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AVALIAÇÃO LABORATORIAL DA FUNÇÃO HEPÁTICA FUNÇÕES DO FÍGADO · Recebe, processa e armazena AA, glicídos, ácidos graxos, colesterol, vitaminas, vindos do aparelho digestivo, liberando metabólitos dos mesmos; · Sintetiza muitas proteínas plasmáticas, albuminas, globulinas α e β, fatores de coagulação e proteínas de transporte · Principal órgão de detoxicação FUNÇÕES DO FÍGADO · Sintetiza ácidos biliares a partir do colesterol · Principal local de catabolismo de hormônios tireoidianos, esteroides e outros · Biotransformação de fármacos · Atua no metabolismo da amônia e bilirrubina · Atua no metabolismo de carboidratos, controlando a glicemia Os testes bioquímicos das condições hepáticas baseiam-se nas medida de substâncias liberadas devido ao dano celular, como enzimas endógenas, ou a análise de substâncias metabolizadas pelo fígado como: bilirrubina, albumina e fatores de coagulação. FUNÇÕES DO FÍGADO TESTE DA AVALIAÇÃO HEPÁTICA Capacidade de síntese Função secretora Integridade do figado Avaliação laboratorial Enzimas: AST, ALT, GGT, ALP Bilirrubina, ALT Proteínas, TP, Alb, A/G ratio · Pigmento resultante da degradação das moléculas de hemoglobina (85%) · Catabolismo de outra proteínas contendo heme: mioglobina, citocromos e peroxidase (15%) · Existem duas classes de bilirrubina de acordo com a solubilidade em água: direta ou conjugada (solúvel) e a indireta ou não conjugada (insolúvel) BILIRRUBINA · A coloração visível dos tecidos pelo aumento da concentração de bilirrubina é denominada icterícia. · Principais causas: · Hemólise · Obstrução extra hepática do trato biliar e obstrução intra hepática do trato biliar. · Hemólise (anemias hemolíticas e hemoglobinopatias, etc): destruição dos eritrócitos levando ao aumento da bilirrubina não conjugada. Aumenta a demanda para a conjugação no fígado. · Bilirrubina conjugada (direta) pode apresentar níveis normais ou discretamente aumentados. · Obstrução extra hepática do trato biliar. · Obstrução do ducto biliar e carcinoma de cabeça de pâncreas. · Aumento inicial da bilirrubina conjugada com posterior degradação da mesma no sangue. · A obstrução pode levar a lesão hepatocelular secundária (diminuindo a capacidade de conjugação) · Obstrução intra hepática do trato biliar. · Lesão hepatocelular com possível liberação de bilirrubina. · Causas comuns: álcool, drogas, hepatites virais, cirrose ativa, tumor hepático, infecção bacteriana, mononucleose infecciosa, etc. · Ambas as frações de bilirrubina podem estar aumentadas em proporções variáveis. · Obstrução intra hepática do trato biliar. · Aumento da bilirrubina direta (conjugada) devido a obstrução. · Aumento da bilirrubina indireta (não conjugada) devido a incapacidade hepática de conjugação. · Icterícia normal do recém nascido · Cuidados: Kernicterus · Impregnação de bilirrubina nos gânglios da base. · Diminuição do tônus muscular, distúrbios do movimento, audição e capacidade mental diminuídos, convulsões. · Bilirrubina sérica excedendo 12,9mg/dL em bebês nascidos a termo e 15mg/dL em prematuros. · Icterícia persistente · Aumento da bilirrubina indireta (não conjugada) leva a um aumento da bilirrubina direta aumentando a excreção renal do urobilinogênio. · A obstrução biliar impede a formação do urobilinogênio (fezes claras) e leva ao aumento da bilirrubina direta na urina. · Lesão hepatocelular, diminui a capacidade de absorção do pigmento pelo fígado, aumentando sua concentração na urina DOSAGEM DE BILIRRUBINA [complexo avermelhado] [bilirrubina]Leitura da absorbância Filtro: 525nm · O fígado principal órgão de síntese das proteínas plasmáticas · Em doenças hepáticas agudas ou crônicas observa-se um diminuição dos níveis séricos das proteínas (albumina, proteínas de coagulação, etc.) · O fígado responde a lesão ou inflamação com a síntese aumentada de proteínas (fase aguda) · Os padrões de alterações das proteínas plasmáticas depende do tipo, da gravidade e da duração da lesão ou doença hepática PROTEÍNAS SÉRICAS Lesão crônica: · Diminuição na síntese e concentração das proteínas plasmáticas Lesão aguda: · Aumento das proteínas de fase aguda PROTEÍNAS DE COAGULAÇÃO · Tempo de protrombina: avalia os fatores da via extrínseca da coagulação (II*, V, VII* e X*) - * Fatores dependentes da vitamina K · Revela deficiência dos fatores do complexo protrombínico (protrombina, fator V, VII e X), bem como de fibrinogênio · Prolongamento do tempo de protrombina pode surgir na hepatite grave, cirrose e na obstrução biliar crônica · Pode se apresentar discretamente alterado nas hepatites virais. PROTEÍNAS DE COAGULAÇÃO · O fígado necessita de vitamina K (fontes: dieta e bactérias intestinais. Absorção junto aos lipídios) para sintetizar protrombina. · Deve ser descartada a possibilidade de deficiência de vitamina K na suspeita de lesão hepática. · O TP pode sofrer influência de drogas (ex: anti-coagulantes). TRANSAMINASES · Amplamente distribuídas nos tecidos. Presentes no plasma, bile, liquor e saliva · Isoenzimas presentes no citpoplasma e mitocôndrias das células TRANSAMINASES - AMINOTRANSFERASE Aspartato + α-cetoglutarato Oxaloacetato + ácido glutâmico · TGO - AST Alanina + α-cetoglutarato Piruvato + ácido glutâmico · TGP - ALT TRANSAMINASES - AMINOTRANSFERASE ASPARTATO AMINOTRANSFERASE (AST) - TGO · Enzima encontrada em vários tecidos corporais: Coração, fígado e músculos esqueléticos · 80% é mitocondrial · Encontra-se elevada em lesão hepatocelular aguda principalmente causada por vírus (>10x limite superior de referência). · Outras causas da elevação da AST: · Infarto agudo do miocárdio, distrofia muscular, pancreatite, cirrose, cirurgia recente, etc. ASPARTATO AMINOTRANSFERASE (AST) - TGO DETERMINAÇÃO TGO Leitura da absorbância Filtro: 490 - 540nm ALANINA AMINO TRANSFERASE (ALT) - TGP · Encontrada principalmente no fígado. Também é encontrada em menor proporção nos rins, coração e músculo esquelético. · Predominantemente citoplasmática. · Maior parte da elevação dá-se a presença de hepatopatia. · Tem sido utilizada na confirmação de origem hepática da AST. ALANINA AMINO TRANSFERASE (ALT) - TGP DETERMINAÇÃO TGP Leitura da absorbância Filtro: 490 - 540nm · Maior que 1 nas lesões mais graves, cirrose, carcinoma, ingestão de álcool e alguns medicamentos. · Menor que 1 na fase aguda da hepatite viral. RELAÇÃO TGO/TGP FOSFATASE ALCALINA Grupo de enzimas que apresentam alta atividade (hidrólise de monofosfodiésteres) em pH alcalino. Presente em todos os tecidos do organismo, especialamente nas membranas celulares Encontrada em maiores concentrações no fígado, nos ossos, na mucosa intestinal e na placenta. *Elevação ocorre principalmente em obstrução extra hepática do trato biliar, intra hepática devido à lesão hepatocelular aguda e invasivas (tumor, abscesso). DETERMINAÇÃO FA Fosfatase alcalina OH-Timolftaleína monofosfato Timolftaleína monofosfato [complexo azulado] [FA]Leitura da absorbância Filtro: 590nm FOSFATASE ALCALINA Fosfatase alcalina de origem óssea Apresenta-se normalmente elevada em crianças e adolescentes. Níveis elevados no hiperparatireoidismo, raquitismo, osteomalácia, carcinoma metastático osteoblástico etc FOSFATASE ALCALINA · Na incerteza com relação à origem da fosfatase alcalina aumentada deve ser dosada outra enzima (ex: 5`-nucleotidase, Gama glutamil transferase) · No primeiro trimestre de gestação, infarto, lesão tecidual, medicamentos hepatotóxicos podem elevar os níveis da enzima. Valores de ref. adultos (V. Motta, 2003): Adultos: 20-105 U/L; adolescentes 10-15 anos: 60-260 U/L. GAMAGLUTAMIL TRANSFERASE (γ-GT) · Transferênciade um resíduo gama glutamil de alguns peptídeos para outros compostos (água, aminoácidos e outros peptídeos menores). · Localize-se na membrana plasmática de todas as células exceto os músculos · Transporta AA e peptídeos para dentro das células · Atividade enzimática elevada em todas as formas de doenças hepaticas (indicador enzimático) GAMAGLUTAMIL TRANSFERASE (γ-GGT) · Diagnóstico diferencial de desordens hepáticas e do trato biliar. · Método de triagem do alcoolismo. · Frequência de elevação igual a da AST. · Sensibilidade maior que a AST e ALP. · Não se eleva na adolescência, gravidez e em doenças ósseas como a ALP. DETERMINAÇÃO γ-GT Leitura da absorbância Filtro: 405nm LACTATO DESIDROGENASE (LDH) Piruvato + NADH Lactato + NAD+ Encontrada em vários tecidos (coração, músculo esquelético, eritrócitos, fígado, rins, etc). A isoforma 5 predomina no fígado. Geralmente é insensível a lesão hepatocelular, exceto em tumor hepático. DETERMINAÇÃO LDH Leitura da absorbância Filtro: 340nm · São produzidos no fígado (ácido cólico e ácido xenodesoxicólico), armazenados na vesícula biliar e liberados com a bile, auxiliando na digestão das gorduras. · Parte é reabsorvida e, no fígado, novamente devolvidos a bile e uma pequena proporção é excretada pelos rins. ÁCIDOS BILIARES · Níveis alterados em doenças que comprometem o fluxo sanguíneo hepático, integridade do ducto , função da vesícula biliar e reabsorção intestinal. · Diferencia patologia hepática de não hepática devido a sua sensibilidade a hepatopatias. AMÔNIA · O fígado sintetiza uréia a partir da amônia. · Elevações levam ao coma hepático com distúrbios no sistema nervoso central. DOENÇAS HEPÁTICAS Doença Aumentado Diminuído Hepatite aguda ALT>AST, Bilirrubina, FAL, γ- GT Hepatite crônica ALT