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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 38 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 CAPÍTULO 2.0 SEPSE NEONATAL A sepse neonatal é uma síndrome clínica decorrente da presença de agentes patogênicos em fluidos previamente estéreis, como sangue, urina ou líquor. É importante causa de mortalidade neonatal. Casos não tratados podem ter 50% de mortalidade. Quanto menor a idade gestacional, maior é a imaturidade do sistema imunológico, portanto maior é o risco de contrair a doença e ir a óbito. 2.1 CLASSIFICAÇÃO Ela pode ser classificada quanto ao tempo de aparecimento em: • SEPSE NEONATAL PRECOCE: Ocorre em até 72 horas de vida. • SEPSE NEONATAL TARDIA: Ocorre após 72 horas de vida. Apesar dessa ser a classificação mais comum, há algumas controvérsias na literatura, sendo que há autores que consideram precoce até 7 dias de vida. Felizmente, não vemos isso ser cobrado em provas, então considere a classificação acima! 2.1.1 SEPSE NEONATAL PRECOCE A precoce é a principal forma de sepse e está relacionada com os agentes da flora geniturinária materna. São eles: estreptococo beta (Streptococcus agalactiae - EGB ou GBS), E. coli, estafilococo coagulase-negativa e Listeria monocytogenes. O principal e mais agressivo deles é o Streptococcus agalactiae . Bateu uma sede! Vai um suquinho com gelo de coco, aí? Refresque-se e fique ligado no mnemônico! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 39 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 “GeLo de COCO” GeBS Listeria E. COIi E. COagulase negativo Veja como isso é frequentemente cobrado em provas! CAI NA PROVA (HCPA 2020) Assinale a alternativa que contempla germes que habitualmente causam sepse neonatal precoce. A) Enterococcus sp. e Staphylococcus aureus B) Chlamydia sp. e Listeria monocytogenes C) Staphylococcus epidermidis e Candida albicans D) Streptococcus agalactiae e Escherichia coli E) Enterococcus e Streptococcus agalactiae COMENTÁRIO Correta a alternativa D Os agentes causadores de sepse neonatal precoce são os da flora geniturinária materna: “GeLo de COCO”: GeBS (S. agalactie), Listeria, E.coli, S. coagulase-negativa. (HMMG 2020) Recém-nascido de 37 semanas, sexo feminino, nascido de parto vaginal; mãe com história de febre durante o parto, evoluiu sem outros sintomas, porém com 25 horas de vida a recém-nascida apresentava-se hipoativa, recusando a dieta e com hipertermia. Realizado exame de líquor que evidenciou: 210mg/dL de proteínas 410 leucócitos/ mm3. Qual o provável agente etiológico? A) Listeria monocytogenes. B) Streptococcus agalactiae. C) Staphylococcus aureus. D) Staphylococcus coagulase negativo. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 40 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 COMENTÁRIO Correta a alternativa B Aqui temos descrita uma sepse neonatal precoce, lembrando que os agentes são: “GeLo de COCO”: GeBS (S. agalactie), Listeria, E.coli, S. coagulase-negativa, sendo o mais agressivo e o mais provável deles o Streptococcus agalactie. Para considerarmos esse diagnóstico, é imprescindível que o examinador traga fatores de risco maternos que expõem o bebê a esses agentes, fique atento na sua prova a: FATORES DE RISCO PARA SEPSE NEONATAL FATORES MATERNOS FATORES DO NEONATO • Colonização da gestante por S. agalactie. • Ruptura prolongada (mais de 18 horas) de membranas amnióticas. • Corioamnionite. • Febre e infecção materna intraparto. • Infecção urinária materna. • Pré-natal incompleto. • Parto prolongado. • Líquido amniótico fétido ou meconial. • Trabalho de parto prematuro ou abortamentos de repetição sem causa aparente. • Prematuridade. • Baixo peso. • Sexo masculino. • Óbito fetal ou natimorto sem causa aparente em gestação anterior. • Gemelares, especialmente o primeiro gemelar. • APGAR no 5º minuto menor que 7. • Desconforto respiratório. • Necessidade de ventilação mecânica. A prematuridade e o baixo peso ao nascer são os principais fatores de risco associados à sepse neonatal. Além disso, esses neonatos são mais propensos à internação hospitalar e a procedimentos invasivos, que aumentam ainda mais o risco de desenvolver infecção. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 41 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 Acredite, esse conhecimento é essencial para sua prova! CAI NA PROVA (UNIMED RIO 2019) Dentre os fatores neonatais que predispõem a infecção, qual o mais importante: A) Ausência de pré-natal. B) Prematuridade. C) Filho de mãe diabética. D) Parto cesáreo. COMENTÁRIO Correta a alternativa B Opa, atenção para a pegadinha! Dos fatores apresentados, apenas a ausência de pré-natal e a prematuridade são fatores para sepse. Mas, apenas um deles é um fator NEONATAL: a prematuridade! A ausência de pré-natal é um fator materno. 2.1.2 SEPSE NEONATAL TARDIA Ocorre em neonatos internados em UTI neonatal ou que receberam alta para casa e foram expostos a germes da comunidade. Para os RNs hospitalizados, temos como germes principais: estafilococo coagulase-negativa, S. aureus, E. coli e fungos, porém devemos levar em conta a flora bacteriana de cada hospital. De origem comunitária, temos principalmente o S. aureus e a E. coli. AGENTES DA SEPSE NEONATAL TARDIA • Staphylococcus coagulase-negativa • S. aureus • E. coli • Klebsiella • Pseudomonas • Enterobacter • Candida • EGB; • Serratia • Acinetobacter • Anaeróbios m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 42 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 2.2 DIAGNÓSTICO DA SEPSE Os sinais clínicos são inespecíficos, portanto devemos unir fatores de risco + história clínica + exame físico. Os neonatos podem apresentar: • Distress respiratório ou até mesmo apneia. • Cianose. • Dificuldade para alimentar-se. • Má perfusão e sinais de choque. • Irritabilidade ou letargia. • Distensão abdominal, vômitos, intolerância alimentar. • Icterícia. • Instabilidade térmica, com hiper ou hipotermia. • Taquicardia ou bradicardia RELEMBRANDO! FC NORMAL DO RN 120-160 bpm RESPIRAÇÕES POR MINUTO 40-60 irpm Veja como isso é cobrado em provas! CAI NA PROVA (PUC SOROCABA 2020) Em relação aos sinais clínicos sepse neonatal, podemos afirmar: A) Os quadros abdominais são os predominantes. B) Os sinais são muito específicos e, normalmente, dispensam avaliação laboratorial. C) Os sinais são inespecíficos com relação à sepse. D) Os sinais de instabilidade hemodinâmica predominam e são específicos. COMENTÁRIO Correta a alternativa C Questão simples e direta! O quadro clínico da sepse é inespecífico e, para o diagnóstico, precisamos unir o exame físico com a história clínica. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 43 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 Antes de continuarmos, vamos dar uma pausa e falar de onfalite, que é uma importante causa de sepse neonatal. 2.3 ONFALITE A infecção bacteriana de partes moles do coto umbilical e na pele ao redor da inserção é chamada de onfalite. Se não tratada, pode atingir a parede abdominal e tecidos mais profundos, causando uma sepse. Geralmente causada por uma flora polimicrobiana, os agentes também dependem do tempo de início, assim como na sepse. Uma das principaisbactérias que colonizam a pele e podem causar onfalite grave é o Staphylococcus aureus. Ela ocorre frequentemente entre o 5º e o 9º dia de vida. O quadro clínico é de hiperemia ao redor do coto umbilical e secreção com mal cheiro. Você verá uma imagem na questão logo abaixo. Pode rapidamente evoluir para sepse, portanto a triagem infecciosa segue a conduta frente a ela, incluindo coleta de líquor e hemocultura, internamento hospitalar e início de antibioticoterapia endovenosa, como veremos a seguir. ONFALITE Hemograma Hemocultura Líquor Internação Antibioticoterapia venosa Vamos resolver uma questão! CAI NA PROVA (USP 2021) Recém-nascido (RN) do sexo masculino, 5 dias de vida, está internado em Unidade de Cuidados Intermediários para manejo de icterícia neonatal. Mãe com tipagem sanguínea O positivo, RN com tipagem AB positivo, Coombs negativo, Eluato positivo. Evoluiu com icterícia neonatal precoce e foi iniciada fototerapia com 20 horas de vida. Hoje colheu bilirrubinas, cujos níveis indicaram a suspensão da fototerapia. Foi indicada a alta hospitalar. Ao orientar a família, mãe refere que a criança está um pouco mais irritada. Foi notada hiperemia peri-umbilical conforme figura abaixo, com saída de secreção malcheirosa pelo coto. Está indicado neste momento: A) Manter a alta hospitalar, orientar reforçar higiene do coto umbilical com álcool 70% e retornar se houver piora clínica. B) Decidir sobre necessidade de internação e antibioticoterapia baseado no índice neutrofílico e na proteína C reativa. C) Cancelar a alta hospitalar, rastreamento infeccioso incluindo coleta de líquor e iniciar antibioticoterapia endovenosa empírica. D) Manter a alta hospitalar, introduzir tratamento tópico com nitrato de prata e retorno obrigatório em 48 horas para reavaliação. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 44 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 COMENTÁRIO Primeiro, repare que o neonato apresentou icterícia por incompatibilidade ABO e necessitou de fototerapia. Segundo, após indicada a alta, o médico reparou que o coto umbilical estava malcheiroso e hiperemiado. Essas são manifestações da onfalite. A conduta é suspender a alta, triar com exames laboratoriais e iniciar antibioticoterapia endovenosa empírica. Correta a alternativa C Incorretas as alternativas A e D. Não devemos manter a alta hospitalar. Esse RN precisa de internamento e tratamento. Incorreta a alternativa B. A antibioticoterapia é empírica e deve ser iniciada de imediato. Certo, voltando então à sepse neonatal, vamos seguir para o manejo. 2.4 MANEJO DA SEPSE O manejo da sepse não é consenso entre os autores e, por causa disso, temos visto muitas questões controversas e difíceis de serem resolvidas. Vamos então abordar o que temos visto responder a grande parte de questões de provas. Primeiro, um neonato com sinais e sintomas evidentes de sepse tem a indicação de triagem e tratamento empírico. Todo neonato com suspeita de sepse deve ser triado e tratado de imediato! Sepse precoce Hemograma Hemocultura Líquor Antibioticoterapia empírica Antibioticoterapia empíricaSepse tardia Hemograma Hemocultura Líquor Urina m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 45 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 Coleta de líquor. Punção suprapúbica. Não há tempo a perder! Na suspeita de sepse neonatal precoce, devemos coletar hemograma, hemocultura e líquor. Não há indicação de urocultura. Já na tardia, devemos coletar, além dos exames acima, urina por método estéril, como a punção suprapúbica ou a sondagem. Agora, atenção! Em ambos os casos devemos iniciar antibioticoterapia empírica após a coleta de exames! E o papel das provas de fase aguda? A proteína C-reativa (PCR) e a procalcitonina não são geralmente usadas nos protocolos de sepse neonatal. Contudo, são bons preditivos de infeção, especialmente a procalcitonina. Ela vem sendo estudada e apontada como um marcador confiável de infecção bacteriana grave. Lembrando que a PCR demora aproximadamente 12 horas para elevar-se após o início do processo infeccioso. Já a procalcitonina se eleva mais rápido, em um período de 6 horas, mas é pouco disponível. 2.4.1 SITUAÇÕES ESPECIAIS FILHOS DE MÃE GBS Esse provavelmente é o tópico mais cobrado dentro da sepse neonatal e, claro, o mais controverso. Primeiro, vamos conhecer o protocolo da SBP. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 46 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 Retirado de Tratado de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria - 4a edição. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 47 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 Parece um gráfico complicado, mas perceba que no final, independentemente do RN ser maior ou menor de 37 semanas, ter ou não a mãe recebido profilaxia contra GBS anteparto, o desfecho é o mesmo: Observação por 48 horas sem necessidade de de coleta de exames Agora, sendo um pouco contraditória, a SBP ainda afirma que: • Neonatos assintomáticos, mas com fatores de risco devem ser triados com hemocultura e hemograma (alguns protocolos incluem a proteína C-reativa). Esperamos o resultado dos exames para, se necessário, iniciar o tratamento. • Neonatos assintomáticos, nascidos de bolsa rota prolongada, mas sem febre materna devem ser apenas observados por 48 horas e triados apenas se sinais de sepse. • Neonatos assintomáticos, nascidos de mães com febre entre 48 horas antes e 24 horas após o parto, coletamos exames e iniciamos tratamento empírico. Confuso, não é mesmo? A EBSERH - UFRN, em 2021, em seu protocolo de sepse neonatal traz que todos os RNs com fatores de risco, incluindo a colonização por GBS sem profilaxia, devem ser avaliados clinicamente. Ele indica também o uso de uma calculadora (EOS calculator) que leva em consideração a idade gestacional, o tempo de bolsa rota, a temperatura materna e a colonização por GBS para determinar a probabilidade de sepse precoce. Porém, mais para frente no mesmo protocolo ele sugere que a observação clínica por 48 horas é melhor que a calculadora e que a coleta de exames complementares para a definição de sepse. Já o Ministério da Saúde não possui conduta oficial quanto ao paciente assintomático, apenas para os sintomáticos. VAMOS FALAR DE ENGENHARIA REVERSA? O que temos visto mais frequentemente em provas como correto? A observação clínica por 48 horas de RNs termo, assintomáticos e com fatores de risco, mesmo GBS sem profilaxia. Vamos treinar? Não desista agora! CAI NA PROVA (UNICAMP 2020) Recém-nascido a termo, filho de mãe colonizada por Streptococcus agalactiae nasce de parto vaginal, em boas condições de vitalidade e encontra-se bem. Mãe recebeu ampicilina 5 horas antes do parto. A conduta para esse recém-nascido é: A) Coleta de hemocultura e internação em Unidade Semi-intensiva. B) Coleta de hemocultura e alojamento conjunto. C) Coleta de hemograma e proteína C-reativa. D) Observação clínica em alojamento conjunto. COMENTÁRIO Correta a alternativa D Temos aqui um filho de mãe colonizada por GBS. Nesses casos, se o neonato for assintomático, independentemente da profilaxia materna, fazemos observação por 48 horas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 48 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. HelenaSchetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 (PSU AL 2018) Mãe acompanhada no pré-natal de risco habitual. Realizou sorologias com resultados negativos para sífilis, HIV e hepatite B. Imune a Toxoplasmose. Deu entrada na maternidade em trabalho de parto e história de perda de líquido há 20 horas, com idade gestacional estimada de 34 semanas. Parto por via vaginal, imediatamente após a internação. Com uma hora de vida, dificuldade respiratória, apresentando pontuação de 4 pelo Boletim de Silverman-Anderson. Qual a conduta CORRETA em relação a abordagem de sepse neonatal precoce pelo estreptococo do grupo B? A) Alta a partir de 24 horas se clinicamente estável B) Iniciar antibioticoterapia logo após o nascimento C) Manter o recém-nascido em observação clínica por 48 horas D) Solicitar exames laboratoriais: hemograma, hemocultura e PCR e aguardar resultado da hemocultura para iniciar antibioticoterapia COMENTÁRIO Já nessa questão, diferentemente da anterior, temos uma criança sintomática, filha de mãe com bolsa rota há mais de 18 horas. Há uma grande chance de sepse neonatal precoce e a conduta é triagem infecciosa e antibioticoterapia empírica. Correta a alternativa B Incorretas as alternativas A e C. O neonato sintomático deve sempre ser triado e tratado. Incorreta a alternativa D. A antibioticoterapia é empírica e não deve aguardar o resultado de exames. (SUS SP 2017) Uma gestante, secundigesta, com um abortamento espontâneo há 2 anos, atualmente 38 semanas de idade gestacional. Interrompeu o pré-natal há 4 semanas (compareceu a 5 consultas) e há 15 dias foi a um pronto atendimento e realizou tratamento para infecção urinária. Admitida na maternidade, com rotura de membranas há 19 horas, evolui para parto vaginal, 3 horas após a admissão. Recebeu uma dose de antibiótico (cefalexina), na chegada. Com 21 horas de vida o recém-nascido apresenta temperatura de 38,5 oC, tremores e taquidispneia, além de tempo de enchimento capilar aumentado. O raio x de tórax revela foco em base direita. A coleta do líquor para investigação A) não deve ser feita, pois não modifica a conduta e aumenta o risco de complicações. B) deve ser feita, mas apenas se a proteína C reativa estiver alterada. C) deve ser feita, mas apenas se a hemocultura for positiva. D) deve ser feita, pois nos casos de sepse precoce existe risco de meningite. E) não deve ser feita, pois existe foco definido. COMENTÁRIO O examinador traz, mais uma vez, um RN sintomático, com uma possível sepse precoce. A triagem infecciosa deve ser feita com hemocultura e coleta de líquor, pois há risco de meningite. Correta a alternativa D Incorretas as alternativas A e E. O líquor deve ser coletado em casos de suspeita de sepse. Incorretas as alternativas B e C. A coleta de líquor não depende nem da proteína C, nem da hemocultura. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 49 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 2.5 EXAMES COMPLEMENTARES Vamos nos aprofundar nos exames complementares agora! • HEMOCULTURA A hemocultura, quando positiva, é o padrão-ouro para o diagnóstico de sepse, pois tem alta especificidade. Mas, como tem baixa sensibilidade, quando negativa, não exclui o diagnóstico. • HEMOGRAMA O hemograma do RN, principalmente nas primeiras horas de vida, pode apresentar leucocitose com predomínio de neutrófilos e até desvio para esquerda, não tendo isoladamente um bom valor preditivo positivo para sepse neonatal precoce. Por isso, aguardamos entre 24 e 48 horas para solicitá-lo. O Escore Hematológico de Rodwell mede a possibilidade de sepse neonatal baseada no hemograma. Um índice ≥ 3 no hemograma é sugestivo de infecção. As questões vistas até agora não cobraram o conhecimento desse Escore, mas vou colocá-lo aqui para seu conhecimento clínico. Escore Hematológico de Rodwell Um ponto para cada alteração: • Leucocitose ou leucopenia: Considerar leucocitose > 25.000 ao nascimento, ou > 30.000 entre 12 e 24 horas, ou > 21.000 acima de 48 horas de vida; Considerar leucopenia 0,3); • Alterações degenerativas nos neutrófilos com vacuolização e granulação tóxica; • Plaquetopenia 20mg/dL >30mg/dL Celularidade 20-30 leucócitos/mm3 20-30 leucócitos/mm3 Bacterioscopia Negativa Negativa m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 50 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 2.6 TRATAMENTO Lembre-se de que, além das medidas gerais, devemos instituir o uso de antibióticos empíricos endovenosos na simples suspeita de sepse. Para a sepse precoce, a antibioticoterapia mais utilizada é a ampicilina associada à gentamicina. A ampicilina cobre S. agalactiae e Listeria. A gentamicina cobre gram-negativos, como a E. coli. Para sepse tardia, iniciamos geralmente com oxacilina e amicacina. Em casos de resistência à oxacilina, utilizamos a vancomicina. Iniciamos com esses antibióticos e escalonamos de acordo com as culturas. A duração do tratamento deve ser de 7 a 10 dias. No caso de meningite associada, devemos sempre combinar uma cefalosporina de terceira ou quarta geração. O cefepime é uma opção com boa cobertura para gram-negativos hospitalares e boa penetração no sistema nervoso central. A ceftriaxona não é indicada no período neonatal pelo risco de causar lama biliar. SEPSE PRECOCE: AMPICILINA + GENTAMICINA. SEPSE TARDIA: OXACILINA + AMICACINA. NA PRESENÇA DE MENINGITE, ASSOCIAR CEFALOSPORINA DE 3ª OU 4ª GERAÇÃO. CAI NA PROVA (UFT 2020) Recém-nascido de 25 dias de vida, internado por quadro de letargia, vômitos e febre. Na avaliação não foi observado qualquer foco infeccioso, sendo realizado hemograma que apresentou contagem leucocitária de 25.000 com predomínio de neutrófilos (82%). Devido a essas alteração, optou-se pela punção lombar para avaliar a possibilidade de uma meningite. O exame apresentou uma celularidade de 250 leucócitos, sem hemácias, o diferencial com 95% de neutrófilos, aumento de proteínas e redução da glicose. Neste caso, a conduta adequada é: A) Internação com oxacilina e amicacina, pois se trata de uma sepse tardia, devendo ser realizado um tratamento de no mínimo 7 dias. B) Internação com ampicilina em altas doses, associado à gentamicina, pois se trata de uma sepse primária, no qual os principais agentes são germes do canal de parto. C) Internação com cefalosporina de 3 geração, associado à ampicilina. Nestes casos, os agentes mais comuns são os germes de canal de parto e a Listeria monocytogenes. D) Internação em UTI com cefepime e vancomicina, pois se trata de uma infecção tardia com risco de evolução para sepse grave e óbito, não havendo tempo para esperar efeito de medicações habituais. E) Internação em UTI, avaliar a necessidade de antibióticos, conforme o resultado de culturas e antibiogramas, devendo, neste caso, manter hidratação venosa apenas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 51 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 COMENTÁRIO O neonato em questão apresenta quadro clínico inespecífico, mas com hemograma e líquor sugestivos de sepse neonatal tardia com meningite. Primeira pergunta: onde ele deve ser internado? Na UTI! Repare que o quadro é grave, não temos como internar um neonatoletárgico em enfermaria, certo? Segunda pergunta: a sepse neonatal é precoce ou tardia? Tardia, pois iniciou após 72 horas de vida. Essa infecção está relacionada a germes comunitários, visto que ele não estava internado. Por fim: que antibioticoterapia iniciar? Oxacilina, amicacina e uma cefalosporina de 3ª ou 4ª geração. Aqui, ele optou por iniciar a vancomicina, pensando em um estafilococo resistente à oxacilina. Tudo bem, devido à gravidade do caso, essa seria uma opção. Correta a alternativa D Incorreta a alternativa A. Essa alternativa não está correta, pois além de a internação ser em UTI, falta a associação da cefalosporina. Incorreta a alternativa B. A sepse é tardia. A sepse precoce é a que está associada aos germes do canal de parto. Incorreta a alternativa C. A sepse tardia está associada a germes comunitários ou hospitalares, não aos do canal de parto. Incorreta a alternativa E. O quadro é grave e não há tempo a perder! (FUBOG 2019) Recém-nascido a termo, nascido de parto normal, mãe com história de perda de líquidos há 2 dias, evoluiu com quadro de desconforto respiratório com 12 horas de vida. Feito diagnóstico de sepse neonatal precoce. Quais os principais agentes e qual o esquema antimicrobiano indicado? A) S. epidermidis e Pseudomonas; oxacilina + amicacina B) S. aureus e E. coli; penicilina cristalina + gentamicina. C) Estreptococos agalactiae e E. coli; ampicilina + gentamicina. D) Listeria e Klebsiela; penicilina cristalina + amicacina. COMENTÁRIO Correta a alternativa C A sepse neonatal precoce está associada aos germes do trato geniturinário materno (GeLo de COCO – GBS, Listeria, estafilococos coagulase-negativa e E. coli). O tratamento empírico é feito com ampicilina + gentamicina. 2.7 PROFILAXIA PARA GBS A quimioprofilaxia intraparto para o estreptococo beta agalactiae será vista com detalhes pelos meus colegas da obstetrícia. Para resolver as questões de pediatria, você precisa saber que ela diminui a incidência da transmissão vertical e da sepse neonatal. O quadro abaixo resume a conduta em relação à antibioticoterapia profilática intraparto. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED PEDIATRIA 52 Icterícia e Sepse Neonatal Prof. Helena Schetinger| Curso Extensivo | Agosto 2022 ANTIBIOTICOTERAPIA INTRAPARTO GBS NEGATIVO NÃO FAZER GBS POSITIVO FAZER GBS DESCONHECIDO 37 SEMANAS, ASSINTOMÁTICA: NÃO FAZER > 37 SEMANAS, COM FEBRE, ROTURA PROLONGADA DE MEMBRANAS OU SEPSE NEONATAL EM GESTAÇÃO ANTERIOR: FAZER Muito bem, chegamos ao final, eu sabia que você conseguiria! Vamos resumir a conduta na sepse? RN Exames Antibioticoterapia Sintomático com menos de 72h de vida Hemocultura Hemograma Líquor Ampicilina + Gentamicina Associar cefalosporina de 3ª geração na meningite Sintomático com mais de 72h de vida Hemocultura Hemograma Líquor Urina Oxacilina Amicacina Associar cefalosporina de 3ª geração na meningite Assintomático + fatores de risco Não. Apenas observar. Apenas se sinais de sepse Assintomático + Febre materna Hemocultura Hemograma Líquor Ampicilina + Gentamicina Associar cefalosporina de 3ª geração na meningitem e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥