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CONTEXTUALIZANDO Definição Ampla de Texto · Texto não é apenas um conjunto de palavras. · Qualquer unidade de comunicação pode ser considerada um texto. · Exemplos: imagem, fala, verso de canção – todos são produtos de linguagem e comunicam algo. Definição Adotada no Texto · Texto é um conjunto de palavras que: · forma uma unidade linguística de extensão delimitada, · comunica algo em uma determinada língua, · é composto por frases, sinais de pontuação, · está gravado sobre uma superfície visível. Variações Possíveis de Texto · Pode ser composto por uma única frase (ex.: slogans publicitários). · Uma fala pode ser considerada texto se for transcrita. · Pode ser teoricamente infinito, mas para análise, precisa ter um tamanho finito. Caso da Wikipédia · Wikipédia é um exemplo de texto que pode ser considerado infinito. · Isso ocorre porque está em constante modificação e expansão. · Porém, esse é um caso extremo e será desconsiderado para a análise proposta. Conclusão · Para o estudo, texto será: · um conjunto finito de elementos da linguagem verbal, · regido pela sintaxe da língua portuguesa, · escrito (ou passível de ser escrito) sobre algum suporte material. TEMA 1 – O TEXTO E SUAS ORIGENS Relação entre Texto e Escrita · Falar sobre a origem do texto é falar sobre a origem da escrita. · A escrita surgiu como transcrição visual da fala. · Consiste na organização de símbolos gráficos que representam sons e expressam significados por meio de regras. Diferença entre Fala e Escrita · Fala e gestos são naturais ao ser humano, desenvolvidos pela convivência. · Escrita é uma invenção humana, uma tecnologia. · Exige aprendizado formal e duas habilidades: ler e escrever. · Nem todos os seres humanos desenvolvem essas habilidades, pois requer tempo e ensino sistemático. Origem e Função Inicial da Escrita · Escrita foi criada para registrar dados e contar coisas. · Exemplo: número de ovelhas deixadas para tosquiar. · Desenvolveu-se com o crescimento das cidades e a necessidade de controle administrativo da vida cotidiana. Desenvolvimento Independente da Escrita · Escrita surgiu em três lugares diferentes e em momentos distintos. · Desenvolveu-se de forma independente em cada um desses contextos. · Isso mostra que a escrita foi uma resposta comum ao crescimento populacional. Confira: Quadro 1 – Surgimento da escrita Figura 1 – Exemplo de escrita cuneiforme, que nasceu no Oriente Médio Evolução da Escrita · A escrita evoluiu da representação gráfica de ideias e objetos para a representação de sons da língua (fonemas). · O alfabeto é o resultado final dessa evolução. · O processo começou com a escrita cuneiforme e culminou no alfabeto fenício, origem dos alfabetos modernos. · O alfabeto latino possui 26 símbolos fonéticos, com os quais é possível criar uma infinidade de textos. · A escrita ideográfica ainda existe em línguas como o chinês e o japonês, que combinam ideogramas e sistemas fonéticos. Suportes da Escrita ao Longo da História · Primeiros textos foram escritos em tabuletas de argila. · Outros suportes utilizados: paredes, pedras, ossos, madeira, casco de tartaruga, peles de animais. · O papel foi inventado pelos chineses no século II a.C. e se tornou o principal suporte para a escrita. · A prensa de tipos móveis, criada por Gutemberg por volta de 1450, revolucionou a produção de livros. · Essa invenção facilitou a disseminação do conhecimento e mudou a história da humanidade. Funções da Escrita · A escrita é a principal tecnologia para armazenar e disseminar informação. · Desde o início, foi usada não apenas para fins contábeis, mas também para contar histórias e expressar sentimentos. · Exemplo: narrativas nos templos egípcios sobre a vida e a morte. · A publicidade também utiliza a escrita para falar de desejos e sonhos, combinando-os com informações sobre produtos. · Pode-se considerar a publicidade como um estágio avançado da evolução da escrita. TEMA 2 – TEXTO E CONTEXTO Relação dos Textos com o Mundo · Após entender o que é um texto e sua origem, é importante refletir sobre como ele se relaciona com o mundo. · Os textos não existem isoladamente; eles se conectam ao contexto e ao leitor. Gêneros Textuais · Textos são organizados em gêneros: notícia, poema, artigo de opinião, receita, e-mail, tese, conto, entre outros. · Cada gênero combina forma, conteúdo e intenção comunicativa. · Essa combinação permite classificar os textos em conjuntos distintos e reconhecíveis. Função dos Gêneros · Gêneros textuais funcionam como convenções: estruturas que se repetem e que reconhecemos automaticamente. · Essa familiaridade nos permite antecipar o que esperar de um texto, embora surpresas ainda possam ocorrer. Comunicação e Conhecimento Compartilhado · Todo texto busca envolver o leitor e estabelecer uma comunicação. · Para isso, é necessário um conhecimento compartilhado entre autor e leitor sobre o tema abordado. · Exemplos como as manchetes de jornal demonstram como esse conhecimento prévio é fundamental para a compreensão do texto. A Importância do Contexto na Compreensão de Manchetes · Manchetes jornalísticas e publicitárias visam chamar a atenção do leitor com títulos curtos e impactantes. · A compreensão dessas manchetes depende de um conhecimento compartilhado entre autor e leitor. · Exemplos como "Pipoco na Barra" ou "Alunos poderão filmar professores" só fazem sentido com o contexto adequado. Forma e Linguagem como Retratos da Sociedade · A linguagem usada em um texto reflete a época e a sociedade que o produziu. · O vocabulário, a estrutura e o grau de formalidade revelam informações sobre costumes e modos de pensar. TEXTOS Relatório do Sr. Trajano Reis, diretor do Serviço Sanitário do Paraná (1918) Em Paranaguá, n’aquella epocha, ia effectuar-se o casamento de uma filha do syrio Barbosa. Do Rio de Janeiro vieram assistir ás bodas alguns syrios, que estavam com o mal incubado. De Antonina e Morretes seguiram para aquella cidade, com o mesmo fim dos do Rio, alguns patricios do Sr. Barbosa. Folgaram juntos e cada um dos residentes em Antonina e Morretes trouxe consigo o gérmen do mal, que se disseminou com rapidez entre as populações das referidas cidades. Em Paranaguá, por sua vez, os hospedes fluminenses não só padeceram da molestia, como também a transmitiram aos patricios e á população. (Xavier, 1998) Coronavírus: número de passageiros cai até 50% nos transportes do Rio Os principais meios de transporte da região metropolitana do Rio de Janeiro registraram hoje (17) queda de até 50% no número de passageiros, depois que o Poder Público recomendou isolamento social como forma de prevenção ao coronavírus. Em um balanço parcial, o consórcio Rio Ônibus, que reúne as empresas que atendem ao município do Rio, informou que a redução no movimento de passageiros na manhã de hoje pode ter sido de mais de 50% em relação à demanda normal. Até ontem (16), quando o governo de estado anunciou situação de emergência, a queda estava estimada na faixa de 20% a 30%. (Lisboa, 2020) Comparação Entre Dois Textos Informativos · Ambos os textos analisados abordam epidemias (gripe espanhola e coronavírus) e têm caráter informativo. · O primeiro é um relatório do início do século XX, com linguagem formal, narrativa e vocabulário antiquado. · O segundo é uma notícia atual, com dados objetivos, estrutura direta e linguagem acessível ao público geral. · Apesar de tratarem de temas semelhantes, pertencem a gêneros diferentes e refletem contextos socioculturais distintos. Mudança Linguística e Impactos Sociais · A evolução da língua mostra transformações culturais e éticas ao longo do tempo. · Palavras e expressões antes comuns hoje soam ofensivas ou inaceitáveis. · O texto carrega marcas do tempo em que foi escrito, inclusive quanto a preconceitos e normas sociais vigentes. TEMA 3 – TEXTO E INFORMAÇÃO A Transmissão de Informações em Textos · A afirmação de que todo texto transmite informações depende da definição de “informação”. · No contexto da informática, informação é representada por dois valores: 0 e 1 (bits).· Esses valores indicam a presença (1) ou ausência (0) de fluxo de energia. Representação Digital de Conteúdos · Com os bits (0 e 1), é possível representar qualquer tipo de dado digital: textos, imagens, vídeos etc. · Bits se organizam em grupos de oito, chamados bytes. · Exemplo: uma selfie de 1.2 megabytes contém 1.200.000 sequências de oito dígitos (bits). Papel dos Softwares · Softwares dos dispositivos interpretam essas sequências numéricas. · São responsáveis por transformar os dados binários em imagens, textos e demais conteúdos visuais compreensíveis ao usuário. · Assim, vemos na tela, por exemplo, uma foto, mesmo que ela seja composta apenas por códigos numéricos. Quadro 3 – Exemplo de byte: Palavras e Informação · Nem toda palavra transmite informação direta. · Algumas apenas organizam o sentido da frase (ex.: preposições, conjunções, artigos). · Exemplo: a palavra "de" tem uma função abstrata. Sintaxe e Semântica · Sintaxe: regras de organização das palavras na frase. · Semântica: significado das palavras (o que está no dicionário). · Uma frase pode ter: · Palavras corretas, mas sintaxe errada → frase sem sentido. · Sintaxe correta, mas semântica estranha → frase gramatical, mas sem lógica. · Exemplo de Chomsky: "Incolores ideias verdes dormem furiosamente." · Está certa na sintaxe, mas não faz sentido sem contexto. Sentido de um Texto · O sentido depende da união entre: · Semântica (significado), · Sintaxe (estrutura), · Contexto (conhecimento do mundo). Funções da Linguagem (segundo Jakobson) · A linguagem não serve apenas para informar. · Existem 6 funções: 1. Referencial: transmitir informações sobre o mundo. 2. Emotiva: expressar emoções do falante. 3. Poética: focar na forma da mensagem. 4. Fática: manter o contato (ex.: "alô?"). 5. Metalinguística: explicar o próprio código (ex.: definir uma palavra). 6. Conativa: tentar influenciar o interlocutor. Exemplos das Funções · "Ana foi à festa." → função referencial (informa). · "Eu não acredito que Ana foi à festa." → função emotiva (expressa sentimento). · "Sabia que a Ana foi à festa?" → função conativa (provoca reação no ouvinte). Conclusão · Textos informam, mas também emocionam, convencem, mantêm o contato etc. · Na publicidade, por exemplo, o objetivo é convencer – há sempre mais de uma função em jogo. Leitura obrigatória Em sua biblioteca virtual, acesse o livro Comunicação e Expressão (León et al.). Leia o Capítulo 2. Níveis e Funções da Linguagem, p. 25. TEMA 4 – TEXTO E DISCURSO PUBLICITÁRIO O Que É Discurso (no Campo da Linguagem) · Discurso, na linguística, é o modo como a linguagem é usada em diferentes áreas da comunicação. · Cada área tem seu próprio discurso: médico, publicitário, jornalístico etc. · O discurso está relacionado ao propósito de quem fala ou escreve. Discurso Publicitário · Objetivo principal: vender – produtos, serviços, ideias ou formas de ver o mundo. · A publicidade busca sempre convencer o público. · Utiliza práticas linguísticas específicas para atingir esse fim. Exemplo 1: Campanha Coronavírus – Spot para Idoso (2020) · Tipo de texto: anúncio de rádio (spot). · Objetivo: informar e convencer o público a tomar atitudes corretas. · Estratégias usadas: · Imperativo: “fique em casa”. · Argumentação: “é extremamente importante”. · Tom emocional e de urgência. · Funções da linguagem predominantes: · Referencial (informação objetiva). · Conativa (convencimento/ação sobre o interlocutor). Exemplo 2: Filme “Realidade Possível” – Chevrolet Cruze (2018) · Tipo de texto: filme publicitário (TV e meio digital). · Apela para o contexto social e político (corrupção, desperdício). · Produto (o carro) só é mencionado no final. · Estratégia: imaginação + emoção → identificação do público com o produto. · Funções da linguagem predominantes: · Emotiva (expressa sentimentos e gera empatia). · Referencial, de forma indireta (cenário imaginado). Conclusão · O discurso publicitário utiliza estratégias variadas para convencer. · A escolha entre tom informativo, emotivo ou imperativo depende do contexto e do público-alvo. · Saber ler o contexto é essencial para a eficácia da mensagem publicitária. TEMA 5 – ESTRATÉGIAS DE LEITURA Como o Cérebro Entra em Ação Antes da Leitura · Antes da leitura começar de fato, o cérebro já interpreta elementos ao redor do texto. · Aspectos como formatação, imagens, veículo de publicação e estrutura física (parágrafos, tamanho) são percebidos imediatamente. · Essas pistas ajudam a identificar o gênero textual, influenciando nossa expectativa e compreensão. A Importância da Bagagem de Leitura · Nossa experiência prévia com textos é ativada automaticamente. · A bagagem de leitura ajuda a antecipar o conteúdo e o objetivo do texto. · Esse processo é tão natural que nem percebemos que está acontecendo. Observe as duas imagens abaixo: Figura 2 – Relatório Figura 3 – Impresso antigo Identificação Visual de Gêneros Textuais · Figura 2: relatório impresso com gráficos e números sugere conteúdo técnico; sua leitura depende da familiaridade prévia com esse tipo de texto. · Figura 3: página antiga de revista, com características visuais (cor, tipografia, borda) que indicam ser um poema de 1927. Leitura como Comparação Automática · Ao ler, o cérebro compara o texto atual com experiências de leitura anteriores. · Essa comparação ocorre automaticamente, mesmo antes de lermos palavra por palavra. A Leitura como Jogo de Encaixe (Frank Smith) · Leitura é comparada a um “jogo de encaixe”: novas informações se conectam a conhecimentos já existentes. · Sem esses encaixes prévios, a compreensão é comprometida. Texto: Há um trabalho desenvolvido pelo EMITENTE no sentido de centrar a atenção do DESTINATÁRIO sobre suas próprias atitudes e intenções, a fim de solicitar respostas comportamentais. Esse tipo de trabalho, que será levado em consideração em várias das secções seguintes, costuma referir-se a uma teoria dos “speech acts”. Esclarecido que essa noção de ‘speech acts’ deve também referir-se a atos não expressos verbalmente, podemos ater-nos à repartição canônica, embora insuficiente, entre atos LOCUCIONÁRIOS, atos ELOCUCIONÁRIOS e atos PERLOCUCIONÁRIOS. (ECO, 2014) Exemplo de Texto Incompreensível · O texto de Umberto Eco demonstra a dificuldade de entender sem familiaridade com o tema. · Mesmo conhecendo as palavras, a falta de contexto impede a compreensão. Como Aprendemos Coisas Novas pela Leitura · Aprender por leitura exige dois fatores: 1. Quantidade de novas informações: se for muita, dificulta a aprendizagem. 2. Pontos de referência: conexões com o que já sabemos facilitam o entendimento. Estratégias para Enfrentar Textos Difíceis 1. Pré-leitura: · Observe o texto como um todo: tamanho, divisões, imagens, título e subtítulos. · Formule hipóteses sobre o conteúdo e o propósito do texto. 2. Leitura: · Teste suas hipóteses durante a leitura. · Pesquise palavras desconhecidas. · Destaque trechos importantes e conceitos-chave. 3. Pós-leitura: · Reflita sobre suas hipóteses iniciais. · Tente resumir o texto com suas palavras. · Se conseguir explicá-lo, é sinal de que houve compreensão. image6.jpg image7.jpg image1.png image2.jpg image3.png image4.png image5.png