situem 
na mesma região metropolitana, o oficial de justiça poderá efetuar, em qualquer delas, 
citações, intimações, notificações, penhoras e quaisquer outros atos executivos. 
[...] 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
[...] 
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou 
de mediação. 
[...] 
Art. 334. [...] 
§ 4º A audiência não será realizada: 
I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na 
composição consensual; 
II - quando não se admitir a autocomposição. 
[...] 
Art. 373. O ônus da prova incumbe: 
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do 
direito do autor. 
§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa 
relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos 
termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá 
o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão 
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do 
ônus que lhe foi atribuído. 
[...] 
Art. 385. [...] 
§ 3º O depoimento pessoal da parte que residir em comarca, seção ou 
subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser colhido por 
meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e 
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imagens em tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da 
audiência de instrução e julgamento. 
[...] 
Art. 453. [...] 
§ 1º A oitiva de testemunha que residir em comarca, seção ou subseção 
judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser realizada por meio de 
videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão e recepção de sons e 
imagens em tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a audiência de 
instrução e julgamento. 
§ 2º Os juízos deverão manter equipamento para a transmissão e recepção 
de sons e imagens a que se refere o § 1º. 
[...] 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo 
com os artigos previstos neste Título: 
[...] 
VII - a sentença arbitral; 
[...] 
Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de 
obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a 
efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático 
equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente. 
[...] 
Art. 643. Não havendo concordância de todas as partes sobre o pedido de 
pagamento feito pelo credor, será o pedido remetido às vias ordinárias. 
Parágrafo único. O juiz mandará, porém, reservar, em poder do inventariante, 
bens suficientes para pagar o credor quando a dívida constar de documento que 
comprove suficientemente a obrigação e a impugnação não se fundar em quitação. 
[...] 
Art. 723. [...] 
Parágrafo único. O juiz não é obrigado a observar critério de legalidade estrita, 
podendo adotar em cada caso a solução que considerar mais conveniente ou 
oportuna. 
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[...] 
Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á 
tantos bens quantos bastem para garantir a execução. 
§ 1º Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça 
procurará o executado 2 (duas) vezes em dias distintos e, havendo suspeita de 
ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente o 
ocorrido. 
§ 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vezfrustradas 
a pessoal e a com hora certa. 
§ 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto 
converter-se-á em penhora, independentemente de termo. 
[...] 
Art. 928. Para os fins deste Código, considera-se julgamento de casos 
repetitivos a decisão proferida em: 
I - incidente de resolução de demandas repetitivas; 
[...] 
Art. 947. É admissível a assunção de competência quando o julgamento de 
recurso, de remessa necessária ou de processo de competência originária envolver 
relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem repetição em 
múltiplos processos. 
§ 1º Ocorrendo a hipótese de assunção de competência, o relator proporá, de 
ofício ou a requerimento da parte, do Ministério Público ou da Defensoria Pública, que 
seja o recurso, a remessa necessária ou o processo de competência originária julgado 
pelo órgão colegiado que o regimento indicar. 
§ 2º O órgão colegiado julgará o recurso, a remessa necessária ou o processo 
de competência originária se reconhecer interesse público na assunção de 
competência. 
§ 3º O acórdão proferido em assunção de competência vinculará todos os 
juízes e órgãos fracionários, exceto se houver revisão de tese. 
§ 4º Aplica-se o disposto neste artigo quando ocorrer relevante questão de 
direito a respeito da qual seja conveniente a prevenção ou a composição de 
divergência entre câmaras ou turmas do tribunal. 
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[...] 
Art. 972. Se os fatos alegados pelas partes dependerem de prova, o relator 
poderá delegar a competência ao órgão que proferiu a decisão rescindenda, fixando 
prazo de 1 (um) a 3 (três) meses para a devolução dos autos. 
[...] 
Art. 978. O julgamento do incidente caberá ao órgão indicado pelo regimento 
interno dentre aqueles responsáveis pela uniformização de jurisprudência do tribunal. 
Parágrafo único. O órgão colegiado incumbido de julgar o incidente e de fixar 
a tese jurídica julgará igualmente o recurso, a remessa necessária ou o processo de 
competência originária de onde se originou o incidente. 
 
Lei nº 11.417/2006 
Art. 7º. [...] 
§ 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só 
será admitido após esgotamento das vias administrativas. 
 
Lei nº 9.507/1997 
Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 282 a 
285 do Código de Processo Civil, será apresentada em duas vias, e os documentos 
que instruírem a primeira serão reproduzidos por cópia na segunda. 
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova: 
I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias 
sem decisão; 
II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, 
sem decisão; ou 
III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do 
decurso de mais de quinze dias sem decisão. 
 
Lei nº 9.099/1995 
Art. 6º O Juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e 
equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum. 
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Lei nº 2.180/1954 
Art. 1º O Tribunal Marítimo, com jurisdição em todo o território nacional, órgão, 
autônomo, auxiliar do Poder Judiciário, vinculado ao Ministério da Marinha no que se 
refere ao provimento de pessoal militar e de recursos orçamentários para pessoal e 
material destinados ao seu funcionamento, tem como atribuições julgar os acidentes 
e fatos da navegação marítima, fluvial e lacustre e as questões relacionadas com tal 
atividade, especificadas nesta Lei. 
[...] 
Art. 16. Compete ainda ao Tribunal Marítimo: 
[...] 
f) funcionar, quando nomeado pelos interessados, como juízo arbitral nos 
litígios patrimoniais consequentes a acidentes ou fatos da navegação; 
 
Lei nº 9.307/1996 
Art. 2º. [...] 
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão 
aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem 
pública. 
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize 
com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras 
internacionais de comércio. 
[...] 
Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das 
partes. 
§ 1º As partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número ímpar, 
podendo nomear, também, os respectivos suplentes. 
[...] 
Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica 
sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. 
[...] 
Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao 
Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. 
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Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se a 
parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias, 
contado da data de efetivação da respectiva decisão. 
Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter, modificar ou 
revogar a medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário. 
Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida cautelar ou de 
urgência será requerida diretamente aos árbitros. 
[...] 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o 
árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via 
postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de 
recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. 
[...] 
Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os 
mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo 
condenatória, constitui título executivo. 
Art. 32. É nula a sentença arbitral se: 
I - for nula a convenção de arbitragem; 
II - emanou de quem não podia ser árbitro; 
III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; 
IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; 
VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção 
passiva; 
VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta 
Lei; e 
VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei. 
 
 
Resolução nº 125/2010, Anexo III, CNJ 
Art. 1º - São princípios fundamentais que regem a atuação de conciliadores e 
mediadores judiciais: confidencialidade, decisão informada, competência, 
imparcialidade, independência e autonomia, respeito à ordem pública e às leis 
vigentes, empoderamento e validação. 
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I - Confidencialidade - dever de manter sigilo sobre todas as informações 
obtidas na sessão, salvo autorização expressa das partes, violação à ordem pública 
ou às leis vigentes, não podendo ser testemunha do caso, nem atuar como advogado 
dos envolvidos, em qualquer hipótese; 
II - Decisão informada - dever de manter o jurisdicionado plenamente 
informado quanto aos seus direitos e ao contexto fático no qual está inserido; 
III - Competência - dever de possuir qualificação que o habilite à atuação 
judicial, com capacitação na forma desta Resolução, observada a reciclagem 
periódica obrigatória para formação continuada; 
IV - Imparcialidade - dever de agir com ausência de favoritismo, preferência 
ou preconceito, assegurando que valores e conceitos pessoais não interfiram no 
resultado do trabalho, compreendendo a realidade dos envolvidos no conflito e jamais 
aceitando qualquer espécie de favor ou presente; 
V - Independência e autonomia - dever de atuar com liberdade, sem sofrer 
qualquer pressão interna ou externa, sendo permitido recusar, suspender ou 
interromper a sessão se ausentes as condições necessárias para seu bom 
desenvolvimento, tampouco havendo dever de redigir acordo ilegal ou inexequível; 
VI - Respeito à ordem pública e às leis vigentes - dever de velar para que 
eventual acordo entreos envolvidos não viole a ordem pública, nem contrarie as leis 
vigentes; 
VII - Empoderamento - dever de estimular os interessados a aprenderem a 
melhor resolverem seus conflitos futuros em função da experiência de justiça 
vivenciada na autocomposição; 
VIII - Validação - dever de estimular os interessados perceberem-se 
reciprocamente como serem humanos merecedores de atenção e respeito. 
[...] 
Art. 12-C. As Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação ou órgãos 
semelhantes, bem como seus mediadores e conciliadores, para que possam realizar 
sessões de mediação ou conciliação incidentes a processo judicial, devem ser 
cadastradas no Tribunal respectivo ou no Cadastro Nacional de Mediadores Judiciais 
e Conciliadores, nos termos do art. 167 do Código de Processo Civil de 2015, ficando 
sujeitas aos termos desta Resolução. 
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Parágrafo único. O cadastramento é facultativo para realização de sessões de 
mediação ou conciliação pré-processuais. 
Art. 12-D. Os Tribunais determinarão o percentual de audiências não 
remuneradas que deverão ser suportadas pelas Câmaras Privadas de Conciliação e 
Mediação, com o fim de atender aos processos em que foi deferida a gratuidade da 
justiça, como contrapartida de seu credenciamento, nos termos do art.169, § 2º, do 
Código de Processo Civil de 2015, respeitados os parâmetros definidos pela 
Comissão Permanente de Solução Adequada de Conflitos ad referendum do Plenário. 
Art. 12-E. As Câmaras Privadas de Mediação e Conciliação e os demais 
órgãos cadastrados ficam sujeitos à avaliação prevista no art. 8º, § 9º, desta 
Resolução. 
Parágrafo único. A avaliação deverá refletir a média aritmética de todos os 
mediadores e conciliadores avaliados, inclusive daqueles que atuaram 
voluntariamente, nos termos do art. 169, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015. 
Art. 12-F. Fica vedado o uso de brasão e demais signos da República 
Federativa do Brasil pelas Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação ou órgãos 
semelhantes, bem como por seus mediadores e conciliadores, estendendo-se a 
vedação ao uso da denominação de "Tribunal" ou expressão semelhante para a 
entidade e a de "juiz" ou equivalente para seus membros. 
 
Lei nº 13.140/2015 
Art. 2º. [...] 
§ 2º Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de mediação. 
[...] 
Art. 5º Aplicam-se ao mediador as mesmas hipóteses legais de impedimento 
e suspeição do juiz. 
Parágrafo único. A pessoa designada para atuar como mediador tem o dever 
de revelar às partes, antes da aceitação da função, qualquer fato ou circunstância que 
possa suscitar dúvida justificada em relação à sua imparcialidade para mediar o 
conflito, oportunidade em que poderá ser recusado por qualquer delas. 
[...] 
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Art. 30. Toda e qualquer informação relativa ao procedimento de mediação 
será confidencial em relação a terceiros, não podendo ser revelada sequer em 
processo arbitral ou judicial salvo se as partes expressamente decidirem de forma 
diversa ou quando sua divulgação for exigida por lei ou necessária para cumprimento 
de acordo obtido pela mediação. 
[...] 
§ 3º Não está abrigada pela regra de confidencialidade a informação relativa 
à ocorrência de crime de ação pública. 
[...] 
Art. 31. Será confidencial a informação prestada por uma parte em sessão 
privada, não podendo o mediador revelá-la às demais, exceto se expressamente 
autorizado. 
[...] 
Art. 32. [...] 
§ 1º O modo de composição e funcionamento das câmaras de que trata o 
caput será estabelecido em regulamento de cada ente federado. 
§ 2º A submissão do conflito às câmaras de que trata o caput é facultativa e 
será cabível apenas nos casos previstos no regulamento do respectivo ente federado. 
§ 3º Se houver consenso entre as partes, o acordo será reduzido a termo e 
constituirá título executivo extrajudicial. 
§ 4º Não se incluem na competência dos órgãos mencionados no caput deste 
artigo as controvérsias que somente possam ser resolvidas por atos ou concessão de 
direitos sujeitos a autorização do Poder Legislativo. 
§ 5º Compreendem-se na competência das câmaras de que trata o caput a 
prevenção e a resolução de conflitos que envolvam equilíbrio econômico-financeiro 
de contratos celebrados pela administração com particulares. 
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Jurisprudência 
 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. PRÉVIO 
REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO E INTERESSE EM AGIR. 1. A instituição de 
condições para o regular exercício do direito de ação é compatível com o art. 5º, 
XXXV, da Constituição. Para se caracterizar a presença de interesse em agir, é 
preciso haver necessidade de ir a juízo. 2. A concessão de benefícios previdenciários 
depende de requerimento do interessado, não se caracterizando ameaça ou lesão a 
direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo INSS, ou se excedido o prazo 
legal para sua análise. É bem de ver, no entanto, que a exigência de prévio 
requerimento não se confunde com o exaurimento das vias administrativas. 3. A 
exigência de prévio requerimento administrativo não deve prevalecer quando o 
entendimento da Administração for notória e reiteradamente contrário à postulação do 
segurado. 4. Na hipótese de pretensão de revisão, restabelecimento ou manutenção 
de benefício anteriormente concedido, considerando que o INSS tem o dever legal de 
conceder a prestação mais vantajosa possível, o pedido poderá ser formulado 
diretamente em juízo – salvo se depender da análise de matéria de fato ainda não 
levada ao conhecimento da Administração –, uma vez que, nesses casos, a conduta 
do INSS já configura o não acolhimento ao menos tácito da pretensão. 5. Tendo em 
vista a prolongada oscilação jurisprudencial na matéria, inclusive no Supremo Tribunal 
Federal, deve-se estabelecer uma fórmula de transição para lidar com as ações em 
curso, nos termos a seguir expostos. 6. Quanto às ações ajuizadas até a conclusão 
do presente julgamento (03.09.2014), sem que tenha havido prévio requerimento 
administrativo nas hipóteses em que exigível, será observado o seguinte: (i) caso a 
ação tenha sido ajuizada no âmbito de Juizado Itinerante, a ausência de anterior 
pedido administrativo não deverá implicar a extinção do feito; (ii) caso o INSS já tenha 
apresentado contestação de mérito, está caracterizado o interesse em agir pela 
resistência à pretensão; (iii) as demais ações que não se enquadrem nos itens (i) e (ii) 
ficarão sobrestadas, observando-se a sistemática a seguir. 7. Nas ações sobrestadas, 
o autor será intimado a dar entrada no pedido administrativo em 30 dias, sob pena de 
extinção do processo. Comprovada a postulação administrativa, o INSS será intimado 
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a se manifestar acerca do pedido em até 90 dias, prazo dentro do qual a Autarquia 
deverá colher todas as provas eventualmente necessárias e proferir decisão. Se o 
pedido for acolhido administrativamente ou não puder ter o seu mérito analisado 
devido a razões imputáveis ao próprio requerente, extingue-se a ação. Do contrário, 
estará caracterizado o interesse em agir e o feito deverá prosseguir. 8. Em todos os 
casos acima – itens (i), (ii) e (iii) –, tanto a análise administrativa quanto a judicial 
deverão levar em conta a data do início da ação como data de entrada do 
requerimento, para todos os efeitos legais. 9. Recurso extraordinário a que se dá 
parcial provimento, reformando-se o acórdão recorrido para determinar a baixa dos 
autos ao juiz de primeiro grau, o qual deverá intimar a autora – que alega ser 
trabalhadora rural informal – a dar entrada no pedido administrativo em 30 dias, sob 
pena de extinção. Comprovada a postulação administrativa, o INSS será intimado 
para que, em 90 dias, colha as provas necessárias e profira decisão administrativa, 
considerando como data de entrada do requerimento a data do início da ação, para 
todos os efeitoslegais. O resultado será comunicado ao juiz, que apreciará a 
subsistência ou não do interesse em agir. (STF - RE: 631240 MG, Relator: ROBERTO 
BARROSO, Data de Julgamento: 03/09/2014, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 
10/11/2014) 
 
PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE 
CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS EM 
CADERNETA DE POUPANÇA. EXIBIÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. AÇÃO 
CAUTELAR DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. INTERESSE DE AGIR. PEDIDO 
PRÉVIO À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E PAGAMENTO DO CUSTO DO SERVIÇO. 
NECESSIDADE. 1. Para efeitos do art. 543-C do CPC, firma-se a seguinte tese: A 
propositura de ação cautelar de exibição de documentos bancários (cópias e segunda 
via de documentos) é cabível como medida preparatória a fim de instruir a ação 
principal, bastando a demonstração da existência de relação jurídica entre as partes, 
a comprovação de prévio pedido à instituição financeira não atendido em prazo 
razoável, e o pagamento do custo do serviço conforme previsão contratual e 
normatização da autoridade monetária. 2. No caso concreto, recurso especial provido. 
(STJ - REsp: 1349453 MS 2012/0218955-5, Relator: Ministro LUIS FELIPE 
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SALOMÃO, Data de Julgamento: 10/12/2014, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de 
Publicação: DJe 02/02/2015) 
 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE CONTRA A MEDIDA 
PROVISÓRIA 173, DE 18.3.90, QUE VEDA A CONCESSÃO DE 'MEDIDA LIMINAR 
EM MANDADO DE SEGURANÇA E EM AÇÕES ORDINÁRIAS E CAUTELARES 
DECORRENTES DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS NÚMEROS 151, 154, 158, 160, 
162, 165, 167 E 168': INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE SUSPENSÃO CAUTELAR 
DA VIGÊNCIA DO DIPLOMA IMPUGNADO: RAZÕES DOS VOTOS VENCEDORES. 
SENTIDO DA INOVADORA ALUSÃO CONSTITUCIONAL A PLENITUDE DA 
GARANTIA DA JURISDIÇÃO CONTRA A AMEAÇA À DIREITO: ÊNFASE A FUNÇÃO 
PREVENTIVA DE JURISDIÇÃO, NA QUAL SE INSERE A FUNÇÃO CAUTELAR E, 
QUANDO NECESSÁRIO, O PODER DE CAUTELA LIMINAR. IMPLICAÇÕES DA 
PLENITUDE DA JURISDIÇÃO CAUTELAR, ENQUANTO INSTRUMENTO DE 
PROTEÇÃO AO PROCESSO E DE SALVAGUARDA DA PLENITUDE DAS 
FUNÇÕES DO PODER JUDICIÁRIO. ADMISSIBILIDADE, NÃO OBSTANTE, DE 
CONDIÇÕES E LIMITAÇÕES LEGAIS AO PODER CAUTELAR DO JUIZ. A TUTELA 
CAUTELAR E O RISCO DO CONSTRANGIMENTO PRECIPITADO À DIREITOS DA 
PARTE CONTRÁRIA, COM VIOLAÇÃO DA GARANTIA DO DEVIDO PROCESSO 
LEGAL. CONSEQUENTE NECESSIDADE DE CONTROLE DA RAZOABILIDADE 
DAS LEIS RESTRITIVAS AO PODER CAUTELAR. ANTECEDENTES 
LEGISLATIVOS DE VEDAÇÃO DE LIMINARES DE DETERMINADO CONTEÚDO. 
CRITÉRIO DE RAZOABILIDADE DAS RESTRIÇÕES, A PARTIR DO CARÁTER 
ESSENCIALMENTE PROVISÓRIO DE TODO PROVIMENTO CAUTELAR, LIMINAR 
OU NÃO. GENERALIDADE, DIVERSIDADE E IMPRECISÃO DE LIMITES DO 
ÂMBITO DE VEDAÇÃO DE LIMINAR DA MP 173, QUE, SE LHE PODEM VIR, A 
FINAL, A COMPROMETER A VALIDADE, DIFICULTAM DEMARCAR, EM TESE, NO 
JUÍZO DE DELIBAÇÃO SOBRE O PEDIDO DE SUA SUSPENSÃO CAUTELAR, ATÉ 
ONDE SÃO RAZOÁVEIS AS PROIBIÇÕES NELA IMPOSTAS, ENQUANTO 
CONTENÇÃO AO ABUSO DO PODER CAUTELAR, E ONDE SE INICIA, 
INVERSAMENTE, O ABUSO DAS LIMITAÇÕES E A CONSEQUENTE AFRONTA A 
PLENITUDE DA JURISDIÇÃO E AO PODER JUDICIÁRIO. INDEFERIMENTO DA 
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SUSPENSÃO LIMINAR DA MP 173, QUE NÃO PREJUDICA, SEGUNDO O 
RELATOR DO ACÓRDÃO, O EXAME JUDICIAL EM CADA CASO CONCRETO DA 
CONSTITUCIONALIDADE, INCLUÍDA A RAZOABILIDADE, DA APLICAÇÃO DA 
NORMA PROIBITIVA DA LIMINAR. CONSIDERAÇÕES, EM DIVERSOS VOTOS, 
DOS RISCOS DA SUSPENSÃO CAUTELAR DA MEDIDA IMPUGNADA. (STF - ADI: 
223 DF, Relator: PAULO BROSSARD, Data de Julgamento: 05/04/1990, Tribunal 
Pleno, Data de Publicação: 29/06/1990) 
 
 
Recursos Audiovisuais 
 
 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ. Explicações sobre o funcionamento 
do CEJUSC. YouTube, 5 fev. 2018. Disponível em: https://youtu.be/alx1TVj3C2I. 
Acesso em: 28 ago. 2022. 
 - 01357684541
 
 
 
 
 
 
 
Bibliografia 
 
 
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito 
processual civil, parte geral e processo de conhecimento. 19. ed. Salvador: Ed. 
JusPodivm, 2017. 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 10. 
ed. Salvador: Editora JusPodivm, 2018. 
SCAVONE JUNIOR, Luiz Antonio. Arbitragem: mediação, conciliação e 
negociação. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. 
 - 0135768454160, CPC, sobre o imóvel que atingir a 
região de mais de um Estado, comarca, seção ou subseção judiciária: 
Art. 60. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, 
seção ou subseção judiciária, a competência territorial do juízo 
prevento estender-se-á sobre a totalidade do imóvel. 
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Da mesma forma, também é exceção à aderência o art. 255 do CPC, pois 
permite ato de oficial de justiça em comarcas contíguas e naquelas da mesma região 
metropolitana: 
Art. 255. Nas comarcas contíguas de fácil comunicação e nas que se 
situem na mesma região metropolitana, o oficial de justiça poderá 
efetuar, em qualquer delas, citações, intimações, notificações, 
penhoras e quaisquer outros atos executivos. 
 
Em seguida, há mais exceções aos limites territoriais do juízo, porque os atos 
processuais de depoimento pessoal da parte (art. 385, §3º, CPC) e de oitiva das 
testemunhas (art. 453, §§1º e 2º, CPC) podem ser realizados em local diverso de onde 
tramita o processo: 
Art. 385. [...] 
§ 3º O depoimento pessoal da parte que residir em comarca, seção 
ou subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo 
poderá ser colhido por meio de videoconferência ou outro recurso 
tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, o que 
poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da audiência de 
instrução e julgamento. 
[...] 
Art. 453. [...] 
§ 1º A oitiva de testemunha que residir em comarca, seção ou 
subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá 
ser realizada por meio de videoconferência ou outro recurso 
tecnológico de transmissão e recepção de sons e imagens em tempo 
real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a audiência de instrução 
e julgamento. 
§ 2º Os juízos deverão manter equipamento para a transmissão e 
recepção de sons e imagens a que se refere o § 1º. 
 
A jurisdição também tem como princípio a investidura, que significa que só 
poderão exercê-la aqueles que estejam legalmente investidos na função. É a 
Constituição Federal de 1988 (CF/88) que dará o arcabouço para se saber os 
requisitos da investidura. Nesse caso, podem ser citadas três formas: (1) concurso 
público (art. 93, I, CF/88); (2) indicação pelo Poder Executivo por meio do quinto 
constitucional (art. 94, CF/88); e (3) indicação para composição do STF (art. 101, 
CF/88). 
Em relação ao princípio da inevitabilidade, significa que a decisão judicial 
será aplicada à parte, mesmo que ela não queira. É a ideia de que a jurisdição, como 
manifestação do poder estatal, é imposta àqueles a quem se destina. 
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Ademais, o princípio da indelegabilidade significa que, na medida em que 
cabe ao Poder Judiciário exercer sua função típica de jurisdição, esta função não 
poderá ser delegada, a não ser em situações bastante excepcionais e prevista na 
CF/88 ou no CPC. 
Como exemplo de possível delegação da jurisdição, o art. 93, XI, CF/88, 
permite que seja direcionada ao órgão especial do tribunal para, por exemplo, a 
observância da cláusula de reserva do plenário: 
Art. 93. [...] 
XI nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, 
poderá ser constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o 
máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições 
administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal 
pleno, provendo-se metade das vagas por antigüidade e a outra 
metade por eleição pelo tribunal pleno; 
 
Outro caso de exceção à indelegabilidade é o Incidente de Assunção de 
Competência (IAC), previsto no art. 947, CPC. Trata-se de previsão legal que permite 
o deslocamento da competência de determinado órgão jurisdicional fracionário 
originalmente competente para outro que seja colegiado e com maior composição, a 
quem caberá firmar eventual precedente: 
Art. 947. É admissível a assunção de competência quando o 
julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo de 
competência originária envolver relevante questão de direito, com 
grande repercussão social, sem repetição em múltiplos processos. 
§ 1º Ocorrendo a hipótese de assunção de competência, o relator 
proporá, de ofício ou a requerimento da parte, do Ministério Público ou 
da Defensoria Pública, que seja o recurso, a remessa necessária ou o 
processo de competência originária julgado pelo órgão colegiado 
que o regimento indicar. 
§ 2º O órgão colegiado julgará o recurso, a remessa necessária ou o 
processo de competência originária se reconhecer interesse público 
na assunção de competência. 
§ 3º O acórdão proferido em assunção de competência vinculará todos 
os juízes e órgãos fracionários, exceto se houver revisão de tese. 
§ 4º Aplica-se o disposto neste artigo quando ocorrer relevante 
questão de direito a respeito da qual seja conveniente a prevenção ou 
a composição de divergência entre câmaras ou turmas do tribunal. 
 
Também acontece no caso de Incidente de Resolução de Demandas 
Repetitivas (IRDR), previsto no art. 928, CPC. Neste caso, a finalidade é estabelecer 
um precedente com eficácia vinculante para resolver questão de direito que se repete 
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em múltiplos processos. Há, aqui, uma delegação de competência, pois o processo 
será solucionado por outro órgão, que será aquele competente para dirimir o IRDR. 
Art. 928. Para os fins deste Código, considera-se julgamento de casos 
repetitivos a decisão proferida em: 
I - incidente de resolução de demandas repetitivas; 
 
O órgão competente para tal julgamento deverá estar previsto no regimento 
interno do tribunal, conforme art. 978, CPC: 
Art. 978. O julgamento do incidente caberá ao órgão indicado pelo 
regimento interno dentre aqueles responsáveis pela uniformização de 
jurisprudência do tribunal. 
Parágrafo único. O órgão colegiado incumbido de julgar o incidente e 
de fixar a tese jurídica julgará igualmente o recurso, a remessa 
necessária ou o processo de competência originária de onde se 
originou o incidente. 
 
Em relação às cartas de ordem, trata-se de comunicações expedidas pelos 
tribunais aos órgãos jurisdicionais a eles vinculados e inferiores hierarquicamente, 
segundo o art. 972, CPC: 
Art. 972. Se os fatos alegados pelas partes dependerem de prova, o 
relator poderá delegar a competência ao órgão que proferiu a decisão 
rescindenda, fixando prazo de 1 (um) a 3 (três) meses para a 
devolução dos autos. 
 
No caso do Supremo Tribunal Federal (STF), vale lembrar que o art. 102, I, 
m, CF/88, permite a possibilidade de esta corte delegar a execução nas ações de sua 
competência originária: 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a 
guarda da Constituição, cabendo-lhe: 
I - processar e julgar, originariamente: 
[...] 
m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, 
facultada a delegação de atribuições para a prática de atos 
processuais; 
 
Por fim, em relação a atos administrativos ou de mero expediente, há previsão 
tanto constitucional (art. 93, XIV, CF/88) quanto no processo civil (art. 152, VI, CPC) 
de que atos sejam delegados aos serventuários da justiça: 
CF/88, Art. 93. [...] 
XIV os servidores receberão delegação para a prática de atos de 
administração e atos de mero expediente sem caráter decisório; 
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CPC, Art. 152. Incumbe ao escrivão ou ao chefe de secretaria: 
[...] 
VI - praticar, de ofício, os atos meramente ordinatórios. 
§ 1º O juiz titular editará ato a fim de regulamentar a atribuição prevista 
no inciso VI. 
 
Outro princípio da jurisdição é a indeclinabilidade, que significa dois 
aspectos da jurisdição. De um lado, um juiz jamais se exime de julgar. Afinal, em 
eventual falta de lei, ele se valerá da analogia, das máximas de experiência, dos 
princípios gerais, dos costumes... Por outro lado, há um aspecto que precisa ser bem 
entendido quando se fala em indeclinabilidade, qual seja, o juiz também não se exime 
de julgar quandose depara com uma dúvida insuperável. 
No caso do princípio da indelegabilidade, o art. 373 do CPC se torna de 
extrema importância: 
Art. 373. O ônus da prova incumbe: 
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou 
extintivo do direito do autor. 
 
Imagine-se uma causa em que o juiz está preparado para julgar, mas se 
depara com uma “dúvida insuperável”. A quem seria concedido o direito material? Este 
art. 373 do CPC serve como uma orientação ao magistrado. Em primeiro lugar, do 
ponto de vista objetivo, caso a dúvida seja quanto ao fato constitutivo do direito do 
autor, o juiz julgará o pedido improcedente, pois o autor não se desincumbiu deste 
ônus. Todavia, se a dúvida for sobre o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do 
direito do autor, sendo ônus que compete ao réu, o juiz julgará em desfavor deste. O 
que não é cabível é a aplicação deste art. 373, CPC, quando existem provas hábeis a 
forma a sua convicção. 
Ademais, este artigo também serve como uma orientação do ponto de vista 
subjetivo. É como se cada uma das partes já soubesse com antecedência quem 
suportará as consequências caso não se desincumbam do respectivo ônus probatório. 
É importante lembrar, ainda, que este mesmo artigo ainda tem o chamado 
“ônus dinâmico da prova” no seu §1º: 
Art. 373. [...] 
§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa 
relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir 
o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da 
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prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo 
diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que 
deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe 
foi atribuído. 
 
Significa que o juiz, considerando a especificidade da causa, a maior ou menor 
possibilidade de um ou outro litigante produzir a prova, poderá inverter o ônus da 
prova, o qual, originalmente, não lhe caberia. Assim, ao tomar esta decisão, é claro 
que ela deverá ser sempre de forma fundamentada. 
Em relação ao princípio da inafastabilidade, pode-se trazer como fontes do 
direito o art. 5º, XXXV, da CF/88, e o art. 3º, do CPC: 
CF/88, Art. 5º. [...] 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou 
ameaça a direito; 
 
CPC, Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou 
lesão a direito. 
 
De um lado, é possível recorrer ao Judiciário para pedir a tutela inibitória, 
enquanto, de outro lado, também pode-se pedir a tutela reparatória. No caso da tutela 
inibitória é sempre mais difícil de provar o fato constitutivo, porque está voltada para 
uma jurisdição prospectiva, isto é, aquela que visa impedir o ato ilícito. Assim, o ônus 
da prova será mais tormentoso, pois trata de fato que ainda irá ocorrer. Por isso, fazer 
a prova disso é mais complicado. Há ainda a tutela retrospectiva, isto é, aquela que 
visa reparar alguma lesão. Neste caso, fazer a prova de fato constitutivo tende a ser 
mais fácil. 
Não se pode deixar de reconhecer que entender o princípio da 
inafastabilidade meramente como acesso ao Judiciário é insuficiente. É preciso ter em 
mente algumas características da inafastabilidade que vão além. Por exemplo, surge 
a hipótese de não precisar haver exaurimento da via administrativa para que o 
Judiciário possa ser acionado. Outro caso seria, por exemplo, não se garantir apenas 
o acesso, mas também a tutela adequada para a situação apresentada em juízo. 
Esse princípio não é absoluto. É possível encontrar exceções a ele, como é o 
julgamento de crime de responsabilidade do Presidente da República ou de outras 
autoridades, o qual não caberá ao Judiciário, mas ao Senado Federal, segundo o art. 
52, I e II, da CF/88: 
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Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: 
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República 
nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e 
os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes 
da mesma natureza conexos com aqueles; 
II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os 
membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do 
Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado- 
Geral da União nos crimes de responsabilidade; 
 
O art. 217, §1º, CF/88, também traz exceção quando se trata de competições 
desportivas, pois é exigido o esgotamento da justiça desportiva para que se possa 
acionar o Poder Judiciário: 
Art. 217. [...] 
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às 
competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça 
desportiva, regulada em lei. 
 
Também no caso de súmula vinculante, o art. 7º, §1º, da Lei nº 11.417/2006, 
prevê que, em sede administrativa, se alguém alegar que houve desrespeito à sumula 
vinculante editada pelo STF, somente será possível propor a Reclamação 
Constitucional depois de esgotada a via administrativa: 
Art. 7º. [...] 
§ 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da 
reclamação só será admitido após esgotamento das vias 
administrativas. 
 
A dogmática processual costuma mencionar uma outra exceção ao princípio 
da inafastabilidade, que é o art. 8º, parágrafo único, da Lei nº 9.507/1997, que regula 
o procedimento do Habeas Data. Neste caso, só é possível se utilizar deste remédio 
constitucional se ficar provado que foram tentados a retificação ou o acesso aos 
dados. Não é o caso de exaurimento da via administrativa, mas de simplesmente ter 
prova de que, extrajudicialmente, o pedido foi recusado: 
Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 
282 a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em duas 
vias, e os documentos que instruírem a primeira serão reproduzidos 
por cópia na segunda. 
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova: 
I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez 
dias sem decisão; 
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II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de 
quinze dias, sem decisão; ou 
III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° 
ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão. 
 
Uma situação que costuma acontecer é a não concessão administrativa de 
pensão por morte por parte do INSS. Veja-se que, para acionar o Judiciário na busca 
deste benefício previdenciário, é necessário que se apresente prova de que, 
administrativamente, o INSS negou tal pedido. Porém, o STF tem um posicionamento 
interessante para aqueles casos em que a posição da referida autarquia já seja 
notoriamente conhecida. Assim, no RE nº 631.240 (27.8.2014), de relatoria do Ministro 
Luis Roberto Barroso, o STF firmou o entendimento de que é necessária a recusa 
administrativa do INSS, salvo naqueles casos em que sua posição já seja 
notoriamente conhecida: 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. PRÉVIO 
REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO E INTERESSE EM AGIR. 1. A 
instituição de condições para o regular exercício do direito de ação é 
compatível com o art. 5º, XXXV, da Constituição. Para se caracterizar 
a presença de interesse em agir, é preciso haver necessidade de ir a 
juízo. 2. A concessão de benefícios previdenciários depende de 
requerimento do interessado, não se caracterizando ameaça ou 
lesão a direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo INSS, 
ou se excedido o prazo legal para sua análise. É bem de ver, no 
entanto, que a exigência de prévio requerimento não se confunde com 
o exaurimento das vias administrativas. 3. A exigência de prévio 
requerimento administrativo não deve prevalecer quando o 
entendimento da Administração for notória e reiteradamente 
contrário à postulação do segurado. 4. Na hipótese de pretensão 
de revisão, restabelecimento ou manutençãode benefício 
anteriormente concedido, considerando que o INSS tem o dever legal 
de conceder a prestação mais vantajosa possível, o pedido poderá ser 
formulado diretamente em juízo – salvo se depender da análise de 
matéria de fato ainda não levada ao conhecimento da Administração 
–, uma vez que, nesses casos, a conduta do INSS já configura o não 
acolhimento ao menos tácito da pretensão. 5. Tendo em vista a 
prolongada oscilação jurisprudencial na matéria, inclusive no Supremo 
Tribunal Federal, deve-se estabelecer uma fórmula de transição para 
lidar com as ações em curso, nos termos a seguir expostos. 6. Quanto 
às ações ajuizadas até a conclusão do presente julgamento 
(03.09.2014), sem que tenha havido prévio requerimento 
administrativo nas hipóteses em que exigível, será observado o 
seguinte: (i) caso a ação tenha sido ajuizada no âmbito de Juizado 
Itinerante, a ausência de anterior pedido administrativo não deverá 
implicar a extinção do feito; (ii) caso o INSS já tenha apresentado 
contestação de mérito, está caracterizado o interesse em agir pela 
resistência à pretensão; (iii) as demais ações que não se enquadrem 
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nos itens (i) e (ii) ficarão sobrestadas, observando-se a sistemática a 
seguir. 7. Nas ações sobrestadas, o autor será intimado a dar entrada 
no pedido administrativo em 30 dias, sob pena de extinção do 
processo. Comprovada a postulação administrativa, o INSS será 
intimado a se manifestar acerca do pedido em até 90 dias, prazo 
dentro do qual a Autarquia deverá colher todas as provas 
eventualmente necessárias e proferir decisão. Se o pedido for acolhido 
administrativamente ou não puder ter o seu mérito analisado devido a 
razões imputáveis ao próprio requerente, extingue-se a ação. Do 
contrário, estará caracterizado o interesse em agir e o feito deverá 
prosseguir. 8. Em todos os casos acima – itens (i), (ii) e (iii) –, tanto a 
análise administrativa quanto a judicial deverão levar em conta a data 
do início da ação como data de entrada do requerimento, para todos 
os efeitos legais. 9. Recurso extraordinário a que se dá parcial 
provimento, reformando-se o acórdão recorrido para determinar a 
baixa dos autos ao juiz de primeiro grau, o qual deverá intimar a autora 
– que alega ser trabalhadora rural informal – a dar entrada no pedido 
administrativo em 30 dias, sob pena de extinção. Comprovada a 
postulação administrativa, o INSS será intimado para que, em 90 dias, 
colha as provas necessárias e profira decisão administrativa, 
considerando como data de entrada do requerimento a data do início 
da ação, para todos os efeitos legais. O resultado será comunicado ao 
juiz, que apreciará a subsistência ou não do interesse em agir. (STF - 
RE: 631240 MG, Relator: ROBERTO BARROSO, Data de 
Julgamento: 03/09/2014, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 
10/11/2014) 
 
Outra situação trata da possibilidade de pedido cautelar para exibição de 
documentos bancários. Por exemplo, imagine-se um sujeito que é cliente de um certo 
banco e quer receber documentos bancários para checar a movimentação de valores 
em sua conta. Neste caso, também se entende que este pedido será cabível caso 
fique claro que há efetivamente uma relação jurídica entre o autor da ação e a 
instituição bancária. Em segundo lugar, também é necessário provar que fora 
formulado previamente um pedido ao banco, o qual foi negado. Por fim, também se 
exige que eventuais taxas bancárias necessárias para a análise deste tipo de pedido 
tenham sido pagas. Então, se o sujeito propuser uma ação de exibição de documentos 
em face de uma instituição bancária, é fundamental, do ponto de vista de uma 
advocacia contenciosa, que a petição seja instruída com essa demonstração 
probatória. Caso contrário, o juiz mandará emendar a inicial sob pena de extinção do 
processo sem resolução do mérito. 
PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE 
CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. EXPURGOS 
INFLACIONÁRIOS EM CADERNETA DE POUPANÇA. EXIBIÇÃO DE 
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EXTRATOS BANCÁRIOS. AÇÃO CAUTELAR DE EXIBIÇÃO DE 
DOCUMENTOS. INTERESSE DE AGIR. PEDIDO PRÉVIO À 
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E PAGAMENTO DO CUSTO DO 
SERVIÇO. NECESSIDADE. 1. Para efeitos do art. 543-C do CPC, 
firma-se a seguinte tese: A propositura de ação cautelar de 
exibição de documentos bancários (cópias e segunda via de 
documentos) é cabível como medida preparatória a fim de instruir 
a ação principal, bastando a demonstração da existência de 
relação jurídica entre as partes, a comprovação de prévio pedido 
à instituição financeira não atendido em prazo razoável, e o 
pagamento do custo do serviço conforme previsão contratual e 
normatização da autoridade monetária. 2. No caso concreto, 
recurso especial provido. (STJ - REsp: 1349453 MS 2012/0218955-5, 
Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Julgamento: 
10/12/2014, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 
02/02/2015) 
 
Na ADI 223/DF, entendeu-se serem cabíveis eventuais restrições à 
concessão de medidas de urgência. Neste caso, o STF se posicionou no sentido se 
ser possível sopesar princípios. Neste caso da ADI 223/DF, as restrições criadas para 
a concessão de pedidos de urgência não são inconstitucionais se forem razoáveis: 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE CONTRA A MEDIDA 
PROVISÓRIA 173, DE 18.3.90, QUE VEDA A CONCESSÃO DE 
'MEDIDA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA E EM AÇÕES 
ORDINÁRIAS E CAUTELARES DECORRENTES DAS MEDIDAS 
PROVISÓRIAS NÚMEROS 151, 154, 158, 160, 162, 165, 167 E 168': 
INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE SUSPENSÃO CAUTELAR DA 
VIGÊNCIA DO DIPLOMA IMPUGNADO: RAZÕES DOS VOTOS 
VENCEDORES. SENTIDO DA INOVADORA ALUSÃO 
CONSTITUCIONAL A PLENITUDE DA GARANTIA DA JURISDIÇÃO 
CONTRA A AMEAÇA À DIREITO: ÊNFASE A FUNÇÃO 
PREVENTIVA DE JURISDIÇÃO, NA QUAL SE INSERE A FUNÇÃO 
CAUTELAR E, QUANDO NECESSÁRIO, O PODER DE CAUTELA 
LIMINAR. IMPLICAÇÕES DA PLENITUDE DA JURISDIÇÃO 
CAUTELAR, ENQUANTO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO AO 
PROCESSO E DE SALVAGUARDA DA PLENITUDE DAS FUNÇÕES 
DO PODER JUDICIÁRIO. ADMISSIBILIDADE, NÃO OBSTANTE, DE 
CONDIÇÕES E LIMITAÇÕES LEGAIS AO PODER CAUTELAR DO 
JUIZ. A TUTELA CAUTELAR E O RISCO DO CONSTRANGIMENTO 
PRECIPITADO À DIREITOS DA PARTE CONTRÁRIA, COM 
VIOLAÇÃO DA GARANTIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. 
CONSEQUENTE NECESSIDADE DE CONTROLE DA 
RAZOABILIDADE DAS LEIS RESTRITIVAS AO PODER CAUTELAR. 
ANTECEDENTES LEGISLATIVOS DE VEDAÇÃO DE LIMINARES 
DE DETERMINADO CONTEÚDO. CRITÉRIO DE RAZOABILIDADE 
DAS RESTRIÇÕES, A PARTIR DO CARÁTER ESSENCIALMENTE 
PROVISÓRIO DE TODO PROVIMENTO CAUTELAR, LIMINAR OU 
NÃO. GENERALIDADE, DIVERSIDADE E IMPRECISÃO DE LIMITES 
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DO ÂMBITO DE VEDAÇÃO DE LIMINAR DA MP 173, QUE, SE LHE 
PODEM VIR, A FINAL, A COMPROMETER A VALIDADE, 
DIFICULTAM DEMARCAR, EM TESE, NO JUÍZO DE DELIBAÇÃO 
SOBRE O PEDIDO DE SUA SUSPENSÃO CAUTELAR, ATÉ ONDE 
SÃO RAZOÁVEIS AS PROIBIÇÕES NELA IMPOSTAS, ENQUANTO 
CONTENÇÃO AO ABUSO DO PODER CAUTELAR, E ONDE SE 
INICIA, INVERSAMENTE, O ABUSO DAS LIMITAÇÕES E A 
CONSEQUENTE AFRONTA A PLENITUDE DA JURISDIÇÃO E AO 
PODER JUDICIÁRIO. INDEFERIMENTO DA SUSPENSÃO LIMINAR 
DA MP 173, QUE NÃO PREJUDICA, SEGUNDO O RELATOR DO 
ACÓRDÃO, O EXAME JUDICIAL EM CADA CASO CONCRETO DA 
CONSTITUCIONALIDADE, INCLUÍDA A RAZOABILIDADE, DA 
APLICAÇÃO DA NORMA PROIBITIVA DA LIMINAR. 
CONSIDERAÇÕES, EM DIVERSOS VOTOS, DOS RISCOS DA 
SUSPENSÃO CAUTELAR DA MEDIDA IMPUGNADA. (STF - ADI: 
223 DF, Relator: PAULO BROSSARD, Data de Julgamento: 
05/04/1990, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 29/06/1990) 
 
Por fim, há o princípio do juiz natural, previsto no art. 5º, XXXVII e LIII, CF/88: 
Art. 5º. [...] 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
[...] 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela 
autoridade competente; 
 
Com base nesse princípio do juiz natural, também se entende que há o 
promotor natural. Significa que a pessoa não apenas tem o direito de ser julgada 
pelo juiz natural, mas tambémtem o direito de ser processada pelo promotor natural. 
O princípio do juiz natural envolve vários aspectos. Primeiramente, os órgãos 
jurisdicionais devem preexistir aos fatos. O contrário seria um verdadeiro regime de 
exceção, porque aconteceriam os fatos e só depois seria criado um órgão para os 
julgar. Em um Estado Democrático de Direito, os órgãos jurisdicionais precedem os 
fatos. Em segundo lugar, tais juízos precisam ser investidos de competência à luz de 
regras constitucionais e legais que concederão o poder de julgar concretamente as 
situações que aparecerem. Em terceiro lugar, tais órgãos precisam ser imparciais, 
razão pela qual o CPC regrará o afastamento do magistrado em caso de impedimento 
ou suspeição (arts. 144 e ss., CPC). 
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JURISDIÇÃO CONTENCIOSA E VOLUNTÁRIA 
No caso da jurisdição contenciosa, há um conflito de tal maneira que, para 
a satisfação da pretensão de uma das partes, é necessário sacrificar total ou 
parcialmente a pretensão ou o interesse alheio. No caso da jurisdição voluntária, ao 
contrário, não se tem como pressuposto para satisfazer o interesse de alguém que 
haja o sacrifício de interesse alheio. Por exemplo, caso um casal resolva se divorciar 
consensualmente, levando ao juiz um pedido para o divórcio ser homologado porque 
há interesse de incapaz, ambos terão satisfeito o seu interesse de ter o matrimônio 
dissolvido sem que isso importe em sacrifício total ou parcial de interesse de qualquer 
deles. Portanto, esta situação seria pertencente à jurisdição voluntária. 
A finalidade da jurisdição contenciosa é a própria pacificação dos conflitos, o 
que será alcançado com o advento da coisa julgada. Já no caso da jurisdição 
voluntária, é possível que se tenha a modificação da decisão em caso de surgimento 
de circunstância superveniente. Imagine-se a situação de um dependente químico que 
fora interditado. Caso ele se encontre recuperado, não interessa a coisa julgada, 
porque se trata de uma circunstância superveniente que o permitirá extinguir a 
interdição. 
Existem alguns critérios de julgamento que diferenciam a jurisdição 
contenciosa da voluntária. Na primeira, a regra é a legalidade estrita, pois o juiz não 
pode julgar com base em juízo de conveniência e oportunidade. Como toda regra, é 
possível se falar em suas exceções, como é o caso do art. 6º da Lei nº 9.099/1995, a 
Lei dos Juizados Especiais, que prevê que o juiz não está obrigado a seguir a 
legalidade estrita: 
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Art. 6º O Juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa 
e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem 
comum. 
 
Na jurisdição voluntária, os critérios de julgamento são diferentes. O art. 723, 
parágrafo único, CPC, informa que o juiz pode solucionar conforme a conveniência ou 
oportunidade: 
Art. 723. [...] 
Parágrafo único. O juiz não é obrigado a observar critério de legalidade 
estrita, podendo adotar em cada caso a solução que considerar mais 
conveniente ou oportuna. 
 
EQUIVALENTES JURISDICIONAIS 
Os equivalentes jurisdicionais são formas não jurisdicionais de solução de 
conflitos. Têm justamente este nome porque “não sendo jurisdição, funcionam como 
técnica de tutela dos direitos” (DIDIER JR., 2017, p. 185), a qual pode dirimir e prevenir 
conflitos ou, até mesmo, certificar determinados fatos ou situações jurídicas, mas sem 
característica de definitividade. 
Um bom exemplo é a autotutela, que é uma exceção no ordenamento 
brasileiro, pois são poucas as hipóteses em que a vontade de uma das partes 
prevalece sobre a vontade da outra independentemente da presença de um terceiro 
para ajudar a solucionar o conflito. Segundo Didier, haveria um verdadeiro “sacrifício” 
do interesse da outra parte na autotutela: 
Trata-se de solução do conflito de interesses que se dá pela imposição 
da vontade de um deles, com o sacrifício do interesse do outro. 
Solução egoísta e parcial do litígio. O “juiz da causa” é uma das partes 
(DIDIER JR., 2017, p. 185). 
 
Seria o caso das tutelas possessórias, que contam com o desforço imediato 
do possuidor (art. 1.210, §1º, CC), a legítima defesa, o estado de necessidade etc. 
Outra possibilidade de equivalente jurisdicional é o chamado “dispute 
boards”, que são situações em que são criadas juntas de profissionais especializados 
em determinada matéria, seja no início do contrato ou só quando surgir um problema, 
para emitir eventuais pareceres ou proferir decisões, as quais não seriam vinculantes. 
Por isso, aqueles que não estejam conformados com tal decisão poderão recorrer 
ainda ao Judiciário. 
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A dogmática ainda cita os tribunais administrativos como outro equivalente 
jurisdicional. Seria o caso do tribunal marítimo previso na Lei nº 2.180/1954, que é 
competente para lidar com aqueles casos de acidentes de navegação: 
Art. 1º O Tribunal Marítimo, com jurisdição em todo o território 
nacional, órgão, autônomo, auxiliar do Poder Judiciário, vinculado ao 
Ministério da Marinha no que se refere ao provimento de pessoal 
militar e de recursos orçamentários para pessoal e material destinados 
ao seu funcionamento, tem como atribuições julgar os acidentes e 
fatos da navegação marítima, fluvial e lacustre e as questões 
relacionadas com tal atividade, especificadas nesta Lei. 
 
Caso alguém não se conforme com as decisões dos tribunais marítimos, é 
possível que elas sejam utilizadas como prova no âmbito da jurisdição estatal. 
Portanto, é meramente um tribunal administrativo, o qual não exerce efetivamente 
uma jurisdição como o Poder Judiciário. 
Apesar disso, o tribunal marítimo pode acabar funcionando como juízo arbitral, 
se as partes assim acordarem, conforme o art. 16, f, da Lei nº 2.180/1954. Neste caso, 
sua decisão equivalerá a título executivo judicial por equiparação. 
Art. 16. Compete ainda ao Tribunal Marítimo: 
[...] 
f) funcionar, quando nomeado pelos interessados, como juízo arbitral 
nos litígios patrimoniais consequentes a acidentes ou fatos da 
navegação; 
 
No caso dos tribunais de contas, o art. 71, §3º, da CF/88, vai estatuir suas 
decisões como título executivo extrajudicial: 
Art. 71. [...] 
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou 
multa terão eficácia de título executivo. 
 
Assim, considerando os tribunais de contas como órgãos auxiliares do Poder 
Legislativo, a CF/88 ainda concedeu status de título executivo extrajudicial a suas 
decisões que resultem em constituição de débito ou de multa a outrem. 
É possível citar, ainda, como tribunal administrativo, as agências reguladoras. 
São autarquias que, além de tratarem da regulamentação de atividade econômica, 
acabam proferindo decisões. Contudo, isso não impede que elas sejam contrastadas 
no âmbito do Poder Judiciário. Veja-se, por exemplo, uma concessionária que alegue 
necessidade de reequilíbrio financeiro e econômico de um determinado contrato. 
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Nesse caso, a agência reguladora pode decidir que não há efetivamente tal 
necessidade. Diante disso, a concessionária pode acabar aceitando esta decisão ou, 
por fim, levando a demanda ao Judiciário. 
 
FORMAS ADEQUADAS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 
Também é possível se deparar com “formas alternativas de solução de 
conflitos” ou “formas adequadas de solução de conflitos”. Este último seria mais 
cabível, porque a utilização de “formas alternativas” poderia dar a impressão de que 
fugiria de determinados princípios ou regras que estão na constituição ou na 
legislação infraconstitucional. A grande diferença destes dois últimos com relação ao 
primeiro é que há, nestes últimos, decisão com definitividade. São exemplos: a 
arbitragem, a mediação e a conciliação. 
A arbitragem é uma forma de heterotutela, ou seja, não se trata de 
autocomposição das partes. Afinal, as partes escolhem terceiros – que são osárbitros 
– para a solução de conflitos eventualmente existente entre elas. Portanto, a 
arbitragem não é forma de autocomposição, como o próprio CPC chega a indicar 
erroneamente. 
Ela é regulada pela Lei nº 9.307/1996 (Lei da Arbitragem), que ajuda a 
identificar algumas de suas características. A primeira seria a de que cabe às partes 
a escolha das normas de direito material a serem aplicadas ao caso: 
Art. 2º. [...] 
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que 
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons 
costumes e à ordem pública. 
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se 
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes 
e nas regras internacionais de comércio. 
 
Ademais, o árbitro que decidirá o conflito será escolhido pelas próprias 
partes, segundo o art. 13, §1º, da Lei nº 9.307/1996: 
Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a 
confiança das partes. 
§ 1º As partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número 
ímpar, podendo nomear, também, os respectivos suplentes. 
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Quando a arbitragem foi instituída no Brasil, discutiu-se a possibilidade de ela 
ferir o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional. Neste ponto, já se pode 
dizer que se trata de discussão superada, o que é bem resumido por Daniel Neves: 
Após alguma vacilação na doutrina e jurisprudência, venceu a tese 
mais correta de que a arbitragem não afronta o princípio da 
inafastabilidade da jurisdição, previsto no art. 5º, XXXV, da CF. O 
Supremo Tribunal Federal corretamente entendeu que a escolha entre 
a arbitragem e a jurisdição é absolutamente constitucional, afirmando 
que a aplicação da garantia constitucional da inafastabilidade é 
naturalmente condicionada à vontade das partes. Se o próprio direito 
de ação é disponível, dependendo da vontade do interessado para se 
concretizar por meio da propositura da demanda judicial, também o 
será o exercício da jurisdição na solução do conflito de interesse 
(2018, p. 77-78). 
 
O próprio CPC, em seu art. 3º, permite a arbitragem sem a considerar uma 
afronta à acessibilidade da prestação jurisdicional: 
Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a 
direito. 
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. 
 
Outra discussão que permeia o tema da arbitragem é se ela seria uma espécie 
de jurisdição, só que sem ser aquela exercida pelo Poder Judiciário. Em outros termos, 
poder-se-ia fazer a pergunta: o árbitro exerce jurisdição? Há quem entenda que sim, 
porque a própria Lei nº 9.307/1996, art. 18, entende que o árbitro é juiz de fato e de 
direito e que suas decisões não serão sujeitas à avaliação pelo Poder Judiciário: 
Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir 
não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. 
 
Outros dizem que a arbitragem é uma atividade paralela à jurisdição estatal, 
que com ela não se confunde, até porque o árbitro não tem as garantias próprias da 
magistratura. Por fim, ainda há quem defenda que o árbitro esteja exercendo uma 
jurisdição, mas limitada. 
Neste aspecto, é interessante esclarecer um ponto. Sabe-se que a Lei de 
Arbitragem sofreu várias alterações com o passar do tempo. Particularmente, os arts. 
22-A e seguintes acabam ganhando importância neste aspecto. Na redação original, 
era previsto que medidas coercitivas ou cautelares devessem ser requeridas junto ao 
Judiciário. Por isso, muitos duvidavam que a arbitragem fosse realmente uma 
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jurisdição. Hoje, já é possível dizer que a Lei de Arbitragem superou este limite e prevê 
que, antes da instalação da arbitragem, eventuais medidas de natureza provisória 
devem ser requeridas ao juiz de direito. Assim, quando já for constituída a arbitragem, 
essas tutelas de urgência ou cautelares deverão ser requeridas ao próprio árbitro. 
Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão 
recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou 
de urgência. 
Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência 
se a parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no 
prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de efetivação da respectiva 
decisão. 
Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter, 
modificar ou revogar a medida cautelar ou de urgência concedida pelo 
Poder Judiciário. 
Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida cautelar 
ou de urgência será requerida diretamente aos árbitros. 
 
Didier, discorrendo sobre a arbitragem, é um autor que defende que ela seja 
exercício efetivo de jurisdição. Para tanto, justifica seu posicionamento pelo fato de a 
decisão arbitral ficar imutável pela coisa julgada: 
Há possibilidade de controle judicial da sentença arbitral, mas apenas 
em relação à sua validade (arts. 32 e 33, caput, Lei n. 9.307/1996). 
Não se trata de revogar ou modificar a sentença arbitral quanto ao seu 
mérito, por entendê-la injusta ou por errônea apreciação da prova 
pelos árbitros, senão de pedir sua anulação por vícios formais. Trata- 
se de uma espécie de "ação rescisória" de sentença arbitral, que deve 
ser ajuizada no prazo de noventa dias após o recebimento da 
intimação da sentença arbitral ou de seu aditamento (art. 33, § 1º, Lei 
n. 9.307/1996). Note que esta ação de impugnação da sentença 
arbitral apenas se funda em error in procedendo, não permitindo a 
rediscussão do quanto foi decidido. A decisão arbitral fica imutável 
pela coisa julgada. Poderá ser invalidada a decisão, mas, ultrapassado 
o prazo de noventa dias, a coisa julgada torna-se soberana. É por 
conta desta circunstância que se pode afirmar que a arbitragem, no 
Brasil, não é equivalente jurisdicional: é propriamente jurisdição, 
exercida por particulares, com autorização do Estado e como 
consequência do exercício do direito fundamental de autorregramento 
(autonomia privada) (2017, p. 194). 
 
Outros dois aspectos da arbitragem são a inexistência de recurso e a 
desnecessidade de homologação. Assim, quando há uma sentença no processo de 
arbitragem, não cabe rediscutir a matéria por via recursal nem esperar eventual 
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homologação pelo Judiciário para que a decisão arbitral possa fazer surtir seus efeitos, 
conforme os arts. 18 e 31 da Lei nº 9.307/1996: 
Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir 
não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. 
[...] 
Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, 
os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder 
Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo. 
 
Na verdade, o que se tem é a possibilidade de, no prazo de 90 dias, 
ajuizamento de uma ação para declarar a nulidade da sentença arbitral em razão dos 
vícios contido no art. 32 da referida lei. Veja-se que não é o caso de ser um recurso, 
mas uma ação própria em âmbito judicial: 
Art. 32. É nula a sentença arbitral se: 
I - for nula a convenção de arbitragem; 
II - emanou de quem não podia ser árbitro; 
III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; 
IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; 
VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou 
corrupção passiva; 
VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, 
desta Lei; e 
VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, 
desta Lei. 
 
Aqui, a discussão não é de mérito, mas de aspectos ligados à nulidade da 
decisão arbitral, conforme hipóteses acima lançadas. 
Está previsto no art. 515 do CPC que a sentença arbitral é título executivo 
judicial. Para uns, isso seria o reconhecimento de que efetivamente há exercício de 
jurisdição. Porém, para outros, o dispositivo apenas fez uma equiparação entre a 
sentençaarbitral e a sentença proferida por um juiz de direito, sem que se chegasse 
à conclusão de que sejam de institutos idênticos. 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se- 
á de acordo com os artigos previstos neste Título: 
[...] 
VII - a sentença arbitral; 
 
Vale lembrar que, em se tratando de cumprimento desta sentença arbitral, ele 
será feito perante procedimento junto ao Poder Judiciário, caso não haja cumprimento 
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espontâneo após a comunicação da sentença arbitral nos termos do art. 29 da Lei nº 
9.307/1996: 
Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, 
devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da 
decisão às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de 
comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, 
entregando-a diretamente às partes, mediante recibo. 
 
Na ausência de cumprimento espontâneo, só resta seguir para o Judiciário, 
pois apenas ele tem poder coercitivo, como observa a dogmática: 
Entretanto, havendo resistência da parte contra quem foi proferida a 
decisão a ele comunicada e que reconheça – como deve ser – 
obrigação líquida de dar, fazer ou não fazer, independentemente da 
natureza do provimento, o beneficiário da obrigação reconhecida na 
sentença poderá requerer o seu cumprimento no Poder Judiciário, 
tendo em vista que ao árbitro, embora seja dotado de jurisdição, não 
se confere poder coercitivo (SCAVONE JUNIOR, 2020, p. 206). 
 
Caso haja necessidade de eventual liquidação, não se tratará de processo 
sincrético, ou seja, não será o caso de simplesmente intimar o vencido a pagar. Na 
verdade, como não houve processo de conhecimento perante o Poder Judiciário, será 
necessário proceder uma citação para efeito de liquidação e oportuno cumprimento. 
A mediação e conciliação também são formas de solução de conflito com 
definitividade. O CPC procurou incentivar enormemente estas formas. É possível 
encontrar regramento em vários dispositivos (arts. 3º, §§2º e 3º, 165 a 175, 190, 334, 
695, 515, III e §2º, 725, VIII, todos do CPC; Resolução CNJ nº 125/2010; Lei nº 
13.140/2015). Para Didier, a utilização de instrumentos de autocomposição é um 
verdadeiro exercício de cidadania, pois seria o exercício popular do poder de resolver 
os conflitos: 
Compreende-se que a solução negocial não é apenas um meio eficaz 
e econômico de resolução dos litígios: trata-se de importante 
instrumento de desenvolvimento da cidadania, em que os 
interessados passam a ser protagonistas da construção da decisão 
jurídica que regula as suas relações. Neste sentido, o estímulo à 
autocomposição pode ser entendido como um reforço da participação 
popular no exercício do poder – no caso, o poder de solução dos 
litígios. Tem, também por isso, forte caráter democrático. O propósito 
evidente é tentar dar início a uma transformação cultural – da cultura 
da sentença para a cultura da paz (DIDIER JR., 2017, p. 305). 
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No atual CPC, prevê-se que, como regra, acontecerá o ajuizamento da ação 
e, estando a petição inicial sem defeitos, o juiz determinará a realização de audiência 
de conciliação ou mediação, com exceção de duas hipóteses: (1) quando a ação 
envolver direitos que não admitam transação; (2) quando ambas as partes tiverem 
manifestado desinteresse na realização da audiência de conciliação ou de mediação. 
Veja-se que o art. 319, VII, CPC, seleciona essa opção de realizar ou não a 
audiência de conciliação ou mediação como requisito da petição inicial: 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
[...] 
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de 
conciliação ou de mediação. 
 
Porém, não é suficiente apenas o autor pedir sua não realização, pois a 
audiência só não acontecerá se o réu também assim o fizer. O art. 334, §4º, I, CPC, 
exige manifestação de ambas as partes nesse sentido. 
Art. 334. [...] 
§ 4º A audiência não será realizada: 
I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na 
composição consensual; 
II - quando não se admitir a autocomposição. 
 
O CPC faz uma diferença entre conciliação e mediação nos termos do art. 
165. Para a mediação, exige-se que haja anteriormente alguma relação entre as 
partes, de forma que o mediador intervenha para reestabelecer a comunicação entre 
elas sem que forneça uma solução. Já com relação à conciliação, pode-se dizer que 
ela atua, em regra, em casos em que não haja prévia relação entre as partes e o 
conciliador poderá propor solução própria para as partes. 
Art. 165. [...] 
§ 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que 
não houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir soluções 
para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de 
constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem. 
§ 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que 
houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a 
compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que 
eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por 
si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. 
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Portanto, são formas de solução de conflito pelas quais um terceiro intervém 
com a função de auxiliar as partes a chegar em uma autocomposição, de forma que 
não caberá a este terceiro resolver o problema, mas apenas ajudar os litigantes a 
encontrarem uma solução negociada (DIDIER JR., 2017, p. 308). Por isso, não se fala 
em heterocomposição, mas em autocomposição. 
 
 
Para que alguém seja conciliador ou mediador, o CPC vai prever a 
necessidade de uma capacitação mínima e credenciamento perante os tribunais, 
conforme seu art. 167: 
Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de 
conciliação e mediação serão inscritos em cadastro nacional e em 
cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal, que 
manterá registro de profissionais habilitados, com indicação de sua 
área profissional. 
§ 1º Preenchendo o requisito da capacitação mínima, por meio de 
curso realizado por entidade credenciada, conforme parâmetro 
curricular definido pelo Conselho Nacional de Justiça em conjunto com 
o Ministério da Justiça, o conciliador ou o mediador, com o respectivo 
certificado, poderá requerer sua inscrição no cadastro nacional e no 
cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal. 
 
Além disso, pode-se dizer que a mediação e a conciliação tanto podem ser 
judiciais quanto extrajudiciais. Quando judiciais, estes terceiros são considerados 
“auxiliares da justiça”, razão pela qual estarão sujeitos às regras dos arts. 148, III, 170 
e 173, II, do CPC, o que inclui os institutos de impedimento e suspeição (DIDIER JR., 
2017, p. 309). 
Existem alguns princípios que irão reger tais formas de solução de conflitos. 
O Anexo III da Resolução nº 125/2010 do CNJ traz o Código de Ética de 
Conciliadores e Mediadores Judiciais, o qual prevê os seguintes princípios: 
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Art. 1º - São princípios fundamentais que regem a atuação de 
conciliadores e mediadores judiciais: confidencialidade, decisão 
informada, competência, imparcialidade, independência e autonomia, 
respeito à ordem pública e às leis vigentes, empoderamento e 
validação. 
I - Confidencialidade - dever de manter sigilo sobre todas as 
informações obtidas na sessão, salvo autorização expressa das 
partes, violação à ordem pública ou às leis vigentes, não podendo ser 
testemunha do caso, nem atuar como advogado dos envolvidos, em 
qualquer hipótese; 
II - Decisão informada - dever de manter o jurisdicionado plenamente 
informado quanto aos seus direitos e ao contexto fático no qual está 
inserido; 
III - Competência - dever de possuir qualificação que o habilite à 
atuação judicial, com capacitação na forma desta Resolução, 
observada a reciclagem periódica obrigatóriapara formação 
continuada; 
IV - Imparcialidade - dever de agir com ausência de favoritismo, 
preferência ou preconceito, assegurando que valores e conceitos 
pessoais não interfiram no resultado do trabalho, compreendendo a 
realidade dos envolvidos no conflito e jamais aceitando qualquer 
espécie de favor ou presente; 
V - Independência e autonomia - dever de atuar com liberdade, sem 
sofrer qualquer pressão interna ou externa, sendo permitido recusar, 
suspender ou interromper a sessão se ausentes as condições 
necessárias para seu bom desenvolvimento, tampouco havendo dever 
de redigir acordo ilegal ou inexequível; 
VI - Respeito à ordem pública e às leis vigentes - dever de velar 
para que eventual acordo entre os envolvidos não viole a ordem 
pública, nem contrarie as leis vigentes; 
VII - Empoderamento - dever de estimular os interessados a 
aprenderem a melhor resolverem seus conflitos futuros em função da 
experiência de justiça vivenciada na autocomposição; 
VIII - Validação - dever de estimular os interessados perceberem-se 
reciprocamente como serem humanos merecedores de atenção e 
respeito. 
 
O primeiro deles é a independência, ou seja, o mediador e o conciliador 
devem atuar com liberdade. Não estão submetidos, portanto, a nenhuma pressão 
interna ou externa (NEVES, 2018, p. 69). 
A imparcialidade proíbe que tenham interesse na causa. Segundo Didier, é 
um reflexo do princípio da impessoalidade, próprio da administração pública (2017, p. 
310), que está regrado no art. 37, caput, CF/88. Por isso, há a obrigação, na Lei nº 
13.140/2015, art. 5º, parágrafo único (que dispõe sobre a mediação entre 
particulares), de que o mediador deve revelar às partes qualquer informação que dê 
a entender que ele possa faltar com a imparcialidade: 
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Art. 5º Aplicam-se ao mediador as mesmas hipóteses legais de 
impedimento e suspeição do juiz. 
Parágrafo único. A pessoa designada para atuar como mediador tem 
o dever de revelar às partes, antes da aceitação da função, qualquer 
fato ou circunstância que possa suscitar dúvida justificada em relação 
à sua imparcialidade para mediar o conflito, oportunidade em que 
poderá ser recusado por qualquer delas. 
 
Outro princípio importante é o do autorregramento da vontade, porque são 
as próprias partes que encontram a solução na conciliação e mediação e são elas, no 
final das contas, que definem o que realmente será acordado entre si. Trata-se de um 
princípio que se preocupa em garantir a liberdade de as partes resolverem a disputa 
entre si, sem que sejam forçadas por conciliador ou mediador. Para Didier, esta 
liberdade é tão ampla que permite, inclusive, que as partes definam as regras 
procedimentais da mediação ou conciliação e, até mesmo, a extinção do 
procedimento negocial (2017, p. 311). 
No caso do autorregramento sobre o procedimento negocial, importante 
observar a permissão legal no art. 166, §4º, CPC: 
Art. 166. [...] 
§ 4º A mediação e a conciliação serão regidas conforme a livre 
autonomia dos interessados, inclusive no que diz respeito à 
definição das regras procedimentais. 
 
Por outro lado, permitindo a retirada da negociação, é possível que sejam 
citados o art. 2º, §2º, da Lei nº 13.140/2015: 
Art. 2º. [...] 
§ 2º Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de 
mediação. 
 
O princípio da confidencialidade garante que todas as informações 
produzidas ao longo da negociação não poderão ser tornadas públicas nem utilizadas 
para fins diversos do que aqueles expressamente deliberado pelas partes. 
Consequentemente, mediador e conciliador deverão manter sigilo sobre os fatos 
discutidos, segundo o art. 166, §§1º e 2º, CPC: 
Art. 166. [...] 
§ 1º A confidencialidade estende-se a todas as informações 
produzidas no curso do procedimento, cujo teor não poderá ser 
utilizado para fim diverso daquele previsto por expressa deliberação 
das partes. 
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§ 2º Em razão do dever de sigilo, inerente às suas funções, o 
conciliador e o mediador, assim como os membros de suas equipes, 
não poderão divulgar ou depor acerca de fatos ou elementos oriundos 
da conciliação ou da mediação. 
 
A ausência desta confidencialidade acabaria por obstar ou intimidar as partes 
em participar das próprias tratativas de negociação. Por isso, a confidencialidade 
permite que todos os elementos fáticos sejam discutidos sem que haja receio de que 
algo seja utilizado em desfavor de uma das partes em outros atos processuais. 
Ainda sobre este princípio da confidencialidade, é interessante observar 
também a regulação feita pelos arts. 30 e 31 da Lei nº 13.140/2015: 
Art. 30. Toda e qualquer informação relativa ao procedimento de 
mediação será confidencial em relação a terceiros, não podendo ser 
revelada sequer em processo arbitral ou judicial salvo se as partes 
expressamente decidirem de forma diversa ou quando sua divulgação 
for exigida por lei ou necessária para cumprimento de acordo obtido 
pela mediação. 
[...] 
Art. 31. Será confidencial a informação prestada por uma parte em 
sessão privada, não podendo o mediador revelá-la às demais, exceto 
se expressamente autorizado. 
 
É claro que não se trata de uma regra absoluta, pois existe permissão, sim, 
para que alguma informação fornecida fuja à confidencialidade, como é o caso 
permitido pelo art. 30, §3º, da Lei nº 13.140/2015: 
Art. 30. [...] 
§ 3º Não está abrigada pela regra de confidencialidade a informação 
relativa à ocorrência de crime de ação pública. 
 
Em seguida, o princípio da oralidade significa a prevalência da palavra verbal 
sobre a palavra escrita. Embora seja um princípio do CPC aplicável em mediação e 
conciliação (art. 166), é também aplicável em sede de audiência de instrução e 
julgamento. 
O princípio da informalidade determina que seja utilizada uma linguagem 
simples e acessível. Afinal de contas, não se trata aqui de se ter um exercício de 
jurisdição com objetivo de solução do conflito, mas de permitir que as partes possam 
livremente negociar e entender a dinâmica e os aspectos que envolvem o litígio. Daniel 
Neves percebe que, como as partes não estão habituadas aos ritos e ambientes 
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judiciais, quanto mais informal for a negociação, mais liberdade elas terão para chegar 
a uma solução em conjunto: 
A informalidade incentiva o relaxamento e este leva a uma 
descontração e tranquilidade natural das partes. Todos aqueles rituais 
processuais assustam as partes e geram natural apreensão, sendo 
nítida a tensão dos não habituados a entrar numa sala de audiência 
na presença de um juiz. Se ele estiver de toga, então, tudo piora 
sensivelmente. Esse efeito pode ser confirmado com a experiência 
dos Juizados Especiais, nos quais a informalidade é um dos traços 
mais elogiados pelos jurisdicionados. Sendo o objetivo da conciliação 
ou mediação uma solução que depende da vontade das partes, nada 
mais natural que eles se sintam tanto quanto o possível mais relaxadas 
e tranquilas, sentimentos que colaboram no desarmamento dos 
espíritos e por consequência otimizam as chances de uma solução 
consensual do conflito (2018, p. 74). 
 
Outro princípio é o da decisão informada, ou seja, é preciso que as partes 
compreendam a controvérsia e sejam advertidas e cientificadas de suas 
consequências. Na verdade, segundo o art. 1º, II, do Anexo III da Resolução nº 
125/2010 do CNJ, já elencado acima, existe um dever do conciliador e do mediador 
em fazer com que a parte esteja plenamente informada quanto aos seus direitos e 
quanto ao contexto fático em que está inserida. 
Em seguida, a isonomia é um princípio que demanda tratamento igualitário 
entre as partes. Daniel Neves traz sua manifestação de forma procedimental, que 
significa que “as partes, mesmo que não tenham a isonomia material, no procedimento 
de mediação devem ser tratadas igualmente, tendo as mesmas oportunidades de 
manifestação e com participaçãoequânime” (2018, p. 73-74). 
A busca do consenso é um princípio que privilegia a busca de uma solução 
de forma consensual entre as partes. No caso da conciliação, a solução pode ser 
sugerida pelo conciliador. Porém, no caso da mediação, o mediador poderá apenas 
se limitar em conseguir criar uma comunicação entre as partes, sem, no entanto, 
oferecer soluções para a disputa. Em que pese a busca do consenso se aplique muito 
apropriadamente à mediação, nada impede que também seja um princípio da 
conciliação, já que aqui também se aceita a sugestão de resolução pelas próprias 
partes. 
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Por fim, não se pode deixar de falar do princípio da boa-fé, o qual tanto tem 
previsão na própria Lei n 13.140/2015, em seu art. 2º, VI, como também no próprio 
CPC, no art. 5º. 
Além dos princípios, o CPC ainda prevê a criação de centros e câmaras de 
mediação e conciliação. Em seu art. 165, há uma obrigação de os tribunais criarem 
os centros judiciários de solução de conflitos e cidadania, chamados de CEJUSC: 
Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução 
consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e 
audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de 
programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a 
autocomposição. 
§ 1º A composição e a organização dos centros serão definidas pelo 
respectivo tribunal, observadas as normas do Conselho Nacional de 
Justiça. 
 
Além destes órgãos, o art. 175 do CPC deixa claro que podem ser criadas 
outras formas de conciliação e mediação extrajudiciais, o que inclui as câmaras 
privadas: 
Art. 175. As disposições desta Seção não excluem outras formas de 
conciliação e mediação extrajudiciais vinculadas a órgãos 
institucionais ou realizadas por intermédio de profissionais 
independentes, que poderão ser regulamentadas por lei específica. 
Parágrafo único. Os dispositivos desta Seção aplicam-se, no que 
couber, às câmaras privadas de conciliação e mediação. 
 
Neste caso das câmaras privadas de conciliação e mediação, a Resolução nº 
125/2010 do CNJ traz seu regramento nos arts. 12-C a 12-F: 
Art. 12-C. As Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação ou órgãos 
semelhantes, bem como seus mediadores e conciliadores, para que 
possam realizar sessões de mediação ou conciliação incidentes a 
processo judicial, devem ser cadastradas no Tribunal respectivo ou no 
Cadastro Nacional de Mediadores Judiciais e Conciliadores, nos 
termos do art. 167 do Código de Processo Civil de 2015, ficando 
sujeitas aos termos desta Resolução. 
Parágrafo único. O cadastramento é facultativo para realização de 
sessões de mediação ou conciliação pré-processuais. 
Art. 12-D. Os Tribunais determinarão o percentual de audiências não 
remuneradas que deverão ser suportadas pelas Câmaras Privadas de 
Conciliação e Mediação, com o fim de atender aos processos em que 
foi deferida a gratuidade da justiça, como contrapartida de seu 
credenciamento, nos termos do art.169, § 2º, do Código de Processo 
Civil de 2015, respeitados os parâmetros definidos pela Comissão 
Permanente de Solução Adequada de Conflitos ad referendum do 
Plenário. 
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Art. 12-E. As Câmaras Privadas de Mediação e Conciliação e os 
demais órgãos cadastrados ficam sujeitos à avaliação prevista no art. 
8º, § 9º, desta Resolução. 
Parágrafo único. A avaliação deverá refletir a média aritmética de 
todos os mediadores e conciliadores avaliados, inclusive daqueles que 
atuaram voluntariamente, nos termos do art. 169, § 2º, do Código de 
Processo Civil de 2015. 
Art. 12-F. Fica vedado o uso de brasão e demais signos da República 
Federativa do Brasil pelas Câmaras Privadas de Conciliação e 
Mediação ou órgãos semelhantes, bem como por seus mediadores e 
conciliadores, estendendo-se a vedação ao uso da denominação de 
"Tribunal" ou expressão semelhante para a entidade e a de "juiz" ou 
equivalente para seus membros. 
 
Por fim, também é permitida a criação das chamadas “câmaras 
administrativas”, que nada mais são do que centros de conciliação e mediação para 
solucionar conflitos entre os próprios órgãos da administração pública. No CPC, tal 
permissão encontra-se no art. 174: 
Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
criarão câmaras de mediação e conciliação, com atribuições 
relacionadas à solução consensual de conflitos no âmbito 
administrativo, tais como: 
I - dirimir conflitos envolvendo órgãos e entidades da administração 
pública; 
II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por 
meio de conciliação, no âmbito da administração pública; 
III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento 
de conduta. 
 
Em que pese estes poucos dispositivos no CPC, a Lei nº 13.140/2015 tratou 
de dispor com mais detalhes em seu art. 32: 
Art. 32. [...] 
§ 1º O modo de composição e funcionamento das câmaras de que 
trata o caput será estabelecido em regulamento de cada ente 
federado. 
§ 2º A submissão do conflito às câmaras de que trata o caput é 
facultativa e será cabível apenas nos casos previstos no regulamento 
do respectivo ente federado. 
§ 3º Se houver consenso entre as partes, o acordo será reduzido a 
termo e constituirá título executivo extrajudicial. 
§ 4º Não se incluem na competência dos órgãos mencionados no 
caput deste artigo as controvérsias que somente possam ser 
resolvidas por atos ou concessão de direitos sujeitos a autorização do 
Poder Legislativo. 
§ 5º Compreendem-se na competência das câmaras de que trata o 
caput a prevenção e a resolução de conflitos que envolvam equilíbrio 
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econômico-financeiro de contratos celebrados pela administração com 
particulares. 
 
Leitura Complementar 
 
CARVALHO, Roger Pires. Princípio da autocomposição no novo 
Código de Processo Civil. Iuris in mente: revista de direitos 
fundamentais e políticas públicas. Ano III, n. 4. Itumbiara, jan.-jun., 
2018. Disponível em: 
http://posgrad.ulbra.br/periodicos/index.php/iuris/article/view/3612. 
Acesso em: 28 ago. 2022. 
 
Legislação 
 
CF/88 
Art. 5º. [...] 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça 
a direito; 
[...] 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
[...] 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade 
competente; 
[...] 
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: 
I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos 
crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da 
Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com 
aqueles; 
II processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros 
do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o 
Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de 
responsabilidade; 
[...] 
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Art. 71. [...] 
§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa 
terão eficácia de título executivo. 
[...] 
Art. 93. [...] 
XI nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser 
constituído órgão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco 
membros, para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas 
da competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antigüidade e 
a outra metade por eleição pelo tribunal pleno; 
[...] 
XIV os servidores receberão delegação para a prática de atos de 
administração e atos de mero expediente sem caráter decisório; 
[...] 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da 
Constituição, cabendo-lhe: 
I - processar e julgar, originariamente: 
[...] 
m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, 
facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais; 
[...] 
Art. 165. [...]

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