pistas do método da cartografia - pesquisa intervenção e produção de subjetividade (1)

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#pesquisa#cartografia#intervenção

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Diante de tantas pregações que nos são coloca-
das, escrever sobre metodologia de pesquisa, hoje em

dia, certamente não se trata de tarefa fácil. Neste livro,
que preferiria denominar de livro-coragem, os autores
abraçam o desafio de traçar reflexões e pistas para o

procedimento cartográfico que outros pesquisadores já
vinham anunciando. Aqui, as anteriores contribuições são
arrancadas de suas origens, incorporam-se à atualidade
e seguem, potencializadas pelas clarezas de um novo re-

começo.
Edificação em platôs, este livro constitui também

extensões de outras vozes que antecederam às de seus
autores. Não se trata de reproduzi-Ias em um eco inter-

minável. Refere-se a retomar um certo começo já anun-
ciado, para aprofundá-lo e recuá-lo no tempo. Trata-se de

um segundo movimento que se torna indispensável para
a lei da série e da repetição. Um recomeço que pertence

aos sonhos e à imaginação e que prolifera nas diversas
direções de um teatro de incessantes individuações cuja

base não são os corpos concretos dos agentes, mas as
potências impessoais que concernem ao devi r revolu-
cionário. Livro-deserto, efeito de superficie para vozes de
uma pequena multidão e, ainda, plano de inscrição de al-

guns rumores e murmúrios impronunciados.
Livro-povo que escreve a contra pelo da história

das práticas em pesquisa e busca assentar o território do
outro no vasto mar das convenções estabelecidas e legiti-

madas. Como em Germinai, de Émile Zola, um livro pelo
qual vemos as colunas de homens e mulheres em marcha

para não se deixarem engolfar pelo estado de coisas e
sequer pela lógica de uma subjetividade unificada por um

EU.
a livro remete-nos à força de contágio que é pro-

duzida pela busca cartográfica que, sendo feita com rigor,
dispensa, no entanto, regras ou protocolos e propõe-se

como operação simultânea de subjetivação-objetivação.
De algum modo, assim, anuncia-se a morte do sujeito-au-

tor. Ficamos com seus gestos, que duram e insistem em
nós, contagiando-nos a fazer proliferar aquilo que apenas

estava dado num primeiro momento como potencial. Tor-
namo-nos coautores de mundos e de práticas de habitá-
los, fazemo-nos parte daquilo que nos força a pensar, ex-
perimentamos as vertigens do corpo-terra-pensamento.

PISTAS DO MÉTODO
DA CARTOGRAFIA

Pesquisa-intervenção
e produção de subjetividade



Editora Sulina

Orgs.
Eduardo Passos

Virgínia Kastrup
Liliana da Escóssia

PISTAS DO MÉTODO
DA CARTOGRAFIA

Pesquisa-intervenção
e produção de subjetividade

Universidade Federal FluminenseUFRJUFS

Maurício Mangueira
Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Psicologia,

Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social.

CONSELHO EDITORIAL

do livro Pistas do método da cartografia

Tania Galli Fonseca
Universidade Federal do Rio Grande do Sul,

Programas de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

e de Informática na Educação.

Maria Elizabeth Barros de Barros
Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Psicologia,

Programa de Pós-Graduação em Psicologia Institucional.

Sérgio Carvalho
Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Medicina Preventiva,

Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva.

Apoio:



, Autores, 2009

Capa: Alexandre de Freitas, sobre litografia de Angelo Marzano
Projeto Gráfico: FOSFOROGRÁFICO/CloSbardelotlo
Editoração: Cio Sbardelotlo
Revisão: Patrícia Aragão

Editor: Luis Gomes

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Bibliotecária responsável: Denise Mari de Andrade Souza CRB 10/960

P679 Pistas do método da cartografia: Pesquisa-intervenção e produção
de subjetividade / orgs. Eduardo Passos, Virgínia Kastrup e

Liliana da Escóssia. - Porto Alegre: Sulina, 2009.
207 p.

ISBN: 978-85-205-0530-4

1. Psicologia. 2. Psicanálise. 3. Filosofia. I. Passos, Eduardo.
11. Kastrup, Virgínia. 111. Escóssia, Liliana da.

CDD: 150
CDD: 101

159.9
159.964.2

Todos os direitos desta edição reservados à

EDITORA MERI DIONAL LTDA.

Av. Osvaldo Aranha, 440 - conj. 101
CEP: 90035-190 - Porto Alegre - RS

Tel.: (51) 3311-4082 Fax: (51) 3264-4194
suli na@editorasulina.com.br

www.editorasulina.com.br

Setembro / 2009
Impresso no Brasil / Printed in Brazil

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I

SUMÁRIO

Apresentação / 7
Eduardo Passos, Virgínia Kastrup e Liliana da Escóssia

Pista 1
A cartografia como método de pesquisa-intervenção / 17

Eduardo Passos e Regina Benevides de Barros

Pista 2
O funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo / 32

Virgínia Kastrup

Pista 3
Cartografar é acompanhar processos / 52

Laura Pozzana de Barros e Virgínia Kastrup

Pista 4
Movimentos-funções do dispositivo na prática da cartografia / 76

Virgínia Kastrup e Regina Benevides de Barros

Pista 5
O coletivo de forças como plano de experiência cartográfica / 92

Li/iana da Escóssia e Si/via Tedesco

Pista 6
Cartografia como dissolução do ponto de vista do observador / 109

Eduardo Passos e André do Eirado

Pista 7
Cartografar é habitar um território existencial / 131

Johnny A/varez e Eduardo Passos

Pista 8
Por uma política da narratividade / 150

Eduardo Passos e Regina Benevides de Barros

Diário de bordo de uma viagem-intervenção / 172
Regina Benevides de Barros e Eduardo Passos

Posfácio
Sobre a formação do cartógrafo e o problema das políticas cognitivas / 201

Eduardo Passos, Virgínia Kastrup e Liliana da Escóssia

. Sobre os autores / 206



APRESENTAÇÃO

Nos anos 2005 a 2007 um grupo de professores e pesqui-

sadores se reuniu uma vez por mês no Departamento de Psico-

logia da Universidade Federal Fluminense e no Instituto de Psico-

logia da Universidade Federal do Rio de Janeiro em seminários de

pesquisa cujo objetivo foi a elaboração das pistas do método da
cartografia. Unidos pela afinidade teórica com o pensamento de

Gilles Deleuze e Félix Guattari e por inquietações relativas à me-

todologia de pesquisa, Eduardo Passos, Virgínia Kastrup, Silvia
Tedesco, André do Eirado, Regina Benevides, Auterives Maciel,

Liliana da Escóssia, Maria Helena Vasconcelos, Johnny Alvarez

e Laura Pozzana, bem como diversos alunos de graduação e pós-

graduação apresentaram e discutiram ideias, criaram duplas de
trabalho, escreveram textos e, num ambiente de parceria, realiza-

ram um fecundo exercício de construção coletiva do conhecimento.

Definimos inicialmente que a cada encontro nos dedicaríamos a

uma de dez pistas do método da cartografia - o que chamávamos

de "decálogo do método da cartografia". Foram três anos de tra-

balho. Em 2005 realizamos a primeira rodada de discussão. A cada
encontro uma dupla apresentava as ideias disparadoras do debate,

visando à coletivização do esforço de sistematização do método.

Em 2006 cada dupla apresentou um texto a ser discutido no gru-

po. Muitos comentários, críticas e ajustes propostos. Em 2007

houve nova rodada de discussão, agora já trabalhando com os tex-
tos revisados. As discussões versavam sobre questões teórico-

conceituais, buscavam a formulação adequada _dos problemas

metodológicos, envolveram a eliminação e o acréscimo de pistas

e concorreram para o desenho final que este livro assumiu 1.

I Uma primeira versão das pistas do método da cartografia foi apresentada
no texto de Virgínia Kastrup: "O método da cartografia e os quatro níveis da

7



Investigando processos de produção de subjetividade, en-

trávamos em um debate metodológico que tradicionalmente se

organiza prioritariamente a partir da oposição entre métodos de

pesquisa quantitativa e qualitativa. Os impasses metodológicos são

muitas vezes atribuídos à natureza da pesquisa qualitativa, que

reúne grande parte das investigações no campo dos estudos da

subjetividade. Argumenta-se que se a pesquisa quantitativa se ade-

qua bem a frames e scripts preexistentes, como testes e questio-

nários padronizados, além de contar com métodos estatísticos e

softwares de última geração que dão a tranquilizadora imagem

de sofisticação e exatidão científica, o mesmo não ocorre com a

pesquisa qualitativa. Esta requer procedimentos mais abertos e

ao mesmo tempo mais inventivos.
Eva Freire fez um comentário
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